{"id":21546,"date":"2016-01-07T00:00:00","date_gmt":"2016-01-07T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/teatro-de-arena-2\/"},"modified":"2016-01-07T00:00:00","modified_gmt":"2016-01-07T00:00:00","slug":"teatro-de-arena-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-geral\/teatro-de-arena-2\/","title":{"rendered":"Teatro de Arena"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"ads-cima\"><\/p>\n&nbsp;\n<h4>O Teatro de Arena de S\u00e3o Paulo<\/h4>\nA principal caracter\u00edstica do <strong>Teatro de Arena<\/strong>, fundado em S\u00e3o Paulo em 1953, tendo \u00e0 frente Jos\u00e9 Renato &#8211; egresso, como outros, da Escola de Arte Dram\u00e1tica -, foi a de nacionalizar o palco brasileiro, a partir da estr\u00e9ia de Eles N\u00e3o Usam Black-tie, de Gianfrancesco Guarnieri, em 1958.\n\nNo in\u00edcio, o grupo, que foi o primeiro na Am\u00e9rica do Sul a utilizar a cena circular envolvida pelo p\u00fablico, visava sobretudo \u00e0 economia do espet\u00e1culo, adotando as mesmas premissas est\u00e9ticas do Teatro Brasileiro de Com\u00e9dia, com o ecletismo de repert\u00f3rio. Sem a necessidade de cen\u00e1rios, atuando em locais improvisados, o grupo podia abolir muitas despesas.\n\n<strong>Mesmo assim, tendo inaugurado em 1955 a sala da rua Theodoro Bayma, o Arena, em dif\u00edcil situa\u00e7\u00e3o financeira, preferiu fechar as portas com uma pe\u00e7a de um de seus atores, origin\u00e1rio do Teatro Paulista do Estudante, ao qual se uniu para formar-se o Elenco Est\u00e1vel<\/strong>: Gianfrancesco Guarnieri. Black-tie n\u00e3o s\u00f3 se constituiu um grande sucesso de mais de um ano em cartaz, como iniciou a linha de prest\u00edgio da dramaturgia brasileira, continuada por Chapetuba Futebol Clube, de Oduvaldo Vianna Filho, Revolu\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica do Sul, de Augusto Boal, e outros textos, aprovados no Semin\u00e1rio de Dramaturgia que ali se criou.\n\nO Arena, com a colabora\u00e7\u00e3o de Augusto Boal, conhecedor das experi\u00eancias do Actors&#8217;Studio, nos Estados Unidos, empenhou-se tamb\u00e9m na procura de um estilo brasileiro de encena\u00e7\u00e3o e de desempenho. A seguir, promoveu a nacionaliza\u00e7\u00e3o dos cl\u00e1ssicos. Veio depois a fase dos musicais, expressa por Arena Conta Zumbi e Arena Conta Tiradentes, de Guarnieri e Boal. Com o Sistema Curinga, a\u00ed adotado, abrasileirou-se o teatro \u00e9pico de Brecht.\n\nA repress\u00e3o violenta da ditadura, principalmente com o Ato Institucional n\u00ba 5, de 1968, ainda permitiu a Augusto Boal fazer a experi\u00eancia do Teatro Jornal, primeiro passo de seu Teatro do Oprimido, que se desenvolveu no exterior nas formas do Teatro Invis\u00edvel e do Teatro-Foro. Mas seu ex\u00edlio, em 1971, j\u00e1 afastados outros valores do grupo, interrompeu a grande trajet\u00f3ria do Teatro de Arena.\n\n<strong>S\u00e1bato Magaldi<\/strong>\n\nFonte: www.tecsi.fea.usp.br\n<h6>Teatro de Arena<\/h6>\n<p class=\"google\"><\/p>\n\n<h4>Hist\u00f3ria<\/h4>\nFundado nos anos 1950, torna-se o mais ativo disseminador da dramaturgia nacional que domina os palcos nos anos 1960, aglutinando expressivo contingente de artistas comprometidos com o teatro pol\u00edtico e social.\n\nA primeira refer\u00eancia brasileira a um teatro em forma de arena surge numa comunica\u00e7\u00e3o de D\u00e9cio de Almeida Prado, professor da Escola de Arte Dram\u00e1tica &#8211; EAD, em conjunto com seus alunos Geraldo Mateus e Jos\u00e9 Renato no 1\u00ba Congresso Brasileiro de Teatro, realizado no Rio de Janeiro em 1951, destacando o poss\u00edvel barateamento da produ\u00e7\u00e3o teatral. No mesmo ano, essas id\u00e9ias s\u00e3o postas em pr\u00e1tica na montagem de Jos\u00e9 Renato, para O Demorado Adeus, de Tennessee Williams, ainda no \u00e2mbito da EAD.\n\nA funda\u00e7\u00e3o da companhia Teatro de Arena ocorre em 1953, com a estr\u00e9ia, nos sal\u00f5es do Museu de Arte Moderna de S\u00e3o Paulo &#8211; MAM\/SP, de Esta Noite \u00c9 Nossa, de Stafford Dickens. Integram o grupo, entre outros, Jos\u00e9 Renato, Geraldo Mateus, Henrique Becker, Sergio Britto, Renata Blaunstein e Monah Delacy.\n\nAinda em 1953, produz-se um repert\u00f3rio, que inclui O Demorado Adeus, de Tennessee Williams, e Uma Mulher e Tr\u00eas Palha\u00e7os, de Marcel Achard, ambas sob dire\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9 Renato; al\u00e9m de Judas em S\u00e1bado de Aleluia, de Martins Pena, com dire\u00e7\u00e3o de Sergio Britto, em 1954. As apresenta\u00e7\u00f5es ocorrem em clubes, f\u00e1bricas e sal\u00f5es. No final do ano \u00e9 apresentada \u00e0 imprensa a sala, situada na Rua Teodoro Baima, onde ser\u00e1 instalado o Teatro de Arena.\n\nAt\u00e9 1956, o Arena experimenta diferentes g\u00eaneros de textos, visando compor um repert\u00f3rio e encontrar uma est\u00e9tica pr\u00f3pria. Novo patamar \u00e9 alcan\u00e7ado com a fus\u00e3o realizada com o Teatro Paulista dos Estudantes, TPE, e a contrata\u00e7\u00e3o de Augusto Boal para ministrar aulas sobre as id\u00e9ias de Stanislavski ao elenco e encenar Ratos e Homens, de John Steinbeck. Entre os rec\u00e9m- chegados est\u00e3o Gianfrancesco Guarnieri, Oduvaldo Vianna Filho, Milton Gon\u00e7alves, Vera Gertel, Fl\u00e1vio Migliaccio, Floramy Pinheiro, Riva Nimitz. A presen\u00e7a de Augusto Boal, que havia cursado dramaturgia em Nova York e conhecia os escritos de Stanislavski pela via do Actor&#8217;s Studio, conduz o grupo a um posicionamento pol\u00edtico de esquerda. Em 1957, Juno e o Pav\u00e3o, de Sean O&#8217;Casey trata da luta do IRA, na Irlanda.\n\n\u00c0 beira da dissolu\u00e7\u00e3o devido a uma crise financeira e ideol\u00f3gica, o grupo \u00e9 salvo pelo sucesso de Eles N\u00e3o Usam Black-Tie, de Gianfrancesco Guarnieri, com dire\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9 Renato, em 1958. Vislumbrando uma f\u00e9rtil possibilidade aberta pelos textos nacionais, que colocam em cena os problemas que a plat\u00e9ia quer ver retratados no palco, o Arena resolve criar um Semin\u00e1rio de Dramaturgia e laborat\u00f3rios de interpreta\u00e7\u00e3o. Novos textos demandam um novo estilo de interpreta\u00e7\u00e3o, mais pr\u00f3ximo dos padr\u00f5es brasileiros e populares.\n\nEntre 1958 e 1960, o Arena leva \u00e0 cena diversos originais escritos pelos integrantes da companhia, num expressivo movimento de nacionaliza\u00e7\u00e3o do palco, difus\u00e3o dos textos e politiza\u00e7\u00e3o da discuss\u00e3o da realidade nacional. Figuram, entre outros, Chapetuba Futebol Clube, de Oduvaldo Vianna Filho, dire\u00e7\u00e3o de Boal, 1959; Gente Como a Gente, de Roberto Freire, 1959, e Fogo Frio, de Benedito Ruy Barbosa, 1960, ambos dirigidos novamente por Boal; Revolu\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica do Sul, de Boal, dire\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9 Renato, 1960; O Testamento do Cangaceiro, de Francisco de Assis, mais uma dire\u00e7\u00e3o de Boal, 1961.\n\nNa excurs\u00e3o carioca de Eles N\u00e3o Usam Black-Tie, Oduvaldo Vianna Filho e Milton Gon\u00e7alves, desligam-se do Arena e em 1961, participam da cria\u00e7\u00e3o do Centro Popular de Cultura &#8211; CPC, iniciativa de base estudantil e destinada \u00e0 agita\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, ligado \u00e0 Uni\u00e3o Nacional dos Estudantes, UNE.\n\nJos\u00e9 Renato parte para um est\u00e1gio na Fran\u00e7a, no Th\u00e9\u00e2tre National Populaire, companhia de Jean Vilar. Ao retornar ao Brasil, procura por em pr\u00e1tica a no\u00e7\u00e3o de teatro popular, debru\u00e7ando-se sobre cl\u00e1ssicos da dramaturgia com o objetivo de, a partir de enfoques renovados, descobrir um teatro vivo e participativo. Essa fase, conhecida como de nacionaliza\u00e7\u00e3o dos cl\u00e1ssicos, registra encena\u00e7\u00f5es de grande acuidade art\u00edstica, fortemente influenciadas por Bertolt Brecht. Entre outras, s\u00e3o montadas Os Fuzis da Senhora Carrar, de Brecht, dire\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9 Renato, e A Mandr\u00e1gora, de Maquiavel, dirigida por Boal, ambas de 1962. Nesse per\u00edodo, um colaborador constante \u00e9 Fl\u00e1vio Imp\u00e9rio, com not\u00e1veis cria\u00e7\u00f5es de figurinos e cen\u00e1rios.\n\nNomes como Paulo Jos\u00e9, Dina Sfat, Joana Fomm, Juca de Oliveira, Jo\u00e3o Jos\u00e9 Pompeo, Lima Duarte, Myrian Muniz, Isabel Ribeiro, Dina Lisboa, Renato Consorte, entre outros, integram o elenco est\u00e1vel.\n\nJos\u00e9 Renato sai do Arena em 1962, mudando-se para o Rio de Janeiro, para dirigir o Teatro Nacional de Com\u00e9dia &#8211; TNC, onde trabalha para reorganizar essa companhia estatal, nos moldes do Th\u00e9\u00e2tre National Populaire &#8211; TNP. O Arena, a partir de ent\u00e3o, tem entre seus s\u00f3cios Gianfrancesco Guarnieri e Augusto Boal.\n\nEm 1964 est\u00e1 em cartaz O Tartufo, de Moli\u00e8re. A nova realidade que se configura a partir do golpe militar faz a companhia reorientar os planos, assim como repensar o repert\u00f3rio. \u00c9 preciso algo novo, para responder \u00e0 nova situa\u00e7\u00e3o e driblar a censura, que pro\u00edbe a representa\u00e7\u00e3o de pe\u00e7as brasileiras realistas que faziam parte do repertorio da companhia.\n\nA solu\u00e7\u00e3o vem com a cria\u00e7\u00e3o de Arena Conta Zumbi, de Boal e Guarnieri, que, estreando em 1965, marca o surgimento de um novo procedimento c\u00eanico-interpretativo, denominado sistema coringa.\n\n<strong>O tema escolhido \u00e9 grandioso<\/strong>: a saga dos quilombolas no Brasil Col\u00f4nia, momento de aguda resist\u00eancia dos escravos ao dom\u00ednio portugu\u00eas. Fala de uma revolu\u00e7\u00e3o e mostra como \u00e9 poss\u00edvel construir uma outra realidade, mais justa e igualit\u00e1ria. Com o Coringa, todos os atores fazem todos os pap\u00e9is, alternando-os entre si, prescindindo de um aprofundamento psicol\u00f3gico nas interpreta\u00e7\u00f5es. A liga\u00e7\u00e3o entre os fatos, a narra\u00e7\u00e3o dos epis\u00f3dios obscuros ficam por conta de um Coringa, elo entre a fic\u00e7\u00e3o e a plat\u00e9ia. O espet\u00e1culo torna-se um sucesso estrondoso &#8211; dois anos em cartaz. As can\u00e7\u00f5es de Edu Lobo, gravadas por diversos int\u00e9rpretes, invadem r\u00e1dios e TV, popularizando-se.\n\nA experi\u00eancia repete-se em Arena Conta Tiradentes, de Augusto Boal e Gianfrancesco Guarnieri, em 1967. Novo sucesso, centrado sobre a Inconfid\u00eancia Mineira, elevando Tiradentes \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de m\u00e1rtir da luta contra a opress\u00e3o. Este teatro que exorta \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica choca-se com a proposta do Teatro Oficina, que, no mesmo ano, est\u00e1 em cartaz com a encena\u00e7\u00e3o carnavalesca e antropof\u00e1gica de O Rei da Vela.\n\nA situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do pa\u00eds complica-se com a instaura\u00e7\u00e3o do AI-5. O grupo novamente tem de reposicionar-se. Augusto Boal organiza e monta Primeira Feira Paulista de Opini\u00e3o, em 1968, no Teatro Ruth Escobar; e tamb\u00e9m MacBird, s\u00e1tira de Barbara Garson sobre a Guerra do Vietn\u00e3 e o assassinato de Kennedy. S\u00e3o produ\u00e7\u00f5es pobres, feitas \u00e0s pressas, para responder ao cada vez mais convulsionado momento pol\u00edtico.\n\n<strong>O palco do Arena \u00e9 ocupado por duas experi\u00eancias frustradas<\/strong>: O C\u00edrculo de Giz Caucasiano, de Bertolt Brecht, que n\u00e3o vai al\u00e9m da estr\u00e9ia; e La Moschetta, s\u00e1tira renascentista de Angelo Beolco, que nem mesmo a interpreta\u00e7\u00e3o de Gianfrancesco Guarnieri salva do malogro. Em 1969, tenta uma alternativa com A Resist\u00edvel Ascens\u00e3o de Arturo Ui, novo apelo a Bertolt Brecht. Mas o uso do Sistema Coringa, a dispers\u00e3o de for\u00e7as de Augusto Boal dividido entre muitos compromissos, e o clima pol\u00edtico concorrem para um resultado frio, que n\u00e3o prende a aten\u00e7\u00e3o do p\u00fablico. Gianfrancesco Guarnieri desliga-se do Arena.\n\nUma sa\u00edda moment\u00e2nea para a crise \u00e9 a remontagem de Zumbi, para percorrer um circuito internacional, no ano de 1970, juntamente com Arena Conta Bolivar, proibida no Brasil. Utilizando parte de um elenco jovem, Augusto Boal monta, em 1971, o Teatro Jornal &#8211; 1\u00aa Edi\u00e7\u00e3o, de onde nasce, no futuro, o N\u00facleo Independente. Nessa montagem, surge uma nova frente est\u00e9tica voltada para a mobiliza\u00e7\u00e3o popular. Com a leitura de jornais di\u00e1rios, o elenco improvisa not\u00edcias e apresenta diversas angula\u00e7\u00f5es do problema flagrado, oferecendo-se para ensinar o p\u00fablico. Essa \u00e9 a g\u00eanese do Teatro do Oprimido.\n\nAugusto Boal \u00e9 detido em 1971, em meio a novos ensaios de Arena Conta Bolivar, e em seguida parte para o ex\u00edlio. O Arena passa \u00e0s m\u00e3os do administrador Luiz Carlos Arutin e do N\u00facleo, grupo remanescente do espet\u00e1culo Teatro Jornal. Doce Am\u00e9rica, Latino Am\u00e9rica, cria\u00e7\u00e3o coletiva, com dire\u00e7\u00e3o de Ant\u00f4nio Pedro, \u00e9 apresentada at\u00e9 o fechamento do teatro, em 1972.\n\nSegundo o cr\u00edtico S\u00e1bato Magaldi, &#8220;O Teatro de Arena de S\u00e3o Paulo evoca, de imediato, o abrasileiramento do nosso palco, pela imposi\u00e7\u00e3o do autor nacional.\n\nOs Comediantes e o Teatro Brasileiro de Com\u00e9dia, respons\u00e1veis pela renova\u00e7\u00e3o est\u00e9tica dos procedimentos c\u00eanicos, na d\u00e9cada de quarenta, pautaram-se basicamente por modelos europeus. Depois de adotar, durante as primeiras temporadas, pol\u00edtica semelhante \u00e0 do TBC, o Arena definiu a sua especificidade, em 1958, a partir do lan\u00e7amento de Eles N\u00e3o Usam Black-Tie, de Gianfrancesco Guarnieri. A sede do Arena tornou-se, ent\u00e3o, a casa do autor brasileiro.\n\nO \u00eaxito da tomada de posi\u00e7\u00e3o transformou o Arena em reduto inovador, que aos poucos tirou do TBC, e das empresas que lhe herdaram os princ\u00edpios, a hegemonia da atividade dram\u00e1tica. De uma esp\u00e9cie de TBC pobre, ou econ\u00f4mico, o grupo evoluiu, para converter-se em porta-voz das aspira\u00e7\u00f5es vanguardistas de fins dos anos cinq\u00fcenta.&#8221;1\n\nA hist\u00f3rica sala \u00e9 comprada pelo Servi\u00e7o Nacional de Teatro, SNT, em 1977, impedindo assim a dissipa\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria de uma das equipes de maior relev\u00e2ncia na cena brasileira. Com o nome de Teatro Experimental Eug\u00eanio Kusnet, ela abriga, desde ent\u00e3o, elencos de pesquisa da linguagem teatral.\n\n<strong>Nota<\/strong>\n\n1 MAGALDI, S\u00e1bato. Um palco brasileiro. In: ______. Um palco brasileiro: o Arena de S\u00e3o Paulo. S\u00e3o Paulo: Brasiliense, 1984. p.7-8.\n\nFonte: www.itaucultural.org.br\n<h6>Teatro de Arena<\/h6>\nO <strong>Teatro de Arena<\/strong> sempre se fez presente em favor de homens e mulheres brasileiros, sempre incomodou, sempre conclamou \u00e0 reflex\u00e3o [&#8230;] Dessa hist\u00f3ria faz parte o cidad\u00e3o comum, aquele que, antes de subir ao palco e criar os conflitos que ali adquirem forma po\u00e9tico-dram\u00e1tica, \u00e9 feito de d\u00favidas e incertezas, de alegrias e tristezas, de sucessos e fracassos, de vit\u00f3rias e, por vezes, tr\u00e1gicas derrotas&#8230; <strong>Iza\u00edas Almada, Teatro de Arena<\/strong>\n\nAo analisarmos a d\u00e9cada de 1960, deparamo-nos com um dos movimentos culturais mais importantes do pa\u00eds, o Teatro de Arena, que se tornou um s\u00edmbolo de nacionalismo e resist\u00eancia democr\u00e1tica.\n\n<strong>Buscando resgatar as particularidades desse movimento, Iza\u00edas Almada escreveu o livro Teatro de Arena<\/strong>: uma est\u00e9tica de resist\u00eancia1. Este livro faz parte da cole\u00e7\u00e3o Paulic\u00e9ia, coordenada por Emir Sader que aborda eventos pol\u00edticos, sociais e culturais de grande import\u00e2ncia para o estado de S\u00e3o Paulo.\n\nTodavia esta import\u00e2ncia, no caso do Arena, estende-se por grande parte do pa\u00eds. Neste sentido, a perspectiva de Almada foi a de buscar lembran\u00e7as e opini\u00f5es de ex-integrantes do Teatro de Arena e de pessoas que, de uma forma ou de outra, foram contempor\u00e2neos \u00e0s muitas atividades que o grupo desenvolveu. Iza\u00edas, um dos atores do Arena entre os anos de 1964 a 1969, organizou neste livro entrevistas e reflex\u00f5es sobre o dia-a-dia do grupo, de forma que podemos dividi-lo em cinco partes. Em um primeiro momento, contextualizou o surgimento do Arena, a partir das atividades do Teatro Brasileiro de Com\u00e9dia (TBC) e da Escola de Arte Dram\u00e1tica (EAD), para, em seguida, dar espa\u00e7o \u00e0s entrevistas dos pioneiros; \u00e0s reminisc\u00eancias hist\u00f3ricas dos Semin\u00e1rios de Dramaturgia, e depoimentos das fases de nacionaliza\u00e7\u00e3o dos cl\u00e1ssicos e dos musicais. Por \u00faltimo, depoimentos de atores e dramaturgos do Arena que acompanharam o encerramento das atividades do grupo.\n\nO Arena, situado \u00e0 Rua Teodoro Baima \u0096 94, onde atualmente funciona a Sala Experimental Eug\u00eanio Kusnet, foi o palco de uma nova forma de se conceber o teatro \u0093nacional\u0094. D\u00e9cio de Almeida Prado, cr\u00edtico teatral, falecido em 2000, analisou o contexto em que surgiu o Teatro de Arena, recordando como era a cena cultural com o TBC e com a cria\u00e7\u00e3o da EAD, onde foi professor do ent\u00e3o aluno Jos\u00e9 Renato, um dos criadores do Arena. Essa forma de teatro apresentou-se, no inicio, como uma maneira barata de encenar, j\u00e1 que com o palco em forma de arena n\u00e3o era necess\u00e1rio o investimento em grandes cen\u00e1rios. Eram valorizados, nesse caso, os figurinos e a pr\u00f3pria interpreta\u00e7\u00e3o do ator. Posteriormente, em especial, com a encena\u00e7\u00e3o de \u0093Eles n\u00e3o usam Black-tie\u0094, em 1958, as ideologias dos seus integrantes foram estabelecendo o que hoje conhecemos como teatro \u0093revolucion\u00e1rio\u0094 o que, para muitos entrava, em contraste com os teatros apresentados at\u00e9 ent\u00e3o. Essa nova forma de teatro, voltado para uma est\u00e9tica de esquerda e com discuss\u00f5es sobre a realidade do pa\u00eds, chamou a aten\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios segmentos da sociedade, j\u00e1 que personagens como empregadas dom\u00e9sticas e oper\u00e1rios em greve, por exemplo, antes n\u00e3o haviam sido protagonistas de uma pe\u00e7a de teatro. \u0093O Arena foi a valoriza\u00e7\u00e3o das pe\u00e7as de conte\u00fado social, dos autores nacionais, uma transforma\u00e7\u00e3o. [&#8230;] O Arena foi, de fato, um sopro inovador no teatro brasileiro\u0094 (p. 44), sopro este que a jornalista Regina Helena de Paiva Ramos vivenciou e transcreveu durante dezessete anos em que trabalhou, no jornal Gazeta, como cr\u00edtica teatral. Durante esse tempo, as apresenta\u00e7\u00f5es do Arena renderam muitos coment\u00e1rios e entrevistas na coluna feminina assinada por Regina , uma op\u00e7\u00e3o diferente em um per\u00edodo em que os jornais destinavam esse tipo de coluna para publica\u00e7\u00e3o de receitas e dicas de comportamento.\n\nAl\u00e9m da pr\u00f3pria trajet\u00f3ria do Teatro de Arena, h\u00e1 nesse livro particularidades do cotidiano de mulheres e homens que viveram esse instigante e turbulento per\u00edodo da hist\u00f3ria do Brasil.\n\nHist\u00f3rias como a de Vera Gertel, casada com Vianinha e ligada \u00e0 Juventude Comunista, que conta como era ser atriz, mulher e militante nessa sociedade. Nas entrelinhas apreendemos tamb\u00e9m, a hist\u00f3ria de pessoas que n\u00e3o participaram do Arena, mas que tamb\u00e9m foram atuantes na modifica\u00e7\u00e3o das suas realidades. Por meio das lembran\u00e7as que esse livro evoca, saltam aos olhos do leitor a import\u00e2ncia do trabalho de grupos de teatro permanentes, cada vez mais dif\u00edcil no mundo contempor\u00e2neo. \u00c9 claro que muito j\u00e1 foi escrito sobre o Arena durante todos esses anos, mas a maior parte dos livros o retratam de forma fatual ou cronol\u00f3gica, deixando de lado o fato de que esses jovens possu\u00edam uma sociabilidade que n\u00e3o pode ser deixada de lado.\n\nNeste ponto de vista, a rela\u00e7\u00e3o artista, obra e seu tempo se faz presente quando deparamo-nos com as entrevistas. Elas demonstram que o Arena n\u00e3o foi fruto de um plano pr\u00e9-elaborado por \u00fanica pessoa. Na verdade, ele foi se construindo e se modificando com o passar dos anos, de acordo com as transforma\u00e7\u00f5es que ocorriam no cen\u00e1rio nacional e mundial. Sendo assim, atores e dramaturgos fizeram parte do processo de cria\u00e7\u00e3o, no qual o texto e a cena contribu\u00edram para a consolida\u00e7\u00e3o de um grupo que primava por uma consci\u00eancia social e pol\u00edtica. \u0093O Teatro de Arena atravessou 20 anos da hist\u00f3ria do Brasil e era natural que nesse per\u00edodo buscasse a cada momento orientar-se est\u00e9tica e politicamente de acordo com os ideais dos seus principais integrantes, homens e mulheres de esquerda, de origem pequeno-burguesa, alguns dos quais ligados ao Partido Comunista Brasileiro\u0094 (p. 94). Al\u00e9m da preocupa\u00e7\u00e3o com o engajamento social, havia tamb\u00e9m uma aten\u00e7\u00e3o especial com a pr\u00f3pria forma\u00e7\u00e3o do ator, sendo Augusto Boal um dos maiores incentivadores desta pol\u00edtica. Devido seu interesse pela ci\u00eancia teatral, isto \u00e9, pela necessidade de se refletir sobre os textos a serem encenados e\/ou mesmo escritos, Boal idealizou os Semin\u00e1rios de Dramaturgia com o intuito de propiciar uma ampla discuss\u00e3o acerca do papel do teatro e do ator. Boal, segundo Roberto Freire, expunha os seus conceitos e conhecimentos sobre teatro, uma vez que era ele quem mais se preocupava com esse aspecto \u0093cient\u00edfico\u0094 decorrente de um curso de dramaturgia feito nos Estados Unidos, com John Gassner.\n\nNo entanto, n\u00e3o podemos nos esquecer, que durante todos esses anos, o Teatro de Arena recebeu v\u00e1rias cr\u00edticas por seu modo de enxergar a realidade. Muitos, at\u00e9 hoje, alegam que foi um grupo fechado, limitado pelas pr\u00f3prias ideologias, que dividia o mundo entre \u0093bons\u0094 e \u0093maus\u0094. Entretanto, este era um per\u00edodo p\u00f3s-guerra, em que o manique\u00edsmo encontrava-se presente n\u00e3o somente no Brasil, mas tamb\u00e9m em todo o mundo. Por\u00e9m, em nosso pa\u00eds, com o advento do golpe de 1964, as quest\u00f5es pol\u00edticos-culturais tiveram colora\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias. Como exemplo desse procedimento, pode-se recordar Arena Conta Tiradentes.\n\nNeste espet\u00e1culo, usufruindo da liberdade po\u00e9tica, os autores tomaram uma a\u00e7\u00e3o como modelo e a recriaram a seu modo, inserindo-a no debate de seu tempo.\n\nAssim sendo, tais pe\u00e7as n\u00e3o possu\u00edam um aparato meramente hist\u00f3rico, mas tratavam de uma resignifica\u00e7\u00e3o do tema liberdade, inserido em uma nova realidade e, como tal, dever\u00e1 ser analisado em sua pr\u00f3pria historicidade. De modo geral, percebe-se, no decorrer do livro, que as hist\u00f3rias dos integrantes do Arena v\u00e3o se entrecruzando. Pessoas com trajet\u00f3rias t\u00e3o distintas, que, em um primeiro momento acreditamos n\u00e3o ter nenhuma liga\u00e7\u00e3o, encontram-se e identificam-se com os projetos e com as utopias daquela fase combativa do Arena. A cantora Mar\u00edlia Medalha nunca havia pensado em ser atriz e acabou participando da pe\u00e7a Arena conta Zumbi.\n\n<strong>Outro que entrou no Arena de forma inesperada foi David Jos\u00e9 que participou das montagens de Tartufo e Arena Conta Tiradentes, entre outros<\/strong>: \u0093A Tupi tinha um time de futebol [&#8230;] cujo t\u00e9cnico era o Lima Duarte. Ent\u00e3o em 1963 [&#8230;] eu fui ver o Lima e depois lhe disse que gostaria de trabalhar no Arena. [&#8230;] Ent\u00e3o, foi via Lima Duarte e Guarnieri que eu fui parar no Teatro de Arena\u0094 (p. 111).\n\nSegundo o Almada, mesmo as mem\u00f3rias que n\u00e3o se remetessem especificamente ao Arena foram preservadas para configurar um painel hist\u00f3rico, social e cultural mais abrangente do que se passava em S\u00e3o Paulo e no pa\u00eds. Assim sendo, hist\u00f3rias peculiares \u0096 para n\u00e3o dizer hil\u00e1rias \u0096 foram mantidas no decorrer do livro. Por exemplo, devido o palco ser entre as plat\u00e9ias, o Arena proporcionava uma intimidade muito grande com o p\u00fablico, que por sua vez, se sentindo \u00e0 vontade, por diversas vezes interferia no espet\u00e1culo, fazendo os seus coment\u00e1rios ou, at\u00e9 mesmo, invadindo a cena. Outras hist\u00f3rias, tamb\u00e9m muito interessantes, ocorreram fora do palco. Em viagens, ou mesmo em S\u00e3o Paulo, muitos integrantes moravam juntos em apartamentos ou no pr\u00f3prio teatro. Essa conviv\u00eancia t\u00e3o estreita gerou, em muitos casos, atritos, boas gargalhadas e, \u00e9 claro, para o leitor, uma maior intimidade com todos os entrevistados. Al\u00e9m dos atores e dramaturgos, o livro n\u00e3o se esquece de homenagear outros integrantes que n\u00e3o necessariamente ficavam no palco. Personagens como o iluminador Orion de Carvalho, o porteiro e vigia Antonio Ronco, al\u00e9m da plat\u00e9ia, foram citados com carinho pelos entrevistados. Segundo Iza\u00edas Almada, estes tinham um verdadeiro la\u00e7o de amor com o Arena e faziam de tudo para que o teatro pudesse continuar, mesmo durante o per\u00edodo mais ferrenho da ditadura, com o CCC (Comando de Ca\u00e7a aos Comunistas) amea\u00e7ando invadir o pr\u00e9dio.\n\nPor ter escolhido esse caminho, contr\u00e1rio aos interesses dos que se encontravam no poder, era natural que o Arena desaparecesse durante o per\u00edodo da ditadura civil-militar que governou o pa\u00eds de 1964 a 1984. Todavia, n\u00e3o foi sem luta que isto ocorreu. O Arena deu vida aos musicais Zumbi e Tiradentes e ao show Opini\u00e3o, no Rio de Janeiro; montou espet\u00e1culos como O inspetor geral (Gogol), Arena canta Bahia e a Primeira Feira Paulista de Opini\u00e3o. Ap\u00f3s 1968, com o aumento da tens\u00e3o pol\u00edtica, muito dos integrantes do Arena foram presos e torturados. Mesmo assim, os trabalhos continuaram. A Primeira Feira Paulista de Opini\u00e3o, por exemplo, foi um espet\u00e1culo que reuniu artistas de v\u00e1rias \u00e1reas para exprimir a insatisfa\u00e7\u00e3o de todos quanto \u00e0 censura e a falta de liberdade de express\u00e3o. Por\u00e9m, o sucesso de p\u00fablico dessa pe\u00e7a somente fez aumentar o conflito j\u00e1 existente, entre militares e os integrantes do teatro, que foram reprimidos de forma violenta. Essa censura, por\u00e9m, segundo Gianfrancesco Guarnieri, serviu para mobilizar a classe teatral, que conseguiu uma vit\u00f3ria ao pressionar o governo e obter, por meio de um grupo de trabalho, a elabora\u00e7\u00e3o de um anteprojeto para a nova censura. Com o fim das atividades do Arena, seus integrantes dispersaram-se ou criaram outras alian\u00e7as. Contudo, a experi\u00eancia que esse tipo de teatro proporcionou ainda influencia suas carreiras, seja na forma de atuar, seja na forma de conceber o que \u00e9 teatro. Apesar das diferen\u00e7as estabelecidas com a nova gera\u00e7\u00e3o de atores, de uma forma ou de outra, o legado que o Arena deixou ainda ser\u00e1 par\u00e2metro para que muitos possam aprimorar-se no teatro. Aqueles que fizeram parte deste livro trazem em suas hist\u00f3rias de vida um pouco da pr\u00f3pria Hist\u00f3ria do Brasil.\n\n<strong>Na medida em que nos debru\u00e7amos nessa leitura acabamos adquirindo um pouco mais de consci\u00eancia do papel do teatro para a consolida\u00e7\u00e3o de uma sociedade democr\u00e1tica, porque, como bem observou Antonio Fagundes, em seu depoimento a Iza\u00edas Almada<\/strong>: No teatro \u00e9 preciso jogar com a pr\u00f3pria alma, \u00e9 preciso ter uma paix\u00e3o, uma paix\u00e3o pela comunica\u00e7\u00e3o.\n\n<strong>Talitta Tatiane Martins Freitas<\/strong>\n\nFonte: www.revistafenix.pro.br\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Teatro de Arena, S\u00e3o Paulo, Atores, Funda\u00e7\u00e3o, Palcos, Estudantes, Hist\u00f3ria, Companhia, Caracter\u00edsticas, Teatro de Arena<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[57],"tags":[],"class_list":["post-21546","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-historia-geral"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - 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