{"id":20698,"date":"2015-12-22T00:00:00","date_gmt":"2015-12-22T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/revolta-da-armada-3\/"},"modified":"2026-09-01T15:33:24","modified_gmt":"2026-09-01T15:33:24","slug":"revolta-da-armada-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-do-brasil\/revolta-da-armada-3\/","title":{"rendered":"Revolta da Armada"},"content":{"rendered":"\n<strong>Revolta da Armada O que foi<\/strong>\n\nA\u00a0<strong>Revolta da Armada<\/strong>, foi uma\u00a0<strong>revolu\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0liderada pelo audacioso baiano Cust\u00f3dio Jos\u00e9 de Mello, contra a perman\u00eancia no poder, do governo do vice-presidente Floriano Peixoto, que os revoltosos declarando ileg\u00edtimo, exigiam uma presid\u00eancia interina at\u00e9 a convoca\u00e7\u00e3o de novas elei\u00e7\u00f5es.\n\nContudo, interpretando as disposi\u00e7\u00f5es transit\u00f3rias da Constitui\u00e7\u00e3o de 1891, o autorit\u00e1rio e imprevis\u00edvel Floriano Peixoto dispunha-se a completar o mandato de seu antecessor, como de fato o fez.\n\n<strong>Em verdade, o governo de Floriano era inconstitucional:<\/strong>\u00a0o artigo 42 dizia que, se o presidente n\u00e3o completasse a metade do mandato, novas elei\u00e7\u00f5es deviam ser convocadas.\n\nMas com o apoio do Partido Republicano Paulista e da classe m\u00e9dia urbana, Floriano sentiu-se \u00e0 vontade no papel de consolidador da Rep\u00fablica e lan\u00e7ou as bases de uma ditadura de salva\u00e7\u00e3o nacional.\n\nEm outras palavras, sendo vice-presidente de Deodoro da Fonseca (que havia renunciado ap\u00f3s nove meses de governo) Floriano deveria assumir interinamente a presid\u00eancia porque, conforme previa a Constitui\u00e7\u00e3o, seriam convocadas novas elei\u00e7\u00f5es e no m\u00e1ximo, em dois anos.\n\nPor\u00e9m ao fim do prazo estipulado, Floriano passou a ser acusado pela oposi\u00e7\u00e3o de tentar se manter ilegalmente no poder e assim come\u00e7ou os movimentos oposicionistas para dep\u00f4-lo, que culminou com a c\u00e9lebre revolta, que apesar do nome com que ficou na Hist\u00f3ria, n\u00e3o envolveu totalmente a Armada, sendo relativamente pequeno o n\u00famero de oficiais que a ela aderiram.\n\nA maioria da oficialidade ou se decidiu por Floriano, guarnecendo os navios adquiridos por ele, ou manteve-se em posi\u00e7\u00e3o discordante em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 revolta, mas sem demonstrar cabalmente desejo de combat\u00ea-la.\n\nA\u00a0<strong>Revolta da Armada<\/strong>\u00a0aliou-se \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o Federalista, generalizando o conflito e conflagrando, al\u00e9m do Rio de Janeiro, os tr\u00eas estados do Sul. A ades\u00e3o, ap\u00f3s alguns meses, do almirante monarquista Lu\u00eds Felipe de Saldanha da Gama, comandante da Escola Naval, acentuou cores ideol\u00f3gicas a esse triste acontecimento que seria desastroso para a Marinha e para o Brasil.\n\nO pa\u00eds encontrava-se, portanto, numa guerra civil que durou meses, com grandes perdas humanas e materiais. E o ponto alto da revolu\u00e7\u00e3o ocorreu em fins de 1893, quando colunas de maragatos apelido dados aos federalistas \u2013 avan\u00e7aram sobre Santa Catarina, juntando-se a\u00ed aos integrantes da Revolta da Armada.\n\nEssa se iniciara nos navios militares estacionados no Rio de Janeiro, onde tamb\u00e9m fora incorporado um grupo de barcos mercantes, uns armados como cruzadores-auxiliares e outros mantidos como transportes.\n\nEm fins de setembro de 1893, uma for\u00e7a naval dos revolucion\u00e1rios deslocou-se para o Sul e ocupou Desterro (atual Florian\u00f3polis).\n\nE ali, precisamente no dia 16 de abril de 1894 se daria um combate, onde o ca\u00e7a-torpedeiro Gustavo Sampaio com seus torpedos viria desbaratar o poderoso encoura\u00e7ado Aquidab\u00e3, dando fim a Revolta da Armada.\n\nNa hist\u00f3ria mundial dos combates navais, esse seria o terceiro lan\u00e7amento eficaz de torpedos.\n\nO primeiro torpedeamento com \u00eaxito ocorreu na guerra russo-turca em 1898 e no segundo, o encoura\u00e7ado Blanco Encalada, foi atingido pelo ca\u00e7a-torpedeiro Almirante Lynch, na revolta chilena em 1891.\n\nNo Sul do Brasil, os combates em terra prosseguiram at\u00e9 a deposi\u00e7\u00e3o das armas pelos revolucion\u00e1rios, em agosto de 1895.\n\nA rendi\u00e7\u00e3o resultou de um acordo que teve a media\u00e7\u00e3o do ent\u00e3o presidente Prudente de Morais, sucessor de Peixoto. Dessa guerra civil de grandes propor\u00e7\u00f5es, resultou milhares de mortos.\n\nMuitos deles n\u00e3o morreram em combate, mas foram degolados ap\u00f3s terem ca\u00eddo prisioneiros. Nas chacinas, a degola era regra geral.\n\nDas companhias Lloyd brasileiro, Laje e Frigor\u00edfica, foram incorporados navios \u00e0s for\u00e7as navais rebeldes na Revolta da Armada (alguns dos navios foram armados com canh\u00f5es antigos encontrados na Ponta da Arma\u00e7\u00e3o).\n\n<strong>Entre os navios mais importantes se encontravam:<\/strong>\u00a0J\u00fapiter, Merc\u00fario, Marte, Para\u00edba, V\u00eanus, Uranus, Palas, Meteoro, Esperan\u00e7a, \u00cdris, Laguna, Adolfo de Barros, Gil Blas, Luci, Guanabara, Standard, Vulcano, Gl\u00f3ria e Bitencourt.\n\nPassaria 16 anos, para a Marinha ser sacudida novamente por outra revolta. Trata-se da rebeli\u00e3o de simples, mas indignados marinheiros, contra o uso corrente de castigos corporais atrav\u00e9s da chibata, com todo o humilhante cerimonial que os rodeava. Em outras palavras, em 22 de novembro de 1910, por causa do r\u00edgido, imoral e anacr\u00f4nico regime disciplinar baseado nos castigos corporais, a preconceituosa elite branca da Marinha seria atingida em suas bases, dura e profundamente por outra revolu\u00e7\u00e3o, que teve como l\u00edder principal, o marinheiro semi-analfabeto Jo\u00e3o C\u00e2ndido Felisberto.\n\n<strong>Revolta da Armada &#8211; Rebeli\u00e3o<\/strong>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-159791 aligncenter\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Revolt4.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"188\" \/><strong>Revolta da Armada<\/strong><\/p>\nA\u00a0<strong>Revolta da Armada<\/strong>\u00a0foi uma<strong>\u00a0rebeli\u00e3o<\/strong>\u00a0promovida por algumas unidades da Marinha brasileira contra o governo de Floriano Peixoto.\n\nCome\u00e7a no Rio de Janeiro em setembro de 1893, estende-se \u00e0 Regi\u00e3o Sul e prolonga-se at\u00e9 mar\u00e7o de 1894.\n\nCom a ren\u00fancia de Deodoro da Fonseca \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica em 23 de novembro de 1891, passados nove meses de governo, o vice-presidente Floriano Peixoto assume o cargo.\n\nA Constitui\u00e7\u00e3o, no entanto, prev\u00ea nova elei\u00e7\u00e3o caso a Presid\u00eancia ou a Vice-Presid\u00eancia fiquem vagas antes de decorridos dois anos de mandato.\n\nA oposi\u00e7\u00e3o acusa Floriano de manter-se ilegalmente \u00e0 frente da na\u00e7\u00e3o. Em 6 de setembro de 1893, um grupo de altos oficiais da Marinha exige a imediata convoca\u00e7\u00e3o dos eleitores para a escolha dos governantes.\n\nEntre os revoltosos est\u00e3o os almirantes Saldanha da Gama, Eduardo Wandelkok e Cust\u00f3dio de Melo, ex-ministro da Marinha e candidato declarado \u00e0 sucess\u00e3o de Floriano.\n\nSua ades\u00e3o reflete o descontentamento da Armada com o pequeno prest\u00edgio pol\u00edtico da Marinha em compara\u00e7\u00e3o ao do Ex\u00e9rcito.\n\nNo movimento encontram-se tamb\u00e9m jovens oficiais e muitos monarquistas.\n\nA revolta consegue pouco apoio no Rio. Sem chance de vit\u00f3ria, os revoltosos dirigem-se ao sul. Alguns efetivos desembarcam em Desterro (atual Florian\u00f3polis) e tentam, inutilmente, articular-se com os federalistas ga\u00fachos.\n\nFloriano adquire novos navios no exterior e com eles derrota a Revolta da Armada em mar\u00e7o de 1894.\n\n<strong>Revolta da Armada &#8211; Hist\u00f3ria do Brasil<\/strong>\n<p class=\"imagem\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-159794 aligncenter\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Revolt5.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"189\" \/><strong>Revolta da Armada<\/strong><\/p>\nUm dos vultos mais importantes da primeira fase republicana, \u00e0 parte seu lado psico-patol\u00f3gico, \u00e9 o coronel de Infantaria do Ex\u00e9rcito Ant\u00f4nio Moreira C\u00e9sar, \u00fanico comandante de expedi\u00e7\u00e3o a morrer durante assalto \u00e0 fortaleza dos jagun\u00e7os do Belo Monte de Ant\u00f4nio Conselheiro.\n\nNasceu Ant\u00f4nio Moreira C\u00e9sar na cidade de Pindamonhangaba, estado do S\u00e3o Paulo, no dia 7 de julho do 1850. Moreira C\u00e9sar nomeou seus pais, na f\u00e9 de oficio, como tendo sido desconhecidos, ou inc\u00f3gnitos.\n\nSabe-se, contudo, que ele era filho do padre Ant\u00f4nio Moreira C\u00e9sar de Almeida (1814-1860), e de Francisca Correa do Toledo (1818-1895), falecida solteira e irm\u00e3 de Maria Bernardina Correa de Toledo, que foi casada com o capit\u00e3o Bento Moreira C\u00e9sar do Almeida, irm\u00e3o do mencionado padre.\n\nMoreira C\u00e9sar sentou pra\u00e7a em 1869. Encontramo-lo, em 1874, como alferes-aluno. Em dezembro postula permiss\u00e3o para ausentar-se. N\u00e3o lhe \u00e9 concedida.\n\nEstava na Escola Militar. Insiste. O capit\u00e3o do servi\u00e7o faz advert\u00eancia. Ainda assim, o alferes de 24 anos sai, por sua conta e risco.\n\n<strong>Ao voltar \u00e9 punido:\u00a0<\/strong>oito dias de pris\u00e3o.\n\nEm 1877 \u00e9 promovido a alferes da Arma do Infantaria. No mesmo ano ascende ao posto de tenente, por estudos. No fim do ano conclui o curso de artilharia1878 \u00e9 matriculado no 4\u00ba ano do curso superior.\n\nEm dezembro conclui o curso do estado-maior de 1\u00aa classe.. Em\n\nComo se observa, Moreira C\u00e9sar n\u00e3o negligencia sua forma\u00e7\u00e3o profissional. Esfor\u00e7a-se para manter atualizados, sempre, seus conhecimentos. Designado para a Escola de Tiro de Campo Grande, sediada em Realengo, Rio, nesta aguarda-o nova puni\u00e7\u00e3o. \u00c9 repreendido por se haver dirigido, sem intermedi\u00e1rio, em memorando, ao ministro da Guerra.\n\nEm curto espa\u00e7o ascende a ajudante-de-ordens do ministro da Guerra, em 1881. Por estudos \u00e9 promovido, aos 31 anos, a capit\u00e3o.\n\nBreve encontr\u00e1-lo-emos instrutor e professor-adjunto do Deposito de Aprendizes Artilheiros, na fortaleza de S\u00e3o Jo\u00e3o. Tem sua compet\u00eancia posta em relevo pelos superiores quando o ministro quer transferi-lo 0 comandante geral de Artilharia consigna ser dif\u00edcil ter-se \u201cum professor t\u00e3o dedicado e instrutor t\u00e3o h\u00e1bil que tanto gosto tenha pela Arma de Infantaria como o oficial de que se trata\u201d. Todavia, logo em seguida, \u00e9 afastado de suas fun\u00e7\u00f5es para tratamento de sa\u00fade, durante tr\u00eas meses.\n\nEm 1883 o capit\u00e3o C\u00e9sar est\u00e1 no Rio, servindo no 10 BI. Nesse ano \u00e9 um dos protagonistas de drama que abaIar\u00e1 a quietude do Imp\u00e9rio, o selvagem e covarde assassinato do jornalista Apulcro de Castro.\n\nApulcro de Castro praticava, profissionalmente, no Rio de Janeiro, tempo do imp\u00e9rio um tipo de jornalismo \u00e0 \u00e9poca denominado de \u201cesc\u00e2ndalo e cava\u00e7\u00e3o\u201d, modernamente tratado por \u201cimprensa marrom\u201d.\n\nN\u00e3o est\u00e1 bem claro se chegava a chantagear as v\u00edtimas de suas cal\u00fanias e diatribes. Vivia a atassalhar a vida alheia atrav\u00e9s das p\u00e1ginas do peri\u00f3dico O Cors\u00e1rio. O verumoso homem de imprensa n\u00e3o vacilava em atingir, com suas garras aquilinas e virulentas, figuras da maior honorabilidade na sociedade. Enquanto sua pena esteve convertida em c\u00f3lera contra elementos da comunidade carioca, n\u00e3o pesou contra a editorialista sen\u00e3o algumas amea\u00e7as de quebrar-lhe os ossos em pra\u00e7a p\u00fablica, faz\u00ea-lo engolir, sem caldo, toda urna tiragem da gazeta maldita, dar-lhe corretivo em regra para que ele definitivamente se emendasse. Mas em certa ocasi\u00e3o o linguareiro direcionou, por motivos n\u00e3o muito claros, ataques contra o Ex\u00e9rcito e elementos not\u00e1veis de suas fileiras.\n\nE citava nomes, o endiabrado escrevinhador. Tomara tal corpo as incrimina\u00e7\u00f5es que entre oficiais que se sentiram ofendidos, avultou a decis\u00e3o de Ir \u00e0 forra.\n\nFoi em 1883. 0 hediondo crime de que foi v\u00edtima o redator-chefe de O Cors\u00e1rio teve ruidosa repercuss\u00e3o. Foi mat\u00e9ria de primeira p\u00e1gina do jornais brasileiros.\n\nAconteceu em uma das tradicionais vias p\u00fablicas do Rio do Janeiro, a machadiana Rua do Lavradio.No dia 25 do outubro do 1883 o famigerado disseminador de not\u00edcias tendenciosas e abomin\u00e1veis, terror da sociedade carioca, apresentou-se \u00e0 reparti\u00e7\u00e3o de Pol\u00edcia alegando estar amea\u00e7ado de morte. Pediu garantias de vida.\n\nEnquanto Apulcro de Castro estava asilado na chefatura, come\u00e7aram a formar-se suspeitas aglomera\u00e7\u00f5es nas circunvizinhan\u00e7as.\n\nFoi solicitado ao ministro da Guerra recomenda\u00e7\u00e3o para que o ajudante-general do Ex\u00e9rcito, capit\u00e3o \u00c1vila tudo fizesse para que os \u00e2nimos fossem contidos, antes que tivesse lugar a fatalidade.\u00c1vila dirigiu-se \u00e0 s\u00facia de aguerridos oficiais, pediu que as malqueren\u00e7as serenassem, o Ex\u00e9rcito estava atento, cuidando do caso, o senhor Apulcro de Castro iria ser severamente admoestado, chamado \u00e0 responsabilidade e, caso n\u00e3o se emendasse, processado, condenado, encarcerado.\n\nNa Rua do Lavradio, a pouca dist\u00e2ncia da reda\u00e7\u00e3o da gazeta de Apulcro e das oficinas tipogr\u00e1ficas de O Cors\u00e1rio, existia reparti\u00e7\u00e3o central de Pol\u00edcia.\n\nMas nem esta ou a presen\u00e7a da autoridade do um capit\u00e3o do Ex\u00e9rcito se impuseram moral e hierarquicamente perante os extremados oficiais. 0 carro no qual iam a capit\u00e3o do Ex\u00e9rcito e a jornalista de m\u00e1 fama foi assaltado por grupo de onze oficiais, todos disfar\u00e7ados com grandes barbas posti\u00e7as. Armados de punhais e rev\u00f3lveres, acirradamente, covardemente, lincharam o redator da imprensa boquirrota. Instaurado o inqu\u00e9rito policial, ficou provado que, entre os figurantes do atentado, constava o nome do capit\u00e3o Ant\u00f4nio Moreira C\u00e9sar, de 33 anos de idade.\n\n<strong>SEDI\u00c7\u00c3O BAIANA de 1891<\/strong>\n\nEm fins de 1891 encontramos o tenente-coronel Ant\u00f4nio Moreira C\u00e9sar envolvido na derrubada do primeiro governador constitucional da Bahia, Jos\u00e9 Gon\u00e7alves da Silva (1838-1911).\n\nEra ent\u00e3o em Salvador comandante do Nono Batalh\u00e3o de Infantaria, do qual tomara posse no dia 14 de novembro daquele ano, transferido de Sergipe, onde estivera na chefia do 33\u00b0 BI. Em novembro de 1891 o pa\u00eds enfrentava crise pol\u00edtica que o Marechal Deodoro da Fonseca, presidente da Rep\u00fablica, julgou poder extinguir desfechando, a 3 daquele m\u00eas, um golpe de estado. Mal aconselhado pelo bar\u00e3o de Lucena, Deodoro dissolve o Congresso Nacional com o qual n\u00e3o conseguia se entender. 0 desfecho da crime teve profunda repercuss\u00e3o em todo o pais.\n\nA imprensa e a grande maioria dos pol\u00edticos opuseram-se ao ato e protestaram com veem\u00eancia. A maior parte dos governadores, por\u00e9m, deu apoio ao golpe, entre os quais na Bahia, Jos\u00e9 Gon\u00e7alves da Silva.\n\nTodavia o presidente da Rep\u00fablica recuou e abandonou em definitivo o governo, assumindo-o o marechal Floriano Peixoto, vice-presidente, que convoca o congresso e restabelece a ordem institucional.\n\nPol\u00edticos baianos afastados da situa\u00e7\u00e3o, inconformados com o apoio de Jos\u00e9 Gon\u00e7alves a Deodoro, decidiram que o chefe do Executivo baiano teria que deixar o governo. 0 movimento e encabe\u00e7ado pelo deputado federal C\u00e9sar Zama. A volta \u00e0 legalidade com a ren\u00fancia de Deodoro e a promessa de Jos\u00e9 Gon\u00e7alves de que oportunamente faria o mesmo n\u00e3o interessavam aos golpistas.\n\nC\u00e9sar Zama havia sido encarregado pelo marechal Floriano e Cust\u00f3dio de Melo para que entrasse em entendimento, na Bahia, com o tenente-coronel Ant\u00f4nio Moreira C\u00e9sar para que, no dia 27 de novembro, quando irrompesse, na capital Federal, o movimento contra o fechamento do Congresso, fosse Jos\u00e9 Gon\u00e7alves deposto.A ren\u00fancia de Deodoro obrigou, todavia, os amotinados a mudarem de t\u00e1tica.\n\nJos\u00e9 Gon\u00e7alves n\u00e3o cede, inicialmente, \u00e0s press\u00f5es dos exaltados advers\u00e1rios. Tenta passar o cargo ao sucessor legal, Luiz Viana, presidente do Senado que n\u00e3o o aceita, sob a alega\u00e7\u00e3o de que \u201cn\u00e3o compreendo governo sem for\u00e7a. Desde que a for\u00e7a n\u00e3o garante o governo, o governo que seja a for\u00e7a.\u201d\n\nA capital da Bahia \u00e9 sublevada por tumultos que deixam no rastro mortos e feridos. Mas Jos\u00e9 Gon\u00e7alves n\u00e3o renuncia formalmente. Entrega o governo ao general Tude Soares Neiva, comandante do Terceiro Distrito Militar.Crise que culmina com a derrubada do primeiro governador constitucional da Bahia dura at\u00e9 os \u00faltimos dias do ano, quando composi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica elege governador o contra-almirante Joaquim Leal Ferreira, em sess\u00e3o de 22 de dezembro de 1891, do Senado estadual.\n\nComo resultado da ativa participa\u00e7\u00e3o nos incidentes daqueles dias, o tenente-coronel Ant\u00f4nio Moreira C\u00e9sar ocupa a cargo de chefe de Pol\u00edcia do estado, fun\u00e7\u00e3o na qual se manteve do 24 de novembro a 22 de dezembro do mesmo ano.\n\nAntes de haver sido designado para comandar corpo de tropas na Bahia o tenente-coronel Ant\u00f4nio Moreira C\u00e9sar estivera alguns meses em Aracaju, \u00e0 frente do 33\u00b0 BI.\n\nRecentemente foi enviado do Manaus documento assinado no dia 25 de abril de 1891 pelo tenente-coronel Moreira C\u00e9sar. 0 autor da revela\u00e7\u00e3o de tal documento, coronel reformado da PM, Roberto Mendon\u00e7a, prometeu ao autor destes dados biogr\u00e1ficos, levar a cabo pesquisa nos arquivos da capital do Estado do Amazonas na tentativa de descobrir pormenores sobre a estada, ali, do c\u00e9lebre oficial pindamonhangabense, \u00e0 frente do 36 BI.\n\n<strong>SUBLEVA\u00c7\u00c3O DE NITER\u00d3I<\/strong>\n\n0 coronel C\u00e9sar, como era tratado par seus companheiros do caserna, toma posse na condi\u00e7\u00e3o de Comandante do 70 Batalh\u00e3o de Infantaria em abril de 1892.\n\nEm dezembro do mesmo ano a batalh\u00e3o embarca para Niter\u00f3i onde tinha lugar subleva\u00e7\u00e3o do corpo policial, tendo aclamado governador Francisco Portela.\n\nPortela hipotecara fidelidade ao marechal Deodoro quando do golpe de Estado de novembro de 1891. Como muitos do seus colegas, fora destitu\u00eddo. Agora tentavam reimposs\u00e1-lo, \u00e0 for\u00e7a. Acompanham a 7\u00b0 BI uma ala do 1\u00b0 BI elementos da Artilharia do 2\u00b0 Regimento e um contingente de Cavalaria.\n\nAs tropas haviam sido solicitadas polo titular do cargo, Jos\u00e9 Tom\u00e1s do Porci\u00fancula. Com a tomada do quartel do regimento Policial, por ala chefiada pelo major Edmundo Maia Bittencourt, na noite de 14 para 15, \u00e9 restabelecida a ordem. Os amotinados rendem-se, o governador Porci\u00fancula, reconduzido ao posto, dissolve a for\u00e7a P\u00fablica.\n\n<strong>A REVOLTA DA ARMADA<\/strong>\n\nA historicamente chamada revolta da Armada foi rebeli\u00e3o promovida por algumas unidades da Marinha contra o governo do marechal Floriano Peixoto (1839-1895). Tem in\u00edcio no Rio de Janeiro em setembro de 1893 e se estende em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 regi\u00e3o Sul, chegando ao fim em mar\u00e7o de 1894.\n\nCom a ren\u00fancia do marechal Deodoro da Fonseca (1827-1892), \u00e0 presid\u00eancia da Rep\u00fablica, em 23 de novembro de 1891, ap\u00f3s nove meses de governo, o vice-presidente Floriano Peixoto assume o cargo.\n\nA Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1891, no entanto, previa nova elei\u00e7\u00e3o caso a Presid\u00eancia ou vice-presid\u00eancia ficassem vagas antes de decorridos dois anos de mandato.\n\nA oposi\u00e7\u00e3o acusa Floriano Peixoto de manter-se ilegalmente \u00e0 frente da na\u00e7\u00e3o.\n\nEm 6 de setembro de 1893 um grupo de altos oficiais da Marinha exige a imediata convoca\u00e7\u00e3o dos eleitores para a escolha dos governantes. Entre os revoltosos est\u00e3o os almirantes Luiz Felipe de Saldanha da Gama, Eduardo Wandenkolk e Cust\u00f3dio Jos\u00e9 de Melo, ex-Ministro da Marinha e candidato declarado \u00e0 sucess\u00e3o de Floriano. No movimento encontram-se tamb\u00e9m jovens oficiais e muitos monarquistas.\n\nA ades\u00e3o destes reflete o descontentamento da Armada com o pequeno prestigio da Marinha em compara\u00e7\u00e3o ao Ex\u00e9rcito. A revolta atrai muito pouco apoio no Rio de Janeiro. Sem oportunidade de sa\u00edrem vitoriosos, os amotinados dirigem-se para o Sul do pa\u00eds. Alguns efetivos desembarcam em Desterro (atual Florian\u00f3polis), e tentam inutilmente articular-se com os federalistas ga\u00fachos.\n\nFloriano Peixoto adquire novos navios de guerra no exterior e com eles derrota a Revolta da Armada.\n\nQuando estes acontecimentos t\u00eam lugar, o pr\u00f3prio coronel Moreira C\u00e9sar tra\u00e7a pessoalmente planos para desfechar ataque contra a Ilha de Villegaignon, no Rio de Janeiro, e pontos outros em \u00e1reas ferozmente ocupada e defendida pelos rebeldes. 0 7\u00b0 BI tamb\u00e9m participa da vigil\u00e2ncia na regi\u00e3o portu\u00e1ria na Ba\u00eda de Guanabara e atua com desenvoltura na retomada da Ilha do Governador, base log\u00edstica onde se suprem os revoltosos.\n\nTendo efetivado a ocupa\u00e7\u00e3o da Ilha do Governador, o 7\u00b0 BI l\u00e1 permanece at\u00e9 9 de fevereiro de 1894, quando recebe ordens para regressar ao Morro do Santo Ant\u00f4nio, onde era sediado.\n\nMoreira C\u00e9sar havia passado a comando de seu batalh\u00e3o ao capit\u00e3o Augusto Frederico Caldwell do Couto e assumira o comando da brigada, como o far\u00e1 em outras oportunidades. Fica o batalh\u00e3o interinamente sob as ordens do capit\u00e3o Caldwell do Couto at\u00e9 19 de outubro de 1894, enquanto Moreira C\u00e9sar permanece no comando das for\u00e7as em opera\u00e7\u00e3o nas Ilhas de Paquet\u00e1 e Governador.\n\nSua obten\u00e7\u00e3o e retomada da Ilha do Governados n\u00e3o passa desapercebida do marechal Floriano Peixoto, vice-presidente no ex\u00e9rcito da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica \u2013 \u201cpelos relevantes servi\u00e7os prestados, tendo sustentado t\u00e3o importante posi\u00e7\u00e3o e obrigado, com tiros de canh\u00e3o, os navios dos insurretos a mudarem de ancoradouro em busca do fundo da ba\u00eda, danificando-os seriamente\u201d.\n\n<strong>REVOLU\u00c7\u00c3O FEDERALISTA<\/strong>\n\nPode-se didaticamente definir a Revolu\u00e7\u00e3o Federalista como um movimento sedicioso que envolveu as principais fac\u00e7\u00f5es pol\u00edticas do Rio Grande do Sul. Tem in\u00edcio em 1893 e dura at\u00e9 1895.\n\nDois partidos disputavam o poder. De um lado o Partido Federalista re\u00fane a velha e carcomida elite do Partido Liberal do Imp\u00e9rio, sob a lideran\u00e7a de Gaspar da Silveira Martins. Do outro, o Partido Republicano Rio-Grandense agrupava os republicanos hist\u00f3ricos que haviam tornado parte na proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, liderado pelo governador J\u00falio de Castilhos.\n\nAncorados em bases eleitorais nas cidades do litoral e da serra, os republicanos queriam, a todo custo, manter a poder. J\u00e1 os federalistas, que representavam os interesses dos grandes estancieiros da campanha, lutam contra a que chamam de \u201ctirania castilhista\u201d e exige a reforma da Constitui\u00e7\u00e3o do Estado com vistas a impedir a perpetua\u00e7\u00e3o dos rivais no poder.\n\nEm fevereiro de 1893, ano da campanha eleitoral para o governo estadual, os federalistas, tratados por maragatos, iniciam sangrento conflito com os republicanos, apelidados chimangos ou de pica-paus.\n\nOs combates espalham-se pelo estado e se transformam em guerra civil, com milhares de v\u00edtimas. Os maragatos pedem a interven\u00e7\u00e3o no Estado, mas o presidente Floriano Peixoto prefere apoiar os pica-paus.\n\nEntre fins de 1893 e come\u00e7o de 1894, os maragatos avan\u00e7am sobre Santa Catarina e unem-se aos rebeldes da Revolta da Armada, que ocupam a cidade do Desterro. Em seguida entram no Paran\u00e1 e tomam Curitiba.\n\nMas, sem recursos humanos e materiais suficientes, recuam. Concentram suas atividades em territ\u00f3rio ga\u00facho, mantendo o aceso da luta at\u00e9 meados de 1895. No dia 10 do julho o novo presidente da Rep\u00fablica, Prudente do Morais, consegue acordo de paz. O governo central garante o poder a J\u00falio Castilho e o Congresso anistia os participantes do movimento.\n\nAssim \u00e9 que, originalmente sem v\u00ednculos, os dois movimentos \u2013 Revolta da Armada e Revolu\u00e7\u00e3o Federalista \u2013 terminam por se unir, tendo por base a cidade Desterro, ent\u00e3o capital do Estado de Santa Catarina. O porto da Ilha de Santa Catarina pela sua localiza\u00e7\u00e3o geograficamente estrat\u00e9gica, foi escolhido para servir de elo com o Sul amotinado, pelo almirante Cust\u00f3dio de Melo. Ali com efeito, instala-se o governo rebelde.\n\nAp\u00f3s v\u00e1rios entendimentos e discuss\u00f5es, a capitula\u00e7\u00e3o da guarni\u00e7\u00e3o militar foi proposta pelo comandante Frederico Guilherme de Lorena, capit\u00e3o-de-mar-e-guerra, coordenada pelo marechal de campo reformado Manoel de Almeida Gama Lobo d\u2019E\u00e7a, Bar\u00e3o de Batovi.\n\nA imprensa federalista regozijou-se com os sucessos. Em 4 de outubro do 1893, a Assembl\u00e9ia solidariza-se com os revoltosos e declara Santa Catarina \u201cEstado separado da Uni\u00e3o\u201d, enquanto Floriano Peixoto permanecesse presidente da Rep\u00fablica. A pacata e diminuta Desterro entra para a lista negra do marechal-de-ferro.\n\nOs federalistas, depois do sucessivas lutas e atos de hero\u00edsmo, s\u00e3o derrotados. Vingativo, Floriano nomeia e manda para Santa Catarina, no dia 19 de abril de 1894, armada de poderes discricion\u00e1rios, o impetuoso coronel de Infantaria do Ex\u00e9rcito Ant\u00f4nio Moreira C\u00e9sar, com a finalidade do levar a cabo o \u201cajuste de contas\u201d. 0 delegado do governo federal desembarca em Desterro \u00e0 frente de quinhentos militares do 7\u00b0 e 23\u00b0 batalh\u00f5es de infantaria.\n\n<strong>De seu corpo de auxiliares faziam parte os seguintes elementos:<\/strong>\u00a0Alferes Jo\u00e3o Lopes de Oliveira e Sousa, assim coma Malaquias Cavalcante \u2013 secret\u00e1rios; tenente Manuel Belerofonte de Lima \u2013 chefe da Pol\u00edcia e tenente Herm\u00ednio Am\u00e9rico Coelho dos Santos \u2013 comandante da Pol\u00edcia Militar.\n\nNo governo de Santa Catarina Moreira C\u00e9sar promove o \u201cajuste de contas\u201d, para usar express\u00e3o cunhada par Osvaldo Cabral.\n\nPris\u00f5es e fuzilamentos sum\u00e1rios de militares e civis foram praticados em repres\u00e1lia \u00e0 rebeldia federalista, promotora da guerra civil centralizada em Santa Catarina. Como observou a historiador catarinense Jali Meirinho \u201cna interpreta\u00e7\u00e3o justa forma atos criminosos\u201d.\u00a0<strong>E acrescenta:<\/strong>\u00a0\u201cN\u00e3o se concebem pris\u00f5es e execu\u00e7\u00f5es sem julgamento\u201d. No entanto, diz ainda Meirinho que \u201crecorrendo-se \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o pertinente vinda do Imp\u00e9rio, os crimes cometidos em guerra, mesmo que interna, eram pass\u00edveis de pena de morte\u201d.\n\nN\u00e3o se pode deixar de considerar que o \u201cajuste de contas\u201d foi resposta \u00e0 crueldade federalistas particularmente aquela perpetrada pelos guerrilheiros de Gumercindo Saraiva, cuja pr\u00e1tica corriqueira era a degola dos prisioneiros.\n\nEm Santa Catarina os fuzilamentos ocorreram na Fortaleza de Santa Cruz do Anhatomirim. 0 n\u00famero exato dos executados \u00e9 at\u00e9 hoje pol\u00eamico e controvertido. De acordo com Osvaldo Cabral, teriam sido 185. Cabral n\u00e3o menciona as fontes, tampouco o nome dos sacrificados.\n\nDuarte Paranhos Schutel, pol\u00edtico, ex-liberal, simpatizante da causa federalista, em notas manuscritas, relaciona apenas 34 prisioneiros, poss\u00edveis fuzilados ou jogados no mar a caminho da fortaleza.\n\nO historiador Lucas Alexandre Boiteux, republicano que em 1934 foi encarregado de promover o translado dos restos mortais dos fuzilados para mausol\u00e9u no cemit\u00e9rio de S\u00e3o Jo\u00e3o Batista, no Rio de Janeiro, relaciona 42 vitimas.\n\nValiosa contribui\u00e7\u00e3o, contudo, para se compreender e interpretar o governo rebelde que se estabeleceu na Ilha de Santa Catarina contra o governo constitucional da Rep\u00fablica, deve-se a Carlos Humberto Correa.\n\nO caso dos fuzilamentos tem sido motivo de s\u00e9rias investiga\u00e7\u00f5es, embora ainda permane\u00e7am controv\u00e9rsias.\n\nEstudando documentos conclui Correa que a elevado n\u00famero de mortes, apontado por precedentes investigadores, n\u00e3o pode ser levado em considera\u00e7\u00e3o, vez que muitos nomes que constavam em lista de fuzilados, tempos depois apareceram vivos, o que contraria os n\u00fameros apontados por seus predecessores, lan\u00e7ando inc\u00f3gnita sobre a exata quantidade de sacrificados.\n\nEntre os fuzilados na Fortaleza de Santa Cruz do Anhatomitim estava um baiano, o m\u00e9dico Alfredo Paulo de Freitas, que servia como major-m\u00e9dico em Desterro.\n\nFoi o m\u00e9dico chamado de sua casa e depois de apresentar-se, embarcaram-no na corveta Niter\u00f3i.Dele n\u00e3o obtendo not\u00edcias, sua esposa algumas vezes foi ao pal\u00e1cio do Governo em busca de informa\u00e7\u00f5es.\n\nNuma dela se fez acompanhar de filha menor e consta Ter sido recebida por Moreira C\u00e9sar em pessoa. Ao tomar conhecimento de quem era a mulher, o comandante C\u00e9sar se teria mostrado solicito e explicou que o marido dela com efeito fora preso e enviado ao Rio de Janeiro para ser julgado. Ela por\u00e9m n\u00e3o temesse, em breve o marido estaria de volta.\n\nAo di\u00e1logo t\u00eam acrescentado ato que aponta o coronel Moreira C\u00e9sar como homem frio e calculista.\n\n<strong>Moreira C\u00e9sar teria tomado a crian\u00e7a no colo e dito, apontando para a mar, entrevisto da janela:<\/strong>\u00a0\u201cPapai est\u00e1 bem longe, mas voltar\u00e1 logo.\u201d O governador militar de Santa Catarina, no entanto, sabia que o doutor Alfredo n\u00e3o retornaria, pois ele mesmo mandara que o fuzilassem em Anhatomirim.\n\n<strong>GUERRA DE CANUDOS<\/strong>\n\nManoel Vitorino, baiano, vice-presidente da Rep\u00fablica em exerc\u00edcio, nomeou o coronel Ant\u00f4nio Moreira C\u00e9sar para comandar a III Expedi\u00e7\u00e3o Militar contra Canudos, ap\u00f3s a fracasso de duas incurs\u00f5es militares, a primeira das quais chefiada pelo tenente Manuel da Silva Pires Ferreira (1859-1925), e a segunda pelo major-fiscal Febr\u00f4nio de Brito (1850). A primeira brigada recuou de Uau\u00e1 em novembro de 1896; a segunda, de Tabuleirinho em janeiro de 1897.\n\nMoreira C\u00e9sar partiu para a Bahia, do Rio de Janeiro, a 3 de fevereiro de 1897, aportando em Salvador no dia 6 do mesmo m\u00eas. Dia seguinte, 7, partiu para Queimadas, onde chegou no dia 8, pela manh\u00e3, em trem expresso. Temendo que as jagun\u00e7os abandonassem o arraial sedicioso, intensificou os preparativos para a partida em dire\u00e7\u00e3o a Monte Santo. Compunha a III Expedi\u00e7\u00e3o 1300 homens, 6 canh\u00f5es Krupp, 5 m\u00e9dicos, 2 engenheiros militares, ambul\u00e2ncias e um comboio cargueiro com muni\u00e7\u00f5es de guerra e de boca.\n\nAntes de arribar em Monte Santo, segunda base de opera\u00e7\u00f5es militares, Moreira C\u00e9sar sofreu crise epil\u00e9ptica, insulto que uma vez mais iria ocorrer, de forma mais suave embora, na fazenda Lajinha, entre Monte Santo e a Cumbe, hoje Euclides da Cunha.\n\n<strong>No Cumbe demonstra\u00e7\u00e3o de s\u00e9ria perturba\u00e7\u00e3o ps\u00edquica:<\/strong>\u00a0O comandante manda prender o padre Vicente Sabino dos Santos, vig\u00e1rio local, sob a acusa\u00e7\u00e3o de conselheirista. Adiante o padre \u00e9 solto, por interfer\u00eancia do estado-maior.\n\nPr\u00f3ximo ao arraial sagrado a expedi\u00e7\u00e3o \u00e9 atacada por piquetes de jagun\u00e7os, sem que tenha havido enfrentamento.\n\nO desafio para os seguidores de Ant\u00f4nio Conselheiro iria ser as tropas em condi\u00e7\u00f5es desfavor\u00e1veis por causa da superioridade dos invasores tanto em homens quanto em armas.\n\nNo dia 2 de mar\u00e7o a coluna avan\u00e7a sobre o Rancho do Vig\u00e1rio, a 19 quil\u00f4metros de Canudos. Pretendia o comandante aproximar-se do arraial sedicioso, permanecer um dia nas vizinhan\u00e7as das margens do Rio Vaza-Barris, bombardear a povoa\u00e7\u00e3o e em seguida conquist\u00e1-la com a Infantaria.\n\nNa manh\u00e3 do dia 3 Moreira C\u00e9sar, subitamente, muda de id\u00e9ia. Opta pelo ataque imediato, o arraial \u00e9 duramente castigado pelos 4 canh\u00f5es que dispararn in\u00fameros tiros. Tem in\u00edcio o assalto ap\u00f3s o meio-dia.\n\nOs combatentes jagun\u00e7os defendem-se com tiros que partem das igrejas velha e nova. Nos primeiros momentos o Ex\u00e9rcito consegue invadir o reduto sagrado e conquistar algumas casas. S\u00e3o, contudo, obrigados a recuar pela escassez de muni\u00e7\u00e3o.\n\nAp\u00f3s cerca de cinco horas de combate, Moreira C\u00e9sar \u00e9 ferido no ventre, quando se preparava para ir \u00e0 frente de batalha dar brios a seus homens em luta. Atendido pelos m\u00e9dicos, estes verificam tratar-se de ferimento mortal. O comando \u00e9 transferido ao coronel Pedro Tamarindo, que n\u00e3o possu\u00eda o carisma, o talento organizativo, a coragem e o esp\u00edrito de lideran\u00e7a do chefe baleado.\n\nPassadas mais de sete horas de luta encarni\u00e7ada, o coronel Tamarindo resolve recuar, abandonando s\u00edtios conquistados a troco de ferimentos e vidas. Moreira C\u00e9sar morre doze horas ap\u00f3s haver sido atingido, na madrugada de 4 de mar\u00e7o de 1897, protestando que Canudos fosse uma vez mais atacado, contava-se ainda com a maioria absoluta do efetivo. Em reuni\u00e3o de oficiais, \u00e0s 23 horas da noite anterior, fora decidida a retirada, dado o grande n\u00fameros de feridos. Moreira C\u00e9sar manda constar em ata que se sa\u00edsse vivo da guerra pediria exonera\u00e7\u00e3o do Ex\u00e9rcito.\n\nA retirada, aut\u00eantica fuga, \u00e9 uma das situa\u00e7\u00f5es mais dolorosas em que esteve envolvido o Ex\u00e9rcito brasileiro, Os fugitivos tendo que percorrer os cerca de 200 quil\u00f4metros que separam Canudos de Queimadas, primeira base de opera\u00e7\u00f5es militares.\n\n<strong>Revolta da Armada &#8211; O que foi<\/strong>\n\nAs\u00a0<strong>Revoltas da Armada<\/strong>, foram motins armados promovidos principalmente pelos Almirantes Cust\u00f3dio Jos\u00e9 de Melo e Saldanha Da Gama e sua frota de navios da Marinha do Brasil contra a alegada perman\u00eancia inconstitucional no poder do governo central no Rio de Janeiro.\n\nPromovida por unidades da Marinha em oposi\u00e7\u00e3o ao governo Floriano Peixoto, come\u00e7ou em setembro de 1893 no Rio de Janeiro, propagando-se para a regi\u00e3o sul e prolongando-se at\u00e9 mar\u00e7o do ano seguinte.\n\nVice de Deodoro da Fonseca, que renunciou ao cargo ap\u00f3s nove meses de governo, Floriano deveria assumir interinamente porque, conforme previa a Constitui\u00e7\u00e3o, seriam convocadas novas elei\u00e7\u00f5es presidenciais em no m\u00e1ximo dois anos.\n\nPr\u00f3ximo ao fim do prazo estipulado, Floriano passou a ser acusado pela oposi\u00e7\u00e3o de tentar se manter ilegalmente no poder.\n\nNo dia 6 de setembro de 1893 um grupo de oficiais graduados da Marinha tentaria depor o presidente. Agregando jovens oficiais e at\u00e9 monarquistas, o movimento era liderado pelos almirantes Saldanha da Gama e Cust\u00f3dio de Melo, ex-ministro da Marinha e candidato preterido \u00e0 sucess\u00e3o de Floriano.\n\nRefletindo o descontentamento da Marinha com o pequeno espa\u00e7o pol\u00edtico que ocupava em rela\u00e7\u00e3o ao Ex\u00e9rcito, a rebeli\u00e3o obt\u00e9m escasso apoio no Rio de Janeiro.\n\nOs revoltosos dirigem-se ent\u00e3o para o sul, e alguns efetivos desembarcam em Desterro (atual Florian\u00f3polis), onde tentam, sem sucesso, articular-se com os rebeldes federalistas ga\u00fachos.\n\nCom navios adquiridos no exterior, Floriano derrotaria a\u00a0<strong>Revolta da Armada<\/strong>\u00a0em mar\u00e7o de 1894.\n\n<strong>Ocorreu em duas fases:<\/strong>\n\n<strong>Primeira Revolta Armada<\/strong>\n\nAconteceu no ano de 1891, em repres\u00e1lia \u00e0 maneira de atuar do ent\u00e3o presidente da Rep\u00fablica Marechal Deodoro da Fonseca que, ao ver-se diante de s\u00e9rios problemas para lidar com os partidos pol\u00edticos contr\u00e1rios ao governo\u00a0 representados pela nata cafeicultora -, resolveu tomar uma atitude radical, fechar o Congresso, transgredindo a Constitui\u00e7\u00e3o de 1891. Uma a\u00e7\u00e3o coletiva por parte de alguns centros da marinha, entre eles o da Ba\u00eda de Guanabara, que se revoltaram e prometeram atacar a cidade do Rio de Janeiro, ent\u00e3o capital da Rep\u00fablica.\n\nPara evitar o pior, Deodoro da Fonseca, ent\u00e3o com apenas nove meses de gest\u00e3o, decidiu renunciar. Seu vice, Floriano Peixoto, assume provisoriamente, pois segundo a Constitui\u00e7\u00e3o, no prazo sumo de dois anos seriam chamadas novas elei\u00e7\u00f5es presidenciais. Quando se aproximava o fim de seu mandato a oposi\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a alardear que Floriano pretendia continuar no governo ilicitamente.\n\n<strong>Segunda Revolta Armada<\/strong>\n\nTeve in\u00edcio com uma agita\u00e7\u00e3o encabe\u00e7ada por alguns generais, que enviaram uma carta ao presidente Floriano Peixoto ordenando-lhe que convocasse imediatamente novas elei\u00e7\u00f5es, em obedi\u00eancia \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o.\n\nO presidente coibiu severamente a insubordina\u00e7\u00e3o, ordenando a pris\u00e3o dos condutores do levante.\n\nO golpe era comandado pelos oficiais superiores da armada Saldanha da Gama e Cust\u00f3dio de Melo, que ambicionava substituir Floriano Peixoto.\n\nO movimento retratava a insatisfa\u00e7\u00e3o da Marinha, que se sentia politicamente inferior ao Ex\u00e9rcito. O levante n\u00e3o encontra apoio necess\u00e1rio no Rio de Janeiro, migrando ent\u00e3o para o Sul.\n\nAlgumas tropas se aquartelaram na cidade de Desterro Atual Florian\u00f3polis e tentaram um acordo com os ga\u00fachos partid\u00e1rios do federalismo, por\u00e9m sem \u00eaxito. Em mar\u00e7o de 1894 o Presidente da Rep\u00fablica, amparado pelas for\u00e7as do Ex\u00e9rcito brasileiro, pelo Partido Republicano Paulista e contando com uma nova frota de navios obtida com urg\u00eancia no exterior, abafou o movimento.\n\n<strong>Fonte:<\/strong>\u00a0br.geocities.com\/www.projetomemoria.art.br\/www.nomar.org\/www.portfolium.com.br(Oleone Coelho Fontes)\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Revolta da Armada, Brasil, Hist\u00f3ria, Marinha, Fases, Movimento, Ex\u00e9rcito, Governo, Rebeli\u00e3o, Motivo, Revolu\u00e7\u00e3o, O que foi, Revolta da Armada<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":10090,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[54],"tags":[],"class_list":["post-20698","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia-do-brasil"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - 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