{"id":21539,"date":"2016-01-07T00:00:00","date_gmt":"2016-01-07T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/dramaturgia-historia-2\/"},"modified":"2026-09-01T15:39:47","modified_gmt":"2026-09-01T15:39:47","slug":"dramaturgia-historia-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-geral\/dramaturgia-historia-2\/","title":{"rendered":"Dramaturgia &#8211; Hist\u00f3ria"},"content":{"rendered":"\n&nbsp;\n<h4>O que \u00e9<\/h4>\n<strong>Dramaturgia<\/strong> \u00e9 a arte de composi\u00e7\u00e3o do drama e sua apresenta\u00e7\u00e3o no palco.\n\nAlgumas obras s\u00e3o escritas especificamente para a representa\u00e7\u00e3o no palco, e outras s\u00e3o adaptadas por um profissional chamado dramaturgo.\n\nDifere da escrita comum liter\u00e1ria por ser mais como uma estrutura\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria aos elementos espec\u00edficos do teatro.\n\n\u00c9 caracter\u00edstico da <strong>dramaturgia<\/strong> compor hist\u00f3rias para serem faladas no palco, pois trata-se do estudo do drama propriamente dito, onde o dramaturgo, ao escrever uma pe\u00e7a teatral, cria personagens e conflitos que, ao serem apresentandos, d\u00e3o a impress\u00e3o de que aquilo est\u00e1 acontecendo &#8220;aqui e agora&#8221;.\n\n<strong>Por\u00e9m a dramaturgia n\u00e3o est\u00e1 relacionada somente ao texto teatral, ela est\u00e1 presente em toda obra escrita com o intuito de se contar uma hist\u00f3ria como<\/strong>: roteiros cinematogr\u00e1ficos, romances, contos e telenovelas.\n<h4>Hist\u00f3ria<\/h4>\nQuando se pensa em nossa matriz teatral, que remonta \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o narrativa dram\u00e1tica de cunho greco-romano e judaico-crist\u00e3o, dramaturgia pode ser entendida como uma no\u00e7\u00e3o chave da cultura e da pr\u00e1tica teatral no ocidente, tanto do ponto de vista do palco quanto do ponto de vista da plat\u00e9ia. Juntamente com as no\u00e7\u00f5es de espet\u00e1culo e representa\u00e7\u00e3o, a dramaturgia forma uma esp\u00e9cie de trip\u00e9 estruturante da pr\u00f3pria natureza do teatro e das formas narrativas ficcionais dos espet\u00e1culos realizados ao vivo diante de um grupo de espectadores. As artes c\u00eanicas, incluindo-se a\u00ed as artes coreogr\u00e1ficas de uma maneira geral, necessitam, em maior ou em menor escala, se estabelecer segundo crit\u00e9rios bastante diversificados expressos segundo esse trip\u00e9.\n\n\u00c9 inevit\u00e1vel que, contemporaneamente, quando pr\u00e1ticos da cena ou especialistas dos estudos teatrais ou coreogr\u00e1ficos se expressem acerca de seus processos criativos e\/ou dramat\u00fargicos, nem sempre haja uma coincid\u00eancia de significados. Entretanto, os tr\u00eas termos \u0097 dramaturgia, espet\u00e1culo, representa\u00e7\u00e3o \u0097 s\u00e3o, sistematicamente, recorrentes, o que reflete uma complexa teia de refer\u00eancias conceituais que problematizam procedimentos criativos distintos. Esses procedimentos est\u00e3o em permanente atualiza\u00e7\u00e3o com a capacidade cognitiva do tecido social de onde essas mesmas produ\u00e7\u00f5es se originam e onde, conseq\u00fcentemente ser\u00e3o recepcionadas.\n\nDe maneira geral, empregamos o termo dramaturgia para nos referirmos \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de um autor teatral \u0097 a dramaturgia de Ibsen, a dramaturgia de Lope de Vega, a dramaturgia brechtiana, etc. \u0097. Ainda de forma gen\u00e9rica, emprega-se tamb\u00e9m o termo dramaturgia na tentativa de definir um certo conjunto de obras, seja por uma periodicidade, ainda que arbitr\u00e1ria \u0097 dramaturgia cl\u00e1ssica, dramaturgia elisabetana, dramaturgia rom\u00e2ntica, etc. \u0097, seja por afinidades devidas aos tra\u00e7os formais ou tem\u00e1ticos \u0097 uma dramaturgia do absurdo, uma dramaturgia er\u00f3tica, uma dramaturgia esp\u00edrita, etc \u0097. H\u00e1, ainda hoje, aquela distin\u00e7\u00e3o que sempre marcou a atividade teatral \u0097 uma dramaturgia amadora e uma dramaturgia profissional \u0097 ou tamb\u00e9m em termos de g\u00eanero ou p\u00fablico alvo \u0097 uma dramaturgia feminina ou uma dramaturgia para inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia \u0097. Desta forma, j\u00e1 se estabelece a diferen\u00e7a entre o drama e o theatre conforme a vis\u00e3o dos ingleses. O primeiro \u00e9 o texto, a composi\u00e7\u00e3o dramat\u00fargica, a pe\u00e7a teatral, o outro \u00e9 a sua realiza\u00e7\u00e3o, a transposi\u00e7\u00e3o daquele nesse pela opera\u00e7\u00e3o da encena\u00e7\u00e3o.\n\nUma outra acep\u00e7\u00e3o do emprego de dramaturgia pode ser atribu\u00edda \u00e0 G. E. Lessing que durante os anos de 1767 a 1768 redigiu folhetins semanais que deram origem \u00e0 sua obra intitulada Dramaturgia de Hamburgo.\n\nNas palavras do pr\u00f3prio autor de Em\u00edlia Galoti em abril de 1767, \u0093esta dramaturgia tem por objetivo manter um registro cr\u00edtico de todas as pe\u00e7as levadas \u00e0 cena e acompanhar todos os passos que a arte, tanto do poeta como do ator ir\u00e1 dar\u0094. (LESSING, 2005, 29). N\u00e3o sem marcar, de maneira indel\u00e9vel, a pr\u00e1tica teatral ocidental circunscrevendo, inicialmente, a fun\u00e7\u00e3o que depois se vulgarizaria como dramaturg, ou dramaturgista, entre n\u00f3s, Lessing atribui um sentido outro a sua produ\u00e7\u00e3o de cr\u00edtico, comentarista, conselheiro dramat\u00fargico ou consultor teatral. De toda forma, o foco do trabalho teatral no s\u00e9culo XVIII \u00e9 condicionado pela dramaturgia, pelo repert\u00f3rio de textos. Textos esses que v\u00e3o inclusive desenhando novas maneiras de atuar junto aos atores e problematizando a condi\u00e7\u00e3o dos g\u00eaneros dram\u00e1ticos.\n\nNo s\u00e9culo XIX, essa \u0093arte ou t\u00e9cnica da composi\u00e7\u00e3o dramat\u00fargica\u0094 forjou a no\u00e7\u00e3o de pi\u00e8ce bien faite como sendo o padr\u00e3o aceit\u00e1vel da dramaturgia perfeita.\n\nEssa no\u00e7\u00e3o, atribu\u00edda em parte \u00e0 vasta produ\u00e7\u00e3o de Eug\u00e8ne Scribe, foi o paradigma a ser seguido pelos autores que almejavam o sucesso de um p\u00fablico que ele estimava instruir e divertir. O modelo a\u00ed empregado foi aquele herdeiro do s\u00e9culo XVII, do teatro cl\u00e1ssico franc\u00eas, que por sua vez reabilitou, em forma de c\u00e2none, os par\u00e2metros da dramaturgia antiga, greco-romana. Aliou-se a isso, no caso da Fran\u00e7a, a presen\u00e7a de um cr\u00edtico como Francisque Sarcey que atrav\u00e9s de seus folhetins no jornal Le Temps colaborou de forma indel\u00e9vel para cristaliza\u00e7\u00e3o desta receita. Esta receita visava a produ\u00e7\u00e3o em s\u00e9rie de uma dramaturgia de sucesso. Condicionada aos mecanismos de causa e efeito no interior da a\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica, a pi\u00e8ce bien faite ajudou a imortalizar esse formato de dramaturgia que ainda hoje \u00e9 empregado na teledramaturgia luso-brasileira.\n\nDizia Pirandello que a trama de uma pe\u00e7a era a raz\u00e3o de ser do personagem. O caso \u00e9 que, hoje, a no\u00e7\u00e3o de dramaturgia e conjuntamente aquela de representa\u00e7\u00e3o extrapolam os limites daquilo que outrora estava delimitado pela \u0093arte ou t\u00e9cnica da composi\u00e7\u00e3o de pe\u00e7as teatrais\u0094. O fen\u00f4meno teatral hoje, depois das experi\u00eancias dos anos 1960 e 1970, promove uma desestabiliza\u00e7\u00e3o de no\u00e7\u00f5es que pareciam inabal\u00e1veis e indiscut\u00edveis at\u00e9 ent\u00e3o. E no centro dessa turbul\u00eancia encontra-se justamente a no\u00e7\u00e3o de dramaturgia.\n\n<strong>Contemporaneamente, encontram-se espet\u00e1culos de diversos coletivos teatrais ou de criadores c\u00eanicos que reivindicam o desenvolvimento de uma \u0093dramaturgia pr\u00f3pria\u0094<\/strong>: seja por meio de uma \u0093dramaturgia corporal\u0094 sem necessariamente se ater \u00e0 \u0093composi\u00e7\u00e3o de um personagem\u0094 no sentido psicol\u00f3gico; seja por conta de trabalhos que repousam sobre uma \u0093dramaturgia do ator\u0094 que explora sua pr\u00f3pria biografia como res\u00edduo para cena; seja com encena\u00e7\u00f5es que s\u00e3o elaboradas segundo uma dramaturgia oriunda de \u0093processos colaborativos\u0094, entre outras denomina\u00e7\u00f5es. Enfim, o emprego do termo dramaturgia n\u00e3o est\u00e1 mais restrito ao trabalho do autor dram\u00e1tico como agente criativo, e sim dissolvido entre a t\u00e9cnica de composi\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria cena e a concep\u00e7\u00e3o do que os atores \u0093falam\u0094 sobre o palco em situa\u00e7\u00e3o de exibi\u00e7\u00e3o.\n\nNaturalmente, estes s\u00e3o desdobramentos que possuem sua origem hist\u00f3rica e est\u00e9tica no trabalho teatral de um V. Meyerhold, apesar de que, por vezes, essa matriz paradigm\u00e1tica seja atribu\u00edda \u00e0s experi\u00eancias de B. Brecht, autor e diretor de seus pr\u00f3prios espet\u00e1culos. O fato \u00e9 que, na atualidade, a discuss\u00e3o sobre a constru\u00e7\u00e3o de uma dramaturgia se afirma por conta de um processo criativo h\u00edbrido, onde a no\u00e7\u00e3o de autoria n\u00e3o se apresenta mais t\u00e3o est\u00e1vel como era no passado. A no\u00e7\u00e3o de autoria hoje \u00e9 no m\u00ednimo flutuante diante dos diversos procedimentos e determinismos vivenciados pelos coletivos teatrais ocidentais.\n\nEtimologicamente, drama \u00e9 oriundo do grego e significa a\u00e7\u00e3o. Dramaturgia, em si, seria por defini\u00e7\u00e3o particular a \u0093arte ou a t\u00e9cnica da composi\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica\u0094.\n\nMas qual composi\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica em tempos, predominantemente, p\u00f3s-dram\u00e1ticos?\n\n<strong>Em primeiro lugar, esta arte da constru\u00e7\u00e3o ou da desconstru\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica pressuporia certos elementos integrantes desta mesma composi\u00e7\u00e3o<\/strong>: personagem; intriga; a\u00e7\u00e3o; tempo; espa\u00e7o; di\u00e1logo; etc.\n\nPartindo-se do legado de Arist\u00f3teles, e tendo-se o cuidado de ler seu pequeno tratado \u0097 A Arte Po\u00e9tica \u0097, como uma obra mais descritiva do que te\u00f3rica-prescritiva, n\u00e3o se observa nessa po\u00e9tica a defini\u00e7\u00e3o propriamente de uma dramaturgia, no tocante \u00e0 trag\u00e9dia.\n\n<strong>Ali se apresentam, como se pode constatar \u00e0 leitura do verbete drama nesse mesmo Dicion\u00e1rio de Termos Liter\u00e1rios, no\u00e7\u00f5es observadas acerca da constitui\u00e7\u00e3o, urdidura e confec\u00e7\u00e3o do espet\u00e1culo teatral como um todo<\/strong>: do texto, da representa\u00e7\u00e3o e do pr\u00f3prio espet\u00e1culo que constituem uma \u0093po\u00e9tica do drama\u0094, e neste caso espec\u00edfico afeito \u00e0 trag\u00e9dia como g\u00eanero.\n\nNesse mesmo sentido Jacques Scherer que \u00e9 autor, nos anos 1950, de uma outra dramaturgia, isto \u00e9, La dramaturgie classique en France, estabelece uma clara distin\u00e7\u00e3o em seu estudo entre os elementos integrantes da estrutura interna da pe\u00e7a (personagens; exposi\u00e7\u00e3o; n\u00f3s dram\u00e1ticos; obst\u00e1culos e perip\u00e9cias; unidades de a\u00e7\u00e3o; tempo e lugar; desenlaces; etc.) e os elementos que comp\u00f5em a estrutura externa da pe\u00e7a, isto \u00e9, a sua transposi\u00e7\u00e3o espacial ou a encena\u00e7\u00e3o, aqueles elementos que constituem, em certa medida, a materialidade dos primeiros dados inerentes ao texto, preto no branco.\n\nPortanto, tradicionalmente, a dramaturgia enquanto \u0093arte ou a t\u00e9cnica da composi\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica\u0094 a servi\u00e7o da reda\u00e7\u00e3o de um texto escrito, estabeleceria para esse mesmo texto teatral uma sutil distin\u00e7\u00e3o entre a voz do autor e as vozes de seus personagens. Seja no registro do \u00e9pico ou do dram\u00e1tico, a voz do autor se apresentaria na sua totalidade no texto didasc\u00e1lico, enquanto que essa mesma voz autoral apareceria \u0093mascarada\u0094 pela massa de texto atribu\u00edda, por esse mesmo autor, aos seus personagens nos di\u00e1logos em forma de \u0093falas\u0094. Esse princ\u00edpio \u00e9 v\u00e1lido ainda hoje, desde a dramaturgia antiga, passando pela dramaturgia do s\u00e9culo XIX e a eclos\u00e3o do Nouveau Th\u00e9\u00e2tre ou do dito Teatro do Absurdo no p\u00f3s-guerra.\n\nOra, ent\u00e3o fica claro que aquilo que outrora seria a \u0093arte da composi\u00e7\u00e3o de textos teatrais\u0094, em tempos modernos se expande para arte da composi\u00e7\u00e3o de um espet\u00e1culo ou de um ato c\u00eanico, seja l\u00e1 o nome que for atribu\u00eddo para realiza\u00e7\u00e3o dessa experi\u00eancia narrativa. A no\u00e7\u00e3o em si n\u00e3o desaparece, como querem alguns pr\u00e1ticos ou assinalam alguns te\u00f3ricos. A no\u00e7\u00e3o de dramaturgia se transforma gra\u00e7as a uma din\u00e2mica natural da cultura de da pr\u00e1tica teatral. Se outrora, ela estava concentrada no texto teatral, e hoje ela se desloca para uma outra esfera, mais complexa talvez, pois lida com novos paradigmas e com incertezas. N\u00e3o haveria, portanto uma dramaturgia, mas diversas dramaturgias e procedimentos de composi\u00e7\u00e3o distintos. E essa diversidade espelha o trabalho de coletivos teatrais contempor\u00e2neos que na busca por novas conven\u00e7\u00f5es e formas de express\u00f5es narrativas, acentuam, cada vez mais, em suas produ\u00e7\u00f5es ficcionais o atrito entre o Real e o Ficcional; a subtra\u00e7\u00e3o da fun\u00e7\u00e3o do personagem; o desmonte do princ\u00edpio da a\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica e f\u00edsica, entre outros procedimentos.\n\n<strong>Bibliografia:<\/strong>\n\nPOUGIN, Arthur. Dictionnaire du Th\u00e9\u00e2tre, Paris, Firmin-Didot, 1885; SCHERER, Jacques. La Dramaturgie Classique en France, (reed. 2001), Saint-Genouph, Librairie Nizet, 1950; LESSING, G. E. Dramaturgia de Hamburgo, (trad; introd e notas de NUNES, Manuela), Lisboa, Funda\u00e7\u00e3o Calouste Gulbenkian, 2005.\n\nFonte: www2.fcsh.unl.pt\n<h6>Dramaturgia<\/h6>\nEscrever uma pe\u00e7a corresponde a escrever o Roteiro, ou Script, para a representa\u00e7\u00e3o teatral de uma hist\u00f3ria.\n\nO Roteiro cont\u00e9m tudo que \u00e9 dito pelos atores no palco, e as indica\u00e7\u00f5es para tudo que deve ser feito para que a representa\u00e7\u00e3o seja realizada.\n\nUma p\u00e1gina sobre como escrever um Roteiro de Teatro n\u00e3o basta para passar toda a id\u00e9ia do que \u00e9 e do que requer essa tarefa.. \u00c9 necess\u00e1rio que a pessoa tenha assistido a um espet\u00e1culo teatral pelo menos uma vez, e que leia alguns roteiros, para que tenha a no\u00e7\u00e3o completa do que \u00e9 escrever uma pe\u00e7a, e sobretudo para compreender as limita\u00e7\u00f5es a que o teatro est\u00e1 sujeito, se comparado a outros meios de produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica como a literatura e o cinema, e tamb\u00e9m o potencial dessa forma rica de express\u00e3o art\u00edstica..\n\nA pe\u00e7a de Teatro divide-se em Atos e Cenas.\n\nOs Atos se constituem de uma s\u00e9rie de cenas interligadas por uma subdivis\u00e3o tem\u00e1tica.\n\n<strong>As cenas se dividem conforme as altera\u00e7\u00f5es no n\u00famero de personagens em a\u00e7\u00e3o<\/strong>: quando entra ou sai do palco um ator. O cerne ou medula de uma pe\u00e7a s\u00e3o os di\u00e1logos entre os personagens.\n\n<strong>Por\u00e9m, o Roteiro cont\u00e9m mais que isto<\/strong>: atrav\u00e9s das Rubricas e das Indica\u00e7\u00f5es ele traz as determina\u00e7\u00f5es indispens\u00e1veis para a realiza\u00e7\u00e3o do drama e assim orienta os atores e a equipe t\u00e9cnica sobre cada cena da representa\u00e7\u00e3o.\n\nAs Rubricas (tamb\u00e9m chamadas \u0093Indica\u00e7\u00f5es de cena\u0094 e &#8220;indica\u00e7\u00f5es de reg\u00eancia&#8221;) descrevem o que acontece em cena; dizem se a cena \u00e9 interior ou exterior, se \u00e9 dia ou noite, e o local em que transcorre. Interessam principalmente \u00e0 equipe t\u00e9cnica. Apesar de consideradas como \u0093para-texto\u0094 ou \u0093texto secund\u00e1rio\u0094, s\u00e3o de import\u00e2ncia pr\u00f3xima \u00e0 do pr\u00f3prio di\u00e1logo da pe\u00e7a, uma vez que este normalmente \u00e9 insuficiente para indicar todas as a\u00e7\u00f5es e sentimentos a serem executados e expressos pelos atores. Sylviane Robardey-Eppstein, da Uppsala Universitet, no verbete Rubricas do Dictionnaire International des Termes Litt\u00e9raires, faz uma classifica\u00e7\u00e3o minuciosa das rubricas.\n\n<strong>Vamos aproveitar aqui apenas as seguintes categorias<\/strong>: Macro-rubrica e Micro-rubrica, esta \u00faltima dividida em Rubrica Objetiva e Rubrica Subjetiva..\n\nA Macro-rubrica \u00e9 uma Rubrica geral que interessa \u00e0 pe\u00e7a, ou ao Ato e \u00e0s Cenas; \u00e9 tamb\u00e9m chamada \u0093Vista\u0094, e \u00e9 colocada no centro da p\u00e1gina, no alto do texto de cada cena, e escrita em it\u00e1lico ou em mai\u00fasculas. As demais Rubricas est\u00e3o inseridas no di\u00e1logo e afetam apenas a a\u00e7\u00e3o c\u00eanica\n\n<strong>A Micro-rubrica Objetiva refere-se \u00e0 movimenta\u00e7\u00e3o dos atores<\/strong>: descreve os movimentos, gestos, posi\u00e7\u00f5es, ou indicam o personagem que fala, o lugar, o momento, etc.\n\n<strong>As Micro-rubricas Subjetivas interessam principalmente aos atores<\/strong>: descrevem os estados emocionais das personagens e o tom dos di\u00e1logos e falas.\n\nAo fazer as Indica\u00e7\u00f5es C\u00eanicas ou Rubricas o dramaturgo (o Autor) interfere na arte de dirigir do Diretor de Cena e tamb\u00e9m enquadra a interpreta\u00e7\u00e3o dos atores sem respeitar sua arte de interpretar. Por essa raz\u00e3o deve limitar-se a fazer as indica\u00e7\u00f5es m\u00ednimas requeridas para o rumo geral que deseja dar \u00e0 representa\u00e7\u00e3o, as quais, como autor da pe\u00e7a, lhe cabe determinar.\n\nAs falas s\u00e3o alinhadas na margem esquerda da folha, e cada fala \u00e9 antecedida pelo nome do personagem que vai proferi-la. O nome do personagem \u00e9 centralizado em letras mai\u00fasculas (caixa alta).\n\nAs Rubricas e as Indica\u00e7\u00f5es ficam em linhas separadas e escritas em it\u00e1lico, afastadas da margem esquerda uma meia d\u00fazia de espa\u00e7os (endenta\u00e7\u00e3o). Mas podem tamb\u00e9m cair em meio \u00e0 fala, e neste caso, al\u00e9m de escritas em it\u00e1lico, tamb\u00e9m s\u00e3o colocadas entre par\u00eanteses.\n\nAs palavras precisam ser impressas com nitidez e ser corretamente redigidas. Usa-se em geral a letra Courier no tamanho 12. Entre a fala de um e de outro personagem \u00e9 deixado um espa\u00e7o duplo. Os verbos estar\u00e3o sempre no tempo presente, e a ordem das palavras deve corresponder \u00e0 seq\u00fc\u00eancia das a\u00e7\u00f5es indicadas.\n\n<strong>Resumindo:<\/strong>\n<blockquote>ATOS e CENAS em mai\u00fasculas normais.\nIndica\u00e7\u00f5es sempre em min\u00fasculas e it\u00e1lico.\nIndica\u00e7\u00f5es gerais de ATO e de CENA (envolvendo mais de um ator) entre colchetes, em min\u00fasculas, em it\u00e1lico e par\u00e1grafos justificados e estreitos, alinhados ao recuo esquerdo;\nindica\u00e7\u00f5es ao Ator, ap\u00f3s seu nome em uma indica\u00e7\u00e3o que j\u00e1 est\u00e1 entre colchetes, ou entre par\u00eanteses ap\u00f3s seu nome na chamada, ou inseridas entre par\u00eanteses em sua fala, Indica\u00e7\u00f5es ao Ator que s\u00e3o muito longas, melhor coloca-las como indica\u00e7\u00f5es gerais, entre colchetes.\nnome dos atores em Mai\u00fasculas normais, centralizados, primeiro como chamada conjunta para uma cena e individualmente na indica\u00e7\u00e3o de fala, e em min\u00fascula nas falas em que s\u00e3o citados por outros)\u00b4.\nApenas as falas s\u00e3o em par\u00e1grafos de letras normais e alinhados \u00e0 margem esquerda.<\/blockquote>\n<strong>Um exemplo:<\/strong>\n\n<strong>(Na primeira p\u00e1gina, somente o t\u00edtulo da pe\u00e7a) <\/strong>\n<p align=\"center\"><strong>O MISTERIOSO DR. MACHADO<\/strong><\/p>\n<p align=\"center\"><strong>por &#8230;<\/strong><\/p>\n<p align=\"center\"><strong>(cidade, estado)<\/strong><\/p>\n<p align=\"center\"><strong>(ano)<\/strong><\/p>\n<p align=\"left\"><strong>(Na segunda p\u00e1gina, todos os personagens da pe\u00e7a) PERSONAGENS<\/strong><\/p>\n<p align=\"center\">Frederico Torres, vereador.<\/p>\n<p align=\"center\">Aninha, secret\u00e1ria de Frederico.<\/p>\n<p align=\"center\">Dona Magn\u00f3lia, m\u00e3e de Aninha.<\/p>\n<p align=\"center\">Machado, m\u00e9dico, irm\u00e3o de Dona Magn\u00f3lia.<\/p>\n<p align=\"center\">Sinval, motorista de Machado.<\/p>\n<p align=\"center\">Robespierre, amigo da fam\u00edlia.<\/p>\n<p align=\"center\"><strong>(Macrorubrica) \u00c9POCA: presente; LUGAR DA CENA: Rio de Janeiro<\/strong><\/p>\n<p align=\"left\"><strong>(Na terceira p\u00e1gina, a macrorubrica) PRIMEIRO ATO<\/strong><\/p>\n\n<blockquote>\n<p align=\"left\">Casa de fam\u00edlia da classe m\u00e9dia. Sala de estar com sof\u00e1, abajur, consoles e outros m\u00f3veis e apetrechos pr\u00f3prios. Uma sa\u00edda esquerda, d\u00e1 para o corredor. \u00c0 direita, a porta principal, de entrada da casa. \u00c9 noite (Macrorubrica) .<\/p>\n<\/blockquote>\n<strong>CENA I<\/strong>\n<p align=\"center\"><strong>Dona Magn\u00f3lia, Aninha <\/strong><\/p>\n\n<blockquote>\n<p align=\"left\">Dona Magn\u00f3lia, recostada no sof\u00e1, l\u00ea um livro. (Rubrica objetiva).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p align=\"center\"><strong>ANINHA<\/strong><\/p>\n\n<blockquote>\n<p align=\"left\">Entrando na sala (Rubrica objetiva).<\/p>\n<\/blockquote>\n<blockquote>\n<p align=\"left\">Ol\u00e1, m\u00e3e.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p align=\"center\"><strong>DONA MAGN\u00d3LIA:<\/strong><\/p>\n\n<blockquote>\n<p align=\"left\">Levanta-se do sof\u00e1, tem numa das m\u00e3os o livro que lia (Rubrica objetiva). <strong>Surpresa<\/strong>: (Rubrica subjetiva)<\/p>\n<\/blockquote>\n<blockquote>O que aconteceu? Voc\u00ea nunca volta antes das 9 horas!<\/blockquote>\n<p align=\"center\"><strong>ANINHA<\/strong><\/p>\n\n<blockquote>Mantem-se afastada da m\u00e3e, a poucos passos da porta. (Rubrica objetiva)\n\nN\u00e3o fui ao trabalho. Sa\u00ed apenas para um passeio. Eu precisava refletir&#8230; (Desalentada &#8211; Rubrica subjetiva) Mas n\u00e3o adiantou muito. Meus problemas s\u00e3o de fato problemas!<\/blockquote>\n<p align=\"center\"><strong>(Muda a Cena devido \u00e0 entrada de mais um personagem) <\/strong><\/p>\n<strong>CENA II<\/strong>\n<p align=\"center\">Dona Magn\u00f3lia, Aninha, Sinval.<\/p>\n<p align=\"center\"><strong>SINVAL<\/strong><\/p>\n<p align=\"center\">Parado \u00e0 entrada do corredor, tosse discretamente para assinalar sua presen\u00e7a. As duas mulheres\nvoltam-se para ele (Rubrica objetiva).<\/p>\n<p align=\"center\">Dona Magn\u00f3lia, vou buscar Dr. Machado. Est\u00e1 na hora dele fechar o consult\u00f3rio.<\/p>\n<p align=\"center\"><strong>ANINHA<\/strong><\/p>\n<p align=\"center\"><strong>Num \u00edmpeto<\/strong>: (Rubrica subjetiva)<\/p>\n\n<blockquote>N\u00e3o, Sinval. Hoje eu vou buscar meu tio. Vou no meu carro. Tenho um assunto para conversar com ele na volta para casa.<\/blockquote>\n<p align=\"center\"><strong>SINVAL<\/strong><\/p>\n<p align=\"center\"><strong>Embara\u00e7ado<\/strong>: (Rubrica subjetiva)<\/p>\n\n<blockquote>Dona Ana&#8230; \u00c0s quintas-feiras ele n\u00e3o vem direto para casa&#8230; Eu \u00e9 que devo ir. Ele voltar\u00e1 muito tarde.\n<p class=\"VARIAVEL\" style=\"text-align: center;\" align=\"center\"><strong>DONA MAGN\u00d3LIA<\/strong><\/p>\n<p class=\"VARIAVEL\" style=\"text-align: center; margin-left: 5cm; margin-right: 5cm; margin-bottom: 5pt;\" align=\"center\">[Volta-se e lan\u00e7a o livro sobre o sof\u00e1 (Rubrica objetiva); dirige-se autoritariamente a Sinval (Rubrica subjetiva)]<\/p>\n<\/blockquote>\n<blockquote>\n<p class=\"VARIAVEL\" style=\"text-align: center; margin-left: 5cm; margin-right: 5cm; margin-bottom: 5pt;\"><strong>Diga-me, Sinval<\/strong>: o que meu irm\u00e3o faz nas noites de quinta feira? Quando\u00a0 pergunto a ele, sempre me vem com evasivas. Diga-me voc\u00ea.<\/p>\n<p class=\"VARIAVEL\" style=\"text-align: center; margin-left: 5cm; margin-right: 5cm; margin-bottom: 5pt;\">[A campainha da porta de entrada toca .Sinval aproveita o momento em que as aten\u00e7\u00f5es est\u00e3o voltadas para a porta e escapa pelo corredor (Rubrica objetiva)]<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"pMat\" style=\"text-align: center;\" align=\"center\"><strong>CENA III<\/strong><\/p>\n<p class=\"rMat\" style=\"text-align: center;\" align=\"center\">(Dona Magn\u00f3lia, Aninha, Vicente)<\/p>\n\n<blockquote>\n<p class=\"VARIAVEL\" style=\"text-align: center;\" align=\"left\">[Aninha vai abrir a porta. Entra Vicente, amigo da fam\u00edlia, que se encaminha diretamente para cumprimentar Magn\u00f3lia (Rubrica objetiva). Aninha n\u00e3o demonstra simpatia pelo rec\u00e9m-chegado e acha inoportuna sua visita (Rubrica subjetiva)]<\/p>\n<\/blockquote>\n<strong>Reda\u00e7\u00e3o: <\/strong>papel e espa\u00e7o\n\nA folha de papel \u0093of\u00edcio grande\u0094 \u00e9 o mais pr\u00e1tico para a reda\u00e7\u00e3o do Roteiro. O texto no papel tamanho carta fica mais elegante, mas fica mal distribu\u00eddo porque a folha \u00e9 de tamanho reduzido. O espa\u00e7o em branco extra neste caso serve para o diretor, os atores, e a equipe de produ\u00e7\u00e3o fazerem anota\u00e7\u00f5es, corre\u00e7\u00f5es e sugest\u00f5es para melhorar o trabalho nos seus setores. Como dito acima, o tipo mais comumente usado em roteiros \u00e9 o Courier n\u00b0 12. As pe\u00e7as, quando impressas em livros, t\u00eam formato mais econ\u00f4mico geralmente trazendo para uma linha s\u00f3 o que na pauta de trabalho est\u00e1 em linhas separadas.\n\nAs palavras e frases precisam ser impressas com clareza e, principalmente no Teatro Pedag\u00f3gico, escritas com toda corre\u00e7\u00e3o ortogr\u00e1fica e gramatical. \u00c9 prefer\u00edvel a ordem direta, evitando-se o quanto poss\u00edvel os tempos compostos dos verbos. Por\u00e9m, a linguagem usada deve ser aquela a que a m\u00e9dia dos espectadores esteja habituada a usar no seu dia a dia, e os sentimentos mostrados pelos personagens devem ser expressos do modo como as pessoas em geral costumam express\u00e1-los.\n\nSe o texto \u00e9 em versos, estes devem ser absolutamente simples. Atrav\u00e9s do apelo do seu ritmo podem oferecer ao dramaturgo oportunidades para efeitos emocionais que a prosa n\u00e3o lhe permitiria, mas devem ser escritos tanto quanto poss\u00edvel de modo a que pudessem ser falados com inteira naturalidade pelos atores, em lugar de declamados. Para isso, n\u00e3o deveriam incorporar palavras, ainda que bonitas, que n\u00e3o sejam usadas na conversa\u00e7\u00e3o di\u00e1ria da m\u00e9dia dos freq\u00fcentadores de teatro, e as palavras colocadas somente em sua ordem natural, e sem nenhuma invers\u00e3o sup\u00e9rflua em benef\u00edcio do ritmo.\n\nQuando a fala de um personagem tem uma ou um conjunto de palavras a serem pronunciadas com \u00eanfase, usa-se o it\u00e1lico para assinalar essa \u00eanfase.\n\n<strong>Exemplo:<\/strong>\n<p align=\"center\"><strong>ANINHA<\/strong><\/p>\n\n<blockquote>Mas n\u00e3o adiantou muito. Meus problemas s\u00e3o de fato problemas!<\/blockquote>\nSer\u00e1 inevit\u00e1vel ter que escrever v\u00e1rias vers\u00f5es da pe\u00e7a, a qual poder\u00e1 sempre ser modificada para melhor, \u00e0 medida que, no decorrer da leitura de mesa ou nos ensaios, sugest\u00f5es dos atores e da equipe t\u00e9cnica possam ser incorporadas ao roteiro. A abund\u00e2ncia de espa\u00e7o entre as linhas \u00e9 um modo de facilitar anotar as altera\u00e7\u00f5es at\u00e9 a vers\u00e3o final. Por\u00e9m, mesmo depois das primeiras apresenta\u00e7\u00f5es o dramaturgo poder\u00e1 ver-se na obriga\u00e7\u00e3o de fazer corre\u00e7\u00f5es ou desejar aperfei\u00e7oar algum ponto.\n\n<strong>Tempo e Custos<\/strong>\n\nDois controles sobre a extens\u00e3o e complexidade da pe\u00e7a s\u00e3o o Tempo e os Custos. No Grande Teatro o limite de tempo e os or\u00e7amentos s\u00e3o bastante el\u00e1sticos.\n\nNo caso do Teatro Pedag\u00f3gico, por\u00e9m, o Orientador Educacional no papel de dramaturgo precisa reduzir suas exig\u00eancias a fim de economizar. Precisa estar atento a este aspecto ao escrever seu roteiro.\n\n<strong>Como iniciar o drama? <\/strong>\n\n\u00c9 uma boa id\u00e9ia iniciar a partir de um detalhe din\u00e2mico da hist\u00f3ria, deixando para o espectador imaginar o que possa ter ocorrido antes a partir dos di\u00e1logos iniciais que ele ouve. N\u00e3o h\u00e1 a\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica sem conflito. O tema de todo drama \u00e9, como visto (No\u00e7\u00f5es de Teoria do Teatro), um confronto de vontades humanas. O objeto da pe\u00e7a n\u00e3o \u00e9 tanto expor personagens mas tamb\u00e9m contrast\u00e1-las. Pessoas de variadas opini\u00f5es e propens\u00f5es opostas chegam ao corpo a corpo em uma luta que vitalmente importa para elas, e a tens\u00e3o da luta ser\u00e1 aumentada se a diferen\u00e7a entre as personagens \u00e9 marcante. Se a cena inicial \u00e9 uma discuss\u00e3o entre um fiscal e um comerciante devedor dos impostos, logo os espectadores tiram v\u00e1rias conclus\u00f5es sobre a situa\u00e7\u00e3o dos dois protagonistas.\n\n<strong>Concep\u00e7\u00e3o dos personagens<\/strong>\n\n<strong>O personagem (ou &#8220;a personagem&#8221;, quando for oportuno o emprego do feminino<\/strong>: o Aur\u00e9lio d\u00e1 como corretas as duas vers\u00f5es) ser\u00e1 como um amigo ou um inimigo para o dramaturgo, e ele escrever\u00e1 a seu respeito com conhecimento de causa, como se falasse de algu\u00e9m que conhecesse intimamente. Embora na pe\u00e7a ele explore apenas alguma faceta em particular do car\u00e1ter dessa figura imagin\u00e1ria, ele a concebe como um tipo completo, e sabe como ele se comportaria em cada situa\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria a ser contada.\n\n<strong>Por exemplo<\/strong>: uma mulher devotada \u00e0 religi\u00e3o e \u00e0 sua igreja, que coisas ela aprova e quais outras reprova no comportamento das demais pessoas? Um indiv\u00edduo avarento, como age com os amigos e com que se preocupa em cada diferente situa\u00e7\u00e3o do conv\u00edvio social?\n\nComo reconhecer um escroque antes mesmo dele abrir a boca? Tudo isto requer muita observa\u00e7\u00e3o relativa a como as pessoas revelam sua personalidade e o lado fraco ou forte de seu car\u00e1ter. Com essa experi\u00eancia de observa\u00e7\u00e3o ser\u00e1 f\u00e1cil para o autor da pe\u00e7a construir seus personagens e montar em torno deles uma hist\u00f3ria de conflitos, concorr\u00eancia, competi\u00e7\u00e3o desonesta ou coopera\u00e7\u00e3o fraterna, e por a\u00ed desenvolver um drama que poder\u00e1 ser ao mesmo tempo interessante e educativo.\n\nTudo no personagem precisa ser congruente, para que ao final algo surpreenda o espectador. Suas roupas, onde mora, suas prefer\u00eancias, seus recursos financeiros, sua facilidade ou dificuldade em fazer amigos, suas preocupa\u00e7\u00f5es morais, se l\u00ea ou n\u00e3o livros e jornais, que divers\u00f5es prefere ou se pratica ou n\u00e3o esporte, tudo isto deve concorrer em um personagem aut\u00eantico, sem contradi\u00e7\u00f5es. Muito j\u00e1 se escreveu sobre pobres se tornarem ricos, e ricos ficarem pobres, e tamb\u00e9m sobre increus convertidos, ou almas boas que se deixam levar ao crime, mas a novidade em cada hist\u00f3ria ser\u00e1 a trag\u00e9dia envolvida nessa transforma\u00e7\u00e3o, que leva algu\u00e9m a um gesto que antes n\u00e3o se poderia esperar dele.\n\nPersonagens que t\u00eam uma motiva\u00e7\u00e3o forte e cujas a\u00e7\u00f5es se dirigem sempre com objetividade no sentido do que buscam, sem medir os riscos, sempre s\u00e3o os personagens mais interessantes, mas esse empenho forte se torna, muitas vezes, seu lado fraco e vulner\u00e1vel. Justamente uma a\u00e7\u00e3o que vai contra a inteireza de um tipo pode se transformar em um ponto alto na hist\u00f3ria, como seria o caso de um sovina que, depois de receber uma li\u00e7\u00e3o da vida, se comove com a situa\u00e7\u00e3o de algu\u00e9m e lhe d\u00e1 um presente de valor. \u00c9 quando o personagem quebra sua inteireza, antes bastante enfatizada, que surge um grande momento na pe\u00e7a.\n\nO dramaturgo precisa, no entanto, resumir ao m\u00ednimo as caracter\u00edsticas de seus personagens, porque ser\u00e1 sempre mais dif\u00edcil encontrar aquele ator que assuma a personalidade ideal por ele criada, e possa bem represent\u00e1-la, e ainda preencher sua descri\u00e7\u00e3o de um tipo f\u00edsico quanto \u00e0 altura, peso, cor da pele, que seja corcunda ou coxo, tenha cabelo crespo ou liso, etc. Por isto, quanto ao f\u00edsico, deve indicar somente caracter\u00edsticas indispens\u00e1veis para compor um tipo, sem exigir muito nesse aspecto. A equipe t\u00e9cnica poder\u00e1 completar a caracteriza\u00e7\u00e3o com os recursos dispon\u00edveis, seguindo a orienta\u00e7\u00e3o do Diretor de Cena. Ela poder\u00e1 inclusive preparar o mesmo ator para representar mais de um papel, se a caracteriza\u00e7\u00e3o for simples e a troca de vestimentas e demais caracteriza\u00e7\u00f5es puderem ser feitas sem demasiado esfor\u00e7o e em tempo muito curto.\n\nAo escrever a pe\u00e7a, o dramaturgo deve dar a cada personagem um quinh\u00e3o significativo de atua\u00e7\u00e3o, por\u00e9m na propor\u00e7\u00e3o da import\u00e2ncia do seu papel, e fazer com que cada um deles tenha algo por que lutar, algo que precisa alcan\u00e7ar. Deve pensar no entrela\u00e7amento de todos os interesses entre si, e nos conflitos resultantes, e as conseq\u00fc\u00eancias para os que vencerem e os que fracassarem.\n\n<strong>Inspira\u00e7\u00e3o<\/strong>.\n\nA pe\u00e7a tem sua id\u00e9ia central, relativa a um tema; seu t\u00edtulo e todas as cenas devem guardar uma rela\u00e7\u00e3o clara e objetiva com essa id\u00e9ia. O interesse intelectual n\u00e3o \u00e9 suficiente para fazer uma pe\u00e7a boa de se ver. O p\u00fablico quer passar por emo\u00e7\u00f5es de simpatia e tamb\u00e9m de auto-estima (opinar sobre o que assiste). A plat\u00e9ia procura, im\u00f3vel e est\u00e1tica, entender a mensagem de uma pe\u00e7a sofisticada, e ao final da representa\u00e7\u00e3o est\u00e1 cansada, enquanto que, se ela desperta emo\u00e7\u00f5es, ser\u00e1, no m\u00ednimo, uma pe\u00e7a interessante.\n\nH\u00e1 um n\u00famero limitado, apesar de impreciso, de temas poss\u00edveis para o drama. Na opini\u00e3o de v\u00e1rios cr\u00edticos, esse n\u00famero seria pouco mais, ou pouco menos, de vinte. Como todos eles j\u00e1 foram in\u00fameras vezes explorados pelo Teatro no decorrer dos s\u00e9culos, fica imposs\u00edvel uma novidade na dramaturgia, exceto quanto ao modo de apresentar o tema. Assim, apesar de trabalhar com o velho, o dramaturgo precisa encontrar uma nova hist\u00f3ria, um novo estilo, fixar uma \u00e9poca (teatro hist\u00f3rico), a fim de emprestar originalidade \u00e0 sua abordagem.\n\n<strong>Mas, se isto \u00e9 o que acontece com o grande Teatro, no caso do Teatro Pedag\u00f3gico \u00e9 um pouco diferente<\/strong>: o tema \u00e9 de natureza jornal\u00edstica, ou seja, trata-se de uma mensagem a ser passada sobre um tema educativo moment\u00e2neo, de interesse atual. Por\u00e9m, mesmo neste caso, a trama haver\u00e1 de cair entre aqueles enredos poss\u00edveis na dramaturgia.\n\nEscolhido o tema a ser explorado e criada a hist\u00f3ria a ser levada ao palco, o dramaturgo faz o Plano para escrever o seu roteiro. O Plano compreende o desenvolvimento de uma sucess\u00e3o de cenas, escritas uma a uma at\u00e9 a conclus\u00e3o do drama.\n\n<strong>Embora existam diversas vari\u00e1veis, a Estrutura cl\u00e1ssica de fragmenta\u00e7\u00e3o de um roteiro \u00e9 conhecida como Tern\u00e1rio<\/strong>: As primeiras cenas \u0096 Primeiro Ato \u0096 fazem a Prepara\u00e7\u00e3o (Protasis); nas seguintes \u0096 Segundo Ato \u0096 desenvolve-se o conflito inerente ao drama e o desenvolvimento da crise at\u00e9 o seu cl\u00edmax (Epitasis); finalmente o desenlace \u0096 Terceiro Ato \u0096 com a solu\u00e7\u00e3o do conflito (Catastrophe).\n\n<strong>Realismo<\/strong>\n\nO estilo realista no teatro \u00e9 o que procura guardar fidelidade ao natural, correspond\u00eancia estreita entre a cena vivida no palco e a vida real quanto aos costumes e situa\u00e7\u00f5es da vida comum. Por\u00e9m, se o dramaturgo escreve sua pe\u00e7a com muita exatid\u00e3o, o espectador n\u00e3o ter\u00e1 nenhuma vantagem em assisti-la mais que observar a pr\u00f3pria vida nela refletida. Se a pe\u00e7a mostra somente o que vemos na vida mesma, n\u00e3o far\u00e1 sentido algu\u00e9m ir ao teatro. A quest\u00e3o importante n\u00e3o \u00e9 o quanto ela reflete exatamente da apar\u00eancia da vida, mas o quanto ajuda a audi\u00eancia a entender o sentido da vida. O drama tornar\u00e1 a vida mais compreens\u00edvel se o autor descartar o irrelevante e atrair a aten\u00e7\u00e3o para o essencial.\n\n<strong>\u00canfase<\/strong>\n\nNo drama, \u00e9 necess\u00e1rio aplicar o princ\u00edpio positivo da \u00eanfase de modo a for\u00e7ar a plat\u00e9ia a focar sua aten\u00e7\u00e3o naquele certo detalhe mais importante do enredo.\n\nUm dos meios mais f\u00e1ceis de \u00eanfase \u00e9 o uso da repeti\u00e7\u00e3o.\n\n<strong>Ao escrever sua adapta\u00e7\u00e3o da obra liter\u00e1ria \u00e0 dramaturgia, o dramaturgo tem presente uma importante diferen\u00e7a entre o romance e a pe\u00e7a de teatro<\/strong>: esta \u00faltima, sendo falada, n\u00e3o d\u00e1 chance ao espectador de voltar p\u00e1ginas para compreender algo que lhe tenha escapado no in\u00edcio. Por esse motivo, os dramaturgos de um modo geral encontram meios de dar \u00eanfase repetindo uma ou duas vezes, ao longo da pe\u00e7a, o que houver de importante no di\u00e1logo. A \u00eanfase por repeti\u00e7\u00e3o pertence ao di\u00e1logo e pode ser habilmente introduzida no script.\n\nEm geral, pode ser dito que qualquer pausa na a\u00e7\u00e3o enfatiza &#8220;por posi\u00e7\u00e3o&#8221; o discurso ou assunto que imediatamente o precedeu. O emprego de uma pausa como uma ajuda para a \u00eanfase \u00e9 de especial import\u00e2ncia na leitura das falas, como um recurso a mais para o dramaturgo.\n\nPor\u00e9m, h\u00e1 tamb\u00e9m momentos que emprestam \u00eanfase natural \u00e0 representa\u00e7\u00e3o, como os \u00faltimos momentos em qualquer ato e, do mesmo modo, os primeiros momentos em um ato. Apenas os primeiros momentos do primeiro ato perdem esse poder, devido \u00e0 falta de concentra\u00e7\u00e3o dos espectadores que acabam de tomar seus lugares, ou s\u00e3o perturbados por retardat\u00e1rios que passam pela frente das pessoas j\u00e1 sentadas. Mas as \u00eanfases nunca s\u00e3o colocadas na abertura de uma cena.\n\nPara enfatizar o car\u00e1ter de um personagem, colocam-se no texto repetidas refer\u00eancias \u00e0 sua pessoa, de modo que na sua primeira apari\u00e7\u00e3o, o espectador j\u00e1 o conhece melhor que a qualquer dos outros personagens. \u00c9 claro, existem muitos meios menores de \u00eanfase no teatro, mas a maior parte destes s\u00e3o artificiais e mec\u00e2nicos. A luz da ribalta \u00e9 uma das mais efetivas. A intensidade de uma cena tamb\u00e9m pode ser criada, por exemplo, se a figura de um \u00fanico personagem \u00e9 projetada em silhueta por um raio de luz contra um fundo mal definido. Mais tempo \u00e9 dado para cenas significativas que para di\u00e1logos de interesse subsidi\u00e1rio.\n\n<strong>Ant\u00edtese<\/strong>\n\nUma cena de leve humor vir ap\u00f3s uma cena em que se discute um assunto s\u00e9rio; ou uma agita\u00e7\u00e3o no bar ser seguida de uma cena tranq\u00fcila em um parque equilibram a encena\u00e7\u00e3o. A Ant\u00edtese pode ocorrer em uma cena, mas \u00e9 mais comum que seja empregada no equil\u00edbrio de cena contra cena.\n\n<strong>Cl\u00edmax<\/strong>\n\nO cl\u00edmax existe quanto a a\u00e7\u00e3o vai em crescente complica\u00e7\u00e3o, a cada ato, convergindo para um impasse cuja solu\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 conhecida dos personagens e nem a plat\u00e9ia pode prever qual ser\u00e1. O cl\u00edmax depende de certa corrida dos personagens para seus objetivos. Ser\u00e1 dif\u00edcil entender como cl\u00edmax uma converg\u00eancia muito lenta de acontecimentos. Os personagens precisam estar ansiosos por alcan\u00e7ar seus prop\u00f3sitos e agirem r\u00e1pido nesse sentido, para que surja um verdadeiro impasse pressionando por uma solu\u00e7\u00e3o urgente. Os dramaturgos normalmente colocam o cl\u00edmax no segundo ato ato, conforme o Tern\u00e1rio acima referido (Protasis, Epitasis e Castrophe). Por\u00e9m, se houver quatro, come\u00e7am a explora\u00e7\u00e3o do tema suavemente, no primeiro ato, fazem crescer a trama no segundo, e o enredo torna-se progressivamente mais complexo e insol\u00favel at\u00e9 a solu\u00e7\u00e3o vislumbrada ao cair do pano do terceiro ato. As explica\u00e7\u00f5es acontecem no quarto ato, no qual \u00e9 mostrado o destino de cada personagem, vitoriosos ou derrotados, e paira no ar uma conclus\u00e3o de natureza moral da qual os espectadores guardar\u00e3o mem\u00f3ria.\n\n<strong>Suspense<\/strong>\n\nO suspense, como o cl\u00edmax, existe quanto a a\u00e7\u00e3o vai, a cada ato, convergindo mais e mais para um final. No suspense, o espectador pode suspeitar o que est\u00e1 prestes a acontecer, mas os personagens envolvidos n\u00e3o percebem o que lhes est\u00e1 reservado. O car\u00e1ter de cada personagem precisa ser logo conhecido pela plat\u00e9ia, assim como suas inten\u00e7\u00f5es; um reconhecido ser um velhaco na sua primeira entrada. Os outros personagens est\u00e3o no papel de inocentes, descuidados, ing\u00eanuos, que desconhecem o que o velhaco lhes prepara, mas a plat\u00e9ia j\u00e1 sabe o que ele \u00e9 e o que ele pretende, e pode suspeitar qual ser\u00e1 o desfecho. O fato de a plat\u00e9ia ter esse conhecimento tem um efeito paradoxal, que \u00e9 tornar mais interessante o suspense.\n\nIncorre em erro \u0096 que com certeza comprometer\u00e1 o sucesso de sua pe\u00e7a \u0096, o dramaturgo que cria em sua assist\u00eancia a expectativa de uma cena extraordin\u00e1ria, exigida pela sua condu\u00e7\u00e3o pr\u00e9via da trama, e essa cena n\u00e3o se realiza como esperado, frustrando assim o suspense criado no espectador.\n\n<strong>Recursos a evitar<\/strong>\n\nFazer um n\u00famero grande de cenas curtas, fazer a hist\u00f3ria saltar v\u00e1rios anos para frente, ou fazer uso do recurso de flash back, isto cria confus\u00e3o e irrita\u00e7\u00e3o nos espectadores.\n\n<strong>Outros recursos que se deve evitar s\u00e3o<\/strong>: criar personagens invis\u00edveis, que s\u00e3o descritos em min\u00facias mas que nunca aparecem no palco.\n\nTamb\u00e9m prejudica o interesse da Plat\u00e9ia aquelas cenas em que um personagem deixa o palco e volta trazendo algum recado ou conta uma novidade. Outros ainda s\u00e3o os apartes e os solil\u00f3quios.\n\nO aparte consiste em o ator falar uma frase aud\u00edvel para a assist\u00eancia mas que se sup\u00f5e n\u00e3o seria ouvida por um outro personagem no palco, ou por todos os demais. O ator d\u00e1 um passo fora da moldura do palco para falar confidencialmente com a plat\u00e9ia. O aparte contraria a regra de que o ator deve manter-se aparentemente alheio \u00e0 sua audi\u00eancia.\n\nO solil\u00f3quio \u00e9 chamado construtivo quando serve para explicar o progresso de uma trama de modo a deixar a hist\u00f3ria mais clara para o espectador, ou para encurtar o drama. \u00c9 chamado reflexivo quando \u00e9 empregado apenas para revelar \u00e0 plat\u00e9ia certa seq\u00fc\u00eancia de pensamentos de um personagem, sem que por meio dele o dramaturgo fa\u00e7a qualquer refer\u00eancia utilit\u00e1ria \u00e0 estrutura da trama. Um bom ator pode fazer um solil\u00f3quio reflexivo sem perder a naturalidade. Embora o solil\u00f3quio reflexivo possa ser \u00fatil e mesmo belo, o solil\u00f3quio construtivo \u00e9 t\u00e3o indesej\u00e1vel como o aparte, porque for\u00e7a o ator para fora do contexto do mesmo modo.\n\n<strong>Final Feliz.<\/strong>\n\nConceber um final para uma hist\u00f3ria pode ser a parte mais dif\u00edcil do trabalho criativo. Um final precisa corresponder ao fechamento l\u00f3gico do drama desenvolvido nas cenas antecedentes. N\u00e3o pode ser a solu\u00e7\u00e3o de conflitos colocados apenas nas \u00faltimas cenas, nem a solu\u00e7\u00e3o para os conflitos colocados no in\u00edcio, deixando-se de lado as complica\u00e7\u00f5es que se seguiram. O final feliz precisa ser cr\u00edvel, aceit\u00e1vel para os espectadores como a melhor op\u00e7\u00e3o, ou como desfecho claro e compreens\u00edvel que satisfaz de modo inteligente ao suspense, traz o al\u00edvio que dissipa as tens\u00f5es do cl\u00edmax, e espalha um sentimento de compensa\u00e7\u00e3o plena na plat\u00e9ia.\n\n<strong>Rubem Queiroz Cobra<\/strong>\n\nFonte: www.cobra.pages.nom.br\n<h6>Dramaturgia<\/h6>\nAp\u00f3s v\u00e1rios estudos da quantidade de situa\u00e7\u00f5es dram\u00e1ticas existentes, o &#8220;vizir matem\u00e1tico&#8221; considerado no livro de Soureau revelou-nos de imediato que um c\u00e1lculo bem simples, que toda pessoa habituada a f\u00f3rmulas combinat\u00f3rias est\u00e1 apta a fazer, mostrava que seis fatores combinados de acordo com cinco princ\u00edpios considerados d\u00e3o como resultado 210141 dispositivos (os duzentos mil do t\u00edtulo \u00e9 usado apenas como eufonia).\n\nEm primeiro lugar, uma consequ\u00eancia pr\u00e1tica e perspectiva &#8211; \u00e9 claro que mesmo em cem mil situa\u00e7\u00f5es somente&#8230;, pode acontecer que algumas ainda n\u00e3o tenham sido usadas.\n\nUma perspectiva tranq\u00fcilizadora para dramaturgos de hoje e de amanh\u00e3. Nenhuma arte pl\u00e1stica suscita problemas t\u00e3o perfeitos, ricos detalhados e demoradamente intensos quanto o teatro, com o qual s\u00f3 as outras artes liter\u00e1rias &#8211; o romance, por exemplo, e tamb\u00e9m o cinema, \u00e9 claro &#8211; podem rivalizar.\n\nNenhuma arte vai t\u00e3o longe quanto o teatro no caminho das encarna\u00e7\u00f5es, das imita\u00e7\u00f5es concretas, das reconstitui\u00e7\u00f5es materiais.\n\nPara ampliar e ligar o pequeno cubo da realidade em que se transforma o espa\u00e7o c\u00eanico ao restante, usarei ilus\u00f5es de \u00f3tica; esfor\u00e7ar-me-ei para que se acredite que a caixa \u00e9 muito maior e mais aberta para o exterior do que realmente o; prolongarei seu espa\u00e7o real, pelas perspectivas do cen\u00e1rio.\n\nPermita-se -me tamb\u00e9m que, dentro da caixa, certa coisas sejam apenas esbo\u00e7adas, convencionalmente apresentadas &#8211; o homic\u00eddio, a uni\u00e3o sexual&#8230;\n\n<strong>Pouco importa: o princ\u00edpio \u00e9 constante, seja ele apresentado &#8220;no duro&#8221; ( as portas reais com fechaduras reais exigidas por Antoine<\/strong>: os beijos ou contatos muito audaciosos ) ou &#8220;no mole&#8221; ( os acess\u00f3rios e cen\u00e1rios muito estilizados que predominam no teatro contempor\u00e2neo, as conven\u00e7\u00f5es apresentadas claramente como tais, etc. ); nuan\u00e7as interesses estilisticamente, mas que n\u00e3o afetam a natureza das coisas nem o estatuto b\u00e1sico do teatro.\n\nE a\u00ed est\u00e1, de modo geral, a regra do jogo. O microcosmo c\u00eanico tem o poder de por si s\u00f3 representar e sustentar satisfatoriamente todo o macrocosmo teatral, sob condi\u00e7\u00e3o de ser t\u00e3o &#8220;focal&#8221; ou, se preferirem, a tal ponto &#8220;estelarmente central&#8221; , que seu foco seja o do mundo inteiro que nos \u00e9 apresentado. Coloquemos cinco ou seis personagens numa situa\u00e7\u00e3o arbitr\u00e1ria e provis\u00f3ria, numa rela\u00e7\u00e3o de for\u00e7as em equil\u00edbrio inst\u00e1vel.\n\nE vejamos o que acontecer\u00e1. Acompanhemos o jogo das for\u00e7as , a necess\u00e1ria modifica\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es, os dispositivos variados que da\u00ed resultar\u00e3o, de situa\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o, at\u00e9 o momento em que tudo se imobilizar\u00e1 &#8211; talvez por autodestrui\u00e7\u00e3o de todo o sistema; talvez por cessa\u00e7\u00e3o do movimento num dispositivo est\u00e1vel e satisfat\u00f3rio; talvez por retorno \u00e0 situa\u00e7\u00e3o inicial, pressagiando um perp\u00e9tuo recome\u00e7o c\u00edclico &#8211; em suma , at\u00e9 o desenlace.\n\n<strong>Mas acrescentamos aquilo que assegura o \u00eaxito da opera\u00e7\u00e3o<\/strong>: \u00e9 preciso que esses quatro ou cinco personagens consigam ( com os que os rodeiam na caixa) fazer surgir em torno deles todo o mundo, em palpita\u00e7\u00e3o universal; mundo do qual eles s\u00e3o, por efeito da arte, o centro e o cora\u00e7\u00e3o pulsante.\n\n<strong>A rela\u00e7\u00e3o estelar e interestrutural do microcosmo e do macrocosmo teatral, sucessivamente em dois sentidos diferentes foi apresentada<\/strong>: primeiro, imaginando o macrocosmo em toda a sua amplitude e observando que ele se concentra e se focaliza nesse microcosmo c\u00eanico e depois numa situa\u00e7\u00e3o dada; em seguida, olhando esse microcosmo colocado em situa\u00e7\u00e3o, e observando que, pouco a pouco, ele gera e comanda todo um universo. O que vale, para entrar numa obra, \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o fundamental entre o cosmo da obra e seu pequeno n\u00facleo estelar de personagem, sem importar se o autor for indo do centro para a periferia ou vice-versa.\n\nO que constitui o interesse art\u00edstico de uma pe\u00e7a de teatro pode ser bastante diverso. Este interesse incidir\u00e1, \u00e0s vezes, no conjunto do universo da obra, no ambiente hist\u00f3rico, geogr\u00e1fico ou moral.\n\nEis por que existe teatro de car\u00e1ter, ou teatro de situa\u00e7\u00e3o ou teatro de ambiente (social ou hist\u00f3rico), ou teatro de id\u00e9ias, etc.; isto \u00e9 sempre teatro parcial.\n\n<strong>Um tratado completo de teatro deveria examinar sucessivamente pelo menos todos esses fatores<\/strong>: <strong>o autor, o universo teatral, os personagens, o local, o espa\u00e7o c\u00eanico, o cen\u00e1rio, a exposi\u00e7\u00e3o do tema, a a\u00e7\u00e3o, as situa\u00e7\u00f5es, o desenlace, a arte do ator, o espectador, as categorias teatrais<\/strong>: tr\u00e1gico, dram\u00e1tico, c\u00f4mico; <strong>finalmente as s\u00ednteses<\/strong>: teatro e poesia, teatro e m\u00fasica, teatro e dan\u00e7a; e para terminar, tudo o que se relaciona indiretamente ao teatro: espet\u00e1culos variados, circo, marionetes, etc. S\u00f3 queremos tratar aqui de um \u00fanico desse problemas.\n\nMas o que escolhemos &#8211; o problema das situa\u00e7\u00f5es &#8211; d\u00e1 sobre a natureza da obra teatral uma percep\u00e7\u00e3o certamente ligada ao essencial. Os fatores elementares das situa\u00e7\u00f5es s\u00e3o for\u00e7as. Pode ser conveniente precisar que a situa\u00e7\u00e3o inteira \u00e9 um dado essencialmente din\u00e2mico. A express\u00e3o situa\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica (destinada a marcar bem esse car\u00e1ter din\u00e2mico) deve ser tomada em sentido teatralmente bem amplo e n\u00e3o em refer\u00eancia a um g\u00eanero teatral estreitamente definido. O pr\u00f3prio nome drama significa a\u00e7\u00e3o e ningu\u00e9m tem duvida de que a a\u00e7\u00e3o seja essencial \u00e0 coisa teatral.\n\n<strong>\u00c9 preciso, para que haja a\u00e7\u00e3o, que a pergunta<\/strong>: &#8220;Que aconteceu em seguida?&#8221;, a resposta resulte for\u00e7osamente da pr\u00f3pria situa\u00e7\u00e3o e dos dinamismos interiores de cada momento c\u00eanico. Chama-se tradicionalmente de &#8220;motiva\u00e7\u00e3o ou mola dram\u00e1tica&#8221; toda for\u00e7a global inerente ao cosmos teatral e apropriada para caracterizar as raz\u00f5es gerais ou locais da tens\u00e3o das situa\u00e7\u00f5es e do progresso da a\u00e7\u00e3o. Por outro lado, o que caracteriza o desenlace \u00e9 deixar-nos numa situa\u00e7\u00e3o duradoura, relativamente est\u00e1tica. \u00c9 entre essas duas que deva funcionar a motiva\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica, principalmente naqueles momentos onde ha possibilidade de que o microcosmo tenha que receber um choque vindo do macrocosmo, do qual jamais fica isolado.\n\n<strong>Um problema, entretanto surge aqui<\/strong>: deve-se colocar \u00e0 parte as situa\u00e7\u00f5es dram\u00e1ticas, e outras que lhe s\u00e3o nitidamente opostas como as situa\u00e7\u00f5es c\u00f4micas?\n\n<strong>Na realidade, todas as situa\u00e7\u00f5es teatrais participam mais ou menos do mesmo g\u00eanero dram\u00e1tico e at\u00e9 mesmo as situa\u00e7\u00f5es c\u00f4micas s\u00e3o muito dif\u00edceis de separar das situa\u00e7\u00f5es dram\u00e1ticas assim \u00e9 preciso que se diga<\/strong>:\n<blockquote><strong>1\u00ba )<\/strong> n\u00e3o existe situa\u00e7\u00e3o c\u00f4mica em si;\n<strong>2\u00ba )<\/strong> toda situa\u00e7\u00e3o c\u00f4mica comporta necessariamente a possibilidade dram\u00e1tica;\n<strong>3\u00ba )<\/strong> obt\u00e9m-se o car\u00e1ter c\u00f4mico por uma redu\u00e7\u00e3o ativa. artisticamente desejada e din\u00e2mica dessa dimens\u00e3o.<\/blockquote>\n<strong>Conseq\u00fc\u00eancia:<\/strong> oferecendo 200 mil situa\u00e7\u00f5es dram\u00e1ticas, estamos dando tamb\u00e9m 200 mil situa\u00e7\u00f5es c\u00f4micas. Enfim uma situa\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica \u00e9 a figura estrutural esbo\u00e7ada, num momento dado da a\u00e7\u00e3o, por um sistema de for\u00e7as. Essas for\u00e7as s\u00e3o fun\u00e7\u00f5es dram\u00e1ticas e em nome delas, cada personagem, \u00e9 unido \u00e0 a\u00e7\u00e3o.\n\nFonte: liriah.teatro.vilabol.uol.com.br\n<h6>Dramaturgia<\/h6>\nO maior valor de um roteiro \u00e9 sem d\u00favida a sua originalidade.\n\nAs no\u00e7\u00f5es e dicas de <strong>dramaturgia<\/strong> servem para auxiliar o autor, mas o que sempre deve prevalecer \u00e9 a sua pr\u00f3pria criatividade. O objetivo desta parte da apostila \u00e9 fornecer ao roteirista iniciante, um instrumental para se atingir o espectador.\n\nMuitas vezes ao assistir um filme, o p\u00fablico se emociona sem saber ao certo com o que. Uma cena em um filme pode n\u00e3o causar efeito nenhum, mas uma cena parecida em outro causa como\u00e7\u00e3o. O conhecimento de dramaturgia permite que o autor manipule as sensa\u00e7\u00f5es que o p\u00fablico vai sentir ao assistir o seu filme. Por outro lado, pode-se encontrar sa\u00eddas inteligentes para passar informa\u00e7\u00f5es a este p\u00fablico.\n\n<strong>As no\u00e7\u00f5es de dramaturgia a serem abordadas, aqui, t\u00eam dois objetivos fundamentais<\/strong>: facilitar o desenvolvimento da hist\u00f3ria e ao mesmo tempo por nesta hist\u00f3ria um sentido humano universal, de modo que ao assisti-la o espectador sinta uma identifica\u00e7\u00e3o ou afinidade. O primeiro passo para se chegar a este objetivos \u00e9 a compreens\u00e3o dos arqu\u00e9tipos.\n\nOs arqu\u00e9tipos podem ser compreendidos como representa\u00e7\u00f5es personificadas das fei\u00e7\u00f5es humanas. Todos n\u00f3s temos um pouco de her\u00f3i e vil\u00e3o, tolo e s\u00e1bio, palha\u00e7o e austero. O arqu\u00e9tipo vem a ser a encarna\u00e7\u00e3o destas caracter\u00edsticas.\n\nNo roteiro, uma personagem pode representar um arqu\u00e9tipo. Nestas hist\u00f3rias o vil\u00e3o sempre agir\u00e1 como vil\u00e3o e o her\u00f3i como her\u00f3i. Por outro lado existem roteiros que querem dar um aspecto mais humano as suas personagens, nestes cada personagem pode apresentar ou representar diferentes aspectos no decorrer da hist\u00f3ria.\n\n<strong>Segundo Christopher Vogler, os principais arqu\u00e9tipos s\u00e3o:<\/strong>\n<blockquote><strong>HER\u00d3I\nMENTOR\nGUARDI\u00c3O DO LIMIAR\nARAUTO\nCAMALE\u00c3O\nSOMBRA\nP\u00cdCARO<\/strong><\/blockquote>\n<strong>O HER\u00d3I<\/strong>\n\nA principal caracter\u00edstica que define este arqu\u00e9tipo \u00e9 capacidade que ele tem de se sacrificar em nome do bem estar comum. Nos filmes de a\u00e7\u00e3o este arqu\u00e9tipo \u00e9 personificado, preferencialmente, pelo protagonista. \u00c9 ele que vai conduzir a hist\u00f3ria aos olhos do espectador, o desenvolvimento da trama est\u00e1 pautado nas a\u00e7\u00f5es do her\u00f3i perante o ambiente que lhe \u00e9 apresentado e no resultado destas a\u00e7\u00f5es. Portanto, para um roteiro ser bem aceito pelo p\u00fablico \u00e9 preciso que este tenha uma identifica\u00e7\u00e3o com o her\u00f3i. Quanto mais humana a fei\u00e7\u00e3o do seu her\u00f3i mais prov\u00e1vel a identifica\u00e7\u00e3o. \u00c9 preciso que o her\u00f3i tenha suas qualidades louv\u00e1veis e desejadas pelo espectador e ao mesmo tempo possua fraquezas que o tornem mais humano e mais pr\u00f3ximo.\n\nCom o her\u00f3i sendo o protagonista, o roteiro se torna um relato da aventura deste. Uma jornada, onde ele deixa o seu mundo comum e cotidiano e parte para novas descobertas e desafios. O est\u00edmulo para esta jornada \u00e9 a mudan\u00e7a de algo em seu mundo comum, e ele parte para buscar a restaura\u00e7\u00e3o deste mundo, ou ele est\u00e1 insatisfeito em seu mundo e parte para provocar uma mudan\u00e7a. Em ambos os casos o motivo da jornada \u00e9 a falta de alguma coisa. O her\u00f3i se sente incompleto e vai em busca de sua plenitude. O resultado \u00e9 a transforma\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio her\u00f3i. Mesmo que o ambiente n\u00e3o se altere o her\u00f3i n\u00e3o o enxerga mais da mesma forma. O sacrif\u00edcio foi feito o her\u00f3i do come\u00e7o da hist\u00f3ria morre para dar lugar a outro.\n\nO confronto com a morte \u00e9 outra caracter\u00edstica deste arqu\u00e9tipo. A morte pode ser f\u00edsica ou simb\u00f3lica, mas est\u00e1 presente. Na maior parte dos casos o her\u00f3i se depara com a morte eminente e triunfa sobre ela, se tornando um m\u00e1rtir (quando ocorre a morte f\u00edsica) ou renascendo a partir de sua pr\u00f3pria destrui\u00e7\u00e3o (quando a morte f\u00edsica foi apenas uma amea\u00e7a ou quando a morte \u00e9 simb\u00f3lica), em ambos os casos o her\u00f3i triunfa.\n\nO arqu\u00e9tipo do her\u00f3i n\u00e3o \u00e9 exclusivo do protagonista, muitas personagens (inclusive o vil\u00e3o ou sombra) podem Ter atitudes her\u00f3icas. Da mesma forma que o her\u00f3i pode Ter caracter\u00edsticas de outros arqu\u00e9tipos. A riqueza de uma personagem \u00e9 sua complexidade, a capacidade de assumir outros arqu\u00e9tipos, sem se esquecer do principal, d\u00e1 uma dimens\u00e3o humana permitindo a identifica\u00e7\u00e3o e a credibilidade. Poucos acreditam em her\u00f3is que s\u00f3 praticam o bem pelo bem e em vil\u00f5es que s\u00f3 praticam o mal pelo mal.\n\n<strong>O MENTOR<\/strong>\n\nComo a fun\u00e7\u00e3o do her\u00f3i \u00e9 o aprendizado, ele necessita de algu\u00e9m que o guie, pelo menos at\u00e9 o momento que ele possa andar com seus pr\u00f3prios p\u00e9s. O mentor pode ser um her\u00f3i de uma jornada anterior, portanto, ele \u00e9 uma proje\u00e7\u00e3o do que o her\u00f3i se tornar\u00e1 ao fim de sua aventura. Em outros casos o mentor pode ser um her\u00f3i que, no passado, falhou na sua jornada, mas mesmo assim adquiriu alguma experi\u00eancia que pode ser \u00fatil ao her\u00f3i.\n\nAl\u00e9m dos ensinamentos o mentor pode dar ao her\u00f3i algum presente que o ajude na sua jornada, ou , em certas hist\u00f3rias o mentor pode fazer um papel de consci\u00eancia do her\u00f3i.\n\nDe um modo geral a fun\u00e7\u00e3o do mentor \u00e9 estimular a entrada do her\u00f3i na aventura. Dando-lhe um presente ou apresentando a situa\u00e7\u00e3o de tal maneira que o her\u00f3i ven\u00e7a o seu medo e parta para a aventura.\n\n<strong>O GUARDI\u00c3O DO LIMIAR<\/strong>\n\nNo decorrer da aventura o her\u00f3i enfrenta desafios. Estes desafios podem ser obst\u00e1culos, tentando impedir que o her\u00f3i continue sua trilha ou aliados que est\u00e3o ali para testa-lo. Muitas vezes um guardi\u00e3o depois de ser ultrapassado se torna aliado do her\u00f3i ou at\u00e9 uma esp\u00e9cie de mentor.\n\nEm algumas hist\u00f3rias estes guardi\u00f5es s\u00e3o aliados do vil\u00e3o que possuem poder menor que este. Para a prepara\u00e7\u00e3o do her\u00f3i \u00e9 necess\u00e1rio que ele enfrente estes asseclas e se torne mais forte para enfrentar o vil\u00e3o. Neste sentido o guardi\u00e3o \u00e9 uma pr\u00e9via da luta final. Se a hist\u00f3ria \u00e9 uma luta psicol\u00f3gica os guardi\u00f5es est\u00e3o representados nas pr\u00f3prias limita\u00e7\u00f5es internas do her\u00f3i.\n\nO guardi\u00e3o, assim, como o mentor pode estar representado por cen\u00e1rios, objetos, pensamentos. N\u00e3o precisam, necessariamente , ser personagens da hist\u00f3ria para se fazerem presentes.\n\n<strong>O ARAUTO<\/strong>\n\nO arauto \u00e9 a primeira chama \u00e0 mudan\u00e7a, pode ser uma personagem ou fato que traga ao her\u00f3i a vontade ou decis\u00e3o de lan\u00e7ar na aventura. Em algumas hist\u00f3rias o arauto representa a primeira manifesta\u00e7\u00e3o das energias da sombra.\n\nQuando o her\u00f3i vive uma situa\u00e7\u00e3o de desequil\u00edbrio o arauto \u00e9 a for\u00e7a que vai ser a gota da \u00e1gua. O her\u00f3i parte para enfrentar o primeiro guardi\u00e3o de limiar.\n\n<strong>O CAMALE\u00c3O<\/strong>\n\nA caracter\u00edstica deste arqu\u00e9tipo \u00e9 a mudan\u00e7a. Pode estar representado por uma personagem, geralmente de sexo oposto ao do her\u00f3i, que aos olhos do her\u00f3i e do espectador apresente uma mudan\u00e7a de apar\u00eancia ou de esp\u00edrito, de forma que n\u00e3o se possa prever suas a\u00e7\u00f5es.\n\nA fun\u00e7\u00e3o do camale\u00e3o \u00e9 acabar com a previsibilidade da hist\u00f3ria. O her\u00f3i, assim como o espectador, fica em d\u00favida com a rela\u00e7\u00e3o \u00e0 fidelidade do camale\u00e3o. Pode ser um aliado ou aliado da sombra.\n\nO arqu\u00e9tipo do camale\u00e3o pode ser assumido, momentaneamente, por personagens que representam outros arqu\u00e9tipos. O sombra, o her\u00f3i, o mentor, o guardi\u00e3o, enfim todos podem apresentar as caracter\u00edsticas do camale\u00e3o para atender melhor suas pr\u00f3prias fun\u00e7\u00f5es. Muita vezes isto se d\u00e1 quando uma personagem representativa de um arqu\u00e9tipo finge ser representante de outro.\n\n<strong>A SOMBRA<\/strong>\n\nA sombra \u00e9 representada pelo vil\u00e3o ou inimigo do her\u00f3i. Seu objetivo \u00e9, geralmente, a morte ou destrui\u00e7\u00e3o definitiva do her\u00f3i. Por outro lado, o antagonista do her\u00f3i pode ser um aliado que discorda das a\u00e7\u00f5es do her\u00f3i e opta por tomar outras a\u00e7\u00f5es, de forma que ambos entram em uma competi\u00e7\u00e3o para se resolver a hist\u00f3ria.\n\nA fun\u00e7\u00e3o primordial da sombra \u00e9 impor desafios ao her\u00f3i, de modo que este tenha que se fortalecer para vence-los. A sombra pode ser um reflexo negativo do her\u00f3i. Em uma hist\u00f3ria de luta psicol\u00f3gica, a sombra \u00e9 representada por traumas e culpas do pr\u00f3prio her\u00f3i.\n\nAssim como o her\u00f3i, a sombra pode se tornar mais interessante se possuir uma fei\u00e7\u00e3o humana, ou seja, ter defeitos ou qualidades que a aproximem do espectador. Al\u00e9m das fraquezas mortais, a sombra pode ter um lado bom ou uma vis\u00e3o que justifique suas a\u00e7\u00f5es.\n\n<strong>O P\u00cdCARO<\/strong>\n\nEste arqu\u00e9tipo pode ser representado por um palha\u00e7o ou qualquer personagem c\u00f4mico, ele carrega em si o desejo de mudan\u00e7a da realidade.\n\nA fun\u00e7\u00e3o deste arqu\u00e9tipo \u00e9 acordar o her\u00f3i para a realidade, denunciando a hipocrisia e o lado rid\u00edculo das situa\u00e7\u00f5es apresentadas. Esta fun\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m atinge o p\u00fablico, uma vez que este e o her\u00f3i est\u00e3o ligados, trazendo um al\u00edvio c\u00f4mico ap\u00f3s uma situa\u00e7\u00e3o tensa da hist\u00f3ria.\n\nEste arqu\u00e9tipo tamb\u00e9m pode aparecer ou ser assumido por personagens representativas de outros arqu\u00e9tipos. O her\u00f3i picaresco, por exemplo, \u00e9 muito comum em contos tradicionais de v\u00e1rios pa\u00edses e uma constante nos desenhos animados infantis.\n\nAl\u00e9m destes arqu\u00e9tipos apontados por Vogler, aponto outros dois tipos de personagem que podem facilitar o trabalho do escritor.\n\n<strong>O ANJO<\/strong>\n\nO anjo pode se confundir com os arqu\u00e9tipos do mentor e o do guardi\u00e3o do limiar, a sua fun\u00e7\u00e3o \u00e9 ligar o her\u00f3i a um destino ou um plano maior. A influ\u00eancia do anjo faz com que o her\u00f3i siga em sua jornada. A fun\u00e7\u00e3o do anjo pode ser exercida por diversas personagens, em algumas hist\u00f3rias a personagem pode n\u00e3o perceber que est\u00e1 desempenhando este papel.\n\nQuando o her\u00f3i \u00e9 bem constru\u00eddo, enquanto personagem, ele tem vontade pr\u00f3pria. A interfer\u00eancia direta do autor nas decis\u00f5es do protagonista fazem com que este perca a credibilidade diante do p\u00fablico. Portanto se uma decis\u00e3o do her\u00f3i o afasta do rumo da hist\u00f3ria, um anjo pode fazer com ele retorne ao caminho original. Os anjos tamb\u00e9m podem aparecer como anjos ca\u00eddos que fazem o her\u00f3i se afastar de seu objetivo.\n\n<strong>O ORELHA<\/strong>\n\nEste \u00e9 um tipo de personagem muito comum em telenovelas, sua fun\u00e7\u00e3o \u00e9 fazer com que as personagens principais passem informa\u00e7\u00f5es ao espectador, atrav\u00e9s do di\u00e1logo. Ele n\u00e3o tem trajet\u00f3ria pr\u00f3pria e aparece sempre pr\u00f3ximo ao protagonista ou ao vil\u00e3o e ouve suas impress\u00f5es pessoais sobre o desenrolar da hist\u00f3ria.\n\n<strong>OS EST\u00c1GIOS DA JORNADA DO HER\u00d3I<\/strong>\n\nComo foi visto, Vogler considera a hist\u00f3ria como a jornada do her\u00f3i em busca de resolver um desequil\u00edbrio, e nesta jornada o her\u00f3i cresce e aprende. Baseado na obra de Joseph Campbell, Vogler desenvolve as etapas desta jornada. As etapas s\u00e3o doze.\n\nAcredito que qualquer esquema ou sistema para se escrever uma hist\u00f3ria, n\u00e3o deve limitar a criatividade do autor, mas, de acordo com Vogler, as etapas da jornada s\u00e3o universais, ou seja t\u00eam uma afinidade com o espectador, mesmo que este n\u00e3o a perceba. Ele gosta da hist\u00f3ria e \u00e9 seduzido por ela sem saber ao certo o porqu\u00ea. Portanto, n\u00e3o se deve enxergar as etapas como uma obriga\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 importante ter conhecimento destas por seu aspecto universal.\n\nO cinema americano (da Calif\u00f3rnia) faz uso constante das etapas abordadas ao se conhecer bem as etapas n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil identifica-las nos filmes.\n\n<strong>S\u00e3o elas:<\/strong>\n<blockquote><strong>1 MUNDO COMUM\n2 CHAMADO \u00c0 AVENTURA\n3 RECUSA DO CHAMADO\n4 ENCONTRO COM O MENTOR\n5 TRAVESSIA DO PRIMEIRO LIMIAR\n6 TESTES, ALIADOS E INIMIGOS\n7 APROXIMA\u00c7\u00c3O DA CAVERNA OCULTA\n8 PROVA\u00c7\u00c3O SUPREMA\n9 RECOMPENSA\n10 CAMINHO DE VOLTA\n11 RESSURREI\u00c7\u00c3O\n12 RETORNO COM ELIXIR <\/strong><\/blockquote>\n<strong>Estas etapas seguem a seguinte express\u00e3o gr\u00e1fica:<\/strong>\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Dramaturgia\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/dramaturgia-002.jpg\" alt=\"Dramaturgia\" width=\"450\" height=\"266\" \/><\/p>\n\n<blockquote><strong>MUNDO COMUM: <\/strong>O mundo comum \u00e9 o espa\u00e7o cotidiano do her\u00f3i, onde ele vive. Como j\u00e1 foi colocado, o her\u00f3i est\u00e1 satisfeito com este mundo ou tem desejo de modifica-lo(ou sair dele).<strong>\nCHAMADO \u00c0 AVENTURA: <\/strong>Quando acontece algo que modifica o mundo comum e o her\u00f3i \u00e9 convidado a partir para restaura-lo. No caso oposto, \u00e9 quando \u00e9 colocada, ao her\u00f3i, a possibilidade de mudar ou abandonar o mundo comum.<strong>\nRECUSA AO CHAMADO: <\/strong>Ao receber o chamado o her\u00f3i hesita devido ao temor natural de se partir para o desconhecido.<strong>\nENCONTRO COM O MENTOR: <\/strong>O mentor estimula o her\u00f3i a partir para a aventura e d\u00e1 a ele informa\u00e7\u00f5es ou presentes que ser\u00e3o \u00fateis no mundo especial. Com algum conhecimento sobre este mundo o her\u00f3i se sente mais seguro e come\u00e7a a sua jornada.<strong>\nTRAVESSIA DO PRIMEIRO LIMIAR: <\/strong>A partir deste momento n\u00e3o h\u00e1 mais volta. O her\u00f3i assume seu compromisso com a aventura e entra no mundo especial, mesmo que queira j\u00e1 n\u00e3o pode mais retornar. \u00c9 a passagem pelo Guardi\u00e3o do Limiar.<strong>\nTESTES, ALIADOS E INIMIGOS: <\/strong>Nesta etapa o her\u00f3i tem suas for\u00e7as testadas no mundo especial. Ele encontra seus aliados na aventura e seus inimigos (aliados da sombra).<strong>\nAPROXIMA\u00c7\u00c3O DA CAVERNA OCULTA: <\/strong>O her\u00f3i se aproxima do lugar mais sombrio do mundo especial. Pode ser a fortaleza da sombra ou outro lugar sinistro, onde ele deve ir para encontrar um meio de enfrentar a sombra. Em muitos casos o her\u00f3i pode ainda ignorar a necessidade de se entrar na caverna oculta, mas os rumos da hist\u00f3ria o levam at\u00e9 l\u00e1, onde ele enfrentar\u00e1 seus maiores medos e pesadelos. <strong>\nPROVA\u00c7\u00c3O SUPREMA: <\/strong>O her\u00f3i entra na caverna oculta e enfrenta a morte (simb\u00f3lica ou f\u00edsica). Aparentemente sem sa\u00edda, o her\u00f3i enfrenta o grande perigo e ap\u00f3s parecer morrer, ele triunfa.<strong>\nRECOMPENSA: <\/strong>Ap\u00f3s triunfar sobre a morte( ou grande perigo) o her\u00f3i adaptado ao comum desaparece para o surgimento do her\u00f3i adaptado ao mundo especial. De certa forma ocorre uma morte simb\u00f3lica. Este her\u00f3i renovado \u00e9 capaz de enfrentar a sombra. Na caverna ele obteve a recompensa da luta, que pode ser conhecimento, armas. Com esta nova for\u00e7a ele passa pelo limiar do mundo especial para retornar para o seu mundo.<strong>\nO CAMINHO DE VOLTA: <\/strong>No caminho de sa\u00edda do mundo especial o her\u00f3i encontra as conseq\u00fc\u00eancias de ter manipulado ou enfrentado as for\u00e7as obscuras do mundo especial. Ele \u00e9 perseguido por estas for\u00e7as. Geralmente nesta etapa um sacrif\u00edcio deve ser feito, o her\u00f3i pode perder um aliado ou o seu mentor.<strong>\nRESSURREI\u00c7\u00c3O: <\/strong>Nesta etapa a sombra faz sua \u00faltima tentativa para destruir o her\u00f3i, mas \u00e9 derrotada definitivamente. O her\u00f3i vitorioso deve perecer para poder retornar ao seu mundo comum, em seu lugar tem-se o her\u00f3i adaptado ao mundo comum, mas muito mais s\u00e1bio e forte que o her\u00f3i inicial. Ocorre, ent\u00e3o, uma segunda morte simb\u00f3lica. O guerreiro deixa suas armas e se limpa do sangue dos inimigos para retornar a sua vida.<strong>\nVOLTA COM O ELIXIR: <\/strong>Terminada a transforma\u00e7\u00e3o o her\u00f3i entra triunfante no mundo comum. Ele traz consigo a recompensa de sua jornada. Esta recompensa varia conforme a hist\u00f3ria e possui um valor superior da recompensa obtida anteriormente. Ela ser\u00e1 partilhada com os seus companheiros do mundo comum ou possibilitar\u00e1 ao her\u00f3i uma vida nova no seu mundo.<\/blockquote>\nA seguir algumas dicas mais gerais que facilitam o trabalho de escrever tanto para cinema, quanto para televis\u00e3o. Assim como o sistema de Vogler, n\u00e3o chegam a ser uma obriga\u00e7\u00e3o, mas ajudam ao autor a cumprir sua tarefa.\n\n<strong>DICAS DE DRAMATURGIA PARA CONSTRUIR UM ROTEIRO:<\/strong>\n<blockquote>Diapas\u00e3o \u0096 \u00c9 uma cena de refer\u00eancia, que carrega me si toda ess\u00eancia do filme. Ati\u00e7a a compreens\u00e3o do espectador.\nQuando uma personagem importante aparece pela primeira vez, deve-se apresentar ao espectador a caracter\u00edstica principal desta personagem (preferencialmente atrav\u00e9s de imagens).\nColocar nas personagens necessidades humanas universais.\nDeus ex machina \u0096 termo originado nas pe\u00e7as da antig\u00fcidade, era quando os deuses interferiam no desenrolar ou no final da hist\u00f3ria, dando outra dire\u00e7\u00e3o. Hoje \u00e9 um termo pejorativo para designar uma hist\u00f3ria que apresenta uma solu\u00e7\u00e3o externa ao universo por ela abordado.\nN\u00e3o se deve colocar em texto o que j\u00e1 se colocou em imagens. Excesso de informa\u00e7\u00e3o pode ser enfadonho para o espectador, al\u00e9m disto ele detesta ser tratado coo burro.\nO autor sempre deve saber em quanto tempo a hist\u00f3ria se passa.\nA descri\u00e7\u00e3o das caracter\u00edsticas internas de uma personagem pode se dar em v\u00e1rias cenas, dando ao espectador a informa\u00e7\u00e3o em fragmentos.\nFechar os plots e subplots\nCont\u00e1gio \u0096 quando a partir uma disposi\u00e7\u00e3o de cenas ou imagens se induz o espectador a uma conclus\u00e3o. A percep\u00e7\u00e3o do espectador funciona como eco dramat\u00fargico e elementos da hist\u00f3ria ficam subentendidos, n\u00e3o precisando ser mostrados.<\/blockquote>\n<strong>DICAS ESPEC\u00cdFICAS PARA TELENOVELA.<\/strong>\n<blockquote>Colocar o \u0093mocinho\u0094 e a \u0093mocinha\u0094 em classes sociais diferentes sempre cria a possibilidade de novos conflitos.\nUma grande variedade et\u00e1ria enriquece os di\u00e1logos.\nGuarde uma personagem para aparecer, somente, no meio da novela e reverter o rumo da hist\u00f3ria. Geralmente, esta personagem traz informa\u00e7\u00f5es inusitadas sobre a trama ou as outras personagens.\nAo se chegar nos \u00faltimos cap\u00edtulos o autor pode escrever de tr\u00e1s para frente, de modo que feche todos os plots e subplots.<\/blockquote>\nFonte: www.roteirodecinema.com.br\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dramaturgia, Drama, Texto, Objetivo, Hist\u00f3ria, Roteiro, Pe\u00e7a, Reda\u00e7\u00e3o, Caracter\u00edsticas, Personagens, Espectador, O que \u00e9, Dramaturgia<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":16654,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[57],"tags":[],"class_list":["post-21539","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia-geral"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Dramaturgia - Hist\u00f3ria - Portal S\u00e3o Francisco<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"noindex, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"en_US\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Dramaturgia - Hist\u00f3ria - Portal S\u00e3o Francisco\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Dramaturgia, Drama, Texto, Objetivo, Hist\u00f3ria, Roteiro, Pe\u00e7a, Reda\u00e7\u00e3o, Caracter\u00edsticas, Personagens, Espectador, O que \u00e9, Dramaturgia\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/dramaturgia-historia-2\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Portal S\u00e3o Francisco\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2016-01-07T00:00:00+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2026-09-01T15:39:47+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/dramaturgia-002.jpg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"450\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"266\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"admin\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Written by\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"admin\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. reading time\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"53 minutes\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisco\\\/uncategorized\\\/dramaturgia-historia-2\\\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisco\\\/uncategorized\\\/dramaturgia-historia-2\\\/\"},\"author\":{\"name\":\"admin\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisco\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/809496378e7bdc3449a70c476cbf211c\"},\"headline\":\"Dramaturgia &#8211; 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