{"id":21345,"date":"2016-01-04T00:00:00","date_gmt":"2016-01-04T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/historia-da-cerveja-no-mundo-3\/"},"modified":"2026-09-01T15:38:06","modified_gmt":"2026-09-01T15:38:06","slug":"historia-da-cerveja-no-mundo-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-geral\/historia-da-cerveja-no-mundo-3\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3ria da Cerveja no Mundo"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"ads-cima\"><\/p>\n&nbsp;\n\nA origem das denomina\u00e7\u00f5es atuais da cerveja, v\u00eam da antig\u00fcidade. Pl\u00ednio, menciona o uso da cerveja na pen\u00ednsula Ib\u00e9rica com o nome de c\u00e9lia e c\u00e9ria e na G\u00e1lia, com o nome de cerevisia ou cervisia. Provavelmente derivados do nome da deusa Ceres. Muito antes disto, Plat\u00e3o, na antiga Gr\u00e9cia, a denominava de cerialis liquor.\n\nArchiloco, menciona a bryton, produzida com cevada, pelos fr\u00edgios e pelos tr\u00e1cios (b\u00falgaros). Os il\u00edricos e os pan\u00f4nios, a chamavam de sabaja ou sabajum. O nome cerveja (portugu\u00eas), cerveza ou cervesa (castelhano), giarvusa (retorrom\u00e2nico), cervoise (franc\u00eas arcaico), derivam das palavras cerevisia ou cervisia do latim.\n\nJ\u00e1 o nome birra (italiano), bi\u00e8re (franc\u00eas), beer (ingl\u00eas), bier (alem\u00e3o) e pivo (povos eslavos), derivam dos termos peor, bior e pier do alem\u00e3o arcaico, que por sua vez deriva dos termos biber ou biberis do latim. Outros antigos termos alem\u00e3es (alu, alo, e ealo) ainda s\u00e3o conservados no ingl\u00eas (ale).\n\nH\u00e1 mais de 10.000 anos, o homem primitivo conheceu o fen\u00f4meno da fermenta\u00e7\u00e3o e obteve, em pequena escala, as primeiras bebidas alco\u00f3licas.\n\nQuase todos os povos primitivos elaboravam algum tipo de bebida alco\u00f3lica equivalente a cerveja. Perde-se no tempo as primeiras bebidas elaboradas pelo homem, que remontam \u00e0 pr\u00e9-hist\u00f3ria. Mat\u00e9rias primas a\u00e7ucaradas como mel, suco de frutas, suco de palmas, al\u00e9m do leite e f\u00e9culas, serviram de base para a elabora\u00e7\u00e3o destas bebidas. Ainda n\u00e3o h\u00e1 um consenso entre os historiadores sobre a origem da cerveja, entretanto esta bebida \u00e9 tida como a mais antiga consumida pelo homem.\n\nA cerveja \u00e9 t\u00e3o antiga quanto o p\u00e3o, pois era obtida a partir da fermenta\u00e7\u00e3o de cereais como cevada e trigo. A cerveja era feita por padeiros devido \u00e0 natureza da mat\u00e9ria-prima utilizada: gr\u00e3os de cereais e leveduras. A cevada era deixada de molho at\u00e9 germinar e, ent\u00e3o, mo\u00edda grosseiramente, moldada em bolos aos quais se adicionava a levedura. Os bolos, ap\u00f3s parcialmente assados e desfeitos, eram colocados em jarras com \u00e1gua e deixados fermentar.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/cerveja16.jpg\" alt=\"\" width=\"190\" height=\"300\" \/><\/p>\nH\u00e1 evid\u00eancias de que a pr\u00e1tica da cervejaria originou-se na regi\u00e3o da Mesopot\u00e2mia onde a cevada cresce em estado selvagem. Os primeiros registros de fabrica\u00e7\u00e3o de cerveja t\u00eam aproximadamente 6.000 anos e remetem aos Sum\u00e9rios. A Sum\u00e9ria ficava entre os rios Tigre e Euphrates, na \u00e1rea da Mesopot\u00e2mia do sul.\n\nProvavelmente os Sum\u00e9rios descobriram o processo de fermenta\u00e7\u00e3o por acaso. Naturalmente, ningu\u00e9m sabe hoje, exatamente como isto ocorreu, mas poderia ser que uma parte do p\u00e3o de cevada ficou molhada e esquecida simplesmente, depois de algum tempo o p\u00e3o come\u00e7ou a fermentar e resultou numa polpa inebriante.\n\nA primeira cerveja foi provavelmente um acidente. Tem-se que a cerveja feita de cevada maltada j\u00e1 era fabricada na Mesopot\u00e2mia. No 4\u00ba ou 5\u00ba mil\u00eanio A.C. j\u00e1 existiam diversos tipos de cerveja. Documentos hist\u00f3ricos mostram que em 2100 a.C. os sum\u00e9rios alegravam-se com uma bebida fermentada, obtida de cereais.\n\nNa Sum\u00e9ria, cerca de 40% da produ\u00e7\u00e3o dos cereais destinavam-se \u00e0s cervejarias chamadas &#8220;casas de cerveja&#8221;, mantida por mulheres. Uma antiga placa de argila gravada com a l\u00edngua sum\u00e9ria indica que a fabrica\u00e7\u00e3o de cerveja era uma profiss\u00e3o feminina e altamente respeitada e esbo\u00e7a as etapas para fazer a cerveja. Esta placa tem pict\u00f3grafos que representam a cevada, p\u00e3o cozinhando, p\u00e3o desintegrado sendo posto na \u00e1gua, a massa sendo feita e ent\u00e3o uma bebida.\n\nOs Sum\u00e9rios aperfei\u00e7oaram este processo e s\u00e3o reconhecidos como a primeira cultura civilizada a fabricar a cerveja, tinham descoberto a divina bebida que ofereceram a seus deuses. Como em 1800 a.C. ofereceram em celebra\u00e7\u00e3o a deusa Ninkasi. A cerveja foi bebida com uma palha para ajudar a filtrar os sedimentos e o p\u00e3o encharcado que era parte da fermenta\u00e7\u00e3o.\n\nQuando o imp\u00e9rio sum\u00e9rio desmoronou, os babil\u00f4nios transformaram as leis da Mesopotamia e incorporaram a cultura sum\u00e9ria \u00e0 sua pr\u00f3pria. Em conseq\u00fc\u00eancia, adquiriram o conhecimento para fabricar a cerveja. Os babil\u00f4nios fabricaram pelo menos vinte tipos diferentes de cerveja, sendo 8 fermentadas com emmer puro (tipo de gr\u00e3o e similar pr\u00e9-hist\u00f3rico do trigo), 8 de cevada pura e 4 de mistura de gr\u00e3os.\n\nNesta \u00e9poca a cerveja era turva e n\u00e3o filtrada e era bebida com ajuda de palha para evitar que o res\u00edduo alcan\u00e7asse a boca pois era muito amargo. O 6\u00ba rei babil\u00f4nio, Hammurabi, decretou uma cole\u00e7\u00e3o de leis s\u00f4bre a cerveja, dentre as quais havia uma que estabelecia uma ra\u00e7\u00e3o di\u00e1ria de cerveja .\n\nQuanto mais elevado o status, mais cerveja recebia, como por exemplo: um trabalhador normal recebia 2 litros, os empregados do imp\u00e9rio recebiam 3 litros, os sacerdotes e os altos administradores recebiam 5 litros. Nesta \u00e9poca a cerveja n\u00e3o era vendida, mas trocada por cevada, o rei Hammurabi decretou a morte por afogamento em sua pr\u00f3pria cerveja de uma mulher que aceitou pagamento para o seu produto, afogamento tamb\u00e9m era a puni\u00e7\u00e3o para cerveja de baixa qualidade.\n\nOs babil\u00f4nios exportaram tamb\u00e9m a cerveja para o Egito, apesar de estar distante 1000 quil\u00f4metros. Os eg\u00edpcios logo aprenderam a arte de fabricar cerveja e carregaram a tradi\u00e7\u00e3o no mil\u00eanio seguinte. Continuaram a usar o p\u00e3o para fermentar a cerveja mas adicionaram tamb\u00e9m temperos para modificar seu sabor.\n\nOs eg\u00edpcios antigos tiveram mesmo um hier\u00f3glifo para o fabricante de cerveja o que ilustra a import\u00e2ncia da fabrica\u00e7\u00e3o de cerveja para a cultura. Os antigos originais eg\u00edpcios mostram que a cerveja e o p\u00e3o eram parte da dieta di\u00e1ria e tanto foram consumidos pelo ricos quanto pelo pobres.\n\nA cervejaria mais antiga que se conhece foi descoberta recentemente por arque\u00f3logos no Egito. Ela data de 5400 anos a.C. e produzia v\u00e1rios tipos de cerveja. A cerveja produzida naquela \u00e9poca era bem diferente da de hoje em dia.\n\nEra escura, forte e muitas vezes substitu\u00eda a \u00e1gua, sujeita a todos os tipos de contamina\u00e7\u00e3o, causando diversas doen\u00e7as \u00e0 popula\u00e7\u00e3o. Mas a base do produto, a cevada fermentada, era a mesma. Ela j\u00e1 fazia parte do card\u00e1pio da humanidade desde o come\u00e7o das primeiras civiliza\u00e7\u00f5es mesopot\u00e2micas.\n\nNessa mesma \u00e9poca, a cerveja era utilizada como moeda para pagar os trabalhadores e tamb\u00e9m como produto de beleza para as eg\u00edpcias, que acreditavam em seus poderes de rejuvenescimento. No Egito, a cerveja ganhou status de bebida nacional, sua fabrica\u00e7\u00e3o ficava por conta das sacerdotisas dos templos de seus deuses. Zythos era a denomina\u00e7\u00e3o dada \u00e0 cerveja pelos eg\u00edpcios, que al\u00e9m do uso como bebida e nos rituais religiosos, tamb\u00e9m tinha grande aplica\u00e7\u00e3o na medicina, entrando na formula\u00e7\u00e3o de mais de 100 medicamentos.\n\nA cidade de Peluse, localizada no delta do Nilo, ficou famosa pela produ\u00e7\u00e3o de diversos tipos de cervejas: claras, escuras, fortes, leves ou adocicadas; com adi\u00e7\u00e3o de mel, frutas ou ervas arom\u00e1ticas e pelo esmero na fabrica\u00e7\u00e3o.\n\nAinda hoje se fabrica uma cerveja r\u00fastica no Egito, sob o nome de Bouza, feita a partir de massa de cereais fermentada e cozida, que posteriormente \u00e9 desmanchada em \u00e1gua e posta a fermentar novamente. Consta que os eg\u00edpcios gostavam tanto da bebida que seus mortos eram enterrados com algumas jarras cheias de cerveja. A cerveja era um oferecimento importante aos deuses e foi colocada nos t\u00famulos para o p\u00f3s vida.\n\nOs chineses tamb\u00e9m j\u00e1 preparavam bebidas fermentadas de cereais desde \u00e9pocas remotas, sendo que a Samshu j\u00e1 era produzida a cerca de 4300 anos, fermentada \u00e0 partir de arroz. Tamb\u00e9m a Kin remonta a esta mesma \u00e9poca. Na Am\u00e9rica, os incas j\u00e1 produziam bebidas fermentadas de milho muito antes do descobrimento, um exemplo \u00e9 a Chicha, Chica ou Chicara, produzida at\u00e9 hoje no Peru e Bol\u00edvia.\n\nPodemos mencionar ainda outras bebidas do grupo das cervejas como o pombe, produzido a partir do sorgo, pelos nativos africanos; a soma, a haoma, o kanji e o pchwai, produzidos pelos antigos hindus e persas; a karva, por nativos de ilhas do pac\u00edfico; Oo, da Tail\u00e2ndia; binuburam, das Filipinas; torani, das \u00cdndias; rakshi, do Nepal; kuva, dos nativos platinos da Am\u00e9rica do Sul; kwass, da R\u00fassia; bosa, da Maced\u00f4nia; kalja, da Finl\u00e2ndia; braga, da Rom\u00eania, al\u00e9m de in\u00fameras outras.\n\nOs gregos, embora fosse um povo que habitualmente consumia vinho, j\u00e1 fazia cerveja por volta de 700 a.C. \u00c9squilo (470 a.C.) numa de suas trag\u00e9dias faz refer\u00eancia \u201caos bebedores de vinho de cevada\u201d. Arist\u00f3teles tamb\u00e9m em seus escritos falou sobre a cerveja que, nessa \u00e9poca, j\u00e1 era consumida aos potes pelo povo. Nem todos viam com bons olhos o h\u00e1bito de tomar cerveja.\n\nO rei Argos foi incisivo na sua cr\u00edtica ao h\u00e1bito de tomar cerveja: \u201dDescobrireis que n\u00f3s os gregos somos uma ra\u00e7a m\u00e1scula, n\u00e3o bebedores de hidromel de cevada\u201d. Tamb\u00e9m Pl\u00ednio foi um dos grandes advers\u00e1rios da cerveja, criticando severamente os eg\u00edpcios, os ib\u00e9ricos e os gauleses que consumiam cerveja.\n\nA expans\u00e3o definitiva da cerveja se deu com o Imp\u00e9rio Romano, que se encarregou de lev\u00e1-la para todos os cantos onde ainda n\u00e3o era conhecida. J\u00falio C\u00e9sar era um grande admirador da cerveja e, em 49 a.C., depois de cruzar o Rubicon, ele deu uma grande festa a seus comandantes, na qual a principal bebida era a cerveja. A C\u00e9sar tamb\u00e9m \u00e9 atribu\u00edda a introdu\u00e7\u00e3o de cerveja entre os brit\u00e2nicos, pois quando ele chegou \u00e0 Brit\u00e2nia, esse povo apenas bebia leite e licor de mel.\n\nDurante o Imp\u00e9rio Romano a cerveja continuou a ser fabricada, apesar de ter que concorrer no gosto popular com o vinho e outras bebidas, na pr\u00f3pria Roma o vinho transformou-se na bebida dos deuses e a cerveja era fabricada somente nas \u00e1reas onde o vinho era dif\u00edcil de obter. A cerveja passou ent\u00e3o a ser a bebida das classes menos favorecidas\n\nPara os romanos, que bebiam quase exclusivamente vinho, a cerveja era uma bebida b\u00e1rbara horr\u00edvel. Tacitus, um historiador romano, escreveu sobre os Teut\u00f5es, alem\u00e3es antigos, e citou &#8220;para beber, o teut\u00e3o bebe uma horr\u00edvel fermenta\u00e7\u00e3o de cevada ou trigo, uma bebida que tem uma similaridade muito distante do vinho\u201d. Esse tipo de cerveja n\u00e3o podia ser armazenada, era turva e produzia muito pouca espuma.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/cerveja17.jpg\" alt=\"\" width=\"261\" height=\"350\" \/><\/p>\nCom a ascens\u00e3o do imp\u00e9rio romano. a cerveja passou a ser a bebida preferida, ao que parece por todas as classes Seu consumo era t\u00e3o grande que motivou Diocleciano a estabelecer uma pol\u00edtica de pre\u00e7os para p\u00f4r ordem no mercado. Essa legisla\u00e7\u00e3o sobre a cerveja j\u00e1 distinguia as duas principais esp\u00e9cies: a cerveja escura e a clara.\n\nA cerveja sempre foi consumida em pa\u00edses onde o clima e o solo eram inadequados para a produ\u00e7\u00e3o de vinho de uva.\n\nOs povos do norte da Europa descobriram a t\u00e9cnica da cervejaria n\u00e3o muito antes da era crist\u00e3. As primeiras bebidas celtas e teut\u00f4nicas feitas de uma mistura de milho e mel originaram o &#8220;hidromel&#8221; de sabor ligeiramente \u00e1cido, o que levou ao desenvolvimento de fermenta\u00e7\u00f5es l\u00e1cticas.\n\nEntre os chamados povos b\u00e1rbaros, vickings e germanos, por exemplo, a cerveja de teor alco\u00f3lico alto era a bebida favorita e tamb\u00e9m tinha o sabor do sagrado. Os vickings a fabricavam a bordo de seus tem\u00edveis barcos de guerra, com os quais assaltavam e pilhavam as cidades do Norte europeu, entre os s\u00e9culos VIII e X. Para os vickings, a maior felicidade de um her\u00f3i era ser admitido no pal\u00e1cio do deus Odin, onde poderia beber \u00e0 vontade o licor de malte fermentado. Nos festejos em honra a Odin, ningu\u00e9m podia participar sem antes ter tomado grandes doses de cerveja.\n\nOs germanos produziam e consumiam a cerveja em grandes quantidades desde os seus prim\u00f3rdios. A cerveja era a bebida indispens\u00e1vel nas festas em honra a seus deuses.\n\nAtrav\u00e9s dos romanos a cerveja tamb\u00e9m chegou \u00e0 G\u00e1lia, hoje a Fran\u00e7a. E foi a\u00ed que a bebida definitivamente ganhou seu nome latino pelo qual conhecemos hoje. Os gauleses denominavam essa bebida de cevada fermentada de Cerevisia ou cervisia em homenagem a Ceres, deusa da agricultura e da fertilidade.\n\nO historiador Cat\u00e3o, o Velho, relata que a cerveja era a bebida nacional dos gauleses que \u201ctomavam continuamente um vinho de cevada, capaz de gerar embriaguez\u201d.\n\nNa Idade M\u00e9dia, os conventos assumiram a fabrica\u00e7\u00e3o da cerveja que, at\u00e9 ent\u00e3o, era feita de forma dom\u00e9stica. No s\u00e9culo X, conforme documentos encontrados num convento de St. Gallen, Su\u00ed\u00e7a, os frades que produziam a cerveja, recebiam 5 litros di\u00e1rios para o seu consumo pessoal.\n\nOs monges fabricavam duas esp\u00e9cies de cerveja: uma forte, de boa qualidade, para os sacerdotes, feita com cevada, e outra, mais fraca e de qualidade inferior, feita com trigo ou aveia, para o convento. A palavra klasterbier (cerveja de convento), muito ouvida ainda hoje em dia na Europa, comprova como nos conventos a produ\u00e7\u00e3o de cerveja era levada \u00e0 s\u00e9rio, permitindo o aperfei\u00e7oamento das t\u00e9cnicas de fabrica\u00e7\u00e3o.\n\nOs conventos mais famosos e mais antigos que iniciaram a produ\u00e7\u00e3o de cerveja foram os de St. Gallen, na Su\u00ed\u00e7a, e os alem\u00e3es Weihenstephan, perto de Munique e St. Emmeran em Regensburg.\n\nNeste mesmo s\u00e9culo, o Rei Ludwig da Baviera decretou uma lei favorecendo aos conventos a fabrica\u00e7\u00e3o de cerveja, e estabeleceu cotas para aristocratas de acordo com suas categorias hier\u00e1rquicas.\n\nOs beneditinos de Weihenstephan foram os primeiros a receber, oficialmente, a autoriza\u00e7\u00e3o profissional para fabrica\u00e7\u00e3o e venda da cerveja, em 1040 d.C. Com isso, esta \u00e9 a cervejaria mais antiga do mundo em funcionamento e \u00e9 hoje, principalmente, conhecida como o Centro de Ensino da Tecnologia de Cervejaria da Universidade T\u00e9cnica de Munique.\n\nO monop\u00f3lio da fabrica\u00e7\u00e3o da cerveja at\u00e9 por volta do s\u00e9culo XI continuou com os conventos que desempenhavam relevante papel social e cultural, acolhendo os peregrinos de outras regi\u00f5es. Por isso, todo monast\u00e9rio dispunha de um albergue e de uma cervejaria. Os monges por serem os \u00fanicos que reproduziam os manuscritos da \u00e9poca, puderam conservar e aperfei\u00e7oar a t\u00e9cnica de fabrica\u00e7\u00e3o da cerveja.\n\nCom o aumento do consumo da bebida, os artes\u00e3os das cidades come\u00e7aram tamb\u00e9m a produzir cerveja, o que levou os poderes de p\u00fablicos a se preocupar com o h\u00e1bito de se beber cerveja. As tabernas ou cervejarias eram locais onde se discutiam assuntos importantes e muitos neg\u00f3cios conclu\u00edam-se entre um gole e outro de cerveja. Entre os antigos sax\u00f5es era muito comum s\u00f3 tratarem de assuntos de import\u00e2ncia depois de algumas canecas de cerveja.\n\nCom uma t\u00e9cnica mais aperfei\u00e7oada, os cervejeiros j\u00e1 sabiam que a \u00e1gua tinha um papel determinante na qualidade da cerveja. Assim a escolha da localiza\u00e7\u00e3o da f\u00e1brica era feita em fun\u00e7\u00e3o da proximidade de fontes de \u00e1gua muito boa. \u00c9 por isso que houve maior concentra\u00e7\u00e3o de cervejarias em Burtonon Trent na Inglaterra, em Munique na Alemanha ou Pilsen na Tchecoslov\u00e1quia, cidades famosas devido \u00e0 excel\u00eancia de suas \u00e1guas.\n\nProvavelmente a dissemina\u00e7\u00e3o da cerveja pela Europa se deve ao desenvolvimento das feiras. Este comercio medieval se realizava em dois n\u00edveis: entre as aldeias, castelos e burgos voltados para as necessidades locais como cereais, madeira, instrumentos de ferro, etc. E entre o Ocidente e o Oriente, envolvendo artigos de luxo (tecidos finos, especiarias, perfumes, pergaminhos). Duas grandes rotas ligavam toda a Europa.\n\nA rota do norte partindo da Inglaterra, se estendia pelo mar do Norte e B\u00e1ltico, alcan\u00e7ando a R\u00fassia e a Escandin\u00e1via. Seus principais centros eram as cidades de Bruges (Flandres) Londres (Inglaterra) e Lubeck (Alemanha), movimentando cereais l\u00e3, sal, vidro, armas, ferro, chumbo, corantes e vinho. A rota mediterr\u00e2nea que ligava as cidades italianas aos portos do norte da \u00c1frica (de onde chegavam caravanas \u00e1rabes do interior do continente, trazendo marfim, ouro em p\u00f3, peles e plumas) e do Mediterr\u00e2neo oriental, Alexandria e Biz\u00e2ncio (de onde chegavam especiarias e produtos vindos da \u00cdndia e da China).\n\nEstes importantes p\u00f3los comerciais estavam interligados por rotas terrestres e fluviais, atrav\u00e9s dos Alpes e pelos rios R\u00f3dano, Reno, Dan\u00fabio, Mosa, Vistula e Dnieper. Ao longo desses caminhos se estabeleciam \u00e0s feiras medievais, locais onde, em determinadas semanas do ano, se reuniam mercadores vindos das diversas regi\u00f5es com seus produtos variados: especiarias orientais, l\u00e3s da Inglaterra, sedas de Bagd\u00e1, brocados de Damasco, peles, cereais, madeira, cobre, ferro, estanho, al\u00famen, sal, cerveja, vinhos, mel, azeite, tintas, etc.\n\nAs maiores feiras (Lagny-sur-Marne, Bar-sur-Aube, Provins e Troyes) estavam localizadas no condado de Champagne, no nordeste da Fran\u00e7a, regi\u00e3o estrategicamente situada entre a rota do norte e a mediterr\u00e2nea. Os condes de Champagne, para aumentar seus rendimentos, contribu\u00edram para o desenvolvimento das feiras, dando prote\u00e7\u00e3o e salvo-condutos aos mercadores, facilitando o armazenamento de mercadorias, isentando-os do pagamento de impostos e perseguindo os desonestos.\n\nAs cidades italianas atuavam no com\u00e9rcio, de maneira independente umas das outras, havendo mesmo rivalidade entre elas. Mas, ao norte, surgiu uma grande associa\u00e7\u00e3o reunindo cerca de 90 cidades alem\u00e3s, denominada Liga Hanse\u00e1tica ou Hansa Teut\u00f4nica. Sob a lideran\u00e7a de Lubeck, a Hansa passou a dominar e monopolizar o com\u00e9rcio no mar B\u00e1ltico e no mar do Norte impedindo a entrada de mercadores estrangeiros nessa regi\u00e3o.\n\nPor volta do s\u00e9culo XIII, G\u00eanova, Veneza e as cidades da Liga Hanseatica, fugindo dos perigos das rotas terrestres, criaram uma via mar\u00edtima direta, passando por Lisboa, Londres e Bruges. No s\u00e9culo XIV, com a fixa\u00e7\u00e3o dos mercadores em determinados centros como Londres, Paris, Bruges e Flandres as feiras entraram em decl\u00ednio.\n\n&#8220;O modesto com\u00e9rcio medieval, limitado na Alta Idade Media (s\u00e9culos VI ao X) \u00e0s vias fluviais, ao desenvolver-se lentamente ao longo das rotas terrestres entre os s\u00e9culos XI e XIV e ao aventurar-se aos mares, de Alexandria a Riga, pelas rotas do Mediterr\u00e2neo, do Atl\u00e2ntico, do canal da Mancha, do mar do Norte e do B\u00e1ltico, preparava a expans\u00e3o comercial da Europa moderna\u201d.\n\n\u00c9 nos s\u00e9culos XV e XVI que surgem as primeiras vodcas polonesas \u00e0 base de batatas, o u\u00edsque escoc\u00eas de malte, a bagaceira italiana feita a partir do baga\u00e7o das uvas. Inventa-se tamb\u00e9m o rum, o gim e o calvados. O mundo descobre a del\u00edcia e a multiplicidade dos destilados. Mas s\u00e3o as bebidas fermentadas, vinho, cerveja e sidra, que ati\u00e7am a imagina\u00e7\u00e3o, o paladar e a economia dos europeus.\n\nO vinho \u00e9 o combust\u00edvel do com\u00e9rcio do continente. Os vinhos de ent\u00e3o, muito a\u00e7ucarados, s\u00e3o inst\u00e1veis, mal acondicionados, e n\u00e3o suportam longas viagens ou armazenagem. Avinagram-se com freq\u00fc\u00eancia e devem ser bebidos logo depois de sua produ\u00e7\u00e3o. Mesmo assim \u00e9 uma bebida de classe, de nobres.\n\nAo povo, resta a cerveja, que muitas vezes, por ser feita de cereais fermentados, substitui o p\u00e3o na dieta do campon\u00eas. \u00c9 comum crian\u00e7as se embebedarem.\n\nTem-se not\u00edcia de que ricos comerciantes holandeses importavam uma cerveja de luxo, com alto teor alco\u00f3lico, de Leipzig, na Alemanha. Mas \u00e9 uma bebida da ral\u00e9. H\u00e1 relatos de que camponeses da Pol\u00f4nia e da Alemanha tomavam, em m\u00e9dia, tr\u00eas litros da bebida por dia.\n\nNa Antiguidade usava-se para a elabora\u00e7\u00e3o da cerveja uma variedade imensa de ingredientes para aromatizar o produto, como folhas de pinheiro, cerejas silvestres e variadas ervas. Para regularizar o processo de fabrica\u00e7\u00e3o da cerveja, o Duque Guilherme IV da Baviera, decretou em 1516, a Lei da Pureza. Essa lei, a mais antiga e conhecida do mundo, determina que os ingredientes que podem ser usados na fabrica\u00e7\u00e3o de cerveja s\u00e3o: cevada, l\u00fapulo e \u00e1gua. A levedura de cerveja ainda n\u00e3o era conhecida e, somente mais tarde foi inclu\u00edda na lei.\n\nUma curiosidade \u00e9 que a cerveja j\u00e1 era conhecida na Am\u00e9rica antes de Colombo, que teria ganhado dos \u00edndios cerveja de milho. Entretanto, foram os ingleses, em 1548, que introduziram a verdadeira cerveja na Am\u00e9rica.\n\nAlojada fora dos dom\u00ednios da vinha (norte da It\u00e1lia e na parte sul da Fran\u00e7a), a cerveja \u00e9 comum na vasta zona dos pa\u00edses do Norte. O reino da cerveja, por\u00e9m, n\u00e3o tem fronteiras r\u00edgidas. A cidade espanhola de Sevilha inaugura sua primeira fabrica de cerveja em 1542.\n\nUma curiosidade \u00e9 que a cerveja j\u00e1 era conhecida na Am\u00e9rica antes de Colombo, que teria ganhado dos \u00edndios cerveja de milho. Entretanto, foram os ingleses, em 1548, que introduziram a verdadeira cerveja na Am\u00e9rica.\n\nV\u00e1rios tipos de cerveja foram sendo criados, conforme resultasse apenas da fermenta\u00e7\u00e3o da cevada ou se lhe juntasse outros cereais, conforme as substancias arom\u00e1ticas adicionadas ou conforme o tempo de fermenta\u00e7\u00e3o. T\u00e3o importante passou a ser a arte dessa fabrica\u00e7\u00e3o que em 1573 H. Knanst publicou uma obra em cinco volumes com o pomposo t\u00edtulo: \u201cSobre o nobre e divino dom, a filos\u00f3fica, a altamente estimada e maravilhosa arte de preparar cerveja\u201d.\n\nSomente no in\u00edcio do s\u00e9culo XVIII foi, entretanto, que se introduziu o uso do term\u00f4metro na fabrica\u00e7\u00e3o dessa bebida afim de regular com seguran\u00e7a a temperatura de fermenta\u00e7\u00e3o. Antes disso, os fabricantes de cerveja consideravam o term\u00f4metro um simples brinquedo cient\u00edfico.\n\nCom a introdu\u00e7\u00e3o do motor \u00e0 vapor, de James Watt, em 1765, a industrializa\u00e7\u00e3o e a racionaliza\u00e7\u00e3o come\u00e7aram a invadir as cervejarias, as primeiras cervejarias a utilizar este processo passaram a se chamar f\u00e1bricas de cerveja \u00e0 vapor.\n\nQuase no fim desse s\u00e9culo foi que se come\u00e7ou a dosar com processos cient\u00edficos a quantidade de sacarina ou de subst\u00e2ncia ferment\u00e1vel em cada fabrica\u00e7\u00e3o, de modo a juntar mais fermento ou mais subst\u00e2ncia ferment\u00e1vel, a fim de obter uma bebida de for\u00e7a e gosto uniforme.\n\nN\u00e3o se pense, por\u00e9m, que essas pequenas introdu\u00e7\u00f5es vagamente cient\u00edficas nos m\u00e9todos de fabrica\u00e7\u00e3o da cerveja tivessem conseguido modificar grandemente a t\u00e9cnica geral, que manteve ainda por muito tempo dentro da tradi\u00e7\u00e3o do empirismo que reinara durante s\u00e9culos.\n\nHoje os t\u00e9cnicos, que conhecem as opera\u00e7\u00f5es delicadas de uma fabrica\u00e7\u00e3o moderna dessa bebida, admiram-se da capacidade de observa\u00e7\u00e3o dos primitivos que chegavam a preparar uma bebida pot\u00e1vel e agrad\u00e1vel, segundo o testemunho de todos os escritores da \u00e9poca, com um l\u00edquido t\u00e3o r\u00e1pida e profundamente alter\u00e1vel. A ci\u00eancia come\u00e7a, no entanto, a desvendar os segredos \u00edntimos das causas.\n\nOs trabalhos de Lavoisier trazem \u00e0 luz o estudo da fermenta\u00e7\u00e3o alco\u00f3lica e de todos os l\u00edquidos nos quais ela se passa. No come\u00e7o do s\u00e9culo XIX, Payen isola a di\u00e1stase, fermento sol\u00favel, hoje chamado amilase, que gozaria da propriedade de liquefazer e transformar em a\u00e7\u00facar o amido da cevada germinada. Em 1847 Dubrunfaut estudando o mosto da cerveja descobre um a\u00e7\u00facar novo, a maltose, resultante da sacarifica\u00e7\u00e3o do amido, a\u00e7\u00facar esse que o levedo desdobra em \u00e1lcool e \u00e1cido carb\u00f4nico.\n\nApesar de todas essas descobertas que haviam de influir grandemente sobre a fabrica\u00e7\u00e3o da cerveja, esta era sujeita a imprevistos os mais desagrad\u00e1veis. De tempos em tempos as grandes f\u00e1bricas de cerveja, as maiores se encontravam na Inglaterra e na Alemanha, eram obrigadas a renovar o seu levedo, porque o produto se alterava muito rapidamente. O \u00fanico autor consultado era ainda o c\u00e9lebre Payen, que descobrira a diastase.\n\nPoucas p\u00e1ginas sobre a cerveja havia em seu tratado intitulado: \u201cDas subst\u00e2ncias aliment\u00edcias e meios de melhora-las, conserva-las e reconhecer-lhes as altera\u00e7\u00f5es.\u201d Sobre estas Payen dizia que, sobretudo no ver\u00e3o, as cervejas se modificavam \u201c&#8230; tornando-se \u00e1cidas, ou mesmo sensivelmente p\u00fatridas e deixando de ser pot\u00e1veis&#8230;\u201d mas o \u00fanico conselho que dava era aquele que o empirismo j\u00e1 por si descobrira: mudar freq\u00fcentemente de levedo.\n\nTal era ainda a prec\u00e1ria situa\u00e7\u00e3o em 1871, quando Pasteur, que j\u00e1 fizera seus admir\u00e1veis estudos sobre as fermenta\u00e7\u00f5es, entendeu de estudar um meio que desse \u00e0 ind\u00fastria francesa da fabrica\u00e7\u00e3o de cerveja uma superioridade sobre a ind\u00fastria alem\u00e3. Essas altera\u00e7\u00f5es ditas \u201cespont\u00e2neas\u201d da cerveja causavam freq\u00fcentes preju\u00edzos aos industriais.\n\nOs trabalhos de Pauster sobre as chamadas \u201cgera\u00e7\u00f5es espont\u00e2neas\u201d lhe tinham aberto caminho para destruir toda a teoria de espontaneidade dos fen\u00f4menos biol\u00f3gicos. Sob a orienta\u00e7\u00e3o dessas pesquisas anteriores, desde logo se afigurou ao grande Pasteur que essa altera\u00e7\u00e3o da cerveja devia ser o resultado da a\u00e7\u00e3o de germens do ar, da \u00e1gua ou dos aparelhos utilizados na fabrica\u00e7\u00e3o. Ele j\u00e1 sabia como destruir esses germens. Era, pois, necess\u00e1rio provar que sempre que a cerveja n\u00e3o contivesse esses germens, ela se manteria inalter\u00e1vel.\n\nPara estudar o assunto experimentalmente Pasteur se transportou para uma cervejaria francesa entre Clemont e Royat, num lugar denominado Chamali\u00e8res (Cervejaria H. Kuhn). Ao cabo de pouco tempo, aplicando a essa fabrica\u00e7\u00e3o seus m\u00e9todos de esteriliza\u00e7\u00e3o do material, conseguia produzir uma cerveja de que enviava a seu mestre J. B. Dumas uma d\u00fazia de garrafas, pedindo-lhe que a provasse e lhe comparasse o gosto com a de qualquer botequim de Paris, denominando-a \u201cminha cerveja\u201d.\n\nMas como a f\u00e1brica de Chamali\u00e8res parecesse pequena para as experi\u00eancias em grande escala que tinha em vista, transportou-se para Londres, sem perder tempo, foi a uma grande f\u00e1brica e pediu para examinar a cerveja ainda em uma de suas primeiras fases de preparo.\n\nLevou o levedo ao microsc\u00f3pio e nele encontrando elementos que ele j\u00e1 previa serem germens de associa\u00e7\u00e3o, declarou aos fabricantes at\u00f4nitos: \u201cEste levedo deve deixar muito a desejar!\u201d E acrescentou: \u201cO defeito desta fabrica\u00e7\u00e3o deve se trair por mau gosto na cerveja certamente j\u00e1 notado por alguns de seus freguezes!\u201d Os chefes do laborat\u00f3rio entreolharam-se surpresos e tiveram de confessar que, de fato, diante de algumas reclama\u00e7\u00f5es j\u00e1 tinham mandado buscar um novo levedo.\n\nLogo que chegou o novo levedo, Pasteur o examinou ao microsc\u00f3pio e o declarou muito mais puro, mas prosseguindo nas suas pesquisas condenou muitos outros ainda em uso. Em pouco tempo Pasteur podia concluir: \u201cToda altera\u00e7\u00e3o sobre a qualidade da cerveja coincide com o desenvolvimento de organismos microsc\u00f3picos estranhos \u00e0 natureza do levedo de cerveja propriamente dito.\u201d\n\nCom sua tend\u00eancia a divulgar o que lhe parecia a verdade, n\u00e3o se contentou em fazer essa afirma\u00e7\u00e3o. Mostrando aos t\u00e9cnicos da fabrica\u00e7\u00e3o o que via ao campo do microsc\u00f3pio \u2013 aqui, em uma amostra de cerveja tr\u00eas a quatro filamentos, ali, em uma outra, apenas dois a um, ele lhes ensinava que eram esses filamentos os germens causadores das altera\u00e7\u00f5es da cerveja.\n\nUma semana depois, voltando a visitar essa f\u00e1brica de cerveja, verificou que os diretores tinham adquirido um microsc\u00f3pio e que, tendo aprendido a reconhecer os germens de associa\u00e7\u00e3o, resolviam inutilizar a cerveja e mudar de fermento sempre que encontravam aqueles micro-organismos que Pasteur assinalara como os causadores da altera\u00e7\u00e3o da bebida.\n\nPara seu g\u00eanio, por\u00e9m, n\u00e3o bastava apontar o mal. Era preciso saber evita-lo. Voltando para seu laborat\u00f3rio em Paris, entregou-se como era de seu feitio, ao estudo meticuloso dos germens que alteravam a cerveja. Prosseguindo em suas tentativas de encontrar o meio de evitar o mal cuja causa descobrira, transportou-se para perto de Nancy, donde provinham as melhores cervejas francesas, visitando, em Tantonville, a j\u00e1 famosa f\u00e1brica dos Irm\u00e3os Tourtel.\n\nDepois de longa e pacientemente comprovar as suas afirma\u00e7\u00f5es iniciais sobre as causas da altera\u00e7\u00e3o da bebida, Pasteur que j\u00e1 tinha obtido preservar os vinhos de qualquer altera\u00e7\u00e3o pelo aquecimento a baixa temperatura (50 a 55\u00ba), adaptou o mesmo processo \u00e0s cervejas depois de engarrafadas e um neologismo foi criado \u201cPasteuriza\u00e7\u00e3o\u201d.\n\nTr\u00eas grandes princ\u00edpios cient\u00edficos resultaram de seus estudos:\n\nToda altera\u00e7\u00e3o seja do mosto que serve para produzir a cerveja, seja da pr\u00f3pria cerveja, depende do desenvolvimento de organismos microsc\u00f3picos que s\u00e3o os agentes do mal.\n\nEstes germens s\u00e3o trazidos pelo ar, pela mat\u00e9ria prima e pelos aparelhos usados na fabrica\u00e7\u00e3o.\n\nDesde que a cerveja n\u00e3o contenha esses germens vivos, causa do mal, ela \u00e9 inalter\u00e1vel.\n\nAberto por ele o caminho das pesquisas microsc\u00f3picas, ampliou-se rapidamente de modo not\u00e1vel todo o campo de conhecimentos na mat\u00e9ria. Dentro de pouco tempo n\u00e3o somente se conheciam os germens de contamina\u00e7\u00e3o de uma boa fabrica\u00e7\u00e3o de cerveja, como se aperfei\u00e7oavam os m\u00e9todos de cultura do levedo puro, empregado nessa opera\u00e7\u00e3o.\n\nEnquanto que para Pasteur considerava-se puro o levedo isento de bact\u00e9rias e cogumelos, Emil Christian Hansen demonstrava que o pr\u00f3prio levedo \u00e9 suscet\u00edvel de varia\u00e7\u00f5es e que dele h\u00e1 v\u00e1rios tipos, uns de fermenta\u00e7\u00e3o alta, outros de fermenta\u00e7\u00e3o baixa, uns fermentam energicamente outros lentamente, uns d\u00e3o um produto claro, outros d\u00e3o um produto turvo.\n\nPois se cada levedo possui suas qualidades espec\u00edficas , tanto do ponto de vista f\u00edsico (clarifica\u00e7\u00e3o, forma\u00e7\u00e3o de flocos), como do ponto de vista qu\u00edmico (grau de fermenta\u00e7\u00e3o, gosto, cheiro), s\u00f3 se pode estar certo de obter o mesmo produto quando se trabalhe com o mesmo levedo.\n\nHansen conseguiu isolar e reproduzir um fermento mais puro em meio de cultura artificial e formulou, ent\u00e3o, as regras de cultura de cada esp\u00e9cie de levedo e para resumir as vantagens do emprego de levedos de cultura, assim se exprimiu:\n\n\u201cCom esse processo (levedo de cultura) pode-se assegurar um resultado certo e um trabalho racional, onde outrora reinava mais ou menos o incerto. Podem ser evitadas muitas doen\u00e7as da cerveja, que produzem sempre grandes perdas de dinheiro.\n\nObtem-se um levedo que pode ser vendido a outras f\u00e1bricas de cerveja com grandes lucros, e, enfim, com a cultura pura de levedo eleva-se toda a industria a um n\u00edvel mais alto e seguro, que toda pessoa inteligente deve visar no interesse geral.\u201d\n\nOutro nome que est\u00e1 ligado ao desenvolvimento da fabrica\u00e7\u00e3o da cerveja \u00e9 o de Carl Von Linde que desenvolveu, atrav\u00e9s da compress\u00e3o, a Teoria da Gera\u00e7\u00e3o de Frio Artificial com sua m\u00e1quina frigor\u00edfica a base de am\u00f4nia, o primeiro equipamento foi testado em uma cervejaria de Munich.\n\nPara a fabrica\u00e7\u00e3o da cerveja de baixa fermenta\u00e7\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria uma temperatura entre 4 e 10 graus cent\u00edgrados, tais temperaturas s\u00f3 aconteciam no inverno ou em adegas profundas com o uso de grandes blocos de gelo. Com a inven\u00e7\u00e3o de Linde, a produ\u00e7\u00e3o de cerveja p\u00f4de, desde ent\u00e3o, ser feita em qualquer \u00e9poca do ano, sendo poss\u00edvel controlar os processos de fermenta\u00e7\u00e3o de forma cient\u00edfica exata pelo entendimento da atividade dos microorganismos e reconhecimento de que diversas leveduras, por exemplo, atuam diferentemente e de que as condi\u00e7\u00f5es do meio afetam de maneira b\u00e1sica a a\u00e7\u00e3o de uma mesma cepa.\n\nCom a evolu\u00e7\u00e3o da t\u00e9cnica industrial, as cervejarias passaram da fase emp\u00edrica para a cient\u00edfica. O &#8220;Mestre Cervejeiro&#8221; conta com todos os recursos t\u00e9cnicos e sanit\u00e1rios para a elabora\u00e7\u00e3o de um produto tecnicamente perfeito. 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