{"id":21497,"date":"2016-01-07T00:00:00","date_gmt":"2016-01-07T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/historia-do-casamento-2\/"},"modified":"2026-09-01T15:39:17","modified_gmt":"2026-09-01T15:39:17","slug":"historia-do-casamento-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-geral\/historia-do-casamento-2\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3ria do Casamento"},"content":{"rendered":"\n&nbsp;\n<h4>A origem do casamento<\/h4>\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Hist\u00f3ria do Casamento\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/histor41-1.jpg\" alt=\"Hist\u00f3ria do Casamento\" width=\"390\" height=\"237\" \/><\/p>\nA maioria das sociedades antigas precisava de um ambiente seguro para a perpetua\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie, um sistema de regras para lidar com a concess\u00e3o de direitos de propriedade, bem como a prote\u00e7\u00e3o de linhas de sangue. A institui\u00e7\u00e3o do\u00a0<strong>casamento\u00a0<\/strong>tratava dessas necessidades.\n\nA palavra\u00a0<strong>casamento<\/strong>\u00a0pode ser tomado para designar a a\u00e7\u00e3o, contrato, formalidade ou cerim\u00f4nia pela qual a uni\u00e3o conjugal \u00e9 formado.\n\n\u00c9 geralmente definido como a uni\u00e3o leg\u00edtima entre marido e mulher.\n\n\u0093Leg\u00edtimo\u0094 indica a san\u00e7\u00e3o de algum tipo de lei, natural, evang\u00e9lico, ou civis, enquanto a frase, \u0093marido e mulher\u0094, implica direitos m\u00fatuos de rela\u00e7\u00f5es sexuais, a vida em comum e de uma uni\u00e3o duradoura.\n\nA uni\u00e3o de um homem e uma mulher, reconhecida pela autoridade ou cerim\u00f4nia, \u00e9 t\u00e3o antiga quanto a pr\u00f3pria civiliza\u00e7\u00e3o e do casamento de algum tipo \u00e9 encontrada em praticamente todas as sociedades.\n\nMas ao longo dos s\u00e9culos o casamento tem tomado muitas formas diferentes.\n\n<strong>A uni\u00e3o e a fam\u00edlia<\/strong>\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Hist\u00f3ria do Casamento\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/histor51-1.jpg\" alt=\"Hist\u00f3ria do Casamento\" width=\"287\" height=\"312\" \/><\/p>\nA\u00a0<strong>uni\u00e3o e a fam\u00edlia<\/strong>\u00a0fazem parte de uma realidade social, constru\u00edda junto com a evolu\u00e7\u00e3o da humanidade.\n\nDurante s\u00e9culos, as pessoas passavam por rituais de corte, com um parceiro, e ent\u00e3o partiam diretamente para casamentos que deveriam ser para toda a vida.\n\nUma uni\u00e3o que pretendia a procria\u00e7\u00e3o, passou tamb\u00e9m por quest\u00f5es ligadas ao valor da propriedade, \u00e0 conquista das terras e aos acordos pol\u00edticos entre a nobreza.\n\n<strong>O casamento era essencialmente um ato de aquisi\u00e7\u00e3o:<\/strong>\u00a0o noivo \u0093adquiria\u0094 a noiva, a transa\u00e7\u00e3o era selada por meio do pagamento de uma moeda de ouro ou prata.\n\nNa maioria das vezes, o\u00a0<strong>casamento<\/strong>\u00a0era arranjado pelos pais do casal, transformando-se numa uni\u00e3o for\u00e7ada, prevalecendo a domina\u00e7\u00e3o do homem sobre a mulher.\n\nA escolha dos padrinhos para o casamento estabelecia uma situa\u00e7\u00e3o de compadres socialmente reconhecida, hoje s\u00f3 os amigos mais pr\u00f3ximos e, eu sempre indico para que na hora do v\u00eddeo os noivos coloquem legenda e os nomes dos padrinhos, que por incr\u00edvel que pare\u00e7a, alguns casais n\u00e3o lembram 10 anos depois de casados.\n\nHistoricamente, o papel do\u00a0<strong>casamento<\/strong>\u00a0como eixo da estabilidade social era mais importante do que o amor entre os casais. As fun\u00e7\u00f5es do casamento voltavam-se para a cria\u00e7\u00e3o dos filhos, a transmiss\u00e3o de valores, servindo como n\u00facleo econ\u00f4mico e organizador das tarefas di\u00e1rias da vida. No passado, um jovem casal que iniciava uma vida a dois tinha maior suporte emocional e log\u00edstico, pois contava com o apoio de figuras da fam\u00edlia (antes numerosas). Os casais de hoje est\u00e3o remando num bote sozinhos, trabalham fora e a cria\u00e7\u00e3o dos filhos tornou-se mais complexa.\n\nMesmo assim, o casamento tradicional sobreviveu \u00e0 chegada do novo mil\u00eanio. A cerim\u00f4nia do casamento constitui um acontecimento expressivo, uma passagem espiritual muito forte, al\u00e9m do significado religioso, a festa formaliza o amor e o respeito m\u00fatuos entre duas pessoas.\n\n<strong>Casamento &#8211; O noivado<\/strong>\n\nUm dos momentos mais emocionantes da vida de uma mulher \u00e9 quando ela recebe um anel de noivado, simbolizando um compromisso com o futuro do casal. Na sua forma original, uma lei do final do s\u00e9culo VIII fazia da b\u00ean\u00e7\u00e3o nupcial o passo necess\u00e1rio para a celebra\u00e7\u00e3o do casamento; mesmo assim, o noivado possu\u00eda uma grande import\u00e2ncia compar\u00e1vel \u00e0 do casamento.\n\n<strong>A influ\u00eancia da heran\u00e7a patriarcal \u0096 dominada por valores de posse e dotes \u0096 encontrou uma solu\u00e7\u00e3o para as fam\u00edlias apressadas:\u00a0<\/strong>a realiza\u00e7\u00e3o de um contrato entre meninas de doze anos e meninos de quatorze, fixando uma data, o montante do dote e, eventualmente, uma multa por rescis\u00e3o. Com o passar do tempo, os casais foram sendo formados\u00e0 revelia das fam\u00edlias, identificados por interesses comuns, freq\u00fc\u00eancia a lugares e muita atra\u00e7\u00e3o f\u00edsica.\n\n<strong>Casamento &#8211; Vestido da Noiva<\/strong>\n\nO primeiro vestido branco foi adotado em Inglaterra pela Rainha Vit\u00f3ria quando se casou com o seu primo, o pr\u00edncipe Albert.\n\nAntes disso, especialmente na Idade M\u00e9dia, n\u00e3o havia cor espec\u00edfica para a cerim\u00f3nia; a cor mais usada era o vermelho. O branco acabou por ser o preferido, por simbolizar a castidade e a pureza.\n\nNa Gr\u00e9cia e em Roma, existem relatos de que as pessoas usavam roupas brancas em celebra\u00e7\u00f5es importantes, como o nascimento e o\u00a0<strong>casamento<\/strong>.\n\n<strong>Casamento &#8211; O v\u00e9u<\/strong>\n\nCostume da antiga Gr\u00e9cia. Pensavam em proteger a noiva de mau olhado de algum admirador ciumento.\n\nA\u00a0<strong>origem do v\u00e9u\u00a0<\/strong>no vestido \u00e9 incerta, mas sabe-se que \u00e9 mais velho do que o pr\u00f3prio vestido de noiva.\n\nUma das explica\u00e7\u00f5es \u00e9 do tempo em que o noivo atirava um len\u00e7ol para cima da mulher que escolhia para noiva para assim a raptar.\n\nOutra explica\u00e7\u00e3o \u00e9 a de que durante os tempos em que os\u00a0<strong>casamentos<\/strong>\u00a0eram ?arranjados?, a face da noiva era coberta at\u00e9 o noivo estar comprometido com ela na cerim\u00f3nia para que fosse tarde demais para ele se recusar a casar se n\u00e3o gostasse do seu aspecto f\u00edsico.\n\nOs romanos, por sua vez, acreditavam que alguns esp\u00edritos demon\u00edacos e invejosos tentariam lan\u00e7ar-lhes feiti\u00e7os durante o dia do\u00a0<strong>casamento<\/strong>.\n\nAs faces das noivas eram ent\u00e3o cobertas com v\u00e9us para as guardar contra os dem\u00f3nios e outros esp\u00edritos malignos.\n\n<strong>Casamento &#8211; Ramo de noiva<\/strong>\n\nOs primeiros ramos de noiva ter\u00e3o surgido na Gr\u00e9cia e inclu\u00edam n\u00e3o apenas flores, mas tamb\u00e9m ervas e temperos. Os mais populares, geralmente com cheiro mais forte, como os alhos, eram usados para espantar os maus esp\u00edritos.\n\n<strong>Cada flor tinha o seu significado<\/strong>: a hera representava fidelidade; o l\u00edrio a pureza; as rosas vermelhas o amor; as violetas a mod\u00e9stia; as flores de laranjeira concediam fertilidade e alegria ao casal.\n\n<strong>Noivo n\u00e3o pode ver a noiva<\/strong>\n\n\u00c9 uma tradi\u00e7\u00e3o milenar praticada por quase todos os povos.\n\nA\u00a0<strong>cerim\u00f3nia do casamento<\/strong>\u00a0foi considerada uma linha definitiva entre o antes e o depois; por isso, a noiva n\u00e3o seria considerada pura e nova se o seu noivo a visse antes do tempo.\n\n<strong>Casamento &#8211; P\u00e9talas de Rosa<\/strong>\n\nDe acordo com a tradi\u00e7\u00e3o, p\u00e9talas de rosas amarelas s\u00e3o atiradas enquanto a noiva e noivo caminham em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00edda da igreja. Desta forma, acredita-se que se est\u00e1 a assegurar a lealdade neste\u00a0<strong>casamento<\/strong>.\n\nQuando se atiram p\u00e9s de rosa antes de a noiva chegar \u00e9 para afastar esp\u00edritos malignos que estejam no subsolo, e assim se garanta a fertilidade da futura esposa.\n\n<strong>Casamento &#8211; Atirar arroz<\/strong>\n\nEsta pr\u00e1tica tem a sua origem, tamb\u00e9m, num ritual grego. Era um ritual de fertilidade, que consistia em lan\u00e7ar sobre o casal qualquer tipo de coisas doces, pois acreditavam que isto poderia, inclusive, trazer lhes prosperidade.\n\nA tradi\u00e7\u00e3o de atirar gr\u00e3os de arroz sobre os noivos, ap\u00f3s a cerim\u00f3nia nupcial, teve origem na China, onde um Mandarim quis mostrar a sua riqueza, fazendo com que o\u00a0<strong>casamento<\/strong>\u00a0da sua filha se realizasse sob uma \u0093chuva\u0094 de arroz. Significa fertilidade e riqueza.\n\n<strong>Atirar flores no trajeto da noiva<\/strong>\n\nUm costume romano. Acreditavam que a noiva que passasse por sobre as p\u00e9talas de flores teria sorte e carinho perene para o seu amado.\n\n<strong>Casamento &#8211; A alian\u00e7a<\/strong>\n\nO uso \u00e9 tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 do s\u00e9culo XI. Era colocada no terceiro dedo da m\u00e3o esquerda dos noivos, pois acreditavam que existia uma veia que ia para o cora\u00e7\u00e3o.\n\n\u0093<strong>Alian\u00e7a<\/strong>\u0094 siginifica compromisso, pacto, uni\u00e3o.\n\nNa Sagrada Escritura, o relacionamento de Deus com os homens aparece repetidamente em termos de alian\u00e7a do latim foedus, tamb\u00e9m conhecido como b\u00e9rith em hebraico e diath\u00e9ke em grego.\n\nAcredita-se que uso de alian\u00e7as no terceiro dedo da m\u00e3o esquerda no\u00a0<strong>casamento<\/strong>\u00a0servia para selar o matrim\u00f4nio e vem da tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3, do s\u00e9culo XI, em que acreditava-se que nesse dedo havia uma veia que ia direto ao cora\u00e7\u00e3o.\n\nEncontramos um conto que, a partir do valor de uma alian\u00e7a, nos ajuda a entender e repensar melhor sobre o valor de cada um.\n\nO termo alian\u00e7a, vem do hebraico e significa compromisso, representa fidelidade e a unidade perfeita, sem come\u00e7o e sem fim.\n\nUma vez que n\u00e3o possui in\u00edcio nem fim, a alian\u00e7a representa um elo, uma liga\u00e7\u00e3o perfeita entre o casal. O c\u00edrculo representava para os Eg\u00edpcios a eternidade, e assim tamb\u00e9m o amor deveria durar para sempre.\n\nAo longo dos s\u00e9culos, as alian\u00e7as foram-se adaptando \u00e0s diferentes atualidades desde erva, pele, pedra, ferro e finalmente prata e ouro.\n\n<strong>Alian\u00e7a &#8211; M\u00e3o Esquerda<\/strong>\n\nO anel de noivado e a alian\u00e7a s\u00e3o tradicionalmente usados no quarto dedo da m\u00e3o esquerda. N\u00e3o existe uma prova precisa que explique a origem desta tradi\u00e7\u00e3o, mas existem duas convic\u00e7\u00f5es muito fortes.\n\nA primeira, que remonta ao s\u00e9culo XVII, \u00e9 a de que num\u00a0<strong>casamento<\/strong>\u00a0Crist\u00e3o o Padre enquanto benze a m\u00e3o esquerda dos noivos, chega ao quarto dedo (contando do polegar) depois de ter tocado nos outros tr\u00eas dedos ?? em nome do Pai, do Filho e do Esp\u00edrito Santo?.\n\nA segunda faz refer\u00eancia a uma cren\u00e7a eg\u00edpcia em que o dedo do anel tem a ?venaamoris?., a chamada ?veia do amor? que est\u00e1 ligada diretamente ao cora\u00e7\u00e3o.\n\n<strong>Casamento &#8211; Damas de Honra<\/strong>\n\nOs romanos acreditavam que esp\u00edritos maus tentariam influenciar a noiva. As testemunhas, ou damas de honor, protegiam a noiva e enganavam os esp\u00edritos por estarem todas vestidas de igual.\n\nEste costume vem do tempo dos romanos, que exigiam 10 testemunhas presentes no\u00a0<strong>casamento<\/strong>.\n\nEles acreditavam que esp\u00edritos maus tentariam influenciar a noiva. As testemunhas, ou damas de honor, protegiam a noiva e enganavam os esp\u00edritos por estarem todas vestidas de igual e impediam os maus esp\u00edritos de reconhecerem a noiva.\n\n<strong>Casamento &#8211; Entrega da Filha<\/strong>\n\nA tradi\u00e7\u00e3o de o pai levar a filha ao altar reflete a velha cren\u00e7a de que ela era sua perten\u00e7a, e s\u00f3 ele a poderia entregar a um noivo.\n\nEm tempos remotos, o\u00a0<strong>pai da noiva<\/strong>\u00a0dava ao noivo um dos seus chinelos. O noivo usava-o para dar uma chinelada simb\u00f3lica na cabe\u00e7a da sua noiva.\n\n<strong>Casamento &#8211; O Buqu\u00ea<\/strong>\n\nPara os antigos gregos e romanos o buqu\u00ea da noiva era formado por uma mistura de alho,ervas e gr\u00e3os.Esperava-se que o alho afastasse os maus esp\u00edritos,e as ervas e os gr\u00e3os garantissem uma uni\u00e3o frut\u00edfera e farta.Na antiga Pol\u00f4nia, acreditava-se que colocando a\u00e7\u00facar no buqu\u00ea da noiva seu temperamento se manteria doce.\n\n<strong>Casamento &#8211; Bolo<\/strong>\n\nO bolo de\u00a0<strong>casamento<\/strong>\u00a0era na sua origem uma grande por\u00e7\u00e3o de pequenos bolos de trigo que foram previamente quebrados na cabe\u00e7a da noiva para lhe trazer boa sorte e fertilidade.\n\nNo fim todos os convidados comiam uma migalha para garantir um futuro risonho.\n\nDiz-se que as jovens solteiras que dormirem com uma destas migalhas debaixo das suas almofadas, sonhar\u00e3o com o futuro marido.\n\nNos tempos medievais eram os convidados quem traziam pequenos bolos e empilhavam-nos no centro de uma mesa. A noiva e noivo, um de cada lado da mesa, tentavam-se beijar sobrepondo-se a todos os bolos.\n\nUm pasteleiro franc\u00eas foi quem teve a ideia de juntar todos os pequenos bolos num \u00fanico grande bolo. Tradicionalmente, os jovens noivos fazem o primeiro corte no bolo em conjunto para simbolizar o in\u00edcio de uma vida conjunta.\n\n<strong>Casamento &#8211; N\u00fapcias<\/strong>\n\n\u00c9 uma daquelas palavras que s\u00f3 se empregam no plural. Vem do latim nubere, \u0093casar\u0094, de onde derivou nuptiae, \u0093bodas\u0094. Refere-se, por isso, ao momento em que o\u00a0<strong>casamento<\/strong>\u00a0\u00e9 contra\u00eddo, o que permite usar as express\u00f5es ?marcha nupcial?, ?noite de n\u00fapcias? ou ?leito nupcial?.\n\n<strong>Casamento &#8211; Lua de mel<\/strong>\n\nA Lua de Mel \u00e9 um momento inesquec\u00edvel na vida de qualquer casal, tanto \u00e9 assim que sua origem pode ser encontrada em diversos povos e culturas diferentes.\n\nOs germ\u00e2nicos tinham por costume, casar-se na lua nova. Durante a cerim\u00f3nia de\u00a0<strong>casamento<\/strong>, os noivos bebiam o Hidromel (mistura de \u00e1gua com mel) \u00e0 luz do luar para propiciar boa sorte.\n\nJ\u00e1 em Roma, os convidados do\u00a0<strong>casamento<\/strong>, pingavam gotas de mel na porta de entrada da casa dos noivos, para que eles desfrutassem de uma vida mais doce.\n\nOs judeus preferem casar na lua crescente, pois assim acreditam ter felicidade na vida conjugal.\n\nE existe ainda uma vers\u00e3o mais antiga, que remonta aos tempos onde o noivo sequestrava a mulher amada, \u00e0s vezes contra a sua vontade e a escondia por cerca de um m\u00eas, exatamente o per\u00edodo entre uma lua cheia e outra. Durante esse per\u00edodo, o homem oferecia \u00e0 futura esposa uma bebida afrodis\u00edaca, ado\u00e7ada com mel, at\u00e9 que a noiva se entregasse ao noivo.\n\n<strong>Casamento &#8211; Noiva ao colo<\/strong>\n\nExistem duas explica\u00e7\u00f5es para esta tradi\u00e7\u00e3o, em que o noivo carrega a noiva ao colo, na primeira vez que entram em casa depois de casados.\n\nA primeira \u00e9 para proteger a noiva contra os esp\u00edritos malignos que possam estar debaixo do ch\u00e3o da entrada.\n\nA segunda explica\u00e7\u00e3o aponta para os tempos romanos quando se acreditava que se a noiva trope\u00e7asse quando entrasse pela primeira vez em casa, causaria azar e infelicidade no futuro do seu\u00a0<strong>casamento<\/strong>.\n\n<strong>Casamento &#8211; Beijo<\/strong>\n\nN\u00e3o h\u00e1 cerim\u00f4nia terminada sem o beijo. De fato, houve tempos em que o noivado n\u00e3o seria considerado v\u00e1lido se n\u00e3o houvesse um beijo.\n\nPara os romanos, o primeiro beijo trocado pelos noivos no encerramento da cerim\u00f4nia teve diversos significados ao longo dos tempos.\n\nOutras culturas acreditavam que o casal trocava esp\u00edritos na respira\u00e7\u00e3o e que parte das suas almas tamb\u00e9m eram compartilhadas.\n\n<strong>O Anel de Noivado<\/strong>\n\nO\u00a0<strong>anel de noivado<\/strong>\u00a0\u00e9 a promessa de\u00a0<strong>casamento<\/strong>. Durante a era Romana, o homem tinha que permutar a sua noiva. O anel de noivado era uma seguran\u00e7a para o noivo. Com o passar dos anos, os homens passaram a oferecer an\u00e9is de diamante \u00e0s suas futuras noivas, porque um anel contendo um diamante era considerado mais valioso que uma pura barra de ouro, tornando-se assim numa promessa forte e com mais seguran\u00e7a.\n\nO primeiro anel de noivado de que se tem not\u00edcia foi aquele dado pelo Rei da Alemanha, Maximiliano I, a Maria de Burgundy em 1477.\n\nAt\u00e9 o s\u00e9culo XIII n\u00e3o havia alian\u00e7a de noivado ou compromisso. O Papa Inocente III declarou que deveria haver um per\u00edodo de espera que deveria ser observado entre o pedido de\u00a0<strong>casamento<\/strong>\u00a0e a realiza\u00e7\u00e3o da cerim\u00f4nia matrimonial.\n\n\u00c9 por isso que hoje se tem o costume de usar um anel de noivado e depois a\u00a0<strong>alian\u00e7a de casamento<\/strong>.\n\n<strong>Casamento de Militar<\/strong>\n\nMilitares t\u00eam a tradi\u00e7\u00e3o do \u0093<strong>casamento oficial<\/strong>\u0093, ou seja, o noivo casa-se de uniforme, com pompa e honra.\n\n<strong>Na porta, um cerimonial interessante:\u00a0<\/strong>se \u00e9 militar, espadas se cruzam para que ele passe por baixo. Se \u00e9 bombeiro, um extintor aparece e d\u00e1 um banho nos rec\u00e9m-casados.\n\n<strong>A institui\u00e7\u00e3o casamento<\/strong>\n\nA\u00a0<strong>institui\u00e7\u00e3o casamento<\/strong>\u00a0surgiu entre os romanos antigos. Antes disso, os casais se uniam sem grandes formalidades. Roma, com seu sistema de normas e costumes, difundiu a pr\u00e1tica social do contrato matrimonial, que garantiam a transmiss\u00e3o dos bens para os descendentes leg\u00edtimos.\n\nNa Idade M\u00e9dia, a livre escolha do futuro c\u00f4njuge deu espa\u00e7o aos acordos pr\u00e9-estabelecidos pelos chefes de fam\u00edlia. Esses &#8220;neg\u00f3cios&#8221; eram selados com um ritual comandado pelo pai da noiva.\n\nEle lia \u00e0 beira do leito nupcial os termos da transfer\u00eancia da tutela da filha para o noivo em troca de uma quantia de dinheiro ou de bens. Depois, o casal ficava nu para que fossem avaliadas suas condi\u00e7\u00f5es de procria\u00e7\u00e3o.\n\nO enlace matrimonial ganhou o status de sacramento no s\u00e9culo 9. Nessa \u00e9poca, a Igreja Cat\u00f3lica, que at\u00e9 ent\u00e3o se mantinha distante, passou interferir no\u00a0<strong>casamento<\/strong>, estabelecendo um c\u00f3digo de \u00e9tica e moral.\n\nFoi no Conc\u00edlio de Trento (1545-1563), na It\u00e1lia, que surgiu a regulamenta\u00e7\u00e3o hoje em vigor.\n\nPor influ\u00eancia dos pr\u00f3prios cat\u00f3licos, maio se tornou o m\u00eas das noivas. A escolha est\u00e1 ligada \u00e0 festa de consagra\u00e7\u00e3o de Maria, m\u00e3e de Jesus. A comemora\u00e7\u00e3o do Dia das M\u00e3es, no segundo domingo, tamb\u00e9m contribuiu para a associa\u00e7\u00e3o com as noivas, apesar de n\u00e3o haver na B\u00edblia passagens ou cita\u00e7\u00f5es espec\u00edficas sobre o assunto.\n\nDe acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), o m\u00eas campe\u00e3o de\u00a0<strong>casamentos<\/strong>\u00a0\u00e9 dezembro, o segundo preferido \u00e9 setembro e em terceiro lugar est\u00e1 maio.\n\n<strong>A explica\u00e7\u00e3o \u00e9 simples<\/strong>: em dezembro o trabalhador recebe o 13\u00ba sal\u00e1rio, f\u00e9rias e outros benef\u00edcios.\n\n<strong>Casamento &#8211; Um sacramento<\/strong>\n\nO amor espiritual, independente do sangue e da carne, come\u00e7ou na terra com o Cristo, vinculando seres humanos com fortes rela\u00e7\u00f5es de fraternidade, como resultado do Cristianismo. Durante a Idade M\u00e9dia, a Igreja institucionalizou o matrim\u00f4nio como um ato p\u00fablico, trazendo a celebra\u00e7\u00e3o para o interior do templo e regulando os contratos. A Igreja inseriu Cristo na fam\u00edlia, incluindo, no ritual, o consentimento dado pelos noivos por meio do SIM, bem como a b\u00ean\u00e7\u00e3o nupcial.\n\nO casamento, al\u00e9m de familiar, patrimonial e econ\u00f4mico, passou a ser um sacramento, valorizando tamb\u00e9m a condi\u00e7\u00e3o feminina.\n\n<strong>Casamento &#8211; Religi\u00e3o e sociedade<\/strong>\n\nO\u00a0<strong>casamento<\/strong>\u00a0entre um homem e uma mulher existe desde a Antig\u00fcidade; como pr\u00e1tica social tornou-se um ato p\u00fablico, refletindo a sociedade que o fundou.\n\nCada religi\u00e3o possui um ritual no tocante \u00e0 formalidades do casamento, dependendo de pr\u00e1ticas que s\u00e3o determinadas pelos l\u00edderes. Os costumes do casamento variam de uma cultura para outra, e do comportamento dos noivos, mas, sua import\u00e2ncia institucional \u00e9 de conhecimento universal. Atualmente, existem tr\u00eas regimes de comunh\u00e3o e diferentes formas, inclusive atrav\u00e9s de um contrato, uma Escritura p\u00fablica que formaliza a uni\u00e3o.\n\nTodas as religi\u00f5es s\u00e3o legalmente v\u00e1lidas, porque Deus \u00e9 um s\u00f3, mais existem caminhos diversos para chegar a ele. A festa de casamento envolve as fam\u00edlias e revigora a conviv\u00eancia, nestes dias conturbados que vivemos.\n\n<strong>CASAMENTO CRIST\u00c3O<\/strong>\n\nAs Bodas, nos dias de hoje, acontecem por livre e espont\u00e2nea vontade de constituir uma c\u00e9lula numa comunidade de amor e felicidade.\n\n<strong>Assim, a pergunta de grande repercuss\u00e3o em nossa sociedade:<\/strong>\u00a0\u00c9 de livre e espont\u00e2nea vontade que o fazeis.\n\n<strong>As festas preenchem as nossas almas:<\/strong>\u00a0a uni\u00e3o de Deus com os homens associa-se \u00e0 vinda de Jesus Cristo a uma festa de casamento. A esta festa, convidam-se todos os amigos pr\u00f3ximos, familiares e pessoas que fazem parte da vida do casal, para presenciarem o recebimento da b\u00ean\u00e7\u00e3o nupcial e do Sacramento. O primeiro milagre de Jesus aconteceu nas Bodas de Can\u00e1 da Galil\u00e9ia.\n\n<strong>CASAMENTO JUDAICO<\/strong>\n\nOs judeus seguem os princ\u00edpios e as regras do Livro Sagrado de Talmud, com base nos coment\u00e1rios do Tor\u00e1. O ritual acontece de forma diferente para ortodoxos e conservadores; por\u00e9m, n\u00e3o se casam aos s\u00e1bados ou em festas religiosas. N\u00e3o precisa ser realizado na Sinagoga. A celebra\u00e7\u00e3o do casamento judaico de hoje \u00e9 a justaposi\u00e7\u00e3o de duas cerim\u00f4nias diferentes que eram antigamente celebradas.\n\n<strong>Curiosidades da uni\u00e3o judaica<\/strong>\n<blockquote>Os noivos bebem da mesma ta\u00e7a de vinho e o noivo esmaga um copo com o p\u00e9, enquanto os convidados desejam felicidades. Uma das interpreta\u00e7\u00f5es \u00e9 que a quebra do copo simboliza um rompimento com a vida passada dos noivos. O casal ingressa no casamento sem quaisquer sentimentos de culpa que poderiam prejudicar seu relacionamento.\nA noiva usa um v\u00e9u durante a cerim\u00f4nia. A tradi\u00e7\u00e3o tem origem na hist\u00f3ria de Rebeca que se cobriu com um v\u00e9u, quando viu e aproximou-se do futuro marido, Isaac. (G\u00eanesis 24:65)\n<strong>A origem da Chup\u00e1<\/strong>: Um belo costume nos tempos antigos era plantar um pinheiro quando nascia uma menina, e um cedro quando nascia um menino. Quando eles se casavam, fazia-se a chup\u00e1 entrela\u00e7ando os galhos dessas duas \u00e1rvores. Era s\u00edmbolo de dois seres que cresceram separadamente e, pelo casamento, unem-se num s\u00f3.<\/blockquote>\n<strong>CASAMENTO ORTODOXO<\/strong>\n\nOs ortodoxos s\u00e3o membros de um ramo do Cristianismo que se separou da Igreja Cat\u00f3lica, em 1054 e n\u00e3o sofreu influ\u00eancia ocidental. Ortodoxo significa\u0094conforme a doutrina definida\u0094, um ato lento e demorado, envolvendo um rito bizantino, uma linda cerim\u00f4nia celebrada na l\u00edngua escolhida, em portugu\u00eas, grego, \u00e1rabe, russo, romeno, etc. O casamento dos padres \u00e9 aceito; apenas os bispos mant\u00eam o celibato.\n\nA Igreja Ortodoxa n\u00e3o se op\u00f5e ao casamento de pessoas de outras religi\u00f5es, ou de divorciados.\n\n<strong>CASAMENTO EVANG\u00c9LICO\/PROTESTANTE<\/strong>\n\nAp\u00f3s marcada a cerim\u00f4nia com certa anteced\u00eancia, os noivos devem marcar uma conversa com o pastor; tem a mesma inten\u00e7\u00e3o do curso de noivos ministrado pela Igreja Cat\u00f3lica.\n\nOs templos evang\u00e9licos apresentam cerim\u00f4nias com hinos, ora\u00e7\u00f5es, leituras, troca de votos de felicidades e alian\u00e7as. Algumas Igrejas realizam o casamento entre desquitados ou divorciados, embora de uma maneira geral, a exig\u00eancia \u00e9 que os noivos sejam solteiros ou vi\u00favos.\n\n<strong>CASAMENTO ANGLICANO<\/strong>\n\n<strong>A Igreja Anglicana chegou ao Brasil, em duas etapas, no s\u00e9culo XIX<\/strong>: com imigrantes ingleses que aqui se estabeleceram, a partir de 1810 e do trabalho dos mission\u00e1rios norte-americanos desde 1889; buscou equilibrar a tradi\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica com as influ\u00eancias ben\u00e9ficas da Reforma Protestante. Celebra o matrim\u00f4nio de acordo com as leis do pa\u00eds e desde que um dos c\u00f4njuges seja batizado.\n\nOs divorciados podem casar-se novamente, cumpridas as determina\u00e7\u00f5es can\u00f4nicas da Igreja.\n\n<strong>Casamento Civil<\/strong>\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Hist\u00f3ria do Casamento\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/histor31-1.jpg\" alt=\"Hist\u00f3ria do Casamento\" width=\"416\" height=\"234\" \/><\/p>\nCasar \u00e9 um ato de amor; na hora de formalizar esse amor, ser\u00e1 preciso pensar com mais raz\u00e3o do que emo\u00e7\u00e3o. Antes do casamento civil, faz-se necess\u00e1rio escolher o tipo de uni\u00e3o legal, Comunh\u00e3o Parcial de Bens, Separa\u00e7\u00e3o de Bens, Comunh\u00e3o de Bens e inclusive, mediante um contrato, uma escritura p\u00fablica que formaliza a uni\u00e3o. Ap\u00f3s a Lei do Div\u00f3rcio, torna-se imprescind\u00edvel estabelecer um contrato entre os noivos, deixando claras as bases deste casamento. Desde 1996, existe uma lei, permitindo a realiza\u00e7\u00e3o de um casamento na forma de um contrato, entre um homem e uma mulher.\n\n<strong>Um casamento necessita de base financeira s\u00f3lida para sua continuidade. Conhecer o modo de seu parceiro lidar com o dinheiro<\/strong>: um jovem casal de estudantes deve, portanto, prever despesas futuras.\n\nUm casal maduro, mais preparado para o casamento, tem condi\u00e7\u00f5es de assumir as responsabilidades financeiras. Casais mais velhos, ou segundo casamento, devem observar seriamente a necessidade de um acordo pr\u00e9-nupcial.\n\nIndiv\u00edduos, profissionais liberais, empres\u00e1rios, na hora de se casarem, esquecem que essa condi\u00e7\u00e3o implica nova vis\u00e3o econ\u00f4mica da sociedade.\n\nUma mulher casada, necessitando de um empr\u00e9stimo para ascens\u00e3o de sua empresa, n\u00e3o obter\u00e1 sucesso, caso o parceiro tenha problemas no seu CPF.\n\nEsse assunto delicado requer um tratamento com diplomacia por parte do casal. Um casal normalmente se une, definindo apenas o regime; por\u00e9m, \u00e9 aconselh\u00e1vel que os detalhes sejam formalizados por um advogado.\n\nNo juda\u00edsmo, a Ketub\u00e1 \u00e9 o contrato de casamento judaico, institu\u00eddo h\u00e1 mais de dois mil\u00eanios, e originalmente escrito em aramaico. Embora fizesse refer\u00eancia ao dote da noiva e aos direitos de propriedade do marido, o documento garantia, tamb\u00e9m, os direitos da mulher e continha cl\u00e1usulas para proteg\u00ea-la, em caso de div\u00f3rcio, ou morte do marido.\n\nQuanto \u00e0 documenta\u00e7\u00e3o, na Igreja, o processo deve ser iniciado com pelo menos 3 meses de anteced\u00eancia, normalmente na par\u00f3quia de domic\u00edlio dos noivos (ou dos padrinhos, ou do melhor amigo, etc.).\n\nExistem alguns documentos exigidos encontrados na secretaria da Igreja.\n\n<strong>Casamento &#8211; Documenta\u00e7\u00e3o<\/strong>\n\nNa Igreja, o processo deve ser iniciado com pelo menos tr\u00eas meses de anteced\u00eancia, normalmente na par\u00f3quia de domic\u00edlio dos noivos ( ou dos padrinhos, ou do melhor amigo, etc.).\n\n<strong>Existem alguns documentos exigidos:<\/strong>\u00a0carteira de identidade, CIC, certid\u00e3o de nascimento e comparecer ao Cart\u00f3rio de Registro Civil, quarenta dias antes da data do casamento.\n\nA escolha de dois amigos maiores de vinte e um anos, com CIC e RG, para testemunhas. Se forem menores de vinte e um anos e maiores de dezeseis anos, dever\u00e3o ser assistidos pelos pais, com RG e CIC; se forem menores de dezeseis anos, somente com autoriza\u00e7\u00e3o judicial, para que se possa efetuar o casamento.\n\n<strong>Ap\u00f3s decidir o local da cerim\u00f4nia:<\/strong>\u00a0no cart\u00f3rio, buffet, Igreja, ou em sua pr\u00f3pria casa. Pela locomo\u00e7\u00e3o do juiz de paz, o custo \u00e9 tabelado.\n\n<strong>A ESCOLHA DO DIA DO CASAMENTO<\/strong>\n\nCasar numa Igreja badalada significa agendar a data com um ano e oito meses de anteced\u00eancia ( \u00e0s sextas, aos s\u00e1bados e \u00e0s segundas) \u0096 dias sempre lotados.\n\nDescontando-se feriados restam apenas 48 sextas-feiras e s\u00e1bados prop\u00edcios para casamentos.\n\nEscolhem o m\u00eas de maio no Brasil \u0096 um pa\u00eds cat\u00f3lico, porque \u00e9 conhecido como o m\u00eas da Maria, \u0094 M\u00e3e de Jesus Cristo\u0094. J\u00e1 na Europa, decidem pelo m\u00eas, por ser primavera, tempo das flores, de vida nova, emprestando um ar rom\u00e2ntico \u00e0 cerim\u00f4nia. A escolha do m\u00eas de setembro pelos brasileiros assemelha-se \u00e0 op\u00e7\u00e3o dos europeus por maio.\n\nO m\u00eas de julho n\u00e3o \u00e9 ideal par festas de casamento por constituir uma \u00e9poca de f\u00e9rias. Alguns noivos fazem a escolha do m\u00eas de casamento em fun\u00e7\u00e3o do m\u00eas que se conheceram, do marco no relacionamento de ambos.\n\nO calend\u00e1rio hebraico baseia-se no ciclo lunar. Celebram-se casamentos na primeira quinzena do m\u00eas, pren\u00fancio de prosperidade e fertilidade, simbolizando que o marido e mulher cres\u00e7a. De qualquer forma, a escolha de um determinado m\u00eas para se casar est\u00e1 associada a coincid\u00eancias.\n\nA astrologia associa as fases da Lua aos processos emocionais do ser humano e suas atividades.\n\n<strong>A Lua atravessa os 12 signos, em 28 dias, passando por 4 fases:<\/strong>\n\nNova, Crescente, Cheia e Minguante, influenciando no cultivo das plantas, na altera\u00e7\u00e3o das mar\u00e9s, na pesca e, porque n\u00e3o no dia-a-dia das pessoas.\n\n<strong>Toda a vida est\u00e1 ligada:<\/strong>\u00a0a Terra, a Lua, as estrelas, os outros planetas e sistemas solares contidos no todo. A vida gira em torno de ciclos, e os ciclos dentro de ciclos.\n\n<strong>H\u00e1 ciclos grandes, como o da vida, morte e renascimento, e ciclos menores<\/strong>: dia e noite, as quatro esta\u00e7\u00f5es do ano ( que dependem da parte do mundo em que vivemos), ciclos semanais, ciclos da Lua, ciclos menstruais para a mulher, e muito mais.\n\n<strong>A cerimonia de casamento<\/strong>\n\nA\u00a0<strong>cerimonia de casamento<\/strong>, com noiva e culto religioso, nasceu na Roma antiga.\n\nN\u00e3o se sabe ao certo em que ano, mas v\u00eam de l\u00e1 as primeiras not\u00edcias de mulheres vestirem-se especialmente para a ocasi\u00e3o. Prendiam flores brancas (s\u00edmbolo de felicidade e longa vida) e ramos de espinheiro (afasta os maus esp\u00edritos) aos cabelos, al\u00e9m de se perfumarem com ervas arom\u00e1ticas. Virou tradi\u00e7\u00e3o.\n\nDesde ent\u00e3o, o figurino da noiva ganhou novos s\u00edmbolos, entre eles o v\u00e9u, uma refer\u00eancia \u00e0 deusa Vesta (da honestidade), que na mitologia greco-romana era a protetora do lar. N\u00e3o \u00e9 por acaso que a\u00a0<strong>cerim\u00f4nia de casamento<\/strong>\u00a0tenha nascido em Roma. Avan\u00e7ados para sua \u00e9poca, foram os romanos os primeiros a propor uma uni\u00e3o \u0093de direito\u0094, instituindo a monogamia e a liberdade da noiva se casar espontaneamente, diante de ju\u00edzes, testemunhas e com as garantias da lei.\n\nDurante a Idade M\u00e9dia, as mulheres perderam terreno e escolher o noivo passou a ser uma quest\u00e3o de fam\u00edlia.\n\nO\u00a0<strong>casamento<\/strong>\u00a0da \u00e9poca era decidido quando a menina tinha entre tr\u00eas e cinco anos. Neste per\u00edodo, o noivado tornou-se mais importante reunindo na igreja, al\u00e9m dos noivos, pais e convidados para troca de alian\u00e7as em of\u00edcio religioso. Um embri\u00e3o dos casamentos atuais.\n\nNa era medieval, o vermelho foi a cor nupcial preferida. Simbolizava \u0093sangue novo\u0094 para a continua\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia e numa celebra\u00e7\u00e3o acompanhada de muito ouro.\n\nParecido aos dias de hoje em que a suntuosidade indica o poder da fam\u00edlia.\n\nMas foi uma rainha, de nome Vit\u00f3ria, que na Inglaterra inaugurou o primeiro visual noiva, tal qual o de hoje. Apaixonada pelo primo, o pr\u00edncipe Albert de Saxe-Cobourg-Gotha, ela tomou a iniciativa de pedi-lo em\u00a0<strong>casamento<\/strong>\u00a0(o protocolo de \u00e9poca dizia que ningu\u00e9m poderia fazer tal pedido a uma rainha).\n\nEle aceitou. Foi a primeira vez que se teve not\u00edcias de algu\u00e9m casar por amor.\n\n<strong>Vit\u00f3ria foi mais ousada:<\/strong>\u00a0acrescentou ao seu traje nupcial algo proibido para uma rainha da \u00e9poca \u0096 um v\u00e9u (para provar sua identidade, em p\u00fablico, a soberana jamais se cobria).\n\nNascia a\u00ed um costume que atravessaria o tempo e daria a Vit\u00f3ria o reconhecimento de trazer para a nossa \u00e9poca o amor, como sentimento b\u00e1sico para unir um homem e uma mulher.\n\n<strong>Com a chegada de uma nova classe social \u0096 a dos burgueses -, cria-se um c\u00f3digo para sinalizar quando a mulher era virgem:\u00a0<\/strong>casar de branco. Era a garantia ao futuro marido de sua descend\u00eancia, j\u00e1 que a virgindade significava a legitimidade da prole.\n\nO quadro \u0093Retrato de\u00a0<strong>Casamento<\/strong>\u0093, de Jan Van Eyck, mostra um jovem casal em sua c\u00e2mara nupcial. No espelho ao fundo, nota-se o reflexo de duas pessoas, supostamente testemunhas.\n\nUma delas atribui-se ser o pr\u00f3prio pintor. O quadro data de 1434 e \u00e9 objeto de estudos h\u00e1 v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es. Faz parte hoje do acervo da The National Gallery, de Londres, Inglaterra.\n\n<strong>Casamento &#8211; Uma tradi\u00e7\u00e3o seguida \u00e0 risca<\/strong>\n\nA<strong>\u00a0hist\u00f3ria do casamento<\/strong>\u00a0est\u00e1 ligada diretamente \u00e0 da reprodu\u00e7\u00e3o humana, hoje as coisas n\u00e3o acontecem mais assim, mas houve tempos em que o casamento era realizado para que os nomes e propriedades das fam\u00edlias n\u00e3o desaparecessem.\n\n<strong>Casamento<\/strong>\u00a0por amor surgiu muito tempo depois.\n\nA hist\u00f3ria do casamento vai al\u00e9m de uma curiosidade. As pessoas t\u00eam d\u00favidas, mas n\u00e3o tempo dispon\u00edvel para procurar informa\u00e7\u00f5es como estas que eu encontrei. Quando se fala em\u00a0<strong>casamento<\/strong>, poucos se perguntam de onde vem essa tradi\u00e7\u00e3o.\n\nA celebra\u00e7\u00e3o dos\u00a0<strong>casamentos<\/strong>\u00a0teve inicio na Antiga Roma, n\u00e3o se sabe quando exatamente teve a primeira cerim\u00f4nia, era uma esp\u00e9cie de neg\u00f3cios entres fam\u00edlias. Assim as noivas eram prometidas pelos seus familiares, e desde muito cedo elas j\u00e1 sabiam com quem se casariam. O matrimonio acontecia quando o homem completasse 18 anos e a mulher entre 12 e 13 anos. O casamento por amor j\u00e1 existia, mas isso acontecia nas classes sociais mais baixas.\n\nO ritual da cerim\u00f4nia n\u00e3o mudou praticamente nada nos tempos atuais. No s\u00e9culo XVI, o\u00a0<strong>casamento<\/strong>\u00a0torna-se obrigat\u00f3rio. As noivas usavam flores como buqu\u00eas e na cabe\u00e7a para espantar os maus esp\u00edritos, usavam coroas de espinhos. As flores representavam a felicidade e a vida longa e os espinhos afastariam os maus esp\u00edritos.\n\nMais tarde foi acrescentado o v\u00e9u, em refer\u00eancia \u00e0 deusa greco-romana Vesta, protetora do lar, simbolizando a honestidade e a virgindade, virtudes imprescind\u00edveis para uma boa prole e a continua\u00e7\u00e3o do ?sangue?, segundo os costumes da \u00e9poca.\n\nNo s\u00e9culo XI, surgiu a alian\u00e7a que \u00e9 o maior s\u00edmbolo de uma uni\u00e3o. Ap\u00f3s esse per\u00edodo, a tradi\u00e7\u00e3o do noivado era t\u00e3o importante quanto o\u00a0<strong>casamento<\/strong>, a cerim\u00f4nia acontecia 12 meses antes da uni\u00e3o, e durante esse per\u00edodo a noiva tinha que ser fiel ao noivo, caso contr\u00e1rio, seria chamada de ad\u00faltera e n\u00e3o poderia noivar novamente. Apenas no s\u00e9culo XV, a alian\u00e7a com diamante foi recebida por uma mulher.\n\nSurge tamb\u00e9m o primeiro beijo em p\u00fablico.\n\n<strong>A tradi\u00e7\u00e3o dos presentes veio na Idade M\u00e9dia, onde tr\u00eas presentes eram trocados<\/strong>: a fam\u00edlia da noiva era a respons\u00e1vel pelo pagamento do dote (o pai da noiva sentia-se propriet\u00e1rio da noiva, por isso pedia um valor por ela). Os pais do noivo eram respons\u00e1veis pela moradia. E o sacerdote que celebrava o matrim\u00f4nio recebia o terceiro presente.\n\nA<strong>\u00a0festa de casamento<\/strong>\u00a0est\u00e1 presente em todas as celebra\u00e7\u00f5es das diversas religi\u00f5es, sempre com comida farta, bebidas e muita divers\u00e3o para os convidados, e durava at\u00e9 sete dias.\n\nO bolo tamb\u00e9m teve origem no s\u00e9culo XVI, os convidados usavam a cabe\u00e7a da noiva para partir um pequeno peda\u00e7o de p\u00e3o-doce a fim de deseja-lhe a fertilidade.\n\nOs convidados tinham o costume trazerem pequenos peda\u00e7os de bolos e que eram colocados em cima dos outros, ao longo dos tempos um padeiro teve a ideia de junt\u00e1-los e decor\u00e1-los, assim surgiu o bolo de andares.\n\nA\u00a0<strong>hist\u00f3ria dos casamentos<\/strong>\u00a0est\u00e1 diretamente ligada com a hist\u00f3ria da moda. A cor do vestido \u00e9 uma evolu\u00e7\u00e3o, apesar do aparecimento de novos tecidos e estilos, o vestido de casamento ainda \u00e9 a tradi\u00e7\u00e3o mais seguida. As noivas na Antiga Roma usavam o melhor vestido para a cerim\u00f4nia. J\u00e1 houve \u00e9pocas em que eram usados vestidos vermelhos, pretos, azuis, mas n\u00e3o tinha uma cor determinada.\n\nO branco s\u00f3 aparece em meados do s\u00e9culo XVII, quando a rainha Vit\u00f3ria, da Inglaterra apareceu toda de branco em seu casamento. Ela tamb\u00e9m teria inaugurado o ?casamento por amor?, o sentimento b\u00e1sico que deveria unir um homem e uma mulher.\n\n<strong>Casamento &#8211; Curiosidades<\/strong>\n\nAs noivas usavam dois buqu\u00eas, um para usar e outro para jogar para as amigas.\n\nA alian\u00e7a \u00e9 usada no terceiro dedo da m\u00e3o esquerda, pois acreditavam que nesse dedo havia uma veia que ia direto para o cora\u00e7\u00e3o.\n\nO arroz que \u00e9 atirado nos noivos na sa\u00edda da cerim\u00f4nia \u00e9 para desejar-lhes uma fam\u00edlia numerosa.\n\nOs Fara\u00f3s foram os primeiros a usar um c\u00edrculo que simbolizava a eternidade. As primeiras alian\u00e7as foram de ferro. Na \u00e9poca Medieval, surgiram as de ouro e pedras preciosas.\n\nA escolha dos padrinhos, sempre era de um bom amigo, para proteger a noiva de um poss\u00edvel rapto.\n\n<strong>Porque o noivo n\u00e3o pode ver a noiva antes do casamento?<\/strong>\n\nOs ritos primitivos diziam que ningu\u00e9m podia ver a noiva antes dela passar completamente para o grupo de mulheres casadas.\n\n<strong>Os tipos de casamentos<\/strong>\n\n<strong>Casamento perante as pessoas<\/strong>\u00a0\u00e9 uma cerim\u00f4nia sem a presen\u00e7a de padrinhos, os noivos trocam os juramentos perante a fam\u00edlia.\n\n<strong>Casamento perante a Deus\u00a0<\/strong>\u00e9 o casamento segundo xinto\u00edsmo. Os noivos trocam ta\u00e7as de miki (saque) na cerim\u00f4nia, a primeira ta\u00e7a \u00e9 o juramento perante a Deus, a segunda a gratid\u00e3o aos pais e a terceira aos parentes.\n\n<strong>Casamento em igreja\u00a0<\/strong>\u00e9 a cerim\u00f4nia realizada por um padre ou um pastor, onde os noivos trocam juramentos e ao final assinam a certid\u00e3o de casamento.\n\n<strong>Casamento &#8211; Tradi\u00e7\u00f5es<\/strong>\n\nNo\u00a0<strong>casamento cigano\u00a0<\/strong>a fam\u00edlia do rapaz \u00e9 respons\u00e1vel pelo pagamento da noiva, de um vestido branco, um vermelho e todas as despesas do casamento e do enxoval;\n\nNo\u00a0<strong>casamento italiano\u00a0<\/strong>a cerim\u00f4nia pode durar o dia inteiro, tem caf\u00e9 da manh\u00e3, almo\u00e7o e jantar.\n\n<strong>O CASAMENTO E O AMOR NA IDADE M\u00c9DIA<\/strong>\n\nAt\u00e9 hoje foram escritas muitas obras relativas ao\u00a0<strong>casamento<\/strong>\u00a0na Idade M\u00e9dia.\n\n<strong>Mas atualmente um aspecto relativo ao casamento vem ganhando import\u00e2ncia:\u00a0<\/strong>a exist\u00eancia ou n\u00e3o de um sentimento que une os c\u00f4njuges, hoje conhecido como o amor.\n\n<strong>Os casamentos medievais envolviam algum sentimento afetivo entre os c\u00f4njuges?<\/strong>\n\nUma quest\u00e3o muito dif\u00edcil de responder. Grande parte das obras sobre casamento muitas vezes n\u00e3o dedicam duas p\u00e1ginas sequer ao assunto e, se o fazem, tratam-no muito vagamente, n\u00e3o dando a devida import\u00e2ncia, referindo-se apenas \u00e0s obras sobre o amor cort\u00eas que, como veremos adiante, n\u00e3o representava fielmente a realidade, era apenas uma literatura.\n\n<strong>Como escreveu James Casey:\u00a0<\/strong>\u0093Este \u00e9 um tema importante, mas que pode ser afastado simplesmente com o argumento de que \u00e9 perif\u00e9rico com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 \u0093realidade\u0094 do\u00a0<strong>casamento<\/strong>\u00a0arranjado, ou de que \u00e9 muito dif\u00edcil de investigar cientificamente, dadas as suas ambiguidades.\u0094\n\nRealmente o\u00a0<strong>casamento<\/strong>\u00a0arranjado exerceu uma maior influ\u00eancia nas sociedades da Idade M\u00e9dia, mas numa pesquisa n\u00e3o se pode deixar de lado a realidade. Ignorar o amor no casamento seria fechar os olhos para uma minoria, a qual n\u00e3o exerceu papel t\u00e3o importante quanto a maioria (casamentos arranjados), mas que fez parte do passado, portanto tem a sua hist\u00f3ria.\n\n<strong>Ainda com James Casey:\u00a0<\/strong>\u0093A conduta moral n\u00e3o \u00e9 um ramo aut\u00f4nomo do comportamento humano, mas precisa ser associada ao contexto social, \u00e0quelas estruturas econ\u00f4micas e pol\u00edticas que modelam e limitam seu desenvolvimento.\u0094\n\nPortanto os fatos n\u00e3o acontecem por acaso. Est\u00e3o envolvidos no contexto de sua \u00e9poca e, assim, merecem import\u00e2ncia desde o maior at\u00e9 o menor para poder-se entender a sociedade do passado em aspectos cada vez mais exatos.\n\nPara entender melhor o amor no\u00a0<strong>casamento<\/strong>\u00a0existem v\u00e1rios temas espec\u00edficos que, se forem analisados, podem fornecer boas conclus\u00f5es. A quest\u00e3o do dote, da heran\u00e7a, as limita\u00e7\u00f5es e influ\u00eancia da Igreja, o relacionamento entre os c\u00f4njuges, os raptos, a fidelidade, o incesto, as condi\u00e7\u00f5es das n\u00fapcias s\u00e3o alguns dos temas que ajudaram bastante na interpreta\u00e7\u00e3o do amor medieval e a consequente conclus\u00e3o deste trabalho.\n\nH\u00e1 de se ressaltar que a bibliografia consultada baseia-se em registros das classes mais altas. Mesmo assim n\u00e3o h\u00e1 abund\u00e2ncia de documentos.\n\nOs pr\u00edncipes tinham pessoas que relatavam suas grandes realiza\u00e7\u00f5es e a\u00ed o amor entra poucas vezes.\n\nE essas poucas vezes s\u00e3o bastante deturpadas pois se um desses escritores quisesse deturpar a imagem de um pr\u00edncipe dizia que este era dominado pela esposa, desvirilizado, destitu\u00eddo de sua necess\u00e1ria preemin\u00eancia e tudo isso devido \u00e0 sua imaturidade.\n\nCaso os escritores fossem favor\u00e1veis a um pr\u00edncipe, este \u00e9 retratado como algu\u00e9m que sente grande afei\u00e7\u00e3o pela esposa, sempre bela, sempre nobre e por ele deflorada e, quando esta morre, o vi\u00favo fica desolado.\n\nDesse modo n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel determinar at\u00e9 que ponto o amor existia, afinal uma pessoa, apesar de ser alvo de cr\u00edticas, na verdade poderia amar sua esposa e vice-versa. Sendo assim esses textos t\u00eam um sentido \u0093ideol\u00f3gico\u0094 que deturpam toda a imagem de algu\u00e9m \u0096 inclusive na vida afetiva, consequentemente na vida p\u00fablica \u0096 ou exaltam-na.\n\n<strong>Casamento &#8211; S\u00e9culos IX e X<\/strong>\n\nNos s\u00e9culos IX e X as uni\u00f5es matrimoniais eram constantemente combinadas, sem o consentimento da mulher que, na maioria das vezes era muito jovem.\n\nSua pouca idade era um dos motivos da falta de import\u00e2ncia que os pais davam \u00e0 sua opini\u00e3o. Diziam que estavam conseguindo o melhor para ela.\n\nEssa total falta de import\u00e2ncia dada \u00e0 opini\u00e3o da mulher resultava muitas vezes em raptos.\n\nComo o consentimento da mulher n\u00e3o era exigido, o raptor garantia o casamento e ela deveria permanecer ligada a ele, o que era bastante dif\u00edcil pois os homens n\u00e3o davam import\u00e2ncia \u00e0 fidelidade. Isso acontecia, talvez principalmente pelo fato de a mulher n\u00e3o poder exigir nada do homem e de n\u00e3o haver uma conduta moral que proibisse tal ato.\n\nOutras vezes o rapto serviu como um meio de fugir dos\u00a0<strong>casamentos arranjados<\/strong>. A jovem que tinha um casamento j\u00e1 marcado for\u00e7osamente, sem seu consentimento, com um homem que sequer conhecia, simulava um rapto fugindo com seu homem desejado e acabavam por casarem-se e, mais tarde, o fato \u00e0s vezes chegava a ser reconhecido pelas fam\u00edlias.\n\n\u00c9 ineg\u00e1vel a\u00ed a exist\u00eancia de uma atra\u00e7\u00e3o entre o casal. A fuga de um casamento forjado era algo grave para as fam\u00edlias pois envolvia muitas riquezas, portanto deveria haver um forte motivo para os fugitivos.\n\n<strong>As etapas de um casamento normal, que n\u00e3o envolvia raptos, nos s\u00e9culos IX e X eram as seguintes:<\/strong>\n<blockquote><strong>Petitio\u00a0<\/strong>\u0096 pedido da noiva pelos pais do noivo<strong>\nDesponsatio\u00a0<\/strong>\u0096 o entendimento das fam\u00edlias sobre a liga\u00e7\u00e3o de seus filhos\u00a0<strong>Dotatio \u0096<\/strong>\u00a0entendimento sobre o dote<strong>\nTraditio\u00a0<\/strong>\u0096 entrega da jovem ao seu noivo pelos pais<strong>\nPublicae nuptiae\u00a0<\/strong>\u0096 cerim\u00f4nia do casamento<strong>\nCopula carnalis \u0096<\/strong>\u00a0uni\u00e3o carnal<\/blockquote>\nEssas etapas eram feitas entre os pais. O desponsatio pode ser entendido como um noivado, mas sempre sem consentimento algum nessa \u00e9poca, pois os filhos eram ainda crian\u00e7as, com cerca de sete anos de idade, sem idade para decis\u00f5es.\n\nOs acertos sobre o dote eram feitos no dotatio e tamb\u00e9m ficava estipulado que, ap\u00f3s as crian\u00e7as crescerem e atingirem a idade de tomar suas pr\u00f3prias decis\u00f5es, se o\u00a0<strong>casamento<\/strong>\u00a0n\u00e3o se realizasse por rebeldia de algum, haveria uma esp\u00e9cie de multa paga pela fam\u00edlia da pessoa que desistisse do casamento. Isso constitu\u00eda mais uma press\u00e3o sobre os futuros noivos para a realiza\u00e7\u00e3o do casamento.\n\nPortanto, casamento era uma quest\u00e3o resolvida entre os pais (homens, sem as m\u00e3es). A entrega da jovem (traditio) acontecia anos ap\u00f3s as tr\u00eas primeiras etapas, quando as crian\u00e7as j\u00e1 tivessem atingido a idade de aproximadamente doze ou quatorze anos. Ent\u00e3o a cerim\u00f4nia era feita e ap\u00f3s isso realizava-se a uni\u00e3o carnal.\n\nHavia tamb\u00e9m a possibilidade do casamento ser arranjado entre o pai da noiva e um cavaleiro, que seria o futuro noivo. Tudo isso era um obst\u00e1culo para o surgimento da caritas (caridade) no casamento, principalmente pela aus\u00eancia total da import\u00e2ncia da opini\u00e3o da noiva.\n\nNessa \u00e9poca, a Igreja ainda n\u00e3o participava efetivamente dos\u00a0<strong>casamentos<\/strong>.\n\nDevido a essa falta de regulamenta\u00e7\u00e3o eclesi\u00e1stica, te\u00f3logos e pastores carol\u00edngios davam maior import\u00e2ncia ao ato sexual, isto \u00e9, \u00e0 \u00faltima etapa do casamento, a copula carnalis.\n\nHincmar, bispo de Reims dizia que \u0093sem a c\u00f3pula n\u00e3o existe\u00a0<strong>casamento<\/strong>\u0093. Mesmo considerando que a sequ\u00eancia deveria ser respeitada, essa import\u00e2ncia dada \u00e0 c\u00f3pula acabava favorecendo os raptos pois bastava aos raptores terem uma rela\u00e7\u00e3o sexual com a mulher para consolidarem os la\u00e7os matrimoniais.\n\nPode-se perceber neste per\u00edodo da Idade M\u00e9dia a falta de import\u00e2ncia do amor no casamento. Sem uma institui\u00e7\u00e3o efetivamente participativa na vida social das pessoas \u0096 como a Igreja ser\u00e1 nos s\u00e9culos seguintes \u0096 , ou sem uma regra estabelecida, o casamento era feito de qualquer modo, apenas obedecendo \u00e0 sequ\u00eancia do petitio \u00e0 copula carnalis, caso n\u00e3o houvesse um rapto.\n\nO mais importante a\u00ed era casar-se com algu\u00e9m de mesmo n\u00edvel social ou mais alto para poder aumentar as riquezas das fam\u00edlias e, consequentemente exercer maior poder.\n\n<strong>A EVOLU\u00c7\u00c3O DO AMOR<\/strong>\n\nA Reforma Gregoriana (1050 \u0096 1215) mudou rapidamente o comportamento da Igreja frente a v\u00e1rios aspectos, inclusive os\u00a0<strong>casamentos<\/strong>.\n\nAconteceram v\u00e1rias discuss\u00f5es para decidir as concep\u00e7\u00f5es que a Igreja teria acerca de certos assuntos. Sobre o\u00a0<strong>casamento<\/strong>\u00a0houve, entre outros, o debate entre os cl\u00e9rigos Pedro Lombardo e Graciano.\n\nO primeiro defendia a ideia de que o\u00a0<strong>casamento<\/strong>\u00a0deveria ser um contrato, as palavras ditas \u00e0 frente de testemunhas na hora do casamento \u00e9 que deviam unir o casal.\n\nAs promessas e palavras ditas antes do casamento n\u00e3o efetuavam a uni\u00e3o dos c\u00f4njuges.\n\nO segundo, Graciano, dizia que a inten\u00e7\u00e3o \u00e9 mais importante que as palavras, portanto a uni\u00e3o poderia realizar-se mesmo antes do\u00a0<strong>casamento<\/strong>.\n\nA promessa de um casamento e a rela\u00e7\u00e3o sexual j\u00e1 equivaleriam ao matrim\u00f4nio.\n\nFinalmente, no Conc\u00edlio de Latr\u00e3o (1215) foi decidido que o\u00a0<strong>casamento<\/strong>\u00a0seria um contrato p\u00fablico, id\u00e9ia defendida por Pedro Lombardo. Por\u00e9m a inten\u00e7\u00e3o era vista como aspecto mais importante, como dizia Graciano. Um exemplo disso \u00e9 que os casamentos realizados secretamente passaram a ser considerados v\u00e1lidos, apesar de ilegais, isto \u00e9, a inten\u00e7\u00e3o a\u00ed realizava o matrim\u00f4nio, mesmo sendo um meio ilegal.\n\nOutra atitude tomada pela Igreja durante as reformas, relativa ao casamento, \u00e9 estabelecer-se como a \u00fanica institui\u00e7\u00e3o a legislar e julgar sobre a mat\u00e9ria. Assim, v\u00e1rias concep\u00e7\u00f5es laicas s\u00e3o extintas para dar lugar \u00e0 concep\u00e7\u00e3o eclesi\u00e1stica. Uma dessas mudan\u00e7as \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o do\u00a0<strong>casamento<\/strong>.\n\nNo final do s\u00e9culo XI e no s\u00e9culo XII o consentimento m\u00fatuo do casal passa a ser exigido pela Igreja.\n\n<strong>\u0093Te\u00f3logos, can\u00f4nicos, moralistas, todos os pensadores dos anos 1100 \u0096 1140, raramente un\u00e2nimes no resto, concordaram pelo menos, maioritariamente, neste ponto:<\/strong>\u00a0o consentimento era absolutamente priorit\u00e1rio quer aos ritos sagrados, quer \u00e0 publicidade, at\u00e9 mesmo \u00e0 c\u00f3pula\u0094. Apesar disso a nega\u00e7\u00e3o de um homem por parte da noiva poderia ser censurada facilmente e, mesmo contra sua vontade, acabava casando-se, por ordem do pai.\n\nUm meio mais eficaz para a mulher escapar de um\u00a0<strong>casamento<\/strong>\u00a0arranjado era seguir a vida religiosa. \u0093Negavam [o casamento] por amor a Deus\u0094. Esse tipo de nega\u00e7\u00e3o do casamento era \u0093motivo de louvor, pois desejava a castidade\u0094, algo de muita import\u00e2ncia para a Igreja. Mas mesmo alegando o amor a Deus, muitas dessas mulheres tamb\u00e9m acabavam se casando.\n\nPortanto, quando os pais da noiva estavam convictos da realiza\u00e7\u00e3o do\u00a0<strong>casamento<\/strong>, n\u00e3o havia como escapar. Nem por vontade pr\u00f3pria, dizendo que amava outro, nem atrav\u00e9s da religi\u00e3o, alegando amor a Deus.\n\nPode-se, assim, perceber a perman\u00eancia da falta de import\u00e2ncia dada ao amor, seja entre c\u00f4njuges ou o amor de uma mulher por Deus\n\nCom ou sem consentimento dos noivos, o casamento envolvia tanto leigos como eclesi\u00e1sticos e ambos davam diferentes import\u00e2ncias ao matrim\u00f4nio. O modelo leigo visava a heran\u00e7a, levava em conta os bens dos c\u00f4njuges para n\u00e3o cair na pobreza futuramente. Relativo \u00e0 heran\u00e7a observa-se o grande n\u00famero de\u00a0<strong>casamentos<\/strong>\u00a0entre primos.\n\nIsso visava a concentra\u00e7\u00e3o das riquezas de uma mesma fam\u00edlia.\n\n<strong>Esse tipo de casamento exigia tamb\u00e9m, por parte das fam\u00edlias, n\u00e3o ter muitos filhos, pelo mesmo motivo:<\/strong>\u00a0n\u00e3o dissipar a riqueza da fam\u00edlia. Quando houvesse mais de um filho, somente o primog\u00eanito tinha parte na heran\u00e7a, enquanto que os demais eram incentivados ao celibato transformando-se em monges ou cavaleiros.\n\nPor\u00e9m a Igreja estabeleceu proibi\u00e7\u00f5es ao\u00a0<strong>casamento<\/strong>\u00a0entre parentes, que ia a graus extremamente distantes, o que dificultava ainda mais a escolha do c\u00f4njuge.\n\nAp\u00f3s essa regra imposta pela Igreja p\u00f4de-se observar muitos casamentos realizados logo nos primeiros graus de consang\u00fcinidade permitidos, o que revela que o costume de casar parentes mais pr\u00f3ximos poss\u00edveis n\u00e3o desapareceu e, apesar disso tudo, n\u00e3o se sabe at\u00e9 onde essas proibi\u00e7\u00f5es foram levadas a s\u00e9rio[8]. Contudo, pode-se perceber a\u00ed a dificuldade de acontecer um casamento simplesmente por amor.\n\n<strong>A Igreja tinha outra concep\u00e7\u00e3o para o casamento:<\/strong>\u00a0reprimir o mal. Era uma forma de controle da devassid\u00e3o dos leigos. Ela condenava o prazer nas rela\u00e7\u00f5es sexuais e, portanto, considerava o casamento um mal menor, afinal dentro dele aconteciam as rela\u00e7\u00f5es, por\u00e9m, ao menos, sem prazer, apenas visando a procria\u00e7\u00e3o.\n\nOutra imposi\u00e7\u00e3o da Igreja era a proibi\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es sexuais nos dias sagrados.\n\n<strong>Para conseguir essa proibi\u00e7\u00e3o a institui\u00e7\u00e3o utilizava-se do medo das pessoas alegando que as crian\u00e7as com anomalias eram concebidas em tais dias:<\/strong>\u00a0\u0093os monstros, os estropiados, todas as crian\u00e7as doentias, sabe-se muito bem, foram concebidos na noite de domingo\u0094.\n\nDe acordo com a Igreja, a alma e o corpo da mulher pertencem a Deus e a partir do momento em que ela se casa, o marido toma posse apenas do corpo, podendo, assim, fazer o que bem entender com ele.\n\nJ\u00e1 as mulheres n\u00e3o tomavam posse do corpo do marido, s\u00f3 lhes devia obedi\u00eancia total, o debitum, mais especificamente o dever de ter rela\u00e7\u00f5es com seu marido. Apesar de contrariar a Igreja \u0096 pois esta condenava as rela\u00e7\u00f5es sexuais que n\u00e3o objetivavam a reprodu\u00e7\u00e3o \u0096 se a mulher recusasse o debitum ao marido, este teria um motivo para praticar o adult\u00e9rio, o que seria ainda mais grave.\n\n\u0093O amor do marido por sua mulher se chama estima, o da mulher por seu marido se chama rever\u00eancia\u0094. Nota-se a\u00ed um grande contraste nas rela\u00e7\u00f5es entre marido e mulher. Um n\u00e3o deveria sentir o mesmo que o outro.\n\nAssim como as tarefas di\u00e1rias, os sentimentos tamb\u00e9m eram divididos diferentemente entre homens e mulheres.\n\nAl\u00e9m de tudo, as jovens rec\u00e9m-casadas sa\u00edam de casa com pouca idade para viverem com um homem que sequer conheciam e muitas vezes tinham que sujeitar-se \u00e0s mais variadas viol\u00eancias e humilha\u00e7\u00f5es, eram repudiadas e abandonadas. Isso acontecia devido \u00e0 inexperi\u00eancia e desconhecimento completo das mulheres que n\u00e3o sabiam at\u00e9 que ponto deviam sujeitar-se aos maridos.\n\nOs casos em que a mulher negava ter rela\u00e7\u00f5es sexuais com o marido e este respeitava a postura de sua esposa eram motivo de risadas.\n\nO homem que n\u00e3o tinha rela\u00e7\u00f5es com sua mulher nunca poderia ser considerado um senior.\n\nO amor que deveria existir entre o casal, segundo a Igreja, era o amor ao pr\u00f3ximo, a caridade, sem o desejo carnal. No s\u00e9culo XII S\u00e3o Jer\u00f4nimo dizia que \u0093aquele que ama a sua mulher com um amor demasiado ardente \u00e9 um ad\u00faltero\u0094. A uni\u00e3o para satisfa\u00e7\u00e3o do dever conjugal era considerada pecaminosa pois visava apenas o carnal, o desejo.\n\nO ideal seria a uni\u00e3o numa inten\u00e7\u00e3o procriadora (superior), que multiplicaria os filhos de Deus.\n\nCl\u00e9rigos como Huguccio condenavam o prazer sentido at\u00e9 mesmo nas rela\u00e7\u00f5es que visavam a procria\u00e7\u00e3o. Rela\u00e7\u00f5es sexuais inadequadas eram consideradas antinaturais. Isto \u00e9, rela\u00e7\u00f5es inadequadas eram aquelas feitas em posi\u00e7\u00f5es sexuais que n\u00e3o favorecem a chegada do esperma at\u00e9 o \u00f3vulo, como por exemplo a mulher em posi\u00e7\u00e3o vertical.\n\nA sodomia tamb\u00e9m era terminantemente proibida pela Igreja.\n\nO\u00a0<strong>casamento<\/strong>, portanto, n\u00e3o deveria ser o lugar para o amor carnal ou a paix\u00e3o. Na realidade, casamento era uma institui\u00e7\u00e3o que visava a estabilidade de uma sociedade, servindo apenas para a reprodu\u00e7\u00e3o e uni\u00e3o de riquezas, assim, dando continuidade \u00e0 estrutura. A partir do momento em que o amor aparece no casamento, esses pilares (reprodu\u00e7\u00e3o e uni\u00e3o de riquezas) passam a um segundo plano, amea\u00e7ando toda essa estrutura. Quando um casamento acontece simplesmente por amor, n\u00e3o h\u00e1 mais interesse a priori em reprodu\u00e7\u00e3o ou uni\u00e3o de riquezas.\n\nPor\u00e9m, segundo cl\u00e9rigos e monges, apesar das proibi\u00e7\u00f5es da Igreja, a afei\u00e7\u00e3o, a ternura, o amor e a felicidade entre os c\u00f4njuges n\u00e3o eram prejudicados. Partiam do exemplo da Virgem Maria e Jos\u00e9 que, mesmo sem terem rela\u00e7\u00f5es foram felizes, apenas amando-se, cooperando-se e sendo fi\u00e9is um ao outro.\n\nO amor verdadeiro, na opini\u00e3o de monges e cl\u00e9rigos menos radicais, \u00e9 aquele em que o sexo est\u00e1 na posi\u00e7\u00e3o de subordinado, n\u00e3o priorit\u00e1rio, pois esse \u00e9 o amor que aproxima-se da caridade, portanto, de Deus.\n\nO amor, a afei\u00e7\u00e3o, eram muito mais uma consequ\u00eancia do\u00a0<strong>casamento<\/strong>\u00a0do que uma causa.\n\nO s\u00e9culo XII \u00e9 marcado por uma grande mudan\u00e7a em v\u00e1rios aspectos da Idade M\u00e9dia. O\u00a0<strong>casamento<\/strong>\u00a0e o amor n\u00e3o s\u00e3o exce\u00e7\u00f5es.\n\n<strong>J\u00e1 pode-se observar mudan\u00e7as nas concep\u00e7\u00f5es sobre o amor no casamento com o monge Bernardo de Clairvaux:<\/strong>\u00a0\u0093o amor n\u00e3o requer nenhum outro motivo, al\u00e9m de si mesmo, e n\u00e3o busca frutos.\n\nSeu fruto \u00e9 o gozo de si pr\u00f3prio\u0094. Nesse mesmo per\u00edodo surgem as hist\u00f3rias do \u0093amor cort\u00eas\u0094.\n\nEssas hist\u00f3rias, ao mesmo tempo em que divulgam o amor carnal, material, tamb\u00e9m refor\u00e7am a imagem do amor proibido, e que, portanto, n\u00e3o deveria existir no\u00a0<strong>casamento<\/strong>, considerado sagrado.\n\n\u0093O amor cort\u00eas foi antimatrimonial\u0094. A exemplo do \u0093Romance de Trist\u00e3o e Isolda\u0094, o amor carnal existe, \u00e9 mostrado durante quase todo o romance, por\u00e9m esse amor tem um pre\u00e7o.\n\nNenhum dos dois amantes podem viver juntos sem os perigos. Se querem livrar-se dos perigos devem separar-se e, a morte de ambos n\u00e3o aconteceria ao final se n\u00e3o tivessem envolvendo-se.\n\nO amor na literatura \u0093\u00e9 algo de extraordin\u00e1rio poder, que termina por destruir as pessoas; n\u00e3o representa um modelo para a conduta social\u0094. \u0093Este amor repleto e alegre, n\u00e3o ser\u00e1 no elo institucional do\u00a0<strong>casamento<\/strong>, sempre de acordo com nossos autores, que podemos encontr\u00e1-lo, salvo raras exce\u00e7\u00f5es. Evidentemente, o casamento imp\u00f5e-se como uma institui\u00e7\u00e3o indispens\u00e1vel, e at\u00e9 feliz, mas n\u00e3o \u00e9 o local do amor\u0085\n\nOs amores preenchidos, os amores triunfantes, nos romances e nos contadores de hist\u00f3rias, s\u00e3o amores il\u00edcitos, os da juventude e da beleza.\u0094 Assim, apesar de toda a divulga\u00e7\u00e3o do amor, ele continuou vivendo como \u0093fora da lei\u0094.\n\nDe qualquer modo, o \u0093amor cort\u00eas\u0094, na realidade, foi um meio de educar os cavaleiros, civiliz\u00e1-los, apenas um jogo. A mulher servia simplesmente de \u0093chamariz\u0094.\n\nO seu senhor utiliza-se dela para conduzir o jogo, oferecendo-a como o pr\u00eamio ao vencedor. Adjetivos como a fidelidade ao senhor s\u00e3o exaltados nessas hist\u00f3rias. Como um senhor muitas vezes tinha muitas mulheres, este era extremamente favorecido devido ao grande n\u00famero de cavaleiros que ficavam \u00e0s suas ordens. Assim, as hist\u00f3rias do \u0093amor cort\u00eas\u0094 tinham como objetivo principal estabelecer uma conduta moral aos cavaleiros principalmente perante o senior.\n\nJ\u00e1 na primeira parte do Roman de la Rose, escrito por Guillaume de Lorris, o amor dentro do\u00a0<strong>casamento<\/strong>\u00a0come\u00e7a a ter lugar. O amor come\u00e7ava a ser uma condi\u00e7\u00e3o boa para o casamento. Esposas infelizes, desprezadas come\u00e7am a procurar consola\u00e7\u00e3o fora de casa, com outros homens.\n\nO mundo ia tornando-se mais liberal, mesmo que contra a vontade da Igreja. Adult\u00e9rios, pecados entre c\u00f4njuges, contracep\u00e7\u00f5es, parecem acontecer com maior frequ\u00eancia.\n\nIsso mostra uma exalta\u00e7\u00e3o dos sentimentos do indiv\u00edduo que para satisfazer-se corre atr\u00e1s dos seus objetivos, mesmo indo contra a Igreja ou contra o comportamento social padr\u00e3o.\n\nNeste mesmo per\u00edodo a nobreza tem um enriquecimento e, assim, torna-se mais liberal perante os filhos.\n\nO medo de dissipar as fortunas devido ao grande n\u00famero de filhos vai desaparecendo e as fam\u00edlias come\u00e7am a permitir o\u00a0<strong>casamento<\/strong>\u00a0dos filhos que n\u00e3o quisessem seguir a carreira eclesi\u00e1stica.\n\nOs cavaleiros perdem a exclusividade no manejo das armas. Pessoas mais simples aprendem a manej\u00e1-las, tornando-se mercen\u00e1rios e soldados que acabam sendo contratados pelos pr\u00edncipes. A \u00fanica diferen\u00e7a do cavaleiro passa a ser a capacidade de \u0093praticar jogos do amor\u0094.\n\nOutra mudan\u00e7a importante no s\u00e9culo XII \u00e9 a \u0093inven\u00e7\u00e3o\u0094 do casal, onde deveria haver uma coopera\u00e7\u00e3o, a amizade, \u0093uma harmoniosa associa\u00e7\u00e3o para gerir o neg\u00f3cio comum\u0094, isto \u00e9, para gerir a casa, o espa\u00e7o privado em que os sentimentos ganhavam espa\u00e7o. Assim come\u00e7ava a nascer um sentimento entre os c\u00f4njuges. Tornava-se comum ver pessoas tristes pela morte do seu companheiro.\n\n\u0093H\u00e1 uma aproxima\u00e7\u00e3o no seio do casal\u0094.\n\nA sele\u00e7\u00e3o de um marido n\u00e3o deixou de levar em conta o dote, o meio social do pretendente, a profiss\u00e3o, a qualidade de sua casa, a sua linhagem, mas a opini\u00e3o da futura esposa tornava-se crucial para a realiza\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o do\u00a0<strong>casamento<\/strong>.\n\n<strong>FINAL DA IDADE M\u00c9DIA<\/strong>\n\nJ\u00e1 nos fins da Idade M\u00e9dia, aproximadamente no s\u00e9culo XV, na literatura, surgem casais que apesar de fazerem uso carnal do\u00a0<strong>casamento<\/strong>, seguiam as normas da vida crist\u00e3 e respeitavam suas regras.\n\nEsse tipo de atitude era aceit\u00e1vel, por\u00e9m n\u00e3o era a ideal para a Igreja.\n\nApesar de algumas mudan\u00e7as desde o s\u00e9culo XII, e uma maior toler\u00e2ncia por parte da Igreja, nos finais da Idade M\u00e9dia o amor carnal continuou sendo condenado, visto como algo proibido, sobretudo dentro do\u00a0<strong>casamento<\/strong>.\n\nEssa concep\u00e7\u00e3o pode ser vista nas obras de Hieronymus Bosch (1450 \u0096 1516). Aparentemente um homem bastante religioso, portanto, certamente, um defensor da vis\u00e3o eclesi\u00e1stica.\n\nSuas obras foram feitas durante o fim do s\u00e9culo XV e in\u00edcio do XVI, um per\u00edodo que marca o fim da Idade M\u00e9dia.\n\nNa sua T\u00e1vola dos Sete Pecados Capitais e as Quatro \u00daltimas Coisas (aproximadamente de 1490) a figura que representa a lux\u00faria merece destaque. Nela aparecem, \u0093os dois casais de amantes divertindo-se em uma tenda de rico brocado, entretidos em um jogo amoroso formal como prel\u00fadio \u00e0 express\u00e3o completa de sua paix\u00e3o.\n\nO pecado mortal da lux\u00faria, o pecado original pelo qual o homem foi essencialmente condenado, traz consigo a incita\u00e7\u00e3o adicional de prazer e dor, sugeridas pelo bobo e pelo palha\u00e7o. Outros s\u00edmbolos s\u00e3o a lira, associada \u00e0 m\u00fasica do amor, e o vinho, que flui livremente, libertando os amantes das restri\u00e7\u00f5es\u0094.\n\nOutra obra \u00e9 O Carro de Feno, formado por tr\u00eas pain\u00e9is. O primeiro representa o para\u00edso, o segundo a terra e o terceiro o inferno. No painel central encontra-se o carro de feno com alguns personagens em cima.\n\n\u0093Dois casais de amantes ilustram o pecado sempre presente da lux\u00faria.\n\nAo seguirem a m\u00fasica, s\u00edmbolo de auto-indulg\u00eancia, nesta vinheta id\u00edlica, suas almas s\u00e3o contestadas pelo anjo em prece \u00e0 esquerda e pela m\u00fasica sedutora do dem\u00f4nio \u00e0 direita\u0094.\n\nPor tr\u00e1s dos amantes que est\u00e3o em primeiro plano, \u0093um segundo par de camponeses beija-se nos arbustos em um prel\u00fadio buc\u00f3lico ao ato de amor\u0094. Al\u00e9m disso, o carro de feno em que os amantes est\u00e3o vai em dire\u00e7\u00e3o ao terceiro painel, isto \u00e9, ao inferno.\n\nIsso tudo mostra como a concep\u00e7\u00e3o do amor proibido permanecia forte nos finais da Idade M\u00e9dia.\n\nAt\u00e9 mesmo na \u00c9poca Moderna o amor continuou a ser encarado como algo n\u00e3o muito bom e n\u00e3o chegou a ser t\u00e3o importante para a realiza\u00e7\u00e3o de um\u00a0<strong>casamento<\/strong>, apesar do consentimento ganhar cada vez mais espa\u00e7o at\u00e9 tornar-se o principal passo para a uni\u00e3o de um casal.\n\n<strong>Fonte:<\/strong>\u00a0absoluta.com.br\/www.<wbr \/>soleratecladista.com\/www.<wbr \/>goldenyears.com\/<wbr \/>onossocasamento.pt\/www.<wbr \/>casamentoclick.com\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hist\u00f3ria do Casamento, Origem, Fam\u00edlia, Noivado, Religi\u00e3o, Civil, Uni\u00e3o, Institui\u00e7\u00e3o, Sociedade, Noivado, Religi\u00e3o, Hist\u00f3ria do Casamento<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":16292,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[57],"tags":[],"class_list":["post-21497","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia-geral"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - 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