{"id":21559,"date":"2016-01-07T00:00:00","date_gmt":"2016-01-07T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/teatro-renascentista-2\/"},"modified":"2026-09-01T15:39:50","modified_gmt":"2026-09-01T15:39:50","slug":"teatro-renascentista-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-geral\/teatro-renascentista-2\/","title":{"rendered":"Teatro Renascentista"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"ads-cima\"><\/p>\n&nbsp;\n\nCom o advento do Cristianismo, o teatro n\u00e3o encontrou apoio e foi considerado pela igreja pag\u00e3o.\n\nO <strong>Teatro Renascentista<\/strong> vai do s\u00e9culo XV ao XVI, prolongando-se, em alguns pa\u00edses, at\u00e9 o in\u00edcio do s\u00e9culo XVII. O crescimento das cortes de reis e de sal\u00f5es de nobres levou as pessoas a apreciarem o teatro como divers\u00e3o.\n\nNo final da Idade M\u00e9dia e in\u00edcio do Renascimento foram criadas as companhias de artistas, os teatros privados e os p\u00fablicos. A paix\u00e3o grega pela arte teatral parecia ter ressurgido. Foi nesta \u00e9poca que passou a ser cobrado ingresso para as apresenta\u00e7\u00f5es de teatro.\n\nUm exemplo entre o teatro antigo e o moderno \u00e9 o Teatro Ol\u00edmpico de Vicenza (1583). O audit\u00f3rio, com degraus em semic\u00edrculo, pode ser considerado como tipicamente romano, mas as constru\u00e7\u00f5es c\u00eanicas, e sobretudo os curiosos cen\u00e1rios fixos, revelam algo de novo.\n\nNa parede de fundo do palco, pomposamente decorada, aparecem tr\u00eas aberturas, sendo a central em arco. Por essas aberturas, divisam-se cinco ruas constitu\u00eddas por cen\u00e1rios s\u00f3lidos e permanentes, reproduzindo fachadas de pal\u00e1cios e ruas de uma cidade. Tudo admiravelmente estudado, permitindo aos atores entrar e sair das casas, dobrar esquinas, etc.\n\nTodo esse luxuoso conjunto de p\u00f3rticos, est\u00e1tuas, decora\u00e7\u00f5es, cen\u00e1rios, foi obtido com o emprego de madeira e argila. Para ocultar o madeiramento do telhado foi usado como forro uma tela esticada, com a pintura de p\u00e1ssaros em v\u00f4os e outras imagens.\n\nEquipados com um simples cavalete, acoplado \u00e0 carro\u00e7a, para carregar as roupas e os acess\u00f3rios, os grupos da commedia dell&#8217;arte paravam em todas as cidades, da Espanha \u00e0 Bo\u00eamia, da Inglaterra \u00e0 Pol\u00f4nia. Alguns grupos eram disputados fervorosamente pelas cortes da Europa e chegaram a fazer fortuna.\n\nO teatro erudito, imitando modelos greco-romanos, era muito acad\u00eamico, com linguagem pomposa e tem\u00e1tica, sem originalidade. J\u00e1 o teatro popular manteve viva a heran\u00e7a medieval. As pe\u00e7as eram cheias de a\u00e7\u00e3o e vigor, e o ser humano tratado como o centro das preocupa\u00e7\u00f5es.\n<h4>O que foi<\/h4>\nO teatro renascentista surge no s\u00e9culo XV e prolongasse at\u00e9 o s\u00e9culo XVI ou at\u00e9 mesmo XVII. Ele vem seguindo a decad\u00eancia do teatro medieval pela perda da for\u00e7a do teatro ligado \u00e0 religi\u00e3o.\n\nAs pe\u00e7as eram cheias de a\u00e7\u00e3o e vigor e o homem ocupar\u00e1 o lugar central na pe\u00e7a, passando a ser o protagonista da trama ao inv\u00e9s de Deus. Neste per\u00edodo temos destaque para a figura do bobo da corte, que articula as d\u00favidas e incertezas num momento de transforma\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica.\n\nAinda neste per\u00edodo, n\u00e3o havia a profiss\u00e3o \u0093ator\u0094, alguns dos \u0093atores\u0094 erram ferreiros, sapateiros que abandonavam suas guildas.\n<h4>S\u00e9culo XV ao XVI<\/h4>\nDo s\u00e9culo XV ao XVI. Prolonga-se, em alguns pa\u00edses, at\u00e9 o in\u00edcio do s\u00e9culo XVII.\n\nO teatro erudito, imitando modelos greco-romanos, \u00e9 muito acad\u00eamico, com linguagem pomposa e tem\u00e1tica sem originalidade.\n\nMas, em v\u00e1rios pa\u00edses, o teatro popular mant\u00e9m viva a heran\u00e7a medieval.\n\nAs pe\u00e7as s\u00e3o cheias de a\u00e7\u00e3o e vigor, e o ser humano \u00e9 o centro das preocupa\u00e7\u00f5es.\n\n<strong>It\u00e1lia<\/strong>\n\nEm rea\u00e7\u00e3o ao teatro acad\u00eamico surgem, na It\u00e1lia, a pastoral, de assunto campestre e tom muito l\u00edrico (&#8221;Orfeo&#8221;, de Angelo Poliziano); e a commedia dell&#8217;arte. As encena\u00e7\u00f5es da commedia dell&#8217;arte baseiam-se na cria\u00e7\u00e3o coletiva.\n\n<strong>Os di\u00e1logos s\u00e3o improvisados pelos atores, que se especializam em personagens fixos:<\/strong> Colombina, Polichinelo, Arlequim, o capit\u00e3o Matamoros e Pantalone. Os cen\u00e1rios s\u00e3o muito simples &#8211; um tel\u00e3o pintado com a perspectiva de uma rua. Na commedia, surgem atrizes representando mulheres. Mais tarde, comedi\u00f3grafos como Moli\u00e8re, Marivaux, Gozzi e Goldoni v\u00e3o inspirar-se em seus tipos.\n\nA primeira companhia de commedia dell&#8217;arte \u00e9 I Gelosi (os ciumentos), dos irm\u00e3os Andreini, fundada em 1545. Como autor deste per\u00edodo destaca-se Maquiavel. Sua pe\u00e7a &#8221;A mandr\u00e1gora&#8221;, \u00e9 considerada uma das melhores com\u00e9dias italianas.\n\n<strong>Inglaterra<\/strong>\n\nO teatro elizabetano tem seu auge de 1562 a 1642. As pe\u00e7as caracterizam-se pela mistura sistem\u00e1tica de s\u00e9rio e c\u00f4mico; pelo abandono das unidades aristot\u00e9licas cl\u00e1ssicas; pela variedade na escolha dos temas, tirados da mitologia, da literatura medieval e renascentista, e da hist\u00f3ria; e por uma linguagem que mistura o verso mais refinado \u00e0 prosa mais descontra\u00edda.\n\n<strong>Autores elizabetanos <\/strong>\n\nO maior nome do per\u00edodo \u00e9 o de William Shakespeare. Al\u00e9m dele se destacam Christopher Marlowe &#8221;Doutor Fausto&#8221;, Ben Jonson &#8221;Volpone&#8221; e Thomas Kyd &#8221;Trag\u00e9dia espanhola&#8221;.\n\nWilliam Shakespeare (1564-1616) nasce em Stratford-upon-Avon e mora em Londres durante parte da vida. Alguns historiadores contestam a autoria de sua obra por a acharem muito culta para um homem que n\u00e3o pertencia \u00e0 nobreza. Mas a maioria dos cr\u00edticos o considera o maior dramaturgo de todos os tempos.\n\nSua t\u00e9cnica \u00e9 extremamente pessoal e sintonizada com sua \u00e9poca.\n\nEm suas trag\u00e9dias &#8221;Romeu e Julieta&#8221;, &#8221;Macbeth&#8221;, &#8221;Hamlet&#8221;,&#8221; Rei Lear&#8221; ou &#8221;Otelo&#8221;, com\u00e9dias &#8221;A tempestade&#8221;, &#8221;A megera domada&#8221;, &#8221;Sonhos de uma noite de ver\u00e3o&#8221; ou dramas hist\u00f3ricos &#8221;Henrique V&#8221;, demonstra uma profunda vis\u00e3o do mundo, o que faz com que sua obra exer\u00e7a influ\u00eancia sobre toda a evolu\u00e7\u00e3o posterior do teatro .\n\n<strong>Espa\u00e7o c\u00eanico elizabetano<\/strong>\n\nA casa de espet\u00e1culos, de forma redonda ou poligonal, tem palco em at\u00e9 tr\u00eas n\u00edveis para que v\u00e1rias cenas sejam representadas simultaneamente. Circundando o interior do edif\u00edcio, num n\u00edvel mais elevado, ficam as galerias para os espectadores mais ricos. Os mais simples ficam em p\u00e9, quase se misturando aos atores no n\u00edvel inferior do palco. Uma cortina ao fundo modifica o ambiente.\n\n<strong>Espanha<\/strong>\n\nEntre os s\u00e9culos XVI e XVII o teatro espanhol chega ao apogeu. As regras eruditas s\u00e3o desprezadas e as formas origin\u00e1rias das apresenta\u00e7\u00f5es populares s\u00e3o incorporadas em pe\u00e7as de ritmo r\u00e1pido, com a\u00e7\u00f5es que se entrecruzam. Temas mitol\u00f3gicos, misturados a elementos locais, est\u00e3o impregnados de sentimento religioso.\n\n<strong>Autores espanh\u00f3is<\/strong>\n\nDestacam-se Fernando Rojas (Celestina), Miguel de Cervantes (Num\u00e2ncia), Felix Lope de Vega &#8221;O melhor juiz, o rei&#8221;, Pedro Calder\u00f3n de la Barca &#8221;A vida \u00e9 sonho&#8221; e Tirso de Molina &#8221;O burlador de Sevilha&#8221;.\n\n<strong>Espa\u00e7o c\u00eanico espanhol <\/strong>\n\nAs casas de espet\u00e1culos s\u00e3o chamadas de corrales, pois o palco, em diversos n\u00edveis e sem cen\u00e1rios, fica no centro de um p\u00e1tio coberto.\n<p align=\"center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Teatro Renascentista\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/rteatro14.jpg\" alt=\"Teatro Renascentista\" width=\"234\" height=\"287\" \/><strong>\nGiangiorgio Trissino<\/strong><\/p>\nTamb\u00e9m estava, em desenvolvimento durante a idade m\u00e9dia atrav\u00e9s de representa\u00e7\u00f5es religiosas.\n\n<strong>Presente nas suas duas vers\u00f5es antigas<\/strong>: trag\u00e9dia e com\u00e9dia.\n\nSofonisha (primeira trag\u00e9dia cl\u00e1ssica publicada em lingua popular cujo autor foi giangiorgio trissino).\n\nAo contr\u00e1rio da idade m\u00e9dia o teatro agora buscava dar a representa\u00e7\u00e3o uma linearidade, uma disciplina e uma racionalidade.\n\nRecupera\u00e7\u00e3o do g\u00eanero cl\u00e1ssico, unidade de tempo, espa\u00e7o e a\u00e7\u00e3o.\n\nSepara\u00e7\u00e3o entre palco e p\u00fablico.\n\nMaior desenvolvimento fora da it\u00e1lia.\n\n<strong>TEATRO NA INGLATERRA<\/strong>\n\nTem seu auge de 1562 a 1642.\n\nMistura sistem\u00e1tica de s\u00e9rio e c\u00f4mico.\n\nAbandono das unidades aristot\u00e9licas e classicas.\n\nTemas, tirados da mitologia, da literatura medieval e renascentista e da hist\u00f3ria.\n\nO maior nome do per\u00edodo \u00e9 de william shakespeare.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Teatro Renascentista\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/rteatro15.jpg\" alt=\"Teatro Renascentista\" width=\"319\" height=\"377\" \/>\n<strong>WILLIAM SHAKESPEARE<\/strong><\/p>\nSer ou n\u00e3o ser &#8211; eis a quest\u00e3o.Ser\u00e1 mais nobre sofrer na alma pedradas e flechadas do destino feroz, ou pegar-me em armas contra o mar de ang\u00fastias &#8211; e, combatendo-o, dar-lhe fim?\n\nMorrer; dormir; S\u00f3 isso.E com sono &#8211; dizem &#8211; extinguir dores do cora\u00e7\u00e3o e as mil mazelas naturais a que a carne \u00e9 sujeita; eis uma consuma\u00e7\u00e3o ardentemente desej\u00e1vel.\n\nMorrer &#8211; dormir &#8211; dormir! Talvez sonhar. A\u00ed est\u00e1 o obst\u00e1culo!\n\n<strong>Os sonhos que h\u00e3o de vir no sono da morte quando tivermos escapado ao tumulto vital nos obrigam a hesitar<\/strong>: e \u00e9 essa reflex\u00e3o que d\u00e1 \u00e0 desventura uma vida t\u00e3o longa\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Teatro Renascentista\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/rteatro16.jpg\" alt=\"Teatro Renascentista\" width=\"175\" height=\"289\" \/><\/p>\nPois quem suportaria o a\u00e7oite e os insultos do mundo, a afronta do opressor, o desd\u00e9m do orgulhoso, as pontadas do amor humilhado, as delongas da lei, a prepot\u00eancia do mando e o achincalhe que o m\u00e9rito paciente recebe dos in\u00fateis, podendo ele pr\u00f3prio encontrar seu repouso com um simples punhal?\n\nQuem ag\u00fcentaria fardos gemendo e suando numa vida servil, sen\u00e3o porque o terror de alguma coisa ap\u00f3s a morte &#8211; o pa\u00eds n\u00e3o descoberto, de cujos confins n\u00e3o voltou jamais nenhum viajante &#8211; nos confunde a vontade, nos faz preferir e suportar os males que j\u00e1 temos, a fugirmos para outros que desconhecemos?\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Teatro Renascentista\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/rteatro17.jpg\" alt=\"Teatro Renascentista\" width=\"225\" height=\"293\" \/><\/p>\nE assim a reflex\u00e3o faz todos n\u00f3s covardes.\n\nE assim o matiz natural da decis\u00e3o se transforma no doentio p\u00e1lido do pensamento. E empreitadas de vigor e coragem, refletidas demais, saem de seu caminho, perdem o nome de a\u00e7\u00e3o.\n\n<strong>Hamlet, Ato III, cena 1<\/strong>\n\nFonte: www.tguaira.pr.gov.br\/liriah.teatro.vilabol.uol.com.br\/www.historiaipa.kit.net\n<h6>Teatro Renascentista<\/h6>\n<p class=\"google\"><\/p>\n\n<h4>Teatro no Renascimento<\/h4>\nQuando a Idade M\u00e9dia chegou ao fim, a situa\u00e7\u00e3o do teatro j\u00e1 era bem melhor e ia come\u00e7ar uma fase ainda mais pr\u00f3pria com o Renascimento, como \u00e9 chamada a \u00e9poca que se seguiu \u00e0s grandes navega\u00e7\u00f5es, aos descobrimentos de novas terras, \u00e0 inven\u00e7\u00e3o da imprensa e divulga\u00e7\u00e3o das grandes obras da antiguidade, traduzidas para os idiomas europeus. As universidades, que eram poucas na Idade M\u00e9dia, se multiplicaram.\n\nHouve um florescimento extraordin\u00e1rio da arquitetura, da pintura, da escultura e tamb\u00e9m do teatro. Na Alemanha, um simples sapateiro, chamado Hans Sachs, tomado de paix\u00e3o pelo teatro, escreveu numerosas trag\u00e9dias, dramas, com\u00e9dias e alegorias, ora explorando temas gregos, como de Clitemnestra, ora temas b\u00edblicos. Na It\u00e1lia, o poeta Ludovico Ariosto escreveu com\u00e9dias encenadas na corte de Ferrara e o florentino Nicolo Machiavelli comp\u00f4s uma das obras-primas do teatro renascentista italiano, A Mandr\u00e1gora (La Mandragora), ainda hoje representada e convertida em filme. No s\u00e9culo XVI, chegou ao apogeu, na It\u00e1lia, a Commedia dell&#8217;Arte, assim chamada porque nela, o talento e a capacidade de improvisa\u00e7\u00e3o dos artistas sobrepujavam o texto liter\u00e1rio.\n\nA <strong>Commedia dell&#8217;Arte<\/strong> tinha personagens fixos, tais como Arlequim, Scaramuccia, Brighela, Pantalone, etc., os quais desenvolviam sua representa\u00e7\u00e3o de acordo com as caracter\u00edsticas de tais tipos. Os autores escreviam apenas um breve resumo da intriga, fixando a linha geral das situa\u00e7\u00f5es, ou acontecimentos, e deixando o di\u00e1logo inteiramente por conta dos interpr\u00e9tes.\n\nAl\u00e9m de h\u00e1beis improvisadores, os artistas da Commedia dell&#8217;Arte eram tamb\u00e9m grandes m\u00edmicos, transmitindo a comicidade tanto por suas palavras, como por gestos e atitudes. Gra\u00e7as a isso, a <strong>Commedia dell&#8217;Arte <\/strong>conseguiu fazer sucesso, por longo tempo, na Fran\u00e7a, influenciando bastante o teatro franc\u00eas. Ao mesmo tempo que surgiam atores de talento e melhorava a qualidade das representa\u00e7\u00f5es, real\u00e7adas por cen\u00e1rios pintados, um grande arquiteto italiano, Andrea Pal\u00e1dio, iniciava a constru\u00e7\u00e3o do primeiro teatro coberto, onde era poss\u00edvel representar com qualquer tempo, mesmo com chuvas ou quedas de neve, para um p\u00fablico de 3 mil pessoas. Foi esse o Teatro Ol\u00edmpico, de Vicenza, no norte da It\u00e1lia, perto de Veneza, completado por seu disc\u00edpulo Vicenzo Scamozzi em 1588 &#8211; oito anos ap\u00f3s sua morte &#8211; e at\u00e9 hoje preservado como monumento hist\u00f3rico.\n\nQuando a It\u00e1lia j\u00e1 tinha seu primeiro teatro coberto, verdadeiro primor da arquitetura, apresentando no palco, em perspectivas, as ruas de uma cidade, como cen\u00e1rio fixo, em outros pa\u00edses as representa\u00e7\u00f5es continuavam a ser feitas ao ar livre. Na Espanha, por exemplo, eram realizadas em p\u00e1tios de estalagens, est\u00e1bulos e currais abandonados. Era o que fazia a primeira companhia profissional espanhola, organizada pelo autor, ator e empres\u00e1rio Lope de Rueda.\n\nOs primeiros teatros de Madrid tiveram nomes como Corral de la Pacheca e Corral de la Cruz, por terem sido estabelecidos em velhos currais. O primeiro teatro coberto de Madrid foi o Corral de la Pacheca, onde se estabeleceu uma companhia italiana que, n\u00e3o querendo perder dinheiro na esta\u00e7\u00e3o chuvosa, construiu um teto sobre o palco e parte da plat\u00e9ia. Em 1582, o Corral de la Pacheca foi reconstru\u00eddo, como um aut\u00eantico edif\u00edcio, trocando ent\u00e3o o nome n\u00e3o para teatro, mas para Corral del Principe. O Corral de la Cruz, constru\u00eddo em 1579 como teatro aberto, mas com algumas novidades, como a coloca\u00e7\u00e3o de camarotes e de uma se\u00e7\u00e3o s\u00f3 para mulheres, procurou adaptar-se ao novo estilo. Depois de Lope de Rueda, surgem na Espanha outras figuras importantes da dramaturgia, a come\u00e7ar por Juan de la Cueva e foi autor de in\u00fameras pe\u00e7as, uma das quais era ainda muito representada no s\u00e9culo passado, Os Sete Infantes de Lara. Outro autor da mesma \u00e9poca foi Miguel de Cervantes, autor do drama Cativeiro em Argel, sobre suas pr\u00f3prias aventuras como prisioneiro dos argelinos, e a trag\u00e9dia O Cerco de Num\u00e2ncia, al\u00e9m de numerosos entremeses, ou pe\u00e7as. Mas a fama do romancista de Dom Quixote de la Mancha obscurecem quase inteiramente sua atividade teatral.\n\nA chamada &#8220;idade de ouro&#8221; do teatro espanhol come\u00e7a verdadeiramente com Lope F\u00e9lix de Vega C\u00e1rpio, ou simplesmente Lope de Vega, que escreveu centenas de pe\u00e7as, algumas das quais permanecem vivas e interessantes ainda hoje., como Fuente Ovejuna e El Perro del Hortelano. Na sua febre de produ\u00e7\u00e3o, ele se valia de toda esp\u00e9cie de escritos alheios, uns tirados da b\u00edblia, outros da mitologia, da hist\u00f3ria, das cr\u00f4nicas, baladas, lendas, vidas de santos, etc. Entre seus continuadores est\u00e1 Guill\u00e9n de Castro, nascido em 1569, sete anos depois de Lope de Vega, mas desaparecido quatro anos antes deste, no ano de 1631. Guill\u00e9n de Castro \u00e9 lembrado principalmente pelas pe\u00e7as que escreveu sobre Rodrigo Dias de Bivar, mas conhecido como &#8220;El Cid&#8221;, uma dela intitulada Las Mocedades de El Cid. Foi autor tamb\u00e9m de Alarcos e fez uma dramatiza\u00e7\u00e3o de Dom Quixote. Juan Ruiz Alarc\u00f3n y Mendoza, conhecido apenas como Alarc\u00f3n, nascido no M\u00e9xico em 1580, mas criado e educado na Espanha, escrever cerca de vinte com\u00e9dias, entre as quais A Verdade Suspeita (La Verdad Sospechosa), que seria depois intitulada na Fran\u00e7a e na It\u00e1lia. Tirso de Molina p\u00f4s em cena a figura de Don Juan em El Burlador de Sevilla (burlador tem o sentido de enganador ou sedutor). outro espanhol Lu\u00eds V\u00e9lez de Guevara, dramatizou a trag\u00e9dia de In\u00eas de Castro, sob o t\u00edtulo de Reinar Depois de Morrer.\n\nOs teatros na Inglaterra continuavam a ser abertos, representando os atores numa plataforma e ficando o p\u00fablico de p\u00e9, perto desta, ou ao fundo, sentado em tr\u00eas galerias dispostas em semic\u00edrculo. Ainda assim, foi extraordin\u00e1rio o florescimento desse teatro, sob o reinado da Rainha Elizabeth I. Prevalecia, naquele pa\u00eds, o mais arraigado preconceito contra a profiss\u00e3o teatral, s\u00f3 exercida pelos homens. Os pap\u00e9is femininos eram representados por rapazes, que se vestiam como mulheres, imitando a voz e os ademanes destas. Os atores eram considerados vadios e vagabundos. E, para n\u00e3o serem incomodados pela pol\u00edcia, tinham de obter prote\u00e7\u00e3o de altas personalidades da nobreza brit\u00e2nica, que os empregavam como seus criados e, por isso, fora do palco, vestiam a libr\u00e9 da criadagem desses nobres.\n\nOs autores desse per\u00edodo ficaram conhecidos como os &#8220;dramaturgos elisabetanos&#8221;. Dentre eles, o mais not\u00e1vel foi Willian Shakespeare, nascido em Stratford em 1564 e desaparecido em 1616. Deixou ele cerca de 35 pe\u00e7as &#8211; dramas hist\u00f3ricos, trag\u00e9dias e com\u00e9dias &#8211; ainda hoje representados com sucesso pelos mais famosos artistas, tanto na Inglaterra como no resto do mundo.\n\nDo mesmo modo que o espanhol Lope de Vega, Shakespeare se valeu de diversas fontes &#8211; cr\u00f4nicas hist\u00f3ricas, biografias escritas por Plutarco, contos e novelas de autores italianos, bem como pe\u00e7as escritas por seus antecessores. Assim, comoveu o mundo com a hist\u00f3ria dos amores tr\u00e1gicos de Romeu e Julieta, de Otelo e Desd\u00eamona, com as trag\u00e9dias do Rei Lear, de Hamlet e de Macbeth, do mesmo modo que fez rir com as alegres perip\u00e9cias das Alegres Comadres de Windsor, com os quiproqu\u00f3s de A noite de Reis, com os hilariantes incidentes de A Megera Domada e v\u00e1rias outras com\u00e9dias. Fez ressurgir do passado as figuras de J\u00falio C\u00e9sar e Coriolano, infundindo extraordin\u00e1rio vigor dram\u00e1tico aos estudos biogr\u00e1ficos de Plutarco. E apresentou um mundo m\u00e1gico, cheio de poesia e de fantasia, em A Tempestade.\n\nEntre os seus contempor\u00e2neos, um dos que mais se distinguiram foi Bem Johnson, o autor de Volpone, or the Fox, hoje conhecido apenas como Volpone, admir\u00e1vel com\u00e9dia ainda representada com sucesso e convertida em filme. Muitos outros autores importantes surgiram, mas o teatro ingl\u00eas n\u00e3o tardou a sofrer um grande golpe com a guerra civil que colocou no poder Oliver Cromwell. Os puritanos, que viam o teatro com maus olhos, conseguiram fech\u00e1-los por uma lei do Parlamento em 1642, permanecendo os artistas teatrais privados de exercer a sua profiss\u00e3o por nada menos de 18 anos!\n\nBem diversa era a situa\u00e7\u00e3o do teatro na Fran\u00e7a onde passou a ser a divers\u00e3o preferida da corte e da alta aristocracia. Os reis e pr\u00edncipes protegiam autores e artistas. Isso propiciou o aparecimento de grandes figuras, que deram not\u00e1vel impulso \u00e0 dramaturgia e \u00e0 arte teatral francesa. O Cardeal Armand Jean Du Plessis, Duque de Richelieu, que governou a Fran\u00e7a como o principal ministro de Lu\u00eds XIII, jovem rei por ele completamente dominado, era um entusiasta das letras e do teatro. Em 1636, a fim de que, bem remunerados, ocupassem o seu tempo em escrever pe\u00e7as teatrais para a corte. A essa altura, um deles, Pierre Corneille, tinha 30 anos de idade e j\u00e1 era autor de algumas com\u00e9dias, entre as quais A Ilus\u00e3o C\u00f4mica, e de uma trag\u00e9dia, Med\u00e9ia, baseada na de Eur\u00edpides. Corneille durou pouco tempo em tal fun\u00e7\u00e3o, por ser por demais independente e por alterar ou recusar os assuntos que lhe eram sugeridos. Seu maior sucesso, logo depois de a Ilus\u00e3o C\u00f4mica, foi a pe\u00e7a O Cid, imitada em alguns trechos e, noutros literalmente traduzida do espanhol de Guill\u00e9n de Castro. Mesmo depois de rompido o seu contrato, esse drama foi representado, por duas vezes, no teatro particular do Duque de Richelieu. Outro grande sucesso de Corneille foi o de Le Menteur (O Mentiroso), em que se valeu da trama e outra pe\u00e7a espanhola, A Verdade Suspeita (La Verdad Sospechosa), de Alarc\u00f3n. Corneille escreveu tamb\u00e9m trag\u00e9dias como Cina, A Morte de Pompeu, uma nova vers\u00e3o e \u00c9dipo, etc. Tudo isso lhe valeu ser eleito para a Academia Francesa. Mas depois entrou em decl\u00ednio, escrevendo pe\u00e7as que n\u00e3o obtiveram o favor p\u00fablico, como \u00c1tila e Agesilau. Algumas foram representadas no castelo do Marqu\u00eas de Sourd\u00e9ac, no Marais, e outras no Hotel de Bourgogne.\n\nO outro grande dramaturgo da \u00e9poca, Jean Racine, nasceu em 1639, quando Corneille contava 33 anos. Amigo de La Fontaine e de Boileau, poetas que ainda n\u00e3o haviam alcan\u00e7ado a fama, conquistou tamb\u00e9m a estima de Moli\u00e8re, ator e autor de com\u00e9dias, que em 1658 se fixara no Palais-Royal, em Paris, com sua companhia, sob a prote\u00e7\u00e3o da corte de Lu\u00eds XIV. O talentoso Jean Racine, aos 25 anos, via ser representada, no Palais-Royal, pela companhia de Moli\u00e8re, a sua primeira pe\u00e7a, A Tebaida, ou Os Irm\u00e3os Inimigos. J\u00e1 na segunda pe\u00e7a, Andr\u00f4maca, era Racine reconhecido como um grande dramaturgo e tamb\u00e9m, como um ingrato, pelo menos por Moli\u00e8re, pois rompera com este e se fora para o Hotel de Bourgogne, para l\u00e1 levando a melhor atriz do Palais-Royal, Mlle. Du Parc, de quem se tornara amante.\n\n<strong>Mais, ainda<\/strong>: quando Moli\u00e8re come\u00e7ou a ensaiar a pe\u00e7a de Corneille, Tito e Berenice, Racine resolveu escrever a pe\u00e7a Berenice, sobre o mesmo assunto (os amores do imperador romano com a filha de Salom\u00e9 e sobrinha de Herodes), levada \u00e0 cena uma semana depois daquela. A rivalidade entre Racine e Corneille animou bastante o teatro franc\u00eas da \u00e9poca. Outra das trag\u00e9dias de Racine, Britannicus, ainda hoje representada, teria exercido forte influ\u00eancia sobre Lu\u00eds XIV, atrav\u00e9s da severa cr\u00edtica \u00e0s veleidades art\u00edsticas de Nero, um dos personagens da pe\u00e7a. Depois disso, o rei deixou de se apresentar nos bal\u00e9s e outros divertimentos da corte, em que tinha o capricho de se exibir. Voltando para o mundo antigo, Racine escreveu pe\u00e7as como Alexandre, Esther, Mitr\u00edades, Fedra, Ifig\u00eania em \u00c1ulida, etc. E s\u00f3 uma vez escreveu uma com\u00e9dia, sobre tipos franceses contempor\u00e2neos, Les Paideurs (Os Litigantes), tamb\u00e9m em versos, com seus dramas e com\u00e9dias\n\n<strong>O Primado da Com\u00e9dia<\/strong>\n\nContempor\u00e2neo de Moli\u00e8re, mas com mais longa vida (nasceu em 1600 e morreu em 1681), o espanhol Pedro Calder\u00f3n de la Barca foi o grande continuador de Lope de Vega. Como este, teve uma vida de aventuras e termina seus dias como padre cat\u00f3lico. Mas, antes disso, foi dramaturgo da corte de Filipe IV, de quem recebeu um t\u00edtulo de fidalgo, com direito ao tratamento de Dom Pedro. Escreveu uma centena de com\u00e9dias longas e algumas centenas de pe\u00e7as curtas, de cunho religioso, chamadas autos sacramentales. Entre suas obras mais famosas est\u00e3o O Grande Teatro do Mundo, A Ceia de Baltazar, O Alcaide de Zalamea, A Vida \u00e9 um Sonho, O M\u00e1gico Prodigioso e O M\u00e9dico de sua Honra.\n\nJean-Baptiste Pequelin, nascido em 1622, filho de um estofador e tapeceiro, desviou-se das atividades paternas para adotar a profiss\u00e3o de comediante e se tornou famoso em todo o mundo como Moli\u00e8re, nome da pequena cidade em que representou pela primeira vez e que escolheu como pseud\u00f4nimo. Ator c\u00f4mico, por excel\u00eancia, a falta de repert\u00f3rio adequado ao seu talento o levou a refundir e compor pe\u00e7as divertidas e movimentadas. Escrevendo ora em versos, como Corneille e Racine, ora em prosa, legou ao teatro franc\u00eas verdadeira obras-primas, com toda uma galeria de tipos admiravelmente bem desenhados, tais como Tartufo, Harpag\u00e3o, Alceste, etc. Protegido pelo irm\u00e3o do rei, come\u00e7ou a se apresentar no Teatro Petit-Bourbon, no Louvre, e depois no Palais-Royal, em dias alternados, pois a\u00ed tamb\u00e9m eram dados espet\u00e1culos de Commedia dell&#8217;Arte, cuja companhia era liderada por Tib\u00e9rio Fiorelli, um famoso Scaramouche, ou Scaramuccia. Em Paris, a primeira de suas pe\u00e7as, que Moli\u00e8re ousou repreentar, foi a farsa Le Docteur Amoreux (O M\u00e9dico Apaixonado), que obteve sucesso imediato. Depois do fracasso de uma trag\u00e9dia de Corneille, intitulada Nicomedes, Moli\u00e8re apresentou, no mesmo programa, duas outras pe\u00e7as suas, L&#8217;\u00c9tourdi, ou Les Contretemps (O Estouvado, ou Os Contratempos) e Le D\u00e9pit Amoureux (O Despeito Amoroso). Tentou a trag\u00e9dia, com uma pe\u00e7a de assunto espanhol, Don Garcia de Navarra, mas fracassou, porque o seu dom\u00ednio era o da com\u00e9dia e da farsa. Em 1664, escreveu para uma festa em Versalhes Le Mariage Forc\u00e9 (O Casamento For\u00e7ado, em que o pr\u00f3prio rei, Lu\u00eds XIV, tomou parte, no papel de um cigano (isso aconteceu cinco anos antes da encena\u00e7\u00e3o de Britannicus, de Racine). Entre as pe\u00e7as mais famosas de Moli\u00e8re est\u00e3o O Misantropo, O Avarento, As Preciosas Rid\u00edculas, O Burgu\u00eas Gentil-Homem, Tartufo, Escola de Mulheres, Escola da Maridos, O Doente Imagin\u00e1rio e Les Femmes Savantes (conhecida na tradu\u00e7\u00e3o portuguesa como As Sabichonas. Moli\u00e8re morreu a 17 de fevereiro de 1673, aos 51 anos de idade, ao fim de uma representa\u00e7\u00e3o de O Doente Imagin\u00e1rio. Sua influ\u00eancia se estendeu a todo o mundo ocidental, onde o seu teatro continua a ser at\u00e9 hoje representado. Moli\u00e8re abriu caminho \u00e0 populariza\u00e7\u00e3o do teatro, com suas com\u00e9dias e farsas, de esfuziante comicidade\n\nFonte: www.aferventus.hpg.com.br\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Teatro Renascentista, Renascimento, Autores, Caracter\u00edsticas, Commedia dell&#8217;Arte, Per\u00edodo, Poesia, Literatura, O que foi, Teatro Renascentista<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":16693,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[57],"tags":[],"class_list":["post-21559","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia-geral"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Teatro Renascentista - Portal S\u00e3o Francisco<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"noindex, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"en_US\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Teatro Renascentista - 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