{"id":20955,"date":"2015-12-28T00:00:00","date_gmt":"2015-12-28T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/civilizacao-mesopotamica-3\/"},"modified":"2026-09-01T15:35:15","modified_gmt":"2026-09-01T15:35:15","slug":"civilizacao-mesopotamica-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-geral\/civilizacao-mesopotamica-3\/","title":{"rendered":"Civiliza\u00e7\u00e3o Mesopot\u00e2mica"},"content":{"rendered":"\nA\u00a0<strong>Mesopot\u00e2mia<\/strong>\u00a0(do grego, que significa \u201centre dois rios\u201d) era uma antiga regi\u00e3o no leste do Mediterr\u00e2neo, delimitada a nordeste pelos montes Zagros e no sudeste da Ar\u00e1bia Plateau, correspondente ao Iraque de hoje, principalmente, mas tamb\u00e9m partes de Ir\u00e3, S\u00edria e Turquia.\n\nOs \u201cdois rios\u201d s\u00e3o nomes a que se refere o Tigre e o Eufrates e a terra era conhecido como \u201cAl-Jazira\u201d (a ilha) pelos \u00e1rabes, onde mesopot\u00e2mica\u00a0<strong>Civiliza\u00e7\u00e3o Mesopot\u00e2mica\u00a0<\/strong>come\u00e7ou.\n\n<strong>Civiliza\u00e7\u00e3o Mesopot\u00e2mica &#8211; O Ber\u00e7o da Civiliza\u00e7\u00e3o<\/strong>\n<p class=\"imagem\" style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" title=\"Civiliza\u00e7\u00e3o Mesopot\u00e2mica\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ccivili116.jpg\" alt=\"Civiliza\u00e7\u00e3o Mesopot\u00e2mica\" \/><strong>Civiliza\u00e7\u00e3o Mesopot\u00e2mica<\/strong><\/p>\nAo contr\u00e1rio das civiliza\u00e7\u00f5es mais unificada do Egito ou Gr\u00e9cia,\u00a0<strong>Mesopot\u00e2mia<\/strong>\u00a0foi uma cole\u00e7\u00e3o de culturas variadas, cujos la\u00e7os reais s\u00f3 eram seu roteiro, seus deuses, e sua atitude em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres.\n\nOs costumes sociais, leis e at\u00e9 mesmo a linguagem de Akkad, por exemplo, n\u00e3o pode ser assumido como correspondem \u00e0s de Babil\u00f4nia; ele n\u00e3o parece, no entanto, que os direitos das mulheres, a import\u00e2ncia da alfabetiza\u00e7\u00e3o e do pante\u00e3o dos deuses foram efetivamente partilhados por toda a regi\u00e3o (embora os deuses tinham nomes diferentes em v\u00e1rias regi\u00f5es e per\u00edodos).\n\nComo resultado disto, a\u00a0<strong>Mesopot\u00e2mia<\/strong>\u00a0deve ser mais bem entendida como uma regi\u00e3o que produziu v\u00e1rios imp\u00e9rios e civiliza\u00e7\u00f5es, em vez de uma \u00fanica civiliza\u00e7\u00e3o.\n\n<strong>Mesmo assim, a Mesopot\u00e2mia \u00e9 conhecida como o \u201cber\u00e7o da civiliza\u00e7\u00e3o\u201d, principalmente por causa de dois acontecimentos que ocorreram l\u00e1, na regi\u00e3o da Sum\u00e9ria, no quarto mil\u00eanio aC<\/strong>:\n<blockquote>O surgimento da cidade como n\u00f3s reconhecemos que entidade hoje,\nE a inven\u00e7\u00e3o da escrita (embora a escrita tamb\u00e9m \u00e9 conhecido por ter se desenvolvido no Egito, no vale do Indo, na China, e ter tomado forma independente na Mesoam\u00e9rica).<\/blockquote>\nA inven\u00e7\u00e3o da roda tamb\u00e9m \u00e9 creditado para os mesopot\u00e2mios e, em 1922 dC, o arque\u00f3logo Sir Leonard Woolley descobriu \u201cos restos de duas carro\u00e7as de quatro rodas, (no local da antiga cidade de Ur) mais antigos ve\u00edculos de rodas da hist\u00f3ria j\u00e1 encontrado, juntamente com seus pneus de couro \u201c(Bertman, 35).\n\nOutros desenvolvimentos importantes ou inven\u00e7\u00f5es creditados os mesopot\u00e2mios incluem, mas n\u00e3o s\u00e3o de forma limitada a domestica\u00e7\u00e3o de animais, agricultura, ferramentas comuns, armamento sofisticado e guerra, a carruagem, vinho, cerveja, demarca\u00e7\u00e3o de tempo em horas, minutos e segundos, ritos religiosos, as velas (veleiros) e de irriga\u00e7\u00e3o.\n\nEscava\u00e7\u00f5es arqueol\u00f3gicas come\u00e7am na d\u00e9cada de 1840 e revelaram assentamentos humanos que datam de 10.000 aC na\u00a0<strong>Mesopot\u00e2mia<\/strong>, que indicam que as condi\u00e7\u00f5es f\u00e9rteis da terra entre dois rios permitiu pessoas se estabelecer na terra, domesticar animais, e voltar sua aten\u00e7\u00e3o para agricultura.\n\nEm seguida, e com a prosperidade veio a urbaniza\u00e7\u00e3o e o nascimento da cidade. Pensa-se que a escrita foi inventada devido ao com\u00e9rcio, a partir da necessidade de comunica\u00e7\u00e3o de longa dist\u00e2ncia, e para manter o controle mais cuidadoso das contas.\n\n<strong>Civiliza\u00e7\u00e3o Mesopot\u00e2mica &#8211; Aprendizagem e Religi\u00e3o<\/strong>\n\nA\u00a0<strong>Mesopot\u00e2mia<\/strong>\u00a0era conhecida na antiguidade como um lugar de aprendizagem, e acredita-se que Tales de Mileto (conhecido como o \u201cprimeiro fil\u00f3sofo\u201d) estudaram l\u00e1.\n\nComo os babil\u00f4nios acreditavam que a \u00e1gua era o \u201cprimeiro princ\u00edpio\u201d de que tudo fluiu, e como Thales \u00e9 famoso por essa mesma reivindica\u00e7\u00e3o, parece prov\u00e1vel que ele estudou na regi\u00e3o.\n\nAtividades intelectuais eram altamente valorizados em toda a regi\u00e3o, e as escolas (dedicadas principalmente \u00e0 classe sacerdotal) foi dito ser t\u00e3o numerosos como templos e ensinou a ler, escrever, religi\u00e3o, direito, medicina e astrologia.\n\nForam mais de 1.000 divindades do pante\u00e3o dos deuses das culturas mesopot\u00e2micas e muitas hist\u00f3rias sobre os deuses (entre eles, o mito da cria\u00e7\u00e3o, Enuma Elish a), e \u00e9 geralmente aceite que os contos b\u00edblicos, tais como a Queda do Homem e a Dil\u00favio de No\u00e9 (entre muitos outros) teve origem na tradi\u00e7\u00e3o mesopot\u00e2mica.\n\nComo eles aparecem pela primeira vez nas obras da Mesopot\u00e2mia, como o mito de Adapa e o \u00c9pico de Gilgamesh, a mais antiga hist\u00f3ria escrita no mundo.\n\nOs mesopot\u00e2mios acreditavam que eles eram colegas de trabalho com os deuses e que a terra foi infundido com os esp\u00edritos e dem\u00f4nios (embora `dem\u00f4nios\u201d n\u00e3o deve ser entendida no moderno, crist\u00e3o, sentido).\n\nO come\u00e7o do mundo, acreditavam eles, foi uma vit\u00f3ria dos deuses sobre as for\u00e7as do caos, mas, mesmo que os deuses tinham ganhado, isso n\u00e3o significa que o caos n\u00e3o poderia voltar.\n\nAtrav\u00e9s de rituais di\u00e1rios, aten\u00e7\u00e3o para as divindades, pr\u00e1ticas f\u00fanebres adequadas e dever c\u00edvico simples, o povo da Mesopot\u00e2mia sentiram que ajudou a manter o equil\u00edbrio do mundo e manteve as for\u00e7as do caos e destrui\u00e7\u00e3o na ba\u00eda. Junto com as expectativas de que seria honrar os mais velhos e tratar as pessoas com respeito, os cidad\u00e3os da terra tamb\u00e9m foram para honrar os deuses atrav\u00e9s dos trabalhos que realizavam todos os dias.\n\n<strong>Hist\u00f3ria da Mesopot\u00e2mia<\/strong>\n\nA\u00a0<strong>Mesopot\u00e2mia<\/strong>\u00a0\u00e9 um dos ber\u00e7os da civiliza\u00e7\u00e3o humana.\n\nA hist\u00f3ria come\u00e7a, por defini\u00e7\u00e3o, com a inven\u00e7\u00e3o da escrita (a cerca de 3200 Antes da Nossa Era), mais precisamente ao Sul da\u00a0<strong>Mesopot\u00e2mia<\/strong>.\n\nEntretanto, os primeiros documentos escritos s\u00e3o raros, de dif\u00edcil leitura, econ\u00f4micos ou cont\u00e1beis por natureza, portanto revelando pouco sobre o contexto pol\u00edtico e social que os originaram.\n\nA maioria dos primeiros registros ainda s\u00e3o indecifr\u00e1veis. O per\u00edodo hist\u00f3rico mais antigo \u00e9 chamado de PROTO-HIST\u00d3RIA.\n\nPara efeitos deste ensaio, situaremos os tempos de antes do come\u00e7o da Hist\u00f3ria na Mesopot\u00e2mia no Quarto mil\u00eanio.\n\nAlguns estudiosos enfatizam o componente liter\u00e1rio destas sociedades e falam a respeito de sociedades protoliteratas, classifica\u00e7\u00e3o esta dividida em quatro est\u00e1gios, respectivamente A,B,C e D.\n\nA pequena quantidade de documentos dispon\u00edveis \u00e9 suplementada por textos escritos muitos s\u00e9culos depois, mas que se referem a estes tempos mais antigos. Quando combinados com dados arqueol\u00f3gicos, tais textos devem ser levados a s\u00e9rio. Um rei legend\u00e1rio transforma-se num ser real quando, por exemplo, s\u00e3o encontradas inscri\u00e7\u00f5es votivas com seu nome.\n\nO aspecto mais importante da sociedade na proto-hist\u00f3ria \u00e9 o come\u00e7o da constru\u00e7\u00e3o de pr\u00e9dios monumentais (templos, pal\u00e1cios, fortifica\u00e7\u00f5es), a acumula\u00e7\u00e3o de capital, o uso econ\u00f4mico de metais e a escrita, que levam ao aparecimento das primeiras cidades-estado. Como no per\u00edodo Neol\u00edtico falamos de uma revolu\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, este per\u00edodo traz consigo uma revolu\u00e7\u00e3o urbana.\n\nA protohist\u00f3ria sum\u00e9ria est\u00e1 dividida no Per\u00edodo de Jemdet Nasr, que \u00e9 o per\u00edodo da funda\u00e7\u00e3o das primeiras cidades-estado, para as quais n\u00e3o temos registros contempor\u00e2neos dispon\u00edveis, e o Per\u00edodo Sum\u00e9rio Anterior. O Per\u00edodo Sum\u00e9rio Anterior ou Antigo Sum\u00e9rio dura at\u00e9 a tomada do poder pelo rei semita Sarg\u00e3o, o Ac\u00e1dio em cerca de 2350 Antes da Nossa Era. Este per\u00edodo est\u00e1 dividido em dinastias determinadas pela hegemonia de uma determinada cidade.\n\n<strong>O DESENVOLVIMENTO DA VIDA SEDENT\u00c1RIA \u2013 A CULTURA DE UBAID<\/strong>\n\nA \u201ccultura\u201d mais antiga (refletindo um conjunto de artefatos diferenciado) relativa ao Sul da Mesopot\u00e2mia \u00e9 a de Samarra no sexto mil\u00eanio, identificada em locais situados principalmente a leste do Irque, perto da fronteira com o Ir\u00e2, e um pouco ao norte de Bagdad. As chuvas nesta regi\u00e3o s\u00e3o raras e n\u00e3o o suficiente para possibilitar a agricultura, e em dois locais, (Choga Mami e Tell es-Sawwan) foram encontradas evid\u00eancias de irriga\u00e7\u00e3o artificial. A irriga\u00e7\u00e3o artificial, conjectura-se, deve Ter sido organizada pela comunidade ou em base familiar, pois as localidades s\u00e3o muito pequenas e n\u00e3o se expandiram de forma significativa.\n\nUm desenvolvimento an\u00e1logo tamb\u00e9m estava tomando impulso mais ao sul, mostrando por escavadores franceses, chamado de Tell- Oueili ou Halaf (a cerca de 5.500 Antes da Nossa Era), que representa um precursor de comprovada cultura de Ubaid, que possu\u00eda uma forte estrutura em termos de agricultura irrigada a cerca de 5.000-4.000 anos Antes da Nossa Era.\n\nA cultura de Ubaid tem este nome por estar situada pr\u00f3xima \u00e0 cidade de Ur, que foi descoberta por sir Leonard Wolleey na d\u00e9cada de 1920. A sequ\u00eancia cultural do per\u00edodo de Ubaid segue quatro fases principais.\n\nO elemento que distingue, por exemplo, o per\u00edodo de Ubaid 3 foi encontrado bem al\u00e9m dos confins do sul do Iraque, ao Norte, na S\u00edria, no Ir\u00e3, em mais de 40 lugares na Ar\u00e1bia Saudita, representando portanto presen\u00e7a nos Golfo P\u00e9rsico e Ar\u00e1bico. Devemos interpretar esta evid\u00eancia, segundo estudiosos como Oates, que esta dispers\u00e3o pode indicar a tentativa destas pessoas do sul da Mesopot\u00e2mia de controlar e explorar rotas de com\u00e9rcio a fim de adquirir recursos que n\u00e3o estavam dispon\u00edveis em suas redondezas.\n\nSuporte para esta hip\u00f3tese pode ser eonctrado no fato de que alguns locais ubaidianos situados ao norte est\u00e3o distribu\u00eddos ao longo das rotas que levam a minas de cobre de Ergani Maden situadas ao Sul da Turquia.\n\nMas como tal controle era exercido, ainda n\u00e3o sabemos.\n\nEm Eridu, um dos mais importantes e antigos locais para explora\u00e7\u00e3o arqueol\u00f3gica, uma seq\u00fc\u00eancia de templos e santu\u00e1rios foi encontrada, e esta descoberta mostra uma continuidade de ocupa\u00e7\u00e3o abrangendo 2.100-2.000 anos de ocupa\u00e7\u00e3o, ou seja, desde o per\u00edodo de Ubaid 1 at\u00e9 os tempos hist\u00f3ricos. Esta importante evid\u00eancia cultural manteve-se apesar das mudan\u00e7as pol\u00edticas ocorridas ao longo de 3.000 anos.\n\n<strong>A fase cultural que se sucede a de Ubaid, a fase de Uruk (cerca de 4.000 a 2.900 Antes da Nossa Era) \u00e9 marcada por uma mudan\u00e7a na produ\u00e7\u00e3o de cer\u00e2mica:\u00a0<\/strong>cer\u00e2micas feitas por torno de desenhos simples substitu\u00edram os materiais produzidos na \u00e9poca de Ubaid.\n\nA cultura tem o nome de Uruk\/Warka segundo o nome da localidade em que foi encontrada, apesar das seq\u00fc\u00eancias mais anteriores ainda serem pouco conhecidas, pois s\u00f3 nas \u00faltimas fases da cultura de Uruk \u00e9 que surge a escrita, representando um grande salto cultural. As mudan\u00e7as que marcam esta fase e cultura refletem uma mudan\u00e7a na popula\u00e7\u00e3o.\n\nEste ponto importante tenta associar a fase de Uruk com a chegada dos Sum\u00e9rios. No presente, n\u00e3o podemos identificar com certeza como os Sum\u00e9rios chegaram \u00e0 Mesopot\u00e2mia.\n\nMas tanto quanto nossas parcas evid\u00eancias o apontam, os sum\u00e9rios ou devem Ter habitado a regi\u00e3o por algum tempo, depois de l\u00e1 terem chegado por migra\u00e7\u00e3o pac\u00edfica.\n\n<strong>O PER\u00cdODO DE URUK 4 OU URUK POSTERIOR (JEMDET NASR)<\/strong>\n\nAo final da fase de Uruk (ou Uruk 4, a cerca de 3500-3200 Antes da Nossa Era) aparecem os primeiros documentos escritos, usando pictogramas, mas n\u00e3o somente estes. O sistema cuneiforme de escrita, que pode ser lido como Sum\u00e9rio desenvolveu-se destes pictogramas durante o per\u00edodo posterior (3200-2900 Antes da Nossa Era), tamb\u00e9m conhecido como Jemdet Nasr. Ao mesmo tempo, aparecem imensos complexos cerimoniais, como nos santu\u00e1rios de Eana em Uruk. Tais santu\u00e1rios repousam sobre grandes plataformas, com projeto elaborado, alguns levando pedras em sua constru\u00e7\u00e3o.\n\nAs paredes s\u00e3o decoradas com nichos e os pr\u00e9dios cont\u00e9m colunas de at\u00e9 2m de di\u00e2metro, ligadas ao teto ou n\u00e3o. Estas constru\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o fen\u00f4meno exclusivo de Uruk, havendo desenvolvimentos semelhantes no Elam e em Susa. Associados com estas estruturas h\u00e1 tamb\u00e9m uma s\u00e9rie de objetos com decora\u00e7\u00e3o caracter\u00edstica, como vasos de pedra, trabalhados ou n\u00e3o com relevos dentro ou fora, ou cuidadosamente esculpidos.\n\nDestas evid\u00eancias, podemos apreender que o surgimento da escrita, a constru\u00e7\u00e3o de pr\u00e9dios elaborados, o uso de materiais importados, a presen\u00e7a de trabalhos de arte elaborados e o acr\u00e9scimo da popula\u00e7\u00e3o, tudo sinaliza para a emerg\u00eancia de comunidades urbanas que desenvolveram tais estruturas. Nenhuma outra raz\u00e3o pode explicar a contento os materiais, as t\u00e9cnicas e escala das constru\u00e7\u00f5es.\n\nA origem exata e o car\u00e1ter espec\u00edfico destas mesmas atividades e resultados ainda continua n\u00e3o totalmente explicada, mas a evid\u00eancia aponta para a exist\u00eancia de um forte sistema pol\u00edtico atuando nas cidades.\n\nA figura do governador local come\u00e7a a aparecer na iconografia, em fun\u00e7\u00f5es tanto seculares quanto religiosas. Da mesma forma, os \u00edtens raros (pedra em quantidades consider\u00e1veis, ouro para acabamento de interiores) usados nas constru\u00e7\u00f5es destes pr\u00e9dios imponentes vinham de longe, importados de regi\u00f5es distantes. Pode-se depreender da\u00ed que deveria haver uma bem sucedida atividade comercial, bem como alto grau de capacidade t\u00e9cnica. Isto, por seu turno, reflete-se nas imagens freq\u00fcentes de cereais em gr\u00e3o que se alternam com imagens de rebanhos, encontrados em selos cil\u00edndricos, vasos de pedra, e no famoso Vaso de Uruk. Atribui-se a grupos rivais de fam\u00edlias que competiam pelo poder a constru\u00e7\u00e3o de todas estas obras, sendo os templos elaborados e os objetos delicados uma forma de atingir o prest\u00edgio, controle e admira\u00e7\u00e3o de todos.\n\n<strong>AS PRIMEIRAS CIDADES (2900-2340 ANTES DA NOSSA ERA)<\/strong>\n\nH\u00e1 bem maior disponibilidade de registros dispon\u00edveis para o per\u00edodo que sucede o de Uruk Posterior, em geral chamado de Din\u00e1stico Anterior (DA), pr\u00e9-Sarg\u00f4nico ou Antigo Sum\u00e9rio.\n\nH\u00e1 uma grande quantidade de remanecentes de constru\u00e7\u00f5es, grandes placas esculpidas, figuras de pedra encantadoras em atitude de prece e adora\u00e7\u00e3o, inscri\u00e7\u00f5es em pedra, selos cil\u00edndricos, cer\u00e2mica e documentos em argila. Talvez o legado existente mais fabuloso desta \u00e9poca s\u00e3o as Tumbas Mortu\u00e1rias de Ur, que datam do per\u00edodo Din\u00e1stico Anterior III (cerca de 2600-2340 Antes da Nossa Era), onde os tesouros descobertos compreendiam uma s\u00e9rie de objetos cuidadosamente elaborados em ouro, l\u00e1pis-lazuli, prata e outros materiais preciosos.\n\nO material escrito n\u00e3o est\u00e1 distribu\u00eddo de forma uniforme atrav\u00e9s de todo este per\u00edodo, portanto est\u00e3o dispon\u00edveis em t\u00e1buas de argila de tamanho e localiza\u00e7\u00f5es variadas.\n\nOs maiores arquivos est\u00e3o em Ur para o Din\u00e1stico Anterior II, (2700-2600); Shurupak (moderna Fara) e Abu Salabikh para o per\u00eddo Din\u00e1stico Anterior III (2600-2500), e Girsu (Tello moderna, e um dos centros de poder do estado de Lagash), cujos ricos arquivos datam do final do per\u00edodo. Fora da regi\u00e3o, os grandes artigos de Ebla, que datam de 2450-2350 Antes da Nossa Era, fornecem informa\u00e7\u00f5es preciosas sobre esta cidade, que pode ser considerada um dos ber\u00e7os da civiliza\u00e7\u00e3o, ao Sul do Iraque.\n\n<strong>Dois tipos diferentes de material textual tem tido sua utilidade para cobrir o per\u00edodo:<\/strong>\u00a0a Lista dos Reis Sum\u00e9rios e os \u00e9picos e mitos que se situam \u201cantes do Dil\u00favio\u201d em termos de linha do tempo.\n\n<strong>AS LISTAS DOS REIS SUM\u00c9RIOS<\/strong>\n\nAlguns dos textos mais antigos s\u00e3o as Listas de Reis Sum\u00e9rios, conhecidas desde tempos muito antigos. Estas listas foram compostas ao redor de 2200 Antes da Nossa Era, mas se referem a tempos muito mais antigos.\n\nElas foram copiadas por gera\u00e7\u00f5es de escribas e padronizadas ao longo deste processo at\u00e9 o per\u00edodo Babil\u00f4nico Antigo, onde existe uma vers\u00e3o can\u00f4nica que se extenue no tempo, mostrando reis e monarcas de tempos recente. As listas foram estudadas primeiramente por Jacobsen e publicadas em 1939. Elas s\u00e3o um instrumento b\u00e1sico para entendermos a hist\u00f3ria mais antiga da Mesopot\u00e2mia.\n\nO objetivo destas listas eram provavelmente mostrar que Sum\u00e9ria e Ac\u00e1dia sempre estiveram unidas num s\u00f3 reino, e conseq\u00fcentemente podem\n\nTer distorcido a verdade para servir a algum prop\u00f3sito. As listas algumas vezes contradizem outras hist\u00f3rias \u00e9picas. Por exemplo, alguns reis deviam ser contempor\u00e2neos, mas n\u00e3o o parecem ser nas Listas de Reis.\n\n<strong>Nas listas, a monarquia \u00e9 vista como uma institui\u00e7\u00e3o divina:<\/strong>\u00a0ela desceu dos c\u00e9us.\n\n<strong>A linha de abertura do texto \u00e9:<\/strong>\u00a0\u201cQuando a monarquia\/realeza desceu dos c\u00e9us, ela tomou assento em Eridu\u201d. Tendo em vista este fato, a monarquia era vista como uma institui\u00e7\u00e3o compartilhada por muitas cidades.\n\nCada cidade tornava-se a sede do trono e do poder por um certo tempo. O sinal sum\u00e9rio para \u201cgoverno\u201d ou \u201cano de governo\u201d \u00e9 o mesmo para \u201cturno\u201d.\n\nA hegemonia de uma cidade numa Lista de Reis Sum\u00e9rios nem sempre significa que os reis citados tinham supremacia sobre outros reis de cidades-estado vizinhas.\n\nNas listas, aparece claramente uma linha divis\u00f3ria, e esta \u00e9 o Grande Dil\u00favio. Nomes e eventos s\u00e3o ou antediluvianos ou p\u00f3s-diluvianos. Nos \u00faltimos \u00e9picos, o Dil\u00favio assinala o final da era mitol\u00f3gica, quando foi formado o universo, inaugurando o come\u00e7o dos tempos hist\u00f3ricos. Cerca de oito (em outras vers\u00f5es dez) reis antediluvianos s\u00e3o mencionados, juntamente com seu respectivo per\u00edodo de governo.\n\nIdades que atravessam os tempos s\u00e3o atribu\u00eddas aos reis de antes do Dil\u00favio. Juntos, estes 10 ou 8 reis teriam reinado por cerca de 241.200 anos!\n\nO per\u00edodo antediluviano tamb\u00e9m \u00e9 visto como a era das revela\u00e7\u00f5es divinas, tais como a inven\u00e7\u00e3o da agricultura, da escrita, etc. Algumas das cidades mencionadas como antediluvianas s\u00e3o Eridu, Sipar e Shruppak.\n\nEridu, a primeira cidade mencionada, \u00e9 a cidade do deus das \u00e1guas doces, da m\u00e1gica e da sabedoria, chamado Enki\/Ea, um dos mais importantes deuses do panteon mesopot\u00e2mico.\n\nA cidade est\u00e1 situada no extremo sul da Mesopot\u00e2mia pr\u00f3xima a um rio ou lagoa. Diz-se que o princ\u00edpio da agricultura foi ali revelado por um deus ao primeiro rei de Eridu, chamado Emmeduranki.\n\nSipar mais tarde ir\u00e1 se tornar na cidade do deus sol, Utu, chamado tamb\u00e9m de Shamash em ac\u00e1dio. Diz-se que os segredos da adivinha\u00e7\u00e3o foram mostrados ao rei de Sipar, tamb\u00e9m por revela\u00e7\u00e3o divina.\n\nAdivinha\u00e7\u00e3o era ao mesmo tempo uma arte e ci\u00eancia para perguntar aos deuses sobre os des\u00edgnios da exist\u00eancia.\n\nNenhuma decis\u00e3o importante era tomada sem consulta pr\u00e9via aos deuses atrav\u00e9s de in\u00fameras t\u00e9cnicas de adivinha\u00e7\u00e3o. O deus Sol Utu, que tudo v\u00ea durante o dia, tem tamb\u00e9m o poder de ver o futuro.\n\nShuruppak \u00e9 uma cidade \u00e0s margens do Eufrates, perto da cidade moderna de Fara. O \u00faltimo rei de Shrurrupak foi o her\u00f3i da hist\u00f3ria do Dil\u00favio.\n\n<strong>OS GRANDES \u00c9PICOS<\/strong>\n\nOutro material que tem sido usado na esperan\u00e7a de poder iluminar eventos, estruturas e institui\u00e7\u00f5es do per\u00edodo Din\u00e1stico Anterior s\u00e3o os \u00e9picos e epop\u00e9ias que foram escritos em tempos posteriores sobre os primeiros governantes de Uruk, como Gilgamesh.\n\nO\u00a0<strong>ciclo de hist\u00f3rias \u00e9picas<\/strong>\u00a0sobre reis como Enmerkar, que travou uma d\u00e9cada de disputas com o rei da cidade iraniana de Aratta, pode ter sido um reflexo do padr\u00e3o de com\u00e9rcio existente durante o per\u00edodo Din\u00e1stico Anterior II. O conflito de Gilgamesh com Aka de Kish, onde o teimoso Gilgamesh consulta primeiro o conselho de anci\u00f5es para procurar o melhor curso para suas a\u00e7\u00f5es, e ent\u00e3o prossegue para se consultar com o conselho dos jovens guerreiros, fornece alguma evid\u00eancia para as assembl\u00e9ias c\u00edvicas e a obriga\u00e7\u00e3o real de entrar em delibera\u00e7\u00f5es com estes foros antes de partir para a\u00e7\u00e3o.\n\nEnquanto que n\u00e3o parece haver d\u00favidas de que as cidades mesopot\u00e2micas mantinham distantes rela\u00e7\u00f5es comerciais a fim de adquirir bens ex\u00f3ticos, a forma espec\u00edfica pela qual estas rela\u00e7oes eram estabelecidas n\u00e3o fica clara a partir do estudo destes \u00e9picos. N\u00e3o temos tamb\u00e9m certeza se conselhos de anci\u00f5es formavam um dos \u00f3rg\u00e3os das cidades mesopot\u00e2micas, bem como os jovens guerreiros e sua fun\u00e7\u00e3o no governo. Entretanto, tais obras mostram eventos hist\u00f3ricos (at\u00e9 certo ponto). Estas hist\u00f3rias, eram muitas vezes fruto de uma tradi\u00e7\u00e3o oral ainda mais antiga.\n\nUm mil\u00eanio depois, ao redor do per\u00edodo Babil\u00f4nico Antigo muitos destes fragmentos foram arranjados como \u00e9picos completos.\n\nEles entraram para a literatura can\u00f4nica e foram escritos e copiados por gera\u00e7\u00f5es de escribas (em geral em escolas). H\u00e1 uma analogia geral com outras idades her\u00f3icas de outros locais (Homero dos Gregos, o Maghabharata Indiano, a Idade Her\u00f3ica Germ\u00e2nica, etc.). As semelhan\u00e7as provavelmente mostram uma estrutura pol\u00edtico-social comum.\n\n<strong>A HIST\u00d3RIA DO DIL\u00daVIO<\/strong>\n\nO tema do dil\u00favio, uma cat\u00e1strofe de monta, \u00e9 bastante comum em toda antig\u00fcidade. Todos os tipos de vers\u00f5es de tal cataclismo eram passados de gera\u00e7\u00e3o a gera\u00e7\u00e3o e de pa\u00eds para pa\u00eds. H\u00e1 vers\u00f5es sum\u00e9rias, ac\u00e1dias, ugar\u00edticas, hititas, etc. Quando os primeiros textos sobre o dil\u00favio foram descobertos em 1872 por George Smith, tal fato fez as manchetes de jornais da \u00e9poca, tendo em vista as semelhan\u00e7as com a narrativa da B\u00edblia.\n\nBasicamente, todas as plan\u00edcies aluviais e deltas de rios no mundo sofreram grandes enchentes. Uma s\u00e9rie delas no s\u00e9culo XV da nossa era, chamadas de As Enchentes de Santa Elizabeth, deram forma \u00e0 parte de Holanda no delta do Reno. Ainda hoje, muitas pessoas est\u00e3o em constante perigo de terem suas casas destru\u00eddas pelas \u00e1guas, e portanto tamb\u00e9m na Mesopot\u00e2mia o impacto das \u00e1guas devia ser muito forte nas pessoas. N\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas que enchentes causaram impacto na Mesopot\u00e2mia, e algumas delas ocorreram a cerca de 2900 Antes da Nossa Era.\n\nAs v\u00e1rias vers\u00f5es e fragmentos encontrados apontam para v\u00e1rias diferentes tradi\u00e7\u00f5es sobre o dil\u00favio. O her\u00f3i sum\u00e9rio do Dil\u00favio (o primeiro No\u00e9) chama-se Ubar-Tutu em certos textos, Ziusudra. Em outro texto, ele \u00e9 chamado Atrahasis.\n\n<strong>Todos estes s\u00e3o nomes que atestam uma qualidade<\/strong>: Ziusudra quer dizer Vida de Longos Dias, Utnapshtin \u2013 aquele que encontrou a vida eterna, e Atrahasis (extremamente s\u00e1bio).\n\nO \u00e9pico de Atrahasis \u00e9 muito famoso e em seu formato de Antigo Babil\u00f4nico \u00e9 datado de 1635 Antes da Nossa Era.\n\n<strong>PER\u00cdODO DE JEMDET NASR OU URUK 4<\/strong>\n\nAo seguirmos na dire\u00e7\u00e3o do final da fase de Uruk, aparecem os primeiros documentos escritos, usando pictogramas, representando algum sistema de contabilidade.\n\nO cuneiforme que pode ser lido como sum\u00e9rio se desenvolveu destes primeiros pictogramas durante o per\u00edodo subseq\u00fcente, tambem chamado de Jemdet Nasr. Ao mesmo tempo, aparecem grandes complexos cerimoniais, como os santu\u00e1rios de Eanna in Uruk. Estes complexos eram constru\u00eddos sobre largas plataformas, com design elaborado e muitos constru\u00eddos sobre pedra.\n\nAs paredes destes pr\u00e9dios tem niches, e os pr\u00e9dios s\u00e3o monumentais, com colunas de 2m di\u00e2metro, ligadas ou n\u00e3o ao teto.\n\n<strong>A evid\u00eancia para constru\u00e7\u00f5es de tal porte aponta para um sistema pol\u00edtico avan\u00e7ado:<\/strong>\u00a0a figura dominante em figuras provavelmente \u00e9 a do l\u00edder desta sociedade, provavelmente o legislador\/administrador.\n\nEsta pessoa tamb\u00e9m aparece praticando rituais religiosos, o que sugere que atividades tanto de car\u00e1ter religioso como secular estavam sob sua responsabilidade. O fato de que material ausente na Mesopot\u00e2mia, como pedras, estavam presentes na constru\u00e7\u00e3o destes pr\u00e9dios indica habilidade de mobilizar for\u00e7a de trabalho de forma bem sucedida e a exist\u00eancia de uma base agr\u00edcola saud\u00e1vel.\n\nA revolu\u00e7\u00e3o urbana, a constru\u00e7\u00e3o das primeiras cidades, come\u00e7ou a Ter lugar a cerca de 3100-2900 ANTES DA NOSSA ERA na transi\u00e7\u00e3o da pr\u00e9-hist\u00f3ria para hist\u00f3ria.\n\nA mudan\u00e7a no padr\u00e3o de assentamentos humanos, de isolados para comunidades, continuou.\n\nO clima quente ao final do quarto mil\u00eanio permitia que as grandes plan\u00edcies fossem habitadas no extremo sul da Mesopot\u00e2mia, a \u00e1rea que mais tarde ser\u00e1 chamada de Sum\u00e9ria.\n\nA escassez de chuvas estimulou o desenvolvimento de trabalhos de irriga\u00e7\u00e3o. A produ\u00e7\u00e3o do bronze, uma liga de cobre e outros metais, principalmente o lat\u00e3o, permitiu a manufatura ade armas novas, e fortifica\u00e7\u00f5es foram tamb\u00e9m constru\u00eddas ao redor dos vilarejos.\n\nOu seja, em cerca de 2.900 Antes da Nossa Era, as t\u00e9cnicas de irriga\u00e7\u00e3o, agricultura e a explora\u00e7\u00e3o alimentos suplementares (t\u00e2maras, peixe, ca\u00e7a) tinha sido bem sucedida, sendo gerida por grupos de poder emergente numa s\u00e9rie de cidades. Isto resultou num desenvolvimento articulado, onde o administrador de cada cidade poderia assegurar uma grande produ\u00e7\u00e3o de alimentos para a popula\u00e7\u00e3o. Este not\u00e1vel desenvolvimento resultou numa estrutura social bem articulada, com o administrador de cada cidade tamb\u00e9m controlando a maior parte dos recursos, como a terra, a produ\u00e7\u00e3o de bens especializados, ex\u00f3ticos e materiais preciosos obtidos atrav\u00e9s do com\u00e9rcio.\n\nO administrador das cidades tamb\u00e9m tinha importante presen\u00e7a religiosa e ideol\u00f3gica,tomando parte em atividades seculares e religiosas da comunidade.\n\nMuitos fatores importantes destas sociedades continuam ainda obscuros, mas eles nos levam ao per\u00edodo seguinte, o Per\u00edodo Sum\u00e9rio Anterior.\n\n<strong>PER\u00cdODO SUM\u00c9RIO ANTERIOR<\/strong>\n\nO desabrochar e o desenvolvimento das cidades-estado \u00e9 chamado de Per\u00edodo Din\u00e1stico Anterior (2900-2400 ANTES DA NOSSA ERA), Per\u00edodo Sum\u00e9rio Anterior ou Sum\u00e9rio Antigo.\n\nEste se divide em tr\u00eas est\u00e1gios, nos quais houve o dom\u00ednio de diferentes cidades. O Per\u00edodo Sum\u00e9rio Anterior \u00e9 caracterizado por forte rivalidade entre as cidades-estado e uma divis\u00e3o crescente entre estado e religi\u00e3o.\n\nConstru\u00e7\u00f5es monumentais que seriam chamadas de pal\u00e1cios ao inv\u00e9s de templos aparecem pela primeira vez. Apesar da rivalidade, h\u00e1 muitas semelhan\u00e7as na arquitetura, materiais de constru\u00e7\u00e3o, temas e ornamentos de cidades diferentes. As pessoas tamb\u00e9m tinham a mesma religi\u00e3o e falavam a mesma l\u00edngua. Portanto, em geral pode-se falar de uma arte e cultura sum\u00e9ria.\n\nAntigo Sum\u00e9rio \u00e9 o idioma desta \u00e9poca. Uma grande parte de textos em Antigo Sum\u00e9rio e a maior parte do conhecimento que temos desta l\u00edngua originou-se de textos encontrados no s\u00e9culo XIX em Nippur, uma cidade sacra, a capital religiosa da Sum\u00e9ria, cujo patrono \u00e9 o poderoso Enlil, o deus do ar, e um dos mais importantes no panteon mesopot\u00e2mico. Mais de 30.000 t\u00e1buas de argila inscritas l\u00e1 encontradas est\u00e3o em v\u00e1rios museus, como o de Istambul, Jena e Filad\u00e9lfia. Estas t\u00e1buas incluem vers\u00f5es de obras liter\u00e1rias como o \u00c9pico de Gilgamesh, o mito da cria\u00e7\u00e3o, bem como textos administrativos, legais, m\u00e9dicos e registros de transa\u00e7\u00f5es de neg\u00f3cios, bem como textos escolares.\n\n<strong>KISH E O PER\u00cdODO DIN\u00c1STICO ANTERIOR \u2013 A IDADE DO OURO (2900 A 2700 ANTES DA NOSSA ERA)<\/strong>\n\nKish, cidade ao norte da Babil\u00f4nia, pr\u00f3xima \u00e0 moderna Tel el-eh\u00eamir, \u00e9 a primeira cidade p\u00f3s-diluviana mencionada nas Listas de Reis Sum\u00e9rios. Depois do Grande Dil\u00favio, \u201co reino desceu novamente dos c\u00e9us\u201d.\n\nOs primeiros reis tinham nomes semitas. Nesta \u00e9poca, os quatro quadrantes do mundo vivem em harmonia.\n\nEscava\u00e7\u00f5es arqueol\u00f3gicas provam que Kish foi uma cidade importante, tendo sido o centro da primeira dinastia sum\u00e9ria, chamada de Per\u00edodo Din\u00e1stico Anterior I.\n\nHavia especializa\u00e7\u00e3o no trabalho e alta qualidade artesanal, ambas resultado de uma tradi\u00e7\u00e3o mais antiga. Adagas douradas trabalhadas foram encontradas em t\u00famulos.\n\nFoi em Kish que foi encontrado o primeiro pal\u00e1cio monumental que n\u00e3o era tamb\u00e9m um templo. O rei parece estar no poder, ao inv\u00e9s do alto sacerdote en.\n\n<strong>O t\u00edtulo de Rei de Kish:<\/strong>\u00a0A import\u00e2ncia de Kish tamb\u00e9m \u00e9 atestada pelo t\u00edtulo Rei de Kish. Este t\u00edtulo era usado por reis mesmo muitos s\u00e9culos depois para mostrar prest\u00edgio, pois o significado de tal ep\u00edteto poderia ser \u201cRei de Todo Mundo\u201d. O t\u00edtulo era usado mesmo quando outro rei era na realidade o rei da cidade, e tamb\u00e9m muito depois de Kish Ter cessado de ser a pedra fundamental da monarquia.\n\n\u00c9 poss\u00edvel que o t\u00edtulo significava mais do que prest\u00edgio. Kish est\u00e1 situada ao Norte das plan\u00edcies da Mesopot\u00e2mia Sul, num ponto estrat\u00e9gico do Eufrates.\n\n\u00c9 poss\u00edvel que a localiza\u00e7\u00e3o de Kish fosse fundamental para o controle de todo sistema de canais de irriga\u00e7\u00e3o, pois um problema na \u00e1rea, bloquearia o fluxo das \u00e1guas na dire\u00e7\u00e3o sudoeste.\n\nO controle do rio Eufrates nas proximidades de Kish portanto era de grande import\u00e2ncia para os governantes do sul da Mesopot\u00e2mia. O t\u00edtulo de Rei de Kish pode ser um indicativo de que o rei possu\u00eda este poder.\n\n<strong>URUK \u2013 PER\u00cdODO DIN\u00c1STICO ANTERIOR II \u2013 IDADE HER\u00d3ICA (2700-2500 ANTES DA NOSSA ERA)<\/strong>\n\nUruk b\u00edblica Erech, situada perto da moderna Warka. O per\u00edodo sob a lideran\u00e7a de Uruk \u00e9 chamado de Idade Her\u00f3ica. As dinastias ficaram conhecidas a partir de \u00e9picos escritos tempos depois.\n\nUruk \u00e9 a cidade da deusa Inana e de Anu, o deus supremo do firmamento. Os reis de Uruk s\u00e3o chamados de Senhor.\n\nUma reconstru\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria a partir da mitologia mostra que este per\u00edodo foi uma democracia primitiva. As decis\u00f5es mais eram tomadas ap\u00f3s consulta a um conselho de anci\u00f5es.\n\nEnmerkar, rei de Uruk e Kullab, tendo o ep\u00edteto de \u201caquele que construiu Uruk\u201d e personagem de dois \u00e9picos. N\u00e3o existem inscri\u00e7\u00f5es ou placas para atestar sua exist\u00eancia.\n\nOs textos referem-se aos contatos comerciais e militares com a cidade de Arata, ainda n\u00e3o localizada, mas provavelmente no Ir\u00e3, onde Inana\/Ishtar e Dumuzi tamb\u00e9m eram adorados.\n\nEstes \u00e9picos mostram que havia contatos comerciais, ex; pedras preciosas, como l\u00e1pis lazuli. Enmerkar foi o primeiro, de acordo com o mito, a escrever em t\u00e1buas de argila.\n\nLugalbanda foi o terceiro rei da primeira dinastia de Uruk, tamb\u00e9m sendo personagem de poemas e mitos sum\u00e9rios, como o \u00e9pico de Lugalbanda (em duas partes, com 900 linhas)\n\nGilgamesh \u00e9 o neto de Enmerkar. Sua fama espalhou-se por uma grande \u00e1rea devido ao \u00c9pico de Gilgamesh. Uma vers\u00e3o ass\u00edria foi encontrada na Biblioteca de Assurbanipal (cerca de 650 Antes da Nossa Era), e provavelmente data de 1700 Antes da Nossa Era. Fragmentos sum\u00e9rios menores com apenas umas centenas de linhas s\u00e3o datados de cerca de 2000 Antes da Nossa Era.\n\nA medida do tempo e localiza\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica indicam a grande predile\u00e7\u00e3o por esta obra-prima mesopot\u00e2mica. Ver Gilgamesh para uma vers\u00e3o resumida aqui neste site.\n\nGilgamesh foi respons\u00e1vel pela constru\u00e7\u00e3o das muralhas de Uruk. Parece realmente que a arqueologia prova que estas muralhas foram expandidas a cerca de 2700 Antes da Nossa Era.\n\n<strong>UR e LAGASH \u2013 PER\u00cdODO DIN\u00c1STICO ANTERIOR III (2500-2350 ANE<\/strong>\n\nO Per\u00edodo Din\u00e1stico Anterior-III est\u00e1 fora da proto hist\u00f3ria, sendo geralmente considerado parte da hist\u00f3ria. Muitas fontes e arquivos desta \u00e9poca s\u00e3o conhecidos.\n\nA maioria destes textos t\u00eam car\u00e1ter econ\u00f4mico\/administrativo.\n\n<strong>Ur:\u00a0<\/strong>Oficialmente, de acordo com a Lista de Reis Sum\u00e9rios, Ur tem a hegemonia desta era, conhecida como Terceira Dinastia de Ur. Na pr\u00e1tica, hegemonia era um termo muito amplo, pois Ur era um porto no Golfo P\u00e9rsico.\n\nLagash e Girsu s\u00e3o cidades no extremo Sul da Mesopot\u00e2mia. Muitos textos em Sum\u00e9rio Antigo foram encontrados l\u00e1, a maior parte deles impressos em materiais duros como cobre e ouro, ex. as Inscri\u00e7\u00f5es Reais de Lagash e textos sobre o incessante conflito de fronteiras entre Lagash e a cidade vizinha de Uma. Os conflitos em geral envolviam direitos de irriga\u00e7\u00e3o e \u00e1gua, e eram algumas vezes resolvidos com a media\u00e7\u00e3o do rei de Kish. O padroeiro da cidade de Lagash \u00e9 Ningursu, mais tarde associado com Ninurta, um deus guerreiro e fundamental para a elimina\u00e7\u00e3o de dem\u00f4nios.\n\n<strong>Alguns dos reis de Lagash s\u00e3o:<\/strong>\n\n<strong>Eannatum:<\/strong>\u00a0(E-ana-tum) o primeiro a se intitular Rei de Kish, aquele que governa os pa\u00edses. Ele se gabava que seu territ\u00f3rio se estendia de Kish no Norte a Mari, no Oeste, Uruk no Sul e Elam no Leste, mas n\u00e3o est\u00e1 claro o que significa o governo destas cidades. Ele teve um longo reinado, mas ap\u00f3s sua morte, seu territ\u00f3rio foi reduzido ao tamanho original.\n\nFamosa \u00e9 sua vit\u00f3ria mostrada na Estela de Eannatum, mostrando um dos primeiros registros do poder militar e pol\u00edtico possu\u00eddo pelo rei. O texto, do qual 1\/3 est\u00e1 preservado, anuncia as novas fronteiras e a vit\u00f3ria de Eannatum de Lagash sobre o governante de Uma. Fala de pontos altos da campanha, do aprisionamento de inimigos, o enterro dos mortos e os corvos que escaparam com os ossos dos mortos. Esta figura pode ser a impress\u00e3o de um artista a respeito de uma batalha hist\u00f3rica, e tamb\u00e9m uma express\u00e3o da inten\u00e7\u00e3o de tal batalha.\n\nUrukagina, o \u00faltimo dos reis piedosos da dinastia de Lagash, introduziu muitas reformas sociais e editou pareceres sobre o problema da escravatura sofrida por aqueles que incorriam em d\u00edvidas.\n\nAltas taxas de juro sobre o capital (em geral 33.3%) tinham de ser pagas pela escraviza\u00e7\u00e3o de uma crian\u00e7a at\u00e9 que os d\u00e9bitos fossem pagos. Ele acaba com este tipo de a\u00e7\u00e3o por decreto.\n\n<strong>Cronologia da Antiga Mesopot\u00e2mia<\/strong>\n\nA n\u00e3o ser que especificado de outra forma, todas as datas apresentadas nesta cronologia referem-se a per\u00edodos anteriores \u00e0 Era Crist\u00e3, aqui referidos como Antes da Nossa Era, ou ANE.\n<blockquote><strong>Era Pr\u00e9-Hist\u00f3rica ou Sexto Mil\u00eanio:<\/strong>\u00a0A regi\u00e3o emerge pouco a pouco, de norte a sul como terras baixas entre os rios Tigre e Eufrates. A regi\u00e3o come\u00e7ou a ser povoada por grupos \u00e9tnicos desconhecidos que tinham vindo do norte e do leste. Estes grups inclu\u00edam sem d\u00favida semitas do Nordeste do deserto da S\u00edria e da Ar\u00e1bia.<strong>\nQuarto Mil\u00eanio (no m\u00e1ximo):<\/strong>\u00a0Depois da chegada dos Sum\u00e9rios provavelmente do Sudeste, o processo de intera\u00e7\u00e3o e trocas come\u00e7a a tomar forma, transformando-se na primeira grande civiliza\u00e7\u00e3o da \u00e1rea. Uma sociedade urbana logo tomou forma e espa\u00e7o atrav\u00e9s da unifica\u00e7\u00e3o de vilas mais ou menos primitivas.<strong>\n3200 Antes da Nossa Era, ou seja, Antes da Era Crist\u00e3:<\/strong>\u00a0Evid\u00eancias arqueol\u00f3gicas mostram que os Sum\u00e9rios est\u00e3o fazendo uso de ve\u00edculos sobre rodas para transporte.<strong>\n3100 ANE:<\/strong>\u00a0A escrita cuneiforme aparece na Mesopot\u00e2mia, sendo os primeiros registros escritos da humanidade. Esta forma de escrita envolvia a escrita de caracteres em forma de cunha e foi usada para registrar os primeiros \u00e9picos da hist\u00f3ria, incluindo Enmerkar e o Senhor de Arata, e as primeiras hist\u00f3rias a respeito do rei her\u00f3ico de Uruk, Gilgamesh.<strong>\n2700 ANE:\u00a0<\/strong>O rei sum\u00e9rio Gilgamesh governa a cidade de Uruk, que agora tem uma popula\u00e7\u00e3o de cerca de mais de 50.000 habitantes. Gilgamesh figura em muitos \u00e9picos, incluindo o mito sum\u00e9rio Gilgamesh, Enkidu e o Mundo Subterr\u00e2neo e o babil\u00f4nico Mito de Gilgamesh.<strong>\n2340-2315 ANE:\u00a0<\/strong>Sarg\u00e3o I funda e governa a cidade de \u00c1cade (Ac\u00e1dia), ap\u00f3s ter deixado a cidade de Kish, onde detinha importante cargo militar. Sarg\u00e3o I \u00e9 o primeiro monarca da hist\u00f3ria a manter um ex\u00e9rcito de prontid\u00e3o. Mesmo assim, seu imp\u00e9rio durou menos do que 200 anos.<strong>\n2320 ANE:<\/strong>\u00a0Sarg\u00e3o I conquista as cidades-estado independentes sum\u00e9rias e institui um governo centralizado. Mas por 2130 a Sum\u00e9ria readquire sua independ\u00eancia do dom\u00ednio ac\u00e1dio, apesar de n\u00e3o mais reverter para a condi\u00e7\u00e3o de cidades independentes. Nesta \u00e9poca, a cidade mais importante dos sum\u00e9rios \u00e9 a cidade de Ur.<strong>\n2100 ANE:\u00a0<\/strong>A Lista de Reis Sum\u00e9rios \u00e9 escrita, registrando todos os reis e dinastias sum\u00e9rias desde os tempos mais remotos. De acordo com esta lista, Eridu \u00e9 a povoa\u00e7\u00e3o mais antiga, fato que parece ser confirmado por evid\u00eancias arqueol\u00f3gicas.<strong>\n2000-1600 ANE:<\/strong>\u00a0Come\u00e7a o Antigo Per\u00edodo Babil\u00f4nico na Mesopot\u00e2mia, ap\u00f3s o colapso da Sum\u00e9ria, provavelmente devido a um aumento do teor de salinidade do solo, tornando o cultivo da terra muito dif\u00edcil. Enfraquecidos consideravelmente por safras de pouca produ\u00e7\u00e3o, os SUM\u00c9RIOS s\u00e3o conquistados pelos amoritas, que estavam estabelecidos na Babil\u00f4nia. Conseq\u00fcentemente, o centro da civiliza\u00e7\u00e3o muda para o Norte. Apesar deles terem preservado a maior parte da cultura sum\u00e9ria, os amoritas introduziram seu idioma sem\u00edtico, um ancestral do HEBREU na regi\u00e3o.<strong>\n1900 ANE:<\/strong>\u00a0O \u00c9pico de Gilgamesh \u00e9 redigido a partir de fontes sum\u00e9rias e escrito no idioma sem\u00edtico. Portanto, apesar de Gilgamesh ser sum\u00e9rio, o \u00e9pico de seu nome \u00e9 babil\u00f4nico.<strong>\n1900- 1500 ANE:<\/strong>\u00a0Num ponto entre estas datas, um grupo sem\u00edtico de n\u00f4mades migra da Sum\u00e9ria para Cana\u00e3, e Egito. Eles s\u00e3o levados por um comerciante de caravanas, o patriarca Abra\u00e3o, que ir\u00e1 se transformar no pai da na\u00e7\u00e3o de Israel.<strong>\n1800 ANE:<\/strong>\u00a0Os habitantes do Antigo Per\u00edodo Babil\u00f4nico (ou Babil\u00f4nico Anterior) est\u00e3o empregando avan\u00e7adas opera\u00e7\u00f5es matem\u00e1ticas, tais como multiplica\u00e7\u00e3o, divis\u00e3o e raiz quadrada. Al\u00e9m disso, eles usam um sistema duodecimal (baseado no 12 e no 6) para medir o tempo. At\u00e9 hoje usamos este sistema para contar as horas.<strong>\n1763 ANE:<\/strong>\u00a0O rei amorita Hamurabi conquista toda a Sum\u00e9ria. Nesta mesma \u00e9poca, ele tamb\u00e9m escreve seu famoso c\u00f3digo de leis, o C\u00f3digo de Hamurabi, contendo 282 regras, incluindo o princ\u00edpio de \u201d olho por olho, dente por dente\u201d. Este \u00e9 um dos primeiros c\u00f3digos de lei da hist\u00f3ria da humanidade, sendo anterior ao c\u00f3digo de Leis de Lipit-Ishtar.<strong>\n1750 ANE:<\/strong>\u00a0Hamurabi morre, mas seu imp\u00e9rio dura por mais 150 anos, at\u00e9 1600 ANE, quando os cassitas, um povo n\u00e3o sem\u00edtico conquista a maior parte da Mesopot\u00e2mia, com a ajuda de carruagens leves como material b\u00e9lico.<strong>\n1595 ANE:\u00a0<\/strong>Os hititas, outro grupo n\u00e3o sem\u00edtico que falam um idioma Indo-Europeu, capturam a Babil\u00f4nia e se retiram, deixando a cidade aberta ao dom\u00ednio cassita. Os cassitas permanecem no poder por 300 anos, mantendo a cultura sum\u00e9ria e babil\u00f4nica sem introduzir grandes m<strong>\n1450-1300 ANE:\u00a0<\/strong>A cultura hitita alcan\u00e7a seu apogeu, dominando do Norte ao Leste da Babil\u00f4nia, incluindo a Turquia e o Norte da Palestina. Nesta \u00e9poca, os hititas j\u00e1 tinham uma rica mitologia, com panteon de deuses e deusas j\u00e1 estabelecido.<strong>\n1300-612 ANE:\u00a0<\/strong>Os Ass\u00edrios, um povo sem\u00edtico, estabelecem um imp\u00e9rio que se estende de Assur, ao Norte da Mesopot\u00e2mia. Em 1,250 ANE eles j\u00e1 tinham se comprometido a conquistar o Imp\u00e9rio Cassita ao sul.<strong>\n1286 ANE:<\/strong>\u00a0Os hititas lutam contra os invasores eg\u00edpcios, demonstrando a for\u00e7a de seu poder. Tal poder est\u00e1 provavelmente fundamentado nas vantagens econ\u00f4micas que tinham com o com\u00e9rcio de metais que s\u00e3o abundantes na regi\u00e3o da Turquia. Mesmo assim, o imp\u00e9rio hitita cai 1185 para os Povos do Mar, um grupo invasor que veio do Oeste, e cuja identidade precisa \u00e9 desconhecida.<strong>\n1250-1200 ANE:<\/strong>\u00a0Os hebreus migram de Cana\u00e3 para o Egito por alguns s\u00e9culos, ap\u00f3s vaguearem por muitos anos no deserto do Sinal. Esta conquista \u00e9 lenta e dolorosa, e ir\u00e1 levar cerca de cem anos. Quando as lutas acabam, os hebreus emergem como vitoriosos. Eles dividem a terra de Cana\u00e3 em tribos, criando um sistema de governo conhecido como anfictionia.<strong>\n1020 ANE:<\/strong>\u00a0Os hebreus s\u00e3o governados pelos Juizes num per\u00edodo de relativa estabilidade que ser\u00e1 abalado pela invas\u00e3o dos filisteus em 1050 ANE.<strong>\n1225 ANE:\u00a0<\/strong>O governante ass\u00edrio Tukulti-Ninurta captura a Babil\u00f4nia e a regi\u00e3o sul da Mesopot\u00e2mia, mas o controle ass\u00edrio n\u00e3o dura muito longe.<strong>\n1114- 1076 ANE:\u00a0<\/strong>Tiglath-Pileser I governa os Ass\u00edrios.<strong>\n1050 ANE:<\/strong>\u00a0Os filisteus invadem Israel, vindos do Norte. Ao enfrentar a amea\u00e7a de aniquila\u00e7\u00e3o, os hebreus instituem uma reforma governamental. Samuel, o \u00faltimo dos ju\u00edzes, \u00e9 chamado para escolher o futuro rei.<strong>\n1020 ANE:<\/strong>\u00a0Samuel seleciona Saul para rei de Israel, portanto unificando todas as tribos numa s\u00f3 na\u00e7\u00e3o. Saul eventualmente comete suic\u00eddio, ao enfrentar outras tantas perdas frente aos filisteus. Davi, ao fazer campanha contra os filisteus, obt\u00e9m a vit\u00f3ria.<strong>\n1004 ANE:<\/strong>\u00a0Davi torna-se rei de Israel. Como tal, ele come\u00e7a a construir um governo centralizado baseado em Jerusal\u00e9m. Ele implementa trabalhos for\u00e7ados, o censo e um mecanismo para a coleta de impostos. O Per\u00edodo do Primeiro Templo da hist\u00f3ria hebraica come\u00e7a sob o governo de Davi.<strong>\n965 ANE:\u00a0<\/strong>Salom\u00e3o torna-se rei de Israel, com a inten\u00e7\u00e3o de continuar a obra de Davi e fazer de Jerusal\u00e9m uma grande cidade. Salom\u00e3o, portanto, abra\u00e7a grandes projetos de constru\u00e7\u00e3o, sendo um deles o Templo de Jerusal\u00e9m. Ao enfrentar dificuldades financeiras, ele eleva os impostos e emprega trabalho for\u00e7ado.<strong>\n928 ANE:\u00a0<\/strong>Morre Salom\u00e3o. Os habitantes do Norte, n\u00e3o querendo pagar impostos para ajudar as dificuldades financeiras de Jerusal\u00e9m, separam-se do Sul.\u00a0<strong>S\u00e3o criadas duas na\u00e7\u00f5es:<\/strong>\u00a0Israel, ao Norte, com sua capital em Samaria, e Jud\u00e1, ao Sul, com a capital em Jerusal\u00e9m. Os filhos de Salom\u00e3o governam os dois reinos, Jeroboam ao Norte e Rehoboam ao Sul.<strong>\n900 ANE:<\/strong>\u00a0Os ass\u00edrios expandem seu imp\u00e9rio para o Oeste. Ao redor de 840 ANE, eles tinham conquistado a S\u00edria e a Turquia, territ\u00f3rios que haviam pertencido aos hititas.<strong>\n810-805 ANE:\u00a0<\/strong>Reinado da rainha ass\u00edria Samuramat. Ela \u00e9 uma das poucas mulheres a adquirir proemin\u00eancia na Antig\u00fcidade.<strong>\n722 ANE:\u00a0<\/strong>Os ass\u00edrios conquistam Israel, deixando nada para traz. O reino hebreu de Jud\u00e1 consegue sobreviver.<strong>\n705-681 ANE:\u00a0<\/strong>Senaqueribe governa os ass\u00edrios e constr\u00f3i uma nova capital em N\u00ednive, onde come\u00e7a a formar uma grande biblioteca de t\u00e1buas sum\u00e9rias e babil\u00f4nicas. Senaqueribe \u00e9 um monarca poderoso que consegue ter sob seu poder toda a regi\u00e3o do Oeste da \u00c1sia.<strong>\n689 ANE:<\/strong>\u00a0Senaqueribe destr\u00f3i a Babil\u00f4nia, mas seu filho a reconstr\u00f3i. Em 650 ANE, Babil\u00f4nia \u00e9 novamente um centro de prosperidade.<strong>\n668-627 ANE:<\/strong>\u00a0Assurbanipal sucede Senaqueribe como governante da Ass\u00edria. Ele continua a desenvolver uma grande biblioteca, e, ao final, colecionou mais de 22.000 t\u00e1buas de argila. Em 648 ANE destroi a rec\u00e9m reconstru\u00edda cidade da Babil\u00f4nia numa campanha feroz.<strong>\n614 ANE:<\/strong>\u00a0Os babil\u00f4nicos (em particular, os caldeus), com a ajuda de Medes, que ocupa a regi\u00e3o ora conhecida como o Ir\u00e3, come\u00e7am campanha para destruir os ass\u00edrios. Em 612 ANE eles obt\u00e9m sucesso, e a capital ass\u00edria \u00e9 destru\u00edda. Sem os Ass\u00edrios, os caldeus, um povo sem\u00edtico, governa toda a regi\u00e3o, fazendo surgir um novo per\u00edodo de apogeu da Babil\u00f4nia, que durou at\u00e9 539 ANE.<strong>\n562 ANE:\u00a0<\/strong>Nabucodonossor II governa a Babil\u00f4nia, onde come\u00e7a v\u00e1rios projetos grandiosos de constru\u00e7\u00e3o, incluindo os Jardins Suspensos da Babil\u00f4nia. Este renascer do poder da Babil\u00f4nia usa tijolos esmaltados em suas constru\u00e7\u00f5es, portanto criando uma cidade colorida.<strong>\n600 ANE:<\/strong>\u00a0O profeta persa Zaratustra (Zoroastro) funda a religi\u00e3o chamada de Zoroastrianism.<strong>\n586 ANE:<\/strong>\u00a0Jerusal\u00e9m cai ante as for\u00e7as de Nabucodonossor II. Muitos hebreus s\u00e3o levados em cativeiro para a Babil\u00f4nia, come\u00e7ando a passagem chamada de O Cativeiro da Babil\u00f4nia. O Livro de Ezequiel \u00e9 escrito nesta \u00e9poca.<strong>\n539 ANE:\u00a0<\/strong>Ciro, o persa, captura a Babil\u00f4nia depois que Baltazar, o novo l\u00edder babil\u00f4nico, fracassa em \u201cler a caligrafia escrita na muralha\u201d. Ciro funda o Imp\u00e9rio Persa, que dura at\u00e9 331, quando \u00e9 conquistado por Alexandre, o Grande. Ciro permite que alguns judeus exilados na Babil\u00f4nia voltem \u00e0 Palestina, mas muitos hebreus preferem ficar na Babil\u00f4nia, onde estabelece-se o segundo grande centro hebraico, sendo superado apenas por Jerusal\u00e9m.<strong>\n529 ANE:\u00a0<\/strong>Ciro morre, deixando o maior imp\u00e9rio constru\u00eddo pelo homem at\u00e9 aquela data. Seu filho, Cambises, sobre ao trono e conquista o Egito.<strong>\n521 ANE:<\/strong>\u00a0Dario I (o Grande) torna-se imperador da P\u00e9rsia, sucedendo Cambises. Ele come\u00e7a grandes programas de governo, incluindo um sistema de estradas. Ele tamb\u00e9m institui o primeiro sistema postal.<strong>\n520-516 ANE:\u00a0<\/strong>Os hebreus reconstroem o templo de Salom\u00e3o que havia sido destru\u00eddo e saqueado em 586 ANE. Come\u00e7a o Per\u00edodo do Segundo Templo da hist\u00f3ria hebraica.<strong>\n486-465 ANE:\u00a0<\/strong>Xerxes I \u00e9 o imperador do Imp\u00e9rio Persa.<strong>\n331 ANE:\u00a0<\/strong>Alexandre, o Grande, conquista o Im\u00e9rio Persa. Ele avan\u00e7a na dire\u00e7\u00e3o da \u00cdndia, e conquista parte dela, antes de morrer na Babil\u00f4nia, aos 33 anos em 323 ANE.<strong>\n168 ANE:<\/strong>\u00a0Anti\u00f3quio Epif\u00e2nio governa Israel e tenta acabar com a pr\u00e1tica do Judaismo. Os hebreus resistem, come\u00e7ando a revolta dos macabeus. Os macabeus s\u00e3o bem sucedidos, at\u00e9 discuss\u00f5es internas t\u00ea-los destru\u00eddo. Eles apelam para o romano Pompeu, que interv\u00e9m, come\u00e7ando da\u00ed a ocupa\u00e7\u00e3o romana da Palestina..<strong>\n66 da Nossa Era:<\/strong>\u00a0Ao tentarem se libertar do controle do Imp\u00e9rio Romano, os hebreus se revoltam, mas perdem. No tempo do imperador romano Tito, os hebreus s\u00e3o derrotados, sendo destru\u00eddo o templo de Jerusal\u00e9m, que jamais foi reconstru\u00eddo.<\/blockquote>\n<strong>Das Cavernas para Agricultura Irrigada<\/strong>\n\n<strong>1. COLONIZA\u00c7\u00c3O E OS PRIMEIROS POVOADOS<\/strong>\n\nA\u00a0<strong>pr\u00e9-hist\u00f3ria na Mesopot\u00e2mia<\/strong>\u00a0para fins deste estudo come\u00e7a no sexto mil\u00eanio, ou a sete mil anos atr\u00e1s, ao aos 5.000 anos Antes da Nossa Era, onde pouco a pouco, de norte a sul, as terras baixas situadas entre os rios Tigre e Eufrates come\u00e7a a ser povoada. N\u00e3o se sabe ao certo quantos grupos \u00e9tnicos chegaram \u00e0 regi\u00e3o a partir do leste e do norte. Entretanto, sabe-se com certeza que estes grupos inclu\u00edam semitas que vinham da regi\u00e3o norte do deserto da Ar\u00e1bia e da S\u00edria.\n\nEm arqueologia, a Pr\u00e9-Hist\u00f3ria ou Idade da Pedra, divide-se tradicionalmente em tr\u00eas per\u00edodos distintos, chamados de Paleol\u00edtico, Mesol\u00edtico e Neol\u00edtico (Idade do Bronza), sendo que o per\u00edodo Paleol\u00edtico teve maior dura\u00e7\u00e3o. Estamos falando, portanto de tempos bem anteriores \u00e0 urbaniza\u00e7\u00e3o (que come\u00e7a a cerca de 3200 Antes da Nossa Era), quando as primeiras grandes civiliza\u00e7\u00f5es tiveram sua origem nas bacias dos grandes rios da Mesopot\u00e2mia, ou seja, ao longo das bacias dos grandes rios da Mesopot\u00e2mia, ao longo do Nilo no Egito e do Ganges na \u00cdndia. Neste relato, veremos de forma breve como estas civiliza\u00e7\u00f5es come\u00e7aram.\n\n<strong>Civiliza\u00e7\u00e3o aqui deve ser entendido no seu sentido literal, do latim civitas ou cidade:\u00a0<\/strong>dentro do desenvolvimento de cidades-estado, que pode ser chamado de revolu\u00e7\u00e3o urbana.\n\nPrimeiramente, em termos geol\u00f3gicos, a Mesopot\u00e2mia n\u00e3o \u00e9 uma terra antiqu\u00edssima. Ela come\u00e7ou a emergir apenas depois de alguns mil\u00eanios depois do per\u00edodo glacial europeu, ocorrido a cerca de 12,000 anos Antes da Nossa Era. \u00c0 medida em que ocorreu redu\u00e7\u00e3o na precipita\u00e7\u00e3o (chuvas) e a quantidade de umidade do ar, a Era Glacial come\u00e7ou a apresentar efeitos na regi\u00e3o do antigo oriente.\n\nA vasta extens\u00e3o de terras aluviais at\u00e9 ent\u00e3o formava um imenso rio, e aos poucos foi deixando entrever terras e eleva\u00e7\u00f5es. O que permanece deste grande rio inicial ainda est\u00e1 conosco como os rios Tigre e Eufrates.\n\nOs primeiros habitantes da regi\u00e3o foram gradualmente se revelando no sexto mil\u00eanio o mais tardar, provavelmente vindos das montanhas do nordeste, norte e leste, sendo sem d\u00favida de etnias variadas.\n\nN\u00e3o sabemos quase nada a respeito deles, a n\u00e3o ser por esparsos vest\u00edgios de suas vidas, que arque\u00f3logos tiveram a sorte de descobrir aqui e ali.\n\nEstes fragmentos n\u00e3o s\u00e3o capazes de nos dar uma ideia precisa ou mesmo revelar aspectos sociais importantes, como a religi\u00e3o de nossos antepassados mesopot\u00e2micos, o que os inspirava em termos de pensamentos e a\u00e7\u00e3o, etc. De fato, apenas com a ajuda de nossa imagina\u00e7\u00e3o podemos fazer conjecturas a respeito de tempos t\u00e3o antigos.Podemos, entretanto, dizer que \u00e0 medida em que estes colonizadores se estabeleceram na regi\u00e3o, eles trouxeram consigo seus instrumentos rudimentares, plantas, animais dom\u00e9sticos e forma de viver a vida. Lentamente, podemos tamb\u00e9m conjecturar que \u00e0 medida com que o tempo passava, alguns grupos prosperaram e cresceram, enquanto que outros desapareceram. No momento, entretanto, n\u00e3o temos conhecimento de como tais grupos possam ter interagido no passado, ou se por acaso ocorreu ou n\u00e3o tal intera\u00e7\u00e3o.\n\nMESOL\u00cdTICO \u00e9 o per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o entre o Paleol\u00edtico e o Neol\u00edtico, ou Nova Idade da Pedra. No per\u00edodo Mesol\u00edtico, os povos da regi\u00e3o em termos de alimentos, juntavam\/coletavam alimentos, ca\u00e7avam e tinham uma pequena produ\u00e7\u00e3o de ferramentas, feitas de pedra. Remanecentes de Tell Mureybet (8,600-7,300 Antes da Nossa Era), escavado por arque\u00f3logos franceses, localizado numa curva do Eufrates, mosta uma ocupa\u00e7\u00e3o cont\u00ednua por 1,300 anos da \u00e1rea datando dos tempos mesol\u00edticos. A fase 1 desta col\u00f4nia era provavelmente um acampamento de ca\u00e7adores e pescadores, usando um tipo de pedra, Natufian, na manufatura de suas ferramentas, bastante comum em toda S\u00edria e Palestina. Na fase II, Tell Mureybet j\u00e1 se transformou numa vila com casas de forma arredondada, de areia comprimida. Na fase III, estas casas tinham sido parcialmente substitu\u00eddas pr casas maiores, de v\u00e1rias pe\u00e7as, constru\u00eddas de pedras calc\u00e1rias. Foram encontrados restos de cabras e ovelhas, e toda ca\u00e7a vinha de animais velozes das redondezas.\n\nEstes acampamentos ou povoa\u00e7\u00f5es estavam isolados uns dos outros antes de 9000 anos Antes da Nossa Era.\n\nO per\u00edodo Neol\u00edtico (Nova Idade da Pedra) coincide com uma nova era geol\u00f3gica. Nesta fase, temos os per\u00edodos culturais da Idade do Bronze e Idade do Ferro.\n\nEstas eras s\u00e3o caracterizadas pelo uso de certos implementos e minerais.\n\n<strong>2. A REVOLU\u00c7\u00c3O NEOL\u00cdTICA OU O COME\u00c7O DA AGRICULTURA<\/strong>\n\nDepois de s\u00e9culos de estagna\u00e7\u00e3o, come\u00e7am a ser discernidas mudan\u00e7as no in\u00edcio do quarto mil\u00eanio, ou a cerca de 5.000 anos Antes da Nossa Era, ou 7.000 anos atr\u00e1s. Devido a falta de detalhes dispon\u00edveis, especialmente para esta fase, devemos sempre optar por uma faixa de tempo bastante ampla.\n\n<strong>Dois eventos maiores, cujos detalhes s\u00e3o inacess\u00edveis para n\u00f3s, marcam entretanto de forma indel\u00e9vel a hist\u00f3ria desta regi\u00e3o:<\/strong>\u00a0a revolu\u00e7\u00e3o agr\u00edcola com o surgimento da irriga\u00e7\u00e3o, e a chegada dos Sum\u00e9rios ao sul da Mesopot\u00e2mia.\n\nEm primeiro lugar, come\u00e7a uma lenta, mas irrevers\u00edvel mudan\u00e7a nos m\u00e9todos de coleta de alimentos pela ca\u00e7a, pesca e coleta de plantas\/frutas.\n\nEstes foram gradualmente sendo substitu\u00eddos pela cria\u00e7\u00e3o de animais dom\u00e9sticos e pela agricultura. Esta mudan\u00e7a ocorre juntamente com a altera\u00e7\u00e3o do modo de vida n\u00f4made para uma vida sedent\u00e1ria.\n\nO Neol\u00edtico \u00e9 visto como uma \u00e9poca relativamente pac\u00edfica, pois n\u00e3o existem fortifica\u00e7\u00f5es ao redor das vilas e habita\u00e7\u00f5es.\n\nOs primeiros povoamentos isolados (5000-3000 anos Antes da Nossa Era) s\u00e3o encontrados nos vales de pequenos rios nas montanhas de Zagros e nas pequenas plan\u00edcies tamb\u00e9m de vales.\n\nNovas povoa\u00e7\u00f5es parecem-se com comunidades de vilarejos, pr\u00f3ximas umas \u00e0s outras, em locais onde os rios correm para vales maiores e onde os rios s\u00e3o mais f\u00e1ceis de serem controlados. O clima mais seco (come\u00e7ando em cerca 3500 ANTES DA NOSSA ERA) faz com a irriga\u00e7\u00e3o comece a desempenhar seu papel na agricultura.\n\n<strong>2.1 O PRINC\u00cdPIO DA AGRICULTURA IRRIGADA<\/strong>\n\nPlantar e colher passa a ocorrer em muitos lugares e em v\u00e1rios per\u00edodos, sendo que os primeiros tipos de gr\u00e3os foram provavelmente a cevada e uma variedade do trigo (espelta).\n\nA sele\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os tamb\u00e9m deve Ter sido descoberta de in\u00edcio, de forma quase autom\u00e1tica, pois gr\u00e3os soltos caem na terra quando da colheita. Apesar do desperd\u00edcio, aqueles gr\u00e3os que eram levados para casa e que eram plantados novamente davam origem a gr\u00e3os mais fortes do que os perdidos, e este fato n\u00e3o deve Ter passado desapercebido pelos mesopot\u00e2micos.\n\nPlantar tamb\u00e9m em terra f\u00e9rtil estimula novas e melhores variedades, e todos estes fatos passaram a ser levados em conta pelos primeiros agricultores.\n\nO problema principal da agricultura na Mesopot\u00e2mia era a falta de precipita\u00e7\u00e3o ou chuvas, a esta\u00e7\u00e3o das chuvas sendo a de inverno. Al\u00e9m do mais, os afluentes do Tigre e do Eufrates n\u00e3o eram muito caudalosos.\n\nAs terras, eram devotadas \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de ovelhas e \u00e0 planta\u00e7\u00e3o em larga escala de gr\u00e3os. Para melhor aproveitar ent\u00e3o suas terras f\u00e9rteis, os mesopot\u00e2micos ent\u00e3o inventaram m\u00e9todos para irrigar artificialmente seus campos, tendo se dado conta de que poderiam expandir o territ\u00f3rio irrigado pelos rios e portanto aumentar a produtividade, atrav\u00e9s da excava\u00e7\u00e3o de canais, ramificano-os a partiir de fontes de \u00e1gua j\u00e1 existentes.\n\nMelhor controle sobre a colheita e a cria\u00e7\u00e3o de animais dom\u00e9sticos, bem como o uso intensivo da agricultura aumentou a produ\u00e7\u00e3o de alimentos, fazendo com que maiores comunidades passassem a existir.\n\nA proximidade dos vilarejos tornava mais f\u00e1cil a comunica\u00e7\u00e3o e a intera\u00e7\u00e3o entre as mesmas. Isto estimulou o interc\u00e2mbio cultural e econ\u00f4mico, mas tamb\u00e9m trouxe a possibilidade de conflitos.\n\nO surgimento de regras e acordos para evitar ou resolver conflitos surge como um fator importante no processo da civiliza\u00e7\u00e3o, sendo considerados mais importantes do que a necessidade administrativa de maior coopera\u00e7\u00e3o nos trabalhos de irriga\u00e7\u00e3o. Ou seja, fundamentalmente, o sucesso da agricultura irrigada com maior produ\u00e7\u00e3o de cereais e alimentos criou uma popula\u00e7\u00e3o melhor alimentada, tornando indispens\u00e1vel a manuten\u00e7\u00e3o de uma organiza\u00e7\u00e3o acima de tudo centralizada, energ\u00e9tica e disciplinada, administra\u00e7\u00e3o esta que teria de ser mantida pelo menos para os trabalhos de irriga\u00e7\u00e3o das terras, sob a forma de vilas e povoa\u00e7\u00f5es que at\u00e9 ent\u00e3o tinham sido independentes e tinham sobrevivido isoladas umas das outras. Dependendo de como foi ocupada, sem d\u00favida, em geral por pequenos grupos espalhados, a terra se adaptou gradualmente \u00e0quele tipo de regime, formando as primeiras cidades, sob as ordens de uma administra\u00e7\u00e3o forte, com grande concentra\u00e7\u00e3o de for\u00e7a. Em mitologia, \u00e9 citado que \u201cas cestas [de estocagem de alimentos] criaram as cidades\u201d (The Creation of the Pickax). Da administra\u00e7\u00e3o forte das primeiras cidades, temos a origem, provavelmente, do sistema mon\u00e1rquico.\n\nO povoamento das plan\u00edcies do extremo sul da Mesopot\u00e2mia ocorre mais tarde. A irriga\u00e7\u00e3o destas plan\u00edcies, como o sabemos segundo textos babil\u00f4nicos posteriores, com seus longos canis e falta de \u00e1gua suficiente, exige um sistema de administra\u00e7\u00e3o de recursos eficiente, o que ocorreu em \u00e9pocas mais avan\u00e7adas no tempo.\n\nO problema de estocar alimentos foi reduzido com o uso da cer\u00e2mica, pois apesar de seguir princ\u00edpios simples, uma boa colheita exige a solu\u00e7\u00e3o de muitos problemas de ordem pr\u00e1tica.\n\nUm dos grandes problemas com rela\u00e7\u00e3o ao sedentarismo refere-se a onde estocar os alimentos para preserv\u00e1-los. A torra\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os era algo feito com freq\u00fc\u00eancia de acordo com achados em escava\u00e7\u00f5es, pois impede a germina\u00e7\u00e3o prematura e facilita o processo de peneiragem dos gr\u00e3os. Uma inova\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, o uso da cer\u00e2mica, surgiu, para proteger os alimentos de ratos e outros animais. Da cer\u00e2mica, eram feitos recipientes para guardar alimentos. Temos evid\u00eancia deste fato, porque as primeiras constru\u00e7\u00f5es que podem ser descritas como celeiros eram pequenas ou baixas demais para serem classificadas como moradias.\n\n<strong>2.2 A CHEGADA DOS SUM\u00c9RIOS<\/strong>\n\nO segundo fator extremamente importante para determinar o sucesso da Mesopot\u00e2mia antiga acredita-se ter ocorrido na mesma \u00e9poca em que se deu a chegada dos Sum\u00e9rios na regi\u00e3o. N\u00e3o somos capazes, e talvez nunca o seremos, de identificar de forma satisfat\u00f3ria esta popula\u00e7\u00e3o, cujas origens s\u00e3o nebulosas, ou lig\u00e1-la a qualquer grupo \u00e9tnico, cultural ou lingu\u00edstico.\n\nAlguns estudiosos v\u00eaem os Sum\u00e9rios como descendentes de grupos que j\u00e1 habitavam a terra por muitos anos. Esta hip\u00f3tese parece colidir, entretanto, com a lend\u00e1ria tradi\u00e7\u00e3o dos Sete S\u00e1bios segundo a popula\u00e7\u00e3o do Sul, que havia sido iniciada nas artes da civiliza\u00e7\u00e3o por seres estranhos vindos do mar. Podemos inferir da\u00ed, uma vez vez que todo mito cont\u00e9m uma semente de verdade, que o mito dos Sete S\u00e1bios descreve um certo tipo de imigra\u00e7\u00e3o pac\u00edfica, que deve ter introduzido uma popula\u00e7\u00e3o culturalmente superior, e que esta elevou o n\u00edvel cultural daqueles habitantes locais que aderiram a esta nova cultura. Parece-nos mais f\u00e1cil crer que estas pessoas chegaram \u00e0 Mesopot\u00e2mia por via mar\u00edtima, seguindo talvez as costas do Golfo P\u00e9rsico, onde teriam se estabelecido na Baixa Mesopot\u00e2mia. S\u00f3 podemos, entretanto conjecturar a respeito de onde, na realidade vieram os sum\u00e9rios, mas sua chegada mudou a regi\u00e3o para melhor.\n\n<strong>3. CER\u00c2MICA<\/strong>\n\nN\u00e3o se sabe ao certo quando foram feitas as primeiras cer\u00e2micas, mas provavelmente isto se deu ao redor de 6000 ANTES DA NOSSA ERA. Por cerca de 5000 ANTES DA NOSSA ERA o uso da cer\u00e2mica era bastante difundido. O tipo de argila ou lama, o uso de elementos decorativos e acabamento s\u00e3o sinais usados por arque\u00f3logos para datar estes artefatos e identificar suas distribui\u00e7\u00f5es geogr\u00e1ficas.\n\nA distribui\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m indica sinais de com\u00e9rcio por dist\u00e2ncias maiores, mesmo nos tempos iniciais.\n\n<strong>Cer\u00e2mica de Halaf:\u00a0<\/strong>Encontrada em Tell Halaf, ou Tell Halif, no Norte da S\u00edria \u00e9 uma das primeiras a ser identificada. O per\u00edodo de Halaf ocorre a cerca de 4000 ANTES DA NOSSA ERA.\n\n\u00c9 uma cer\u00e2mica delicada e indica o come\u00e7o da especializa\u00e7\u00e3o dos artes\u00e3os. O n\u00famero pequeno destas cer\u00e2micas indica que eram tamb\u00e9m consideradas artigos de luxo.\n\n<strong>O Per\u00edodo de Ubaid-(4000-3500 ANTES DA NOSSA ERA):<\/strong>\u00a0Per\u00edodo chamado assim pela cer\u00e2mica encontrada no local chamado de Tell el-Ubaid no sul do Iraque.\n\nAs caracter\u00edsticas desta cer\u00e2mica s\u00e3o formas conc\u00eantricas e onduladas. O uso deste modelo por outras regi\u00f5es indica uma economia semelhante e alto grau de profissionalismo. A roda do oleiro (introduzida na transi\u00e7\u00e3o do Per\u00edodo de Uruk) passa a ser encontrada apenas nas regi\u00f5es mais desenvolvidas. A roda do oleiro exigia uma argila melhor de ser trabalhada, que \u00e9 obtida com a adi\u00e7\u00e3o de elementos especiais, ou seja, como por exemplo, \u00f3xido de ferro, que confere uma cor marrom-avermelhada t\u00edpica ao produto.\n\n<strong>3.1 CIDADES NEOL\u00cdTICAS DE EXCE\u00c7\u00c3O DO SEXTO E DO QUINTO MIL\u00caNIO<\/strong>\n\nH\u00e1 exce\u00e7\u00f5es ao modelo padr\u00e3o rec\u00e9m descrito para a Mesopot\u00e2mia. Houveram excepcionais cidades neol\u00edticas datadas do sexto e do quinto mil\u00eanio antes da nossa era, como Jeric\u00f3 (vale da Jord\u00e2nia) e Catal H\u00f6y\u00fck na Turquia, que mostram grande diversidade nas formas de habita\u00e7\u00e3o. Mas estas cidades n\u00e3o s\u00e3o a regra para o desenvolvimento da regi\u00e3o, tendo em vista o grande per\u00edodo de tempo transcorrido entre o desenvolvimento das constru\u00e7\u00f5es e a \u00e9poca \u00e1urea de desenvolvimento das cidades-estado mesopot\u00e2micas, que deu-se por volta de 3000 ANTES DA NOSSA ERA.\n\n<strong>4. CALCOL\u00cdTICO<\/strong>\n\nA primeira metade do quarto mil\u00eanio (4000-3500 ANTES DA NOSSA ERA) \u00e9 algumas vezes chamada de Calcol\u00edtico (Idade da Pedra e do Bronze).\n\n<strong>4.1. USO DE METAIS<\/strong>\n\n<strong>Metais e min\u00e9rios de metais j\u00e1 s\u00e3o usados e colecionados no per\u00edodo Neol\u00edtico, principalmente como uma curiosidade, por ser esteticamente simples e atraente:<\/strong>\u00a0eles s\u00e3o raros e bonitos.\n\nComo outras pedras preciosas, tem sido encontrados metais no per\u00edodo Neol\u00edtico em locais bem afastados dos ambientes no qual ocorrem normalmente, tamb\u00e9m como presentes funer\u00e1rios. Eles eram objetos atraentes, conferindo status ao seu possuidor. Apreciados em especial eram a prata e o ouro.\n\n<strong>A Ind\u00fastria de minera\u00e7\u00e3o:<\/strong>\u00a0\u00c9 conhecida desde o final do Paleol\u00edtico e uma ind\u00fastria bem desenvolvida no per\u00edodo Neol\u00edtico.\n\nO cobre, f\u00e1cil de ser trabalhado, come\u00e7a a ser usado, e se descobre que o calor pode recuperar as propriedades do metal, em caso de quebras ou lascas.\n\nSimples artefatos de cobre foram encontrados em vilas da Turquia, trabalhados com o uso do martelo, a cerca de 7000 Antes da Nossa Era.\n\n<b>Metalurgia:\u00a0<\/b>Os principais metais trabalhados s\u00e3o o cobre, o chumbo, a prata e o bronze.\n\n<strong>Mesopot\u00e2mia &#8211; Habita\u00e7\u00f5es<\/strong>\n<blockquote><strong>CASAS M\u00c9DIAS:\u00a0<\/strong>Em m\u00e9dia, as casas eram pequenas, de um andar, constru\u00eddas com tijolos de argila, com v\u00e1rios aposentos ao redor de um p\u00e1tio..<strong>\nCASA DAS CLASSES ABASTADAS:\u00a0<\/strong>As classes abastadas moravam em casas de dois andares, de tijolos revestidos de gesso no exterior e interior, tendo cerca de uma dezena de aposentos, como recep\u00e7\u00e3o, cozinha, banheiro, local dos servos\/empregados, e algumas vezes tamb\u00e9m uma capela no primeiro andar. No segundo andar, em geral estava a parte \u00edntima. Em baixo da casa, estava o mausol\u00e9u, onde em geral eram enterrados os ancestrais.<strong>\nM\u00d3VEIS:\u00a0<\/strong>M\u00f3veis inclu\u00edam mesas baixas, cadeiras de espaldar alto e camas com arma\u00e7\u00f5es de madeira.. O assoalho e o teto eram enfeitados com material fino, com tapetes de junco, de pele de animais e panos de l\u00e2.<strong>\nMATERIAL DE COZINHA:\u00a0<\/strong>Material de cozinha era feito de argila, pedra, cobre ou bronze. A \u00e1gua era guardada em grandes potes, carregados dos rios por escravos da casa. Estes potes de argila s\u00e3o bastante \u00fateis em climas extremamente quentes. Sendo porosos, eles permitiam a evapora\u00e7\u00e3o da \u00e1gua, ao mesmo tempo que a conservavam fresca. Jarros e potes semelhantes (com revestimento de betume) serviam para armazenar cevada, trigo e \u00f3leo.<strong>\nBANHEIROS:\u00a0<\/strong>As casas ricas e os pal\u00e1cios tinham banheiros separados, ou seja, aposentos para banho, onde era poss\u00edvel se refrescar com \u00e1gua ou \u00f3leo. Um banheiro t\u00edpico tinha cerca de 15 p\u00e9s quadrados e estava localizado no lado sul da casa.<\/blockquote>\n<strong>Imp\u00e9rio e Dinastia de Sarg\u00e3o, O Ac\u00e1dio<\/strong>\n\n<strong>1. INTRODU\u00c7\u00c3O<\/strong>\n\n<strong>O per\u00edodo das grandes civiliza\u00e7\u00f5es no in\u00edcio da hist\u00f3ria na Mesopot\u00e2mia abrange o per\u00edodo de cerca de 3200-2700 antes da Nossa Era e pode ser subdividido em tr\u00eas est\u00e1gios,c onforme no desenvolvimento da arquitetura, cer\u00e2mica, selos e escrita<\/strong>: Uruk Posterior (ca. 3200-3000 ANE), Jemdet Nasr (ca. 3000-2900 ANE) e Din\u00e1stico Anterior I, II and III(ca. 2900-2350 ANE).\n\nA Lista de Reis Sum\u00e9rios, escritas no II Mil\u00eanio Antes da Nossa Era, fornece o nome de reis com o per\u00edodo de dura\u00e7\u00e3o de seus reinados, dinastia por dinastia, concluindo com os nomes conhecidos dos reis de Terceira Dinastia de Ur e seus sucessores de Isin.\n\nEsta moldura cronol\u00f3gica fornece uma vis\u00e3o bastante difusa da hist\u00f3ria da Sum\u00e9ria e \u00c1gade depois dos tempos pr\u00e9-hist\u00f3ricos. A monarquia era considerada como uma institui\u00e7\u00e3o dada os seres humanos pelos deuses.\n\nEridu era a povoa\u00e7\u00e3o mais antiga, tendo sido habitada continuamente pelos sum\u00e9rios, al\u00e9m de ser o centro mais antigo da civiliza\u00e7\u00e3o sum\u00e9ria.\n\nA Lista de Reis Sum\u00e9rios tratava de dinastias contempor\u00e2neas como sucessivas. Em termos hist\u00f3ricos, nenhum rei estendeu seu dom\u00ednio e controle al\u00e9m das cidades-estado, at\u00e9 a chegada ao poder de Sarg\u00e3o, O Ac\u00e1dio.\n\nNa Lista de Reis Sum\u00e9rios, antes do dil\u00favio se refere a tempos proto-hist\u00f3ricos, e depois do dil\u00favio, a tempos hist\u00f3ricos.\n\nA parte anti-diluviana da Lista de Reis Sum\u00e9rios em geral \u00e9 tida como o Per\u00edodo Din\u00e1stico Anterior I, bem como a \u00fanica fonte de informa\u00e7\u00f5es para o per\u00edodo.\n\nDepois que o dil\u00favio havia ocorrido por toda terra e que a monarquia tinha descido \u00e0 terra dos c\u00e9us Kish tornou-se o centro da monarquia, passando depois de Kish para Uruk.\n\nAlguns reis de Kish e Uruk listados na Lista de Reis Sum\u00e9rios tamb\u00e9m s\u00e3o mencionados em mitos e lendas em sum\u00e9rio e ac\u00e1dio, tais quais Enmerkar, Lugalbanda, Dumuzi, Gilgamesh e Etana.\n\nA dinastia seguinte a Uruk \u00e9 a de Ur, tamb\u00e9m identificada em inscri\u00e7\u00f5es existentes.\n\nA Sum\u00e9ria do per\u00edodo Din\u00e1stico Anterior era uma confedera\u00e7ao de cidades-estado cujas rela\u00e7\u00f5es variavam de vassalagem a igualdade, mas nunca de unidade.\n\nN\u00e3o havia um centro ou capital natural, nem mesmo Nippur, o centro religioso e geogr\u00e1fico da Sum\u00e9ria e \u00c1gade. Cada cidade-estado consistia de um centro urbano e sua popula\u00e7\u00e3o, bem como a popula\u00e7\u00e3o perif\u00e9rica das \u00e1reas das vizinhan\u00e7as.\n\nCada cidade-estado era uma unidade independente com seu pr\u00f3prio governo. A Sum\u00e9ria e \u00c1gade consistiam de cerca de uma d\u00fazia de cidades-estado pr\u00f3ximas umas das outras ao longo dos rios Tigre e Eufrates.\n\nAs inscri\u00e7\u00f5es do per\u00edodo Din\u00e1stico Anterior est\u00e3o cheias de refer\u00eancias de batalhas entre as cidades-estado.\n\nAs grandes muralhas constru\u00eddas pela maioria das cidades sum\u00e9rias sugerem que estas estavam sempre em combate. Estas inscri\u00e7\u00f5es provam que a Lista de Reis Sum\u00e9rios est\u00e1 incompleta.\n\nOs governantes de algumas cidades, como Lagash, foram exclu\u00eddos. Mesmo Mesilim (ca. 2550 ANE), rei de Kish, n\u00e3o aparece na lista de reis. Mesilim ficou famoso por delinear a fronteira entre Umma e Lagash, ponto de contenda entre estas duas cidades. A decis\u00e3o dele, aceita por ambas as partes, pareceu favorecer Lagash, e as terras passaram \u00e0s m\u00e3os de Umma at\u00e9 Eanatum de Lagash l Eanatum of Lagash (ca. 2450 ANE) conquist\u00e1-las novamente e tra\u00e7ar outro acordo com o governador (ensi) de Umma.\n\nEannatum conquistou o Elam e as cidades ao sul da Sum\u00e9ria. Tendo feito estas conquistas, Eanatum sentiu-se poderoso para assumir o t\u00edtulo de rei de Kish, o que implicava em ser o rei de toda Sum\u00e9ria.\n\nEanatum havia derrotado Umma, Uruk, Akshak, Mari, Susa, Elam, alguns distritos de Zagros (Ir\u00e3) e do norte da Mesopot\u00e2mia. Umma, economica e militarmente superior a Lagash era em geral a cidade-estado agressora. Eventually, o governador de Umma assinou um tratado de n\u00e3o-agress\u00e3o com Entemena (2404-2375 BEC), sendo estabelecida uma esp\u00e9cie de uni\u00e3o de toda Sum\u00e9ria..\n\nEm Lagash, Entemena foi sucedido por uma s\u00e9rie de governantes que n\u00e3o duraram muito tempo no poder at\u00e9 Uru-inimgina (2351-2341) ter sido escolhido dentro de cerca de 3600 pessoas por Ningirsu, o que no linguajar antigo queria dizer que ele era um usurpador. Uru-inimgina foi louvado por suas reformas \u00e9ticas e sociais mais do que por seus feitos militares, Durante o reinado de Uru-inimgina, Lugalzagesi (ca. 2340 ANE) um governador ambicioso de Umma, incendiou, saqueou e destruiu praticamente todos os locais sagrados de Lagash. Uru-inimgina ofereceu pouca resist\u00eancia.\n\nLugalzagesi proclamou que ele havia unificado a Sum\u00e9ria e controlado as rotas de com\u00e9rcio do Mediterr\u00e2neo at\u00e9 o Golfo P\u00e9rsico. Lugalzagesi foi logo derrotado por Sarg\u00e3o (2334-2279 ANE), semita e fundador da poderosa dinastia ac\u00e1dica.\n\nA cerca de 2900 Antes da Nossa Era, grande n\u00famero de pessoas com nomes semitas se estabeleceram em Kish e \u00c1gade. Gradualmente, este grupo, identificado como Amoritas, adotou o estilo de vida urbano dos sum\u00e9rios e gradualmente atingiram altos postos no governo, chegando ao poder m\u00e1ximo. O grande rei Hamurabi, por exemplo, era de descend\u00eancia amorita.\n\n<strong>2. SARG\u00c3O, O GRANDE E SEU IMP\u00c9RIO<\/strong>\n\nSarg\u00e3o, o Grande (2334-2279 Antes da Nossa Era) como \u00e9 chamado por modernos historiadores, foi um brilhante l\u00edder militar, bem como um administrador energ\u00e9tico e inovador.\n\nSarg\u00e3o foi o primeiro rei a unir a Mesopot\u00e2mia sob o comando de uma s\u00f3 pessoa, sendo que o imp\u00e9rio ac\u00e1dico por ele montado passou a ser o padr\u00e3o para outros governantes.\n\nSarg\u00e3o come\u00e7ou sua carreira como um alto oficial da corte do rei sum\u00e9rio de Kish chamado Ur-Zababa. Lugalzagesi destronou ou assassinou o rei Ur-Zababa antes de come\u00e7ar sua s\u00e9rie de conquistas.\n\nSarg\u00e3o lan\u00e7ou um ataque surpresa contra a capital de Lugalzagesi, Uruk, e destruiu suas muralhas, assumindo o poder de Kish e estendendo-o ap\u00f3s por toda Mesopot\u00e3mia do sul e central.\n\n<strong>A Lenda de Sarg\u00e3o:\u00a0<\/strong>Em \u00e9picos escritos muitos s\u00e9culos depois (700 ANTES DA NOSSA ERA) temos o relato de seu nascimento humilde, sendo que seu pai era desconhecido e sua m\u00e3e uma sacerdotisa.\n\nComo rec\u00e9m-nascido, ele foi colocado numa cesta de vime e enviado rio abaixo (tal qual Mois\u00e9s muito depois), tendo sido criado sob a prote\u00e7\u00e3o da deusa Ishtar. Mais tarde, ele se tornou num alto oficial da corte de Kish. Ap\u00f3s um fracasso militar do governante da \u00e9poca e problemas na sucess\u00e3o deste monarca, Sarg\u00e3o tomou o poder.\n\nN\u00e3o se sabe muito sobre quais foram as circunst\u00e2ncias exatas sobre como isto se deu.\n\n<strong>Aumentando os limites do Imperio:<\/strong>\u00a0No come\u00e7o de seu reinado, a grande parte da regi\u00e3o Sul da Mesopot\u00e2mia (Sum\u00e9ria) estava sob o controle de Lugalzaggesi.\n\nUma vit\u00f3ria sobre ele significaria uma significativa expans\u00e3o do territ\u00f3rio de Sarg\u00e3o. Ap\u00f3s t\u00ea-lo vencido, Sarg\u00e3o dirigiu sua aten\u00e7\u00e3o para o Norte da Mesopot\u00e2mia. Em inscri\u00e7\u00f5es de Sarg\u00e3o, est\u00e3o mencionadas cidades como Mari e Tuttul (Eurafrates Central, ou S\u00edria Moderna) e mais ao Norte, s\u00e3o citadas Ebla e provavelmente expedi\u00e7\u00f5es a Anat\u00f3lia.\n\n<strong>O administrador inovador:\u00a0<\/strong>Um componente importante da pol\u00edtica de Sarg\u00e3o e raz\u00e3o do seu sucesso era apontar membros de sua fam\u00edlia ou de sua inteira confian\u00e7a para postos importantes.\n\n<strong>Ele escreveu:<\/strong>\u00a0\u201d os filhos da Ac\u00e1dia preenchem as tarefas de enki (autoridades locais) nos pa\u00edses.\u201d Sua filha Enheduanna tornou-se alta sacerdotisa da cidade de Ur, dedicada a Inana\/Ishtar e Anu. Ser alta sacerdotisa de Ur era uma das posi\u00e7\u00f5es mais importantes do Sul da Mesopot\u00e2mia. Dentre os escribas, Enheduanna \u00e9 uma das \u00fanicas (dentre homens e mulheres) que era conhecida por seu pr\u00f3prio nome, sendo que uma de suas obras-primas \u00e9 um poema chamado \u201d A Exalta\u00e7\u00e3o de Inana\u201d.\n\nEnheduanna foi temporariamente retirada de seu posto m\u00e1ximo por sacerdotes, provavelmente demonstrando que sua escolha n\u00e3o tinha sido do agrado da popula\u00e7\u00e3o local, talvez.\n\nMas ela retorna ao cargo de Alta Sacerdotisa um tempo depois.\n\nOutro fator de sucesso de Sarg\u00e3o na articula\u00e7\u00e3o de um governo centralizado eram as ordens por escrito e suas mudan\u00e7as gerais a n\u00edvel de administra\u00e7\u00e3o. Ele criou por decreto um ex\u00e9rcito de 5.400 homens, de acordo com textos existentes. Este foi provavelmente o primeiro ex\u00e9rcito profissional. O com\u00e9rcio esta centralizado na Ac\u00e1dia e navios da costa, de origem do Golfo P\u00e9rsico, eram obrigados a parar no porto das docas vizinhas da Ac\u00e1dia.\n\nPor exemplo, quando Sarg\u00e3o conquistava cidades-estado, ele destru\u00eda suas muralhas de forma que rebeldes em potencial perdessem suas fortalezas. Se o governador estivesse dispost a mudar sua lealdade para Sarg\u00e3o, o monarca ac\u00e1dio mantinha a velha administra\u00e7\u00e3o no poder. De outra forma, ele preenchia os cargos com pessoas de sua confian\u00e7a. Desta forma, Sarg\u00e3o incentivava o colapso do velho sistema de cidades-estado, movendo-se na dire\u00e7\u00e3o de uma administra\u00e7\u00e3o centralizada.. Sarg\u00e3o instalou guarni\u00e7\u00f5es militares em pontos-chave para administrar seu vasto imp\u00e9rio e assegurar o recebimento ininterrupto de tributos.\n\nEle foi o primeiro rei a ter um ex\u00e9rcito a seu servi\u00e7o em tempo integral. Sua capital, a cidade de \u00c1gade, foi constru\u00edda por ele, e logo se transformou numa das cidades mais pr\u00f3speras e magn\u00edficas da antig\u00fcidade.\n\nA localiza\u00e7\u00e3o exata de \u00c1gade permanece desconhecida, mas \u00c1gade deu nome ao idioma e \u00e0 dinastia deste grande imperador e g\u00eanio militar.\n\n<strong>3. SUCESSORES<\/strong>\n\nSarg\u00e3o foi primeiro sucedido por seu filho Rimush (2278-2270 Antes da Nossa Era, que herdou o imp\u00e9rio, agora cheio de pontos de revolta. Em batalhas envolvendo milhares de tropas, Rimush reconquistou cidades e pa\u00edses que pertenciam ao imp\u00e9rio. A Rimush sucedeu-se seu irm\u00e3o mais velho, talvez seu g\u00eameo, Maishtushu (2269-2255 Antes da Nossa Era), o qual seguiu trajet\u00f3ria militar e pol\u00edtica semelhante a Rimush. Os dois foram assassinados por membros de suas cortes. Manishtushu foi sucedido por seu filho, Naram-Sin (2254-2218), cujas vit\u00f3rias militares foram numerosas.\n\n<strong>Naram-Sim:<\/strong>\u00a0O \u00faltimo dos monarcas da dinastia de Ac\u00e1dia foi um rei importante, Naram-Sin, que em ac\u00e1dio significa \u201co adorador do deus da lua, Sin\u201d, neto de Sarg\u00e3o, que colecionou feitos militares da estatura de seu av\u00f4. Ele se auto-denominou \u201cimperador dos quatro quadrantes\u201d, o que significava imperador de todo o mundo naqueles tempos.\n\nSeu imp\u00e9rio era mesmo maior do que o do av\u00f4 Sarg\u00e3o, como ficou claro depois da descoberta surpreendente em 1974 da cidade de Ebla pr\u00f3xima ao L\u00edbano, na S\u00edria, pois n\u00e3o se esperava que os ac\u00e1dios tivessem se expandido tanto para o lado Oeste.\n\n<strong>Deifica\u00e7\u00e3o de um homem:<\/strong>\u00a0Naram-Sin foi o primeiro rei a tornar-se divindade. Em algum ponto durante seu reinado, seu nome aparece com um sinal determinativo usado em frente de nomes divinos.\n\nNuma estela de vit\u00f3ria, que consta do acervo do Louvre de Paris, Naram-Sin \u00e9 mostrado com a coroa de chifres, um atributo dos deuses.\n\nO per\u00edodo em que seu nome aparece sem o determinativo de um deus \u00e9 o per\u00edodo no qual ele teve de lidar com revoltas e rebeli\u00f5es em seu pr\u00f3prio pa\u00eds. No grupo de textos em que seu nome mostra o atributo divino, estes se referem ao final de seu reinado, quando Naram-Sin est\u00e1 ocupado com um novo inimigo, entre os quais est\u00e3o um povo das montanhas, os Gucianos, que tentaram penetrar na Mesopot\u00e2mia vindos do Norte.A deifica\u00e7\u00e3o de um ser humano n\u00e3o \u00e9 algo novo. Lugalbanda e Gilgamesh tamb\u00e9m aparecem nas listas dos deuses, mas no caso de auto-glorifica\u00e7\u00e3o de Naram-Sin, ele se chamou de \u201cdeus da Ac\u00e1dia\u201d, um t\u00edtulo claramente que pertence \u00e0 deusa ac\u00e1dia Ishtar.\n\nEla \u00e9 a padroeira da cidade de Ac\u00e1dia e como tal tinha todas as propriedades da cidade.\n\nA auto-glorifica\u00e7\u00e3o pode ter sido um ato que perturbou os l\u00edderes religiosos e sacerdotes do pa\u00eds, principalmente em Nipur, a capital religiosa da Mesopot\u00e2mia.\n\n\u00c9 poss\u00edvel que tal fato tenha sido o resultado de uma quebra-de-bra\u00e7o entre o governo central e as cidades-estado. As cidades-estado sendo representadas por suas divindades padroeiras e seus sacerdotes.\n\nA auto-glorifica\u00e7\u00e3o de Naram-Sin ent\u00e3o pode ser vista como um astuto ato pol\u00edtico, feito para passar por cima da autoridade dos sacerdotes. Outras interpreta\u00e7\u00f5es (mais antigas) consideram esta luta como uma disputa entre as divindades sum\u00e9rias e ac\u00e1dias, espelhando os brigas \u00e9tnicas entre os sum\u00e9rios e ac\u00e1dios, para as quais n\u00e3o temos, entretanto, muitas outras evid\u00eancias.\n\n<strong>4. O FIM DO IMPERIO DE SARG\u00c3O<\/strong>\n\nDesastres ent\u00e3o passaram a acontecer. Os gucianos invadiram a Mesopot\u00e2mia. Os gucianos eram uma horda b\u00e1rbara e sem regras que desceu das montanhas do Leste. O poema a Maldi\u00e7\u00e3o de \u00c1gade, uma das composi\u00e7\u00f5es mais p\u00f3pulares entre os escribas do Per\u00edodo Antigo Babil\u00f4nico de tempos posteriores,, conta a hist\u00f3ria do apogeu e queda da cidade de \u00c1gade, mas muitos eventos n\u00e3o puderam ser verificados por achados arqueol\u00f3gicos. Em resumo, Naram-Sin cometeu um sacril\u00e9gio contra Enlil, o deus do Ar e o mais importante, juntamente com Anu, do panteon mesopot\u00e2mico. Ele queria construir um templo em Ac\u00e1dia para a deusa Inana\/Ishtar, mas depois de executar o ritual de examinar os intestinos de um animal para buscar a permiss\u00e3o divina, os press\u00e1gios continuaram a ser desfavor\u00e1veis. De acordo com a lenda, ele atacou e saqueou o santu\u00e1rio de Enlil, o famoso E-kur, na cidade sagrada de Nipur, a fim de for\u00e7ar uma resposta positiva.\n\nO castigo de \u00c1gade veio sob a forma da queda da cidade sob o reinado do filho de Naram-Sin, Sharkali-shari, denominado \u201cRei dos Reis\u201d.\n\nO deus Enlil buscou vingan\u00e7a fazendo os b\u00e1rbaros gucianos atacarem o imp\u00e9rio. Os b\u00e1rbaros gucianos trouxeram a destrui\u00e7\u00e3o, e a fome ent\u00e3o desceu sobre a Sum\u00e9ria e esta levou \u00e0 infla\u00e7\u00e3o.\n\nA situa\u00e7\u00e3o na capital de \u00c1gade tornou-se insuport\u00e1vel e os deuses amaldi\u00e7oaram a cidade para sempre. O filho de Naram-Sin, Shar-kali-sharri (2217-2193 Antes da Nossa Era) tentou reverter algumas pol\u00edticas de seu pai, mas era tarde demais. O reino foi reduzido \u00e0 cidade de \u00c1gade e suas redondezas.\n\n<strong>A lista de reis sum\u00e9rios descreve o reinado do filho de Naram-Sin como um per\u00edodo de anarquia<\/strong>: \u201cquem era o rei? quem n\u00e3o era rei?\u201d s\u00e3o as palavras textuais.\u201dA maldi\u00e7\u00e3o de \u00c1gade\u201d \u00e9 escrita sob o ponto-de-vista dos sum\u00e9rios, em geral oponentes\/advers\u00e1rios dos ac\u00e1dios em quest\u00f5es pol\u00edticas. A maior parte dos manuscritos foram encontrados em Nipur, a capital cultural e centro religioso da Sum\u00e9ria. Sobre o mesmo tema, tamb\u00e9m existem manuscritos datados da Terceira Dinastia de Ur e em Antigo Babil\u00f4nico.\n\nDetalhes das escava\u00e7\u00f5es de Nipur n\u00e3o mostram qualquer sinal de destrui\u00e7\u00e3o do templo de E-kur naquele per\u00edodo. Pelo contr\u00e1rio, tijolos que s\u00e3o inscritos com o nome de Naram-Sin mostram que ele contribuiu de forma significativa para a reconstru\u00e7\u00e3o do templo, pois os materiais de constru\u00e7\u00e3o que se decompunham facilmente, faziam com que reconstru\u00e7\u00f5es freq\u00fcentes fossem necess\u00e1rias. A m\u00e1 reputa\u00e7\u00e3o de Naram-Sin como pouco popular e governante mal sucedido parece ser um registro de tempos posteriores, pois n\u00e3o existem dados que sugiram a veracidade destes famos na literatura contempor\u00e2nea deste mesmo governante.\n\nO imperio de Sarg\u00e3o durou um pouco mais de um s\u00e9culo. Seu colapso final foi devido \u00e0 invas\u00e3o de um povo vindo das montanhas de Zagros, que interrompeu o com\u00e9rcio e arruinou o sistema de irriga\u00e7\u00e3o. Mas, tamb\u00e9m ao fim e ao cabo, o colapso do imp\u00e9rio foi devido a sua cescente instabilidade.\n\nPouco se sabe sobre as v\u00e1rias dinastias de Uruk at\u00e9 a \u00faltima, sob o controle de Utu-khegal (2123-2113 Antes de Nossa Era), que foi escolhido pelo grande Deus Enlil, o deus principal da Sum\u00e9ria, para livrar o pa\u00eds dos gucianos. Quando um novo rei guciano foi escolhido, Utu-khegal atacou e foi vitorioso. Ele restaurou politica e economicamente o sul da Mesopot\u00e2mia como estado, ap\u00f3s a quase completa paralisia imposta pelas invas\u00f5es gucianas. Os gucianos, entretanto, assimilaram a forma de viver dos sum\u00e9rios, e se transformaram no grupo pol\u00edtico dominante do sul.\n\nOutro governante importante foi Gud\u00e9ia de Lagash (ca. 2144-2121 Antes da Nossa Era). Suas est\u00e1tuas, quase de tamanho real, t\u00eam longas inscri\u00e7\u00f5es, demonstrando suas atividades nas constru\u00e7\u00f5es e reconstru\u00e7\u00f5es dos templos de Lagash. Ele tamb\u00e9m comerciava com quase todo mundo civilizado da antig\u00fcidade.\n\n<strong>Luz Radiante da Mesopot\u00e2mia<\/strong>\n\n<strong>Civiliza\u00e7\u00e3o \u00e9 uma palavra espl\u00eandida sob muitos aspectos:<\/strong>\u00a0para uns quer dizer grandes cidades e progresso tecnol\u00f3gico, enquanto para outros significa eleva\u00e7\u00e3o moral, id\u00e9ias \u00e9ticas e primorosas cria\u00e7\u00f5es art\u00edsticas.\n\nPor qualquer desses crit\u00e9rios a Mesopot\u00e2mia foi o ber\u00e7o da civiliza\u00e7\u00e3o, pois foi o primeiro lugar da terra onde o homem criou e manteve por mais de 3.000 anos uma sociedade urbana, letrada, tecnologicamente bem desenvolvida, na qual todo o povo aceitava os mesmos valores e linha a mesma concep\u00e7\u00e3o sobre a origem e a ordena\u00e7\u00e3o do mundo.\n\nA Mesopot\u00e2mia, entre todas as outras regi\u00f5es, veio a representar papel decisivo na ascens\u00e3o do homem que emergia do barbarismo \u2013 n\u00e3o \u00e9 coisa para se apreender com facilidade. N\u00e3o era, certamente, uma terra de promiss\u00e3o para os come\u00e7os da vida civilizada. Quente, requeimada e varrida pelos ventos, sem madeira, pedra ou min\u00e9rios, n\u00e3o parecia destinada a guiar e a influenciar o mundo.\n\nO que transformou a Mesopot\u00e2mia num para\u00edso fecundo e fez dela uma for\u00e7a criadora foram os dons intelectuais e a \u00edndole do seu povo. Observador, ponderado e pragm\u00e1tico, tinha inclina\u00e7\u00e3o para apreender o que era fundamental e explorar o que era poss\u00edvel.\n\nAo contr\u00e1rio de quase todos os outros povos antigos, os mesopot\u00e2micos estabeleceram um sistema de vida orientado por um senso de modera\u00e7\u00e3o e de equil\u00edbrio. Em termos materiais e espirituais \u2013 em religi\u00e3o e em \u00e9tica, em pol\u00edtica e economia \u2013 adotavam um meio-termo vi\u00e1vel entre a raz\u00e3o e a fantasia, a liberdade e a autoridade, o conhecido e o transcendental.\n\nA\u00a0<strong>Mesopot\u00e2mia<\/strong>\u00a0tamb\u00e9m era uma sociedade aberta. Embora seus habitantes se considerassem um \u201cpovo eleito\u201d, n\u00e3o eram em nada provincianos.\n\nDavam-se conta de que havia muitos outros povos no mundo e n\u00e3o se trancavam evitando contatos com o exterior. Assim, enquanto menosprezavam aqueles vizinhos que eram seus inimigos, olhavam com simpatia para outros povos, como o Egito no oeste e como a gente do vale do Indo, no leste. A Mesopot\u00e2mia, de fato, pode ter mesmo representado um importante papel no crescimento dessas duas civiliza\u00e7\u00f5es.\n\nNo caso do Egito, a influ\u00eancia mesopot\u00e2mica patenteia-se no uso de selos cil\u00edndricos e em certos motivos da arte. \u00c9 evidente na arquitetura eg\u00edpcia, notando-se que algumas de suas obras s\u00e3o constru\u00eddas de tijolos com o tamanho e a forma peculiares da primeira fase mesopot\u00e2mica e s\u00e3o ornamentadas com pilastras de refor\u00e7o semelhantes \u00e0s da Sum\u00e9ria.\n\nO Egito pode tamb\u00e9m ter adquirido do seu vizinho oriental a id\u00e9ia da escrita, embora os hier\u00f3glifos de um e os pict\u00f3grafos do outro sejam inteiramente diversos.\n\nMais ao leste, a cultura do vale do Indo, parece Ter tido fortes la\u00e7os comerciais com a Sum\u00e9ria \u2013 numerosos selos t\u00edpicos do Indo foram encontrados nas ru\u00ednas mesopot\u00e2micas.\n\nO povo do Indo habitava uma \u00e1rea maior que a Mesopot\u00e2mia e o Egito combinados, e floresceu mais ou menos entre 2.500 e 1.500 a.C. A sua cultura era tamb\u00e9m urbana. Passando da lavoura \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de gado, esse povo formou art\u00edfices e artes\u00e3os, comerciantes e administradores. Suas casas eram constru\u00eddas com tijolos de fino acabamento, cujas dimens\u00f5es uniformes atestam uma padroniza\u00e7\u00e3o de pesos e medidas.\n\n<strong>Fato mais importante:<\/strong>\n\nOs<strong>\u00a0mesopot\u00e2micos<\/strong>\u00a0tinham uma linguagem escrita, um sistema pictogr\u00e1fico que abrangia cerca de 400 caracteres. Como as duas culturas s\u00e3o similares nesses aspectos e se conheciam, parece l\u00f3gico supor que a cultura mais velha da Sum\u00e9ria influenciou a mais jovem do Indo. Entre a \u00cdndia e a Mesopot\u00e2mia situa-se outra regi\u00e3o cujo d\u00e9bito \u00e0 cultura mesopot\u00e2mica \u00e9 mais f\u00e1cil de tra\u00e7ar. O Ir\u00e3, ou P\u00e9rsia, fazia fronteira se com a Mesopot\u00e2mia e naturalmente estava em \u00edntimo contato com ela. De acordo com uma narrativa sumeriana, a cidade-estado iraniana de Aratta teve organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e cren\u00e7as religiosas quase id\u00eanticas \u00e0s da Sum\u00e9ria. De igual modo, o antigo reino iraniano de Elam, a despeito de constantes e renhidas lutas armadas com a Sum\u00e9ria, foi ainda assim profundamente influenciado por esta. A arte e a arquitetura dos elamitas, como tamb\u00e9m as suas leis, a sua literatura e religi\u00e3o, eram mesopot\u00e2micas em muitos aspectos \u2013 uma das principais deidades do Elam tinha mesmo um nome sumeriano. Os elamitas tamb\u00e9m adotaram a escrita cuneiforme da Mesopot\u00e2mia, como ainda o seu sistema de educa\u00e7\u00e3o e muito do seu curr\u00edculo educacional.\n\nMas a influ\u00eancia da Mesopot\u00e2mia sobre os seus contempor\u00e2neos no Egito, Ir\u00e3 e \u00cdndia, embora tenha sido inspiradora, foi de pouca dura\u00e7\u00e3o. Coisa curiosa, foi no Ocidente, e n\u00e3o na terra dos povos vizinhos, que mais se enraizou a sua semente. A vis\u00e3o racional, positiva, pragm\u00e1tica, do homem ocidental tem similitude com a concep\u00e7\u00e3o mesopot\u00e2mica do mundo. Transfigurados pelos hebreus monote\u00edstas, transmudados pelos fil\u00f3sofos gregos, os conceitos mesopot\u00e2micos impregnaram a consci\u00eancia ocidental e s\u00e3o respons\u00e1veis, em muito, pela agitada hist\u00f3ria de tens\u00e3o vivida pelo homem do ocidente, entre raz\u00e3o e f\u00e9, esperan\u00e7a e desespero, liberdade e autoritarismo, progresso e derrota.\n\nO impacto da Mesopot\u00e2mia sobre os hebreus foi tanto direto como indireto. Se, como pensam alguns estudiosos, a narrativa b\u00edblica cont\u00e9m um pouco de verdade, e se o patriarca hebreu vivia em Ur no tempo de Hamur\u00e1bi, nesse caso ele e sua fam\u00edlia podem ter assimilado a cultura sumeriana muito antes de os judeus se constitu\u00edrem numa na\u00e7\u00e3o.\n\nParece claro que os ancestrais dos hebreus viveram na Mesopot\u00e2mia desde tempos bem recuados no tempo.\n\nDocumentos cuneiformes, cujas datas v\u00e3o desde 1700 a 1300 a.C., mencionam com freq\u00fc\u00eancia um povo chamado Habiru, nome com afinidade bem pr\u00f3xima com a palavra b\u00edblica \u201chebreus\u201d. Segundo tais textos, os hebreus eram erradios, n\u00f4mades, mesmo salteadores e proscritos, que vendiam seus servi\u00e7os como mercen\u00e1rios aos babil\u00f4nios e ass\u00edrios, hititas e hurrianos. J\u00e1 em 1500 a.C. esses ancestrais do Judeu Errante encetavam a conquista da Palestina. Entraram em contato com os cananeus, um povo que assimilou muito da Mesopot\u00e2mia. Os cananeus tinham uma escrita cuneiforme, suas escolas adotavam o curr\u00edculo mesopot\u00e2micos e a sua cultura estava profundamente imbu\u00edda das id\u00e9ias e da f\u00e9 criadas na \u201cterra entre os rios\u201d.\n\nO contato mais importante dos hebreus com a cultura mesopot\u00e2mica principiou no ano 586 a.C. quando o rei Nebuchadrezzar destruiu Jerusal\u00e9m e levou o seu povo para o cativeiro em Babil\u00f4nia.\n\nA instru\u00e7\u00e3o e os grandes conhecimentos dos babil\u00f4nios impregnaram a mente e o pensamento dos hebreus. Quando, depois, os exilados voltaram \u00e0 sua terra para formar o estado judaico, trouxeram consigo muitas das pr\u00e1ticas lit\u00fargicas, educacionais e legais da Mesopot\u00e2mia. Algumas delas foram introduzidas no cristianismo e, por interm\u00e9dio da tradi\u00e7\u00e3o judaico-crist\u00e3, penetraram na civiliza\u00e7\u00e3o ocidental.\n\nO segundo povo que absorveu a cultura mesopot\u00e2mica e a canalizou para o Ocidente foram os gregos. Ao contr\u00e1rio dos hebreus, n\u00e3o tiveram eles contato direto com a Mesopot\u00e2mia, mas, durante a idade mic\u00eanica da Gr\u00e9cia, desde cerca de 1600 a 1100 a.C., mantiveram \u00edntimos la\u00e7os pol\u00edticos e comerciais com os vizinhos da Mesopot\u00e2mia, os hititas e os cananeus.\n\nPor todas as cidades litor\u00e2neas da Anat\u00f3lia meridional e Cana\u00e3, Chipre e Creta, circulavam n\u00e3o s\u00f3 mercadorias mas tamb\u00e9m pensamentos e id\u00e9ias \u2013 que indubitavelmente mergulharam ra\u00edzes na terra grega.\n\nO fato de se haver descoberto, na cidade grega de Tebas, ainda recentemente, um dep\u00f3sito secreto de selos babil\u00f4nicos, n\u00e3o chegou a causar muita surpresa aos arque\u00f3logos e sem d\u00favida o futuro revelar\u00e1 no solo hel\u00eanico muitos outros achados de tal esp\u00e9cie.\n\nEste primeiro contato com o Oriente Pr\u00f3ximo encerrou-se quando entrou em colapso a cultura mic\u00eanica. E s\u00f3 no s\u00e9culo VIII a.C., quando os gregos come\u00e7aram a emergir do seu tempo obscuro\u201d \u00e9 que voltaram eles a receber est\u00edmulo e inspira\u00e7\u00e3o dos seus vizinhos orientais.\n\nDurante esse \u00faltimo per\u00edodo os fen\u00edcios de Canan\u00e9ia deram aos gregos o alfabeto que posteriormente se tornou o de todo o mundo ocidental. No curso dessa fase, tamb\u00e9m, os fil\u00f3sofos gregos pr\u00e9-socr\u00e1ticos na Anat\u00f3lia descobriram as obras dos astr\u00f3logos babil\u00f4nicos e deram in\u00edcio aos grandes estudos filos\u00f3ficos de Atenas. Quando, no s\u00e9culo V a.C., a Gr\u00e9cia entrou em sua Idade de Ouro, diversas das suas cria\u00e7\u00f5es na arte, na arquitetura, na filosofia e nas letras apresentaram vest\u00edgios de origem mesopot\u00e2mica.\n\nAvan\u00e7ando para o Ocidente, pelos canais do helenismo, do juda\u00edsmo e do cristianismo, o legado da Mesopot\u00e2mia \u00e0 humanidade atingiu finalmente o mundo moderno. Em tecnologia, esse legado inclui milagres prosaicos tais como o ve\u00edculo de rodas e o arado. Na ci\u00eancia, incluiu as primeiras no\u00e7\u00f5es de astronomia e o sistema num\u00e9rico baseado em 60 \u2013 sistema ainda em uso atualmente, dividindo o c\u00edrculo em graus e a hora em minutos e segundos.\n\nAs observa\u00e7\u00f5es astron\u00f4micas da Mesopot\u00e2mia permitiram que fossem afinal descobertos os equin\u00f3cios das esta\u00e7\u00f5es e a regularidade das fases da Lua; o complemento pseudocient\u00edfico da astronomia, a astrologia, revelou atrav\u00e9s das suas interpreta\u00e7\u00f5es do \u201cescrito no c\u00e9u\u201d as rela\u00e7\u00f5es fixas das estrelas. Foi a Mesopot\u00e2mia. que criou as designa\u00e7\u00f5es pelas quais at\u00e9 hoje s\u00e3o conhecidos os signos do zod\u00edaco Touro, G\u00eameos, Le\u00e3o, Escorpi\u00e3o c outros.\n\nA<strong>\u00a0Mesopot\u00e2mia<\/strong>\u00a0tamb\u00e9m deu \u00e0 civiliza\u00e7\u00e3o ocidental duas das suas mais importantes institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas \u2013 a cidade-estado e o conceito de uma realeza por direito divino.\n\nA cidade-estado espaIhou-se por grande parte do mundo mediterr\u00e2neo e a realeza \u2013 a no\u00e7\u00e3o de que a autoridade real fora concedida pelos deuses e s\u00f3 a eles o seu detentor devia prestar conta \u2013 infiltrou-se profundamente na sociedade ocidental. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 por mera coincid\u00eancia que os monarcas brit\u00e2nicos de hoje s\u00e3o consagrados em cerim\u00f4nias de coroa\u00e7\u00e3o que lembram as da Mesopot\u00e2mia.\n\nNem pode ser obra do acaso a semelhan\u00e7a entre as atividades que exercem habitualmente os chefes de Estado do nosso tempo e as que s\u00e3o registradas nos mais velhos arquivos dos reis mesopot\u00e2micos.\n\nPor meio de burocratas altamente eficazes, que empregavam bem desenvolvidos sistemas de escritura\u00e7\u00e3o e contabilidade, os governantes da Mesopot\u00e2mia administravam a constru\u00e7\u00e3o e a conserva\u00e7\u00e3o de estradas, a edifica\u00e7\u00e3o de hospedarias para os viajantes, a navega\u00e7\u00e3o mercante dos mares, o arbitramento das disputas pol\u00edticas e a assinatura de tratados internacionais.\n\nUm dos mais preciosos legados pol\u00edticos da Mesopot\u00e2mia foi a lei escrita. Tendo origem numa tomada de consci\u00eancia dos direitos individuais ~ estimulada por uma propens\u00e3o \u00e0 controv\u00e9rsia e \u00e0 demanda \u2013 a lei mesopot\u00e2mica veio a ser idealizada, sendo concebida como obra de inspira\u00e7\u00e3o divina para benef\u00edcio de toda a sociedade.\n\nPalavras provenientes de tradi\u00e7\u00f5es legais babil\u00f4nicas e sumerianas aparecem em todo o vasto e heterog\u00eaneo corpo de coment\u00e1rios sobre alei hebraica conhecido como o Talmude babil\u00f4nico. \u201d At\u00e9 nossos dias\u201d, escreveu o estudioso E.A. Speiser, uma das maiores autoridades nos sistemas legais do mundo antigo \u201d o judeu ortodoxo usa um termo sumeriano quando fala de div\u00f3rcio.\n\nE quando l\u00ea a li\u00e7\u00e3o da Tora na sinagoga ele ainda ro\u00e7a o lugar pertinente ao pergaminho com a f\u00edmbria do seu xale de ora\u00e7\u00e3o, sem nem de longe imaginar que est\u00e1 assim reproduzindo acena na qual o antigo mesopot\u00e2mio imprimia a orla da sua veste numa placa de argila, como testemunho da sua obedi\u00eancia aos comandos do texto legal.\u201d\n\nProvavelmente n\u00e3o ser\u00e1 exagero dizer-se que alei mesopot\u00e2mica irradiou a sua luz sobre grande parte do mundo civilizado.\n\nA Gr\u00e9cia e Roma sofreram a sua influ\u00eancia atrav\u00e9s de seus contatos com o Oriente Pr\u00f3ximo e o Isl\u00e3 s\u00f3 adquiriu um c\u00f3digo formal de leis depois de haver conquistado a regi\u00e3o que \u00e9 o Iraque, a terra da antiga Mesopot\u00e2mia. Exatamente quantas das leis modernas t\u00eam origem que remontam \u00e0 Mesopot\u00e2mia \u00e9 assunto que ainda n\u00e3o foi determinado, mas o historiador brit\u00e2nico H.W.F. Saggs, no seu livro A Grandeza Que Foi Babil\u00f4nia, observa que \u201c\u00e9 quase certo ter a lei sobre hipotecas a sua fonte remota no antigo Oriente Pr\u00f3ximo\u201d.\n\nDa mesma forma, um opulento conjunto de rituais e de mitos mesopot\u00e2micos, institu\u00eddos por um not\u00e1vel grupo de te\u00f3logos que viveram 3.000 anos antes do nascimento de Cristo, influenciou profundamente as religi\u00f5es ocidentais, sobretudo o juda\u00edsmo e o cristianismo. A ideia mesopot\u00e2mica de que da \u00e1gua nasceram todas as coisas, por exemplo, infiltrou-se na narrativa do G\u00eanesis sobre a cria\u00e7\u00e3o do mundo, e a no\u00e7\u00e3o b\u00edblica de que o homem foi feito de barro e recebeu o \u201csopro de vida\u201d brotou de ra\u00edzes mesopot\u00e2micas.\n\nAssim tamb\u00e9m o conceito b\u00edblico de que o homem foi criado primordialmente para servir a Deus e o de que o poder criador da divindade est\u00e1 no Seu Verbo.\n\nA id\u00e9ia de que as cat\u00e1strofes s\u00e3o castigos celestes por m\u00e1s a\u00e7\u00f5es, como a de que a dor e a adversidade devem ser suportadas com paci\u00eancia, tamb\u00e9m encontram analogia na Mesopot\u00e2mia.\n\nAt\u00e9 mesmo a regi\u00e3o dos mortos, imaginada pelos mesopot\u00e2mios, a sua escura e l\u00fagubre \u201cterra de onde n\u00e3o se volta\u201d, tem a sua contrapartida no Sheol dos hebreus e no Hades dos gregos.\n\nAt\u00e9 na atualidade a liturgia judaica est\u00e1 repleta de contribui\u00e7\u00f5es babil\u00f4nicas. O Kol Nidre, o canto judaico recitado nas v\u00e9speras do Dia da Inspira\u00e7\u00e3o, em penit\u00eancia pela quebra dos votos, \u00e9 semelhante \u00e0s preces que figuravam nas cerim\u00f4nias mesopot\u00e2micas do Ano Novo. O mesmo quanto \u00e0 solene descri\u00e7\u00e3o do destino humano que \u00e9 declamada no pr\u00f3prio Dia da Inspira\u00e7\u00e3o.\n\nDurante o seu ex\u00edlio em Babil\u00f4nia os hebreus tamb\u00e9m adquiriram a cren\u00e7a nos dem\u00f4nios e seu exorcismo, o que sem d\u00favida explica diversas passagens do Novo Testamento concernentes \u00e0 expuls\u00e3o dos esp\u00edritos malignos.\n\nDesde os dias do cativeiro em Babil\u00f4nia, e da\u00ed em diante, o juda\u00edsmo apresenta um enxame de m\u00edsticos religiosos com vis\u00f5es apocal\u00edpticas sobre o futuro do homem. Por meio desses vision\u00e1rios, diz o eminente orientalista w. F. Albright, \u201celementos inumer\u00e1veis da fantasia pag\u00e3 e at\u00e9 mitos inteiros entraram na literatura do juda\u00edsmo e do cristianismo\u201d. Por exemplo, o rito do batismo \u2013 diz ele remonta \u00e0s religi\u00f5es da Mesopot\u00e2mia, como tamb\u00e9m muitos dos elementos na hist\u00f3ria da vida de Cristo. Entre estes o Dr. Albright inclui a sua concep\u00e7\u00e3o por uma virgem, o seu nascimento relacionado com os astros, e os temas da pris\u00e3o, da morte, descida aos infernos, o desaparecimento por tr\u00eas dias e posterior ascens\u00e3o aos c\u00e9us.\n\nA religi\u00e3o mesopot\u00e2mica era, sem d\u00favida, pag\u00e3 e polite\u00edsta, e portanto um profundo abismo espiritual a separa do monote\u00edsmo judaico e crist\u00e3o. Al\u00e9m disso, tanto o Velho como o Novo Testamento se impregnam de uma sensibilidade \u00e9tica e de um fervor moral que n\u00e3o encontram correspond\u00eancia nos textos mesopot\u00e0micos. Nem a Sum\u00e9ria, nem Babil\u00f4nia, nem a Ass\u00edria jamais chegaram \u00e0 elevada cren\u00e7a de que o \u201ccora\u00e7\u00e3o puro\u201d e \u201cm\u00e3os limpas\u201d tinham mais valor espiritual do que sacrif\u00edcios e rituais esmerados. O v\u00ednculo de amor entre Deus e o homem, embora n\u00e3o de todo alheio ao pensamento religioso da Mesopot\u00e2mia, decerto \u00e9 nele de significa\u00e7\u00e3o muito menor do que no juda\u00edsmo e no cristianismo. Todavia, os primitivos mesopot\u00e2mios cultivaram o conceito de um deus pessoal e familiar que teve o seu eco na B\u00edblia com o \u201cdeus de Abra\u00e3o, Isaac e Jac\u00f3\u201d \u2013 e entre essa divindade protetora e o seu devoto adorador h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o \u00edntima, de ternura e confian\u00e7a, em alguns aspectos, compar\u00e1vel, com a que existiu entre Jeov\u00e1 e os patriarcas.\n\nA\u00a0<strong>literatura da Mesopot\u00e2mia<\/strong>, assim como a sua religi\u00e3o e o seu direito, contaminaram tamb\u00e9m todo o mundo ocidental. Temas que figuram nos cap\u00edtulos iniciais do G\u00eanesis \u2013 a Cria\u00e7\u00e3o, o Para\u00edso, o Dil\u00favio, a rivalidade de Cain e Abel, e a Torre de BabeI \u2013 todos t\u00eam antecedentes liter\u00e1rios na Mesopot\u00e2mia. No Livro dos Salmos, muitos dentre eles lembram hinos do culto mesopot\u00e2mio, e o Livro das Lamenta\u00e7\u00f5es copia um dos motes liter\u00e1rios mais cultivados pelos escritores mesopot\u00e2micos \u2013 na Sum\u00e9ria era comum se comporem lamenta\u00e7\u00f5es formais sobre a destrui\u00e7\u00e3o de uma cidade.\n\nNas cole\u00e7\u00f5es sumerianas de brocardos, m\u00e1ximas e ad\u00e1gios, h\u00e1 tamb\u00e9m antecedentes estil\u00edsticos para o Livro dos Prov\u00e9rbios. Mesmo ao C\u00e2ntico dos C\u00e2nticos, de Salom\u00e3o, o livro diferente de quaisquer outros do Velho Testamento pode ser atribu\u00eddo um precedente da Mesopot\u00e2mia, com os cantos de amor do culto sumeriano.\n\nA literatura grega mostra igualmente inumer\u00e1veis ind\u00edcios da influ\u00eancia mesopot\u00e2mica. A hist\u00f3ria mesopot\u00e2mica do dil\u00favio, por exemplo, corresponde na mitologia grega \u00e0 hist\u00f3ria de Deucali\u00e3o, que constr\u00f3i um barco e nele sobrevive a uma inunda\u00e7\u00e3o que destruiu o resto da humanidade. O tema do combata ao drag\u00e3o nos mitos mesopot\u00e2micos encontra equival\u00eancia em algumas fic\u00e7\u00f5es. como as de Jas\u00e3o e H\u00e9racles. os quais mataram diversos monstros.\n\nPragas lan\u00e7adas como puni\u00e7\u00e3o pelos deuses tamb\u00e9m figuram na mitologia da Gr\u00e9cia e na da Mesopot\u00e2mia. E h\u00e1 acentuada semelhan\u00e7a entre o inferno grego; o mesopot\u00e2mio. sendo ambos lugares tenebrosos. Separados do reino dos vivos por um rio sinistro que os mortos atravessavam de barca. Da mesma forma elegia para o morto. parece ter o seu pren\u00fancio em duas composi\u00e7\u00f5es sumerianas. recentemente traduzidas de uma inscri\u00e7\u00e3o no Museu Pushkin. de Moscou; nelas. um poeta mesopot\u00e2mio pranteia em Linguagem hiperb\u00f3lica a morte do pai e da esposa. At\u00e9 a forma da epopeia grega. que conduziu \u00e0 cria\u00e7\u00e3o da Il\u00edada e da Odi5\u2019i\u00e9ia, tem analogia com o estilo dos poemas \u00e9picos da Mesopot\u00e2mia.\n\nDiversas f\u00e1bulas de Esopo t\u00eam similitude com hist\u00f3rias anteriores da Sum\u00e9ria. e as instru\u00e7\u00f5es no almanaque do fazendeiro sumeriano. segundo uma vers\u00e3o do s\u00e9culo XVIII a.C.. parecem-se singularmente com as de Trabalhos e Dias, um manual do lavrador composto. cerca de mil anos depois. pelo poeta grego Hes\u00edodo.\n\nDiversos di\u00e1logos sumerianos est\u00e3o sendo agora reconstitu\u00eddos e decifrados, e tamb\u00e9m estes poder\u00e3o revelar-se como precursores estil\u00edsticos de obras-primas como os Di\u00e1logos, de Plat\u00e3o.\n\nEm outro plano. o da m\u00fasica e da teoria musical, a contribui\u00e7\u00e3o mesopot\u00e2mica \u00e9 descobrimento ainda bem recente. No entanto, j\u00e1 desde muitos anos os arque\u00f3logos sabiam que a Mesopot\u00e2mia tivera instrumentos musicais, particularmente harpas e liras.\n\nPor exemplo. Sir Leonard Woolley, nas suas escava\u00e7\u00f5es em Ur. desenterrou os remanescentes de nove liras e duas harpas. E um hino dedicado ao rei Shulgi, de Ur. proclama que o governante sabia tocar a harpa \u201ca doce lira de tr\u00eas cravelhas, (um) instrumento de tr\u00eas cordas que desafoga o cora\u00e7\u00e3o\u201d, e mais uns dez outros instrumentos musicais n\u00e3o identificados.\n\nOs m\u00fasicos cursavam escolas de prepara\u00e7\u00e3o e constitu\u00edam importante classe profissional na Mesopot\u00e2mia. tornando-se alguns altos funcion\u00e1rios da corte.\n\nEntretanto nada se conhecia sobre a m\u00fasica propriamente dita at\u00e9 h\u00e1 pouco tempo, quando Anne Darffkorn Kilner. da Universidade da Calif\u00f3rnia. uma cuneiformista, e Madame Duchesne-Guillemin. da Universidade de Liege, na B\u00e9lgica. uma music\u00f3loga. se reuniram para interpretar o contexto de uma inscri\u00e7\u00e3o cuneiforme que por 70 anos havia desafiado os estudiosos.\n\nA chave principal para o texto da inscri\u00e7\u00e3o era uma s\u00e9rie de n\u00fameros que pareciam referir-se \u00e0s cordas de um instrumento de nove cordas. Estabelecido este ponto, descobriu-se que os n\u00fameros eram dispostos numa progress\u00e3o que sugeria a afina\u00e7\u00e3o desse instrumento, e tamb\u00e9m se apurou que outras nota\u00e7\u00f5es indicavam o que parecia serem os intervalos de uma escala musical.\n\nAs inscri\u00e7\u00f5es nessa placa de argila, que provavelmente data de 1500 a.C. mais ou menos, fazem a hist\u00f3ria da m\u00fasica e da teoria musical remontar h\u00e1 mais de um mil\u00eanio antes das primeiras nota\u00e7\u00f5es musicais da Gr\u00e9cia que se conhecem. \u00c9, de fato, o primeiro registro na hist\u00f3ria de uma escala musical e de um sistema musical coerente.\n\nO muito que j\u00e1 se apurou da contribui\u00e7\u00e3o mesopot\u00e2mica para a civiliza\u00e7\u00e3o em todos os aspectos ainda constitui \u00ednfima fra\u00e7\u00e3o da sua totalidade; \u00e9 como a parte vis\u00edvel de um iceberg.\n\nN\u00e3o se torna f\u00e1cil pesquisar id\u00e9ias e t\u00e9cnicas, temas e motivos, atrav\u00e9s dos tempos, a fim de se chegar ao seu local de origem. Os fios de transmiss\u00e3o, t\u00eanues como os de.. uma teia de aranha, muitas vezes escapam ao olhar e ao esp\u00edrito que os procuram. Sem d\u00favida novas descobertas vir\u00e3o enriquecer o quadro e trar\u00e3o certamente muitas surpresas. Mas o futuro poder\u00e1 t\u00e3o-s\u00f3 confirmar o que j\u00e1 se patenteia isto \u00e9, que a Mesopot\u00e2mia, com sua conjuga\u00e7\u00e3o singularmente.\n\n<strong>M\u00e1gica e Religi\u00e3o na Mesopot\u00e2mia<\/strong>\n\n<strong>QUAL A DIFEREN\u00c7A?<\/strong>\n\n<strong>M\u00e1gica e religi\u00e3o<\/strong>\u00a0para os povos da Antiga Mesopot\u00e2mia eram partes insepar\u00e1veis de um mesmo todo, pois tanto uma quanto a outra eram vistas como o tra\u00e7o de uni\u00e3o entre a realidade f\u00edsica e palp\u00e1vel e as esferas mais sutis da exist\u00eancia.\n\nDa\u00ed por que quase todas as invoca\u00e7\u00f5es e encantos grafados em escrita cuneiforme em geral cont\u00e9m a express\u00e3o \u201cPelo Duranki\u201d, ou seja, pela uni\u00e3o de C\u00e9u e da Terra, o que, na minha opini\u00e3o, constitui a forma mesopot\u00e2mica de dizer \u201cASSIM NA TERRA COMO NO C\u00c9U\u201d, bem antes da T\u00e1bua Esmeraldina de Hermes haver sido escrita. Especificamente, atrav\u00e9s da religi\u00e3o os antigos mesopot\u00e2micos tinham um c\u00f3digo de pr\u00e1ticas estabelecidas e m\u00edsticas para entrar em contato com os deuses, vistos como os poderes c\u00f3smicos que fizeram o universo, n\u00e3o sem antes deixar um pouco do seu esp\u00edrito para os homens e mulheres, criados para completar por Eles os trabalhos da cria\u00e7\u00e3o.\n\nEra atrav\u00e9s da m\u00e1gica, por outro lado, que os mesopot\u00e2micos antigos procuravam entender o universo como uma realidade animada e multifacetada, sendo que a pr\u00e1tica das artes m\u00e1gicas visava fundamentalmente tentar afetar fatos ou prever acontecimentos da vida real e do mundo f\u00edsico. A distin\u00e7\u00e3o entre m\u00e1gica e religi\u00e3o, portanto, fica cada vez mais t\u00eanue neste contexto, porque a pr\u00e1tica de m\u00e1gica na Mesopot\u00e2mia era praticar religi\u00e3o, uma vez que as artes m\u00e1gicas eram postas em pr\u00e1tica por sacerdotes e sacerdotisas especializados para os mais diversos fins. Portanto, neste contexto, a religi\u00e3o tamb\u00e9m era (e ainda deve ser) vista como um ato m\u00e1gico, pois cren\u00e7a, f\u00e9, confian\u00e7a, dedica\u00e7\u00e3o e amor s\u00e3o em si mesmos caracter\u00edsticas do divino dentro e fora de n\u00f3s, e somente podem ser percebidas e sentidas com os Olhos do Esp\u00edrito e a Abertura da Alma. Esta era a filosofia dos antigos mesopot\u00e2micos, pois deles era um mundo onde a natureza n\u00e3o se diferenciava do divino, onde o mundano era um reflexo do extraordin\u00e1rio, e onde os efeitos da vida cotidiana podiam ser fundamentados nos c\u00e9us.\n\nTendo em vista que os povos do Oriente Pr\u00f3ximo eram literatos, amantes da palavra escrita, eles registraram com min\u00facia e precis\u00e3o seus encantamentos\/feiti\u00e7os oficiais, e ainda temos conosco alguns exemplares deste material.\n\nEstas in\u00fameras t\u00e1buas cozidas de argila inscritas com encantamentos e preces mostram-nos claramente a import\u00e2ncia das artes m\u00e1gicas para os povos ancestrais de nossa cultura moderna.\n\nOs hebreus ficaram famosos como magos da antiguidade at\u00e9 a Renascen\u00e7a. Entretanto, o Velho Testamento est\u00e1 cheio de admoesta\u00e7\u00f5es contra m\u00e1gica. Mas no pr\u00f3prio Juda\u00edsmo existe um sistema m\u00edstico, chamado A \u00c1rvore da Vida, ou a Cabala. Pesquisas recentes (ver Simo Porpola e seu excelente artigo \u201cA \u00c1rvore da Vida Ass\u00edria\u201d) mostram que a origem da Cabala est\u00e1 sem sombra de d\u00favida na Mesopot\u00e2mia, tendo os hebreus provavelmente aprendido os fundamentos de seu sistema m\u00edstico com os mesopot\u00e2micos. Motivos da \u00c1rvore da Vida, a prop\u00f3sito, s\u00e3o abundantes em toda a iconografia sum\u00e9ria, babil\u00f4nica e ass\u00edria, e de l\u00e1 provavelmente passaram a influenciar todos os povos que entraram em contato com eles.\n<blockquote>\u201cSe os deuses s\u00e3o velhos ou novos, se eles v\u00eam do Egito ou da Mesopot\u00e2mia, se v\u00eam de tradi\u00e7\u00f5es da antiga Cana\u00e3, da Gr\u00e9cia, da tradi\u00e7\u00e3o hebraica ou crist\u00e3, [o que importa \u00e9 que] a religi\u00e3o \u00e9 tanto uma consci\u00eancia quanto uma rea\u00e7\u00e3o contra a depend\u00eancia humana da mistura impenetr\u00e1vel de energias que v\u00eam do universo\u2026 \u00c9 neste ponto que [m\u00e1gica] come\u00e7a a se mostrar como uma necessidade nas vidas de pessoas comuns, pois havia a necessidade de entender o que n\u00e3o poderia.\u201d (Hans Dieter Betz, The Greek Magical Papyri in Translation, pp. xlvii-p. xlviii.)<\/blockquote>\nAo longo dos \u00faltimos dois mil anos especificamente, tem havido uma grande m\u00e1 vontade para se entender o que \u00e9, na realidade, m\u00e1gica. Conforme citamos anteriormente, m\u00e1gica estava intrinsecamente ligada \u00e0 religi\u00e3o nas culturas da Mesopot\u00e2mia antiga. Entretanto, com a ascens\u00e3o do Juda\u00edsmo e mais tarde do Cristianismo, come\u00e7ou-se a fazer a diferencia\u00e7\u00e3o de m\u00e1gica e religi\u00e3o.\n\nM\u00e1gica era o que os pag\u00e3os faziam, e neste ponto, sempre \u00e9 bom lembrar o dito popular \u201d Eu acredito em religi\u00e3o, mas o que voc\u00ea acredita \u00e9 supersti\u00e7\u00e3o.\n\nNa realidade, por\u00e9m, est\u00e1 nos olhos de quem quiser ver que um ato de m\u00e1gica \u00e9, essencialmente, um ato religioso. Por exemplo, na transubstancia\u00e7\u00e3o do vinho e da h\u00f3stia durante a missa cat\u00f3lica no corpo e sangue de Cristo temos um ato m\u00e1gico perfeitamente seguido de preces, cantos e totalmente aprovado pelos pais da igreja cat\u00f3lica.\n\n<strong>Ritos como este foram criticados por Martinho Lutero no come\u00e7o de sua prega\u00e7\u00e3o, que levou \u00e0 Reforma Protestante, bem como a venera\u00e7\u00e3o dos santos, que n\u00e3o deixa de ser uma forma velada de honrar a v\u00e1rias divindades menores:<\/strong>\u00a0paganismo dentro da pr\u00f3pria igreja crist\u00e3!\n\n<strong>Isto sem falar dos cultos carism\u00e1ticos de nossos dias mostram este, onde curas em massa atrav\u00e9s da f\u00e9, exorcismos e grandes espet\u00e1culos inclusive pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o fato claramente:<\/strong>\u00a0religi\u00e3o e m\u00e1gica s\u00e3o duas faces de um mesmo todo.\n\nTendo em vista o fato de que as pessoas quase sempre internalizam as cren\u00e7as de sua cultura sem questionar sobre a validade destes preceitos, muitos estudiosos modernos n\u00e3o consideram m\u00e1gica como um tema s\u00e9rio, nem mesmo quando discutem culturas da Antiguidade. Tais estudiosos podem muito bem evitar o tema, recusando-se a discutir textos contendo pr\u00e1ticas de m\u00e1gica e achados arqueol\u00f3gicos, como se temessem levar tal \u201cpecha\u201d para seus trabalhos. Isto tem sido feito mesmo com trabalhos de grandes pensadores como Plat\u00e3o e Arist\u00f3teles.\n\nAo olharmos para as cren\u00e7as e pr\u00e1ticas de outras culturas, tais quais aquelas de nosso passado, deve-se tentar compreender como estas pessoas viviam e pensavam sobre si mesmas.\n\nIsto n\u00e3o quer dizer que devemos aceitar ao p\u00e9 da letra, sem questionar, as pr\u00e1ticas m\u00e1gicas do passado, mas sim que devemos Ter sempre em mente que ci\u00eancia, m\u00e1gica e religi\u00e3o formavam uma linha cont\u00ednua, n\u00e3o existindo barreiras entre elas. Os mesopot\u00e2micos que escreveram longas listas classificando seu universo sabiam que tais listas eram parte de um mesmo todo.\n\nNossa obsess\u00e3o de separar tudo em compartimentos deve fazer um esfor\u00e7o para entender um mundo onde tudo era polar dentro de uma maior complementaridade.\n\n\u00c9 uma caracter\u00edstica de nossos tempos separar em v\u00e1rios sistemas o que na realidade est\u00e1 intrinsecamente relacionado.\n\nTamb\u00e9m devemos nos lembrar que a maior parte da terminologia que encontramos ao lidar com culturas da Antiguidade \u00e9 fruto de tradu\u00e7\u00e3o. As palavras originais, e com elas o seu sentido mais puro, chegam a n\u00f3s sempre incompletas. Tomemos a palavra \u201calta sacerdotisa\u201d, que em geral n\u00e3o tem significado dentro das religi\u00f5es estabelecidas de nossos dias como o Juda\u00edsmo, o Cristianismo e o Islamismo, e que est\u00e1 carregada de conota\u00e7\u00f5es negativas. Uma sacerdotisa na Antiga Mesopot\u00e2mia, entretanto, era uma mulher com autoridade religiosa e secular t\u00e3o grande quanto a do monarca, muitas vezes sendo a sua consorte, uma mulher com indiscut\u00edveis dotes de intelig\u00eancia e sabedoria, que servia n\u00e3o s\u00f3 a divindades masculinas quanto femininas.\n\n<b>Talvez a \u00faltima representante destas grandes figuras femininas da Antiguidade\u00a0tenha sido Cle\u00f3patra, Rainha do Egito, Alta Sacerdotisa de Isis e Estadista, que por vinte anos deixou o mundo em d\u00favida sobre qual seria a pot\u00eancia mundial do in\u00edcio da Era Moderna:<\/b>\u00a0se Egito ou Roma. Caso Cle\u00f3patra tivesse vencido, nossa hist\u00f3ria seria muito diferente.\n\nTomemos, num outro exemplo, a palavra \u201cm\u00e1gica\u201d. Como se sabe, ela v\u00eam da palavra persa magus, que significa sacerdote da religi\u00e3o da Zaratusta (tamb\u00e9m chamado de Zoroaster).\n\nComo magos em grego e magus em latim, o termo logo mudou para significar charlat\u00e3o na Antiguidade. De fato, o que provavelmente aconteceu \u00e9 que o sacerdote de uma religi\u00e3o diferente, como n\u00e3o se enquadrava nos padr\u00f5es locais, foi convertido ent\u00e3o num embusteiro. Entretanto, pr\u00e1ticas como adivinha\u00e7\u00e3o, astrologia, exorcismo, o estudo das ervas e plantas medicinais eram sancionadas pelos governantes, e demonstram o fundamento para as ci\u00eancias de nossos dias. Adivinha\u00e7\u00e3o, por exemplo, hoje t\u00e3o incompreendida, mostra as ra\u00edzes do pensamento dedutivo. Al\u00e9m do mais, muitas pr\u00e1ticas religiosas dos templos que inclu\u00edam astrologia ou adivinha\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da an\u00e1lise de sinais especiais nos \u00f3rg\u00e3os de animais sacrificados aos deuses n\u00e3o eram consideradas pr\u00e1ticas m\u00e1gicas, mas atos normais de adora\u00e7\u00e3o dentro da cultura religiosa vigente.\n\nOs povos para os quais foram aplicados os termos e conota\u00e7\u00f5es mais negativas com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s suas pr\u00e1ticas m\u00e1gico-religiosas foram os Mesopot\u00e2micos.\n\nMas os detratores dos mesopot\u00e2micos eram exatamente seus conquistadores ou os b\u00e1rbaros que viviam \u00e0s margens da Terra Entre Rios. Os judeus, por exemplo, tinham interesse em denegrir para suprimir pr\u00e1ticas aprendidas dos babil\u00f4nicos e cananeus durante os anos de ex\u00edlio que n\u00e3o foram necessariamente t\u00e3o ruins, uma vez que muitas s\u00e3o as ra\u00edzes mesopot\u00e2micas para as escrituras judaicas do Velho Testamento da B\u00edblia, enquanto que o governo romano controlava pr\u00e1ticas que hoje considerar\u00edamos m\u00e1gicas, quando, por exemplo, envolviam previs\u00f5es sobre a morte de governantes. Neste contexto, era interesse da elite romana na Palestina fazer magos e sacerdotes independentes aparacer inescrupulosos e desprez\u00edveis como uma forma de controle pol\u00edtico e para manter a estabilidade social.\n\n<strong>Deve-se acrescentar o fato de que os dem\u00f4nios da religi\u00e3o dominante s\u00e3o, em geral, os grandes deuses da religi\u00e3o precedente:\u00a0<\/strong>se estes n\u00e3o podem ser anulados, devem ent\u00e3o ser destitu\u00eddos de seu status anterior.\n\nMas devemos retornar \u00e0 quest\u00e3o b\u00e1sica, ou seja, \u201cO que \u00e9 m\u00e1gica?\u201d e tentar entend\u00ea-la dentro do contexto da Mesopot\u00e2mia antiga. Em primeiro lugar, algumas defini\u00e7\u00f5es simplistas e sensacionalistas de m\u00e1gica de nossos dias sup\u00f5em que esta seja usada para controlar poderes mais fortes do que o homem, ou seja, poderes que est\u00e3o al\u00e9m da esfera onde habitamos, para obrig\u00e1-los a obedecer \u00e0 vontade do mago em quest\u00e3o, sendo tamb\u00e9m definida como truques barato e ilus\u00e3o..\n\nEste tipo de pensamento est\u00e1 diametralmente oposto \u00e0 vis\u00e3o de mundo e filosofia dos antigos mesopot\u00e2micos, pois eles viam os deuses e deusas como a fonte das artes m\u00e1gicas, uma vez que eles e elas eram os poderes c\u00f3smicos que haviam criado toda a cria\u00e7\u00e3o, e que ao se fazer um ato de m\u00e1gica, a pessoa buscava uma identifica\u00e7\u00e3o com a deusa ou deus, a fim de obter a gra\u00e7a desejada.\n\nEram os deuses e deusas os respons\u00e1veis pela m\u00e1gica, eram os deuses e deusas que estabeleciam o contato com seus devotos, que eram o meio, e n\u00e3o o fim. Neste contexto, n\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel separar magia de religi\u00e3o. Isto n\u00e3o quer dizer que n\u00e3o havia atos puramente religiosos na Antiga Mesopot\u00e2mia, mas afirmar que m\u00e1gica n\u00e3o era uma disciplina separada da religi\u00e3o, sendo, na realidade, uma parte integrante da outra. O mago, na maior parte das vezes um tipo de sacerdote na Antiga Mesopot\u00e2mia era, literalmente, um teurgista, ou seja, um trabalhador dos deuses, que procurava a media\u00e7\u00e3o dos divina atrav\u00e9s de oferendas, cantos e preces, para intervir em assuntos mundanos, com a dedica\u00e7\u00e3o e altru\u00edsmo de um m\u00edstico.\n\nEm segundo lugar, devemos levantar a quest\u00e3o de que em algumas defini\u00e7\u00f5es de m\u00e1gica ocorre a men\u00e7\u00e3o de que m\u00e1gica envolve for\u00e7as ou poderes sobrenaturais. Na Antiga Mesopot\u00e2mia, assim como em muitas culturas de nossos dias, n\u00e3o havia esta separa\u00e7\u00e3o entre o natural e o sobrenatural.\n\nOs mesopot\u00e2micos viviam num mundo onde os eventos e fatos da vida mundana estavam fundamentados no mundo dos deuses e deusas, portanto tudo para eles era natural. Fundamentalmente, eles viviam num mundo onde a natureza era o espelho dos deuses (maravilhoso, terr\u00edvel, intrigante), e portanto tudo o que existia era permeado pela for\u00e7a divina. Podiam, evidentemente, existir for\u00e7as que se situavam al\u00e9m da esfera do Mundo F\u00edsico, onde habitava a humanidade, mas todas estas for\u00e7as faziam parte da natureza, e por conseq\u00fc\u00eancia, do divino.\n\nEm terceiro lugar, do ponto-de-vista crist\u00e3o, m\u00e1gica envolve dem\u00f4nios e Sat\u00e3. Este argumento \u00e9 totalmente irrelevante, pois Sat\u00e3 \u00e9 uma cria\u00e7\u00e3o judaico-crist\u00e3, e dem\u00f4nios s\u00e3o igualmente mais aterrorizantes dentro de religi\u00f5es dualistas, cujos preceitos da f\u00e9 assentam-se sobre a batalha do bem e do mal, e sobre dualidades irreconcili\u00e1veis. Na realidade, por muito tempo mesmo os crist\u00e3os fizeram atos de m\u00e1gica, sendo que a Igreja considerava certos tipos de atos de m\u00e1gica como aceit\u00e1veis \u2013 ou pelo menos toler\u00e1veis -, se tais atos envolvessem energias inerentes \u00e0 natureza ou a produtos da natureza. O debate com rela\u00e7\u00e3o a m\u00e1gica natural X m\u00e1gica demon\u00edaca durou pelo menos meio mil\u00eanio, e n\u00e3o foi resolvido at\u00e9 que a maioria dos te\u00f3logos concordaram que m\u00e1gica era algo ilus\u00f3rio e trai\u00e7oeiro, n\u00e3o uma for\u00e7a demon\u00edaca, na \u00e9poca do Iluminismo (s\u00e9culos XVII-XVIII).\n\nAs religi\u00f5es, que s\u00e3o cria\u00e7\u00f5es humanas, servem para dar \u00e0s pessoas a compreens\u00e3o de que as energias que sentimos e os eventos de que participamos n\u00e3o s\u00e3o ca\u00f3ticos ou impenetr\u00e1veis, mas sim que estes t\u00eam uma causa, e uma raz\u00e3o para acontecer. As artes m\u00e1gicas, por seu lado, possibilitam que possamos nos envolver de forma direta com estas energias e eventos, n\u00e3o como recipientes passivos, mas como participantes e recipientes ativos, com a habilidade para influenciar eventos e experi\u00eancias para o bem da humanidade, de uma ou mais pessoas ou mesmo outros sers.\n\n<strong>Em termos modernos, o(a) mago(a) \u00e9, na realidade:<\/strong>\n<blockquote>\n<p class=\"citacao\" align=\"left\">\u201cum oper\u00e1rio de forma\u00e7\u00e3o religiosa que operava como especialista de comunica\u00e7\u00f5es e poder, administrador de crises, curandeiro miraculoso e causador de danos, terapeuta todo-poderoso e agente ao qual recorriam as almas atribuladas, preocupadas e problem\u00e1ticas,\u201d (Hans Dieter Betz, The Greek Magical Papyri in Translation)<\/p>\n<\/blockquote>\nPor todos estes motivos as artes m\u00e1gicas t\u00eam persistido atrav\u00e9s dos tempos, a despeito da nega\u00e7\u00e3o e cr\u00edticas feitas por sistemas religiosos, mudan\u00e7as cient\u00edficas e tecnol\u00f3gicas, mudan\u00e7as s\u00f3cio-culturais. M\u00e1gica, independente do que radicais de todas as esp\u00e9cies e credos podem pensar, possibilita a todos n\u00f3s os mecanismos para que nos tornemos participantes ativos de nosso pr\u00f3prio destino.\n\n<strong>Fonte:<\/strong>\u00a0www.ancient.eu\/www.angelfire.com\/www.vestigios.hpg.ig.com.br\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Civiliza\u00e7\u00e3o Mesopot\u00e2mica, Mesopot\u00e2mia, Hist\u00f3ria, Sum\u00e9rios, Cultura, Religi\u00e3o, Cidades, Per\u00edodo, Imp\u00e9rio, Pol\u00edtica, Sociedade, Povos, Civiliza\u00e7\u00e3o Mesopot\u00e2mica<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":11197,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[57],"tags":[],"class_list":["post-20955","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia-geral"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - 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