{"id":20775,"date":"2015-12-23T00:00:00","date_gmt":"2015-12-23T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/america-espanhola-3\/"},"modified":"2015-12-23T00:00:00","modified_gmt":"2015-12-23T00:00:00","slug":"america-espanhola-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-geral\/america-espanhola-3\/","title":{"rendered":"Am\u00e9rica Espanhola"},"content":{"rendered":"\n<strong>Am\u00e9rica Espanhola &#8211; Hist\u00f3ria<\/strong>\n\nLogo que a\u00a0<strong>Espanha<\/strong>\u00a0iniciou sua coloniza\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica, percebeu-se que sua pol\u00edtica de subjuga\u00e7\u00e3o seria absurdamente arbitr\u00e1ria, violenta e intolerante.\n\nOs espanh\u00f3is simplesmente dizimaram as \u00e1reas sob seu jugo, tendo extinguido civiliza\u00e7\u00f5es avan\u00e7ad\u00edssimas e destru\u00eddo muitas provas materiais da exist\u00eancia dessas culturas.\n\nTudo isso ocorreu porque os exploradores da Espanha receberam do rei o direito de fundar novas cidades nas terras colonizadas, evangelizando os \u00edndios e utilizando todo o poderio b\u00e9lico de que necessitassem para garantir seu intento.\n\nEm troca dessa liberdade plena, a Coroa exigia o chamado \u201cquinto\u201d sobre toda a quantidade de metais preciosos extra\u00eddos das novas terras. Desta forma, garantia-se a ocupa\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio sem gastos para o Estado que, para garantir a c\u00f4moda situa\u00e7\u00e3o, permitiu todas as atrocidades cometidas pelos homens que para a Am\u00e9rica seguiram. Logo, surgiram os primeiros n\u00facleos metropolitanos, sempre nas imedia\u00e7\u00f5es das minas mais prol\u00edficas.\n\n<strong>Para trabalhar nas minas, os espanh\u00f3is escravizaram os ind\u00edgenas (os maias no M\u00e9xico e os incas na regi\u00e3o andina, notadamente no territ\u00f3rio que hoje corresponde ao Peru), garantindo sua subservi\u00eancia atrav\u00e9s de dois dispositivos:\u00a0<\/strong>a encomienda e a mita.\n\nA encomienda era o sistema de trabalho obrigat\u00f3rio e n\u00e3o-remunerado imposto aos \u00edndios que, em troca, recebiam o \u201cdireito\u201d de ser cristianizados pelos encomenderos (seus senhores).\n\n<strong>Era, em suma, a institui\u00e7\u00e3o que justificava o processo de escraviza\u00e7\u00e3o. J\u00e1 a mita era o sistema de trabalho remunerado:<\/strong>\u00a0o \u00edndio recebia o sal\u00e1rio e, em troca, pagava pelo uso da terra.\n\nComo o sal\u00e1rio era sempre menor que o valor cobrado pelo direito \u00e0 terra, o ind\u00edgena se atolava em d\u00edvidas e ficava preso ao colonizador. Portanto, era tamb\u00e9m justificativa para a escravid\u00e3o. Assim, num espa\u00e7o muito curto de tempo, todos os nativos da Am\u00e9rica espanhola foram escravizados e suas comunidades desmanteladas. Suas culturas desapareceram e um grande \u00edndice de mortalidade se abateu sobre eles, resultado das muitas horas de trabalho for\u00e7ado di\u00e1rias e das p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es de alimenta\u00e7\u00e3o.\n\n<strong>Como o excedente de m\u00e3o-de-obra era bastante grande, os exloradores n\u00e3o se preocupavam com a condi\u00e7\u00e3o dos trabalhadores:\u00a0<\/strong>se morriam, havia milhares para substitui-los.\n\nO problema da falta de alimento n\u00e3o atingiu a elite (somente os \u00edndios, que, ao serem obrigados a trabalhar nas minas, n\u00e3o mais podiam exercer sua cultura de subsist\u00eancia. Assim, tinham que pagar por sua comida, mas n\u00e3o recebiam sal\u00e1rios, ou recebiam dividendos miser\u00e1veis, tendo que optar por sujeitar-se \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o provida pelo colono ou por afundar-se em d\u00edvidas), que investia parte de seu lucro nas haciendas, locais onde eram produzidos gr\u00e3os e outros g\u00eaneros, e nas est\u00e2ncias, onde desenvolvia-se a pecu\u00e1ria, para seu sustento.\n\n<strong>Com o desenvolvimento das atividades coloniais extrativistas, a Coroa espanhola criou alguns \u00f3rg\u00e3os administrativos que objetivavam fiscalizar e garantir seu monop\u00f3lio comercial, dentre as quais:<\/strong>\u00a0a Casa de Contrata\u00e7\u00e3o (que recolhia o quinto, ditava as normas comerciais e redigia os pressupostos legislativos) e o Conselho das \u00cdndias (respons\u00e1vel por regulamentar toda administra\u00e7\u00e3o da col\u00f4nia, lan\u00e7ando m\u00e3o de vice-reinados e capitanias gerais, cujos senhores eram por ela escolhidos). Para garantir a aflu\u00eancia dos metais \u00e0 Espanha e intimidar a a\u00e7\u00e3o de cors\u00e1rios, foram criados o regime de porto \u00fanico e os comboios anuais de carregamento (ou seja, in\u00fameros navios navegando junto, que s\u00f3 podiam partir de alguns poucos e determinados portos americanos e ancorar num \u00fanico porto espanhol). Por\u00e9m, o contrabando n\u00e3o foi contido de maneira satisfat\u00f3ria.\n\n<strong>Am\u00e9rica Espanhola &#8211; Exploradores<\/strong>\n\nOs exploradores espanh\u00f3is, denominados juridicamente adelantados, recebiam direitos vital\u00edcios de construir fortalezas, fundar cidades, evangelizar os \u00edndios e deter os poderes jur\u00eddico e militar. Isso, sob a condi\u00e7\u00e3o de garantir para a Coroa o quimo de todo o ouro e prata produzidos e a propriedade do subsolo.\n\nDessa forma, a Espanha procurava assegurar, sem gastos materiais, a ocupa\u00e7\u00e3o de seus territ\u00f3rios na Am\u00e9rica, o fortalecimento de sua monarquia e o aumento das riquezas do Estado.\n\n<strong>Ciclo da minera\u00e7\u00e3o<\/strong>\n\nA partir de meados do s\u00e9culo XVI, com a descoberta de minas de ouro no M\u00e9xico e de prata no Peru, organizaram-se os n\u00facleos mineradores, que requeriam uma grande quantidade de m\u00e3o-de-obra. Aproveitando-se da elevada densidade populacional da Confedera\u00e7\u00e3o Asteca e do Imp\u00e9rio Inca, os exploradores passaram a recrutar trabalhadores ind\u00edgenas, j\u00e1 acostumados a pagar tributos a seus chefes, sob a forma de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os.\n\n<strong>Para adequar o trabalho amer\u00edndio, foram criadas duas institui\u00e7\u00f5es:\u00a0<\/strong>a encomienda e a mita.\n\n<strong>Encomienda<\/strong>\n\nSistema de trabalho obrigat\u00f3rio, n\u00e3o remunerado, em que os \u00edndios eram confiados a um espanhol, o encomendero, que se comprometia a cristianiz\u00e1-los.\n\n<strong>Na pr\u00e1tica, esse sistema permitia aos espanh\u00f3is escravizarem os nativos, principalmente para a explora\u00e7\u00e3o das minas:<\/strong>\n\n<strong>Mita<\/strong>\n\nSistema que impunha o trabalho obrigat\u00f3rio, durante um determinado tempo, a \u00edndios escolhidos por sorteio, em suas comunidades. Estes recebiam um sal\u00e1rio muito baixo e acabavam comprometidos por d\u00edvidas.\n\nAl\u00e9m disso, poderiam ser deslocados para longe de seu lugar de origem, segundo os interesses dos conquistadores.\n\nA escraviza\u00e7\u00e3o ind\u00edgena, pela encomienda e pela mita, garantiu aos espanh\u00f3is o necess\u00e1rio suprimento de m\u00e3o-de-obra para a minera\u00e7\u00e3o, por\u00e9m trouxe para as popula\u00e7\u00f5es nativas desastrosas conseq\u00fc\u00eancias.\n\nDe um lado, a desagrega\u00e7\u00e3o de suas comunidades, pelo abandono das culturas de subsist\u00eancia, causou fome generalizada. Do outro, o n\u00e3o-cumprimento das determina\u00e7\u00f5es legais que regulamentavam o trabalho das minas provocou uma mortalidade em massa, quer pelo excesso de horas de trabalho, quer pelas condi\u00e7\u00f5es insalubres a que esses ind\u00edgenas estavam expostos.\n\nLutas entre espanh\u00f3is e astecas em Tenochtitl\u00e1n, antiga capital do M\u00e9xico em 1520, segundo gravura \u00edndia. contra os cavalos, canh\u00f5es e armas de a\u00e7o dos espanh\u00f3is, os \u00edndios tinham fracos escudos de pele ou madeira, peda\u00e7\u00f5es de pau e lan\u00e7as de madeira. Repare no canto direito superior, a representa\u00e7\u00e3o de uma capela crist\u00e3 em chamas.\n\nO aniquilamento da popula\u00e7\u00e3o, ao lado do exterm\u00ednio das culturas agr\u00edcolas, que provocou uma escassez de g\u00eaneros aliment\u00edcios, fez com que os propriet\u00e1rios das minas e os comerciantes investissem seus lucros em \u00e1reas complementares de produ\u00e7\u00e3o, para o atendimento do mercado interno. Foram organizadas as haciendas, \u00e1reas produtoras de cereais, e as est\u00e2ncias, \u00e1reas criadoras de gado.\n\nEsse setor complementar resolveu o problema de abastecimento para as elites coloniais. A massa trabalhadora, por seus ganhos irris\u00f3rios, ainda n\u00e3o conseguia satisfazer as suas necessidades b\u00e1sicas, sendo obrigada a recorrer a adiantamentos de sal\u00e1rios. Todavia, impossibilitados de saldar seus compromissos, os trabalhadores acabavam escravizados por d\u00edvidas.\n<h4><b>A destrui\u00e7\u00e3o das comunidades ind\u00edgenas no imp\u00e9rio espanhol<\/b><\/h4>\n<blockquote>(\u2026) Os \u00edndios das Am\u00e9ricas somavam entre 70 e 90 milh\u00f5es de pessoas, quando os conquistadores estrangeiros apareceram no horizonte; um s\u00e9culo e meio depois tinham-se reduzido, no total, a apenas 3,5 milh\u00f5es.\n(\u2026) Os \u00edndios eram arrancados das comunidades agr\u00edcolas e empurrados, junto com suas mulheres e seus filhos, rumo \u00e0s minas. De cada dez que iam aos altos p\u00e1ramos gelados, sete nunca regressavam.<\/blockquote>\nAs temperaturas glaciais do campo aberto alternavam-se com os calores Infernais do fundo da montanha. Os \u00edndios entravam nas profundidades, e ordinariamente eram retirados mortos ou com cabe\u00e7as e pernas quebradas, e nos engenhos todo o dia se machucavam. Os mitayos retiravam o min\u00e9rio com a ponta de uma, barra e o carregavam nas costas, por escadas, \u00e0 luz de uma vela. Fora do socav\u00e3o, moviam enormes eixos de madeira nos engenhos ou fundiam a prata no fogo, depois de mo\u00ea-la e lav\u00e1-la.\n\nA mita era uma m\u00e1quina de triturar \u00edndios. O emprego do merc\u00fario para a extra\u00e7\u00e3o da pra\u00adta por am\u00e1lgama envenenava tanto ou mais do que os gases t\u00f3xicos do ventre da terra. Fazia cair o cabelo, os dentes e provo\u00adcava tremores incontrol\u00e1veis. (\u2026) Por causa da fuma\u00e7a dos fornos n\u00e3o havia pastos nem planta\u00e7\u00f5es num raio de seis l\u00e9guas ao redor de Potosi, e as emana\u00e7\u00f5es n\u00e3o eram menos implac\u00e1veis com os corpos dos homens.\n\n<strong>A administra\u00e7\u00e3o colonial<\/strong>\n\n<strong>A fim de garantir o monop\u00f3lio do com\u00e9rcio, a Espanha criou dois \u00f3rg\u00e3os administrativos:<\/strong>\n<blockquote>Casa de Contrata\u00e7\u00e3o, sediada em Sevilha, para organizar o com\u00e9rcio, funcionar como Corte de Justi\u00e7a e fiscalizar o recolhimento do quinto;\nConselho das \u00cdndias, que funcionava como Supremo Tribunal de Justi\u00e7a, nomeava os funcion\u00e1rios das col\u00f4nias e regulamentava a administra\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica, atrav\u00e9s dos vice-reinados e capitanias gerais.<\/blockquote>\nOs vice-reis, escolhidos entre membros da alta nobreza metropolitana, eram representantes diretos do monarca absoluto. Cabia-lhes controlar as minas, exercer o governo, presidir o tribunal judici\u00e1rio das audi\u00eancias e zelar pela cristianiza\u00e7\u00e3o dos \u00edndios. Os capit\u00e3es-gerais, subordinados aos vice-reis, encarregavam-se de controlar os territ\u00f3rios estrat\u00e9gicos, mas ainda n\u00e3o submetidos pela metr\u00f3pole.\n\nPara controlar a entrada de metais preciosos e afastar os ataques dos piratas, foram institu\u00eddos o regime de porto \u00fanico e os comboios anuais de carregamentos.\n\nPor\u00e9m, estas medidas provocaram efeito contr\u00e1rio, estimulando o contrabando, devido \u00e0 escassez e \u00e0 demora na chegada de mercadorias.\n<blockquote><strong>O \u00fanico porto por onde era permitido sair em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Am\u00e9rica e dela retornar era o de Sevilha, substitu\u00eddo em 1680 por C\u00e1diz. Na Am\u00e9rica, existiam tr\u00eas terminais:<\/strong>\u00a0Vera Cruz (M\u00e9xico), Porto Belo (Panam\u00e1) e Cartagena (Col\u00f4mbia). Os comboios de flotas e galeones, que partiam de Sevilha e chegavam a esse porto, serviam para proteger a prata que era transportada. Tanto zelo e tantas restri\u00e7\u00f5es ao com\u00e9rcio colonial explicam-se pela preocupa\u00e7\u00e3o do Estado espanhol de garantir a cobran\u00e7a de impostos alfandeg\u00e1rios.<\/blockquote>\n<strong>A coloniza\u00e7\u00e3o espanhola<\/strong>\n\nSegundo o Tratado de Tordesilhas de 1494 a Espanha ficaria com a maior parte do continente americano.\n\nA viagem de Colombo \u00e0 Am\u00e9rica em 1492 trouxe \u00e0 Espanha perspectivas de enriquecimento, j\u00e1 que Colombo acreditava ter encontrado um novo caminho para as \u00cdndias. Na s expedi\u00e7\u00f5es seguintes, o navegador manteve a mesma cren\u00e7a e conforme procurava as riquezas orientais fundou vilas e povoados, iniciando a ocupa\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica. Os espanh\u00f3is foram o primeiro povo europeu a chegar \u00e0s novas terras, o primeiro a achar g randes riquezas e a dar in\u00edcio \u00e0 coloniza\u00e7\u00e3o no in\u00edcio do XVI. Ao chegarem, logo descobriram ouro (no M\u00e9xico asteca) e prata, no Imp\u00e9rio Inca, regi\u00f5es do atual Peru e Bol\u00edvia.\n\nA metr\u00f3pole espanhola organizou uma grande empreitada mineradora, usando a m\u00e3o-de-obra compuls\u00f3ria ind\u00edgena, seguindo formas de trabalho que j\u00e1 existiam na regi\u00e3o antes da chegada dos europeus.\n\nOutras \u00e1reas da Am\u00e9rica hisp\u00e2nica se especializaram na pecu\u00e1ria, agricultura e atividade portu\u00e1ria em fun\u00e7\u00e3o das \u00e1reas mineradoras.\n\nLogo ap\u00f3s empreenderem um sangrento processo de domina\u00e7\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es amer\u00edndias, os espanh\u00f3is efetivaram o seu projeto colonial nas terras a oeste do Tratado de Tordesilhas.\n\nPara isso montaram um complexo sistema administrativo respons\u00e1vel por gerenciar os interesses da Coroa espanhola em terras americanas.\n\n<strong>Economia e sociedade na Am\u00e9rica espanhola<\/strong>\n\nA ocupa\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica foi um desdobramento da expans\u00e3o mar\u00edtimo-comercial europ\u00e9ia e elemento fundamental para o desenvolvimento do capitalismo.\n\nA coloniza\u00e7\u00e3o promovida pelos espanh\u00f3is deve ser entendida a partir da l\u00f3gica mercantilista, baseada portanto no Exclusivo metropolitano, ou seja, no monop\u00f3lio da metr\u00f3pole sobre suas col\u00f4nias.\n\n<b>A organiza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica<\/b>\n\nA explora\u00e7\u00e3o mineradora foi a atividade econ\u00f4mica mais importante na Am\u00e9rica Espanhola, na verdade foi a respons\u00e1vel pela coloniza\u00e7\u00e3o efetiva das terras de Espanha, apesar de j\u00e1 haver ocupa\u00e7\u00e3o anterior, no Caribe e Am\u00e9rica Central. O ouro na regi\u00e3o do M\u00e9xico e a prata na regi\u00e3o do Peru, foram respons\u00e1veis pelo desenvolvimento de uma clara pol\u00edtica de explora\u00e7\u00e3o por parte da metr\u00f3pole, que passou a exercer um controle mais r\u00edgido sobre seus dom\u00ednios.\n\nA minera\u00e7\u00e3o tornou-se respons\u00e1vel pelo desenvolvimento de atividades secund\u00e1rias, complementares, diversificando a produ\u00e7\u00e3o nas regi\u00f5es vizinhas, respons\u00e1veis pelo abastecimento das minas, com produtos agr\u00edcolas \u2013 batata, milho, tabaco e cana de a\u00e7\u00facar \u2013 sendo que os dois \u00faltimos destinavam-se \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o; desenvolveram tamb\u00e9m a atividade criat\u00f3ria, fornecendo mulas e cavalos para as minas.\n\nMais tarde a pecu\u00e1ria se desenvolveu na regi\u00e3o sul, fornecendo couro e charque \u00e0 metr\u00f3pole.\n\nA produ\u00e7\u00e3o artesanal ind\u00edgena foi permitida, por\u00e9m passou a ser controlada pela burocracia espanhola na col\u00f4nia. Esse \u201csistema de obrajes\u201d representava, na pr\u00e1tica, uma forma de explorar a m\u00e3o de obra ind\u00edgena, for\u00e7ado a trabalhar por seis meses, durante os quais recebia um pequeno pagamento.\n\n<b>A explora\u00e7\u00e3o do trabalho ind\u00edgena<\/b>\n\n<strong>A explora\u00e7\u00e3o do trabalho ind\u00edgena constituiu-se na base da explora\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica, e utilizou-se de duas formas diferentes:\u00a0<\/strong>a encomienda e a mita.\n\n\u00c9 importante lembrar-mos que o colonialismo e o escravismo foram caracter\u00edsticas da pol\u00edtica econ\u00f4mica mercantilista.\n\nA encomienda foi um sistema criado pelos espanh\u00f3is, e consistia na explora\u00e7\u00e3o de um grupo ou comunidade de ind\u00edgenas por um colono, a partir da concess\u00e3o das autoridades locais, enquanto o colono vivesse.\n\nEm troca, o colono deveria pagar um tributo \u00e0 metr\u00f3pole e promover a cristianiza\u00e7\u00e3o dos ind\u00edgenas. Dessa forma o colono de origem espanhola era duplamente favorecido, na medida em que utilizava-se da m\u00e3o de obra e ao mesmo tempo, impunha sua religi\u00e3o, moral e costumes aos nativos.\n\nA mita era uma institui\u00e7\u00e3o de origem inca, utilizada por essa civiliza\u00e7\u00e3o quando da forma\u00e7\u00e3o de seu imp\u00e9rio, antes da chegada dos europeus. Consistia na explora\u00e7\u00e3o das comunidades dominadas, utilizando uma parte de seus homens no trabalho nas minas.\n\nOs homens eram sorteados, e em geral trabalhavam quatro meses, recebendo um pagamento. Cumprido o prazo, deveriam retornar \u00e0 comunidade, que por sua vez deveria enviar um novo grupo de homens.\n\nApesar de diferente da escravid\u00e3o negra adotada no Brasil, a explora\u00e7\u00e3o do trabalho ind\u00edgena tamb\u00e9m \u00e9 tratada por muitos historiadores como escravismo.\n\nPor\u00e9m o termo predominante nos livros de hist\u00f3ria \u00e9 Trabalho Compuls\u00f3rio.\n\nA a\u00e7\u00e3o colonizadora espanhola foi respons\u00e1vel pela destrui\u00e7\u00e3o e desestrutura\u00e7\u00e3o das comunidades ind\u00edgenas, quer pela for\u00e7a das armas contra aqueles que defendiam seu territ\u00f3rio, quer pela explora\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica do trabalho, ou ainda atrav\u00e9s do processo de acultura\u00e7\u00e3o, promovido pelo pr\u00f3prio sistema de explora\u00e7\u00e3o e pela a\u00e7\u00e3o catequ\u00e9tica dos mission\u00e1rios cat\u00f3licos.\n\n\u00c9 importante destacar o papel dos religiosos no processo de coloniza\u00e7\u00e3o, tratados muitas vezes como defensores dos ind\u00edgenas, tiveram uma participa\u00e7\u00e3o diferenciada na conquista.\n\nUm dos mais c\u00e9lebres religiosos do per\u00edodo colonial foi Frei Bartolomeu de Las Casas que, em v\u00e1rias oportunidades, denunciou as atrocidades cometidas pelos colonos; escreveu importantes documentos sobre a explora\u00e7\u00e3o, tortura e assassinato de grupos ind\u00edgenas.\n\nMuitas vezes, a partir desses relatos a Coroa interferiu na col\u00f4nia e destituiu governantes e altos funcion\u00e1rios. No entanto, vale lembrar o poder e influ\u00eancia que a Igreja possu\u00eda na Espanha, e o interesse do rei (Carlos V)em manter-se aliado \u00e0 ela, numa \u00e9poca de consolida\u00e7\u00e3o do absolutismo na Espanha, mas de avan\u00e7o do protestantismo no Sacro Imp\u00e9rio e nos Pa\u00edses Baixos. Ao mesmo tempo, a Igreja na col\u00f4nia foi respons\u00e1vel pela imposi\u00e7\u00e3o de uma nova religi\u00e3o, consequentemente uma nova moral e novos costumes, desenraizando os ind\u00edgenas.\n\n<b>A ESPADA, A CRUZ E A FOME IAM DIZIMANDO A FAM\u00cdLIA SELVAGEM<\/b>\n\nA explora\u00e7\u00e3o do trabalho ind\u00edgena\n\n<strong>A sociedade colonial era rigidamente estratificada, privilegiando a elite de nascimento, homens brancos, nascidos na Espanha ou Am\u00e9rica:<\/strong>\n<blockquote><strong>Chapetones \u2013<\/strong>\u00a0eram os homens brancos, nascidos na Espanha e que vivendo na col\u00f4nia representavam os interesses metropolitanos, ocupando altos cargos administrativos, judiciais, militares e no com\u00e9rcio externo.<strong>\nCriollos \u2013\u00a0<\/strong>Elite colonial, descendentes de espanh\u00f3is, nascidos na Am\u00e9rica, grandes propriet\u00e1rios rurais ou arrendat\u00e1rios de minas, podiam ocupar cargos administrativos ou militares inferiores.<strong>\nMesti\u00e7os \u2013\u00a0<\/strong>de brancos com \u00edndios, eram homens livres, trabalhadores bra\u00e7ais desqualificados e superexplorados na cidade (oficinas) e no campo ( capatazes).<strong>\nEscravos negros \u2013\u00a0<\/strong>nas Antilhas representavam a maioria da sociedade e trabalhavam principalmente na agricultura.<strong>\nInd\u00edgenas \u2013<\/strong>\u00a0grande maioria da popula\u00e7\u00e3o, foram submetidos ao trabalho for\u00e7ado atrav\u00e9s da mita ou da encomienda, que na pr\u00e1tica eram formas diferenciadas de escravid\u00e3o, apesar da proibi\u00e7\u00e3o oficial desta pela metr\u00f3pole.<\/blockquote>\n<strong>COLONIZA\u00c7\u00c3O DA AM\u00c9RICA ESPANHOLA<\/strong>\n\nAp\u00f3s a chegada de Colombo a um territ\u00f3rio ate ent\u00e3o ignorado pelos europeus, o interesse espanhol se manifestou em mais uma serie de viagens, das quais resultou a not\u00edcia da exist\u00eancia de minerais preciosos.\n\nTal situa\u00e7\u00e3o levou \u00e0 conquista do territ\u00f3rio americano e das na\u00e7\u00f5es que nele habitavam.\n\nOs soldados de Cortez venceram os astecas; Pedro de Lavarado e seus homens dominaram a regi\u00e3o da Guatemala; Francisco Pizarro e seus comandados destru\u00edram o poderoso Imp\u00e9rio Inca.\n\nA Col\u00f4mbia dos Chibchas foi arrasada pelas tropas de Jimenez de Quesada; Pedro de Valdivia e Diego de Almagro conquistaram o Chile aos araucanos e Pedro de Mendonza com suas tropas aniquilou os Charruas, dominando a vasta regi\u00e3o do Rio da Prata. Terminada a conquista, a Coroa espanhola preocupou-se com a efetiva posse e dom\u00ednio de seu vasto imp\u00e9rio americano.\n\n<strong>ORGANIZA\u00c7\u00c3O POL\u00cdTICO-ADMINISTRATIVA<\/strong>\n\nAo contr\u00e1rio das demais na\u00e7\u00f5es que colonizaram outras partes da Am\u00e9rica, a Espanha conseguiu localizar e dominar vastas \u00e1reas minerat\u00f3rias, onde a popula\u00e7\u00e3o j\u00e1 trabalhava na extra\u00e7\u00e3o de metais preciosos.\n\nEra necess\u00e1rio ampliar esta capacidade de extra\u00e7\u00e3o, com a finalidade de abastecer a metr\u00f3pole. Tomaram-se, ent\u00e3o, algumas medidas que engedraram uma poderosa m\u00e1quina burocr\u00e1tica. No entanto, na maioria das vezes, esta m\u00e1quina emperrava, devido \u00e0s distancias e \u00e0 cobi\u00e7a dos funcion\u00e1rios.\n\nDurante a fase da conquista, a Coroa n\u00e3o dispendeu recursos maiores. Os &#8220;adelantados&#8221; eram pessoas que ficaram encarregadas de conquistar v\u00e1rios territ\u00f3rios, apropriando-se de suas riquezas e de sua popula\u00e7\u00e3o, podendo utiliz\u00e1-las como bem o aprouvessem, desde que estavam obrigados a pagar determinados impostos \u00e0 Coroa. Para fazer frente aos desmandos e \u00e0 cobi\u00e7a dos &#8220;adelentados&#8221;, a Coroa, j\u00e1 na metade do s\u00e9culo XVI, procurou substitu\u00ed-los por funcion\u00e1rios nos quais pudesse confiar um pouco mais. Foram ent\u00e3o criados os Vice-Reinados e as Capitanias Gerais. A &#8220;audi\u00eancia&#8221;, que primitivamente era um tribunal, passou a acumular fun\u00e7\u00f5es administrativas ao lado das judici\u00e1rias. A &#8220;audi\u00eancia&#8221; era formada pelo Vice-Rei (quando sua sede era a mesma sede do Vice-Reinado) e v\u00e1rios ouvidores, isto \u00e9, juizes.\n\n<strong>Suas fun\u00e7\u00f5es podem ser resumidas numa palavra:<\/strong>\u00a0fiscaliza\u00e7\u00e3o, vigil\u00e2ncia sobre todos os funcion\u00e1rios.\n\nAs cidades eram administradas pelos cabildos, que poder\u00edamos definir como sendo uma c\u00e2mara municipal, formada pelos elementos da classe dominante.\n\nEra presidida por um alcaide e composta por um numero vari\u00e1vel de regidores.\n\n<strong>Na metr\u00f3pole ficavam os departamentos encarregados das decis\u00f5es finais:\u00a0<\/strong>a Casa de Contrata\u00e7\u00e3o e o Real e Supremo Conselho das \u00cdndias\n\nA Casa de Contrata\u00e7\u00e3o foi criada em 1503, para ter todo o controle da explora\u00e7\u00e3o colonial. Teve sua sede em Sevilha, um dos portos privilegiados pela Coroa para receber com exclusividade, os navios que chegassem da Am\u00e9rica. Outro porto tamb\u00e9m privilegiado foi o de C\u00e1diz, para onde se transferiu a Casa de Contrata\u00e7\u00e3o posteriormente.\n\nCriado em 1511, o Real Supremo Conselho das \u00cdndias tinha sede em Sevilha e sua fun\u00e7\u00e3o era a administra\u00e7\u00e3o das col\u00f4nias, cabendo-lhe nomear os funcion\u00e1rios coloniais, exercer tutela sobre os \u00edndios e fazer as leis para a Am\u00e9rica.\n\nN\u00e3o se pode esquecer de mencionar a Igreja Cat\u00f3lica, no que se refere aos aspectos pol\u00edtico-administrativos, visto que ela desempenhou papel relevante tamb\u00e9m nesse setor, atuando de forma a equilibrar e garantir o dom\u00ednio metropolitano.\n\n<strong>ECONOMIA COLONIAL<\/strong>\n\nGirava em torno dos princ\u00edpios mercantilistas. Tais princ\u00edpios, expressos no &#8220;Pacto Colonial&#8221; imposto pela metr\u00f3pole \u00e0s col\u00f4nias, priorizava acima de qualquer outro interesse, o fortalecimento do Estado Espanhol, em detrimento de uma poss\u00edvel acumula\u00e7\u00e3o de capitais nas \u00e1reas americanas.\n\nAssim, a estrutura\u00e7\u00e3o imposta visava essencialmente o envio dos metais preciosos \u00e0 Espanha, sob a forma de tributos ou de simples pagamento das utilidades necess\u00e1rias aos colonos e que estes eram obrigados a adquirir atrav\u00e9s dos comerciantes metropolitanos.\n\nMas n\u00e3o se pode pensar que todo imp\u00e9rio espanhol se limitava a fornecer ouro e prata para a Espanha.\n\n<strong>De fato, pode-se verificar tr\u00eas grandes momentos ao longo da evolu\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica colonial:<\/strong>\n<blockquote><strong>a)\u00a0<\/strong>O saque inicial, ocorrido principalmente na regi\u00e3o do M\u00e9xico e Peru<strong>\nb)<\/strong>\u00a0A agricultura, com a instala\u00e7\u00e3o de numerosas &#8220;haciendas&#8221; (fazendas), produtoras de genros aliment\u00edcios ou mat\u00e9rias-primas. Tais propriedades tiveram inicio em fun\u00e7\u00e3o das necessidades das \u00e1reas mineradoras, mas quando estas se esgotavam, passavam a ter vida pr\u00f3pria<strong>\nc)<\/strong>\u00a0Das grandes unidades produtoras de artigos para o mercado externo, principalmente na regi\u00e3o do Rio da Prata e no Caribe.<\/blockquote>\nCobravam-se impostos variados dos colonos, o mais importante dos quais era o quinto, incidente sobre a extra\u00e7\u00e3o met\u00e1lica. Mas havia tamb\u00e9m impostos de importa\u00e7\u00e3o e exporta\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de contribui\u00e7\u00f5es for\u00e7adas que, periodicamente, o governo metropolitano impunha.\n\nAspecto de capital import\u00e2ncia \u00e9 o da organiza\u00e7\u00e3o da m\u00e3o-de-obra, onde se destacaram os sistemas da encomienda e a mita.\n\nCom o sistema de encomiendas, os encomenderos recebiam da Cora direitos sobre vastas \u00e1reas. Podiam cobrar tributos em dinheiro ou em trabalho dos \u00edndios, mas eram obrigados a ampar\u00e1-los e proteg\u00ea-los, instruindo-os na f\u00e9 cat\u00f3lica. Isto dizia a lei, mas a realidade normalmente era bastante diferente.\n\nA mita era uma forma de escravid\u00e3o ligeiramente dissimulada, empregada sobretudo nas \u00e1reas de minera\u00e7\u00e3o. As tribos ind\u00edgenas eram obrigadas a fornecer um determinado n\u00famero de pessoas para trabalhar nas minas.\n\nOs mytaios eram obrigados, constantemente, a fazer deslocamentos de centenas de quil\u00f4metros desgastando-se fisicamente e trabalhado arduamente na extra\u00e7\u00e3o mineral.\n\nAnalisando as manifesta\u00e7\u00f5es do com\u00e9rcio colonial, evidencia-se o papel do monop\u00f3lio.\n\nO com\u00e9rcio das col\u00f4nias com a metr\u00f3pole realizava-se em ocasi\u00f5es pr\u00e9-determinadas, ligando dois ou tr\u00eas portos americanos ao porto de Sevilha. Os comboios eram fortemente policiados, para evitar a presen\u00e7a de cors\u00e1rios, principalmente ingleses.\n\n<strong>SOCIEDADE COLONIAL<\/strong>\n\nEm muito se assemelhava \u00e0 da Espanha, no que se refere ao seu car\u00e1ter fechado e aristocratizante. Nas \u00e1reas coloniais, alem dos convencionados crit\u00e9rios econ\u00f4micos de diferencia\u00e7\u00e3o de classes, temos tamb\u00e9m o car\u00e1ter racial, ou \u00e9tnico.\n<blockquote><strong>Chapetones &#8211;<\/strong>Altos funcion\u00e1rios ou comerciantes privilegiados.\n<strong>Criollos &#8211;<\/strong>\u00a0Brancos nascidos na Am\u00e9rica, grandes propriet\u00e1rios de terra e de minas. Havia restri\u00e7\u00f5es a esse grupo, por serem nascidos na Am\u00e9rica.\n<strong>Mesti\u00e7os &#8211;<\/strong>\u00a0Artes\u00e3os\n<strong>\u00cdndios &#8211;\u00a0<\/strong>Sobrevivente do massacre inicial.\n<strong>Escravos &#8211;<\/strong>\u00a0Estima-se que durante o per\u00edodo colonial entraram cerca de 1,5 milh\u00e3o de africanos, principalmente para as \u00e1reas de grande lavoura de exporta\u00e7\u00e3o. Na minera\u00e7\u00e3o foram empregados os ind\u00edgenas.<\/blockquote>\n<strong>Coloniza\u00e7\u00e3o espanhola na Am\u00e9rica<\/strong>\n\nA conquista espanhola data de 1519, quando Hernan Cortez conquistou o Imp\u00e9rio Asteca (M\u00e9xico). No ano de 1531, foi a vez de Francisco Pizarro conquistar o Imp\u00e9rio Inca (Peru).\n\nO processo de conquista foi extremamente violento, contribuindo para a dizima\u00e7\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es nativas.\n\nO uso da viol\u00eancia deveu-se \u00e0 \u00e2nsia da descoberta dos metais preciosos e da vontade de escravizar os nativos da Am\u00e9rica.\n\nAp\u00f3s a conquista dos territ\u00f3rios, a Espanha iniciou a organiza\u00e7\u00e3o de seu imenso Imp\u00e9rio Colonial na Am\u00e9rica, atrav\u00e9s da imposi\u00e7\u00e3o de estruturas pol\u00edticas, econ\u00f4micas e administrativas que atendessem o seu interesse mercantilista, qual seja, a acumula\u00e7\u00e3o de capitais.\n\n<strong>Estruturas Sociais, Econ\u00f4micas e Administrativas<\/strong>\n\n<strong>Organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-administrativa<\/strong>\n\nDivis\u00e3o da \u00e1rea colonial em quatro vice-reinados ( Nova Espanha, Nova Granada, Peru e Prata ) e quatro capitanias-gerais (Cuba, Guatemala, Venezuela e Chile).\n\nO\u00a0<b>Conselho das \u00cdndias<\/b>, ligado diretamente ao rei, ficava encarregado da administra\u00e7\u00e3o geral das col\u00f4nias e a\u00a0<b>Casa de<\/b>\u00a0<b>Contrata\u00e7\u00e3o\u00a0<\/b>era encarregada da fiscaliza\u00e7\u00e3o, da regulamenta\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio e da cobran\u00e7a dos tributos.\n\nO poder local era exercido atrav\u00e9s dos\u00a0<b><i>Cabildos<\/i><\/b>, as C\u00e2maras Municipais. A administra\u00e7\u00e3o espanhola era bastante descentralizada, estando cada unidade colonial subordinada diretamente \u00e0 metr\u00f3pole.\n\n<strong>Organiza\u00e7\u00e3o da economia colonial<\/strong>\n\nComo se sabe, o sentido da coloniza\u00e7\u00e3o era, atrav\u00e9s da explora\u00e7\u00e3o, obter produtos valiosos que pudessem auxiliar os Estados europeus na acumula\u00e7\u00e3o de capitais, ficando a \u00e1rea colonial obrigada a comprar os excedentes produzidos na Europa. Desta forma, a atividade econ\u00f4mica principal foi a minera\u00e7\u00e3o ( ouro e prata ). A grande quantidade de ouro e prata, retirada da Am\u00e9rica e enviada para a Europa, comprometeu o desenvolvimento industrial da Espanha e gerou uma enorme infla\u00e7\u00e3o na Europa, processo conhecido como a \u201crevolu\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os\u201d, em virtude da desvaloriza\u00e7\u00e3o da moeda e pelo aumento geral dos pre\u00e7os.\n\nO com\u00e9rcio dos metais preciosos era controlado pela Casa de Contrata\u00e7\u00e3o, que adotou o sistema de porto \u00fanico \u2013 todo metal precioso deveria ser enviado para Sevilha.\n\n<strong>O trabalho adotado nas minas foi o trabalho compuls\u00f3rio dos ind\u00edgenas, sob a forma da encomienda:<\/strong>\u00a0o colono tinha o direito de explorar o trabalho ind\u00edgena, em troca de sua cristianiza\u00e7\u00e3o.\n\nHavia tamb\u00e9m uma outra forma de explora\u00e7\u00e3o do nativo, exercida pela Metr\u00f3pole, que realizava o recrutamento em massa do ind\u00edgena, obrigando-o a realizar obras p\u00fablicas, era o repartimiento.\n\nEsta explora\u00e7\u00e3o era semelhante a Mita, uma forma de trabalho compuls\u00f3ria que existia na \u00e9poca pr\u00e9-colombiana.\n\n<strong>Organiza\u00e7\u00e3o social<\/strong>\n\n<strong>A sociedade colonial na Am\u00e9rica Hisp\u00e2nica estava assim estruturada:\u00a0<\/strong>os\u00a0<b>chapetones<\/b>, espanh\u00f3is que vinham para a col\u00f4nia e ocupavam os cargos burocr\u00e1ticos e administrativos; os\u00a0<b>crillos<\/b>, constitu\u00edda por espanh\u00f3is nascidos na Am\u00e9rica. Eram os grandes propriet\u00e1rios de terras e escravos, formavam a elite econ\u00f4mica, muito embora ficassem exclu\u00eddos das fun\u00e7\u00f5es pol\u00edticas; os\u00a0<b>mesti\u00e7os,<\/b>\u00a0resultado da miscigena\u00e7\u00e3o do branco com o \u00edndio e os\u00a0<b>escravos<\/b>\u00a0<b>negros<\/b>.\n\n<strong>Independ\u00eancia da Am\u00e9rica espanhola<\/strong>\n\n<strong>A CRISE DO IMP\u00c9RIO COLONIAL ESPANHOL<\/strong>\n\nO processo de independ\u00eancia das col\u00f4nias espanholas est\u00e1 relacionado ao desenvolvimento das id\u00e9ias liberais no s\u00e9culo XVIII, tais como o Iluminismo, a Independ\u00eancia dos Estados Unidos, a Revolu\u00e7\u00e3o Industrial e a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa.\n\nNo final do s\u00e9culo XVIII e in\u00edcio do s\u00e9culo XIX, a Espanha j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais uma grande pot\u00eancia europ\u00e9ia. Tanto a Inglaterra como a Fran\u00e7a, passaram a ter acessos \u00e0s \u00e1reas coloniais da Espanha.\n\nEm 1713, a Inglaterra passa a ter o direito sobre o asiento, ou seja, sobre o fornecimento de escravos para as col\u00f4nias) e o chamado permisso, quer dizer, com\u00e9rcio direto com as col\u00f4nias. No ano de 1797, com o decreto da abertura dos portos, as col\u00f4nias espanholas passaram a manter rela\u00e7\u00f5es comercias diretamente com as na\u00e7\u00f5es amigas da Espanha. No ano de 1799, o governo procurou anular o decreto, provocando uma forte rea\u00e7\u00e3o colonial.\n\n<strong>O PROCESSO DA INDEPEND\u00caNCIA<\/strong>\n\nO processo da independ\u00eancia da Am\u00e9rica Hisp\u00e2nica est\u00e1 diretamente relacionado com a deposi\u00e7\u00e3o de Fernando VII em 1808, quando as tropas francesas ocuparam a Espanha. Napole\u00e3o Bonaparte nomeia seu irm\u00e3o, Jos\u00e9 Bonaparte, como o novo rei da Espanha, desencadeando uma forte rea\u00e7\u00e3o nas col\u00f4nias, que passaram a formar as Juntas Governativas \u2013 com car\u00e1ter separatistas e lideradas pelos criollos.\n\n<strong>ETAPAS<\/strong>\n\nAntes dos movimentos separatistas ocorreram revoltas coloniais contra o dom\u00ednio espanhol, destacando-se a revolta dos \u00edndios do Peru, liderados por\u00a0<b>Tupac Amaru.<\/b>\n\nEntre os precursores da independ\u00eancia das col\u00f4nias hisp\u00e2nicas, destaque para\u00a0<b>Francisco Miranda<\/b>, que planejou a independ\u00eancia da Venezuela, movimento que fracassou.\n\nO movimento emancipacionista contou com a lideran\u00e7a dos chamados \u201clibertadores da Am\u00e9rica\u201d \u2013 Sim\u00f3n Bol\u00edvar, Jos\u00e9 de San Martin, Jos\u00e9 Sucre, Bernardo O\u2019Higgins, Augustin It\u00farbide, Miguel Hidalgo e Jos\u00e9 Artigas.\n\nA primeira tentativa de emancipa\u00e7\u00e3o ocorreu no M\u00e9xico, em 1810, sob a lideran\u00e7a do padre Miguel Hidalgo. No ano de 1821, o General Augustin It\u00farbide proclama a independ\u00eancia do M\u00e9xico.\n\n<strong>A partir de 1823, e seguindo e exemplo mexicano, foi a vez das col\u00f4nias da Am\u00e9rica Central proclamarem a independ\u00eancia, surgindo as Prov\u00edncias Unidas da Am\u00e9rica Central, que fragmentou-se em diversas Rep\u00fablicas:\u00a0<\/strong>Costa Rica, Honduras, El Salvador, Guatemala e Nicar\u00e1gua. Cuba e S\u00e3o Domingos s\u00f3 tiveram a independ\u00eancia no final do s\u00e9culo XIX.\n\nNo ano de 1818, sob a lideran\u00e7a de S\u00edmon Bol\u00edvar surge a Gr\u00e3- Colombia, que em 1830 se separam, formando a Col\u00f4mbia e a Venezuela. Em 1822 \u00e9 proclamada a independ\u00eancia do Equador ( Sucre e Bol\u00edvar).\n\nBernardo O\u2019Higgins liberta o Chile, com a ajuda de San Mart\u00edn, no ano de 1817; San Martin e Bol\u00edvar libertam o Peru em 1821; em 1825 foia vez da Bol\u00edvia, sob o comando de Sucre.\n\nNa regi\u00e3o do Prata o grande libertador foi San Mart\u00edn ( Argentina, 1816; Paraguai 1811 e Uruguai em 1828).\n\nO processo de independ\u00eancia da Am\u00e9rica Hisp\u00e2nica contou com forte participa\u00e7\u00e3o popular e com o apoio da Inglaterra, interessada em ampliar seu mercado consumidor.\n\nUma outra caracter\u00edstica foi a grande fragmenta\u00e7\u00e3o territorial, em virtude do choque entre os diversos interesses das elites coloniais.\n\nDo ponto vista econ\u00f4mico, a independ\u00eancia n\u00e3o rompeu com os la\u00e7os de depend\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pot\u00eancias europ\u00e9ias.\n\nAs novas na\u00e7\u00f5es continuavam a ser exportadoras de mat\u00e9rias-primas e importadoras de produtos manufaturados. No plano pol\u00edtico, os novos dirigentes exclu\u00edram qualquer forma de participa\u00e7\u00e3o popular nas decis\u00f5es pol\u00edticas.\n\n<strong>Organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Nacionais<\/strong>\n\nEntre os libertadores da Am\u00e9rica, S\u00edmon Bol\u00edvar defendia a unidade pol\u00edtica interamericana, com a proposta da cria\u00e7\u00e3o de uma Confedera\u00e7\u00e3o de pa\u00edses latino-americanos.\n\nEste sonho de unidade territorial \u00e9 conhecido como Bolivarismo, que contou com a oposi\u00e7\u00e3o da Inglaterra e dos Estados Unidos. A este, a fragmenta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica contribuiria para a consolida\u00e7\u00e3o norte-americana sobre a regi\u00e3o ( Doutrina Monroe); j\u00e1 para a Inglaterra, a fragmenta\u00e7\u00e3o consolidaria sua hegemonia econ\u00f4mica. Ou seja, dividir para melhor controlar.\n\n<strong>Na organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Nacionais na Am\u00e9rica Hisp\u00e2nica duas tend\u00eancias de governo se apresentam:<\/strong>\u00a0a Monarquia e a Rep\u00fablica \u2013 com vit\u00f3ria dos movimentos republicanos. A seguir, novos conflitos quanto a organiza\u00e7\u00e3o do regime republicano- federalista ou centralista.\n\nO federalismo propunha umas ampla autonomia em rela\u00e7\u00e3o ao poder central, exprimindo os princ\u00edpios do liberalismo econ\u00f4mico.\n\nJ\u00e1 o centralismo era defendido como forma de manter a unidade nacional e a manuten\u00e7\u00e3o de privil\u00e9gios.\n\nO principal fen\u00f4meno pol\u00edtico destas novas na\u00e7\u00f5es americanas foi o surgimento do\u00a0<b>caudilhismo<\/b>. O caudilho era um chefe pol\u00edtico local, grande propriet\u00e1rio de terra e que procurava manter as mesmas estruturas sociais e econ\u00f4micas herdadas do per\u00edodo colonial. Foi respons\u00e1vel pela grande instabilidade na forma\u00e7\u00e3o dos Estados Nacionais.\n\nO caudilhismo contribui, de maneira decisiva, para a fragmenta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e territorial da Am\u00e9rica Hisp\u00e2nica.\n\n<strong>Outros fatores para a fragmenta\u00e7\u00e3o:<\/strong>\u00a0aus\u00eancia de v\u00ednculos econ\u00f4micos entre as col\u00f4nias e atividades econ\u00f4micas voltadas para atenderem as exig\u00eancias do mercado externo.\n\n<strong>Fonte:<\/strong>\u00a0www.saberhistoria.hpg.ig.com.br\/www.historiaonline.pro.br\/www.vetorvestibular.com.br\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Am\u00e9rica Espanhola, Com\u00e9rcio, Pol\u00edtica, Hist\u00f3ria, Espanha, Economia, Sociedade, Coloniza\u00e7\u00e3o, Colonial, Hisp\u00e2nica, Independ\u00eancia, Am\u00e9rica Espanhola<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[57],"tags":[],"class_list":["post-20775","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-historia-geral"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - 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