{"id":21674,"date":"2016-01-08T00:00:00","date_gmt":"2016-01-08T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/povos-barbaros-2\/"},"modified":"2026-09-01T15:41:01","modified_gmt":"2026-09-01T15:41:01","slug":"povos-barbaros-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-geral\/povos-barbaros-2\/","title":{"rendered":"Povos B\u00e1rbaros"},"content":{"rendered":"\n<strong>Povos B\u00e1rbaros &#8211; Origem<\/strong>\n\n<strong>B\u00e1rbaros \u2013<\/strong>\u00a0uma palavra que hoje muitas vezes refere-se a pessoas incivilizadas ou pessoas m\u00e1s e suas maldades \u2013 teve origem na Gr\u00e9cia antiga, e inicialmente apenas se refere a pessoas que n\u00e3o falavam grego, incluindo persas, eg\u00edpcios, medos e fen\u00edcios.\n\n<strong>Origem do termo<\/strong>\n\nO termo \u201c<strong>b\u00e1rbaro<\/strong>\u201d n\u00e3o \u00e9 derivado do nome de qualquer tribo ou grupo cultural; n\u00e3o h\u00e1 nenhum pa\u00eds chamado \u201cBarbar\u201d.\n\nA palavra vem do grego, e foi usada para conotar que n\u00e3o partilham uma cultura ou l\u00edngua reconhecida com o falante ou escritor empregando o termo qualquer estrangeiro.\n\nA palavra foi provavelmente formado por imita\u00e7\u00e3o dos sons incompreens\u00edveis de uma l\u00edngua estrangeira (\u201cbar-bar\u201d).\n\nOriginalmente, n\u00e3o era um termo depreciativo; ele simplesmente queria dizer alguma coisa que n\u00e3o era grego, incluindo a l\u00edngua, povo e costumes.\n\nMais tarde, quando os gregos encontraram mais estrangeiros, alguns dos quais aprendeu grego, mas falava com um sotaque estranho, o termo assumiu a conota\u00e7\u00e3o de primitiva e incivilizada.\n\nQuando a civiliza\u00e7\u00e3o e cultura grega foi amea\u00e7ado por outros (por exemplo, persas ou tribos g\u00f3ticas) foi adicionado a conota\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia.\n\nOs romanos herdaram essa vis\u00e3o dos gregos e, em seus encontros com tribos diferentes em toda a Europa geralmente chamado essas tribos \u201cb\u00e1rbaro\u201d.\n\nForam os antigos romanos, que pela defini\u00e7\u00e3o original eram os pr\u00f3prios\u00a0<strong>b\u00e1rbaros<\/strong>, os primeiros a transformar o uso do termo.\n\nNo final do Imp\u00e9rio Romano, a palavra &#8220;b\u00e1rbaro&#8221; passou a se referir a todos os estrangeiros que careciam das tradi\u00e7\u00f5es gregas e romanas, especialmente as v\u00e1rias tribos e ex\u00e9rcitos que pressionavam as fronteiras de Roma. Nunca houve um \u00fanico grupo b\u00e1rbaro unido, e muitas das diferentes tribos &#8211; incluindo godos, v\u00e2ndalos, sax\u00f5es, hunos, pictos e muitos mais &#8211; mudaram de alian\u00e7as ao longo dos anos ou lutaram ao lado de for\u00e7as romanas contra outros ex\u00e9rcitos b\u00e1rbaros.\n\nEstudiosos posteriores expandiram o uso da palavra ao escrever sobre ataques a culturas consideradas &#8220;civiliza\u00e7\u00f5es&#8221; (seja a China antiga ou a Roma antiga) por inimigos externos que n\u00e3o compartilham as tradi\u00e7\u00f5es ou estrutura dessa civiliza\u00e7\u00e3o.\n\nHoje, o adjetivo &#8220;<strong>b\u00e1rbaro<\/strong>&#8221; \u00e9 mais comumente usado para descrever um ato que \u00e9 brutal ou cruel ao ponto da selvageria ou primitivo e incivilizado (ou todos os anteriores), enquanto um &#8220;b\u00e1rbaro&#8221; \u00e9 uma pessoa que comete tais atos ou exibe tais caracter\u00edsticas. Esta defini\u00e7\u00e3o mais geral &#8211; e explicitamente negativa &#8211; quando comparada com o sentido grego ou romano da palavra, ilustra claramente at\u00e9 que ponto \u201cb\u00e1rbaro\u201d foi removido de suas ra\u00edzes antigas.\n\n<strong>Povos B\u00e1rbaros &#8211; Quem eram<\/strong>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-158660 aligncenter\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Povos-4-1.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"167\" \/><strong>Povos B\u00e1rbaros<\/strong><\/p>\n<strong>Gregos e romanos<\/strong>\u00a0designavam como b\u00e1rbaros todos os povos estrangeiros com um modo de vida, uma organiza\u00e7\u00e3o social e econ\u00f4mica que n\u00e3o os deles e l\u00ednguas diferentes do latim e grego.\n\nEstes povos de diversas origens que, viviam ao norte e leste da Europa e da \u00c1sia n\u00e3o faziam parte do Imp\u00e9rio.\n\n<strong>Os chamados b\u00e1rbaros se dividiam em diversos povos de origens diferentes, mas podemos distinguir pelo menos tr\u00eas grandes n\u00facleos desses povos n\u00f4mades:<\/strong>\n<blockquote>Os provenientes de uma vasta regi\u00e3o situada na \u00c1sia central eram n\u00f4mades e, de maneira geral, sobreviviam da cria\u00e7\u00e3o de gado; os hunos (de prov\u00e1vel origem mong\u00f3lica), os \u00e1varos e magiares fazem parte deste n\u00facleo\nOs eslavos eram compostos por povos de origem indo-europeia de etnias e culturas diferentes, vindos da R\u00fassia central e parte da Europa oriental, como os russos, croatas, tchecos, polacos, ucranianos e h\u00fangaros, entre outros, e finalmente\nOs germ\u00e2nicos (ou germanos), um grupo tamb\u00e9m de origem indo-europeia muito heterog\u00eaneo; geralmente dividem-se os povos germ\u00e2nicos em ocidentais, que viviam no norte da Europa (suevos, lombardos, teut\u00f4nicos, francos, entre outros), e orientais, que habitavam o Leste europeu (godos, visigodos, v\u00e2ndalos, burg\u00fandios, etc.).<\/blockquote>\nO que se denomina as primeiras \u201cinvas\u00f5es b\u00e1rbaras\u201d foram na realidade penetra\u00e7\u00f5es de povos germ\u00e2nicos em certas regi\u00f5es do Imp\u00e9rio Romano. Por volta do ano 500 a.C. alguns povos germ\u00e2nicos foram empurrados para dentro dos limites do Imp\u00e9rio Romano por outros povos (como os celtas) e, principalmente, pela busca de terras f\u00e9rteis.\n\nOs primeiros contatos entre romanos e germanos foram, portanto, pac\u00edficos e permitiram a conviv\u00eancia e relativa integra\u00e7\u00e3o entre as duas culturas.\n\nMuitos germanos viveram durante muito tempo como colonos no Imp\u00e9rio Romano e chegaram a prestar servi\u00e7o militar e a comandar certas tropas.\n\nNo s\u00e9culo V, os povos germ\u00e2nicos do leste invadiram o Imp\u00e9rio Romano, praticamente impelidos pelos hunos, vindos da \u00c1sia central. Essas invas\u00f5es j\u00e1 tiveram outro car\u00e1ter, pois acarretaram guerras violentas.\n\n<strong>Em s\u00edntese:<\/strong>\u00a0os romanos se referiam a grupos de pessoas fora do Imp\u00e9rio Romano como b\u00e1rbaros. Os b\u00e1rbaros tinham culturas diferentes dos romanos. Eles se vestiam de maneira diferente, comiam comidas diferentes e tinham religi\u00f5es diferentes. Eles n\u00e3o tinham o mesmo n\u00edvel de governo, educa\u00e7\u00e3o ou engenharia que os romanos.\n\n<strong>OS GERM\u00c2NICOS<\/strong>\n\nAntes dos contatos com os romanos, prevalecia entre os b\u00e1rbaros germ\u00e2nicos um sistema comunit\u00e1rio primitivo, ou seja, n\u00e3o havia a propriedade particular da terra e dos instrumentos de produ\u00e7\u00e3o. Bosques, matas e rios pertenciam a todos, e as terras para cultivo eram distribu\u00eddas entre os cl\u00e3s. A economia dos b\u00e1rbaros ainda era bastante rudimentar, baseada na agricultura e no pastoreio; geralmente os rebanhos eram propriedade das fam\u00edlias e constitu\u00edam sua riqueza.\n\nO com\u00e9rcio era praticamente inexistente. A sociedade organizava-se em tribos fundadas em cl\u00e3s, isto \u00e9, nas grandes fam\u00edlias cujos la\u00e7os eram estabelecidos pelo parentesco e por rela\u00e7\u00f5es de lealdade e prote\u00e7\u00e3o. Suas leis originavam-se nos costumes seculares das tribos, transmitidos oralmente de gera\u00e7\u00e3o para gera\u00e7\u00e3o. O maior contato dos germ\u00e2nicos ocidentais com os romanos, a partir do s\u00e9culo I, acelerou o processo de transforma\u00e7\u00f5es que j\u00e1 estava ocorrendo nessas comunidades em raz\u00e3o do aumento demogr\u00e1fico e das guerras para a conquista de novas \u00e1reas.\n\nInicialmente as terras concentraram-se nas m\u00e3os dos chefes, estabelecendo a propriedade particular. Os cl\u00e3s se desestruturaram.\n\nO poder gerado pela concentra\u00e7\u00e3o de terras originou uma aristocracia rural voltada para a guerra, acentuando as desigualdades sociais. O com\u00e9rcio de fronteira se aqueceu, envolvendo principalmente a troca de prisioneiros de guerra, que se tornariam escravos dos romanos. Al\u00e9m dos escravos, v\u00e1rias tribos b\u00e1rbaras germ\u00e2nicas se integraram ao Imp\u00e9rio Romano por meio do seu ex\u00e9rcito.\n\nOs b\u00e1rbaros germ\u00e2nicos tornaram-se soldados em troca de terras, e muitos acabaram ocupando altos postos.\n\n<strong>AS INVAS\u00d5ES B\u00c1RBARAS &#8211; Hist\u00f3ria<\/strong>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-158661 aligncenter\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Povos-5-1.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"171\" \/><strong>Invas\u00f5es B\u00e1rbaras<\/strong><\/p>\n<strong>Basicamente, as penetra\u00e7\u00f5es dos povos b\u00e1rbaros que desestruturaram o Imp\u00e9rio Romano ocorreram em duas ondas invasoras, que acabaram determinando a forma\u00e7\u00e3o dos primeiros reinos b\u00e1rbaros:<\/strong>\n<blockquote>Em 375 d.C., os hunos vindos da \u00c1sia central deslocaram-se em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Europa central. \u00d3timos cavaleiros e guerreiros, os hunos comandados por \u00c1tila conseguiram sucessivas vit\u00f3rias contra os germ\u00e2nicos na Europa. J\u00e1 no in\u00edcio do s\u00e9culo V, eles fundaram um grande reino abrangendo parte da Europa central e oriental e regi\u00f5es da \u00c1sia.\nNo final de 406, povos germ\u00e2nicos do Oriente, como os suevos e v\u00e2ndalos, atravessaram o rio Reno e invadiram o Imp\u00e9rio Romano, impelidos pelos ataques dos hunos. Os romanos foram incapazes de resistir a essas a\u00e7\u00f5es b\u00e1rbaras.\nDando seq\u00fc\u00eancia a essa onda invasora, os visigodos saquearam Roma em 410 e ocuparam a G\u00e1lia e a Espanha. Para organizarem seus reinos, adotaram institui\u00e7\u00f5es romanas, como o direito, a divis\u00e3o da terra, a estrutura administrativa, o cristianismo e a l\u00edngua. O impacto dessas primeiras invas\u00f5es foi relativamente limitado, e a dura\u00e7\u00e3o dos reinos muito breve devido \u00e0 invas\u00e3o \u00e1rabe na pen\u00ednsula Ib\u00e9rica.\nA fase seguinte (s\u00e9culos V e VI) foi mais duradoura e colaborou definitivamente para a forma\u00e7\u00e3o do feudalismo. Nesse per\u00edodo um contingente maior de b\u00e1rbaros penetrou lentamente no Imp\u00e9rio Romano, n\u00e3o havendo mais aquela associa\u00e7\u00e3o da nobreza b\u00e1rbara com a aristocracia romana na divis\u00e3o de terras.\u00a0<strong>Gradativamente, a posse das terras e sua explora\u00e7\u00e3o v\u00e3o assumindo caracter\u00edsticas nitidamente feudais:\u00a0<\/strong>concentra\u00e7\u00e3o de terras, pequenos propriet\u00e1rios arrendat\u00e1rios, camponeses dependentes da nobreza, explora\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria de certas \u00e1reas.\nEmbora o poder pol\u00edtico centralizado do Imp\u00e9rio Romano fosse j\u00e1 inexistente, os b\u00e1rbaros n\u00e3o conseguiram estruturar um Estado forte. O direito romano foi substitu\u00eddo pelas leis b\u00e1rbaras e as l\u00ednguas (o latim e as de alguns povos) sofreram altera\u00e7\u00f5es sens\u00edveis, dando origem \u00e0s l\u00ednguas modernas. Enfim, como afirma o historiador ingl\u00eas contempor\u00e2neo P. Anderson, \u201ca sedimenta\u00e7\u00e3o cultural da segunda vaga de conquistas foi mais duradoura e profunda que a primeira\u201d.<\/blockquote>\n<strong>Tr\u00eas epis\u00f3dios fundamentais marcaram o surgimento de tr\u00eas grandes reinos b\u00e1rbaros:<\/strong>\n<blockquote>Invas\u00e3o dos francos e burg\u00fandios na G\u00e1lia (s\u00e9culo V)\nConquista da Inglaterra pelos anglo sax\u00f5es (s\u00e9culo V)\nTomada da It\u00e1lia pelos lombardos (s\u00e9culo VI).<\/blockquote>\n<strong>IMP\u00c9RIO CAROL\u00cdNGIO<\/strong>\n\nEntre os principais reinos surgidos nos dom\u00ednios romanos, o mais importante para a forma\u00e7\u00e3o e consolida\u00e7\u00e3o do feudalismo foi o franco. At\u00e9 o s\u00e9culo V, o povo franco (de origem germ\u00e2nica ocidental) estava dividido em tribos, unificadas por Cl\u00f3vis (480-511). Ele as organizou internamente e delimitou as fronteiras do Reino, sendo reconhecido, por isso, como o primeiro rei dos francos, dando in\u00edcio \u00e0 dinastia merov\u00edngia (de Meroveu, chefe franco que reinou de 448 a 457).\n\nUm fato que facilitou muito o fortalecimento de seu poder foi a convers\u00e3o ao cristianismo e a alian\u00e7a com a Igreja Cat\u00f3lica. Ap\u00f3s sua morte, o Reino foi dividido entre seus filhos, que procuraram ampliar o territ\u00f3rio, mas sem sucesso, uma vez que n\u00e3o conseguiram impor a organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e administrativa do Reino nas \u00e1reas conquistadas.\n\nA sucess\u00e3o de divis\u00f5es entre filhos e netos de Cl\u00f3vis enfraqueceu o poder real e permitiu o fortalecimento pol\u00edtico dos prefeitos do pal\u00e1cio, ou do pa\u00e7o, que exerciam as fun\u00e7\u00f5es de administradores do pal\u00e1cio, comandantes do ex\u00e9rcito, coletores de impostos, organizadores da divis\u00e3o de terras, etc. Em pouco tempo esse cargo, em raz\u00e3o de sua import\u00e2ncia, passou a ser heredit\u00e1rio.\n\nEm 732, Carlos Martel, prefeito do pal\u00e1cio, enfrentou e venceu uma invas\u00e3o de \u00e1rabes mu\u00e7ulmanos na batalha de Poitiers, fazendo-os recuar.\n\nA partir desse momento o prefeito do pal\u00e1cio teve seu poder centralizado e fortalecido.\n\n<strong>Ap\u00f3s a morte de Carlos Martel, seu filho, Pepino, o Breve (ganhou esse apelido por causa de sua baixa estatura), assumiu o cargo e derrotou os lombardos, na It\u00e1lia, doando suas terras \u00e0 Igreja:<\/strong>\u00a0foi a origem do territ\u00f3rio da Igreja Cat\u00f3lica (Patrim\u00f4nio de S\u00e3o Pedro), um Estado Pontif\u00edcio. Em 751 ele destronou o \u00faltimo rei merov\u00edngio, inaugurando uma nova dinastia.\n\n<strong>Carlos Magno<\/strong>, filho de Pepino, o Breve, assumiu o trono em 768, governando at\u00e9 814. Durante seu reinado, o Estado franco se fortaleceu e expandiu suas fronteiras (Alemanha, Pireneus e norte da It\u00e1lia); sobretudo, deu passos decisivos para a forma\u00e7\u00e3o do feudalismo.\n\nO \u00eaxito de\u00a0<strong>Carlos Magno<\/strong>\u00a0na centraliza\u00e7\u00e3o do poder e nas conquistas est\u00e1 vinculado tamb\u00e9m \u00e0 sua alian\u00e7a com a Igreja Cat\u00f3lica. Por ter colaborado na luta da Igreja contra os lombardos, recebeu em troca o t\u00edtulo de imperador dos romanos, em 800, restaurando o t\u00edtulo que estava extinto h\u00e1 quatrocentos anos. Mas esse t\u00edtulo tinha um car\u00e1ter meramente honor\u00edfico, pois n\u00e3o significava de maneira alguma a restaura\u00e7\u00e3o das estruturas do Imp\u00e9rio e do poder do imperador.\n\nA expans\u00e3o do Imp\u00e9rio Carol\u00edngio n\u00e3o foi apenas territorial. Na tentativa de difundir a cultura ocidental crist\u00e3, Carlos Magno iniciou um movimento de renova\u00e7\u00e3o na literatura, na arte e na escrita, estimulando a forma\u00e7\u00e3o de cl\u00e9rigos e administradores. Toda essa efervesc\u00eancia cultural entre o s\u00e9culos VIII e IX ficou conhecida como o \u201crenascimento carol\u00edngio\u201d. Mais do que inovar, esse movimento conservou, por exemplo, importantes obras liter\u00e1rias cl\u00e1ssicas. \u00c9 importante observar que esse renascimento teve car\u00e1ter restrito, atingindo um n\u00famero pequeno de pessoas.\n\n<strong>Com o objetivo de administrar melhor seu imp\u00e9rio, Carlos Magno desmembrou-o da seguinte maneira:<\/strong>\u00a0diversas unidades administrativas (condados), governadas por nobres de sua confian\u00e7a (condes), e unidades de defesa das fronteiras (marcas), tamb\u00e9m administradas por nobres (marqueses). Cada nobre recebia parte dos rendimentos da regi\u00e3o e uma grande extens\u00e3o de terra.\n\nPara inspecionar e fiscalizar de modo efetivo a atua\u00e7\u00e3o desses governos locais, enviava os missi-dominici (dupla de administradores formada por um civil e um bispo).\n\nEsse fiscal real tamb\u00e9m era recrutado entre os nobres e serviu, inicialmente, para manter o Imp\u00e9rio unificado e o poder centralizado na figura do rei.\n\nNo entanto, toda essa estrutura burocr\u00e1tica foi ineficiente para manter o poder centralizado.\n\n<strong>Na realidade, quem se fortaleceu foi a nobreza local, j\u00e1 apontando para uma caracter\u00edstica nitidamente feudal:<\/strong>\u00a0a descentraliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.\n\n\u00c9 importante verificar tamb\u00e9m que durante o Imp\u00e9rio Carol\u00edngio as rela\u00e7\u00f5es de vassalagem se solidificaram.\n\nA vassalagem era uma pr\u00e1tica originada nas rela\u00e7\u00f5es entre uma pessoa que pedia prote\u00e7\u00e3o e outra que a concedia; o contrato de vassalagem completava-se materialmente com o propriet\u00e1rio cedendo um peda\u00e7o de terra ao seu vassalo (o benef\u00edcio). Vassalos e suseranos comprometiam-se reciprocamente, o primeiro auxiliando o suserano e submetendo-se a ele, que por sua vez devia-lhe prote\u00e7\u00e3o.\n\nO benef\u00edcio (ato de doa\u00e7\u00e3o de terras em troca de servi\u00e7o ao rei ou suserano) expandiu-se e passou a ser direito dos nobres que prestavam servi\u00e7o militar ao rei.\n\nEsses vassalos do rei n\u00e3o se sujeitavam aos condes, marqueses e missi-dominici. O imperador concedia total poder jur\u00eddico e pol\u00edtico a tais nobres em troca de sua colabora\u00e7\u00e3o militar.\n\nMuitas vezes os grandes vassalos doavam parte de suas terras a outros nobres para obterem mais guerreiros. Desse modo, \u00e9 poss\u00edvel observar o surgimento de uma nobreza guerreira e de extensos territ\u00f3rios com autonomia pol\u00edtica, administrativa e jur\u00eddica, ou seja, os feudos.\n\nDe outro lado, a situa\u00e7\u00e3o do campon\u00eas colono, sem propriedade alguma, que era obrigado a trabalhar nas terras da nobreza, come\u00e7ava a se degradar, tornando-se jur\u00eddica e socialmente dependente do grande propriet\u00e1rio. Al\u00e9m disso, a depend\u00eancia dos colonos em rela\u00e7\u00e3o aos propriet\u00e1rios tornava-se real e necess\u00e1ria em virtude do clima de inseguran\u00e7a e medo que as sucessivas invas\u00f5es causavam; a necessidade de prote\u00e7\u00e3o aumentava cada vez mais.\n\n<strong>Portanto, durante o Imp\u00e9rio Carol\u00edngio conjugaram-se tr\u00eas elementos fundamentais para o estabelecimento do feudalismo:<\/strong>\u00a0a grande propriedade aut\u00f4noma, a nobreza militar e o trabalho compuls\u00f3rio servil.\n\nCarlos Magno morreu em 814. O Imp\u00e9rio foi governado por seu filho Lu\u00eds, o Piedoso, at\u00e9 840. Na sucess\u00e3o de Lu\u00eds, o reino foi dividido entre seus tr\u00eas filhos, que se enfrentaram em uma guerra civil que abalou o Imp\u00e9rio.\n\n<strong>Decad\u00eancia do Imp\u00e9rio Carol\u00edngio<\/strong>\n\n<strong>Com a inten\u00e7\u00e3o de solucionar o problema sucess\u00f3rio e alcan\u00e7ar a paz no Reino, os tr\u00eas irm\u00e3os assinaram o Tratado de Verdun (843), dividindo o Reino entre eles<\/strong>: Lu\u00eds herdou o Reino oriental (Germ\u00e2nia), Carlos recebeu o ocidental (Fran\u00e7a) e Lot\u00e1rio ficou com a faixa central (It\u00e1lia, at\u00e9 o mar do Norte).\n\nTodos esses territ\u00f3rios voltaram a ser divididos entre seus filhos e netos, de tal forma que cerca de sessenta anos ap\u00f3s a morte de Carlos Magno o Imp\u00e9rio j\u00e1 estava todo fracionado, beneficiando a nobreza rural.\n\nNo final do s\u00e9culo IX uma nova onda de b\u00e1rbaros invasores abala a Europa. Dessa vez vikings (normandos) e magiares (h\u00fangaros) saquearam e aterrorizaram a popula\u00e7\u00e3o europ\u00e9ia. De outro lado, na pen\u00ednsula Ib\u00e9rica, os \u00e1rabes avan\u00e7avam pela regi\u00e3o. Nesse quadro de instabilidade e medo, aumentava a depend\u00eancia dos servos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 prote\u00e7\u00e3o dada pelos grandes propriet\u00e1rios. Para se protegerem, os europeus constru\u00edram castelos fortificados, paisagem que acabou se tornando caracter\u00edstica do per\u00edodo medieval.\n\n<strong>Os b\u00e1rbaros<\/strong>\n\nOs\u00a0<strong>b\u00e1rbaros<\/strong>\u00a0eram povos que n\u00e3o possu\u00edam a cultura Greco-romana. Esses povos migraram em dire\u00e7\u00e3o ao Ocidente, primeiramente no s\u00e9culo III, se estabelecendo nas fronteiras do Imp\u00e9rio Romano do Ocidente.\n\nMuitos foram utilizados como soldados do ex\u00e9rcito romano. No s\u00e9culo V, uma nova migrat\u00f3ria, invadiu o Ocidente. Desta vez, os povos b\u00e1rbaros fugiam dos hunos.\n\nEssa invas\u00e3o acarretou na queda do Imp\u00e9rio Romano do Ocidente em 476 d.c.\n\nDentre os povos b\u00e1rbaros que penetraram no Ocidente, o mais importante foram os germanos, pois deram contribui\u00e7\u00f5es importantes para a forma\u00e7\u00e3o da Europa Feudal.\n\n<strong>Principais Grupos b\u00e1rbaros:<\/strong>\n<blockquote><strong>a)Germanos:\u00a0<\/strong>ostrogodos, visigodos, anglos-sax\u00f5es, francos, lombardos, etc.<strong>\nb) Eslavos<\/strong>: russo, poloneses, checos, croatas, ucranianos, etc.<strong>\nc) T\u00e1rtaro &#8211; Mong\u00f3is<\/strong>: hunos, turcos, etc.<\/blockquote>\n<strong>Localiza\u00e7\u00e3o na Europa dos principais povos b\u00e1rbaros<\/strong>\n<blockquote><strong>Francos<\/strong>: estabeleceram-se na regi\u00e3o da atual Fran\u00e7a e fundaram o Reino Franco<strong>\nLombardos<\/strong>\u00a0: invadiram a regi\u00e3o norte da Pen\u00ednsula It\u00e1lica<strong>\nAnglos e Sax\u00f5es<\/strong>: penetraram e instalaram-se no territ\u00f3rio da atual Inglaterra<strong>\nBurg\u00fandios<\/strong>: estabeleceram-se na sudoeste da Fran\u00e7a<strong>\nVisigodos<\/strong>: instalaram-se na regi\u00e3o da G\u00e1lia, It\u00e1lia e Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica.<strong>\nSuevos<\/strong>: invadiram e habitaram a Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica<strong>\nV\u00e2ndalos<\/strong>: estabeleceram-se no norte da \u00c1frica e na Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica<strong>\nOstrogodos<\/strong>: invadiram a regi\u00e3o da atual It\u00e1lia.<\/blockquote>\n<strong>Caracter\u00edsticas Gerais dos Germanos:<\/strong>\n<blockquote><strong>Economia:<\/strong>\u00a0Agr\u00e1ria<strong>\nPol\u00edtica<\/strong>: N\u00e3o conheciam a no\u00e7\u00e3o de Estado. Estavam organizados em tribos, e em per\u00edodo de guerras escolhiam um chefe militar.\nO chefe militar e os seus guerreiros faziam um juramento de fidelidade, no qual os guerreiros prometiam obedi\u00eancia ao chefe militar.( Comitatus). Ap\u00f3s as batalhas, as riquezas e terras dos conquistados eram divididas entre o chefe militar e os seus guerreiros. (Beneficium).\nO comitatus e o beneficium, posteriormente contribu\u00edram para a forma\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es de suserania e vassalagem, existente no feudalismo.<strong>\nReligi\u00e3o<\/strong>: Os b\u00e1rbaros eram polite\u00edstas, adoram os elementos da natureza. Adoravam o sol (deus feminino), e a Lua (deus masculino).<strong>\nDireito<\/strong>: As leis n\u00e3o eram escritas, mas eram costumeiras, baseadas na tradi\u00e7\u00e3o ( Direito Consuetudin\u00e1rio).<\/blockquote>\n<strong>Imp\u00e9rio dos Francos<\/strong>\n<blockquote><strong>Localiza\u00e7\u00e3o:\u00a0<\/strong>G\u00e1lia ( Fran\u00e7a Atual)<strong>\nDinastias:\u00a0<\/strong>Merov\u00edngia (s\u00e9culos V a VIII) e Carol\u00edngia<strong>\u00a0<\/strong>(s\u00e9culos VIII e IX)<\/blockquote>\n<strong>1.Merov\u00edngia:<\/strong>\n<blockquote><strong>Cl\u00f3vis:\u00a0<\/strong>unificou as tribos dos francos, e converteu os francos ao cristianismo.\nOs seus sucessores nomearam majordomus (Prefeito do Pal\u00e1cio) para governar o reino, e por isso, esse reis foram chamados de\u00a0<strong>reis indolentes<\/strong>.<\/blockquote>\n<strong>2. Imp\u00e9rio Carol\u00edngio<\/strong>:\n<blockquote><strong>Carlos Martel (Majordomus)<\/strong>: Venceu os \u00e1rabes em 732, na Batalha de Poitiers confirmando o poder da Igreja na Europa Ocidental.<strong>\nPepino, o Breve<\/strong>: Lutou contra os b\u00e1rbaros lombardos, na Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica, e ao venc\u00ea-los doou as terras para a Igreja ( Patrim\u00f4nio de S\u00e3o Pedro), e por isso coroado como rei dos francos, iniciando desta maneira a dinastia carol\u00edngia..<\/blockquote>\n<strong>Carlos Magno<\/strong>:\n<blockquote><strong>1<\/strong>.Ampliou o territ\u00f3rio dos francos atrav\u00e9s de guerras de conquistas.<strong>\n2.\u00a0<\/strong>No natal do ano 800, Carlos Magno foi coroado pelo papa como rei dos Francos, confirmando o poder da dinastia carol\u00edngia.<strong>\n3.<\/strong>\u00a0Aos nobres que participaram das guerras de conquistas, Carlos Magno doou terras (beneficium)\nDurante o governo de Carlos Magno, muitas terras do imp\u00e9rio foram concedidas em beneficium a diversos nobres locais. Esses nobres tornavam-se, ent\u00e3o, vassalos do rei, tendo para com ele dever de fidelidade. Por estarem na condi\u00e7\u00e3o de vassalos diretos do rei, muitos desses nobres se recusavam a obedecer \u00e0s instru\u00e7\u00f5es de autoridade administrativas. ( missi dominici). Essa atitude dos nobres foi um importante elemento para a forma\u00e7\u00e3o da sociedade feudal, com\u00a0<strong>fragmenta\u00e7\u00e3o do poder nas m\u00e3os de diversos nobres senhores de terra, unidos apenas pelos la\u00e7os de vassalagem.\n4.Dividiu o Imp\u00e9rio:<\/strong>\u00a0Condados ( condes) e em marcas (marqueses). Com o objetivo de fiscalizar a administra\u00e7\u00e3o do reino, criou o cargo de\u00a0<strong>missi dominici.\n5.<\/strong>Durante o reinado de Carlos Magno, os francos passaram por um per\u00edodo de esplendor cultural, que foi denominado de ?Renascimento Carol\u00edngio?. Foi criada as primeiras leis escritas da idade m\u00e9dia; as capitulares; e a\u00a0<strong>Escola Palatina,\u00a0<\/strong>que tinha como objetivo instruir os filhos dos nobres.\nAp\u00f3s a morte de Carlos Magno, o imp\u00e9rio foi governado por seu filho, Lu\u00eds, o Piedoso. Ap\u00f3s a morte de Luis, o Piedoso, seus filhos resolveram dividir o imp\u00e9rio pelo\u00a0<strong>Tratado de Verdun.<\/strong>\nCarlos, o Calvo ficou com a Fran\u00e7a Ocidental, Lot\u00e1rio com a Lator\u00edngia (sul da It\u00e1lia ao mar do Norte), e Lu\u00eds, o Germ\u00e2nico, com a Germ\u00e2nia.<\/blockquote>\nNos s\u00e9culo VIII, IX e X, uma nova invas\u00e3o B\u00e1rbara ataca a Europa Ocidental; os \u00e1rabes (sarracenos), os magiares, e os normandos (vickings), que atrav\u00e9s de ataques e saques provocaram muito p\u00e2nico levando a uma migra\u00e7\u00e3o para os campos; assim surgia na Europa, o feudalismo.\n\nO processo de feudaliza\u00e7\u00e3o da Europa teve inicio com a desagrega\u00e7\u00e3o do Imp\u00e9rio Romano do Ocidente e se consolidou com as invas\u00f5es b\u00e1rbaras no s\u00e9culo IX.\n\n<strong>Fonte:<\/strong>\u00a0www.newworldencyclopedia.org\/www.history.com\/www.ducksters.com\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Povos B\u00e1rbaros, Origem, Arte, Hist\u00f3ria, Cultura, Gregos, Invas\u00f5es, Reinos, Imp\u00e9rio, Arquitetura, Decad\u00eancia, Grupos, Povos B\u00e1rbaros<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":17199,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[57],"tags":[],"class_list":["post-21674","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia-geral"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - 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