{"id":21329,"date":"2016-01-04T00:00:00","date_gmt":"2016-01-04T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/zeus-3\/"},"modified":"2026-09-01T15:37:53","modified_gmt":"2026-09-01T15:37:53","slug":"zeus-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-geral\/zeus-3\/","title":{"rendered":"Zeus"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"ads-cima\"><\/p>\n&nbsp;\n<h4>Hist\u00f3ria<\/h4>\n<p class=\"imagem\"><img decoding=\"async\" title=\"Zeus\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/zzeus-h1.jpg\" alt=\"Zeus\" \/><strong>\nZeus &#8211; Deus Grego<\/strong><\/p>\n<strong>Zeus<\/strong> era o deus do c\u00e9u e governante dos deuses do Olimpo.\n\nEle derrubou seu pai, Cronos, e depois tiraram a sorte com seus irm\u00e3os Poseidon e Hades, a fim de decidir quem iria suceder seu pai no trono.\n\n<strong>Zeus<\/strong> ganhou o sorteio e se tornou o governante supremo dos deuses, bem como senhor do c\u00e9u e da chuva.\n\nSua arma era um raio que ele atirou para aqueles que desagradou ou o desafiou, especialmente mentirosos e Perjuros. Ele era casado com Hera.\n\n<strong>Zeus<\/strong>, a deidade que preside o universo, r\u00e9gua dos c\u00e9us e da terra, foi considerado pelos gregos como o Deus de todos os fen\u00f4menos naturais no c\u00e9u; a personifica\u00e7\u00e3o das leis da natureza; o governante do estado; e, finalmente, o pai dos deuses e dos homens.\n\nUsando seu escudo, o Aegis, Zeus poderia criar todos os fen\u00f4menos naturais relacionados com o ar eo c\u00e9u, como tempestades, tempestades e intensa escurid\u00e3o.\n\nAo seu comando, fortes trov\u00f5es e rel\u00e2mpagos seria flash, causando estragos; ou o c\u00e9u se abriria para rejuvenescer a terra com \u00e1gua que d\u00e1 vida.\n\nComo a personifica\u00e7\u00e3o das opera\u00e7\u00f5es da natureza, ele representou as grandes leis da ordem imut\u00e1vel e harmoniosa, pela qual tanto o natural eo mundo espiritual foram governados.\n\nEle era o deus do tempo regulamentado, marcado pela mudan\u00e7a das esta\u00e7\u00f5es e da sucess\u00e3o regular de dia e de noite, em contraste com o que seu pai Cronus representado diante dele; tempo absoluto, isto \u00e9, a eternidade.\n\nComo o governante do estado, ele era a fonte de poder real, o sustentador de todas as institui\u00e7\u00f5es ligadas ao Estado, eo amigo e patrono dos pr\u00edncipes, que ele guardava e assistidos com a sua palavra e conselho. Ele tamb\u00e9m era o protetor do povo, e vigiava o bem-estar de toda a comunidade.\n\nComo o pai dos deuses, <strong>Zeus<\/strong> verificado que cada divindade cumprir seu dever indiv\u00edduo, punindos os seus malef\u00edcios, resolviam suas disputas, e agia em rela\u00e7\u00e3o a eles em todas as ocasi\u00f5es como seu conselheiro onisciente e poderoso amigo.\n\nComo o pai de homens, ele tomou um interesse paternal nas a\u00e7\u00f5es eo bem-estar dos mortais. Ele observou por cima deles com solicitude, a verdade gratificante, caridade e justi\u00e7a, punindo severamente enquanto perj\u00fario e crueldade. At\u00e9 mesmo o andarilho mais pobres e desamparados poderia encontrar um poderoso defensor de <strong>Zeus<\/strong>, para ele, como uma figura paternal s\u00e1bio e misericordioso, exigiu que os habitantes ricos da terra ficasssem atentos \u00e0s necessidades de seus concidad\u00e3os menos afortunados.\n<h4><strong>Zeus &#8211; <\/strong>Divindade<\/h4>\nComo divindade suprema do Olimpo, chamado &#8220;pai dos deuses e dos homens&#8221;, <strong>Zeus<\/strong> simbolizava a ordem racional da Civiliza\u00e7\u00e3o Hel\u00eanica.\n\n<strong>Zeus<\/strong> \u00e9 o personagem mitol\u00f3gico que, segundo Hes\u00edodo e outros autores, nasceu de R\u00e9ia e de Cronos, o qual engolia os filhos para evitar que se cumprisse a profecia de que um deles o destronaria.\n\nAp\u00f3s o nascimento de <strong>Zeus<\/strong>, R\u00e9ia ocultou a crian\u00e7a numa caverna, em Creta, e deu uma pedra envolta em faixas para o marido engolir.\n\nQuando chegou \u00e0 idade adulta, <strong>Zeus<\/strong> obrigou o pai a vomitar todos os seus irm\u00e3os, ainda vivos, e o encerrou sob a terra.\n\nTransformou-se ent\u00e3o no novo senhor supremo do cosmo, que governava da morada dos deuses, no cume do Monte Olimpo.\n\nA esposa de <strong>Zeus<\/strong> foi sua irm\u00e3 Hera, mas ele teve numerosos amores com deusas e mulheres mortais, que lhe deram vasta descend\u00eancia.\n\nEntre as imortais, contam-se M\u00e9tis, que <strong>Zeus<\/strong> engoliu quando gr\u00e1vida para depois extrair Atena da pr\u00f3pria cabe\u00e7a; Leto, que gerou Apolo e \u00c1rtemis; S\u00eamele, m\u00e3e de Dioniso; e sua irm\u00e3 Dem\u00e9ter, que deu \u00e0 luz Pers\u00e9fone.\n\nCom Hera concebeu Hefesto, Hebe e Ares.\n\nO deus assumia com freq\u00fc\u00eancia formas zoom\u00f3rficas &#8211; cisne, touro &#8211; ou de nuvem ou chuva, em suas uni\u00f5es com mortais, que deram origem a uma estirpe \u00edmpar de her\u00f3is, como os Di\u00f3scuros (Castor e P\u00f3lux), H\u00e9racles (H\u00e9rcules) e outros que ocupam lugar central nos ciclos lend\u00e1rios.\n\nOs templos e est\u00e1tuas em honra a <strong>Zeus<\/strong> dominavam todas as grandes cidades, embora seu culto fosse menos popular do que o das respectivas divindades locais.\n\nEra representado comumente como homem forte e barbado, de aspecto majestoso, e com essa imagem foi adotado pelos Romanos, que o identificaram com J\u00fapiter.\n<h4><strong>Zeus &#8211; <\/strong>Monte Olimpo<\/h4>\n<p class=\"imagem\"><img decoding=\"async\" title=\"Zeus\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/zzeus-h2.jpg\" alt=\"Zeus\" \/><strong>\nZeus &#8211; Mitologia Grega<\/strong><\/p>\n<strong>Zeus<\/strong> <strong>(Jupiter)<\/strong> era filho de CRONOS e REA que eram Titas e detinham o controle do mundo.\n\n<strong>Zeus<\/strong> com seus irmaos e irmas revoltaram-se contra o reino de Cronos e destronaram-no assim como seus outros deuses.\n\n<strong>Zeus<\/strong> tomou posse do trono e dividiu os dominios de Cronos entre seus irmaos.\n\nComo rei dos deuses, <strong>Zeus<\/strong> governava o mundo e as outras divindades. Era mais poderoso que todos os outros deuses juntos. Insistia para que todos obedecessem a suas leis e punia imediatamente todos aqueles que as violavam. Podia provocar tempestades e disparar seus trovoes para punir os homens.\n\n<strong>Zeus<\/strong> usava um escudo, chamado Aegis, no centro do qual estava a cabeca de Medusa. Medusa era uma das tres irmas cujo aspecto era tao horripilante que aquele que a encarasse virava pedra. Para livrar o mundo dessa criatura, Perseus conseguiu apanha-la em seu sono e, usando um espelho para evitar de olha-la, arrancou-lhe a cabeca. Perseus usou-a contra os seus inimigos mas, no final, <strong>Zeus<\/strong> a pegou e a colocou em seu escudo.\n\n<strong>Zeus<\/strong> era tambem acompanhado por uma aguia que carregava seus trovoes.\n\nHERA (Juno) era a esposa de <strong>Zeus<\/strong> e rainha do Olimpo. Era considerada como a protetora das mulheres e especialmente do casamento. Era muito orgulhosa e sensivel e seus ciumes provocavam varias brigas com seu marido. Em certa ocasiao, para mante-la calma, <strong>Zeus<\/strong> amarrou-a com correntes e pendurou-a pelas nuvens, apos ter amarrado uma bigornas em seus pes.\n\nQuando ela se casou com <strong>Zeus<\/strong>, recebeu de GAIA (= Terra), mae de todas as criaturas, uma arvore que dava macas de ouro. As HESPERIDAS, filhas de ATLAS, que carregava o mundo em seus ombros, eram as guardias dessa arvore.\n<h4>Zeus &#8211; Quem era<\/h4>\nFilho mais novo dos tit\u00e3s Cronos e R\u00e9ia, neto de Urano e Gaia. Gaia proteizou que Cronos perderia seu trono para um de seus filhos, levando-o a engolir todos os filhos que nasciam. Quando R\u00e9ia estava para ter <strong>Zeus<\/strong>, fugiu para a ilha de Creta, onde o teve e o deixou sob os cuidados das ninfas.\n\nPara R\u00e9ia n\u00e3o ser punida por Cronos, pegou uma pedra, enrolou em um pano, e deu para Cronos engolir como se fosse o filho que estava esperando.\n\n<strong>Zeus<\/strong> quando cresceu, com o aux\u00edlio de sua av\u00f3 Gaia, preparou uma po\u00e7\u00e3o para Cronos beber e quando ele bebeu, vomitou os outros filhos s\u00e3o e salvos, tendo assim o aux\u00edlio dos irm\u00e3os.\n\nEsse ato gerou uma guerra entre os deuses e os tit\u00e3s. <strong>Zeus<\/strong> libertou os Ciclopes e os Heucat\u00f4nquiros que lutaram a seu favor.\n\nOs deuses venceram a guerra e Zeus foi nomeado o rei dos deuses e dos homens. Recebeu dos C\u00edclopes o trov\u00e3o e o raio divino, tornando-se o Senhor do C\u00e9u, o Deus das Chuvas e das Nuvens.\n\n<strong>Zeus<\/strong> teve M\u00e9tis como primeira esposa, e depois casou-se com Hera, mas n\u00e3o foi fi\u00e9l \u00e0 ela, sendo v\u00edtima, juntamente com suas amantes, da enorme f\u00faria e vingan\u00e7a da esposa.\n\nTeve v\u00e1rios filhos, com v\u00e1rias deusas e mortais. Seus filhos com Hera s\u00e3o Ares, Hebe e Efesto (apesar desse por v\u00e1rias vezes ser considerado apenas filho de Hera).\n\nCom as deusas, ele teve \u00c1rtemis e Apolo com Leto, com Dem\u00e9ter teve Pers\u00e9fone, com Maia teve Hermes, com Mnem\u00f3sine teve as Musas e as Gra\u00e7as com Eur\u00ednome.\n\nCom as mortais <strong>Zeus<\/strong> teve \u00c9pafo com Io, Perseu com D\u00e2nao, \u00c9aco com Egina. H\u00e9racles com Alcmena, com S\u00eamele teve Dioniso. com Leda teve Helena e P\u00f3lux.\n\nTem Hermes como seu mensageiro.\n<blockquote><strong>Armas: <\/strong>escudo. <strong>\nAnimal: <\/strong>\u00e1guia. <strong>\nPlanta: <\/strong>carvalho, oliva, pinho, alo\u00e9, s\u00e1lvia, salsa, trigo, figo, margarida, visco, hortel\u00e3- pimenta, violeta. <strong>\nOr\u00e1culo: <\/strong>Dodona<\/blockquote>\nFonte: www.greekmythology.com\/www.nomismatike.hpg.ig.com.br\/br.geocities.com\n<h6>Zeus<\/h6>\n<p class=\"google\"><\/p>\n<strong>Zeus <\/strong>era o primeiro dos deuses e uma figura muito imponente.\n\nMuitas vezes referido como o &#8220;pai dos deuses e dos homens&#8221;, ele \u00e9 um deus do c\u00e9u que controla rel\u00e2mpago (muitas vezes us\u00e1-lo como uma arma) e trov\u00f5es.\n\n<strong>Zeus<\/strong> \u00e9 o rei do <strong>Monte Olimpo<\/strong>, o lar dos deuses gregos, onde ele governa o mundo e imp\u00f5e sua vontade sobre deuses e os mortais igualmente.\n<h4>Historia de Zeus<\/h4>\nNo come\u00e7o n\u00e3o havia nada, nem luz nem trevas.\n\nO Grande Esp\u00edrito existia sem ter o conhecimento de sua pr\u00f3pria exist\u00eancia, assim permanecendo at\u00e9 que no Nada despertou e ao despertar come\u00e7ou a se expandir. Desta expans\u00e3o, surgiu Nix e seu irm\u00e3o \u00c9rebo. Os dois irm\u00e3os coexistiam opostos, no Nada, no Caos, at\u00e9 que esta oposi\u00e7\u00e3o explodiu em luz. \u00c9rebo mergulhou para sempre nas trevas e Nix envolvido de luz, curvou-se at\u00e9 transformar-se numa esfera que continuou a se expandir ainda mais.\n\nAssim foram criadas a luz e as trevas, o dual, o positivo e o negativo, o mais e o menos, Luz e Escurid\u00e3o. Nix pulsava e expandia na Luz at\u00e9 que se partiu em duas partes iguais. As duas metades de Nix converteram-se, uma no c\u00e9u, em Urano e a outra na Terra, em Gaia.\n\n<strong>Os dois uniram-se. Gaia tornou-se m\u00e3e e seus filhos eram seis Tit\u00e3s:<\/strong> Oceano, Crio, Ceos, Hiperi\u00e3o, J\u00e1peto e Cronos.\n\n<strong>Suas filhas foram as seis Tit\u00e3nidas:<\/strong> T\u00e9ia, R\u00e9ia, Themis, Mnemosina, Febe e T\u00e9tis.\n\n<strong>Hiperi\u00e3o uniu-se a T\u00e9ia e dessa uni\u00e3o nasceram:<\/strong> H\u00e9lio &#8211; o Sol, Selene &#8211; a Lua, e \u00c9os &#8211; a Aurora.\n\n<strong>Cronos uniu-se a R\u00e9ia e nasceram:<\/strong> H\u00e9stia, Dem\u00e9ter, Hera, Hades e Posseidon. Cada filho ao nascer, era devorado por Cronos, pois este temia perder o poder para algum deles. R\u00e9ia, gr\u00e1vida novamente, decidida a n\u00e3o entregar este filho a Cronos, foi para a Ilha de Creta onde poderia dar \u00e0 luz em seguran\u00e7a.\n\nQuando <strong>Zeus<\/strong> nasceu, R\u00e9ia o entregou aos cuidados das Ninfas e partiu levando consigo uma pedra no formato de uma crian\u00e7a rec\u00e9m nascida, embrulhada em panos. Assim que Cronos viu R\u00e9ia aproximar-se, segurando o que para ele era, sem d\u00favida, seu sexto filho, n\u00e3o tardou a peg\u00e1-lo e engoli-lo. R\u00e9ia expressou tristeza e se afastou. T\u00e3o logo R\u00e9ia deixou Creta com a falsa crian\u00e7a de pedra, Gaia, m\u00e3e de Cronos, surgiu.\n\n<strong>Tomou o pequeno Zeus nos bra\u00e7os e falou:<\/strong>\n<blockquote>Eu as convoco, Ninfas, para reunirem-se em torno desta divina crian\u00e7a. Fa\u00e7am com que ela cres\u00e7a em meio a paz, amor e alegria. Sua exist\u00eancia n\u00e3o poder\u00e1 ser conhecida pelos Deuses, at\u00e9 o momento adequado. O destino dos Deuses est\u00e1 em suas m\u00e3os, Ninfas. E eu, estarei velando por voc\u00eas.<\/blockquote>\nGaia partiu. Zeus come\u00e7ou a chorar.\n\n<strong>As Ninfas fizeram de tudo, mas a crian\u00e7a n\u00e3o parava, at\u00e9 que uma delas, Amalt\u00e9ia inspirada por Gaia, teve a id\u00e9ia:<\/strong>\n<blockquote>Algumas vezes, vi a cabra Aix amamentando seus filhotes. Talvez o pequeno Zeus esteja com fome.\nZeus \u00e9 um Deus e Aix uma cabra. Deuses tomam leite de cabra?\nVamos tentar, \u00e9 isso que temos de fazer.<\/blockquote>\nTrouxeram Aix para dentro da gruta, retiraram o leite e o aqueceram em uma tigela de barro. Recolheram o vapor no bojo de uma flor e a aproximaram do pequeno nariz de <strong>Zeus<\/strong> que, sentindo o cheiro, logo se acalmou. Assim, a crian\u00e7a cresceu forte e saud\u00e1vel, alimentando-se de leite e mel. Aix era um animal t\u00e3o feio que os Tit\u00e3s haviam anteriormente pedido a Gaia que a encerrasse em uma caverna, bem longe de seus olhares. Desta forma a cabra foi ter na Ilha de Creta e recebeu o privil\u00e9gio de amamentar o filho de Cronos.\n\nAo menino <strong>Zeus<\/strong> n\u00e3o importava a fealdade do animal. Adorava correr com ela pelos campos e, certa feita, em meio \u00e0s brincadeiras arrancou-lhe um dos chifres.\n\nDeu-o ent\u00e3o \u00e0 ninfa Amalt\u00e9ia, prometendo-lhe que todos os frutos que desejasse ali encontraria. Era a Cornuc\u00f3pia, o corno da eterna abund\u00e2ncia. Quando Aix morreu, <strong>Zeus<\/strong> retirou o couro da cabra e com ele fez fez para si uma coura\u00e7a impenetr\u00e1vel, a \u00e9gide.\n\nDepois, apontou para os c\u00e9us e desejou que a lembran\u00e7a de Aix fosse permanente. Surgiram, ent\u00e3o, as estrelas da constela\u00e7\u00e3o de Capric\u00f3rnio.\n\n<strong>Gaia apareceu e disse:<\/strong>\n<blockquote>Zeus, chegou a hora de voc\u00ea ocupar o lugar de seu pai.<\/blockquote>\nZeus e Gaia partiram de Creta. Chegando nos c\u00e9us, Gaia entregou a Zeus uma por\u00e7\u00e3o m\u00e1gica, preparada por M\u00e9tis, a Prud\u00eancia.\n\n<strong>Tratava-se de uma beberagem milagrosa:<\/strong> Cronos deveria bebe-la para devolver os filhos devorados, que viviam dentro dele, vivos, crescidos e adultos.\n\nQuando R\u00e9ia viu Zeus, logo o reconheceu como seu filho e se abra\u00e7aram. R\u00e9ia perguntou o que era preciso fazer para destituir Cronos.\n<blockquote>Temos que dar-lhe esta por\u00e7\u00e3o para que liberte meus irm\u00e3os.<\/blockquote>\nCrono n\u00e3o percebeu o ardil e bebendo a por\u00e7\u00e3o, desmaiou. Do seu corpo sa\u00edram, intatos, os cinco irm\u00e3os que logo se reuniram em volta de Zeus e o elegeram seu Rei.\n\n<strong>A batalha entre Cronos e Zeus parecia n\u00e3o ter fim at\u00e9 que Gaia procurou Zeus e disse-lhe:<\/strong>\n<blockquote>V\u00e1 at\u00e9 as Trevas em um lugar chamado T\u00e1rtaro. L\u00e1 voc\u00ea encontrar\u00e1 aprisionados os Hecat\u00f4nquiros e os C\u00edclopes. Eles o ajudar\u00e3o.<\/blockquote>\nZeus foi e libertou os Hecat\u00f4nquiros e os C\u00edclopes.\n\n<strong>A batalha foi grande: <\/strong>trov\u00f5es, rel\u00e2mpagos, a \u00e1gua do mar ferveu, explodiram vulc\u00f5es e terremotos. Vencidos, Cronos e seus irm\u00e3os foram lan\u00e7ados ao T\u00e1rtaro. Gaia n\u00e3o desejando ver seus filhos desterrados pediu a Zeus que os libertasse. N\u00e3o sendo atendida, ajudou os Tit\u00e3s na luta contra o novo poder. Mas Zeus e seus aliados triunfaram em todas as batalhas. Os Gigantes foram vencidos e destru\u00eddos em combate, exceto Atlas e Men\u00e9cio. Men\u00e9cio foi atirado ao T\u00e1rtaro e Atlas condenado a carregar a ab\u00f3bada da Terra nas costas, pela eternidade. Zeus reuniu todos os deuses e diante deles recebeu dos C\u00edclopes o trov\u00e3o e o raio divino. Hades foi presenteado com um capacete capaz de torn\u00e1-lo invis\u00edvel e a Posseidon foi ofertado um tridente m\u00e1gico com o poder de rachar a terra e o mar.\n<blockquote>Irm\u00e3os &#8211; disse Zeus, neste momento assumo o reino dos c\u00e9us. Meu irm\u00e3o Posseidon, a voc\u00ea entrego o reino dos mares e a meu irm\u00e3o Hades, confio o reino do T\u00e1rtaro.<\/blockquote>\nOs raios e rel\u00e2mpagos cortavam os c\u00e9us. Hades se dirigiu \u00e0s profundezas infernais. Zeus e os outros irm\u00e3os, H\u00e9stia, Dem\u00e9ter, Hera e Posseidon partiram para a Terra.\n\n<strong>L\u00e1 chegando, Zeus dirigindo-se aos outros deuses, afirmou:<\/strong>\n<blockquote>Neste lugar eu nasci e cresci; a ele sou grato e nele fixarei meu reinado. No alto daquele monte, o Monte Olimpo, ficar\u00e1 a nossa eterna morada.<\/blockquote>\nDo Olimpo, Zeus comandou, alt\u00edssimo e absoluto, a terra e o c\u00e9u, os homens e os deuses.\n\nFonte: www.mauxhomepage.com\n<h6>Zeus<\/h6>\n<p class=\"imagem\"><img decoding=\"async\" title=\"Zeus\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/zzeus-h3.jpg\" alt=\"Zeus\" \/><strong>\nEst\u00e1tua de Zeus em Ol\u00edmpia <\/strong><\/p>\n<strong>Filhos com Temis: <\/strong>Horas &#8211; Moiras\n<strong>Filhos com Medusa: <\/strong>Crisaor &#8211; P\u00e9gaso\n<strong>Filhos com Eur\u00ednome:<\/strong> C\u00e1rites\n<strong>Filhos com Demeter: <\/strong>Core (a figura jovem da deusa) \/ Pers\u00e9fone (a figura madura, rainha do hades);\n<strong>Filhos com Leto: <\/strong>Apolo &#8211; Artemis\n<strong>Filhos com Hera:<\/strong> Hebe, Ares, Il\u00edtia &#8211; Hefesto\n<strong>Filhos com Maia:<\/strong> Hermes\n<strong>Filhos com S\u00eamele:<\/strong> Dion\u00edso\n<strong>Filhos com Alcmena:<\/strong> Heracles\n<strong>Filhos com D\u00e2nae: <\/strong>Perseu\n<strong>Filhos com Europa:<\/strong> Minos &#8211; Sarp\u00e9don &#8211; Radamanto\n<strong>Filhos com Io: <\/strong>\u00c9pafo\n<strong>Filhos com Leda: <\/strong>Helena &#8211; Castor &#8211; Polux &#8211; Clitemnestra\n\n<strong>Obs.:<\/strong> (Lista conta apenas com os princ\u00edpais e mais importantes filhos de Zeus para o mito)\n\n<strong>Etimologia<\/strong>\n\nEm grego (Ze\u00fas), divindade suprema da maioria dos povos indo-europeus.\n\n<strong>Seu nome significa o que ele sempre foi antes de tudo:<\/strong> &#8220;o deus luminoso do c\u00e9u&#8221;.\n\n<strong>A flex\u00e3o (Dze\u00fas), (Di\u00f3s) pressup\u00f5e dois radicais:<\/strong> dy-eu, dy-\u00eau, fonte de &#8220;e&#8221; (Dze\u00fas) e do ac. (Dz\u00ean), que se origina de dye(u)m a que corresponde o s\u00e2nscrito dyauh; o segundo radical \u00e9 &#8220;deiw&gt;deiuos&gt;&#8221;dei(u)os&gt; deus e com altern\u00e2ncia diw-, como se v\u00ea no gen. (pater) gerou Iuppiter, &#8220;pai do c\u00e9u luminoso&#8221;, que possui o mesmo significado que Dy\u00e3us pitar. No a.a. alem\u00e3o Tiu&gt;Ziu se tornou o deus da guerra, aparecendo o mesmo nome igualmente em ingl\u00eas, sob a forma Tuesday, &#8221; dia de Zeus&#8221;. em franc\u00eas, &#8220;o dia de J\u00fapiter&#8221; surgiu primeiramente com a forma juesdi, depois jeudi, que \u00e9 o latim iouis dies, &#8220;dia de J\u00fapiter&#8221;.\n\nA<strong>li\u00e1s, os in\u00fameros ep\u00edtetos gregos de Zeus atestam ser ele um deus tipicamente da atmosfera:<\/strong> \u00f3mbrios, hy\u00e9tios (chuvoso); \u00farios (o que envia ventos favor\u00e1veis); astr\u00e1pios ou astrapa\u00eeos (o que lan\u00e7a raios); bronta\u00eeos (o que troveja). Nesse sentido, diz Te\u00f3crito que <strong>Zeus<\/strong> ora est\u00e1 sereno, ora desce sob a forma de chuva.\n\nNum s\u00f3 verso Homero sintetiza o car\u00e1ter celeste do grande deus indo-europeu; <strong>Zeus<\/strong> obteve por sorte o vasto c\u00e9u, com sua claridade e suas nuvens.\n<p class=\"imagem\"><img decoding=\"async\" title=\"Zeus\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/zzeus-h4.jpg\" alt=\"Zeus\" \/><strong>\nZeus &#8211; Mitologia Grega<\/strong><\/p>\nAntes de penetrarmos no mito de <strong>Zeus<\/strong> e sua conquista definitiva do Olimpo, voltemos brevemente a Crono, para que se possa colocar uma certa ordem did\u00e1tica no assunto. Depois que se tornou senhor do mundo, Crono converteu-se num tirano pior que seu pai Urano. N\u00e3o se contentou em lan\u00e7ar no T\u00e1rtaro a seus irm\u00e3os, os Ciclopes e os Hecatonquiros, porque os temia, mas, ap\u00f3s a admoesta\u00e7\u00e3o de Urano e Geia de que seria destronado por um de seus filhos, passou a engoli-los, t\u00e3o logo nasciam.\n\n<strong>Escapou t\u00e3o somente o ca\u00e7ula, Zeus:<\/strong> gr\u00e1vida desde \u00faltimo, R\u00e9ia refugiou-se na ilha de Creta, no monte Dicta dou Ida, segundo outros, e l\u00e1, secretamente, deu \u00e0 luz o futuro pai dos deuses e dos homens, que foi, logo depois escondido por Geia nas profundezas de um antro inacess\u00edvel, nos flancos dos monte Eg\u00e9on. Em seguida, envolvendo em panos de linho uma pedra, ofereceu-a ao marido e este, de imediato, a engoliu.\n\nNo antro do monte Eg\u00e9on, <strong>Zeus<\/strong> foi entregue aos cuidados dos Curetes e das Ninfas. Sua ama de leite foi &#8220;a ninfa&#8221;, ou, mais canonicamente, &#8220;a cabra&#8221; Amalt\u00e9ia.\n\nQuando, mais tarde, a cabra morreu, o jovem deus a colocou no n\u00famero de constela\u00e7\u00f5es. De sua pele, que era invulner\u00e1vel, <strong>Zeus<\/strong> fez a \u00e9gide, cujos efeitos extraordin\u00e1rios experimentou na luta contra os Tit\u00e3s.\n\nAtingida a idade adulta, o futuro senhor do Ol\u00edmpo iniciou uma longa e terr\u00edvel refrega contra seu pai. Tendo-se aconselhado com M\u00e9tis, a Prud\u00eancia, esta lhe deu uma droga maravilhosa gra\u00e7as \u00e0 qual Crono foi obrigado a vomitar os filhos que havia engolido. Apoiando-se nos irm\u00e3os e irm\u00e3s, devolvidos \u00e0 luz pelo astudo Crono.\n\n<strong>Zeus<\/strong>, para se apossar do governo do mundo, iniciou um duro combate contra o pai e seus tios, os Tit\u00e3s.. .\n\nCaverna onde Zeus nasceu\n\n<strong>Zeus<\/strong> veio ao mundo na matrilinear ilha de Creta e, de imediato, foi levado por Geia para um antro profundo e inacess\u00edvel. Trata-se, claro est\u00e1, em primeiro lugar, de uma encena\u00e7\u00e3o m\u00edtico-ritual cretense, centrada no menino divino, que se torna filho e amante de uma Grande Deusa. Depois, seu esconderijo tempor\u00e1rio numa gruta e o culto min\u00f3ico de Ze\u00fas Idaios, celebrado numa caverna do monte Ida, t\u00eam caracter\u00edsticas muito n\u00edtidas de uma inicia\u00e7\u00e3o nos Mist\u00e9rios. N\u00e3o \u00e9 um v\u00e3o, al\u00e9m do mais, que se localizou, mais tarde, o t\u00famulo do pai dos deuses e dos h omens na ilha de Creta, fato que mostra a assimila\u00e7\u00e3o inici\u00e1tica de <strong>Zeus<\/strong> aos deuses dos Mist\u00e9rios, que morrem e ressuscitam.\n\nConta-se ainda que o entrechocar das armas de bronze dos Curetes abafava o choro do rec\u00e9m-nascido, o que traduz uma proje\u00e7\u00e3o m\u00edtica de grupos inici\u00e1ticos de jovens que celebravam a dan\u00e7a armada, uma das formas da dokimas\u00eda grega. A dan\u00e7a desses dem\u00f4nios, e <strong>Zeus<\/strong> \u00e9 cognominado &#8220;o maior dos Curetes&#8221;, \u00e9 um conhecido rito da fertilidade. A maior e a mais significativa das experi\u00eancias de <strong>Zeus<\/strong> foi ter sido amamentado pela cabra Amalt\u00e9ia.\n\nA luta de <strong>Zeus<\/strong> e seus irm\u00e3os contra os Tit\u00e3s, comandados por Crono, durou dez anos. Por fim, venceu o futuro grande deus ol\u00edmpico e os Tit\u00e3s foram expulsos do C\u00e9u e lan\u00e7ados no T\u00e1rtaro. Para obter t\u00e3o retumbante vit\u00f3ria, <strong>Zeus<\/strong>, a conselho de Geia, libertou do T\u00e1rtaro os Ciclopes e os Hecatonquiros, que l\u00e1 haviam sido lan\u00e7ados por Crono.\n\nAgradecidos, os Ciclopes deram a <strong>Zeus<\/strong> o raio e o trov\u00e3o; a Hades ofereceram um capacete m\u00e1gico, que tornava invis\u00edvel a quem o usasse e a Pos\u00eddon presentearam-no com o tridente, capaz de abalar a terra e o mar.\n\n<strong>Terminada a refrega, os tr\u00eas grandes deuses receberam por sorteio seus respectivos dom\u00ednios:<\/strong> <strong>Zeus<\/strong> obteve o C\u00e9u; Pos\u00eddon, o mar; Hades Plut\u00e3o, o mundo subterr\u00e2neo ou Hades, ficando, por\u00e9m, <strong>Zeus<\/strong> com a supremacia do Universo. Geia, todavia, ficou profundamente irritada contra os Ol\u00edmpicos por lhe terem lan\u00e7ado os filhos, os Tit\u00e3s, no T\u00e1rtaro, e excitou contra os vencedores os terr\u00edveis Gigantes, nascidos do sangue de Urano, Vencidos os formid\u00e1veis Gigantes, Uma derradeira prova, a mais terr\u00edvel de todas, aguardava a <strong>Zeus<\/strong>, a seus irm\u00e3os e aliados, Geia, num derradeiro esfor\u00e7o, uniu-se a T\u00e1rtaro, e gerou o mais horrendo e terr\u00edvel dos monstros, Tif\u00e3o ou Tifeu.\n\nAs lutas de <strong>Zeus<\/strong> contra os Tit\u00e3s (titanomaquia), contra os Gigantes (Gigantomaquia), epis\u00f3dio, ali\u00e1s, desconhecido por Homero e Hes\u00edodo, mas abonado por P\u00edndaro, e contra o horrendo Tif\u00e3o, essas lutas, contra for\u00e7as primordiais desmedidas, cegas e violentas, simbolizam tamb\u00e9m uma esp\u00e9cie de reorganiza\u00e7\u00e3o do Universo, cabendo a <strong>Zeus<\/strong> o papel de um &#8220;re-criador&#8221; do mundo. E apesar de jamais ter sido um deus criador, mas sim conquistador, o grande deus ol\u00edmpico torna-se, com suas vit\u00f3rias, o chefe inconteste dos deuses e dos homens, e o senhor absoluto do Universo. Seus in\u00fameros templos e santu\u00e1rios atestam seu car\u00e1ter pan-hel\u00eanico. O deus indo-europeu da luz, vencendo o Caos, as trevas, a viol\u00eancia e a irracionalidade, vai al\u00e9m de um deus do c\u00e9u imenso, convertendo-se, na feliz express\u00e3o de Homero em (pat\u00e9r andr\u00f4nite the\u00f4nte), o Pai dos deuses e dos homens. E foi com este t\u00edtulo que o novo senhor do Universo, tendo reunido os imortais nos p\u00edncaros do Olimpo, ordenou-lhes de n\u00e3o participarem dos combates que se travavam em \u00cdlion entre aqueus e troianos.\n\nO teor do discurso \u00e9 forte e duro, como conv\u00e9m a um deus consciente de seu poder e que fala a deuses insubordinados e recalcitrantes.\n\n<strong>Ap\u00f3s amea\u00e7\u00e1-los de espancamento, ou pior ainda, de len\u00e7\u00e1-los no T\u00e1rtaro brumoso, conclui em tom desafiante:<\/strong>\n\n<strong>Suspendei at\u00e9 o c\u00e9u uma corrente de ouro, e, em seguida, todos, deuses e deusas, pendurai-vos \u00e0 outra extremidade:<\/strong> n\u00e3o podereis arrastar do c\u00e9u \u00e0 terra a <strong>Zeus<\/strong>, o senhor supremo, por mais que vos esforceis. Se eu, por\u00e9m, de minha parte, desejasse puxar ao mesmo tempo a terra inteira e o mar, eu os traria, bem como a v\u00f3s, para junto de mim. Depois, ataria a corrente a um pico do Olimpo, e tudo ficaria flutuando no ar. E assim sabereis at\u00e9 que ponto sou mais forte do que os deuses e os homens.\n\n<strong>O religios\u00edssimo \u00c9squilo, num fragmento de uma de suas muitas trag\u00e9dias perdidas, vai al\u00e9m de Homero na proclama\u00e7\u00e3o da soberania de Zeus:<\/strong> <strong>Zeus<\/strong> \u00e9 o \u00e9ter, <strong>Zeus<\/strong> \u00e9 a terra, <strong>Zeus<\/strong> \u00e9 o c\u00e9u.\n\nSim <strong>Zeus<\/strong> \u00e9 tudo quanto est\u00e1 acima de tudo.\n\n<strong>E era relamente assim que os gregos o compreendiam:<\/strong> um grande deus de quem dependiam o c\u00e9u, a terra, a p\u00f3lis, a fam\u00edlia e at\u00e9 a m\u00e2ntica.\n\n<strong>Alguns outros de seus ep\u00edtetos comprovam sua grandeza e soberania: <\/strong>Senhor dos fen\u00f4menos atmosf\u00e9ricos, dele depende a fertilidade do solo, d\u00e1i seu ep\u00edteto de Khth\u00f3nios; protetor do lar e s\u00edmboo da abund\u00e2ncia, ele \u00e9 kt\u00e9sios; defensor da p\u00f3lis, da fam\u00edlia e da lei, \u00e9 invocado como polie\u00fas; deus tamb\u00e9m da purifica\u00e7\u00e3o, denomina-se kath\u00e1rsios e deus ainda da m\u00e2ntica, em Dodona, no Epiro, onde seu or\u00e1culo funcionava \u00e0 base do tartalhar dos ramos de um carvalho gigante, \u00e1rvore que lhe era consagrada.\n\n\u00c9 conveniente, no entanto, deixar claro que o triunfo de <strong>Zeus<\/strong>, embora patenteie a vit\u00f3ria da ordem sobre o Caos, como pensava Hes\u00edodo, n\u00e3o reundou na elimina\u00e7\u00e3o pura e simples das divindades primordiais. Algumas deleas, se bem que desempenhando um papel secund\u00e1rio, permaneceram integradas no novo governo do mundo e cada uma, a seu modo, continuou a contribuir para a economia e a ordem do Universo.\n\nAt\u00e9 mesmo a manuten\u00e7\u00e3o de <strong>Zeus<\/strong> no poder, el a deve, em parte, \u00e0 admoesta\u00e7\u00e3o de Geia e Urano, qu elhe predisseram o nascimento de um filho que o destronaria. Foi necess\u00e1rio, para tanto, que engolisse sua primeira esposa, M\u00e9tis. Nix, a Noite, uma das mais primordiais das divindades, continou a ser particularmente respeitada e o pr\u00f3prio <strong>Zeus<\/strong> evitava irrit\u00e1-la.\n\nA ela <strong>zeus<\/strong> ficou devendo seus primeiros rudimentos de cosmologia, quando perguntou \u00e0 deusa das trevas como firmar seu &#8220;soberbo imp\u00e9rio sobre os imortais&#8221; e como orbanizar o Cosmo, de modo a que &#8220;se tivesse um s\u00f3 todo com partes distintas&#8221;. As Er\u00ednias continuaram a desempenhar seu papel de vingadoras do sangue parental derramdado; Pontos, o mar infecundo, permaneceu rolando suas ondas em torno da Terra; Estige, que ajudou <strong>Zeus<\/strong> na luta contra os Tit\u00e3s, foi transformada n\u00e3o apenas em rio do Hades, mas na &#8220;\u00e1gua sagrada&#8221; pela qual juravam os deuses; H\u00e9cate, a deusa dos sortil\u00e9gios, teve seus privil\u00e9gios ampliados por <strong>Zeus<\/strong>, e Oceano h\u00e1 de tornar-se uma divindade importante e um aliado incondicional de <strong>Zeus<\/strong>. Em s\u00edntese, o novo senhor, alijados os inimigos irrecuper\u00e1veis, ao menos temporariamente, buscou harmonizar o Cosmo, pondo um fim definitivo \u00e0 violenta sucess\u00e3o das dinastias divinas.\n\nAt\u00e9 mesmo as divindades pr\u00e9-hel\u00eanicas, atrav\u00e9s de um vasto sincretismo, tiveram fun\u00e7\u00f5es e algumas muito importantes na nova ordem do mundo. O exemplo come\u00e7ou pelo pr\u00f3prio <strong>Zeus<\/strong>, que, apesar de ser um deus indo-europeu, &#8220;nasceu&#8221; em Creta; l\u00e1 teve seus primeiros ritos inici\u00e1ticos e l\u00e1 &#8220;morreu&#8221;.\n\n<strong>A marca min\u00f3ica permaneceu inclusive na \u00e9poca cl\u00e1ssica: <\/strong>a arte figurada nos mostra a est\u00e1tua de um <strong>Zeus<\/strong> jovem e imberbe, o jovem deus dos mist\u00e9rios do monte Ida, o feus da fertilidade, o <strong>Zeus<\/strong> ct\u00f4nio.\n\nAtena, a important\u00edssima Atena, deusa da vegeta\u00e7\u00e3o, transmutou-se na filha querida das meninges de <strong>Zeus<\/strong>. Pers\u00e9fone tornou-se, al\u00e9m de filha da Grande M\u00e3e Demeter, sua companheira insepar\u00e1vel nos Mist\u00e9rios de El\u00eausis. Poder-se-ia ampliar a lista, mas o que se deseja ressaltar \u00e9 que uma s\u00e1bia pol\u00edtica religiosa, em que certamente teve papel de relev\u00eancia o dedo de Delfos com sua modera\u00e7\u00e3o e indiscut\u00edvel patrilinhagem, fez que deusas locais pr\u00e9-hel\u00eancias, algumas divindades primordiais e certos cultos arcaicos se integrassem no novo sistema religioso ol\u00edmpico, dando \u00e0 religi\u00e3o grega seu car\u00e1ter espec\u00edfico e sua extens\u00e3o pan-hel\u00eanica sob a \u00e9gide de <strong>Zeus<\/strong>.\n\nT\u00e3o logo o pai dos deuses e dos homens sentiu consolidados o seu poder e dom\u00ednio sobre o Universo, libertou seu pai Crono da pris\u00e3o subterr\u00e2nea onde o trancariara e f\u00ea-lo rei da Ilha dos Bem-Aventurados, nos confins do Ocidente. Ale ele reiunou sobre muitos her\u00f3is que, merc\u00ea de <strong>Zeus<\/strong>, n\u00e3o conheceram a morte.\n\n<strong>Esse destino privilegiado \u00e9, de certa forma, uma escatologia: <\/strong>os her\u00f3is n\u00e3o morrem, mas passar a viver paradisiacamente na Ilha dos Bem-Aventurados.\n\nTrata-se de uma esp\u00e9cie de recupera\u00e7\u00e3o da Era de ouro, sob o reinado de Crono.\n\nOs Latinos compreenderam bem o sentido dessas aetas aurea (Era de Ouro), pois fizeram-na coincidir com o reino de Saturno na It\u00e1lia.\n\n<strong>Zeus<\/strong> \u00e9, antes do mais, um deus da &#8220;fertilidade&#8221;, \u00e9 \u00fambrios e hy\u00e9tios, \u00e9 chuvoso. \u00c9 deus dos fen\u00f4menos atmosf\u00e9ricos, por isso que dele depnde a fecundidade da terra, enquanto khth\u00f3mios. \u00c9 o protetor da fam\u00edlia e da P\u00f3lis, da\u00ed seu ep\u00edteto de polie\u00fas. Essa caracter\u00edstica primeira de <strong>Zeus<\/strong> explica v\u00e1rias de suas liga\u00e7\u00f5es com deusas de estrutura ct\u00f4nia, com Europa, S\u00eamele, Dem\u00e9ter e outras. Trata-se de uni\u00f5es que refletem claramente hierogamias de um deus, senhor dos fen\u00f4menos celestes, com divindades tel\u00faricas. De outro lado, \u00e9 necess\u00e1rio levar em conta que a significa\u00e7\u00e3o profunda de &#8220;tantos casamentos e aventuras amorosas&#8221; obedece antes do mais a um crit\u00e9rio religioso (a fertiliza\u00e7\u00e3o da terra porum deus celeste), e, depois, a um sentido pol\u00edtico; unindo-se a certas deusas locais pr\u00e9-hel\u00eanicas, <strong>Zeus<\/strong> consuma a unifica\u00e7\u00e3o e o sincretismo que h\u00e3o de fazer da religi\u00e3o grega um calidosc\u00f3pio de cren\u00e7as, cujo chefe e guardi\u00e3o \u00e9 o pr\u00f3prio <strong>Zeus<\/strong>.\n\nA maioria das regi\u00f5es gregas se vangloriava de ter possu\u00eddo um her\u00f3i ep\u00f4nimo nascido dos amores do grende deus. O mesmo se diga das grandes fam\u00edlias lend\u00e1rias que sempre apontavam um seu ancestral como filho de <strong>Zeus<\/strong>.\n\nMas, que representa, afinal esse deus t\u00e3o importante para os gregos, dentro de um enfoque atual? Ap\u00f3s o governo de Urano e Crono, <strong>Zeus<\/strong> simboliza o reino do esp\u00edrito. Embora n\u00e3o seja um deus criador, ele \u00e9 o organizador do mundo exterior e interior. Dele depende a regularidade das leis f\u00edsicas, sociais e morais.\n\nConsoante Mircea Eliade, <strong>Zeus<\/strong> \u00e9 o arquetipo, \u00e9 o pai dos deuses e dos homens. Enquanto deus do rel\u00e2mpago, configura o esp\u00edrito, a intelig\u00eancia iluminada, a intui\u00e7\u00e3o outorgada pelo divino, a fonte da verdade. Como deus do raio, simbolizou a c\u00f3lera celeste, a puni\u00e7\u00e3o, o castigo, a autoridade ultrajada, a fonte de justi\u00e7a.\n\nA figura de <strong>Zeus<\/strong>, ap\u00f3s ultrapassar a imagem de um deus ol\u00edmpico autorit\u00e1rio e fecundador, sempre \u00e0s voltas com amantes mortais e imortais, at\u00e9 tornar-se um deus \u00fanico e universal, percorreu um longo caminho, iluminado pela cr\u00edtica filos\u00f3fica e pela evolu\u00e7\u00e3o lenta, mas constante da purifica\u00e7\u00e3o do sentimento religioso.\n\nA concep\u00e7\u00e3o de <strong>Zeus<\/strong> como Provid\u00eancia \u00fanica s\u00f3 atingiu seu \u00e1pice com os Est\u00f3icos, entre os s\u00e9culos IV e III a.e.c., quando ent\u00e3o o filho de Crono surge como s\u00edmbolo de um &#8220;deus \u00fanico&#8221;, encarnando o Cosmo, concebido como um vasto organismo animado por uma for\u00e7a \u00fanica. \u00c9 indispens\u00e1vel, todavia, deixar bem patente que os Est\u00f3icos concebiam o mundo como um vasco organismo animado por uma for\u00e7a \u00fanica e exclusiva, Deus, tamb\u00e9m denominado Fogo, Pneuma, Raz\u00e3o, Alma do Mundo&#8230; Mas, entre Deus e a mat\u00e9ria a diferen\u00e7a \u00e9 meramente acidental, como de subst\u00e2ncia menos sutil a mais sutil. A evolu\u00e7\u00e3o desse Teocosmo, desse deus-mundo, \u00e9 necessariamente fatalista, pois que obedece a um rigoroso detrminismo. Desse modo, aos imprevistos do acaso e ao governo da Provid\u00eancia divina se substitui a mais absoluta fatalidade.\n\nAs teorias cosmol\u00f3gicas dos Est\u00f3icos est\u00e3o, na realidade, fundamentadas no pante\u00edsmo, fatalismo e materialismo. O bel\u00edssimo Hino a <strong>Zeus<\/strong>, do fil\u00f3sofo est\u00f3ico Cleantes (S\u00e9c. III a.e.c.), marca o ponto culminante da ascens\u00e3o do deus ol\u00edmpico no esp\u00edrito dos gregos de sua \u00e9poca e estampa bem claramente o que se acabou de dizer.\n\nOs &#8220;modernos&#8221;, todavia, denunciaram em determinadas atitudes do poderoso pai dos deuses e dos homens o que se convencionou chamar de Complexo de <strong>Zeus<\/strong>. Trata-se de uma tend\u00eancia a monopolizar a autoridade e a destruir nos outros toda a promissora que seja. Descobrem-se nesses complexos as ra\u00edzes de um manifesto sentimento de inferioridade intelectual e moral, com evidente necessidade de uma compensa\u00e7\u00e3o social, sua dignidade de autoritarismo. o temo de que sua autocracia, sua dignidade e seus direitos n\u00e3o fossem devidamente acatados e respeitados tornaram <strong>Zeus<\/strong> extremament sens\u00edvel e sujeito a explos\u00f5es col\u00e9ricas, n\u00e3o raro calculadas.\n\nPara Hes\u00edodo, no entanto, <strong>Zeus<\/strong> simboliza o termo de um ciclo de trevas e o in\u00edcio de uma era de luz. Partindo do Caos, da desordem primordial, para a justi\u00e7a, cifrada em <strong>Zeus<\/strong>, o poeta sonha com um mundo novo, onde haveriam de reinar a disciplina, a justi\u00e7a e a paz.\n\n<strong>Tipo e atributos de Zeus <\/strong>\n\n<strong>Zeus (J\u00fapiter), filho de Crono (Saturno) e de Reia, irm\u00e3o de Pos\u00eddon e Hades, esposo de Hera, rei dos deuses e dos homens, representa, na ordem moral o la\u00e7o das sociedades humanas, o guarda dos tratados, o protetor dos pobres, dos suplicantes e de todos aqueles cujo \u00fanico ref\u00fagio \u00e9 o c\u00e9u:<\/strong>\n<blockquote>\n<p align=\"left\">&#8220;V\u00eas tu, diz um fragmento de Eur\u00edpides, essa imensid\u00e3o sublime que envolve a terra por toda parte? \u00c9 Zeus, \u00e9 o deus supremo.&#8221; Tamb\u00e9m \u00canio afirma : &#8220;Olha essas alturas luminosas que por toda parte se invocam com o nome de Zeus.&#8221; Varr\u00e3o, que cita tal trecho, acrescenta : &#8220;Eis porque s\u00e3o abertos os tetos dos templos, para deixarem ver o divino, isto \u00e9, o c\u00e9u; dizem tamb\u00e9m que s\u00f3 devemos tom\u00e1-lo por testemunha a c\u00e9u descoberto.&#8221;<\/p>\n<\/blockquote>\nCom efeito, os templos de <strong>Zeus<\/strong> eram sempre descobertos no alto. Somente os templos dos deuses da terra \u00e9 que t\u00eam tetos fechados.\n\nSendo <strong>Zeus<\/strong> fisicamente a ab\u00f3bada celeste personificada, julgavam todos n\u00e3o serem vistos por ele em lugares fechados. Arist\u00f3fanes ri-se de tais cren\u00e7as populares, quando, na sua com\u00e9dia das Aves, mostra Prometeu, que, participando de uma conspira\u00e7\u00e3o contra o rei dos deuses, inventa um modo de n\u00e3o ser visto\n<blockquote>\n<p align=\"left\">&#8220;Sil\u00eancio, diz ele, n\u00e3o pronuncies o meu nome; estou perdido, se Zeus me v\u00ea aqui. Mas se queres que eu te diga o que se passa l\u00e1 no alto, pega este p\u00e1ra-sol e mant\u00e9m-no sobre a minha cabe\u00e7a, para que me n\u00e3o percebam os deuses.&#8221;<\/p>\n<\/blockquote>\nEra dif\u00edcil \u00e0 arte representar sob forma humana o car\u00e1ter de ab\u00f3bada celeste de que se reveste, para falarmos corretamente, <strong>Zeus<\/strong>. Entretanto, uma antiga pedra gravada nos mostra o rei dos c\u00e9us sentado num trono que descansa sobre um v\u00e9u inflado pelo vento e seguro por Pos\u00eddon posto embaixo.\n\n<strong>Sendo Pos\u00eddon a personifica\u00e7\u00e3o do mar, .\u00e9 como se dissesse: <\/strong>o esp\u00edrito de Deus paira sobre as \u00e1guas. O c\u00e9u que <strong>Zeus<\/strong> representa est\u00e1 aqui caracterizado pelos sinais do Zod\u00edaco colocados em torno da composi\u00e7\u00e3o, e Zeus, ademais, v\u00ea-se escoltado por duas divindades, Ares e Hermes.\n\nEmbora, tomado isoladamente, <strong>Zeus<\/strong> represente mais especialmente a ab\u00f3bada celeste, \u00e9, como j\u00e1 o dissemos, o deus supremo de que as demais divindades representam apenas qualidades personificadas.\n\n<strong>Creuzer, para patentear o car\u00e1ter de universalidade de Zeus, apoia-se num hino \u00f3rfico conservado por Estobeu:<\/strong> &#8220;Zeus foi o primeiro e o \u00faltimo, Zeus \u00e9 a cabe\u00e7a e o meio; dele provieram todas as coisas. <strong>Zeus<\/strong> foi homem e virgem imortal. Zeus \u00e9 o fundamento da terra e dos c\u00e9us; Zeus \u00e9 o sopro que anima todos os seres; Zeus \u00e9 a origem do fogo, a raiz do mar; Zeus \u00e9 o sol e a lua. Est\u00e1 geralmente nu desde a cabe\u00e7a at\u00e9 a cintura; os cabelos caem-lhe como crina nos dois lados da testa, que \u00e9 clara e radiosa na parte superior, mas convexa na parte inferior. Tem os olhos fundos, apesar de bem abertos, uma barba espessa, peito amplo, mas n\u00e3o as propor\u00e7\u00f5es de atleta. A atitude \u00e9 sempre majestosa e a arte jamais o representou em movimento violento. Zeus recebeu v\u00e1rios apelidos que correspondem a diferentes facetas do seu aspecto divino, e se caracterizam por atributos especiais\n\n<strong>Zeus tonante <\/strong>\n\nN\u00e3o compreendiam os antigos que pudesse haver for\u00e7a compar\u00e1vel \u00e0 do raio. O raio que <strong>Zeus<\/strong> empunha \u00e9, pois, a imagem da for\u00e7a repentina e irresist\u00edvel.\n\nTodos os que tentaram lutar contra ele, homens ou deuses, foram fulminados. Assim, as moedas o representam montado num carro do alto do qual fere os que ousam resistir-lhe. Vemo-lo representado assim numa moeda da fam\u00edlia P\u00f3rcia, cunhada em honra de uma vit\u00f3ria conquistada contra Ant\u00edoco por Cipi\u00e3o, o Asi\u00e1tico.\n\nMas entre os monumentos do g\u00eanero, n\u00e3o h\u00e1 nenhum t\u00e3o c\u00e9lebre como a bela pedra gravada do museu de N\u00e1poles, onde o vemos fulminando os gigantes, e que reproduzimos.\n\nO culto de <strong>Zeus<\/strong> tonante imperava em toda a Gr\u00e9cia. Augusto ordenou que lhe erguessem um templo em Roma. Um raio ca\u00edra durante a noite sobre a sua liteira e um escravo morrera, sem que o imperador fosse atingido. Foi em mem\u00f3ria de tal fato que se construiu no Capit\u00f3lio um templo de Zeus tonante, cujos vest\u00edgios ainda existem e que est\u00e1 representado em v\u00e1rias medalhas.\n\nVirg\u00edlio, nas Ge\u00f3rgicas, descreve os terrores inspirados pelo raio de <strong>Zeus<\/strong> quando tomba no meio das tempestades. &#8220;Muitas vezes, diz ele, amontoam-se no c\u00e9u torrentes de chuva, e, nos seus lados sombrios, as nuvens guardam espantosas tempestades. O c\u00e9u funde-se em \u00e1gua e, sob um dil\u00favio de chuva, arrasta as risonhas colheitas e o fruto do trabalho dos bois.\n\nOs fossos enchem-se, os rios crescem ruidosamente, e nos estreitos o mar se agita e turbilhona. <strong>Zeus<\/strong>, no seio da noite das nuvens, lan\u00e7a o raio. A terra trepida at\u00e9 os fundamentos; os animais fogem e o espanto abala o d\u00e9bil cora\u00e7\u00e3o dos mortais. O deus, com os seus dardos chamejantes, abate o Atos, o Rodope, ou os montes Acrocer\u00e2unios ; os ventos redobram, a chuva se intensifica, e o estrondo do furac\u00e3o faz estremecer bosques e margens.&#8221; Quando Zeus \u00e9 mo\u00e7o, e se prepara a lutar contra os Tit\u00e3s, vemo-lo \u00e0s vezes sob uma forma diferente da que lhe \u00e9 dada, quando \u00ea rei dos deuses.\n\nAssim \u00e9 que uma bela pedra gravada antiga no-lo apresenta, contrariamente ao costume, nu e desprovido de barba. Acompanhado da sua \u00e1guia, prepara-se para a grande luta que lhe vai assegurar o imp\u00e9rio do mundo.\n\n<strong>Zeus nic\u00e9foro <\/strong>\n\nNice, a Vit\u00f3ria, aparece uma vez ou outra na m\u00e3o de Ares ou de Atena, mas quase sempre na de <strong>Zeus<\/strong>. \u00c9 um atributo que n\u00e3o pode estar melhor colocado do que na companhia do rei dos deuses. A Vit\u00f3ria n\u00e3o tem nenhuma lenda especial na mitologia, mas surge freq\u00fcentemente na arte. Colocada em moedas, parece ter por miss\u00e3o perpetuar a recorda\u00e7\u00e3o de um fato glorioso para o pa\u00eds. Numa medalha parta, vemos uma imagem de Zeus nic\u00e9foro, no reverso do retrato do rei, cujo ex\u00e9rcito vencera Crasso.\n\nA Vit\u00f3ria est\u00e1 sempre caracterizada por asas, sem d\u00favida para indicar o seu car\u00e1ter fugidio. Entretanto, os atenienses ergueram um templo \u00e0 Vit\u00f3ria sem asas, querendo, assim, demonstrar que se fixara entre eles. Em Roma, havia no Capit\u00f3lio uma c\u00e9lebre est\u00e1tua da Vit\u00f3ria arrebatada v\u00e1rias vezes na luta do cristianismo e do paganismo e que acabou por desaparecer definitivamente em 382, por ordem de Graciano que, com tal medida, se tornou odioso aos romanos e se viu abandonado dos s\u00faditos, mal se soube que M\u00e1ximo se fizera proclamar imperador na Gr\u00e3-Bretanha. Os pag\u00e3os eram ainda numeros\u00edssimos em Roma, e \u00e9 f\u00e1cil compreender a indigna\u00e7\u00e3o deles, ao verem retirar a Vit\u00f3ria, no mesmo momento em que os b\u00e1rbaros invadiam por todas as partes o imp\u00e9rio.\n\nA Vit\u00f3ria segura quase sempre na m\u00e3o uma palma ou coroa de louro; vemo-la muitas vezes coroando um her\u00f3i ou pairando no ar sobre ele. \u00c0s vezes, eleva os trof\u00e9us, ou grava num escudo os feitos dos guerreiros. As pedras gravadas a representam tamb\u00e9m conduzindo um carro.\n\nA arte dos \u00faltimos s\u00e9culos n\u00e3o modificou sensivelmente o tipo deixado pela antiguidade, e, em v\u00e1rios dos nossos monumentos, vemos a Vit\u00f3ria sob a forma de jovens aladas, que seguram coroas ou palmas.\n\n<strong>Zeus aet\u00f3foro<\/strong>\n\nA \u00e1guia, segundo os gregos, \u00e9 a ave que voa mais alto e, por conseguinte, a que melhor corresponde \u00e0 majestade divina. \u00c9 por isso que se representa umas vezes aos p\u00e9s de <strong>Zeus<\/strong>, outras sobre o seu cetro.\n\n<strong>\u00c0s vezes, segura com as poderosas garras o raio do deus:<\/strong> vemo-lo sob esse aspecto no reverso de uma moeda maced\u00f4nia.\n\nA \u00e1guia de <strong>Zeus<\/strong>, ali\u00e1s, desempenhou um papel importante na mitologia. \u00c9 ela que leva a <strong>Zeus<\/strong> crian\u00e7a o n\u00e9ctar de que as ninfas a embebem na ilha de Creta.\n\nMas \u00e9 sobretudo ela que arrebata o jovem pastor Ganimedes para dele fazer escan\u00e7\u00e3o do rei dos deuses.\n\nO belo adolescente era filho de Tros, rei de Tr\u00f3ada; segundo Homero, <strong>Zeus<\/strong> ordenou que o raptassem para dar aos c\u00e9us um ornamento de que a terra n\u00e3o era digna. Uma linda est\u00e1tua antiga nos mostra o pastor Gan\u00edmedes inteiramente nu e apoiado contra uma \u00e1rvore. Usa o gorro fr\u00edgio e segura com a m\u00e3o o seu cajado de pastor.\n\nGan\u00edmedes guiava os seus rebanhos no promont\u00f3rio dard\u00e2nico, quando se verificou o rapto sobre o qual n\u00e3o d\u00e3o os poetas nenhum pormenor.\n\n<strong>Mas quando o rapto se verificou. o rei de Tr\u00f3ada ficou inconsol\u00e1vel com a perda do filho:<\/strong> Zeus aliviou-lhe a dor mostrando-lhe que endeusara Gan\u00edmedes e o colocara no c\u00e9u, onde se tornou efetivamente o sinal do Zod\u00edaco a que chamamos aqu\u00e1rio. Ademais, o rei dos deuses doou a Tros um magn\u00edfico cepo de ouro e uma parelha de cavalos que corriam mais depressa que o vento.\n\nO rapto de Gan\u00edmedes constitui o assunto de uma bela est\u00e1tua antiga do museu Pio-Clementino ; considera-se repeti\u00e7\u00e3o de um grupo esculpido por Leocares, famos\u00edssimo na antiguidade.\n\nA est\u00e1tua de Leocares \u00e9 citada na obra de Pl\u00ednio, e acredita-se que foi ela que Nero mandou buscar para ornamento do templo da Paz. \u00c9 de notar o cuidado da \u00e1guia para n\u00e3o ferir de maneira nenhuma o jovem que foi incumbida de raptar ; \u00e0s vezes, Gan\u00edmedes \u00e9 representado sentado nas costas da \u00e1guia.\n\n<strong>De resto, narra Luciano pormenorizadamente as circunst\u00e2ncias do rapto; \u00e9 Hermes quem fala:<\/strong>\n<blockquote>\n<p align=\"left\">&#8220;Prestava eu, diz ele, os meus of\u00edcios a Zeus que, disfar\u00e7ado de \u00e1guia, se aproximou de Gan\u00edmedes e pairou por algum tempo atr\u00e1s dele. Depois, aplicando docemente as garras aos membros delicados do rapaz, e pegando com o bico o seu gorro, raptou o belo jovem que, surpreendido e perturbado, voltava a cabe\u00e7a e os olhos para o raptor.&#8221;<\/p>\n<\/blockquote>\nUma medalha de Geta, cunhada na cidade de D\u00e1rdanos em Tr\u00f3ada, e v\u00e1rias pedras gravadas representam o fato de maneira aproximadamente conforme \u00e0 narra\u00e7\u00e3o de Luciano. Numa antiga pintura do museu de N\u00e1poles, \u00e9 um Amor quem conduz a \u00e1guia para perto de Gan\u00edmedes sentado ao p\u00e9 de uma \u00e1rvore. Um grande n\u00famero de pedras gravadas O rapto de Gan\u00edmedes constitui o assunto de uma bela est\u00e1tua antiga do museu Pio-Clementino ; considera-se repeti\u00e7\u00e3o de um grupo esculpido por Leocares, famos\u00edssimo na antiguidade.\n\n<strong>Numa pedra gravada do museu de Floren\u00e7a, v\u00ea-se Afrodite acariciando Gan\u00edmedes a quem explica, sem d\u00favida, as fun\u00e7\u00f5es que lhe h\u00e3o de caber:<\/strong> um vaso posto ao p\u00e9 do belo adolescente indica a natureza. Em lugar do gorro fr\u00edgio, Gan\u00edmedes usa dessa vez casquete de ca\u00e7ador, e <strong>Zeus<\/strong>, que deseja contempl\u00e1-lo \u00e0 vontade, sem que ele o perceba, est\u00e1 quase inteiramente oculto pela \u00e1guia de asas abertas.\n\nN\u00e3o conhecemos monumentos c\u00e9lebres que representem Gan\u00edmedes nas suas fun\u00e7\u00f5es de escan\u00e7\u00e3o ao p\u00e9 do rei dos deuses. Mas uma linda est\u00e1tua do museu Pio-Clementino no-lo apresenta segurando na m\u00e3o uma ta\u00e7a de ambr\u00f3sia que ele apresenta \u00e0 \u00e1guia de <strong>Zeus<\/strong>, posta ao seu lado.\n\n<strong>Zeus hospitaleiro<\/strong>\n\n<strong>Zeus<\/strong> \u00e9 o protetor dos anfitri\u00f5es, e percorre incessantemente a terra para verificar como praticam a hospitalidade os homens. Achava-se um dia na Frigia, acompanhado do fiel Hermes, que tivera o cuidado de se desfazer das asas para n\u00e3o ser reconhecido. Ap\u00f3s visitar grande n\u00famero de casas em busca de hospitalidade, o que sempre lhe foi recusado, chegou a uma cho\u00e7azinha coberta de palha, e de cani\u00e7os; ali foram ambos acolhidos com cordialidade por Filemon e B\u00e1ucis. Os dois esposos tinham a mesma idade, haviam contra\u00eddo n\u00fapcias muito mo\u00e7os e haviam envelhecido naquela cho\u00e7a. Pobres, tinham sabido mediante a virtude diminuir os rigores da indig\u00eancia. Sozinhos, eram eles mesmos os seus criados e compunham toda a fam\u00edlia.\n\nQuando <strong>Zeus<\/strong> e Hermes entraram, abaixando-se, por ser a porta baix\u00edssima, Filemon apresentou-lhes cadeiras para que descansassem, e B\u00e1ucis nelas acomodou um pouco de palha para que os estranhos se sentissem mais a vontade. Em seguida, p\u00f4s-se a fazer fogo reavivando algumas fagulhas que brilhavam sob as cinzas; para aument\u00e1-lo e fazer ferver a marmita, reuniu alguns gravetos e arrancou ramos que serviam de apoio \u00e0 cabana. Enquanto limpava a verdura que o marido fora colher no horto, Filemon pegou toucinho velho pendente cio forro e, cortando um peda\u00e7o, o colocou na marmita. Depois, \u00e0 espera de que o almo\u00e7o ficasse pronto, come\u00e7ou a conversar com os h\u00f3spedes para que estes se n\u00e3o entediassem.\n\nNum canto do quarto pendia um vaso de faia que Filemon encheu de \u00e1gua quente, para lavar-lhes os p\u00e9s.\n\n<strong>No meio, via-se uma mesa de madeira cujo \u00fanico enfeite eram algumas folhas de \u00e1rvores; para decor\u00e1-la, estenderam sobre ela um tapete do qual somente se serviam nas grandes festas, e o tapete, digno ornamento de tal mesa, era um velho h\u00e1bito muito comum: <\/strong>foi ali que eles arrumaram o lugar para que Zeus e Hermes pudessem comer.\n\nEntretanto, B\u00e1ucis preparava a mesa; como esta tivesse um dos p\u00e9s mais curto que os outros, remediou a situa\u00e7\u00e3o colocando sob ele um tijolo. Ap\u00f3s enxug\u00e1-la bem, colocou sobre ela azeitonas, chic\u00f3rea, rabanetes e queijo branco. Formava o prato do meio um bolo de mel. A refei\u00e7\u00e3o era frugal, mas tinha bom aspecto e era dada de todo o cora\u00e7\u00e3o. No entanto, o bom casal desconfiou que n\u00e3o era bastante; a sua \u00fanica riqueza era um ganso que guardava a cho\u00e7a. Quiseram peg\u00e1-lo para o matar, e puseram-se ambos a correr atr\u00e1s do pobre animal que, desejoso de lhes escapar, os fez perder a respira\u00e7\u00e3o e terminou por se refugiar entre as pernas de <strong>Zeus<\/strong>, o qual lhes rogou o n\u00e3o matassem. O ganso passara a ser seu protegido.\n\nOs dois esposos notaram que as ta\u00e7as se enchiam por si pr\u00f3prias \u00e0 medida que se esvaziavam e que o vinho aumentava em vez de diminuir. Assombrados com tal prod\u00edgio, ergueram as m\u00e3os tr\u00eamulas para o c\u00e9u, pedindo perd\u00e3o aos h\u00f3spedes por lhes ter oferecido t\u00e3o pobre refei\u00e7\u00e3o <strong>Zeus<\/strong> deu-se, ent\u00e3o, a conhecer e ordenou-lhes o seguissem \u00e0 montanha vizinha, o que eles mal conseguiram fazer, valendo-se dos seus cajados. O rei dos deuses perguntou-lhes, depois, o que almejavam, e prometeu que os satisfaria. Ap\u00f3s se consultarem, os dois esposos suplicaram-lhe a gra\u00e7a de n\u00e3o sobreviver um ao outro.\n\nChegados \u00e0 montanha, Filemon e B\u00e1ucis voltaram-se e viram que toda a regi\u00e3o estava coberta de \u00e1gua, com exce\u00e7\u00e3o da cho\u00e7a. E como se admirassem de, no meio de t\u00e3o grande calamidade, lhes ter sido poupada a habita\u00e7\u00e3o, notaram que se revestia de aspecto diverso. Magn\u00edficas colunas se erguiam no lugar das forquilhas de madeira que antes a sustentavam; a palha que a cobria convertera-se em ouro; a terra que lhe servia de soalho estava pavimentada de m\u00e1rmore, a porta ornada de esculturas e baixos-relevos; a humilde choupana transformara-se num resplendente templo.\n\n<strong>Zeus<\/strong> fez dos dois esposos sacerdotes do novo templo, e eles viveram unidos na prosperidade, como haviam vivido na indig\u00eancia, e chegaram isentos de enfermidades \u00e0 mais extrema velhice. Quando soou a hora marcada pelo destino, Filemon e B\u00e1ucis achavam-se sentados diante dos degraus do templo. B\u00e1ucis percebeu de repente que o corpo de Filenon se ia cobrindo de folhas e este, por sua vez observou o mesmo fen\u00f4meno em sua mulher.\n\n<strong>Vendo, em seguida, ambos que a casca come\u00e7ava a atingir a cabe\u00e7a, disse Filemon: <\/strong>&#8220;Adeus, minha querida esposa&#8221;, e ela: &#8220;Adeus meu querido esposo&#8221;. Mal haviam proferido tais palavras, fechou-se-lhes para sempre a boca. As duas \u00e1rvores colocadas lado a lado sombrearam a entrada do templo, e a piedade dos povos lhes cobriu de ramalhetes e grinaldas os ramos.\n\n<strong>Zeus ol\u00edmpico <\/strong>\n\nEra perto do templo de Ol\u00edmpia, em \u00c9lida, que os gregos se reuniam para celebrar os jogos ol\u00edmpicos institu\u00eddos por Heracles, o maior dos her\u00f3is, em honra de <strong>Zeus<\/strong>, seu pai, o mais poderoso dos deuses.\n\nUma antiga medalha (de Pr\u00fasias) nos apresenta <strong>Zeus<\/strong> segurando a coroa destinada aos vencedores.\n\n<strong>Zeus<\/strong> ol\u00edmpico era considerado deus nacional hel\u00eanico. O templo de Ol\u00edmpia continha a famosa est\u00e1tua de F\u00eddias que passa por obra-prima da estatu\u00e1ria na antiguidade. Era de marfim e ouro. Apesar de sentada, a est\u00e1tua se erguia at\u00e9 o teto; com a m\u00e3o direita o deus sustentava uma vit\u00f3ria e com a esquerda um cetro enriquecido de metais preciosos e encimado por uma \u00e1guia. O trono estava ornado de baixos-relevos. Essa est\u00e1tua j\u00e1 n\u00e3o mais existe, mas julga-se ter imita\u00e7\u00f5es, numa medalha dos sel\u00eaucidas. Um bel\u00edssimo camafeu do museu de Floren\u00e7a, conhecido com o nome de <strong>Zeus<\/strong> ol\u00edmpico, apresenta o deus segurando o raio, e tendo aos p\u00e9s uma \u00e1guia.\n\nEntre os bustos de <strong>Zeus<\/strong>, o mais famoso \u00e9 o conhecido pelo nome de Otr\u00edcoli.\n\nZ<strong>eus pan-hel\u00eanico <\/strong>\n\nO culto de <strong>Zeus<\/strong> pan-hel\u00eanico remonta a uma F\u00e1bula relativa \u00e0 ilha de Egina. A ninfa Egina era filha do rio Asopo.\n\nFoi amada por <strong>Zeus,<\/strong> que a visitou sob a forma de chama. Seu pai, encolerizado com o rapto da filha, procurou-a por toda parte; chegando a Corinto, soube de S\u00edsifo o nome do raptor e p\u00f4s-se a persegui-lo.\n\n<strong>Zeus<\/strong> atingiu-o com um raio, e transportou a ninfa para a ilha que, desde ent\u00e3o, tem o seu nome.\n\nA uni\u00e3o de ambos deu nascimento de \u00c9aco que, antes de ser juiz no inferno, reinou na ilha de Egina. Mas n\u00e3o podendo Hera permitir que uma ilha tivesse o nome da rival, resolveu vingar-se despovoando aquela por\u00e7\u00e3o de terra. Nuvens sombrias cobriram o c\u00e9u, reinou um calor sufocante, os lagos e as fontes contaminaram-se. O mal atacou a princ\u00edpio os c\u00e3es, as ovelhas, os bois, as aves e todos os animais. O agricultor consternado viu morrer diante dos seus olhos, no meio dos sulcos, os touros que trabalhavam. As ovelhas, despojadas da l\u00e3, magras e descarnadas, enchiam os campos de gritos l\u00fagubres. O vigoroso corcel, desdenhando os combates e as vit\u00f3rias, languescia. O javali esquecera a sua ferocidade natural; a cor\u00e7a j\u00e1 n\u00e3o tinha a habitual ligeireza; o urso n\u00e3o ousava atacar os rebanhos. Tudo morria; as florestas, os campos e os grandes caminhos estavam juncados de cad\u00e1veres que infeccionavam o ar com o seu mau cheiro; os pr\u00f3prios lobos n\u00e3o ousavam toc\u00e1-los, e eles apodreciam na terra espalhando por toda parte o cont\u00e1gio.\n\nDos animais, espalhou-se o mal \u00e0s aldeias, entre os moradores dos campos e da\u00ed penetrou nas cidades. Todos sentiram a princ\u00edpio as entranhas arder com um fogo cujos reflexos, que apareciam no rosto, denotavam a for\u00e7a. Respiravam com dificuldade, e a l\u00edngua seca e inchada obrigava-os a manter a boca aberta.\n\nCertos de que morreriam desde que fossem contagiados, abandonavam os rem\u00e9dios, e faziam tudo quanto a viol\u00eancia do mal os impelia a desejar. Todos corriam aos po\u00e7os, \u00e0s fontes, aos rios, para matar a sede que os devorava; mas s\u00f3 a matavam, morrendo, e o langor impedia os que a tinham saciado de p\u00f4r-se novamente de p\u00e9 e afastar-se da \u00e1gua em que expiravam. Por onde quer que se relanceassem os olhos, percebiam-se montes de mortos; era in\u00fatil oferecer sacrif\u00edcios; os touros conduzidos aos altares para ser imolados ca\u00edam mortos antes de feridos. N\u00e3o se viam l\u00e1grimas pela morte dos entes mais queridos; as almas das crian\u00e7as e das m\u00e3es, dos jovens e dos velhos desciam, sem ser choradas, \u00e0s margens infernais. N\u00e3o havia lugar para sepulturas, n\u00e3o havia lenha para as fogueiras. (Ov\u00eddio).\n\nHavia na ilha de Egina um velho carvalho consagrado a <strong>Zeus<\/strong>, a semente que o produzira vinha da floresta de Dodona. \u00c9aco, debaixo de tal \u00e1rvore, sagrada, invocou <strong>Zeus<\/strong>, e, enquanto rogava, contemplava uma multid\u00e3o de formigas que subiam e desciam pela casca do tronco; vendo-lhe o n\u00famero incalcul\u00e1vel, chorava lembrando-se do seu reino despovoado. Quando terminou a invoca\u00e7\u00e3o, o rei \u00c9aco adormeceu \u00e0 sombra do carvalho sagrado.\n\n<strong>No entanto, o deus ouvira-lhe o rogo: <\/strong>as formigas transformadas em homens se aproximaram dele e renderam-lhe as homenagens devidas \u00e0 sua posi\u00e7\u00e3o. \u00c9aco deu gra\u00e7as ao rei dos deuses; depois, distribuiu os novos habitantes pela cidade e pelos campos. Para conservar a recorda\u00e7\u00e3o da origem deles, chamou-os m\u00edrmidos.\n\n<strong>Mantiveram eles as mesmas inclina\u00e7\u00f5es que as formigas: <\/strong>laboriosos, ativos, ardentes no amontoamento de bens, empregavam o maior cuidado em conservar o que haviam adquirido. (Ov\u00eddio).\n\nOs descendentes dos m\u00edrmidos foram os soldados de Aquiles, pois \u00c9aco \u00e9 pai de Peleu, pai de Aquiles. Entretanto, os m\u00edrmidos de Aquiles n\u00e3o habitavam a ilha de Egina; mas tais confus\u00f5es, t\u00e3o freq\u00fcentes na idade her\u00f3ica, podem originar-se de migra\u00e7\u00f5es e de col\u00f4nias que guardavam as mesmas tradi\u00e7\u00f5es, em regi\u00f5es diferentes.\n\n<strong>Ali\u00e1s, a lenda de \u00c9aco apresenta variantes:<\/strong> teria sido em conseq\u00fc\u00eancia das suas preces que uma espantosa fome seguida de peste cessou n\u00e3o somente na ilha de Egina, sen\u00e3o tamb\u00e9m na Gr\u00e9cia inteira. Foi depois de tal fato que ele fundou um templo e cerimonias \u00e0s quais todos os gregos deviam assistir. <em><strong>Zeus<\/strong><\/em> recebeu nessa ocasi\u00e3o o apelido de pan-hel\u00eanico (adorado por todos os gregos).\n\n<strong>Zeus <\/strong>pan-hel\u00eanico possu\u00eda na ilha de Egina um templo conhecid\u00edssimo, onde se celebravam festas em sua honra. Adriano ergueu-lhe tamb\u00e9m um templo em Atenas.\n\n<strong>Zeus cretense <\/strong>\n\nA ilha de Creta passava na antiguidade por lugar de nascimento de <strong>Zeus<\/strong>, e uma multid\u00e3o de tradi\u00e7\u00f5es locais se prendia \u00e0 sua primeira inf\u00e2ncia. Foi nas grutas do monte Dicto que Reia o ocultou, e foi ali que o protegeram os coribantes e o criaram as ninfas. Foi ali que ele sugou o leite da cabra Amalt\u00e9ia e comeu o mel que lhe levavam as abelhas. E foi para as recompensar que <strong>Zeus<\/strong> deu \u00e0s abelhas o privil\u00e9gio de desafiar o vento e a tormenta, e lhes tingiu os delicados corpos de uma formosa cor de ouro.\n\nAl\u00e9m disso, os cretenses tinham tido por rei e legislador Minos, filho de <strong>Zeus<\/strong> e de Europa.\n\nO rapto de Europa por <strong>Zeus<\/strong> \u00e9 uma das f\u00e1bulas que os artistas da antiguidade, e notadamente os gravadores de pedras finas, mais freq\u00fcentemente representaram.\n\nUm poderoso rei de Tiro, Agenor, tinha uma filha, chamada Europa, cuja formosura era c\u00e9lebre em toda a terra.\n\n<strong>Zeus, que do alto do c\u00e9u via todos os mortais, at\u00e9 os que habitam a \u00c1sia, apaixonou-se pela jovem e valeu-se de um estratagema para atra\u00ed-la:<\/strong> abandona o cetro e toda a grandeza que o cerca para assumir o aspecto de um touro, e, mesclando-se a um rebanho que pastava \u00e0 beira do mar, no reino de Agenor, caminha e muge. N\u00e3o diferia dos demais companheiros sen\u00e3o pela brancura de neve; tinha o pesco\u00e7o musculoso e a papada graciosa; os seus cornos, pequenos e limpos, possu\u00edam o brilho das p\u00e9rolas, e dir-se-ia que um h\u00e1bil obreiro se dera o trabalho de os modelar.\n\nA testa n\u00e3o possu\u00eda nada de amea\u00e7ador, os olhos nada de feroz ; era doce e acariciante. A filha de Agenor admirava-lhe a beleza e a mansid\u00e3o; no entanto, a princ\u00edpio, n\u00e3o ousou aproximar-se-lhe; finalmente, animou-se e apresentou-lhe flores que o deus comeu andando de um lado a outro, saltando em torno da jovem e deitando-se, a seguir, sobre a areia. Europa, tranq\u00fcilizada, acaricia-o com a m\u00e3o, enfeita-lhe os cornos de grinaldas de flores, e senta-se sobre ele, rindo. As companheiras dispunham-se a imit\u00e1-ta, mas o touro, subitamente, a leva para o mar, Europa, voltando-se para as amigas, chama-as e estende-lhe os bra\u00e7os. O touro precipita-se no mar, afasta-se com rapidez de um delfim e pisa com seguran\u00e7a as enormes vagas; todas as Nereidas abandonam as grutas, e, sentadas nas costas dos monstros marinhos, desfilam em ordem, O pr\u00f3prio Pos\u00eddon, t\u00e3o ardente nos mares, amansa as ondas e guia o irm\u00e3o na viagem. Em volta dele se amontoam os Trit\u00f5es, habitantes dos abismos, os quais, com as suas conchas recurvas, fazem ao longe ressoar o canto nupcial.\n\nEuropa, sentada no divino touro, segura-se com uma das m\u00e3os a um dos majestosos cornos, e com a outra abaixa as pregas ondulantes da sua veste de p\u00farpura, de sorte que a extremidade fica molhada pela onda. O seu amplo v\u00e9u, inflado pelos ventos, cobre-lhe os ombros como vela de navio e ergue docemente a jovem virgem.\n\n<strong>J\u00e1 estava distante das margens da p\u00e1tria; as praias batidas pelas ondas, as altas montanhas n\u00e3o tardaram em sumir; no alto, ela s\u00f3 via a imensid\u00e3o dos c\u00e9us, embaixo apenas a imensid\u00e3o dos mares; relanceando, ent\u00e3o, um olhar em volta, profere as seguintes palavras: <\/strong>\n<blockquote>\n<p align=\"left\">&#8220;Para onde me levas, \u00f3 divino touro? Quem \u00e9s? Como podes fender as vagas com esses teus p\u00e9s t\u00e3o pesados e porque n\u00e3o tens medo dos mares? Os navios vogam leves sobre as \u00e1guas, mas os touros temem expor-se \u00e0 superf\u00edcie l\u00edquida. Os delfins n\u00e3o andam na terra, nem os touros nas ondas; tu corres igualmente na terra e nas ondas .. . Ai de mim, infeliz que sou! Abandonei o pal\u00e1cio de meu pai, segui este touro, e por uma estranha navega\u00e7\u00e3o, erro sozinha sobre o mar. Mas, \u00f3 Pos\u00eddon ! Tu que reinas sobre as \u00e1guas, favorece-me; espero conhecer enfim o que me dirige a viagem, pois n\u00e3o \u00e9 sem o aux\u00edlio de uma divindade que atravesso assim estes caminhos \u00famidos.&#8221;<\/p>\n<\/blockquote>\n<strong>Disse, e o touro majestoso responde-lhe: <\/strong>\n<blockquote>\n<p align=\"left\">&#8220;\u00c2nimo, jovem virgem, n\u00e3o temas as ondas do mar. Sou o pr\u00f3prio Zeus, embora pare\u00e7a aos teus olhos um touro. Posso tomar as formas que desejo. A ilha de Creta n\u00e3o tardar\u00e1 em acolher-te. Foi ali que passei a inf\u00e2ncia, e ali celebraremos o nosso himeneu. Ter\u00e1s filhos famosos que reinar\u00e3o sobre os povos&#8221; Cala-se, e tudo se realiza como afirma. A ilha de Creta j\u00e1 aparece e Zeus readquire a forma primitiva.&#8221; (Mosco).<\/p>\n<\/blockquote>\nNum quadro existente em Veneza, Paolo Veronese fixou os principais incidentes do rapto de Europa e, seguindo o seu h\u00e1bito, revestiu as personagens de soberbos costumes fantasiosos e de tecidos brilhantes como se usavam em Veneza, na \u00e9poca em que ele viveu. Europa, no meio das companheiras, senta-se no touro cujos cornos est\u00e3o ornados de grinaldas, e os Amores que volteiam nas \u00e1rvores indicam o motivo da metamorfose. No segundo plano, v\u00ea-se Europa montada no animal, ainda rodeada das companheiras; no fundo o touro rapta a jovem levando-a para o mar. Rubens pintou tamb\u00e9m sobre o tema um quadro que se contempla no museu de Madri, e o holand\u00eas Berghen achou na lenda um pretexto para representar um soberbo touro e uma gorda lavradora em que os gregos teriam dificilmente reconhecido a esposa de um deus. Na escola francesa, Lemoyne fez uma graciosa composi\u00e7\u00e3o sobre o rapto de Europa.\n\n<strong>Zeus \u00e1rcade <\/strong>\n\nSeguindo as tradi\u00e7\u00f5es dos \u00e1rcades, <strong>Zeus<\/strong> nascera no monte Liceu, no pa\u00eds deles, e n\u00e3o na ilha de Creta, como exige a tradi\u00e7\u00e3o mais conhecida.\n\nPortanto era sagrado aquele monte, e nele se erguia um templo de <strong>Zeus<\/strong>, velh\u00edssimo e inspirador da maior venera\u00e7\u00e3o.\n\n<strong>Era, ali\u00e1s, not\u00e1vel por v\u00e1rios t\u00edtulos:<\/strong> fosse qual fosse o homem ou animal que nele entrasse, via-se uma coisa estranha, pois ele n\u00e3o mais produzia sombra, mesmo quando o corpo estivesse exposto aos raios do sol! (Paus\u00e2nias).\n\nFora o templo erguido por Licaonte, primeiro rei da Arc\u00e1dia, na \u00e9poca em que cessaram os sacrif\u00edcios humanos; querendo Licaonte honrar <strong>Zeus<\/strong> de maneira b\u00e1rbara, o deus apressou-se em puni-lo cruelmente. Como estivesse o rei dos deuses a percorrer a Arc\u00e1dia, Licaonte acolheu-o em sua casa e ofereceu-lhe um festim. Julgando ser-lhe agrad\u00e1vel, mandou degolar um dos ref\u00e9ns que os Molossos lhe tinham enviado; depois de fervida uma parte do corpo e assada outra, foi o prato levado ao deus.\n\nMas um fogo vingador, criado por <strong>Zeus<\/strong>, reduziu a cinzas o pal\u00e1cio. Licaonte, espantado, foge; e quando se acha no meio do campo, e quer falar e queixar-se, s\u00f3 consegue bradar; fora de si de c\u00f3lera e sempre \u00e1vido de sangue e de carnificina, volta o furor contra todos os animais que se lhe deparam. As vestes se lhe mudam em pelos, os bra\u00e7os adquirem a mesma forma que as pernas; numa palavra, ele se transforma em lobo, e com essa nova apar\u00eancia, conserva ainda o ar feroz que possu\u00eda outrora. (Ov\u00eddio).\n\nPaus\u00e2nias narrando essa maravilhosa hist\u00f3ria, procura dar-lhe uma data. &#8220;Quanto a Licaonte, diz, creio que reinava na Arc\u00e1dia, na \u00e9poca em que C\u00e9crops reinava em Atenas; mas C\u00e9crops regulou o culto dos deuses e as cerim\u00f4nias da religi\u00e3o com muito mais sabedoria. Foi o primeiro em chamar <strong>Zeus<\/strong> de deus supremo e proibiu se sacrificassem entes animados aos deuses; quis que o povo se contentasse em lhes oferecer d\u00e1divas do pa\u00eds.\n\nPelo contr\u00e1rio, Licaonte imolou uma crian\u00e7a a <strong>Zeus<\/strong> e manchou as m\u00e3os no sangue humano; assim, diz-se que em pleno sacrif\u00edcio foi transformado em lobo, e que n\u00e3o \u00e9 inacredit\u00e1vel, pois, al\u00e9m de o fato passar por ver\u00eddico entre os \u00e1rcades, nada possui contra a verossimilhan\u00e7a. Com efeito, esses primeiros homens eram muitas vezes anfitri\u00f5es e comensais dos deuses; era a recompensa da sua justi\u00e7a e piedade, os bons eram honrados pela visita dos deuses e os maus conheciam imediatamente a c\u00f3lera divina&#8230;&#8221;\n\nSeja como for, a F\u00e1bula de Licaonte assinala um marco curioso na hist\u00f3ria, a \u00e9poca em que os sacrif\u00edcios humanos, em vez de considerados honra prestada aos deuses, foram tidos por crime que atra\u00eda a ira.\n\n<strong>Zeus<\/strong> \u00e1rcade est\u00e1 caracterizado pela coroa de oliveiras silvestres.\n\n<strong>Zeus dodonense <\/strong>\n\nO mais antigo or\u00e1culo da Gr\u00e9cia era consagrado a <strong>Zeus<\/strong> e se encontrava em Dodona, no \u00c9piro, onde o deus era especialmente honrado.\n\n<strong>As sacerdotisas de Dodona narraram o seguinte a Her\u00f3doto em torno da origem de tal or\u00e1culo:<\/strong>\n<blockquote>\n<p align=\"left\">&#8220;Duas pombas negras, sa\u00eddas de Tebas do Egito voaram uma para a L\u00edbia, outra para Dodona; esta empoleirou-se num carvalho e, com voz humana, disse aos dodonenses ser preciso estabelecer naquele lugar um or\u00e1culo de Zeus; o povo compreendeu a divindade daquela mensagem e apressou-se em obedecer. As sacerdotisas acrescentam que a outra pomba ordenou aos l\u00edbios que fundassem o or\u00e1culo de Ammon; mais um or\u00e1culo de Zeus. As sacerdotisas de Dodona me narram tais coisas.&#8221;<\/p>\n<\/blockquote>\nSegundo outra vers\u00e3o, teria sido Deucali\u00e3o que, chegando a esse lugar ap\u00f3s fugir ao dil\u00favio, houvera consultado o carvalho prof\u00e9tico de Zeus, e dado ao pa\u00eds o nome de Dodona. A floresta sagrada de Dodona continha os carvalhos prof\u00e9ticos, e os or\u00e1culos se verificavam de acordo com o ro\u00e7ar das folhas. Parece, contudo, que tamb\u00e9m a madeira daquelas \u00e1rvores era prof\u00e9tica, pois os mastros do navio Argos, cortados na floresta de Dodona, prediziam o futuro aos navegantes. Os sacerdotes de Dodona entregavam-se a todas as austeridades da vida mon\u00e1stica e dormiam sobre a terra nua.\n\n<strong>Zeus<\/strong> dodonense est\u00e1 caracterizado pela coroa de carvalho.\n\n<strong>Zeus capitolino <\/strong>\n\nProv\u00e9m este nome do templo que o rei dos deuses tinha no Capit\u00f3lio.\n\nO <strong>Zeus<\/strong> dos romanos se origina da confus\u00e3o entre o deus etrusco do raio, Tinia, e o <strong>Zeus<\/strong> dos gregos.\n\n<strong>Zeus<\/strong> capitolino est\u00e1 figurado num antigo monumento, empunhando o cetro e uma p\u00e1tera, e tendo sobre os joelhos a coroa que os triunfadores ali iam depositar.\n\nAl\u00e9m do templo de <strong>Zeus<\/strong>, havia no Capit\u00f3lio um templo dedicado a Hera e outro a Atena. As tr\u00eas divindades ligam-se freq\u00fcentemente na arte romana, e eram conhecidas sob o nome das tr\u00eas divindades do Capit\u00f3lio. Assim \u00e9 que est\u00e3o representadas numa antiga medalha.\n\nOs romanos consagravam a <strong>Zeus<\/strong> os despojos opimos, isto \u00e9, os despojos que um general romano arrebatara ao general inimigo; e o deus tomava, ent\u00e3o o nome de feretriano. R\u00f4mulo foi o primeiro que ergueu um templo a <strong>Zeus<\/strong> feretriano, depois de matar pessoalmente Acron, rei dos cen\u00ednios; o templo foi ampliado por Anco M\u00e1rcio e, em seguida, restaurado durante o imp\u00e9rio de Augusto.\n\n<strong>Zeus Ammon <\/strong>\n\nAmmon \u00e9 uma divindade eg\u00edpcia que os gregos assimilaram a <strong>Zeus<\/strong>; e eles imaginaram uma explica\u00e7\u00e3o para os cornos de carneiro que, no Egito, constituem atributo essencial desse deus. Dioniso, perdido nos desertos da L\u00edbia, e morrendo de sede, dirigiu-se a <strong>Zeus<\/strong> que acorreu em seu aux\u00edlio sob a forma de um carneiro e lhe apontou uma fonte.\n\n\u00c9 por isso que <strong>Zeus<\/strong> aparece nos monumentos com cornos de carneiro; vemo-lo assim em v\u00e1rias medalhas dos reis ptolemaicos. Quando Alexandre visitou o o\u00e1sis de Ammon, recebeu do gr\u00e3o-sacerdote o t\u00edtulo de filho de Zeus Ammon. Devemos a isso grande n\u00famero de pedras gravadas e bel\u00edssimas medalhas em que Alexandre e os seus sucessores, os reis da S\u00edria e da Cirenaica, est\u00e3o representados com cornos de carneiro, s\u00edmbolo do seu dom\u00ednio sobre a L\u00edbia.\n\nSegundo Her\u00f3doto, a tradi\u00e7\u00e3o que d\u00e1 cornos a <strong>Zeus<\/strong> arenoso se prenderia a Heracles e n\u00e3o a Dioniso.\n<blockquote>\n<p align=\"left\">&#8220;Os habitantes do nomo de Tebas, no Egito, abst\u00eam-se de ovelhas, e sacrificam cabras; dizem que tal costume foi estabelecido da seguinte maneira : quis Heracles, por bem ou por mal, ver Zeus que se recusava a aparecer-lhe; finalmente, percebendo Zeus que Heracles insistia, teve a id\u00e9ia de tirar a pele de um carneiro, de lhe cortar a cabe\u00e7a, e de a segurar diante do rosto, ap\u00f3s ter-se revestido do velocino. Nesse estado, apresentou-se a Heracles; por tal motivo, os eg\u00edpcios esculpem a est\u00e1tua de Zeus com rosto de carneiro. Os tebanos, portanto, n\u00e3o sacrificam carneiros, e em virtude dessa tradi\u00e7\u00e3o, os consideram sagrados; uma \u00fanica vez por ano, no dia da festa de Zeus, sacrificam um; esfolam-no, e com a sua pele revestem a est\u00e1tua do deus, diante da qual colocam a de Heracles. Finda a cerim\u00f4nia, todos os sacerdotes do templo infligem golpes a si pr\u00f3prios, em sinal de luto pela morte do carneiro; finalmente, inumano numa sala sagrada.&#8221; (Her\u00f3doto) .<\/p>\n<\/blockquote>\nO or\u00e1culo de <strong>Zeus<\/strong> Ammon gozava na Gr\u00e9cia de enorme celebridade. O templo do deus, colocado num o\u00e1sis, a nove dias de marcha de Alexandria, era servido por cem sacerdotes dentre os quais somente os mais idosos \u00e9 que tinham a miss\u00e3o de transmitir os or\u00e1culos.\n\n<strong>O culto de Zeus somente desapareceu diante do cristianismo; mas a filosofia j\u00e1 abalara o prest\u00edgio do rei dos deuses e, zombando das suas m\u00faltiplas fun\u00e7\u00f5es, mostra-nos Luciano a \u00e9poca em que o seu poder foi desprezado e os templos abandonados: <\/strong>\n<blockquote>\n<p align=\"left\">&#8220;\u00f3 Zeus, protetor da amizade, deus dos anfitri\u00f5es, dos amigos, do lar, dos raios, dos juramentos, das nuvens, do trov\u00e3o, ou sob qualquer outro nome que te invoque o c\u00e9rebro ardido dos poetas, sobretudo quando se v\u00eaem embara\u00e7ados com o metro (pois a\u00ed te d\u00e3o toda esp\u00e9cie de nomes, a fim de sustentar a queda do sentido e preencher o vazio do ritmo), onde est\u00e1 o estrondo dos teus raios, o longo ribombar do trov\u00e3o, a chama branca e tem\u00edvel dos rel\u00e2mpagos? O homem prestes a cometer um perj\u00fario temeria mais o pavio de uma l\u00e2mpada da v\u00e9spera que a chama do raio que domina o universo&#8230; Dormes como que entorpecido pela mandr\u00e1gora, e dormes t\u00e3o bem que n\u00e3o ouves os que perjuram, n\u00e3o v\u00eas mais os que cometem injusti\u00e7as, e os teus ouvidos s\u00e3o duros como os dos velhos&#8230; Recebeste o pr\u00eamio do teu descaso: ningu\u00e9m mais te oferece sacrif\u00edcios, ningu\u00e9m te coroa as est\u00e1tuas, a n\u00e3o ser \u00e0s vezes, por mero acaso; e o que assim procede n\u00e3o julga estar cumprindo um dever rigoroso, mas simplesmente prestar um tributo a um velho costume&#8230; N\u00e3o direi quantas vezes roubaram os ladr\u00f5es os teus templos; chegaram at\u00e9 a p\u00f4r as m\u00e3os sobre ti em Ol\u00edmpia, e tu, que l\u00e1 no alto fazes tanto barulho, n\u00e3o te deste o trabalho de despertar os c\u00e3es, nem de chamar os vizinhos os quais, acorrendo aos teus gritos, pudessem deter os ladr\u00f5es que, de sacola cheia, procuravam fugir; pelo contr\u00e1rio, tu, o exterminador dos gigantes, tu, o vencedor dos Tit\u00e3s, tu permaneceste sentado, permitindo que os bandidos te cortassem os cabelos de ouro; e isso, tendo na m\u00e3o direita, como sempre tiveste, um raio de dez c\u00fabitos. Quando deixar\u00e1s, \u00f3 deus maravilhoso, de vigiar o mundo com tamanha neglig\u00eancia?&#8230;&#8221; (Luciano).<\/p>\n<\/blockquote>\n<strong>Odsson Ferreira <\/strong>\n\n<strong>Refer\u00eancia Bibliogr\u00e1fica<\/strong>\n\nBRAND\u00c3O, Junito de Souza. Mitologia Greva Vol I. Petr\u00f3polis, Vozes, 2004\nGENNEP. Arnold Van. Op. cit., VI, p. 74sqq.\n\nFonte: www.templodeapolo.net\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Zeus, Deus, Mitologia Grega, Hist\u00f3ria, J\u00fapiter, Rei, Mito, Lenda, Monte, Olimpo, Quem era, Zeus<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":12404,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[57],"tags":[],"class_list":["post-21329","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia-geral"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Zeus - Portal S\u00e3o Francisco<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"noindex, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"en_US\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Zeus - 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