{"id":21533,"date":"2016-01-07T00:00:00","date_gmt":"2016-01-07T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/arquitetura-bizantina-2\/"},"modified":"2026-09-01T15:39:41","modified_gmt":"2026-09-01T15:39:41","slug":"arquitetura-bizantina-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-geral\/arquitetura-bizantina-2\/","title":{"rendered":"Arquitetura Bizantina"},"content":{"rendered":"\n<strong>Arquitetura Bizantina &#8211; Hist\u00f3ria<\/strong>\n\nConhece-se como bizantina a arte e a arquitetura que floresceram na cidade de Biz\u00e2ncio, quando o\u00a0<strong>imperador Constantino\u00a0<\/strong>transferiu para ali sua corte, \u00e0s margens do B\u00f3sforo, entre a \u00c1sia e a Europa.\n\nNesta \u00e9poca, Biz\u00e2ncio passou a chamar-se<strong>\u00a0Constantinopla<\/strong>.\n\nA\u00a0<strong>arquitetura bizantina\u00a0<\/strong>tem sua origem no s\u00e9c. IV e concilia influ\u00eancias do oriente com elementos gregos e romanos.\n\nNessa arquitetura destacam-se a c\u00fapula e a planta de eixo central ou de cruz grega (com bra\u00e7os de igual comprimento). A c\u00fapula veio da \u00c1sia Menor e os bizantinos aperfei\u00e7oaram-na.\n\nEm cada bra\u00e7o da cruz grega, ergueu-se um arco, e sobre os arcos colocaram um tambor, e sobre este, levantaram a c\u00fapula. Em lugar do concreto ou da argamassa que os romanos usavam para cobertura, os arquitetos bizantinos utilizaram telhas leves.\n\nEntre os exemplares de maior import\u00e2ncia da arquitetura bizantina, temos Santa Sofia em Constantinopla, cujos arquitetos foram Antemio de Trales (c.474 ? c. 534) e Isidoro de Mileto e a Igreja de S\u00e3o Marcos em Veneza, do ano de 1093.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Arquitetura Bizantina\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/arquit1.jpg\" alt=\"Arquitetura Bizantina\" width=\"260\" height=\"184\" \/><strong>\nBas\u00edlica de Santa Sofia &#8211; Constantinopla<\/strong><\/p>\n<strong>Santa Sofia\u00a0<\/strong>\u00e9 a obra prima da arquitetura bizantina, constru\u00edda por ordem de Justiniano na dire\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m.\n\nRepresenta o ramo grego do cristianismo, expandiu-se na R\u00fassia e na Europa Oriental.\n\nSanta Sofia \u00e9 uma Igreja de planta centrada. Tem uma c\u00fapula imensa no espa\u00e7o central, com trinta e um metros de di\u00e2metro e cinq\u00fcenta e quatro metros de altura. A c\u00fapula descansa sobre pilares de m\u00e1rmore, parecendo levitar no espa\u00e7o. Em volta do tambor (parte mais baixa da c\u00fapula), abrem-se quarenta janelas que simbolizam os quarenta dias que Cristo esteve no deserto.\n\nO telhado \u00e9 feito de telhas fabricadas com calc\u00e1rio poroso da ilha de Rodes. Cada telha trazia c\u00e2nticos do Livro dos Salmos.\n\nAs quatro colunas internas de m\u00e1rmore foram trazidas por ordem de Justiniano do templo de Diana em \u00c9feso; medem doze metros de altura.\n\nTamb\u00e9m em Constantinopla os arquitetos de Santa Sofia constru\u00edram a Igreja dos Santos Ap\u00f3stolos com a planta em forma de cruz grega com uma c\u00fapula ao centro e quatro c\u00fapulas menores cobrindo os bra\u00e7os da cruz.\n\nServiu de modelo a muitas igrejas, incluindo a de S\u00e3o Marcos em Veneza.\n\nAinda no s\u00e9c. VI, Justiniano realizou obras p\u00fablicas e fortifica\u00e7\u00f5es. Constantinopla contava com pal\u00e1cios imperiais, hip\u00f3dromos, circos, teatros, aquedutos e arcos.\n\nO reservat\u00f3rio subterr\u00e2neo de Bir-Direk contendo mil colunas foi constru\u00eddo por Justiniano para abastecer de \u00e1gua a cidade de Constantinopla.\n\n<strong>Fora de Istambul ou Constantinopla, neste per\u00edodo destacam-se:\u00a0<\/strong>Ravena, com as igrejas de Santo Apolin\u00e1rio, o Novo, na Cidade e Santo Apolin\u00e1rio in classe, no sub\u00farbio e S\u00e3o Vital.\n\nAs primeiras adotam a planta basilical e S\u00e3o Vital, planta central.\n\n<strong>Na hist\u00f3ria da arquitetura religiosa desta \u00e9poca dois progressos se assinalam:<\/strong>\u00a0o Campan\u00e1rio e o Batist\u00e9rio.\n\nO Campan\u00e1rio deu origem \u00e0s torres das igrejas medievais. O batist\u00e9rio foi de come\u00e7o uma constru\u00e7\u00e3o \u00e0 parte, ligada a igreja principal da cidade e era apenas usado para o Batismo. Circular ou octogonal, era constru\u00eddo como os templos menores ou os t\u00famulos romanos.\n\nNumerosos edif\u00edcios pag\u00e3os foram utilizados pelos crist\u00e3os, o que explica a fus\u00e3o das arquiteturas. Poucos batist\u00e9rios foram constru\u00eddos depois do s\u00e9c. XI, quando tornou-se h\u00e1bito colocar a pia batismal no vest\u00edbulo do templo.\n\nOs capit\u00e9is cl\u00e1ssicos suportavam arquitraves, j\u00e1 os bizantinos suportavam arcos, o que requer uma superf\u00edcie maior de apoio. Da\u00ed surgiram as ?impostas?, faixa intermedi\u00e1ria entre os arcos e as colunas, com encargo de concentrar nos capit\u00e9is o peso dos arcos.\n\n<strong>Arquitetura Bizantina &#8211; Defini\u00e7\u00e3o<\/strong>\n\nA arquitetura do Imp\u00e9rio Bizantino (4\u00ba ao 15\u00ba s\u00e9culo EC) continuou suas primeiras tradi\u00e7\u00f5es romanas, mas os arquitetos tamb\u00e9m adicionaram novas estruturas ao seu repert\u00f3rio j\u00e1 formid\u00e1vel, notavelmente paredes de fortifica\u00e7\u00e3o melhoradas e igrejas com c\u00fapulas. Tamb\u00e9m havia uma preocupa\u00e7\u00e3o muito maior com o interior dos edif\u00edcios do que com o exterior.\n\nO cristianismo influenciou desenvolvimentos como a convers\u00e3o da bas\u00edlica secular em uma magn\u00edfica igreja com um teto abobadado impressionante.\n\nOs edif\u00edcios bizantinos, em geral, continuaram a empregar as ordens cl\u00e1ssicas, mas tornaram-se mais ecl\u00e9ticos e irregulares, talvez originalmente porque os antigos edif\u00edcios pag\u00e3os eram usados como pedreiras para fornecer pe\u00e7as de pedra ecl\u00e9ticas para novas estruturas. Essa \u00eanfase na fun\u00e7\u00e3o sobre a forma \u00e9 um aspecto particular da arquitetura bizantina, que mesclava influ\u00eancias do Oriente Pr\u00f3ximo com a rica heran\u00e7a arquitet\u00f4nica romana e grega.\n\nA\u00a0<strong>arquitetura bizantina<\/strong>\u00a0viria a influenciar a arquitetura crist\u00e3 ortodoxa e por isso ainda \u00e9 vista hoje em igrejas em todo o mundo.\n\n<strong>Arquitetura Bizantina &#8211; O que \u00e9<\/strong>\n\nA\u00a0<strong>arquitetura bizantina<\/strong>\u00a0\u00e9 o estilo de constru\u00e7\u00e3o caracter\u00edstico da cidade turca conhecida hoje como Istambul, anteriormente Biz\u00e2ncio e depois Constantinopla, ap\u00f3s 330 DC. Inicialmente, um estilo ecl\u00e9tico fortemente influenciado por caracter\u00edsticas dos templos romanos, caracter\u00edsticas distintas como o telhado abobadado, espa\u00e7os interiores abertos e decora\u00e7\u00e3o embelezada eventualmente emergiram.\n\nEste estilo arquitet\u00f4nico foi principalmente influente entre meados do s\u00e9culo 4 e 1453, mas permaneceu em voga em algumas regi\u00f5es, como a R\u00fassia, al\u00e9m da era bizantina.\n\nEste estilo arquitet\u00f4nico possui v\u00e1rias caracter\u00edsticas distintas. Indiscutivelmente, a caracter\u00edstica mais exclusiva \u00e9 o telhado abobadado que muitas vezes repousa sobre uma enorme base quadrada como a Hagia Sophia, uma antiga bas\u00edlica e mesquita em Istambul.\n\nAs semic\u00fapulas tamb\u00e9m s\u00e3o frequentemente utilizadas para cobrir os hemiciclos e as pequenas janelas filtram a luz atrav\u00e9s de uma fina camada de alabastro que garante uma ilumina\u00e7\u00e3o interior suave.\n\nEm vez de decora\u00e7\u00e3o entalhada, os interiores s\u00e3o embelezados com mosaicos dourados, como os da Capela Palatina em Palermo, It\u00e1lia. Os mosaicos podem cobrir grandes por\u00e7\u00f5es do interior, incluindo as ab\u00f3badas, e podem representar imperadores bizantinos, santos religiosos e eventos b\u00edblicos, entre outros temas.\n\nAs figuras em mosaicos bizantinos s\u00e3o tipicamente apresentadas de uma forma ligeiramente abstrata ou n\u00e3o naturalista.\n\nOs espa\u00e7os internos em edif\u00edcios bizantinos tendem a se elevar em telhados curvos apoiados por colunas de m\u00e1rmore.\n\nOs artes\u00e3os e construtores bizantinos adaptaram o sistema romano de constru\u00e7\u00e3o com concreto e alvenaria, adicionando uma cobertura de m\u00e1rmore \u00e0 superf\u00edcie. Tetos em caixot\u00e3o tamb\u00e9m s\u00e3o comuns.\n\nA igreja de planta em cruz grega \u00e9 indiscutivelmente a estrutura mais caracter\u00edstica da arquitetura bizantina.\n\nA planta do edif\u00edcio tem a forma de uma cruz grega ancorada por um quadrado central com quatro bra\u00e7os de igual comprimento emergindo de todos os lados. Vista de cima, a igreja tem o formato de uma grande cruz grega.\n\nO epicentro da arquitetura bizantina foi a cidade conhecida como Constantinopla, at\u00e9 o in\u00edcio do s\u00e9culo 20, quando o governo da Rep\u00fablica da Turquia adotou oficialmente o nome de Istambul.\n\nO estilo surgiu ap\u00f3s o Imperador Romano Constantino mudar a capital do Imp\u00e9rio Romano de Roma para Constantinopla em 330 DC. A capital de Constantinopla durou mais de mil anos.\n\nConstantinopla caiu nas m\u00e3os do Imp\u00e9rio Otomano em 29 de maio de 1453. Esse evento marcou o fim do Imp\u00e9rio Romano e a convers\u00e3o da cidade na nova capital do Imp\u00e9rio Otomano, hoje conhecida como Istambul, na Turquia. Esta data tamb\u00e9m \u00e9 usada por muitos para marcar o fim da era bizantina e o \u00e1pice de seu estilo arquitet\u00f4nico.\n\nEmbora Constantinopla tenha sido capturada pelas for\u00e7as do sult\u00e3o Mehmed II, a arquitetura bizantina se espalhou para outras regi\u00f5es onde sua influ\u00eancia permaneceu evidente.\n\nA arquitetura rom\u00e2nica e g\u00f3tica devem-se ao estilo bizantino. A arquitetura bizantina tamb\u00e9m persistiu em \u00e1reas onde a Igreja Ortodoxa \u00e9 proeminente, incluindo Bulg\u00e1ria, R\u00fassia e Ucr\u00e2nia. Finalmente, um estilo neobizantino emergiu no final do s\u00e9culo 19, exemplificado pela Catedral de Westminster em Londres, Inglaterra, e pela Catedral de S\u00e3o Sava em Belgrado, S\u00e9rvia.\n\n<strong>Arquitetura Bizantina &#8211; Igrejas<\/strong>\n\nA\u00a0<strong>arquitetura bizantina<\/strong>\u00a0possui inspira\u00e7\u00e3o helen\u00edstica e orientalista. Suas bas\u00edlicas s\u00e3o c\u00e9lebres pelas linhas curvas, a exemplo da Igreja de Santa Sofia, em Constantinopla (atual Istambul).\n\nA c\u00e9lebre igreja de Santa Sofia (532\/37) dominada por seu grande domo, foi um modelo para as obras crist\u00e3s posteriores e para os arquitetos turcos.\n\nOutras igrejas bizantinas podem ser vistas em Ravena, It\u00e1lia e em Dafne, perto de Atenas.\n\nA Catedral de S\u00e3o Marcos, em Veneza, \u00e9 inspirada na arte bizantina.\n\nO interior de tais igrejas era coberto de mosaicos de vidro brilhante, t\u00edpicos desta arte. Os esmaltes, o entalhe em marfim, a ourivesaria e a prata eram usados para embelezar relic\u00e1rios, muitos dos quais foram levados para igrejas ocidentais depois do saque de Constantinopla pelos cruzados, em 1204.\n\nUm importante papel na difus\u00e3o do estilo bizantino na Europa foi desempenhado por manuscritos ricamente ilustrados.\n\nUm estemunho claro de sua influ\u00eancia, pode ser encontrado nas obras dos artistas italianos da escola sienense, na Idade M\u00e9dia.\n\nAs imagens religiosas bizantinas sobreviveram por muitos s\u00e9culos, depois da queda de Constantinopla, nos \u00edcones russos, gregos e balc\u00e2nicos. Na arte profana, merecem destaque os luxuosos tecidos bizantinos.\n\nA<strong>\u00a0arte bizantina\u00a0<\/strong>era uma arte crist\u00e3, de car\u00e1ter eminentemente cerimonial e decorativo, em que a harmonia das formas \u2013 fundamental na arte grega \u2013 foi substitu\u00edda pela impon\u00eancia e riqueza dos materiais e dos detalhes.\n\nEla desconhecia perspectiva, volume ou profundidade do espa\u00e7o, e empregava em profus\u00e3o as superf\u00edcies planas, onde sobressa\u00edam melhor os ornamentos luxuosos e complicados que acompanhavam as figuras.\n\nA religi\u00e3o ortodoxa, al\u00e9m de inspiradora, funcionava tamb\u00e9m como censora.\n\nO clero estabelecia as verdades sagradas e os padr\u00f5es para representa\u00e7\u00e3o de Cristo, da Virgem, dos Ap\u00f3stolos, ou para exalta\u00e7\u00e3o da pessoa do imperador que, al\u00e9m de absoluto e com poderes ilimitados sobre todos os setores da vida social, era ainda o representante de Deus na Terra, com autoridade equiparada \u00e0 dos Ap\u00f3stolos.\n\nAssim, ao artista cabia apenas a representa\u00e7\u00e3o, segundo os padr\u00f5es religiosos, pouco importando a riqueza de sua imagina\u00e7\u00e3o ou a express\u00e3o de seus sentimentos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 determinada personagem ou doutrina sacra, ou mesmo ao soberano onipotente.\n\nEssa rigidez explica o car\u00e1ter convencional e certa uniformidade de estilo constante no desenvolvimento da arte bizantina.\n\nNo momento de sua m\u00e1xima expans\u00e3o, o Imp\u00e9rio Bizantino englobava, na Europa, os territ\u00f3rios balc\u00e2nicos limitados pelos rios Dan\u00fabio, Drina e Sava, e parte da pen\u00ednsula It\u00e1lica (Exarcado de Ravena); a \u00c1sia Menor, S\u00edria e Palestina, na \u00c1sia; o Egito e as regi\u00f5es que hoje formam a L\u00edbia e a Tun\u00edsia, na \u00c1frica. Por outro lado, Constantinopla se erguia no entroncamento das rotas comerciais entre a \u00c1sia e a Europa mediterr\u00e2nea.\n\nA popula\u00e7\u00e3o do imp\u00e9rio compreendia, pois, nacionalidades diversas, sobretudo gregos.\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" title=\"Arquitetura Bizantina\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/arquit4-1.jpg\" alt=\"Arquitetura Bizantina\" width=\"294\" height=\"274\" \/><\/strong><strong>Igreja da Hodigitria \u2013 Mistra \u2013 Gr\u00e9cia<\/strong><\/p>\nInspirada e guiada pela religi\u00e3o, a arquitetura alcan\u00e7ou sua express\u00e3o mais perfeita na constru\u00e7\u00e3o de igrejas.\n\nE foi precisamente nas edifica\u00e7\u00f5es religiosas que se manifestaram as diversas influ\u00eancias absorvidas pela arte bizantina. Houve um afastamento da tradi\u00e7\u00e3o greco-romana, sendo criadas, sob influ\u00eancia da arquitetura persa, novas formas de templos, diferentes dos ocidentais. Foi nessa \u00e9poca que se iniciou a constru\u00e7\u00e3o das igrejas de planta de cruz grega, coberta por c\u00fapulas em forma de pendentes, conseguindo-se assim fechar espa\u00e7os quadrados com teto de base circular.\n\nAs caracter\u00edsticas predominantes seriam a c\u00fapula (parte superior e c\u00f4ncava dos edif\u00edcios) e a planta de eixo central, tamb\u00e9m chamada de planta de cruz grega (quatro bra\u00e7os iguais).\n\nA c\u00fapula procurava reproduzir a ab\u00f3bada celeste. Esse sistema, que parece j\u00e1 ter sido utilizado na Jord\u00e2nia em s\u00e9culos anteriores e inclusive na Roma Antiga, se transformou no s\u00edmbolo do poderio bizantino.\n\n<strong>Simbolismo Arquitet\u00f4nico<\/strong>\n\nSegundo Ren\u00e9 Gu\u00e9non, toda constru\u00e7\u00e3o religiosa possui uma significa\u00e7\u00e3o c\u00f3smica. Este princ\u00edpio se aplica sem d\u00favida alguma \u00e0 arquitetura crist\u00e3 em geral, e \u00e0 bizantina em particular.\n\n<strong>Aqui chama a aten\u00e7\u00e3o na arquitetura bizantina, em especial, o significado m\u00edstico que se encontra presente em um elemento espec\u00edfico:\u00a0<\/strong>a c\u00fapula.\n\nEsta, como podemos constatar, n\u00e3o \u00e9 apenas um elemento arquitet\u00f4nico decorativo, pois corresponde \u00e0 concep\u00e7\u00f5es est\u00e9ticas fundamentadas em um simbolismo preciso.\n\n<strong>A c\u00fapula n\u00e3o possui seu sentido em si mesma, mas sim naquilo que representa:<\/strong>\u00a0a ab\u00f3bada celeste.\n\nEntretanto seria err\u00f4neo estud\u00e1-la em separado, pois devemos consider\u00e1-la enquanto relacionada ao resto do edif\u00edcio, com o fim de compreender o simbolismo cosmol\u00f3gico dessa arquitetura em toda a sua extens\u00e3o.\n\nA c\u00fapula representa o c\u00e9u e sua base a terra, assim, o edif\u00edcio completo representa uma imagem do cosmos.\n<p class=\"imagem\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Arquitetura Bizantina\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/arquit5-1.jpg\" alt=\"Arquitetura Bizantina\" width=\"194\" height=\"170\" \/>\nC\u00fapula Persa<\/strong><\/p>\n<p class=\"imagem\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Arquitetura Bizantina\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/arquit6-1.jpg\" alt=\"Arquitetura Bizantina\" width=\"164\" height=\"221\" \/>\nAb\u00f3bada Bizantina<\/strong><\/p>\n<p class=\"imagem\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Arquitetura Bizantina\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/arquit7-1.jpg\" alt=\"Arquitetura Bizantina\" width=\"196\" height=\"161\" \/>\nAb\u00f3bada semiesf\u00e9rica<\/strong><\/p>\nAlgumas considera\u00e7\u00f5es devem ser feitas, antes da an\u00e1lise simb\u00f3lica propriamente dita. A arquitetura bizantina tem sua origem durante o reinado do imperador Justiniano. Muitos autores referem-se a esse per\u00edodo como \u201cA Idade de Ouro Justiniana\u201d. Surge uma s\u00e9rie de possibilidades t\u00e9cnicas visando \u00e0s necessidades lit\u00fargicas e formais que concorre para a cria\u00e7\u00e3o de grandes obras de arte do cristianismo. No ano 532 devido \u00e0 violenta insurrei\u00e7\u00e3o de Nika, todo o esplendor cl\u00e1ssico de Constantinopla da \u00e9poca de Constantino havia se tornado em ru\u00ednas. Nessa \u00e9poca, deixa de existir a cidade cl\u00e1ssica, e gra\u00e7as aos esfor\u00e7os de Justiniano, come\u00e7a a surgir a cidade bizantina.\n\nUma das novidades da arquitetura religiosa bizantina do s\u00e9culo VI \u00e9 a combina\u00e7\u00e3o das plantas basilical e central, cujo m\u00e1ximo expoente \u00e9, sem d\u00favida, Santa Sofia de Constantinopla.\n\nO elemento principal e dominante \u00e9 sua c\u00fapula. Esta n\u00e3o \u00e9, entretanto, uma inven\u00e7\u00e3o bizantina. Sua origem remonta um longo passado, tanto no mediterr\u00e2neo oriental quanto no ocidental.\n\nApesar de existirem constru\u00e7\u00f5es cupuladas no oriente, desde v\u00e1rios mil\u00eanios antes de Cristo, a exemplo das c\u00fapulas da Mesopot\u00e2mia, ou mesmo as c\u00fapulas ovulares de Khirokitia em Chipre, assim como tamb\u00e9m na arte helen\u00edstica, \u00e9 contudo em Roma, onde esta forma arquitet\u00f4nica alcan\u00e7ar\u00e1 sua maior express\u00e3o.\n\nEm efeito, os estudiosos coincidem em afirmar que os antecedentes diretos da arquitetura bizantina encontram-se em Roma, que havia incorporado conceitos arquitet\u00f4nicos do oriente, mas desenvolvendo-os e adaptando-os a uma maneira ocidental, produzindo assim uma linguagem pr\u00f3pria, iniciando a arquitetura bizantina.\n\nSegundo Sas-Zaloziecky, os principais elementos t\u00e9cnicos para essa arquitetura j\u00e1 existiam em Roma, e a Igreja de Santa Sofia, por exemplo, n\u00e3o apresenta nenhum aspecto arquitet\u00f4nico que n\u00e3o possa ser encontrado em algum edif\u00edcio romano. Sem d\u00favida, a constru\u00e7\u00e3o mais caracter\u00edstica e monumental por suas dimens\u00f5es, \u00e9 o Panteon de Agripa, primeira constru\u00e7\u00e3o com c\u00fapula autosuportante, que descansa sobre um tambor cil\u00edndrico. Este templo se identifica com uma linha arquitet\u00f4nica que prefere as ab\u00f3badas cil\u00edndricas, ou com naves circulares, e grandes c\u00fapulas, que, havendo herdado muitos elementos do Oriente, passou por transforma\u00e7\u00f5es, tornando-se modelo para os edif\u00edcios paleocrist\u00e3os e bizantinos.\n<p class=\"imagem\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Arquitetura Bizantina\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/arquit10-2.jpg\" alt=\"Arquitetura Bizantina\" width=\"194\" height=\"160\" \/>\nC\u00fapula com pendentes<\/strong><\/p>\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Arquitetura Bizantina\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/arquit11-2.jpg\" alt=\"Arquitetura Bizantina\" width=\"197\" height=\"180\" \/><strong>\nPendente<\/strong><\/p>\nOs arquitetos bizantinos mantiveram o formato arredondado n\u00e3o colocando o tambor (grande arco circular sobre o qual se assenta a c\u00fapula) diretamente sobre a base quadrada.\n\nEm cada um de seus lados ergueram um arco, sobre os quatro arcos colocaram um tambor e, sobre este, com simplicidade e seguran\u00e7a, a c\u00fapula.\n\nOs\u00a0<strong>arquitetos bizantinos<\/strong>\u00a0conseguiram opor a uma constru\u00e7\u00e3o quadrada uma c\u00fapula arredondada, com o uso do sistema de pendentes, \u201ctri\u00e2ngulos\u201d curvil\u00edneos formados dos intervalos entre os arcos e que constitu\u00edam a base sobre a qual era colocado o tambor.\n\nA planta de eixo central, ou de cruz grega (quatro bra\u00e7os iguais), se imp\u00f4s como conseq\u00fc\u00eancia natural da utiliza\u00e7\u00e3o da c\u00fapula. Os pesos e for\u00e7as que se distribu\u00edam por igual na c\u00fapula, exigiam elementos de sustenta\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m distribu\u00eddos por igual, e essa disposi\u00e7\u00e3o ocorria menos facilmente na planta retangular ou de cruz latina, com bra\u00e7os desiguais.\n\nOs arquitetos orientais, da escola ocidental, herdaram os princ\u00edpios da arquitetura romana dando-lhe um matiz inteiramente pr\u00f3prio, de acordo com suas pr\u00f3prias necessidades lit\u00fargicas ou est\u00e9ticas.\n\n<strong>Os edif\u00edcios cupulados bizantinos podem ser divididos em tr\u00eas tipos:<\/strong>\n<blockquote><strong>1.\u00a0<\/strong>C\u00fapula sobre plano circular, forma similar ao Panteon de Agripa\n<strong>2.<\/strong>\u00a0C\u00fapula sobre plano octogonal, como San Vitale en Ravenna, que \u00e9 um desenvolvimento do terceiro tipo.\n<strong>3.<\/strong>\u00a0C\u00fapula sobre plano quadrado, solu\u00e7\u00e3o que se pode encontrar j\u00e1 no s\u00e9culo VI e que permanece at\u00e9 os nossos dias. A este \u00faltimo g\u00eanero pertence, por exemplo, a Catedral de Edessa.<\/blockquote>\n<strong>Para passar desde a forma quadrada a circular, se utilizam quatro tri\u00e2ngulos semi-esf\u00e9ricos que se situam em cada \u00e2ngulo do cubo:\u00a0<\/strong>s\u00e3o as conchas.\n\nEsta solu\u00e7\u00e3o j\u00e1 era conhecida no Imp\u00e9rio Romano. Biz\u00e2ncio, entretanto, n\u00e3o o copia servilmente, o assume criativamente como uma refer\u00eancia que ir\u00e1 moldar ao seu estilo particular.\n\nA difus\u00e3o desta solu\u00e7\u00e3o que combina as plantas centrais cupulada e basilical no tempo e no espa\u00e7o, demonstra o enorme \u00eaxito destas novas formas arquitet\u00f4nicas. Em torno do mar Egeu, Gr\u00e9cia, \u00c1sia Menor, Tr\u00e1cia e Arm\u00eania, se focalizar\u00e1 o primeiro grande n\u00facleo desta difus\u00e3o.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Arquitetura Bizantina\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/arquit12-1.jpg\" alt=\"Arquitetura Bizantina\" width=\"173\" height=\"186\" \/><strong>\nC\u00fapula Bizantina<\/strong><\/p>\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Arquitetura Bizantina\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/arquit14-1.jpg\" alt=\"Arquitetura Bizantina\" width=\"182\" height=\"278\" \/><strong>\nSanta Sofia de Kiev<\/strong><\/p>\nDurante a dinastia dos Comnenos (1057-1204) se introduzir\u00e1 inova\u00e7\u00f5es que enriquecer\u00e3o o estilo bizantino. Entre elas, podemos destacar, a redu\u00e7\u00e3o do di\u00e2metro das c\u00fapulas, que ganham em altura e afinam sua silhueta. Enquanto isso, se multiplicam a quantidade de c\u00fapulas em cada edif\u00edcio. Mistra, no Peloponeso, constru\u00edda entre os s\u00e9culos XIII e XV, representa um particular desenvolvimento das formas arquitet\u00f4nicas bizantinas, combinando a planta basilical com a central, a c\u00fapula e a trichora. A R\u00fassia se constituir\u00e1 em outro ponto, que ser\u00e1 fortemente influenciado por Biz\u00e2ncio, desde sua convers\u00e3o ao cristianismo em 988. A arte bizantina ganhou assim uma prov\u00edncia a mais, cujos limites ir\u00e3o estender-se de forma inesperada.\n\nA primeira igreja russa, Santa Sof\u00eda de Kiev, levantada por arquitetos bizantinos, \u00e9, fundamentalmente, um cruzeiro com c\u00fapula central e m\u00faltiplas naves, cada uma arrematada em uma abside.\n\nEm todas as constru\u00e7\u00f5es derivadas da arquitetura bizantina, al\u00e9m das inova\u00e7\u00f5es \u2013 amplia\u00e7\u00e3o das c\u00fapulas, multiplica\u00e7\u00e3o destas e das naves, entre outras \u2013 \u00e9 poss\u00edvel descobrir sua origem na combina\u00e7\u00e3o das plantas basilical e central. Assim a c\u00fapula \u00e9 sempre o elemento caracter\u00edstico.\n\nA igreja bizantina, est\u00e1 constru\u00edda em fun\u00e7\u00e3o de seu interior. A chave para se compreender a arquitetura bizantina est\u00e1 no que se chama \u201ca est\u00e9tica do sublime\u201d em contraposi\u00e7\u00e3o \u00e0 \u201cest\u00e9tica do belo\u201d, predominante no mundo cl\u00e1ssico. Enquanto a primeira t\u00eam como objetivo comover a alma, a segunda aos sentidos; uma \u00e9 interior, e a outra exterior. Ambas est\u00e3o presentes na arquitetura bizantina, entretanto \u00e9 a primeira concep\u00e7\u00e3o est\u00e9tica a que predomina.\n\nExiste uma express\u00e3o exterior, material, do sublime, onde predomina a dimens\u00e3o e com ela a evid\u00eancia da for\u00e7a, e outra express\u00e3o mais interior, mais espiritual, onde dominam a profundidade e a qualidade da for\u00e7a.\n\nO Deus dos crist\u00e3os n\u00e3o \u00e9 apenas for\u00e7a, \u00e9 tamb\u00e9m amor infinito, e a morte de Cristo, sacrif\u00edcio sublime, exige uma representa\u00e7\u00e3o sublime. O contraste entre um exterior simples e austero, que n\u00e3o produz emo\u00e7\u00e3o est\u00e9tica alguma, e o interior surpreendentemente rico em ornamenta\u00e7\u00e3o, ilustra essa concep\u00e7\u00e3o arquitet\u00f4nica.\n\nN\u00e3o se trata, como no mundo cl\u00e1ssico, de fazer a casa de Deus sobre o modelo da casa do homem, deve ser, ao contr\u00e1rio, um universo em miniatura, j\u00e1 que ali habita o Deus \u00fanico. Segundo o patriarca Germ\u00e1, \u201ca igreja \u00e9 o c\u00e9u terrestre no qual o Deus superior habita e passeia. Isso significa que o templo \u00e9 um lugar santo, independentemente da presen\u00e7a ou aus\u00eancia dos fi\u00e9is, a presen\u00e7a de Deus habita ali\u201d. A \u201cDomus Dei\u201d \u00e9 pois, uma imagem do cosmos, verdadeira morada do Deus onipresente e onipotente.\n\nA contempla\u00e7\u00e3o desta arquitetura, entretanto, n\u00e3o deve se traduzir meramente em gozo est\u00e9tico, pois se trata de um gozo m\u00edstico, da arte dirigida ao esp\u00edrito, da alma do espectador que, iluminada, extasiada e leve, se eleva \u00e0s alturas.\n\nEsta no\u00e7\u00e3o \u00e9 muito preciosa \u00e0 arte bizantina, onde a beleza n\u00e3o \u00e9 um fim como na arte cl\u00e1ssica, sen\u00e3o um meio. Atrav\u00e9s da beleza externa das imagens, se ocultam imagens e s\u00edmbolos que o observador deve saber decifrar para ingressar totalmente em um universo superior. A arte se constitui em outras palavras, em via anag\u00f3gica.\n\nConforme afirmava o Pseudo Dionisio Areopagita, \u201ca imagem sens\u00edvel \u00e9 uma via para elevar-se \u00e0 contempla\u00e7\u00e3o do Insens\u00edvel.\u201d\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Arquitetura Bizantina\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/arquit15-1.jpg\" alt=\"Arquitetura Bizantina\" width=\"302\" height=\"211\" \/><strong>\nSanta Sofia de Constantinopla &#8211; C\u00fapula<\/strong><\/p>\nQuando Proc\u00f3pio, referindo-se \u00e0 Santa Sofia de Constantinopla, disse que \u201ca igreja se converteu em um espet\u00e1culo de grande beleza, magn\u00edfico para os que podem gozar dela, e incr\u00edvel para os que dela ouvem falar\u201d, se refere a um gozo interior, porque as formas n\u00e3o constituem um fim em si mesmas, sen\u00e3o que proclamam a presen\u00e7a de Deus.\n\n<strong>Proc\u00f3pio ainda afirma:\u00a0<\/strong>\u201csempre que se vai a essa igreja rezar, se compreende imediatamente que este trabalho se realizou n\u00e3o por poder e habilidades humanas, mas pela influ\u00eancia de Deus.\n\nAssim a mente do visitante se eleva at\u00e9 Deus e flutua nas alturas, pensando que Ele n\u00e3o pode estar longe, sen\u00e3o que deve amar o habitar neste lugar, que Ele mesmo escolheu.\u201d\n\nAs novas concep\u00e7\u00f5es art\u00edsticas que regem e controlam a constru\u00e7\u00e3o do edif\u00edcio, respondem a um fim sublime que \u00e9 elevar, atrav\u00e9s do sens\u00edvel e o belo, a alma at\u00e9 o insens\u00edvel e o belo, at\u00e9 Deus.\n\nA beleza material que excita os sentidos \u00e9 s\u00f3 um meio para alcan\u00e7ar o dito fim.\n\n<strong>Choricius, no s\u00e9culo VI, sustenta a mesma id\u00e9ia:<\/strong>\u00a0\u201cquando te encontras diante do vest\u00edbulo de uma igreja, \u00e0s vezes \u00e9 dif\u00edcil decidir se ficar\u00e1s contemplando o p\u00f3rtico ou adentrar\u00e1s buscando as del\u00edcias que julgando pela beleza exterior lhe aguardam o interior\u201d.\n\nEntretanto a beleza e as formas do exterior n\u00e3o devem distrair o fiel de sua contempla\u00e7\u00e3o, devem antes convid\u00e1-lo a explorar o interior. \u00c9 assim uma arte utilit\u00e1ria.\n\nO templo \u00e9 um microcosmo, pois se o universo se assemelha a um edif\u00edcio perfeitamente constru\u00eddo, certos edif\u00edcios e nesse caso um templo, devem assemelhar-se ao cosmos.\n\n<strong>A an\u00e1lise do edif\u00edcio nos permite distinguir dois n\u00edveis:<\/strong>\u00a0o inferior que corresponde ao mundo terreno, e o superior, ao mundo celestial.\n\n\u00c9 a uni\u00e3o harm\u00f4nica entre ambos que permite falar de um verdadeiro microcosmo.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Arquitetura Bizantina\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/arquit16-1.jpg\" alt=\"Arquitetura Bizantina\" width=\"197\" height=\"154\" \/><strong>\nCatedral de Edessa<\/strong><\/p>\nNo hino \u00e0 Catedral de Edessa o autor afirma que o templo representa uma imagem da terra e, assim como esta, as \u00e1guas o rodeiam.\n\nIsso nos leva a recordar que na cosmografia antiga a Terra \u00e9 representada rodeada pelo mar oceano. \u00c9 dif\u00edcil imaginar como as \u00e1guas rodeavam tal edif\u00edcio; talvez se refira a alguma lagoa, rio ou meandro.\n\nO certo \u00e9 que o primeiro edif\u00edcio da referida igreja, constru\u00eddo no s\u00e9culo IV, foi destru\u00eddo por uma inunda\u00e7\u00e3o.\n\nOutra explica\u00e7\u00e3o est\u00e1 no fato de que a cidade grega de Edessa \u00e9 conhecida como a \u201cCidade das \u00e1guas\u201d devido \u00e0s diversas fontes de \u00e1gua mineral curativas que l\u00e1 existem. Por outro lado, essa alus\u00e3o nos indica que os quatro arcos que se fazem presente nessa constru\u00e7\u00e3o representam \u201cos quatro extremos da Terra\u201d. Al\u00e9m disso, quatro \u00e9 um n\u00famero sagrado, e sua associa\u00e7\u00e3o com os confins da Terra, e da Terra inteira \u00e9 t\u00edpico na linguagem simb\u00f3lica do per\u00edodo. O n\u00famero quatro sugere ainda uma forma geom\u00e9trica, o quadrado, s\u00edmbolo da Terra por oposi\u00e7\u00e3o ao c\u00e9u.\n\nNa arquitetura dessa igreja o cubo suporta a c\u00fapula e representa assim o mundo material.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Arquitetura Bizantina\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/arquit17-1.jpg\" alt=\"Arquitetura Bizantina\" width=\"202\" height=\"308\" \/><strong>\nSokollo Mehmet &#8211; Istambul<\/strong><\/p>\nChoricius, ao falar do teto da Igreja de S\u00e3o S\u00e9rgio diz que este imita o c\u00e9u vis\u00edvel e assim existiria um c\u00e9u vis\u00edvel e o mais alto c\u00e9u, o c\u00e9u dos c\u00e9us. Dessa maneira tamb\u00e9m se expressa Cosmas Indicopleustes, que afirma existir entre a Terra \u2013 mundo presente e o C\u00e9u \u2013 mundo futuro, um v\u00e9u que os separa, que \u00e9 o c\u00e9u vis\u00edvel, o firmamento.\n\nEste conceito corresponde a uma concep\u00e7\u00e3o cosmol\u00f3gica conhecida a \u00e9poca.\n\nAssim, a c\u00fapula da Igreja de Edessa que n\u00e3o se acha sustentada por nenhuma coluna, nem suporte algum, se encontra antes descansando diretamente sobre a sua base c\u00fabica, e gra\u00e7as aos quatro arcos e os pendentes (sistema que permite passar de um espa\u00e7o retangular a um espa\u00e7o circular) parece estar suspensa no ar, desprovida de toda gravidade, representando magnificamente o c\u00e9u.\n\nEsta impress\u00e3o se torna mais forte quando se v\u00ea o interior da c\u00fapula ornamentado com mosaicos de ouro, o que pelo brilho e efeito produzidos traduz um car\u00e1ter de infinitude, assemelhando-se a um c\u00e9u estrelado.\n\nA c\u00fapula portanto, representa a ab\u00f3bada celeste, e o conjunto do edif\u00edcio, a imagem do universo todo. O quatern\u00e1rio, s\u00edmbolo do terrestre, e o tern\u00e1rio, representando o celestial, se conjugam harmonicamente.\n\nO n\u00famero cinco aparece como o centro, compartilhado pelo c\u00edrculo e o quadrado, e \u00e9 simbolicamente, o \u00f3mphalos que permite transitar do mundo terrestre ao celestial.\n\nO eixo vertical do templo representa o \u201caxis mundi\u201d, um Pilar c\u00f3smico, uma verdadeira Escada de Jac\u00f3, isto \u00e9, um centro. A c\u00fapula \u00e9 o esp\u00edrito universal envolvendo o mundo.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Arquitetura Bizantina\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/arquit18-1.jpg\" alt=\"Arquitetura Bizantina\" width=\"220\" height=\"255\" \/><strong>\nInterior da Igreja de Monreale<\/strong><\/p>\nA disposi\u00e7\u00e3o da ornamenta\u00e7\u00e3o interior segue uma hierarquia ascendente, o que contribui para acentuar a imagem c\u00f3smica.\n\n<strong>A iconografia distingue tr\u00eas zonas para a distribui\u00e7\u00e3o das distintas imagens:<\/strong>\u00a0uma representa o c\u00e9u, outra \u00e9 reservada para os Mist\u00e9rios da vida de Cristo, e a \u00faltima, a inferior, para o conjunto dos santos, m\u00e1rtires e confessores.\n\nAs concep\u00e7\u00f5es teol\u00f3gicas se encontram em perfeito acordo com o sentimento est\u00e9tico para estabelecer as hierarquias das posi\u00e7\u00f5es dos personagens.\n\nOs serafins se situam a certa altura dos pendentes, de tal maneira que a c\u00fapula pare\u00e7a mais leve, sustentada por suas asas.\n\n<strong>Mais tarde, em seu lugar, se colocar\u00e3o representa\u00e7\u00f5es dos quatro evangelistas ou dos quatro Mist\u00e9rios centrais do cristianismo:<\/strong>\u00a0Anuncia\u00e7\u00e3o, Nascimento, Batismo e Transfigura\u00e7\u00e3o, como no caso da Igreja de Dafne, pr\u00f3xima de Atenas.\n\nO ponto mais elevado, a c\u00fapula \u00e9 um lugar reservado ao Cristo Pantocr\u00e1tor, ou algum s\u00edmbolo que o represente como a cruz.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Arquitetura Bizantina\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/arquit19-1.jpg\" alt=\"Arquitetura Bizantina\" width=\"197\" height=\"268\" \/><strong>\nPantocr\u00e1tor &#8211; teto da Igraja de Santa Sofia de Kiev &#8211; Ucr\u00e2nia<\/strong><\/p>\nRespectivamente, na abside se colocar\u00e1 um \u00edcone da Virgem Maria. Entretanto, se o templo carece de c\u00fapula, este lugar ser\u00e1 ocupado pelo Pantocr\u00e1tor.\n\nNas absides laterais \u2013 quando se trata de uma trichora, cont\u00eam cenas evang\u00e9licas. Finalmente, nos planos inferiores se representam os m\u00e1rtires e santos, que mostram a via que conduz ao Pai, mediante seus exemplos de vida.\n\nEstas ornamenta\u00e7\u00f5es entram na composi\u00e7\u00e3o com o resto do edif\u00edcio para representar o todo celestial e o conjunto c\u00f3smico.\n\n<strong>Todas estas formas, imagens, paredes revestidas de m\u00e1rmores e mosaicos, necessitam de um elemento que lhes outorgue uma dimens\u00e3o real:\u00a0<\/strong>a luz.\n\nNa catedral de Edessa existem tr\u00eas janelas situadas na abside que simbolizam a Trindade, por essas janelas entram tr\u00eas fachos de luz que se projetam formando um s\u00f3 facho que se projeta diretamente iluminando o santu\u00e1rio. H\u00e1 ainda v\u00e1rias janelas situadas nas tr\u00eas fachadas.\n<p class=\"imagem\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Arquitetura Bizantina\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/arquit20-1.jpg\" alt=\"Arquitetura Bizantina\" width=\"296\" height=\"247\" \/>\nSanta Sofia de Constantinopla &#8211; Interior<\/strong><\/p>\n<strong>A luz representa um papel fundamental, como aponta Andr\u00e9 Grabar a respeito de Santa Sofia de Constantinopla:<\/strong> &#8220;cada hora t\u00eam sua pr\u00f3pria luz, seu pr\u00f3prio feixe de raios luminosos, os quais, ao penetrar por diferentes janelas, convergem em um determinado ponto, ou ao entrecruzar-se em diferentes alturas, resvalam ao longo das paredes e se derramam sobre as lajes do pavimento. Este encaixe radiante encontra em movimento e sua mobilidade aumenta o efeito irreal da vis\u00e3o&#8221;.\n\nO fiel que entra na igreja se sentir\u00e1 surpreendido pela ilumina\u00e7\u00e3o, e ao levantar os olhos para o alto se encontrar\u00e1 diante de um c\u00e9u estrelado, e ao final ver\u00e1 o Pantocr\u00e1tor. Assim, permanecer\u00e1 im\u00f3vel, perdido no centro desta imensidade, submergido pelo infinito no cora\u00e7\u00e3o deste espa\u00e7o ilimitado, deslumbrado pela luz material e m\u00edstica que erradia a c\u00fapula.\n\nA arte, aqui, tem como miss\u00e3o transmitir esse ideal atrav\u00e9s da mat\u00e9ria. A esse ideal corresponde a Luz. Esta m\u00edstica da luz tem como base o fato de que a mat\u00e9ria humana impede a passagem da luminosa imaterialidade de Deus. Assim, todos os recursos t\u00e9cnicos e estil\u00edsticos se combinam, no intuito de elevar a alma do espectador at\u00e9 Deus, extasiando-o com o jogo de figuras e feixes luminosos, utilizando assim, a &#8220;est\u00e9tica do sublime&#8221;.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Arquitetura Bizantina\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/arquit21-1.jpg\" alt=\"Arquitetura Bizantina\" width=\"291\" height=\"188\" \/>\n<strong>Domo da Rocha \u2013 Jerusal\u00e9m<\/strong><\/p>\nA for\u00e7a original de que est\u00e1 dotada esta concep\u00e7\u00e3o est\u00e9tica e simb\u00f3lica ser\u00e1 t\u00e3o forte e viva, que ultrapassar\u00e1 n\u00e3o somente os limites geogr\u00e1ficos, mas at\u00e9 mesmo as fronteiras religiosas.\n\n<strong>A arte isl\u00e2mica receber\u00e1 tamb\u00e9m sua influ\u00eancia, o que se pode perceber por exemplo, em um dos mais importantes monumentos da f\u00e9 isl\u00e2mica em Jerusal\u00e9m, o Domo da Rocha, cuja arquitetura segue a linha dos templos crist\u00e3os:<\/strong>\u00a0um corpo octogonal coberto por uma c\u00fapula. Segundo Oleg Grabar, a arte isl\u00e2mica se inspirou em grande medida na arte bizantina.\n\nArtistas imperiais de Biz\u00e2ncio foram inclusive chamados pelos mu\u00e7ulmanos para decorar seus edif\u00edcios. Os homens do Isl\u00e3 se impressionaram com os monumentos crist\u00e3os, copiando algumas de suas formas.\n\n<strong>Fonte:<\/strong>\u00a0www.diretoriodearte.com\/www.wisegeek.com\/pegue.com\/www.worldhistory.org\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Arquitetura Bizantina, Arquitetos, Cidade, Caracter\u00edsticas, Biz\u00e2ncio, Constantinopla, Obras, Edif\u00edcios, Igrejas, Arte, Origem, Hist\u00f3ria, Arquitetura Bizantina<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":16536,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[57],"tags":[],"class_list":["post-21533","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia-geral"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Arquitetura Bizantina - Portal S\u00e3o Francisco<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"noindex, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"en_US\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Arquitetura Bizantina - 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