{"id":21258,"date":"2016-01-04T00:00:00","date_gmt":"2016-01-04T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/republica-romana-3\/"},"modified":"2026-09-01T15:37:38","modified_gmt":"2026-09-01T15:37:38","slug":"republica-romana-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-geral\/republica-romana-3\/","title":{"rendered":"Rep\u00fablica Romana"},"content":{"rendered":"\n<strong>O significado da Rep\u00fablica<\/strong>\n\nA palavra\u00a0<strong>Rep\u00fablica<\/strong>\u00a0vem das palavras latinas para \u2018coisa\u2019 e \u2018do povo \u201cOs res publica ou respublica referido\u2019 a propriedade p\u00fablica\u201d ou \u201cbem comum\u201d.\n\nTamb\u00e9m poderia significar a administra\u00e7\u00e3o.\n\n<strong>Rep\u00fablica Romana &#8211; O que foi<\/strong>\n\n<strong>Per\u00edodo:\u00a0<\/strong>509 a.C. a 27 d.C.\n\n<strong>Rep\u00fablica Romana<\/strong>, o estado antigo que centrada na cidade de Roma, desde o tempo dos acontecimentos que levaram \u00e0 funda\u00e7\u00e3o da rep\u00fablica em 509 aC, atrav\u00e9s da cria\u00e7\u00e3o do Imp\u00e9rio Romano em 27 aC.\n\nEssencialmente aristocr\u00e1tica, a Rep\u00fablica (509 a.C.-27 a.C.) tem o Senado como \u00f3rg\u00e3o supremo de governo.\n\nOs senadores, vital\u00edcios, supervisionam as finan\u00e7as p\u00fablicas, dirigem a pol\u00edtica externa e administram as prov\u00edncias.\n\nAs fun\u00e7\u00f5es executivas s\u00e3o distribu\u00eddas entre os membros da Magistratura, como os c\u00f4nsules e os tribunos da plebe.\n\nOs tribunos surgem ao longo do per\u00edodo da Rep\u00fablica em conseq\u00fc\u00eancia da luta dos plebeus por direitos pol\u00edticos.\n\nEntre suas conquistas destaca-se a Lei das Doze T\u00e1buas (451 a.C.- 449 a.C.). At\u00e9 ent\u00e3o transmitidas por via oral e totalmente manipuladas pelos patr\u00edcios, as leis passam a ser escritas e p\u00fablicas.\n\n<strong>As magistraturas:<\/strong>\u00a0Nos primeiros s\u00e9culos as magistraturas eram cargos que s\u00f3 podiam ser exercidos pelos patr\u00edcios.\n\nHavia sempre dois magistrados para cada cargo. Os magistrados eram eleitos pela Assembl\u00e9ia Centuriata.\n\n<strong>Os principais Magistrados eram:<\/strong>\n<blockquote><strong>C\u00f4nsules:\u00a0<\/strong>exerciam o poder executivo, eram eleitos para o mandato de um ano, propunham as leis e presidiam as Assembl\u00e9ias e o Senado;<strong>\nPretores:\u00a0<\/strong>respons\u00e1veis pela aplica\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a;<strong>\nCesores:<\/strong>\u00a0vigiavam a conduta moral do cidad\u00e3o e faziam o recenseamento da popula\u00e7\u00e3o;<strong>\nQuestores:<\/strong>\u00a0administravam o dinheiro p\u00fablico;<strong>\nEdis:\u00a0<\/strong>encarregados da conserva\u00e7\u00e3o p\u00fablica do policiamento e do abastecimento da cidade;<strong>\nTribunos da Plebe:<\/strong>\u00a0magistraturas que surgiram em conseq\u00fc\u00eancias das lutas pleb\u00e9ias por reformas sociais. Podiam vetar as leis consideradas lesivas aos interesses da plebe.<\/blockquote>\n<strong>Expansionismo<\/strong>\n\nA partir de 510 a.C., Roma dedica-se \u00e0 conquista de toda a pen\u00ednsula It\u00e1lica. Em 264 a.C., o interesse pelo dom\u00ednio da Sic\u00edlia coloca Roma em conflito com Cartago, dando in\u00edcio \u00e0s Guerras P\u00fanicas (264 a.C.-201 a.C.), das quais sai vencedora. De 200 a.C. at\u00e9 o fim do Imp\u00e9rio Romano do Ocidente, em 476, atravessa seis s\u00e9culos de cont\u00ednua expans\u00e3o territorial. Os romanos conquistam a Maced\u00f4nia e a Gr\u00e9cia, a \u00c1sia Menor, o Egito, a Cirenaica (atual L\u00edbia), a pen\u00ednsula Ib\u00e9rica, a G\u00e1lia (Fran\u00e7a), a Germ\u00e2nia (Alemanha), a Il\u00edria (Alb\u00e2nia), a Tr\u00e1cia, a S\u00edria e a Palestina.\n\nAs numerosas conquistas afetam a estrutura e o modo de vida dos romanos. Roma deixa de ser agr\u00e1ria e torna-se mercantil, urbana e luxuosa.\n\nO Ex\u00e9rcito vira uma institui\u00e7\u00e3o poderosa e o escravismo passa a ser o modo de produ\u00e7\u00e3o dominante.\n\n<strong>As lutas civis<\/strong>\n\nO regime aristocr\u00e1tico de governo predominante durante o per\u00edodo republicano foi incapaz de administrar o imenso territ\u00f3rio conquistado pelo ex\u00e9rcito romano.\n\nO senado continuava exercendo o monop\u00f3lio sobre as principais decis\u00f5es pol\u00edticas, excluindo do poder a grande massa de habitantes das prov\u00edncias. A passagem do regime republicano ao imperial foi marcada, portando, por uma s\u00e9rie crise econ\u00f4mica e social proveniente do pr\u00f3prio movimento expansionista.\n\nAs disputas pelo poder pol\u00edtico em Roma tiveram in\u00edcio com as propostas de reforma apresentadas pelos irm\u00e3os Tib\u00e9rio e Caio Graco, eleitos tribunos da plebe em 133 e 123 a.C., respectivamente.\n\nTib\u00e9rio apresentou uma ousada proposta de reforma agr\u00e1ria, causando uma forte rea\u00e7\u00e3o por parte da aristocracia patr\u00edcia, que mandou assassin\u00e1-lo juntamente com muitos de seus seguidores. Caio Graco, inspirado na concep\u00e7\u00e3o de democracia ateniense, procurou transferir as decis\u00f5es pol\u00edticas da esfera exclusiva do senado para a Assembl\u00e9ia popular. Seu destino, no entanto, n\u00e3o foi muito diferente do de seu irm\u00e3o, pois uma nova repress\u00e3o aristocr\u00e1tica p\u00f4s fim \u00e0s id\u00e9ias reformistas, levando-o a cometer suic\u00eddio.\n\nO conflito entre os anseios da camada popular e dos membros da aristocracia prossegue. Ap\u00f3s a morte dos irm\u00e3os Graco, a disputa entre M\u00e1rio \u2013 c\u00f4nsul da Rep\u00fablica, chefe do partido popular \u2013 e Sila \u2013 representante do senado \u2013 expressava a intensifica\u00e7\u00e3o das lutas pol\u00edticas. Mais uma vez, na hist\u00f3ria da pol\u00edtica republicana, predominava a for\u00e7a da elite conservadora e Sila tornou-se ditador da Rep\u00fablica.\n\nDurante o governo de Sila, a aristocracia consolidava seu poder, a medida que o ditador limitava o poder dos tribunos da plebe. Os plebeus responderam prontamente atrav\u00e9s de uma nova revolta, desta feita liderada por Catilina, senador de grande prest\u00edgio popular, o qual representava os interesses desta camada social. No entanto, o orador C\u00edcero (c\u00f4nsul da Rep\u00fablica) atrav\u00e9s de inflamados discursos denunciou a conspira\u00e7\u00e3o de Catilina, acusando-o de tentar um golpe de estado e transformando-o em inimigo de Roma.\n\n<strong>Os triunviratos<\/strong>\n\nDiante do grave quadro de crise pol\u00edtica, tr\u00eas l\u00edderes populares, Pompeu, Crasso e J\u00falio C\u00e9sar, impuseram-se diante do senado estabelecendo um acordo pol\u00edtico (60 a.C.) o Primeiro Triunvirato.\n\nAp\u00f3s a morte de um dos tri\u00fanviros, Crasso, em 53 a.C., os outros dois Pompeu e J\u00falio C\u00e9sar, lutaram pelo exerc\u00edcio do poder pessoal. Contando com o apoio popular (possu\u00eda muito prest\u00edgio junto \u00e0 Plebe), C\u00e9sar venceu Pompeu e tornou-se ditador da rep\u00fablica romana.\n\nC\u00e9sar possu\u00eda plenos poderes, e seu governo indicava uma forte tend\u00eancia \u00e0 monarquia. No sentido de atender aos anseios da plebe, realizou um conjunto de reformas sociais ferindo os interesses da classe dominante.\n\nEle procurou unificar o mundo romano ampliando o direito \u00e0 cidadania romana aos habitantes das prov\u00edncias; promoveu a funda\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias col\u00f4nias fora da It\u00e1lia; reformou o calend\u00e1rio romano utilizando seu nome para designar o s\u00e9timo m\u00eas (da\u00ed a denomina\u00e7\u00e3o Julho); organizou as finan\u00e7as p\u00fablicas, proibindo o abuso do luxo, e construiu diversas obras p\u00fablicas (estradas em todos os dom\u00ednios do Imp\u00e9rio, melhorias em Roma, drenagens dos p\u00e2ntanos, etc.). Dentre as novas leis que atingiam diretamente os privil\u00e9gios da aristocracia, devemos destacar a obriga\u00e7\u00e3o de os propriet\u00e1rios empregarem pelo menos um ter\u00e7o dos homens livres em suas terras e a introdu\u00e7\u00e3o de cidad\u00e3os estrangeiros no senado.\n\nA aristocracia romana, despojada de muitos de seus privil\u00e9gios e temendo que C\u00e9sar concentrasse o poder em suas m\u00e3os, tornando-se imperador, resolveu assassin\u00e1-lo, procurando restaurar o regime republicano.\n\nContudo, a morte de J\u00falio C\u00e9sar revolto a camada popular, tornando ainda mais acirrada a disputa entre os defensores de um governo pessoal e absoluto e aqueles que defendiam a restaura\u00e7\u00e3o da republica.\n\nOs respons\u00e1veis pelo assassinato de C\u00e9sar \u2013 os republicanos C\u00e1ssio e Brutus \u2013 tentaram tomar o poder, mas foram impedidos por Marco Ant\u00f4nio, importante l\u00edder \u201ccesarista\u201d que instigava a massa pleb\u00e9ia contra o senado, evitando a conspira\u00e7\u00e3o restauradora.\n\n<strong>Nesse contexto, formou-se o segundo triunvirato, composto por Marco Ant\u00f4nio, L\u00e9pido e Ot\u00e1vio, que dividem o governo das prov\u00edncias entre si:\u00a0<\/strong>Marco Ant\u00f4nio comandaria o Oriente; Ot\u00e1vio, o ocidente; e L\u00e9pido, a \u00c1frica. No entanto, a rivalidade entre os tri\u00fanviros logo provoca a passagem da ditadura coletiva para a ditadura pessoal e, consequentemente, desta para a instaura\u00e7\u00e3o da Monarquia.\n\nL\u00e9pido \u00e9 afastado pelas for\u00e7as de Ot\u00e1vio, rompendo o equil\u00edbrio do poder e gerando o confronto com Marco Ant\u00f4nio. Este rompeu definitivamente com Ot\u00e1vio e, ao se aliar com Cle\u00f3patra no Egito, fortaleceu sua base militar no Oriente.\n\nOt\u00e1vio, visando tomar o Egito, fortalece seu ex\u00e9rcito e inicia uma campanha para derrotar Marco Ant\u00f4nio. Durante a batalha Naval de Cio, 31 a.C., Ot\u00e1vio consegue finalmente afastar o \u00faltimo dos seus oponentes, tornando-se senhor absoluto de Roma.\n\nOt\u00e1vio manteve as institui\u00e7\u00f5es republicanas, mas reduziu o poder do senado e das Magistraturas. Desta forma, Ot\u00e1vio consolida seu poder pessoal sobre o estado e, ao receber do senado o t\u00edtulo de Augusto (significa sagrado, divino), torna-se definitivamente o primeiro imperador romano em 27 a.C.\n\n<strong>Rep\u00fablica Romana &#8211; Governo<\/strong>\n\nOs romanos estabeleceram uma forma de governo \u2013 uma rep\u00fablica \u2013 que foi copiado pelos pa\u00edses h\u00e1 s\u00e9culos na verdade, o governo dos Estados Unidos \u00e9 baseado em parte no modelo de Roma.\n\nTudo come\u00e7ou quando os romanos derrubaram seus conquistadores etruscas em 509 aC norte Centrado de Roma, os etruscos tinham dominado sobre os romanos por centenas de anos.\n\nUma vez livre, os romanos estabeleceram uma rep\u00fablica, um governo no qual os cidad\u00e3os elegeram representantes para governar em seu nome. A rep\u00fablica \u00e9 muito diferente de uma democracia, em que se espera que cada cidad\u00e3o a desempenhar um papel ativo no governo do Estado.\n\n<strong>Cidad\u00e3o<\/strong>\n\nO conceito romano do\u00a0<strong>cidad\u00e3o<\/strong>\u00a0evoluiu durante a Rep\u00fablica Romana e mudou significativamente durante o Imp\u00e9rio Romano mais tarde. Depois que os romanos se libertaram os etruscos, eles estabeleceram uma rep\u00fablica, e todos os homens com mais de 15 que eram descendentes de tribos originais de Roma tornaram-se cidad\u00e3os.\n\nOs\u00a0<strong>cidad\u00e3os de Roma<\/strong>\u00a0distinguiu-se dos escravos e outros n\u00e3o-cidad\u00e3os vestindo uma toga; A maioria usava uma toga branca. Durante o Imp\u00e9rio, cada imperador vestiu a toga p\u00farpura a distinguir-se como o princeps, ou \u201cprimeiro cidad\u00e3o.\u201d\n\nCidadania variado muito. O cidad\u00e3o pleno podiam votar, casar-se com pessoas nascidas livres, e praticar o com\u00e9rcio. Alguns cidad\u00e3os n\u00e3o foram autorizados a votar ou ocupar cargos p\u00fablicos, mas manteve os outros direitos. Um terceiro tipo de cidad\u00e3o poderia votar e practive commerce, mas n\u00e3o podia exercer o cargo ou se casar com mulheres nascidas livres.\n\nNo final da Rep\u00fablica, os escravos do sexo masculino que foram concedidos sua liberdade poderia tornar-se cidad\u00e3os de pleno direito. Cerca de 90 aC, os aliados n\u00e3o-romanos da Rep\u00fablica ganhou os direitos de cidadania, e em 212 dC, sob o \u00c9dito de Caracalla, todos os povos livres do Imp\u00e9rio Romano poderia tornar-se cidad\u00e3os.\n\nA aristocracia (classe rica) dominou o in\u00edcio Rep\u00fablica Romana. Na sociedade romana, os aristocratas eram conhecidos como patr\u00edcios. Os mais altos cargos no governo foram realizadas por dois c\u00f4nsules, ou l\u00edderes, que governou a Rep\u00fablica Romana. Um Senado composto por patr\u00edcios eleito esses c\u00f4nsules. Neste momento, os cidad\u00e3os de classe baixa, ou plebeus, tinha praticamente nenhum dizer no governo.\n\nTanto os homens como as mulheres eram cidad\u00e3os da rep\u00fablica romana, mas apenas os homens podiam votar.\n\nTradi\u00e7\u00e3o ditou que patr\u00edcios e plebeus deve ser estritamente separadas; casamento entre as duas classes foi mesmo proibido. Com o tempo, os plebeus elegeram seus pr\u00f3prios representantes, chamados tribunos, que ganhou o poder de vetar as medidas aprovadas pelo Senado.\n\nAos poucos, os plebeus obtido ainda mais poder e, eventualmente, poderia ocupar o cargo de c\u00f4nsul. Apesar dessas mudan\u00e7as, no entanto, os patr\u00edcios ainda foram capazes de usar sua riqueza para comprar o controle e influ\u00eancia sobre os l\u00edderes eleitos.\n\n<strong>O Senado romano<\/strong>\n\nA\u00a0<strong>hist\u00f3ria do Senado romano<\/strong>\u00a0vai t\u00e3o longe para tr\u00e1s como a hist\u00f3ria da pr\u00f3pria Roma. Ele foi criado pela primeira vez como um grupo consultivo de 100 membros para os reis romanos.\n\nReis posteriores expandiu o grupo de 300 membros. Quando os reis foram expulsos de Roma e da Rep\u00fablica foi formada, o Senado tornou-se o \u00f3rg\u00e3o mais poderoso. Em vez de aconselhar o chefe de Estado, que elegeu os presidentes-executivos, chamada c\u00f4nsules.\n\nSenadores foram, durante s\u00e9culos, estritamente a partir da classe aristocr\u00e1tica. Eles praticavam as habilidades de ret\u00f3rica e orat\u00f3ria para convencer outros membros do corpo governante.\n\nO Senado convocada e aprovaram leis na c\u00faria, um grande edif\u00edcio em raz\u00e3o do F\u00f3rum Romano. Muito mais tarde, J\u00falio C\u00e9sar construiu uma Curia maiores para um Senado expandida.\n\nAt\u00e9 o s\u00e9culo BCE 3, Roma tinha conquistado vastos territ\u00f3rios, e os senadores poderosos enviou ex\u00e9rcitos, negociado termos de tratados, e teve o controle total sobre as quest\u00f5es financeiras da Rep\u00fablica.\n\nControle Senatorial acabou sendo desafiado por Ditador Sulla cerca de 82 aC Sulla tinha centenas de senadores assassinado, o aumento da ades\u00e3o do Senado para 600, e instalou muitos nonpatricians como senadores.\n\nJ\u00falio C\u00e9sar elevou o n\u00famero para 900 (que foi reduzido ap\u00f3s o seu assassinato).\n\nAp\u00f3s a cria\u00e7\u00e3o do Imp\u00e9rio Romano em 27 aC, o Senado ficou enfraquecido sob imperadores fortes que muitas vezes for\u00e7adamente coagidas este corpo dirigente. Embora tenha sobrevivido at\u00e9 a queda de Roma, o Senado Romano tornou-se apenas um \u00f3rg\u00e3o de cerimonial de ricos homens, inteligentes, com o poder de governar.\n\nOcasionalmente, uma situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia (como a guerra) surgiu que exigia a lideran\u00e7a decisiva de um indiv\u00edduo. Nestas circunst\u00e2ncias, o Senado e os c\u00f4nsules poderia nomear um ditador tempor\u00e1rio para governar por um tempo limitado at\u00e9 que a crise foi resolvida. A posi\u00e7\u00e3o do ditador foi muito democr\u00e1tica por natureza. Na verdade, um ditador tinha todo o poder, tomou decis\u00f5es sem qualquer aprova\u00e7\u00e3o, e tinha total controle sobre os militares.\n\nO melhor exemplo de um ditador ideal era um cidad\u00e3o romano chamado Cincinato. Durante uma emerg\u00eancia militar grave, o Senado romano chamado Cincinato de sua fazenda para servir como ditador e para liderar o ex\u00e9rcito romano. Quando Cincinato desceu da ditadura e voltou para sua fazenda de apenas 15 dias depois que ele derrotou os inimigos de Roma, os l\u00edderes republicanos retomaram o controle sobre Roma.\n\n<strong>As Doze T\u00e1buas<\/strong>\n\nUma das inova\u00e7\u00f5es da Rep\u00fablica Romana foi a no\u00e7\u00e3o de igualdade perante a lei. Em 449 aC, os l\u00edderes do governo esculpida algumas das leis mais importantes de Roma em 12 grandes tablets. As Doze T\u00e1buas, como eles vieram a ser conhecidos, foram as primeiras leis romanas colocadas por escrito. Embora as leis eram bastante dura para os padr\u00f5es atuais, eles fizeram garantir a cada cidad\u00e3o igualdade de tratamento perante a lei.\n\n<strong>Leis das Doze T\u00e1buas<\/strong>\n<blockquote>As f\u00eameas dever\u00e3o permanecer em guarda, mesmo quando eles atingiram a maioridade (exceto virgens vestais).\nA perdul\u00e1rio \u00e9 proibido de exercer a administra\u00e7\u00e3o sobre seus pr\u00f3prios bens.\n\u00c9 permitida a colher o fruto cair na fazenda de um outro homem.\nSe alguma pessoa tenha cantado ou composta contra outra pessoa uma can\u00e7\u00e3o como estava causando cal\u00fania ou insulto para outro, ele deve ser batido at\u00e9 a morte.\nRapidamente matar \u2026 uma crian\u00e7a terrivelmente deformado.<\/blockquote>\nNo que diz respeito \u00e0 lei e \u00e0 cidadania, os romanos tomaram uma abordagem \u00fanica para as terras que eles conquistaram. Ao inv\u00e9s de governar as pessoas como sujeitos conquistados, os romanos convidou-os a tornarem-se cidad\u00e3os. Essas pessoas tornaram-se, em seguida, uma parte de Roma, ao inv\u00e9s de inimigos que lutam contra ela. Naturalmente, estes novos cidad\u00e3os receberam os mesmos direitos legais que todos os outros.\n\n<strong>Rep\u00fablica Romana &#8211; Hist\u00f3ria<\/strong>\n\n<strong>Per\u00edodo:\u00a0<\/strong>509 a.C. a 27 d.C.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Rep\u00fablica Romana\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/rrepubl8.jpg\" alt=\"Rep\u00fablica Romana\" width=\"391\" height=\"232\" \/>\n<strong>Senado romano\nA escada para o poder pol\u00edtico no Senado romano era diferente para os patr\u00edcios ricos do que para os plebeus de classe baixa<\/strong><\/p>\nNos \u00faltimos anos do s\u00e9culo VI a.e.c., Roma, segundo a tradi\u00e7\u00e3o, libertou-se do jugo de Tarqu\u00ednio, o Soberbo e aboliu a realeza. Os reis foram substitu\u00eddos por dois magistrados, pretores e depois c\u00f4nsules, eleitos anualmente. Com a realeza terminava tamb\u00e9m a predomin\u00e2ncia dos Etruscos na Cidade. Pela mesma \u00e9poca, Atenas, como \u00e9 sabido, expulsava os Pisistr\u00e1tidas e recuperava a liberdade.\n\nEsta coincid\u00eancia pareceu suspeita a muitos historiadores modernos, que se recusaram a admitir a data de 509 tradicionalmente apontada para o estabelecimento da Rep\u00fablica. Mas esta coincid\u00eancia, s\u00f3 por si, n\u00e3o \u00e9 uma raz\u00e3o suficiente para contestar a afirma\u00e7\u00e3o de um fato t\u00e3o importante e cuja data, pelo menos aproximada, n\u00e3o poderia deixar de ser conhecida de todos. De resto, alguns argumentos v\u00eam contrariar este ceticismo. Verifica-se, por exemplo, que a influ\u00eancia hel\u00eanica, t\u00e3o sens\u00edvel na Roma etrusca, diminui consideravelmente no s\u00e9culo V. Ora, sabemos que o inicio do s\u00e9culo V marca, na It\u00e1lia, a diminui\u00e7\u00e3o do poder etrusco, que sofre uma primeira s\u00e9rie de reveses e, abandonando as suas recentes conquistas, tende a encerrar-se novamente na Etr\u00faria propriamente dita.\n\nSeja como for, Roma perdeu nessa \u00e9poca uma parte do seu esplendor e talvez do seu poder. A liga latina, at\u00e9 ent\u00e3o dominada, segundo consta, por uma Roma forte e etrusquizada, retoma a sua independ\u00eancia.\n\nPor outro lado, certas cidades etruscas parecem ter sido tentadas, se n\u00e3o a restaurar os Tarquinios em Roma, pelo menos a substitu\u00ed-los, beneficiando da cumplicidade do cl\u00e3 etrusco que a\u00ed permanecia.\n\nMas os Romanos enfrentaram o perigo externo, liquidaram internamente as fac\u00e7\u00f5es perigosas, souberam manter boas rela\u00e7\u00f5es com v\u00e1rias cidades etruscas, como Caere, e vencer a alian\u00e7a dos Latinos na batalha do lago Regilo, no territ\u00f3rio de T\u00fasculo, em 499. No entanto, apesar das vit\u00f3rias conseguidas, Roma parece uma cidade sitiada; a paz \u00e9 sempre prec\u00e1ria, formam-se constantemente alian\u00e7as amea\u00e7adoras; compreendem povos de diversas ra\u00e7as que v\u00eaem no jovem Estado romano um tem\u00edvel inimigo.\n\nTamb\u00e9m \u00e9 prov\u00e1vel que os exilados dispersos pela revolu\u00e7\u00e3o tenham criado intrigas um pouco por toda a parte, contribuindo assim para alimentar a agita\u00e7\u00e3o no L\u00e1cio.\n\nEm meados do s\u00e9culo V, foi conclu\u00edda a paz entre Roma e as cidades latinas.\n\n<strong>Esta paz foi imposta por uma nova amea\u00e7a:<\/strong>\u00a0na It\u00e1lia Central e Meridional, um pouco por toda a parte, os povos da montanha descem para as plan\u00edcies costeiras.\n\nNa Camp\u00e2nia, os Samnitas apoderam-se de C\u00e1pua e da col\u00f4nia grega de Cumas e fundam um verdadeiro Estado campaniense. Em breve os seus irm\u00e3os de ra\u00e7a, os Lucanos, ao sul de Salerno, estendem o seu dom\u00ednio \u00e0 regi\u00e3o de Pesto. Na encosta adri\u00e1tica, as col\u00f4nias gregas, mais pr\u00f3speras e mais s\u00f3lidas que as da encosta tirrena, conseguem resistir \u00e0 vaga de invas\u00f5es sab\u00e9licas, mas saem profundamente abaladas. O L\u00e1cio n\u00e3o \u00e9 poupado. Os Sabinos, que representam apenas um ramo da ra\u00e7a samnita, ocupam as regi\u00f5es etrusquizadas do vale m\u00e9dio do Tibre, por exemplo, a cidade de Fal\u00e9ria.\n\nAo sul de Roma, avan\u00e7am at\u00e9 \u00e0s montanhas que orlam o horizonte da Cidade e ocupam a estrada da Camp\u00e2nia. Mais uma vez, Roma consegue conter os invasores \u2013 pelo menos segundo o que dizem os historiadores antigos e tendo em vista que n\u00e3o \u00e9 de admitir a exist\u00eancia de um per\u00edodo sabino, como houvera um per\u00edodo etrusco.\n\nDe qualquer modo, e apesar de o equil\u00edbrio interno da Cidade se ter encontrado alterado a favor dos Sabinos num determinado momento do s\u00e9culo V, Roma n\u00e3o perdeu a unidade nem a independ\u00eancia pol\u00edtica e, passando por sua vez \u00e0 ofensiva, quis proteger-se a norte conquistando a cidade etrusca de Veios, nas margens do rio Cr\u00eamero. \u00e9 poss\u00edvel, de resto, que esta tentativa contra Veios se destinasse menos a evitar eventuais ataques dos Etruscos do que a cortar aos Sabinos, criando uma base s\u00f3lida na margem direita do Tibre, qualquer possibilidade de invadirem o L\u00e1cio passando pelo vale do rio. A guerra contra Veios foi longa. A cidade, diz-se, resistiu tanto como Tr\u00f3ia; s\u00f3 foi conquistada nos primeiros anos do s\u00e9culo IV (em 396, segundo a cronologia liviana), pelo ditador F\u00fario Camilo.\n\n<strong>O Conflito entre Patr\u00edcios e Plebeus<\/strong>\n\nNo interior, o s\u00e9culo V foi preenchido por uma longa sucess\u00e3o de lutas entre os patr\u00edcios e a plebe, as duas classes em que se divide a sociedade romana de ent\u00e3o.\n\nEsta oposi\u00e7\u00e3o chegou a p\u00f4r em causa a pr\u00f3pria exist\u00eancia do Estado romano. \u00c9 f\u00e1cil adivinhar que o conflito tinha por causa o desejo, nos primeiros, de manter as prerrogativas pol\u00edticas e, nos segundos, de conquistar a igualdade de direitos; mas ignoramos como se instituiu esta realidade e quais s\u00e3o exatamente as origens do patriciado e da plebe.\n\nAparentemente, o conflito come\u00e7ou no inicio da Rep\u00fablica. Talvez porque esta come\u00e7ou por ser \u2013 como aconteceu tantas vezes nas cidades gregas \u2013 n\u00e3o uma verdadeira democracia, mas uma oligarquia e porque as circunst\u00e2ncias em que se produziu a revolu\u00e7\u00e3o de 509 deram o poder a uma aristocracia lentamente constitu\u00edda ao longo dos s\u00e9culos anteriores.\n\nParece que os patr\u00edcios eram membros de algumas grandes fam\u00edlias cujas tradi\u00e7\u00f5es gent\u00edlicas mantinham uma organiza\u00e7\u00e3o de car\u00e1ter arcaico. Os chefes dessas fam\u00edlias tinham assento no Senado, esse conselho dos Antigos institu\u00eddo pelos reis e que sobreviveu \u00e0 queda da realeza. Esses patres tinham \u00e0 sua volta, para aumentar a sua influ\u00eancia, n\u00e3o s\u00f3 os seus pr\u00f3ximos e aliados, mas tamb\u00e9m \u201cclientes\u201d, isto \u00e9, homens que n\u00e3o possu\u00edam qualquer fortuna e que se ligavam \u00e0 um rico e nobre \u201cpatr\u00e3o\u201d, do qual recebiam ajuda e prote\u00e7\u00e3o em troca de certas obriga\u00e7\u00f5es definidas. Este costume da clientela (pr\u00f3prio das gentes patr\u00edcias) N\u00e3o \u00e9, de resto, caracter\u00edstico de Roma; encontra-se, por exemplo, em diversas sociedades c\u00e9lticas; \u00e9 tentador imaginar que remonta a um long\u00ednquo passado e que, portanto, as gentes patr\u00edcias representam a sobreviv\u00eancia de um estado social muito antigo pr\u00f3prio dos invasores indo-europeus e comum, por conseguinte, aos Latinos e aos Sabinos.\n\n<strong>Mas importa acrescentar imediatamente uma restri\u00e7\u00e3o:<\/strong>\u00a0em Roma, as gentes n\u00e3o parecem ter formado, na origem, um quadro oficial da cidade. Os patr\u00edcios, no s\u00e9culo V, come\u00e7am a surgir como propriet\u00e1rios rurais, dedicando-se sobretudo \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de animais. Os plebeus, pelo contr\u00e1rio, s\u00e3o essencialmente agricultores; ou, quando residem na cidade, s\u00e3o art\u00edfices, cidad\u00e3os que n\u00e3o se encontram apoiados nem enquadrados pelas tradi\u00e7\u00f5es de qualquer gens.\n\n<strong>Do ponto de vista religioso, os patr\u00edcios possuem um privil\u00e9gio que em breve se tornar\u00e1 precioso:<\/strong>\u00a0o de conhecer os \u201causp\u00edcios\u201d, isto \u00e9, de interpretar diretamente, sem recurso a um sacerdote, a vontade divina.\n\nSaberemos avaliar a import\u00e2ncia deste poder se pensarmos que todo o ato p\u00fablico deve ser precedido de um entendimento entre os deuses. Assim, os patr\u00edcios n\u00e3o tardaram a reivindicar o monop\u00f3lio das magistraturas que comportavam o conhecimento dos ausp\u00edcios, ou seja, na pr\u00e1tica, o consulado e as outras magistraturas mais importantes que, progressivamente, foram sendo criadas. Este aspecto religioso da oposi\u00e7\u00e3o contribuiu muito para fortalecer e para criar entre as duas metades da sociedade romana uma diferen\u00e7a que rapidamente se tornou irredut\u00edvel.\n\nA revolu\u00e7\u00e3o de 509 apenas veio exacerbar um conflito ate ent\u00e3o latente. A plebe, afastada do poder, j\u00e1 que n\u00e3o podia ter acesso ao consulado que substituira a fun\u00e7\u00e3o real, amea\u00e7ou criar uma secess\u00e3o.\n\nRetirou-se do pomerium para a sua colina, o Aventino, onde se erguia o templo de Ceres, que era por excel\u00eancia a deusa dos plebeus, e declarou querer fundar uma cidade separada de Roma.\n\nOs patr\u00edcios aceitaram ent\u00e3o que fossem criados magistrados plebeus, encarregados de proteger a plebe contra os abusos de poder dos outros magistrados. Assim se constituiu o col\u00e9gio dos tribunos da plebe, primeiro com dois e depois com cinco membros. Estes homens gozavam de poderes extraordinariamente extensos, pois tinham o direito de impedir a a\u00e7\u00e3o de qualquer magistrado pelo seu veto e eram eles pr\u00f3prios inviol\u00e1veis na sua pessoa e nos seus bens, tratando-se de uma das institui\u00e7\u00f5es mais curiosas da Rep\u00fablica.\n\nConsiderados sagrados, isto \u00e9, literalmente intoc\u00e1veis, viver\u00e3o at\u00e9 ao Imp\u00e9rio uma exist\u00eancia \u00e0 parte na hierarquia das magistraturas e mesmo depois de eliminadas todas as diferen\u00e7as pol\u00edticas entre patr\u00edcios e plebeus continuar\u00e3o a ser sacrossantos.\n\nA cria\u00e7\u00e3o dos tribunos teve conseq\u00fc\u00eancias diversas; para eleger estes magistrados particulares da plebe e os seus assistentes, os edis plebeus, foi necess\u00e1rio legalizar uma nova assembl\u00e9ia, o conselho da plebe (concilium plebis), que se reunia no quadro das tribos. Desde o tempo de S\u00e9rvio, novas tribos tinham vindo juntar-se \u00e0s quatro existentes. Eram agora dezessete, chamadas r\u00fasticas por o seu territ\u00f3rio se estender para fora de Roma, pelos campos latinos. Muito rapidamente, o concilium plebis, n\u00e3o contente por eleger os magistrados plebeus, votou mo\u00e7\u00f5es de \u00e2mbito geral que, naturalmente, n\u00e3o tinham for\u00e7a de lei, mas concorriam com as decis\u00f5es dos com\u00edcios centuriais em que os patr\u00edcios, pela sua riqueza e pelo jogo da hierarquia censit\u00e1ria, exerciam a preponder\u00e2ncia.\n\nPerante uma plebe assim organizada, os privil\u00e9gios legais dos patr\u00edcios n\u00e3o podiam manter-se por muito tempo. De fato, os plebeus reclamaram rapidamente o direito de serem eleitos c\u00f4nsules, Os patr\u00edcios objetaram que era imposs\u00edvel, uma vez que um c\u00f4nsul devia ele pr\u00f3prio interpretar os ausp\u00edcios, e que esta fun\u00e7\u00e3o s\u00f3 poderia ser assumida por um patr\u00edcio.\n\n<strong>Finalmente, depois de vencidas muitas dificuldades, adotou-se um compromisso:<\/strong>\u00a0o consulado seria substitu\u00eddo por um tribunato militar com poderes consulares, para o qual seriam eleg\u00edveis os plebeus.\n\nMas esta solu\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi definitiva; em certos anos, havia c\u00f4nsules patr\u00edcios; s\u00f3 se recorria ao expediente dos tribunos militares nos anos em que a plebe, particularmente agitada, impunha concess\u00f5es aos patr\u00edcios.\n\nE em meados do s\u00e9culo V que a tradi\u00e7\u00e3o situa a reda\u00e7\u00e3o de um c\u00f3digo das leis que, at\u00e9 ent\u00e3o, se tinham mantido secretas, apenas conhecidas pelos pont\u00edfices e os magistrados patr\u00edcios.\n\nFoi encarregada deste trabalho uma comiss\u00e3o de dez juristas, naturalmente patr\u00edcios, os dec\u00eanviros, que durante dois anos exerceu o poder de fato na Cidade. O resultado foi a publica\u00e7\u00e3o da Lei das Doze T\u00e1buas, que constitu\u00edram a base de todas as leis futuras.\n\nRoma evolu\u00eda, portanto, para um regime mais amplamente democr\u00e1tico, apesar dos ego\u00edsmos de classe e tamb\u00e9m dos entraves causados pela religi\u00e3o, prudentemente tradicionalista, quando sobreveio uma cat\u00e1strofe que, a dada altura, pareceu capaz de p\u00f4r fim \u00e0 sua pr\u00f3pria exist\u00eancia. Nos \u00faltimos anos do s\u00e9culo V, bandos c\u00e9lticos penetraram no Norte de It\u00e1lia, de onde pretendiam expulsar os Etruscos. Um destes bandos, formado por S\u00e9nones, avan\u00e7ou ousadamente para sul e chegou at\u00e9 Roma. Rapidamente alertado, o exercito romano, que inclu\u00eda praticamente todos os homens v\u00e1lidos, partiu ao encontro do inimigo. Este encontro ocorreu a pouca dist\u00e2ncia de Roma, nas margens do Al\u00eda. Em p\u00e2nico, os Romanos fugiram.\n\nA estrada de Roma encontrava-se livre. Os Gauleses, desconfiados, avan\u00e7aram prudentemente.\n\n<strong>Esperavam uma forte resist\u00eancia, mas acabaram por se render \u00e0 evid\u00eancia:<\/strong>\u00a0portas abertas, muralhas desguarnecidas, Roma n\u00e3o se defendia. O inimigo espalhou-se ent\u00e3o pela cidade, pilhou, incendiou as casas e os templos. Os raros defensores, acompanhados de mulheres e velhos, entrincheiraram-se no Capit\u00f3lio, na cidadela. Mas, sitiados, pressionados pela fome, viram-se obrigados a negociar a retirada dos Gauleses em troca de um pesado resgate.\n\nA invas\u00e3o dos Gauleses n\u00e3o durou muito, mas deixou atr\u00e1s de si terr\u00edveis ru\u00ednas. Mais grave ainda, abalou a confian\u00e7a que os Romanos depositavam no destino da Cidade \u2013 a ponto de muitos deles pensarem seriamente em abandonar o solo profanado para se instalarem mais ao norte, na cidade de Veios, recentemente conquistada. Por\u00e9m, o patriotismo prevaleceu; devem ter conclu\u00eddo que, como o Capit\u00f3lio n\u00e3o fora ocupado pelo inimigo, a honra estava salva e era claramente a vontade dos deuses que permanecessem onde a Funda\u00e7\u00e3o os instalara.\n\n<strong>\u00c0 cat\u00e1strofe seguiu-se um per\u00edodo de agita\u00e7\u00f5es, tanto no interior como no exterior. No interior, os problemas tradicionais continuavam a p\u00f4r-se com acuidade:<\/strong>\u00a0o problema das d\u00edvidas que pesavam duramente sobre uma parte da popula\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m o da utiliza\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios conquistados (ager publicus), que os patr\u00edcios tinham tend\u00eancia para a\u00e7ambarcar em detrimento dos pequenos agricultores; e ainda a resist\u00eancia obstinada dos patr\u00edcios ao acesso dos plebeus ao consulado. Por fim, as leis licinianas, votadas em 366, introduziram solu\u00e7\u00f5es, pelo menos provis\u00f3rias, e marcaram um novo progresso da plebe. A partir da\u00ed, um dos dois c\u00f4nsules podia ser plebeu; esta possibilidade tornou-se mesmo, rapidamente, uma obriga\u00e7\u00e3o e as duas metades da cidade passaram a estar regularmente representadas na magistratura suprema.\n\n<strong>O alargamento dos limites da velha cidade teve um resultado imediato:<\/strong>\u00a0J\u00e1 que os patr\u00edcios tinham deixado de ter o monop\u00f3lio do consulado, este tornava-se acess\u00edvel aos rec\u00e9m-chegados \u00e0 cidade romana e as cidades que aceitassem ligar o seu destino ao de Roma poderiam passar a ser tratadas como iguais.\n\nO Estado romano flexibilizava-se e adquiria assim uma das suas caracter\u00edsticas mais originais, a faculdade de acolher, oferecendo-lhe a plenitude dos direitos, se n\u00e3o os inimigos, pelo menos os estrangeiros da v\u00e9spera.\n\nA conc\u00f3rdia interna assegurada pelas leis licinianas permitiu que Roma superasse a crise externa que colocou o ex\u00e9rcito em confronto com os vizinhos, os Etruscos de Tarquinia e de Caere, e tamb\u00e9m com os Latinos.\n\nO seu territ\u00f3rio encontra-se rapidamente orlado por uma s\u00e9rie de cidades federadas, ligadas a Roma por tratados de alian\u00e7a; na foz do Tibre, a col\u00f4nia de Ostia (talvez fundada no reinado de Ancus Martius) desempenha um papel importante e o povoamento romano efetivo estende-se ao longo da costa na regi\u00e3o pontina e at\u00e9 Ancio e Terracina.\n\nAs cidades latinas federadas acabaram pura e simplesmente por ser anexadas. Pela mesma \u00e9poca, Roma, cada vez mais preocupada com a amea\u00e7a que os povos sab\u00e9licos continuam a constituir para as plan\u00edcies, v\u00ea-se obrigada a intervir na Camp\u00e2nia, chamada, de resto, pela aristocracia local. Tratava-se de uma ocasi\u00e3o inesperada para consolidar a conquista da costa latina e proteger as col\u00f4nias. Foi assim que se criou, em 34O, um Estado romano-campaniense, no qual os cavaleiros de C\u00e1pua \u2013 isto \u00e9, a nobreza \u2013 obtinham o direito de cidadania romana. Esta nova situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o trazia s\u00f3 vantagens para Roma; criava-lhe tamb\u00e9m a obriga\u00e7\u00e3o imperiosa de travar apartir da\u00ed uma luta contra os Samnitas, o que a empenhou numa guerra que durou quase setenta anos e que foi marcada por terr\u00edveis reveses, como a captura de um ex\u00e9rcito romano no desfiladeiro de Caudium (Forcas Caudinas).\n\nAs guerras samnitas foram uma dura escola para o ex\u00e9rcito romano, que se tornou muito mais s\u00f3lido, mais flex\u00edvel, treinado para suportar opera\u00e7\u00f5es de longa dura\u00e7\u00e3o muito diferentes das expedi\u00e7\u00f5es organizadas contra cidades pr\u00f3ximas de Roma. As legi\u00f5es come\u00e7am a percorrer a pen\u00ednsula, a transpor montanhas e florestas, e todos os obst\u00e1culos naturais que, ate ent\u00e3o, tinham limitado a sua a\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, o Estado romano, tendo-se tornado uma pot\u00eancia costeira, assegura com uma frota o policiamento do litoral.\n\n<strong>A super pot\u00eancia do L\u00e1cio<\/strong>\n\nNo fim do s\u00e9culo IV, Roma era a maior pot\u00eancia de toda a It\u00e1lia. Pela Camp\u00e2nia, estava em contato com as col\u00f4nias gregas, que a consideravam a melhor aliada contra as popula\u00e7\u00f5es it\u00e1licas do interior.\n\nJ\u00e1 anteriormente, Roma contribu\u00edra para aliviar a amea\u00e7a etrusca que pesava sobre a col\u00f4nia focense de Marselha, e \u00e9 poss\u00edvel que, a partir do fim do s\u00e9culo VI, os Romanos teriam enviado oficialmente deputados para consultar o or\u00e1culo de Delfos.\n\nEm Roma existia mesmo toda uma corrente Hel\u00eanica cuja a\u00e7\u00e3o sobre o pensamento e a vida dos Romanos foi desde muito cedo consider\u00e1vel, embora tenhamos dificuldade em acompanhar as suas diversas manifesta\u00e7\u00f5es. Esta corrente foi refor\u00e7ada pelo renascimento sofrido pelas col\u00f4nias gregas da It\u00e1lia Meridional nos \u00faltimos dec\u00eanios do s\u00e9culo IV, e tamb\u00e9m pela nova vaga de helenismo que ent\u00e3o veio vivificar a civiliza\u00e7\u00e3o etrusca.\n\n\u00c9 verdade que Roma deixara h\u00e1 muito de ser ignorada pelos Gregos, mas conheciam-na muito vagamente. Consideravam-na uma cidade grega fundada nos tempos her\u00f3icos por algum sobrevivente da epop\u00e9ia de Tr\u00f3ia.\n\nA partir de agora, os Gregos v\u00e3o adquirir um conhecimento mais direto da nova pot\u00eancia, \u00e0 medida que os cidad\u00e3os romanos ou federados come\u00e7am a negociar com regi\u00f5es hel\u00eanicas.\n\nN\u00e3o nos parece que Roma tenha criado de um dia para o outro uma frota comercial. As popula\u00e7\u00f5es costeiras do L\u00e1cio tinham os seus marinheiros, muitas vezes piratas como os de Ancio. Depois da conquista, o pavilh\u00e3o romano cobria a sua atividade pacificada e n\u00e3o deve surpreender-nos que, a partir de 306, Roma tenha mantido rela\u00e7\u00f5es de amizade com os Rodienses, que eram nessa \u00e9poca, e foram durante ainda mais de um s\u00e9culo, os mais ativos navegadores do Mediterr\u00e2neo Oriental. Tr\u00eas anos mais tarde, outro tratado, entre Roma e Tarento, proibia os navios romanos de passar para leste do cabo Lacinio.\n\nMas o entendimento entre as cidades da Magna Gr\u00e9cia e Roma n\u00e3o durou muito. Foi em Tarento que rebentou o conflito, a primeira guerra em que Roma se defrontou com Helenos.\n\nO pretexto invocado pelos Tarentinos foi o fato de os Romanos terem violado as cl\u00e1usulas do tratado de 303, enviando uma frota para o mar J\u00f4nico. Na realidade, Tarento sentia-se amea\u00e7ada pelos progressos de Roma, que fazia uma pol\u00edtica tortuosa, aliando-se ora com os Lucanos, ora apoiando contra eles os Gregos de Thurii, rivais particularmente detestados dos Tarentinos, e fundando na costa adri\u00e1tica v\u00e1rias col\u00f4nias suscet\u00edveis de servir de base \u00e0s suas esquadras. Segundo um costume j\u00e1 antigo, os Tarentinos pediram auxilio a um ex\u00e9rcito estrangeiro; dirigiram-se ao rei do Epiro, Pirro, que alegava descender de Neoptolemo, filho de Aquiles.\n\nPirro chegou a Tarento em 280, \u00e2 frente de um ex\u00e9rcito de tipo helen\u00edstico que compreendia \u2013 inova\u00e7\u00e3o t\u00e1tica impressionante \u2013 elefantes de combate.\n\nVenceu em Heracleia do Sins. Depois, confiando na sua forca, e tamb\u00e9m na sua diplomacia, decidiu marchar sobre Roma, esperando firmemente que a sua aproxima\u00e7\u00e3o provocaria a subleva\u00e7\u00e3o das cidades subjugadas. Conseguiu avan\u00e7ar at\u00e9 Preneste, perto de Roma, mas n\u00e3o se verificou nenhuma das deser\u00e7\u00f5es esperadas, e ainda tinha \u00e0 sua frente ex\u00e9rcitos romanos para lhe barrar o caminho.\n\n<strong>Retirou-se para a Camp\u00e2nia, de onde enviou uma embaixada, chefiada por Cineias, para pedir a paz. Mas o antigo censor Apio Cl\u00e1udio Ceco, intervindo no Senado, conseguiu que estes avan\u00e7os fossem contidos:<\/strong>\u00a0seria vergornhoso para Roma, disse ele, decretar a paz enquanto um rei estrangeiro estivesse em It\u00e1lia. No ano seguinte (279), Os acontecimentos deram raz\u00e3o a Apio Cl\u00e1udio. Pirro, ap\u00f3s uma indecisa batalha em Ausculum, retirou-se; outras ambi\u00e7\u00f5es o chamavam. Os Sicilianos pediam-lhe que organizasse a luta contra Cartago.\n\nCedeu \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o e, durante tr\u00eas anos, foi senhor da ilha, mas, ao fim deste per\u00edodo, as cidades sicilianas, fartas dele e dos seus amigos, revoltaram-se e Pirro, passando com dificuldade o estreito de Messina, regressou a Tarento.\n\nNa sua aus\u00eancia, os Romanos tinham recuperado e conclu\u00eddo uma alian\u00e7a com Cartago. Pirro foi derrotado perto de Benevento e, dessa vez, abandonou definitivamente o campo de batalha.\n\nA guarni\u00e7\u00e3o que deixou em Tarento viria a capitular em 272, entregando a pra\u00e7a ao c\u00f4nsul L. Papirius Cursor. Seis anos mais tarde, na Etr\u00faria, a cidade santa de Volsinii, capital religiosa da confedera\u00e7\u00e3o, era conquistada e pilhada pelos Romanos.\n\n<strong>A aventura de Pirro, rei cavaleiro e pol\u00edtico ousado, terminava com vantagem para Roma:<\/strong>\u00a0refor\u00e7ada pelas vit\u00f3rias na It\u00e1lia Meridional, liquidava todas as possibilidades de renascimento etrusco e mantinha-se senhora incontestada da pen\u00ednsula, ao sul de uma linha que ia aproximadamente de Pisa a Rimini.\n\n<strong>As Guerras P\u00fanicas<\/strong>\n\nA guerra contra Pirro prefigura em muitos aspectos a longa s\u00e9rie de lutas que ocupam a segunda metade do s\u00e9culo III e s\u00f3 terminar\u00e3o definitivamente em 146 com a destrui\u00e7\u00e3o de Cartago.\n\nFundada por Tirios no fim do s\u00e9culo IX a.e.c., Cartago conseguira construir uma vasta talassocracia no Mediterr\u00e2neo Ocidental, muitas vezes a custa de mercadores e colonos gregos. Na Sicilia, a rivalidade agravara-se a ponto de provocar guerras constantes entre P\u00fanicos e cidades gregas.\n\nA interven\u00e7\u00e3o de Roma na Magna Gr\u00e9cia, depois da vit\u00f3ria sobre Pirro, precipitou o conflito. Os habitantes de Messina, It\u00e1licos que tinham conquistado, alguns anos antes, a cidade grega, viram-se obrigados, para n\u00e3o serem subjugados por Cartago, a recorrer aos Romanos. Estes, n\u00e3o sem hesita\u00e7\u00f5es, aceitaram ajud\u00e1-los, em 264. Assim come\u00e7ou a primeira guerra p\u00fanica.\n\nMuito rapidamente, o ex\u00e9rcito romano obteve grandes sucessos na Sicilia, o que lhe valeu a alian\u00e7a do tirano de Siracusa, Hiero II. Du\u00edlio, que comandava a frota romana, obteve, por sua vez, uma vit\u00f3ria em Mylae, em 260. Animados, os Romanos retomaram um projeto do siracusano Agatocles e organizaram uma expedi\u00e7\u00e3o \u00e0 Africa e \u00e0 Cartago; O comando foi confiado ao c\u00f4nsul At\u00edlio R\u00e9gulo. R\u00e9gulo conseguiu desembarcar mas, ap\u00f3s um come\u00e7o favor\u00e1vel, teve de capitular. A sua derrota ficou a dever-se a um grego, um chefe de mercen\u00e1rios, o espartano Xantipo.\n\nEsta derrota prolongou a guerra. Uma s\u00e9rie de reveses das frotas romanas restituiu a Cartago o dom\u00ednio do mar. A partir da\u00ed, as principais opera\u00e7\u00f5es desenrolaram-se na Sicilia, sobretudo a volta de Palermo.\n\nPela parte de Cartago, eram conduzidas por Amilcar Barca que, beneficiando da supremacia naval de Cartago, organizou muitos ataques de surpresa \u00e0s costas italianas. At\u00e9 ao dia em que Roma, j\u00e1 farta, construiu uma frota nova com a qual o c\u00f4nsul C. Lut\u00e1cio Catulo obteve sobre os Cartagineses a vit\u00f3ria decisiva das ilhas Egatas, na Primavera de 241. Cartago, esgotada por uma luta que durava h\u00e1 vinte e tr\u00eas anos, n\u00e3o insistiu e aceitou a paz. Os Cartagineses evacuaram a Sicilia e comprometeram-se a pagar uma pesada indeniza\u00e7\u00e3o de guerra.\n\n<strong>Os Romanos acrescentaram-lhe rapidamente outras exig\u00eancias:\u00a0<\/strong>os Cartagineses deviam abandonar a Sardenha e a C\u00f3rsega \u2013 o que fizeram.\n\nOs Cartagineses, e sobretudo o cl\u00e3 dos Barca, decidiram ir em busca de outras compensa\u00e7\u00f5es e construir outro imp\u00e9rio, na Hisp\u00e2nia. Precisamente no ano em que Roma iniciava a ocupa\u00e7\u00e3o da Sardenha, Amilcar empreendia a conquista do interior da Hisp\u00e2nia. No seu pensamento, tratava-se sobretudo de conseguir novos recursos para levar a bom termo a sua vingan\u00e7a.\n\nMas n\u00e3o tardou a morrer em combate contra uma tribo de \u00edberos. O genro, Asdr\u00fabal, que lhe sucedeu, prosseguiu a sua pol\u00edtica, fundando a Nova Cartago (Cartagena). Roma sentiu-se preocupada.\n\nAcompanhava os progressos da conquista dos B\u00e1rcidas, provavelmente informada pelos seus aliados de Marselha. Para se precaver, na medida do poss\u00edvel, contra o perigo, obrigou Asdr\u00fabal a assinar o tratado do Ebro, estipulando que os Cartagineses n\u00e3o deviam atravessar este rio (parece n\u00e3o se tratar do Ebro moderno, mas do Jucar \u2013 opini\u00e3o discut\u00edvel, contudo), nem atentar em nada contra a independ\u00eancia das cidades gregas fundadas na costa.\n\nDurante estes anos que separaram as duas primeiras guerras p\u00fanicas, Roma tamb\u00e9m n\u00e3o se manteve inativa. A extens\u00e3o da sua atividade mar\u00edtima levava-a a intervir nos assuntos iliricos. Popula\u00e7\u00e3o turbulenta, os Ilirios exerciam a pirataria no Adri\u00e1tico e perseguiam constantemente os Gregos at\u00e9 a Elida e \u00e0 Mess\u00eania. A dada altura, pareciam prestes a fundar um verdadeiro imp\u00e9rio il\u00edrico em detrimento dos Epirotas.\n\nPara proteger os seus nacionais, os comerciantes e navegadores italianos que traficavam nessas paragens, Roma teve de enviar uma expedi\u00e7\u00e3o que ocupou Apol\u00f4nia e Epidamno (Durazzo).\n\n<strong>Os iI\u00edrios, assustados, reconheceram o protetorado de Roma:<\/strong>\u00a0esta tornava-se pot\u00eancia preponderante no Adri\u00e1tico e adquiria uma testa-de-ponte na pen\u00ednsula Balc\u00e2nica.\n\nEmbaixadores romanos puderam anunciar oficialmente, em Corinto, o fim do pesadelo il\u00edrico, e os Corintios, reconhecidos, concederam a Roma o direito de participar nos Jogos \u00edstmicos, que se realizavam no seu territ\u00f3rio. Roma encontrava-se assim integrada, simbolicamente, na comunidade religiosa das cidades hel\u00eanicas.\n\nPela mesma \u00e9poca, os ex\u00e9rcitos romanos penetravam ainda mais no Norte de It\u00e1lia, onde estavam instalados os invasores gauleses. Impediram uma ofensiva gaulesa e ocuparam Mediolanum (Mil\u00e3o) em 222.\n\nPouco tempo depois, eram fundadas as duas col\u00f4nias de Cremona e Placencia, postos avan\u00e7ados da ocupa\u00e7\u00e3o romana na G\u00e1lia Cisalpina.\n\nRoma parecia bem encaminhada para terminar a conquista da It\u00e1lia quando a vontade de An\u00edbal, filho de Amilcar, veio p\u00f4r tudo em causa. A guerra de An\u00edbal, (assim que os Romanos chamaram a segunda guerra p\u00fanica) n\u00e3o foi grave s\u00f3 porque a pr\u00f3pria exist\u00eancia do Estado se viu amea\u00e7ada, mas porque todo o pensamento, toda a civiliza\u00e7\u00e3o de Roma sofreram uma crise de onde sa\u00edram profundamente modificadas.\n\nComo acontece freq\u00fcentemente, a vit\u00f3ria final sobreveio demasiado tarde para permitir o regresso puro e simples ao estado antigo. Roma come\u00e7ou a guerra em parte para defender os interesses do helenismo ocidental; terminou-a como inimiga, ou, pelo menos, como rival dos reinos hel\u00eanicos do Oriente. No in\u00edcio, ainda estava aberta a todas as correntes do helenismo; no fim, fechara-se sobre si mesma, endurecida pela vontade de resistir, orgulhosa de ter triunfado sobre An\u00edbal, chefe genial formado na escola dos t\u00e1ticos gregos; tomara consci\u00eancia dos seus pr\u00f3prios valores tradicionais e, em vez de se abandonar a corrente que h\u00e1 v\u00e1rios s\u00e9culos a arrastava para o helenismo, esfor\u00e7a-se por confiscar em seu proveito, mais do que assimilar francamente, uma civiliza\u00e7\u00e3o cujo decl\u00ednio vai ser precipitado pela sua pol\u00edtica.\n\nAs opera\u00e7\u00f5es militares come\u00e7aram em conseq\u00fc\u00eancia de uma provoca\u00e7\u00e3o consciente de An\u00edbal que, em 219, atravessou o Jucar e atacou Sagunto. O Senado pediu a Cartago que reparasse esta viola\u00e7\u00e3o do tratado.\n\nOs Cartagineses n\u00e3o quiseram desdizer o B\u00e1rcida e este p\u00f4s-se em marcha, \u00e0 frente de um formid\u00e1vel ex\u00e9rcito, ao longo das costas espanholas. Alguns compromissos, mas sobretudo o terror que inspirava, abriram-lhe a passagem. Os seus enviados h\u00e1 muito tinham conquistado algumas cumplicidades. Na G\u00e1lia Cisalpina, tinham provocado uma rebeli\u00e3o dos Insubres e dos Boios, o que atrasou os preparativos romanos.\n\nQuando o ex\u00e9rcito romano se apresentou no R\u00f3dano, era demasiado tarde para impedir An\u00edbal de transpor os Alpes, sem d\u00favida por S\u00e3o Bemardo, para historiadores modernos por Clapier. Os Romanos, desprevenidos, n\u00e3o conseguiram det\u00ea-lo na G\u00e1lia Cisalpina e a subleva\u00e7\u00e3o dos Gauleses acabou de desorganizar a defesa.\n\nNa Primavera de 217, An\u00edbal, descendo os Apeninos, surgiu na It\u00e1lia Central. Um dos c\u00f4nsules, C. Flaminio, esperava-o na regi\u00e3o do Arretium (Arezzo), mas deixou-se surpreender nas margens do lago Trasimeno, e o seu ex\u00e9rcito foi derrotado. A estrada de Roma estava livre. No entanto, An\u00edbal absteve-se \u2013 como outrora Pirro \u2013 de atacar o L\u00e1cio de frente.\n\nAlcan\u00e7ou a costa do Adri\u00e1tico, onde tentou, por meio da persuas\u00e3o ou da for\u00e7a, ganhar para a sua causa popula\u00e7\u00f5es recentemente subjugadas por Roma e muito particularmente os Campanienses.\n\nEsta pol\u00edtica permitiu que os Romanos tivessem tempo de confiar um ex\u00e9rcito a Q. F\u00e1bio, um dos mais tradicionalistas entre os aristocratas. F\u00e1bio, com a sua t\u00e1ctica prudente de contemporizador, talvez tivesse resolvido a situa\u00e7\u00e3o se um dos c\u00f4nsules de 216, C. Ter\u00e9ncio Varr\u00e3o, n\u00e3o tivesse cedido a tenta\u00e7\u00e3o de travar uma batalha nas margens do Aufide. An\u00edbal venceu novamente, desta vez no campo de batalha de Canas. Esta derrota, um desastre sem precedentes para Roma, acabou com as hesita\u00e7\u00f5es dos Campanienses; todo o Sul de It\u00e1lia se declarou por Cartago.\n\nC\u00e1pua abandonou a sua aliada.\n\nOs Romanos, contudo, n\u00e3o se deixaram desencorajar. Opuseram a An\u00edbal uma estrat\u00e9gia de terra queimada. O P\u00fanico, afastado das suas bases, tinha grande dificuldade em se abastecer. Por\u00e9m, os ex\u00e9rcitos romanos tinham escolhido C\u00e1pua como objetivo e, lentamente, fechavam o cerco a sua volta, A cidade foi conquistada em 211; a aristocracia foi massacrada, a plebe vendida, escravizada, as pr\u00f3prias casas foram abandonadas sem que An\u00edbal tivesse podido tentar fazer alguma coisa para salvar a sua aliada.\n\nDepois da conquista de C\u00e1pua, An\u00edbal pensou generalizar o conflito; voltando-se para o mundo grego, negociou uma alian\u00e7a com o rei da Maced\u00f4nia, Filipe V.\n\nEste tratado previa uma verdadeira partilha do mundo entre Gregos e Cartagineses; os primeiros deviam conquistar o Oriente, os segundos o Ocidente.\n\nAcidentalmente, Roma soube destas negociatas, o que contribuiu para aumentar a desconfian\u00e7a que se come\u00e7ava a sentir em rela\u00e7\u00e3o aos reinos helen\u00edsticos. Mais do que nunca, os homens de Estado romanos convenceram-se de que lutavam para defender uma civiliza\u00e7\u00e3o que lhes era querida, contra a barb\u00e1rie p\u00fanica e a corrup\u00e7\u00e3o c\u00ednica dos reis orientais.\n\nTodavia, a ajuda fornecida por Filipe V a An\u00edbal revelou-se pouco eficaz, e o destino da guerra n\u00e3o se jogou na It\u00e1lia. Foi na Hisp\u00e2nia, onde os B\u00e1rcidas continuavam a reunir refor\u00e7os, que se desferiu o primeiro golpe.\n\nUm jovem, P. Corn\u00e9lio Cipi\u00e3o, conseguiu que o povo o encarregasse das opera\u00e7\u00f5es na Hisp\u00e2nia, onde o pai e o tio acabavam de ser mortos. Em poucos meses, inverteu o equil\u00edbrio de for\u00e7as, apoderou-se de Cartagena, mas n\u00e3o p\u00f4de impedir Asdr\u00fabal, o irm\u00e3o mais novo de An\u00edbal, de transpor os Piren\u00e9us com um ex\u00e9rcito. An\u00edbal preparava-se para marchar sobre o Norte de Brutium, onde as legi\u00f5es romanas o mantinham \u00e0 dist\u00e2ncia. Roma parecia prestes a sucumbir a este duplo assalto simultaneamente pelos dois irm\u00e3os. Mas produziu-se um verdadeiro milagre, que a salvou.\n\nO c\u00f4nsul Cl\u00e1udio Nero, que tinha por miss\u00e3o vigiar An\u00edbal na Ap\u00e1lia, teve conhecimento dos refor\u00e7os vindos da Hisp\u00e2nia. Ousadamente, dirigiu-se ao seu encontro e, deixando apenas uma barreira de tropas em frente de An\u00edbal, juntou-se ao colega, Livio Salinator, nas margens do Metauro. Os dois ex\u00e9rcitos romanos esmagaram Asdr\u00fabal que, desesperado, se deixou matar no recontro (207). Alguns dias mais tarde, \u00e0 sua cabe\u00e7a, mensagem f\u00fanebre, lan\u00e7ada pelos Romanos, rolava aos p\u00e9s de An\u00edbal, no seu campo.\n\nA partir da\u00ed, a iniciativa pertencia a Roma. Cipi\u00e3o obteve do Senado autoriza\u00e7\u00e3o para partir para a Africa e, em 204, desembarcou na \u00fatica. An\u00edbal teve de abandonar a It\u00e1lia para socorrer a sua p\u00e1tria, mas nem o seu g\u00eanio conseguiu evitar a derrota de Zama que, em 202, p\u00f4s fim \u00e0 guerra.\n\n<strong>Por que \u201cp\u00fanica\u201d?<\/strong>\n\nComo \u00e9 que a palavra \u201c<strong>p\u00fanica<\/strong>\u201d tornar-se um adjetivo que significa \u201crelativo ao povo de Cartago\u201d\n\n\u201cP\u00fanica\u201d \u00e9 derivado da palavra latina Poenicus, que significa \u201cum habitante de Cartago.\u201d Carthage foi fundada por fen\u00edcios, e Poenicus \u00e9 a palavra latina para \u201cfen\u00edcio.\u201d\n\nPela Terceira Guerra P\u00fanica, Roma estava pronto para acabar com a amea\u00e7a cartaginesa para o bem. Depois de um cerco de v\u00e1rios anos de sucesso de Cartago, os romanos queimaram a cidade para o ch\u00e3o.\n\nDiz a lenda que os romanos, em seguida, derramou sal no solo, de modo que nada voltaria a crescer novamente. Carthage foi finalmente derrotado, e a Rep\u00fablica Romana era seguro.\n\n<strong>A conquista da Gr\u00e9cia<\/strong>\n\nRoma saiu da segunda guerra p\u00fanica desfeita, mas fortalecida e aureolada de um prestigio extraordin\u00e1rio em todo o mundo mediterr\u00e2nico. Senhora de toda a It\u00e1lia, tendo reduzido a Sicilia a uma prov\u00edncia, n\u00e3o conseguiu furtar-se a intervir nos neg\u00f3cios do Oriente. Receando a constitui\u00e7\u00e3o de um vasto reino maced\u00f4nico englobando o Epiro e a Il\u00edria, e que se estenderia aos confins do Norte de It\u00e1lia, declarou a guerra a Filipe V. Uma vit\u00f3ria decisiva obtida em 197 em Cinosc\u00e9falos permitiu que Roma libertasse as cidades gregas do jugo maced\u00f4nico; nos Jogos \u00cdstmicos de 196, as cidades gregas foram declaradas independentes e livres de se administrarem a si mesmas.\n\nEsta primeira interven\u00e7\u00e3o no Oriente foi seguida de uma a\u00e7\u00e3o contra o rei da S\u00edria, Antioco III, que tamb\u00e9m sonhava com a forma\u00e7\u00e3o de um grande imp\u00e9rio.\n\nExpulso da Gr\u00e9cia pela vit\u00f3ria dos Romanos nas Term\u00f3pilas, foi definitivamente derrotado em 189 na batalha de Magn\u00e9sia.\n\nNo interior, o Senado, que tinha sido a alma da luta, gozava de um prestigio renovado. Passado o perigo, o velho esp\u00edrito olig\u00e1rquico prevalecera e Cipi\u00e3o, o vencedor de An\u00edbal, refugiara-se num ex\u00edlio suntuoso, em Literno, na costa campaniense, das investidas de Cat\u00e3o. Uma boa parte dos senadores sentia que a obra de Roma estava realizada e que, de futuro, os esfor\u00e7os deviam tender para conservar este equil\u00edbrio vitorioso.\n\nMas muitos fatores intervinham na pol\u00edtica romana, n\u00e3o permitindo que se detivessem nesta sabedoria. Os soldados e os chefes tinham experimentado a pilhagem, a embriaguez do poder e, progressivamente, os esp\u00edritos come\u00e7aram a imaginar a possibilidade de novas conquistas.\n\n<strong>O renascimento de uma Maced\u00f4nia forte, no reinado de Perseu, originou novos temores, ordenou uma nova guerra que terminou com a vit\u00f3ria de Paulo Emilio em Pidna, em 167:<\/strong>\u00a0era o fim da Maced\u00f4nia independente e, em breve, perante a anarquia em que a Gr\u00e9cia caiu, os Romanos tiveram de reduzir a Maced\u00f4nia a uma prov\u00edncia romana e refor\u00e7ar o controle sobre as c\u00edclades e as confedera\u00e7\u00f5es (148 a.e.c.).\n\nO equil\u00edbrio pol\u00edtico do Oriente helen\u00edstico ia-se esboroando progressivamente, sob press\u00e3o de Roma. Para derrotar os Rodienses demasiado favor\u00e1veis a Perseu, o Senado decidiu criar um porto franco em Delos, o que arruinou o seu com\u00e9rcio e desenvolveu consideravelmente a atividade dos negociantes italianos, que come\u00e7aram imediatamente a canalizar para Roma as riquezas do Oriente.\n\nEm meados do s\u00e9culo, o poder romano encontrava-se instalado em toda a orla do Mediterr\u00e2neo. Cartago, arruinada pelas exig\u00eancias romanas, foi cercada e conquistada por Cipi\u00e2o Emiliano, o segundo Africano, no tempo em que Corinto, capital da Confedera\u00e7\u00e3o dos Acaios revoltada, tamb\u00e9m era tomada e saqueada.\n\nNa Hisp\u00e2nia, onde a resist\u00eancia das popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas prosseguiu durante muito tempo, a pacifica\u00e7\u00e3o foi conduzida sem descanso. Terminou em 133, com o terr\u00edvel cerco de Num\u00e2ncia, \u00faltimo basti\u00e3o dos Celtiberos.\n\nNa Asia, o \u00faltimo rei de P\u00e9rgamo, Atabo III, legou o seu reino aos Romanos, que aceitaram a heran\u00e7a e constitu\u00edram, assim, o primeiro n\u00facleo da prov\u00edncia da \u00c1sia.\n\nMas esta imensa obra teve grandes conseq\u00fc\u00eancias para a pol\u00edtica interna, acabando por conduzir ao fim da Rep\u00fablica e do regime olig\u00e1rquico.\n\n<strong>A ru\u00edna da rep\u00fablica olig\u00e1rquica<\/strong>\n\nOs Principais benefici\u00e1rios das conquistas tinham sido os aristocratas, que adquiriram dom\u00ednios imensos em que os escravos, em bandos, se dedicavam a agricultura e \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de animais. Por seu lado, o com\u00e9rcio enriquecera os cavaleiros, que formavam uma burguesia poderosa e ativa. Perante estas classes privilegiadas, a plebe de Roma e dos campos mantinha uma situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica prec\u00e1ria.\n\nO desenvolvimento da economia capitalista, a capacidade dos especuladores e dos publicanos, muitas vezes associada ao conservantismo senatorial, originava a mis\u00e9ria dos pequenos propriet\u00e1rios. Mesmo na Cidade, o crescimento do Imp\u00e9rio atraira muitos emigrantes sem recursos, Italianos desenraizados, Gregos em busca de protetores e sobretudo escravos libertados de todas as ra\u00e7as que formavam uma massa miser\u00e1vel e ociosa. Esta plebe carenciada encontrou apoio no seio da aristocracia, junto de homens influenciados pelas id\u00e9ias formuladas pelos fil\u00f3sofos gregos em nome da justi\u00e7a e da humanidade e que, sobretudo, estavam recordados de que a for\u00e7a de Roma sempre residira na solidez de uma classe de camponeses, firmemente decididos a defender a sua terra, nela permanecendo.\n\nEm 133, Tib\u00e9rio Grace, neto de Cipi\u00e3o, o primeiro Africano, por parte da m\u00e3e, foi eleito tribuno da plebe, come\u00e7ando imediatamente a defender a causa dos pobres. Elaborou uma lei agr\u00e1ria, pedindo que se limitasse o direito de ocupa\u00e7\u00e3o do ager publicus pelos grandes propriet\u00e1rios e que fossem atribu\u00eddos aos cidad\u00e3os necessitados lotes de terra inalien\u00e1veis.\n\nOs oligarcas irredut\u00edveis organizaram contra ele um motim, no qual morreu. O seu programa foi ent\u00e3o retomado pelo irm\u00e3o, Caio Grace, em novas propor\u00e7\u00f5es.\n\nCompreendendo que s\u00f3 se poderiam obter resultados s\u00e9rios \u00e0 custa de uma reforma profunda do Estado, tentou reduzir, por meio de diversas medidas, os poderes do Senado e apelar para os direitos de cidad\u00e3o das massas italianas. Um Estado italiano, assente numa ampla base social, teria mais for\u00e7a e peso do que a plebe romana para resistir a onipot\u00eancia dos \u201cnobres\u201d e assegurar uma melhor administra\u00e7\u00e3o. Come\u00e7a a adivinhar-se a solu\u00e7\u00e3o adotada por Augusto e esbo\u00e7ada por C\u00e9sar para por termo \u00e0 paralisia em que a cidade caira de fato, reduzida aos habitantes da Cidade. Mas tamb\u00e9m ele, tal como o irm\u00e3o, foi vitima da viol\u00eancia. No entanto, a obra dos Gracos, reduzida se considerarmos apenas os resultados pr\u00e1ticos, revelou-se muito importante ao provocar a forma\u00e7\u00e3o de um partido popular cujos chefes interpelar\u00e3o, at\u00e9 ao fim da Rep\u00fablica, o partido senatorial. E, entre um mal-estar sempre crescente, rebentou uma crise que abalou os pr\u00f3prios fundamentos do poder romano.\n\nNa verdade, os Italianos, descontentes por terem sido exclu\u00eddos da cidade romana, amea\u00e7ados por verem os seus territ\u00f3rios ocupados por colonos, devido \u00e0s leis agr\u00e1rias, revoltaram-se em 91.\n\nOs velhos \u00f3dios reacenderam-se de novo. Os mais encarni\u00e7ados entre os insurrectos foram os povos samnitas, que fundaram uma capital de nome simb\u00f3lico, It\u00e1lica, e tentaram arrastar Campanienses e Etruscos.\n\nO medo arrancou a nobreza romana \u00e0s concess\u00f5es at\u00e9 ent\u00e3o recusadas.\n\nA guerra social terminou com vantagem para Roma, e a It\u00e1lia sofreu transforma\u00e7\u00f5es; o velho Estado-cidade est\u00e1 a tornar-se uma na\u00e7\u00e3o, a na\u00e7\u00e3o italiana.\n\n<strong>No conjunto dos munic\u00edpios, a partir de agora organizados segundo o modelo da metr\u00f3pole, todos os habitantes gozam integralmente dos direitos reconhecidos aos cidad\u00e3os da pr\u00f3pria Roma:\u00a0<\/strong>se, quando afastados da capital, n\u00e3o os exercem, nem participam, de fato, nas elei\u00e7\u00f5es e na vota\u00e7\u00e3o das leis, tem sempre a possibilidade de fazer a viagem, se surgir alguma circunst\u00e2ncia grave, e a sua presen\u00e7a \u00e9 suscept\u00edvel de modificar as maiorias. Assim acontecer\u00e1 muitas vezes no tempo de C\u00edcero.\n\nMas novas perturba\u00e7\u00f5es agitam Roma. A guerra social mal terminara e j\u00e1 a era das guerras civis se inicia, para s\u00f3 terminar com a ditadura de Ot\u00e1vio e o advento do Imp\u00e9rio. Lutas multiformes, fecundas em perip\u00e9cias, mas a aposta \u00e9 uma s\u00f3, seja qual for a personalidade dos protagonistas. Trata-se de saber em benef\u00edcio de quem, de que grupo social, de que homem ser\u00e1 explorado o imenso dom\u00ednio de que a cidade se dotou.\n\n<strong>Roma atravessa ent\u00e3o, durante tr\u00eas quartos de s\u00e9culo, uma crise de crescimento:<\/strong>\u00a0a cidade olig\u00e1rquica, j\u00e1 abalada pela guerra social, transforma-se em imp\u00e9rio.\n\nPara tal, as institui\u00e7\u00f5es devem flexibilizar-se, ou mesmo transformar-se radicalmente, o que gera, como \u00e9 f\u00e1cil de imaginar, tumultos graves e variados. Surgem novos interesses, com o advento de uma classe m\u00e9dia enriquecida pelo com\u00e9rcio (era o caso, em particular, dos novos cidad\u00e3os, vindos das cidades italianas depois da guerra social) e a cobran\u00e7a de impostos nas prov\u00edncias; o n\u00famero de escravos libertados e de peregrinos que vivem em Roma aumenta constantemente; \u00e9 dif\u00edcil n\u00e3o ter em conta esta massa, muitas vezes turbulenta, \u00e0 merc\u00ea dos agitadores.\n\n<strong>Assim, a hist\u00f3ria deste per\u00edodo, t\u00e3o rica em conflitos pessoais, t\u00e3o fecunda em her\u00f3is e em epis\u00f3dios pitorescos, apresenta, por\u00e9m, uma unidade profunda:<\/strong>\u00a0o velho mundo est\u00e1 a desfazer-se um pouco por toda a parte, as institui\u00e7\u00f5es tradicionais j\u00e1 n\u00e3o podem suportar o enorme peso do Imp\u00e9rio e, apesar das oscila\u00e7\u00f5es que, momentaneamente, parecem conter a evolu\u00e7\u00e3o, o lento trabalho prossegue obscura e irresistivelmente, at\u00e9 que a m\u00e1quina se revele adaptada a todas as novas necessidades.\n\n<strong>A institui\u00e7\u00e3o da rep\u00fablica romana<\/strong>\n\nEm 509 a.e.c., um grupo de aristocratas expulsou Tarqu\u00ednio e p\u00f4s fim \u00e0 monarquia. Em seu lugar, instituiu uma magistratura colegiada, na qual dois homens compartilhavam o poder supremo. Os c\u00f4nsules, como foram chamados depois (no principio eram conhecidos simplesmente como \u201cpretores\u201d, e aqui o termo c\u00f4nsul \u00e9 utilizado para evitar confus\u00f5es), eram escolhidos pelos comitia centuriata e desempenhavam o cargo pelo per\u00edodo de um ano. N\u00e3o era permitida a reelei\u00e7\u00e3o em per\u00edodos consecutivos. Os c\u00f4nsules tinham imperium (ainda que fossem obrigados a acatar o voto dos comitia centuriata) e conservaram todos os sinais extemos da monarquia, embora os fundadores da Rep\u00fablica dispusessem que os c\u00f4nsules deviam possuir os fasces por turnos, para n\u00e3o dar a impress\u00e3o de haverem substitu\u00eddo um rei por dois.\n\nMas o poder dos c\u00f4nsules era limitado em outros aspectos mais importantes. Segundo a tradi\u00e7\u00e3o, no primeiro ano da Rep\u00fablica foi aprovada uma lei que deu \u00e0s cidades o direito de recorrer (provocatio) ao povo contra uma decis\u00e3o de um magistrado. Alguns especialistas p\u00f5em em duvida a autenticidade dessa lei e a consideram um precedente fict\u00edcio de leis similares aprovadas em 449 e 300 a.e.c.; mas n\u00e3o h\u00e1 provas disso, e a tradi\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9, naturalmente, t\u00e3o incerta como se pretende. Sua liberdade de a\u00e7\u00e3o, al\u00e9m do mais, era limitada pelo fato de seu cargo ser colegiado e anual. Os princ\u00edpios paralelos de \u201ccolegialidade\u201d e \u201canualidade\u201d se transformaram em elementos b\u00e1sicos da pr\u00e1tica constitucional romana e foram aplicados a todas as magistraturas posteriores; a \u00fanica exce\u00e7\u00e3o (parcial) foi a ditadura.\n\nO principio colegiado pretendia que os projetos de qualquer c\u00f4nsul pudessem ser frustrados pela interven\u00e7\u00e3o de seus colegas, j\u00e1 que se acordou que em qualquer disputa devia prevalecer a opini\u00e3o negativa. A limita\u00e7\u00e3o do mandato do c\u00f4nsul a um ano reduzia igualmente as possibilidades de prejudicar o restante e assegurava que a continuidade de governo e a dire\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do sistema dependessem do Senado, no qual se elegiam os c\u00f4nsules e ao qual estes retornaram.\n\nDe fato, ainda que o Senado s\u00f3 pudesse aconselh\u00e1-los, j\u00e1 que seus membros mais influentes tinham sido c\u00f4nsules antes, sua opini\u00e3o determinava de fato as a\u00e7\u00f5es dos que exerciam o cargo por um tempo.\n\nO Senado foi uma encarna\u00e7\u00e3o viva da tradi\u00e7\u00e3o romana e o deposit\u00e1rio da sabedoria e da experi\u00eancia politicas. Na pr\u00e1tica, era o corpo governante de Roma, e os magistrados, meros executores.\n\nA \u00fanica exce\u00e7\u00e3o a essas regras b\u00e1sicas foi a ditadura, institu\u00edda em 500 a.e.c. Em casos de excepcional perigo, os c\u00f4nsules podiam nomear um ditador para que atuasse como comandante supremo e cabe\u00e7a do Estado.\n\nEle tinha um ajudante, o chefe da cavalaria, subordinado estritamente ao ditador. N\u00e3o cabia apela\u00e7\u00e3o contra um ditador, que n\u00e3o podia ser discutido por seus colegas; por outro lado, a dura\u00e7\u00e3o de seu cargo era apenas de seis meses.\n\nEntre outros magistrados, estavam os questores, que ajudavam os c\u00f4nsules; eles eram eleitos por vota\u00e7\u00e3o popular a partir de 447 a.e.., e os censores, eleitos pela primeira vez no ano de 443.\n\nEstes se encarregavam das tarefas que antigamente tinham desempenhado os c\u00f4nsules; a mais importante de suas obriga\u00e7\u00f5es era levar a efeito o censo da comunidade, fixar os direitos e obriga\u00e7\u00f5es dos cidad\u00e3os e design\u00e1-los para as tribos e cent\u00farias correspondentes. Os censores eram eleitos de quatro em quatro ou de cinco em cinco anos, e exerciam o cargo por dezoito.\n\nO novo sistema constitu\u00eda um conjunto muito sofisticado de institui\u00e7\u00f5es politicas que, pelo que sabemos, n\u00e3o tinham compara\u00e7\u00e3o no mundo grego nem na Etr\u00faria.\n\nPor essa raz\u00e3o, alguns especialistas duvidaram que uma institui\u00e7\u00e3o \u00fanica como o consulado pudesse haver surgido do nada no inicio da Rep\u00fablica, argumentando, em contrapartida, que o consulado se desenvolveu gradualmente a partir de um sistema mais primitivo em que o Estado era governado por um ditador anual ou um \u00fanico magistrado principal (Praetor maximus).\n\nMas n\u00e3o h\u00e1 nenhuma prova convincente que apoie essas teorias.\n\nDe fato, existem bons motivos para pensar que os fundadores da Rep\u00fablica estavam muito longe de ser pol\u00edticos inexperientes.\n\nUma de suas inova\u00e7\u00f5es mais ousadas foi a nomea\u00e7\u00e3o de um oficial destinado a encarregar-se das antigas fun\u00e7\u00f5es religiosas do rei. Esse oficial foi chamado rex sacrorum (rei dos sacrif\u00edcios).\n\nSuas fun\u00e7\u00f5es eram puramente religiosas e n\u00e3o lhe era permitido ocupar nenhum outro cargo. A proibi\u00e7\u00e3o foi sem d\u00favida concebida para evitar que o titulo de \u201crei\u201d se associasse um determinado tra\u00e7o ou poder politico.\n\nSegundo A. Momigliano, \u201co duplo consulado n\u00e3o foi uma forma usual de governo e implicou certa maturidade. A maturidade dos homens que criaram o rex sacrorum para isolar e anular o poder sagrado dos reis.\n\nN\u00f3s vemos atr\u00e1s disso uma aristocracia vigilante e inquieta trabalhando no in\u00edcio da Rep\u00fablica romana\u201d.\n\nMas, apesar de sua complexidade, o novo sistema n\u00e3o pode (nem se prop\u00f4s a isso primordialmente) assegurar um governo est\u00e1vel e bem ordenado. Ao contr\u00e1rio, a historia politica e militar de Roma no primeiro meio s\u00e9culo de exist\u00eancia da Rep\u00fablica \u00e9 uma imagem confusa de tumulto e desordem. Parece que a autoridade fortemente centralizada estabelecida pelos reis, e que desapareceu com a queda de Tarqu\u00ednio, abriu caminho para um ressurgimento da rivalidade entre poderosos grupos e indiv\u00edduos, que conseguiram retomar suas atividades \u00e0 margem do controle do Estado e atuar com ex\u00e9rcitos pr\u00f3prios de subordinados e clientes.\n\nO melhor exemplo dessa situa\u00e7\u00e3o \u00e9 a hist\u00f3ria do l\u00edder sabino Atio Clauso, que emigrou para Roma em 504 a.e.c. com 5.000 clientes e subordinados; assumindo o nome de Apio Cl\u00e1udio, foi admitido no Senado e se transformou no antecessor da gens Claudia. Outros exemplos do mesmo fen\u00f4meno s\u00e3o a tentativa de golpe de Estado de Apio Herdonio, que em 460 a.e.c. ocupou o Capit\u00f3lio com um grupo de 4.000 clientes, e a guerra privada dos F\u00e1bios e seus clientes, que em 477 a.e.c. foram aniquilados pelos etruscos na batalha do Rio Cr\u00e9mera.\n\nA import\u00e2ncia politica dos F\u00e1bios nesse per\u00edodo \u00e9 confirmada pelo fato de, por sete anos consecutivos a partir de 479 a.e,c. (momento do inicio da campanha de Cr\u00eamera), um dos c\u00f4nsules ter sido sempre um F\u00e1bio; ap\u00f3s o desastre de Cr\u00e9mera, os F\u00e1bios ficaram afastados do consulado at\u00e9 467.\n\nA vis\u00e3o geral de uma sociedade dominada por grupos fechados sob a lideran\u00e7a aristocr\u00e1tica pode ser confirmada gra\u00e7as ao recente achado de uma inscri\u00e7\u00e3o, procedente de Sit\u00edrico, em honra a Marte, dos \u201ccompanheiros de P\u00fablio Val\u00e9rio\u201d. A inscri\u00e7\u00e3o data aproximadamente de 500 a.e.c., o que aumenta a possibilidade de que o celebre P. Val\u00e9rio Publicola fosse um dos fundadores da Rep\u00fablica.\n\nA quest\u00e3o mais importante \u00e9 assinalar a exist\u00eancia de um grupo de homens que se auto-definissem n\u00e3o como cidad\u00e3os de um Estado ou membros de um grupo \u00e9tnico, mas como companheiros de um chefe.\n\nA palavra latina sodales, aqui traduzida por \u201ccompanheiros\u201d, implica um grupo unido por um forte sentimento de solidariedade e lealdade a servi\u00e7o de um ou v\u00e1rios chefes.\n\nA mesma palavra \u00e9 tamb\u00e9m utilizada por Tito L\u00edvio para qualificar os seguidores dos F\u00e1bios em Cr\u00eamera.\n\n<strong>Semelhantes agrupamentos se encontram em muitas sociedades aristocr\u00e1ticas:<\/strong>\u00a0podemos recordar, por exemplo, os celtas amboti (circundantes), que acompanhavam os capit\u00e3es gauleses e que foram considerados por Cesar como similares aos clientes (Guerra das G\u00e1lias, 6.15).\n\nParece que essa estrutura social teve seu apogeu durante um breve per\u00edodo que se seguiu \u00e0 desintegra\u00e7\u00e3o do regime centralizado e ordenado dos reis.\n\nMuitas das institui\u00e7\u00f5es c\u00edvicas criadas sob os \u00faltimos reis devem ter ca\u00eddo em desuso quando os aristocratas se assumiram o poder em 509 a.e.c. Devemos supor, por exemplo, que o sistema centurial de S\u00e9rvio T\u00falio fosse bastante impreciso e ineficaz no tempo da batalha de Cr\u00e9mera. Mas o \u00edmpeto aristocr\u00e1tico terminou no segundo quarto do s\u00e9culo V. Isso sucedeu, em parte, em consequ\u00eancia da cat\u00e1strofe de Cr\u00eamera, que foi na verdade mais um de uma s\u00e9rie de reveses militares.\n\nMas o desafio principal \u00e0 ordem aristocr\u00e1tica proveio de um fator completamente novo, que come\u00e7ou a fazer-se sentir naqueles anos; esse fator era a rec\u00e9m-organizada for\u00e7a da plebe.\n\n<strong>Romance de Lucr\u00e9cia<\/strong>\n\nTudo come\u00e7ou com um aposta est\u00fapida, daquelas que comprometem jovens \u00e9brios no final de um festim. Na esperan\u00e7a de colher ricos despojos, o rei de Roma, Tarqu\u00ednio, o Soberbo, conduziu seu exercito para diante de Ardeia, cidade do L\u00e1cio, a cerca de 30 quil\u00f4metros de Roma. Mas a guerra contra essa cidade se revela mais dif\u00edcil que o previsto.\n\nO exercito romano deve se instalar no local Para um cerco do qual ningu\u00e9m pode prever o fim.\n\nPara aliviar seu aborrecimento, os jovens oficiais se re\u00fanem com freq\u00fc\u00eancia e matam o tempo em banquetes e alegres jogos. Entre eles est\u00e3o todos os pr\u00edncipes da fam\u00edlia real, os tr\u00eas filhos de Tarqu\u00ednio e seu primo Tarqu\u00ednio Colatino. No decorrer de uma dessas reuni\u00f5es, a conversa recai sobre as esposas dos homens presentes e cada um deles passa a elogiar as qualidades excepcionais das suas. O tom sobe, os esp\u00edritos se aquecem.\n\nColatino prop\u00f5e ent\u00e3o a seus companheiros ir controlar em seus lares a conduta de suas esposas.\n\nOs jovens oficiais percorrem \u00e0 r\u00e9dea solta a estrada at\u00e9 Roma, onde chegam ao cair da noite. Passando de uma resid\u00eancia a outra, descobrem suas mulheres que se banqueteiam em companhia de homens e mulheres de sua idade, distendidas em camas unidas a mesa \u00e0 moda etrusca. Em seguida, tomam o caminho de Collatium, onde reside a esposa de Colatino, Lucrecia, filha de um aristocrata romano, Lucr\u00e9cio.\n\n<strong>A cena que se oferece a seus olhos \u00e9 exemplar:<\/strong>\u00a0apesar da hora tardia, Lucrecia, sentada numa poltrona, fia a l\u00e3 com suas criadas \u00e0 luz de uma lamparina.\n\nTodos os oficiais reconhecem de bom grado que o \u201cconcurso dos esposas\u201d \u00e9 vencido de longe por Lucrecia e felicitam Colatino por possuir tal companheira.\n\nO marido vencedor convida seus companheiros a um banquete, em que a pr\u00f3pria Lucrecia se desdobra para o conforto de seus h\u00f3spedes. De madrugada, todos os jovens soldados retornam a seu acampamento em Ardeia.\n\nSexto, filho de Tarqu\u00ednio, o Soberbo, contudo, cativado pela grande beleza de Lucrecia, concebe o projeto de seduzi-la. Volta ao Collatium alguns dias mais tarde. Muito bom acolhido por Lucrecia, faz sua refei\u00e7\u00e3o, depois se recolhe no quarto de h\u00f3spedes. No meio da noite, certo de que toda a criadagem esta dormindo, Sexto entra no quarto de Lucrecia, de espada na m\u00e3o. Mantendo brutalmente a jovem mulher sobre sua cama, tenta convenc\u00ea-la a ceder a seu desejo.\n\n<strong>Vendo que, mesmo sob a amea\u00e7a de ser morta, Lucrecia n\u00e3o cede, recorre a uma \u00faltima intimida\u00e7\u00e3o:<\/strong>\u00a0vai mat\u00e1-la e colocar junto dela o cad\u00e1ver de um escravo nu e degolado, o que levaria a crer que ela cometeu um adult\u00e9rio desonroso e fora morta por seu crime. Aterrorizada, Lucr\u00e9cia cede \u00e0s instancias de Sexto, que, vangloria de ter tirado a honra da mulher mais virtuosa de Roma.\n\nDe manha cedo, Lucrecia manda chamar seu pai e seu marido. Ela rerevela chorando a viol\u00eancia que sofreu e pede por vingan\u00e7a. A seguir, sacando m punhal escondido sob suas roupas traspassa o pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o.\n\nPerto de Colatino, est\u00e1 tamb\u00e9m seu amigo Junius Brutus. Este jovem sobrinho de Tarqu\u00ednio, constatando a crueldade do rei com rela\u00e7\u00e3o a rivais eventuais, simula por muito tempo estupidez, derivando disso seu apelido Brutus (que significa imbecil. Diante do desespero da fam\u00edlia de Lucrecia, Brutus abandona seu personagem.\n\n<strong>Retira a faca ensang\u00fcentada do peito de Lucrecia e exclama:<\/strong>\n<blockquote>\u201cPor este sangue t\u00e3o puro antes do crime do pr\u00edncipe, juro diante de v\u00f3s, \u00f3 deuses, expulsar, pelo fogo, pelo ferro e por todos os meios a meu alcance, Tarqu\u00ednio, o Soberbo, sua criminosa esposa e todos os seus filhos e juro n\u00e3o tolerar mais reis em Roma, nem eles nem qualquer outro\u201d.<\/blockquote>\nEstupefatos pelo inesperado vigor de Brutus, as testemunhas cena repetem seu juramento. Tomando o corpo de Lucrecia, levam-no para fora e amotinam os habitantes de Collatium.\n\nAti\u00e7ados pela dor do pai e pelo apelo a vingan\u00e7a de Brutus, os jovens se armam e se precipitam sobre Roma. Toda a popula\u00e7\u00e3o da cidade, reunida no f\u00f3rum, esta galvanizada pelo discurso de Brutus.\n\nEle lhes conta em termos comoventes a morte ignominiosa de Lucrecia e recorda os numerosos crimes de Tarqu\u00ednio e de sua fam\u00edlia. O povo vota ent\u00e3o uma lei que revoga a autoridade do rei e o condena ao ex\u00edlio, ele com toda a sua fam\u00edlia.\n\nTarqu\u00ednio consegue fugir e, com dois de seus filhos, se refugia na cidade etrusca de Caere, enquanto o violador de Lucrecia, Sexto, se retira em Gabies, onde \u00e9 assassinado.\n\nA rep\u00fablica nasceu em Roma e o povo elege imediatamente seus dois primeiros c\u00f4nsules, Brutus e Colatino.\n\nA sedu\u00e7\u00e3o de Lucrecia \u00e9 a vers\u00e3o romanceada per Tito L\u00edvio de uma realidade hist\u00f3rica, a queda da monarquia em Roma e o estabelecimento da republica.\n\nAs causaa da expuls\u00e3o dos etruscos de Roma permanecem obscuras. A data de sua partida, certamente mais tardia que a do ano 509 a.e.c., transmitida pelos historiadores antigos, teve lugar provavelmente na primeira metade do s\u00e9culo V. O que \u00e9 certo, em contrapartida, \u00e9 que os etruscos se instalaram em Roma no final do s\u00e9culo VII e transformaram a cidade, gra\u00e7as a grandes obras p\u00fablicas, tendo de abandonar o L\u00e1cio no decorrer do s\u00e9culo V.\n\n<strong>Fonte:<\/strong>\u00a0www.geocities.com\/www.roma.templodeapolo.net\/www.nomismatike.hpg.ig.com.br\/www.ushistory.org\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rep\u00fablica Romana, Regime, Governo, Hist\u00f3ria, Guerras P\u00fanicas, Roma, Pol\u00edtica, Significado, Fun\u00e7\u00f5es, Cidad\u00e3o, Senado, Per\u00edodo, Rep\u00fablica Romana<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":12206,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[57],"tags":[],"class_list":["post-21258","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia-geral"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - 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