{"id":21321,"date":"2016-01-04T00:00:00","date_gmt":"2016-01-04T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/sisifo-3\/"},"modified":"2026-09-01T15:37:52","modified_gmt":"2026-09-01T15:37:52","slug":"sisifo-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-geral\/sisifo-3\/","title":{"rendered":"S\u00edsifo"},"content":{"rendered":"\n&nbsp;\n<h4>Hist\u00f3ria<\/h4>\n<p class=\"imagem\"><strong>\nS\u00edsifo &#8211; Mitologia Grega<\/strong><\/p>\nDe maneira semelhante a Prometeu, <strong>S\u00edsifo<\/strong> encarnava na mitologia grega a ast\u00facia e a rebeldia do homem frente aos des\u00edgnios divinos.\n\nSua aud\u00e1cia, no entanto, motivou exemplar castigo final de Zeus, que o condenou a empurrar eternamente, ladeira acima, uma pedra que rolava de novo ao atingir o topo de uma colina, conforme se narra na Odiss\u00e9ia.\n\n<strong>S\u00edsifo<\/strong> \u00e9 citado na Il\u00edada de Homero como filho de \u00c9olo (iniciador da estirpe dos e\u00f3lios). Rei de \u00c9fira, mais tarde Corinto, \u00e9 tido como o criador dos Jogos \u00cdstmicos celebrados naquela cidade e como o mais astuto dos homens.\n\nEm relatos posteriores a Homero, aparece como pai de Ulisses, que teria gerado com Anticl\u00e9ia.\n\nA lenda mais conhecida sobre <strong>S\u00edsifo<\/strong> conta que aprisionou T\u00e2nato, a morte, quando esta veio busc\u00e1-lo, e assim impediu por algum tempo que os homens morressem.\n\nQuando T\u00e2nato foi libertada, por interfer\u00eancia de Ares, <strong>S\u00edsifo<\/strong> foi condenado a descer aos infernos, mas ordenou \u00e0 esposa, M\u00e9rope, que n\u00e3o enterrasse seu corpo nem realizasse os sacrif\u00edcios rituais.\n\nPassado algum tempo, pediu permiss\u00e3o a Hades para regressar \u00e0 Terra e castigar a mulher pela omiss\u00e3o e n\u00e3o voltou ao al\u00e9m-t\u00famulo sen\u00e3o muito velho.\n\nSua puni\u00e7\u00e3o final reafirma uma prov\u00e1vel concep\u00e7\u00e3o grega do inferno como lugar onde se realizam trabalhos infrut\u00edferos.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"S\u00edsifo\" src=\"imagens\/sisifo24.jpg\" alt=\"S\u00edsifo\" width=\"252\" height=\"279\" \/><strong>\nS\u00edsifo &#8211; Mitologia Grega<\/strong><\/p>\nOs deuses condenaram <strong>S\u00edsifo<\/strong> a incessantemente rolar uma rocha at\u00e9 o topo de uma montanha, de onde a pedra cairia de volta devido ao seu pr\u00f3prio peso.\n\nEles pensaram, com alguma raz\u00e3o, que n\u00e3o h\u00e1 puni\u00e7\u00e3o mais terr\u00edvel do que o trabalho in\u00fatil e sem esperan\u00e7a.\n\nAcreditando em Homero, <strong>S\u00edsifo<\/strong> foi o mais s\u00e1bio e prudente dos mortais. Entretando, de acordo com outra tradi\u00e7\u00e3o, ele foi designado a praticar a profiss\u00e3o de salteador.Eu n\u00e3o vejo nenhuma contradi\u00e7\u00e3o nisto.\n\nAs opini\u00f5es diferem quanto \u00e0s raz\u00f5es pelas quais ele se tornou o in\u00fatil trabalhador do subterr\u00e2neo.\n\nPara come\u00e7ar, ele \u00e9 acusado de uma certa frivolidade a respeito dos deuses. Ele roubou seus segredos. Egina, a filha de Esopo, foi raptada por J\u00fapiter. O pai ficou chocado com aquele desaparecimento e queixou-se a S\u00edsifo.\n\nEle, que sabia do seq\u00fcestro, ofereceu-se para contar o que sabia com a condi\u00e7\u00e3o de que Esopo desse \u00e1gua \u00e0 cidadela de Corinto. Ele a preferiu a b\u00ean\u00e7\u00e3o da \u00e1gua ao inv\u00e9s dos raios celestiais.\n\nEle foi punido por isso no inferno.\n\nHomero nos conta tamb\u00e9m que <strong>S\u00edsifo<\/strong> acorrentou a Morte. Plut\u00e3o n\u00e3o p\u00f4de suportar a vis\u00e3o do seu imp\u00e9rio abandonado e silencioso. Ele despachou o Deus da Guerra, que libertou a Morte das m\u00e3o de seu conquistador.\n\n\u00c9 dito que <strong>S\u00edsifo<\/strong>, estando pr\u00f3ximo \u00e0 morte, imprudentemente quis testar o amor de sua esposa. Ele ordenou a ela jogar seu corpo insepulto no meio da pra\u00e7a p\u00fablica.\n\n<strong>S\u00edsifo<\/strong> acordou no inferno. E l\u00e1, irritado por aquela obedi\u00eancia t\u00e3o contr\u00e1ria ao amor humano, ele obteve de Plut\u00e3o permiss\u00e3o para retornar \u00e0 Terra para punir sua esposa.\n\nMas quando ele viu novamente a face do seu mundo, gozou a \u00e1gua e o sol, as pedras quentes e o mar, n\u00e3o quis mais retornar \u00e0 escurid\u00e3o infernal.\n\nChamados, sinais de raiva, avisos foram de nenhuma utilidade. Ele viveu muitos anos mais diante da curva do golfo, do mar brilhante, e dos sorrisos da Terra. Um decreto dos deuses foi necess\u00e1rio. Merc\u00fario veio e agarrou o homem atrevido pelo colarinho, e, arrancando-o de seus prazeres, conduziu-o for\u00e7osamente de volta ao inferno, onde sua rocha estava pronta para ele.\n\nVoc\u00ea j\u00e1 captou que <strong>S\u00edsifo<\/strong> \u00e9 o her\u00f3i absurdo. Ele o \u00e9, tanto pelas suas paix\u00f5es quanto pela sua tortura.\n\nSeu desd\u00e9m pelos deuses, seu \u00f3dio pela morte e sua paix\u00e3o pela vida fizeram com que ele recebesse aquele inexprim\u00edvel castigo no qual todo seu ser se esfor\u00e7a para executar absolutamente nada. Este \u00e9 o pre\u00e7o que deve ser pago pelas paix\u00f5es neste mundo.\n\nNada nos \u00e9 dito sobre <strong>S\u00edsifo<\/strong> no inferno. Mitos s\u00e3o feitos para a imagina\u00e7\u00e3o soprar vida neles.\n\nQuanto a este mito, v\u00ea-se simplesmente todo o esfor\u00e7o de um corpo esfor\u00e7ando-se para levantar a imensa pedra, rol\u00e1-la e empurr\u00e1-la ladeira acima centenas de vezes; v\u00ea-se o rosto comprimido, a face apertada contra a pedra, o ombro que escora a massa recoberta de terra, os p\u00e9s apoiando, o impulso com os bra\u00e7os estendidos, a seguran\u00e7a totalmente humana de duas m\u00e3os cobertas de terra. Ao final deste longo esfor\u00e7o medido pelo espa\u00e7o e tempo infinitos, o objetivo \u00e9 atingido.\n\nEnt\u00e3o <strong>S\u00edsifo<\/strong> observa a rocha rolar para baixo em poucos segundos, em dire\u00e7\u00e3o ao reino dos mortos, de onde ele ter\u00e1 que empurr\u00e1-la novamente em dire\u00e7\u00e3o ao cume. Ele desce para a plan\u00edcie. \u00c9 durante este retorno, esta pausa, que <strong>S\u00edsifo<\/strong> me interessa.\n\nUm rosto que trabalhou t\u00e3o pr\u00f3ximo \u00e0 pedra, j\u00e1 \u00e9 a pr\u00f3pria pedra!\n\nEu vejo aquele homem descendo com um passo muito medido, em dire\u00e7\u00e3o ao tormento que ele sabe que nunca ter\u00e1 fim. Aquela hora, que \u00e9 como um momento de respira\u00e7\u00e3o, que sempre voltar\u00e1 assim como seu sofrimento; \u00e9 a hora da consci\u00eancia.\n\nEm cada um destes momentos, quando ele deixa as alturas e gradualmente mergulha no covil dos deuses, ele \u00e9 superior ao seu destino. Ele \u00e9 mais forte do que sua pedra. Se este mito \u00e9 tr\u00e1gico, \u00e9 porqu\u00ea seu her\u00f3i \u00e9 consciente.\n\nOnde estaria realmente sua tortura se a cada passo a esperan\u00e7a de prosperar o sustentasse ? O trabalhador de hoje trabalha todos os dias de sua vida nas mesmas tarefas, e seu destino n\u00e3o \u00e9 menos absurdo. Mas \u00e9 tr\u00e1gico apenas nos raros momentos em que ele toma consci\u00eancia.\n\n<strong>S\u00edsifo, prolet\u00e1rio dos deuses, impotente e rebelde, sabe a total extens\u00e3o de sua miser\u00e1vel condi\u00e7\u00e3o:<\/strong> \u00e9 nisso que ele pensa durante sua descida. A lucidez que deveria constituir sua tortura ao mesmo tempo coroa sua vit\u00f3ria.\n\nN\u00e3o h\u00e1 destino que n\u00e3o possa ser superado pelo desprezo. Se desta maneira, a descida \u00e9 realizada \u00e0s vezes com tristeza, tamb\u00e9m pode ser realizada com alegria.\n\nEsta palavra n\u00e3o \u00e9 exagerada. Novamente, eu imagino <strong>S\u00edsifo<\/strong> retornando em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 sua rocha; o sofrimento estava no in\u00edcio.\n\n<strong>Quando as imagens da Terra aderem-se com muita for\u00e7a \u00e0 mem\u00f3ria, quando o chamado da felicidade torna-se muito insistente, acontece da melancolia aparecer no cora\u00e7\u00e3o do homem:<\/strong> esta \u00e9 a vit\u00f3ria da rocha, esta \u00e9 a pr\u00f3pria rocha.\n\nO sofrimento sem limites \u00e9 muito pesado para se suportar. Estas s\u00e3o nossas noites de Geths\u00eamane. Mas verdades esmagadoras perecem quando tornam-se conhecidas. Assim, \u00c9dipo no in\u00edcio obedece ao destino sem saber dele. Mas a partir do momento em que ele sabe, sua trag\u00e9dia inicia.\n\nMas, ao mesmo tempo, cego e desesperado, ele percebe que a \u00fanica liga\u00e7\u00e3o que o une ao mundo \u00e9 a fresca m\u00e3o de uma mo\u00e7a.\n\n<strong>Ent\u00e3o uma tremenda observa\u00e7\u00e3o soa:<\/strong>\n<blockquote>\n<p align=\"left\">&#8220;A despeito de tantas experi\u00eancias dif\u00edceis, minha idade avan\u00e7ada e a nobreza da minha alma me fazem concluir que est\u00e1 tudo bem&#8221;.<\/p>\n<\/blockquote>\nO \u00c9dipo de S\u00f3focles, assim como o Kirilov de Dostoievsky, desta forma d\u00e3o a receita para a vit\u00f3ria absurda. A sabedoria antiga confirma o hero\u00edsmo moderno.\n\nN\u00e3o se descobre o absurdo sem ser tentado a escrever um manual sobre a felicidade. &#8220;O que ? &#8212; Por estes estreitos caminhos ? &#8212; &#8221; N\u00e3o h\u00e1 um s\u00f3 mundo, de qualquer maneira. Felicidade e absurdo s\u00e3o dois filhos da mesma Terra. Eles s\u00e3o insepar\u00e1veis.\n\nSeria um erro dizer que a felicidade nasce necessariamente do descobrimento do absurdo. O mesmo quanto ao sentimento do absurdo nascer da felicidade.\n\n&#8220;Eu concluo que est\u00e1 tudo bem&#8221;, diz \u00c9dipo, e esta observa\u00e7\u00e3o \u00e9 sagrada. Ela ecoa no universo selvagem e limitado do homem. Ela ensina que tudo n\u00e3o foi e nem est\u00e1 esgotado. Ela expulsa deste mundo um deus que veio a ele com descontentamento e com uma prefer\u00eancia pelo sofrimento in\u00fatil. Ela faz do destino uma quest\u00e3o humana, que deve ser resolvida entre os homens.\n\nToda a alegria silenciosa de <strong>S\u00edsifo<\/strong> est\u00e1 contida nisto. Seu destino pertence a ele.\n\nSua rocha \u00e9 algo semelhante ao homem absurdo quando contempla seu tormento; silencia todos os \u00eddolos. No universo subitamente devolvido ao seu sil\u00eancio as pequenas vozes extremamente fascinantes do mundo elevam-se. A inconsci\u00eancia, os chamados secretos, os convites de todos os aspectos, eles s\u00e3o o reverso necess\u00e1rio e o pre\u00e7o da vit\u00f3ria. N\u00e3o h\u00e1 sol sem sombra, e \u00e9 essencial conhecer a noite. O homem absurdo diz sim e seus esfor\u00e7os doravante ser\u00e3o incessantes.\n\nSe h\u00e1 um destino pessoal, n\u00e3o h\u00e1 um destino superior, ou h\u00e1, mas um que ele conclui que \u00e9 inevit\u00e1vel e desprez\u00edvel.\n\nPara o restante, ele reconhece a si mesmo como o mestre de seus dias. No momento sutil quando o homem d\u00e1 uma olhada para tr\u00e1s em sua vida, <strong>S\u00edsifo<\/strong> retornando \u00e0 sua pedra, neste modesto giro, ele contempla aquela s\u00e9rie de a\u00e7\u00f5es n\u00e3o relacionadas que formam o seu destino, criado por ele, combinados e sujeitos ao olhar de sua mem\u00f3ria e logo selados por sua morte. Assim, convencido da origem totalmente humana de tudo o que \u00e9 humano, o homem cego, ansioso para ver, que sabe que a noite n\u00e3o tem fim, este homem permanece em movimento. A rocha ainda est\u00e1 rolando.\n\nEu deixo <strong>S\u00edsifo<\/strong> no p\u00e9 da montanha! Sempre se acha sua carga novamente.\n\nMas <strong>S\u00edsifo<\/strong> ensina a mais alta honestidade, que nega os deuses e ergue rochas. Ele tamb\u00e9m conclui que est\u00e1 tudo bem. O universo, de agora em diante sem um mestre, n\u00e3o parece a ele nem est\u00e9ril nem in\u00fatil. Cada \u00e1tomo daquela pedra, cada lasca mineral daquela montanha repleta de noite, em si pr\u00f3prio forma um mundo.\n\nA pr\u00f3pria luta em dire\u00e7\u00e3o \u00e0s alturas \u00e9 suficiente para preencher o cora\u00e7\u00e3o de um homem.\n\nDeve-se imaginar <strong>S\u00edsifo<\/strong> feliz.\n\nFonte: www.nomismatike.hpg.ig.com.br\/www.geocities.com\n<h6>S\u00edsifo<\/h6>\n<h4 align=\"left\"><strong>O mito de S\u00edsifo: a pedra nossa de cada dia <\/strong><\/h4>\nFilho de \u00c9olo (iniciador da estirpe dos e\u00f3lios), rei da Tess\u00e1lia, e Enarete, <strong>S\u00edsifo<\/strong> era considerado o mais astuto de todos os mortais.\n\nFoi o fundador e primeiro Rei de Ephyra\/\u00c9fira, depois chamada Corinto, onde governou por diversos anos.\n\n\u00c9 tido como o criador dos Jogos \u00cdstmicos celebrados naquela cidade. Casou-se com a pl\u00eaiade M\u00e9rope, filha de Atlas, sendo pai de Glauco e av\u00f4 de Belerofonte.\n\nEm relatos posteriores a Homero, aparece como pai de Ulisses, que teria gerado com Anticl\u00e9ia.\n\nMestre da mal\u00edcia e dos truques, ele entrou para a tradi\u00e7\u00e3o como um dos maiores ofensores dos deuses.\n\nDe maneira semelhante a Prometeu, <strong>S\u00edsifo<\/strong> encarnava na mitologia grega a ast\u00facia e a rebeldia do homem frente aos des\u00edgnios divinos. Sua aud\u00e1cia, no entanto, motivou o exemplar castigo final de Zeus, que o condenou a empurrar eternamente, ladeira acima, uma pedra que rolava de novo ao atingir o topo de uma colina, conforme se narra na Odiss\u00e9ia.\n\nO mito de <strong>S\u00edsifo<\/strong>, como todos os mitos ainda presentes, expressa uma experi\u00eancia fundamental da exist\u00eancia humana, um aspecto da vida e dos ser humano.\n\nA tem\u00e1tica fala da resigna\u00e7\u00e3o, perseveran\u00e7a, o sentido e o absurdo da exist\u00eancia.\n\nAs pessoas demonstram suas sensa\u00e7\u00f5es de sobrecarga e a convic\u00e7\u00e3o de que algum dia n\u00e3o conseguiriam mais carregar essa pedra, n\u00e3o querendo mais empurr\u00e1-la morro acima.\n<h4><strong>S\u00edsifo livra-se duas vezes da morte <\/strong><\/h4>\nQuando Zeus raptou a ninfa Egina, filha do deus-rio Asopo e Metope, foi visto por <strong>S\u00edsifo<\/strong>, que, em troca de uma fonte na Acr\u00f3pole de Corinto, contou-lhe quem era o raptor da filha.\n\nZeus, imediatamente, enviou-lhe T\u00e2natos (a morte), mas o astuto <strong>S\u00edsifo<\/strong> enganou-o de tal maneira que conseguiu encade\u00e1-lo.\n\nComo n\u00e3o morresse mais ningu\u00e9m, e o rico e sombrio reino do Hades estivesse se empobrecendo, Zeus interveio a uma queixa de Plut\u00e3o para restituir ao mundo sua ordem natural, e libertou T\u00e2natos. A primeira v\u00edtima seria o pr\u00f3prio delator.\n\nPreparou-se para seguir T\u00e2natos aos Infernos; antes, por\u00e9m, pediu tempo para despedir-se de sua esposa. Nesse momento, pediu-lhe que n\u00e3o lhe prestasse as devidas honras f\u00fanebres.\n\nChegando ao Hades sem o &#8220;revestimento&#8221; habitual, isto \u00e9, sem ser um <em>e\u00eddolon<\/em>, Plut\u00e3o perguntou-lhe o motivo de tamanho sacril\u00e9gio. O esperto culpou a esposa e, suplicando, conseguiu permiss\u00e3o para voltar rapidamente \u00e0 terra, a fim de castigar severamente a companheira e providenciar o sepultamento do cad\u00e1ver.\n\nUma vez em seu reino, n\u00e3o mais se preocupou em cumprir a palavra empenhada com Plut\u00e3o e deixou-se ficar, vivendo at\u00e9 avan\u00e7ada idade, rindo dos deuses do Inferno.\n\nAlgum tempo depois, o mais esperto e bem-sucedido ladr\u00e3o da Gr\u00e9cia, Aut\u00f3lico, filho de Hermes e vizinho de <strong>S\u00edsifo<\/strong>, tentou roubar-lhe o gado.\n\nAs reses desapareciam sistematicamente sem que se encontrasse o menor sinal do ladr\u00e3o, por\u00e9m <strong>S\u00edsifo<\/strong> ficou desconfiado porque o rebanho de Aut\u00f3lico aumentava \u00e0 medida que o seu diminu\u00eda. Deu um jeito de marcar os cascos dos animais com letras de modo que, \u00e0 medida que o gado se afastava de seu curral, aparecia no ch\u00e3o a frase &#8220;Aut\u00f3lico me roubou&#8221;.\n\nMas os dois acabaram se entendendo e ficaram amigos. Certas vers\u00f5es relatam que da uni\u00e3o entre <strong>S\u00edsifo<\/strong> e Anticl\u00e9ia, filha de Aut\u00f3lico, nasceu Ulisses, um dos principais her\u00f3is do Ciclo Troiano.\n\nAs vit\u00f3rias dos mortais contra os deuses, no entanto, duram pouco.\n\n<strong>S\u00edsifo<\/strong> morreu de velhice, e voltou ao Hades pelas vias normais.\n\n<strong>Por precau\u00e7\u00e3o, foi condenado a uma tarefa eterna, que n\u00e3o lhe deixava tempo para descansar ou pensar em fugas:<\/strong> empurrar um pesado rochedo para o alto de um morro e, depois que a pedra rolava morro abaixo, empurr\u00e1-la de volta.\n\nUm dia, por\u00e9m, T\u00e2natos veio busc\u00e1-lo em definitivo e os deuses o castigaram impiedosamente, condenando-o a empurrar um pesado rochedo para o alto de um morro e, depois que a pedra rolava morro abaixo, empurr\u00e1-la de volta.\n\n<strong>S\u00edsifo<\/strong> recome\u00e7a a tarefa, que h\u00e1 de durar para sempre \u0096 uma eterna repeti\u00e7\u00e3o, acompanhada da certeza de que infinitas coisas na vida est\u00e3o sempre recome\u00e7ando.\n\n<strong>S\u00edsifo<\/strong>, ao menos, n\u00e3o tentou controlar a pedra quando ela rolava para baixo.\n\n<strong>Entretanto, n\u00e3o sabemos como ele reagiu \u00e0 descida para o vale: <\/strong>se desfrutou da liberdade tempor\u00e1ria, ou se estava animado pelo pensamento de reerguer a pedra o mais r\u00e1pido poss\u00edvel\n\nNo centro do mito, contudo, a trapa\u00e7a com a morte. Trata-se de mostrar-se superior \u00e0 morte, algo, no entanto, apenas temporariamente poss\u00edvel; afinal, n\u00e3o d\u00e1 para deter a morte. Mas trata-se de entreter a morte at\u00e9 que se esteja realmente farto de viver.\n<h4><strong>Rolando a pedra (compreendendo o mito no cotidiano) <\/strong><\/h4>\nA dura\u00e7\u00e3o de um mito \u00e9 explicada pelo fato de tanto a coletividade como os indiv\u00edduos se reconhecerem nele, estando expressos nele, portanto, um anseio ou uma experi\u00eancia existencial fundamental.\n\nNo mito de <strong>S\u00edsifo<\/strong>, em primeiro lugar, est\u00e1 a experi\u00eancia do homem aparentemente empenhado num trabalho v\u00e3o, mas que tamb\u00e9m n\u00e3o se deixa dissuadir de seus esfor\u00e7os.\n\nAs pessoas demonstram suas sensa\u00e7\u00f5es de sobrecarga e a convic\u00e7\u00e3o de que algum dia n\u00e3o conseguiriam mais carregar essa pedra, n\u00e3o querendo mais empurr\u00e1-la morro acima- pelo aspecto penoso de rolar a pedra e o aspecto da eterna repeti\u00e7\u00e3o.\n\nA necessidade da repeti\u00e7\u00e3o parece ser aceita, estando, contudo, em contradi\u00e7\u00e3o com a exig\u00eancia de que a vida precisa se modificar. Alguns v\u00eaem nela a &#8220;familiaridade&#8221; com a vida e uma sensa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a. Na repeti\u00e7\u00e3o fixa-se tamb\u00e9m a vida, e n\u00e3o somos mais continuamente confrontados com situa\u00e7\u00f5es novas e indiscern\u00edveis.\n\nSuportar e ag\u00fcentar a si mesmo na sua maneira de ser, aturar a si pr\u00f3prio em seus lados penosos \u0096 \u00e9 o que se designa aqui como trabalho de <strong>S\u00edsifo<\/strong>. Trata-se de uma viv\u00eancia consigo mesmo e para si mesmo&#8230; \u00e9 uma luta travada solitariamente.\n\n<strong>O mito diz:<\/strong> seu castigo \u00e9 n\u00e3o poder resistir.\n\n<strong>S\u00edsifo<\/strong> \u00e9 um her\u00f3i tr\u00e1gico e absurdo que conhece o castigo dos deuses &#8211; rolar a pedra \u0096 e sabe que n\u00e3o ter\u00e1 \u00eaxito. Ele n\u00e3o espera nenhuma gra\u00e7a, nenhum Deus; n\u00e3o tem esperan\u00e7as \u0096 se esperan\u00e7a e sem ilus\u00e3o \u0096 e mesmo assim, ele empurra a pedra.\n\nDesse modo, por\u00e9m, ele toma o destino em suas m\u00e3os e n\u00e3o se deixa vencer pelos deuses. Sem esperan\u00e7a e sem ilus\u00e3o sempre significa tamb\u00e9m sem futuro.\n\n<strong>S\u00edsifo viveria inteiramente no aqui e agora \u0096 sem perguntar por recompensa, de modo que o seu destino lhe pertence: <\/strong>&#8220;a pedra dele \u00e9 o seu problema&#8221;.\n\n<strong>S\u00edsifo<\/strong> n\u00e3o foge \u0096 fugir seria suic\u00eddio.\n\n<strong>E nisso reside sua dignidade:<\/strong> ele n\u00e3o desiste, n\u00e3o foge, continuando ele mesmo respons\u00e1vel pelo seu problema. N\u00e3o responsabiliza nenhum deus por isso \u0096 sobretudo pela parte que depende deles \u0096 s\u00f3 a si mesmo<strong>.<\/strong>\n\nEsta postura op\u00f5e-se \u00e0 postura da fuga, de uma fuga na ilus\u00e3o, na morte. Naturalmente o homem \u00e9 tamb\u00e9m um ser fuj\u00e3o, como se pode ver em muitos mitos e contos de fadas, nos quais os deuses e deusas, her\u00f3is e hero\u00ednas aparecem fugindo.\n\nO mito de <strong>S\u00edsifo<\/strong>, por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 o mito de um homem fugindo; \u00e9 um mito de um homem que resiste, dando tudo de si.\n\n<strong>S\u00edsifo<\/strong> cumpre o que lhe foi destinado, mesmo sendo um castigo.\n\nDesse modo, <strong>S\u00edsifo<\/strong> simbolizaria todas aquelas situa\u00e7\u00f5es nas quais as pessoas, que tamb\u00e9m n\u00e3o alimentam nenhuma esperan\u00e7a de mudan\u00e7a, fazem simplesmente o mais \u00f3bvio, na esperan\u00e7a, contudo, de que algum dia o destino mudar\u00e1 de novo.\n\nDevemos nos surpreender com tanto hero\u00edsmo, ou devemos talvez admir\u00e1-lo? Numa observa\u00e7\u00e3o mais atenta, esse hero\u00edsmo torna-se problem\u00e1tico.\n\nNa perspectiva da psicologia profunda, ter\u00edamos diante de n\u00f3s um homem que realiza uma tarefa empregando todas as for\u00e7as do seu Eu, toda a sua vontade, mas sem poder jamais demonstrar fraqueza ou pretender outra coisa, e sem desfrutar de mais nada al\u00e9m do seu esfor\u00e7o.\n\nUm homem fazendo um esfor\u00e7o extraordin\u00e1rio para demonstrar que, sozinho, consegue tudo o que quer, sem que tend\u00eancias inconscientes interfiram em suas inten\u00e7\u00f5es conscientes. Eles sempre mant\u00e9m tudo sob controle \u0096 e sempre volta a fracassar.\n\nEsperar, por\u00e9m, n\u00e3o significa simplesmente aguardar com apreens\u00e3o por um &#8220;talvez&#8221;, nem construir castelos de areia. Esperar \u00e9, em \u00faltima an\u00e1lise, confiar que algo nos conduza na vida, que o conjunto da vida e a nossa pr\u00f3pria inten\u00e7\u00e3o possam ser concatenados.\n\nAfinal, na esperan\u00e7a reside uma forma de seguran\u00e7a. Ela sempre transcende o aqui-e-o-agora, a vontade consciente. Em geral, ela nos d\u00e1 for\u00e7a para empreender algo, confiando que alguma coisa ir\u00e1 se modificar ou que a perseveran\u00e7a tenha pelo menos um sentido.\n\nAfinal, nunca saberemos se <strong>S\u00edsifo<\/strong> era um homem com ou sem esperan\u00e7a. O mito deve ser enriquecido hoje com nossas reflex\u00f5es existenciais.\n\nPoderia-se imaginar que ele sabia que os deuses disseram que ele jamais alcan\u00e7aria o objetivo, embora no \u00edntimo ele sempre esperasse alcan\u00e7\u00e1-lo algum dia, desafiado, instigado por essa afirma\u00e7\u00e3o, tal como \u00e0s vezes tamb\u00e9m uma recusa pode estimular a inda mais nossas capacidades para conseguir algo, por pura teimosia. Atrav\u00e9s da teimosia, ficamos freq\u00fcentemente sabendo de todas as nossas possibilidades, nos colocamos diante de n\u00f3s mesmos.\n\n<strong>S\u00edsifo<\/strong> \u00e9 um her\u00f3i teimoso. Ele n\u00e3o despreza os deuses, apenas se defronta com eles.\n\nPortanto, o tema n\u00e3o seria o homem que continua vivendo na desesperan\u00e7a, aceitando a finitude absoluta e transformando a vida tanto quanto lhe seja poss\u00edvel, desprezando assim, em \u00faltima an\u00e1lise, a morte; ao contr\u00e1rio, o tema seria ent\u00e3o o homem que tem esperan\u00e7a, que se esfor\u00e7a e est\u00e1 sempre se desiludindo, que, apesar dessas reiteradas desilus\u00f5es, n\u00e3o foge, mas recome\u00e7a sempre de novo, de modo a arrancar sempre da morte um pouco de vida.\n\n<strong>Homero faz Ulisses contar de sua viagem pelo Inferno: <\/strong>\n<blockquote>\n<p align=\"left\">&#8220;Tamb\u00e9m vi S\u00edsifo extenuando-se e sofrendo; empurrava um bloco imenso com ambas as m\u00e3os. Na verdade, ele o arrastava at\u00e9 o cume, sustentando-se com os p\u00e9s e as m\u00e3os; mas quando estava a ponto de finalmente atingir o alto do morro, o peso excessivo o impelia para baixo.<\/p>\n<p align=\"left\">Novamente ent\u00e3o, a pedra impiedosa rolava para o vale. Entretanto, ele reiniciava o trabalho e empurrava-a, a ponto de ter o corpo banhado de suor, ao redor de sua cabe\u00e7a, por\u00e9m, pairava uma nuvem de poeira&#8221;.<\/p>\n<\/blockquote>\n<h4><strong>A pedra como s\u00edmbolo <\/strong><\/h4>\n<strong>S\u00edsifo<\/strong> \u00e9 o modelo de um homem que, apesar da desilus\u00e3o, se engaja novamente e continua carregando a pedra.\n\nA pedra n\u00e3o simboliza somente algo que nos oferece resist\u00eancia, um obst\u00e1culo, um peso ou uma rejei\u00e7\u00e3o. Seu aspecto fixo e quase imut\u00e1vel faz dela um s\u00edmbolo da firmeza e da imutabilidade; por conseguinte, da confiabilidade da qual faz parte todo o sentido de &#8220;resist\u00eancia&#8221; , pois s\u00f3 o que pode oferecer resist\u00eancia \u00e9 algo firme, no qual se pode confiar, se necess\u00e1rio.\n\nCom sua indestrutibilidade, firmeza e confiabilidade, as pedras simbolizam tamb\u00e9m os deuses e as for\u00e7as divinas concentradas. Especialmente os meteoritos, as pedras que &#8220;caem do c\u00e9u&#8221; vindas do universo, foram sempre considerados como express\u00e3o da proximidade entre o celestial e o terreno, sendo associadas tamb\u00e9m \u00e0 fertilidade.\n\nAli\u00e1s, na Antiguidade grega, uma pedra bruta simbolizava \u0096 antes de representar os deuses como figuras humanas \u0096 Hermes ou Apolo.\n\nSe a pedra fosse Hermes, o tema passaria a ser o criativo e a transforma\u00e7\u00e3o, pois Hermes \u00e9 um deus que vigia as portas e as entradas, protege os andarilhos e os viajantes, indicando tamb\u00e9m o caminho no Inferno. \u00c9 dotado do dom da inven\u00e7\u00e3o e da traquinagem; um deus, portanto, que cuida das passagens, da metamorfose e da transforma\u00e7\u00e3o \u0096\u00e0 primeira vista completamente oposto a <strong>S\u00edsifo<\/strong>, pois \u00e9 um deus que zela pela mudan\u00e7a.\n\nSe fosse Apolo, haveria v\u00e1rias possibilidades de interpreta\u00e7\u00e3o. O significado de Apolo mudou com muita freq\u00fc\u00eancia. Originalmente ele era tamb\u00e9m vigia das entradas; tornou-se cada vez mais um deus da cura e da expia\u00e7\u00e3o, e mais tarde o seu filho Ascl\u00e9pio assumiu a fun\u00e7\u00e3o da cura.\n\nEstreitamente ligada \u00e0 cura estava a sua capacidade de profetizar; falava aos homens pela boca de uma vidente inspirada por ele. Desde VI a.C. \u00e9 venerado tamb\u00e9m como H\u00e9lio (o sol). Por\u00e9m, Apolo n\u00e3o \u00e9 somente o deus da luz, \u00e9 tamb\u00e9m um deus que garante a ordem, um deus da medida correta.\n\nO tema da cura e da expia\u00e7\u00e3o, portanto, poderia ser um tema ao qual <strong>S\u00edsifo<\/strong> deveria se ater, e nesse sentido tamb\u00e9m o tema da profecia, da medida e do correta e do sol sempre voltando a nascer.\n\nO mais importante \u00e9 destacar que um homem n\u00e3o carrega simplesmente um peso, mas que, na \u00e9poca grega, esse peso era tamb\u00e9m uma tarefa relacionada com o ato de carregar um deus; portanto, um esfor\u00e7o que, afinal, contribui para a ruptura de algo divino nele.\n\nInterpreta\u00e7\u00f5es v\u00eaem a pedra como peso ou como algo determinado ao homem \u0096 devemos entend\u00ea-la como um mero peso que desafia nossas for\u00e7as ou devemos ver nas pedras que sustentamos o sentido nelas oculto?\n\n<strong>Essas duas possibilidades de interpreta\u00e7\u00e3o podem estar ligadas: <\/strong>em nossos maiores problemas reside tamb\u00e9m o nosso maior potencial de desenvolvimento.\n\nNossos problemas nos desafiam continuamente, provocando assim a nossa evolu\u00e7\u00e3o.\n\nUm outro aspecto do mito \u00e9 que n\u00e3o importa tanto alcan\u00e7ar o objetivo, mas sim estar a caminho, e a coragem de poder sempre recome\u00e7ar outra vez do princ\u00edpio.\n\nEvidentemente, por\u00e9m, o caminho leva ao objetivo ambicionado.\n\nNo fundo todos n\u00f3s temos uma pedra a empurrar e, assim como <strong>S\u00edsifo<\/strong>, precisamos persistir na tarefa, eliminando nossas impurezas interiores at\u00e9, quem sabe, transcendermos o nosso T\u00e1rtaro particular, para que possamos retornar ao conv\u00edvio com os deuses, como &#8220;in illo tempore&#8221;, no come\u00e7o dos tempos.\n\n<strong>Solange Firmino<\/strong>\n\nFonte: blocosonline.com.br\n<h6>S\u00edsifo<\/h6>\n<h4>S\u00edsifo &#8211; Quem foi<\/h4>\n<strong>S\u00edsifo<\/strong><b> <\/b>era um personagem da mitologia grega.\n\n<strong>S\u00edsifo <\/strong>foi o m\u00edtico fundador e primeiro rei de Corinto. Ele era um trapaceiro astuto, conhecido por suas habilidades para enganar os deuses e os seres humanos iguais. Ele tamb\u00e9m era conhecido como um assassino em seu pr\u00f3prio reino, como ele costumava entreter-se matando os viajantes para a sua cidade.\n\nPor ser enrolado demais foi castigado ap\u00f3s a morte \u00e0 rolar uma pedra eternamente pela montanha acima.\n\nSua tarefa n\u00e3o terminava nunca, pois uma vez colocada no alto da montanha, a pedra rolava novamente para a plan\u00edcie.\n\nO castigo de <strong>S\u00edsifo<\/strong>, na verdade, era levar uma exist\u00eancia sem sentido. Rolar pedra morro acima n\u00e3o me parece uma miss\u00e3o carregada de nobreza.\n\n<strong>\u00c0s vezes somos como S\u00edsifo, apenas com uma diferen\u00e7a: <\/strong>rolamos pedras em vida mesmo. N\u00e3o esperamos a morte para cumprir tal castigo. Rolar pedras \u00e9 desempenhar tarefas ou fun\u00e7\u00f5es sem saber o por qu\u00ea de tais a\u00e7\u00f5es.\n\nCerta vez, ouvi de um pregador um exemplo que pode ser associado a est\u00f3ria de <strong>S\u00edsifo<\/strong>. O exemplo falava do alpinista. Ele, para escalar uma montanha deve evitar o excesso de cargas. Quanto maior for a carga mais dif\u00edcil ser\u00e1 a escalada. A mochila pesada pode at\u00e9 impedir a continua\u00e7\u00e3o da subida.\n\n<strong>Talvez por isso Jesus aconselhava:<\/strong> &#8220;n\u00e3o leveis bolsas nem mochilas&#8230;&#8221;\n\nO excesso de cargas prejudica nossa escalada para Deus. O apego exagerado \u00e0s coisas, as m\u00faltiplas fun\u00e7\u00f5es que desempenhamos, as preocupa\u00e7\u00f5es exageradas que carregamos dificultam sobremaneira nossa escalada para Deus.\n\n<strong>Temos tantas atividades que nos perdemos nelas e esquecemos o principal objetivo de nossa exist\u00eancia:<\/strong> ser feliz.\n\nCarregamos malas pesadas demais. Alguns chegam a morrer debaixo das mesmas. Rolamos pedras grandes demais. Esse \u00e9 nosso pior castigo. Deixar de rolar pedras \u00e0s vezes \u00e9 imposs\u00edvel. Mas, seria bom se de vez em quando, a gente pudesse assentar um pouquinho sobre elas. Carregar malas \u00e9 necess\u00e1rio. Mas, n\u00e3o somos simples burros de cargas. Somos filhos de Deus, criados na liberdade amorosa do Pai e condenados a ser livres e felizes. Somente nesse sentido a condena\u00e7\u00e3o \u00e9 bendita.\n<h4>S\u00edsifo &#8211; Hist\u00f3ria<\/h4>\nOs deuses tinham condenado <strong>S\u00edsifo<\/strong> a empurrar sem descanso um rochedo at\u00e9 ao cume de uma montanha, de onde ela ca\u00eda de novo, em conseq\u00fc\u00eancia do seu peso. Tinham pensado, com alguma raz\u00e3o, que n\u00e3o h\u00e1 castigo mais terr\u00edvel do que o trabalho in\u00fatil e sem esperan\u00e7a.\n\nA acreditar em Homero, <strong>S\u00edsifo<\/strong> era o mais ajuizado e o mais prudente dos mortais. No entanto, segundo outra tradi\u00e7\u00e3o, tinha tend\u00eancias para a profiss\u00e3o de bandido. N\u00e3o vejo nisto a menor contradi\u00e7\u00e3o. As opini\u00f5es diferem sobre os motivos que lhe valeram ser o trabalhador In\u00fatil dos Infernos. Censura-se-lhe, de in\u00edcio, certa leviandade para com os deuses. Revelou os segredos deles. Egina, filha de Asopo, foi raptada por J\u00fapiter.\n\nO pai espantou-se com esse desaparecimento e queixou-se dele a <strong>S\u00edsifo<\/strong>. Este, que estava ao corrente do rapto, prop\u00f4s a Asopo contar-lhe o que sabia, com a condi\u00e7\u00e3o de ele dar \u00e1gua \u00e0 cidadela de Carinto. Aos raios celestes, preferiu a b\u00ean\u00e7\u00e3o da \u00e1gua. Por tal foi castigado nos Infernos.\n\nHomero conta-nos tamb\u00e9m que <strong>S\u00edsifo<\/strong> havia acorrentado a Morte. Plut\u00e3o n\u00e3o p\u00f4de suportar o espet\u00e1culo do seu Imp\u00e9rio deserto e silencioso. Enviou o deus da guerra, que soltou a Morte das m\u00e3os do seu vencedor.\n\nDiz-se ainda que, estando <strong>S\u00edsifo<\/strong> quase a morrer, quis, imprudentemente, p\u00f4r \u00e0 prova o amor de sua mulher. Ordenou-lhe que lan\u00e7asse o seu corpo, sem sepultura, para o meio da pra\u00e7a p\u00fablica.\n\n<strong>S\u00edsifo<\/strong> encontrou-se nos infernos. E a\u00ed, irritado com uma obedi\u00eancia t\u00e3o contr\u00e1ria ao amor humano, obteve de Plut\u00e3o licen\u00e7a para voltar \u00e0 terra e castigar a mulher. Mas, quando viu de novo o rosto deste mundo, sentiu inebriadamente a \u00e1gua e o sol, as pedras quentes e o mar, n\u00e3o quis regressar \u00e0 sombra infernal. Os chamamentos, as c\u00f3leras e os avisos de nada serviram. Ainda viveu muitos anos diante da curva do golfo, do mar resplandecente e dos sorrisos da terra. Foi necess\u00e1rio uma ordem dos deuses. Merc\u00fario veio pegar no audacioso pela gola e, roubando-o \u00e0s alegrias, levou-o \u00e0 for\u00e7a para os infernos, onde o seu rochedo j\u00e1 estava pronto.\n\nJ\u00e1 todos compreenderam, que S\u00edsifo \u00e9 o her\u00f3i absurdo. \u00c9-o tanto pelas suas paix\u00f5es como pelo seu tormento. O seu desprezo pelos deuses, o seu \u00f3dio \u00e0 morte e a sua paix\u00e3o pela vida valeram-lhe esse supl\u00edcio indiz\u00edvel em que o seu ser se emprega em nada terminar. \u00c9 o pre\u00e7o que \u00e9 necess\u00e1rio pagar pelas paix\u00f5es desta terra.\n\nN\u00e3o nos dizem nada sobre <strong>S\u00edsifo<\/strong> nos Infernos. Os mitos s\u00e3o feitos para que a imagina\u00e7\u00e3o os anime. Neste, v\u00ea-se simplesmente todo o esfor\u00e7o de um corpo tenso, que se esfor\u00e7a por erguer a enorme pedra, rol\u00e1-la e ajud\u00e1-la a levar a cabo uma subida cem vezes recome\u00e7ada; v\u00ea-se o rosto crispado, a face colada \u00e0 pedra, o socorro de um ombro que recebe o choque dessa massa coberta de barro, de um p\u00e9 que a escora, os bra\u00e7os que de novo empurram, a seguran\u00e7a bem humana de duas m\u00e3os cheias de terra. No termo desse longo esfor\u00e7o, medido pelo espa\u00e7o sem c\u00e9u e pelo tempo sem profundidade, a finalidade est\u00e1 atingida.\n\n<strong>S\u00edsifo<\/strong> v\u00ea ent\u00e3o a pedra resvalar em poucos instantes para esse mundo inferior de onde ser\u00e1 preciso traz\u00ea-la de novo para os cimos. E desce outra vez \u00e0 plan\u00edcie.\n\n\u00c9 durante este regresso, esta pausa, que <strong>S\u00edsifo<\/strong> me interessa. Um rosto que sofre t\u00e3o perto das pedras j\u00e1 \u00e9, ele pr\u00f3prio, pedra! Vejo esse homem descer outra vez, com um andar pesado mais igual, para o tormento cujo fim nunca conhecer\u00e1. Essa hora que \u00e9 como uma respira\u00e7\u00e3o e que regressa com tanta certeza como a sua desgra\u00e7a, essa hora \u00e9 a da consci\u00eancia.\n\nEm cada um desses instantes em que ele abandona os cumes e se enterra a pouco e pouco nos covis dos deuses, <strong>S\u00edsifo<\/strong> \u00e9 superior ao seu destino. \u00c9 mais forte do que o seu rochedo. Se este mito \u00e9 tr\u00e1gico, \u00e9 porque o seu her\u00f3i \u00e9 consciente. Onde estaria, com efeito, a sua tortura se a cada passo a esperan\u00e7a de conseguir o ajudasse? O oper\u00e1rio de hoje trabalha todos os dias da sua vida nas mesmas tarefas, e esse destino n\u00e3o \u00e9 menos absurdo. Mas s\u00f3 \u00e9 tr\u00e1gico nos raros momentos em que ele se torna consciente.\n\n<strong>S\u00edsifo, rolet\u00e1rio dos deuses, impotente e revoltado, conhece toda a extens\u00e3o da sua miser\u00e1vel condi\u00e7\u00e3o: <\/strong>\u00e9 nela que ele pensa durante a sua descida. A clarivid\u00eancia que devia fazer o seu tormento consome ao mesmo tempo a sua vit\u00f3ria. N\u00e3o h\u00e1 destino que n\u00e3o se transcenda pelo desprezo.\n\nSe a descida se faz assim, em certos dias, na dor, pode tamb\u00e9m fazer-se na alegria. Esta palavra n\u00e3o \u00e9 de mais. Ainda imagino <strong>S\u00edsifo<\/strong> voltando para o seu rochedo, e a dor estava no come\u00e7o.\n\n<strong>Quando as imagens da terra se apegam de mais \u00e0 lembran\u00e7a, quando o chamamento da felicidade se torna demasiado premente, acontece que a tristeza se ergue no cora\u00e7\u00e3o do homem:<\/strong> \u00e9 a vit\u00f3ria do rochedo, \u00e9 o pr\u00f3prio rochedo. O imenso infort\u00fanio \u00e9 pesado de mais para se poder carregar. S\u00e3o as nossas noites de Gethsemani. Mas as verdades esmagadoras morrem quando s\u00e3o reconhecidas. Assim, \u00c9dipo obedece de in\u00edcio ao destino, sem o saber. A partir do momento em que sabe, a sua trag\u00e9dia come\u00e7a. Mas no mesmo instante, cego e desesperado, ele reconhece que a \u00fanico elo que o prende ao mundo \u00e9 a m\u00e3o fresca de uma jovem.\n\n<strong>Uma frase desmedida ressoa ent\u00e3o:<\/strong> \u0093Apesar de tantas prova\u00e7\u00f5es, a minha idade avan\u00e7ada e a grandeza da minha alma fazem-me achar que tudo est\u00e1 bem\u0094.\n\nO \u00c9dipo de S\u00f3focles, como o Kirilov de Dostolevsky, d\u00e1 assim a f\u00f3rmula da vit\u00f3ria absurda. A sabedoria antiga identifica-se com o hero\u00edsmo moderno.\n\nN\u00e3o descobrimos o absurdo sem nos sentirmos tentados a escrever um manual qualquer da felicidade. \u0093O qu\u00ea, por caminhos t\u00e3o estreitos?\u0085\u0094. Mas s\u00f3 h\u00e1 um mundo. A felicidade e o absurdo s\u00e3o dois filhos da mesma terra. S\u00e3o insepar\u00e1veis. O erro seria dizer que a felicidade nasce for\u00e7osamente da descoberta absurda.\n\nAcontece tamb\u00e9m que o sentimento do absurdo nas\u00e7a da felicidade. \u0093Acho que tudo est\u00e1 bem\u0094, diz \u00c9dipo e essa frase \u00e9 sagrada. Ressoa no universo altivo e limitado do homem. Ensina que nem tudo est\u00e1 perdido, que nem tudo foi esgotado. Expulsa deste mundo um deus que nele entrara com a insatisfa\u00e7\u00e3o e o gosto das dores In\u00fateis. Faz do destino uma quest\u00e3o do homem, que deve ser tratado entre homens. T\n\noda a alegria silenciosa de <strong>S\u00edsifo<\/strong> aqui reside. O seu destino pertence-lhe. O seu rochedo \u00e9 a sua coisa. Da mesma maneira, quando o homem absurdo contempla o seu tormento, faz calar todos os \u00eddolos. No universo subitamente entregue ao seu sil\u00eancio, erguem-se as mil vozinhas maravilhadas da terra. Chamamentos inconscientes e secretos, convites de todos os rostos, s\u00e3o o reverso necess\u00e1rio e o pre\u00e7o da vit\u00f3ria. N\u00e3o h\u00e1 sol sem sombras e \u00e9 preciso conhecer a noite. O homem absurdo diz sim e o seu esfor\u00e7o nunca mais cessar\u00e1. Se h\u00e1 um destino pessoal, n\u00e3o h\u00e1 destino superior ou, pelo menos, s\u00f3 h\u00e1 um que ele julga fatal e desprez\u00edvel. Quanto ao resto, ele sabe-se senhor dos seus dias.\n\nNesse instante subtil em que o homem se volta para a sua vida, <strong>S\u00edsifo<\/strong>, regressando ao seu rochedo, contempla essa seq\u00fc\u00eancia de a\u00e7\u00f5es sem elo que se torna o seu destino, criado por ele, unido sob o olhar da sua mem\u00f3ria, e selado em breve pela sua morte. Assim, persuadido da origem bem humana de tudo o que \u00e9 humano, cego que deseja ver e que sabe que a noite n\u00e3o tem fim, est\u00e1 sempre em marcha. O rochedo ainda rola.\n\nDeixo <strong>S\u00edsifo<\/strong> no sop\u00e9 da montanha! Encontramos sempre o nosso fardo.\n\nMas <strong>S\u00edsifo<\/strong> ensina a fidelidade superior que nega os deuses e levanta os rochedos. Ele tamb\u00e9m julga que tudo est\u00e1 bem. Esse universo enfim sem dono n\u00e3o lhe parece est\u00e9ril nem f\u00fatil. Cada gr\u00e3o dessa pedra cada estilha\u00e7o mineral dessa montanha cheia de noite, forma por si s\u00f3 um mundo. A pr\u00f3pria luta para atingir os p\u00edncaros basta para encher um cora\u00e7\u00e3o de homem.\n\n\u00c9 preciso imaginar <strong>S\u00edsifo<\/strong> feliz.\n<h4>O Mito de S\u00edsifo<\/h4>\nNa Mitologia Grega <strong>S\u00edsifo fora condenado pelos deuses a realizar um trabalho in\u00fatil e sem esperan\u00e7a por toda a eternidade:<\/strong> empurrar sem descanso uma enorme pedra at\u00e9 o alto de uma montanha de onde ela rolaria encosta abaixo para que o absurdo her\u00f3i mitol\u00f3gico descesse em seguida at\u00e9 o sop\u00e9 e empurrasse novamente o rochedo at\u00e9 o alto, e assim indefinidamente, numa repeti\u00e7\u00e3o mon\u00f3tona e intermin\u00e1vel atrav\u00e9s dos tempos. O inferno de <strong>S\u00edsifo<\/strong> \u00e9 a tr\u00e1gica condena\u00e7\u00e3o de se empregar em algo que a nada leva.\n\nEle amara a vida e menosprezara os deuses e a morte. Por tal insol\u00eancia fora castigado a realizar um trabalho sem esperan\u00e7a. Sob certo \u00e2ngulo sua rebeldia poderia ter sido motivo de rever\u00eancia por insurgir-se contra o espectro da morte e o poder dos deuses.\n\n<strong>A reflex\u00e3o que surge da passagem mitol\u00f3gica leva-nos a considerar o seguinte:<\/strong> n\u00e3o ser\u00edamos todos S\u00edsifos que fazemos de nossa vida di\u00e1ria uma enorme pedra que levamos ao topo de uma montanha para que role ladeira abaixo e volte a ser erguida no dia seguinte na rotina do trabalho e da vida que se repete sem varia\u00e7\u00e3o ou renova\u00e7\u00e3o? N\u00e3o estar\u00edamos empenhados num grande esfor\u00e7o, numa grande luta, num grande sacrif\u00edcio que poderia n\u00e3o estar levando a nada como o sisifismo da mitologia grega?\n\nTalvez, como <strong>S\u00edsifo<\/strong>, n\u00e3o consideremos que nosso trabalho seja uma condena\u00e7\u00e3o e nossa vida uma trag\u00e9dia rotineira. Talvez, num lampejo de consci\u00eancia, <strong>S\u00edsifo<\/strong> tivesse reconhecido o peso de seu infort\u00fanio representado pelo enorme rochedo da materialidade e da inutilidade; consideraria que ele pr\u00f3prio, sua mente e sua sensibilidade, estaria assemelhando-se ao rochedo e que seria necess\u00e1rio reverter aquele processo mon\u00f3tono, c\u00edclico, repetitivo. Talvez fosse poss\u00edvel mudar a rotina absurda de dias, anos e s\u00e9culos. Preso, no entanto, \u00e0 mitologia, criado que fora para cumprir esta finalidade pedag\u00f3gica, nada pode mudar. Ele prossegue no seu tormento para que possamos superar o nosso; \u00e9 um her\u00f3i tr\u00e1gico e absurdo.\n\nPara o ser humano existe a possibilidade de modificar a rotina absurda, de lan\u00e7ar longe o rochedo das mis\u00e9rias, da ignor\u00e2ncia e da inconsci\u00eancia; deixar de repetir os dias, os anos e as vidas sem varia\u00e7\u00e3o alguma para construir o pr\u00f3prio destino.\n\nA pedra de <strong>S\u00edsifo<\/strong> tem, nos dias de hoje, outros nomes, mas \u00e9 real e in\u00fatil o trabalho de ergu\u00ea-la.\n\nDeixemos que o rochedo role ladeira abaixo e que <strong>S\u00edsifo<\/strong> prossiga como mito.\n\nA impress\u00e3o que se tem \u00e9 que ele julgue ser muito importante o trabalho que faz.\n\nFonte: www.danielti.com.br\/www.nagibanderaos.com.br\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00edsifo, Mito, Mitologia Grega, Hist\u00f3ria, Rei, Lenda, Gr\u00e9cia, Castigo, Zeus, S\u00edmbolo, Quem foi, S\u00edsifo<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[57],"tags":[],"class_list":["post-21321","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-historia-geral"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - 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