{"id":21548,"date":"2016-01-07T00:00:00","date_gmt":"2016-01-07T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/teatro-expressionista-2\/"},"modified":"2026-09-01T15:39:48","modified_gmt":"2026-09-01T15:39:48","slug":"teatro-expressionista-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-geral\/teatro-expressionista-2\/","title":{"rendered":"Teatro Expressionista"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"ads-cima\"><\/p>\n&nbsp;\n<h4>O Expressionismo na Europa<\/h4>\nO <strong>Teatro expressionista<\/strong> \u00e9 polemicamente antiibseniano, porque quer ser anti-realista; dispensa a imita\u00e7\u00e3o da fala coloquial e dos ambientes familiares no palco; fala em estilo po\u00e9tico ou declamat\u00f3rio e prefere cen\u00e1rios fant\u00e1sticos, que j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o mero fundo da a\u00e7\u00e3o teatral, mas participam dela como se fossem personagens mudos.\n\n<strong>Tudo isso n\u00e3o esta, por\u00e9m, a servi\u00e7o de um teatro po\u00e9tico, mas de propaganda de id\u00e9ias<\/strong>: em vez do individualismo quase anarquista de Ibsen, o Socialismo e o Comunismo; em vez do ceptismo ibseniano, uma religiosidade livre, mas esperan\u00e7osa; em vez do feminismo de Ibsen, a luta dos sexos e das gera\u00e7\u00f5es, o homem defendendo-se das mulheres e os filhos em revolta contra os pais, atitudes apoiadas em teorias psicanal\u00edticas. \u00c9 um teatro revolucion\u00e1rio e, ao memso tempo, fant\u00e1stico.\n\nO criador do <strong>teatro expressionista<\/strong> \u00e9 o sueco Strindberg, que depois de uma fase de naturalismo extremado caiu no extremo oposto, de teatro simb\u00f3lico-religioso. Sua influ\u00eancia, pouco sens\u00edvel na Fran\u00e7a e na Inglaterra, foi grande na R\u00fassia e nos E.U.A., mas sobretudo na Alemanha. Ali j\u00e1 tinha, independente do sueco, o ator Wedekind criado um teatro pr\u00e9-expressionista, com a luta dos sexos como tema principal e com a caracter\u00edstica interpreta\u00e7\u00e3o fant\u00e1stica de ambientes aparentemente reais.\n\nDepois de 1918, o <strong>Expressionismo<\/strong> conquistou o teatro alem\u00e3o. Suas figuras principais s\u00e3o Georg Kaiser (1878-1945), de inesgot\u00e1vel for\u00e7a inventiva, mestre de sutil constru\u00e7\u00e3o dial\u00e9tica, e o revolucion\u00e1rio Ernest Toller (1893-1939); Sorge (1892-1916), v\u00edtima da guerra, escreveu duas pe\u00e7as religiosa \u00e0 maneira do \u00faltimo Strindberg. Unrush (n.1885) e Hasenclever (1890-1941) atacaram a velha gera\u00e7\u00e3o e o militarismo. J\u00e1 \u00e9 p\u00f3s-expressionista Zuckmayer (n.1896), de um alegre radicalismo pol\u00edtico.\n\nNa Dinamarca, Kaj Munk (1898-1944) combinou pietismo religioso e veemente tend\u00eancia anti-racista e antiditatorial.\n\n<strong>Um centro do Expressionismo fant\u00e1stico no teatro \u00e9 a B\u00e9lgica<\/strong>: Ghelderode (n.1898) em l\u00edngua francesa; Herning Hensen (n.1917) em l\u00edngua flamenga. Na Irlanda, onde Lady Gregory tinha fundado o Abbey Theatre de Dublin como centro de cultura dram\u00e1tica nacional, o grande representante do Expressionismo \u00e9 O&#8217;Casey (n.1884).\n<h4>O Expressionismo nos E.U.A<\/h4>\nAo <strong>Expressionismo<\/strong> se deve a renascen\u00e7a do teatro nos E.U.A. Durante o s\u00e9culo XIX s\u00f3 houve (como na Inglaterra vitoriana) pe\u00e7as po\u00e9ticas para a leitura; os palcos estavam, ainda no come\u00e7o deste s\u00e9culo, dominaodos por homens como Belasco e outros autores de dramalh\u00f5es populares. A salva\u00e7\u00e3o veio dos amadores, que se transformaram, ali\u00e1s, com o sucesso, em atores profissionais. Assim os Provincetown Players, em cujo primeiro caderno program\u00e1tico O&#8217;Neill declarou sua d\u00edvida para com Strindberg e Wedekind. Foi o primeiro grande dramaturgo norte-americano, o maior e &#8211; conforme a opini\u00e3o de muitos cr\u00edticos &#8211; j\u00e1 quase o \u00faltimo, pois seus sucessores n\u00e3o lhe alcan\u00e7aram a estatura nem sequer a fecundidade. Clifford Odets (n.1906) s\u00f3 tinha sucesso enquanto cultivava, no palco, a propaganda pol\u00edtica.\n\nMaxwell Anderson (n.1888) e Elemer Rice (n.1892) n\u00e3o cumpriram a promessa das primeiras obras. Arthur Miller \u00e9 um intelectual, em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 mass culture e suas consequ\u00eancias pol\u00edticas e sociais. Tennessee Willians pertence ao movimento liter\u00e1rio do sul dos E.U.A., com fortes interesses psicol\u00f3gicos e psicopatol\u00f3gicos. Os teatros da Broadway voltaram a ser dominados pela produ\u00e7\u00e3o comercial, \u00e0s vezes com verniz liter\u00e1rio (S. Behrman, Lillian Hellman, George S. Kaufman). S\u00f3 Thornton Wilder mant\u00e9m o alto padr\u00e3o liter\u00e1rio do seu estilo expressionista, que uma cr\u00edtica mal informada dessas origens costuma confundir com Surrealismo. Entre as muitas ramifica\u00e7\u00f5es do teatro expressionista ainda merece men\u00e7\u00e3o um original autor em l\u00edngua i\u00eddiche, S. Anski (1863-1920), cujo drama m\u00edstico O Dibuk foi represnetado em muitas l\u00ednguas.\n\nFonte: www.dionisius.hpg.ig.com.br\n<h6>Teatro Expressionista<\/h6>\n<p class=\"google\"><\/p>\nPara realmente entendermos o <strong>movimento expressionista<\/strong>, necessitamos conhecer a vis\u00e3o do mundo alem\u00e3o.\n\nSem duvida tanto o romantismo quanto o expressionismo s\u00e3o os dois movimentos art\u00edsticos que mais refletem a cultura alem\u00e3. Longe de afirmarmos que estes movimentos sejam exclusividade do povo alem\u00e3o eles apenas demonstram respectivamente a passionalidade e a inquieta\u00e7\u00e3o espiritual deste povo.\n<h4>Caracter\u00edsticas B\u00e1sicas<\/h4>\nO movimento expressionista nasce na Alemanha por volta da 1905 seguindo a tend\u00eancia de pintores do final do s\u00e9culo XIX, como C\u00e9zanne, Gauguin, Van Gogh e Matisse, a funda\u00e7\u00e3o nesta data da sociedade dos artistas Die Br\u00fccke (A Ponte) marcou o in\u00edcio de uma nova forma de arte que se diferencia do fauvisme franc\u00eas, principalmente no que se refere \u00e0 sua emo\u00e7\u00e3o social.\n\n<strong>Duas caracter\u00edsticas podem ser consideradas fundamentais no movimento expressionista: <\/strong>\n\nA rea\u00e7\u00e3o contra o passado, o expressionismo n\u00e3o reage apenas contra este ou aquele movimento, contra o naturalismo ou os v\u00e1rios movimentos vigentes na Alemanha na \u00e9poca, mas reage, sem mais, contra todo o passado; \u00e9 o primeiro movimento cultural que deve ser compreendido, antes de mais nada, por uma rebeli\u00e3o contra a totalidade dos padr\u00f5es, dos valores do ocidente. A arte cessa de gravitar em torno de valores absolutos.\n\nSem duvida temos uma filia\u00e7\u00e3o do expressionismo com o romantismo. A diferen\u00e7a fundamental \u00e9 que no expressionismo o confessado n\u00e3o \u00e9 de ningu\u00e9m , o autobiogr\u00e1fico n\u00e3o tem rosto, a arte n\u00e3o manifesta a subjetividade de um Beethoven, pois, bem ao contrario, diz algo que em \u00faltima an\u00e1lise releva do impessoal.\n\nDuas caracter\u00edsticas do expressionismo&#8221;. In O sentido e a m\u00e1scara. S\u00e3o Paulo, Perspectiva, 1975.\n\nUmas das grandes influ\u00eancias vem sem d\u00favida de Freud, e isto por duas raz\u00f5es. Em primeiro lugar a psican\u00e1lise liberta do passado . Transportando isto em termos de cultura, podemos dizer que a psican\u00e1lise liberta da tradi\u00e7\u00e3o, da hist\u00f3ria.\n\n<strong>Em segundo lugar, a perspectiva de Freud \u00e9 a da subjetividade; ao contr\u00e1rio do que acontece na psicologia cl\u00e1ssica, a raiz dessa nova subjetividade \u00e1 impessoal<\/strong>: o inconsciente foge \u00e0 al\u00e7ada daquilo que se considerava ser a pessoa, e a subjetividade torna-se mais an\u00f4nima.\n\nSe dev\u00eassemos escolher uma palavra para definir o expressionismo esta palavra seria o grito. Pois o expressionismo e o grito que brota de uma solid\u00e3o radical, o grito de um homem identificado ao grito. Grita-se porque s\u00f3 resta o grito, express\u00e3o de um sem-sentido radical. Por isso \u00e9 freq\u00fcente encontramos personagens destitu\u00eddas de identidade; ou bem a identidade se fragmenta, chegando a plurificar-se em diversas personagens, ou ent\u00e3o \u00e9 negada transformando a personagem em uma esp\u00e9cie de marionete.\n\nA tend\u00eancia socializante do expressionismo ia tornando-se sempre mais forte suscitando, sempre com mais for\u00e7a, a interven\u00e7\u00e3o da censura. Quando a Alemanha, capitula ao Estado policial em 1933 o expressionismo passa a ser julgado &#8220;Arte degenerada&#8221; e formalmente proibido de se expressar.\n\nFonte: liriah.teatro.vilabol.uol.com.br\n<h6>Teatro Expressionista<\/h6>\n<h4>Expressionismo<\/h4>\nMovimento art\u00edstico que se caracteriza pela express\u00e3o de intensas emo\u00e7\u00f5es. As obras n\u00e3o t\u00eam preocupa\u00e7\u00e3o com o padr\u00e3o de beleza tradicional e exibem enfoque pessimista da vida, marcado por ang\u00fastia, dor, inadequa\u00e7\u00e3o do artista diante da realidade e, muitas vezes, necessidade de denunciar problemas sociais.\n\nIniciado no fim do s\u00e9culo XIX por artistas pl\u00e1sticos da Alemanha, alcan\u00e7a seu auge entre 1910 e 1920 e expande-se para a literatura, a m\u00fasica, o teatro e o cinema. Em fun\u00e7\u00e3o da I Guerra Mundial e das limita\u00e7\u00f5es impostas pela l\u00edngua alem\u00e3, tem maior express\u00e3o entre os povos germ\u00e2nico, eslavo e n\u00f3rdico.\n\nNa Fran\u00e7a, por\u00e9m, manifesta-se no fauvismo. Ap\u00f3s o fim da guerra, influencia a arte em outras partes do mundo. Muitos artistas est\u00e3o ligados a grupos pol\u00edticos de esquerda.\n\nAssim como a Revolu\u00e7\u00e3o Russa (1917), as teorias psicanal\u00edticas do austr\u00edaco Sigmund Freud, a evolu\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia e a filosofia do alem\u00e3o Friedrich Nietzsche o expressionismo est\u00e1 inserido no ambiente conturbado que marca a virada do s\u00e9culo.\n\n<strong>ARTES PL\u00c1STICAS<\/strong>\n\nO principal precursor do movimento \u00e9 o pintor holand\u00eas Vincent van Gogh, criador de obras de pinceladas marcadas, cores fortes, tra\u00e7os expressivos, formas contorcidas e dram\u00e1ticas. Em 1911, numa refer\u00eancia de um cr\u00edtico \u00e0 sua obra, o movimento ganha o nome de expressionismo.\n\nAs obras prop\u00f5em uma ruptura com as academias de arte e o impressionismo. \u00c9 uma forma de &#8220;recriar&#8221; o mundo em vez de apenas capt\u00e1-lo ou mold\u00e1-lo segundo as leis da arte tradicional. As principais caracter\u00edsticas s\u00e3o distanciamento da pintura acad\u00eamica, ruptura com a ilus\u00e3o de tridimensionalidade, resgate das artes primitivas e uso arbitr\u00e1rio de cores fortes. Muitas obras possuem textura \u00e1spera devido \u00e0 grande quantidade de tinta nas telas. \u00c9 comum o retrato de seres humanos solit\u00e1rios e sofredores. Com a inten\u00e7\u00e3o de captar estados mentais, v\u00e1rios quadros exibem personagens deformados, como o ser humano desesperado sobre uma ponte que se v\u00ea em O Grito, do noruegu\u00eas Edvard Munch (1863-1944), um dos expoentes do movimento.\n\n<strong>Grupos expressionistas <\/strong>\n\n<strong>O expressionismo vive seu auge a partir da funda\u00e7\u00e3o de dois grupos alem\u00e3es<\/strong>: o Die Br\u00fccke (A Ponte), em Dresden, que faz sua primeira exposi\u00e7\u00e3o em 1905 e dura at\u00e9 1913; e o Der Blaue Reiter (O Cavaleiro Azul), em Munique, ativo de 1911 a 1914. Os artistas do primeiro grupo, como os alem\u00e3es Ernst Kirchner (1880-1938) e Emil Nolde (1867-1956), s\u00e3o mais agressivos e politizados. Com cores quentes, produzem cenas m\u00edsticas e paisagens de atmosfera pesada. Os do segundo grupo, entre eles o russo Vass\u00edli Kand\u00ednski (1866-1944), o alem\u00e3o August Macke (1887-1914) e o su\u00ed\u00e7o Paul Klee (1879-1940), voltam-se para a espiritualidade. Influenciados pelo cubismo e futurismo, deixam as formas figurativas e caminham para a abstra\u00e7\u00e3o.\n\nNa Am\u00e9rica Latina, o expressionismo \u00e9 principalmente uma via de protesto pol\u00edtico.\n\nNo M\u00e9xico, o destaque s\u00e3o os muralistas, como Diego Rivera (1886-1957).\n\nA \u00faltima grande manifesta\u00e7\u00e3o de protesto expressionista \u00e9 o painel Guernica, do espanhol Pablo Picasso. Retrata o bombardeio da cidade basca de Guernica por avi\u00f5es alem\u00e3es durante a Guerra Civil Espanhola. A obra mostra sua vis\u00e3o particular da ang\u00fastia do ataque, com a sobreposi\u00e7\u00e3o de figuras, como um cavalo morrendo, uma mulher presa em um edif\u00edcio em chamas, uma m\u00e3e com uma crian\u00e7a morta e uma l\u00e2mpada no plano central.\n\n<strong>CINEMA <\/strong>\n\nOs filmes produzidos na Alemanha ap\u00f3s a I Guerra Mundial s\u00e3o sombrios e pessimistas, com cen\u00e1rios fantasmag\u00f3ricos, exagero na interpreta\u00e7\u00e3o dos atores e nos contrastes de luz e sombra. A realidade \u00e9 distorcida para expressar conflitos interiores dos personagens. Um exemplo \u00e9 O Gabinete do Dr. Caligari, de Robert Wiene (1881-1938), que marca o surgimento do expressionismo no cinema alem\u00e3o em 1919.\n\nFilmes como Nosferatu, de Friedrich Murnau (1889-1931), e Metr\u00f3polis, de Fritz Lang (1890-1976), traduzem as ang\u00fastias e as frustra\u00e7\u00f5es do pa\u00eds em plena crise econ\u00f4mica e social. O nazismo, que domina a Alemanha a partir de 1933, acaba com o cinema expressionista. Passam a ser produzidos apenas filmes de propaganda pol\u00edtica e de entretenimento.\n\n<strong>LITERATURA <\/strong>\n\nO movimento \u00e9 marcado por subjetividade do escritor, an\u00e1lise minuciosa do subconsciente dos personagens e met\u00e1foras exageradas ou grotescas. Em geral, a linguagem \u00e9 direta, com frases curtas. O estilo \u00e9 abstrato, simb\u00f3lico e associativo.\n\nO irland\u00eas James Joyce, o ingl\u00eas T.S. Eliot (1888-1965), o tcheco Franz Kafka e o austr\u00edaco Georg Trakl (1887-1914) est\u00e3o entre os principais autores que usam t\u00e9cnicas expressionistas.\n\n<strong>M\u00daSICA <\/strong>\n\nIntensidade de emo\u00e7\u00f5es e distanciamento do padr\u00e3o est\u00e9tico tradicional marcam o movimento na m\u00fasica. A partir de 1908, o termo \u00e9 usado para caracterizar a cria\u00e7\u00e3o do compositor austr\u00edaco Arnold Schoenberg (1874-1951), autor do m\u00e9todo de composi\u00e7\u00e3o dodecaf\u00f4nica. Em 1912 comp\u00f5e Pierrot Lunaire, que rompe definitivamente com o romantismo. Schoenberg inova com uma m\u00fasica em que todos os 12 sons da escala de d\u00f3 a d\u00f3 t\u00eam igual valor e podem ser dispostos em qualquer ordem a crit\u00e9rio do compositor.\n\n<strong>TEATRO <\/strong>\n\nCom tend\u00eancia para o extremo e o exagero, as pe\u00e7as s\u00e3o combativas na defesa de transforma\u00e7\u00f5es sociais. O enredo \u00e9 muitas vezes metaf\u00f3rico, com tramas bem constru\u00eddas e l\u00f3gicas. Em cena h\u00e1 atmosfera de sonho e pesadelo e os atores se movimentam como rob\u00f4s. Foi na pe\u00e7a expressionista R.U.R., do tcheco Karel Capek (1890-1938), que se criou a palavra rob\u00f4. Muitas vezes grava\u00e7\u00f5es de mon\u00f3logos s\u00e3o ouvidas paralelamente \u00e0 encena\u00e7\u00e3o para mostrar a realidade interna de um personagem.\n\nA primeira pe\u00e7a expressionista \u00e9 A Estrada de Damasco (1898-1904), do sueco August Strindberg (1849-1912). Entre os principais dramaturgos est\u00e3o ainda os alem\u00e3es Georg Kaiser (1878-1945) e Carl Sternheim (1878-1942) e o norte-americano Eugene O&#8217;Neill (1888-1953).\n\n<strong>EXPRESSIONISMO NO BRASIL<\/strong>\n\nNas artes pl\u00e1sticas, os artistas mais importantes s\u00e3o Candido Portinari, que retrata o \u00eaxodo do Nordeste, Anita Malfatti, Lasar Segall e o gravurista Osvaldo Goeldi (1895-1961). No teatro, a obra do dramaturgo Nelson Rodrigues tem caracter\u00edsticas expressionistas.\n\nFonte: www.artesbr.hpg.ig.com.br\n<h6>Teatro Expressionista<\/h6>\n<strong>O teatro, express\u00e3o das mais antigas do esp\u00edrito l\u00fadico da humanidade, \u00e9 uma arte c\u00eanica peculiar, pois embora tome quase sempre como ponto de partida um texto liter\u00e1rio (com\u00e9dia, drama, e outros g\u00eaneros), exige uma segunda opera\u00e7\u00e3o art\u00edstica: <\/strong>a transforma\u00e7\u00e3o da literatura em espet\u00e1culo c\u00eanico e sua transforma\u00e7\u00e3o direta com a plat\u00e9ia.\n\nAssim, por maior que seja a interdepend\u00eancia entre texto dram\u00e1tico e o espet\u00e1culo, o ator e a cena criam uma linguagem espec\u00edfica e uma arte essencialmente distinta da cria\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria. A arte dos atores e do diretor de cena n\u00e3o sobrevive \u00e0 representa\u00e7\u00e3o; os textos ficam.\n\nDurante os espet\u00e1culo, o texto dram\u00e1tico se realiza mediante a metamorfose do ator em personagem. A literatura dram\u00e1tica n\u00e3o \u00e9 um g\u00eanero, como outros, da literatura geral, pela indispens\u00e1vel presen\u00e7a e coopera\u00e7\u00e3o do p\u00fablico. Assim, o teatro \u00e9 principalmente fen\u00f4meno social e, como tal, sujeito \u00e0s leis e dial\u00e9tica hist\u00f3ricas. Por isso, n\u00e3o existe teatro em sentido absoluto, com normas permanentes, mas v\u00e1rios teatros, muito diferentes, de diversas \u00e9pocas e na\u00e7\u00f5es quanto mais remotos, tanto menos operantes em per\u00edodos seguintes.\n\n<strong>A antiguidade Cl\u00e1ssica<\/strong>\n\nA dramatiza\u00e7\u00e3o como forma art\u00edstica surgiu num est\u00e1gio relativamente avan\u00e7ado da evolu\u00e7\u00e3o cultural. O Teatro grego antigo tem suas ra\u00edzes em atos rituais (culto de Dion\u00edsio). Mas as pe\u00e7as existentes j\u00e1 o mostram emancipado dessas origens, como institui\u00e7\u00e3o p\u00fablica organizada custeada pelo Estado, como esp\u00e9cie de festivais c\u00edvicos.\n\n<strong>S\u00f3 possu\u00edmos pe\u00e7as completas de tr\u00eas autores, que costuma agrupar em ordem aproximadamente cronol\u00f3gica<\/strong>: \u00c9squilo, fortemente baseado em convic\u00e7\u00f5es mitol\u00f3gicas e de um poder verbal pr\u00f3ximo da epop\u00e9ia; S\u00f3focles, grande moralista e grand\u00edssimo poeta, de equil\u00edbrio perfeito; e Eur\u00edpedes, meio descrente, psic\u00f3logo e de grande for\u00e7a l\u00edrica. Essa apresenta\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria da trag\u00e9dia grega \u00e9 convencional e pouco exata. Na verdade, os tr\u00eas grandes s\u00e3o quase contempor\u00e2neos, e nossa ignor\u00e2ncia dos outros tragedi\u00f3grafos n\u00e3o permite esbo\u00e7ar linha de evolu\u00e7\u00e3o coerente. Na verdade, em quase todos aqueles tr\u00eas a arte do di\u00e1logo e dos coros \u00e9 mais ou menos a mesma; as diferen\u00e7as de t\u00e9cnica dramat\u00fargica, important\u00edssimas para os contempor\u00e2neos, s\u00e3o pouco sens\u00edveis para n\u00f3s; e ideologicamente o suposto inovador e rebelde Eur\u00edpedes esta mais perto de \u00c9squilo que de S\u00f3focles, As Bacantes mais perto do Prometeu Acorrentado do que da human\u00edssima Ant\u00edgona.\n\nConv\u00e9m insistir em que todas as tradu\u00e7\u00f5es, assim como as cada vez mais freq\u00fcentes representa\u00e7\u00f5es modernas das trag\u00e9dia gregas, modernizam esse teatro antigo, t\u00e3o remoto quanto grande.\n\n<strong>A impress\u00e3o de Eur\u00edpedes ter sido meio descrente e inovador irreverente \u00e9 devida, atrav\u00e9s dos s\u00e9culos, ao seu intransigente inimigo, o aristocr\u00e1tico e conservador Arist\u00f3fanes, criador da com\u00e9dia antiga<\/strong>: g\u00eanero estranho, composto de par\u00f3dia mitol\u00f3gica, s\u00e1tira pol\u00edtica, diatribes pessoais e poesia l\u00edrica. No teatro de tempos modernos n\u00e3o existe nada de compar\u00e1vel \u00e0 com\u00e9dia aristofanesca, a n\u00e3o contarmos certas s\u00e1tiras liter\u00e1rias, s\u00f3 destinadas \u00e0 leitura. Mas as com\u00e9dias de Menandro (342 -291 A.C.), das quais duas foram encontradas em papiros eg\u00edpcios, j\u00e1 s\u00e3o reflexos de uma vida burguesa de uma \u00e9poca totalmente desmitologizada e despolitizada. De aspecto ainda mais moderno teria,m sido com\u00e9dias dom\u00e9sticas de Filemon e Difilos, que s\u00f3 sobreviveram nas vers\u00f5es latinas de Plauto e Ter\u00eancio; moderno, porque essas com\u00e9dias latinas foram imitadas, durante os s\u00e9culos, em todos os pa\u00edses modernos.\n\nA com\u00e9dia romana antiga, apesar de usar largamente fontes gregas, \u00e9 no entanto de forte originalidade. Plauto \u00e9 um farsista de grande for\u00e7a c\u00f4mica, mas tamb\u00e9m de poder po\u00e9tico-l\u00edrico. Ter\u00eancio \u00e9 muito menos c\u00f4mico, antes um moralista s\u00e9rio que prefere \u00e0 representa\u00e7\u00e3o das classes baixas e das suas divers\u00f5es grosseiras a da vida das classes abastadas e cultas.\n\n<strong>Mas os problemas s\u00e3o sempre os mesmos<\/strong>: dom\u00e9sticos, er\u00f3ticos e de dinheiro. Plauto e Ter\u00eancio criaram os tipos do fanfarr\u00e3o, do avarento, do criado astuto, do devasso filho de fam\u00edlia, do parasita, que atrav\u00e9s da Com\u00e9dia dell&#8217;Arte dominam todo o teatro c\u00f4mico moderno.\n\n<strong>Da trag\u00e9dia romana s\u00f3 sobrevivera, completas, as \u00faltimas pe\u00e7as<\/strong>: as do fil\u00f3sofo S\u00eaneca, nas quais a eloq\u00fc\u00eancia (ali\u00e1s admir\u00e1vel) e os horrores f\u00edsicos substituem a poesia e a tragicidade do teatro grego; sua influ\u00eancia atrav\u00e9s dos s\u00e9culos tamb\u00e9m foi muito forte.\n\n<strong>Teatro Medieval<\/strong>\n\nO teatro medieval \u00e9, como o antigo, de origem religiosa; apenas a religi\u00e3o \u00e9 outra. Os enredos s\u00e3o tirados da hist\u00f3ria b\u00edblica. As ocasi\u00f5es de representa\u00e7\u00e3o s\u00e3o as festas do ano lit\u00fargico. O palco \u00e9 a pra\u00e7a central da cidade. Toda a popula\u00e7\u00e3o participa dele. Mas no palco tamb\u00e9m j\u00e1 se encontram os elementos cenogr\u00e1ficos que, mais tarde, constituir\u00e3o o &#8220;teatro de ilus\u00e3o&#8221; moderno.\n\n<strong>O valor liter\u00e1rio das pe\u00e7as \u00e9 muito desigual<\/strong>: entre cenas de lirismo religioso e humorismo popular (cenas do diabo e dos judeus) encontram-se longos trechos did\u00e1ticos e declamat\u00f3rios.\n\nNo final da idade m\u00e9dia e no come\u00e7o do s\u00e9culo XVI aparecem na Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica dois grandes dramaturgos que, sem sair da t\u00e9cnica teatral medieval, enchem-na de id\u00e9ias novas, em parte j\u00e1 humanistas e renascentistas. La Celestina, de Fernando Rojas (?-1541), \u00e9 antes um romance dialogado; obra de influ\u00eancia imensa na Europa de ent\u00e3o. As pe\u00e7as de Gil Vicente guardam o car\u00e1ter de representa\u00e7\u00e3o para determinadas ocasi\u00f5es, lit\u00fargicas, palacianas e populares.\n\n<strong>A Commedia dell&#8217;Arte<\/strong>\n\nO teatro moderno come\u00e7a na It\u00e1lia do s\u00e9culo XVI, rompendo com as tradi\u00e7\u00f5es medievais populares e tentando imitar os mais antigos.\n\nIn\u00fameras pe\u00e7as imitam as com\u00e9dias de Plauto e Ter\u00eancio; mas s\u00f3 uma tem valor superior, a amarga Mandr\u00e1gora, de Maquiavel. Um teatro original\u00edssimo sai do uso de elementos plautinos e representa\u00e7\u00f5es populares e dialetais, o teatro do Ruzzante(1502-1542). Forma original italiana \u00e9 a Commedia dell&#8217;Arte, com tipos regionais e textos improvisados, que no s\u00e9culo XVII dominar\u00e1 os palcos da Europa.\n\nMenos bem sucedidas eram as tentativas de imitar a trag\u00e9dia grega. Mesmo as melhores dessas obras, a Sofonisba, de Trissino (1478-1550), e a Orazia, de Aretino, n\u00e3o se elevam acima do n\u00edvel de exerc\u00edcios de erudi\u00e7\u00e3o e de declama\u00e7\u00e3o. O aspecto de exerc\u00edcio did\u00e1tico caracterizar\u00e1, mais tarde e at\u00e9 o come\u00e7o do s\u00e9culo XVIII, o teatro escolar dos jesu\u00edtas da Fran\u00e7a, It\u00e1lia, Alemanha e nos paises eslavos; produziu por\u00e9m, imas poucas obras primas, como o Cenodoxus, do alem\u00e3o Dibermann (1578-1639). Mas o teatro dos jesu\u00edtas teve pouca influ\u00eancia nas diferentes literaturas nacionais, por estar redigido, sempre, em l\u00edngua latina.\n\nO fracasso das tentativas de imitar a trag\u00e9dia grega. sempre vista atrav\u00e9s de S\u00eaneca, levou com o tempo a fazer recuar os elementos propriamente tr\u00e1gicos, preferindo-se o ambiente id\u00edlico, o happy end e o elemento de poesia l\u00edrica, tra\u00e7os que caracterizam o teatro pastoral. Tasso escreveu a primeira e maior pe\u00e7a desse g\u00eanero, o Aminta. Mas o maior sucesso na Europa toda, foi o do Pastor fido, de Guarini (1538-1612). enfim, o elemento lirico-musical chegou a propiciar a colabora\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria m\u00fasica, no melodramma, ou na \u00f3pera, cujo maior representante foi Metastasio.\n\n<strong>Teatros Nacionais<\/strong>\n\nO primeiro teatro nacional da Europa moderna \u00e9 o espanhol, do fim do s\u00e9culo XVI e do s\u00e9culo XVII. Humanismo e Renascen\u00e7a manifestam a influ\u00eancia, nesse teatro, nos enredos, tirados da antiguidade greco-romana e da novel\u00edstica italiana. Mas os dramaturgos espanh\u00f3is n\u00e3o se preocupam nada com as regras ou pseudo-regras antigas; a forma do seu teatro e medieval, ligeiramente desenvolvida e j\u00e1 se aproximando das conven\u00e7\u00f5es c\u00eanicas do teatro moderno. Assim tamb\u00e9m usam enredos da hist\u00f3ria espanhola e de outros pa\u00edses, roteiros livremente inventados, e os da hist\u00f3ria b\u00edblica e das vidas dos santos. Um g\u00eanero especial \u00e9 o Auto, representa\u00e7\u00e3o aleg\u00f3rica de temas religiosos, especialmente para a festa de Corpus Christi.\n\n<strong>O Teatro Cl\u00e1ssico Franc\u00eas<\/strong>\n\nO Teatro cl\u00e1ssico franc\u00eas do s\u00e9culo XVII \u00e9 radicalmente diferente dos teatros espanhol e ingl\u00eas da mesma \u00e9poca, porque lhe falta totalmente a raiz popular. H\u00e1, nas origens, influ\u00eancias espanholas e da Commedia dell&#8217;Arte italiana.\n\n<strong>Mas foram logo superadas para agradar ao gosto de seu p\u00fablico culto, sofisticado e disciplinado por r\u00edgidas normas de comportamento da sociedade<\/strong>: La Cour et la Ville, a Corte de Versailhes e a cidade de Paris. A forma\u00e7\u00e3o intelectual desse p\u00fablico era human\u00edstica. Por isso, o esp\u00edrito barroco de \u00e9poca contra-reformista e absolutista teve de acomodar-se \u00e0s formas ditas antigas, isto \u00e9 \u00e0s mal compreendidas regras aristot\u00e9licas, unidade de a\u00e7\u00e3o, de lugar e de tempo; enredo reduzido ao essencial e express\u00e3o verbal disciplinada pelas biens\u00e9ances, ao modo de falar em boa sociedade. Nenhum teatro do passado \u00e9, pelo menos aparentemente, mais distante do nosso do que esse; m\u00ednimo de a\u00e7\u00e3o e m\u00ednimo de poesia. Mas \u00e9 apar\u00eancia. Na verdade, este \u00e9 o primeiro exemplo de teatro moderno.\n\nNo teatro cl\u00e1ssico franc\u00eas a posteridade aprendeu a constru\u00e7\u00e3o l\u00f3gica e coerente, livre das exuber\u00e2ncias e incoer\u00eancias dos teatros espanhol e ingl\u00eas que admiramos como grande poesia, embora hoje \u00e0s vezes nos choquem; e o m\u00ednimo de a\u00e7\u00e3o exterior teve como efeito a concentra\u00e7\u00e3o nos acontecimentos dentro dos personagens, isto \u00e9, a moderna psicologia dram\u00e1tica. A influ\u00eancia espanhola ainda predomina no Venceslas e Saint Genest de Rotrou (1609-1650), mas j\u00e1 devidamente disciplinada. Corneille j\u00e1 modifica muito os enredos tomados emprestados a autores espanh\u00f3is, enriquecendo-os pela disciplina religiosa dos jesu\u00edtas e pela pol\u00edtica dos maquiavelistas, fantasiados de romanos antigos. Em Racine o Jesuitismo \u00e9 substitu\u00eddo pela psicologia religiosa do Jansenismo e a pol\u00edtica romana pelo erotismo grego. Ao mesmo tempo Moli\u00e8re, inspirado de inicio na Commedia dell&#8217;Arte italiana e nas recorda\u00e7\u00f5es escolares de Ter\u00eancio, cria a fina com\u00e9dia de sociedade, psicol\u00f3gica e sat\u00edrica. Racine e Moli\u00e8re s\u00e3o t\u00e3o perfeitos, dentro do estilo dram\u00e1tico escolhido, que n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel continu\u00e1-los. Toda continua\u00e7\u00e3o seria imita\u00e7\u00e3o e repeti\u00e7\u00e3o.\n\nA trag\u00e9dia francesa, depois de Racine, petrifica-se em f\u00f3rmulas vazias; em v\u00e3o Cr\u00e9billon (1674-1762) tentaria revivific\u00e1-la pela introdu\u00e7\u00e3o de horrores f\u00edsicos \u00e0 maneira de S\u00eaneca. Na com\u00e9dia Regnard (1655-1709) n\u00e3o chegou al\u00e9m de farsas alegres; Dancourt (1661-1725) e o romancista Le Sage, em Turcaret, cultivavam a s\u00e1tira, j\u00e1 n\u00e3o contra determinados tipos psicol\u00f3gicos, mas contra classes da sociedade. No entanto, a decad\u00eancia do teatro cl\u00e1ssico franc\u00eas foi retardada pelo g\u00eanio de Marivaux e pela habilidade de Voltaire. Racine, o tr\u00e1gico, n\u00e3o tinha cultivado muito talento pela comicidade (Les Plaideurs); Moli\u00e8re, o c\u00f4mico, foi pela rigidez das regras impedido de cultivar a trag\u00e9dia (Le Misanthofe). Mas Marivaux introduziu na fina com\u00e9dia de costumes a psicologia er\u00f3tica de Racine e criou um novo g\u00eanero. Voltaire estendeu as fronteiras do estilo tr\u00e1gico franc\u00eas pela escolha dos enredos orientais e medievais, pela maior preocupa\u00e7\u00e3o com detalhes arqueol\u00f3gicos e geogr\u00e1ficos, e pela tend\u00eancia filos\u00f3fico-pol\u00edtica; o que lhe falta \u00e9 a verdadeira tragicidade.\n\n<strong>A tend\u00eancia revolucion\u00e1ria infiltrou-se, enfim, tamb\u00e9m na com\u00e9dia<\/strong>: a de Beaumarchais contribuiu para a queda de Ancien R\u00e9gime; o teatro cl\u00e1ssico n\u00e3o sobreviveu \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o Francesa.\n\n<strong>O Novo Classicismo Alem\u00e3o<\/strong>\n\nO grande cr\u00edtico Lessing (1729-1781) acabou com a imita\u00e7\u00e3o do classicismo franc\u00eas na Alemanha, apontando, embora com cautelas, o exemplo de Shakespeare. Mas nas suas pr\u00f3prias pe\u00e7as, modelos de t\u00e9cnica dramat\u00fargica, ainda n\u00e3o desprezou a maneira francesa. A influ\u00eancia avassaladora de Shakespeare j\u00e1 se faz sentir nas obras de mocidade de Goethe, que mais tarde se converteu a um classicismo sui generis, greco-alem\u00e3o. O Fausto \u00e9 o coroamento desta fase final da vida art\u00edstica do grande poeta alem\u00e3o. Embora s\u00f3 tenha sido contemplado na velhice, este poema dram\u00e1tico acompanhou Goethe desde sua juventude e foi o reposit\u00f3rio das mais variadas experi\u00eancias de sua vida, tendo sido chamado a &#8220;divina com\u00e9dia&#8221; do humanismo do s\u00e9culo XVIII. Em virtude de sua complexidade \u00e9 pouco representada fora da Alemanha.\n\nO compromisso entre o classicismo e elementos shakespearianos define a arte de Schiller, que passa por ser o maior dramaturgo alem\u00e3o, embora os realistas e os anti-ret\u00f3ricos de todos os tempos sempre o tenham contestado.\n\n<strong>Entre os ep\u00edgonos desses dois grandes s\u00f3 um alcan\u00e7ou import\u00e2ncia quase igual<\/strong>: Grillparzer (1791-1872), o dramaturgo nacional da \u00c1ustria, fortemente influenciado pelos espanh\u00f3is. Como rom\u00e2ntico, costumava ser classificado o prussiano Heinrch von Kleist; mas s\u00f3 o \u00e9 em aspectos secund\u00e1rios; \u00e9 um caso inteiramente \u00e0 parte e provavelmente o maior g\u00eanio tr\u00e1gico da literatura alem\u00e3 (O Pr\u00edncipe de Homburg).\n\nA verdade \u00e9 que o Romantismo alem\u00e3o produziu numerosas pe\u00e7as dialogadas de grande interesse liter\u00e1rio, mas nenhum drama capaz de viver no palco.\n\nP\u00f3s-rom\u00e2nticos e pr\u00e9-realistas s\u00e3o dois outros autores, infelizes na vida e cuja fama p\u00f3stuma passou por modifica\u00e7\u00f5es inversas. Antigamente, Grabbe (1801-1836) era elogiado como autor de trag\u00e9dias hist\u00f3rico-filos\u00f3ficas e de uma com\u00e9dia sat\u00edrica, ao passo que Georg B\u00fcchner (1813-1837) era menos conhecido que seu irm\u00e3o, o fil\u00f3sofo materialista Louis B\u00fcchner. Hoje, Grabbe n\u00e3o passa de uma curiosidade liter\u00e1ria. Mas B\u00fcchner, o autor de Woyzek, A Mostre de Danton e da com\u00e9dia Leonce e Lena, \u00e9 considerado como g\u00eanio extraordin\u00e1rio, desaparecido antes do tempo, precursor do Expressionismo.\n\n<strong>Os verdadeiros representantes do Romantismo no teatro alem\u00e3o s\u00e3o os grandes atores da \u00e9poca entre 1780 a 1840<\/strong>: Schr\u00f6der, que introduziu as obras de Shakespeare nos palcos de Hamburgo de Viena; Iffland, Esslair, Ansch\u00fctz, que fizeram os pap\u00e9is her\u00f3icos de Shakespeare e Schiller; Ludwing Devrient e Seydelmann, os demon\u00edacos representantes de pap\u00e9is como Ricardo III e Shylock.\n\n<strong>O Expressionismo na Europa<\/strong>\n\nO <strong>Teatro expressionista<\/strong> \u00e9 polemicamente antiibseniano, porque quer ser anti-realista; dispensa a imita\u00e7\u00e3o da fala coloquial e dos ambientes familiares no palco; fala em estilo po\u00e9tico ou declamat\u00f3rio e prefere cen\u00e1rios fant\u00e1sticos, que j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o mero fundo da a\u00e7\u00e3o teatral, mas participam dela como se fossem personagens mudos.\n\n<strong>Tudo isso n\u00e3o esta, por\u00e9m, a servi\u00e7o de um teatro po\u00e9tico, mas de propaganda de id\u00e9ias<\/strong>: em vez do individualismo quase anarquista de Ibsen, o Socialismo e o Comunismo; em vez do ceptismo ibseniano, uma religiosidade livre, mas esperan\u00e7osa; em vez do feminismo de Ibsen, a luta dos sexos e das gera\u00e7\u00f5es, o homem defendendo-se das mulheres e os filhos em revolta contra os pais, atitudes apoiadas em teorias psicanal\u00edticas. \u00c9 um teatro revolucion\u00e1rio e, ao memso tempo, fant\u00e1stico.\n\nO criador do teatro expressionista \u00e9 o sueco Strindberg, que depois de uma fase de naturalismo extremado caiu no extremo oposto, de teatro simb\u00f3lico-religioso.\n\nSua influ\u00eancia, pouco sens\u00edvel na Fran\u00e7a e na Inglaterra, foi grande na R\u00fassia e nos E.U.A., mas sobretudo na Alemanha. Ali j\u00e1 tinha, independente do sueco, o ator Wedekind criado um teatro pr\u00e9-expressionista, com a luta dos sexos como tema principal e com a caracter\u00edstica interpreta\u00e7\u00e3o fant\u00e1stica de ambientes aparentemente reais. Depois de 1918, o Expressionismo conquistou o teatro alem\u00e3o. Suas figuras principais s\u00e3o Georg Kaiser (1878-1945), de inesgot\u00e1vel for\u00e7a inventiva, mestre de sutil constru\u00e7\u00e3o dial\u00e9tica, e o revolucion\u00e1rio Ernest Toller (1893-1939); Sorge (1892-1916), v\u00edtima da guerra, escreveu duas pe\u00e7as religiosa \u00e0 maneira do \u00faltimo Strindberg. Unrush (n.1885) e Hasenclever (1890-1941) atacaram a velha gera\u00e7\u00e3o e o militarismo. J\u00e1 \u00e9 p\u00f3s-expressionista Zuckmayer (n.1896), de um alegre radicalismo pol\u00edtico. Na Dinamarca, Kaj Munk (1898-1944) combinou pietismo religioso e veemente tend\u00eancia anti-racista e antiditatorial.\n\n<strong>Um centro do Expressionismo fant\u00e1stico no teatro \u00e9 a B\u00e9lgica<\/strong>: Ghelderode (n.1898) em l\u00edngua francesa; Herning Hensen (n.1917) em l\u00edngua flamenga. Na Irlanda, onde Lady Gregory tinha fundado o Abbey Theatre de Dublin como centro de cultura dram\u00e1tica nacional, o grande representante do Expressionismo \u00e9 O&#8217;Casey (n.1884).\n\n<strong>O Expressionismo nos E.U.A<\/strong>\n\nAo Expressionismo se deve a renascen\u00e7a do teatro nos E.U.A. Durante o s\u00e9culo XIX s\u00f3 houve (como na Inglaterra vitoriana) pe\u00e7as po\u00e9ticas para a leitura; os palcos estavam, ainda no come\u00e7o deste s\u00e9culo, dominaodos por homens como Belasco e outros autores de dramalh\u00f5es populares. A salva\u00e7\u00e3o veio dos amadores, que se transformaram, ali\u00e1s, com o sucesso, em atores profissionais. Assim os Provincetown Players, em cujo primeiro caderno program\u00e1tico O&#8217;Neill declarou sua d\u00edvida para com Strindberg e Wedekind. Foi o primeiro grande dramaturgo norte-americano, o maior e &#8211; conforme a opini\u00e3o de muitos cr\u00edticos &#8211; j\u00e1 quase o \u00faltimo, pois seus sucessores n\u00e3o lhe alcan\u00e7aram a estatura nem sequer a fecundidade. Clifford Odets (n.1906) s\u00f3 tinha sucesso enquanto cultivava, no palco, a propaganda pol\u00edtica.\n\nMaxwell Anderson (n.1888) e Elemer Rice (n.1892) n\u00e3o cumpriram a promessa das primeiras obras. Arthur Miller \u00e9 um intelectual, em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 mass culture e suas consequ\u00eancias pol\u00edticas e sociais. Tennessee Willians pertence ao movimento liter\u00e1rio do sul dos E.U.A., com fortes interesses psicol\u00f3gicos e psicopatol\u00f3gicos. Os teatros da Broadway voltaram a ser dominados pela produ\u00e7\u00e3o comercial, \u00e0s vezes com verniz liter\u00e1rio (S. Behrman, Lillian Hellman, George S. Kaufman). S\u00f3 Thornton Wilder mant\u00e9m o alto padr\u00e3o liter\u00e1rio do seu estilo expressionista, que uma cr\u00edtica mal informada dessas origens costuma confundir com Surrealismo. Entre as muitas ramifica\u00e7\u00f5es do teatro expressionista ainda merece men\u00e7\u00e3o um original autor em l\u00edngua i\u00eddiche, S. Anski (1863-1920), cujo drama m\u00edstico O Dibuk foi represnetado em muitas l\u00ednguas.\n\n<strong>O Teatro Po\u00e9tico<\/strong>\n\nNos pa\u00edses e literaturas em que o Expressionismo s\u00f3 tarde entrou, a primeira rea\u00e7\u00e3o contra Realismo e Naturalismo foi o teatro po\u00e9tico.\n\n<strong>S\u00f3 com reserva merece esse nome o teatro de Rostand (1869-1918)<\/strong>: &#8220;Cyrano de Bergerac&#8221; foi um fogo de artif\u00edcio verbal e um caso isolado. Em geral, vale o mesmo para as pe\u00e7as de D&#8217;Annunzio, com exce\u00e7\u00e3o para &#8220;Figlia di Jorio&#8221;, obra nutrida de ra\u00edzes folcl\u00f3ricas, como ser\u00e3o mais tarde as de Garcia Lorca. A tend\u00eancia principal do Anti-Realismo foi a poesia simbolista, e entre os grandes poetas simbolistas, v\u00e1rios escreveram pe\u00e7as de fundo fant\u00e1stico ou lend\u00e1rio, levando para o palco a poesia das sugest\u00f5es sutis e das &#8220;brumas n\u00f3rdicas&#8221;. O primeiro foi Maeterlinch, que o entusiasmo de Mirabeau chamou de &#8220;Shakespeare Flamengo&#8221;; mais tarde, voltou, em Monna Vanna, para o teatro dos fortes efeitos no palco.\n\n<strong>Suas pe\u00e7as simbolistas foram imitadas em toda a parte<\/strong>: ocasionalmente por Hauptmann e Strindberg; na Irlanda, pelo grande poeta Yeats (1865-1939); mas o maior dramaturgo do Abbey Theatre de Dublin foi Synge (1871-1909), que sabia reunir as cores folcl\u00f3ricas da terra, a poesia do enredo inventado e o esp\u00edrito mordaz de sua ra\u00e7a, como em &#8220;The Playboy of the Western World&#8221; (O Prod\u00edgio do mundo ocidental). Na R\u00fassia, s\u00e3o maeterlinckianas as pe\u00e7as simb\u00f3licas do grande poeta Block (1880-1921).\n\nUma grande gera\u00e7\u00e3o do teatro po\u00e9tico inicia-se com Claudel, que de in\u00edcio enquadrou nas suas pe\u00e7as a defesa da religiosidade cat\u00f3lica; em &#8220;Le Soulier de Satin&#8221; (O Sapato de Cetim), recriou forma e esp\u00edrito do teatro barroco. Enquanto isso, Montherlant tentou revivificar a forma e o esp\u00edrito cl\u00e1ssico franc\u00eas, inclusive, em Port-Royal, a atmosfera religiosa do Jansenismo. Tamb\u00e9m de base religiosa, na Inglaterra, o teatro de T.S.\n\n<strong>Eliot muito contribuiu para a renascen\u00e7a do teatro elizabetano; mas em suas pr\u00f3prias pe\u00e7as tentou criar uma atmosfera lit\u00fargica<\/strong>: &#8220;Murder in the Cathedral&#8221; (Assassinato na Catedral); ou ent\u00e3o insuflar esp\u00edrito religioso \u00e0 com\u00e9dia de sociedade, como em &#8220;The Family Reunion&#8221; (A Reuni\u00e3o de Fam\u00edlia). O mais aut\u00eantico teatro po\u00e9tico do s\u00e9culo talvez seja o espanhol Garcia Lorca, de tragicidade sombria e forte seiva folcl\u00f3rica. Outro caminho para a supera\u00e7\u00e3o do realismo teatral foi aberto pelo m\u00e9todo de conferir novo sentido, superior, \u00e0s coisas da pr\u00f3pria realidade cotidiana. Ibsen tinha tentado esse caminho em suas \u00faltimas pe\u00e7as, simb\u00f3licas. Ibseniano nesse sentido foi o italiano Ugo Betti (1892-1953), que manteve a tend\u00eancia ibseniana de cr\u00edtica social.\n\n<strong>Mas o maior representante de um &#8220;realismo po\u00e9tico&#8221; foi o russo Tchekhov<\/strong>: teatro de atmosfera, de sugest\u00f5es, de estilo coloquial e no entanto po\u00e9tico, sempre con sordina e aus\u00eancia de a\u00e7\u00e3o espetacular. Esse teatro real\u00edstico-po\u00e9tico causou funda impress\u00e3o no mundo inteiro e \u00e9 dos mais representados; ms n\u00e3o h\u00e1 quase dramaturgos que tenham tido a coragem de imitar esse estilo, intensamente pessoal.\n\n<strong>Origem do Teatro<\/strong>\n\n\u00c9 comum ouvirmos dizer que o teatro come\u00e7ou na Gr\u00e9cia, h\u00e1 muitos s\u00e9culos atr\u00e1s. No entanto, existem outros exemplos de manifesta\u00e7\u00f5es teatrais anteriores aos gregos. Por exemplo, na China antiga, o budismo usava o teatro como forma de express\u00e3o religiosa. No Egito, um grande espet\u00e1culo popular contava a hist\u00f3ria da ressurrei\u00e7\u00e3o de Os\u00edris e da morte de H\u00f3rus. Na \u00cdndia, se acredita que o teatro tenha surgido com Brama. E nos tempos pr\u00e9-hel\u00eanicos, os cretenses homenageavam seus deuses em teatros, provavelmente constru\u00eddos no s\u00e9culo dezenove antes de Cristo. \u00c9 f\u00e1cil perceber atrav\u00e9s destes poucos exemplos, uma origem religiosa para as manifesta\u00e7\u00f5es teatrais.\n\nFonte: www.milvezesteatro.hpg.com.br\n<h6>Teatro Expressionista<\/h6>\n<h4>O que \u00e9<\/h4>\nA palavra teatro tem sua origem no termo grego theatron, que deriva do verbo ver, Theaomai, e do substantivo vista, Thea, no sentido de panorama. Assim theatron \u00e9 o &#8216;lugar aonde se vai para ver&#8217;2, logo a concep\u00e7\u00e3o do teatro \u00e9 visual, e n\u00e3o somente auditiva, como se poderia supor, por causa do texto.\n\n<strong>Multi deriva do latim multus e um elemento de composi\u00e7\u00e3o e significa muito, numeroso; linguagem \u00e9 um meio de express\u00e3o e de comunica\u00e7\u00e3o entre os seres atrav\u00e9s de um vocabul\u00e1rio espec\u00edfico, nas linguagens art\u00edsticas temos as especificidades<\/strong>: teatro, m\u00fasica, dan\u00e7a e artes visuais. Por\u00e9m, teatro \u00e9 multilinguagem em sua g\u00eanese, pois as outras linguagens art\u00edsticas, a m\u00fasica, a dan\u00e7a e as artes visuais sempre fizeram e podem fazer parte de sua composi\u00e7\u00e3o, dessa forma, s\u00e3o usadas v\u00e1rias linguagens para compor e configurar o teatro como uma atividade espetacular organizada para os olhos dos espectadores verem, causando rea\u00e7\u00f5es, provoca\u00e7\u00f5es e como\u00e7\u00f5es nas pessoas que assistem e que o praticam.\n\n<strong>No entanto, algumas formas teatrais contemplam mais ou menos a multilinguagem, o recorte que faremos nesta confer\u00eancia s\u00e3o as correntes de teatro da Idade Contempor\u00e2nea (1789), surgidas no per\u00edodo p\u00f3s-realismo\/naturalismo<\/strong>: EXPRESSIONISMO, FUTURISMO, DADAISMO, SURREALISMO e finalmente nos debru\u00e7aremos sobre o teatro multilinguagem feito em Macei\u00f3: as instaura\u00e7\u00f5es c\u00eanicas e as performances, enfocando as pesquisas realizadas pelo NACE- N\u00facleo Transdisciplinar de Pesquisa em Artes C\u00eanicas e Espetaculares\/UFAL (www.chla.ufal.br\/artes\/nace\/), pelo grupo Saud\u00e1veis Subversivos (www.saudaveissubversivos.com.br), Grupo Infinito Enquanto Truque e Cia Sentidos TeatroDan\u00e7aM\u00fasicaArtesVisuais.\n\nNa corrente denominada EXPRESSIONISMO (fins do s\u00e9culo XIX e come\u00e7os do XX), a atua\u00e7\u00e3o explorava a deforma\u00e7\u00e3o ou exagero das figuras, buscava-se a express\u00e3o dos sentimentos e emo\u00e7\u00f5es do autor. Este movimento surgiu como rea\u00e7\u00e3o aos modelos dominantes nas artes europ\u00e9ias desde o Renascimento, particularmente nas academias de Belas-Artes. O artista expressionista exagerava a experi\u00eancia emocional.\n\nEmbora o termo <strong>EXPRESSIONISMO<\/strong> n\u00e3o se aplicasse \u00e0 pintura antes de 19114, suas caracter\u00edsticas se encontram nas cria\u00e7\u00f5es de quase todos os pa\u00edses e per\u00edodos. Parte da arte chinesa e japonesa d\u00e1 mais import\u00e2ncia \u00e0 ess\u00eancia do que \u00e0 apar\u00eancia f\u00edsica. Os grandes nomes da Europa medieval exaltavam suas figuras nas igrejas rom\u00e2nicas e g\u00f3ticas, objetivando aumentar a carga espiritual de suas cria\u00e7\u00f5es. A intensidade expressiva, criada pela distor\u00e7\u00e3o, aparece tamb\u00e9m no s\u00e9culo XVI nas obras de artistas maneiristas, como o pintor espanhol El Greco e o alem\u00e3o Matthias Gr\u00fcnewald. Os aut\u00eanticos precursores do expressionismo vanguardista apareceram no final do s\u00e9culo XIX e come\u00e7o do XX. Entre eles destacam-se o pintor holand\u00eas Vincent van Gogh, o franc\u00eas Paul Gauguin e o noruegu\u00eas Edvard Munch, que utilizavam cores violentas e linhas fortes para aumentar a intensidade de seus trabalhos. Em 1909, inaugurando o teatro expressionista, o pintor Oskar Kokoschka montou sua pe\u00e7a M\u00f6rder, Hoffnung der Frauen (&#8220;Assassino, Esperan\u00e7a das Mulheres&#8221;) no Wiener Kunstschau, provocando violento tumulto; era o primeiro texto teatral a distorcer radicalmente a linguagem tal como os artistas pl\u00e1sticos distorciam as formas e reinventavam as cores, com omiss\u00e3o de trechos de senten\u00e7as e embaralhamento arbitr\u00e1rio da ordem das palavras. Logo os novos poetas passaram a evocar imagens sinistras, entre gemidos lancinantes e exclama\u00e7\u00f5es sincopadas.\n\nNo Brasil nas artes visuais destacam-se Antonio Garcia Bento, Benedito Calixto de Jesus, Lasar Segal, pintor da dor e sofrimento humanos, e Anita Malfatti, que modernizou a pintura brasileira com temas nacionalistas, como O Tropical, de 1916.\n\nEssa corrente expressionista vai desaguar na semana de Arte Moderna de fevereiro de 1922, cujo movimento teatral \u00e9 bastante fraco e esteve representado por experimentos do arquiteto Fl\u00e1vio Carvalho (Amparo da Barra Mansa RJ 1899 &#8211; Valinhos SP 1973), com a pe\u00e7a \u0093O Bailado do Deus Morto\u0094. O texto \u0093O Rei da Vela\u0094 escrito em 1929, por Oswald de Andrade, um dos organizadores da \u0093Semana\u0094, s\u00f3 foi encenada em 1967, por Jos\u00e9 Celso Martinez Correa.\n\nNo teatro o EXPRESSIONISMO rejeita o NATURALISMO e afirma a supremacia da alma, surge nas obras por volta de 1907; vai ter sua explos\u00e3o na encena\u00e7\u00e3o ap\u00f3s a Primeira Guerra Mundial (1914 a 1918). Rejeitam-se as leis do antigo teatro, acontece uma recusa \u00e0 verossimilhan\u00e7a, n\u00e3o existe mais continuidade nem progress\u00e3o na a\u00e7\u00e3o.\n\n<strong>Na atua\u00e7\u00e3o naturalista, baseada na psicologia se dissecava o ser humano de maneira anat\u00f4mica e na atua\u00e7\u00e3o expressionista busca-se mostrar a ess\u00eancia humana<\/strong>: o esp\u00edrito, a alma. Assim a humanidade deve ser revelada em seu aspecto mais elevado, no estado original e puro, est\u00e1tico. Acontece uma volta as origens ditas \u0093primitivas\u0094, com a express\u00e3o forte de sentimentos violentos, dom\u00ednio do esp\u00edrito sobre a mat\u00e9ria, transe est\u00e1tico. Os autores expressionistas sonham com um ator novo, um espectador novo e deixam a cargo do encenador a realiza\u00e7\u00e3o da montagem. O \u00eaxtase e o transe est\u00e1tico n\u00e3o s\u00e3o dados muito claros, esse transe volta \u00e0s fontes religiosas ditas primitivas, controlado em cena, mas nenhum te\u00f3rico do teatro explicava, como o ator conseguia obte-lo, bem mais tarde, na d\u00e9cada de trinta, Antonin Artaud, em seu livro \u0093O Teatro e Seu Duplo\u0094 aponta caminhos. Transe est\u00e1tico e paroxismo5 s\u00e3o estados atingidos a partir de um sentimento fortemente experimentado. Segundo o diretor Richard Weichert, o ator representa o papel, n\u00e3o o revive. Segundo o ator Paul Korn, na atua\u00e7\u00e3o \u00e9 preciso dar a entender como algu\u00e9m morre naquela determinada situa\u00e7\u00e3o e n\u00e3o mostrar como morre. Nos dramas de epis\u00f3dios curtos do expressionismo, o ator n\u00e3o tem tempo de experimentar verdadeiramente os tormentos de sua personagem.\n\n<strong>O ator constr\u00f3i uma sucess\u00e3o artificial de momentos<\/strong>: fabrica uma entona\u00e7\u00e3o, uma postura e d\u00e1 a entender ao inv\u00e9s de mostrar. Passa bruscamente de um tom de voz a outro, de uma postura contorcida em um sentido a uma postura contorcida em outro sentido; como o pintor expressionista o ator desempenhando seu papel, recomp\u00f5e artificialmente as linhas. O que o impede de cair na caricatura \u00e9 o seu t\u00f4nus que sustenta constantemente o jogo e a espiritualidade, no\u00e7\u00e3o bastante imprecisa, mas que deve levar o ator acima da vulgaridade. N\u00e3o h\u00e1 declamat\u00f3ria exterior, mas a atua\u00e7\u00e3o imanta o p\u00fablico. Na afirma\u00e7\u00e3o do cr\u00edtico Karl Heinz Martin, possu\u00eddo por uma for\u00e7a que emana do mais profundo de seu ser, o ator desencadeia uma s\u00e9rie de como\u00e7\u00f5es. N\u00e3o se trata de desenhar o papel, de se disfar\u00e7ar em uma personagem, mas de viver a aventura da pe\u00e7a. Deve ser teatral, n\u00e3o temer o exagero e a deforma\u00e7\u00e3o, a caricatura, o grotesco. Em vez de desenvolver a complexidade de um personagem, isola um tra\u00e7o dela, sublinha-o. Disp\u00f5e da voz e do gesto para agir sobre os sentidos do espectador, procede por descargas sonoras visuais, desvendando a alma atrav\u00e9s do corpo. A palavra \u00e9 ritmicamente equilibrada e nitidamente articulada.Uma imagem que pode revelar a atua\u00e7\u00e3o do ator expressionista \u00e9 o metal em fus\u00e3o, o a\u00e7o sendo temperado. O teatro expressionista se ret\u00e9m na presen\u00e7a f\u00edsica do ator, a a\u00e7\u00e3o f\u00edsica, assim o drama come\u00e7a a se afastar da palavra. \u00c0s vezes surgem di\u00e1logos inseridos sem nenhuma ordem l\u00f3gica ou cronol\u00f3gica.\n\nMas al\u00e9m do sil\u00eancio, da pausa, se usa poesia e prosa. Mais se mostra do que se explica, come\u00e7a o triunfo da imagem no palco. Pode-se dizer que a\u00ed est\u00e1 o precursor do atual Teatro F\u00edsico6.\n\nPara o te\u00f3rico F\u00e9lix Emmel, a atua\u00e7\u00e3o n\u00e3o deve justapor express\u00e3o vocal e express\u00e3o gestual, mas o ator deve faze-las brotar da mesma fonte, do mesmo ritmo, para atingir a unidade palavra-gesto. \u00c9 preciso falar com o corpo e mover-se com as palavras.\n\nO ator precisa estar, de tal maneira, enfeiti\u00e7ado pela forma po\u00e9tica que deve exprimir-se corporalmente de uma forma est\u00e1tica, como ela. Rompendo com os gestos cotidianos o ator expressionista seleciona gestos isolados que sucedem sem transi\u00e7\u00e3o, muito marcados, beirando a caricatura, entrecortados como as vezes o \u00e9 a dic\u00e7\u00e3o, ou ainda s\u00e3o apenas sugeridos, estando incompletamente acabados, como no Teatro N\u00f4.\n\nPor exemplo, na montagem de Ricardo II de Leopold Jessner a faca no assassinato n\u00e3o toca a v\u00edtima.\n\nOs gestos s\u00e3o t\u00e3o estilizados que se aproximam da dan\u00e7a. Kurt Joos, bailarino e core\u00f3grafo, em 1927, em sua escola em Essen, fez com que seus alunos estudassem m\u00fasica, dan\u00e7a e teatro, pois para ele m\u00fasica, movimento e palavras v\u00eam da mesma fonte.\n\nO ator deve ter um corpo flex\u00edvel, desarticulado. Ernest Deutsch pratica a altern\u00e2ncia tens\u00e3o-descontra\u00e7\u00e3o. O corpo parece estar dividido em zonas de tens\u00e3o que se revelam progressivamente. As m\u00e3os s\u00e3o crispadas ou projetadas no ar. Os gestos cortam o espa\u00e7o. O coro comenta a pe\u00e7a plasticamente, numa coreografia reduzida a batidas de p\u00e9s no lugar, tremores, crispa\u00e7\u00f5es, proje\u00e7\u00f5es de cabe\u00e7a ou de bra\u00e7os.\n\nNa obra de Vakhtangov se encontra o expressionismo. Ele trabalhou com atores judeus, que falavam hebraico e Vakhtangov ignorando esta l\u00edngua os fez desenvolverem a express\u00e3o corporal, a dan\u00e7a, esses atores eram treinados para passarem facilmente do riso \u00e0s l\u00e1grimas, tinham tra\u00e7os extremamente m\u00f3veis e m\u00e3os falantes. O cr\u00edtico alem\u00e3o Bernard Debold quando assistiu a encena\u00e7\u00e3o de \u0093O Dibuk\u0094 percebeu o expressionismo no jogo interpretativo, com gritos guturais, guinchos, salmodiar doloroso, musicalidade e uma interpreta\u00e7\u00e3o gestual com balan\u00e7o de cabe\u00e7a e pernas, torso lan\u00e7ado para tr\u00e1s e\/ou com as costas arqueadas, gestos largos e intensificados. Havia uma dan\u00e7a dos mendigos que chamou a aten\u00e7\u00e3o de todos os cr\u00edticos por sua for\u00e7a encantat\u00f3ria, um bal\u00e9 grotesco, macabro, com bra\u00e7os que se agitavam como morcegos.\n\nNas correntes de teatro FUTURISTA, DADA\u00cdSTA e SURREALISTA, o ator deve se desdobrar para mostrar a contradi\u00e7\u00e3o de seus atos e pensamentos, por exemplo em \u0093Vi\u00fava Negra e a Vi\u00fava Laranja\u0094 em Larountalla (1917-1918). O ator n\u00e3o est\u00e1 mais \u00e0s voltas com um texto dialogado a ser dito, est\u00e1 ele englobado num grande todo simult\u00e2neo composto por multilinguagem, em meio a proje\u00e7\u00f5es cinematogr\u00e1ficas, canto, acrobacia, destinados a comunicar aos espectadores uma vida intensa e inebriante, que vai ao encontro do que acontece no mundo, as descobertas cient\u00edficas, o avan\u00e7o da tecnologia e da comunica\u00e7\u00e3o imediata entre os povos, a dilui\u00e7\u00e3o das fronteiras. O ator torna-se coletivo, em Larountalla, o coro \u00e9 representado por v\u00e1rios atores encerrados em uma \u00fanica veste, com uma manga em cada extremidade e com tantas aberturas quantas cabe\u00e7as. O ator perde sua silhueta, \u00e9 deformado pelo figurino.\n\n<strong>Os atores do teatro de variedades e do circo t\u00eam a seguinte orienta\u00e7\u00e3o para suas atua\u00e7\u00f5es<\/strong>: devem saber sustentar a cena sozinhos, atuar de maneira econ\u00f4mica e despojada, sendo preciso, ter senso de improvisa\u00e7\u00e3o, de r\u00e9plica, saber segurar o imprevisto, saber contracenar com o p\u00fablico, ter senso de ritmo, do efeito que utiliza e sentido do c\u00f4mico, saber mudar rapidamente de roupa e de maquiagem e de personalidade, saber cantar, dan\u00e7ar, tocar instrumentos, configurando-se como um ator que faz teatro multilinguagem.\n\nOs FUTURISTAS (1909-1930) percebem a for\u00e7a da s\u00edntese e fazem uso da velocidade, perceberam a necessidade de participa\u00e7\u00e3o do p\u00fablico envolvendo-os em seus espet\u00e1culos, antes dos happenings da d\u00e9cada de 60. Maiakovski, Artaud, Ionesco e Beckett expressam id\u00e9ias lan\u00e7adas pelos futuristas. De acordo com C. Tisdall, o futurismo tinha por objetivo a inova\u00e7\u00e3o constante e nessa constante inova\u00e7\u00e3o reside a sua for\u00e7a, mas tamb\u00e9m a sua fraqueza. A liberdade absoluta de cria\u00e7\u00e3o a qual se propunham, fazia com que a cada nova descoberta outras se lhe seguissem, ficando quase tudo em estado embrion\u00e1rio, sem um desenvolvimento e aprofundamento, nas id\u00e9ias lan\u00e7adas para o teatro.\n\nEm 1909, Marinetti lan\u00e7a seu \u0093Primeiro Manifesto Futurista\u0094. Seus objetivos eram \u00e0 busca do novo e a transforma\u00e7\u00e3o da humanidade, sendo para isso necess\u00e1rio criar pol\u00eamica, anarquia, viol\u00eancia. Marinetti propunha que se fizessem guerras com o p\u00fablico atrav\u00e9s do teatro, e tudo deveria ser experimentado. Outros manifestos se seguiram e foram lan\u00e7ados atrav\u00e9s de propaganda escandalosa que pretendia atingir todas as camadas sociais. Aconteceu a famosa \u0093Noite Futurista\u0094, onde apresentaram pe\u00e7as teatrais. A proposta do Futurismo para o teatro era a de um \u0093teatro sint\u00e9tico\u0094, pleno de s\u00edmbolos, muitas id\u00e9ias sobrepostas, com poucas palavras, um teatro no qual se evitava o discurso racional e a l\u00f3gica. Um espet\u00e1culo assim deveria ser composto de v\u00e1rias cenas e temas, como a pr\u00f3pria vida que nos chega atrav\u00e9s de fatos combinados, encaixados, confusos, fragmentados, em pequenos eventos que s\u00e3o somados no nosso dia a dia. Essas cenas deveriam ser improvisadas, o ator deveria usar a intui\u00e7\u00e3o como medida de suas experimenta\u00e7\u00f5es cont\u00ednuas e jamais deveria usar um processo racional para atuar. A principal encena\u00e7\u00e3o que representa este movimento \u00e9 de Marinetti, intitula-se \u0093Bonecas El\u00e9tricas\u0094, onde foram usados bonecos como s\u00edmbolos, n\u00e3o como num teatro de bonecos, onde estes s\u00e3o protagonistas animados do espet\u00e1culo, mas como s\u00edmbolos.\n\nEm 1914, Marinetti apresentou \u0093Zang Tumb Tuung\u0094, com uma escrita din\u00e2mica, que podemos considerar o precursor do happening. Nesta pe\u00e7a, Marinetti descreve a vida manifestada no animal, vegetal e mineral. Deixou-nos tamb\u00e9m o drama de objetos; \u0093Vengono\u0094 \u00e9 um deles, cadeiras e mesas eram colocadas no palco como s\u00edmbolos. A atua\u00e7\u00e3o se reduz a partes do corpo do ator, por exemplo na encena\u00e7\u00e3o \u0093As Bases\u0094 de Marinetti, h\u00e1 uma sugest\u00e3o da figura humana representada apenas pelas pernas dos atores que s\u00e3o as \u00fanicas partes vis\u00edveis para os espectadores.\n\nBruno Corra encena \u0093As M\u00e3os\u0094, onde toda atua\u00e7\u00e3o \u00e9 realizada pelas m\u00e3os dos atores aparecendo por tr\u00e1s de uma fina cortina. O teatro futurista coloca a atua\u00e7\u00e3o em segundo plano, existem pe\u00e7as nas quais n\u00e3o h\u00e1 participa\u00e7\u00e3o de nenhum ator, mas apenas luzes, e objetos, como em \u0093Fogos de Artif\u00edcio\u0094, com m\u00fasica de Stravinsky, encenada por Giacommo Balla, que tem dura\u00e7\u00e3o de nove minutos e mostra quarenta e nove seq\u00fc\u00eancias de luz, com formas prism\u00e1ticas de madeira, com v\u00e1rias cores contracenando com tecidos transparentes iluminados por dentro, portanto uma obra multilinguagem.\n<p class=\"imagem\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Teatro Expressionista\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/teatro3.jpg\" alt=\"Teatro Expressionista\" width=\"332\" height=\"236\" \/>\nIndument\u00e1rias futuristas criadas por Giacommo Balla<\/strong><\/p>\nO teatro como express\u00e3o de uma realidade mais interior, come\u00e7ou com o DADA\u00cdSMO e mais tarde com o SURREALISMO chega ao inconsciente. O teatro DADAISTA foi uma forma de express\u00e3o inventada contra um sistema de opress\u00e3o, \u00e9 uma esp\u00e9cie de evas\u00e3o dos sentidos, ligado ao transe, um retorno as formas ditas mais antigas de comunica\u00e7\u00e3o. Os atores usando m\u00e1scaras, liberavam-se como num ritual. As dan\u00e7as e os sons que lhes vinham, ao vesti-las, favoreciam o extravasamento de sensa\u00e7\u00f5es interiores desconhecidas. O Surrealismo traz um desprezo pela l\u00f3gica e prop\u00f5e um sistema de pensamento baseado no irracional, pretende repensar o ser humano e a sociedade, em rela\u00e7\u00e3o ao seu consciente pessoal ou coletivo. O objeto no surrealismo \u00e9 visto pela \u00f3tica de quem v\u00ea. Trata de um mundo al\u00e9m do que a apar\u00eancia mostra, de um mundo invis\u00edvel. A atua\u00e7\u00e3o remonta a antigos rituais. Apollinaire, Ivan Goll e Tristan Tzara foram os principais nomes respons\u00e1veis pelo teatro SURREALISTA, que derivou do movimento DADA\u00cdSTA. O movimento Surrealista foi bem mais expressivo nas Artes Visuais do que no teatro. Por\u00e9m suas influ\u00eancias para o teatro v\u00e3o surgir mais tarde, principalmente na proposta de Antonin Artaud e seu Teatro da Crueldade, que n\u00e3o pode ser considerada como uma corrente de atua\u00e7\u00e3o, mas uma proposta que \u00e9 desenvolvida principalmente a partir do trabalho do Living Theatre, nos EUA e do Teatre du Soleil, na Fran\u00e7a, a partir dos anos 60 e que tem no Brasil como principais representantes Jos\u00e9 Celso Martinez Correa e o Grupo Teatral Oi N\u00f3is Aqui Traveiz, de Porto Alegre e nos te\u00f3ricos Silvia Fernandes, Teixeira Coelho e na minha proposta de metodologia para a forma\u00e7\u00e3o do ator, desenvolvida no doutoramento em Artes C\u00eanicas \/UFBA.\n<p class=\"imagem\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Teatro Expressionista\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/teatro4.jpg\" alt=\"Teatro Expressionista\" width=\"268\" height=\"243\" \/>\nAntonin Artaud em Mathusalem 1927, 7&#8242;, De Jean Painleve. Foto de uma das cinco seq\u00fc\u00eancias filmadas para proje\u00e7\u00f5es originais , na pe\u00e7a de teatro surrealista de Ivan Goll.<\/strong><\/p>\nEm Macei\u00f3, podemos apontar como produtores com enfoque no Teatro Multilinguagem o grupo Saud\u00e1veis Subversivos, as pesquisas desenvolvidas pelo NACE- N\u00facleo Transdisciplinar de Pesquisa em Artes C\u00eanicas e Espetaculares\/UFAL, pela Cia Sentidos TeatroDan\u00e7aM\u00fasicaArtesVisuais e pelo Grupo Infinito Enquanto Truque. Os tr\u00eas primeiros em trabalhos cooperativados j\u00e1 foram para Festivais e Encontros no Exterior7 como representantes do Teatro F\u00edsico e Multilinguagem em Alagoas. Tomo como exemplo a instaura\u00e7\u00e3o c\u00eanica8 criada pelo NACE, intitulada \u0093Em Branco\u0094, que faz parte de uma pesquisa sobre viol\u00eancia e direitos humano. Todos os componentes da cena de \u0093Em Branco\u0094 foram operados na expectativa de compor uma instaura\u00e7\u00e3o c\u00eanica. Instaura\u00e7\u00e3o \u00e9 um termo usado pela curadora Lisette Lagnado9. Segundo ela, \u00e9 um dos conceitos fundamentais para a arte contempor\u00e2nea atual e futura.\n\nPara Lagnado foi o artista pl\u00e1stico Tunga quem promoveu o uso do termo instaura\u00e7\u00e3o, com a obra \u0093Xip\u00f3fagas Capilares\u0094, em 1981, uma obra na qual duas adolescentes se movimentavam unidas por seus cabelos. O conceito, para Lagnado \u00e9 cunhado a partir dos termos performance e instala\u00e7\u00e3o, significando um h\u00edbrido destas categorias.\n\n<strong>A instaura\u00e7\u00e3o traz e guarda dois momentos<\/strong>: um din\u00e2mico e um est\u00e1tico. De acordo com Lagnado, a acep\u00e7\u00e3o de instaura\u00e7\u00e3o supera a caracter\u00edstica ef\u00eamera da performance, a instaura\u00e7\u00e3o deixa res\u00edduos, avan\u00e7ando no sentido de perpetuar a mem\u00f3ria de uma a\u00e7\u00e3o, o que lhe tira o car\u00e1ter de ser somente uma instala\u00e7\u00e3o.\n\nNo caso de \u0093Em Branco\u0094, resta na cena, quando os instauradores saem, um varal com roupas de pessoas que foram assassinadas. Na performance, existe um ambiente montado para determinado acontecimento que pode ser destru\u00eddo durante o decorrer da a\u00e7\u00e3o no ambiente, na instaura\u00e7\u00e3o se constr\u00f3i e deixa-se instaurado um ambiente, com marcas de algo que aconteceu ali. A instaura\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 destru\u00edda no decorrer da a\u00e7\u00e3o, podendo acontecer uma transforma\u00e7\u00e3o do ambiente a partir de uma estrutura ou arcabou\u00e7o estabelecido, havendo inclusive uma constru\u00e7\u00e3o no espa\u00e7o, interferindo na paisagem. Na instaura\u00e7\u00e3o \u0093Em Branco\u0094, ficam tamb\u00e9m, no ch\u00e3o as marcas dos corpos que foram mortos. Por este motivo, optei por utilizar o termo instaura\u00e7\u00e3o seguido pelo termo c\u00eanica, para indicar que naquele local s\u00e3o instauradas a\u00e7\u00f5es c\u00eanicas e a ambienta\u00e7\u00e3o n\u00e3o ser\u00e1 destru\u00edda, mas alterada e constru\u00edda, criando assim o termo e conceito de instaura\u00e7\u00e3o c\u00eanica. Utilizo a no\u00e7\u00e3o de performance para o princ\u00edpio da montagem em um processo criativo, por\u00e9m n\u00e3o denomino a cria\u00e7\u00e3o como performance, porque no meu entendimento, o termo instaura\u00e7\u00e3o \u00e9 mais abrangente e a ultrapassa. A performance serve como catalisador deste processo gerando uma instaura\u00e7\u00e3o c\u00eanica. Cria-se um espa\u00e7o durante a apresenta\u00e7\u00e3o que pode ser observado posteriormente como obra de artes visuais sem estar acontecendo a encena\u00e7\u00e3o, evocando imagens instauradas na mem\u00f3ria dos espectadores, provocando questionamentos. Contemplando, dessa forma, um momento din\u00e2mico e um est\u00e1tico, caracter\u00edstica da instaura\u00e7\u00e3o. Ressalte-se tamb\u00e9m que a palavra instaura\u00e7\u00e3o deriva do latim instaurare que significa estabelecer, formar, fundar.\n\nDurante a instaura\u00e7\u00e3o existe a presen\u00e7a viva de um m\u00fasico, contemplando dessa forma o teatro, a m\u00fasica, as artes visuais, configurando um teatro multilinguagem.\n\n<strong>A Instaura\u00e7\u00e3o <\/strong>\n\nEm Branco \u00e9 uma reflex\u00e3o sobre o mundo p\u00f3s-moderno com tema humanista e \u00e9 um repudio aos assassinatos que acontecem naturalmente pelo mundo inteiro e passam &#8211; Em Branco, trazendo a banaliza\u00e7\u00e3o da morte. A cena \u00e9 uma instaura\u00e7\u00e3o visual-sonora-pl\u00e1stica-c\u00eanica-musical no espa\u00e7o urbano, onde os instauradores trabalham com a\u00e7\u00e3o\/rea\u00e7\u00e3o ao serem atingidos por uma esp\u00e9cie de atiradores de elite imagin\u00e1rios, caindo ao ch\u00e3o e deixando as marcas de uma per\u00edcia policial passageira e a partir da\u00ed criam uma s\u00e9rie de elementos visuais ef\u00eameros, os quais num tempo indeterminado s\u00e3o absorvidos pelo movimento urbano. A instaura\u00e7\u00e3o no seu decurso provoca reflex\u00f5es nas pessoas que vivem a urbanidade. Para finalizar, Teatro Multilinguagem acontece quando o teatro deixa de ser apenas representa\u00e7\u00e3o e n\u00e3o se estabelece mais limites entre os meios de express\u00e3o, como pintura, dan\u00e7a, desenho, escultura, m\u00fasica, artes \u00e1udio-visuais, etc., diluindo-se as fronteiras de todos esses meios de comunicar algo a quem pode ver, al\u00e9m do que est\u00e1 posto, possibilitando o estabelecimento de conex\u00f5es m\u00faltiplas com o que v\u00ea e com fatos do exerc\u00edcio da vida, provocando reflex\u00f5es e poss\u00edveis transforma\u00e7\u00f5es no mundo em que vive.\n\n<strong>Bibliografia<\/strong>\n\nARTAUD, Antonin. O Teatro e Seu Duplo. S\u00e3o Paulo: Max Limonad, 1987.\nAMARAL, Ana Maria. Teatro de Formas Animadas. Ed. Edusp. S\u00e3o Paulo. 1991.\nASLAN, Odette. O Ator no S\u00e9culo XX. Ed Perspectiva. S\u00e3o Paulo. 1994.\nBERTHOLD, Margot. Hist\u00f3ria Mundial do Teatro. S\u00e3o Paulo: Ed. Perspectiva, 2000.\nBORNHEIM, Gerd A. 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