{"id":20626,"date":"2015-12-22T00:00:00","date_gmt":"2015-12-22T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/movimentos-nativistas-3\/"},"modified":"2026-09-01T15:33:00","modified_gmt":"2026-09-01T15:33:00","slug":"movimentos-nativistas-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-do-brasil\/movimentos-nativistas-3\/","title":{"rendered":"Movimentos Nativistas"},"content":{"rendered":"\n<strong>Movimentos Nativistas &#8211; O que foi<\/strong>\n\nOs\u00a0<strong>movimentos nativistas<\/strong>\u00a0aconteceram na segunda metade do s\u00e9culo XVII e primeira metade do s\u00e9culo XVIII. Foram movimentos locais que n\u00e3o visavam a separa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.\n\nProtestavam apenas contra abusos do pacto colonial, como a cria\u00e7\u00e3o de novos impostos ou aumento dos antigos.\n\nO primeiro deles foi a\u00a0<strong>Revolta de Beckman<\/strong>\u00a0que aconteceu no Maranh\u00e3o em 1684 e foi provocada pela rivalidade que se estabeleceu entre os colonos e os jesu\u00edtas em raz\u00e3o da escraviza\u00e7\u00e3o dos \u00edndios.\n\nOs colonos queriam escraviz\u00e1-los, os jesu\u00edtas, por outro lado, pregavam sua catequese nas miss\u00f5es enquanto os utilizavam como m\u00e3o-de-obra na coleta das drogas do sert\u00e3o cujo com\u00e9rcio realizavam e pelos os abusos da Companhia de Com\u00e9rcio do Estado do Maranh\u00e3o.\n\nA companhia havia sido criada para monopolizar o com\u00e9rcio com a regi\u00e3o. Deveria trazer produtos de Portugal, assim como escravos negros, vendendo-os a pre\u00e7os mais reduzidos. Em troca, compraria a produ\u00e7\u00e3o do Maranh\u00e3o. Entretanto, os produtos vindos da Metr\u00f3pole eram caros e de baixa qualidade, os negros em n\u00famero insuficiente e vendidos por pre\u00e7os abusivos. Quanto \u00e0 produ\u00e7\u00e3o local, os comerciantes portugueses queriam pagar pre\u00e7os abaixo do mercado.\n\nInsatisfeitos com a situa\u00e7\u00e3o, os irm\u00e3os Beckman, grandes propriet\u00e1rios rurais, sentindo-se prejudicados lideraram uma revolta. Os jesu\u00edtas foram expulsos do Maranh\u00e3o, os armaz\u00e9ns da companhia foram fechados e o governo tomado. Portugal, entretanto, n\u00e3o demorou a sufocar o movimento. Enquanto Tom\u00e1s Beckman foi chamado \u00e0 Corte para fornecer explica\u00e7\u00f5es, Manuel Beckman, considerado o principal chefe, foi enforcado.\n\nA\u00a0<strong>Guerra dos Emboabas<\/strong>\u00a0foi um conflito que teve lugar em Minas Gerais em 1709 e 1710 e consistiu em choques armados, pelo direito de explorar as minas de ouro, entre paulistas e os que eram considerados forasteiros, apelidados de emboabas. Os paulistas foram expulso de grande parte do territ\u00f3rio onde estava sendo praticada a minera\u00e7\u00e3o e os os \u201cemboabas \u201caclamaram o portugu\u00eas Manuel Nunes Viana, governador das minas de ouro.\n\nO emboaba Bento do Amaral Coutinho acabou por assassinar um grande n\u00famero de paulistas que estavam encurralados num cap\u00e3o de mato. O epis\u00f3dio, o Cap\u00e3o da Trai\u00e7\u00e3o, levou os paulistas a se organizarem para a vingan\u00e7a. Para Portugal n\u00e3o interessava um conflito armado na regi\u00e3o mineradora,motivo pelo qual tratou de acalmar os \u00e2nimos, tanto de paulistas, como dos emboabas, criando a Capitania de S\u00e3o Paulo e das Minas do Ouro, separada da Capitania de S\u00e3o Vicente. Os paulistas foram reintegrados nas regi\u00f5es de onde haviam sido expulsos. Entretanto, muitos dirigiram-se aos atuais estado de Goi\u00e1s e Mato Grosso, descobrindo novas jazidas.\n\nA\u00a0<strong>Guerra dos Mascates<\/strong>\u00a0que aconteceu em Pernambuco de 1710 a 1714 foi causada pela rivalidade existente entre os moradores de Olinda e os de Recife.\n\nEm Olinda viviam os senhores de engenho, decadentes, em raz\u00e3o da queda na produ\u00e7\u00e3o do a\u00e7\u00facar e em Recife, ricos comerciantes portugueses. Os olindenses que chamavam os comerciantes portugueses, pejorativamente, de mascates, deviam-lhes grandes somas que se somavam aos impostos atrasados, uma vez que os rein\u00f3is cuidavam de sua arrecada\u00e7\u00e3o. A rivalidade vinha sendo acentuada porque, enquanto Recife, em raz\u00e3o de seu excelente porto, progredia a olhos vistos.\n\nO pr\u00f3prio governador da capitania, havia se mudado de Olinda para Recife. Apesar de pr\u00f3spero e de possuir um intenso com\u00e9rcio, Recife era comarca de Olinda e n\u00e3o possu\u00eda C\u00e2mara Municipal. Como comarca, Recife era subordinada \u00e0 Olinda, que era vila. O conflito estourou quando o povoado de Recife foi elevado \u00e0 vila e ganhou autonomia administrativa. Inconformados, os olindenses cercaram Recife.\n\nA guerra durou quatro anos e terminou com a chegada do novo governador da capitania. Recife, entretanto, continuou sendo vila, tornando-se, inclusive, sede da capitania.\n\n<strong>Movimentos pela liberta\u00e7\u00e3o da col\u00f4nia<\/strong>\n\nOs\u00a0<strong>movimentos<\/strong>\u00a0que estouraram no final do s\u00e9culo XVIII e in\u00edcio do XIX, j\u00e1 possu\u00edam, claramente o ideal de independ\u00eancia. Foram movimentos regionais, que contestavam o pacto colonial como um todo e visavam a liberta\u00e7\u00e3o de uma capitania ou de toda a col\u00f4nia.\n\nEsses\u00a0<strong>movimentos<\/strong>\u00a0aconteceram numa \u00e9poca em que o Antigo Regime entrava em decl\u00ednio na Europa. As id\u00e9ias iluministas pregavam o liberalismo pol\u00edtico e econ\u00f4mico, a Revolu\u00e7\u00e3o Industrial decretara o fim do mercantilismo, os Estados Unidos haviam realizado a sua independ\u00eancia em 1776 e a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa seria respons\u00e1vel pelo fim do absolutismo mon\u00e1rquico.\n\n<strong>Inconfid\u00eancia Mineira (1789)<\/strong>\n\nDe todos os movimentos, \u00e9 considerado o mais importante, porque foi o primeiro a propor a separa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica com a cria\u00e7\u00e3o de uma Rep\u00fablica e por possuir id\u00e9ias bastante avan\u00e7adas para a \u00e9poca.\n\nFoi um movimento da elite, causado pelos altos impostos cobrados sobre a minera\u00e7\u00e3o, pelas medidas tomadas pela rainha D. Maria I que proibira a instala\u00e7\u00e3o de manufaturas em Minas Gerais e pela derrama, que deveria ser decretada pelo Visconde de Barbacena, o novo governador da capitania, para receber os impostos em atraso. Segundo consta, os impostos em atrasados perfaziam a soma de 596 arrobas de ouro.\n\nO movimento era inspirado nas id\u00e9ias iluministas e na independ\u00eancia dos Estados Unidos.\n\nOs inconfidentes pertenciam \u00e0 uma elite intelectual e financeira.\n\n<strong>Eram poetas, juristas, mineradores, militares e padres<\/strong>: Thom\u00e1s Ant\u00f4nio Gonzaga, Cla\u00fadio Manuel da Costa, In\u00e1cio Jos\u00e9 de Alvarenga Peixoto, Tenente-Coronel Francisco de Paula Freire, Jos\u00e9 \u00c1lvarez Maciel Rolim, Jos\u00e9 Carlos Corr\u00eaa e Lu\u00eds Vieira da Silva.\n\nAo que consta, a \u00fanica pessoa que pertencia a uma categoria social inferior, era o alferes Joaquim Jos\u00e9 da Silva Xavier, o Tiradentes( \u00e9 importante dizer que Tiradentes n\u00e3o era pobre, tanto \u00e9 que ele tinha 4 escravos \u2026que na \u00e9poca era muito caro)\n\nOs inconfidentes pretendiam libertar Minas Gerais( n\u00e3o o Brasil ), proclamar a Rep\u00fablica( a capital deveria ser S\u00e3o Jo\u00e3o del Rei ), estabelecer uma Universidade em Vila Rica, instalar f\u00e1bricas, conceder ajuda de custo \u00e0s familias numerosas e servi\u00e7o militar obrigat\u00f3rio.\n\nQuanto \u00e0 liberta\u00e7\u00e3o dos escravos afirmavam que n\u00e3o deveria acontecer ( inclusive Tiradentes ).\n\nHaviam escolhido uma bandeira para Minas independente. Tratava-se de um ret\u00e2ngulo com um tri\u00e2ngulo e a frase em latim \u201d Libertas quae sera tamen \u201c( Liberdade ainda que tardia ).\n\nO movimento, que deveria estourar quando Barbacena publicasse a derrama, fracassou, devido \u00e0 trai\u00e7\u00e3o de Silv\u00e9rio dos Reis e de outros inconfidentes, como Brito Malheiros e Corr\u00eaa Pamplona.\n\nAo tomar conhecimentos do que estava sendo tramado e que a revolta aconteceria quando publicasse a derrama, Barbacena suspendeu a cobran\u00e7a dos impostos, que estava prestes a ser decretada e ordenou a pris\u00e3o dos implicados. Conduzidos ao Rio de Janeiro, responderam por crime de inconfid\u00eancia, ou seja, falta de fidelidade \u00e0 rainha.\n\nA senten\u00e7a, somente conclu\u00edda em 1792, determinava que Tiradentes ( que assumira a culpa do movimento e era o \u00fanico de condi\u00e7\u00e3o social mais baixa ) seria enforcado e esquartejado.\n\nOs demais inconfidentes deveriam ser exilados para as col\u00f4nias portuguesas da \u00c1frica e para as ilhas do Atl\u00e2ntico, em degredo tempor\u00e1rio ou perp\u00e9tuo\n\n<strong>Movimentos Nativistas \u2013 Brasil<\/strong>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-159601 aligncenter\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Movime1.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"195\" \/><strong>Movimentos Nativistas<\/strong><\/p>\nDiversos\u00a0<strong>movimentos nativistas<\/strong>\u00a0se registraram no Brasil.\n\nO que caracterizou esses movimentos foi a repulsa aos abusos do f\u00edsico portugu\u00eas, sem contestar, no entanto, o dom\u00ednio luso. Ao contr\u00e1rio, havia uma conviv\u00eancia harmoniosa entre a aristocracia colonial e a da metr\u00f3pole. As revoltas relacionavam-se \u00e0 defesa de interesses locais e regionais.\n\n<strong>Fatores que determinavam a ocorr\u00eancia dos mesmos foram:<\/strong>\n<blockquote><strong>As contradi\u00e7\u00f5es internas<\/strong>: explora\u00e7\u00e3o e desenvolvimento.\nA pol\u00edtica colonial portuguesa ap\u00f3s a Restaura\u00e7\u00e3o.\n<strong>As id\u00e9ias iluministas<\/strong>: liberdade, igualdade, fraternidade.\nA Revolu\u00e7\u00e3o Industrial e o liberalismo econ\u00f4mico.\nA Revolu\u00e7\u00e3o Francesa (1789).\nA crise da minera\u00e7\u00e3o e o arrocho na cobran\u00e7a de tributos pela metr\u00f3pole.<\/blockquote>\n<strong>Principais Movimentos<\/strong>\n\n<strong>Revoltas de Beckman<\/strong>\n\nDurante v\u00e1rios momentos e em diversos locais da col\u00f4nia, os interesses de colonos e mission\u00e1rios se chocaram. Um exemplo desse choque de interesse ocorreu no Maranh\u00e3o em fins do s\u00e9culo XVII.\n\nA capitania do Maranh\u00e3o n\u00e3o era rica, pois o cultivo da cana em suas terras n\u00e3o era vi\u00e1vel.\n\nA possibilidade dos colonos de comprarem escravos, muito caros, eram pequenas, por outro lado, os jesu\u00edtas tamb\u00e9m n\u00e3o permitiam a escraviza\u00e7\u00e3o dos \u00edndios, pois eles pr\u00f3prios exploravam o trabalho ind\u00edgena.\n\nPara agravar a situa\u00e7\u00e3o, a Companhia Geral do Com\u00e9rcio do Estado do Maranh\u00e3o, que defina o controle da regi\u00e3o, tamb\u00e9m descontentava os colonos.\n\nRevoltados com a situa\u00e7\u00e3o, em fevereiro de 1684, os colonos, liderados pelo rico fazendeiro Manuel Beckman, prenderam o Capit\u00e3o-Mor do Maranh\u00e3o e tomaram os armaz\u00e9ns da Companhia do Maranh\u00e3o.\n\nCom a deposi\u00e7\u00e3o das autoridades, formaram um governo provis\u00f3rio, expulsaram os jesu\u00edtas e pediram provid\u00eancias a Portugal.\n\nPortugal agiu rapidamente e, aproveitando-se da falta de consist\u00eancia do movimento, arrasou com a revolta, sendo Manuel Beckman e Jorge Sampaio, outro l\u00edder, executados.\n\nA rebeli\u00e3o ocorreu contra a Companhia Geral de Com\u00e9rcio do Maranh\u00e3o, que n\u00e3o cumpriu os acordos feitos com os colonos, e contra a Companhia de Jesus, que era contr\u00e1ria \u00e0 escraviza\u00e7\u00e3o ind\u00edgena.\n\n<strong>Guerra dos Emboabas<\/strong>\n\nEstudamos anteriormente que a descoberta das minas de ouro mudou os rumos da economia colonial. Milhares de pessoas abandonaram suas religi\u00f5es para procurar ouro, atraindo, inclusive, muitos portugueses para a regi\u00e3o.\n\nEssa migra\u00e7\u00e3o no in\u00edcio do s\u00e9culo XVIII desagradou aos paulistas, que descobriram as minas e aos quais um ato real de 1694 garantia o direito de posse das terras. No entanto, a grande quantidade de pessoas que chegava \u00e1 regi\u00e3o das minas tornou praticamente imposs\u00edvel o controle da posse das terras.\n\nJ\u00e1 vimos tamb\u00e9m que a descoberta do ouro levou a um grande desenvolvimento da agricultura e da pecu\u00e1ria. O com\u00e9rcio desses produtos era praticamente monopolizado pelos baianos, que determinavam os pre\u00e7os desses produtos a valores alt\u00edssimo. Tamb\u00e9m se tornou comum o contrabando de metais preciosos, controladores pelos emboabas, apelido dado aos baianos e portugueses ricos.\n\nEssas discrep\u00e2ncias criaram um clima de hostilidade entre paulistas, baianos e portugueses. Ap\u00f3s alguns pequenos atritos e intrigas, estourou um conflito. Os emboabas, liderados pelo fazendeiro Manuel Nunes Viana, conseguiam expulsar os paulistas da regi\u00e3o. Nunes Viana foi ent\u00e3o empossado como governador das Minas Gerais. Os paulistas retornaram \u00e0 regi\u00e3o e reiniciaram os conflitos. Nessa ocasi\u00e3o, cerca de 300 paulistas foram encurralados e rendidos e, ap\u00f3s terem largado as armas, foram dizimados. Esse fato ficou conhecido como \u201cCap\u00e3o da Trai\u00e7\u00e3o\u201d. Em abril de 1709, os paulistas, comandados por Amador Bueno da Veiga, retornaram \u00e0s Minas e, em pouco tempo, foram obrigados a se retirar, pois chegaram refor\u00e7os aos emboabas.\n\nPara resolver o impasse e encerrar o conflito, Portugal criou a capitania de S\u00e3o Paulo e das Minas. Em 1720 foi criada a capitania das Minas Gerais.\n\nMuitos paulistas, no entanto, abandonaram a regi\u00e3o e partiram para a busca de ouro em outras localidades, iniciando assim a explora\u00e7\u00e3o de ouro nas regi\u00f5es do Mato Grosso e de Goi\u00e1s.\n\n<strong>Revolta de Vila Rica<\/strong>\n\nNo per\u00edodo da minera\u00e7\u00e3o, havia muita sonega\u00e7\u00e3o e contrabando de ouro. Consciente, a Coroa restaurou a cobran\u00e7a do quinto atrav\u00e9s das casas de Fundi\u00e7\u00e3o e criou v\u00e1rias delas na regi\u00e3o das minas.\n\nA revolta de Felipe dos Santos foi uma revolta contra mais essa cobran\u00e7a de impostos.\n\nFelipe dos Santos liderou uma multid\u00e3o e se dirigiu \u00e0 Vila de Ribeir\u00e3o do Carmo (atual Mariana) para exigir do governador de Minas o fechamento da Casa de fundi\u00e7\u00e3o e a redu\u00e7\u00e3o dos impostos.\n\nO conde prometeu atender \u00e0s reivindica\u00e7\u00f5es. Depois de j\u00e1 acalmadas os \u00e2nimos, o governador desencadeou a repress\u00e3o.\n\nAs tropas portuguesas tomaram Vila Rica, prendendo v\u00e1rias pessoas. Felipe dos Santos, o principal respons\u00e1vel pela rebeli\u00e3o, foi executado e esquartejado.\n\n<strong>Guerra dos Mascates<\/strong>\n\nDesde fins do s\u00e9culo XVIII, Olinda, capital de Pernambuco, demonstrava n\u00edtidos sinais de decad\u00eancia. Em contrapartida, Recife apresentava um excelente desenvolvimento comercial.\n\nA posse do novo governador da capitania em 1707, Sebasti\u00e3o de Castro e Caldas, garantia a realiza\u00e7\u00e3o dos interesses dos recifenses. Em 1709, foi aprovado um projeto que tornava Recife uma Vila.\n\nAs pretens\u00f5es econ\u00f4micas de Recife tamb\u00e9m estavam sendo atendidas, o que descontentou muito Olinda e seus aristocratas, que enxergavam a possibilidade de terem seus interesses econ\u00f4micos esquecidos por Portugal.\n\nEm Olinda, a ordem era n\u00e3o acatar \u00e0 nova determina\u00e7\u00e3o. Em 10 de outubro de 1710, houve uma tentativa de assassinato contra Sebasti\u00e3o de Castro e Caldas, que rapidamente agiu e mandou prender o Capit\u00e3o-Mor.\n\nA rea\u00e7\u00e3o em Olinda foi violenta e obrigou o governador a fugir para a Bahia. Ap\u00f3s a fuga de Castro Caldas, os olindenses invadiram Recife. Um novo governador foi ent\u00e3o empossado, o Bispo Bernado Vieira Melo.\n\nO novo governador se encontrava claramente a favor de Olinda, e rapidamente tomou provid\u00eancias para impedir a rea\u00e7\u00e3o de Recife.\n\nRecife possu\u00eda sua frente de resist\u00eancia, formada por seus comerciantes, apelidados de mascates.\n\nDiversos conflitos ocorreram entre as duas cidades at\u00e9 a nomea\u00e7\u00e3o de D. F\u00e9lix Jos\u00e9 Machado de Mendon\u00e7a, mandado por Portugal para resolver os problemas. Sua posi\u00e7\u00e3o era favor\u00e1vel a Recife, que novamente subiu \u00e0 categoria de Vila e se tornou capital. A rea\u00e7\u00e3o de Olinda foi imediata mas rapidamente sufocada, culminando com a pris\u00e3o de v\u00e1rios aristocratas e o desterro do Bispo Bernardo.\n\n<strong>Movimentos Nativistas &#8211; Nativismo<\/strong>\n\nO\u00a0<strong>nativismo<\/strong>\u00a0foi um\u00a0<strong>movimento<\/strong>\u00a0de natureza anti estrangeira e anticat\u00f3lica. O movimento come\u00e7ou com um aumento de imigrantes alem\u00e3es e irlandeses para a Am\u00e9rica nas d\u00e9cadas de 1820 e 30, muitos dos quais eram cat\u00f3licos. Naquela \u00e9poca, a maioria dos americanos era protestante e via o catolicismo como uma grande amea\u00e7a ao seu modo de vida.\n\nOs protestantes acreditavam que os cat\u00f3licos juravam lealdade principalmente ao papa e esse tipo de lealdade era visto como supressor do livre pensamento e uma amea\u00e7a \u00e0 democracia.\n\nNas d\u00e9cadas de 1830 e 40, muitos nativistas estavam entrando na cena pol\u00edtica nacional e localmente em plataformas que se opunham ao &#8220;romanismo&#8221;.\n\n<strong>A fim de proteger a Rep\u00fablica Protestante, os nativistas buscavam estender o per\u00edodo de naturaliza\u00e7\u00e3o para vinte e um anos, eleger apenas cidad\u00e3os nativos para cargos e rejeitar a interfer\u00eancia estrangeira em todas as institui\u00e7\u00f5es:\u00a0<\/strong>sociais, religiosas e pol\u00edticas.\n\nEscritos nativistas tamb\u00e9m come\u00e7aram a aparecer nessa \u00e9poca. Samuel F. B. Morse (1791-1872), inventor do C\u00f3digo Morse, escreveu coment\u00e1rios sobre os perigos das comunidades estrangeiras.\n\nEle e outros nativistas viam as comunidades imigrantes unidas como prova de modos &#8220;cl\u00e2nicos&#8221; e como uma tentativa de resistir \u00e0 &#8220;americaniza\u00e7\u00e3o&#8221;.\n\n<strong>Um serm\u00e3o escrito por Thomas Brainerd (1804-1866), um pastor na Filad\u00e9lfia, intitulado Our Country Safe from Romanism, demonstra o sentimento anticat\u00f3lico sentido por nativistas e protestantes:<\/strong>\n<blockquote>As doutrinas reconhecidas do romanismo s\u00e3o inconsistentes com a B\u00edblia e o senso comum &#8211; que sua organiza\u00e7\u00e3o e seus usos s\u00e3o hostis \u00e0 liberdade religiosa, \u00e0 eleva\u00e7\u00e3o da sociedade e \u00e0 salva\u00e7\u00e3o das almas.\nSe nossas liberdades civis e religiosas est\u00e3o prestes a ser aniquiladas &#8211; se a luz do cristianismo protestante est\u00e1 aqui piscando na tomada &#8211; se a B\u00edblia est\u00e1 prestes a ser retransmitida para as teias de aranha dos conventos, e as n\u00e9voas que retornam do meio as eras est\u00e3o amea\u00e7ando re-envolver em trevas e escurid\u00e3o, o glorioso sol da justi\u00e7a, ent\u00e3o o alarme n\u00e3o pode soar muito alto ou por muito tempo.<\/blockquote>\n<p align=\"left\">N\u00e3o surpreendentemente, v\u00e1rios conflitos surgiram entre cat\u00f3licos e nativistas durante esse per\u00edodo. Um dos mais perturbadores ocorreu em 10 de agosto de 1834 em Charlestown, Massachusetts, quando uma multid\u00e3o protestante enfurecida incendiou e destruiu um convento e uma escola das Ursulinas. Os historiadores debatem sobre a causa exata do incidente, mas uma combina\u00e7\u00e3o de discursos anticat\u00f3licos ocorridos na \u00e1rea, juntamente com uma falsa cren\u00e7a dos nativistas de que as freiras do convento estavam agindo de forma imoral, provavelmente incitaram o ato violento.<\/p>\n<p align=\"left\">Todos os julgados foram absolvidos do atentado e n\u00e3o foi concedida qualquer indemniza\u00e7\u00e3o para reconstruir o convento, demonstrando assim uma aceita\u00e7\u00e3o subjacente do sentimento anticat\u00f3lico.<\/p>\n<p align=\"left\">Pouco depois, em 1836, foi publicado um livro sensacional intitulado Divulga\u00e7\u00f5es horr\u00edveis do convento do Hotel Dieu de Montreal.<\/p>\n<p align=\"left\">O livro supostamente detalha a fuga ousada da autora de um convento onde ela foi abusada por padres e viu freiras assassinadas. O livro era provavelmente fict\u00edcio, mas ainda acrescentou combust\u00edvel ao fogo do movimento nativista. Tamb\u00e9m foi um enorme sucesso, vendendo tr\u00eas milh\u00f5es de c\u00f3pias em 1860.<\/p>\n<strong>Movimentos Nativistas &#8211; Governo<\/strong>\n\nA procura do ouro constitu\u00eda a ansiedade incentivadora de todos os esp\u00edritos. Entretanto, desde o princ\u00edpio do s\u00e9culo, o governo espanhol havia providenciado quanto \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o do C\u00f3digo Mineiro para o Brasil e, desde 1608 a 1617, quando a dire\u00e7\u00e3o da col\u00f4nia se achava repartida entre as cidades de Salvador e do Rio de Janeiro, j\u00e1 D. Francisco de Sousa guardava o t\u00edtulo pomposo de Governador e Intendente das Minas.\n\nContudo, somente mais tarde as bandeiras audaciosas, iniciadas com a coragem paulista, rasgaram os v\u00e9us espessos do cipoal da mata virgem, descobrindo os vastos len\u00e7\u00f3is de uma infinita riqueza.\n\nMuitos lustros decorreram sem que nada mais se observasse, sen\u00e3o os movimentos espantosos das correntes migrat\u00f3rias atrav\u00e9s dos sert\u00f5es, procurando o ouro da terra desconhecida e encontrando, muitas vezes, nos seus caminhos a afli\u00e7\u00e3o, a ang\u00fastia e a morte. O pr\u00f3prio Conselho Ultramarino, em Lisboa, expunha mais tarde \u00e0 autoridade da Coroa a necessidade de se reprimirem os excessos dessas migra\u00e7\u00f5es incessantes, para que o pr\u00f3prio reino n\u00e3o se despovoasse.\n\nPor essa \u00e9poca, multiplicavam-se as emboscadas e a sede da posse turvava todas as consci\u00eancias. Cidades futurosas se levantavam ao longo das estradas desertas e ermas; mas, seus alicerces, a maior parte das vezes, se constitu\u00edam com o sangue e com a morte. Em toda a col\u00f4nia, pairam amea\u00e7as de confus\u00e3o e desordem. A lenda dos tesouros fabulosos, guardados no cora\u00e7\u00e3o das selvas imensas, incendiava todos os \u00e2nimos e enfraquecia o ascendente da lei em todos os esp\u00edritos. Os \u00edndios experimentam, amarguradamente, a atua\u00e7\u00e3o dessas for\u00e7as contr\u00e1rias \u00e0 sua paz, que se concentravam \u00e0 procura das riquezas da terra, e \u00e9 com inauditos esfor\u00e7os de perseveran\u00e7a e de paci\u00eancia que os caridosos jesu\u00edtas juntam suas aldeias ao Norte, com do\u00e7ura fraterna, conquistando todo o Amazonas para a comunidade dos portugueses.\n\nA esse tempo, no extremo norte convulsiona-se o Maranh\u00e3o, sob os \u00edmpetos revolucion\u00e1rios de Manuel Beckman, contra a Companhia de Com\u00e9rcio, que monopolizara os neg\u00f3cios da importa\u00e7\u00e3o e exporta\u00e7\u00e3o da capitania, e contra os jesu\u00edtas, cujo esp\u00edrito de fraternidade se interpunha entre os colonizadores e os \u00edndios, no sentido de se manterem estes \u00faltimos dentro da liberdade que lhes competia. Os amotinados prendem todos os elementos do governo e, organizando uma junta com elementos do clero, da nobreza e do povo, consideram extinto o monop\u00f3lio e providenciam o imediato banimento dos protetores dos ind\u00edgenas.\n\nFestas extraordin\u00e1rias assinalam, no Maranh\u00e3o, semelhantes feitos, inclusive Te-Deum na Catedral de S\u00e3o Lu\u00eds. A not\u00edcia de t\u00e3o singulares qu\u00e3o inesperados epis\u00f3dios provoca as apreens\u00f5es da corte de Lisboa, que n\u00e3o desconhece as pretens\u00f5es da Fran\u00e7a no tocante ao vale do Amazonas, nem ignora o ascendente moral dos franceses sobre os elementos ind\u00edgenas.\n\nA expedi\u00e7\u00e3o que dever\u00e1 restaurar a lei na capitania n\u00e3o se faz esperar e a Gomes Freire de Andrada, estadista not\u00e1vel pelo seu talento militar e pol\u00edtico, cabe a dire\u00e7\u00e3o do movimento restaurador.\n\nAs provid\u00eancias da contra-revolu\u00e7\u00e3o no extremo norte s\u00e3o adotadas sem dificuldade. Gomes Freire procede com magnanimidade para com os revoltosos, sem, contudo, poder agir com a mesma liberalidade para com Manuel Beckman, que foi preso e sentenciado \u00e0 morte. Sua fortuna teve-a ele confiscada, mas o grande oficial que comandara a expedi\u00e7\u00e3o, dentro das tradi\u00e7\u00f5es da generosidade portuguesa, arrematou todos os bens do infeliz, em hasta p\u00fablica, e os doou \u00e0 vi\u00fava e aos \u00f3rf\u00e3os do revolucion\u00e1rio.\n\nEm 1683, a Bahia se conflagra, depois de assassinar o alcaide-mor da col\u00f4nia, Francisco Teles de Menezes, que excitara as antipatias dos habitantes do Salvador.\n\nE os derradeiros anos do s\u00e9culo XVII testemunham as atividades da col\u00f4nia, nesse per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o dos movimentos nativistas. A sede do ouro penetra o s\u00e9culo seguinte, que, mais intensamente, ia acender a febre da ambi\u00e7\u00e3o em todas as cidades. Em 1710, as lutas se fixam na capitania de Pernambuco, que fazia quest\u00e3o de cultivar o sentimento de sua autonomia, desde os tempos da ocupa\u00e7\u00e3o holandesa, com a qual fizera novas aquisi\u00e7\u00f5es no que se referia aos patrim\u00f4nios de sua independ\u00eancia. Os brasileiros de Olinda abrem luta com os portugueses de Recife, em raz\u00e3o das rivalidades entre as duas grandes cidades pernambucanas, que n\u00e3o se toleravam politicamente. As emboscadas ocasionam ali dolorosas cenas de sangue.\n\nUm ano inteiro de choques e sobressaltos assinala o per\u00edodo da guerra dos mascates. Antes, por\u00e9m, desses movimentos revolucion\u00e1rios em Pernambuco, os paulistas e os emboabas lutavam na regi\u00e3o aur\u00edfera dos sert\u00f5es de Minas Gerais, disputando-se a posse do ouro, que abrasava a imagina\u00e7\u00e3o do pa\u00eds inteiro.\n\nA felonia e a trai\u00e7\u00e3o constituem o c\u00f3digo dessas criaturas insuladas nas matas desconhecidas e in\u00f3spitas.\n\nPela mesma \u00e9poca, a Fran\u00e7a, que sempre custou a resignar-se com a influ\u00eancia portuguesa no Brasil, envia Du Clerc para investir o porto do Rio de Janeiro com mil homens de combate.\n\nA metr\u00f3pole portuguesa n\u00e3o podia proteger, de pronto, a cidade, e o Governador Francisco de Castro Morais, deixando-se dominar pela timidez, permitiu o desembarque das for\u00e7as francesas, que, todavia, foram recha\u00e7adas pela popula\u00e7\u00e3o carioca. Estudantes e populares lutaram contra o invasor. Algumas dezenas de franceses foram barbaramente trucidados.\n\nFizeram-se ali mais de quinhentos prisioneiros e o Capit\u00e3o Du Clerc acabou assassinado em tr\u00e1gicas circunst\u00e2ncias. O governo do Rio n\u00e3o providenciou quanto ao processo dos criminosos, a fim de punir os culpados e definir as responsabilidades pessoais, provocando com isso a rea\u00e7\u00e3o dos franceses, que voltaram a assediar a maior cidade brasileira.\n\nDuguay-Trouin vem \u00e0 Ba\u00eda de Guanabara acompanhado de cerca de cinco mil combatentes. O governador foge com quase todos os elementos da popula\u00e7\u00e3o, deixando o Rio \u00e0 merc\u00ea do cors\u00e1rio que se \u00fcustrara sob a prote\u00e7\u00e3o de Lu\u00eds XIV. Depois do saque, que absorve muitos milh\u00f5es de cruzados da fortuna particular, paga ainda a cidade fabuloso resgate.\n\nEnquanto se desenrolavam os \u00faltimos acontecimentos, governava em Portugal D. Jo\u00e3o V, o Magn\u00e2nimo, em cujo reinado ia o Brasil espalhar pela Europa os seus fabulosos tesouros. Nunca houve, ali, um soberano que mostrasse tamanho descaso pelas possibilidades econ\u00f4micas do povo. O ouro e os diamantes do Brasil iam acender no seu trono as estrelas ef\u00eameras do seu fast\u00edgio e da sua gl\u00f3ria.\n\nA fortuna amontoada pela ambi\u00e7\u00e3o e pela cobi\u00e7a ia ser espalhada pelas m\u00e3os insensatas do rei, imprevidente e incapaz da autoridade de um trono. Dentro do luxo assombroso da sua corte, o Convento de Mafra se ergue ao pre\u00e7o de cento e vinte milh\u00f5es de cruzados. Mais de duzentos milh\u00f5es seguiriam para as arcas do Vaticano, dados pelo monarca ego\u00edsta, que desejava for\u00e7ar as portas do c\u00e9u com o ouro in\u00edquo da terra. Em vez de auxiliar a evolu\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria e da agricultura de sua terra, D. Jo\u00e3o V levanta igrejas e mosteiros, com extrema prodigalidade, e, enquanto todas as cortes da Europa felicitavam o rei perdul\u00e1rio pelo descobrimento dos diamantes na sua afortunada col\u00f4nia e se celebram Te-Dewns em Lisboa, em homenagem ao auspicioso acontecimento, pelo Brasil todo se alastravam movimentos nativistas, exaltando os sentimentos generosos da liberdade e preparando, assim, sob a inspira\u00e7\u00e3o de Ismael e de suas falanges devotadas, o futuro glorioso dos seus filhos.\n\n<strong>A Revolu\u00e7\u00e3o Nativista de 1817 e os ma\u00e7ons<\/strong>\n\nO conflito interno mais grave ocorrido durante o per\u00edodo de D. Jo\u00e3o 6\u00ba no Brasil foi a chamada Revolu\u00e7\u00e3o Pernambucana de 1817. Movimento autonomista de inspira\u00e7\u00e3o republicana e ma\u00e7\u00f4nica, foi fruto do forte sentimento nativista e separatista que grassava em Pernambuco desde a expuls\u00e3o dos holandeses em 1654. Em 6 de mar\u00e7o de 1817, um grupo de revolucion\u00e1rios assumiu o poder na Prov\u00edncia, declarando-a rep\u00fablica separada do resto do Brasil. O novo regime s\u00f3 durou at\u00e9 maio, quando tropas portuguesas invadiram Recife e debelaram o movimento. Seus tr\u00eas principais l\u00edderes, todos ma\u00e7ons, (entre eles o padre Miguelinho) foram fuzilados.\n\nO desejo de Rep\u00fablica era arraigado e isso acontecia principalmente no meio ma\u00e7\u00f4nico. Com a instala\u00e7\u00e3o do regime republicano, dos pa\u00edses do centro e sul-americanos, onde a participa\u00e7\u00e3o ma\u00e7\u00f4nica foi fundamental e decisiva, tanto antes como depois da independ\u00eancia, surgiram diversos movimentos autonomistas regionais, no Brasil, e todos eles com a finalidade de implantar a Rep\u00fablica.\n\nA revolu\u00e7\u00e3o pernambucana de 6 de mar\u00e7o de 1817, est\u00e1 na linha das rea\u00e7\u00f5es nativistas, que se vinham fazendo sentir no Brasil desde o s\u00e9culo XVII. Agora, com maior extens\u00e3o e profundidade, estavam presentes as id\u00e9ias de liberdade, autodetermina\u00e7\u00e3o dos povos, de rep\u00fablica, inerentes ao s\u00e9culo.\n\nO revolucion\u00e1rio Capit\u00e3o-Mor de Olinda Domingos Jos\u00e9 Martins , o popular Suassuna, natural da capitania do Esp\u00edrito Santo, ap\u00f3s excurs\u00e3o pela Bahia, Pernambuco e Cear\u00e1, partiu para a Europa.\n\nO companheiro de ideais, Francisco de Paula Cavalcanti de Albuquerque, tomou o rumo da Para\u00edba, Rio Grande do Norte e Cear\u00e1. Ambos eram ma\u00e7ons.\n\n<strong>A Ma\u00e7onaria, sociedade de grande influ\u00eancia na vida brasileira, fomentava discuss\u00f5es pol\u00edticas, e pregava abertamente id\u00e9ias novas<\/strong>: liberdade, rep\u00fablica.\n\nUm incidente na festa da Est\u00e2ncia, celebrada, anualmente, para comemorar a derrota holandesa, tumultuava o ambiente de paz. Um alferes do Regimento dos Henriques, miliciano preto, surrara um portugu\u00eas que injuriava brasileiros. Duvidou-se da fidelidade dos oficiais brasileiros, \u00e0 Coroa. Caberia ao marechal Jos\u00e9 Roberto a pris\u00e3o dos civis e, aos chefes dos regimentos, a pris\u00e3o dos militares.\n\nOs civis e o ajudante Teixeira, presos facilmente.\n\nO brigadeiro Manoel Joaquim Barbosa, portugu\u00eas, atravessado a espada pelo capit\u00e3o Domingos e tenente Cavalcanti. O governador recebeu aviso dos oficiais portugueses do regimento de artilharia.\n\nO ajudante de ordens, enviado para abafar o motim, tamb\u00e9m morreu quando tentou penetrar no quartel de Para\u00edso. Domingos Martins, o capit\u00e3o Domingos e outros oficiais, uma vez soltos, come\u00e7aram a agir para a implanta\u00e7\u00e3o da nova ordem pol\u00edtica. O governador, com grande contingente de soldados, alguns elementos da oficialidade e abundante muni\u00e7\u00e3o, refugiou-se no Forte do Brum.\n\nEm um conselho de cidad\u00e3os brasileiros, proclamou-se ao povo a legitimidade da insurrei\u00e7\u00e3o. Organizou-se o ataque a essa fortifica\u00e7\u00e3o, e destacou-se um contingente de trinta soldados, comandados pelo capit\u00e3o Amaro Francisco de Moura, para Olinda. O capit\u00e3o Domingos, \u00e0 frente de 800 homens, assediou o forte. Este capitulou. O Governador, sem qualquer resist\u00eancia, embarcou para o Rio de Janeiro.\n\nSete de mar\u00e7o, a revolu\u00e7\u00e3o vencera!\n\n<strong>Elegeu-se ent\u00e3o um governo provis\u00f3rio, de car\u00e1ter republicano, nos moldes do que ocorrera na Fran\u00e7a<\/strong>: padre Jo\u00e3o Ribeiro Pessoa classe eclesi\u00e1stica; capit\u00e3o Domingos\u00a0 militar; Manoel Correa de Ara\u00fajo agricultura; Jos\u00e9 Lu\u00eds de Mendon\u00e7a magistratura; e Domingos Jos\u00e9 Martins com\u00e9rcio. Uma proclama\u00e7\u00e3o ao povo, em linguagem veemente e precisa, procurou unir brasileiros e portugueses, apelando para a p\u00e1tria nova que nascia\u2026 P\u00e1tria, nossa m\u00e3e comum\u2026 sois portugueses, sois americanos, sois brasileiros, sois pernambucanos.\n\nResplandecia o esp\u00edrito nativista.\n\nO esp\u00edrito liberal, tipo Revolu\u00e7\u00e3o Francesa, dominava. Tratou-se, por fim, de estender o dom\u00ednio republicano a toda a capitania, e \u00e0s vizinhas. Alastra-se o ideal republicano.\n\n<strong>Enquanto D.Jo\u00e3o VI preparava a repress\u00e3o, propagava-se a revolu\u00e7\u00e3o pelo interior da capitania<\/strong>: Itamarac\u00e1 e comarca de Alagoas. Na Para\u00edba, o capit\u00e3o Andr\u00e9 Dias de Figueiredo e Manuel Clemente Cavalcante, partindo de Itabaiana, via Vila do Pilar, marcharam sobre a capital, onde o governo ficou em m\u00e3os do coronel Amaro Gomes e do tenente-coronel Estev\u00e3o Carneiro, os quais, 14 de mar\u00e7o, proclamaram a rep\u00fablica e hastearam a bandeira da liberdade. Dia seguinte, dois mil homens, comando do sargento-mor Ant\u00f4nio Galdino Alves da Silva, receberam aclama\u00e7\u00e3o na capital. No Rio Grande do Norte, Andr\u00e9 de Albuquerque Maranh\u00e3o, \u00e0 frente de cinq\u00fcenta soldados paraibanos, proclamou, a 29, a rep\u00fablica, sem o interesse do povo.\n\n<strong>Desejosos de angariar recursos e novas ades\u00f5es, e apressar o reconhecimento do Brasil novo pelas na\u00e7\u00f5es amigas, os chefes pernambucanos enviaram emiss\u00e1rios<\/strong>: ao Cear\u00e1, subdi\u00e1cono Jos\u00e9 Mariano de Alencar, \u00e0 Bahia, Padre Roma; no dia 29 de mar\u00e7o de 1817, o Conde dos Arcos, representando os Bragan\u00e7as, mandou fuzilar o ma\u00e7om Padre Roma\u00a0 Jos\u00e9 Ign\u00e1cio de Abreu e Lima, no Campo da P\u00f3lvora, em Salvador, onde foi preso, quando levava aos baianos a not\u00edcia da Revolu\u00e7\u00e3o de 6 de mar\u00e7o que oferecia uma p\u00e1tria aos brasileiros, sob o regime republicano.\n\nNenhuma derrota abateu o \u00e2nimo dos revolucion\u00e1rios.\n\nO chefe de cada regimento jurava, naquele dia, defend\u00ea-la at\u00e9 a morte.\n\nO governo provis\u00f3rio n\u00e3o se mostrou \u00e1 altura da gravidade do momento. Tentou, pelo uso da guerrilha conter o movimento da contra-revolu\u00e7\u00e3o. In\u00fatil. Do ponto de vista militar, nada p\u00f4de conseguir.\n\nOs insucessos eram constantes.\n\nA tropa reuniu-se no Engenho Velho do Cabo, onde se deu a assun\u00e7\u00e3o do comando. Acompanhava-a, como secret\u00e1rio, revolucion\u00e1rio Frei Joaquim do Amor Divino Caneca. Pertencia \u00e0 Ordem carmelita. Integrava o quadro da Acad\u00eamica de Suassuna, a qual, segundo historiadores era uma Loja Ma\u00e7\u00f4nica e na qual o frei havia sido iniciado.\n\n<strong>Organizaram-se duas expedi\u00e7\u00f5es republicanas<\/strong>: uma pelo interior, comando do capit\u00e3o Jos\u00e9 Francisco de Paula Cavalcanti\u00a0 e outra, de Domingos Jos\u00e9 Martins , pelo litoral.\n\nF\u00e1cil, bat\u00ea-los por partes. Contra Martins , duas companhias de infantaria, duas de pardos de Penedo e a de cablocos de Atalaia. Em Engenho Pindoba, pr\u00f3ximo ao rio Merepe, ocorreu chacina. Domingos Jos\u00e9 Martins, preso.\n\nA 13 de maio. Engenho Trapiche, Paula Cavalcanti\u00a0 enfrentou os realistas.\n\n<strong>Possu\u00edam vantagem<\/strong>:\u00a0<strong>quatro por um. P\u00e2nico<\/strong>: abandonou-se toda a artilharia, muni\u00e7\u00f5es, bagagens, caixa militar, 300 prisioneiros, al\u00e9m de mortos e feridos.\n\nAcabou-se a liberdade. Com a chegada de Cavalcanti \u00e0 Recife, o governo, sem mais capacidade de manter-se buscou salvar-se na rendi\u00e7\u00e3o. Espalhou-se que todos os europeus seriam degolados e Recife arrasada, se a capitula\u00e7\u00e3o n\u00e3o fosse concedida. Rodrigo Lobo exigiu a pris\u00e3o dos autores da revolta, governadores e comandantes, entre eles Frei Caneca, permaneceu preso por 4 anos nos calabou\u00e7os.\n\nEsmorecera o governo, que, por fim, dissolveu-se, assumindo Domingos Teot\u00f4nio Jorge plenos poderes. Tarde demais. A rea\u00e7\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o se podia executar com \u00eaxito. Recife, abandonada.\n\nA for\u00e7a naval ocupara a cidade. Iniciou-se a puni\u00e7\u00e3o dos revolucion\u00e1rios. Falhara a experi\u00eancia republicana.\n\n<strong>Fonte:<\/strong>\u00a0www.geocities.com\/exhibits.library.villanova.edu\/Ex\u00e9rcito Brasileiro\/www.robertomacedo.com\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Movimentos Nativistas, Revoltas, Revolu\u00e7\u00e3o, Hist\u00f3ria, Rebeli\u00f5es, Conflito, Brasil Col\u00f4nia, Portugal, Pol\u00edtica, Guerras, Movimentos Nativistas<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":9905,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[54],"tags":[],"class_list":["post-20626","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia-do-brasil"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Movimentos Nativistas - Portal S\u00e3o Francisco<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"noindex, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"en_US\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Movimentos Nativistas - 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