{"id":22675,"date":"2016-01-20T00:00:00","date_gmt":"2016-01-20T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/historia-da-feijoada\/"},"modified":"2026-09-01T15:48:03","modified_gmt":"2026-09-01T15:48:03","slug":"historia-da-feijoada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/culinaria-2\/historia-da-feijoada\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3ria da Feijoada"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"imagem\"><img decoding=\"async\" title=\"Hist\u00f3ria da Feijoada\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/feijoa1.jpg\" alt=\"Hist\u00f3ria da Feijoada\" \/><\/p>\n\n<h4>Feijoada: breve hist\u00f3ria de uma institui\u00e7\u00e3o comest\u00edvel<\/h4>\n\u0093O paladar n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o universal como a fome\u0094, disse Lu\u00eds da C\u00e2mara Cascudo em 1968. O ilustre etn\u00f3grafo e mais importante folclorista do Pa\u00eds referia-se a um prato brasileiro, talvez o mais tipicamente brasileiro: a\u00a0<strong>feijoada<\/strong>.\n\nPara ele, era preciso uma predisposi\u00e7\u00e3o especial para que se pudesse apreciar os sabores do prato, assim como para usufruir de todas as nuan\u00e7as de certos vinhos. Em outras palavras, a culin\u00e1ria \u0096 e mesmo a \u0093simples\u0094 aprecia\u00e7\u00e3o desta \u0096 pressup\u00f5e a educa\u00e7\u00e3o de um importante sentido, o paladar. Por isso, \u00e9 bom conhecer um pouco da trajet\u00f3ria dessa institui\u00e7\u00e3o nacional que, al\u00e9m de ser uma das mais perenes, tem a vantagem de ser comest\u00edvel.\n\nConvencionou-se que a\u00a0<strong>feijoada<\/strong>\u00a0foi inventada nas senzalas. Os escravos, nos escassos intervalos do trabalho na lavoura, cozinhavam o feij\u00e3o, que seria um alimento destinado unicamente a eles, e juntavam os restos de carne da casa-grande, partes do porco que n\u00e3o serviam ao paladar dos senhores. Ap\u00f3s o final da escravid\u00e3o, o prato inventado pelos negros teria conquistado todas as classes sociais, para chegar \u00e0s mesas de car\u00edssimos restaurantes no s\u00e9culo XX.\n\nMas n\u00e3o foi bem assim.\n\nA hist\u00f3ria da\u00a0<strong>feijoada<\/strong>\u00a0\u0096 se quisermos tamb\u00e9m apreciar seu sentido hist\u00f3rico \u0096 nos leva primeiro \u00e0 hist\u00f3ria do feij\u00e3o. O feij\u00e3o-preto, aquele da feijoada tradicional, \u00e9 de origem sul-americana. Os cronistas dos primeiros anos de coloniza\u00e7\u00e3o j\u00e1 mencionam a iguaria na dieta ind\u00edgena, chamado por grupos guaranis ora comanda, ora coman\u00e1, ora cuman\u00e1, j\u00e1 identificando algumas varia\u00e7\u00f5es e subesp\u00e9cies.\n\nO viajante franc\u00eas Jean de L\u00e9ry e o cronista portugu\u00eas Pero de Magalh\u00e3es G\u00e2ndavo, ainda no s\u00e9culo XVI, descreveram o feij\u00e3o, assim como o seu uso pelos nativos do Brasil. A segunda edi\u00e7\u00e3o da famosa Hist\u00f3ria Naturalis Brasiliae, do holand\u00eas Willen Piso, revista e aumentada em 1658, tem um cap\u00edtulo inteiro dedicado \u00e0 nobre semente do feijoeiro.\n\nO nome pelo qual o chamamos, por\u00e9m, \u00e9 portugu\u00eas. Na \u00e9poca da chegada dos europeus \u00e0 Am\u00e9rica, no in\u00edcio da Idade Moderna, outras variedades desse vegetal j\u00e1 eram conhecidas no Velho Mundo, aparecendo a palavra feij\u00e3o escrita pela primeira vez, em Portugal, no s\u00e9culo XIII (ou seja, cerca de trezentos anos antes do Descobrimento do Brasil).\n\nApenas a partir de meados do s\u00e9culo XVI, come\u00e7ou-se a introduzir outras variedades de feij\u00e3o na col\u00f4nia, algumas africanas, mas tamb\u00e9m o feij\u00e3o consumido em Portugal, conhecido como feij\u00e3o- fradinho (de cor creme, ainda hoje muito popular no Brasil, utilizado em saladas e como massa para outros pratos, a exemplo do tamb\u00e9m famoso acaraj\u00e9).\n\nOs cronistas do per\u00edodo compararam as variedades nativas com as trazidas da Europa e \u00c1frica, e foram categ\u00f3ricos, acompanhando a opini\u00e3o do portugu\u00eas Gabriel Soares de Souza, expressa em 1587: o feij\u00e3o do Brasil, o preto, era o mais saboroso. Caiu no gosto dos portugueses.\n\nAs popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas obviamente o apreciavam, mas tinham prefer\u00eancia por outro vegetal, a mandioca, raiz que comiam de v\u00e1rias formas \u0096 e at\u00e9 transformavam em bebida fermentada, o cauim \u0096 e que caiu tamb\u00e9m nas gra\u00e7as dos europeus e dos africanos.\n\nA mandioca era o alimento principal dos luso-americanos da capitania de S\u00e3o Paulo, os paulistas, que misturavam sua farinha \u00e0 carne cozida, fazendo uma pa\u00e7oca que os sustentava nas suas intermin\u00e1veis viagens de ca\u00e7a a \u00edndios para a escraviza\u00e7\u00e3o. Mas tamb\u00e9m comiam feij\u00e3o. Feij\u00e3o-preto.\n<p class=\"imagem\"><img decoding=\"async\" title=\"Hist\u00f3ria da Feijoada\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/feijoa2.jpg\" alt=\"Hist\u00f3ria da Feijoada\" \/><\/p>\nO feijoeiro, em todas as suas variedades, tamb\u00e9m facilitou a fixa\u00e7\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es no territ\u00f3rio luso-americano. Era uma cultura essencialmente dom\u00e9stica, a cargo da mulher e das filhas, enquanto o homem se ocupava com as outras planta\u00e7\u00f5es e com o gado.\n\nA facilidade do manejo e seus custos relativamente baixos fizeram com que a cultura do feij\u00e3o se alastrasse no s\u00e9culo XVIII entre os colonos. Segundo Cascudo, tornou-se lugar-comum nas resid\u00eancias humildes do interior do Pa\u00eds a exist\u00eancia do \u0093ro\u00e7adinho\u0094, no qual era atributo quase que exclusivo das mulheres o \u0093apanhar\u0094 ou \u0093arrancar\u0094 feij\u00f5es.\n\nA dispers\u00e3o populacional dos s\u00e9culos XVIII e XIX (at\u00e9 ent\u00e3o a coloniza\u00e7\u00e3o era restrita \u00e0s \u00e1reas litor\u00e2neas), seja por conta dos currais do Nordeste, do ouro e dos diamantes do Centro-Oeste ou das quest\u00f5es de fronteira com os dom\u00ednios espanh\u00f3is no Sul, foi extremamente facilitada pelo prestigiado vegetal. Atr\u00e1s dos colonos, foi o feij\u00e3o. Ao lado da mandioca, ele fixava o homem no territ\u00f3rio e fazia, com a farinha, parte do bin\u00f4mio que \u0093governava o card\u00e1pio do Brasil antigo\u0094.\n\nNo in\u00edcio do s\u00e9culo XIX, absolutamente todos os viajantes que por aqui passaram e descreveram os h\u00e1bitos dos brasileiros de ent\u00e3o mencionaram a import\u00e2ncia central do feij\u00e3o como alimento nacional.\n\nNo in\u00edcio do s\u00e9culo XIX, absolutamente todos os viajantes que por aqui passaram e descreveram os h\u00e1bitos dos brasileiros de ent\u00e3o mencionaram a import\u00e2ncia central do feij\u00e3o como alimento nacional. Henry Koster afirmou em Recife, em 1810, que o feij\u00e3o cozido com o sumo da polpa do coco era delicioso. O pr\u00edncipe Maximiliano de Wied-Neuwied comeu feij\u00e3o com coco na Bahia, em 1816, e adorou.\n\nO franc\u00eas Saint-Hilaire sentenciava, nas Minas Gerais de 1817: \u0093O feij\u00e3o-preto forma prato indispens\u00e1vel na mesa do rico, e esse legume constitui quase que a \u00fanica iguaria do pobre\u0094. <strong>Carl Seidler, militar alem\u00e3o, narrando o Rio de Janeiro do Primeiro Reinado, descrevia, em 1826, a forma como era servido:<\/strong> \u0093acompanhado de um peda\u00e7o de carne de r\u00eas (boi) seca ao sol e de toucinho \u00e0 vontade\u0094, reproduzindo em seguida uma m\u00e1xima que atravessaria aquele s\u00e9culo e constitui ainda hoje, para o brasileiro comum, uma verdade insuper\u00e1vel: \u0093n\u00e3o h\u00e1 refei\u00e7\u00e3o sem feij\u00e3o, s\u00f3 o feij\u00e3o mata a fome\u0094. Mas, destoando dos outros cronistas, opinava: \u0093o gosto \u00e9 \u00e1spero, desagrad\u00e1vel\u0094.\n\nSegundo ele, s\u00f3 depois de muito tempo o paladar europeu poderia acostumar-se ao prato. Spix e Martius, naturalistas que acompanharam a comitiva da primeira imperatriz do Brasil, a arquiduquesa austr\u00edaca Leopoldina, fizeram refer\u00eancia \u00e0 \u0093alimenta\u00e7\u00e3o grosseira de feij\u00e3o-preto, fub\u00e1 de milho e toucinho\u0094 em Minas Gerais. Tamb\u00e9m citaram o feij\u00e3o como alimento b\u00e1sico dos baianos, inclusive dos escravos. O norte-americano Thomas Ewbank, em 1845, escreveu que \u0093feij\u00e3o com toucinho \u00e9 o prato nacional do Brasil\u0094.\n\nPor\u00e9m, o retrato mais vivo do preparo comum do feij\u00e3o \u0096 n\u00e3o \u00e9 ainda a\u00a0<strong>feijoada<\/strong>\u00a0\u0096 foi feito pelo pintor franc\u00eas Jean-Baptiste Debret, fundador da pintura acad\u00eamica no Brasil, sobrinho e disc\u00edpulo de Jacques-Louis David. Descrevendo o jantar da fam\u00edlia de um humilde comerciante carioca durante a estadia da corte portuguesa no Rio de Janeiro, afirmou que \u0093se comp\u00f5e apenas de um miser\u00e1vel peda\u00e7o de carne-seca, de tr\u00eas a quatro polegadas quadradas e somente meio dedo de espessura; cozinham-no a grande \u00e1gua com um punhado de feij\u00f5es-pretos, cuja farinha cinzenta, muito substancial, tem a vantagem de n\u00e3o fermentar no est\u00f4mago.\n\nCheio o prato com esse caldo, no qual nadam alguns feij\u00f5es, joga-se nele uma grande pitada de farinha de mandioca, a qual, misturada com os feij\u00f5es esmagados, forma uma pasta consistente que se come com a ponta da faca arredondada, de l\u00e2mina larga. Essa refei\u00e7\u00e3o simples, repetida invariavelmente todos os dias e cuidadosamente escondida dos transeuntes, \u00e9 feita nos fundos da loja, numa sala que serve igualmente de quarto de dormir\u0094.\n<p class=\"imagem\"><img decoding=\"async\" title=\"Hist\u00f3ria da Feijoada\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/feijoa3.jpg\" alt=\"Hist\u00f3ria da Feijoada\" \/><\/p>\nAl\u00e9m de professor da Academia Real de Belas-Artes, Debret, que esteve no Brasil entre 1816 e 1831, notabilizou- se pela realiza\u00e7\u00e3o de uma verdadeira cr\u00f4nica pict\u00f3rica do pa\u00eds do in\u00edcio do s\u00e9culo XIX, em especial do Rio de Janeiro, na qual constam pinturas como Armaz\u00e9m de carne-seca e Negros vendedores de lingui\u00e7a, al\u00e9m da referida cena da refei\u00e7\u00e3o.\n\nPortanto, nem s\u00f3 de feij\u00e3o viviam os homens. Os ind\u00edgenas tinham uma dieta variada, e o feij\u00e3o nem mesmo era o seu alimento preferido. Os escravos tamb\u00e9m comiam mandioca e frutas, apesar da base do feij\u00e3o. Mas h\u00e1 o problema da combina\u00e7\u00e3o de alimentos, tamb\u00e9m levantado por C\u00e2mara Cascudo na sua bel\u00edssima Hist\u00f3ria da Alimenta\u00e7\u00e3o no Brasil.\n\nHavia, na \u00c9poca Moderna, entre os habitantes da col\u00f4nia (sobretudo os de origem ind\u00edgena e africana), tabus alimentares que n\u00e3o permitiam uma mistura completa do feij\u00e3o e das carnes com os outros legumes. Entre os africanos, ali\u00e1s, muitos de origem mu\u00e7ulmana ou influenciados por esta cultura, havia interdi\u00e7\u00e3o do consumo da carne de porco. Como, afinal, poderiam fazer nossa conhecida\u00a0<strong>feijoada<\/strong>?\n\nNa Europa, sobretudo na Europa de heran\u00e7a latina, mediterr\u00e2nica, havia \u0096 e h\u00e1, informa Cascudo \u0096 um prato tradicional que remonta pelo menos aos tempos do Imp\u00e9rio Romano. Consiste basicamente em uma mistura de v\u00e1rios tipos de carnes, legumes e verduras. H\u00e1 varia\u00e7\u00f5es de um lugar para o outro, por\u00e9m \u00e9 um tipo de refei\u00e7\u00e3o bastante popular, tradicional.\n\nEm Portugal, o cozido; na It\u00e1lia, a casoeula e o bollito misto; na Fran\u00e7a, o cassoulet; na Espanha, a paella, esta feita \u00e0 base de arroz. Essa tradi\u00e7\u00e3o vem para o Brasil, sobretudo com os portugueses, surgindo com o tempo \u0096 na medida em que se acostumavam ao paladar, sobretudo os nascidos por aqui \u0096 a id\u00e9ia de prepar\u00e1-lo com o onipresente feij\u00e3o-preto, inaceit\u00e1vel para os padr\u00f5es europeus. Nasce, assim, a\u00a0<strong>feijoada<\/strong>.\n\nSegundo C\u00e2mara Cascudo, \u0093o feij\u00e3o com carne, \u00e1gua e sal, \u00e9 apenas feij\u00e3o. Feij\u00e3o ralo, de pobre. Feij\u00e3o todo-dia. H\u00e1 dist\u00e2ncia entre<strong> feijoada<\/strong>\u00a0e feij\u00e3o. Aquela subentende o cortejo das carnes, legumes, hortali\u00e7as\u0094. Essa combina\u00e7\u00e3o s\u00f3 ocorre no s\u00e9culo XIX, e bem longe das senzalas.\n\nO padre Miguel do Sacramento Lopes Gama, conhecido como \u0093Padre Carapuceiro\u0094, publicou no jornal O Carapuceiro, de Pernambuco, em 3 de mar\u00e7o de 1840, um artigo no qual condenava a \u0093<strong>feijoada<\/strong>\u00a0assassina\u0094, escandalizado pelo fato de que era especialmente apreciada por homens sedent\u00e1rios e senhoras delicadas da cidade \u0096 isso em uma sociedade profundamente marcada pela ideologia escravocrata. Vale lembrar que as partes salgadas do porco, como orelha, p\u00e9s, e rabo, nunca foram restos. Eram apreciados na Europa enquanto o alimento b\u00e1sico nas senzalas era uma mistura de feij\u00e3o com farinha.\n\nO que se sabe de concreto \u00e9 que as refer\u00eancias mais antigas \u00e0 feijoada n\u00e3o t\u00eam nenhuma rela\u00e7\u00e3o com escravos ou senzalas, mas sim a restaurantes frequentados pela elite escravocrata urbana. O exemplo mais antigo est\u00e1 no Di\u00e1rio de Pernambuco de 7 de agosto de 1833, no qual o Hotel Th\u00e9\u00e2tre, de Recife, informa que \u00e0s quintas-feiras seriam servidas \u0093<strong>feijoada<\/strong>\u00a0\u00e0 brasileira\u0094 (refer\u00eancia ao car\u00e1ter adaptado do prato?).\n\nNo Rio de Janeiro, a men\u00e7\u00e3o \u00e0 feijoada servida em restaurante \u0096 espa\u00e7o da \u0093boa sociedade\u0094 \u0096 aparece pela primeira vez no Jornal do Com\u00e9rcio de 5 de janeiro de 1849, em an\u00fancio sob o t\u00edtulo A bela feijoada \u00e0 brasileira: \u0093Na casa de pasto junto ao botequim da Fama do Caf\u00e9 com Leite, tem-se determinado que haver\u00e1 em todas as semanas, sendo \u00e0s ter\u00e7as e quintas-feiras, a bela feijoada, a pedido de muitos fregueses. Na mesma casa continua-se a dar almo\u00e7os, jantares e ceias para fora, com o maior asseio poss\u00edvel, e todos os dias h\u00e1 variedade na comida. \u00c0 noite h\u00e1 bom peixe para a ceia.\u0094\n\nNas mem\u00f3rias escritas por Isabel Burton, esposa do aventureiro, viajante, escritor e diplomata ingl\u00eas Richard Burton, em 1893, remetendo- se ao per\u00edodo em que esteve no Brasil, entre 1865 e 1869, aparece um interessante relato sobre a iguaria.\n\nFalando sobre a vida no Brasil (seu marido conquistou a amizade do imperador D. Pedro II, e ela compartilhou do requintado c\u00edrculo social da marquesa de Santos, amante not\u00f3ria do pai deste, D. Pedro I), Isabel Burton diz que o alimento principal do povo do Pa\u00eds \u0096 segundo ela equivalente \u00e0 batata para os irlandeses \u0096 \u00e9 um saboroso prato de \u0093feij\u00e3o\u0094 (a autora usa a palavra em portugu\u00eas) acompanhado de uma \u0093farinha\u0094 muito grossa (tamb\u00e9m usa o termo farinha), normalmente polvilhada sobre o prato.\n\nO julgamento da inglesa, ap\u00f3s ter provado por tr\u00eas anos aquilo a que j\u00e1 se refere como \u0093<strong>feijoada<\/strong>\u0094, e lamentando estar h\u00e1 mais de duas d\u00e9cadas sem sentir seu aroma, \u00e9 bastante positivo: \u0093\u00c9 deliciosa, e eu me contentaria, e quase sempre me contentei, de jant\u00e1-la.\u0094\n\nA Casa Imperial \u0096 e n\u00e3o escravos ou homens pobres \u0096 comprou em um a\u00e7ougue de Petr\u00f3polis, no dia 30 de abril de 1889, carne verde (fresca), carne de porco, lingui\u00e7a, rins, l\u00edngua, cora\u00e7\u00e3o, pulm\u00f5es, tripas, entre outras carnes. D. Pedro II talvez n\u00e3o comesse algumas dessas carnes \u0096 sabe-se de sua prefer\u00eancia por uma boa canja de galinha \u0096, mas \u00e9 poss\u00edvel que outros membros de sua fam\u00edlia, sim. O livro O cozinheiro imperial, de 1840, assinado por R. C. M., traz receitas para cabe\u00e7a e p\u00e9 de porco, al\u00e9m de outras carnes \u0096 com a indica\u00e7\u00e3o de que sejam servidas a \u0093altas personalidades\u0094.\n\nHoje em dia n\u00e3o h\u00e1 apenas uma receita de <strong>feijoada<\/strong>. Pelo contr\u00e1rio, parece ser ainda um prato em constru\u00e7\u00e3o, como afirmou nosso folclorista maior no final dos anos 1960. H\u00e1 varia\u00e7\u00f5es aqui e acol\u00e1, adapta\u00e7\u00f5es aos climas e produ\u00e7\u00f5es locais. Para C\u00e2mara Cascudo, a feijoada n\u00e3o \u00e9 um simples prato, mas sim um card\u00e1pio inteiro.\n\nNo Rio Grande do Sul, como nos lembra o pesquisador Carlos Ditadi, ela \u00e9 servida como prato de inverno. No Rio de Janeiro, vai \u00e0 mesa de ver\u00e3o a ver\u00e3o, todas as sextas-feiras, dos botecos mais baratos aos restaurantes mais sofisticados. O que vale mesmo \u00e9 a ocasi\u00e3o: uma comemora\u00e7\u00e3o, uma confraterniza\u00e7\u00e3o, a antecipa\u00e7\u00e3o do fim-de-semana no centro financeiro carioca, ou at\u00e9 mesmo uma simples reuni\u00e3o de amigos no domingo.\n\nUm cronista brasileiro da segunda metade do s\u00e9culo XIX, Fran\u00e7a J\u00fanior, chegou a dizer mesmo que a <strong>feijoada<\/strong> n\u00e3o era o prato em si, mas o festim, a patuscada, na qual comiam todo aquele feij\u00e3o. Como na Feijoada completa de Chico Buarque: \u0093Mulher \/ Voc\u00ea vai gostar \/ T\u00f4 levando uns amigos pra conversar\u0094. O sabor e a ocasi\u00e3o, portanto, \u00e9 que garantem o sucesso da feijoada. Al\u00e9m, \u00e9 claro, de uma certa dose de predisposi\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica (ou m\u00edtica) para entend\u00ea-la e apreci\u00e1- la, como v\u00eam fazendo os brasileiros ao longo dos s\u00e9culos.\n\n<strong>Bibliografia<\/strong>\n\nCASCUDO, Lu\u00eds da C\u00e2mara. Hist\u00f3ria da Alimenta\u00e7\u00e3o no Brasil. 2a edi\u00e7\u00e3o. Belo Horizonte; S\u00e3o Paulo: Ed. Itatiaia; Ed. da USP, 1983 (2 vols.).\nDITADI, Carlos Augusto da Silva. \u0093Feijoada completa\u0094. in: Revista Gula. S\u00e3o Paulo, no 67, outubro de 1998.\nD\u00d3RIA, Carlos Alberto. \u0093Culin\u00e1ria e alta cultura no Brasil\u0094. in: Novos Rumos. Ano 16, no 34, 2001.\n\n<strong>Rodrigo Elias<\/strong>\n\nFonte: www.mre.gov.br\n<h6>Hist\u00f3ria da Feijoada<\/h6>\n<p class=\"google\"><\/p>\n\n<h4>As origens da Feijoada<\/h4>\n<strong>O mais brasileiro dos sabores<\/strong>\n\nReza a tradi\u00e7\u00e3o que a\u00a0<strong>feijoada<\/strong>, a mais t\u00edpica entre todas as iguarias que comp\u00f5em o rico universo gastron\u00f4mico brasileiro nos foi legada pelos negros escravos. De acordo com o relato mais conhecido em todo o pa\u00eds esse delicioso acepipe teria surgido a partir do rep\u00fadio dos portugueses pelas partes menos nobres dos porcos, como as orelhas, rabos ou p\u00e9s, que tendo sido rejeitados, eram ent\u00e3o cedidos aos moradores das senzalas, seus escravos.\n\nA alimenta\u00e7\u00e3o dos escravos, por sua vez, era escassa e composta basicamente por cereais como o feij\u00e3o ou o milho. A esses elementos b\u00e1sicos eram acrescidos os temperos t\u00e3o tradicionais na hist\u00f3ria ancestral dos povos africanos que foram para c\u00e1 trazidos nos navios negreiros e tamb\u00e9m a farinha de mandioca.\n\nDe posse de todos esses ingredientes comuns em seu cotidiano e refor\u00e7ados pela irregular doa\u00e7\u00e3o das partes negligenciadas da carne de porco, teriam os escravos resolvido cozinhar tudo ao mesmo tempo com feij\u00e3o, \u00e1gua, sal e condimentos como pimentas diversas (sem, contudo, exagerar na dose). Essa pr\u00e1tica teria resultado no surgimento da\u00a0<strong>feijoada<\/strong>\u00a0que, aos poucos, teria deixado o habitat espec\u00edfico dos trabalhadores cativos e chegado as Casas Grandes dos senhores de engenho.\n<p class=\"imagem\"><img decoding=\"async\" title=\"Hist\u00f3ria da Feijoada\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/feijoa4.jpg\" alt=\"Hist\u00f3ria da Feijoada\" \/><\/p>\nN\u00e3o h\u00e1 como averiguar com total certeza a autenticidade desse relato. Na verdade, a busca pelas origens da\u00a0<strong>feijoada<\/strong>\u00a0demanda uma pesquisa que nos permita juntar pe\u00e7as e montar um aut\u00eantico quebra-cabe\u00e7as a partir de depoimentos e documentos de \u00e9poca que demonstrem quando e como esse tradicional prato foi sendo constru\u00eddo.\n\nOs regionalismos imp\u00f5em pequenas diferen\u00e7as ao consumo de feij\u00e3o ede\u00a0<strong>feijoada<\/strong>\u00a0em nosso pa\u00eds, mas alguns ingredientes s\u00e3o b\u00e1sicos nessa produ\u00e7\u00e3o, como o toicinho e a carne seca.\n\nH\u00e1, entretanto, entre os pesquisadores mais consistentes do setor de hist\u00f3ria da alimenta\u00e7\u00e3o, a constata\u00e7\u00e3o de que \u00e9 pouco prov\u00e1vel que os afro-brasileiros tenham sido os criadores dessa obra-prima da gastronomia nacional. \u00c9 l\u00f3gico que isso est\u00e1 sujeito a contesta\u00e7\u00f5es de toda ordem j\u00e1 que estamos falando de uma verdadeira paix\u00e3o nacional&#8230;\n\nO in\u00edcio de nossa conversa sobre a\u00a0<strong>feijoada<\/strong>\u00a0nos faz retornar ao tempo em que os portugueses por aqui chegaram, na transi\u00e7\u00e3o do s\u00e9culo XV para o XVI. Nesse per\u00edodo foi verificada a exist\u00eancia do comand\u00e1 (ou coman\u00e1, cuman\u00e1) entre os ind\u00edgenas que por aqui viviam. O feij\u00e3o era uma das plantas que foram identificadas como parte da dieta regular dos ind\u00edgenas (se bem que, como sabemos, a base dessa alimenta\u00e7\u00e3o tupi-guarani era a mandioca).\n\nO feij\u00e3o j\u00e1 existia em nossas terras, mas n\u00e3o era um produto genuinamente americano ou mais especificamente brasileiro. Ele j\u00e1 era consumido na Europa e na \u00c1frica. E mesmo aqui, no Novo Continente, n\u00e3o era o prato principal como poder\u00edamos pensar. Tamb\u00e9m n\u00e3o era consumido diariamente pelos africanos ou pelos europeus.\n\nQuem consolida o gosto e o consumo de feij\u00e3o em nossas terras n\u00e3o \u00e9 o explorador portugu\u00eas que se estabelecia em nossas terras, tampouco os ind\u00edgenas que se alimentavam de feij\u00e3o como complementa\u00e7\u00e3o de suas refei\u00e7\u00f5es e nem mesmo o africano que estava sendo importado para executar o trabalho pesado nos nascentes canaviais nordestinos.\n\nO consumo regular foi consolidado pelos pr\u00f3prios brasileiros, ou seja, pelos descendentes de europeus, africanos e ind\u00edgenas que d\u00e3o origem a essa etnia t\u00e3o particular e renovada nascida em nossas terras.\n\nMas, historicamente, que brasileiros s\u00e3o esses que criam esse la\u00e7o de amor eterno com o feij\u00e3o?\n\nOs bandeirantes paulistas e os vaqueiros nordestinos promoveram a expans\u00e3o do territ\u00f3rio nacional e consolidaram historicamente o consumo de feij\u00e3o em nosso pa\u00eds.\n\nDe acordo com o c\u00e9lebre estudo \u0093Hist\u00f3ria da Alimenta\u00e7\u00e3o no Brasil\u0094, de autoria de um fenomenal pesquisador brasileiro chamado Lu\u00eds da C\u00e2mara Cascudo, o sabor do feij\u00e3o se incorpora ao cotidiano dos brasileiros a partir da a\u00e7\u00e3o de dois grupamentos, um atuando especificamente a partir do sudeste e outro do nordeste, ou sejam, os bandeirantes paulistas e os vaqueiros nordestinos.\n\nEm seu processo de interioriza\u00e7\u00e3o de nosso pa\u00eds, ca\u00e7ando bugres ou tocando gado, os exploradores paulistas e os criadores de gado da Bahia e de Pernambuco tinham em sua bagagem a farinha, a carne seca e o feij\u00e3o como companheiros insepar\u00e1veis pelas trilhas in\u00f3spitas em que perambulavam. A raz\u00e3o para isso era o fato de que esses v\u00edveres eram dur\u00e1veis e podiam ser carregados por longos caminhos sem que viessem a apodrecer rapidamente.\n\nNo caso do feij\u00e3o h\u00e1 um adendo, por onde passavam ou aonde se estabeleciam tanto os bandeirantes quanto os vaqueiros plantavam esse cereal. No caso paulista, ao voltarem, os bandeirantes recolhiam o que haviam semeado meses antes e abasteciam-se para n\u00e3o padecer com a fome. Por outro lado, no sert\u00e3o nordestino, o feij\u00e3o era um dos poucos produtos que conseguia se desenvolver em territ\u00f3rios n\u00e3o muito prop\u00edcios a v\u00e1rios outros g\u00eaneros agr\u00edcolas&#8230;\n\nO feij\u00e3o, em ambos os casos era a seguran\u00e7a que esses primeiros brasileiros precisavam ter para a realiza\u00e7\u00e3o de seus esfor\u00e7os cotidianos de trabalho e produ\u00e7\u00e3o.\n\nA considera\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a necessidade do feij\u00e3o para a dieta di\u00e1ria dos brasileiros ainda no per\u00edodo colonial pode ser percebida, por exemplo, pelo fato dos portugueses n\u00e3o terem legislado restri\u00e7\u00f5es a venda desse produto a n\u00edvel interno como o fizeram com todos aqueles que eram interessantes aos seus neg\u00f3cios no mercado externo, caso do a\u00e7\u00facar, do tabaco ou mesmo do milho.\n\nLu\u00eds da C\u00e2mara Cascudo \u00e9 um dos maiores nomes da pesquisa acerca do Brasil, seus h\u00e1bitos e costumes, tendo inclusive produzido a obra \u0093Hist\u00f3ria da Alimenta\u00e7\u00e3o no Brasil\u0094, c\u00e2none para os estudiosos desse segmento.\n\nA maior parte do conhecimento que possu\u00edmos acerca dessa hist\u00f3ria \u00e9 proveniente de relatos de exploradores e viajantes que descobriram e colonizaram o interior de nosso pa\u00eds. A partir da perspectiva desses homens pudemos entender porque era comum se pensar ent\u00e3o que \u0093s\u00f3 o feij\u00e3o mata a fome\u0094 ou que \u0093n\u00e3o h\u00e1 refei\u00e7\u00e3o sem feij\u00e3o\u0094 conforme dizeres reiterados no s\u00e9culo XIX.\n\nQuando chegamos ao s\u00e9culo XIX \u00e9 discurso comum entre os estrangeiros que para c\u00e1 se deslocaram mencionar em seus escritos que o feij\u00e3o j\u00e1 havia se tornado essencial, indispens\u00e1vel e t\u00edpico na alimenta\u00e7\u00e3o de nosso pa\u00eds, em todas as regi\u00f5es do Brasil.\n\nAs receitas do cotidiano seguem o esquema b\u00e1sico criado pelos vaqueiros e pelos bandeirantes, com o feij\u00e3o sendo cozido com a carne seca e com toicinho para ter um sabor mais pronunciado e apreciado por todos e acompanhado, depois de pronto, pela insepar\u00e1vel farinha de mandioca.\n\nEra costume em v\u00e1rias regi\u00f5es que os feij\u00f5es fossem esmagados e que depois fosse colocada a farinha para se criar uma massa realmente substanciosa com esses elementos e com o caldo origin\u00e1rio do cozimento.\n\nQuanto aos escravos, C\u00e2mara Cascudo menciona que n\u00e3o trouxeram em seu repert\u00f3rio original africano a tradi\u00e7\u00e3o de misturar elementos em seus cozidos. Preferiam cozinhar feij\u00e3o separadamente do milho ou de outros elementos que lhes eram fornecidos para preservar o gosto e o sabor original. Isso j\u00e1 seria um ind\u00edcio de que n\u00e3o foram eles que deram a formata\u00e7\u00e3o final para o mais brasileiro de todos os sabores, a <strong>feijoada<\/strong>.\n\nPara reiterar ainda mais seus posicionamentos, o pesquisador potiguar lembra da forte influ\u00eancia espanhola sobre a culin\u00e1ria portuguesa e que as tradi\u00e7\u00f5es ib\u00e9ricas quanto a cozidos s\u00e3o marcadas pela utiliza\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios ingredientes conjuntamente para refor\u00e7ar o caldo, dando-lhe mais consist\u00eancia ou \u0093subst\u00e2ncia\u0094 nos dizeres populares.\n\nMenciona, inclusive, que isso n\u00e3o era tradicional apenas entre os ib\u00e9ricos, mas tamb\u00e9m entre outros europeus de ascend\u00eancia latina, como os italianos e os franceses. Para ilustrar seus posicionamentos, Cascudo nos lembra de pratos hist\u00f3ricos e conhecid\u00edssimos dessas escolas gastron\u00f4micas como a Olla Podrida castelhana, a Paella espanhola, o bollito italiano ou ainda o cassoulet franc\u00eas.\n\nDiga-se de passagem que entre os portugueses eram comuns os cozidos que misturavam carne de vaca, lingui\u00e7as, paios, presuntos, toucinhos, lombo de porco, couve, repolho, cenouras, vagens, ab\u00f3boras e feij\u00e3o&#8230; branco.\n\nCom toda essa hist\u00f3ria t\u00e3o particular e pr\u00f3pria e, n\u00e3o dispondo de certos elementos comuns a sua culin\u00e1ria em territ\u00f3rio brasileiro, n\u00e3o \u00e9 de se estranhar que possamos atribuir aos nossos antepassados portugueses o advento da <strong>feijoada<\/strong>. Refei\u00e7\u00e3o completa que re\u00fane num s\u00f3 prato as carnes, as sopas e as hortali\u00e7as, adaptada a nossa regi\u00e3o com a incorpora\u00e7\u00e3o dos h\u00e1bitos bandeirante e vaqueiro de comer feij\u00e3o, surgiu desse casamento de interesses e conting\u00eancias a maior e mais famosa del\u00edcia brasileira.\n\n\u00c9 claro que, apesar de todo esse percurso de influ\u00eancias luso-brasileiras, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel desprezar a m\u00e3o dos negros a cozinhar nas casas de fam\u00edlia a\u00a0<strong>feijoada<\/strong>\u00a0e a incorporar a essa iguaria todo aquele calor e sabor pr\u00f3prios dos temperos que conheciam, especialmente das pimentas&#8230;\n\nObs.: Vale lembrar que as receitas tradicionais de <strong>feijoada<\/strong> apresentam varia\u00e7\u00f5es regionais e que, em virtude disso, no Nordeste de nosso pa\u00eds prevalece o uso do feij\u00e3o-mulatinho nesse prato enquanto a influ\u00eancia carioca imp\u00f4s no sudeste e no sul a preval\u00eancia do feij\u00e3o preto, constituindo dessa maneira a mais tradicional receita que conhecemos.\n\nFonte: www.restaurantedenogueira.com.br\n<h6>Hist\u00f3ria da Feijoada<\/h6>\n<p class=\"imagem\"><img decoding=\"async\" title=\"Hist\u00f3ria da Feijoada\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/feijoa5.jpg\" alt=\"Hist\u00f3ria da Feijoada\" \/><\/p>\nA explica\u00e7\u00e3o mais difundida sobre a origem da\u00a0<strong>Feijoada<\/strong>\u00a0\u00e9 a de que o senhores das fazendas de caf\u00e9, das minas de ouro e dos engenhos de a\u00e7\u00facar davam aos escravos os &#8220;restos&#8221; dos porcos, quando estes eram carneados. O cozimento desses ingredientes, com feij\u00e3o e \u00e1gua, teria feito nascer a receita.\n\nNo entanto, tal vers\u00e3o n\u00e3o se sustenta, seja na tradi\u00e7\u00e3o culin\u00e1ria, seja na mais leve pesquisa hist\u00f3rica. Segundo Carlos Augusto Ditadi, t\u00e9cnico em assuntos culturais do Arquivo Nacional do Rio de Janeiro, em artigo publicado na revista Gula, de maio de 1998, essa alegada origem da feijoada n\u00e3o passa de lenda contempor\u00e2nea, nascida do folclore moderno, numa vis\u00e3o romanceada das rela\u00e7\u00f5es sociais e culturais da escravid\u00e3o no Brasil.\n\nO padr\u00e3o alimentar do escravo n\u00e3o difere fundamentalmente no Brasil do s\u00e9culo XVIII: continua com a base, que fora estabelecida desde os prim\u00f3rdios, formada por farinha de mandioca ou de milho feita com \u00e1gua e mais alguns complementos.\n\nA sociedade escravista do Brasil, no s\u00e9culo XVIII e parte do XIX, foi constantemente assolada pela escassez e carestia dos alimentos b\u00e1sicos decorrente da monocultura e do regime de trabalho escravocrata, n\u00e3o sendo rara a morte por alimenta\u00e7\u00e3o deficiente, o que inclu\u00eda os pr\u00f3prios senhores de engenho.\n\nO escravo n\u00e3o podia ser simplesmente maltratado, pois custava caro e era a base da economia. Devia comer tr\u00eas vezes ao dia, ao almo\u00e7ar \u00e0s 8 horas da manh\u00e3, jantar \u00e0 1 hora da tarde e cear \u00e0s 8 at\u00e9 as 9 horas da noite.\n\nNas refer\u00eancias hist\u00f3ricas sobre o card\u00e1pio dos escravos, constatamos a presen\u00e7a inequ\u00edvoca do angu de fub\u00e1 de milho, ou de farinha de mandioca, al\u00e9m do feij\u00e3o temperado com sal e gordura, servido muito ralo, a ocasional apari\u00e7\u00e3o de algum peda\u00e7o de carne de vaca ou porco e punhados de farinha de mandioca.\n\nAlguma laranja colhida do p\u00e9 complementava o resto, o que evitava o escorbuto. \u00c0s vezes, em final de boa colheita de caf\u00e9 o capataz da fazenda podia at\u00e9 dar um porco inteiro aos escravos. Mas isso era exce\u00e7\u00e3o. N\u00e3o existe nenhuma refer\u00eancia conhecida a respeito de uma humilde e pobre\u00a0<strong>Feijoada<\/strong>, elaborada no interior da maioria das tristes e fam\u00e9licas senzalas.\n\nExiste tamb\u00e9m, um recibo de compra pela Casa Imperial, de 30 de abril de 1889 em um a\u00e7ougue da cidade de Petr\u00f3polis, estado do Rio de Janeiro, no qual se v\u00ea que, consumia-se carne verde, de vitela, carneiro, porco, lingui\u00e7a, lingui\u00e7a de sangue, f\u00edgado, rins, l\u00edngua, miolos, fressura de boi e molhos de tripas.\n\nO que comprova que n\u00e3o eram s\u00f3 escravos que comiam esses ingredientes, e que n\u00e3o eram de modo algum &#8220;restos&#8221;. Ao contr\u00e1rio, eram considerados iguarias. Em 1817, Jean-Baptiste Debret j\u00e1 relata a regulamenta\u00e7\u00e3o da profiss\u00e3o de tripeiro, na cidade do Rio de Janeiro, que eram vendedores ambulantes, e que se abasteciam nos matadouros de gado e porcos, destas partes dos animais. Ele tamb\u00e9m informa que os miolos iam para os hospitais, e que f\u00edgado, cora\u00e7\u00e3o e tripas eram utilizados para fazer o angu, comumente vendido por escravas de ganho ou forras nas pra\u00e7as e ruas da cidade.\n\nPortanto, o mais prov\u00e1vel \u00e9 creditar as origens da\u00a0<strong>feijoada<\/strong>\u00a0a partir de influ\u00eancias europ\u00e9ias. Alguns cr\u00eaem que sua origem tem a ver com receitas portuguesas, das regi\u00f5es da Estremadura, das Beiras e de Tr\u00e1s-os-Montes e Alto Douro, que misturam feij\u00e3o de v\u00e1rios tipos &#8211; menos feij\u00e3o preto (de origem americana) &#8211; lingui\u00e7as, orelhas e p\u00e9 de porco.\n\nE ainda h\u00e1 aqueles que afirmam que a feijoada \u00e9 um prato inspirado em outro prato europeu, como o cassoulet franc\u00eas, que tamb\u00e9m leva feij\u00e3o no seu preparo. A Espanha tem o cozido madrile\u00f1o. A It\u00e1lia, a \u0093casseruola\u0094 ou &#8220;casserola&#8221; milanesa. Ambos s\u00e3o preparados com gr\u00e3o-de-bico. Aparentemente, tiveram a mesma evolu\u00e7\u00e3o da feijoada, que foi incrementada com o passar do tempo, at\u00e9 se transformar na obra-prima da atualidade. C\u00e2mara Cascudo observou que sua f\u00f3rmula continua em desenvolvimento.\n\nA\u00a0<strong>feijoada<\/strong>\u00a0j\u00e1 parece ser bem conhecida no in\u00edcio do s\u00e9culo XIX, como atesta um an\u00fancio, publicado no Di\u00e1rio de Pernambuco, na cidade do Recife, de 7 de agosto de 1833, no qual um restaurante, o Hotel Th\u00e9\u00e2tre, rec\u00e9m-inaugurado, informa que \u00e0s quintas-feiras seria servida &#8220;feijoada \u00e0 brasileira&#8221;. Em 1848, o mesmo Di\u00e1rio de Pernambuco j\u00e1 anuncia a venda de &#8220;carne de toucinho, pr\u00f3pria para feijoadas a 80 r\u00e9is a libra&#8221;.\n\nEm 1849, no Jornal do Comm\u00e9rcio do Rio de Janeiro, no dia seis de janeiro, na rec\u00e9m instalada casa de pasto &#8220;Novo Caf\u00e9 do Comm\u00e9rcio&#8221;, junto ao botequim da &#8220;Fama do Caf\u00e9 com Leite&#8221;, \u00e9 comunicado aos seus clientes que ser\u00e1 servida, a pedido de muitos freguezes, &#8220;A Bella Feijoada \u00e1 Brazilleira&#8221;, todas as ter\u00e7as-feiras e quinta-feiras.\n\nA\u00a0<strong>feijoada<\/strong>\u00a0completa, tal como a conhecemos, acompanhada de arroz branco, laranja em fatias, couve refogada e farofa, era muito afamada no restaurante carioca G. Lobo, que funcionava na rua General C\u00e2mara, 135, no centro da cidade do Rio de Janeiro. O estabelecimento, fundado no final do s\u00e9culo XIX, desapareceu em 1905, com as obras de alargamento da rua Uruguaiana. Com a constru\u00e7\u00e3o da avenida Presidente Vargas, na d\u00e9cada de 1940, esta rua desaparece por definitivo.\n\nNos livros Ba\u00fa de Ossos e Ch\u00e3o de Ferro, Pedro Nava descreve a feijoada do G. Lobo, elogiando aquela preparada pelo Mestre Lobo. Sobretudo, revela-se na presen\u00e7a do feij\u00e3o-preto, uma predile\u00e7\u00e3o carioca. A receita contempor\u00e2nea teria migrado da cozinha do estabelecimento G. Lobo para outros restaurantes da cidade, bem como para S\u00e3o Paulo, Minas Gerais e [Bahia]. Bares e botequins das grandes cidades do Centro-Leste tamb\u00e9m a adotaram com sucesso. Mas ressalva Pedro Nava que \u00e9 (&#8230;)&#8221;antes a evolu\u00e7\u00e3o vener\u00e1vel de pratos latinos&#8221;.\n\nA\u00a0<strong>feijoada<\/strong>\u00a0de qualquer forma, se popularizou entre todas as camadas sociais no Brasil, sempre com esp\u00edrito de festa e celebra\u00e7\u00e3o. Ficaram famosas na lembran\u00e7a, aquelas preparadas no final do s\u00e9culo XIX e in\u00edcio do XX, na cidade do Rio de Janeiro, pela baiana Tia Ciata.\n\nE anteriormente, o escritor Joaquim Jos\u00e9 de Fran\u00e7a J\u00fanior, em texto de 1867, descreve fict\u00edciamente um piquenique no campo da Cadeia Velha, onde \u00e9 servida uma\u00a0<strong>feijoada<\/strong>\u00a0com &#8221; (&#8230;) Lombo, cabe\u00e7a de porco, tripas, mocot\u00f3s, l\u00edngua do Rio Grande, presunto, carne-seca, paio, toucinho, lingui\u00e7as (&#8230;) &#8220;. E em 1878, descreve uma &#8220;Feijoada em [Paquet\u00e1]&#8221;, onde diz que: &#8221; (&#8230;)A palavra \u0096 feijoada, cuja origem perde-se na noite dos tempos d\u0092El-Rei Nosso Senhor, nem sempre designa a mesma coisa.\n\nNa acep\u00e7\u00e3o comum, feijoada \u00e9 a iguaria apetitosa e suculenta dos nossos antepassados, baluarte da mesa do pobre, capricho ef\u00eamero do banquete do rico, o prato essencialmente nacional, como o teatro do Pena, e o sabi\u00e1 das sentidas endeixas de Gon\u00e7alves Dias. No sentido figurado, aquele voc\u00e1bulo designa a patuscada, isto \u00e9, &#8220;uma fun\u00e7\u00e3o entre amigos feita em lugar remoto ou pouco patente&#8221; (&#8230;)&#8221;.\n\nAtualmente, espalha-se por todo o territ\u00f3rio nacional, como a receita mais representativa da cozinha brasileira. Revista, ampliada e enriquecida, a\u00a0<strong>feijoada<\/strong>\u00a0deixou de ser exclusivamente um prato. Hoje, como tamb\u00e9m notou C\u00e2mara Cascudo, \u00e9 uma refei\u00e7\u00e3o completa.\n\nFonte: www.idadedosucesso.com.br\n<h6>Hist\u00f3ria da Feijoada<\/h6>\n<h4>Gastronomia: Cultura Culin\u00e1ria &#8211; Feijoada<\/h4>\n<p align=\"center\"><img decoding=\"async\" title=\"Hist\u00f3ria da Feijoada\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/feijoa6.jpg\" alt=\"Hist\u00f3ria da Feijoada\" \/><\/p>\nA\u00a0<strong>feijoada<\/strong>\u00a0est\u00e1 diretamente ligada \u00e0 presen\u00e7a do negro em terras brasileiras. Resultado da fus\u00e3o de costumes alimentares europeus e a criatividade do escravo africano, a feijoada \u00e9 o simbolo da culin\u00e1ria nacional.\n\nEsta fus\u00e3o teve origem na \u00e9poca do descobrimento do ouro na Capitania de S\u00e3o Vicente\/SP, na virada do s\u00e9culo XVII. 0 inicio da minera\u00e7\u00e3o no Brasil levou \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de novas capitanias e modificou sensivelmente a economia brasileira. A partir dai incentivou-se o uso da moeda nas trocas comerciais, antes baseadas em produtos como o cacau e o algod\u00e3o e fez crescer a necessidade de m\u00e3o-de obra escrava, intensificando o tr\u00e1fico de negros africanos e, como consequ\u00eancia, sua influ\u00eancia em nossos h\u00e1bitos alimentares.\n\nNas regi\u00f5es das minas de ouro (Minas Gerais, Goi\u00e1s, Tocantins e Mato Grosso), como o escravo ficava totalmente absorvido pela busca do ouro e dos diamantes, e sem disponibilidade para cuidar de sua pr\u00f3pria comida, os mantimentos vinham de outras regi\u00f5es (litoral paulista e carioca) carregados nos lombos dos animais, dai a origem do n\u00e3o menos famoso &#8216;Feij\u00e3o tropeiro&#8217;, indicando a forte aprecia\u00e7\u00e3o nacional pelos pratos feitos \u00e0 base de feij\u00e3o.\n\nNaquela \u00e9poca, a refei\u00e7\u00e3o dos escravos de Diamantina era composta basicamente de fub\u00e1 de milho, feij\u00e3o e sal. Assim, o feij\u00e3o misturado corn farinha de mandioca ou fub\u00e1 grosso de milho, antes de ser servido, virou prato tradicional naquela \u00e9poca.\n\nPouco depois, acrescentou-se a este prato a carne, fundindo o apreciado cozido portugu\u00eas, prato corn diversos tipos de carne e legumes, cozidos todos juntos, com o j\u00e1 adotado feij\u00e3o, toucinho e farinha. Estava feita a\u00a0<strong>feijoada<\/strong>.\n\nHoje, \u00e0\u00a0<strong>feijoada<\/strong>, constituida de feij\u00e3o preto cozido sobretudo com partes do porco (orelhas, rabo, p\u00e9s etc.) acrescenta-se como acompanhamento a couve refogada corn alho, o arroz branco, a farofa de farinha de mandioca e o molho de pimenta.\n\nFonte: www.vivabrazil.com\n<h6>Hist\u00f3ria da Feijoada<\/h6>\nO vai e vem dos navios lusitanos deixou rastros comuns pelos pa\u00edses por onde ancoraram; entre eles costumes, h\u00e1bitos e pr\u00e1ticas de culin\u00e1ria. Cumprir as rotas entre Portugal, \u00c1frica, Am\u00e9rica e \u00cdndia era uma aventura e a palavra de ordem para marujos e desbravadores que nela mergulhavam era \u00fanica: sobrevivam em nome da expans\u00e3o da Coroa. Resumindo: comparado \u00e0 prec\u00e1ria alimenta\u00e7\u00e3o armazenada nas naus, colocar os p\u00e9s em terras americanas ou africanas era uma festa. Banquete \u00e0 vista. Comiam, de bom grado, o que encontravam ou era oferecido.\n\nE foi um intenso troca-troca: milho, mandioca e pimenta da Am\u00e9rica para a \u00c1frica, quiabo e galinha de l\u00e1 pra c\u00e1. De tal maneira que no jeito africano de temperar e cozinhar tal coisa chegou o jeito do nosso \u00edndio tratar e moquear tamb\u00e9m a mesma coisa. Tudo com mais isso e mais aquilo, levado daqui, trazido de l\u00e1, por m\u00e3os portuguesas.\n\nA culin\u00e1ria africana e a amer\u00edndia nunca foram excepcionais no apuro arom\u00e1tico. E foram os portugueses, com velhas t\u00e9cnicas mouras de coc\u00e7\u00e3o e preserva\u00e7\u00e3o de alimentos e um farto farnel de especiarias \u00e0 tiracolo, que tricotaram e disseminaram em suas col\u00f4nias o primeiro lay out do que seria alguns dos principais pratos da gastronomia em cada uma delas.\n\nNa brasileira, uma das maiores heran\u00e7as \u00e9 a\u00a0<strong>feijoada<\/strong>, hoje uma institui\u00e7\u00e3o nacional e talvez o mais brasileiro dos sabores. \u00c9 hist\u00f3ria pra boi dormir ou ingl\u00eas ver a vers\u00e3o, romanceada por recentes historiadores sem pedigree na \u00e1rea gastron\u00f4mica e sem nenhuma prova patrimonial \u0097 entenda-se documento \u0097 de que a feijoada surgiu dentro das senzalas quando negros escravos eram \u0093brindados\u0094 por seus senhores ou feitores com sobras rejeitadas \u0097 ou partes menos nobres \u0097 de su\u00ednos. N\u00e3o h\u00e1 muito espa\u00e7o aqui para avan\u00e7armos o suficiente em t\u00e3o cativante literatura. Render\u00e1 outra conversa, com certeza.\n\nA origem t\u00e9cnica e cultural de nossa\u00a0<strong>feijoada<\/strong>\u00a0deve, sim, ser creditada a influ\u00eancias europeias. Portanto, por ora, holofotes em tr\u00eas pontos. Um: mi\u00fados de bois, carneiros e cabras como rins, f\u00edgado, l\u00edngua, miolos e tripas; p\u00e9s, orelhas, rabo e toucinho de porcos e suas tripas, que serviam para embutidos feitos com sangue, para alheiras recheadas com resto de p\u00e3es e outras carnes menos nobres, h\u00e1 s\u00e9culos eram \u0097 e ainda s\u00e3o hoje \u0097 consideradas iguarias em Portugal; portanto, apreciad\u00edssimas.\n\n<strong>Dois:<\/strong> entre o in\u00edcio do s\u00e9culo 18 e fim do s\u00e9culo 19 \u0097 \u00e9poca do auge da sociedade escravista \u0097 a escassez de alimentos prim\u00e1rios como a carne verde era grande devido \u00e0 monocultura e o prec\u00e1rio manuseio da cria\u00e7\u00e3o de animais. Eram raros ainda e os muitos que se tinha n\u00e3o significavam fartura.\n\nO abate era controlado e, do boi e do porco, por exemplo, s\u00f3 n\u00e3o se aproveitava o berro. Tr\u00eas: o escravo negro era a m\u00e3o de obra principal, era a for\u00e7a produtiva e era caro. N\u00e3o podiam, portanto, ser simplesmente tratados com restos.\n\nFOR\u00c7AS. Como for\u00e7as motrizes da economia recebiam refei\u00e7\u00f5es tr\u00eas vezes ao dia \u00e0 base de milho \u0097 o angu de fub\u00e1 \u0097 mandioca e vez ou outra o feij\u00e3o preto; tudo cozido com muita \u00e1gua, um caldo temperado apenas com gordura e, olha l\u00e1, um tico de sal.\n\nEste tema \u00e9 um bom embate e uma conversa afiada entre especialistas, pois coloca no fogo a origem de um dos nossos maiores patrim\u00f4nios culin\u00e1rios.\n<h4>N\u00e3o h\u00e1 o que discutir<\/h4>\nFeijoada para n\u00f3s brasileiros s\u00f3 existe uma, certo? Certo. Infeliz quem conteste em pra\u00e7a p\u00fablica. No Rio, ent\u00e3o, fecha o tempo. Mas qualquer tipo de feij\u00e3o cozido com carnes, legumes e verduras \u00e9 uma\u00a0<strong>feijoada<\/strong>\u00a0em seu conceito t\u00e9cnico. O cassoulet franc\u00eas, feito com feij\u00e3o branco e carnes de aves, prato cl\u00e1ssico, \u00e9 uma feijoada.\n\nO nome feij\u00e3o foi registrado em Portugal no s\u00e9culo XIII. Portanto, j\u00e1 era conhecido 300 anos antes do descobrimento do Brasil. N\u00f3s colaboramos com o feij\u00e3o preto. Natural da Am\u00e9rica do Sul e conhecido pelos tupinamb\u00e1s como \u0093comanda\u0094, era pouco apreciado pelos \u00edndios, que preferiam a mandioca. Mas, f\u00e1cil de cultivar, rendoso e prestativo, caiu no gosto e nas panelas de nossos colonizadores.\n\nFonte: www.gastronomias.com\n<h6>Hist\u00f3ria da Feijoada<\/h6>\nPor desinforma\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica e sem fundamento na tradi\u00e7\u00e3o culin\u00e1ria brasileira, muitos acreditam que a\u00a0<strong>feijoada<\/strong>\u00a0nasceu na senzala, entre o per\u00edodo da Col\u00f4nia e do Imp\u00e9rio. <strong>Seria um prato criado pelos escravos com os \u0093restos\u0094 do porco, ou seja, as partes \u0093desprezadas\u0094 pelos senhores dos engenhos de a\u00e7\u00facar, fazendas de caf\u00e9 e minas de ouro:<\/strong> orelha, focinho, p\u00e9, rabo e l\u00edngua. Verbetes de dicion\u00e1rios e livros de cozinha nacionais difundem essa cren\u00e7a. Nada mais errado.\n\nQuando os portugueses colonizaram o Brasil, trouxeram receitas que formaram a base da cozinha nacional. Algumas tinham como mat\u00e9rias-primas justamente orelha, focinho, rabo e l\u00edngua do porco. Ao contr\u00e1rio da lenda, essas partes nunca foram consideradas \u0093restos\u0094. Eram apreciadas pelos nossos ancestrais, que as julgavam verdadeiras iguarias. Alguns pratos da cozinha regional portuguesa continuam a usar os mesmos ingredientes.\n<p class=\"imagem\"><img decoding=\"async\" title=\"Hist\u00f3ria da Feijoada\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/feijoa7.jpg\" alt=\"Hist\u00f3ria da Feijoada\" \/><\/p>\nAl\u00e9m disso, a barb\u00e1rie a que os negros foram submetidos durante a escravid\u00e3o se estendeu \u00e0 cozinha. No dia-a-dia, os escravos comiam basicamente farinha de milho ou mandioca, feita com \u00e1gua. Os alimentos se resumiam ao m\u00ednimo necess\u00e1rio para eles n\u00e3o enfraquecerem e continuarem aptos ao trabalho.\n\nOs senhores deixavam que os escravos entrassem no pomar, mas n\u00e3o faziam isso por bondade. Precisavam comer laranja para evitar o escorbuto, doen\u00e7a hemorr\u00e1gica causada pela car\u00eancia de vitamina C. Quando havia feij\u00e3o, era sempre magro e pobre. Este, sim, poderia ser considerado \u0093resto\u0094 da casa-grande. <strong>Ao falar da alimenta\u00e7\u00e3o dada aos escravos nas fazendas, no livro Feij\u00e3o, Angu e Couve:<\/strong> Ensaio Sobre a Comida dos Mineiros, de 1982, Eduardo Frieiro observa que o feij\u00e3o era quase sempre bichado.\n\nDe modo geral, somente em ocasi\u00f5es especiais, como no encerramento da colheita, os escravos recebiam peda\u00e7os de charque ou carne fresca. Se alguma receita surgiu na senzala, essa foi o angu, invariavelmente sem sal, ingrediente \u0093caro demais\u0094 para ser dado aos negros.\n\nFoi provavelmente Guilherme Figueiredo, no livro Comidas Meu Santo, publicado em 1964, o primeiro a escrever claramente que a<strong>feijoada<\/strong>\u00a0n\u00e3o nasceu na senzala. Segundo ele, a receita seria uma \u0093degenera\u00e7\u00e3o\u0094 do cassoulet franc\u00eas \u0096 preparado com feij\u00e3o branco, carnes de vaca, carneiro, ganso, pato ou galinha, lingui\u00e7a, cebola, tomate, alho e temperos \u0096 e tamb\u00e9m do cozido luso, que ele chama equivocadamente de \u0093caldeirada\u0094. Lu\u00eds da C\u00e2mara Cascudo, em sua preciosa Hist\u00f3ria da Alimenta\u00e7\u00e3o no Brasil, lan\u00e7ada em 1983, reiterou a tese europ\u00e9ia. Descreveu exaustivamente a comida dos escravos, sem mencionar a feijoada. Para ele, a receita surgiu em algum canto do Pa\u00eds quando se incorporou, pela primeira vez, o feij\u00e3o \u00e0s carnes e verduras do cozido portugu\u00eas.\n\nLenda \u0096 Outros dois autores brasileiros refor\u00e7aram a tese. O primeiro foi Carlos Augusto Ditadi, t\u00e9cnico em assuntos culturais do Arquivo Nacional do Rio de Janeiro, em artigo publicado na revista Gula, de maio de 1998. \u0093- Essa alegada origem da\u00a0<strong>feijoada<\/strong>\u00a0n\u00e3o passa de lenda contempor\u00e2nea, nascida do folclore moderno, numa vis\u00e3o romanceada das rela\u00e7\u00f5es sociais e culturais da escravid\u00e3o no Brasil\u0094, afirmou.\n\nMais recentemente, no livro A Saga da Comida, editado em 2000, o soci\u00f3logo Gabriel Bolaffi, da Universidade de S\u00e3o Paulo, ironizou o mito de que os escravos eram alimentados com um prato rico e vigoroso. \u0093Em fazendas que podiam variar de algumas dezenas at\u00e9 umas tantas centenas de escravos, imagine quanto lombo e quantos pernis a casagrande teria de consumir para que duas orelhas, quatro patas, um focinho e um rabo alimentassem tanto escravo\u0094, disse.\n\nPelo mundo afora existem pratos assemelhados \u00e0 feijoada \u0096 e jamais relacionados com a escravatura. A Espanha tem o cozido madrileno. A It\u00e1lia, a \u0093casoeula\u0094 milanesa. Ambos s\u00e3o preparados com gr\u00e3o-de-bico. Aparentemente, tiveram a mesma evolu\u00e7\u00e3o da<strong> feijoada<\/strong>, que foi incrementada com o passar do tempo, at\u00e9 se transformar na obra-prima da atualidade. C\u00e2mara Cascudo observou que sua f\u00f3rmula continua em desenvolvimento.\n\nTal como a conhecemos, acompanhada de arroz branco, laranja em fatias, couve refogada e farofa, a feijoada parece ter sido oferecida publicamente, pela primeira vez, no restaurante carioca G. Lobo, que funcionava na rua General C\u00e2mara, 135, no Rio de Janeiro. O estabelecimento, fundado no final do s\u00e9culo 19, desapareceu com a constru\u00e7\u00e3o da avenida Presidente Vargas, na d\u00e9cada de 40.\n<h4>No livro Ba\u00fa de Ossos<\/h4>\nCh\u00e3o de Ferro, de 1976, Pedro Nava acredita que a receita atual nasceu ali. Embora n\u00e3o se possa ter certeza disso, a contribui\u00e7\u00e3o do Rio de Janeiro \u00e9 ineg\u00e1vel. Sobretudo, revela-se na presen\u00e7a do feij\u00e3o-preto, uma predile\u00e7\u00e3o carioca. Em Salvador, por exemplo, se usaria o feij\u00e3o-mulatinho. Fan\u00e1tico por\u00a0<strong>feijoada<\/strong>, o carioca a aprecia at\u00e9 nos dias escaldantes do ver\u00e3o.\n\nA receita contempor\u00e2nea teria migrado da cozinha do G. Lobo para outros restaurantes da cidade, bem como para S\u00e3o Paulo, Minas Gerais e Bahia. Bares e botequins das grandes cidades do Centro-Leste tamb\u00e9m a adotaram com sucesso.\n\nAtualmente, espalhase por todo o territ\u00f3rio nacional, como a receita mais representativa da cozinha brasileira. Revista, ampliada e enriquecida, a feijoada deixou de ser exclusivamente um prato. Hoje, como tamb\u00e9m notou C\u00e2mara Cascudo, \u00e9 uma refei\u00e7\u00e3o completa.\n\nFonte: www.mmais.com.br\n<h6>Hist\u00f3ria da Feijoada<\/h6>\nA\u00a0<strong>feijoada<\/strong>, um dos pratos mais t\u00edpicos da culin\u00e1ria brasileira, nasceu por meio dos escravos africanos. O prato consiste na mistura de feij\u00e3o preto, carne de porco, farofa, entre outros ingredientes.\n\nNa \u00e9poca da escravid\u00e3o, os senhores de escravos n\u00e3o comiam as partes menos nobres do porco, como orelhas, rabos ou p\u00e9s, e davam essas partes rejeitadas aos seus escravos. Como a alimenta\u00e7\u00e3o dos mesmos era baseada apenas em cereais, como milho e feij\u00e3o, utilizavam maneiras e temperos provenientes da \u00c1frica para melhorar e variar um pouco o gosto dos alimentos.\n\nDesta forma, os escravos resolveram pegar as partes do porco que eram rejeitadas e junta-las com o feij\u00e3o, cozinhando tudo em um mesmo recipiente, al\u00e9m de adicionar \u00e1gua, sal e pimentas diversas \u00e0quela mistura. Proveniente da fus\u00e3o de costumes alimentares europeus com a criatividade do escravo africano, a\u00a0<strong>feijoada<\/strong>\u00a0se tornou um dos principais s\u00edmbolos da culin\u00e1ria nacional.\n\nFonte: www.historiadetudo.com\n<h6>Hist\u00f3ria da Feijoada<\/h6>\n<h4><strong>Ingredientes<\/strong><\/h4>\n<blockquote>1 kg de feij\u00e3o preto\n\u00bd kg de carne de porco salgada\n\u00bd kg de carne-seca\n1 p\u00e9 (chispe), 1 orelha, 1 focinho, 1 rabinho e 1 * \u00bd kg de carne bovina fresca (ponta de agulha ou bra\u00e7o)\n\u00bd kg de lingui\u00e7a\n1 osso de presunto\n1 paio\n100 g de toucinho fumeiro (bacon defumado)\n\u00bd kg de lombo de porco fresco (ou costeletas de porco)\ncebola\n\u00f3leo\n5 folhas de louro\nalho\ncheiro-verde\ncouve\nmolho carioca\nlaranjas<\/blockquote>\n<h4><strong>Modo de preparo<\/strong><\/h4>\nNa v\u00e9spera, colocar de molho a carne de porco salgada, a carne-seca, o p\u00e9, a orelha, o rabinho e o focinho de porco salgados.\n\nNo dia seguinte, de manh\u00e3, levar ao fogo o feij\u00e3o preto em caldeir\u00e3o com bastante \u00e1gua.\n\nEm outra panela, ferver os ingredientes postos de molho.\n\nDepois de cozer o feij\u00e3o uma hora, juntar as carner fervidas, o louro e acrescentar a carne bovina, a lingui\u00e7a, o osso de presunto, o paio, o toucinho (bacon), as costeletas de porco (ou o meio quilo de lombo de porco fresco).\n\nQuando tudo j\u00e1 estiver cozido, juntar o refogado, feito \u00e0 parte, com cebola picada, uma colher (sopa) de \u00f3leo, alho pisado e cheiro-verde. Provar o sal e deixar ferver, at\u00e9 bem cozido, em fogo brando, para n\u00e3o grudar no fundo do caldeir\u00e3o.\n\nPara servir, colocar os ingredientes numa travessa, arrumando com jeito (o feij\u00e3o ser\u00e1 levado \u00e0 mesa numa sopeira ou grande tigela de barro).\n\nServir com o molho carioca(*) e laranjas doces, picadas e polvilhadas (ou n\u00e3o) de sal fino.\n\nServir com couve frita em alho e \u00f3leo, e arroz ou com farinha de mandioca, torresmo, mandioca frita. Pode ser condimentada com pimenta malagueta a gosto\n\n<strong>(*) Molho carioca:<\/strong> 2 colheres de sopa bem cheias de pimenta cumari ou Pimenta-malagueta, bem curtidas. &#8212; 1 por\u00e7\u00e3o de salsa picada, bem fininha &#8212; 1 pitada de sal &#8212; caldo de lim\u00e3o galego. Como fazer: 1) Amasse bem as pimentas e junte a salsa e o sal. 3) Coloque numa molheira e cubra tudo com o caldo de lim\u00e3o galego.\n\n<strong>INGREDIENTES (para 6 pessoas)<\/strong>\n<blockquote>500g de favas brancas (n\u00e3o encontrando, utilize o feij\u00e3o branco);\n200g de toucinho defumado ou bacom;\n2 paios pequenos, 1 lingui\u00e7a portuguesa fumada e 1 farinheira (um embutido feito com carne de porco e migalhas de p\u00e3o).\n250g de lombo de porco defumado;\no mesmo tanto de costelinha de porco idem;\n300g de carne seca, cortada em generosos nacos;\n2 ou 3 rabinhos de porco, inteiros;\n5 a 6 colheres de sopa de azeite portugu\u00eas, aut\u00eantico;\n3 cebolas brancas, m\u00e9dias, picadas sem muito crit\u00e9rio;\n4 dentes de alho, tamb\u00e9m picados;\n2 tomates, sem pele e sem sementes, picados em cubos pequenos;\n5, 6 ou 7 folhas de louro, inteiras e saud\u00e1veis;\nS\u00e1lvia, manjerona e salsinha, tudo fresco, rasgadinho e picadinho \u00e0 moda do fregu\u00eas;\nSal, pimenta do reino e pimenta vermelha a gosto.<\/blockquote>\n<strong>Para a cozinha ent\u00e3o:<\/strong>\n\nPrimeiro eu deixo de molho, de v\u00e9spera, em um bocado de \u00e1gua, as favas. Deixo de molho, tamb\u00e9m de v\u00e9spera e em muita \u00e1gua, as carnes salgadas (os rabos e a carne seca). Troco algumas vezes a \u00e1gua. Antes de utilizar as carnes, passo-as duas ou tr\u00eas vezes em \u00e1gua fervente e, por \u00faltimo, deixo ambas, rabos e a carne seca, cozinhar em \u00e1gua com 4 ou 5 folhas de louro por aproximadamente 30 minutos. As lingui\u00e7as, o paio e as outras carnes defumadas (o lombo, o toucinho e as costelinhas) tamb\u00e9m afervento 2 ou 3 vezes, rapidinho, apenas para eliminar o ran\u00e7o. Levo ao fogo baixo as favas em uma panela com bastante \u00e1gua. Cozinho as lentamente, sem pressa, sem tampar a panela.\n\nVai a\u00ed ao menos 1 hora. Quando necess\u00e1rio, acrescento mais \u00e1gua quente, literalmente, \u00e0s favas. Procedo com delicadeza para n\u00e3o desmanch\u00e1-las.\n\nAssim que cozidas, escorro um tanto da \u00e1gua (mas n\u00e3o toda) e reservo. Escolho uma panela para os finalmente: uma ca\u00e7arola ou similar que p ermita manipular com folga os ingredientes. Levo a ao fogo brando com o azeite, a cebolas e o alho. Assim que as cebolas e o alho murcharem acrescento os tomates, o bacon (ou toucinho). Mexo e remexo com uma das minhas poderosas colheres de pau. Introduzo na ca\u00e7arola a carne seca, os rabos de porco, o lombo, a costelinha e os embutidos. Mexo e remexo com aten\u00e7\u00e3o por 10 minutos.\n\nPercebo ent\u00e3o o sal para saber o quanto mais ser\u00e1 necess\u00e1rio quando introduzir a fava ou o feij\u00e3o. Dou-lhe, a gosto, pimenta do reino quebrada e pimenta vermelha, esta \u00faltima, sem as sementes. Mais um minuto no fogo e ent\u00e3o coloco a \u00e1gua que restou do cozimento das favas (+ ou &#8211; 200ml). Assim que ferver, agrego as favas, confiro novamente o sal, se necess\u00e1rio ajusto, e junto, por fim, as ervas restantes. Aguardo, em fogo baixo, mais dez minutos para que os temperos, as carnes e as favas se entendam e se apropriem, l\u00e1 entre eles, seus aromas e sabores.\n\nSirva com arroz branco e couve cozida.\n\nFonte: www.colegiosaofrancisco.com.br\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hist\u00f3ria da Feijoada, Origem, Ingredientes, Iguaria, Feij\u00e3o, Couve, Laranja, Paio, Costelinha, Farinha, Arroz, Hist\u00f3ria da Feijoada<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":22676,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-22675","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-culinaria-2"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Hist\u00f3ria da Feijoada - Portal S\u00e3o Francisco<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"noindex, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"en_US\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Hist\u00f3ria da Feijoada - 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