{"id":21001,"date":"2015-12-29T00:00:00","date_gmt":"2015-12-29T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/as-cruzadas-3\/"},"modified":"2026-09-01T15:35:50","modified_gmt":"2026-09-01T15:35:50","slug":"as-cruzadas-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-geral\/as-cruzadas-3\/","title":{"rendered":"As Cruzadas"},"content":{"rendered":"\n<strong>As Cruzadas &#8211; O que foram<\/strong>\n\nPara o europeu medieval, entrar em contato com as rel\u00edquias dos santos, era uma forma de alcan\u00e7ar gra\u00e7as ou ter seus pecados perdoados, desta forma conseguir chegar at\u00e9 a cidade de Jerusal\u00e9m onde viveu Cristo e os ap\u00f3stolos, era praticamente garantir a salva\u00e7\u00e3o eterna, dado a dificuldade de se chegar l\u00e1.\n\nMas muitos peregrinos europeus, chamados de palmerins, tentavam fazer tal jornada, muitos pagando com a pr\u00f3pria vida ou liberdade.\n\nMas a Palestina foi tomada pelos \u00e1rabes mu\u00e7ulmanos que fecharam suas portas para os europeus.\n\nFoi ent\u00e3o que o papa Urbano II em 1095 clamou aos europeus que libertassem e tomassem a posse definitiva da\u00a0<strong>Terra Santa<\/strong>. Os nobres que tinham interesses em se apropriar de terras e das riquezas do oriente, partiram para a chamada\u00a0<strong>Guerra Santa<\/strong>, que ficou conhecida como,\u00a0<strong>As Cruzadas<\/strong>.\n\nS\u00f3 em 1099 \u00e9 que Jerusal\u00e9m foi tomada pelos crist\u00e3os, mas a vida de mulheres, crian\u00e7as tanto mu\u00e7ulmanas, como judias n\u00e3o foram poupadas pelos crist\u00e3os. Foi um verdadeiro massacre.\n\nPor\u00e9m mais bem organizados e com armas melhores os \u00e1rabes reconquistaram a Terra Santa.\n\nForam oito cruzadas, fora expedi\u00e7\u00f5es militares menores dos europeus at\u00e9 o ano de 1291. O que conseguiram foi um acordo de liberdade para os crist\u00e3os morarem ou irem visitar os locais sagrados onde Cristo viveu.\n\nMas a Palestina era dos mu\u00e7ulmanos.\n\nComo resultado das\u00a0<strong>cruzadas<\/strong>, o com\u00e9rcio da Europa renasceu, cidades italianas como G\u00eanova e Veneza se enriqueceram com o com\u00e9rcio.\n\nOs italianos passavam a dominar o Mar Mediterr\u00e2neo em dire\u00e7\u00e3o ao com\u00e9rcio com as cidades do oriente, principalmente Constantinopla.\n\nOs europeus come\u00e7aram tamb\u00e9m a apreciar o modo de vida dos \u00e1rabes que era bem melhor. Temperos (especiarias), a\u00e7\u00facar, j\u00f3ias, tape\u00e7arias e outros artigos de luxo, davam \u00f3timos lucros nas feiras da Europa.\n\nIniciava a decad\u00eancia do sistema feudal.\n\n<strong>As Cruzadas &#8211; Origem<\/strong>\n\nA<strong>\u00a0origem das Cruzadas\u00a0<\/strong>est\u00e1 enraizada no cataclismo pol\u00edtico que resultou da expans\u00e3o dos Sel\u00eaucidas no Oriente M\u00e9dio em meados do s\u00e9culo XI.\n\nA conquista da S\u00edria e da Palestina levada a cabo pelos Sel\u00eaucidas isl\u00e2micos causou alarme aos crist\u00e3os do ocidente.\n\nOutros invasores turcos tamb\u00e9m penetraram profundamente no igualmente crist\u00e3o Imp\u00e9rio bizantino e puseram os gregos, s\u00edrios e arm\u00eanios crist\u00e3os debaixo de sua soberania.\n\n<strong>As Cruzadas<\/strong>\u00a0foram, em parte, uma rea\u00e7\u00e3o a todos estes sucessos. Tamb\u00e9m foi o resultado da ambi\u00e7\u00e3o de alguns papas que buscaram ampliar seu poder pol\u00edtico e religioso. Os ex\u00e9rcitos cruzados foram, em certo sentido, o bra\u00e7o armado da pol\u00edtica papal.\n\nEm um esfor\u00e7o por entender porque os cruzados as levaram a cabo, os historiadores t\u00eam apontado como raz\u00f5es o dram\u00e1tico crescimento da popula\u00e7\u00e3o europeia e a atividade comercial entre os s\u00e9culos XII e XIV.\n\n<strong>As Cruzadas<\/strong>, portanto, se explicam como o meio de encontrar um amplo espa\u00e7o onde acomodar parte dessa popula\u00e7\u00e3o em crescimento; e como o meio de dar sa\u00edda aos projetos ambiciosos de nobres e cavaleiros, \u00e1vidos de terras. As expedi\u00e7\u00f5es ofereciam, como foi assinalado, ricas oportunidades comerciais aos mercadores das pujantes cidades do ocidente, particularmente as cidades italianas de G\u00eanova, Pisa e Veneza.\n\nJ\u00e1 que estas explica\u00e7\u00f5es acerca das\u00a0<strong>Cruzadas<\/strong>\u00a0talvez sejam v\u00e1lidas, os avan\u00e7os na investiga\u00e7\u00e3o sobre o tema indicam que os cruzados no pensaram encontrar-se com os perigos de enfermidades, as longas marchas terrestres e a possibilidade de morrer em combate em terras estranhas.\n\nAs fam\u00edlias que ficaram na Europa tiveram que combater em muitas ocasi\u00f5es durante longos per\u00edodos de tempo para manter suas granjas e suas possess\u00f5es.\n\nA id\u00e9ia de que os cruzados obtiveram grandes riquezas \u00e9 cada vez mais dif\u00edcil de justificar;\u00a0<strong>a Cruzada<\/strong>\u00a0foi um assunto extremamente caro para um cavaleiro que tivesse o prop\u00f3sito de lutar no Oriente custeando a si mesmo a expedi\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que provavelmente supunha um gasto equivalente a quatro vezes sua renda anual.\n\nTodavia, apesar de ser uma aventura perigosa, cara e que n\u00e3o dava benef\u00edcios,\u00a0<strong>as Cruzadas<\/strong>\u00a0tiveram um amplo atrativo para a sociedade contempor\u00e2nea.\n\nSua popularidade se solidificou na compreens\u00e3o da sociedade que apoiou este fen\u00f4meno. Era uma sociedade de crentes, e muitos cruzados estavam convencidos de que suas participa\u00e7\u00f5es na luta contra os infi\u00e9is lhes garantiriam sua salva\u00e7\u00e3o espiritual. Tamb\u00e9m era uma sociedade militarista, j\u00e1 que as esperan\u00e7as e as ambi\u00e7\u00f5es estavam associadas com fa\u00e7anhas militares.\n\n<strong>Principais Cruzadas<\/strong>\n\n<strong>S\u00e3o cinco grandes expedi\u00e7\u00f5es militares rumo ao Oriente:<\/strong>\n\n<strong>Cruzadas dos Mendigos (1096):<\/strong>\u00a0Primeira cruzada extra-oficial. Re\u00fane mendigos e ataca tribos \u00e1rabes. Todos os cruzados s\u00e3o aniquilados.\n<blockquote><strong>1\u00aa Cruzada (1096-1099):\u00a0<\/strong>Conhecida como Cruzada dos Bar\u00f5es, \u00e9 a primeira cruzada oficial francesa e agrega cerca de 500 mil pessoas.Chega a Jerusal\u00e9m, onde \u00e9 fundado um reino crist\u00e3o.<strong>\n2\u00aa Cruzada (1147-1149):\u00a0<\/strong>Motivada pela tomada de Edessa pelos turcos.Os cruzados s\u00e3o derrotados em Doril\u00e9ia, quando empreendem a ofensiva na Palestina.<strong>\n3\u00aa Cruzada (1189-1192):<\/strong>\u00a0Chamada de Cruzada dos Reis, \u00e9 liderada pelo rei ingl\u00eas Ricardo Cora\u00e7\u00e3o de Le\u00e3o, que estabelece um acordo com o sult\u00e3o Saladino, do Egito, para que os crist\u00e3os possam realizar peregrina\u00e7\u00f5es a Jerusal\u00e9m.<strong>\n4\u00aa Cruzada (1202-1204):<\/strong>\u00a0Financiada por venezianos interessados na rota comercial do Imp\u00e9rio Bizantino.Tomam e saqueiam Constantinopla.<\/blockquote>\n<strong>A Primeira Cruzada<\/strong>\n<p class=\"imagem\" style=\"text-align: center;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-157485 \" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/As-Cru1.jpg\" alt=\"\" width=\"583\" height=\"400\" \/><\/strong><strong>Pintura de Frederic Schopin (1804-1880) retratando a\nPrimeira Cruzada &#8211; &#8220;Batalha travada sob as muralhas de Antioquia\nentre os cruzados liderados por Bohemond e\no ex\u00e9rcito de Karbouka, general do Sult\u00e3o da P\u00e9rsia, junho de 1098&#8221;<\/strong><\/p>\n<strong>As Cruzadas<\/strong>\u00a0come\u00e7aram formalmente no dia 27 de novembro de 1095, em um descampado a extras muros da cidade francesa de Clermont-Ferrand. Esse dia, o papa Urbano II proferiu a uma multid\u00e3o de bispos e de cl\u00e9rigos que assistiam a um conc\u00edlio da Igreja nessa cidade. Em seu serm\u00e3o, o papa esbo\u00e7ou um plano para uma Cruzada e pediu a seus ouvintes para unirem-se a ela. A resposta foi positiva e assustadora.\n\nUrbano encarregou os bispos assistentes ao conc\u00edlio que voltaram a seus bispados para que recrutassem mais fi\u00e9is para a\u00a0<strong>Cruzada<\/strong>.\n\nTamb\u00e9m desenhou uma estrat\u00e9gia b\u00e1sica segundo a qual distintos grupos de cruzados iniciariam a viajem em agosto do ano 1096. Cada grupo se autofinanciaria e seria respons\u00e1vel ante seu pr\u00f3prio chefe.\n\nOs grupos fariam a viagem separados at\u00e9 a capital bizantina, Constantinopla (a atual Istambul, na Turquia), onde se reagrupariam. Dali, lan\u00e7ariam um contra-ataque, junto com o imperador bizantino e seu ex\u00e9rcito, contra os Sel\u00eaucidas, que haviam conquistado Anat\u00f3lia. Uma vez que essa regi\u00e3o estivera sobre controle crist\u00e3o, os cruzados realizariam uma campanha contra os mu\u00e7ulmanos da S\u00edria e da Palestina, sendo Jerusal\u00e9m seu objetivo fundamental.\n\n<strong>Segunda Cruzada<\/strong>\n\nConvocada pelo Papa Eug\u00eanio III, 1144. Causada pela queda da cidade de Edessa, Mesopot\u00e2mia (hoje Iraque), caiu nas m\u00e3os do sult\u00e3o mu\u00e7ulmano de Alepo.\n\n<strong>Teve dois grandes pregadores:<\/strong>\u00a0S\u00e3o Bernardo de Claraval e frei Rodolfo. Foi formado, ent\u00e3o, um ex\u00e9rcito com mais de 200 mil homens que chegou at\u00e9 Jerusal\u00e9m, refor\u00e7ando a presen\u00e7a crist\u00e3 na Terra Santa.\n\nFizeram algumas conquistas, mas sem muitas condi\u00e7\u00f5es de resistir \u00e0s press\u00f5es dos mu\u00e7ulmanos. Assim, em 1187, o sult\u00e3o do Egito, Saladino, reconquistou Jerusal\u00e9m, provocando grande apreens\u00e3o na Europa, que motivou a 3\u00aa Cruzada.\n\n<strong>Terceira Cruzada<\/strong>\n\nPromovida pelos papas Greg\u00f3rio VIII e Clemente III, 1189.\n\nFoi dirigida pelos soberanos Frederico Barbarroxa, Ricardo Cora\u00e7\u00e3o de Le\u00e3o e Felipe II Augusto. S\u00f3 conseguiram conquistar a cidade de S\u00e3o Jo\u00e3o do Acre, em 1191. Ricardo Cora\u00e7\u00e3o de Le\u00e3o, antes de retornar \u00e0 lnglaterra, fechou um acordo com o sult\u00e3o do Egito, Saladino, que se comprometeu a n\u00e3o maltratar os peregrinos crist\u00e3os.\n\n<strong>Quarta Cruzada<\/strong>\n\nConvocada pelo papa Inoc\u00eancio III, 1202. A condi\u00e7\u00e3o era de que os legados papais a comandassem. Infelizmente, desviou-se de seus objetivos e os cruzados se dirigiram para Constantinopla, contra a vontade do Papa. L\u00e1 fundaram o &#8220;lmp\u00e9rio Latino de Constantinopla&#8221;, em 1204, aumentando, ainda mais, a cis\u00e3o entre as lgrejas latina e grega. Em 1261, os gregos reconquistaram Constantinopla.\n\n<strong>Cruzada das Crian\u00e7as:\u00a0<\/strong>No ano de 1212, aconteceu essa infeliz iniciativa, que teve como ponto de partida a cidade de Marselha. Milhares de crian\u00e7as acabaram sendo vendidas como escravas, no norte da \u00c1frica.\n\n<strong>Quinta Cruzada:\u00a0<\/strong>Promovida pelos Papas Inoc\u00eancio III e Hon\u00f3rio II, 1218. Os cruzados conseguiram conquistar a fortaleza de Damieta, no Egito, em 1219, perdida anos depois.\n\n<strong>Sexta Cruzada:\u00a0<\/strong>Foi dirigida pelo Imperador Frederico II da Al emanha, 1229. Esse imperador tinha sido excomungado pelo Papa Greg\u00f3rio IX. A cruzada deu timos resultados. Por um tratado com o sult\u00e3o mu\u00e7ulmano do Egito, em 1229, as cidades de Jerusal\u00e9m, Bel\u00e9m, Nazar\u00e9, Tiro e Sidon passaram para o rei alem\u00e3o. A condi\u00e7\u00e3o foi que a mesquita de Omar, em Jerusal\u00e9m, ficasse nas m\u00e3os dos mu\u00e7ulmanos.\n\n<strong>S\u00e9tima Cruzada:\u00a0<\/strong>Convocada pelo Papa Inoc\u00eancio IV, 1245. Ap\u00f3s o Conc\u00edlio de Lyon. No ano anterior, Jerusal\u00e9m voltou a cair nas m\u00e3os dos infi\u00e9is mu\u00e7ulmanos. S\u00e3o Lu\u00eds da Fran\u00e7a foi seu grande l\u00edder e conquistou Damieta, no Egito, junto ao Mar Mediterr\u00e2neo em 1249. Mas perdeu a batalha seguinte e teve de pagar um alto resgate.\n\n<strong>Oitava Cruzada<\/strong>\n\nNovamente dirigida por S\u00e3o Lu\u00eds de Fran\u00e7a, 1249.\n\nCom a morte de S\u00e3o Lu\u00eds, vitimado pela peste, em T\u00fanis, na Africa do Norte. Em 1270, a cruzada terminou.\n\nPara se entender\u00a0<strong>as Cruzadas<\/strong>, \u00e9 preciso voltar para o s\u00e9culo VII. No ano 637, apenas alguns anos ap\u00f3s a morte de Mohammed, o profeta do Islamismo, o Califa Omar tomou a Palestina, h\u00e1 tr\u00eas s\u00e9culos, crist\u00e3.\n\nTomou de assalto os lugares santos e expulsou os crist\u00e3os. N\u00e3o proibiu as peregrina\u00e7\u00f5es, por\u00e9m imp\u00f4s pesados tributos. No s\u00e9culo X (cem anos antes das Cruzadas), a dinastia dos Fatimistas, que dominavam a Palestina, empreendeu uma persegui\u00e7\u00e3o cruel ao cristianismo, provocando a morte dos que se aproximavam dos lugares santos e empreendendo uma violenta onda de conquistas das cidades crist\u00e3s, rumando para a Europa.\n\nEssa persegui\u00e7\u00e3o teve seu auge no ano de 1076, com a chegada dos turcos a Jerusal\u00e9m e a destrui\u00e7\u00e3o da Igreja do Santo Sepulcro, quando (e veja s\u00f3, ap\u00f3s mais de cem anos de persegui\u00e7\u00e3o) o Papa Greg\u00f3rio VII ressaltou a necessidade de convocar os Crist\u00e3os a uma campanha de resgate dos lugares santos. Em 1095, Urbano II convocou a primeira Cruzada.\n\nGanharam a primeira e sofreram a massacrante derrota de outras sete. Lembre-se que, na sexta Cruzada, Felipe II, ainda que excomungado, recupera Jerusal\u00e9m e assegura ao sult\u00e3o que as Mesquitas da Cidade Santa ficariam em poder dos mu\u00e7ulmanos. A paz durou dez anos.\n\nO Sult\u00e3o do Egito, auxiliado pelos povos do Turquist\u00e3o invadiram a Cidade Santa e promoveram a degola\u00e7\u00e3o de todos os habitantes, o que desencadeou a S\u00e9tima Cruzada, empreendida por S\u00e3o Lu\u00eds, que, ainda que tenha tomado Damieta, acabou preso. Fora libertado e deportado para a Fran\u00e7a ap\u00f3s o pagamento de uma soma em dinheiro exigida pelo Sult\u00e3o.\n\nA\u00a0<strong>oitava Cruzada<\/strong>\u00a0ocorreu pelas m\u00e3os de S\u00e3o Luis tamb\u00e9m. S\u00e3o Luis recebera a falsa not\u00edcia por parte de seu irm\u00e3o, de que o Sult\u00e3o do Egito desejava conhecer o cristianismo.\n\nEmpreendeu uma expedi\u00e7\u00e3o que visava uma reuni\u00e3o diplom\u00e1tica com o Sult\u00e3o, para faz\u00ea-lo um aliado. Esse por\u00e9m havia dissimulado o interesse e preparava uma emboscada. A guerra se segue.\n\nS\u00e3o Luis morre de peste ap\u00f3s desembarcar em Cartago.\n\nAlguns pontos positivos podem ser relacionados com\u00a0<strong>as Cruzadas<\/strong>, como o decl\u00ednio e desaparecimento do poder feudal e o atraso em quatro s\u00e9culos da invas\u00e3o dos turcos \u00e0 Europa, o que acabou por acontecer, infelizmente. Os mu\u00e7ulmanos tomaram violentamente a Espanha, a Sic\u00edlia, a Gr\u00e9cia, a regi\u00e3o onde se encontra hoje a Turquia, os Balc\u00e3s, uma parte de Portugal e s\u00f3 parou de avan\u00e7ar quando bateu \u00e0 porta de Viena.\n\nOs mu\u00e7ulmanos s\u00f3 desistiram da conquista da Europa em meados do s\u00e9culo XIX.\n\n<strong>A Conquista de Anat\u00f3lia<\/strong>\n\nOs ex\u00e9rcitos cruzados da nobreza chegaram a Constantinopla entre novembro de 1096 e maio de 1097.\n\nO imperador bizantino Alejo I Comneno pressionou os cruzados para que devolvessem qualquer antigo territ\u00f3rio do Imp\u00e9rio bizantino que conquistaram.\n\nOs chefes cruzados se sentiram ofendidos por essas demandas e, ainda que a maioria em \u00faltima inst\u00e2ncia tenha concordado, come\u00e7aram a suspeitar dos bizantinos.\n\nEm maio de 1097, os cruzados atacaram seu primeiro grande objetivo, a capital turca de Anat\u00f3lia, Nic\u00e9ia (a atual cidade de Iznik na Turquia). Em junho, a cidade se rendeu aos bizantinos, antes que aos cruzados.\n\nIsto confirmou as suspeitas de que Alejo intentava utiliz\u00e1-los como pe\u00f5es para lograr seus pr\u00f3prios objetivos.\n\nMuito pouco depois da queda de Nic\u00e9ia, os cruzados se encontraram com o principal ex\u00e9rcito Sel\u00eaucida de Anat\u00f3lia em Doril\u00e9ia (perto da atual Eskisehir, na Turquia). Em 1 de julho de 1097, os cruzados obtiveram uma grande vit\u00f3ria e quase aniquilaram o ex\u00e9rcito turco. Como conseq\u00fc\u00eancia, os cruzados encontraram escassa resist\u00eancia durante o resto de sua campanha na \u00c1sia Menor.\n\nO seguinte grande objetivo foi a cidade de Antioquia (a atual Antakya, na Turquia) no norte da S\u00edria. Os cruzados sitiaram a cidade em 21 de outubro de 1097, mas que n\u00e3o caiu at\u00e9 o dia 3 de junho de 1098.\n\nT\u00e3o logo os cruzados houvessem tomado Antioquia, foram atacados por um novo ex\u00e9rcito turco, procedente de Mosul (no atual Iraque), que chegou demasiado tarde para auxiliar os defensores turcos de Antioquia.\n\nOs cruzados repeliram esta expedi\u00e7\u00e3o de auxilio em 2 de junho.\n\n<strong>A Conquista de Jerusal\u00e9m<\/strong>\n\nOs cruzados permaneceram descansados em Antioquia o resto do ver\u00e3o, e no final do m\u00eas de novembro de 1098 iniciaram o \u00faltimo trecho de sua viajem.\n\nEvitaram atacar as cidades e fortifica\u00e7\u00f5es afim de conservar intactas suas tropas. Em maio de 1099 chegaram aos limites setentrionais da Palestina e ao entardecer de 7 de junho acamparam perto das muralhas de Jerusal\u00e9m.\n\nA cidade permanecia ent\u00e3o sob controle eg\u00edpcio; seus defensores eram numerosos e estavam bem preparados para resistir um local.\n\nOs cruzados atacaram com a ajuda de refor\u00e7os chegados de G\u00eanova e com umas rec\u00e9m constru\u00eddas m\u00e1quinas de ataque. Em 15 de julho tomaram por assalto Jerusal\u00e9m e massacraram quase todos seus habitantes.\n\nSegundo a concep\u00e7\u00e3o dos cruzados, a cidade caiu purificada com o sangue dos infi\u00e9is.\n\nUma semana mais tarde o ex\u00e9rcito elegeu a um de seus chefes, Godofredo de Bouillon, duque da Baixa Lorena, como governante da cidade. Sob sua lideran\u00e7a, os cruzados realizaram sua \u00faltima campanha militar e derrotaram um ex\u00e9rcito eg\u00edpcio em Ascalon (agora Ashqelon, Israel) em 12 de agosto. N\u00e3o muito mais tarde, a maioria dos cruzados voltou para a Europa, deixando para Godofredo um pequeno contingente da for\u00e7a original para organizar e estabelecer o governo e o controle latino (o europeu ocidental) sobre os territ\u00f3rios conquistados.\n\n<strong>O Apogeu do Poderio Latino no Oriente<\/strong>\n\nAp\u00f3s a conclus\u00e3o da primeira Cruzada os colonos europeus no Levante estabeleceram quatro estados, o maior e mais poderoso dos quais foi o reino latino de Jerusal\u00e9m. Ao norte deste reino, na costa da S\u00edria, se encontrava o pequeno condado de Tr\u00edpoli. Mais al\u00e9m de Tr\u00edpoli estava o principado de Antioquia, situado no vale de Orontes. Mais a leste aparecia o condado de Edesa (agora Urfa, Turquia), povoado em grande escala por crist\u00e3os arm\u00eanios.\n\nAs vit\u00f3rias da primeira Cruzada se deveram em grande parte ao isolamento e relativa debilidade dos mu\u00e7ulmanos. Sem d\u00favida, a gera\u00e7\u00e3o posterior a esta Cruzada contemplou o in\u00edcio da reunifica\u00e7\u00e3o mu\u00e7ulmana no Oriente M\u00e9dio sob a lideran\u00e7a de Imad al-Din Zangi, governante de Mosul e Halab (atualmente no norte da S\u00edria).\n\nSob o comando de Zangi, as tropas mu\u00e7ulmanas obtiveram sua primeira grande vit\u00f3ria contra os cruzados ao tomar a cidade de Edesa em 1144, ap\u00f3s a qual desmantelaram sistematicamente o Estado cruzado na regi\u00e3o.\n\nA resposta do Papado a estes sucessos foi proclamar a segunda Cruzada em fins de 1145. A nova convoca\u00e7\u00e3o atraiu numerosos expedicion\u00e1rios, entre os quais destacaram o rei da Fran\u00e7a Luis VII e o imperador do Sacro Imp\u00e9rio Romano Germ\u00e2nico Conrado III. O ex\u00e9rcito germano de Conrado partiu de Nuremberg (na atual Alemanha) em maio de 1147 rumo a Jerusal\u00e9m. As tropas francesas marcharam um m\u00eas mais tarde. Perto de Doril\u00e9ia as tropas germanas foram postas em fuga por uma emboscada turca. Desmoralizados e atemorizados, a maior parte dos soldados e peregrinos voltou para a Europa. O ex\u00e9rcito franc\u00eas permaneceu mais tempo, mas seu destino n\u00e3o foi muito melhor e s\u00f3 uma parte da expedi\u00e7\u00e3o original chegou a Jerusal\u00e9m em 1148.\n\nAp\u00f3s deliberar com o rei Balduino III de Jerusal\u00e9m e seus nobres, os cruzados decidiram atacar Damasco em julho. A for\u00e7a expedicion\u00e1ria n\u00e3o conseguiu tomar a cidade e, muito pouco mais tarde deste ataque infrut\u00edfero, o rei franc\u00eas e o que restava de seu ex\u00e9rcito regressaram a seu pa\u00eds.\n\n<strong>Saladino e a Terceira Cruzada<\/strong>\n\nO fracasso da\u00a0<strong>segunda Cruzada<\/strong>\u00a0permitiu a reunifica\u00e7\u00e3o das pot\u00eancias mu\u00e7ulmanas. Zangi havia morrido em 1146, mas seu sucessor, Nur al-Din, converteu seu Imp\u00e9rio na grande pot\u00eancia do Oriente M\u00e9dio. Em 1169, suas tropas, sob o comando de Saladino, obtiveram o controle do Egito. Quando Nur al-Din faleceu cinco anos mais tarde, Saladino o sucedeu como governante do Estado isl\u00e2mico que se estendia desde o deserto da L\u00edbia at\u00e9 o vale do Tigre, e que rodeava os estados cruzados que todavia existiam por tr\u00eas frentes.\n\nDepois de uma serie de crises na d\u00e9cada de 1180, Saladino finalmente invadiu o reino de Jerusal\u00e9m com um enorme ex\u00e9rcito em maio de 1187. Em 4 de julho derrotou de forma definitiva o ex\u00e9rcito crist\u00e3o em Hattin (Galil\u00e9ia). Ainda que o rei de Jerusal\u00e9m, Guy de Lusignan, junto com alguns de seus nobres, tenha se rendido e sobreviveu, todos os Cavaleiros Templ\u00e1rios e os Cavaleiros Hospital\u00e1rios de S\u00e3o Jo\u00e3o de Jerusal\u00e9m foram degolados no campo de batalha ou em suas proximidades. Saladino, ap\u00f3s esta vit\u00f3ria, se apoderou da maior parte das fortalezas dos cruzados no reino de Jerusal\u00e9m, inclusive esta cidade, que se rendeu em 2 de outubro. Nesse momento a \u00fanica grande cidade que todavia os cruzados possu\u00edam era Tiro, no L\u00edbano.\n\nEm 29 de outubro de 1187, o papa Greg\u00f3rio VIII proclamou a terceira Cruzada.\n\n<strong>O entusiasmo dos europeus ocidentais foi imenso e em suas fileiras se juntaram tr\u00eas grandes monarcas:<\/strong>\u00a0o imperador do Sacro Imp\u00e9rio Romano Germ\u00e2nico Federico I, o rei franc\u00eas Felipe II Augusto e o monarca da Inglaterra Ricardo I Cora\u00e7\u00e3o de Le\u00e3o. Estes reis e seus numerosos seguidores constitu\u00edram a maior for\u00e7a cruzada que havia tido lugar desde 1095, mas o resultado de todo este esfor\u00e7o foi pequeno. Federico morreu em Anat\u00f3lia enquanto viajava para a Terra Santa e a maior parte de seu ex\u00e9rcito voltou para a Alemanha de forma imediata ap\u00f3s a sua morte.\n\nAinda que tanto Felipe II como Ricardo I Cora\u00e7\u00e3o de le\u00e3o tenham chegado a Palestina com seus ex\u00e9rcitos intactos, foram incapazes de reconquistar Jerusal\u00e9m ou boa parte dos antigos territ\u00f3rios do reino latino.\n\nConseguiram, sem d\u00favida, tirar do controle de Saladino uma s\u00e9rie de cidades, inclusive Acre (agora em Israel), ao longo da costa mediterr\u00e2nea. J\u00e1 no m\u00eas de outubro de 1192, quando Ricardo I Cora\u00e7\u00e3o de Le\u00e3o partiu da Palestina, o reino latino havia sido restabelecido. Este segundo reino, muito mais reduzido que o primeiro e consideravelmente mais fraco tanto no plano militar como no pol\u00edtico, perdurou em condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias ainda um s\u00e9culo.\n\n<strong>As \u00daltimas Cruzadas<\/strong>\n\n<strong>As Cruzadas<\/strong>\u00a0posteriores n\u00e3o obtiveram os \u00eaxitos militares que havia tido a terceira Cruzada. A quarta, que durou dois anos, desde 1202 at\u00e9 1204, foi atingida por dificuldades financeiras. Em um esfor\u00e7o para alivi\u00e1-las, os chefes cruzados concordaram atacar Constantinopla em conjunto com os venezianos e aspirar ao trono do Imp\u00e9rio bizantino. Os cruzados conseguiram tomar Constantinopla, que foi saqueada sem miseric\u00f3rdia.\n\nO Imp\u00e9rio Latino de Constantinopla, criado assim por esta Cruzada, sobreviveu at\u00e9 1261, \u00e9poca em que o imperador bizantino Miguel VIII Pale\u00f3logo retomou Constantinopla.\n\nTudo isso n\u00e3o contribuiu em nada para a defesa da Terra Santa.\n\nEm 1208, em um contexto e em um territ\u00f3rio muito distintos, o papa Inoc\u00eancio III proclamou uma Cruzada contra os albigenses, uma seita religiosa, no sul da Fran\u00e7a.\n\nA conseguinte Cruzada foi a primeira que teve lugar na Europa ocidental. Durou desde 1209 at\u00e9 1229 e causou um grande derramamento de sangue.\n\nA primeira ofensiva da quinta Cruzada (1217-1221) tinha como objetivo capturar o porto eg\u00edpcio de Damietta (Dumyat), a qual conseguiu em 1219. A estrat\u00e9gia posterior requeria um ataque contra o Egito, a tomada do Cairo e outra campanha para assegurar o controle da pen\u00ednsula do Sinai. Sem d\u00favida, a execu\u00e7\u00e3o desta estrat\u00e9gia n\u00e3o obteve todos seus objetivos.\n\nO ataque contra o Cairo n\u00e3o se concretizou quando os refor\u00e7os que havia prometido o imperador do Sacro Imp\u00e9rio Romano Germ\u00e2nico, Federico II, n\u00e3o se materializaram. Em agosto de 1221 os cruzados se viram obrigados a entregar Damietta aos eg\u00edpcios e em setembro o ex\u00e9rcito crist\u00e3o se dispersou.\n\n<strong>Federico II<\/strong>\n\n<strong>A Cruzada<\/strong>\u00a0que levou a cabo o imperador do Sacro Imp\u00e9rio Romano Germ\u00e2nico Federico II se diferenciou das anteriores em sua forma de enfocar a quest\u00e3o. Federico II havia prometido dirigir uma Cruzada em 1215 e renovou seu compromisso em 1220, mas por raz\u00f5es pol\u00edticas internas do Imp\u00e9rio teve que pedir sua sa\u00edda. Sob amea\u00e7a de excomunh\u00e3o do papa Greg\u00f3rio IX, Federico e seu ex\u00e9rcito embarcaram finalmente na It\u00e1lia em agosto de 1227, mas voltaram ao porto poucos dias depois, quando o imperador caiu enfermo. O papa, exasperado por mais outro adiamento, rapidamente excomungou o imperador. Uma vez recuperada sua sa\u00fade, Federico marchou para a Terra Santa em junho de 1228, como um cruzado an\u00f4nimo, sem a prote\u00e7\u00e3o da Igreja. Federico chegou a Acre, onde soube que a maior parte de seu ex\u00e9rcito se havia dispersado. Contudo, n\u00e3o tinha a inten\u00e7\u00e3o de combater se podia recuperar Jerusal\u00e9m mediante uma negocia\u00e7\u00e3o diplom\u00e1tica com o sult\u00e3o eg\u00edpcio Al-Kamil.\n\nEssas negocia\u00e7\u00f5es deram como resultado um tratado de paz pelo qual os eg\u00edpcios devolveriam Jerusal\u00e9m aos cruzados, que garantiu uma tr\u00e9gua durante 10 anos. Apesar deste \u00eaxito, Federico era evitado pelos l\u00edderes seculares dos estados latinos e pelo clero, dado que estava excomungado. Ao mesmo tempo, o papa proclamou outra cruzada, desta vez contra Federico; recrutou um ex\u00e9rcito e prometeu atacar as possess\u00f5es italianas do imperador. Federico voltou para a Europa em maio de 1229 para fazer frente a esta amea\u00e7a.\n\n<strong>Luis IX<\/strong>\n\nTranscorreram quase 20 anos entre a Cruzada de Federico e a seguinte grande expedi\u00e7\u00e3o ao Oriente M\u00e9dio, organizada e financiada pelo rei Luis IX da Fran\u00e7a e motivada pela reconquista de Jerusal\u00e9m por parte dos mu\u00e7ulmanos em 1244.\n\nLuis passou quatro anos fazendo cuidadosos planos e preparativos para sua ambiciosa expedi\u00e7\u00e3o. Em fins de agosto de 1248, Luis e seu ex\u00e9rcito marcharam at\u00e9 a ilha de Chipre, onde permaneceram todo o inverno e continuaram os preparativos. Seguindo a mesma estrat\u00e9gia da quinta Cruzada, Luis e seus seguidores desembarcaram no Egito, em 5 de junho de 1249, e no dia seguinte tomaram Damietta. O seguinte passo em sua campanha, o ataque ao Cairo na primavera de 1250, acabou sendo uma cat\u00e1strofe. Os cruzados no puderam manter seus flancos, porque os eg\u00edpcios detiveram o controle dos dep\u00f3sitos de \u00e1gua ao longo do Nilo. Os eg\u00edpcios abriram as eclusas, provocando inunda\u00e7\u00f5es, que prejudicaram a todo o ex\u00e9rcito cruzado, e Luis IX foi for\u00e7ado a render-se em abril de 1250. Ap\u00f3s pagar um enorme resgate e entregar Damietta, Luis embarcou por mar para a Palestina, onde passou quatro anos edificando fortifica\u00e7\u00f5es e consolidando as defesas do reino latino. Na primavera de 1254 regressou com seu ex\u00e9rcito para a Fran\u00e7a.\n\nO rei Luis IX tamb\u00e9m organizou a \u00faltima grande Cruzada, em 1270. Nesta ocasi\u00e3o a resposta da nobreza francesa foi pouco entusiasmada e a expedi\u00e7\u00e3o se dirigiu contra a cidade de Tunis e n\u00e3o contra o Egito.\n\nAcabou subitamente quando Luis morreu em Tunis no ver\u00e3o de 1270.\n\nEnquanto as fortifica\u00e7\u00f5es fronteiri\u00e7as que todavia restaram ao Imp\u00e9rio Latino na S\u00edria e na Palestina se viram submetidas a uma press\u00e3o incessante por parte das for\u00e7as eg\u00edpcias. Uma a uma, as cidades e castelos dos estados cruzados ca\u00edram em m\u00e3os dos potentes ex\u00e9rcitos mamelucos. A \u00faltima pra\u00e7a forte, a cidade de Acre, foi tomada em 18 de maio de 1291 e os povoados cruzados, junto com as ordens militares dos Cavaleiros Templ\u00e1rios e os Cavaleiros Hospital\u00e1rios, buscaram ref\u00fagio em Chipre. Por volta de 1306, estes \u00faltimos se estabeleceram na ilha de Rodes, a qual administraram como um virtual Estado independente e foi a \u00faltima pra\u00e7a forte no Mediterr\u00e2neo at\u00e9 sua rendi\u00e7\u00e3o aos turcos em 1522. Em 1570, Chipre, sob a soberania de Veneza, tamb\u00e9m foi conquistada pelos turcos. Os outros estados latinos que se estabeleceram na Gr\u00e9cia como conseq\u00fc\u00eancia da quarta Cruzada sobreviveram at\u00e9 a metade do s\u00e9culo XV.\n\n<b>Consequ\u00eancia<\/b><strong>\u00a0das Cruzadas<\/strong>\n\nA expuls\u00e3o dos latinos da Terra Santa n\u00e3o p\u00f4s fim aos esfor\u00e7os dos cruzados, mas a resposta dos reis europeus e da nobreza a novas convoca\u00e7\u00f5es de Cruzadas foi fraca, e as posteriores expedi\u00e7\u00f5es se levaram a cabo sem nenhum \u00eaxito. Dois s\u00e9culos de Cruzadas haviam deixado poucos vest\u00edgios na S\u00edria e na Palestina, salvo numerosas igrejas, fortifica\u00e7\u00f5es e uma s\u00e9rie de impressionantes castelos, como os de Marqab, na costa da S\u00edria, Shawbak (Montreal), na Transjord\u00e2nia, o krak (fortaleza) dos Cavaleiros, que podia acolher uma guarni\u00e7\u00e3o de at\u00e9 2000 homens, perto de Tr\u00edpoli, e Monfort, perto de Haifa (Israel).\n\nOs efeitos das\u00a0<strong>Cruzadas<\/strong>\u00a0se deixaram sentir principalmente na Europa, n\u00e3o no Oriente M\u00e9dio. Os cruzados haviam fortalecido o com\u00e9rcio das cidades italianas, haviam gerado um interesse pela explora\u00e7\u00e3o do Oriente e haviam estabelecido mercados comerciais de duradoura import\u00e2ncia. Os experimentos do Papado e dos monarcas europeus para obter os recursos monet\u00e1rios para financiar\u00a0<strong>as Cruzadas<\/strong>\u00a0conduziram ao desenvolvimento de sistemas de impostos diretos de modo geral, que tiveram consequ\u00eancias a longo prazo para a estrutura fiscal dos estados europeus. Ainda que os estados latinos no Oriente tivessem uma vida curta, a experi\u00eancia dos cruzados estabeleceu alguns mecanismos que gera\u00e7\u00f5es posteriores de europeus usariam e melhorariam, ao colonizar os territ\u00f3rios descobertos pelos exploradores dos s\u00e9culos XV e XVI.\n\n<strong>As Cruzadas &#8211; Hist\u00f3ria<\/strong>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-157486  aligncenter\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/As-Cru2.jpg\" alt=\"\" width=\"401\" height=\"299\" \/><strong>Cavaleiros Templ\u00e1rios na Terra Santa<\/strong><\/p>\nPara entender a hist\u00f3ria dos Templ\u00e1rios \u00e9 necess\u00e1rio inicialmente conhecer o que foi o movimento cruzadista que, retratando a estrutura mental e religiosa do homem medieval, se estendeu entre os s\u00e9culos XI e XII, levando-o a lutar contra os inimigos da f\u00e9 crist\u00e3.\n\nDesde o advento do Cristianismo como religi\u00e3o oficial do Imp\u00e9rio Romano, as peregrina\u00e7\u00f5es \u00e0 Terra Santa (Palestina) pouco a pouco ganharam popularidade e tornaram-se movimentos de f\u00e9 e de penit\u00eancia, numa busca aos t\u00famulos dos m\u00e1rtires crist\u00e3os e aos monumentos constru\u00eddos em suas homenagens.\n\nDurante o s\u00e9culo V, o interc\u00e2mbio entre o Ocidente e o Oriente j\u00e1 era intenso. Os s\u00edrios levavam suas id\u00e9ias religiosas, sua cultura e sua arte para as cidades da G\u00e1lia e da It\u00e1lia e, por sua vez, os crist\u00e3os ocidentais viajavam em caravanas para a S\u00edria, Palestina e Egito, n\u00e3o s\u00f3 para visitar os lugares sagrados, mas tamb\u00e9m buscando uma vida asc\u00e9tica.\n\nMas, a partir do oitavo s\u00e9culo, com a unifica\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dos \u00e1rabes, em decorr\u00eancia da uni\u00e3o religiosa obtida por Maom\u00e9, organizador do Islamismo, tal situa\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a se modificar e os peregrinos passaram a ter grandes dificuldades para chegar \u00e0 Palestina.\n\nA religi\u00e3o isl\u00e2mica pregava a guerra santa aos infi\u00e9is e justificava o direito de saque\u00e1-los porque n\u00e3o aceitavam o Deus criador dos bens materiais.\n\nV\u00e1rios acordos foram feitos com o Oriente naquela \u00e9poca, principalmente pelos soberanos francos, na tentativa de restabelecer a paz e favorecer as condi\u00e7\u00f5es dos peregrinos ocidentais.\n\nEm 1009, o califa eg\u00edpcio Hakem 1, num ataque de loucura, mandou destruir o Santo Sepulcro e exterminar os crist\u00e3os estabelecidos em Jerusal\u00e9m, que passaram a ser cruelmente perseguidos. Mas, em 1027, o protetorado franco foi substitu\u00eddo pelos imperadores bizantinos e estes ordenaram, ent\u00e3o, a reconstru\u00e7\u00e3o do Santo Sepulcro.\n\nO homem medieval possu\u00eda uma f\u00e9 profunda; acreditava no Para\u00edso e no Inferno. Por esta raz\u00e3o, a intensa espiritualidade daquele per\u00edodo hist\u00f3rico direcionava tais movimentos e, ao inv\u00e9s de diminuir, o entusiasmo dos crist\u00e3os em busca dos locais sagrados, especialmente no s\u00e9culo XI, aumentava mais e mais, envolvendo inclusive pr\u00edncipes, reis, bispos e cavaleiros.\n\nTodavia, a expans\u00e3o dos turcos no final do s\u00e9culo XI, cujo Islamismo fan\u00e1tico levava-os a impedir as expedi\u00e7\u00f5es crist\u00e3s a Jerusal\u00e9m, comprometeu totalmente a seguran\u00e7a dos peregrinos e colocou em risco o Imp\u00e9rio Bizantino e toda a cristandade. Com a tomada de Jerusal\u00e9m, as peregrina\u00e7\u00f5es aos lugares santos foram proibidas.\n\nOs imperadores de Constantinopla imploraram a assist\u00eancia dos papas, pedindo o reestabelecimento da unidade crist\u00e3, a expuls\u00e3o dos turcos e o resgate do Santo Sepulcro. Foi ent\u00e3o que surgiram\u00a0<strong>as Cruzadas<\/strong>, expedi\u00e7\u00f5es guerreiras de car\u00e1ter religioso com o prop\u00f3sito de libertar a Palestina dos turcos e proteger os fi\u00e9is dos perigos das peregrina\u00e7\u00f5es; uma verdadeira contra-ofensiva crist\u00e3 ao avan\u00e7o mu\u00e7ulmano.\n\nOutros fatores contribu\u00edram e impulsionaram o movimento das\u00a0<strong>Cruzadas<\/strong>. O momento hist\u00f3rico porque passava a Europa, numa rela\u00e7\u00e3o feudalista suserano-vassalo, fazia-se refletir tamb\u00e9m no relacionamento entre os homens e Deus.\n\nAssim, os guerreiros-vassalos tinham como dever e forma de penit\u00eancia proteger o Cristo-suserano. No contexto comercial,\u00a0<strong>as Cruzadas<\/strong>\u00a0constitu\u00edram excelente oportunidade de criar a sua \u00e1rea de influ\u00eancia no Mediterr\u00e2neo. A pr\u00f3pria expedi\u00e7\u00e3o militar representava um bom investimento, j\u00e1 que os italianos forneciam empr\u00e9stimos, mantimentos, equipamentos e navios aos cruzados. Al\u00e9m disso, no campo social, a expans\u00e3o demogr\u00e1fica e a conseq\u00fcente expans\u00e3o das fronteiras agr\u00edcolas desencadearam a migra\u00e7\u00e3o dos camponeses dos feudos, que passaram a buscar uma forma alternativa de sobreviv\u00eancia; e\u00a0<strong>as Cruzadas<\/strong>\u00a0dariam esta oportunidade de obter novas terras no Oriente.\n\nEntre os anos de 1096 e 1270, foram organizadas muitas\u00a0<strong>Cruzadas<\/strong>, mas a Hist\u00f3ria registra oito delas como sendo as principais. Na verdade, houve um fluxo ininterrupto de peregrina\u00e7\u00f5es a Jerusal\u00e9m, armadas ou n\u00e3o, que desembarcavam ali todos os anos durante a primavera.\n\nO termo &#8220;<strong>Cruzada<\/strong>&#8221; adveio do per\u00edodo em que o Papa Urbano II, durante o Conc\u00edlio de Clermont, ordenou aos cavaleiros que estavam de partida para a Terra Santa que assinalassem com uma cruz os seus trajes guerreiros, com a promessa de receberem a indulg\u00eancia pelos pecados cometidos, a suspens\u00e3o de suas d\u00edvidas e a prote\u00e7\u00e3o dos seus bens. Inclusive, muitos daqueles que partiram para a conquista de Jerusal\u00e9m, fizeram-no justamente na expectativa de morrer na luta e ganhar a salva\u00e7\u00e3o eterna.\n\nOs cavaleiros passaram, ent\u00e3o, a utilizar o s\u00edmbolo da cruz sobre as suas armaduras.\n\nA\u00a0<strong>primeira Cruzada (1096-1099)<\/strong>\u00a0foi comandada por Godofredo de Bulh\u00e3o e obteve relativo sucesso com a conquista da Palestina e parte da S\u00edria e a funda\u00e7\u00e3o de um reino crist\u00e3o.\n\n<strong>Foi durante este per\u00edodo que come\u00e7aram a surgir v\u00e1rias ordens de cavaleiros:<\/strong>\u00a0a dos Hospital\u00e1rios, a dos Templ\u00e1rios e a dos Teut\u00f4nicos.\n\nEntre os anos de\u00a0<strong>1147 e 1149 foi organizada a segunda Cruzada<\/strong>\u00a0contra os mu\u00e7ulmanos; desta vez liderada por Lu\u00eds VII, Rei da Fran\u00e7a, e por Conrado III, Imperador do Sacro Imp\u00e9rio Romano-germ\u00e2nico.\n\nA expedi\u00e7\u00e3o atingiu Constantinopla e chegou \u00e0 \u00c1sia, mas foi derrotada antes de chegar \u00e0 Palestina.\n\nA\u00a0<strong>terceira Cruzada, ou Cruzada dos Reis (1189-1192)<\/strong>, foi decidida pelo Papa Greg\u00f3rio VIII, depois que o sult\u00e3o eg\u00edpcio Saladin 4 retomou Jerusal\u00e9m. Foi liderada por Ricardo Cora\u00e7\u00e3o de Le\u00e3o, Rei da Inglaterra, por Filipe II, Rei da Fran\u00e7a, e por Frederico Barba Ruiva, Imperador do Sacro Imp\u00e9rio Romano-germ\u00e2nico.Este \u00faltimo faleceu na \u00c1sia Menor, tendo suas for\u00e7as se dispersado. Filipe Augusto, por quest\u00f5es de diverg\u00eancias, se retirou da luta, e Ricardo continuou sozinho, conquistando algumas cidades. Por fim, embora n\u00e3o tenha tomado a Cidade Santa, conseguiu um acordo com Saladin para que as peregrina\u00e7\u00f5es fossem permitidas.\n\nAo contr\u00e1rio das anteriores, os motivos que provocaram a\u00a0<strong>quarta Cruzada, entre 1202 e 1204<\/strong>, foram outros. Inicialmente proposta pelo Papa Inoc\u00eancio III e financiada pelos nobres de Veneza, em vez de se dirigirem para a Terra Santa, que era o ponto crucial do conflito entre crist\u00e3os e mu\u00e7ulmanos, os cruzados resolveram atacar Constantinopla com o objetivo de derrubar Aleixo III 5 e o Imp\u00e9rio Bizantino, cujas riquezas lhes interessavam.\n\nCom a tomada de Constantinopla, foi criado o Imp\u00e9rio Latino do Oriente, entre 1204 e 1261. Baldu\u00edno de Flandres foi feito Imperador e um patriarca latino foi nomeado Papa.\n\nEsta conquista latina tornou-se um desastre porque enfraqueceu o Imp\u00e9rio Oriental e agravou o \u00f3dio entre a cristandade grega e latina.\n\nAinda motivada por Inoc\u00eancio III, a\u00a0<strong>quinta Cruzada (1217-1220)<\/strong>, formada por h\u00fangaros, austr\u00edacos, cipriotas, fr\u00edsios 6, noruegueses e francos da S\u00edria, ficou conhecida pelo completo fracasso na conquista do Egito.\n\nA\u00a0<strong>sexta Cruzada (1228-1229)<\/strong>\u00a0foi organizada pelo Imperador germ\u00e2nico Frederico II, que conseguiu firmar um tratado com os mu\u00e7ulmanos, pelo qual Jerusal\u00e9m, Bel\u00e9m e Nazar\u00e9 ficavam sob a jurisdi\u00e7\u00e3o dos crist\u00e3os ocidentais, mantendo-se, contudo, o livre acesso dos mu\u00e7ulmanos \u00e0s mesquitas de Jerusal\u00e9m. Mais tarde, em 1244, Jerusal\u00e9m foi tomada novamente pelos turcos.\n\nLu\u00eds IX, Rei da Fran\u00e7a, liderou as duas \u00faltimas\u00a0<strong>Cruzadas.<\/strong>\n\nA\u00a0<strong>s\u00e9tima<\/strong>\u00a0foi organizada a partir da prega\u00e7\u00e3o de Inoc\u00ean cio IV, feita no Conc\u00edlio de Lyon, e durou entre 1248 e 1250.\n\nLu\u00eds IX (mais tarde conhecido como S\u00e3o Lu\u00eds) foi preso e libertado anos depois, ap\u00f3s pagamento de resgate. Duas d\u00e9cadas mais tarde, em 1270, Lu\u00eds comandou a \u00faltima grande expedi\u00e7\u00e3o (a oitava), mas ele e seu ex\u00e9rcito foram dizimados por uma epidemia de tifo.\n\nNo final do s\u00e9culo XIII, os turcos apoderaram-se da \u00faltima fortaleza crist\u00e3 no Oriente. V\u00e1rios papas tentaram organizar novas expedi\u00e7\u00f5es, mas sem sucesso.\n\nN\u00e3o mais existiam as motiva\u00e7\u00f5es sociais e econ\u00f4micas que impulsionaram as primeiras expedi\u00e7\u00f5es.\n\nComo conseq\u00fc\u00eancia,\u00a0<strong>as Cruzadas<\/strong>\u00a0foram respons\u00e1veis pelo enfraquecimento do feudalismo, aumentando assim o poder dos reis. No plano econ\u00f4mico, a expans\u00e3o do com\u00e9rcio com o Oriente favoreceu cidades mar\u00edtimas, como G\u00eanova e Veneza. Adicionalmente, o interc\u00e2mbio cultural floresceu, levando ao desenvolvimento das universidades e da literatura.\n\nMas, se forem considerados os objetivos primeiros das\u00a0<strong>Cruzadas<\/strong>, elas foram um fracasso, pois al\u00e9m de n\u00e3o terem conquistado de modo permanente a Terra Santa, n\u00e3o se pode afirmar que tenham detido a expans\u00e3o do Islamismo.\n\n<strong>Fonte:<\/strong>\u00a0Frederico Czar (Professor de Hist\u00f3ria)\/www.cav-templarios.hpg.ig.com.br\/br.geocities.com\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As Cruzadas, Primeira, Segunda, Terceira, Hist\u00f3ria, Quarta, Quinta, Sexta, S\u00e9tima, Oitava, Objetivo, Guerra, Conseq\u00fc\u00eancia, Origem, As Cruzadas<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":11448,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[57],"tags":[],"class_list":["post-21001","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia-geral"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - 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