{"id":21541,"date":"2016-01-07T00:00:00","date_gmt":"2016-01-07T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/historia-do-teatro-2\/"},"modified":"2026-09-01T15:39:47","modified_gmt":"2026-09-01T15:39:47","slug":"historia-do-teatro-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-geral\/historia-do-teatro-2\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3ria do Teatro"},"content":{"rendered":"\nO\u00a0<strong>teatro<\/strong>\u00a0\u00e9 indiscutivelmente o meio de narrativa mais expressivo e est\u00e1 constantemente se adaptando aos tempos de mudan\u00e7a.\n\nEmbora o p\u00fablico de hoje geralmente experimente contar hist\u00f3rias ao vivo no conforto de nossas salas de estar, puramente para lazer, nem sempre foi esse o caso.\n\nO\u00a0<strong>teatro<\/strong>\u00a0que surgiu na Gr\u00e9cia Antiga era diferente do atual.\n\nOs gregos assistiam \u00e0s pe\u00e7as de gra\u00e7a e n\u00e3o podiam frequentar o teatro quando quisessem.\n\nIr ao\u00a0<strong>teatro<\/strong>\u00a0era um compromisso social das pessoas.\n\nOs festivais de teatro tinham grande import\u00e2ncia. Dedicados \u00e0s trag\u00e9dias ou \u00e0s com\u00e9dias, eles eram financiados pelos cidad\u00e3os ricos sendo que o governo pagava aos mais pobres para que estes pudessem comparecer \u00e0s apresenta\u00e7\u00f5es.\n\nOs festivais dedicados \u00e0 trag\u00e9dia ocorriam em teatros de pedra, ao ar livre, onde se escolhia o melhor autor pois embora alguns atores fizessem sucesso, os grandes \u00eddolos do teatro eram os autores.\n\nAs apresenta\u00e7\u00f5es duravam v\u00e1rios dias e come\u00e7avam com uma prociss\u00e3o em homenagem ao deus Dioniso, considerado protetor do teatro.\n\nA plateia acompanhava as pe\u00e7as o dia todo e reagia com intensidade \u00e0s encena\u00e7\u00f5es.\n\nNo palco, os atores usavam sapatos de sola alta, roupas acolchoadas e m\u00e1scaras feitas de panos engomados e pintados, decoradas com perucas e capazes de amplificar as vozes.\n\nA partir do Imp\u00e9rio Romano que sucedeu a civiliza\u00e7\u00e3o grega, o teatro entrou em decl\u00ednio. Os romanos preferiam o circo o qual na \u00e9poca era voltado para lutas entre gladiadores e animais.\n\nNo in\u00edcio da Idade M\u00e9dia, em 476, o teatro quase sumiu. A Igreja Cat\u00f3lica, que detinha o poder, combatia o teatro, pois considerava pecado imitar o mundo criado por Deus.\n\nPoucas manifesta\u00e7\u00f5es teatrais parecem ter resistido nessa \u00e9poca. Apenas alguns artistas percorriam as cortes de reis e nobres, como malabaristas, trovadores (poetas que cantavam poemas ao som de instrumentos musicais), imitadores e jograis (int\u00e9rpretes de poemas ou can\u00e7\u00f5es rom\u00e2nticas, dram\u00e1ticas ou sobre feitos her\u00f3icos).\n<p class=\"imagem\" style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" title=\"Hist\u00f3ria do Teatro\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/hhistoria-do-teatro.jpg\" alt=\"Hist\u00f3ria do Teatro\" \/><strong>Teatro<\/strong><\/p>\nNo s\u00e9culo 11, com o aumento da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, o com\u00e9rcio se expandiu, cidades e feiras reapareceram e a popula\u00e7\u00e3o aumentou. O teatro reapareceu na Igreja.\n\nPara divulgar seus ensinamentos, a igreja passou a usar recursos teatrais nas missas como di\u00e1logos entre o sacerdote e os fi\u00e9is.\n\nSurgiram ent\u00e3o representa\u00e7\u00f5es do nascimento e da morte de Cristo dentro da Igreja e fora dela.\n\nNo fim da Idade M\u00e9dia, surgiram v\u00e1rios tipos de representa\u00e7\u00f5es teatrais, relacionadas a datas solenes e encenadas por amadores. As paix\u00f5es e os mist\u00e9rios, por exemplo, eram espet\u00e1culos p\u00fablicos, encenados durante dias em palcos ao ar livre.\n\n<strong>O teatro, express\u00e3o das mais antigas do esp\u00edrito l\u00fadico da humanidade, \u00e9 uma arte c\u00eanica peculiar, pois embora tome quase sempre como ponto de partida um texto liter\u00e1rio (com\u00e9dia, drama, e outros g\u00eaneros), exige uma segunda opera\u00e7\u00e3o art\u00edstica<\/strong>: a transforma\u00e7\u00e3o da literatura em espet\u00e1culo c\u00eanico e sua transforma\u00e7\u00e3o direta com a plateia.\n\nAssim, por maior que seja a interdepend\u00eancia entre texto dram\u00e1tico e o espet\u00e1culo, o ator e a cena criam uma linguagem espec\u00edfica e uma arte essencialmente distinta da cria\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria.\n\nDurante os espet\u00e1culo, o texto dram\u00e1tico se realiza mediante a transforma\u00e7\u00e3o do ator em personagem.\n\nA literatura dram\u00e1tica n\u00e3o \u00e9 um g\u00eanero, como outros, da literatura geral, pela indispens\u00e1vel presen\u00e7a e coopera\u00e7\u00e3o do p\u00fablico. Assim, o teatro \u00e9 principalmente fen\u00f4meno social e, como tal, sujeito \u00e0s leis e dial\u00e9tica hist\u00f3ricas. Por isso, n\u00e3o existe teatro em sentido absoluto, com normas permanentes, mas v\u00e1rios teatros, muito diferentes, de diversas \u00e9pocas e na\u00e7\u00f5es.\n\nNa China antiga, o budismo usava o teatro como forma de express\u00e3o religiosa.\n\nNo Egito, um grande espet\u00e1culo popular contava a hist\u00f3ria da ressurrei\u00e7\u00e3o de Os\u00edris e da morte de H\u00f3rus.\n\nNa \u00cdndia, se acredita que o teatro tenha surgido com Brama.\n\nNos tempos pr\u00e9-hel\u00eanicos, os cretenses homenageavam seus deuses em teatros, provavelmente constru\u00eddos no s\u00e9culo dezenove antes de Cristo \u00e9 poss\u00edvel perceber atrav\u00e9s destes exemplos, uma origem religiosa para as manifesta\u00e7\u00f5es teatrais.\n\n<strong>S\u00e3o quatro os principais g\u00eaneros dram\u00e1ticos conhecidos:<\/strong>\n<blockquote><strong>A trag\u00e9dia, nascida na Gr\u00e9cia, segue tr\u00eas caracter\u00edsticas<\/strong>: antiga, m\u00e9dia e nova. \u00c9 a representa\u00e7\u00e3o viva das paix\u00f5es e dos interesses humanos, tendo por fim a moraliza\u00e7\u00e3o de um povo ou de uma sociedade.<strong>\nA com\u00e9dia representa os rid\u00edculos da humanidade ou os maus costumes de uma sociedade e tamb\u00e9m segue tr\u00eas vertentes<\/strong>: a pol\u00edtica, a aleg\u00f3rica e a moral.\nA<strong>\u00a0tragicom\u00e9dia<\/strong>\u00a0\u00e9 a transi\u00e7\u00e3o da com\u00e9dia para o drama. Representa personagens ilustres ou her\u00f3is, praticando atos irris\u00f3rios.\nO\u00a0<strong>drama (melodrama)<\/strong>\u00a0\u00e9 representado acompanhado por m\u00fasica. No palco, epis\u00f3dios complicados da vida humana como a dor e a tristeza combinados com o prazer e a alegria.<\/blockquote>\n<strong>Teatro &#8211; Origem<\/strong>\n\nEmbora a humanidade tenha transmitido hist\u00f3rias oralmente desde que desenvolvemos o uso da linguagem, a institui\u00e7\u00e3o do\u00a0<strong>teatro<\/strong>\u00a0s\u00f3 come\u00e7ou muito mais tarde. No final das contas, as primeiras vers\u00f5es de teatro eram totalmente diferentes de uma apresenta\u00e7\u00e3o teatral que podemos assistir hoje.\n\nAs pe\u00e7as do passado tinham uma base mais forte na religi\u00e3o e na tradi\u00e7\u00e3o. As primeiras apresenta\u00e7\u00f5es gregas e chinesas s\u00e3o especialmente ricas em dedicat\u00f3rias religiosas e tradi\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias.\n\n\u00c9 comum ouvirmos dizer que o teatro come\u00e7ou na Gr\u00e9cia, h\u00e1 muitos s\u00e9culos atr\u00e1s. No entanto, existem outros exemplos de manifesta\u00e7\u00f5es teatrais anteriores aos gregos. Por exemplo, na China antiga, o budismo usava o teatro como forma de express\u00e3o religiosa. No Egito, um grande espet\u00e1culo popular contava a hist\u00f3ria da ressurrei\u00e7\u00e3o de Os\u00edris e da morte de H\u00f3rus. Na \u00cdndia, se acredita que o teatro tenha surgido com Brama. E nos tempos pr\u00e9-hel\u00eanicos, os cretenses homenageavam seus deuses em teatros, provavelmente constru\u00eddos no s\u00e9culo dezenove antes de Cristo.\n\n\u00c9 f\u00e1cil perceber atrav\u00e9s destes poucos exemplos, uma origem religiosa para as manifesta\u00e7\u00f5es teatrais.\n\nA palavra \u201c<strong>teatro<\/strong>\u201d significa um g\u00eanero de arte e tamb\u00e9m uma casa, ou edif\u00edcio, em que s\u00e3o representadas v\u00e1rios tipos de espet\u00e1culos.\n\nEla prov\u00e9m da forma grega \u201cTheatron\u201d, derivada do verbo \u201cver\u201d(theaomai) e do substantivo \u201cvista\u201d(thea), no sentido de panorama.\n\nDo grego, passou para o latim com a forma de \u201cTheatrum\u201d e, atrav\u00e9s do latim para outras l\u00ednguas, inclusive a nossa.\n\nMas o\u00a0<strong>teatro<\/strong>\u00a0n\u00e3o \u00e9 uma inven\u00e7\u00e3o grega, espalhada pelo resto do mundo. \u00c9 uma manifesta\u00e7\u00e3o art\u00edstica presente na cultura de muitos povos e se desenvolveu espontaneamente em diferentes latitudes, ainda que, na maioria dos casos, por imita\u00e7\u00e3o. Antes mesmo do florescimento do teatro grego na antiguidade, a civiliza\u00e7\u00e3o eg\u00edpcia tinha nas representa\u00e7\u00f5es dram\u00e1ticas uma das express\u00f5es de sua cultura.\n\nEssas representa\u00e7\u00f5es tiveram origem religiosa, sendo destinadas a exaltar as principais divindades da mitologia eg\u00edpcia, principalmente Os\u00edris e \u00cdsis.\n\nTr\u00eas mil de duzentos anos antes de cristo j\u00e1 existiam tais representa\u00e7\u00f5es teatrais.\n\nE foi no Egito que elas passaram para a Gr\u00e9cia, onde o teatro teve um florescimento admir\u00e1vel, gra\u00e7as \u00e1 genialidade dos dramaturgos gregos. Para o mundo ocidental, a Gr\u00e9cia \u00e9 considerada o ber\u00e7o do teatro, ainda que a preced\u00eancia seja o Egito.\n\nMas no continente asi\u00e1tico o teatro tamb\u00e9m existia, com outras caracter\u00edsticas, que ainda hoje o singularizam.\n\nNa china, por exemplo, o teatro foi estabelecido durante o dinastia Hsia, que se prolongou do ano 2205 ao ano 1766 antes da era crist\u00e3. Portanto, o teatro chin\u00eas \u00e9 o segundo, cronologicamente, antes mesmo do teatro grego. Como no Egito, surgiu tamb\u00e9m com caracter\u00edsticas rituais. Mas al\u00e9m das celebra\u00e7\u00f5es de car\u00e1ter religioso, passaram tamb\u00e9m a ser evocados os \u00eaxitos militares e outros acontecimentos.\n\nAssim, as prociss\u00f5es e dan\u00e7as foram cedendo lugar \u00e1 forma dram\u00e1tica.\n\nA \u00cdndia come\u00e7ou a desenvolver seu teatro cinco s\u00e9culos antes da era crist\u00e3, depois do aparecimento de seus poemas eg\u00edpcios Mahabharata e Ramayana, que s\u00e3o as grandes fontes de inspira\u00e7\u00e3o dos primeiros dramaturgos indianos. Pa\u00edses t\u00e3o distantes como a Cor\u00e9ia e o Jap\u00e3o, mesmo sem contatos com o mundo ocidental, desenvolveram a seu modo formas pr\u00f3prias de teatro-a Cor\u00e9ia ainda antes da era crist\u00e3 e o Jap\u00e3o durante a Idade M\u00e9dia(o primeiro dramaturgo japon\u00eas, o sacerdote Kwanamy Kiyotsugu, viveu entre os anos de 1333 e 1384 da era crist\u00e3).\n\n<strong>Teatro &#8211; A antiguidade Cl\u00e1ssica<\/strong>\n\nA dramatiza\u00e7\u00e3o como forma art\u00edstica surgiu num est\u00e1gio relativamente avan\u00e7ado da evolu\u00e7\u00e3o cultural.\n\nO\u00a0<strong>Teatro<\/strong>\u00a0grego antigo tem suas ra\u00edzes em atos rituais (culto de Dion\u00edsio). Mas as pe\u00e7as existentes j\u00e1 o mostram emancipado dessas origens, como institui\u00e7\u00e3o p\u00fablica organizada custeada pelo Estado, como esp\u00e9cie de festivais c\u00edvicos.\n\n<strong>S\u00f3 possu\u00edmos pe\u00e7as completas de tr\u00eas autores, que costuma agrupar em ordem aproximadamente cronol\u00f3gica:<\/strong>\u00a0\u00c9squilo, fortemente baseado em convic\u00e7\u00f5es mitol\u00f3gicas e de um poder verbal pr\u00f3ximo da epop\u00e9ia; S\u00f3focles, grande moralista e grand\u00edssimo poeta, de equil\u00edbrio perfeito; e Eur\u00edpedes, meio descrente, psic\u00f3logo e de grande for\u00e7a l\u00edrica. Essa apresenta\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria da trag\u00e9dia grega \u00e9 convencional e pouco exata. Na verdade, os tr\u00eas grandes s\u00e3o quase contempor\u00e2neos, e nossa ignor\u00e2ncia dos outros tragedi\u00f3grafos n\u00e3o permite esbo\u00e7ar linha de evolu\u00e7\u00e3o coerente.\n\nNa verdade, em quase todos aqueles tr\u00eas a arte do di\u00e1logo e dos coros \u00e9 mais ou menos a mesma; as diferen\u00e7as de t\u00e9cnica dramat\u00fargica, important\u00edssimas para os contempor\u00e2neos, s\u00e3o pouco sens\u00edveis para n\u00f3s; e ideologicamente o suposto inovador e rebelde Eur\u00edpedes esta mais perto de \u00c9squilo que de S\u00f3focles. As Bacantes mais perto do Prometeu Acorrentado do que da human\u00edssima Ant\u00edgona.\n\nConv\u00e9m insistir em que todas as tradu\u00e7\u00f5es, assim como as cada vez mais frequentes representa\u00e7\u00f5es modernas das trag\u00e9dia gregas, modernizam esse teatro antigo, t\u00e3o remoto quanto grande.\n\n<strong>A impress\u00e3o de Eur\u00edpedes ter sido meio descrente e inovador irreverente \u00e9 devida, atrav\u00e9s dos s\u00e9culos, ao seu intransigente inimigo, o aristocr\u00e1tico e conservador Arist\u00f3fanes, criador da com\u00e9dia antiga<\/strong>: g\u00eanero estranho, composto de par\u00f3dia mitol\u00f3gica, s\u00e1tira pol\u00edtica, diatribes pessoais e poesia l\u00edrica. No teatro de tempos modernos n\u00e3o existe nada de compar\u00e1vel \u00e0 com\u00e9dia aristofanesca, a n\u00e3o contarmos certas s\u00e1tiras liter\u00e1rias, s\u00f3 destinadas \u00e0 leitura. Mas as com\u00e9dias de Menandro (342 -291 A.C.), das quais duas foram encontradas em papiros eg\u00edpcios, j\u00e1 s\u00e3o reflexos de uma vida burguesa de uma \u00e9poca totalmente desmitologizada e despolitizada.\n\nDe aspecto ainda mais moderno teria,m sido com\u00e9dias dom\u00e9sticas de Filemon e Difilos, que s\u00f3 sobreviveram nas vers\u00f5es latinas de Plauto e Ter\u00eancio; moderno, porque essas com\u00e9dias latinas foram imitadas, durante os s\u00e9culos, em todos os pa\u00edses modernos.\n\nA com\u00e9dia romana antiga, apesar de usar largamente fontes gregas, \u00e9 no entanto de forte originalidade. Plauto \u00e9 um farsista de grande for\u00e7a c\u00f4mica, mas tamb\u00e9m de poder po\u00e9tico-l\u00edrico. Ter\u00eancio \u00e9 muito menos c\u00f4mico, antes um moralista s\u00e9rio que prefere \u00e0 representa\u00e7\u00e3o das classes baixas e das suas divers\u00f5es grosseiras a da vida das classes abastadas e cultas.\n\n<strong>Mas os problemas s\u00e3o sempre os mesmos<\/strong>: dom\u00e9sticos, er\u00f3ticos e de dinheiro. Plauto e Ter\u00eancio criaram os tipos do fanfarr\u00e3o, do avarento, do criado astuto, do devasso filho de fam\u00edlia, do parasita, que atrav\u00e9s da Com\u00e9dia dell\u2019Arte dominam todo o teatro c\u00f4mico moderno.\n\n<strong>Da trag\u00e9dia romana s\u00f3 sobrevivera, completas, as \u00faltimas pe\u00e7as<\/strong>: as do fil\u00f3sofo S\u00eaneca, nas quais a eloqu\u00eancia (ali\u00e1s admir\u00e1vel) e os horrores f\u00edsicos substituem a poesia e a tragicidade do teatro grego; sua influ\u00eancia atrav\u00e9s dos s\u00e9culos tamb\u00e9m foi muito forte.\n\n<strong>Teatro da Gr\u00e9cia Antiga<\/strong>\n\nA\u00a0<strong>hist\u00f3ria da Gr\u00e9cia Antiga<\/strong>\u00a0est\u00e1 intimamente ligada ao<strong>\u00a0teatro<\/strong>. As primeiras pe\u00e7as foram encenadas em homenagem ao deus Dion\u00edsio, o deus do vinho, da fertilidade e, mais tarde, do pr\u00f3prio teatro.\n\nOs coros come\u00e7aram a apresentar hinos escritos em sua homenagem, que foram apelidados de ditirambos. Esses refr\u00f5es gradualmente come\u00e7aram a se vestir com fantasias ou m\u00e1scaras, mas ainda n\u00e3o se assemelhavam ao teatro como o conhecemos hoje. N\u00e3o foi at\u00e9 o s\u00e9culo 6 aC, sob o governante ateniense Pis\u00edstrato, que &#8220;agir&#8221; como o conhecemos veio a ser.\n\nPis\u00edstrato instituiu v\u00e1rios festivais p\u00fablicos, um dos quais foi dedicado a Dion\u00edsio. O dia girou em torno de m\u00fasica, dan\u00e7a e poesia. Conta-se que um homem, Thespis, saltou de carro\u00e7as para recitar poesia em seu personagem; e \u00e9 da\u00ed que vem a palavra \u201cthespian\u201d. Seu p\u00fablico nem buscava entretenimento, apenas vagava pelo festival.\n\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-158202 aligncenter\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Histor2-3-1.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"194\" \/>\n<p align=\"center\"><strong>Teatro da Gr\u00e9cia Antiga<\/strong><\/p>\nEstabelecendo um precedente importante na hist\u00f3ria, cidad\u00e3os ricos doaram dinheiro para as artes na esperan\u00e7a de se tornarem influentes na pol\u00edtica e na sociedade. Esse processo mudaria ao longo da hist\u00f3ria, mas os gregos ricos patrocinavam as pe\u00e7as por meio de um imposto especial chamado coregia. Esse imposto possibilitou a cria\u00e7\u00e3o de teatros reconhec\u00edveis, completos com bancos de pedra situados ao ar livre.\n\nEmbora tais condi\u00e7\u00f5es possam ter sido toler\u00e1veis por um curto per\u00edodo de tempo, os dramaturgos gregos logo come\u00e7aram a escrever pe\u00e7as muito mais longas, acrescentando personagens e pr\u00f3logos adicionais para dar corpo a uma hist\u00f3ria guiada pelos personagens. Hist\u00f3rias como \u00c9dipo Rex est\u00e3o muito mais pr\u00f3ximas do teatro moderno do que recitais de poesia, mas isso teve um pre\u00e7o. Sentar ou ficar em p\u00e9 em bancos de pedra por horas a fio seria doloroso, e o p\u00fablico ficaria \u00e0 merc\u00ea dos elementos. No entanto, o que os est\u00e1dios e anfiteatros sacrificaram em conforto, eles compensaram em ac\u00fastica. Embora o p\u00fablico de hoje esteja acostumado a uma experi\u00eancia de som surround, os gregos antigos n\u00e3o tinham esse luxo, mas ainda tinham um sistema de \u00e1udio avan\u00e7ado e impressionante embutido no teatro. Os arquitetos gregos aumentaram deliberadamente os assentos para fornecer uma vis\u00e3o melhor para o p\u00fablico, bem como os projetaram para refletir e amplificar os sons do teatro. Como resultado, milhares de pessoas compareceram a essas apresenta\u00e7\u00f5es, e a maioria p\u00f4de n\u00e3o apenas ver, mas tamb\u00e9m ouvir a a\u00e7\u00e3o no palco.\n\nOs cl\u00e1ssicos gregos se espalharam por v\u00e1rias culturas e civiliza\u00e7\u00f5es como resultado das conquistas e forma\u00e7\u00e3o do Imp\u00e9rio Romano. Al\u00e9m de adotar muitos deuses e costumes gregos, o Imp\u00e9rio Romano tamb\u00e9m continuou a encenar muitas de suas pe\u00e7as.\n\n<strong>As edifica\u00e7\u00f5es dos teatros<\/strong>\n\nA partir do momento em que o homem come\u00e7ou a representar suas emo\u00e7\u00f5es e sentimentos atrav\u00e9s do teatro, surgiu a necessidade de criar espa\u00e7os espec\u00edficos. E assim apareceram constru\u00e7\u00f5es de diversos estilos.\n\nAs diferentes edifica\u00e7\u00f5es sofreram influ\u00eancias culturais que se espalharam por gera\u00e7\u00f5es.\n\nA exemplo do Teatro Grego a.C., as edifica\u00e7\u00f5es eram erguidas nos flancos das colinas para diminuir as despesas. Os romanos preferiam os terrenos planos. Mas at\u00e9 a metade do s\u00e9culo I a.C., eles usavam constru\u00e7\u00f5es de madeira que eram constantemente deslocadas de um lugar para outro.\n\nNo ano 50 a. C., o Imperador Pompeu concluiu seu teatro que possu\u00eda 40 mil lugares com os assentos e toda a decora\u00e7\u00e3o interna em m\u00e1rmore. Mais tarde o arquiteto italiano Bramante retirou 50 colunas de granito desse teatro para usar no pal\u00e1cio da Chanelaria.\n\nOutro arquiteto, Em\u00edlio Escauro, construiu uma das obras mais espetaculares em madeira, que comportava at\u00e9 80 mil pessoas. O palco era dividido em tr\u00eas planos superpostos e decorado com 360 colunas de m\u00e1rmore.\n\nO primeiro plano era todo em m\u00e1rmore. O segundo tinha as paredes cobertas com cubos de vidro. O terceiro era revestido com madeira dourada, colunas e tr\u00eas mil est\u00e1tuas.\n\nE assim as constru\u00e7\u00f5es, movidas pelo desenvolvimento de novas t\u00e9cnicas, foram se ampliando e ficando cada vez mais sofisticadas e modernas.\n\nA arte grega teve muita influ\u00eancia sobre os romanos. Foi marcante a influ\u00eancia helen\u00edstica, que aparece nas principais constru\u00e7\u00f5es romanas como os arcos triunfais, teatros, circos e esculturas.\n\n<strong>Teatro &#8211; Egito<\/strong>\n\nO mais antigo texto encontrado, referente aos Escritos das Pir\u00e2mides \u2013 denominados em 1882, como Dramas \u2013 data de cerca de 4.000 a.C..\n\nNos textos hierogl\u00edficos examinados foram encontradas diretrizes para a representa\u00e7\u00e3o e indica\u00e7\u00f5es para o uso de atores, capazes de observar as instru\u00e7\u00f5es para o palco e interpretar fielmente as passagens do drama.\n\nTanto nas representa\u00e7\u00f5es dos textos das pir\u00e2mides como em outras pe\u00e7as eg\u00edpcias se encontra o emprego de m\u00e1scaras de animais.\n\nEsses textos dram\u00e1ticos e religiosos eram provavelmente representados pelos sacerdotes, que moravam perto das Mastabas e Pir\u00e2mides.\n\nAs representa\u00e7\u00f5es dedicadas \u00e0 mem\u00f3ria dos mortos aconteciam em um grande p\u00e1tio, ao lado do rio Nilo e ao p\u00e9 da pir\u00e2mide em degraus, constru\u00edda em Sakkarah. Denominada Heb Sed, celebrava o jubileu da Coroa\u00e7\u00e3o e simbolizava a renova\u00e7\u00e3o do poder real, atrav\u00e9s da morte e da ressurrei\u00e7\u00e3o.\n\n<strong>O Teatro Medieval<\/strong>\n\nCom o advento do Cristianismo, o teatro n\u00e3o encontrou apoio e foi considerado pela igreja pag\u00e3o. Desta forma, as representa\u00e7\u00f5es teatrais foram extintas.\n\nO retorno do teatro aconteceu, paradoxalmente, atrav\u00e9s da pr\u00f3pria igreja, na Idade M\u00e9dia, entre o s\u00e9culo X e o in\u00edcio do s\u00e9culo XV, chegando a influenciar o teatro no s\u00e9culo XVI.\n\nA princ\u00edpio foram encenados dramas lit\u00fargicos, em latim, escritos e representados por membros do clero. Os fi\u00e9is participavam como figurantes e, mais tarde, como atores.\n\nEsta integra\u00e7\u00e3o mesclou o latim \u00e0 l\u00edngua falada nas regi\u00f5es.\n\nAs pe\u00e7as, sobre o ciclo da P\u00e1scoa ou da Paix\u00e3o, eram longas e podiam durar v\u00e1rios dias. A partir dos dramas religiosos, formaram-se grupos semi-profissionais e leigos, que se apresentavam nas ruas. Os temas, ainda religiosos, inclu\u00edram situa\u00e7\u00f5es tiradas do cotidiano.\n\nEspa\u00e7o c\u00eanico medieval \u2013 O interior das igrejas era usado inicialmente como teatro. Quando as pe\u00e7as se tornaram mais elaboradas e exigiram mais espa\u00e7o, passaram a ser apresentadas em frente \u00e0s igrejas.\n\n<strong>Palcos grandes enriqueceram cen\u00e1rios extremamente simples porque permitiram a inclus\u00e3o de pain\u00e9is que representavam diferentes lugares<\/strong>: uma porta simboliza a cidade; uma pequena eleva\u00e7\u00e3o, uma montanha; uma boca de drag\u00e3o, \u00e0 direita, indica o inferno; e uma eleva\u00e7\u00e3o, \u00e0 esquerda, o para\u00edso.\n\n<strong>No Mist\u00e9rio da Paix\u00e3o, pe\u00e7a baseada na via sacra, do per\u00edodo medieval, aparecem oito cen\u00e1rios diferentes que representam o caminho que liga as duas extremidades da imagem<\/strong>: o inferno e o para\u00edso, com um crit\u00e9rio realista contundente para que os fi\u00e9is compreendessem a natureza do pecado, seu castigo e, consequentemente, o pr\u00eamio dado aos que obedeciam aos mandamentos.\n\nSurgem grupos populares que transformam carro\u00e7as em palcos e se deslocam de uma pra\u00e7a \u00e0 outra.\n\nDurante o s\u00e9culo XII surgiram na Europa companhias de teatro que se apresentam de cidade em cidade. Este teatro j\u00e1 n\u00e3o tinha car\u00e1ter religioso e seus atores, chamados de Saltimbancos, andavam em carro\u00e7as, sempre em grupos, chamadas trupes, e n\u00e3o tinham morada certa. Hoje, esse teatro itinerante tamb\u00e9m \u00e9 conhecido como teatro mambembe.\n\nPerseguidos pela Igreja e tratados como fora-da-lei, os saltimbancos come\u00e7aram a usar m\u00e1scaras para n\u00e3o serem reconhecidos. Uma tradi\u00e7\u00e3o que descende diretamente desses artistas \u00e9 o circo, que at\u00e9 hoje percorre as cidades apresentando seus n\u00fameros.\n\n<strong>O Teatro Renascentista<\/strong>\n\nCom o advento do Cristianismo, o teatro n\u00e3o encontrou apoio e foi considerado pela igreja pag\u00e3o. O Teatro Renascentista vai do s\u00e9culo XV ao XVI, prolongando-se, em alguns pa\u00edses, at\u00e9 o in\u00edcio do s\u00e9culo XVII.\n\nO crescimento das cortes de reis e de sal\u00f5es de nobres levou as pessoas a apreciarem o teatro como divers\u00e3o.\n\nNo final da Idade M\u00e9dia e in\u00edcio do Renascimento foram criadas as companhias de artistas, os teatros privados e os p\u00fablicos. A paix\u00e3o grega pela arte teatral parecia ter ressurgido.\n\nFoi nesta \u00e9poca que passou a ser cobrado ingresso para as apresenta\u00e7\u00f5es de teatro.\n\nUm exemplo entre o teatro antigo e o moderno \u00e9 o Teatro Ol\u00edmpico de Vicenza (1583). O audit\u00f3rio, com degraus em semic\u00edrculo, pode ser considerado como tipicamente romano, mas as constru\u00e7\u00f5es c\u00eanicas, e sobretudo os curiosos cen\u00e1rios fixos, revelam algo de novo.\n\nNa parede de fundo do palco, pomposamente decorada, aparecem tr\u00eas aberturas, sendo a central em arco. Por essas aberturas, divisam-se cinco ruas constitu\u00eddas por cen\u00e1rios s\u00f3lidos e permanentes, reproduzindo fachadas de pal\u00e1cios e ruas de uma cidade. Tudo admiravelmente estudado, permitindo aos atores entrar e sair das casas, dobrar esquinas, etc.\n\nTodo esse luxuoso conjunto de p\u00f3rticos, est\u00e1tuas, decora\u00e7\u00f5es, cen\u00e1rios, foi obtido com o emprego de madeira e argila. Para ocultar o madeiramento do telhado foi usado como forro uma tela esticada, com a pintura de p\u00e1ssaros em v\u00f4os e outras imagens.\n\nEquipados com um simples cavalete, acoplado \u00e0 carro\u00e7a, para carregar as roupas e os acess\u00f3rios, os grupos da commedia dell\u2019arte paravam em todas as cidades, da Espanha \u00e0 Bo\u00eamia, da Inglaterra \u00e0 Pol\u00f4nia.\n\nAlguns grupos eram disputados fervorosamente pelas cortes da Europa e chegaram a fazer fortuna.\n\nO teatro erudito, imitando modelos greco-romanos, era muito acad\u00eamico, com linguagem pomposa e tem\u00e1tica, sem originalidade. J\u00e1 o teatro popular manteve viva a heran\u00e7a medieval.\n\nAs pe\u00e7as eram cheias de a\u00e7\u00e3o e vigor, e o ser humano tratado como o centro das preocupa\u00e7\u00f5es.\n\n<strong>Teatro Europeu &#8211; It\u00e1lia<\/strong>\n\nEm rea\u00e7\u00e3o ao teatro acad\u00eamico surgem, no s\u00e9culo XVI, as encena\u00e7\u00f5es da commedia dell\u2019arte, baseadas na cria\u00e7\u00e3o coletiva e no uso de m\u00e1scaras. Os di\u00e1logos eram improvisados pelos atores, que se especializavam em personagens fixos como a Colombina, o Polichinelo, o Arlequim, o capit\u00e3o Matamoros e o Pantalone.\n\nNesta \u00e9poca surgem atrizes representando personagens femininos, porque at\u00e9 ent\u00e3o os pap\u00e9is eram representados por homens. Os grupos apresentavam-se pela Europa com uma carro\u00e7a e um tablado.\n\n<strong>Os cen\u00e1rios eram muito simples<\/strong>: um tel\u00e3o pintado com a perspectiva de uma rua. Mais tarde, comedi\u00f3grafos como Moli\u00e8re, inspiram-se nestes grupos.\n\n<strong>Teatro Europeu &#8211; Inglaterra<\/strong>\n\nDesde o s\u00e9culo XV, trupes teatrais agregavam-se aos dom\u00ednios de senhores nobres e reis, constituindo o chamado teatro elizabetano. Os atores \u2013 ainda com a participa\u00e7\u00e3o exclusiva homens \u2013 eram empregados pela nobreza e por membros da realeza, assim como William Shakespeare.\n\nO teatro elizabetano tem seu auge entre 1.562 e 1.642. As pe\u00e7as caracterizavam-se pela mistura sistem\u00e1tica do s\u00e9rio e do c\u00f4mico; pela variedade dos temas mitol\u00f3gicos, da literatura medieval e renascentista e da hist\u00f3ria. A linguagem misturava o verso mais refinado \u00e0 prosa mais descontra\u00edda.\n\nOutra caracter\u00edstica do espa\u00e7o c\u00eanico elizabetano era a forma arredondada poligonal das constru\u00e7\u00f5es. O palco era dividido em at\u00e9 tr\u00eas n\u00edveis para que v\u00e1rias cenas fossem representadas simultaneamente.\n\nCircundando o interior do edif\u00edcio, em um n\u00edvel mais elevado, ficavam as galerias para os espectadores mais ricos.\n\nOs mais simples ficam em p\u00e9, quase se misturando aos atores, abaixo do n\u00edvel do palco. Uma cortina ao fundo modificava o ambiente.\n\nO Globe Theatre foi constru\u00eddo em 1599, \u00e0 margem sul do rio T\u00e2misa, em Londres e comportava at\u00e9 tr\u00eas mil espectadores.\n\nOs mais abastados sentavam-se em bancos nas galerias de madeira protegidas por tetos de sap\u00ea. Os pobres ficavam de p\u00e9 na plateia central, a c\u00e9u aberto.\n\nTodos podiam comprar bebidas e comidas durante as representa\u00e7\u00f5es, que come\u00e7avam por volta das duas da tarde e terminavam com um n\u00famero de canto e dan\u00e7a cerca de tr\u00eas horas depois.\n\nO palco elevado ficava de costas para o sol da tarde, de tal forma que os atores representavam na sombra.\n\n<strong>Teatro Europeu &#8211; Espanha<\/strong>\n\nEntre os s\u00e9culos XVI e XVII o teatro espanhol chegou ao seu apogeu. As regras eruditas foram desprezadas e as formas origin\u00e1rias das apresenta\u00e7\u00f5es populares foram incorporadas em pe\u00e7as de ritmo r\u00e1pido, com a\u00e7\u00f5es que se cruzavam. Os temas mitol\u00f3gicos, misturados a elementos locais estavam impregnados de sentimento religioso.\n\nAtores profissionais trabalhavam por conta pr\u00f3pria e eram empresariados pelos chamados autores de com\u00e9dia.\n\nOs nomes mais proeminentes deste per\u00edodo (a chamada idade de ouro do teatro espanhol) foram Calder\u00f3n de La Barca e Lope de Vega. O espet\u00e1culo teatral espanhol surgiu em espa\u00e7os improvisados \u2013 os corrales- p\u00e1tios ou \u00e1reas nos fundos das casas onde se erguia um tablado. Os espectadores ficavam nas janelas das casas vizinhas ou em p\u00e9 em volta do tablado. O cen\u00e1rio era apenas uma cortina.\n\n<strong>Teatro Europeu &#8211; Fran\u00e7a<\/strong>\n\nO primeiro teatro p\u00fablico franc\u00eas surgiu em 1.548, mas apenas no s\u00e9culo XVII apareceram os mais c\u00e9lebres autores franceses dos tempos modernos como Corneille e Racine, que escreveram trag\u00e9dias. Moli\u00e8re, tamb\u00e9m dessa \u00e9poca, se dedicou \u00e0s com\u00e9dias. Como a plat\u00e9ia francesa era barulhenta e agitada, a primeira parte da cena continha situa\u00e7\u00f5es que acalmavam o p\u00fablico. S\u00f3 assim se conseguia o sil\u00eancio.\n\nCom o mesmo objetivo, Moli\u00e8re criou tr\u00eas pancadas ou sinais, usados at\u00e9 hoje para avisar \u00e0 plat\u00e9ia que o espet\u00e1culo ia come\u00e7ar.\n\nFoi a partir do s\u00e9culo XVII que as mulheres passaram a fazer parte das atua\u00e7\u00f5es teatrais na Inglaterra e na Fran\u00e7a. Na Inglaterra, os pap\u00e9is femininos eram antes representados por jovens atores aprendizes.\n\n<strong>O Palco Italiano:\u00a0<\/strong>O teatro italiano experimentou grandes evolu\u00e7\u00f5es c\u00eanicas, muitas das quais s\u00e3o atualmente utilizadas. Muitos mecanismos foram adicionados \u00e0 infra-estrutura interna do palco, o que permitiu a mobilidade de cen\u00e1rios e maior versatilidade nas apresenta\u00e7\u00f5es.\n\n<strong>Espa\u00e7o c\u00eanico italiano<\/strong>\n\nTroca-se a cena greco-romana pelo palco italiano, com boca de cena arredondada e luzes na ribalta, escondidas do p\u00fablico por anteparos. Pela primeira vez \u00e9 usada uma cortina para esconder o cen\u00e1rio.\n\nAs tr\u00eas portas da cena grega s\u00e3o substitu\u00eddas por tel\u00f5es pintados que permitem efeitos especiais de perspectiva, conseguidos atrav\u00e9s de maquinaria pr\u00f3pria. Apagam-se as luzes da sala durante o espet\u00e1culo, para concentrar a aten\u00e7\u00e3o do p\u00fablico no palco. H\u00e1 plateia e camarotes, dispostos em formato de ferradura.\n\nA \u00f3pera torna-se t\u00e3o popular que, s\u00f3 em Veneza no s\u00e9culo XVII, funcionam regularmente 14 casas de espet\u00e1culos.\n\nNo s\u00e9culo XVIII a difus\u00e3o dos teatros p\u00fablicos e o decl\u00ednio do teatro ambulante levaram \u00e0 fabrica\u00e7\u00e3o de m\u00e1quinas que criavam efeitos m\u00e1gicos e ilus\u00f5es visuais na plateia, como por exemplo, pessoas voando.\n\nNo final do s\u00e9culo XVIII, as mudan\u00e7as na estrutura dram\u00e1tica das pe\u00e7as continham reflexos de acontecimentos hist\u00f3ricos como a Revolu\u00e7\u00e3o Industrial e a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa. Surgiram g\u00eaneros como o melodrama, que atendia ao gosto do grande p\u00fablico. Tamb\u00e9m nesse per\u00edodo foram constru\u00eddos muitos teatros para atender \u00e0 demanda de p\u00fablico.\n\nJ\u00e1 no s\u00e9culo XIX, as inova\u00e7\u00f5es c\u00eanicas e de infra-estrutura do teatro tiveram grandes inova\u00e7\u00f5es.\n\nO teatro Booth, de Nova Iorque, utilizava os recursos do elevador hidr\u00e1ulico. Com o advento da luz a g\u00e1s, a t\u00e9cnica de ilumina\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m passou por transforma\u00e7\u00f5es e novas experimenta\u00e7\u00f5es.\n\nEm 1881, o Savoy Theatre de Londres foi o primeiro a utilizar ilumina\u00e7\u00e3o el\u00e9trica. Nos cen\u00e1rios e figurino da \u00e9poca, reproduzia-se situa\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas com realismo bastante apurado. As sess\u00f5es de teatro, que antes apresentavam v\u00e1rias obras, passaram a encenar um \u00fanica pe\u00e7a.\n\nAs inova\u00e7\u00f5es que surgiram acabaram criado a figura do diretor, respons\u00e1vel por todos os est\u00e1gios art\u00edsticos de uma produ\u00e7\u00e3o teatral.\n\nAo final do s\u00e9culo XIX muitos autores assumiram uma postura de cria\u00e7\u00e3o bastante diversa daquela de seus predecessores rom\u00e2nticos. Passaram a usar a arte como ve\u00edculo de den\u00fancia de acontecimentos da vida real.\n\nJ\u00e1 o teatro do s\u00e9culo XX caracteriza-se pelo ecletismo e pela grande quebra de antigas tradi\u00e7\u00f5es. O design c\u00eanico, a dire\u00e7\u00e3o teatral, a infra-estrutura e os estilos de interpreta\u00e7\u00e3o n\u00e3o se vincularam em um \u00fanico padr\u00e3o predominante.\n\nNa cenografia passaram a ser utilizados efeitos n\u00e3o-real\u00edsticos. As pr\u00f3prias atividades de mudan\u00e7a de palco podiam ser vistas pelo p\u00fablico. No teatro contempor\u00e2neo, tanto as tradi\u00e7\u00f5es realistas como as n\u00e3o-realistas convivem simultaneamente.\n\n<strong>Teatro no Brasil<\/strong>\n\nNo Brasil, o\u00a0<strong>teatro<\/strong>\u00a0tem sua origem com as representa\u00e7\u00f5es de catequiza\u00e7\u00e3o dos \u00edndios.\n\nA implanta\u00e7\u00e3o do\u00a0<strong>teatro, no Brasil<\/strong>, foi obra dos jesu\u00edtas, empenhados em catequizar os \u00edndios para o catolicismo e coibir os h\u00e1bitos conden\u00e1veis dos colonizadores portugueses. O padre Jos\u00e9 de Anchieta (1534-1597), em quase uma dezena de autos inspirados na dramaturgia religiosa medieval e sobretudo em Gil Vicente, notabilizou-se nessa tarefa, de preocupa\u00e7\u00e3o mais religiosa do que art\u00edstica.\n\nProdu\u00e7\u00e3o sem continuidade, ela n\u00e3o foi substitu\u00edda por outra que deixasse mem\u00f3ria, nos s\u00e9culos XVII e XVIII, salvo alguns documentos esparsos. Sabe-se, de qualquer forma, que se ergueram \u201ccasas da \u00f3pera\u201d nesse \u00faltimo s\u00e9culo, no Rio, em Vila Rica, Diamantina, Recife, S\u00e3o Paulo, Porto Alegre e Salvador, atestando a exist\u00eancia de uma atividade c\u00eanica regular. A sala de espet\u00e1culos de Vila Rica (atual Ouro Preto) \u00e9 considerada a mais antiga da Am\u00e9rica do Sul. Menciona-se o Padre Ventura como o primeiro brasileiro a dedicar-se ao palco, no Rio, e seu elenco era de mulatos.\n\nA transfer\u00eancia da corte portuguesa para o Rio, em 1808, trouxe ineg\u00e1vel progresso para o teatro, consolidado pela Independ\u00eancia, em 1822, a que se ligou logo depois o romantismo, de cunho nacionalista.\n\nO ator Jo\u00e3o Caetano (1808-1863) formou, em 1833, uma companhia brasileira, com o prop\u00f3sito de \u201cacabar assim com a depend\u00eancia de atores estrangeiros para o nosso teatro\u201d.\n\n<strong>Seu nome vinculou-se a dois acontecimentos fundamentais da hist\u00f3ria dramat\u00fargica nacional<\/strong>: a estreia, a 13 de mar\u00e7o de 1838, de Ant\u00f4nio Jos\u00e9 ou O Poeta e a Inquisi\u00e7\u00e3o, \u201ca primeira trag\u00e9dia escrita por um brasileiro, e \u00fanica de assunto nacional\u201d, de autoria de Gon\u00e7alves de Magalh\u00e3es (1811-1882); e, a 4 de outubro daquele ano, de O Juiz de Paz na Ro\u00e7a, em que Martins Pena (1815-1848) abriu o rico fil\u00e3o da com\u00e9dia de costumes, o g\u00eanero mais caracter\u00edstico da nossa tradi\u00e7\u00e3o c\u00eanica.\n\nLeonor de Mendon\u00e7a, de Gon\u00e7alves Dias (1823-1864), distingue-se como o melhor drama rom\u00e2ntico brasileiro. A trama, que poderia evocar Otelo, se constitui, na verdade, um antecipador manifesto feminista.\n\nE a com\u00e9dia de costumes marcou as escolas sucessivas, do romantismo e at\u00e9 do simbolismo, passando pelo realismo e pelo naturalismo. Filiaram-se a ela as pe\u00e7as mais expressivas de Joaquim Manoel de Macedo (1820-1882), Jos\u00e9 de Alencar (1829-1877), Machado de Assis (1939-1908), Fran\u00e7a J\u00fanior (1838-1890) e Artur Azevedo (1855-1908), notabilizado pelas burletas A Capital Federal e O Mambembe.\n\nFugiu aos esquemas anteriores Qorpo-Santo (1829-1889), julgado precursor do teatro do absurdo ou do surrealismo.\n\nA Semana de Arte Moderna de 1922, emblema da modernidade art\u00edstica, n\u00e3o teve a presen\u00e7a do teatro. S\u00f3 na d\u00e9cada seguinte Oswald de Andrade (1890-1954), um de seus l\u00edderes, publicou tr\u00eas pe\u00e7as, entre as quais O Rei da Vela, que se tornou em 1967 o manifesto do tropicalismo. Naqueles anos, registrava-se a hegemonia do astro, representado por Leopoldo Fr\u00f3es e depois por um Proc\u00f3pio Ferreira. S\u00f3 em 1943, com a estreia de Vestido de Noiva, de Nelson Rodrigues (1912-1980), sob a dire\u00e7\u00e3o de Ziembinski, modernizou-se o palco brasileiro. Mas a excel\u00eancia do texto n\u00e3o iniciou ainda a hegemonia do autor, que se transferiu para as m\u00e3os do encenador.\n\nCome\u00e7ava na montagem do grupo amador carioca de Os Comediantes a preocupa\u00e7\u00e3o com a unidade estil\u00edstica do espet\u00e1culo, continuada a partir de 1948 pelo paulista Teatro Brasileiro de Com\u00e9dia, que contratou diversos diretores estrangeiros, e pelos elencos dele sa\u00eddos \u2013 Cia. Nydia L\u00edcia-S\u00e9rgio Cardoso, Cia. T\u00f4nia-Celi-Autran, Teatro Cacilda Becker e Teatro dos Sete.\n\nMaria Della Costa passou por ele enquanto esperava a constru\u00e7\u00e3o de sua casa de espet\u00e1culos e adotou no Teatro Popular de Arte os seus mesmos princ\u00edpios. O ecletismo de repert\u00f3rio desses conjuntos provocou, a partir do \u00eaxito de Eles N\u00e3o Usam Black-tie, de Gianfrancesco Guarnieri, em 1958, uma guinada na pol\u00edtica do Teatro de Arena de S\u00e3o Paulo, inaugurando a fase da hegemonia do autor brasileiro, ainda que tivessem estreado antes A Morat\u00f3ria, de Jorge Andrade (1922-1984), em 1955, e o Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna (n.1927), em 1956, al\u00e9m de outras obras.\n\nVeio, em 1964, o golpe militar, e cabe dizer que ocorreu uma hegemonia da censura. Afirmou-se um teatro de resist\u00eancia \u00e0 ditadura, desde os grupos mais engajados, como o Arena e o Oficina de S\u00e3o Paulo e o Opini\u00e3o, do Rio, aos dramaturgos como Gianfrancesco Guarnieri, Augusto Boal, Dias Gomes, Oduvaldo Vianna Filho e Pl\u00ednio Marcos.\n\nAutores afeitos ao ve\u00edculo da com\u00e9dia, a exemplo de Jo\u00e3o Bethencourt, Mill\u00f4r Fernandes, Lauro C\u00e9sar Muniz e M\u00e1rio Prata, seguiram a mesma trilha. N\u00famero enorme de pe\u00e7as, at\u00e9 hoje n\u00e3o computado, conheceu a interdi\u00e7\u00e3o.\n\nQuando, a partir da abertura, os textos proibidos puderam chegar ao palco, o p\u00fablico n\u00e3o se interessava em remoer as dores antigas. Talvez por esse motivo, enquanto se aguardavam novas viv\u00eancias, o palco foi preenchido pelo \u201cbesteirol\u201d, ainda que Mauro Rasi, um dos seus principais autores, se encaminhasse depois para um mergulho autobiogr\u00e1fico. A partir dos anos 70, Maria Adelaide Amaral se tem mostrado a autora de produ\u00e7\u00e3o mais constante e de melhores resultados art\u00edsticos.\n\nCom a estreia de Macuna\u00edma, transposi\u00e7\u00e3o da \u201craps\u00f3dia\u201d de M\u00e1rio de Andrade, em 1978, Antunes Filho assumiu a cria\u00e7\u00e3o radical do espet\u00e1culo, inaugurando a hegemonia dos encenadores-criadores.\n\nA tend\u00eancia teve acertos, sublinhando a autonomia art\u00edstica do espet\u00e1culo, e descaminhos, como a redu\u00e7\u00e3o da palavra a um jogo de imagens. Aparados os excessos, essa linha, da qual participam nomes como Gerald Thomas, Ulysses Cruz, Aderbal Freire-Filho, Eduardo Tolentino de Ara\u00fajo, Cac\u00e1 Rosset, Gabriel Villela, M\u00e1rcio Vianna, Moacyr G\u00f3es, Ant\u00f4nio Ara\u00fajo e v\u00e1rios outros, est\u00e1 atingindo, nas temporadas recentes, um equil\u00edbrio que ressalta todos os componentes do teatro.\n\n<strong>Fonte:<\/strong>\u00a0seatup.com\/www.virtual.epm.br\/www.mre.gov.br\/www.milvezesteatro.hpg.ig.com.br\/liriah.teatro.vilabol.uol.com.br\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hist\u00f3ria do Teatro, Brasil, Origem, Mundo, Evolu\u00e7\u00e3o, Arte, Antigo, Gr\u00e9cia, Egito, Atores, Representar, Espectadores, Hist\u00f3ria do Teatro<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":16657,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[57],"tags":[],"class_list":["post-21541","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia-geral"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - 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