{"id":21428,"date":"2016-01-06T00:00:00","date_gmt":"2016-01-06T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/carrapato-2\/"},"modified":"2026-09-01T15:38:51","modified_gmt":"2026-09-01T15:38:51","slug":"carrapato-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/biologia-2\/carrapato-2\/","title":{"rendered":"Carrapato"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Carrapatos<\/strong> s\u00e3o pequenos, artr\u00f3podes sugadores de sangue      relacionados com aranhas, \u00e1caros e escorpi\u00f5es.<\/p>\n   \n<p><strong>H\u00e1 quatro est\u00e1gios para o ciclo de vida de um carrapato:<\/strong>      ovo, larva, ninfa e adulto. As larvas, ninfas e adultos todos s\u00f3 se alimentam      uma vez em cada etapa. O ciclo de vida inteiro dura cerca de 2 anos.<\/p>\n   \n<p>O <strong>carrapato<\/strong> \u00e9 muitas vezes confundido como um inseto, mas      \u00e9 na verdade um pequeno aracn\u00eddeo. Carrapatos s\u00e3o parasitas externos (ectoparasitas)      que se alimentam do sangue de mam\u00edferos, aves, alguns r\u00e9pteis e anf\u00edbios.    <\/p>\n   \n<p>Usando seus palpos ele escolhe o ponto preciso onde ele ir\u00e1 perfurar a pele.      O quel\u00edceras proteger o hypostome, o seu tubo de alimenta\u00e7\u00e3o. <\/p>\n   \n<p>O hipostoma para tr\u00e1s farpado penetra na pele, produzindo uma pequena escava\u00e7\u00e3o      onde o sangue pode sair. As farpas torna-o dif\u00edcil de remover o carrapato.    <\/p>\n   \n<p>Uma subst\u00e2ncia tipo cola a partir de suas gl\u00e2ndulas salivares prende firmemente      a sua conex\u00e3o com a pele. A saliva atua como um anest\u00e9sico local e como um      anticoagulante.<\/p>\n   \n<h4>Carrapatos &#8211; Esp\u00e9cies<\/h4>\n   \n<p>Os<strong> carrapatos<\/strong> s\u00e3o os mais inconvenientes de todos, causam      les\u00f5es e coceiras, atacam o homem, s\u00e3o feios e desagrad\u00e1veis e transmitem      doen\u00e7as graves, o combate efetivo \u00e9 importante e nem sempre f\u00e1cil.<\/p>\n   \n<p>Geralmente t\u00eam a forma oval, e quando em jejum s\u00e3o planos no sentido dorso-ventral,      por\u00e9m quando repletos de sangue de seus hospedeiros, pois \u00e9 o sangue seu alimento,      apresentam-se ent\u00e3o convexos e at\u00e9 esf\u00e9ricos.<\/p>\n   \n<p>Algumas esp\u00e9cies podem ter at\u00e9 25 mm de di\u00e2metro, e sua carapa\u00e7a quitinosa      de revestimento, verdadeiro exo-esqueleto, \u00e9 firme e resistente, relativamente      \u00e0 sua pouca espessura. As f\u00eameas adultas podem colocar de 2000 a 8000 ovos,      que eclodem em 2 a 7 semanas, as larvas se alimentam por 3 a 12 dias e ent\u00e3o      caem do hospedeiro, ficando no ambiente por 6 a 90 dias.<\/p>\n   \n<p>Os adultos tem em m\u00e9dia 19 meses de dura\u00e7\u00e3o de vida. Se o complicado ciclo      de vida for interrompido, o carrapato pode sobreviver longos per\u00edodos ou hibernar      no inverno, e o ciclo pode se estender por 2 a 3 anos.<\/p>\n   \n<p>Algumas esp\u00e9cies permanecem toda vida adulta sobre seus hospedeiros, e por      isso classificados como parasitas permanentes, outros abandonam-no ap\u00f3s haverem      sugado sangue e ent\u00e3o s\u00e3o classificados como parasitas tempor\u00e1rios, melhor      dizendo, ecto-parasitas tempor\u00e1rios, pois vivem na cobertura pilosa dos mam\u00edferos,      seus hospedeiros, apenas parte de seus ciclos biol\u00f3gicos de vida.<\/p>\n   \n<p><strong>O aparelho bucal do carrapato leva a intensa rea\u00e7\u00e3o inflamat\u00f3ria      no local da picada e a saliva pode causar a paralisia do carrapato, mas o      mais preocupante s\u00e3o as doen\u00e7as disseminadas pelo carrapato e as mais importantes      s\u00e3o:<\/strong> a babesiose, a erlichiose, a tularemia e a anaplasmose.<\/p>\n   \n<p>A a\u00e7\u00e3o t\u00f3xica causada pela natureza da saliva dos carrapatos, que para sugarem      sangue por assim dizer injetam sua pr\u00f3pria saliva no ponto em que introduzem      seu aparelho sugador, para impedir a coagula\u00e7\u00e3o do sangue de suas v\u00edtimas,      e essa saliva muitas vezes pode causar a\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas irritante como tamb\u00e9m      t\u00f3xica ou al\u00e9rgica.<\/p>\n   \n<p>A a\u00e7\u00e3o patog\u00eanica, conseq\u00fcente \u00e0 possibilidade que existe de se encontrarem      infectados por agentes outros causadores de enfermidades, tais como v\u00edrus,      riquetzias, etc e ent\u00e3o transmitirem junto \u00e0 picada tamb\u00e9m outras mol\u00e9stias.      Concomitantemente ao parasitismo por carrapatos, evidencia-se uma imunidade      espec\u00edfica nos animais atacados, estando os animais velhos mais protegidos      que os jovens.<\/p>\n   \n<p>Normalmente a infec\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 cr\u00f4nica e n\u00e3o causa grandes problemas exceto      quando o animal \u00e9 submetido a stress ou imunosupress\u00e3o, quando ela se manifesta      de forma aguda.<\/p>\n   \n<p><strong>Os principais sinais s\u00e3o:<\/strong><\/p>\n   \n<blockquote>      \n<p>Anemia hemol\u00edtica,<br \/>\n       Febre, letargia e inapet\u00eancia,<br \/>\n       Mucosas p\u00e1lidas,<br \/>\n       Urina escura (marrom),<br \/>\n       Esplenomegalia (aumento do ba\u00e7o) e ocasionalmente hemoglobin\u00faria secund\u00e1ria        a ruptura de ..eritr\u00f3citos.<br \/>\n       N\u00f3dulos linf\u00e1ticos aumentados tamb\u00e9m podem ser notados, ..especialmente        se infec\u00e7\u00e3o tiver a presen\u00e7a de outro parasito, a Ehrlichia canis.<\/p>\n   <\/blockquote>\n   \n<h4><strong>Doen\u00e7as e Sintoma<\/strong><\/h4>\n               \n<table border=\"0\" cellpadding=\"0\" cellspacing=\"1\" width=\"50%\" bgcolor=\"#000000\">\n<tr>\n<td width=\"27%\" bgcolor=\"#FFFFCC\"><strong>Babesiose<\/strong><\/td>\n           \n<td colspan=\"2\" width=\"68%\" bgcolor=\"#FFFFFF\" bordercolor=\"#FFCC00\">Falta de apetite, febre, apatia. Pode ocorrer no              homem.<\/td>\n         <\/tr>\n<tr>\n<td bgcolor=\"#FFFFCC\"><strong>Erliquiose<\/strong><\/td>\n           \n<td colspan=\"2\" bgcolor=\"#FFFFFF\" bordercolor=\"#FFCC00\">Febre, incha\u00e7o              nas articula\u00e7\u00f5es.Pode ocorrer no homem\u00a0<\/td>\n         <\/tr>\n<tr>\n<td bgcolor=\"#FFFFCC\"><strong>Doen\u00e7a de Lyme<\/strong><\/td>\n           \n<td colspan=\"2\" bgcolor=\"#FFFFFF\">Quando n\u00e3o tratada pode atingir o              sistema nervoso e provocar meningite, paralisia da face, problemas              card\u00edacos e artrites.<br \/>\n<\/td>\n         <\/tr>\n<tr>\n<td bgcolor=\"#FFFFCC\"><strong>Paralisia do carrapato<\/strong><\/td>\n           \n<td colspan=\"2\" bgcolor=\"#FFFFFF\">A Paralisia ascendente.Pode ocorrer              no homem<\/td>\n         <\/tr>\n<\/table>\n      \n<p>At\u00e9 pouco tempo atr\u00e1s era utilizado o ars\u00eanico como carrapaticida, por\u00e9m      devido os acidentes que ocorreram por inc\u00faria na sua aplica\u00e7\u00e3o, foi abandonado      como meio de tratamento. <\/p>\n   \n<p>Hoje, subst\u00e2ncias fosforadas sint\u00e9ticas como o Assuntol, Trolene, Ruelene      e Neguvon s\u00e3o as mais utilizadas como carrapaticidas em todo o mundo.<\/p>\n   \n<p>Para a preven\u00e7\u00e3o dessa parasitose, os meios que melhor tem funcionado, s\u00e3o      as aplica\u00e7\u00f5es sistem\u00e1ticas de carrapaticidas nos animais, quer de imers\u00e3o      quer de aspers\u00e3o ou pulveriza\u00e7\u00e3o. <\/p>\n   \n<p>As aplica\u00e7\u00f5es, devem ter um intervalo caracter\u00edstico, conforme orienta\u00e7\u00e3o      do veterin\u00e1rio, bem como a prescri\u00e7\u00e3o do inseticida a ser utilizado para seu      combate, pelo fato de serem tais animais carn\u00edvoros, e por isso especialmente      sens\u00edveis \u00e0s subst\u00e2ncias sint\u00e9ticas cloradas ou fosforadas usualmente fabricadas      para referida utiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n   \n<p>Deve-se evitar que o animal ingira ou aspire o produto na hora de sua aplica\u00e7\u00e3o,      para n\u00e3o ocorrer intoxica\u00e7\u00f5es muitas vezes graves causadas por tais produtos      quando acidentalmente absorvidos.<\/p>\n   \n<p>Quando a infesta\u00e7\u00e3o for leve, existem no mercado produtos espec\u00edficos para      c\u00e3es e gatos, aplicados na forma de pulveriza\u00e7\u00e3o por todo o corpo do animal      ou diretamente na nuca do mesmo, que n\u00e3o oferecem riscos de intoxica\u00e7\u00e3o ao      animal.<\/p>\n   \n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/carrapato-52.jpg\" alt=\"Carrapato\" width=\"238\" height=\"192\" title=\"Carrapato\" \/><br \/>\n<strong>F\u00eamea de Boophilus microplus. \u00c9 o famoso &#8220;caro\u00e7o de feij\u00e3o&#8221;,      <br \/>\n     \u00e9 um carrapato de bovinos, mas tamb\u00e9m infesta os cavalos. <br \/>\n     Esta f\u00eamea, cheia de sangue e gr\u00e1vida, cai na pastagem e p\u00f5e milhares de ovos      que v\u00e3o originar mais carrapatos<\/strong><\/p>\n   \n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/carrapato-53.jpg\" alt=\"Carrapato\" width=\"329\" height=\"171\" title=\"Carrapato\" \/><br \/>\n<strong>Macho e f\u00eamea do carrapato boophilus microplus<\/strong><\/p>\n   \n<h4>Carrapatos &#8211; <strong>Caracter\u00edsticas <\/strong><\/h4>\n   \n<p>Tamb\u00e9m conhecido como carrapato dos bovinos, \u00e9 com certeza o principal parasita      destes mam\u00edferos, causando in\u00fameros preju\u00edzos \u00e0 atividade pecu\u00e1ria, diminuindo      a qualidade do couro, a produ\u00e7\u00e3o de carne e leite, transmitindo doen\u00e7as e      at\u00e9 a morte do animal parasitado. \u00c1caro que apresenta grande dimorfismo sexual,      com as f\u00eameas bem maiores que os machos.<\/p>\n   \n<p><strong>Habitat: <\/strong>\u00c1reas de pastagens.<\/p>\n   \n<p><strong>Ocorr\u00eancia: <\/strong>Origin\u00e1rio do continente asi\u00e1tico, introduzido      na Am\u00e9rica do Sul por colonizadores ib\u00e9ricos com a importa\u00e7\u00e3o de gado zebu\u00edno      vindo da \u00c1sia. <\/p>\n   \n<p>Ocorre em todo o territ\u00f3rio nacional.<\/p>\n   \n<p><strong>H\u00e1bitos: <\/strong>Parasita. \u00c9 um carrapato monoxeno, ou seja, parasita      um s\u00f3 hospedeiro<\/p>\n   \n<p><strong>Alimenta\u00e7\u00e3o: <\/strong>Hemat\u00f3fago (sangue).<\/p>\n   \n<p><strong>Reprodu\u00e7\u00e3o <\/strong><\/p>\n   \n<p>O ciclo biol\u00f3gico apresenta uma fase parasit\u00e1ria de aproximadamente 21 dias      na qual passa pelos instares de larva, ninfa e adulto, todos em um \u00fanico hospedeiro.<\/p>\n   \n<p>A fase de vida livre inicia-se com a queda das f\u00eameas ingurgitadas e culmina      quando as larvas eclodidas encontram um hospedeiro. Na fase de vida livre,      a f\u00eamea ingurgitada apresenta primeiro um per\u00edodo de pr\u00e9-postura de 3 dias,      morrendo ap\u00f3s a postura. Em temperaturas ao redor de 28 o C e alta umidade      relativa (85%), a postura e a eclos\u00e3o ocorrem em aproximadamente 18 dias.      As larvas rec\u00e9m eclodidas migram para as pontas da vegeta\u00e7\u00e3o onde podem localizar      o hospedeiro pelo odor ou vibra\u00e7\u00f5es. <\/p>\n   \n<p><strong>No hospedeiro, as larvas se fixam em regi\u00f5es corporais prop\u00edcias      para seu desenvolvimento, tais como:<\/strong> posterior da coxa, perineal,      perianal e perivulvar. Ap\u00f3s 7 dias de sua fixa\u00e7\u00e3o ocorre a muda para ninfas      e estas mudam para adultos com marcado dimorfismo sexual em aproximadamente      8 dias. A f\u00eamea, ap\u00f3s o acasalamento, come\u00e7a a alimenta\u00e7\u00e3o at\u00e9 o ingurgitamento      total, que propicia sua queda ao solo, enquanto que o macho permanece no bovino      \u00e0 procura de novas f\u00eameas.<\/p>\n   \n<p><strong>Predadores naturais: <\/strong>Aves<\/p>\n   \n<p><strong>Cuidados<\/strong><\/p>\n   \n<p>Quando for caminhar por uma \u00e1rea infestada, borrife algum inseticida na cal\u00e7a.      Como medida preventiva, coloque a boca da cal\u00e7a para dentro da bota. Sempre      que caminhar em uma \u00e1rea contaminada, vasculhe todo o corpo para retirada      dos carrapatos fixados o mais r\u00e1pido poss\u00edvel. Tomar os cuidados preventivos      necess\u00e1rios na cria\u00e7\u00e3o de bovinos sob a orienta\u00e7\u00e3o de um M\u00e9dico Veterin\u00e1rio.<\/p>\n   \n<h4>Carrapato &#8211; Biologia<\/h4>\n   \n<p><strong>Classe: <\/strong>Arachnida<strong><br \/>\n     Ordem: <\/strong>Acarina<strong><br \/>\n     Nome cient\u00edfico: <\/strong>v\u00e1rios<strong><br \/>\n     Nome vulgar: <\/strong>carrapato, carrapato estrela, carrapato do c\u00e3o, carrapato      do cavalo, micuim.<\/p>\n   \n<p><strong>BIOLOGIA<\/strong><\/p>\n   \n<p>Os<strong> carrapatos <\/strong>s\u00e3o parasitas externos (ectoparasitas) de      animais dom\u00e9sticos, silvestres e do homem. Atualmente, s\u00e3o conhecidas cerca      de 800 esp\u00e9cies de carrapatos em todo o mundo parasitando mam\u00edferos, aves,      r\u00e9pteis ou anf\u00edbios. S\u00e3o considerados como de grande import\u00e2ncia pelo papel      que desempenham como vetores de microrganismos patog\u00eanicos incluindo bact\u00e9rias,      protozo\u00e1rios, rick\u00e9tsias, v\u00edrus, etc; e pelos danos diretos ou indiretos causados      em decorr\u00eancia do seu parasitismo.<\/p>\n   \n<p><strong>Os carrapatos est\u00e3o classificados em duas fam\u00edlias:<\/strong> Ixodidae      e Argasidae. <\/p>\n   \n<p>Os ixodideos, freq\u00fcentemente denominados &#8220;carrapatos duros&#8221;, apresentam      um escudo r\u00edgido, quitinoso, que cobre toda a face dorsal do macho adulto.      Na larva, ninfa e f\u00eamea adulta, estende-se apenas em uma pequena \u00e1rea, permitindo      a dilata\u00e7\u00e3o do abdome ap\u00f3s a alimenta\u00e7\u00e3o. Todos os est\u00e1gios fixam-se em seus      hospedeiros por um tempo relativamente longo para alimentar-se. Neste grupo      est\u00e3o inclu\u00eddos a maioria dos carrapatos de interesse m\u00e9dico-veterin\u00e1rio.<\/p>\n   \n<p>Os <strong>argas\u00eddeos<\/strong>, tamb\u00e9m conhecidos como &#8220;<strong>carrapatos      moles<\/strong>&#8220;, recebem esta denomina\u00e7\u00e3o porque n\u00e3o possuem escudo.      Nesta fam\u00edlia est\u00e3o os carrapatos de aves e os &#8220;carrapatos de c\u00e3o&#8221;.,<\/p>\n               \n<table border=\"0\" cellpadding=\"0\" cellspacing=\"1\" width=\"39%\" bgcolor=\"#000000\">\n<tr>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFCC\" class=\"tabela\"><strong>Tamanho<\/strong><\/td>\n           \n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\" class=\"tabela\">Vari\u00e1vel<\/td>\n         <\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFCC\" class=\"tabela\"><strong>Colora\u00e7\u00e3o<\/strong><\/td>\n           \n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\" class=\"tabela\">Acinzentada<\/td>\n         <\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFCC\" class=\"tabela\"><strong>Reprodu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/td>\n           \n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\" class=\"tabela\">Sexuada<\/td>\n         <\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFCC\" class=\"tabela\"><strong>Alimenta\u00e7\u00e3o<\/strong><\/td>\n           \n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\" class=\"tabela\">Sangue<\/td>\n         <\/tr>\n<\/table>\n      \n<p><strong>ABRIGOS<\/strong><\/p>\n   \n<p>Nos animais, vegeta\u00e7\u00e3o e frestas em paredes e muros.<\/p>\n   \n<p><strong>PREVEN\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n   \n<p>Dependem do tipo da fase do carrapato e do local onde se encontram estes      ectoparasitas. A higiene e o monitoramento dos locais onde os carrapatos podem      ser encontrados \u00e9 sempre importante.<\/p>\n   \n<p>Manter o gramado ou mato aparado pr\u00f3ximo aos locais de cria\u00e7\u00e3o dos animais      e \u00e1reas de circula\u00e7\u00e3o do homem exp\u00f5e os \u00ednstares que est\u00e3o presentes no ambiente      a condi\u00e7\u00f5es adversas levando estas fases \u00e0 morte principalmente por desidrata\u00e7\u00e3o,      al\u00e9m de impedir que roedores que servem como hospedeiros intermedi\u00e1rios escondam-se      ali.<\/p>\n   \n<p>Em \u00e1reas infestadas por carrapatos, como gramado ou pastos, evitar sentar      no solo e expor partes do corpo desprotegidas \u00e0 vegeta\u00e7\u00e3o. Ao entrar nestes      locais, utilizar roupas claras que facilitam a visualiza\u00e7\u00e3o dos ectoparasitas.<\/p>\n   \n<p><strong>DOEN\u00c7AS TRANSMITIDAS E PAT\u00d3GENOS VEICULADOS:<\/strong><\/p>\n   \n<blockquote>      \n<p>Bact\u00e9rias<br \/>\n       Protozo\u00e1rios<br \/>\n       V\u00edrus<br \/>\n       Febre Maculosa<br \/>\n       Doen\u00e7a de Lyme<\/p>\n   <\/blockquote>\n   \n<h4>Carrapato &#8211; <strong>Boophilus microplus<\/strong><\/h4>\n   \n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/carrapato-54.jpg\" alt=\"Carrapato\" width=\"296\" height=\"232\" title=\"Carrapato\" \/><strong><br \/>\n     Carrapato &#8211; Boophilus microplus<\/strong><\/p>\n   \n<p>O <strong>Boophilus microplus <\/strong>suga at\u00e9 2,0 ml de sangue por cada      ciclo de 21 dias. A varia\u00e7\u00e3o de volume de sangue depende do tamanho da tele\u00f3gina.<\/p>\n   \n<p>Rocha &amp; Woels, 1982, descreveram que em animais an\u00eamicos, uma f\u00eamea de      Boophilus microplus suga um volume de sangue bem maior e quanto menos viscoso      o sangue for, determina-se o agravamento do processo an\u00eamico pr\u00e9-existente.<\/p>\n   \n<p>Little, 1963, infestou artificialmente novilhas de ra\u00e7as europ\u00e9ias (Hereford      e Holandesa), com uma m\u00e9dia di\u00e1ria de 50 larvas de Boophilus microplus, onde      ocorreu uma redu\u00e7\u00e3o anual de ganho de peso de 750 g por cada carrapato.<\/p>\n   \n<p>Callow, 1978, relatou que o carrapato e as doen\u00e7as que transmitem s\u00e3o um      grande entrave para o melhoramento de ra\u00e7as leiteiras e de corte importadas      de climas temperados para pa\u00edses de \u00e1reas tropicais, onde altas infesta\u00e7\u00f5es      de Boophilus microplus podem levar esses animais \u00e0 morte.<\/p>\n   \n<p>Portanto o gado mesti\u00e7o europeu x zeb\u00fa, que tem um n\u00edvel de resist\u00eancia moderado      a alto, conforme o seu &#8220;grau de sangue&#8221;, \u00e9 mais resistente quanto      menor for o &#8220;grau de sangue&#8221; europeu. (Oliveira &amp; Alencar, 1990).<\/p>\n   \n<p>Em face disto, deve-se redobrar os cuidados de sanidade quando forem introduzidos      em um rebanho animais com gen\u00f3tipo europeu.<\/p>\n   \n<p><strong>Etiologia<\/strong><\/p>\n   \n<p>O Boophilus microplus (Canestrini, 1887), \u00e9 origin\u00e1rio do continente asi\u00e1tico.<\/p>\n   \n<p>\u00c9 um carrapato monoxeno, ou seja, parasita um s\u00f3 hospedeiro ao contr\u00e1rio      do Amblyomma cajennense e Rhipicephalus sanguineus, que utilizam tr\u00eas hospedeiros      em um ciclo de vida, sendo portanto heteroxenos.<\/p>\n   \n<p>O B. microplus se encontra no continente sul americano desde o s\u00e9culo XVII,      sendo introduzido por colonizadores ib\u00e9ricos (Nu\u00f1es e al, 1982), com a importa\u00e7\u00e3o      de gado zebu\u00edno vindo da \u00c1sia (Walker,1987).<\/p>\n   \n<p>Est\u00e1 distribu\u00eddo por todo o Brasil, estando presente em quase todos os munic\u00edpios      brasileiros, sendo mais frequente nas regi\u00f5es onde o clima seja favor\u00e1vel      para o seu desenvolvimento, como nas regi\u00f5es Sul, Sudeste e Centro &#8211; Oeste.<\/p>\n   \n<p><strong>Sintomas<\/strong><\/p>\n   \n<p><strong>Patog\u00eanese e manifesta\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas<\/strong><\/p>\n   \n<p><strong>Os principais sintomas de uma infesta\u00e7\u00e3o por Boophilus microplus      s\u00e3o:<\/strong><\/p>\n   \n<blockquote>      \n<p>Perda do apetite<br \/>\n       Anemia<br \/>\n       Apatia<br \/>\n       Emagrecimento progressivo<br \/>\n       Alop\u00e9cia<br \/>\n       Dermatite exudativa ou seca<br \/>\n       Baixo desenvolvimento<br \/>\n       Perda da sua atividade produtiva<br \/>\n       Morte<\/p>\n   <\/blockquote>\n   \n<p><strong>Diagn\u00f3stico<\/strong><\/p>\n   \n<p>\u00c9 feito pela visualiza\u00e7\u00e3o dos \u00ednstares do parasito no animal<\/p>\n   \n<p><strong>Profilaxia<\/strong><\/p>\n   \n<p>A profilaxia para controle dos carrapatos, bernes, mosca-dos-chifres e bicheiras,      consiste na tomada de medidas t\u00e9cnicas, pela utiliza\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios sistemas      de aplica\u00e7\u00e3o para uso de medicamentos e medidas de manejo.<\/p>\n   \n<p>Cada parasitose, necessita de uma estrat\u00e9gia de controle diferenciada, em      que o mais importante \u00e9 interromper o seu ciclo de desenvolvimento, para que      assim o n\u00edvel de infesta\u00e7\u00f5es, a frequ\u00eancia dos banhos e os tratamentos sejam      diminu\u00eddos, possibilitando um maior ganho de tempo e expondo menos os parasitos      a uma possibilidade de desenvolvimento de resist\u00eancia.<\/p>\n   \n<p><strong>Tratamento<\/strong><\/p>\n   \n<p>O primeiro produto qu\u00edmico com propriedade acaricida registrado no mundo      foi o Ars\u00eanico, em 1895, mantendo um controle satisfat\u00f3rio dos carrapatos      at\u00e9 1935.<\/p>\n   \n<p>A partir desse ano, apareceram resist\u00eancias aos Arsenicais na Austr\u00e1lia e      \u00c1frica do Sul e em 1948, v\u00e1rios pa\u00edses da A. Latina, inclusive o Brasil, j\u00e1      apresentavam problemas no controle desses parasitos.<\/p>\n   \n<p>Muitos outros produtos qu\u00edmicos com atividade acaricida e inseticida foram      sendo introduzidos, principalmente os Clorados, sendo chamados de inseticidas      de 1\u00aa gera\u00e7\u00e3o, sendo os principais o DDT e o BHC.<\/p>\n   \n<p><strong>Os Clorados, com o passar do tempo, foram apresentando problemas      e consequente substitui\u00e7\u00e3o, como por exemplo:<\/strong><\/p>\n   \n<p>O DDT foi utilizado desde 1946 e nos meados da d\u00e9cada de 50, j\u00e1 existia o      desenvolvimento r\u00e1pido de focos de resist\u00eancia na Austr\u00e1lia e Am\u00e9rica do Sul<\/p>\n   \n<p>Entretanto, em muitos pa\u00edses, o desenvolvimento da resist\u00eancia ao DDT foi      de uma forma mais lenta, ampliando o tempo de uso deste produto, sendo utilizado      com muita frequ\u00eancia at\u00e9 o in\u00edcio da d\u00e9cada de 60<\/p>\n   \n<p>Com o BHC a partir de 1952 j\u00e1 se reportavam resist\u00eancias na Austr\u00e1lia, \u00c1frica      do Sul e alguns pa\u00edses da A. do Sul, aumentando de frequ\u00eancia at\u00e9 1956<\/p>\n   \n<p>A resist\u00eancia do BHC por sua vez, estendeu-se para Toxafeno e Aldr\u00edn<\/p>\n   \n<p>Esses produtos foram logo abandonados e banidos do mercado como os clorados      (DDT, BHC)<\/p>\n   \n<p>Com o aparecimento dos acaricidas e inseticidas de 2\u00aa Gera\u00e7\u00e3o, como os Fosforados      em 1956 e os Carbamatos em 1960, o controle dos \u00e1caros e insetos estabilizou-se,      por\u00e9m em 1963, os carrapatos j\u00e1 apresentavam resist\u00eancia aos Fosforados, com      detec\u00e7\u00e3o dos primeiros focos na Austr\u00e1lia e em 1965 j\u00e1 se detectaram focos      na Am\u00e9rica do Sul, no Brasil e na Argentina.<\/p>\n   \n<p>Os Carbamatos (Carbaril) por serem mais t\u00f3xicos e de curto espectro de a\u00e7\u00e3o,      foram substitu\u00eddos gradativamente pelos Fosforados e atualmente n\u00e3o s\u00e3o utilizado      para controle de carrapatos e principalmente em insetos que apresentaram uma      r\u00e1pida resist\u00eancia a estes compostos qu\u00edmicos.<\/p>\n   \n<p>Os produtos qu\u00edmicos descobertos at\u00e9 ent\u00e3o, al\u00e9m de terem apresentado resist\u00eancia,      se acumulavam no organismo, deixando res\u00edduos que levavam \u00e0 perturba\u00e7\u00f5es fisiol\u00f3gicas      nos animais, como tamb\u00e9m se acumulando no organismo dos humanos, causando      s\u00e9rios problemas de sa\u00fade p\u00fablica.<\/p>\n   \n<p>Um outro inconveniente na utiliza\u00e7\u00e3o de produtos formulados com as bases      qu\u00edmicas de 1\u00aa e 2\u00aa Gera\u00e7\u00e3o, \u00e9 que esta deve ser feita de uma maneira correta,      seguindo as recomenda\u00e7\u00f5es de bula, do fabricante e acompanhamento t\u00e9cnico,      pois erros de dosagens e um tratamento malfeito poder\u00e3o gerar consequ\u00eancias      muito graves, como morte do animal e contamina\u00e7\u00e3o ambiental.<\/p>\n   \n<p>Com os anos come\u00e7aram a aparecer os inseticidas menos t\u00f3xicos e de maior      efic\u00e1cia, como os de 3\u00aa gera\u00e7\u00e3o como as Formamidinas (Amitraz) e os Inibidores      de Crescimento (IGR) no final da d\u00e9cada de 60.<\/p>\n   \n<p>Durante v\u00e1rios anos esses inseticidas acaricidas vinham sendo utilizados      para controle de ectoparasitas artr\u00f3podes dos animais dom\u00e9sticos, mesmo apresentando      restri\u00e7\u00f5es de utiliza\u00e7\u00e3o e at\u00e9 proibi\u00e7\u00f5es de uso em animais produtores de      leite e carne para consumo humano.<\/p>\n   \n<p>At\u00e9 ent\u00e3o, um inseticida perfeito ainda n\u00e3o havia sido descoberto, por\u00e9m      nos \u00faltimos 50 anos, a pesquisa de produtos para sa\u00fade animal evoluiu e preocupados      com as limita\u00e7\u00f5es e a toxicidade dos inseticidas e acaricidas descobertos,      os cientistas continuaram com as pesquisas.<\/p>\n   \n<p>Em fun\u00e7\u00e3o do trabalho desenvolvido pelos pesquisadores, na d\u00e9cada de 70 foram      descobertos v\u00e1rios compostos qu\u00edmicos de maior efic\u00e1cia, amplo espectro de      a\u00e7\u00e3o e de maior seguran\u00e7a, que podiam permanecer nos animais tratados com      um baixo potencial de res\u00edduos, sem causarem efeitos colaterais e permitindo      o consumo de carne e leite dos animais tratados.<\/p>\n   \n<p>Assim apareceram os compostos mais modernos, como os Piretr\u00f3ides (1973) e      as Lactonas Macroc\u00edclicas (1975), constituindo-se ambos em um grande passo      para o controle das principais pragas que acometem os animais dom\u00e9sticos.<\/p>\n   \n<p>Os Piretr\u00f3ides (Permetrina, Cipermetrina, Alfacipermetrina, Deltametrina)      e as Lactonas Macroc\u00edclicas (Milbemycinas e Avermectinas), se posicionaram      de uma maneira tal, que se tornaram os antiparasit\u00e1rios de elei\u00e7\u00e3o para o      controle dos principais ecto e endoparasitos, como carrapatos, moscas, sarnas,      piolhos e os vermes redondos gastrintestinais e pulmonares (Avermectinas).<\/p>\n   \n<p>Estes compostos qu\u00edmicos est\u00e3o dispon\u00edveis em v\u00e1rias formula\u00e7\u00f5es e com custos      atraentes, com m\u00e1xima efic\u00e1cia e residualidade, proporcionando a redu\u00e7\u00e3o do      espa\u00e7amento entre tratamentos e minimizando assim a possibilidade do aparecimento      de focos de resist\u00eancia, pela diminui\u00e7\u00e3o da press\u00e3o exercida sobre os parasitos      de uso de acaricidas e inseticidas.<\/p>\n   \n<p><strong>V\u00e1rios sistemas de combate e controle dos ectoparasitos s\u00e3o utilizados      no Brasil:<\/strong><\/p>\n   \n<p><strong>Indiretamente pelo uso de estrat\u00e9gias de controle<\/strong><\/p>\n   \n<p><strong>Diretamente pelo uso de antiparasit\u00e1rios, com as seguintes caracter\u00edsticas:<\/strong><\/p>\n   \n<blockquote>      \n<p>Forte atividade acaricida e inseticida<br \/>\n       Excelente persist\u00eancia de a\u00e7\u00e3o<br \/>\n       Baix\u00edssima toxicidade para o homem e animais<br \/>\n       Degrada\u00e7\u00e3o satisfat\u00f3ria no meio ambiente <\/p>\n   <\/blockquote>\n   \n<h4><strong>CARRAPATO BOOPHILUS MICROPLUS<\/strong><\/h4>\n   \n<blockquote>      \n<p><strong>Reino<\/strong> Metazoa<br \/>\n<strong>Filo<\/strong> Arthropoda<br \/>\n<strong>Sub-Filo<\/strong> Chelicerata<br \/>\n<strong>Classe<\/strong> Arachnida<br \/>\n<strong>Sub-classe<\/strong> Acari<br \/>\n<strong>Super Ordem <\/strong>Parasitiformes<br \/>\n<strong>Ordem<\/strong> Ixodida<br \/>\n<strong>Sub-ordem <\/strong>Metastigmata<br \/>\n<strong>Fam\u00edlia <\/strong>Ixodidae<br \/>\n<strong>Grupo<\/strong> Metastriata<br \/>\n<strong>Sub-fam\u00edlia<\/strong> Rhipicephalinae<br \/>\n<strong>G\u00eanero <\/strong>Boophilus<br \/>\n<strong>Esp\u00e9cie <\/strong>Boophilus microplus<\/p>\n   <\/blockquote>\n   \n<p>A <strong>sub-classe Acari<\/strong>, da classe Arachnida, \u00e0 qual pertencem      os carrapatos e outros \u00e1caros \u00e9 um grupo muito heterog\u00eaneo, apresentando grande      diversidade de h\u00e1bitos e habitats (GUIMAR\u00c3ES et al, 2001). Os carrapatos,      particularmente, pertencem a ordem Ixodida.<\/p>\n   \n<p><strong>Esta ordem pode ser dividida em tr\u00eas fam\u00edlias:<\/strong> Argasidae,      Nuttalliellidae e Ixodidae.<\/p>\n   \n<p>Os <strong>exemplares de Boophilus<\/strong> agrupam-se em cinco esp\u00e9cies,      sendo a mais difundida e \u00fanica encontrada no Brasil Boophilus microplus (CANESTRINI).    <\/p>\n   \n<p><strong>Seu nome, do grego, significa:<\/strong> Boo = boi, philus = \u0093amigo\u0094,      microplus = menor, ou seja o \u0093menor amigo do boi\u0094.<\/p>\n   \n<h4><strong>Distribui\u00e7\u00e3o <\/strong><\/h4>\n   \n<p>O <strong>B. microplus<\/strong> \u00e9 um<strong> carrapato<\/strong> com ampla      distribui\u00e7\u00e3o mundial, estando presente na faixa contida entre os paralelos      32\u00b0 N e 32\u00b0 S. O carrapato bovino tem destacada import\u00e2ncia nos pa\u00edses da      Am\u00e9rica Latina, \u00c1frica e Oceania. No Brasil, esse carrapato foi introduzido      com o gado trazido pelos primeiros colonizadores e atualmente encontra-se      distribu\u00eddo em quase todos os estados.<\/p>\n   \n<p><strong>Segundo CANESTRINI (apud GUIMAR\u00c3ES et al, 2001), o Boophilus microplus      \u00e9 descrito da seguinte maneira:<\/strong><\/p>\n   \n<p><strong>Morfologia<\/strong><\/p>\n   \n<p>Corpo relativamente pequeno, indiv\u00edduos adultos, n\u00e3o ingurgitados alcan\u00e7am      freq\u00fcentemente 2 a 3 mm de comprimento, sem ornamenta\u00e7\u00f5es. Cap\u00edtulo (ou gnatossoma,      ou cabe\u00e7a falsa, situado antero-dorsalmente) hexagonal dividido em base do      cap\u00edtulo, hipost\u00f4mio (prolongamento da parede ventral do cap\u00edtulo que cont\u00e9m      os dentes curvos), quel\u00edceras (dilacera\u00e7\u00e3o dos tecidos e fixa\u00e7\u00e3o ao hospedeiro)      e palpos (ap\u00eandices pares, situados lateralmente ao hipost\u00f4mio, bem vis\u00edveis)      . Aparelho bucal curto, hipost\u00f4mio mais longo que os palpos. Placas espiraculares      circulares. Sulco retal e fest\u00f5es ausentes. Machos com quatro placas adanais      longas e distintas, com corpo terminando em uma ponta aguda. Nas f\u00eameas o      corpo termina normalmente arredondado.<\/p>\n   \n<p><strong>Biologia<\/strong><\/p>\n   \n<p>Carrapato de um s\u00f3 hospedeiro. <\/p>\n   \n<p><strong>Seu desenvolvimento se completa em duas fases:<\/strong> fase parasit\u00e1ria      que ocorre sobre os bovinos, e fase de vida livre, em que o carrapato, completa      o ciclo no solo, ap\u00f3s abandonar seu hospedeiro. Esp\u00e9cie muito abundante, parasita      predominantemente bovinos e s\u00f3 excepcionalmente ataca o homem.<\/p>\n   \n<p><strong>Fase Parasit\u00e1ria<\/strong><\/p>\n   \n<p>Esta fase come\u00e7a com a subida da larva infestante no hospedeiro. Ap\u00f3s a fixa\u00e7\u00e3o      s\u00e3o denominadas \u0093larvas parasit\u00e1rias\u0094. Estas procuram uma \u00e1rea no      animal para a fixa\u00e7\u00e3o, normalmente em locais abrigados das defesas mec\u00e2nicas      do hospedeiro, tais como, base da cauda, barbela, peito e parte posterior      das coxas. N\u00e3o obstante, o animal se defende com o ato de se lamber, movimentos      da cauda, que s\u00e3o verdadeiras vassouras para as larvas. Junto ao local de      fixa\u00e7\u00e3o aparecem zonas de hiperemia e inflama\u00e7\u00e3o. A larva ap\u00f3s a troca de      cut\u00edcula (metalarva), d\u00e1 origem a ninfa, por volta de 8 a 10 dias (ATHANASSOF,      1953). Esta alimenta-se de sangue, sofre uma muda (metaninfa) , ao redor do      15.\u00ba dia (ATHANASSOF, 1953) e transforma-se em adulto imaturo, neandro (macho)      e ne\u00f3gina (f\u00eamea). <\/p>\n   \n<p>A f\u00eamea ap\u00f3s o acasalamento, come\u00e7a a alimenta\u00e7\u00e3o at\u00e9 o ingurgitamento total,      que propicia sua queda ao solo. Ocasionalmente os machos alimentam-se, por\u00e9m      n\u00e3o ingurgitam de sangue. Eles perambulam pelo corpo do hospedeiro por mais      de dois meses, acasalando as f\u00eameas. A fase parasit\u00e1ria dura aproximadamente      21 dias, na qual o carrapato paasa por todos os est\u00e1gios. Alimentam-se de      linfa, estratos teciduais e plasma. As larvas s\u00e3o hex\u00e1podas e n\u00e3o apresentam      placas espiraculares. As ninfas e os adultos s\u00e3o octopodas e apresentam placas      espiraculares sendo muito semelhantes, distinguindo-se pela ninfa n\u00e3o apresentar      aparelho reprodutor e pelo seu tamanho. (GUIMAR\u00c3ES et al, 2001).<\/p>\n   \n<p><strong>Fase de vida livre<\/strong><\/p>\n   \n<p>A fase de vida livre inicia-se com a queda de f\u00eameas ingurgitadas \u0093tele\u00f3ginas\u0094      e culmina quando as larvas eclodidas encontram o hospedeiro. A tele\u00f3gina ao      desprender-se do animal parasitado, cai no solo em geral na primeira metade      da manh\u00e3, procurando locais abrigados de incid\u00eancia direta de luz solar para      sua ovoposi\u00e7\u00e3o. O per\u00edodo compreendido entre a queda e o in\u00edcio da postura      \u00e9 chamado de pr\u00e9-postura. Em condi\u00e7\u00f5es ideais de temperatura (em torno de      27 \u00baC) a pr\u00e9-postura leva cerca de tr\u00eas dias. Em temperaturas entre 27 e 28      \u00baC e com alata umidade (aproximadamente 80%), a postura e a eclos\u00e3o ocorrem      aproximadamente em 18 dias. A f\u00eamea morre logo ap\u00f3s a postura. Normalmente      uma tele\u00f3gina coloca cerca de 3000 a 4000 ovos estando a ovoposi\u00e7\u00e3o conclu\u00edda      por volta de 12 a 14 dias. <\/p>\n   \n<p>O per\u00edodo m\u00e9dio de incuba\u00e7\u00e3o \u00e9 de aproximadamente 25 dias. Em condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas      favor\u00e1veis, uma semana depois da ovoposi\u00e7\u00e3o inicia-se a eclos\u00e3o das larvas      que, dependendo da \u00e9poca da \u00e9poca do ano pode levar de 6 semanas at\u00e9 6 meses.      As larvas rec\u00e9m eclodidas migram para as folhas mais altas, onde podem localizar      o hospedeiro pelo odor ou vibra\u00e7\u00f5es. Nesta fase, elas se tornam \u0093larvas      infestantes\u0094. Ap\u00f3s 3 a 5 dias da eclos\u00e3o, elas se tornam amarelo-avermelhadas,      medindo cerca de 0,7 por 0,5 mm. <\/p>\n   \n<p>As larvas nas pastagens apresentam geotropismo negativo e fototropismo positivo      \u00e0 intensidade moderada de luz. Sua longevidade depende da temperatura e da      umidade relativa, sendo que o calor acelera o metabolismo. \u00c0 medida que aumenta      sua idade fisiol\u00f3gica, elas v\u00e3o perdendo sua capacidade infestante. Na vegeta\u00e7\u00e3o,      as larvas ficam agrupadas, evitando desse modo a perda de umidade e protegendo-se      da incid\u00eancia direta dos raios solares, aguardando a passagem do hospedeiro.      Podem permanecer nestes locais, por mais de 8 meses, at\u00e9 que um animal adequado      seja encontrado. O per\u00edodo de atividade das larvas na vegeta\u00e7\u00e3o, ocorre nas      primeiras horas da manh\u00e3 e no final da tarde, quando a temperatura \u00e9 mais      amena.<\/p>\n   \n<p><strong>Import\u00e2ncia Zoot\u00e9cnica<\/strong><\/p>\n   \n<p>Ao picar, o carrapato causa perda de sangue, devido \u00e0 sua a\u00e7\u00e3o hemat\u00f3faga,      influenciando no ganho de peso, no estado nutricional e, em conseq\u00fc\u00eancia,      na produ\u00e7\u00e3o, dependendo da intensidade da infesta\u00e7\u00e3o parasit\u00e1ria. A les\u00e3o      causada na pele dos animais pode favorecer o aparecimento de infec\u00e7\u00f5es secund\u00e1rias      como as mi\u00edases cut\u00e2neas. Nossas estimativas sobre os preju\u00edzos causados pelo      B. microplus n\u00e3o s\u00e3o nada animadoras; no RS, por exemplo, os produtores deixam      de arrecadar cerca de 70 milh\u00f5es de d\u00f3lares anualmente somente considerando      a produ\u00e7\u00e3o de carne; os gastos com agroqu\u00edmicos para o controle e profilaxia      do carrapato e de mi\u00edases pode ultrapassar os 190 milh\u00f5es de dol\u00e1res por ano      e por fim o preju\u00edzo anual do parasitismo do B. microplus no Brasil pode alcan\u00e7ar      1,8 bilh\u00f5es de d\u00f3lares\/ano. <\/p>\n   \n<p>A principal forma de controle ainda s\u00e3o os banhos carrapaticidas, por\u00e9m o      crescente surgimento de popula\u00e7\u00f5es deste carrapato resistentes aos acaricidas      dispon\u00edveis no mercado e o aparecimento de res\u00edduos qu\u00edmicos em alimentos      de origem animal demanda o desenvolvimento de abordagens alternativas de controle,      como o uso de vacinas.<\/p>\n   \n<p><strong>Vacinas<\/strong><\/p>\n   \n<p>A partir da necessidade de novos m\u00e9todos de controle do B. microplus o desenvolvimento      de vacinas economicamente vi\u00e1veis para o combate do carrapato torna-se um      desafio um tanto quanto promissor. As vacinas s\u00e3o sem sombra de d\u00favidas o      m\u00e9todo mais eficiente de profilaxia para as mais diversas epidemias, sejam      de doen\u00e7as causadas por microorganismos ou de parasitos. Al\u00e9m de ser um m\u00e9todo      relativamente barato de controle, a vacina\u00e7\u00e3o carrega consigo a vantagem de      n\u00e3o deixar nenhum tipo de res\u00edduo nos alimentos de origem animal. Por\u00e9m, antes      de tudo \u00e9 necess\u00e1rio que se caracterizem ant\u00edgenos vacinais. Para isso torna-se      fundamental um profundo estudo acerca da fisiologia do parasito, bem como      das resposta que o hospedeiro desencadeia no sentido de proteger-se do parasitismo.    <\/p>\n   \n<p>A escolha desses ant\u00edgenos, para o combate de parasitos &#8211; que s\u00e3o organismos      muito mais complexos que bact\u00e9rias, por exemplo &#8211; n\u00e3o \u00e9 aleat\u00f3ria; as mol\u00e9culas      escolhidas para este fim, devem desempenhar algum papel relevante no parasitismo      ou mesmo terem import\u00e2ncia fundamental na manuten\u00e7\u00e3o da vida do parasito.    <\/p>\n   \n<p><strong>Exemplos de poss\u00edveis alvos que sejam respons\u00e1veis por fun\u00e7\u00f5es chave      no parasitismo s\u00e3o:<\/strong> anticoagulantes, antiinflamat\u00f3rios e outras mol\u00e9culas      que modulem a resposta imune do hospedeiro, enzimas digestivas ou respons\u00e1veis      pela embriog\u00eanese. Por outro lado existe ainda a possibilidade de usar-se      mol\u00e9culas consideradas ant\u00edgenos ocultos, ou seja, mol\u00e9culas que n\u00e3o entram      em contato com o sistema imune do hospedeiro, pois estas seriam capazes de      desencadear uma maior resposta imune por n\u00e3o terem sofrido as chamadas evolu\u00e7\u00f5es      adaptativas do parasitismo.<\/p>\n   \n<p>Tamanho dos Diferentes Est\u00e1gios do Carrapato<\/p>\n   \n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/carrapato-57.jpg\" alt=\"Carrapato\" width=\"316\" height=\"171\" title=\"Carrapato\" \/><\/p>\n   \n<p><strong>Tamanho dos Diferentes Est\u00e1gios do Carrapato<\/strong> <\/p>\n   \n<blockquote>      \n<p><strong>1)<\/strong> ovo <br \/>\n<strong>2)<\/strong> larva<br \/>\n<strong>3)<\/strong> parten\u00f3gina<br \/>\n<strong>4)<\/strong> tele\u00f3gina <\/p>\n   <\/blockquote>\n   \n<h4>ASPECTOS RELEVANTES DA BIOLOGIA DO Boophilus microplus <\/h4>\n   \n<p class=\"imagem\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/carrapato-51.jpg\" alt=\"Carrapato\" width=\"264\" height=\"276\" title=\"Carrapato\" \/><br \/>\n     Carrapato &#8211; Boophilus microplus<\/strong><\/p>\n   \n<p><strong>1. INTRODU\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n   \n<p>O<strong> Boophilus microplus<\/strong>, conhecido no Brasil como <strong>carrapato<\/strong>      dos bovinos, \u00e9 um parasita que necessita obrigatoriamente passar uma fase      de sua vida sobre o bovino, ingerindo linfa, substratos teciduais e sangue.      Pertence ao filo Artropoda, classe Aracnida, ordem Acarina, subordem Metastigmata      e superfam\u00edlia Ixodidea, cujos membros, postula-se, desenvolveram-se como      parasitas obrigat\u00f3rios de r\u00e9pteis no final do per\u00edodo paleol\u00edtico ou in\u00edcio      do mesol\u00edtico, em climas quentes e \u00famidos.<\/p>\n   \n<p>Sup\u00f5e-se que quando esses r\u00e9pteis se ramificaram em numerosas formas de vida,      preenchendo nichos aqu\u00e1ticos e terrestres, seus carrapatos mais primitivos      evolu\u00edram em duas principais fam\u00edlias, Argasidae e Ixodidae. A esp\u00e9cie B.      microplus originou-se provavelmente da \u00c1sia, quando mam\u00edferos e p\u00e1ssaros substitu\u00edram      os r\u00e9pteis como vertebrados dominantes, j\u00e1 no per\u00edodo terci\u00e1rio (Hoogstraal,      1985). Adaptou-se perfeitamente ao clima dos pa\u00edses tropicais, onde o calor      e a umidade propiciaram condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis \u00e0 sobreviv\u00eancia e manuten\u00e7\u00e3o      da esp\u00e9cie (Powel &amp; Reid, 1982)\u0094.<\/p>\n   \n<p>O <strong>carrapato dos bovinos<\/strong> \u00e9 um parasita de alta import\u00e2ncia,      produzindo perdas diretas e indiretas pela transmiss\u00e3o de doen\u00e7as e pelo custo      de seu combate. <\/p>\n   \n<p>Ainda hoje apresenta alta incid\u00eancia e preval\u00eancia no Brasil e mesmo em pa\u00edses      desenvolvidos de clima tropical, como a Austr\u00e1lia, pela complexidade dos fatores      envolvidos no seu combate e pelo desconhecimento dos produtores de informa\u00e7\u00f5es      espec\u00edficas necess\u00e1rias \u00e0 ado\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas efetivas de controle em suas      propriedades (Rocha, 1996).<\/p>\n   \n<p>Este boletim pretende fornecer subs\u00eddio para uma vis\u00e3o mais ampla dos fatores      ecol\u00f3gicos que interferem na preval\u00eancia do B. microplus e que devem ser considerados      em um programa de controle.<\/p>\n   \n<p><strong>2. CICLO DE VIDA DO Boophilus microplus<\/strong><\/p>\n   \n<p>O <strong>ciclo de vida do carrapato B. microplus <\/strong>divide-se em fase      de vida livre e fase de vida parasit\u00e1ria. A fase de vida livre inicia-se ap\u00f3s      a queda da tele\u00f3gina ingurgitada com o per\u00edodo de pr\u00e9-postura, que tem, em      m\u00e9dia, dura\u00e7\u00e3o de dois a tr\u00eas dias, podendo se estender a mais de 90, passando,      posteriormente, \u00e0 fase de ovopostura, que dura em torno de 17 a mais de 90      dias e, em seguida, \u00e0 fase de eclos\u00e3o, para a qual s\u00e3o necess\u00e1rios de cinco      a dez dias, podendo, no entanto durar at\u00e9 mais de 100. Ap\u00f3s o nascimento das      neolarvas, \u00e9 necess\u00e1rio um per\u00edodo de quatro a 20 dias para que se tornem      larvas infestantes. Portanto, o tempo de vida livre do carrapato dos bovinos      gira em torno de 28 a 51 dias, podendo se estender a mais de 300 dias. <\/p>\n   \n<p>Al\u00e9m disto as larvas podem ficar mais de seis meses sem se alimentar. Em      condi\u00e7\u00f5es timas de temperatura e umidade, a queda\/ postura\/ eclos\u00e3o tem dura\u00e7\u00e3o      de um m\u00eas (Gonzales, 1974). A fase de vida livre sofre interfer\u00eancias clim\u00e1ticas,      trazendo altera\u00e7\u00f5es nos seus per\u00edodos, que s\u00e3o especialmente afetados pela      umidade e temperatura. A fase de vida parasit\u00e1ria \u00e9 praticamente constante      em todas as regi\u00f5es (Gonzales, 1975).<\/p>\n   \n<p>A fase de vida parasit\u00e1ria inicia-se quando a larva infestante instala-se      no hospedeiro passando a ser larva parasit\u00e1ria e transformando-se em metalarva,      sendo necess\u00e1rios cinco dias, em m\u00e9dia, para esse per\u00edodo, podendo variar      entre tr\u00eas a oito dias.<\/p>\n   \n<p><strong>S\u00e3o necess\u00e1rias v\u00e1rias transforma\u00e7\u00f5es para que o parasito chegue      ao est\u00e1dio adulto, sendo apresentados, a seguir, os seus respectivos per\u00edodos      de dura\u00e7\u00e3o: <\/strong>de metalarva a ninfa (5 a 10 dias, em m\u00e9dia 8); de ninfa      a metaninfa (9 a 23 dias, 13 em m\u00e9dia). Nesta fase, j\u00e1 h\u00e1 diferencia\u00e7\u00e3o entre      os sexos, e a transforma\u00e7\u00e3o de metaninfa para neandro necessita de 18 a 28      dias, com 14 dias em m\u00e9dia, passando a gonandro em 2 dias, permanecendo no      animal por mais de 38 dias. A transforma\u00e7\u00e3o de metaninfa para ne\u00f3gina \u00e9 feita      em torno de 14 a 23 dias, sendo, em m\u00e9dia, de 17 dias, passando \u00e0 parten\u00f3gena      em tr\u00eas dias e \u00e0 tele\u00f3gina em dois dias. O in\u00edcio da queda das tele\u00f3ginas      ocorre no 19o dia da infesta\u00e7\u00e3o, sendo, em m\u00e9dia, entre o 22o e 23o dias (Gonzales,1974).<\/p>\n   \n<p>De forma mais simples, o ciclo do B. microplus para o Brasil-Central \u00e9 descrito      por Furlong (1993). Na fase de vida livre, s\u00e3o necess\u00e1rios em torno de tr\u00eas      dias para a pr\u00e9-postura; de tr\u00eas a seis semanas para a postura; de vinte e      dois a trinta dias para a eclos\u00e3o das larvas e de dois a tr\u00eas dias para o      fortalecimento de suas cut\u00edculas, transformando-as em larvas infestantes.      O autor afirma, ainda, que a cada postura uma f\u00eamea produz de 2000 a 3000      ovos. Na fase parasit\u00e1ria s\u00e3o necess\u00e1rios, em m\u00e9dia, de 18 a 26 dias para      a fixa\u00e7\u00e3o, alimenta\u00e7\u00e3o, troca de cut\u00edcula, fase adulta e acasalamento, assim      como para a alimenta\u00e7\u00e3o, ingurgitamento e queda das f\u00eameas. Os machos permanecem      mais tempo sobre o bovino e se acasalam com outras f\u00eameas.<\/p>\n   \n<p>O ingurgitamento e queda da f\u00eamea do B. microplus s\u00e3o bastante r\u00e1pidos. Demonstrou-se      que, em parte, f\u00eameas ingurgitadas que t\u00eam crescimento de 4-6 mm (10-30 mg),      podem atingir um r\u00e1pido final de ingurgitamento \u00e0 noite, chegando a 8-11 mm      (150-250 mg) e se destacando do animal nas primeiras horas do dia. <\/p>\n   \n<p>Por\u00e9m, os padr\u00f5es de ingurgitamento se diferenciam entre as esta\u00e7\u00f5es, assim      como em bovinos estabulados, sugerindo que este sofre uma influ\u00eancia do ambiente      externo, principalmente de luz e temperatura. A contagem de carrapatos de      4,5 a 8,0 mm de comprimento em um dia, demonstrou fornecer uma confi\u00e1vel estimativa      do n\u00famero de carrapatos ingurgitados caindo no dia seguinte, e tem sido adotada      para a determina\u00e7\u00e3o do n\u00famero de carrapatos nos bovinos(Wharton &amp; Utech,      1970). Segundo Ver\u00edssimo e Oliveira (1994), a contagem de carrapatos na regi\u00e3o      anterior, entre a cabe\u00e7a e a esc\u00e1pula, tem 90,9% de correla\u00e7\u00e3o, simplificando      o m\u00e9todo de Wharton e Utech (1970).<\/p>\n   \n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/carrapato-55.jpg\" alt=\"Carrapato\" width=\"260\" height=\"183\" title=\"Carrapato\" \/><br \/>\n<strong>F\u00eamea<\/strong><\/p>\n   \n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/carrapato-56.jpg\" alt=\"Carrapato\" width=\"266\" height=\"161\" title=\"Carrapato\" \/><br \/>\n<strong>Macho<\/strong><\/p>\n   \n<p><strong>3. HOSPEDEIROS<\/strong><\/p>\n   \n<p><strong>3.1. Diferen\u00e7a de resist\u00eancia entre esp\u00e9cies<\/strong><\/p>\n   \n<p>O hospedeiro preferencial do B. microplus \u00e9 o bovino, sendo que as maiores      infesta\u00e7\u00f5es ocorrem em Bos taurus e as menores em Bos indicus. Ovelha, cavalo,      veado, c\u00e3o, cabra, homem e outros tamb\u00e9m podem ser hospedeiros, mas apenas      em \u00e9pocas de grande infesta\u00e7\u00e3o nas pastagens (Gonzales, 1974).<\/p>\n   \n<p>Estudos do comportamento do B. microplus em infesta\u00e7\u00f5es artificiais (UFRRJ)      e naturais em bovinos, caprinos e eq\u00fcinos (mesti\u00e7os e nascidos no Estado do      Rio de Janeiro) conduzidos em propriedades localizadas nos munic\u00edpios de Itaguai      , Nova Igua\u00e7u e Paracambi, demonstraram que os caprinos e eq\u00fcinos podem ser      hospedeiros do B. microplus, por\u00e9m n\u00e3o com a mesma efici\u00eancia dos bovinos.      No primeiro estudo foram feitas infesta\u00e7\u00f5es artificiais com larvas de origem      bovina e equina, sendo comparadas, posteriormente, n\u00e3o tendo sido poss\u00edvel      obter f\u00eameas ingurgitadas de eq\u00fcinos e caprinos infestados artificialmente.    <\/p>\n   \n<p><strong>Os par\u00e2metros estudados foram:<\/strong> peso das tele\u00f3ginas, per\u00edodo      de pr\u00e9-postura, per\u00edodo de postura, peso da postura, n\u00famero de ovos, \u00edndice      de produ\u00e7\u00e3o de ovos, per\u00edodo de incuba\u00e7\u00e3o, per\u00edodo e percentagem de eclos\u00e3o.      O per\u00edodo de postura e tamb\u00e9m o per\u00edodo de eclos\u00e3o foram significativamente      maiores nas f\u00eameas oriundas de eq\u00fcinos. O percentual de eclos\u00e3o n\u00e3o alterou      significativamente. Todos os outros par\u00e2metros foram significativamente maiores      nas f\u00eameas oriundas de bovinos (Bittencourt et al., 1990), demonstrando um      prolongamento da fase de vida livre e menor produ\u00e7\u00e3o dos carrapatos oriundos      dos eq\u00fcinos.<\/p>\n   \n<p>No segundo estudo feito atrav\u00e9s da infesta\u00e7\u00e3o natural em propriedades que      criavam eq\u00fcinos ou caprinos em conjunto com bovinos, verificou-se que a preval\u00eancia      de B. microplus em eq\u00fcinos foi de 4,1%, e em caprinos de 1,3%. Isso demonstra      que nesta regi\u00e3o estas duas esp\u00e9cies n\u00e3o s\u00e3o hospedeiros alternativos do B.      microplus; por\u00e9m, s\u00e3o capazes de desenvolver pelo menos uma gera\u00e7\u00e3o em equ\u00eddeos      e podem reinfestar bovinos, dando prosseguimento ao ciclo (Bittencourt et      al., 1990).<\/p>\n   \n<p><strong>3.2. Diferen\u00e7as de graus de infesta\u00e7\u00e3o nas diferentes regi\u00f5es do      corpo dos bovinos<\/strong><\/p>\n   \n<p>Os carrapatos n\u00e3o se distribuem de forma homog\u00eanea pelo corpo dos animais      que parasitam; alguns estudos demonstraram as regi\u00f5es dos bovinos mais infestadas.<\/p>\n   \n<p>Atrav\u00e9s de contagens de parten\u00f3genas e tele\u00f3ginas em vacas holandesas preto\/      branco, durante 2 anos, Brum et al. (1987) verificaram que 58,8% dos carrapatos      localizaram-se nas regi\u00f5es da virilha, pata traseira e \u00fabere. Os locais menos      parasitados foram cabe\u00e7a, regi\u00e3o escapular, costelas e flanco, representando      2,8% do total. No pavilh\u00e3o auricular, citado como local de prefer\u00eancia do      B. microplus por Gonzales (1975), n\u00e3o foi encontrado nenhum parasito.<\/p>\n   \n<p>Comparando-se a resist\u00eancia de bovinos de seis graus de sangue holand\u00eas-guzer\u00e1      ao carrapato B. microplus, atrav\u00e9s de contagem no lado esquerdo dos animais,      Oliveira e Alencar (1990) inclu\u00edram no modelo estat\u00edstico os efeitos das regi\u00f5es      corp\u00f3reas (RC). <\/p>\n   \n<p><strong>Para tanto, dividiram o animal em tr\u00eas regi\u00f5es corp\u00f3reas e chegaram      \u00e0 seguinte conclus\u00e3o:<\/strong> o maior n\u00famero de carrapatos foi encontrado      na regi\u00e3o posterior (todo o quarto traseiro), seguida da regi\u00e3o anterior (da      cabe\u00e7a \u00e0 regi\u00e3o por tr\u00e1s da esc\u00e1pula) e finalmente a regi\u00e3o mediana (da p\u00f3s-escapular      pr\u00e9-crural). Houve tamb\u00e9m intera\u00e7\u00e3o entre RC e grupo gen\u00e9tico, sugerindo-se      que a magnitude das diferen\u00e7as entre as regi\u00f5es depende do grupo gen\u00e9tico      do animal.<\/p>\n   \n<p><strong>3.3. Influ\u00eancia da ra\u00e7a bovina na resist\u00eancia ao Boophilus microplus<\/strong><\/p>\n   \n<p>Alguns fatores como sexo, idade, hierarquia e outros, que afetam a resist\u00eancia      dos bovinos aos carrapatos, s\u00e3o discutidos na literatura sendo que um dos      de maior import\u00e2ncia e com grande consenso entre os autores \u00e9 a ra\u00e7a.<\/p>\n   \n<p>V\u00e1rios autores demonstraram a maior resist\u00eancia dos zebu\u00ednos ao carrapato      quando comparados aos taurinos (Villares, 1941; Gonzales, 1975; Moraes et      al., 1986; Oliveira e Alencar, 1990; Oliveira et al., 1989; Utech et al.,      1978; Madalena et al., 1985). Segundo Gonzales (1975), os primeiros a relatarem      tal fato foram Wharton et al. (1970). Esta diferen\u00e7a foi demonstrada inclusive      nos cruzados, sendo que, quanto maior o grau de sangue zebu\u00edno, maior a resist\u00eancia      ao carrapato (Villares, 1941; Oliveira e Alencar, 1990; Lee, 1979; Utech et      al., 1978).<\/p>\n   \n<p>H\u00e1 diferentes explica\u00e7\u00f5es para a diferen\u00e7a da resist\u00eancia entre taurinos      e zebu\u00ednos ao carrapato. Segundo Gonzales (1975), muitos t\u00e9cnicos tentaram      explicar tal caracter\u00edstica, pelo fato dos zebu\u00ednos possu\u00edrem mais gl\u00e2ndulas      seb\u00e1ceas na pele, produzindo odores que afastariam o carrapato, assim como      maior mobilidade geral do animal e de sua pele, o que possivelmente faz com      que se defenda melhor da infesta\u00e7\u00e3o. Ver\u00edssimo (1991) explicou que o sistema      de alimenta\u00e7\u00e3o da larva de B. microplus depende de uma rea\u00e7\u00e3o inflamat\u00f3ria      que se inicia no momento da fixa\u00e7\u00e3o da larva. Os zebu\u00ednos apresentam uma rea\u00e7\u00e3o      inflamat\u00f3ria mais intensa que o gado europeu e seu comportamento sangu\u00edneo      leva-o a proceder a uma autolimpeza mais eficiente, o que contribuiria para      um equil\u00edbrio carrapato\/hospedeiro, sendo, nestes animais, a infesta\u00e7\u00e3o m\u00ednima.      Segundo a autora, n\u00e3o \u00e9 interessante para o parasita matar o hospedeiro, uma      vez que isso afetaria sua pr\u00f3pria sobreviv\u00eancia, comentando que o B. microplus      est\u00e1 bem adaptado ao seu hospedeiro natural, o Bos indicus, mas que o Bos      taurus foi introduzido em \u00e1rea enzo\u00f3tica de B. microplus, desenvolvendo um      problema agudo por causa da sua incapacidade para controlar o n\u00famero de parasitas;      sugerindo inclusive que animais suscept\u00edveis podem morrer caso n\u00e3o sejam banhados      por acaricidas. Moraes et al. (1986) concordam, responsabilizando essa diferen\u00e7a      de resist\u00eancia \u00e0 maior rea\u00e7\u00e3o de hipersensibilidade dos zebu\u00ednos e uma maior      efici\u00eancia no ato de autolimpeza.<\/p>\n   \n<p>Estudos sobre a diferen\u00e7a de resist\u00eancia das ra\u00e7as bovinas europ\u00e9ias, nacionais      e zebu\u00ednas ao B. microplus demonstraram que o primeiro grupo \u00e9 mais suscept\u00edvel      que os demais, inclusive havendo diferen\u00e7a entre a susceptibilidade de cada      ra\u00e7a dentro dos grupos, assim como diferen\u00e7as individuais dentro da mesma      ra\u00e7a. Os crit\u00e9rios de compara\u00e7\u00e3o utilizados foram o n\u00famero e tamanho dos carrapatos,      acima de 4,0 mm (Villares, 1941), ou seja, contaram-se apenas as tele\u00f3genas.<\/p>\n   \n<p>Os resultados da compara\u00e7\u00e3o da susceptibilidade natural de zebu\u00ednos da ra\u00e7a      Gir com a de taurinos da ra\u00e7a Holandesa em condi\u00e7\u00f5es de elevada tens\u00e3o ambiental      de infesta\u00e7\u00e3o, demonstraram que na interpreta\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica da din\u00e2mica da      intera\u00e7\u00e3o de carrapatos, ambiente e bovino, v\u00ea-se que os taurinos contribu\u00edram      diariamente com pelo menos 15 vezes o n\u00famero de tele\u00f3genas ca\u00eddas no pasto,      comparado aos zebu\u00ednos que teriam 15 vezes maior efici\u00eancia para se livrar      destas larvas. Al\u00e9m disso, entre a 6a e 8a semanas, morreram os dois taurinos      mais suscept\u00edveis, e os mais resistentes no 63o e 110o dias. Os zebu\u00ednos todos      sobreviveram, apresentando apenas dermatite e emagrecimento. Os autores observaram      que n\u00e3o houve diferen\u00e7a significativa entre os grupos quanto a endoparasitas      e outros ectoparasitas que pudessem contribuir para o estado m\u00f3rbido ou a      mortalidade observadas (Moraes et al., 1986).<\/p>\n   \n<p><strong>Segundo o desenvolvimento do estudo acima, os autores observaram      os seguintes resultados parciais:<\/strong> duas semanas ap\u00f3s o in\u00edcio do estudo,      a carga parasit\u00e1ria dos taurinos j\u00e1 era maior que a dos zebu\u00ednos; na 6a semana,      a contagem m\u00e9dia de parten\u00f3genas era da ordem de 15 vezes maior nos taurinos,      nos zebu\u00ednos as contagens m\u00e9dias de larvas e ninfas apresentaram picos da      ordem de 1\/4 dos encontrados em taurinos; o n\u00famero de carrapatos adultos permaneceu      pr\u00f3ximo de zero nos zebu\u00ednos, mas n\u00e3o nos taurinos (Moraes et al., 1986).<\/p>\n   \n<p>A resist\u00eancia n\u00e3o afeta apenas a contagem de carrapatos. As f\u00eameas ingurgitadas      produzidas por bovinos da ra\u00e7a Santa Gertrudis apresentavam dimens\u00f5es (comprimento,      largura e altura) e peso menores que aquelas produzidas em animais da ra\u00e7a      Aberdeen Angus (Maraday &amp; Gonzales, 1984).<\/p>\n   \n<p>Comparando-se a resist\u00eancia das ra\u00e7as Canchim e Nelore, atrav\u00e9s de infesta\u00e7\u00e3o      artificial (Oliveira &amp; Alencar, 1990) e infesta\u00e7\u00e3o natural, (Oliveira      et al., 1989) demonstraram que a diferen\u00e7a ocorre em qualquer esta\u00e7\u00e3o do ano      e h\u00e1 efeito significativo na intera\u00e7\u00e3o ra\u00e7a X esta\u00e7\u00e3o. Guaragna et al. (1992)      tamb\u00e9m observaram os efeitos de ano, esta\u00e7\u00e3o e ra\u00e7a, estudando infesta\u00e7\u00f5es      artificiais em tourinhos holandeses e mantiqueiras, de 1 e 2 anos, sendo os      primeiros considerados menos resistentes, apesar das duas ra\u00e7as serem consideradas      suscet\u00edveis. Neste estudo, n\u00e3o houve diferen\u00e7a significativa para a idade.<\/p>\n   \n<p><strong>4. MEIO AMBIENTE<\/strong><\/p>\n   \n<p><strong>4.1. Influ\u00eancia dos fatores sazonais no ciclo do Boophilus microplus<\/strong><\/p>\n   \n<p>V\u00e1rios autores demonstraram a influ\u00eancia dos fatores sazonais no ciclo de      vida dos carrapatos e a conseq\u00fcente diferen\u00e7a de infesta\u00e7\u00f5es nos animais,      de acordo com o clima da regi\u00e3o em que vivem e com a \u00e9poca do ano. Como visto      anteriormente, a fase de vida livre \u00e9 bastante influenciada, principalmente      pela temperatura e umidade.<\/p>\n   \n<p>Foi demonstrado que contagens de carapatos em bovinos, em condi\u00e7\u00f5es experimentais      padronizadas, quando feitas na mesma esta\u00e7\u00e3o do ano, apresentavam maior correla\u00e7\u00e3o      (0,39-0,40) que em esta\u00e7\u00f5es diferentes (0,24). Observou-se que h\u00e1 influ\u00eancia      da carga de carrapatos sobre a correla\u00e7\u00e3o, sendo m\u00e1xima quando igual a 185      carrapatos\/animal. O aumento do tempo decorrido entre as contagens diminuiu      a correla\u00e7\u00e3o (Madalena et al, 1985). Oliveira et al. (1989) demonstraram que,      al\u00e9m do efeito relacionado \u00e0s esta\u00e7\u00f5es do ano, h\u00e1 diferen\u00e7a significativa      na intera\u00e7\u00e3o ra\u00e7a X esta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n   \n<p>O clima da regi\u00e3o Sudeste do Brasil permite o desenvolvimento e a sobreviv\u00eancia      do carrapato durante o ano todo, em n\u00edveis mais que suficientes para causar      perdas. Por\u00e9m, o per\u00edodo seco, de temperaturas mais baixas, entre os meses      de abril e setembro, prejudica o desenvolvimento da fase de vida livre, fazendo      com que o ciclo se alongue (Furlong, 1993).<\/p>\n   \n<p>Estudos sobre a biologia, ecologia e controle do B. microplus no munic\u00edpio      de Pedro Leopoldo -MG, no per\u00edodo de novembro de 1983 a novembro de 1987,      detectaram quatro gera\u00e7\u00f5es de carrapatos, encontrando larvas nas pastagens      e infesta\u00e7\u00f5es nos animais durante todo o ano. Todos os per\u00edodos da fase n\u00e3o      parasit\u00e1ria mostraram-se altamente influenciados pelas condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas,      sendo mais longos nos meses frios (mar\u00e7o a julho) e mais curtos nos mais quentes      (setembro a mar\u00e7o) (Magalh\u00e3es, 1989).<\/p>\n   \n<p>Distinguiram-se dois picos principais do B. microplus, examinando-se bovinos      em quatro fazendas na regi\u00e3o metal\u00fargica de Minas Gerais, pr\u00f3ximas a Belo      Horizonte; o primeiro de setembro a dezembro, final do per\u00edodo seco e in\u00edcio      das chuvas, e o segundo nos meses de abril, maio e junho, ap\u00f3s as chuvas mais      intensas e in\u00edcio da seca (Moreno, 1984).<\/p>\n   \n<p><strong>Na Esta\u00e7\u00e3o Experimental de Pindamonhangaba\/SP, Guaragna et al. (1988)      encontraram um efeito altamente significativo entre esta\u00e7\u00e3o do ano X n\u00famero      de carrapatos, com as seguintes m\u00e9dias:<\/strong><\/p>\n   \n<blockquote>      \n<p><strong>Primavera: <\/strong>21,73; <strong><br \/>\n       Ver\u00e3o: <\/strong>73,75; <strong><br \/>\n       Outono:<\/strong> 93,10 e <strong><br \/>\n       Inverno: <\/strong>9,2. <\/p>\n   <\/blockquote>\n   \n<p>Sendo a infesta\u00e7\u00e3o m\u00e9dia encontrada de 49,58 \u00b1 6,48 tele\u00f3ginas \/ animal.      Para este estudo foram utilizadas novilhas leiteiras do tipo Mantiqueira,      infestadas naturalmente por B. microplus.<\/p>\n   \n<p>Pode-se concluir que na Regi\u00e3o Sudeste h\u00e1 quatro gera\u00e7\u00f5es de carrapatos que      se desenvolvem por todo ano, tendo seu ciclo de vida mais curto e maiores      infesta\u00e7\u00f5es na \u0093\u00e9poca das \u00e1guas\u0094, ou seja, nos meses entre setembro      e mar\u00e7o; portanto, a \u00e9poca mais recomendada para proceder ao controle qu\u00edmico      de forma estrat\u00e9gica.<\/p>\n   \n<p>Em estudo realizado no munic\u00edpio de Pelotas\/RS, atrav\u00e9s de contagens de parten\u00f3genas      e tele\u00f3ginas em vacas holandesas preto e branco, de mar\u00e7o de 1980 a fevereiro      de 1982, Brum et al. (1987) encontraram tr\u00eas gera\u00e7\u00f5es de carrapatos por ano,      tendo no outono o maior pico. Em sua discuss\u00e3o, diz que tendo encontrado a      gera\u00e7\u00e3o maior entre os meses de mar\u00e7o a abril, seus resultados guardam coincid\u00eancia      com os achados de Sutherst e Moorhouse (1972), que encontraram as maiores      infesta\u00e7\u00f5es entre mar\u00e7o e junho. Reportando a Brum et al. (1987), que observou      maiores \u00edndices de postura e eclos\u00e3o entre dezembro e fevereiro nesta regi\u00e3o,      comprovando que f\u00eameas ca\u00eddas nesta \u00e9poca foram respons\u00e1veis pela produ\u00e7\u00e3o      de larvas que deram o pique no outono. J\u00e1 as tele\u00f3ginas que ca\u00edram no outono,      tiveram \u00edndices de postura e eclos\u00e3o baixos ( Brum et al., 1987) e, por isso,      havia poucas larvas vi\u00e1veis na primavera.<\/p>\n   \n<p>A varia\u00e7\u00e3o sazonal do B. microplus no Planalto Catarinense (Lages) foi estudada      no per\u00edodo de mar\u00e7o de 1979 a fevereiro de 1982, tendo sido encontrados os      menores n\u00edveis de infesta\u00e7\u00e3o de agosto a novembro e os maiores de janeiro      a abril, sendo a correla\u00e7\u00e3o entre os tr\u00eas anos superior a 76% (Souza et al.,      1988). <\/p>\n   \n<p>Os autores demonstraram que seus achados se explicam pela baixa ocorr\u00eancia      de eclos\u00e3o nos per\u00edodos de abril a agosto e da concentra\u00e7\u00e3o destas eclos\u00f5es      entre janeiro e fevereiro, fen\u00f4meno verificado por Souza et al. (1986).<\/p>\n   \n<p>Os meses que apresentaram maiores infesta\u00e7\u00f5es na Regi\u00e3o Sul do pa\u00eds foram      de janeiro a junho; isso vem demonstrar a influ\u00eancia do clima da regi\u00e3o no      ciclo de vida do carrapato; portanto, h\u00e1 a necessidade do conhecimento do      clima onde se pretende proceder a um controle efetivo.<\/p>\n   \n<p><strong>4.2. Influ\u00eancia das pastagens na viabilidade do est\u00e1dio de vida livre      do Boophilus microplus<\/strong><\/p>\n   \n<p>V\u00e1rios estudos foram feitos para verificar a influ\u00eancia de certas pastagens      na sobreviv\u00eancia dos est\u00e1dios de vida livre dos carrapatos, assim como a rela\u00e7\u00e3o      com o grau de infesta\u00e7\u00e3o dos bovinos mantidos em pastagens de diferentes esp\u00e9cies.<\/p>\n   \n<p><strong>Esp\u00e9cies que t\u00eam alto poder letal para larvas de B. microplus foram      demonstradas atrav\u00e9s dos seguintes resultados:<\/strong> Melinis minutiflora      (Beauvois) (capim-gordura ou meloso) produziu 10% de mortalidade nas larvas      em dez dias e Brachiaria brizantha (Hochstetter ex A Richard) Stapf (capim-morundu)      80,71% de larvas mortas no dia cinco da infesta\u00e7\u00e3o. Os autores observaram      que o Andropogon gayanus (andropogon) n\u00e3o apresentou efeito prejudicial \u00e0s      larvas (Barros e Evans, 1989).<\/p>\n   \n<p><strong>Thomson et al. (1978) estudaram v\u00e1rias esp\u00e9cies de pastagem, demonstrando      seus efeitos nas larvas de vida livre de B. microplus e sugerindo sua utiliza\u00e7\u00e3o      no controle, de acordo com a situa\u00e7\u00e3o epidemiol\u00f3gica encontrada, como ser\u00e1      apresentado a seguir:<\/strong> Melinis minutiflora reduziu severamente a popula\u00e7\u00e3o      de carrapatos, levando ao risco de diminui\u00e7\u00e3o da imunidade contra agentes      de doen\u00e7as por eles transmitidos, sendo aconselhado para regi\u00f5es marginais      s zonas de carrapatos e Andropogon gayanus pareceu reduzir a infesta\u00e7\u00e3o inicial      e mant\u00ea-la constantemente baixa, al\u00e9m de demonstrar um curto per\u00edodo de sobreviv\u00eancia      de larvas de apenas 12 dias, sugerindo-o para zonas end\u00eamicas. Brachiaria      decumbens (Stapf) e Hyparrhenia rufa (Nees) Stapf (capim-jaragu\u00e1 ou provis\u00f3rio)      tiveram infesta\u00e7\u00e3o inicial alta e a mantiveram alta por longo per\u00edodo. Penisetum      clandestinum (Hochstetter ex Chiovenda) e Cynodon dactylon (Pers.) (grama-estrela)      podem ter alguma propriedade contra carrapatos, pois tiveram uma infesta\u00e7\u00e3o      mais alta que o capimgordura, por\u00e9m menor que a brachiaria e o jaragu\u00e1. Nessas      gram\u00edneas houve a manuten\u00e7\u00e3o da infesta\u00e7\u00e3o e n\u00e3o a completa elimina\u00e7\u00e3o das      larvas, como no caso do capim-gordura. Brachiaria decumbens \u00e9 a que manteve      a infesta\u00e7\u00e3o em n\u00edveis mais altos e por mais longo tempo, al\u00e9m de ter apresentado      a maior m\u00e9dia de dias de larva infestante.<\/p>\n   \n<p>Certos gen\u00f3tipos de Stylosanthes sp. n\u00e3o s\u00f3 aumentam a mortalidade de B.      microplus (larvas) e Ammblyomma variegatum (larvas e ninfas), como previnem      que tenham acesso ao hospedeiro. Dos 15 gen\u00f3tipos testados, o S. scabra (Vog.)      e o S. viscosa (Sw.) foram os que demonstraram maior poder de letalidade e      o S. guianensis (Sw.) menor efeito, concluindo-se que a utiliza\u00e7\u00e3o de Stylosanthes      integrada com outros m\u00e9todos de combate ( como acaricidas) deve ser examinada      (Zimmerman et al., 1984).<\/p>\n   \n<p>Outro estudo corrobora o fato de que Melinis minutiflora (capimgordura),      S. scabra e S. viscosa t\u00eam poder de repel\u00eancia e morte (mais promissoras para      o controle) e ainda que a antixenose por S. scabra impede que as larvas subam      nas folhas. O capim-gordura e o S. viscosa tamb\u00e9m afugentam as larvas que      tenham conseguido subir. O capim-elefante \u00e9 favor\u00e1vel \u00e0 sobreviv\u00eancia das      larvas, assim como a brachiaria em menor intensidade. Concluiu tamb\u00e9m que      o n\u00famero de larvas infestantes decresce com o passar do tempo em todas elas      e que o capim-gordura, em 20 dias, reduziu o n\u00famero de larvas infestantes      a 4,7% no ver\u00e3o e 30,3% no outono (Farias et al.,1986).<\/p>\n   \n<p>A mesma autora observou que no outono todas tiveram um n\u00famero superior de      larvas. <\/p>\n   \n<p><strong>As causas citadas para explicar este comportamento foram:<\/strong>      ajustes do experimento; a diminui\u00e7\u00e3o da atividade glandular da forrageira      e a diminui\u00e7\u00e3o do metabolismo das larvas com menor desgaste energ\u00e9tico. Foi      observado tamb\u00e9m que Stylosanthes scabra foi o que teve o comportamento mais      homog\u00eaneo no ver\u00e3o e outono.<\/p>\n   \n<p>O Stylosanthes tem um potencial para combate aos carrapatos (diminui a chance      de bons s\u00edtios de oviposi\u00e7\u00e3o, diminuindo, assim, a viabilidade da reprodu\u00e7\u00e3o);      por\u00e9m, este potencial pode ser afetado por v\u00e1rios fatores (crescimento, fungos,      queimadas e outros), deixando claro que n\u00e3o substitui o combate qu\u00edmico ou      a resist\u00eancia do hospedeiro, mas pode ser usado como mais um fator no combate      integrado (Sutherst e Wilson).<\/p>\n   \n<p>O capim-gordura tem um efeito repelente para larvas de carrapatos Boophilus      australis, que pode ser considerado incompleto, pois n\u00e3o impede que estas      subam no capim. No caso das larvas serem mortas por prolongada exposi\u00e7\u00e3o ao      capim em condi\u00e7\u00f5es naturais e artificiais, apenas o cheiro n\u00e3o tem poder delet\u00e9rio      suficiente. A morte das larvas por exposi\u00e7\u00e3o parece ser pela exaust\u00e3o daquelas      que ficam grudadas na secre\u00e7\u00e3o e por asfixia. As plantas novas por terem maior      n\u00famero de p\u00ealos glandulares que secretam \u00f3leo devem apresentar maior efeito      (De Jesus, 1934).<\/p>\n   \n<p>Foram encontradas contagens mais altas de carrapatos B. microplus em animais      em pasto de Brachiaria decumbens que aqueles que se encontravam em pastos      de Andropogon guayanus, Melinis minutiflora ou pastagens naturais. As contagens      de larvas nas pastagens demonstraram uma tend\u00eancia similar. O estudo foi conduzido      em \u00e1rea de savana na Col\u00f4mbia, em animais padronizados em peso e em outros      par\u00e2metros de sa\u00fade, inclusive sangu\u00edneos (Aycardy et al., 1984).<\/p>\n   \n<p><strong>Podemos concluir, portanto, que:<\/strong> Melinis minutiflora (capimgordura)      tem poder repelente incompleto pelo cheiro e letalidade por exaust\u00e3o e asfixia,      e a Brachiaria brizantha (capim-morundu) tem poder de letalidade, mas n\u00e3o      de repel\u00eancia, segundo v\u00e1rios autores citados acima. Andropogon gayanus, segundo      Barros e Evans (1989), n\u00e3o demonstrou qualquer atividade contra carrapato,      j\u00e1 segundo Thomson et al. (1978), mant\u00e9m a infesta\u00e7\u00e3o em n\u00edveis baixos constantemente.    <\/p>\n   \n<p>Brachiaria decumbens e Hyparrhenia n\u00e3o t\u00eam qualquer efeito contra carrapatos.      Pennisetum clandestinum e Cynodon dactylon podem ter alguma propriedade contra      carrapatos, mas mant\u00eam a infesta\u00e7\u00e3o, n\u00e3o eliminando-a por completo. Brachiaria      decumbens \u00e9 a que mant\u00e9m a infesta\u00e7\u00e3o em n\u00edveis mais altos e por mais longo      tempo, al\u00e9m de ter a maior m\u00e9dia de dias de larva infestante, quando comparada      com capim-gordura, capim-andropogon, capim-jaragu\u00e1, grama-estrela e Pennisetum      clandestinum (Thomson et al., 1978). Segundo Farias et al. (1986), a brachiaria      \u00e9 favor\u00e1vel \u00e0 sobreviv\u00eancia das larvas, por\u00e9m em menor intensidade que o capim      elefante. Alguns gen\u00f3tipos de Stylosanthes t\u00eam efeito carrapaticida e dificultam      o acesso de larvas ao hospedeiro, sendo o S. scabra e o S. viscosa os mais      eficientes e o S. guianensis o que apresenta menor efeito. <strong>Christiane      M.B.M. da Rocha<\/strong><\/p>\n   \n<p>Fonte:  www.editora.ufla.br\/www.intervet.com.br\/www.cbiot.ufrgs.br\/www.vivaterra.org.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carrapato, Parasitas, Doen\u00e7as, Tratamento, Parasitas, Doen\u00e7as, Tratamento, Biologia, Tamanho, Sintomas, Brasil, Esp\u00e9cies, Desenvolvimento, Caracter\u00edsticas, Carrapato<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":15886,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[46],"tags":[],"class_list":["post-21428","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-biologia-2"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - 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