{"id":20756,"date":"2015-12-22T00:00:00","date_gmt":"2015-12-22T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/tropicalismo-3\/"},"modified":"2026-09-01T15:33:52","modified_gmt":"2026-09-01T15:33:52","slug":"tropicalismo-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-do-brasil\/tropicalismo-3\/","title":{"rendered":"Tropicalismo"},"content":{"rendered":"\n<strong>Tropicalismo &#8211; O que foi<\/strong>\n\n<strong>Tropicalismo<\/strong>\u00a0foi um movimento cultural do fim da d\u00e9cada de 60 que, ao fazer uso de deboche, irrever\u00eancia e improvisa\u00e7\u00e3o, revoluciona a m\u00fasica popular brasileira, at\u00e9 ent\u00e3o dominada pela est\u00e9tica da bossa nova.\n\nLiderado pelos m\u00fasicos Caetano Veloso e Gilberto Gil, o tropicalismo adota as id\u00e9ias do Manifesto Antropof\u00e1gico de Oswald de Andrade para aproveitar elementos estrangeiros que entram no pa\u00eds e, por meio de sua fus\u00e3o com a cultura brasileira, criar um novo produto art\u00edstico. Tamb\u00e9m se baseia na contracultura, com a utiliza\u00e7\u00e3o de valores diferentes dos aceitos pela cultura dominante, incluindo refer\u00eancias consideradas cafonas, ultrapassadas ou subdesenvolvidas.\n\nO movimento \u00e9 lan\u00e7ado com a apresenta\u00e7\u00e3o das m\u00fasicas Alegria, Alegria, de Caetano, e Domingo no Parque, de Gil, no Festival de MPB da TV Record, em 1967. Acompanhadas por guitarras el\u00e9tricas, as can\u00e7\u00f5es causam pol\u00eamica com uma classe m\u00e9dia universit\u00e1ria nacionalista, contr\u00e1ria \u00e0s influ\u00eancias estrangeiras nas artes brasileiras. O disco Tropic\u00e1lia ou Panis et Circensis (1968), manifesto tropicalista, vai da est\u00e9tica brega do tango-dramalh\u00e3o Cora\u00e7\u00e3o Materno, de Vicente Celestino (1894-1968), \u00e0 influ\u00eancia dos Beatles e do rock em Panis et Circensis, cantada por Os Mutantes.\n\nO refinamento da bossa nova est\u00e1 presente nos arranjos de Rog\u00e9rio Duprat (1932-), nos vocais de Caetano e na presen\u00e7a de Nara Le\u00e3o (1942-1989).\n\nO tropicalismo aparece tamb\u00e9m em outras artes, como na escultura Tropic\u00e1lia (1965), do artista pl\u00e1stico H\u00e9lio Oiticica, e na encena\u00e7\u00e3o da pe\u00e7a O Rei da Vela (1967), do diretor Jos\u00e9 Celso Martinez Corr\u00eaa (1937-).\n\nO movimento chega ao fim com a decreta\u00e7\u00e3o do Ato Institucional n\u00ba 5 (AI-5), em dezembro de 1968. Caetano e Gil s\u00e3o presos e, depois, exilam-se no Reino Unido.\n\n<strong>Em 1997, quando se comemoram os 30 anos do tropicalismo, s\u00e3o lan\u00e7ados dois livros que contam sua hist\u00f3ria:<\/strong>\u00a0Verdade Tropical, de Caetano Veloso, e Tropic\u00e1lia?A Hist\u00f3ria de uma Revolu\u00e7\u00e3o Musical, do jornalista Carlos Calado.\n\n<strong>Tropicalismo: \u201d foi o r\u00f3tulo encontrado pela m\u00eddia ing\u00eanua para definir um estado de esp\u00edrito inconformado de dois compositores vindos da Bahia em come\u00e7o de carreira, Caetano Veloso e Gilberto Gil, associado a manifesta\u00e7\u00f5es espont\u00e2neas em outras artes. O depoimento do primeiro \u00e9 definitivo a respeito:<\/strong>\u00a0\u201cSua pr\u00f3pria constru\u00e7\u00e3o (o nome tropicalismo) \u2013 por jornalistas ing\u00eanuos a partir de uma sugest\u00e3o de Lu\u00eds Carlos Barreto por causa da obra de Oiticica \u2013 tem a marca do acaso significativo, do acercamento inconsciente a uma verdade\u201d, registrou Caetano Veloso na p\u00e1gina 501 (cap\u00edtulo \u201cVereda\u201d) de seu livro Verdade Tropical.\n\nO\u00a0<strong>Tropicalismo<\/strong>\u00a0como movimento encerra-se ap\u00f3s a edi\u00e7\u00e3o do AI-5 (13-12-68), com a pris\u00e3o de Caetano e Gil e o conseq\u00fcente ex\u00edlio na Inglaterra.\n\nO\u00a0<strong>Tropicalismo<\/strong>\u00a0teve por base a tentativa de revelar as contradi\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias da realidade brasileira mostrando o moderno e o arcaico, o nacional e o estrangeiro, o urbano e o rural, o progresso e o atraso, em suma, o movimento n\u00e3o chegou a produzir uma s\u00edntese destes elementos, mas buscou traduzir a complexidade fragment\u00e1ria da nossa cultura. Buscando \u201cmastigar\u201d e \u201ctriturar\u201d tudo, movimento liderado por Gil e Caetano, busca incorporar \u00e0 MPB elementos da m\u00fasica pop (uso de guitarras), sem esquecer aqueles nomes que prestaram um importante papel no movimento evolutivo de nossa m\u00fasica.\n\nLiberdade \u00e9 a palavra fundamental do movimento.\n\nO\u00a0<strong>Tropicalismo\u00a0<\/strong>surgiu como uma ruptura contra a Bossa Nova, tanto quanto esta rompeu com a estrutura do samba de morro.\n\n<strong>Entre 1967 e 1970, o Tropicalismo traz irrever\u00eancia e informalidade, mas com uma teoria de fundo<\/strong>: a possibilidade de incorpora\u00e7\u00e3o de tudo que era e foi considerado de mau-gosto, resgatando-o e transformando- o. Num primeiro momento, abaixo o banquinho e o viol\u00e3o. Depois, Caetano Veloso e Gilberto Gil, os principais nomes deste movimento, muitas vezes se apresentaram desta forma, estendendo um tapete vermelho para Jo\u00e3o Gilberto passar.\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-160016 aligncenter\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Tropic1.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"194\" \/><strong>Tropicalismo<\/strong><\/p>\n<strong>Tropicalismo &#8211;<\/strong>\u00a0<strong>Movimento Brasileiro<\/strong>\n\n<strong>Tropicalismo<\/strong>, um movimento brasileiro de artes e m\u00fasica tamb\u00e9m conhecido como tropic\u00e1lia, que durou aproximadamente de 1967 a 1969. Seus participantes foram inspirados em parte pelo &#8220;Manifesto antropof\u00e1gico&#8221; de 1928 do poeta Oswald de Andrade, no qual ele expressou a ideia de canibalismo, definido como a &#8220;devora\u00e7\u00e3o cultural de t\u00e9cnicas importadas para reelabor\u00e1-las com autonomia&#8221;.\n\nAo misturar de forma imaginativa e ir\u00f4nica a cultura estrangeira e brasileira, rock e samba, o folcl\u00f3rico e o urbano, o erudito e o kitsch, os tropicalistas esperavam fomentar novas ideias e percep\u00e7\u00f5es sobre a realidade brasileira e influ\u00eancias culturais estrangeiras (como o rock and roll). que estavam se tornando parte desse ambiente.\n\nO\u00a0<strong>tropicalismo<\/strong>\u00a0se manifestou no teatro em produ\u00e7\u00f5es como a encena\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9 Celso Mart\u00ednez Correa, em 1967, de O rei da vela, de Andrade, e nas artes pl\u00e1sticas, por meio de artistas como H\u00e9lio Oiticica (cuja ambienta\u00e7\u00e3o de 1967 &#8220;Tropic\u00e1lia&#8221; deu nome ao movimento ). Os principais proponentes do tropicalismo na \u00e1rea da m\u00fasica foram Gilberto Gil, Caetano Veloso, Tom Z\u00e9, Gal Costa, Nara Le\u00e3o, Torquato Neto, Os Mutantes, Capinam e os maestros J\u00falio Medaglia e Rog\u00e9rio Duprat. Juntos, lan\u00e7aram &#8220;Tropic\u00e1lia&#8221; (1968), \u00e1lbum que foi um manifesto musical coletivo. As can\u00e7\u00f5es seminais do tropicalismo incluem &#8220;Domingo no parque&#8221; de Gil e &#8220;Gel\u00e9ia geral&#8221; de Gil Neto e &#8220;Alegria alegria&#8221; de Veloso. Musicalmente, essas composi\u00e7\u00f5es fundiam estilos folcl\u00f3ricos brasileiros, rock e m\u00fasica eletr\u00f4nica moderna, e foram creditadas com experimenta\u00e7\u00e3o em grande expans\u00e3o na m\u00fasica popular brasileira.\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-160017 aligncenter\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Tropic2.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"277\" \/><strong>Tropicalismo<\/strong><\/p>\n<strong>Tropicalismo &#8211; Tropic\u00e1lia<\/strong>\n\n\u201cA\u00a0<strong>Tropic\u00e1lia<\/strong>\u00a0foi o avesso da Bossa Nova\u201d. Assim o compositor e cantor Caetano Veloso define o movimento que, ao longo de 1968, revolucionou o status quo da m\u00fasica popular brasileira. Dessa corrente, liderada pelo baiano de Santo Amaro da Purifica\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m participaram ativamente os compositores Gilberto Gil e Tom Z\u00e9, os letristas Torquato Neto e Capinam, o maestro e arranjador Rog\u00e9rio Duprat, o trio Mutantes e as cantoras Gal Costa e Nara Le\u00e3o.\n\n<strong>Diferentemente da Bossa Nova, que introduziu uma forma original de compor e interpretar, a Tropic\u00e1lia n\u00e3o pretendia sintetizar um estilo musical, mas sim instaurar uma nova atitude:<\/strong>\u00a0sua interven\u00e7\u00e3o na cena cultural do pa\u00eds foi, antes de tudo, cr\u00edtica.\n\nA inten\u00e7\u00e3o dos\u00a0<strong>tropicalistas<\/strong>\u00a0n\u00e3o era superar a Bossa Nova, da qual Veloso, Gil, Tom Z\u00e9 e Gal foram disc\u00edpulos assumidos, especialmente do canto suave e da inovadora batida de viol\u00e3o de Jo\u00e3o Gilberto, conterr\u00e2neo dos quatro. No in\u00edcio de 1967, esses artistas sentiam-se sufocados pelo elitismo e pelos preconceitos de cunho nacionalista que dominavam o ambiente da chamada MPB.\n\nDepois de v\u00e1rias discuss\u00f5es conclu\u00edram que, para arejar a cena musical do pa\u00eds, a sa\u00edda seria aproximar de novo a m\u00fasica brasileira dos jovens, que se mostravam cada vez mais interessados no pop e no rock dos Beatles, ou mesmo no i\u00ea-i\u00ea-i\u00ea que Roberto Carlos e outros \u00eddolos brazucas exibiam no programa de TV Jovem Guarda.\n\nArgumentando que a m\u00fasica brasileira precisava se tornar mais \u201cuniversal\u201d, Gil e Caetano tentaram conquistar ades\u00f5es de outros compositores de sua gera\u00e7\u00e3o, como Dori Caymmi, Edu Lobo, Chico Buarque de Hollanda, Paulinho da Viola e S\u00e9rgio Ricardo. Por\u00e9m, a rea\u00e7\u00e3o desses colegas mostrou que, se aderissem mesmo \u00e0 m\u00fasica pop, tentando romper a hegemonia das can\u00e7\u00f5es de protesto e da MPB politizada da \u00e9poca, os futuros tropicalistas teriam que seguir sozinhos.\n\nConsideradas como marcos oficiais do novo movimento, as can\u00e7\u00f5es Alegria, Alegria (de Caetano) e Domingo no Parque (de Gil) chegaram ao p\u00fablico j\u00e1 provocando muita pol\u00eamica, no III Festival da M\u00fasica Popular Brasileira da TV Record, em outubro de 1967. As guitarras el\u00e9tricas da banda argentina Beat Boys, que acompanhou Caetano, e a atitude roqueira dos Mutantes, que dividiram o palco com Gil, foram recebidas com vaias e insultos pela chamada linha dura do movimento estudantil. Para aqueles universit\u00e1rios, a guitarra el\u00e9trica e o rock eram s\u00edmbolos do imperialismo norte-americano e, portanto, deviam ser recha\u00e7ados do universo da m\u00fasica popular brasileira. No entanto, n\u00e3o s\u00f3 o j\u00fari do festival mas grande do p\u00fablico aprovou a nova tend\u00eancia. A can\u00e7\u00e3o de Gil saiu como vice-campe\u00e3 do festival, que foi vencido por Ponteio (de Edu Lobo e Capinam). E, embora tenha terminado como quarta colocada, Alegria, Alegria tornou-se um sucesso instant\u00e2neo nas r\u00e1dios do pa\u00eds, levando o compacto simples com a grava\u00e7\u00e3o de Caetano a ultrapassar a marca de 100 mil c\u00f3pias vendidas n\u00famero alto para a \u00e9poca.\n\n<strong>Arranjos de vanguarda<\/strong>\n\nA repercuss\u00e3o do festival estimulou a gravadora Philips a acelerar a produ\u00e7\u00e3o de LPs individuais de Caetano e Gil, que vieram a ser seus primeiros \u00e1lbuns tropicalistas.\n\n<strong>Se Gil j\u00e1 contava nos arranjos com a bagagem musical contempor\u00e2nea do maestro Rog\u00e9rio Duprat, para o disco de Caetano foram arregimentados outros tr\u00eas maestros ligados \u00e0 m\u00fasica de vanguarda:<\/strong>\u00a0J\u00falio Medaglia, Damiano Cozzela e Sandino Hohagen. Coube a Medaglia o arranjo da faixa que Caetano compusera como uma esp\u00e9cie de can\u00e7\u00e3o-manifesto no novo movimento.\n\nInfluenciado pelo delirante Terra em Transe, filme de Glauber Rocha, assim como pela pe\u00e7a O Rei da Vela, do modernista Oswald de Andrade, na montagem agressiva do Teatro Oficina, Caetano sintetizou nessa can\u00e7\u00e3o conversas e discuss\u00f5es est\u00e9ticas que vinha tendo com Gil, com seu empres\u00e1rio Guilherme Ara\u00fajo, com a cantora (e sua irm\u00e3) Maria Beth\u00e2nia, com o poeta Torquato Neto e o artista gr\u00e1fico Rog\u00e9rio Duarte. O resultado foi uma esp\u00e9cie de colagem po\u00e9tica, que tra\u00e7ava uma alegoria do Brasil atrav\u00e9s de seus contrastes.\n\nQuem sugeriu o t\u00edtulo\u00a0<strong>Tropic\u00e1lia<\/strong>\u00a0para essa can\u00e7\u00e3o foi o fot\u00f3grafo (mais tarde produtor de cinema) Lu\u00eds Carlos Barreto, que ao ouvi-la, no final de 1967, lembrou da obra hom\u00f4nima que o artista pl\u00e1stico H\u00e9lio Oiticica expusera no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, alguns meses antes.\n\nMas o movimento s\u00f3 passou a ser chamado de tropicalista a partir de 5 de fevereiro de 1968, dia em que Nelson Motta publicou no jornal \u00daltima Hora um artigo intitulado \u201cA Cruzada Tropicalista\u201d. Nele, o rep\u00f3rter anunciava que um grupo de m\u00fasicos, cineastas e intelectuais brasileiros fundara um movimento cultural com a ambi\u00e7\u00e3o de alcance internacional.\n\n<strong>O efeito foi imediato:\u00a0<\/strong>Caetano, Gil e os Mutantes passaram a participar com freq\u00fc\u00eancia de programas de TV, especialmente do comandado por Abelardo Chacrinha Barbosa, o irreverente apresentador que virou \u00edcone do movimento. Em maio de 1968, o estado-maior tropicalista gravou em S\u00e3o Paulo Tropic\u00e1lia ou Panis et Circensis, \u00e1lbum coletivo com car\u00e1ter de manifesto.\n\nCaetano coordenou o projeto e selecionou o repert\u00f3rio, que destacou can\u00e7\u00f5es in\u00e9ditas de sua autoria, ao lado de outras de Gil, Torquato Neto, Capinam e Tom Z\u00e9. Completavam o elenco os Mutantes, Gal Costa e Nara Le\u00e3o, al\u00e9m do maestro Rog\u00e9rio Duprat, autor dos arranjos.\n\nO disco foi lan\u00e7ado em agosto do mesmo ano, em debochadas festas promovidas em gafieiras de S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro. Can\u00e7\u00f5es como Miserere Nobis (de Gil e Capinam), Lindon\u00e9ia (Caetano e Gil), Parque Industrial (Tom Z\u00e9) e Gel\u00e9ia Geral (Gil e Torquato) compunham o retrato aleg\u00f3rico de um pa\u00eds ao mesmo tempo moderno e retr\u00f3grado. Ritmos como o bolero e o bai\u00e3o, ao lado da melodram\u00e1tica can\u00e7\u00e3o Cora\u00e7\u00e3o Materno (de Vicente Celestino), recriada por Caetano no disco, indicavam o procedimento tropicalista de enfatizar a cafonice, o aspecto kitsch da cultura brasileira.\n\nAfinados com a contracultura da gera\u00e7\u00e3o hippie, os tropicalistas tamb\u00e9m questionaram os padr\u00f5es tradicionais da chamada boa apar\u00eancia, trocando-a por cabelos compridos e roupas extravagantes.\n\n<strong>Confrontos<\/strong>\n\nCom tantas provoca\u00e7\u00f5es ao status quo, as rea\u00e7\u00f5es \u00e0\u00a0<strong>Tropic\u00e1lia<\/strong>\u00a0tamb\u00e9m tornaram-se mais contundentes. Num debate organizado pelos estudantes da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo de S\u00e3o Paulo, em junho de 1968, Caetano, Gil, Torquato e os poetas concretos Augusto de Campos e D\u00e9cio Pignatari, que manifestavam simpatia pelo movimento, foram hostilizados com vaias, bombinhas e bananas pela linha dura universit\u00e1ria.\n\nO confronto foi mais violento ainda durante o III Festival Internacional da Can\u00e7\u00e3o, no Teatro da Universidade Cat\u00f3lica de S\u00e3o Paulo, em setembro. Ao defender com os Mutantes a can\u00e7\u00e3o \u00c9 Proibido Proibir, que comp\u00f4s a partir de um slogan do movimento estudantil franc\u00eas, Caetano foi agredido com ovos e tomates pela plat\u00e9ia.\n\n<strong>O compositor reagiu com um discurso, que se transformou em um hist\u00f3rico happening:<\/strong>\u00a0\u201cMas \u00e9 isso que \u00e9 a juventude que diz que quer tomar o poder?\u201d, desafiou o irado baiano.\n\nOutro cen\u00e1rio de confronto foi a boate carioca Sucata, onde Caetano, Gil e Mutantes fizeram uma conturbada temporadas de shows, em outubro. Uma bandeira com a inscri\u00e7\u00e3o \u201cSeja marginal, seja her\u00f3i\u201d (obra de H\u00e9lio Oiticica), exibida no cen\u00e1rio, e o boato de que Caetano teria cantado o Hino Nacional enxertando versos ofensivos \u00e0s For\u00e7as Armadas serviram de pretexto para que o show fosse suspenso.\n\nAinda em outubro, finalmente, os tropicalistas conseguiram um programa semanal na TV Tupi. Com roteiro de Caetano e Gil, Divino, Maravilhoso contava com todos os membros do grupo, al\u00e9m de convidados como Jorge Ben, Paulinho da Viola e Jards Macal\u00e9. Os programas eram concebidos como happenings, repletos de cenas provocativas.\n\nA influ\u00eancia do movimento tamb\u00e9m ficou evidente em dezenas de can\u00e7\u00f5es concorrentes no IV Festival de M\u00fasica Popular Brasileira, que a TV Record come\u00e7ou a exibir em novembro.\n\n<strong>A decis\u00e3o do j\u00fari refletia o grande impacto da Tropic\u00e1lia somente um ano ap\u00f3s o lan\u00e7amento de suas primeiras obras:<\/strong>\u00a0S\u00e3o S\u00e3o Paulo, de Tom Z\u00e9, foi a can\u00e7\u00e3o vencedora; Divino, Maravilhoso, de Caetano e Gil, ficou em terceiro lugar; 2001, de Tom Z\u00e9 e Rita Lee, foi a quarta colocada.\n\n<strong>Morte decretada<\/strong>\n\nNessa \u00e9poca, com o endurecimento do regime militar no pa\u00eds, as interfer\u00eancias do Departamento de Censura Federal j\u00e1 haviam se tornado costumeiras; can\u00e7\u00f5es tinham versos cortados, ou eram mesmo vetadas integralmente. A decreta\u00e7\u00e3o do Ato Institucional n\u00ba 5, em 13 de dezembro de 1968, oficializou de vez a repress\u00e3o pol\u00edtica a ativistas e intelectuais. As deten\u00e7\u00f5es de Caetano e Gil, em 27 de dezembro, precipitaram o enterro da Tropic\u00e1lia, embora sua morte simb\u00f3lica j\u00e1 tivesse sido anunciada, nos eventos do grupo.\n\nApesar de ter se revelado t\u00e3o explosiva quanto breve, com pouco mais de um ano de vida oficial, a Tropic\u00e1lia seguiu influenciando grande parte da m\u00fasica popular produzida no pa\u00eds pelas gera\u00e7\u00f5es seguintes.\n\nAt\u00e9 mesmo em trabalhos posteriores de medalh\u00f5es da MPB mais tradicional, como Chico Buarque e Elis Regina, pode-se encontrar efeitos do \u201csom universal\u201d tropicalista.\n\nDescendentes diretos ou indiretos do movimento continuaram surgindo em d\u00e9cadas posteriores, como o cantor Ney Matogrosso e a vanguarda paulistana do final dos anos 70, que inclu\u00eda Arrigo Barnab\u00e9, Itamar Assump\u00e7\u00e3o e o Grupo Rumo. Ou, j\u00e1 nos anos 90, o compositor pernambucano Chico Science, um dos l\u00edderes do movimento Mangue Bit, que misturou pop eletr\u00f4nico com ritmos folcl\u00f3ricos locais.\n\nOu ainda um grupo de compositores e int\u00e9rpretes do Rio de Janeiro, como Pedro Lu\u00eds, Mathilda K\u00f3vak, Suely Mesquita e Ar\u00edcia Mess, que lan\u00e7aram em 1993 um projeto com pose de movimento intitulado Retropic\u00e1lia.\n\nEm 1998, os 30 anos do movimento serviriam de tema oficial do Carnaval de Salvador. Essa efem\u00e9ride tamb\u00e9m provocou a grava\u00e7\u00e3o do CD-tributo Tropic\u00e1lia 30 Anos, no qual as can\u00e7\u00f5es mais populares do movimento foram recriadas por int\u00e9rpretes da nova gera\u00e7\u00e3o baiana, como Carlinhos Brown, Margareth Menezes e Daniela Mercury, al\u00e9m dos pr\u00f3prios Caetano, Gil, Tom Z\u00e9 e Gal Costa.\n\nEm \u00e2mbito internacional, nos \u00faltimos anos, conceituadas publica\u00e7\u00f5es como o jornal norte-americano The New York Times ou a revista brit\u00e2nica The Wire dedicaram artigos extensos \u00e0\u00a0<strong>Tropic\u00e1lia.<\/strong>\n\nUm revival at\u00e9 inusitado, que parece ter sido despertado pelo culto \u00e0s obras de Caetano, Gil, Tom Z\u00e9 e Mutantes, que astros do pop internacional como David Byrne, Beck e Kurt Cobain j\u00e1 vinham praticando havia anos.\n\n<strong>M\u00fasicas<\/strong>\n<blockquote><strong>Alegria, Alegria:\u00a0<\/strong>Caetano Veloso\n<strong>Domingo no Parque:\u00a0<\/strong>Gilberto Gi\n<strong>Tropic\u00e1lia:\u00a0<\/strong>Caetano Veloso\n<strong>Superbacana:\u00a0<\/strong>Caetano Veloso\n<strong>Soy Loco Por Ti Am\u00e9rica (Gilberto Gil\/ Capinam):\u00a0<\/strong>Caetano Veloso\n<strong>Margin\u00e1lia 2 (Gilberto Gil\/ Torquato Neto):\u00a0<\/strong>Gilberto Gil\n<strong>Panis et Circensis (Gilberto Gil\/ Caetano Veloso):\u00a0<\/strong>Mutantes\n<strong>Miserere Nobis (Gilberto Gil\/ Capinam):\u00a0<\/strong>Gilberto Gil e Mutantes\n<strong>Lindon\u00e9ia (Gilberto Gil\/ Caetano Veloso):\u00a0<\/strong>Nara Le\u00e3o\n<strong>Parque Industrial (Tom Z\u00e9):\u00a0<\/strong>Tom Z\u00e9\n<strong>Gel\u00e9ia Geral (Gilberto Gil\/ Torquato Neto):\u00a0<\/strong>Gilberto Gil\n<strong>Baby (Caetano Veloso):\u00a0<\/strong>Gal Costa e Caetano Veloso\n<strong>Enquanto Seu Lobo N\u00e3o Vem (Caetano Veloso):\u00a0<\/strong>Caetano Veloso\n<strong>Mam\u00e3e, Coragem (Caetano Veloso\/ Torquato Neto):\u00a0<\/strong>Gal Costa\n<strong>Bat Macumba (Gilberto Gil\/ Caetano Veloso):\u00a0<\/strong>Gilberto Gil e Mutantes\n<strong>Saudosismo:\u00a0<\/strong>Caetano Veloso\n<strong>\u00c9 Proibido Proibir, vers\u00e3o integral, com discurso (Caetano Veloso):\u00a0<\/strong>Caetano Veloso\n<strong>N\u00e3o Identificado (Caetano Veloso):\u00a0<\/strong>Gal Costa\n<strong>Divino, Maravilhoso (Gilberto Gil e Caetano Veloso):\u00a0<\/strong>Gal Costa\n<strong>2001 (Rita Lee\/ Tom Z\u00e9):\u00a0<\/strong>Mutantes\n<strong>S\u00e3o S\u00e3o Paulo (Tom Z\u00e9):\u00a0<\/strong>Tom Z\u00e9<\/blockquote>\n<strong>Fonte:<\/strong>\u00a0www.culturaemusica.com\/www.encyclopedia.com\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tropicalismo, Tropic\u00e1lia, M\u00fasicas, Movimento, Popular, Brasileira, Influ\u00eancia, Cantor, Artes, Compositores, Cultura, Tropicalismo<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":10269,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[54],"tags":[],"class_list":["post-20756","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia-do-brasil"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - 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