{"id":20820,"date":"2015-12-23T00:00:00","date_gmt":"2015-12-23T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/ciclo-do-ouro-3\/"},"modified":"2026-09-01T15:34:12","modified_gmt":"2026-09-01T15:34:12","slug":"ciclo-do-ouro-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-geral\/ciclo-do-ouro-3\/","title":{"rendered":"Ciclo do Ouro"},"content":{"rendered":"\n<strong>Ciclo do Ouro &#8211; O que foi<\/strong>\n\nOs bandeirantes paulistas acabaram por encontrar garimpos de ouro nas regi\u00f5es de Minas Gerais, Goi\u00e1s e Mato Grosso, com isto pessoas de v\u00e1rias regi\u00f5es da col\u00f4nia e at\u00e9 da Europa partiram para o sert\u00e3o, muito al\u00e9m do limite de Tordesilhas. Em torno dos garimpos surgiram vilas e depois cidades. Uma sociedade urbana, o aparecimento de uma classe m\u00e9dia de pequenos artes\u00e3os e comerciantes.\n\nMas tudo girava em torno do metal precioso, mais tarde tamb\u00e9m surgiriam os diamantes, este passou a ser explorado por particulares, depois virou monop\u00f3lio real.\n\nO governo n\u00e3o se preocupou com a qualidade da extra\u00e7\u00e3o do min\u00e9rio, as t\u00e9cnicas eram rudimentares e o trabalho dif\u00edcil era executado por escravos, antes o governo enviava militares e fiscais a fim de evitar a sonega\u00e7\u00e3o e o contrabando de ouro e diamantes. Fora institu\u00eddo um imposto de um quinto sobre o min\u00e9rio encontrado, era o\u00a0<strong>Quinto.<\/strong>\n\nTodo ouro deveria ser levado a uma\u00a0<strong>casa de fundi\u00e7\u00e3o<\/strong>, onde seria cobrado o quinto e depois derretido e transformado em barra com a identifica\u00e7\u00e3o do peso e do Selo Real Portugu\u00eas.\n\nO rei tamb\u00e9m declarou que por ano fossem obtidas com a cobran\u00e7a do quinto, cem arrobas de ouro (1500 kg). Caso a meta n\u00e3o fosse atingida, seria declarada a\u00a0<strong>derrama<\/strong>, onde militares invadiriam as casas das regi\u00f5es mineradoras, para confiscar o ouro devido.\n\nO ciclo do ouro durou cerca de 140 anos, entrou em decad\u00eancia devido a extra\u00e7\u00e3o mal controlada e das t\u00e9cnicas rudimentares.\n\nA Espanha no s\u00e9culo XVI cometeu o mesmo erro ao extrair ouro e prata em grandes quantidades, o que levou a infla\u00e7\u00e3o na Europa, na chamada\u00a0<strong>Revolu\u00e7\u00e3o dos Pre\u00e7os<\/strong>, ou seja, a perda de valor do metal precioso.\n\n<strong>Ciclo do Ouro &#8211; Per\u00edodo<\/strong>\n\nO per\u00edodo do reinado de Dom Jo\u00e3o V, entre 1706 e 1750, foi reconhecido pelo aumento da produ\u00e7\u00e3o de ouro no Brasil.\n\nA\u00a0<strong>explora\u00e7\u00e3o do ouro<\/strong>\u00a0era tamanha, que funcionaram tr\u00eas casas da moeda simultaneamente. As moedas eram produzidas tamb\u00e9m para Portugal, e por isso, eram id\u00eanticas \u00e0s do reino portugu\u00eas.\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" title=\"Ciclo do Ouro\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/cciclo-5-1.jpg\" alt=\"Ciclo do Ouro\" \/><\/strong><strong>Moeda de 20 mil r\u00e9is, da s\u00e9rie \u201cdobr\u00f5es\u201d. Imagem extra\u00edda do livro \u201cA moeda\nno Brasil: na cole\u00e7\u00e3o do Centro Cultural do Brasil\u201d<\/strong><\/p>\n<p align=\"left\">A s\u00e9rie de moedas conhecida como dobr\u00f5es, cunhada pela Casa da Moeda de Minas Gerais, entre 1724 e 1727, ficou famosa por seu peso.<\/p>\n<p align=\"left\">A moeda de 20.000 r\u00e9is pesava 53,78 gramas e foi uma das moedas de ouro de maior peso que j\u00e1 circulou no mundo.<\/p>\nO\u00a0<strong>ciclo do ouro<\/strong>\u00a0ocorreu no final do s\u00e9culo XVII, \u00e9poca em que as exporta\u00e7\u00f5es do a\u00e7\u00facar nordestino diminu\u00edram.\n\nEssa diminui\u00e7\u00e3o na exporta\u00e7\u00e3o do a\u00e7\u00facar brasileiro se deu ao fato de os holandeses terem iniciado a produ\u00e7\u00e3o deste produto em suas col\u00f4nias da Am\u00e9rica Central.\n\nCom esta queda na produ\u00e7\u00e3o a\u00e7ucareira, os colonos portugueses se viram obrigados a buscarem novos meios de obterem riqueza do solo de sua col\u00f4nia, de modo que pudesse reverter tal patrim\u00f4nio \u00e0 Coroa Portuguesa, e foi justamente neste momento em que foram descobertas as primeiras minas de ouro no Brasil, mais especificamente nas regi\u00f5es de Minas Gerais, Goi\u00e1s e Mato Grosso.\n\nEnt\u00e3o, com a\u00a0<strong>explora\u00e7\u00e3o do ouro<\/strong>, esta atividade tornou-se a mais lucrativa no per\u00edodo colonial, e a capital da col\u00f4nia, que at\u00e9 ent\u00e3o se localizava em Salvador, mudou-se para o Rio de Janeiro, sob ordens do governo portugu\u00eas, como meio de estrat\u00e9gia de aproximar a capital \u00e0s regi\u00f5es aur\u00edferas.\n\nPor\u00e9m, a Coroa Portuguesa cobrava altos impostos sobre o min\u00e9rio extra\u00eddo, sendo tais impostos recolhidos pelas Casas de Fundi\u00e7\u00e3o ? \u00f3rg\u00e3o respons\u00e1vel pelo arrecadamento das taxas, e onde tamb\u00e9m o ouro era transformado em barras.\n\n<strong>Os principais impostos eram:<\/strong>\n<blockquote><strong>Quinto:\u00a0<\/strong>20% de toda a produ\u00e7\u00e3o do ouro pertenceriam ao rei portugu\u00eas;<strong>\nDerrama:\u00a0<\/strong>A col\u00f4nia deveria arrecadar uma quota de aproximadamente 1.500 kg de ouro por ano, e caso, essa quota n\u00e3o fosse atingida, penhoravam-se os bens de mineradores;<strong>\nCapita\u00e7\u00e3o:\u00a0<\/strong>Imposto pago por cabe\u00e7a, ou seja, para cada escravo que trabalhava nas minas era cobrado imposto sobre eles.<\/blockquote>\nEssas cobran\u00e7as de impostos, taxas, puni\u00e7\u00f5es e o abuso de poder pol\u00edtico portugu\u00eas sobre o povo nativo, gerou enormes conflitos contra os colonos, culminando, desta forma, em diversas revoltas sociais. Entre elas, a mais importante foi, sem d\u00favida, a Inconfid\u00eancia Mineira, ocorrida em 1789 e liderada por Joaquim Jos\u00e9 da Silva Xavier, mais conhecido como Tiradentes.\n\nO\u00a0<strong>per\u00edodo do ciclo do ouro<\/strong>\u00a0durou aproximadamente at\u00e9 o ano de 1785, \u00e9poca em que sucedeu a Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, na Inglaterra.\n\n<strong>Ciclo do Ouro &#8211; Descoberta<\/strong>\n\n<strong>Os Caminhos do Ouro<\/strong>\n\nDurante os dois primeiros S\u00e9culos de coloniza\u00e7\u00e3o do Brasil, a busca de minas de metais e pedras preciosas foi uma verdadeira obsess\u00e3o e os portugueses nunca perderam as esperan\u00e7as de encontrar em suas terras riquezas como as encontradas nas terras espanholas.\n\nA estimativa bastante subestimada da amplitude do continente sul-americano, levava \u00e0 convic\u00e7\u00e3o de que o Cerro de Potosi n\u00e3o deveria estar muito distante da fronteira brasileira e motivava as buscas em dire\u00e7\u00e3o ao oeste, sempre resultando em cont\u00ednuos desapontamentos.\n\nA ilus\u00e3o durou duzentos anos e reclamou muitas vidas antes de se tornar uma espantosa realidade.\n\nAo final do S\u00e9culo XVII, Portugal e Brasil estavam em situa\u00e7\u00e3o financeira t\u00e3o prec\u00e1ria que s\u00f3 um Eldorado poderia salv\u00e1-los, este Eldorado existia e logo seria encontrado, mas trouxe consigo muitos outros problemas.\n\nOs Governadores do Rio de Janeiro, muitas vezes haviam enviado expedi\u00e7\u00f5es para o interior em busca de riquezas, mas foram os paulistas com seu sangue amer\u00edndio, que mais se embrenharam pelo sert\u00e3o, em busca de \u00edndios para escravizarem nas suas lavouras e tamb\u00e9m de riquezas. A discuss\u00e3o acad\u00eamica sobre a descoberta do ouro \u00e9 t\u00e3o grande e as informa\u00e7\u00f5es t\u00e3o contradit\u00f3rias e fragmentadas, que n\u00e3o ficam d\u00favidas de que o ouro foi encontrado quase que simultaneamente em diversas regi\u00f5es do que \u00e9 hoje o Estado de Minas Gerais, por grupos diferentes de paulistas entre 1693 e 1695.\n\nManuel Borba Gato refugiou-se na Regi\u00e3o do Rio das Velhas e pode ter descoberto o ouro de aluvi\u00e3o em quantidade compensadora, mas manteve o fato em segredo.\n\nExiste tamb\u00e9m a possibilidade de que o ouro possa ter sido encontrado por aventureiros vindos da Bahia que penetraram em Sabarabu\u00e7u pelo Rio S\u00e3o Francisco e pelo Rio das Velhas.\n\n<strong>Charles Boxer considera que de fato:<\/strong>\n<blockquote>\u201ca descoberta do ouro de aluvi\u00e3o nos vales do Rio das Mortes e Rio Doce, ocorreu respectivamente num intervalo de tempo muito pequeno, entre 1693 e 1695.\u201d<\/blockquote>\nA corrida ao ouro, de in\u00edcio foi intensa e desesperada, fazendo com que a regi\u00e3o ficasse povoada de toda esp\u00e9cie de aventureiros e muitos mineiros, com os alforjes cheios de ouro, morreram no caminho sem encontrar um peda\u00e7o de mandioca, pelo qual dariam uma pepita. Entre 1697 e 1698 um surto de fome assolou as minas.\n\n<strong>Quando as riquezas das Minas come\u00e7aram a ser descobertas, a jornada at\u00e9 as minas durava cerca de dois meses e meio e havia dois caminhos para se atingir a regi\u00e3o:<\/strong>\n<blockquote>O primeiro, mostrado no mapa, era seguido pelas bandeiras, ia de S\u00e3o Paulo at\u00e9 o Rio S\u00e3o Francisco, acompanhando o Rio Para\u00edba atrav\u00e9s da Serra da Mantiqueira at\u00e9 o Rio Grande, onde se bifurcava para o Rio das Velhas e Doce. Por volta de 1700 uma liga\u00e7\u00e3o para este caminho j\u00e1 existia vindo do Porto de Parati e do Rio de Janeiro, este caminho ficou conhecido como Caminho Velho e se reunia ao caminho inicial em Taubat\u00e9, da\u00ed em diante a estrada se fundia at\u00e9 chegar aos campos aur\u00edferos. Em 1710 foi aberto outro caminho que ficou conhecido como Caminho Novo, que era mais direto e entrava pelo interior atingindo Juiz de Fora e da\u00ed a regi\u00e3o do ouro. Esta foi a primeira estrada oficial da Col\u00f4nia;\n\nO segundo vinha da Bahia e Pernambuco seguindo a margem direita do Rio S\u00e3o Francisco at\u00e9 o Rio das Velhas, este era o caminho mais longo mas tamb\u00e9m mais f\u00e1cil do que as trilhas montanhosas de Parati e S\u00e3o Paulo.<\/blockquote>\nA corrida desencadeada no in\u00edcio da descoberta do ouro, fez com que D. Jo\u00e3o de Lencastre previsse que o ouro encontrado em Minas encontraria caminho r\u00e1pido para na\u00e7\u00f5es estrangeiras, o que veio realmente a acontecer dez anos depois, conforme o jesu\u00edta Antonil e o Conselho Ultramarino deploraram de forma id\u00eantica.\n\nIsto ocorreu muito embora o Governador do Rio de Janeiro Artur de S\u00e1 e Meneses (1697-1702) tivesse visitado v\u00e1rias vezes S\u00e3o Paulo e a regi\u00e3o das Minas.\n\nDurante as suas aus\u00eancias deixava o governo da cidade, interinamente com Martim Correia Vasques e Francisco de Castro Morais.\n\nEm 1701, D. Jo\u00e3o de Lencastre fechou a estrada do Rio S\u00e3o Francisco e proibiu a ida \u00e0s minas de qualquer pessoa que n\u00e3o tivesse um passaporte assinado por ele pr\u00f3prio, Governador Geral do Brasil ou pelos Governadores do Rio de Janeiro ou de Pernambuco.\n\nMas esta medida impedia tamb\u00e9m que fossem levados \u00e0s regi\u00f5es das Minas os suprimentos necess\u00e1rios \u00e0 popula\u00e7\u00e3o e por isto ela se tornou in\u00f3cua.\n\nIgualmente in\u00fateis foram as medidas tomadas para limitar o n\u00famero de negros escravos que entrava em Minas.\n\nComo as autoridades locais eram incapazes de exercer sobre a regi\u00e3o das Minas qualquer controle efetivo, as autoridades da Bahia e do Rio de Janeiro procuravam limitar o tr\u00e1fico e policiar os caminhos que levavam \u00e0 regi\u00e3o, provid\u00eancia que tamb\u00e9m obteve pouco \u00eaxito.\n\n<strong>Segundo Antonil:<\/strong>\n<blockquote>\u201cEm 1709, calcula-se com razo\u00e1vel grau de possibilidade que havia umas 30.000 pessoas ocupadas em atividade mineradoras, agr\u00edcolas e comerciais, em Minas Gerais.\u201d<\/blockquote>\nApesar dos exageros das estimativas que apresentam um n\u00famero de 800.000 de pessoas chegando da terra-m\u00e3e para as Minas entre 1705 e 1750, sabe-se que a corrida \u00e0 regi\u00e3o foi bastante grande.\n\nEm 1720, Portugal limitou a emigra\u00e7\u00e3o para o Brasil. Outro tipo de pessoa que migrava para a regi\u00e3o eram os desertores das guarni\u00e7\u00f5es da Bahia, Rio de Janeiro e da Col\u00f4nia do Sacramento, fato que comprometia a seguran\u00e7a dos portos do mar.\n\nA regi\u00e3o mineira foi explorada, ocupada e em menor escala, colonizada com rapidez espantosa, dos arraiais mineiros vizinhos surgiram as atuais cidade como Ouro Preto, Sabar\u00e1 e S\u00e3o Jo\u00e3o Del Rei.\n\nEm menos de meio s\u00e9culo a popula\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o mineira ultrapassou os 600 mil habitantes, enquanto toda a popula\u00e7\u00e3o do Brasil e de Portugal n\u00e3o passava de 4 milh\u00f5es.\n\n<strong>Artur de S\u00e1 nomeou v\u00e1rios funcion\u00e1rios que deviam zelar pelos interesses da Coroa:<\/strong>\u00a0na cobran\u00e7a nos diversos distritos dos impostos que representava 20% do ouro oficialmente declarado, o que era conhecido como o quinto; no leil\u00e3o das datas da Coroa e no confisco das mercadorias contrabandeadas. Manuel Borba Gato, pioneiro paulista estava entre os funcion\u00e1rios da Coroa.\n\nO Governador estabeleceu centros de inspe\u00e7\u00e3o nos caminhos principais que levavam \u00e1 sa\u00edda da regi\u00e3o.\n\nA quantidade de ouro que deixava minas atrav\u00e9s de S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro fosse legal ou ilegal era menor do que a parte que chegava \u00e0 Bahia pela Estrada do S\u00e3o Francisco, mas ambos fugiam ao controle da Coroa que n\u00e3o tinha como evitar o escoamento descontrolado. A primeira medida efetiva para controlar o movimento do ouro foi estabelecer a Casa da Moeda no Rio de Janeiro, o que foi feito em 1697, no local onde funcionava o Armaz\u00e9m Del Rei, l\u00e1 foi instalado tamb\u00e9m os fornos e a fundi\u00e7\u00e3o real para processar o ouro que vinha das Minas.\n\nEm 1699, foram extra\u00eddos das minas cerca de 725 kg de ouro, este n\u00famero subiu para 1.785 kg dois anos depois e para 4.380 kg em 1703. O aumento foi progressivo e atingiu um total de 14.500 kg em 1712.\n<blockquote>\u201cAntonil avalia que menos de um ter\u00e7o do ouro realmente retirado das minas era declarado e outra autoridade da \u00e9poca alega que menos de um d\u00e9cimo encontrava, eventualmente, o caminho das fundi\u00e7\u00f5es e da Casa da Moeda.\u201d<\/blockquote>\nSe os mineiros tivessem se mantido unidos poderiam ter desafiado o controle da Coroa, mas n\u00e3o foi o que aconteceu e as diverg\u00eancias que colocava em oposi\u00e7\u00e3o os paulistas de um lado, que queriam a exclusividade na minera\u00e7\u00e3o e os \u201cforasteiros\u201d vindos de todas as partes e que eram conhecidos como emboabas de outro, fez com que, em 1707 eclodisse a Guerra dos Emboabas. A guerra, que durou tr\u00eas anos, deixou centenas de mortos, at\u00e9 o \u00faltimo combate em 22 de novembro de 1709, quando os paulistas desistiram de tomar o arraial onde os emboabas estavam entrincheirados, deu oportunidade \u00e0 Coroa de intervir e firmar sua autoridade na regi\u00e3o.\n\nA Guerra dos Emboabas fez com que o novo Governador do Rio de Janeiro, Ant\u00f4nio de Albuquerque Coelho de Carvalho logo que assumiu o Governo, em 1709, tivesse que viajar para as Minas para tentar debelar a Guerra cujos germens o seu antecessor n\u00e3o havia conseguido deter. Pacificada a regi\u00e3o D. Ant\u00f4nio sugeriu \u00e0 Metr\u00f3pole a cria\u00e7\u00e3o da Capitania Real de S\u00e3o Paulo e Minas Gerais, devido \u00e0 dist\u00e2ncia deste territ\u00f3rio, onde se desenvolvia grande atividade e que se povoava densamente, do Rio de Janeiro, fato que dificultava a a\u00e7\u00e3o eficiente da administra\u00e7\u00e3o. A sugest\u00e3o foi aceita e D. Ant\u00f4nio de Albuquerque foi o 1\u00ba Governador da nova Capitania.\n\nAnt\u00f4nio da Albuquerque era de fam\u00edlia da Beira, da aristocracia secund\u00e1ria, que de h\u00e1 muito tempo estava relacionada com o Brasil e a Capitania do Maranh\u00e3o.\n\nFoi a primeira autoridade da Coroa a ser recebido em Minas com real respeito.\n\n<strong>D. Ant\u00f4nio elevou \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de vila tr\u00eas dos arraiais da regi\u00e3o:<\/strong>\u00a0Ribeir\u00e3o do Carmo em 8 de abril de 1711, Vila Rica de Albuquerque em 8 de julho de 1711 e Nossa Senhora da Concei\u00e7\u00e3o de Sabar\u00e1 em 17 de julho de 1711.\n\nD. Ant\u00f4nio conseguiu apaziguar os \u00e2nimos na regi\u00e3o das Minas e tomou outras provid\u00eancias visando melhorar a administra\u00e7\u00e3o local, para facilitar a cobran\u00e7a dos quintos e para fazer a distribui\u00e7\u00e3o justa das datas mineiras e de sesmarias, entre emboabas e paulistas.\n\nGarantiu \u00e0s for\u00e7as rivais um equil\u00edbrio de for\u00e7as nas C\u00e2maras municipais recentemente criadas.\n\nEm meio \u00e0 situa\u00e7\u00e3o de pacifica\u00e7\u00e3o e de organiza\u00e7\u00e3o da Capitania, Albuquerque recebeu a alarmante not\u00edcia da invas\u00e3o do Rio de Janeiro pela expedi\u00e7\u00e3o francesa comandada por Duguay-Trouin.\n\nO destino da cidade estava na balan\u00e7a e ele sem perder tempo levantou tropas de socorro, equipou-as e marchou para o litoral para prestar socorro \u00e0 cidade neste momento de dificuldade.\n\nO ouro das Minas foi a maior reserva de ouro do mundo e nunca se tirou tanto ouro de uma regi\u00e3o. Depois de Minas foi encontrado ouro tamb\u00e9m em Goi\u00e1s, na Bahia e em Mato Grosso.\n\nMas as riquezas descobertas n\u00e3o se limitaram apenas ao ouro, em 1727, num lugarejo conhecido como Arraial do Tijuco, hoje Diamantina, foi encontrada uma grande lavra com os mais reluzentes diamantes.\n\nEsta not\u00edcia fez com que D. Jo\u00e3o V exultasse juntamente com todo Portugal. No Tijuco, a alegria durou pouco, porque a pol\u00edtica que Portugal instaurou no Distrito para controlar a explora\u00e7\u00e3o e a sa\u00edda das pedras preciosas foi das mais repressivas e opressoras da coloniza\u00e7\u00e3o europ\u00e9ia na Am\u00e9rica, a regi\u00e3o dos diamantes foi totalmente isolada e s\u00f3 se podia entrar e sair dela com autoriza\u00e7\u00e3o.\n\nO Brasil jogou tantos diamantes no mercado europeu que o pre\u00e7o do quilate caiu 75%. Dos seis contratantes que detiveram o poder de explorar os diamantes, quatro ca\u00edram em desgra\u00e7a depois que o Marqu\u00eas de Pombal assumiu o comando da Corte em Lisboa. Ao longo de sete d\u00e9cadas, 1740 a 1810, o Brasil produziu cerca de tr\u00eas milh\u00f5es de quilates.\n\nNesta \u00e9poca mais de dez mil escravos trabalharam nas minas.\n\n<strong>Estas descobertas tiveram profundas repercuss\u00f5es no mundo portugu\u00eas:<\/strong>\u00a0o interior do Brasil come\u00e7ou a ser ocupado em massa; a m\u00e3o-de-obra escrava e livre das planta\u00e7\u00f5es das cidades costeiras foi atra\u00edda para a explora\u00e7\u00e3o mineira, tornando-se a m\u00e3o-de-obra na lavoura escassa e causando o aumento do pre\u00e7o do a\u00e7\u00facar; aumentou a procura de escravos para as minas e para as planta\u00e7\u00f5es.\n\nO governo de Portugal endividado, com uma nobreza falida e uma burguesia indigente, num prazo de vinte anos se transformou no maior produtor de ouro do mundo.\n\nO ouro do Brasil permitiu a retomada de entrada de reservas em Portugal e ele pode se recompor financeiramente.\n\nPortugal vivenciou tempos de uma Monarquia Ilustrada e rica e a Corte teve seus dias de grandiosidade e esplendor. Se o quinto enviado para Portugal foi suficiente para enriquecer Portugal, pode-se imaginar o que n\u00e3o ocorreu na Col\u00f4nia que ficou com quatro quintos que passaram a circular no mercado, deve ter servido para enriquecer grande parcela da popula\u00e7\u00e3o, principalmente negociantes, capitalistas e mercadores que viviam em sua maior parte nas Capitanias do Rio de Janeiro e de Minas Gerais. Esta concentra\u00e7\u00e3o de riquezas causou fortes mudan\u00e7as econ\u00f4micas, sociais e culturais que refletiram na vida das vilas e das cidades.\n\nAntes da descoberta do ouro das minas, a disposi\u00e7\u00e3o legal sobre a tributa\u00e7\u00e3o do ouro se resumia \u00e0s Ordena\u00e7\u00f5es Manuelinas, de 1521, que estipulava que um quinto do min\u00e9rio extra\u00eddo deveria pertencer \u00e0 Coroa.\n\nCom a riqueza aflorando da terra e a d\u00edvida externa de Portugal sendo duas vezes superior \u00e0 sua renda, as Minas sofreriam uma das mais altas tributa\u00e7\u00f5es j\u00e1 conhecidas.\n\n<strong>Os mineradores pagavam o quinto, mas tamb\u00e9m tinham de pagar:<\/strong>\u00a0os \u201cdireitos de entradas\u201d, sobre os produtos vindos de fora, que \u00e0s vezes chagava a 75% do valor da mercadoria no Porto do Rio de Janeiro; os \u201cdireitos de passagem\u201d que era um ped\u00e1gio cobrado nos rios; os d\u00edzimos para Igreja e o \u201csubs\u00eddio volunt\u00e1rio\u201d criado pelo Marqu\u00eas de Pombal, para reconstru\u00e7\u00e3o de Lisboa, depois do terremoto de 1755.\n\nTodas as estradas, rios e passagens possu\u00edam casas de registro e o ouro s\u00f3 podia circular em barras ou com um guia.\n\nEm 1713, os mineradores ofereceram, em troca da suspens\u00e3o do quinto, uma finta de 30 arrobas anuais \u00e0 Coroa, que foi baixada para 25 em 1718 e aumentada para 37 em 1719.\n\nAo receberem suas datas, os mineiros tinham que pagar um d\u00edzimo para cobrir os ordenados dos superintendentes, guarda-mares, guardas menores, oficiais e policiais que patrulhavam a regi\u00e3o. Mas calcula-se que 35% do metal extra\u00eddo era contrabandeado. A legisla\u00e7\u00e3o mudou em 1701, 1713, 1715, 1718, 1719, 1725, 1730 e 1750. Em 1735 quando Gomes Freire quis estabelecer um imposto de 17 gramas por ano por escravo, os mineradores ofereceram uma finta de cem arrobas anuais \u00e0 Coroa.\n\nAl\u00e9m da quantidade de ouro declarado oficialmente e que pagava o quinto havia grande parte n\u00e3o declarada, que se mantinha fora do controle e alimentava a pr\u00e1tica de grande quantidade de atividades clandestinas.\n\nA Corte sabia e tentava impedir a sonega\u00e7\u00e3o de impostos, que se tornava pr\u00e1tica comum no Brasil e tamb\u00e9m combatia a possibilidade de ourives da Col\u00f4nia cunhar moeda sem controle do Governo. Em 1742, o Governador Mathias Coelho de Souza baixou um bando com a finalidade de estabelecer uma zona da cidade em que todos os profissionais de ourivesaria ficassem confinados com suas oficinas.\n\nO contrabando de ouro utilizava frequentemente uma forma bastante interessante que era a Santa do Pau Oco, que carregava ouro em seu interior.\n\nO Museu Hist\u00f3rico Nacional possui magn\u00edficos exemplares deste tipo de santo.\n\nO per\u00edodo mais importante do ouro no Brasil ocorreu no reinado de D. Jo\u00e3o V, entre 1706 e 1750, o per\u00edodo foi marcado pelo desvario t\u00edpico dos que enriquecem depressa, al\u00e9m do costume de presentear amigos com caixotes de ouro, o rei encheu a cidade de obras fara\u00f4nicas. A riqueza era grande e pouco se ligava para os neg\u00f3cios de Estado. D. Jo\u00e3o V foi contempor\u00e2neo do rei Sol, Lu\u00eds XIV e desejou imit\u00e1-lo inaugurando urna era dourada de absolutismo em Portugal e construiu o gigantesco Pal\u00e1cio-Mosteiro de Mafra \u2013 1717 a 1735, para rivalizar com o Escorial e com o Pal\u00e1cio de Versalhes, gastando a maior parte do ouro que chegava a Portugal. Construiu tamb\u00e9m o Aqueduto das \u00c1guas Livres \u2013 1732 a 1748, que transportou pela primeira vez \u00e1gua pot\u00e1vel para Lisboa e foi de grande utilidade e aceita\u00e7\u00e3o popular. D. Jo\u00e3o pode tamb\u00e9m contratar para trabalhar em Portugal artistas estrangeiros para participarem das obras que pretendia realizar.\n\nNeste mesmo per\u00edodo estreitaram-se os la\u00e7os entre Portugal e Inglaterra, com a riqueza do ouro, os ingleses incrementaram o relacionamento com Portugal, sobretudo ap\u00f3s o Tratado de Methuen, em 1703, pelos quais os ingleses tornaram-se fornecedores do que Portugal exportava para o Brasil e de alimentos que Portugal j\u00e1 n\u00e3o produzia, enquanto a Gr\u00e3-Bretanha imporia taxas preferenciais para os vinhos portugueses.\n\nA partir do tratado, acentuou-se em Portugal o dom\u00ednio comercial dos ingleses, que acumularam grande quantidade de ouro, pois os portugueses compravam muito mais do que vendiam e desta maneira quase todo o ouro arrancado das entranhas de Minas Gerais passaram por Lisboa e foram parar na Inglaterra.\n\nAos poucos os comerciantes ingleses tornaram-se os senhores de todo o com\u00e9rcio portugu\u00eas com a Europa.\n\nEm 1770 a produ\u00e7\u00e3o de ouro brasileiro come\u00e7ou a declinar desastrosamente, e Portugal n\u00e3o soube aproveitar seu per\u00edodo de riqueza, em vez de ter utilizado seus recursos para se industrializar e pagar suas d\u00edvidas endividou-se cada vez mais e manteve a estrutura do s\u00e9culo XVI, decretando assim sua fal\u00eancia e ficando subjugado totalmente \u00e0 Inglaterra.\n\nTodo o ouro do Brasil passava pela nobreza portuguesa e ia enriquecer a burguesia inglesa. A Espanha tamb\u00e9m teve sua crise, mas n\u00e3o foi t\u00e3o monstruosa quanto a de Portugal.\n\n<strong>Ciclo do Ouro &#8211; Hist\u00f3ria<\/strong>\n\nO\u00a0<strong>Ciclo do Ouro<\/strong>\u00a0foi o mais rico per\u00edodo da hist\u00f3ria do s\u00e9culo XVIII, a extra\u00e7\u00e3o do ouro foi a principal atividade econ\u00f4mica brasileira.\n\nO metal amarelo e t\u00e3o cobi\u00e7ado, revolucionou o mundo. Em todos os munic\u00edpios, o patrim\u00f4nio arquitet\u00f4nico \u00e9 testemunha desse passado hist\u00f3rico-cultural.\n\nO per\u00edodo do reinado de Dom Jo\u00e3o V, entre 1706 e 1750, foi reconhecido pelo aumento da produ\u00e7\u00e3o de ouro no Brasil.\n\nNo final do s\u00e9culo XVII, as exporta\u00e7\u00f5es de a\u00e7\u00facar brasileiro come\u00e7aram a diminuir. Com pre\u00e7os mais baixos e boa qualidade, a Europa passou a dar prefer\u00eancia para o a\u00e7\u00facar holand\u00eas.\n\nEsta crise no mercado brasileiro colocou Portugal numa situa\u00e7\u00e3o de buscar novas fontes de renda.\n\nFoi neste contexto que os bandeirantes come\u00e7aram a encontrar minas de ouro em Minas Gerais, Goi\u00e1s e Mato Grosso. No s\u00e9culo XVII, o bandeirante Fern\u00e3o Dias saiu de S\u00e3o Paulo com seus seguidores em busca de prata e esmeraldas em Sabar\u00e1.\n\nPor\u00e9m, foi s\u00f3 no fim do s\u00e9culo XVII que revelou-se em Minas Gerais a ocorr\u00eancia de ouro. Os diamantes, por sua vez, foram descobertos na segunda d\u00e9cada do s\u00e9culo XVIII.\n\nO primeiro ouro encontrado era chamado ouro de aluvi\u00e3o, ou seja, o ouro que se encontra nos vales dos rios.\n\nFoi achado no vale do rio Doce e do rio das Mortes. Isso desencadeou uma verdadeira corrida para a regi\u00e3o de Minas Gerais.\n\n<strong>Ciclo do Ouro &#8211; Sociedade<\/strong>\n\nO ciclo econ\u00f4mico da minera\u00e7\u00e3o dinamizou a sociedade brasileira. Diferente do ciclo do a\u00e7\u00facar, a riqueza proveniente do ouro n\u00e3o ficou concentrada nas m\u00e3os de um \u00fanico grupo social.\n\nComo as riquezas passaram a se concentrar na regi\u00e3o sudeste, a capital da col\u00f4nia deixou de ser Salvador e passou a ser o Rio de Janeiro. Rio de Janeiro tornava mais f\u00e1cil e r\u00e1pido o acesso as regi\u00f5es mineradoras.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"\" title=\"Ciclo do Ouro\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/cciclo-4-1.jpg\" alt=\"Ciclo do Ouro\" width=\"447\" height=\"366\" \/><strong>\nMinera\u00e7\u00e3o de ouro pintada por Rugendas<\/strong><\/p>\nCom o desenvolvimento de cidades como Vila Rica, Mariana, Diamantina, entre outras, apareceram os comerciantes, artes\u00e3os, intelectuais, padres, funcion\u00e1rios p\u00fablicos e outros profissionais liberais.\n\nOs escravos tamb\u00e9m ganharam import\u00e2ncia, e muitos deles conquistaram junto a seus senhores o direito \u00e0 liberdade devido ao \u00eaxito das minera\u00e7\u00f5es. Eram denominados negros alforriados ou forros.\n\nOutros compravam sua liberdade.\n\nUm outro grupo que se destacou foram os tropeiros, que faziam com\u00e9rcio de alimentos e mercadorias. Muitos faziam o transporte da carga entre Rio Grande do Sul e S\u00e3o Paulo, seguindo depois para Minas Gerais.\n\n<strong>Ciclo do Ouro &#8211; Cultura<\/strong>\n\nO desenvolvimento da vida urbana trouxe tamb\u00e9m mudan\u00e7as culturais e intelectuais na col\u00f4nia, destacando-se a chamada escola mineira, geralmente ligada ao Barroco.\n\nS\u00e3o expoentes as obras esculturais e arquitet\u00f4nicas de Ant\u00f4nio Francisco Lisboa, o \u201cAleijadinho\u201d, em Minas Gerais e do Mestre Valentim, no Rio de Janeiro.\n\nNa m\u00fasica, destacou-se o estilo sacro do mineiro Jos\u00e9 Mesquita, al\u00e9m da m\u00fasica popular representada pela modinha e pela cantiga de ninar de origem lusitana e pelo lundu de origem africana.\n\nNa literatura, se destacaram grandes poetas, como Cl\u00e1udio Manoel da Costa, Tom\u00e1s Ant\u00f4nio Gonzaga, entre outros.\n\n<strong>Ciclo do Ouro &#8211; Explora\u00e7\u00e3o<\/strong>\n\n<strong>Haviam duas formas principais de explora\u00e7\u00e3o do ouro na regi\u00e3o das minas:<\/strong>\u00a0a lavra e a faisca\u00e7\u00e3o.\n\nA lavra era o tipo mais frequente. Consistia na extra\u00e7\u00e3o em grandes jazidas, utilizando m\u00e3o-de-obra de escravos africanos.\n\nPor sua vez, a faisca\u00e7\u00e3o ? tamb\u00e9m conhecida como faisqueira ? era a extra\u00e7\u00e3o representada pelo trabalho do pr\u00f3prio garimpeiro, raramente auxiliado por ajudantes.\n\nNa segunda metade do s\u00e9culo XVIII, a minera\u00e7\u00e3o entrou em decad\u00eancia com o esgotamento das jazidas.\n\n<strong>Ciclo do Ouro &#8211; Fiscaliza\u00e7\u00e3o<\/strong>\n\nPortugal exerceu sobre a explora\u00e7\u00e3o do ouro controle maior do que aquele exercido no a\u00e7\u00facar. Um dos motivos \u00e9 o fato de que, no decorrer do s\u00e9culo XVIII, a economia portuguesa estava muito dependente da economia inglesa.\n\nAssim, para recuperar sua economia, Portugal criou v\u00e1rios mecanismos de controle e fiscaliza\u00e7\u00e3o, como a Intend\u00eancia de Minas e as Casas de Fundi\u00e7\u00e3o.\n\nA Intend\u00eancia de Minas foi um \u00f3rg\u00e3o criado em 1702. Controlado pelo rei, a intend\u00eancia tinha a fun\u00e7\u00e3o de distribuir terras para explora\u00e7\u00e3o do ouro, fiscalizar e cobrar impostos.\n\nAs Casas de Fundi\u00e7\u00e3o, por sua vez, eram locais em que todo o ouro encontrado nas minas era transformado em barras para facilitar a cobran\u00e7a de impostos.\n\nDentre os principais impostos cobrados sobre a explora\u00e7\u00e3o do ouro, podemos destacar o quinto, a capita\u00e7\u00e3o e a derrama.\n\n<strong>Ciclo do Ouro &#8211; Impostos<\/strong>\n\nComo vimos anteriormente, a coroa portuguesa lucrava muito com a cobran\u00e7a de taxas e impostos. Assim, quem encontrava ouro na col\u00f4nia deveria pagar o quinto. Este imposto era cobrado nas Casas de Fundi\u00e7\u00e3o, que retiravam 20% do total e enviavam para Portugal.\n\nEste era o procedimento legal e exigido pela coroa portuguesa. Por\u00e9m, muitos sonegavam mesmo correndo riscos de pris\u00e3o ou degredo, ou seja, a expuls\u00e3o do pa\u00eds.\n\nOutro imposto era a Capita\u00e7\u00e3o, valor cobrado por cada escravo utilizado como m\u00e3o-de-obra na extra\u00e7\u00e3o das minas.\n\nPortugal cobrava de cada regi\u00e3o aur\u00edfera uma certa quantidade de ouro, aproximadamente 1500 kg anuais. Quando esta taxa n\u00e3o era paga, havia a execu\u00e7\u00e3o da derrama. Neste caso, soldados entravam nas resid\u00eancias e retiravam os bens dos moradores at\u00e9 completar o valor devido.\n\nAs cobran\u00e7as excessivas de impostos, as puni\u00e7\u00f5es e a forte fiscaliza\u00e7\u00e3o da coroa portuguesa provocaram rea\u00e7\u00f5es na popula\u00e7\u00e3o. V\u00e1rias revoltas ocorreram neste per\u00edodo, como a Guerra dos Emboabas, a Revolta de Felipe dos Santos, a Inconfid\u00eancia Mineira e a Conjura\u00e7\u00e3o Baiana.\n\n<strong>Guerra dos Emboabas<\/strong>\n\nA Guerra dos Emboabas ocorreu entre 1707 e 1709, em Minas Gerais. Dentre as causas, podemos destacar os embates entre paulistas e portugueses pelo direito de explorar ouro na regi\u00e3o das minas.\n\nPelo fato de terem sido os primeiros a descobrir as minas, os paulistas queriam ter mais direitos e benef\u00edcios sobre o ouro que haviam encontrado.\n\nPor outro lado, os portugueses tamb\u00e9m denominados emboabas, ou forasteiros queriam o direito de explora\u00e7\u00e3o do ouro e formaram comunidades dentro da regi\u00e3o que j\u00e1 era habitada pelos paulistas.\n\nDentre os l\u00edderes estavam o bandeirante Manuel de Borba Gato, que chefiava os paulistas. O portugu\u00eas Manuel Nunes Viana, por sua vez, chefiava os emboabas.\n\nDentro desta rivalidade ocorreram muitos conflitos e mortes que abalaram consideravelmente as rela\u00e7\u00f5es entre os dois grupos. No fim, foi criada a capitania de S\u00e3o Paulo.\n\n<strong>Revolta de Felipe dos Santos<\/strong>\n\nA Revolta de Felipe dos Santos, tamb\u00e9m conhecida como Revolta de Vila Rica, ocorreu em 1720, em Vila Rica.\n\nDentre as causas da revolta, podemos destacar a insatisfa\u00e7\u00e3o do povo \u2013 al\u00e9m de comerciantes e propriet\u00e1rios \u2013 com a r\u00edgida fiscaliza\u00e7\u00e3o portuguesa, os altos impostos e as puni\u00e7\u00f5es.\n\nO principal l\u00edder da revolta foi Felipe dos Santos Freire, que era um rico fazendeiro e tropeiro. Ele defendia o fim das Casas de Fundi\u00e7\u00e3o e a diminui\u00e7\u00e3o da fiscaliza\u00e7\u00e3o da Metr\u00f3pole.\n\nSuas ideias atra\u00edram a aten\u00e7\u00e3o de boa parte da popula\u00e7\u00e3o, que pegou em armas e chegou a ocupar Vila Rica.\n\nA revolta durou quase um m\u00eas. Diante da situa\u00e7\u00e3o tensa, o governador da regi\u00e3o, Conde de Assumar, chamou os revoltosos para negociar, solicitando que abandonassem as armas.\n\nAp\u00f3s acalmar e fazer promessas aos revoltosos, o conde ordenou \u00e0s tropas para que invadissem a vila. Os l\u00edderes foram presos e suas casas incendiadas.\n\nFelipe dos Santos foi julgado e condenado \u00e0 morte por enforcamento.\n\n<strong>Inconfid\u00eancia Mineira<\/strong>\n\nA Inconfid\u00eancia Mineira, tamb\u00e9m conhecida como Conjura\u00e7\u00e3o Mineira, ocorreu em 1789, em Minas Gerais. \u00c9 considerada um movimento separatista, pois tinha a inten\u00e7\u00e3o de separar o Brasil de Portugal.\n\nDentre as causas da revolta, podemos destacar a cobran\u00e7a excessiva de impostos, em especial a derrama, al\u00e9m da proibi\u00e7\u00e3o de instala\u00e7\u00e3o de f\u00e1bricas em territ\u00f3rio brasileiro. Al\u00e9m disso, as ideias de liberdade, pregadas pelo iluminismo europeu, contagiaram boa parte do povo e da elite econ\u00f4mica de Minas Gerais.\n\nOs principais l\u00edderes foram Tomas Antonio Gonzaga, Cl\u00e1udio Manuel da Costa e Joaquim Jos\u00e9 da Silva Xavier, conhecido como Tiradentes. Chamados de inconfidentes, a ideia do grupo era conquistar a liberdade de Portugal e implantar o sistema de governo republicano em nosso pa\u00eds. Vale ressaltar que, sobre a escravid\u00e3o, o grupo n\u00e3o tinha posi\u00e7\u00e3o definida.\n\nOs inconfidentes haviam marcado o dia do movimento para uma data em que a derrama seria executada. Desta forma, poderiam contar com o apoio de parte da popula\u00e7\u00e3o que estaria revoltada. Por\u00e9m, um dos inconfidentes, Joaquim Silv\u00e9rio dos Reis, delatou o movimento para as autoridades portuguesas, em troca do perd\u00e3o de suas d\u00edvidas com a coroa.\n\nTodos os inconfidentes foram presos, enviados para o Rio de Janeiro e acusados pelo crime de infidelidade ao rei. Alguns inconfidentes ganharam como puni\u00e7\u00e3o o degredo para a \u00c1frica e outros pena de pris\u00e3o. Por\u00e9m, Tiradentes, ap\u00f3s assumir a lideran\u00e7a do movimento, foi condenado \u00e0 forca em pra\u00e7a p\u00fablica.\n\n<strong>Conjura\u00e7\u00e3o Baiana<\/strong>\n\nA Conjura\u00e7\u00e3o Baiana, tamb\u00e9m chamada de Revolta dos Alfaiates, ocorreu em 1798, em Salvador. Da mesma forma que a Conjura\u00e7\u00e3o Mineira, tamb\u00e9m foi um movimento separatista e desejava a proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica. Por\u00e9m, ao contr\u00e1rio daquela, esta teve maior participa\u00e7\u00e3o popular e defendia o fim da escravid\u00e3o.\n\nDentre as causas principais, podemos destacar a mudan\u00e7a da capital da col\u00f4nia de Salvador para o Rio de Janeiro, os altos impostos, a concentra\u00e7\u00e3o de terras e as imposi\u00e7\u00f5es de Portugal.\n\nAl\u00e9m disso, o movimento foi influenciado pela Independ\u00eancia dos Estados Unidos, do Haiti e pela Revolu\u00e7\u00e3o Francesa. As ideias iluministas de liberdade, igualdade e fraternidade estimulavam os conjuradores.\n\nA conjura\u00e7\u00e3o contou com a participa\u00e7\u00e3o de sapateiros, alfaiates, bordadores, ex-escravos e escravos. No fim, o movimento foi sufocado por Portugal e os principais l\u00edderes foram, presos, degredados ou condenados \u00e0 morte.\n\n<strong>Ciclo do Ouro &#8211; Resumo<\/strong>\n\nAt\u00e9 o fim do s\u00e9culo XVII, a exporta\u00e7\u00e3o do a\u00e7\u00facar se constitu\u00eda na principal atividade econ\u00f4mica desempenhada por Portugal em terras brasileiras.\n\nContudo, ap\u00f3s a Holanda iniciar o cultivo da cana-de-a\u00e7\u00facar nas Antilhas, passou a oferecer um a\u00e7\u00facar de grande qualidade e com um pre\u00e7o mais competitivo do que o produzido no Brasil.\n\nTal fato desencadeou uma crise no mercado de a\u00e7\u00facar brasileiro. Desta forma, Portugal precisou buscar uma nova fonte de lucros.\n\nEssa busca teve um fim com a informa\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia de muito ouro e outras pedras preciosas em Minas Gerais e, posteriormente, Goi\u00e1s e em Mato Grosso.\n\nTais descobertas se deram em raz\u00e3o da a\u00e7\u00e3o dos bandeirantes, sertanistas que desbravavam o interior do Brasil em busca de riquezas.\n\nO\u00a0<strong>Ciclo do Ouro<\/strong>\u00a0desencadeou uma verdadeira corrida em busca do enriquecimento. Portugueses e brasileiros de todas as partes se moveram para as novas e promissoras regi\u00f5es. Entretanto, logicamente a Coroa logo estabeleceu pesados impostos para lucrar com toda a atividade aur\u00edfera gerada.\n\nTodo o ouro encontrado deveria ser encaminhado para as Casas de Fundi\u00e7\u00e3o, derretido e transformado em barras, nas quais havia o selo da Coroa (uma esp\u00e9cie de autoriza\u00e7\u00e3o).\n\n<strong>Neste processo j\u00e1 era cobrado um imposto:<\/strong>\u00a0o quinto, que nada mais era do que a cobran\u00e7a da quinta parte de todo o ouro encontrado.\n\nOutro imposto estabelecido pela Coroa foi a derrama. Neste caso, a mesma estabelecia a cobran\u00e7a anual de uma quantidade espec\u00edfica de ouro de cada regi\u00e3o aur\u00edfera. Caso n\u00e3o fosse gerado o valor pretendido em impostos, os soldados invadiam as casas e tomavam bens de valor da popula\u00e7\u00e3o, at\u00e9 atingir o valor pr\u00e9-estabelecido.\n\nO\u00a0<strong>Ciclo do Ouro<\/strong>\u00a0trouxe consigo significativas mudan\u00e7as de car\u00e1ter socioecon\u00f4mico. O eixo econ\u00f4mico do Brasil passou a ser o Sudeste. Uma prova disto foi a mudan\u00e7a da capital, de Salvador para o Rio de Janeiro.\n\nDe uma forma geral, o Centro-Sul do Brasil passou por uma fase de desenvolvimento, com a constru\u00e7\u00e3o de escolas, teatros, igrejas e diversas obras de infra-estrutura.\n\n<strong>Fonte:<\/strong>\u00a0Frederico Czar (Professor de Hist\u00f3ria)\/www.historiadigital.org\/www.marcillio.com\/www.historiabrasileira.com\/200anos.fazenda.gov.br\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ciclo do Ouro, Sociedade, Hist\u00f3ria, Brasil, Explora\u00e7\u00e3o, Cultura, Impostos, Per\u00edodo, Minas, Economia, Extra\u00e7\u00e3o, Ciclo do Ouro<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":10466,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[57],"tags":[],"class_list":["post-20820","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia-geral"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - 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