{"id":20989,"date":"2015-12-29T00:00:00","date_gmt":"2015-12-29T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/queda-de-constantinopla-3\/"},"modified":"2026-09-01T15:35:48","modified_gmt":"2026-09-01T15:35:48","slug":"queda-de-constantinopla-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-geral\/queda-de-constantinopla-3\/","title":{"rendered":"Queda de Constantinopla"},"content":{"rendered":"\n<strong>Queda de Constantinopla &#8211; Hist\u00f3ria<\/strong>\n\nMuitos historiadores apontam para 1204 como o fim pr\u00e1tico do\u00a0<strong>Imp\u00e9rio Bizantino<\/strong>, que se desintegrou em feudo feudal. No entanto, a queda de Constantinopla \u00e9 um ponto de viragem para a cidade e para o imp\u00e9rio.\n\nA infame data da\u00a0<strong>queda de Constantinopla<\/strong>\u00a0\u00e9 29 de maio de 1453, ap\u00f3s o cerco que come\u00e7ou em 6 de abril. Esse cerco foi liderado por Mehmet II, de 21 anos, do Imp\u00e9rio Otomano.\n\nO cerco foi bem-sucedido porque os otomanos tinham canh\u00f5es e p\u00f3lvora, tornando obsoleta a tecnologia das Muralhas. Ap\u00f3s o cerco, o Imp\u00e9rio Bizantino caiu para o Imp\u00e9rio Otomano.\n\nFoi um golpe para a cristandade e um ponto de viragem para a hist\u00f3ria ocidental, visto que \u00e9 vista como o fim da Idade M\u00e9dia e o in\u00edcio do Renascimento.\n\nOs estudiosos fugiram da cidade e trouxeram seus conhecimentos para o Ocidente. O com\u00e9rcio tamb\u00e9m mudou, uma vez que cortou alguns dos la\u00e7os comerciais europeus com a \u00c1sia.\n\nA cidade foi rebatizada de Istambul (onde o Isl\u00e3 \u00e9 abundante).\n\nA\u00a0<strong>queda (ou saque) de Constantinopla<\/strong>\u00a0n\u00e3o foi apenas um ponto de viragem para a cidade, mas tamb\u00e9m foi um ponto de viragem das Muralhas de Teod\u00f3sia como um &#8220;lugar de mem\u00f3ria&#8221;.\n\nO muro n\u00e3o est\u00e1 mais associado \u00e0 utilidade na defesa, uma vez que falhou a cidade. A queda lentamente se transforma em ru\u00ednas nos dias modernos.\n\nA\u00a0<strong>ascens\u00e3o e queda de Constantinopla<\/strong>\u00a0coincidem com a ascens\u00e3o e queda das Muralhas de Teod\u00f3sio.\n\n<strong>A queda de Constantinopla \u2013 1453<\/strong>\n<p class=\"imagem\" style=\"text-align: center;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-157518 \" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Queda-1.jpg\" alt=\"\" width=\"516\" height=\"387\" \/><\/strong><strong>Queda de Constantinopla<\/strong><\/p>\nMaom\u00e9 II, um en\u00e9rgico soberano dos turcos otomanos no s\u00e9culo XV, estava destinado a completar a extin\u00e7\u00e3o do imp\u00e9rio do Oriente.\n\nPouco restava dele al\u00e9m de uma delgada fatia de territ\u00f3rio na margem europeia do B\u00f3sforo, principalmente os sub\u00farbios de Constantinopla; mesmo essa cidade diminu\u00eda tanto, em tamanho e esp\u00edrito p\u00fablico, que Franza, camarista da corte e secret\u00e1rio do \u00faltimo imperador, Constantino Pale\u00f3logo, s\u00f3 conseguiu, por meio de um censo diligente, quatro mil, novecentos e setenta cidad\u00e3os dispostos e aptos a pegar em armas pela defesa da cidade. Contando as tropas auxiliares estrangeiras, uma guarni\u00e7\u00e3o de talvez sete ou oito mil soldados defendia os muros de Constantinopla em seu \u00faltimo cerco por aproximadamente duzentos e cinquenta mil mu\u00e7ulmanos.\n\nA descri\u00e7\u00e3o desse cerco \u00e9 uma das passagens mais memor\u00e1veis de Edward Gibbon.\n\nDo tri\u00e2ngulo formado por\u00a0<strong>Constantinopla,<\/strong>\u00a0os dois lados ao longo do mar se tornaram inacess\u00edveis ao inimigo o mar de M\u00e1rmara por natureza e a ba\u00eda por ast\u00facia. Entre as duas \u00e1guas, a base do tri\u00e2ngulo, a terra, estava protegida por uma dupla muralha e um fosso de quase cem metros de profundidade. Contra essa linha de fortifica\u00e7\u00e3o, que se prolongava por dez quil\u00f4metros, os otomanos dirigiram seu principal ataque; e o imperador, ap\u00f3s distribuir a guarni\u00e7\u00e3o e o comando dos postos mais perigosos, empreendeu a defesa da muralha externa. Nos primeiros dias do cerco, os soldados gregos desceram para o fosso oi fizeram investidas em campo aberto; n\u00e3o tardaram, por\u00e9m a descobrir que, proporcionalmente ao seu n\u00famero, um crist\u00e3o tinha mais valor do que vinte turcos; depois dessas preliminares audazes, contentaram-se prudentemente manter a defesa com suas armas m\u00edsseis. A na\u00e7\u00e3o era de fato sem fibra, mas o \u00faltimo\u00a0<strong>Constantino<\/strong>\u00a0merece o t\u00edtulo de her\u00f3i; seu nobre grupo de volunt\u00e1rios estava inspirado de valor romano e as tropas auxiliares estrangeiras amparavam a honra da cavalaria ocidental. As incessantes rajadas de lan\u00e7as e flechas eram acompanhadas da fuma\u00e7a, do ru\u00eddo e do fogo de seus mosquetes e canh\u00f5es. Suas armas de fogo port\u00e1teis descarregavam ao mesmo tempo de cinco a dez balas de chumbo do tamanho de uma noz, e segundo a proximidade das fileiras e a for\u00e7a da p\u00f3lvora, v\u00e1rias coura\u00e7as e corpos eram trespassados pelo mesmo tiro.\n\nMas as trincheiras dos turcos eram destru\u00eddas ou se cobriam de escombros. A cada dia aumentava a t\u00e1tica dos crist\u00e3os, mas seu suprimento inadequado de p\u00f3lvora se consumia nas opera\u00e7\u00f5es cotidianas.\n\nO material b\u00e9lico de que dispunham n\u00e3o era numeroso nem potente, e se possu\u00edam alguns canh\u00f5es pesados, temiam assent\u00e1-los na muralha cuja fr\u00e1gil estrutura poderia ser abalada pela explos\u00e3o e desabar.\n\nO mesmo segredo destrutivo fora revelado aos mu\u00e7ulmanos, que o empregavam com a superior pot\u00eancia da garra, do despotismo. O grande canh\u00e3o de Maom\u00e9 chamara a aten\u00e7\u00e3o por si s\u00f3, pe\u00e7a importante e vis\u00edvel na hist\u00f3ria da \u00e9poca, todavia, esse engenho enorme era flanqueado por dois companheiros de quase igual tamanho. A longa linha da artilharia turca estava apontada contra as muralhas; quatorze baterias estrondavam ao mesmo tempo nos lugares mais acess\u00edveis; e de uma delas diz-se ambiguamente que se compunha de cento e trinta canh\u00f5es ou que descarregava cento e trinta balas. Entretanto, no poderio e na atividade do sult\u00e3o podemos enxergar o come\u00e7o de uma nova ci\u00eancia. Sob o comando de um oficial que contava os instantes; o grande canh\u00e3o podia ser carregado e disparado n\u00e3o mais do que sete vezes por dia. O metal aquecido infelizmente estourou; v\u00e1rios art\u00edfices morreram na explos\u00e3o, e suscitou admira\u00e7\u00e3o a per\u00edcia de um deles que teve a ideia de evitar o perigo e o acidente derramando \u00f3leo, depois de cada tiro, dentro da boca do canh\u00e3o.\n\nOs primeiros disparos ao acaso fizeram mais barulho do que efeito; e foi por recomenda\u00e7\u00e3o de um crist\u00e3o que os t\u00e9cnicos aprenderam a visar os dois lados opostos dos \u00e2ngulos salientes de um bast\u00e3o.\n\nAinda que imperfeito, a intensidade e a repeti\u00e7\u00e3o do fogo de artilharia causou certa impress\u00e3o nas muralhas, e os turcos, levando suas barricadas at\u00e9 a beira do fosso, tentaram franquear a enorme brecha e abrir caminho para o assalto. Empilhavam in\u00fameros galhos, barris e troncos de \u00e1rvores, e foi tal a impetuosidade da turba que os mais fracos e os da frente tombaram de ponta-cabe\u00e7a fosso abaixo, sepultados imediatamente sob a massa amontoada. Encher o fosso era o empenho dos sitiantes, retirar o entulho, a seguran\u00e7a dos sitiados, ao fim de uma longa e sanguin\u00e1ria batalha, a teia tecida de dia se desenredou \u00e0 noite. O recurso seguinte de que lan\u00e7ou m\u00e3o Maom\u00e9 foram as galerias subterr\u00e2neas; mas o solo era rochoso e cada tentativa era interrompida e solapada pelos t\u00e9cnicos crist\u00e3os; ainda n\u00e3o tinha sido inventada a arte de encher tais passagens de p\u00f3lvora para lan\u00e7ar pelos ares torres e cidades inteiras.\n\nUma circunst\u00e2ncia que distingue o s\u00edtio de Constantinopla \u00e9 a reuni\u00e3o da artilharia antiga com a moderna. O canh\u00e3o se misturava a engenhos mec\u00e2nicos que lan\u00e7avam pedras e dardos; tanto a bala quanto o ar\u00edete se voltava contra as mesmas muralhas; tampouco havia a descoberta da p\u00f3lvora eliminado o uso do fogo l\u00edquido e inextingu\u00edvel.\n\nUm torre\u00e3o de madeira de tamanho consider\u00e1vel avan\u00e7ava sobre rolos; esse dep\u00f3sito port\u00e1til de muni\u00e7\u00e3o e barricadas tinha a proteg\u00ea-lo uma tr\u00edplice coura\u00e7a de couro de boi; incessantes rajadas eram disparadas com seguran\u00e7a das suas flecheiras; na parte fronteira, tr\u00eas portas possibilitavam entrada e retirada alternadas de soldados e art\u00edfices.\n\nEles subiam por uma escada at\u00e9 a plataforma superior, a cuja altura outra escada de assalto podia ser i\u00e7ada com polias a fim de formar uma ponte que se agarrava ao muro inimigo.\n\nPor meio desses estratagemas incomodativos, alguns t\u00e3o novos qu\u00e3o perigosos para os gregos, a torre de S\u00e3o Romano foi por fim derrubada; ap\u00f3s luta acirrada, os sitiados repeliram os turcos e a noite veio interromp\u00ea-los; confiavam eles por\u00e9m que, \u00e0 luz do dia, pudessem renovar o ataque com maior vigor e sucesso decisivo. Cada momento nessa pausa na a\u00e7\u00e3o, desse intervalo de esperan\u00e7a, foi aproveitado pela atividade do imperador e de Justiniano os quais passaram a noite no local aproveitando, os trabalhos de que dependia a seguran\u00e7a da igreja e da cidade.\n\nAo raiar do dia, o sult\u00e3o impaciente percebeu com surpresa e pesar que seu torre\u00e3o de madeira havia sido reduzido a cinzas, o fosso fora limpo e restaurado, e a torre de S\u00e3o Romano estava novamente inteira e firme.\n\nDeplorou ele o malogro do seu intento e soltou uma exclama\u00e7\u00e3o profana, de que a palavra dos trinta e sete mil profetas n\u00e3o o teriam convencido a acreditar que, com t\u00e3o pouco tempo, uma obra que tal pudesse ter sido levada a cabo pelos infi\u00e9is.\n\nA generosidade dos princ\u00edpios crist\u00e3os era pouca e tardia; entretanto, aos primeiros receios de um cerco, Constantinopla havia adquirido, nas ilhas do Arquip\u00e9lago, na Mor\u00e9ia e na Sic\u00edlia, os suprimentos mais necess\u00e1rios. J\u00e1 no come\u00e7o de abril cinco grandes barcos equipados para o com\u00e9rcio e a guerra teriam partido da ba\u00eda de Quios se o vento n\u00e3o soprasse obstinadamente do norte.\n\nUm desses barcos trazia a bandeira imperial; os outros quatro pertenciam a genoveses e estavam carregados de trigo e cevada, de vinho, \u00f3leo e legumes e, acima de tudo, de soldados e marinheiros para o servi\u00e7o militar da capital. Ap\u00f3s uma tediosa espera, uma brisa suave, e no segundo dia, um vento norte vindo do sul os levou atrav\u00e9s do Helesponto e da Prop\u00f4ntida; contudo, a cidade j\u00e1 fora assediada por mar e por terra, e a frota turca, na entrada do B\u00f3sforo, se alinhava de praia a praia em forma de crescente a fim de interceptar, ou pelo menos repelir, essas audazes tropas auxiliares.\n\nO leitor que tenha presente no esp\u00edrito a situa\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica de Constantinopla poder\u00e1 conceber e admirar a grandeza do espet\u00e1culo.\n\n<strong>Os cinco barcos crist\u00e3os continuavam a avan\u00e7ar com gritos alegres, e todo \u00edmpeto de velas e remos contra a frota inimiga de trezentas naves:<\/strong>\u00a0o reparo, o acampamento, as costas da Europa e da \u00c1sia estavam repletos de espectadores que aguardavam com ansiedade o desfecho desse momentoso socorro. \u00c0 primeira vista, parecia n\u00e3o haver d\u00favida a respeito; a superioridade dos mu\u00e7ulmanos ultrapassava toda medida ou c\u00e1lculo, e numa situa\u00e7\u00e3o de calma seu maior n\u00famero e sua bravura teriam inevitavelmente prevalecido.\n\n<strong>Entretanto, apressada e imperfeita, sua marinha fora criada n\u00e3o pelo g\u00eanio do povo, mas pela vontade do sult\u00e3o:\u00a0<\/strong>no auge de sua prosperidade, os turcos reconheceram que, se Deus lhes tinha dado a terra, deixara o mar aos infi\u00e9is; uma s\u00e9rie de derrotas, um r\u00e1pido progresso do decl\u00ednio comprovou a verdade dessa confiss\u00e3o de mod\u00e9stia. \u00c0 exce\u00e7\u00e3o de dezoito gal\u00e9s de algum poder, o restante da frota turca consistia em barcos abertos, toscamente constru\u00eddos e desajeitadamente manejados, repletos de tropas e destitu\u00eddos de canh\u00f5es; e como a coragem adv\u00e9m, numa grande medida, da consci\u00eancia da for\u00e7a, o mais bravo dos jan\u00edzaros s\u00f3 podia tremer sobre um novo elemento.\n\nNa esquadra crist\u00e3, quatro robustos e altaneiros barcos eram governados por pilotos competentes e sua equipagem se compunha de veteranos da It\u00e1lia e da Gr\u00e9cia, longamente adestrados nas artes e perigos do mar.\n\nEsses barcos pesados podiam afundar ou dispersar os d\u00e9beis obst\u00e1culos que lhes impedissem a passagem; sua artilharia varria as \u00e1guas; seu fogo l\u00edquido se derramava sobre a cabe\u00e7a dos advers\u00e1rios que, com a pretens\u00e3o de abord\u00e1-los, se atrevessem a aproximar-se; outrossim, os ventos e as vagas est\u00e3o sempre a favor dos navegantes mais h\u00e1beis. Nesse conflito, a nave imperial, que quase fora subjugada, foi socorrida pela genovesa; os turcos, por\u00e9m, num ataque a dist\u00e2ncia e noutro de perto, sofreram perdas consider\u00e1veis ao serem duas vezes repelidos. O pr\u00f3prio Maom\u00e9, montado a cavalo, encorajava da praia, com sua voz e presen\u00e7a, a bravura de seus comandados com a promessa de recompensas e com um temor mais poderoso que o temor do inimigo.\n\nAs paix\u00f5es de sua alma e mesmo os gestos do seu corpo pareciam imitar as a\u00e7\u00f5es dos combatentes; como se fora o senhor da natureza, esporeou o cavalo num destemido e impotente esfor\u00e7o de entrar mar adentro.\n\nSuas censuras ruidosas e os clamores do acampamento incitaram os otomanos a um terceiro ataque, mais fatal e sangrento que os dois anteriores; e cumpre-me repetir, embora n\u00e3o lhe possa dar cr\u00e9dito, o testemunho de Franza, que afirma terem eles perdido mais de doze mil homens na matan\u00e7a daquele dia. Fugiram em desordem para as praias da Europa e da \u00c1sia, enquanto o esquadr\u00e3o dos crist\u00e3os, triunfante e ileso, rumou ao longo do B\u00f3sforo para ancorar com seguran\u00e7a na ba\u00eda.\n\nNa ousadia da vit\u00f3ria, jactaram-se eles de que todo o poderio turco tivera de ceder \u00e0s suas armas; todavia, o almirante, ou capit\u00e3o-pax\u00e1, consolou-se em parte de um doloroso ferimento no olho apresentando tal acidente como a causa de sua derrota. Balta Ogli era um regenerado da ra\u00e7a dos pr\u00edncipes b\u00falgaros; maculava-lhe o renome militar o v\u00edcio malquisto da avareza; e sob o despotismo do pr\u00edncipe e do povo, o infort\u00fanio \u00e9 prova suficiente de culpa. Seu posto e servi\u00e7os foram abolidos pelo desagravo de Maom\u00e9.\n\nNa presen\u00e7a real, o capit\u00e3o-pax\u00e1 foi estendido no ch\u00e3o por quatro escravos e recebeu uma centena de golpes dados com uma vara de ouro; sua morte havia sido decretada, e ele implorou a clem\u00eancia do sult\u00e3o, que se satisfaz com a puni\u00e7\u00e3o mias branda da confisca\u00e7\u00e3o e do ex\u00edlio.\n\nA chegada desse suprimento reascendeu as esperan\u00e7as dos gregos e p\u00f4s \u00e0 mostra a indiferen\u00e7a de seus aliados ocidentais. Em meio aos desertos da Anat\u00f3lia e \u00e0s rochas da Palestina, os milh\u00f5es de cruzados haviam sepultado a si pr\u00f3prios num volunt\u00e1rio e inevit\u00e1vel t\u00famulo; a situa\u00e7\u00e3o da cidade imperial, todavia, era t\u00e3o inacess\u00edvel aos seus inimigos quanto acess\u00edvel aos amigos, e o armamento moderno e racional dos Estados mar\u00edtimos poderia ter salvado os remanescentes do nome romano e mantido uma fortaleza crist\u00e3 no cora\u00e7\u00e3o do imp\u00e9rio otomano. No entanto, esse foi o \u00fanico e d\u00e9bil esfor\u00e7o em prol da liberta\u00e7\u00e3o de Constantinopla; as pot\u00eancias mais distantes eram insens\u00edveis ao perigo dela; e o embaixador da Hungria, ou pelo menos dos hun\u00edadas, residia no acampamento turco para desfazer os temores e dirigir as opera\u00e7\u00f5es do sult\u00e3o.\n\nEra dif\u00edcil para os gregos penetrar o segredo do div\u00e3; estavam n\u00e3o obstante convencidos de que uma resist\u00eancia t\u00e3o obstinada e surpreendente havia fatigado a perseveran\u00e7a de Maom\u00e9.\n\nEste come\u00e7ou a pensar numa retirada; o cerco teria sido prontamente erguido se a ambi\u00e7\u00e3o e o ci\u00fame de Kahlil Pax\u00e1, que ainda mantinha uma correspond\u00eancia secreta com a corte bizantina.\n\nA conquista da cidade parecia irrealiz\u00e1vel a menos a ba\u00eda era inacess\u00edvel; uma impenetr\u00e1vel cadeia tinha ent\u00e3o a defend\u00ea-la oito barcos grandes, mais de vinte de menor tamanho, e diversas gal\u00e9s e corvetas; em vez de for\u00e7ar essa barreira, os turcos poderiam conceber uma surtida naval e um segundo encontro em mar aberto.\n\nNessa hora de perplexidade, o g\u00eanio de Maom\u00e9 ideou e executou um plano audaz e admir\u00e1vel, de transportar por terra seus barcos mais leves e seus suprimentos militares, do B\u00f3sforo at\u00e9 a parte mais elevada da ba\u00eda.\n\nA dist\u00e2ncia \u00e9 de cerca de quinze quil\u00f4metros, o terreno, desigual estava coberto de mato cerrado, e como a estrada tinha de ser aberta al\u00e9m do sub\u00farbio da G\u00e1lata, a livre passagem ou a total destrui\u00e7\u00e3o dos turcos iria depender da op\u00e7\u00e3o dos genoveses. Mas esses mercadores interesseiros ambicionavam o privil\u00e9gio de serem os \u00faltimos devorados, e a defici\u00eancia de arte foi suprimida pela for\u00e7a de mir\u00edades obedientes. Cobriu-se uma estrada plana com uma larga plataforma de t\u00e1buas fortes e s\u00f3lidas, untadas de sebo de carneiro e boi para ficarem macias e escorregadias. Oitenta gal\u00e9s leves e patachos de cinquenta e trinta remos foram desembarcados no litoral do B\u00f3sforo, colocados um por um sobre roletes e arrastados pela for\u00e7a de homens e pol\u00e9s. Dois guias ou pilotos postavam-se ao leme e na proa de cada barco, as velas foram desferradas ao vento, e o trabalho, saudado por cantos e aclama\u00e7\u00f5es. No decorrer de uma \u00fanica noite, essa armada turca galgou penosamente a colina, seguiu pelo platino, e foi pelo declive nas \u00e1guas rasas da ba\u00eda, muito acima da persegui\u00e7\u00e3o das naves dos gregos, de maior calado.\n\nA verdadeira import\u00e2ncia dessa opera\u00e7\u00e3o aumentaram-na a consterna\u00e7\u00e3o e confian\u00e7a que inspirou; contudo, o fato not\u00f3rio, inquestion\u00e1vel, ficou \u00e0 vista e foi registrado pelas penas das suas na\u00e7\u00f5es.\n\nUm estratagema semelhante havia sido praticado repetidas vezes pelos antigos; as gal\u00e9s otomanas (\u00e9 importante repetir) deviam ser consideradas antes como botes grandes; e se compararmos a magnitude e a dist\u00e2ncia, os obst\u00e1culos e os meios, o gabado milagre talvez tenha sido igualado pela ind\u00fastria de nossa pr\u00f3pria \u00e9poca. T\u00e3o logo Maom\u00e9 ocupara a ba\u00eda superior com uma frota e um ex\u00e9rcito, construiu ele, na parte mais estreita, uma ponte, ou melhor, um molhe, de cinq\u00fcenta c\u00fabitos de largura e cem de comprimento; era formada de cascos e barris ligados por caibros, presos por ferros, e coberta com um soalho firme.\n\nNesse molhe flutuante assentou um dos seus maiores canh\u00f5es, do mesmo passo em que oitenta gal\u00e9s, com tropas e escadas de assalto, se aproximaram do lado mais acess\u00edvel, o qual havia sido outrora escalado pelos conquistadores latinos.\n\nA indol\u00eancia dos crist\u00e3os tem sido responsabilizada por n\u00e3o destruir essas obras inacabadas; seu fogo de artilharia, por\u00e9m foi dominado e silenciado por um poder superior; tampouco deixaram eles de, numa sortida noturna, tentar queimar os navios e a ponte do sult\u00e3o. A vigil\u00e2ncia deste evitou-lhes o avizinhamento; as suas galeotas de frente foram afundadas ou apresadas; por ordem do sult\u00e3o, chacinaram-se desumanamente quarenta jovens, os mais bravos da It\u00e1lia e da Gr\u00e9cia; o desgosto do sult\u00e3o tampouco poderia ter sido minorado pela justa, conquanto t\u00e3o cruel retalia\u00e7\u00e3o de expor, penduradas \u00e0s muralhas, as cabe\u00e7as de duzentos e cinquenta cativos mu\u00e7ulmanos.\n\nAp\u00f3s um cerco de quarenta dias, a sina de Constantinopla n\u00e3o p\u00f4de ser mais evitada. A diminuta guarni\u00e7\u00e3o estava exaurida por um duplo ataque; as fortifica\u00e7\u00f5es, que haviam aguentado por tanto tempo a viol\u00eancia hostil, foram desmanteladas de todos os lados pelo canh\u00e3o otomano; abriram-se muitas brechas, e perto da porta de S\u00e3o Romano quatro torres foram arrasadas.\n\nPara pagamento de suas debilitadas e amotinadas tropas, Constantino se viu obrigado a esbulhar as igrejas com a promessa de uma quadruplicada devolu\u00e7\u00e3o, e o seu sacril\u00e9gio propiciou um novo motivo de censura aos inimigos da uni\u00e3o. Um esp\u00edrito de disc\u00f3rdia debilitou o que restava do vigor crist\u00e3o; as tropas auxiliares genovesas e venezianas sustentaram a primazia dos seus respectivos servi\u00e7os; e Justiniano e o gr\u00e3o-duque, cuja ambi\u00e7\u00e3o n\u00e3o se extinguira ante o perigo comum, acusaram-se mutuamente de trai\u00e7\u00e3o e covardia.\n\nDurante o cerco de Constantinopla, as palavras &#8220;paz&#8221; e &#8220;capitula\u00e7\u00e3o&#8221; haviam sido por vezes pronunciadas, e v\u00e1rias embaixadas transitaram entre o acampamento e a cidade.\n\nO imperador grego fora humilhado pela adversidade e teria cedido a quaisquer termos compat\u00edveis com a religi\u00e3o e a realeza. O sult\u00e3o turco estava desejoso de poupar o sangue de seus soldados, e ainda mais de resguardar para seu pr\u00f3prio uso os tesouros bizantinos; e cumpriu um dever sagrado ao apresentar aos gabours a escolha entre circuncis\u00e3o, tributo ou morte.\n\nA avareza de Maom\u00e9 poderia ter sido satisfeita com uma soma anual de cem mil ducados, mas sua ambi\u00e7\u00e3o se apossou da capital do Oriente; ao pr\u00edncipe ofereceu um rico equivalente, ao povo uma livre toler\u00e2ncia ou uma partida segura; todavia, ap\u00f3s algumas negocia\u00e7\u00f5es infrut\u00edferas, ele anunciou sua decis\u00e3o de encontrar ou um trono ou um t\u00famulo sob as muralhas de Constantinopla.\n\nO senso de honra e o temor da censura universal impediram Pale\u00f3logo de entregar a cidade \u00e0s m\u00e3os dos otomanos, pelo que decidiu arrostar os \u00faltimos extremos da guerra.\n\nV\u00e1rios dias foram gastos pelo sult\u00e3o nos preparativos do assalto; deu-lhe uma pausa sua ci\u00eancia favorita, a astrologia, que fixava o 29 de maio como dia fatal do afortunado. Na tarde de 27, ele deu suas ordens finais, reuniu em sua presen\u00e7a os chefes militares e enviou seus arautos pelo acampamento para proclamarem o dever e os motivos da perigosa empresa. O temor \u00e9 o primeiro princ\u00edpio de um governo desp\u00f3tico; as amea\u00e7as do sult\u00e3o foram expressas no estilo oriental, advertindo os fugitivos e desertores de que, ainda que tivessem asas de p\u00e1ssaro, jamais conseguiriam escapar-lhe da justi\u00e7a.\n\nA maior parte de seus pax\u00e1s e jan\u00edzaros era constitu\u00edda de filhos de pais crist\u00e3os, mas as gl\u00f3rias do nome turco se perpetuaram por ado\u00e7\u00e3o consecutiva; na mudan\u00e7a gradual de indiv\u00edduos, o esp\u00edrito de uma legi\u00e3o, de um regimento ou uma horda se mant\u00e9m vivo pela disciplina. Nessa guerra santa, os mu\u00e7ulmanos eram exortados a purificar a mente com preces, o corpo com sete ablu\u00e7\u00f5es, se abster de alimento at\u00e9 o fim do dia seguinte. Uma turba de dervixes visitava as tendas com o fito de instilar o desejo de mart\u00edrio e a confian\u00e7a de desfrutar uma perene juventude entre os rios e jardins do para\u00edso, nos bra\u00e7os de virgens de olhos negros. No entanto, Maom\u00e9 confiava principalmente na efic\u00e1cia de recompensas vis\u00edveis e materiais. Duplo soldo era prometido \u00e0s tropas vitoriosas. &#8220;A cidade e os edif\u00edcios&#8221;, disse Maom\u00e9, s\u00e3o meus; mais renuncio, em favor de vossa bravura, os cativos e o esp\u00f3lio, os tesouros de ouro e de beleza; sede ricos e felizes. S\u00e3o muitas as prov\u00edncias do meu imp\u00e9rio; o primeiro soldado que galgar as muralhas de Constantinopla ser\u00e1 recompensado com o governo da mais bela e mais rica; e minha gratid\u00e3o o cumular\u00e1 de honras e riquezas acima da medida de suas pr\u00f3prias esperan\u00e7as. Esses diversos e poderosos incitamentos difundiram entre os turcos generalizado ardor, descuidoso da vida e \u00e1vido de a\u00e7\u00e3o; o acampamento ressoava aos gritos mu\u00e7ulmanos de &#8220;Deus \u00e9 Deus; s\u00f3 existe um Deus, e Maom\u00e9 \u00e9 seu ap\u00f3stolo&#8221;, e o mar e a terra, de G\u00e1lata at\u00e9 as sete torres, se iluminava com o clar\u00e3o de suas fogueiras noturnas.\n\nBem diversa era a situa\u00e7\u00e3o dos crist\u00e3os, os quais, com brados de impot\u00eancia, deploravam a culpa ou a puni\u00e7\u00e3o de seus pecados. A imagem celeste da Virgem fora exposta em posi\u00e7\u00e3o solene, mas a divina protetora deles estava surda \u00e0s s\u00faplicas. Eles exprobravam a obstina\u00e7\u00e3o do imperador em recusar uma rendi\u00e7\u00e3o a tempo, anteviam os horrores de sua sina, e suspiravam pela tranquilidade e seguran\u00e7a da servid\u00e3o turca. Os gregos mais nobres e os aliados mais bravos foram chamados ao pal\u00e1cio para se prepararem, na tarde do vig\u00e9simo oitavo dia, para os encargos e perigos do assalto geral. A derradeira fala de Pale\u00f3logo se constitui na ora\u00e7\u00e3o f\u00fanebre do imp\u00e9rio romano; prometeu, exortou e tentou em v\u00e3o infundir a esperan\u00e7a que j\u00e1 se lhe extinguira no esp\u00edrito.\n\nNeste mundo, era tudo desconsolo e desalento, e nem o Evangelho nem a Igreja propunham qualquer recompensa de vulto aos her\u00f3is tombados no servi\u00e7o de sua p\u00e1tria.\n\nMas o exemplo do soberano e o confinamento de um cerco tinham armado aqueles guerreiros da coragem do desespero; a cena pat\u00e9tica \u00e9 descrita com emo\u00e7\u00e3o pelo historiador Franza, que estava presente \u00e0 lutuosa assembl\u00e9ia. Eles choraram, abra\u00e7aram-se sem pensar nas suas fam\u00edlias ou nas suas fortunas, dispuseram-se a oferecer a pr\u00f3pria vida; e cada comandante, rumando para o seu setor, passou a noite toda em ansiosa vig\u00edlia na muralha. O imperador, acompanhado de alguns leais companheiros, entrou na Catedral de Santa Sofia, que em poucas horas se iria converter numa mesquita, e recebeu devotamente, entre l\u00e1grimas e preces, os sacramentos da comunh\u00e3o. Repousou por alguns momentos no pal\u00e1cio, onde ecoavam os gritos e as lamenta\u00e7\u00f5es; rogou o perd\u00e3o a todos quantos pudesse ter ofendido; e partiu a cavalo para visitar os guardas e acompanhar a movimenta\u00e7\u00e3o do inimigo.\n\nA afli\u00e7\u00e3o e a queda do \u00faltimo Constantino se revestem de mais gl\u00f3ria do que a longa prosperidade dos C\u00e9sares bizantinos.\n\nNa confus\u00e3o das trevas, um assaltante pode \u00e0s vezes ter \u00eaxito; mas naquele grande ataque geral, o discernimento militar e a informa\u00e7\u00e3o astrol\u00f3gica de Maom\u00e9 o aconselharam a esperar o amanhecer do memor\u00e1vel dia 29 de maio, no mil\u00e9simo quadricent\u00e9simo quinquag\u00e9simo terceiro ano da era crist\u00e3. A noite anterior havia sido de afanosa atividade; as tropas, o canh\u00e3o e as faxinas avan\u00e7aram at\u00e9 a beira do fosso, que em muitas partes oferecia livre e lisa passagem at\u00e9 a brecha; oitenta gal\u00e9s quase tocavam, com suas proas e suas escadas de assalto, os muros menos defens\u00edveis da ba\u00eda. Sob pena de morte, exigiu-se sil\u00eancio, mas as leis f\u00edsicas do movimento e do som n\u00e3o obedecem nem \u00e0 disciplina nem ao temor; cada indiv\u00edduo pode abafar sua voz e medir seus passos, mas a marcha e a atividade de milhares deve inevitavelmente produzir uma estranha confus\u00e3o de clamores dissonantes, que chegavam aos ouvidos dos vigias nas torres.\n\nAo romper do dia, sem o costumeiro sinal do canh\u00e3o matinal, os turcos assaltaram a cidade por mar e por terra; o s\u00edmile de um fio torcido ou retorcido tem sido usado para figurar a compacidade e continuidade de sua linha de ataque.\n\n<strong>As fileiras de vanguarda consistiam refugo de ex\u00e9rcito, uma turba de volunt\u00e1rios que combatiam sem ordem nem comando:<\/strong>\u00a0velhos ou crian\u00e7as sem for\u00e7a, camp\u00f4nios e vagabundos, e todos quantos se haviam incorporado ao acampamento na cega esperan\u00e7a da pilhagem e do mart\u00edrio. O impulso comum os impeliu at\u00e9 a muralha; os mais audaciosos no escal\u00e1-la foram imediatamente derrubados; os crist\u00e3os n\u00e3o gastaram em v\u00e3o nenhum dardo, nenhuma bala na turba amontoada. Mas o vigor e muni\u00e7\u00e3o deles se exauriram nessa laboriosa defesa; o fosso encheu-se de cad\u00e1veres que serviram de degrau aos companheiros; dessa devotada vanguarda, a morte se demonstrou mais prest\u00e1vel que a vida. Sob o comando de seus respectivos pax\u00e1s e sanjacos, as tropas da Anat\u00f3lia e da Rom\u00e2nia foram sucessivamente \u00e0 carga; seu avan\u00e7o foi variado e duvidoso, mas ap\u00f3s um conflito de duas horas os gregos ainda mantinham e aumentavam sua vantagem; ouviu-se a voz do imperador encorajando os soldados a buscarem, num \u00faltimo esfor\u00e7o, a liberta\u00e7\u00e3o de seu pa\u00eds.\n\nNesse momento fatal, os jan\u00edzaros surgiram, frescos vigorosos e invenc\u00edveis. O pr\u00f3prio sult\u00e3o, a cavalo, com uma ma\u00e7a de ferro na m\u00e3o, era o espectador e juiz da bravura deles; estava cercado por dez mil soldados de suas tropas nacionais, que reservara para a hora decisiva; sua voz e seus olhos orientavam e impeliam a vaga da batalha.\n\nSeus numerosos ministros de justi\u00e7a postavam-se atr\u00e1s das linhas para incitar, conter e punir; se o perigo estava na frente de batalha, a vergonha e a morte inevit\u00e1vel aguardavam, na retaguarda, os fugitivos.\n\nOs brados de medo e de dor eram afogados pela m\u00fasica marcial dos tambores, trombetas e timbales; a experi\u00eancia demonstrara que a a\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica dos sons, com acelerar a circula\u00e7\u00e3o do sangue e dos esp\u00edritos, age sobre a m\u00e1quina humana mais vigorosamente do que a eloqu\u00eancia da raz\u00e3o e da honra. Das linhas, das galeras e da ponte, a artilharia otomana estrondava por toda parte; e o acampamento e a cidade, e os gregos e turcos, se envolviam numa nuvem de fuma\u00e7a que s\u00f3 poderia ser dispersada pela liberta\u00e7\u00e3o ou destrui\u00e7\u00e3o final do imp\u00e9rio romano.\n\nOs combates singulares dos her\u00f3is da Antiguidade ou da f\u00e1bula entret\u00eam nossa fantasia e aliciam nossos sentimentos; as h\u00e1beis manobras de guerra podem esclarecer a mente e aperfei\u00e7oar uma ci\u00eancia necess\u00e1ria, conquanto perniciosa. Mas os quadros invari\u00e1veis e odiosos de um assalto geral s\u00e3o s\u00f3 sangue e horror e confus\u00e3o; n\u00e3o diligenciarei, a uma dist\u00e2ncia de tr\u00eas s\u00e9culos e de um milhar de quil\u00f4metros, delinear uma cena para a qual n\u00e3o pode haver espectadores e da qual os pr\u00f3prios atores eram incapazes de formar qualquer ideia justa ou adequada.\n\nA perda imediata da Constantinopla pode ser atribu\u00edda \u00e0 bala ou seta que perfurou a manopla de Jo\u00e3o Justiniano.\n\nA vis\u00e3o do pr\u00f3prio sangue e a dor intensa abateram a coragem do chefe cujas armas e conselhos eram a mais firme muralha da cidade. Quando ele se retirou do seu posto em busca de um cirurgi\u00e3o, sua fuga foi percebida e interrompida pelo infatig\u00e1vel imperador. &#8220;Teu ferimento&#8221;, exclama Pale\u00f3logo, \u00e9 leve, o perigo premente e tua presen\u00e7a necess\u00e1ria, para onde queres retirar-te Pela mesma estrada, respondeu o tr\u00eamulo genov\u00eas, que Deus abriu aos turcos; e com tais palavras apressou-se em transpor uma das brechas da muralha interna. Por semelhante ato de pusilanimidade, inquinou-se ele a reputa\u00e7\u00e3o de uma vida militar; os poucos dias que conseguiu sobreviver em G\u00e1lata, ou na ilha de Quios, foram amargurados pelas suas pr\u00f3prias censuras e pelas censuras p\u00fablicas.\n\nA maior parte das tropas auxiliares lhe imitou o exemplo, e a defesa come\u00e7ou a afrouxar quando o ataque redobrou de vigor. O n\u00famero de otomanos era cinq\u00fcenta, qui\u00e7\u00e1 cem vezes superior ao de crist\u00e3os; as duplas muralhas foram reduzidas pelo canh\u00e3o a um monte de escombros; num circuito de v\u00e1rias milhas, alguns lugares devem por for\u00e7a apresentar-se menos bem guardados ou de mais f\u00e1cil acesso; e se os sitiantes pudessem penetrar por um s\u00f3 ponto, a cidade toda estaria irremediavelmente perdida.\n\nO primeiro a merecer a recompensa do sult\u00e3o foi Hassan, o Jan\u00edzaro, de estatura e for\u00e7a gigantesca. Com a cimitarra numa das m\u00e3os e o escudo na outra, ele galgou a fortifica\u00e7\u00e3o externa; dos trinta jan\u00edzaros que lhes emularam a bravura, dezoito pereceram na audaciosa aventura. Hassan e seus doze companheiros tinham alcan\u00e7ado o topo; o gigante foi precipitado muralha abaixo; ergue-se sobre um joelho e foi novamente atacado com uma rajada de dardos e pedras.\n\nMas seu \u00eaxito provou que a fa\u00e7anha era poss\u00edvel; as muralhas e torres se cobriam imediatamente de um enxame de turcos; e os gregos, expulsos ent\u00e3o da posi\u00e7\u00e3o vantajosa, foram sobrepujados por turbas cada vez maiores. Entre elas, o imperador, que cumpria todos os deveres de um general e de um soldado, p\u00f4de ser visto por longo tempo, at\u00e9 que finalmente sumiu.\n\nOs nobres que pelejavam \u00e0 sua volta defenderam at\u00e9 o \u00faltimo alento os nomes honrosos de Pale\u00f3logo e Cantacuzeno; fez-se ouvir a dolorida exclama\u00e7\u00e3o de Constantino, N\u00e3o haver\u00e1 um crist\u00e3o que me corte a cabe\u00e7a, e seu \u00faltimo receio foi o de cair vivo nas m\u00e3os dos infi\u00e9is. O discreto desespero do imperador repeliu a p\u00farpura; em meio ao tumulto, ele caiu vitimado por m\u00e3o desconhecida, e seu corpo ficou sepultado sob uma montanha de outros cad\u00e1veres.\n\n<strong>Ap\u00f3s sua morte, a resist\u00eancia e a ordem deixaram de existir:<\/strong>\u00a0os gregos fugiram de volta \u00e0 cidade, e muitos ficaram comprimidos e sufocaram na estreita passagem da Porta de S\u00e3o Romano.\n\nOs turcos vitoriosos irromperam pelas brechas da muralha interna, e \u00e0 medida que iam avan\u00e7ando pelas ruas vinham engrossar-lhes as fileiras compatriotas seus que haviam for\u00e7ado a Porta do Fanar, do lado da ba\u00eda.\n\nNo ardor da persegui\u00e7\u00e3o de dois mil crist\u00e3os foram passados pela espada; mas a avareza n\u00e3o tardou a prevalecer sobre a crueldade, e os vencedores reconheceram que teriam imediatamente dado quartel se a bravura do imperador e de seus grupos de elite n\u00e3o os houvesse preparado para uma oposi\u00e7\u00e3o semelhante nas v\u00e1rias partes da capital.\n\nFoi assim que, ao cabo de um cerco de cinquenta e tr\u00eas dias, Constantinopla, que desafiara o poderio de Cosro\u00e9s, do Chagan e dos califas, foi irreparavelmente dominada pelas armas de Maom\u00e9 II.\n\nSeu imp\u00e9rio s\u00f3 havia sido subvertido pelos latinos; sua religi\u00e3o foi calcada aos p\u00e9s pelos conquistadores mu\u00e7ulmanos.\n\nAs novas de infort\u00fanio viajam com asas r\u00e1pidas; tamanha era, no entanto, a extens\u00e3o de Constantinopla que os bairros mais distantes puderam prolongar por mais alguns momentos a feliz ignor\u00e2ncia de sua ru\u00edna.\n\nMas na generalizada consterna\u00e7\u00e3o, nos sentimentos de ansiedade ego\u00edsta ou greg\u00e1ria, no tumulto e estrondo do assalto, uma noite e manh\u00e3 insones devem ter decorrido; n\u00e3o posso cr\u00ea, tampouco, que muitas damas gregas houvessem sido despertadas pelos jan\u00edzaros de um sono profundo e tranq\u00fcilo. A certeza da calamidade p\u00fablica fez com que as casas e os conventos imediatamente se esvaziassem; os tr\u00eamulos habitantes se apinharam nas ruas, feito um bando de animais assustadi\u00e7os, como se a fraqueza acumulada pudesse gerar for\u00e7a, ou na v\u00e3 esperan\u00e7a de que, no meio da multid\u00e3o, cada indiv\u00edduo pudesse tornar-se seguro e invis\u00edvel.\n\nVindos de todas as partes da capital, eles aflu\u00edram para a Catedral de Santa Sofia; no espa\u00e7o de uma hora, o santu\u00e1rio, o coro, a nave, as galerias superior e inferior se encheram de multid\u00f5es de pais e maridos, de mulheres e crian\u00e7as, de padres, monges e virgens religiosas; as portas foram trancadas por dentro e todos buscaram a prote\u00e7\u00e3o do domo sagrado que t\u00e3o recentemente haviam execrado como um edif\u00edcio profano e polu\u00eddo.\n\nA confian\u00e7a deles se alicer\u00e7ava na profecia de um entusiasta ou impostor de que os turcos entrariam em Constantinopla e perseguiriam os romanos at\u00e9 a coluna de Constantino, na pra\u00e7a fronteira a Santa Sofia; esse seria, por\u00e9m, o termo de suas calamidades, pois um anjo desceria do c\u00e9u com uma espada na m\u00e3o e entregaria o imp\u00e9rio, com essa arma celeste, a um pobre homem sentado ao p\u00e9 da coluna. Toma essa espada, diria, e vinga o povo do Senhor A essas palavras animadoras, os turcos fugiriam instantaneamente e os romanos vitoriosos os expulsariam do Ocidente e de toda a Anat\u00f3lia, at\u00e9 as fronteiras da P\u00e9rsia.\n\n\u00c9 nessa ocasi\u00e3o que Ducas, com alguma dose de imagina\u00e7\u00e3o e muita de verdade, censura a disc\u00f3rdia e obstina\u00e7\u00e3o dos gregos. Tivesse tal anjo aparecido, exclama o historiador, tivesse ele se oferecido para exterminar vossos inimigos se consent\u00edsseis na unifica\u00e7\u00e3o da Igreja, mesmo ent\u00e3o, nesse momento fatal, haver\u00edeis de rejeitar vossa seguran\u00e7a ou enganar vosso Deus.\n\nEnquanto aguardavam a descida desse anjo moroso, as portas foram arrebentadas a machado, e como os turcos n\u00e3o encontraram resist\u00eancia, suas m\u00e3os sem sangue se ocuparam em selecionar e atar a multid\u00e3o de seus prisioneiros. Juventude, beleza e apar\u00eancia de riqueza lhes guiavam a escolha, e o direito de prosperidade se decidia entre eles pela primazia de apresamento, pela for\u00e7a pessoal e pela autoridade de comando. No espa\u00e7o de uma hora, os cativos homens foram atados com cordas, as mulheres com v\u00e9us e cintos. Encadearam-se os senadores a seus escravos, os paralelos aos porteiros da igreja, e os jovens de classe pleb\u00e9ia a nobres donzelas cujo rosto era at\u00e9 ent\u00e3o invis\u00edvel ao sol e aos seus parentes mais pr\u00f3ximos. No cativeiro comum, confundiam-se as classes sociais, os v\u00ednculos da natureza foram rompidos, a ao soldado inexoravelmente pouco importavam os gemidos do pai, as l\u00e1grimas da m\u00e3e e os lamentos dos filhos. Os gemidos mais altos vinham das freiras, que foram arrancadas do altar com peitos \u00e0 mostra, m\u00e3os estendidas e cabelos desgrenhados; cumpre-nos piedosamente acreditar que poucas delas estariam tentadas a preferir as vig\u00edlias do har\u00e9m \u00e0s do mosteiro.\n\nLongas fieiras desses gregos infortunados, desses animais dom\u00e9sticos, foram rudemente arrastadas pelas ruas; como os conquistadores ansiavam por voltar em busca de mais presas, os passos incertos dos cativos eram apressados com amea\u00e7as e golpes.\n\nNa mesma hora, rapina semelhante ocorria em todas as igrejas e mosteiros, em todos os pal\u00e1cios e habita\u00e7\u00f5es da capital; n\u00e3o havia lugar, por mais sagrado ou apartado que fosse, capaz de proteger as pessoas ou as propriedades dos gregos. Mais de sessenta mil cidad\u00e3os desse povo dedicado foram levados da cidade para o campo e para a marinha, trocados ou vendidos conforme o capricho ou interesse de seus donos, e distribu\u00eddos, em remota servid\u00e3o, pelas prov\u00edncias do imp\u00e9rio otomano. Entre eles, podemos assinalar algumas personalidades not\u00e1veis.\n\nO historiador Franza, primeiro camarista da corte e seu principal secret\u00e1rio, viu-se envolvido, com sua fam\u00edlia, nisso tudo. Ap\u00f3s padecer durante quatro meses as prova\u00e7\u00f5es da escravid\u00e3o, recuperou a liberdade; no inverno seguinte, arriscou-se a ir at\u00e9 Adrian\u00f3polis para resgatar sua mulher ao mir bashi ou dono da casa; seus dois filhos, por\u00e9m, na flor da juventude e da beleza, tinham sido apresados para o uso do pr\u00f3prio Maom\u00e9. A filha de Franza morreu no serralho, talvez virgem; seu filho aos quinze anos de idade, preferiu a morte \u00e0 inf\u00e2mia e foi apunhalado pela m\u00e3o de seu real amante.\n\nAto assim desumano n\u00e3o poder\u00e1 certamente ser expiado pelo discernimento e liberalidade com que ele libertou uma matrona grega e suas duas filhas ao receber uma ode latina de Filedelfo, que escolhera esposa naquela nobre fam\u00edlia. O orgulho ou crueldade de Maom\u00e9 teria sido sumamente obsequiado com a captura de um an\u00fancio romano, mas a destreza do cardeal Isidoro evitou a busca, e o n\u00fancio fugiu de G\u00e1lata em trajes de plebeu.\n\nA ponte p\u00eansil e a entrada da ba\u00eda externa ainda estavam ocupadas por navios italianos, mercantes e de guerra. Haviam-se destacado, durante o cerco, por sua bravura; aproveitaram para a retirada a ocasi\u00e3o em que marinheiros turcos estavam entregues \u00e0 pilhagem da cidade. Quando i\u00e7avam vela, a praia se cobria de uma multid\u00e3o suplicante e deplor\u00e1vel; todavia, os meios de transporte eram escassos; os venezianos e genoveses escolheram seus compatriota, e n\u00e3o obstante as tranq\u00fcilizadoras promessas do sult\u00e3o, os habitantes de G\u00e1lata evacuaram suas casas e embarcaram com seus pertences de maior valor.\n\nNa queda e saque de grandes cidades, o historiador est\u00e1 condenado a repetir o relato de invari\u00e1vel calamidade; os mesmos efeitos t\u00eam de ser produzidos pelas mesmas paix\u00f5es; e quando tais paix\u00f5es podem ser alimentadas sem freio, pequena, ai de n\u00f3s! \u00c9 a diferen\u00e7a entre o homem civilizado e o selvagem. Inquinados, por vagas exclama\u00e7\u00f5es, de fanatismo e rancor, os turcos n\u00e3o s\u00e3o acusados de um brutal e imoderado derramamento de sangue crist\u00e3o; entretanto, de acordo com suas m\u00e1ximas (as m\u00e1ximas da Antiguidade), a vida dos vencidos foi confiscada, e a recompensa leg\u00edtima do conquistador adveio do servi\u00e7o, venda ou resgate de seus cativos de ambos os sexos. A riqueza de Constantinopla fora concedida pelo sult\u00e3o \u00e0s suas tropas vitoriosas, e a rapina de uma hora rende mais do que a labuta de anos. Mas como n\u00e3o se intentou uma divis\u00e3o regular do esp\u00f3lio, os respectivos quinh\u00f5es n\u00e3o foram determinados pelo m\u00e9rito; e as recompensas do valor surrupiaram-nas os sequazes do acampamento, que declinaram a lida e o perigo da batalha. A narrativa de suas depreda\u00e7\u00f5es n\u00e3o iria propiciar nem entretenimento nem instru\u00e7\u00e3o; a soma total, dada a pobreza final do imp\u00e9rio foi avaliada em quatro milh\u00f5es de educados; e dessa soma uma pequena parte era propriedade dos venezianos, dos genoveses e dos mercadores de Ancona.\n\nO cabedal desses estrangeiros aumentara por via da c\u00e9lebre e constante circula\u00e7\u00e3o, mas as riquezas dos gregos se ostentavam na ociosa dissipa\u00e7\u00e3o de pal\u00e1cios e guarda-roupas ou estavam escondidas em tesouros de lingotes e moedas antigas, de modo que lhes fossem tiradas das m\u00e3os para defesa do pa\u00eds.\n\nA profana\u00e7\u00e3o e a pilhagem dos mosteiros e igrejas suscitaram as queixas mais tr\u00e1gicas. O domo da pr\u00f3pria Santa Sofia, o c\u00e9u terreno, o segundo firmamento, o ve\u00edculo do querubim, o trono da gl\u00f3ria de Deus, foi esbulhado das obla\u00e7\u00f5es de s\u00e9culos; e o ouro e a prata, as p\u00e9rolas e j\u00f3ias, os vasos e ornamentos sacerdotais foram perversamente postos a servi\u00e7o do homem.\n\nDepois de as imagens divinas terem sido despojadas de tudo quanto pudesse ser valioso a um olho profano, a tela ou a madeira foi rasgada, ou quebrada, ou queimada, ou espezinhada, ou utilizada nos est\u00e1bulos e nas cozinhas pra os fins mais vis. O exemplo de sacril\u00e9gio fora imitado, contudo, dos conquistadores latinos de Constantinopla, e o tratamento que o Cristo, a Virgem e os santos tiveram de suportar do cat\u00f3lico culposo bem podia ter sido infligido pelo mu\u00e7ulmano fan\u00e1tico aos monumentos da idolatria.\n\nTalvez, em vez de juntar-se ao clamor p\u00fabico, um fil\u00f3sofo observe que, no decl\u00ednio das artes, a artesiana n\u00e3o pode ser mais valiosa do que a pr\u00f3pria obra, e que um novo suprimento de vis\u00f5es e de milagres seria prontamente fornecido pela per\u00edcia dos monges e pela credulidade do povo. Deploraria ele com mais raz\u00e3o, portanto, a perda das bibliotecas bizantinas, que foram destru\u00eddas ou se dispensaram na confus\u00e3o geral; consta que cento e vinte mil manuscritos desapareceram ent\u00e3o; dez volumes podiam ser comprados por um \u00fanico ducado, e o mesmo pre\u00e7o ignominioso, talvez excessivo demais para uma estante de teologia, inclu\u00eda as obras completas de Arist\u00f3teles e de Homero, as mais nobres produ\u00e7\u00f5es da ci\u00eancia e da literatura da antiga Gr\u00e9cia.\n\n\u00c9 com prazer que meditamos na circunst\u00e2ncia de ter sido uma inestim\u00e1vel por\u00e7\u00e3o de nossos tesouros cl\u00e1ssicos guardada em seguran\u00e7a na It\u00e1lia, e de os art\u00edfices de uma cidade alem\u00e3 terem inventado uma arte que zomba das devasta\u00e7\u00f5es do tempo e da barb\u00e1rie.\n\nDesde a primeira hora do memor\u00e1vel 29 de maio, a desordem e a rapina reinaram em Constantinopla at\u00e9 as oito horas do mesmo dia, quando o pr\u00f3prio sult\u00e3o atravessou em triunfo a Porta de S\u00e3o Romano.\n\nFazia-se acompanhar de seus vizires, pax\u00e1s e guardas, cada um dos quais (diz um historiador bizantino) era robusto como H\u00e9rcules, destro como Apolo, e igualava em batalha dez mortais comuns, quaisquer que fossem.\n\nO conquistador observou com satisfa\u00e7\u00e3o e espanto a estranha, conquanto espl\u00eandida, vista de domos e pal\u00e1cios de estilo t\u00e3o diferente da arquitetura oriental. No Hip\u00f3dromo, ou atmeidan, seu olhar foi tra\u00eddo pela coluna retorcida de tr\u00eas serpentes; e para p\u00f4r \u00e0 prova sua for\u00e7a, ele arrebentou com a ma\u00e7a de ferro ou a acha de guerra a mand\u00edbula inferior de um desses monstros que, aos olhos dos turcos, eram os \u00eddolos ou talism\u00e3s da cidade. Na porta principal de Santa Sofia, o sult\u00e3o apeou o cavalo e adentrou o domo; era tal a sua ciumenta preocupa\u00e7\u00e3o com esse monumento de sua gl\u00f3ria que, ao observar um mu\u00e7ulmano fan\u00e1tico a pique quebrar o pavimento de m\u00e1rmore, advertiu-o com sua cimitarra que o esp\u00f3lio e os cativos tinham sido concedidos aos soldados, mas que os edif\u00edcios p\u00fablicos e privados estavam reservados para o pr\u00edncipe.\n\nPor sua ordem, a metr\u00f3pole da igreja oriental se transformou numa mesquita; os ricos instrumentos port\u00e1teis da supersti\u00e7\u00e3o foram removidos dali; derrubou-se a cruz, e as paredes cobertas de imagens e mosaicos, depois de limpas e purificadas, voltaram ao estado de nua simplicidade. No mesmo dia, ou na sexta-feira seguinte, o muezim ou arauto subiu \u00e0 torre mais elevada e fez o ezan, ou chamamento p\u00fablico, em nome do seu profeta; o iman pregou; e Maom\u00e9 II entoou o namaz de prece e a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as no grande altar onde os mist\u00e9rios crist\u00e3os t\u00e3o pouco tempo antes tinham sido celebrados perante o \u00faltimo dos C\u00e9sares.\n\nDe Santa Sofia ele se dirigiu at\u00e9 a augusta e desolada mans\u00e3o de uma centena de sucessores do grande Constantino, que em poucas horas fora despida da pompa da realeza.\n\n<strong>Uma reflex\u00e3o melanc\u00f3lica acerca das vicissitudes da grandeza humana se insinuou em sua mente, e ele repetiu um elegante d\u00edstico da poesia persa:<\/strong>\u00a0A aranha teceu a sua teia no pal\u00e1cio imperial, e o mocho cantou sua can\u00e7\u00e3o de vigia nas torres de Afrasiab.\n\n<strong>Fonte:<\/strong>\u00a0www.thenagain.info\/www.history.com\/hum54-15.omeka.fas.harvard.edu\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Queda de Constantinopla, Imp\u00e9rio, Bizantino, Ataque, Cidade, Cerco, Ex\u00e9rcito, Constantino, Ataque, Motivo, Hist\u00f3ria, Queda de Constantinopla<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":11414,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[57],"tags":[],"class_list":["post-20989","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia-geral"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - 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