{"id":22304,"date":"2016-01-19T00:00:00","date_gmt":"2016-01-19T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/teatro-grego\/"},"modified":"2026-09-01T15:43:43","modified_gmt":"2026-09-01T15:43:43","slug":"teatro-grego","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-geral\/teatro-grego\/","title":{"rendered":"Teatro Grego"},"content":{"rendered":"\n<p>O<strong>\u00a0teatro\u00a0<\/strong>foi uma das mais ricas      formas de arte. A representa\u00e7\u00e3o teatral originou-se e se desenvolveu a partir      das Dionis\u00edacas festas em honra ao Deus Dion\u00edsio, que incluiu o espect\u00e1culo      de m\u00edmica, dan\u00e7a, m\u00fasica, poesia, etc.. <\/p>\n   \n<p>Em Atenas, celebrava-se o culto de Dion\u00edsio, acontecimento muito apreciado      pela popula\u00e7\u00e3o camponesa. J\u00e1 as Grandes Dionis\u00edacas eram as celebra\u00e7\u00f5es urbanas,      quando se realizavam os famosos concursos entre autores dram\u00e1ticos (cada participante      concorria com tr\u00eas pe\u00e7as \u0093Trilogia\u0094).<\/p>\n   \n<p>A encena\u00e7\u00e3o das pe\u00e7as era feita exclusivamente por actores masculinos que      usavam m\u00e1scaras e representavam tamb\u00e9m personagens femininos, que deram origem      \u00e0s grandes obras do teatro ateniense. <\/p>\n   \n<p>As Grandes Panaten\u00e9ias, em honra da Deusa Atena, eram celebradas de quatro      em quatro anos, com concursos de m\u00fasica e canto, corridas de cavalos e outras      competi\u00e7\u00f5es desportivas; finalizavam com uma prociss\u00e3o que percorria a via      sagrada, para oferecer \u00e0 Deusa o manto luxuoso. Era a festa mais importante      da Cidade-Estado de Atenas.<\/p>\n   \n<p>Do ponto de vista cultural, Atenas n\u00e3o era superada por nenhuma outra cidade      grega. L\u00e1 viveram os maiores pensadores e artistas do mundo grego; alguns      deles da pr\u00f3pria humanidade. <\/p>\n   \n<p>No per\u00edodo cl\u00e1ssico, o teatro tornou-se uma manifesta\u00e7\u00e3o art\u00edstica independente,      embora os principais temas permanecessem ligados \u00e0 religi\u00e3o e \u00e0 mitologia.      Os dois g\u00e9neros b\u00e1sicos do drama teatral foram a trag\u00e9dia e a com\u00e9dia.<\/p>\n   \n<h4>Trag\u00e9dia<\/h4>\n   \n<p>Dentre      os principais autores e obras podem ser mencionados: \u00c9squilo (525 &#8211; 456 a.C.),      que escreveu a trilogia Or\u00e9stia, Prometeu Acorrentado, etc.;<\/p>\n   \n<p>S\u00f3focles      (495 &#8211; 405 a.C.), que se destaca com as pe\u00e7as \u00c9dipo Rei, Ant\u00edgona e Electra;<\/p>\n   \n<p>Eur\u00edpedes      (480 &#8211; 406 a.C.), autor de Med\u00e9ia, Hip\u00f3lito, Andr\u00f3maca, As Troianas, etc.<\/p>\n   \n<h4>Com\u00e9dia<\/h4>\n   \n<p>A      com\u00e9dia foi um g\u00e9nero mais voltado para o quotidiano, para os costumes, que      s\u00e3o tratados sobre tudo como objecto de cr\u00edtica e s\u00e1tira. Dentre os principais      comedi\u00f3grafos destacam-se: Arist\u00f3fanes (445 &#8211; 385 a.C.), autor de A Paz, Lis\u00edstrata,      A Assembl\u00e9ia de Mulheres, Os Cavaleiros e Plutos;<\/p>\n   \n<p>Menandro      (340 &#8211; 292 .C.), autor de O Intrat\u00e1vel.<\/p>\n   \n<p>Um dos grandes acontecimentos do ano para os gregos era a ida ao teatro.      As pe\u00e7as s\u00f3 eram apresentadas durante dez dias e cada pe\u00e7a representada apenas      uma vez. Como todos queriam ver os espect\u00e1culos, o teatro tinha que ser grande.    <\/p>\n   \n<p>A popula\u00e7\u00e3o ia para o teatro muito cedo, logo ap\u00f3s o nascer do sol. Pagava      dois \u00f3bolos (moeda grega equivalendo a um ter\u00e7o de uma dracma) para entrar.      O Estado mantinha um fundo especial para subsidiar quem n\u00e3o pudesse pagar.    <\/p>\n   \n<p>A maior diferen\u00e7a entre o teatro grego e o teatro moderno consiste no facto      de que as pe\u00e7as gregas faziam parte de um festival religioso em honra dos      deuses. O teatro ent\u00e3o nasceu com um festival de c\u00e2nticos narrando as hist\u00f3rias      dos deuses. Um autor dava um passo \u00e0 frente do coro de cantores para desempenhar      o papel do personagem principal. Mais tarde apareceu um segundo actor e, gradualmente      a representa\u00e7\u00e3o foi se desenvolvendo.<\/p>\n   \n<h4>\u00c9squilo<\/h4>\n   \n<p>\u00c9squilo,      o primeiro grande autor tr\u00e1gico, nasceu em El\u00eausis no ano de 525 a.C., participou      da batalha de Maratona no ano de 490 a.C. e, por muitas vezes, esteve na Sic\u00edlia,      onde morreu no ano de 456 a.C. \u00c9squilo acreditava que o Autor era, antes de      tudo um educador.<\/p>\n   \n<p>Ele      acreditava que se os atores sofressem em cena, isso despertaria os sentimentos      de terror e piedade dos espectadores proporcionando-lhes o al\u00edvio ou purga\u00e7\u00e3o      desses sentimentos. Ocorreria assim a purifica\u00e7\u00e3o das paix\u00f5es &#8211; Catarse.<\/p>\n   \n<p>\u00c9squilo      foi o primeiro autor a introduzir um segundo ator nas representa\u00e7\u00f5es, escreveu      mais de oitenta obras dentre as quais destacam-se \u0093Os Persas\u0094 (472),      \u0093Os Sete Contra Tebas\u0094(467), \u0093As suplicantes\u0094 (acredita-se      que seja de 463), \u0093Prometeu Acorrentado\u0094 (de data desconhecida e      autenticidade duvidosa) e as tr\u00eas pe\u00e7as da \u0093Or\u00e9stia\u0094 (458): \u0093Agamenon\u0094,      \u0093As Co\u00e9oras\u0094 e \u0093As Eum\u00eanides\u0094.<\/p>\n   \n<p>A      \u00fanica trilogia completa de \u00c9squilo que conhecemos \u00e9 a Or\u00e9stia. Por meio dela      pode-se tentar compreender um pouco o pensamento desse autor, sobretudo porque      ela foi escrita pouco antes de sua morte.<\/p>\n   \n<h4>Eur\u00edpedes<\/h4>\n   \n<p>Pouco      se sabe da origem de Eur\u00edpedes. Acredita-se que ele era filho de um mercador      de legumes e que viveu entre os anos de 485 a.C. a 406. Eur\u00edpedes \u00e9 considerado      por muitos como o homem que revolucionou a t\u00e9cnica teatral.<\/p>\n   \n<p>Sobreviveram ao tempo muito mais obras de Eur\u00edpedes do que dos outros autores      tr\u00e1gicos. Isso aconteceu porque, apesar de Eur\u00edpedes n\u00e3o obter muito sucesso      junto ao seu povo, pois poucas vezes conseguiu vencer os concursos que participou,      sua obra, por abordar temas pet\u00e9ticos e id\u00e9ias abstratas, foi muito apreciada      no s\u00e9culo IV. <\/p>\n   \n<p>Devido a essa prefer\u00eancia \u00e9 poss\u00edvel a elabora\u00e7\u00e3o de uma lista de obras com      datas quase precisas, s\u00e3o elas: \u0093Alceste\u0094(438), \u0093Med\u00e9ia\u0094(431),      \u0093Hip\u00f3lito\u0094(428), \u0093H\u00e9cuba\u0094, \u0093Os Her\u00e1clidas\u0094,      \u0093Andr\u00f4maca\u0094, \u0093H\u00e9racles\u0094, \u0093As Suplicantes\u0094, \u0093\u00cdon\u0094,      \u0093As Troianas\u0094(415), \u0093Eletra\u0094, \u0093Ifig\u00eania em T\u00e1urida\u0094,      \u0093Helena\u0094(412), \u0093As Fen\u00edcias\u0094, \u0093Orestes\u0094 (408),      \u0093As Bacantes\u0094, \u0093Ifig\u00eania e \u00c1ulis\u0094, \u0093Ciclope\u0094      (com data desconhecida). A obra \u0093Med\u00e9ia\u0094, uma das mais conhecida      entre n\u00f3s, \u00e9 um drama de amor e paix\u00e3o. <\/p>\n   \n<p>E essa \u00e9 a grande diferen\u00e7a que existe entre as obras de Eur\u00edpedes e as de      \u00c9squilo e S\u00f3focles. Na obra de \u00c9squilo o amor \u00e9 praticamente nenhum. Em S\u00f3focles      ele geralmente fica em segundo plano. No entanto, em Eur\u00edpedes ele \u00e9 essencial      e chega \u00e0s \u00faltimas conseq\u00fc\u00eancias, ou seja, a vingan\u00e7a e a morte. Em Eur\u00edpedes      ainda encontramos a loucura, que pode ser vista na obra \u0093H\u00e9racles\u0094.As      obras de Menandro foram quase todas consumidas pelo tempo. Somente em 1958      foi encontrado um papiro eg\u00edpcio contendo a obra \u0093Misantropo\u0094, que      conta a hist\u00f3ria de um homem, cujo nome \u00e9 emprestado a obra, e sua filha,      Cnemon.<\/p>\n   \n<h4>Arist\u00f3fanes<\/h4>\n   \n<p>Nasceu em Atenas, Gr\u00e9cia em 457 a.C. e faleceu em 385 a.c. Viveu toda a sua      juventude sob o esplendor do S\u00e9culo de P\u00e9ricles. Testemunhou o in\u00edcio e o      fim daquela grande Atenas. Viu o in\u00edcio da Guerra do Peloponeso, em que Atenas      foi derrotada.. Ele, da mesma forma, viu de perto o papel nocivo dos demagogos      (especialmente Cl\u00e9on) na destrui\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, militar e cultural de sua cidade-estado.    <\/p>\n   \n<p>\u00c0 sua volta, \u00e0 volta da acr\u00f3pole de Atenas, florescia a sof\u00edstica -a arte      da persuas\u00e3o-, que subvertia os conceitos religiosos, pol\u00edticos, sociais e      culturais da sua civiliza\u00e7\u00e3o.Sua primeira com\u00e9dia, \u0093Os Convivas\u0094,      estreou em -427 sob o nome de \u0093Cal\u00edstrato, o ensaiador da pe\u00e7a\u0094,      e obteve de sa\u00edda o segundo pr\u00eamio.<\/p>\n   \n<p>Dois anos depois, no ano de 425 ac, nas Leneanas, Arist\u00f3fanes apresentou      a com\u00e9dia \u0093Os Cavaleiros\u0094, o que motivou um segundo processo em      -424, resolvido aparentemente atrav\u00e9s de acordo realizado fora dos tribunais      Esta pe\u00e7a, felizmente, chegou at\u00e9 n\u00f3s. <\/p>\n   \n<p>Ela representa o mais violento ataque pessoal de Arist\u00f3fanes a Cleon Foi      considerada t\u00e3o agressiva que nenhum ator da \u00e9poca teve a coragem de representar      o papel de Panflag\u00f4nio (Cleon).Da primeira \u00e9poca s\u00e3o: \u0093Os Acarnenses\u0094,      na qual manifesta a sua atitude antib\u00e9lica (1\u00ba lugar nas Dion\u00edsias); \u0093Os      Cavaleiros\u0094, ataque contra o demagogo Cl\u00e9on, que o Salsicheiro, demagogo      mais h\u00e1bil do que ele, e os cavaleiros da aristocracia derrotam (1\u00ba lugar      nas Dion\u00edsias); \u0093As Nuvens\u0094, s\u00e1tira das novas filosofia e pedagogia,      em que ataca S\u00f3crates e os sofistas (3\u00ba lugar nas Dion\u00edsias); \u0093As Vespas\u0094,      sobre a paix\u00e3o que os atenienses mostram pelos processos judiciais (1\u00ba lugar      nas Dion\u00edsias); \u0093Paz\u0094, obra antibelicista (2\u00ba lugar nas Dion\u00edsias);      \u0093As Aves\u0094, em que descreve o fant\u00e1stico reino dos p\u00e1ssaros, que      dois atenienses dirigem e que, na forma como agem, conseguem suplantar os      deuses ( 2\u00ba lugar nas Dion\u00edsias); \u0093Lis\u00edstrata\u0094, obra especialmente      alegre, em que as mulheres de Atenas, dado que os seus maridos n\u00e3o acabam      com a guerra, resolvem fazer uma greve sexual (1\u00ba lugar nas Dion\u00edsias); \u0093Mulheres      Que Celebram as Tesmof\u00f3rias\u0094, par\u00f3dia das obras de Eur\u00edpides (1\u00ba lugar      nas Dion\u00edsias); e \u0093As R\u00e3s\u0094, novo ataque contra Eur\u00edpides (1\u00ba lugar      nas Dion\u00edsias). Para sublinhar mais esta excel\u00eancia entre os gregos, \u00e9 bom      citar que a com\u00e9dia \u0093As R\u00e3s\u0094 foi t\u00e3o bem recebida pelo p\u00fablico que      teve a sua reapresenta\u00e7\u00e3o pedida pela plat\u00e9ia. Na \u00e9poca, a reapresenta\u00e7\u00e3o      de uma pe\u00e7a era privil\u00e9gio da trag\u00e9dia.<\/p>\n   \n<p>Do      acervo de 40 pe\u00e7as de Arist\u00f3fanes, somente 11 pe\u00e7as nos restaram.Restaram      tamb\u00e9m numerosos fragmentos de suas outras com\u00e9dias, que permitiram reconstituir,      ao menos em parte, o argumento de algumas delas. Embora toda sua vida intelectual      tenha transcorrido em Atenas, apresentou certa vez uma de suas pe\u00e7as no teatro      de El\u00eausis.<\/p>\n   \n<h4><strong>S\u00f3focles<\/strong><\/h4>\n   \n<p>Nasceu em Colono, perto de Atenas em 495 a.C. Viveu sempre em Atenas e l\u00e1      morreu, nonagen\u00e1rio, entre 406 a.C. e 405 a.C. S\u00f3focles era de fam\u00edlia abastada,      por\u00e9m n\u00e3o era aristocr\u00e1tica. <\/p>\n   \n<p>O mais bem sucedido autor de trag\u00e9dias da Gr\u00e9cia, estreou nas Dion\u00edsias Urbanas      em 468 a.C., no s\u00e9culo de P\u00e9ricles, com a trag\u00e9dia Triptolemos, concorrendo      com \u00c9squilo (venerado pelos atenienses) e recebendo o primeiro pr\u00eamio aos      28 anos de idade. <\/p>\n   \n<p>Venceu os concursos 18 ou 24 vezes, e nunca obteve menos que o segundo lugar.      Foi ele quem obteve o maior n\u00famero de vit\u00f3rias nos concursos dram\u00e1ticos de      Atenas e homenageado como o maior dos poetas tr\u00e1gicos. Consta que S\u00f3focles      teve intensa vida pol\u00edtica em Atenas.<\/p>\n   \n<p>Segundo a tradi\u00e7\u00e3o, liderou o coro de jovens que celebrou a vit\u00f3ria de Salamina      e, gra\u00e7as ao seu prest\u00edgio, foi tesoureiro da Liga de Delos em 443 a.C., estr\u00e1tego      em 441a.C. (ao lado de P\u00e9ricles) e por volta de 428 a.C. (na \u00e9poca de N\u00edcias).    <\/p>\n   \n<p>Em 413 a.C., ap\u00f3s o desastre da Sic\u00edlia, foi um dos dez pr\u00f3bulos que governaram      provisoriamente a cidade. Era devoto de Ascl\u00e9pio e, enquanto o asclepieion      de Atenas era constru\u00eddo, a est\u00e1tua do deus ficou acomodada em sua casa.<\/p>\n   \n<p>Era      bem apessoado e af\u00e1vel; consta que foi amigo de P\u00e9ricles e de Her\u00f3doto e que      \u00cdofon, seu filho, e \u00c1riston, seu neto, foram tragedi\u00f3grafos de renome. Diz-se      que alguns meses antes de sua morte, ao saber que Eur\u00edpides morrera, vestiu      o coro de preto e, em l\u00e1grimas, deu ao p\u00fablico a not\u00edcia.<\/p>\n   \n<p>Os      testemunhos antigos atribuem-lhe cerca de 120 trag\u00e9dias e dramas sat\u00edricos,      dos quais cerca de 18 eram tetralogias, um hino a Apolo e alguns poemas. Somente      sete trag\u00e9dias chegaram at\u00e9 n\u00f3s: \u00c9dipo Rei, \u00c9dipo em Colono, Ant\u00edgona, Electra,      Ajax, As Traquinias, Filoctetes. Os enredos de todas as trag\u00e9dias prov\u00eam da      mitologia grega; o drama sat\u00edrico C\u00e3es de Ca\u00e7a foi inspirado em um antigo      hino a Apolo tradicionalmente atribu\u00eddo a Homero.<\/p>\n   \n<p>Das trag\u00e9dias sobreviventes, as cinco mais antigas n\u00e3o podem ser datadas      com precis\u00e3o. \u00c1jax e As Traquinianas foram apresentadas em algum momento entre      450 a.C. e 430 a.C.; Ant\u00edgona, possivelmente, em 442 a.C.; \u00c9dipo Tirano (mais      conhecida pela tradu\u00e7\u00e3o incorreta, \u00c9dipo Rei) entre 429 a.C. e 425 a.C., Electra      entre 420 a.C. e 410 a.C. <\/p>\n   \n<p>A trag\u00e9dia \u00c9dipo em Colono foi encenada por seu neto \u00c1riston e apresentada      postumamente. De um drama sat\u00edrico intitulado Os C\u00e3es de Ca\u00e7a, de data incerta,      temos cerca de 400 versos. <strong>S\u00f3focles inovou a constru\u00e7\u00e3o e a t\u00e9cnica      teatrais de seu tempo:<\/strong> aos dois atores usados por \u00c9squilo acrescentou      um terceiro, recurso utilizado posteriormente por \u00c9squilo na Orestia, e aumentou      ainda mais os di\u00e1logos dos personagens e reduziu as falas do coro, embora      tenha elevado o n\u00famero de seus componentes. O Coro atua como um personagem      coletivo, dialogando com o protagonista.<\/p>\n   \n<p>Em      sua \u00e9poca as tetralogias n\u00e3o eram mais compostas de trag\u00e9dias interligadas,      e os enredos tornaram-se mais complexos. Alguns eruditos sustentam mesmo que,      com S\u00f3focles, a trag\u00e9dia grega atingiu a perfei\u00e7\u00e3o. O grande fil\u00f3sofo Arist\u00f3teles      afirma que, \u00c9dipo Rei, \u00e9 a trag\u00e9dia mais perfeita j\u00e1 escrita, modelo para      todas as outras.<\/p>\n   \n<p>Fonte:       Universidade de Pernambuco &#8211; UPE<\/p>\n   \n<h6>Teatro Grego<\/h6>\n    \n<p class=\"google\">  <\/p>\n     \n<p>O\u00a0<strong>teatro      grego\u00a0<\/strong>atingiu todo      o seu esplendor durante o per\u00edodo que vai do s\u00e9culo V a.C. ao s\u00e9culo IV a.C.      Esse per\u00edodo tamb\u00e9m \u00e9 conhecido como o S\u00e9culo de Ouro, porque foi durante      esse intervalo de tempo que a cultura grega atingiu o seu apogeu. A cidade      de Atenas foi o centro dessas manifesta\u00e7\u00f5es e reuniu autores e intelectuais      de toda a Gr\u00e9cia. O teatro grego pode ser dividido em tr\u00eas partes: Trag\u00e9dia,      Com\u00e9dia antiga, e Com\u00e9dia nova.<\/p>\n   \n<h4>Ru\u00ednas      do teatro grego em Epidauro<\/h4>\n   \n<h4>Trag\u00e9dia<\/h4>\n   \n<p>Trag\u00e9dia      \u00e9 a express\u00e3o desesperada do homem, que luta contra todas as adversidades,      mas n\u00e3o consegue evitar a desgra\u00e7a. Ela \u00e9 um g\u00eanero caracter\u00edstico da Atenas      cl\u00e1ssica, fundamentada na tem\u00e1tica mitol\u00f3gica. Sua raiz est\u00e1 nas festas dionis\u00edacas,      consagradas a Dionisio, deus do vinho.<\/p>\n   \n<p><strong>As      Dionis\u00edacas eram tr\u00eas:<\/strong><\/p>\n   \n<p><strong>As      Dionis\u00edacas Urbanas<\/strong><\/p>\n   \n<p>Consideradas      as mais importantes de todas, eram realizadas nas primaveras e duravam sete      dias;<\/p>\n   \n<p><strong>As      Leneanas<\/strong><\/p>\n   \n<p>Realizadas      nas montanhas durante o inverno;<\/p>\n   \n<p><strong>As      Dionis\u00edacas Rurais<\/strong><\/p>\n   \n<p>Realizadas      tamb\u00e9m no inverno no fim do m\u00eas de dezembro.<\/p>\n   \n<p>Nessa \u00e9poca, os grandes autores e atores tinham um grande destaque social.      Muitos deles eram sustentados pelas cidades em que viviam. Durante o Festival      Dionis\u00edaco ou Dionis\u00edacas eles apresentavam tr\u00eas trag\u00e9dias, seguidas de uma      pe\u00e7a sat\u00edrica. <\/p>\n   \n<p>Essas obras eram julgadas por cidad\u00e3os escolhidos entre as fam\u00edlias aristocr\u00e1ticas      e por pessoas que ocupavam um lugar de destaque na sociedade ateniense. Pertencer      ao j\u00fari da trag\u00e9dia era uma esp\u00e9cie de distin\u00e7\u00e3o. Os grandes autores tr\u00e1gicos      foram \u00c9squilo, S\u00f3focles e Eur\u00edpedes.<\/p>\n   \n<p><strong>Com\u00e9dia      Antiga<\/strong><\/p>\n   \n<p>A origem da Com\u00e9dia \u00e9 a mesma da trag\u00e9dia, ou seja, \u00e0s festas dion\u00edsiacas,      consagradas ao deus Dionisio. A palavra com\u00e9dia vem do grego Komoid\u00eda e sua      origem etimol\u00f3gica, Komos, remete ao sentido de prociss\u00e3o. <strong>Nessa \u00e9poca      havia na Gr\u00e9cia dois tipos de prociss\u00e3o denominadas Komoi:<\/strong> na primeira      os jovens saiam \u00e0s ruas, fantasiados de animais, batendo de porta em porta      pedindo prendas. Nessa Komoi era comum zombar dos habitantes da cidade; j\u00e1      no segundo tipo de prociss\u00e3o, era celebrado a fertilidade da natureza. Essa      Komoi escoltava uma escultura, que representava um p\u00eanis. <\/p>\n   \n<p>Durante essa prociss\u00e3o os participantes trocavam palavras grosseiras entre      si. Esses palavr\u00f5es, por conterem conota\u00e7\u00f5es religiosas, n\u00e3o eram considerados      uma ofensa. Eles eram uma forma de desejar ao pr\u00f3ximo fertilidade e fartura.<\/p>\n   \n<p>Acredita-se que essas prociss\u00f5es aconteciam porque a Gr\u00e9cia tinha grandes      problemas com a fertilidade da terra tamb\u00e9m com a das mulheres. Existe ainda      uma outra poss\u00edvel origem para a com\u00e9dia. Segundo Arist\u00f3teles ela originou-se      nos cantos f\u00e1licos. <\/p>\n   \n<p>Nesses cantos uma prostituta liderava um cord\u00e3o e os demais participantes      cantavam obscenidades, por\u00e9m, a primeira defini\u00e7\u00e3o parece ser a mais concreta.      Acredita-se que a com\u00e9dia, apesar de tamb\u00e9m ser representada nas festas dion\u00edsiacas,      era considerada um g\u00eanero liter\u00e1rio menor, se comparada a trag\u00e9dia. Isso se      d\u00e1 porque o j\u00fari que apreciava a trag\u00e9dia era nobre, enquanto que o j\u00fari da      com\u00e9dia era simplesmente escolhido entre as pessoas que faziam parte da plat\u00e9ia.<\/p>\n   \n<p>A encena\u00e7\u00e3o da Com\u00e9dia Antiga era dividida em duas partes com um intervalo.      Na primeira, chamada ag\u00f3n, prevalecia um duelo verbal entre o protagonista      e o coro. Depois dessa parte, havia o intervalo, par\u00e1base, no qual o coro      retirava \u00e1s m\u00e1scaras e falava diretamente com o p\u00fablico. <\/p>\n   \n<p>O objetivo da par\u00e1base era definir uma conclus\u00e3o para a primeira parte. Depois      do intervalo vinha a segunda parte da com\u00e9dia. Seu objetivo era esclarecer      os problemas que surgiram no ag\u00f3n.<\/p>\n   \n<p>A      Com\u00e9dia Antiga, por fazer alus\u00f5es jocosas aos mortos, satirizar personalidades      vivas e at\u00e9 mesmo os deuses, teve sempre a sua exist\u00eancia muito ligada \u00e0 democracia.      A rendi\u00e7\u00e3o de Atenas na Guerra de Peloponeso no ano de 404 a.C. levou consigo      a democracia e, consequentemente, p\u00f4s fim a Com\u00e9dia Antiga. O autor que mais      se destacou nesse per\u00edodo foi Arist\u00f3fanes. Outros nomes, como os de Magnes,      Cratino Crates etc., s\u00e3o conhecidos apenas por refer\u00eancias em textos e fragmentos      de pe\u00e7as.<\/p>\n   \n<p><strong>A      Com\u00e9dia Nova<\/strong><\/p>\n   \n<p>Ap\u00f3s      a capitula\u00e7\u00e3o de Atenas frente \u00e0 Esparta surge a Com\u00e9dia Nova, que iniciou-se      no fim do s\u00e9culo IV e durou at\u00e9 o come\u00e7o do s\u00e9culo III. Nesse per\u00edodo a mentalidade      dos gregos mudou muito. Eles j\u00e1 n\u00e3o tinham o ideal guerreiro e patri\u00f3tico      do s\u00e9culo anterior e, por causa da derrota na guerra de Peloponeso, voltaram-se      para o lar.<\/p>\n   \n<p>A Com\u00e9dia Nova e a Com\u00e9dia Antiga possuem muitas diferen\u00e7as. Na Com\u00e9dia Nova      o coro j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 um elemento atuante, sua participa\u00e7\u00e3o fica resumida \u00e0 coreografia      dos momentos de pausa da a\u00e7\u00e3o. Na Com\u00e9dia Nova a pol\u00edtica j\u00e1 quase n\u00e3o \u00e9 discutida.    <\/p>\n   \n<p>O seu tema s\u00e3o as rela\u00e7\u00f5es humanas, como por exemplo as intrigas amorosas.      Na Com\u00e9dia Nova n\u00e3o temos mais as s\u00e1tiras violentas, ela \u00e9 mais realista e      procura, utilizando uma linguagem bem comportada, estudar as emo\u00e7\u00f5es do ser      humano. <\/p>\n   \n<p>At\u00e9 meados do s\u00e9culo XX a Com\u00e9dia Nova s\u00f3 era conhecida pelas imita\u00e7\u00f5es latinas      (Plauto e Ter\u00eancio). No entanto, algumas descobertas &#8220;papirol\u00f3gicas&#8221;      resgataram a arte de Menandro. Sabe-se ainda que existiram os autores Fil\u00e9mone      e Difilo, por\u00e9m, n\u00e3o existem ind\u00edcios da exist\u00eancia de suas obras.<\/p>\n   \n<h4>\u00c9squilo<\/h4>\n   \n<p>\u00c9squilo,      o primeiro grande autor tr\u00e1gico, nasceu em El\u00eausis no ano de 525 a.C., participou      da batalha de Maratona no ano de 490 a.C. e, por muitas vezes, esteve na Sic\u00edlia,      onde morreu no ano de 456 a.C. \u00c9squilo acreditava que o Autor era, antes de      tudo um educador.<\/p>\n   \n<p>Ele      acreditava que se os atores sofressem em cena, isso despertaria os sentimentos      de terror e piedade dos espectadores porporcionando-lhes o al\u00edvio ou purga\u00e7\u00e3o      desses sentimentos. Ocorreria assim a purifica\u00e7\u00e3o das paix\u00f5es &#8211; Catarse.<\/p>\n   \n<p>\u00c9squilo,      o primeiro autor a introduzir um segundo ator nas representa\u00e7\u00f5es, escreveu      mais de oitenta obras dentre as quais destacam-se Os persas(472), Os sete      contra Tebas(467), As suplicantes (acredita-se que seja de 463), Prometeu      acorrentado (de data desconhecida e autenticidade duvidosa) e as tr\u00eas pe\u00e7as      da Or\u00e9stia (458): Agamenon, As co\u00e9oras e As eum\u00eanides.<\/p>\n   \n<p>Durante muito tempo acreditou-se que as trilogias ou tetralogias articuladas,      ou seja, tr\u00eas trag\u00e9dias de uma mesma lenda seguidas de um drama sat\u00edrico,      existiram desde a origem do teatro. Essa teoria come\u00e7ou a ser questionada      a partir do momento em que As suplicantes n\u00e3o foram mais consideradas como      a mais antiga obra de \u00c9squilo. <\/p>\n   \n<p>Por isso, alguns estudiosos acreditam que foi \u00c9squilo quem instituiu as trilogias      ou tetralogias articuladas. A \u00fanica trilogia completa de \u00c9squilo que conhecemos      \u00e9 a Or\u00e9stia. Por meio dela pode-se tentar compreender um pouco o pensamento      desse autor, sobretudo porque ela foi escrita pouco antes de sua morte.<\/p>\n   \n<h4>S\u00f3focles<\/h4>\n   \n<p>S\u00f3focles      (496 a 405 a.C.) nasceu em Epidauro e, al\u00e9m de exercer uma brilhante carreira      dram\u00e1tica, dedicou parte de sua vida \u00e0s atividades atl\u00e9ticas, \u00e0 m\u00fasica, \u00e0      pol\u00edtica, ao militarismo e, por fim, \u00e0 vida religiosa (foi sacerdote do her\u00f3i-curador      Amino, e, nessa condi\u00e7\u00e3o, contribuiu para a introdu\u00e7\u00e3o do culto de Ascl\u00e9pio      na \u00c1tica.<\/p>\n   \n<p>S\u00f3focles,      considerado o continuador da obra de \u00c9squilo, concentrava em suas obras a      a\u00e7\u00e3o em um s\u00f3 personagem destacando o seu car\u00e1ter e os tra\u00e7os de sua personalidade.<\/p>\n   \n<p>Ele      sempre se preocupou em descobrir uma solu\u00e7\u00e3o mais profunda para os problemas      que as pe\u00e7as anteriores n\u00e3o resolviam por completo. S\u00f3focles, que segundo      Arist\u00f3teles mostrava o homem como ele deveria ser, escreveu v\u00e1rias pe\u00e7as dentre      as quais destacam-se Filoctetes(409), \u00c9dipo em Colona (401), \u00c9dipo Rei, que,      segundo Freud representa o &#8220;drama de todos n\u00f3s&#8221;, Ant\u00edgona, Traquinianas,      Os investigadores e Ajax.<\/p>\n   \n<p>Fonte:       www.mundocultural.com.br<\/p>\n   \n<h6>Teatro Grego<\/h6>\n      \n<h4>O      ENIGMA DAS M\u00c1SCARAS<\/h4>\n   \n<p><strong>De      utens\u00edlios ritual\u00edsticos \u00e0 psicologia moderna, a hist\u00f3ria das m\u00e1scaras est\u00e1      ligada \u00e0 pr\u00f3pria hist\u00f3ria do homem<\/strong><\/p>\n   \n<p>Carnaval      hoje \u00e9 sin\u00f4nimo de pouca roupa, gente bonita e muito barulho. No Nordeste,      especialmente na Bahia, a festa fica por conta dos blocos e o traje oficial      \u00e9 o abad\u00e1. J\u00e1 no Sudeste, influenciado pelo carnaval carioca, ocorre o tradicional      desfile de escolas de samba que, apesar de ainda preservar alguns elementos      dos antigos carnavais, deixou de ser uma festa popular h\u00e1 muito tempo para      se tornar evento comercial no calend\u00e1rio tur\u00edstico do pa\u00eds.<\/p>\n   \n<p class=\"imagem\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/teatro-grego-09.jpg\" alt=\"Teatro Grego\" width=\"255\" height=\"256\" title=\"Teatro Grego\" \/><br \/>\n     Capitano e Pantalone: personagens da commedia dell&#8217;arte italiana, a origem      dos bailes carnavalescos<\/strong><\/p>\n   \n<p>At\u00e9      a d\u00e9cada de 1950, contudo, eram nos bailes \u00e0 fantasia onde se encontravam      os foli\u00f5es. O costume de se mascarar no carnaval se acentuou no Brasil em      meados do s\u00e9culo XIX, mas a tradi\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 tupiniquim. Os bailes de m\u00e1scara      surgiram na Renascen\u00e7a Italiana, no s\u00e9culo XIV, influenciados pela popular      Commedia Dell&#8217;Arte . Foram os personagens deste g\u00eanero teatral, como o Arlequim      e a Colombina, que serviram de inspira\u00e7\u00e3o para as m\u00e1scaras carnavalescas que      conhecemos.<\/p>\n   \n<p>O uso da m\u00e1scara como elemento c\u00eanico surgiu no teatro grego, por volta do      s\u00e9culo V a.C. O s\u00edmbolo do teatro \u00e9 uma alus\u00e3o aos dois principais g\u00eaneros      da \u00e9poca: a trag\u00e9dia e a com\u00e9dia. A primeira tratava de temas referentes \u00e0      natureza humana, bem como o controle dos deuses sobre o destino dos homens,      enquanto a \u00faltima funcionava como um instrumento de cr\u00edtica \u00e0 pol\u00edtica e sociedade      atenienses. <\/p>\n   \n<p>Durante um espet\u00e1culo, os atores trocavam de m\u00e1scara in\u00fameras vezes, cada      uma delas representava uma emo\u00e7\u00e3o ou um estado do personagem.<\/p>\n   \n<p>No      Jap\u00e3o do s\u00e9culo XIV, nasceu o teatro N\u00f4, que tamb\u00e9m utilizou a m\u00e1scara como      parte da indument\u00e1ria. Um dos objetivos era n\u00e3o revelar para a plat\u00e9ia as      caracter\u00edsticas individuais dos atores. Como as mulheres eram proibidas de      atuar, as m\u00e1scaras femininas eram usadas pelos homens, assim como as infantis.<\/p>\n   \n<p>Atualmente,      em pleno s\u00e9culo XXI, as m\u00e1scaras ainda s\u00e3o objeto de estudo e trabalho de      diversas companhias teatrais em todo o mundo. Aqui no Brasil, o Grupo Teatral      Moitar\u00e1 trabalha h\u00e1 17 anos com a linguagem da m\u00e1scara teatral e \u00e9 coordenado      pelos artistas e pesquisadores Ven\u00edcio Fonseca e \u00c9rika Rettl. \u0093 O nosso      prop\u00f3sito \u00e9 pesquisar a M\u00e1scara enquanto linguagem, sendo ela um instrumento      fundamental para o treinamento do ator e desenvolvimento de um teatro essencial.      Neste estudo que realizamos, o que mais nos interessa \u00e9 revelar o que temos      de verdadeiro e humano, demolindo os preconceitos para assim compartilhar      com o p\u00fablico uma rela\u00e7\u00e3o plena em sua potencialidade de vida\u0094 , diz      Ven\u00edcio.<\/p>\n   \n<p>O grupo trabalha com o conceito de m\u00e1scara teatral e explica que, para ela      ganhar vida, \u00e9 necess\u00e1rio que o ator se desfa\u00e7a de sua m\u00e1scara cotidiana .      \u0093Diferente da m\u00e1scara cotidiana que busca ocultar e proteger, a m\u00e1scara      teatral revela a ess\u00eancia da persona representada, imprimindo uma identidade      especial e genu\u00edna. <\/p>\n   \n<p>Ao representar com uma m\u00e1scara, o ator for\u00e7osamente entende como elevar o      personagem para uma dimens\u00e3o teatral, para al\u00e9m do cotidiano, ent\u00e3o ele compreende      o que \u00e9 um verdadeiro personagem de teatro, inventado da vida e n\u00e3o um personagem      da vida. <\/p>\n   \n<p>Assim, quando a M\u00e1scara Teatral est\u00e1 viva em cena ela \u00e9, em si, o pr\u00f3prio      Teatro, pois os princ\u00edpios b\u00e1sicos que regem sua vida s\u00e3o os alicerces fundamentais      da arte teatral. Ela \u00e9 um arqu\u00e9tipo que prop\u00f5e ao ator a cria\u00e7\u00e3o de um estado,      com qualidade de energia espec\u00edfica, representando uma natureza que est\u00e1 al\u00e9m      do convencional\u0094, diz o artista.<\/p>\n   \n<p>Sob o ponto de vista ritual\u00edstico, o uso desse objeto \u00e9 ainda mais antigo.      As primeiras m\u00e1scaras surgiram na pr\u00e9-hist\u00f3ria e representavam figuras da      natureza. Nas cerim\u00f4nias religiosas, as tribos ind\u00edgenas desenhavam uma m\u00e1scara      no pr\u00f3prio rosto, utilizando pigmentos. <\/p>\n   \n<p>Os eg\u00edpcios tinham o costume de confeccionar m\u00e1scaras funer\u00e1rias, para que      o morto fosse reconhecido no al\u00e9m. Uma das mais famosas \u00e9 a do fara\u00f3 Tutankhamon,      que data do s\u00e9culo XII a.C e se encontra atualmente exposta no Museu do Cairo.      \u0093A m\u00e1scara acompanha a hist\u00f3ria da humanidade desde os prim\u00f3rdios. <\/p>\n   \n<p>Quando o homem primitivo ia ca\u00e7ar se mascarava para poder se aproximar de      sua ca\u00e7a ou para ganhar poder sob sua presa. Ela era utilizada, tamb\u00e9m, para      se aproximar dos deuses e das for\u00e7as da natureza. A m\u00e1scara sempre esteve      ligada a uma necessidade vital e comunit\u00e1ria\u0094, explica Ven\u00edcio que, al\u00e9m      de ator e diretor, tamb\u00e9m trabalha na confec\u00e7\u00e3o de m\u00e1scaras teatrais.<\/p>\n   \n<p><strong>FETICHE<\/strong><\/p>\n   \n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/teatro-grego-010.jpg\" alt=\"Teatro Grego\" width=\"345\" height=\"352\" title=\"Teatro Grego\" \/><\/p>\n   \n<p>Em      um conto intitulado \u0093O Estratagema do Amor\u0094, Donatien Alphonse Fran\u00e7ois,      o Marqu\u00eas de Sade, narra a trajet\u00f3ria da jovem libertina Augustine de VilleBranche      e de um rapaz enamorado que resolve conquist\u00e1-la. O encontro dos dois ocorre      em um baile de m\u00e1scaras carnavalesco, onde a \u0093Menina de VilleBranche\u0094      se veste de homem e o jovem Franville disfar\u00e7a-se de mulher.<\/p>\n   \n<p>Do      s\u00e9culo XVIII at\u00e9 hoje, o conceito de \u0093proibido\u0094 vem se tornando      cada vez mais distante. Vivemos numa \u00e9poca em que as lojas de produtos er\u00f3ticos      n\u00e3o necessariamente se encontram em pontos isolados. As sex shops podem ser      vistas em locais p\u00fablicos e os clientes, cada vez mais jovens, n\u00e3o se sentem      mais t\u00e3o constrangidos como antigamente. As m\u00e1scaras, se vistas dessa forma,      s\u00e3o sem d\u00favida um fetiche. Nada mais sadista do que a Tiazinha (voc\u00eas lembram      dela, n\u00e3o?).<\/p>\n   \n<p>Fetiche      que vai al\u00e9m de quatro paredes, a m\u00e1scara faz parte da nossa cultura. Os super-her\u00f3is,      \u00edcones do inconsciente coletivo da sociedade, sempre andam disfar\u00e7ados. O      prop\u00f3sito deles talvez seja mais nobre que o da Menina de VilleBrache. Enquanto      a jovem Augustine \u0093 apenas ia procurar aventuras\u0094, os super-her\u00f3is      t\u00eam a miss\u00e3o de salvar os inocentes. N\u00e3o poderiam, portanto, arriscar sua      identidade e comprometer uma causa maior.<\/p>\n   \n<p>Outro      personagem cl\u00e1ssico no universo das m\u00e1scaras \u00e9 o Fantasma da \u00d3pera, do musical      hom\u00f4nimo de Andrew Lloyd Webber. O protagonista \u00e9 um compositor de rosto desfigurado      que vive enclausurado no subsolo de um teatro de Paris e se apaixona pela      jovem de voz promissora Christine Daae. Ser\u00e1 que a hist\u00f3ria teria a mesma      gra\u00e7a sem a m\u00e1scara que, diga-se de passagem, \u00e9 a logomarca do musical?<\/p>\n   \n<p>Pulando      para as com\u00e9dias, n\u00e3o poderia deixar de citar O M\u00e1skara . Dos quadrinhos para      as telonas, o personagem Stanley Ipkiss colocou o comediante Jim Carrey no      estrelato e ainda lhe rendeu uma indica\u00e7\u00e3o ao Globo de Ouro de melhor ator      de com\u00e9dia. O filme mostra o que acontece com banc\u00e1rio Ipkiss ao colocar a      m\u00e1scara do deus escandinavo Loki. De t\u00edmido e desajeitado, ele passa a fazer      tudo o que antes n\u00e3o tinha coragem, al\u00e9m de ganhar poderes sobre-humanos.<\/p>\n   \n<p><strong>A      M\u00c1SCARA COTIDIANA<\/strong><\/p>\n   \n<p>Na      vida real, fora do universo dos rituais, bem longe dos bailes de carnaval,      dos palcos e do cinema, tamb\u00e9m nos mascaramos. A palavra personalidade vem      do grego persona , que significa m\u00e1scara. Na psicologia existem diversos estudos      sobre a personalidade humana e uma das principais \u00e9 a do su\u00ed\u00e7o Carl Gustav      Jung, que sugere a exist\u00eancia de oito tipos de personalidade.<\/p>\n   \n<p>Outro estudo que vem chamando a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 o Eneagrama . O conhecimento tem      aproximadamente 4.500 anos e sua origem \u00e9 desconhecida. A teoria divide em      nove as m\u00e1scaras, ou personalidades, humanas. De acordo ela, a personalidade      funciona como uma m\u00e1scara invis\u00edvel, uma casca que criamos para nos adaptarmos      ao meio social. \u0093 Para despir a m\u00e1scara, \u00e9 preciso contrariar os h\u00e1bitos,      v\u00edcios e paix\u00f5es que cada tipo de personalidade adquire desde a primeira inf\u00e2ncia.    <\/p>\n   \n<p>Algo que n\u00e3o \u00e9 nada f\u00e1cil. Mas uma das fun\u00e7\u00f5es desse estudo \u00e9 exatamente      a de nos dizer qual \u00e9 o n\u00famero da caixa onde nos empacotamos para que possamos      sair da pris\u00e3o da mecanicidade e despertar o nosso verdadeiro ser, que \u00e9 consciente      e n\u00e3o mec\u00e2nico\u0094 , explica o estudioso em Eneagrama M\u00e1rio Margutti.<\/p>\n   \n<p>Al\u00e9m      de ser um instrumento de auto-conhecimento, o estudo das m\u00e1scaras cotidianas      tamb\u00e9m serve como fonte para a cria\u00e7\u00e3o teatral. \u0093 Quando se conhece bem      os nove tipos b\u00e1sicos de personalidade do ser humano, temos um manancial de      informa\u00e7\u00f5es que pode ser transposto com facilidade para o trabalho de constru\u00e7\u00e3o      ou interpreta\u00e7\u00e3o de personagens, al\u00e9m de ser um apoio para o improviso\u0094      , afirma Margutti.<\/p>\n   \n<p>Para a antrop\u00f3loga e pesquisadora Zuleica Dantas, o ato se mascarar \u00e9 uma      forma de se ir de encontro \u00e0 moralidade estabelecida pela sociedade sem comprometimento      do reconhecimento . \u0093Trata-se de uma necessidade de prote\u00e7\u00e3o, privacidade      ou talvez da tentativa de ver, reconhecer, ouvir sem ser reconhecido\u0094,      diz. \u0093O mundo \u00e9 capitalista, competitivo. <\/p>\n   \n<p>Devemos nos mostrar fortes, inteligentes, bonitos, bem sucedidos. Se expressarmos      nossos sentimentos abertamente nos fragilizamos\u0094 , completa. Desde que      o primeiro homem das cavernas resolveu cobrir o rosto, as coisas jamais foram      as mesmas. <\/p>\n   \n<p>O fato \u00e9 que, ao contr\u00e1rio dos outros animais, nem sempre podemos manifestar      nossos sentimentos, o que acaba por tornar a m\u00e1scara \u00fatil para a conviv\u00eancia.      Mas nem os super-her\u00f3is resistem ao anonimato. Assim como nos bailes de carnaval,      sempre h\u00e1 o momento em que as m\u00e1scaras caem. Cedo ou tarde, nossas verdades      ser\u00e3o reveladas e nossos verdadeiros rostos ser\u00e3o mostrados. Resta saber de      quem ser\u00e1 a iniciativa.<\/p>\n   \n<p><strong>Nat\u00e1lia      Klein<\/strong><\/p>\n   \n<p>Fonte: www.rabisco.com.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Teatro Grego, Origem, Arte, Trag\u00e9dia, Com\u00e9dia, M\u00e1scaras, Pe\u00e7as, Evolu\u00e7\u00e3o, Personagens, Hist\u00f3ria, Teatro Grego<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":22305,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[57],"tags":[],"class_list":["post-22304","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia-geral"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Teatro Grego - Portal S\u00e3o Francisco<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"noindex, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"en_US\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Teatro Grego - 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