{"id":21483,"date":"2016-01-06T00:00:00","date_gmt":"2016-01-06T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/humor-na-televisao-2\/"},"modified":"2016-01-06T00:00:00","modified_gmt":"2016-01-06T00:00:00","slug":"humor-na-televisao-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-geral\/humor-na-televisao-2\/","title":{"rendered":"Humor na Televis\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"ads-cima\"><\/p>\n&nbsp;\n\nMergulhando um pouco mais a fundo no tema \u0093<strong>humor na TV<\/strong>\u0094, vemos que fazer rir \u00e9 um trabalho s\u00e9rio, influencia pessoas, rodas de conversas e que traz benef\u00edcios mil para a da sa\u00fade popula\u00e7\u00e3o. Quem n\u00e3o gosta de dar uma boa risada? At\u00e9 nosso sistema imunol\u00f3gico agradece o sorriso que nasce na boca e faz bem ao cora\u00e7\u00e3o.\n\nPercebemos que o povo brasileiro \u00e9 particularmente diferente do americano, e por isso acabou desenvolvendo um humorismo televisivo totalmente distinto, que foge do formato \u0093Sitcom\u0094, mesmo esse tendo ainda alguns m\u00e9ritos honrosos, como \u00e9 o caso da \u0093Grande Fam\u00edlia\u0094.\n\nAl\u00e9m de reconhecer a import\u00e2ncia de quem conta a piada na frente da televis\u00e3o, fomos atr\u00e1s de quem as escrevia e at\u00e9 descobrir que muitos bord\u00f5es que ficaram eternizados nasceram de uma mesma mente criativa, como \u00e9 o caso de Max Nunes, com suas duas d\u00e9cadas dedicadas ao trabalho de fazer rir, criador de um dos esquetes mais hil\u00e1rios da hist\u00f3ria da TV, \u0093O Primo Rico e o Primo Pobre\u0094. Em determinada hora precisamos ser \u0093convidados\u0094 a nos retirar da sala de leitura da biblioteca do Centro Cultural Banco do Brasil, por pura incapacidade de conter o riso.\n\nCitando o quadro do porteiro Severino do \u0093Zorra Total\u0094, que tem sua fun\u00e7\u00e3o b\u00e1sica de conferir \u0093cara \u0096 crach\u00e1, cara \u0096 crach\u00e1\u0094, por diversas vezes Severino cisma que a foto no crach\u00e1 do diretor \u00e9 a de vossa excel\u00eancia Max Nunes, uma homenagem mais do que merecida a um dos roteiristas de \u0093Viva o Gordo\u0094.\n\nMas o destino de quem escreve nem sempre \u00e9 o de ficar por tr\u00e1s das c\u00e2meras, o pessoal do Casseta e Planeta por exemplo, eles eram \u0093figuras\u0094 demais para ficar apenas no cargo de mentor intelectual da goza\u00e7\u00e3o. Foram mais de vinte anos assinando sucessos como \u0093TV Pirata\u0094 e \u0093Doris para Maiores\u0094, at\u00e9 que eles arriscaram um v\u00f4o mais alto, um dos programas humor\u00edsticos mais originais da TV brasileira.\n\n<strong>Foram semanas que deram margem \u00e0 boas recorda\u00e7\u00f5es, durante a prepara\u00e7\u00e3o deste trabalho, mem\u00f3rias hil\u00e1rias recentes ou nem tanto, fomos aprendendo a classificar diferentes tipos de humor, crit\u00e9rios que serviram tamb\u00e9m para dividir o trabalho em:<\/strong> as origens do humor brasileiro para TV, Sitcom, Humor \u0093jornal\u00edstico\u0094, humor \u0093cultural\u0094, e termos t\u00e9cnicos. Dessa forma pretendemos esclarecer o assunto e descobrir os rumos que humor nacional para televis\u00e3o tomou para chegar ao est\u00e1gio em que nos encontramos.\n<h4><strong>ORIGENS DO HUMOR BRASILEIRO PARA TV<\/strong><\/h4>\nAntes da primeira transmiss\u00e3o de TV, o Brasil vivia ardentemente a era de ouro do R\u00e1dio. A popula\u00e7\u00e3o tinha o h\u00e1bito de acompanhar programas humor\u00edsticos, gravados ao vivo nos est\u00fadios de r\u00e1dio, contando com grandes talentos, atores que fizeram hist\u00f3ria na televis\u00e3o brasileira como Mazzaropi, Walter Forster, Lima Duarte, Hebe Camargo e Lolita Rodrigues.\n\nJ\u00e1 no primeiro dia de TV, o humor teve seu espa\u00e7o garantido. Era a \u0093Escolinha do Ciccilo\u0094 estreando na TV TUPI em 1950 para tentar repetir na telinha o imenso sucesso que o programa fazia no r\u00e1dio. O aparelho televisor ainda era um artigo de luxo e as transmiss\u00f5es feitas ao vivo, j\u00e1 que ainda n\u00e3o havia o recurso do V\u00eddeo Tape.\n\nSITCOM, uma abrevia\u00e7\u00e3o da express\u00e3o americana Situation Comedy (Com\u00e9dia da Situa\u00e7\u00e3o), uma nova hist\u00f3ria \u00e9 contada a cada epis\u00f3dio, envolvendo um n\u00facleo fixo\n<h4><strong>HUMOR<\/strong><\/h4>\nPodemos defini-lo como qualquer mensagem expressa por atos, palavras,escritos, imagens ou m\u00fasicas- cuja inten\u00e7\u00e3o \u00e9 a de provocar o riso ou o sorriso.No sentido estrito, a no\u00e7\u00e3o de humor \u00e9 relativamente nova.\n\nEm seu significado moderno, foi pela primeira vez registrada na Inglaterra em1682, j\u00e1 que antes disso, significava disposi\u00e7\u00e3o mental ou temperamento.Pesquisas m\u00e9dicas j\u00e1 comprovaram que, quando uma pessoa ri, todo o organismo ri tamb\u00e9m.\n\n<strong>Assim, o que era apenas uma crendice popular teve sua comprova\u00e7\u00e3o cient\u00edfica:<\/strong> quem ri, adoece menos. At\u00e9 o sistema imunol\u00f3gico e respirat\u00f3rio se fortalecem, depois de umas boas gargalhadas.\n\n<strong>SITCOM&#8221;<\/strong>\n\nAbrevia\u00e7\u00e3o do ingl\u00eas Situation Comedy (com\u00e9dia de situa\u00e7\u00e3o).G\u00eanero de seriado humor\u00edstico, originalmente caracter\u00edstico da televis\u00e3o Norte-Americana, apresentando geralmente em epis\u00f3dios com dura\u00e7\u00e3o de 25 a 50 minutos, produzidos em filme ou VT. Difere da telenovela, pois os epis\u00f3dios s\u00e3o quase sempre hist\u00f3rias completas, que t\u00eam em comum os personagens&#8221;.\n\n(Dicion\u00e1rio de comunica\u00e7\u00e3o) No Sitcom uma nova hist\u00f3ria \u00e9 contada a cada epis\u00f3dio, envolvendo um n\u00facleo fixo de personagens em um ambiente em comum.\n\n<strong>Ex: <\/strong>A grande Fam\u00edlia, Meu cunhado, Os Aspones, Zorra Total&#8230;\n\n<strong>A GRANDE FAM\u00cdLIA<\/strong>\n\n\u00c9 um bom exemplo para se demonstrar esse esquema de programa\u00e7\u00e3o, inspirada pela s\u00e9rie Norte-Americana produzida pela rede CBS a partir de 1971, os roteiristas Max Nunes e Marcos Freire desenvolveram um projeto para substituir o programa humor\u00edstico &#8220;Uau&#8221; j\u00e1 existente na Rede Globo, por esse &#8220;A Grande fam\u00edlia&#8221;, que entrou ao ar no ano seguinte, ainda sem ouri\u00e7ar o p\u00fablico. Cada dia que o programa vai ao ar ele traz um tema diferente, no decorrer do mesmo esse tema \u00e9 desenvolvido e conclu\u00eddo, n\u00e3o h\u00e1 um segmento da hist\u00f3ria.\n\n<strong>INFLU\u00caNCIA DO HUMOR TELEVISIVO<\/strong>\n\nO humor na TV tem ganhado cada vez mais for\u00e7a e voz nos domic\u00edlios do nosso pa\u00eds. Milhares de brasileiros j\u00e1 criaram o h\u00e1bito de se reunirem com suas fam\u00edlias a fim de assistir variados programas de humor que hoje em dia as emissoras de TV oferecem, algumas at\u00e9 gratuitamente.\n\nMuitos desses programas abordam temas cotidianos e fazem cr\u00edticas a muitos h\u00e1bitos da sociedade, as pessoas muitas vezes est\u00e3o rindo de suas pr\u00f3prias situa\u00e7\u00f5es de vida ou at\u00e9 mesmo de um desarranjo pol\u00edtico-econ\u00f4mico que os aflige diariamente.\n\n\u00c9 interessante como o humor consegue transmitir pontos de vistas cr\u00edticos de uma grande massa, estereotipando de forma c\u00f4mica as tristezas e as vergonhas de nossa sociedade.\n\nEssa mesma massa \u00e9 contaminada de maneira divertida pelos bord\u00f5es lan\u00e7ados, ou at\u00e9 mesmo por algum cacoete do personagem humor\u00edstico encenado na TV.Grande exemplo disso \u00e9 Sitcom &#8220;Zorra Total&#8221;, que abrange todo tipo de humor, do mais popular ao mais sofisticado. Estreou em 1999, e logo voltou a investir de forma cl\u00e1ssica em bord\u00f5es, escalando veteranos e revelando novos comediantes.\n\n<strong>BORD\u00d5ES HUMOR\u00cdSTICOS QUE CAIRAM NA BOCA DO POVO:<\/strong>\n<blockquote>&#8220;Onde foi que eu errei?&#8221; (Mauri\u00e7\u00e3o, sobre seu filho gay Alfredinho)\n&#8220;Pergunta idiota, toler\u00e2ncia zero!&#8221; (Impaciente Saraiva)\n&#8220;Olha a faca! Mexe com quem ta quieto!&#8221; (Patrick\n&#8220;Vem c\u00e1, te conhe\u00e7o?&#8221; (Laura)\n&#8220;Isso p\u00f3de!&#8221; (Dra. Lorca)\n&#8220;T\u00f4 pagando!&#8221; (Lady Kate)<\/blockquote>\n<h4>A com\u00e9dia cultural<\/h4>\nOs programas de televis\u00e3o usam assuntos que promovem um f\u00e9rtil interc\u00e2mbio entre as regi\u00f5es e os agentes da cultura, fomentando as trocas culturais e conscientizando a popula\u00e7\u00e3o acerca de seus valores art\u00edsticos e de seu inesgot\u00e1vel patrim\u00f4nio cultural.\n\nDocumentar a mem\u00f3ria , criando la\u00e7os entre as diversas gera\u00e7\u00f5es e preservando as ra\u00edzes da cultura, contribuindo para que se mantenham vivas as tradi\u00e7\u00f5es populares.\n\nOs sitcoms que \u00e9 aquela em que geram situa\u00e7\u00f5es para da\u00ed se tirar a com\u00e9dia, geralmente em formato de seriado.\n\n<strong>Ex: <\/strong>Sai de Baixo, Grande Fam\u00edlia, etc. Na fic\u00e7\u00e3o seriada, tanto nas s\u00e9ries e sitcoms, quanto na telenovela, h\u00e1 um comprometimento do espectador j\u00e1 que elas s\u00e3o apresentadas em cap\u00edtulos, impondo certo acompanhamento da hist\u00f3ria apresentada.\n\nE, a partir do momento que h\u00e1 comprometimento, h\u00e1 envolvimento. Dos anos 70 para c\u00e1, as tecnologias avan\u00e7aram, mas no cen\u00e1rio cultural brasileiro, produzir este tipo de programa ainda n\u00e3o \u00e9 uma pr\u00e1tica. Dentro da fic\u00e7\u00e3o seriada, a telenovela \u00e9 a prefer\u00eancia nacional e detentora de todas as aten\u00e7\u00f5es nas grandes redes de televis\u00e3o, nos lares da maioria dos brasileiros e nas produ\u00e7\u00f5es cient\u00edficas.\n\nA cultura seriada norte-americana tomou for\u00e7a no Brasil com o advento da televis\u00e3o a cabo. Entretanto,pode ter sido a televis\u00e3o aberta \u0096 atrav\u00e9s, principalmente, da Rede Globo &#8211; que deu visibilidade para as s\u00e9ries televisivas norte-americanas a partir dos anos 80 e construiu uma cultura de assisti-las no Brasil.\n\nSob o t\u00edtulo de Sess\u00e3o Aventura, as s\u00e9ries norte-americanas foram formalmente apresentadas ao p\u00fablico brasileiro semanalmente, de segunda a sexta-feira, \u00e0s 16h20, dentro da programa\u00e7\u00e3o da emissora.\n\nCada dia da semana uma delas era apresentada, tendo sua continuidade na semana seguinte. Fizeram parte desta faixa Magnum, As Panteras, A Ilha da Fantasia, Anjos da Lei, Profiss\u00e3o Perigo, Duro na Queda, entre outros.\n\nDesde ent\u00e3o a Rede Globo mant\u00e9m ao menos uma s\u00e9rie norte-americana em sua programa\u00e7\u00e3o durante o ano. Em 2006 apresentou Lost, tendo anteriormente exibido 24Horas, ambos sucesso de p\u00fablico em seus pa\u00edses de origem.\n\nNo momento em que se assiste no Brasil uma s\u00e9rie como Lost, apesar do prazer envolvido e da realidade ou n\u00e3o que se possa experimentar ali,estamos assimilando situa\u00e7\u00f5es e costumes naturais a um outro contexto. Este fato, independentemente de nossa posi\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao texto do programa, gera uma desconex\u00e3o cultural, um conflito entre culturas.\n\nPara deixar mais transparente esta disparidade, utilizaremos como exemplo uma das produ\u00e7\u00f5es consideradas pela Revista\n\n<strong>Veja de maior popularidade nos Estados Unidos, CSI:<\/strong> Crime Scene Investigation.\n\nNeste, temos uma equipe de cientistas forenses que desvendam mortes e complicados casos policiais em Las Vegas atrav\u00e9s de per\u00edcia criminal. Apesar da popularidade no Brasil, CSI pode ser considerado um produto televisivo totalmente desconectado de nossa cultura. No m\u00ednimo tr\u00eas motivos apontam para isso.\n\n<strong>O primeiro deles \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o financeira do pa\u00eds:<\/strong> se os recursos para sa\u00fade e seguran\u00e7a p\u00fablica j\u00e1 s\u00e3o escassos, o que dizer ent\u00e3o aos destinados \u00e0 pesquisa cient\u00edfica \u0096 base para as descobertas ali representadas?\n\n<strong>Outro \u00e9 a disparidade entre as estruturas p\u00fablicas dos EUA e Brasil:<\/strong> a estrutura de qualquer \u00f3rg\u00e3o p\u00fablico, como o IML \u0096 bastante visualizado na s\u00e9rie -, \u00e9 prec\u00e1ria em qualquer cidade do pa\u00eds e est\u00e1 muito longe de chegar \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o demonstrada no produto televisivo.\n\n<strong>Por \u00faltimo, a justi\u00e7a: <\/strong>no Brasil,esta \u00e9 lenta e carece tamb\u00e9m de recursos que fa\u00e7am o sistema penitenci\u00e1rio funcionar agilmente, diferentemente da realidade americana. Sendo assim, a inser\u00e7\u00e3o de sitcoms e s\u00e9ries televisivas na grade de programa\u00e7\u00e3o nacional confronta diferen\u00e7as e exp\u00f5e desigualdades.\n\nAs s\u00e9ries televisivas s\u00e3o um mercado em expans\u00e3o mundial. \u00c9 chegada a hora de o Brasil dar import\u00e2ncia para a produ\u00e7\u00e3o nacional e investir de forma mais marcante neste mercado que at\u00e9 ent\u00e3o esteve jogado a um segundo plano. O \u00eaxito da telenovela brasileira fez com que esta fosse internacionalizada , uniformizou o formato televisivo e apagou a identidade plural que nela antes transparecia. Este n\u00e3o deve ser seu prop\u00f3sito.\n\nEmbora este n\u00famero n\u00e3o represente a rodu\u00e7\u00e3o brasileira, a verdade \u00e9 que dentro da televis\u00e3o ainda n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para a experimenta\u00e7\u00e3o e para nossa pr\u00f3pria diversidade cultural .\n\n<strong>As produ\u00e7\u00f5es seriadas brasileiras em vigor s\u00e3o sitcoms, programas com teor leve e humor\u00edstico, que privilegiam estere\u00f3tipos da classe popular: <\/strong>a dona de casa, a faxineira, o funcion\u00e1rio p\u00fablico, a mec\u00e2nica, as donas de bar, entre outros. Seriados como Mulher, A Justiceira &#8211; e o pr\u00f3prio Cidade dos Homens -, da Rede Globo que, mais do que somente estereotipar, tematizaram , entre quest\u00f5es, a condi\u00e7\u00e3o da mulher na sociedade, a lentid\u00e3o da justi\u00e7a, a vida na favela, s\u00e3o preteridos.\n\nOs programas humor\u00edsticos tem liberdade de abordar assuntos como preconceitos, estigmas, estere\u00f3tipos e discrimina\u00e7\u00e3o. A id\u00e9ia de homossexualidade \u00e9 associada \u00e0 doen\u00e7a, desvio, pecado, \u00e0 perspectiva de marginalidade e crime.\n\nA piada pode ser considerada uma express\u00e3o cultural leg\u00edtima e inocente, desde que n\u00e3o atinja ningu\u00e9m e n\u00e3o incite ao \u00f3dio e \u00e0 viol\u00eancia como no programa do Tom Cavalcante onde brincam com o famoso \u0093Bofe de elite\u0094\u0096 crit\u00e9rios esses que, n\u00e3o est\u00e3o sendo respeitados pelos programas nominalmente citados.\n\nO retrato satirizado da realidade brasileira deve tratar de temas pol\u00eamicos, mas n\u00e3o pode reproduzir posturas opressoras e discriminat\u00f3rias. A televis\u00e3o tem papel educativo. Como ela \u00e9 uma concess\u00e3o p\u00fablica, outorgada pelo governo, ela deve veicular conte\u00fado educativo sempre.\n\nA tv Globo por exemplo reflete sua preocupa\u00e7\u00e3o com seu papel social inserindo em seus programas mensagens que visam levar ao p\u00fablico toda a dif\u00edcil realidade brasileira para que, juntos, possamos construir um pa\u00eds melhor.\n\nNos programas como a grande fam\u00edlia que incorpora \u00e0 realidade atual, e outros personagens foram incorporados \u00e0 hist\u00f3ria, que deixou de focar apenas na fam\u00edlia e passou a tratar de assuntos atuais onde a cada semana ocorre um fato novo, onde o programa sai de baixo que se tratava de uma fam\u00edlia tamb\u00e9m abordava outros temas n\u00e3o s\u00f3 aquele cotidiano familiar , abordavam temas culturais e pol\u00eamicos .\n\n<strong>Bibliografia<\/strong>\n\nDicion\u00e1rio de comunica\u00e7\u00e3o\nUma hist\u00f3ria cultural de humor, Jam Bremes e Herman Roodenburg, Ed.Record, RJ, 2000.\nAlmanaque da Tv, Bia Braune e Rixa, Ed. Ediouro,2007.\nRede Globo 30 anos: Uma hist\u00f3ria ilustrada- S\u00e3o Paulo: Globo,1996.\n\nFonte: sites.google.com\n<h6>Humor na Televis\u00e3o<\/h6>\n<p class=\"google\"><\/p>\n<strong>Riso e Simulacro em Sai de Baixo<\/strong>\n\nO riso, na televis\u00e3o brasileira, ocupou, por muitos anos, hor\u00e1rio na grade de programa\u00e7\u00e3o, visando o entretenimento como lazer. Herdeiro do teatro, passando pelo r\u00e1dio, o progra\u00adma humor\u00edstico dos primeiros tempos da televis\u00e3o sofreu influ\u00ean\u00ad\u00adcia direta das formata\u00e7\u00f5es do teatro de variedades, unindo sketches r\u00e1pidos, no melhor estilo da satura lanx do teatro latino, aos n\u00fameros de dan\u00e7a e canto.\n\nA com\u00e9dia brasileira \u00e9 a maior express\u00e3o de uma cultura sufocada, que busca instaurar o descentramento do poder da classe dominante. Na contram\u00e3o de todo autoritarismo, a com\u00e9dia nacional criticou homens, costumes, e revelou maus caracteres. Da com\u00e9dia de tipos \u00e0 com\u00e9dia de costumes, a televis\u00e3o brasileira mostrou par\u00f3dias de operetas e at\u00e9 mesmo de grandes cl\u00e1ssicos, que existiram na R\u00e1dio Nacional como, por exemplo, Oh! \u00d3pera, usando melodias originais, letradas com textos bur\u00adlescos, recheados de \u0093farpas\u0094 ris\u00edveis.\n\nA com\u00e9dia dram\u00e1tica, centrada apenas no texto, exercitou a oralidade do r\u00e1dio, progrediu ao associar a imagem televisiva, revelando personagens como, por exemplo, nas \u0093anci\u00e3s\u0094 de A Pra\u00e7a \u00e9 Nossa, Pra\u00e7a da Alegria, etc., ou mesmo na ridiculariza\u00e7\u00e3o do cotidiano e das rela\u00e7\u00f5es familiares, presente em Balan\u00e7a, mas n\u00e3o cai, apontando para o progresso da urbaniza\u00e7\u00e3o e seu im\u00adpacto nas rela\u00e7\u00f5es ing\u00eanuas da cidade, tornando-se a pra\u00e7a como lugar especial de conviv\u00eancia.\n\nDos anos 40 emergiu a estrutura b\u00e1sica do programa Sai de Baixo, herdeiro direto das com\u00e9dias de costumes, e buscando recriar a aura do espet\u00e1culo teatral com erros imprevis\u00edveis, acer\u00adtos espont\u00e2neos e improvisos, diante da previsibilidade e efic\u00e1cia da media\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica.\n<h4>Os Riscos do Riso<\/h4>\nAnalisar o humor, na programa\u00e7\u00e3o da televis\u00e3o brasileira, pode ser um bom ponto de partida para recortar, criticamente, um objeto de compreens\u00e3o. O riso diverte e \u00e9 um ponto de partida para captar a benevol\u00eancia do espectador. Apesar da moderna tecnologia, o humor da velha TV Tupi ainda domina a paisagem.\n\nE, mesmo quando surge alguma inven\u00e7\u00e3o nova, ela guarda, em sua origem, velhas f\u00f3rmulas que se ocultam sob o manto da modernidade.\n\nSai de Baixo \u00e9 o t\u00edpico exemplo do que se tenta resgatar. Anunciado como um programa que redimiria as modorrentas noites de domingo, n\u00e3o conseguiu ir al\u00e9m de uma f\u00f3rmula j\u00e1 conhe\u00adcida, de um simulacro de teatro, que se apresenta como uma forma interativa, mas que, devido \u00e0 media\u00e7\u00e3o, torna-se um produto pesado, medido e gravado.\n<h4>Riso e Contrato Social<\/h4>\n\u0093O homem \u00e9 o \u00fanico animal que ri e rindo ele demonstra o animal que \u00e9\u0094. Com este chiste, Mill\u00f4r Fernandes tra\u00e7a um retrato da fun\u00e7\u00e3o social do procedimento c\u00f4mico. Parceiro da alegria ou da dor, o riso \u00e9, para Bergson, um sinal de insensibili\u00addade, pois \u0093o maior inimigo do riso \u00e9 a emo\u00e7\u00e3o\u0094, afir\u00adma o fil\u00f3sofo.\n\n<strong>Da mesma forma, registra a sabedoria popular:<\/strong> \u0093Muito riso, pouco siso\u0094, indicando a predomin\u00e2ncia da descon\u00adtra\u00e7\u00e3o ne\u00adces\u00ads\u00e1ria \u00e0 comicidade.\n\nO exerc\u00edcio da alteridade d\u00e1-se no narrar do sujeito centrado; e o riso nasce do descentramento. A com\u00e9dia \u00e9 um g\u00eanero que explo\u00adra a torpeza e provoca, assim, um confronto entre aquele que \u00e9 observado e o observador. Este espectador seleciona seu objeto, compara-se a ele e, saindo vitorioso do embate, encontra, no riso, uma express\u00e3o de auto proclama\u00e7\u00e3o.\n\nO riso \u00e9 sempre uma revers\u00e3o de expectativas. A surpresa do espectador \u00e9 a espoleta que detona o sorriso ou a gargalhada. A com\u00e9dia escolhe uma v\u00edtima e, ampliando seus defeitos, submete-a ao arb\u00edtrio de uma comunidade.\n\nO riso \u00e9 uma puni\u00e7\u00e3o ao que a sociedade considera esp\u00fario, mas, tamb\u00e9m, uma forma de banalizar atos considerados impr\u00f3prios. Arist\u00f3teles, na Arte Ret\u00f3rica, conceitua a fac\u00e9cia como um procedimento usual para destruir a emp\u00e1fia do oponente e submet\u00ea-lo a uma redu\u00e7\u00e3o ret\u00f3rica.\n\n<strong>Assim, o riso instrumentaliza a puni\u00e7\u00e3o do mau car\u00e1ter, do exc\u00eantrico ou mesmo dos diferentes, pois:<\/strong>\n<blockquote>Pelo temor que o riso inspira, reprime as excentricidades, mant\u00e9m constantemente despertas e em contato m\u00fatuo certas atividades de ordem acess\u00f3ria que correriam o risco de isolar-se e adormecer: suaviza, enfim, tudo o que puder restar de rigidez mec\u00e2nica na superf\u00edcie do corpo social.<\/blockquote>\nO riso pune, moralmente, o desviante social. Entre o sorriso benevolente do perd\u00e3o e a gargalhada cruel, flutua a grada\u00e7\u00e3o da puni\u00e7\u00e3o pelo riso como instrumento regulador do comporta\u00admento social.\n\nA com\u00e9dia, como g\u00eanero dram\u00e1tico, fez-se templo da demoli\u00e7\u00e3o pelo riso. Desvendar a hipocrisia, denunciar os desmandos e revelar a radiografia da maledic\u00eancia social \u00e9 a fun\u00e7\u00e3o do g\u00eanero.\n\n\u0093O c\u00f4mico exige algo como certa anestesia moment\u00e2nea do cora\u00e7\u00e3o, para produzir efeito. Ele se destina \u00e0 intelig\u00eancia pu\u00adra\u0094. Assim, entendemos que o riso tem um contrato social. Quanto maior o n\u00famero de espectadores, maior ser\u00e1 a intensida\u00adde de resposta da plat\u00e9ia.\n\nCircuito da intelig\u00eancia, referido por Bergson, apresenta um paradoxo no julgamento cr\u00edtico dos g\u00eaneros. A com\u00e9dia, por seu apelo social e sua origem rural, sempre foi tratada como um g\u00eanero menor. Por\u00e9m, sua irrever\u00eancia presentifica a cr\u00edtica como uma forma de julgar e condenar procedimentos conside\u00adrados anti-sociais. O fluxo do riso surge no ritmo imposto ao real, que o automatiza, distorcendo-o.\n\nAntes de os romanos efetivarem a conquista da Gr\u00e9cia, seu teatro tinha uma vertente que sobrepunha a a\u00e7\u00e3o f\u00edsica ao texto dram\u00e1tico. No mimo, que contemplava o gesto como fator expressivo, encontramos as ra\u00edzes de um teatro c\u00f4mico funda\u00admen\u00adtado na surpresa da a\u00e7\u00e3o f\u00edsica. Misturada \u00e0 atellana \u0096 pe\u00e7a farsesca de curta dura\u00e7\u00e3o \u0096 o mimo vai resultar em diversi\u00adfica\u00e7\u00f5es e culminar numa linguagem popular, coloquial e antag\u00f4nica da trag\u00e9dia, revestida de gl\u00f3ria, respeito e seriedade. O esp\u00edrito e a fala do homem da rua convertem-se em um reper\u00adt\u00f3\u00adrio a ser reconhecido pelo popular, que identifica o seu i\u00adgual e se delicia com suas falhas e castigos.\n\n\u00c9 a figura de Plauto que vai se projetar em Shakespeare ou Moli\u00e8re, atrav\u00e9s de hist\u00f3rias de velhos avarentos, ing\u00eanuas infe\u00adlizes, g\u00eameos trocados, mantendo-se o enredo, que misturava por\u00adno\u00adgrafia, palavras de baixo cal\u00e3o e gestos indecorosos.\n\nO esp\u00edrito religioso medieval n\u00e3o conseguir\u00e1 recalcar o riso. Nos improvisos dos buf\u00f5es, ou na representa\u00e7\u00e3o dos dem\u00f4nios medievos, a com\u00e9dia expressar\u00e1 uma resist\u00eancia, glorificada em tru\u00adpes ambulantes de comediantes.\n\nDurante trezentos anos, a commedia dell\u0092arte dominou o panorama do teatro mundial. A for\u00e7a do trabalho do ator italiano est\u00e1 contida na preserva\u00e7\u00e3o dos canevacci como base para sua inter\u00adpreta\u00e7\u00e3o, e no improviso, preparado com virtuosismo, visando surpreender o espectador.\n\nO grande trunfo da com\u00e9dia est\u00e1 na surpresa do espectador diante da performance. O coup de foudre provoca a centelha da gargalhada, que contagia o riso social. O comediante popular italiano, desprovido de escolaridade, n\u00e3o alfabetizado, criava sua dramaturgia improvisando as r\u00e9plicas do roteiro tradicional. O vigor da fala inventada na hora estabelece uma rela\u00e7\u00e3o hic et nunc, que permite a interatividade de espet\u00e1culo e espectador.\n\nMapeando as regi\u00f5es pela estereotipia das m\u00e1scaras, as personagens tra\u00e7am um painel social. Os procedimentos b\u00e1sicos surgem do conflito entre abastados personagens, velhos deten\u00adtores do poder, e personagens jovens, apaixonados. A interme\u00addia\u00e7\u00e3o do conflito e mesmo sua radicaliza\u00e7\u00e3o s\u00e3o feitas pelos servos, que apoiam os jovens na esperan\u00e7a de obterem ganhos poss\u00edveis diante do poder emergente.\n\nAs m\u00e1scaras revelam, de forma \u0093chapada\u0094, o comporta\u00admento das personagens e sua posi\u00e7\u00e3o no jogo dram\u00e1tico. A dispu\u00adta pelo poder e a busca de realiza\u00e7\u00e3o de objetivos para perpetu\u00ad\u00e1-lo fundamentam as regras do conflito.\n\nNomeado como com\u00e9dia de of\u00edcio, pelo virtuosismo dos comediantes, este g\u00eanero vai recuperar, nas atellanas, a sua raiz, e perpetuar-se-\u00e1 nos s\u00e9culos posteriores.\n\nConvivendo com a cultura cl\u00e1ssica, a com\u00e9dia de arte, de of\u00edcio ou de mestres \u0096 suas diferentes identifica\u00e7\u00f5es \u0096 d\u00e1 ao ator as prim\u00edcias no universo espetacular.\n\nS\u00e3o talentosos artistas po\u00adpu\u00adlares que, assumindo a m\u00e1scara p\u00fablica em sua vida privada, pela incorpora\u00e7\u00e3o do nome de sua personagem, passam a ser reconhecidos por uma t\u00e9cnica perfeita de representar.\n\nSua grande import\u00e2ncia est\u00e1 na fixa\u00e7\u00e3o de tipos que floresceriam, no cinema, no trabalho de Chaplin, Harold Lloyd ou Buster Keaton, ou mesmo, nacionalmente, nos Trapalh\u00f5es, em Dercy Gon\u00e7alves, Regina Cas\u00e9 e outros comediantes. Os \u0093velhos bab\u00f5es\u0094, as mocinhas ing\u00eanuas e os criados espertos continuam a participar de tramas ris\u00edveis.\n\nO riso ocupa um lugar de destaque na express\u00e3o da identidade cultural brasileira. A com\u00e9dia foi, sem d\u00favida, o g\u00eanero dram\u00e1tico mais prestigiado pela produ\u00e7\u00e3o dramat\u00fargica nacional. Os dramas e as trag\u00e9dias n\u00e3o conseguiram refletir, espetacular\u00admente, nossa sociedade. \u00c9 rara a produ\u00e7\u00e3o de mitos her\u00f3icos nacionais que, atrav\u00e9s de comportamentos \u00e9picos, conseguiram tocar a alma brasileira. Os her\u00f3is s\u00e9rios perderam seu sentido na representa\u00e7\u00e3o popular como conseq\u00fc\u00eancia de uma cultura constru\u00edda na coloniza\u00e7\u00e3o, que impunha seres e fatos alien\u00edgenas como modelos. O ritual antropof\u00e1gico de nossos \u00edndios perdeu o sentido, para se tornar simples selvageria.\n\nA par\u00f3dia e a farsa foram as armas utilizadas como rea\u00e7\u00e3o popular \u00e0s algemas colonizadoras. Nos autos jesu\u00edticos, nas com\u00e9dias de costumes ou nos sketches do teatro de variedades, o procedimento c\u00f4mico flui, interrompendo a norma hier\u00e1tica, para instalar a desordena\u00e7\u00e3o da sociedade, assentada em normas r\u00edgidas e coercitivas.\n\n<strong>A Raz\u00e3o Especular<\/strong>\n\nA com\u00e9dia alimenta-se de uma resposta imediata ao est\u00edmulo fornecido pela fonte comunicacional. Sua for\u00e7a comunicativa depen\u00adde da intera\u00e7\u00e3o entre a motiva\u00e7\u00e3o inicial e a resposta r\u00e1pida do receptor.\n\nO espectador da com\u00e9dia desfruta do espet\u00e1culo como um visitante de uma sala de espelhos, rindo de sua imagem defor\u00admada. A com\u00e9dia \u00e9, pois, um g\u00eanero dial\u00f3gico, que exige uma evolu\u00e7\u00e3o participativa e se alimenta, gradativamente, da suspens\u00e3o da realidade e da inser\u00e7\u00e3o na alma coletiva.\n\nSendo um g\u00eanero que incentiva a participa\u00e7\u00e3o, o expediente c\u00f4mico, ao contr\u00e1rio da trag\u00e9dia, alimenta-se dos sinais dos espectadores assim motivados. A popularidade do c\u00f4mico est\u00e1 na participa\u00e7\u00e3o social do espectador e em sua forma de respon\u00adder aos est\u00edmulos estereotipados. A deforma\u00e7\u00e3o f\u00edsica ou moral, u\u00adma vez exibidas, alimentam o esp\u00edrito c\u00f4mico e p\u00f5em em xe\u00adque o estatuto social.\n\nN\u00e3o variou, durante muitos s\u00e9culos, a raz\u00e3o pela qual o homem comum se entrega ao riso. A televis\u00e3o apropriou-se desta heran\u00e7a e, consciente da import\u00e2ncia do poder simb\u00f3lico, utilizou-o como v\u00e1lvula de escape para as agruras do cotidiano de cidad\u00e3os urbanizados \u00e0s voltas com a media\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica.\n\nHerdeira direta de concep\u00e7\u00f5es nascidas na constela\u00e7\u00e3o radiof\u00f4nica, a televis\u00e3o brasileira, como j\u00e1 o fizera o cinema, revelou as imagens, antes pertencentes ao universo do ouvinte de r\u00e1dio, a elas imprimindo uma vis\u00e3o idealizada, enriquecida pela cria\u00e7\u00e3o. Assim fazendo, supria car\u00eancias simb\u00f3licas, pintan\u00addo quadro virtuais e esbo\u00e7ando virtudes reais.\n\nO \u0093meio quente\u0094, descrito por McLuhan, cedeu parte de seu p\u00fablico \u00e0 m\u00eddia televisiva. Esta formatou a percep\u00e7\u00e3o do espectador, por meio de uma evangeliza\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica, a princ\u00ed\u00adpio lenta e gradual, constru\u00edda com s\u00edmbolos arquetipais banali\u00adzados, por\u00e9m, pela tautologia. A opera\u00e7\u00e3o r\u00e1pida das mudan\u00e7as tecnol\u00f3gicas permitiu, cada vez mais, que o automatismo da com\u00e9\u00addia fosse decodificado em \u0093pra\u00e7as eletr\u00f4nicas\u0094, com risos gravados, incentivando uma resposta automatizada.\n\nA necessidade do calor do espectador que, no teatro, servia de est\u00edmulo pela institui\u00e7\u00e3o da claque, fez com que antigas formata\u00e7\u00f5es \u0096 como a do Teatro de Com\u00e9dia da Imperatriz das Sedas, um teleteatro ao vivo, mas sem p\u00fablico presente \u0096 cedes\u00adsem lugar a programas que, saindo do est\u00fadio, estenderam-se a um audit\u00f3rio, capitaneados por um \u0093mestre-de-claque\u0094, que di\u00adri\u00adgia o audit\u00f3rio para o riso ou para o aplauso.\n\nEsse procedimento, hoje, \u00e9 usado \u00e0 exaust\u00e3o durante as grava\u00e7\u00f5es de programas de audit\u00f3rio, como os de J\u00f4 Soares, Faust\u00e3o, Hebe Camargo ou Em Nome do Amor. A domestica\u00e7\u00e3o do espectador, em decorr\u00eancia da necessidade de \u0093limpeza\u0094 do produto final, passou a atribuir-lhe um papel fixo. Sua presen\u00e7a faz parte de um esquema planejado, com m\u00ednimas possibilidades de transgress\u00e3o.\n\nNuma rela\u00e7\u00e3o espetacular mediatizada, cada componente do processo televisivo tem sua atua\u00e7\u00e3o delimitada previamente. Assim, tanto a aparente fuga ao roteiro, que faz as del\u00edcias do es\u00adpecta\u00addor comum, quanto a apar\u00eancia de que algo diferente est\u00e1 acontecendo e interrompendo o planejamento pr\u00e9vio, s\u00e3o procedimentos que v\u00eam sendo objeto de uma ampla explora\u00e7\u00e3o por parte dos roteristas.\n\nNa mesmice da programa\u00e7\u00e3o da TV, na atualidade, o fait-divers instala-se com o sabor diferente dos pequenos desastres do cotidiano, exibidos nas Cacetadas do Faust\u00e3o, nas brigas de vizinhas no Ratinho ou nos pedidos de reconcilia\u00e7\u00e3o de casais rompidos no quadro Em nome do amor.\n\nEsta altera\u00e7\u00e3o da mesmice cede lugar a uma surpresa genera\u00adlizada e incorpora a rela\u00e7\u00e3o de um novo, como um simulacro, que permite ao espectador imaginar que est\u00e1 diante de alguma coisa diferente. Recentemente, o programa Ratinho Livre surpre\u00adendeu os espectadores com uma formata\u00e7\u00e3o dife\u00adrente daquela a que o p\u00fablico do animador est\u00e1 acostumado. Um cen\u00e1rio com colunas cl\u00e1ssicas, um apresentador em black-tie e o conjunto tocando compositores cl\u00e1ssicos introduzia uma \u0093aura\u0094 high-cult. <strong>Num dado momento, o apresentador dirige-se ao produtor e pergunta: <\/strong>\u0093\u0096 At\u00e9 que hora eu terei que manter esta m\u00e1scara?\u0094\n\nDepois disso, irrompe pela cenografia, pondo-a no ch\u00e3o, e reafirma o conte\u00fado brega de seu programa. Era uma resposta faceciosa a um ministro da Rep\u00fablica que afirmara que seu programa era \u0093de baixa qualidade cultural\u0094.\n\nDe forma c\u00f4mica para a elite e demolidora para o \u0093baixo clero\u0094, o apresentador estabeleceu os limites de seu reinado, e deixou clara a sua op\u00e7\u00e3o por um p\u00fablico popular, que sente, pelo simulacro de atos violentos, grande atra\u00e7\u00e3o. A resposta do p\u00fablico torna-se, ent\u00e3o, imediata para o espectador em sua poltrona. Alheio \u00e0 \u0093fauna\u0094 que comp\u00f5e a plat\u00e9ia do animador, ele se diverte de forma ing\u00eanua. Como parte de um jogo em que a torcida se envolve no embate de forma desabrida, esse espectador torna-se um elo que, mesmo num espa\u00e7o geogr\u00e1fico extenso, une-se numa \u0093tribo virtual\u0094, que, embora sem contato f\u00edsico, as\u00adsocia-se num ritual de riso, motivada pela conduta at\u00edpica do apresentador.\n\nA necessidade de se inscrever como real, no universo simb\u00f3lico do espectador brasileiro, fez a programa\u00e7\u00e3o da televis\u00e3o buscar, no audit\u00f3rio, o testemunho de que o que ali acontece \u00e9 tamb\u00e9m real. Incorporado ao universo espetacular, o audit\u00f3rio torna-se parte integrante do espet\u00e1culo, embora com papel e fala limitados. Ele \u00e9, perante os olhos do espectador instalado em sua casa, um ator. Sua fun\u00e7\u00e3o \u00e9 a de aquecer o \u0093meio frio\u0094, criando o simulacro de uma realidade que, na verdade, n\u00e3o existe, pois, como um ator, a plat\u00e9ia retoma o papel do coro grego antigo, comandado pelo corifeu.\n\n<strong>Sai de Baixo<\/strong>\n\nSai de Baixo foi lan\u00e7ado em mar\u00e7o de 1996 e passou a ser, cabotinamente, considerado, pela Rede Globo, como o \u0093me\u00adlhor programa humor\u00edstico de todos os tempos\u0094. A aposta no histrio\u00adnismo dos atores, apresentados como uma \u0093sele\u00e7\u00e3o de cam\u00adpe\u00f5es\u0094, previa que os telespectadores teriam motivos de sobra para adorar o domingo \u00e0 noite. Apresentado como teatro, gravado em S\u00e3o Paulo, um grande centro de produ\u00e7\u00e3o teatral e no Teatro Proc\u00f3pio Ferreira, o programa tentou, por meio do contato com a plat\u00e9ia, restaurar, na televis\u00e3o, a \u0093aura\u0094 da comu\u00adni\u00adca\u00e7\u00e3o direta do teatro.\n\nDefinido por sua produ\u00e7\u00e3o como s\u00e1tira, ele \u00e9 um resultado da cultura h\u00edbrida da televis\u00e3o. A cada entrevista surge uma nova denomina\u00e7\u00e3o. Quando de seu lan\u00e7amento, no dia 31 de mar\u00e7o de 1996, Maria Carmem, autora de um dos roteiros, dizia estar escrevendo \u0093o vaudeville mais engra\u00e7ado que a gente puder fazer\u0094.\n\n<strong>J\u00e1 a produ\u00e7\u00e3o anunciava que:<\/strong>\n<blockquote>Se depender da f\u00f3rmula, o sucesso est\u00e1 garantido. Neste domingo, depois do Fant\u00e1stico, estr\u00e9ia Sai de Baixo, que traz de volta \u00e0 televis\u00e3o brasileira o que os americanos tamb\u00e9m gostam muito e chamam de sitcom, a com\u00e9dia de situa\u00e7\u00e3o gravada no teatro e com plat\u00e9ia.<\/blockquote>\nNa verdade, o programa mistura procedimentos inspirados nos lazzi da commedia dell\u0092arte, seu encadeamento passa pela com\u00e9dia de costumes, tem tipos fixos como na com\u00e9dia de caracteres e seu ritmo \u00e9 definido pela sucess\u00e3o de cenas fomen\u00adtadas por entradas e sa\u00eddas pr\u00f3prias do vaudeville, al\u00e9m de travestimentos, apari\u00e7\u00f5es e ocultamentos.\n\nA m\u00e1scara da com\u00e9dia cl\u00e1ssica se ajusta ao molde das perso\u00adnagens. Estereotipadas, de f\u00e1cil identifica\u00e7\u00e3o, fundamen\u00adtam seus conflitos em a\u00e7\u00f5es facilmente reconhec\u00edveis.\n\nComo as m\u00e1scaras da commedia dell\u0092arte, as personagens perseguem id\u00e9ias fixas. Se Arlequim luta pela sobreviv\u00eancia diante das normas impostas, o porteiro Ribamar, como Arlequi\u00adno, origin\u00e1rio de B\u00e9rgamo, vem de outra regi\u00e3o, do nordeste brasileiro. Sua alteridade faz-se por um par feminino. Colombina \u00e9 modelo de soubrette, a criadinha brejeira, um papel inicialmente defendido por Cl\u00e1udia Jimenez, que passou por Ilana Kaplan e hoje \u00e9 interpretado por M\u00e1rcia Cabrita.\n\nO n\u00facleo dos criados, em eterna \u0093luta de classes\u0094 com seus pa\u00adtr\u00f5es, estabelece sua alteridade frente a uma burguesia decadente.\n\nExatamente como o p\u00fablico adorava no tempo da Fam\u00edlia Trapo, que consagrou o Bronco, de Ronald Golias, em torno de quem giravam as aventuras da parentada que estreou na Record em 65. Embora sem p\u00fablico e gravado em est\u00fadio, foi com essas mesmas caracter\u00edsticas que A grande fam\u00edlia tamb\u00e9m emplacou na Globo, na d\u00e9cada de 70.\n\nVav\u00e1 \u0096 Vanderlei Matias, desempenhado pelo ator Luiz Gustavo \u0096 que, no alvorecer da TV brasileira, fez a personagem Beto Rockfeller \u0096 \u00e9 um representante da velha ordem. Como Pantaleone, da commedia dell\u0092arte, \u00e9 um comerciante na pres\u00adta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os; Vav\u00e1 atua no ramo do turismo, sendo dono da Vav\u00e1 Tours; e \u00e9 um atravessador. Este Pantaleone tupiniquim vive, como o Brasil, um momento de grande crise. Da mesma forma que seu ancestral italiano, Vav\u00e1 \u00e9 s\u00f3, e busca uma cara-metade. No primeiro epis\u00f3dio da s\u00e9rie, a personagem tenta arru\u00admar uma namorada sem conseguir seu intento. Sua grande pre\u00ado\u00adcupa\u00e7\u00e3o \u00e9 o dinheiro.\n\nSua companhia feminina, de faixa et\u00e1ria semelhante, \u00e9 sua irm\u00e3, Cassandra, que re\u00fane, na personagem, a estereotipia de ser mulher, vi\u00fava, solit\u00e1ria e pensionista do Brigadeiro Sal\u00e3o. Cas\u00adsan\u00addra e Vav\u00e1 representam o poder econ\u00f4mico, ainda que decadente. A oposi\u00e7\u00e3o de Cassandra \u00e0 empregada \u00e9 um tra\u00e7o caracter\u00edstico da luta travada entre patr\u00f5es e empregados. Como m\u00e3e de Magda e sogra do escroque Caco Antibes, ela est\u00e1 em constante atrito com o genro, que a chama de \u0093cascacu\u0094 (literal\u00admente, duas cobras em uma).\n\nResta, agora, a conforma\u00e7\u00e3o da tipologia dos enamorados. Numa corrup\u00e7\u00e3o das personagens, a moderniza\u00e7\u00e3o apresenta-se de forma marcante. Caco Antibes conserva a prepot\u00eancia do patr\u00e3o sem dinheiro, que representa o filho da classe dominante. Um retrato do nobre que Carlo Goldoni vai imortalizar, ao tentar roteirizar a commedia dell\u0092arte. Caco tem a alma do milan\u00eas, superior e afetada, e, ainda que falido, mant\u00e9m a pose de uma aristocracia, que v\u00ea, no trabalho, um desprest\u00edgio; e no trabalhador, um escravo. Assim, seu discurso contra a pobreza parte de uma imagem colonizada, em que ser pobre \u0093\u00e9 uma doen\u00e7a\u0094 e n\u00e3o uma condi\u00e7\u00e3o social. Como classe dominante, Caco se mant\u00e9m pela rela\u00e7\u00e3o com Magda, filha de Cassandra e sobrinha de Vav\u00e1.\n\nComo uma enamorada moderna, a personagem, vivida pela atriz Marisa Orth, tem sua ingenuidade apaixonada original trocada pela \u0093burrice\u0094 moderna.\n\nFormatada como BBG \u0096 Bonita, Burra e Gostosa \u0096 Magda \u00e9 moeda-de-troca na rela\u00e7\u00e3o com Caco Antibes que, por sua vez, atua na f\u00f3rmula BGS \u0096 Bonito, Gostoso e Safado.\n\nSe os doutores e advogados da commedia dell\u0092arte desper\u00adtavam o riso por seu latim macarr\u00f4nico, Magda o faz num discur\u00adso semelhante. A altera\u00e7\u00e3o de sentidos, alitera\u00e7\u00f5es, paro-no\u00adm\u00e1sias, conjun\u00e7\u00e3o de diferentes ditados populares ou troca de palavras em m\u00e1ximas surgem como elementos b\u00e1sicos da express\u00e3o da \u0093burrice\u0094 da personagem, despertando o riso pelo nonsense.\n\nMagda suscita erotismo pelo corpo bem torneado de Marisa Orth e o riso pela ignor\u00e2ncia cr\u00f4nica da personagem. Suas frases, ditas de maneira angelical, revelam, pelo riso provocador, o pre\u00adcon\u00ad\u00adceito contra a mulher bonita e burra. Dito popular como \u0093Quem com ferro fere, com ferro ser\u00e1 ferido\u0094 passa a ser citado como \u0093Quem com ferro fere, tanto bate at\u00e9 que fura\u0094. \u0093Chutar o pau da barraca\u0094 foi substitu\u00eddo por \u0093Chupar o pau da barraca\u0094; \u0093Abrir a janela para arejar o ambiente\u0094 virou \u0093Abrir a janela para farejar o ambiente\u0094.\n\n<strong>Assim, a personagem tem uma s\u00e9rie de falas como:<\/strong>\n<blockquote>\u0096Estou lendo um livro de Milkshakespeare, Julieu e Romi\u00adseta.\n\u0096H\u00e1 malas que v\u00eam para o bem.\n\u0096Matar dois coelhos com uma caixa d\u0092\u00e1gua s\u00f3.\n\u0096Inclua-me fora dessa&#8230;\n\u0096O pior cego \u00e9 aquele que n\u00e3o quer andar&#8230;<\/blockquote>\nO riso nasce dessas confus\u00f5es, provocado sempre pela revers\u00e3o do sentido da m\u00e1xima ou pela altera\u00e7\u00e3o de frases consensuais, de dom\u00ednio p\u00fablico. <strong>A cada deslize de Magda, corresponde o bord\u00e3o dito por Caco Antibes:<\/strong> \u0093\u0096 Cala a boca, Magda!\u0094\n\nO porteiro Ribamar tem, vez por outra, o desempenho que caracteriza o lazzi, um n\u00famero que surge do improviso, mas que \u00e9 preparado com arte. O artif\u00edcio nasce de uma placa met\u00e1lica que a personagem tem implantada no c\u00e9rebro e que capta falas de personagens reais, como o cantor Roberto Carlos ou o Presidente Fernando Henrique.\n\nTrata-se de uma oportunidade para que o humorista Tom Cavalcante possa exibir seus m\u00e9ritos de imitador de vozes conhe\u00adcidas. Isso acontecer\u00e1 com diferentes personagens, permitindo aos atores mostrarem facetas de um talento especializado.\n\nUma nota diferencial ao programa ser\u00e1, tamb\u00e9m, dada por convidados que, por sua notoriedade, oferecem demonstra\u00e7\u00e3o de seu virtuosismo, de resto, j\u00e1 revelado ao p\u00fablico. Neste fil\u00e3o, Laura Cardoso figura como m\u00e3e de Edileusa; Rodrigo Santoro, como jovem namorado de Cassandra; Dercy Gon\u00e7alves, como m\u00e3e de Vav\u00e1 e de Cassandra; Lima Duarte, no papel de Anjo-da-Guarda de Caco ou do Encanador Joca; Alexandre Frota, como um mafioso; enfim, uma seq\u00fc\u00eancia sempre din\u00e2mica.\n\nAl\u00e9m disso, existe a variante do travestimento. Os atores interpretam pap\u00e9is femininos, como Ribamar em algumas apresenta\u00e7\u00f5es, ou Falabella vivendo a M\u00e3e de Caco Antibes. Um retorno \u00e0s metamorfoses do velho Arlequim que, para enganar seus oponentes, \u00e9 capaz de se transformar em tipos femininos.\n\nO toque de contemporaneidade est\u00e1 na tecnologia. O filho de Caco Antibes com Magda \u00e9 um boneco animado eletronica\u00admen\u00adte. Aparece, apenas, como uma curiosidade da era da inform\u00e1tica. Mexe com os p\u00e9s, as m\u00e3os e a cabe\u00e7a; fala resga\u00adtando os velhos bonecos de ventr\u00edloquos sentados no colo de seus manipuladores.\n\nO boneco de cinco quilos foi destaque em 1999. Dublado por M\u00e1rio Jorge, ao vivo, entrou no jogo do \u0093caco\u0094 teatral e atingiu o p\u00fablico infantil.\n\nEntretanto, depois de alguns epis\u00f3dios, contracena com o ator infantil Lucas Hornos, um menino paulistano, que participa do espet\u00e1culo como sobrinho de Neide, a empregada, na inter\u00adpre\u00adta\u00e7\u00e3o de M\u00e1rcia Cabrita. Por motivos contratuais, o boneco sai pouco antes do Dia da Crian\u00e7a e \u00e9, ent\u00e3o, substitu\u00eddo por Lucas Hornos, que ganha o papel de Caco Jr, gra\u00e7as ao pico de 37% de audi\u00eancia registrados pelo Ibope quando de sua participa\u00e7\u00e3o.\n\n<strong>No Final das Contas<\/strong>\n\nComo os velhos saltimbancos da Piazza de San Marco, os atores de \u0093Sai de Baixo\u0094 apresentam suas hist\u00f3rias delimitadas por tipos fixos. Resgatando o encontro direto com o p\u00fablico, ainda que interrompido por pausas para clareamento de cenas, regrava\u00e7\u00f5es ou outros acertos de ilumina\u00e7\u00e3o, permitem aos atores de um ve\u00edculo mediado a ligeira impress\u00e3o de que est\u00e3o participando de um espet\u00e1culo ao vivo.\n\nVendem produtos, como os comediantes italianos faziam com rem\u00e9dios, usam de uma certa liberdade criativa e d\u00e3o a im\u00adpres\u00ads\u00e3o de que est\u00e3o morrendo de rir, embora, muitas vezes, a harmonia das velhas companhias n\u00e3o esteja presente entre o elenco. A \u0093grande fam\u00edlia\u0094 \u00e9, vez por outra, subvertida por brigas internas que passam pela disputa pelo brilho f\u00e1cil. A cada momento, a imprensa deixa vazar, no notici\u00e1rio, uma guerra de plumas, como a que causou, h\u00e1 tempos, a sa\u00edda de Cl\u00e1udia Jimenez e de Tom Cavalcante.\n\nAnunciado para 2000, o novo cen\u00e1rio do programa ser\u00e1 a mudan\u00e7a do espa\u00e7o privado do apartamento para o espa\u00e7o p\u00fablico do bar. Depois de cinco anos, Sai de Baixo passar\u00e1 por uma remodelagem total. No Bar do Vav\u00e1, as personagens passar\u00e3o a trabalhar. O novo cen\u00e1rio resgata, com o fluxo da fre\u00adgue\u00adsia, a din\u00e2mica da velha pra\u00e7a que domina a commedia dell\u0092arte e, ainda hoje, est\u00e1 viva na televis\u00e3o brasileira.\n\nMas o que importa \u00e9 o resgate de toda uma saga de humor, que se faz vindo de priscas eras, estabelecendo uma ponte entre a comunica\u00e7\u00e3o mediatizada da TV e a aura de um trabalho fundado no hic et nunc do teatro. <strong>Mais do que estas lutas intem\u00adpestivas de camarim, \u00e9 necess\u00e1rio saber que:<\/strong> o importante n\u00e3o \u00e9 competir, \u00e9 fazer rir. At\u00e9 mesmo quando se tenha de \u0093matar dois coelho com uma caixa d\u0092\u00e1gua s\u00f3\u0094. Mas isso pode ser uma \u0093uma faca de dois legumes\u0094.\n<blockquote>\u0093\u0096 Cala a boca, Magda!\u0094<\/blockquote>\n<strong>Jos\u00e9 Luiz Ribeiro<\/strong>\n\n<strong>Bibliografia<\/strong>\n\nALBERTI, Verena. O riso e o ris\u00edvel. Rio de Janeiro: Jorge Zahar ed.\/ Ed. FGV, 1999.\nARIST\u00d3TELES. Arte ret\u00f3rica e arte po\u00e9tica. Intr. e notas de Jean Voilquin e Jean Capelle. Trad. Ant\u00f4nio Pinto de Carvalho. Rio de Janeiro: Edi\u00e7\u00f5es de Ouro, 1966.\nBERGSON, Henri. O riso: ensaio sobre a significa\u00e7\u00e3o do c\u00f4mico. Rio de Janeiro: Zahar, 1983.\nD\u0092AMICO, Silvio. Storia del teatro: dal Rinascimento al Romanticismo. v. 2. Milano: Garzanti, 1950.\nTHOMPSON, John B. A m\u00eddia e a modernidade: uma teoria social da m\u00eddia. Trad. Wagner de Oliveira Brand\u00e3o. Rev. da trad. Leonardo Avritzer. Petr\u00f3polis: Vozes, 1998.\n\nFonte: www.ufjf.br\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Humor na Televis\u00e3o, Riso, Com\u00e9dia, T\u00e9cnica, C\u00f4mico, Brasileira, P\u00fablico, Origem, Programas, Tipos, Import\u00e2ncia, Humor na Televis\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[57],"tags":[],"class_list":["post-21483","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-historia-geral"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Humor na Televis\u00e3o - Portal S\u00e3o Francisco<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"noindex, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"en_US\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Humor na Televis\u00e3o - 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