{"id":20612,"date":"2015-12-22T00:00:00","date_gmt":"2015-12-22T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/invasoes-holandesas-no-brasil-3\/"},"modified":"2026-09-01T15:32:54","modified_gmt":"2026-09-01T15:32:54","slug":"invasoes-holandesas-no-brasil-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-do-brasil\/invasoes-holandesas-no-brasil-3\/","title":{"rendered":"Invas\u00f5es Holandesas no Brasil"},"content":{"rendered":"\n<strong>Invas\u00f5es Holandesas no Brasil &#8211; Hist\u00f3ria<\/strong>\n\nEm 1600, segundo Joannes De Laet, os holandeses possu\u00edam dois fortes de madeira (Forte Nassau e Forte Oranje) na margem oriental do rio Xingu. Estes foram constru\u00eddos por colonos da Zel\u00e2ndia. Em 1616, uma expedi\u00e7\u00e3o Zeeland sob o comando de Pieter Adriaenszoon Ita navegou com 150 homens. Chegaram \u00e0s margens do Rio Ginipape onde constru\u00edram um forte numa pen\u00ednsula.\n\nEsta col\u00f4nia sobreviveu por seis anos. As informa\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas sobre esses assentamentos s\u00e3o incompletas, mas durante os primeiros vinte anos do s\u00e9culo XVII os holandeses mantiveram alguns fortes nesta regi\u00e3o.\n\nAqui eles negociavam com os nativos.\n\n<strong>A TENTATIVA ANTECIPADA<\/strong>\n\n<strong>Ap\u00f3s a funda\u00e7\u00e3o da WIC (West Indische Compagnie) em 1621, os holandeses voltaram seus olhos para a cidade mais importante do Brasil portugu\u00eas:\u00a0<\/strong>Salvador da Bahia de Todos os Santos.\n\nA expedi\u00e7\u00e3o para a conquista de Salvador da Bahia come\u00e7ou em dezembro de 1623. Totalizou 26 veleiros, 450 canh\u00f5es e 3300 homens. O almirante era Jacob Willekens, o comandante das tropas era Jan Van Dorth.\n\nO Almirante chegou ao largo de Salvador em 8 de maio de 1624. Na manh\u00e3 de 9 de maio de 1624 as tropas holandesas desembarcaram a poucos quil\u00f4metros de Salvador, avan\u00e7aram e entraram na cidade na manh\u00e3 de 10 de maio de 1624. O governador portugu\u00eas Diogo de Mendon\u00e7a rendeu-se. Esta conquista acabou por ser de curta dura\u00e7\u00e3o. De fato, na v\u00e9spera da P\u00e1scoa de 1625, uma frota portuguesa de 52 navios, 1.185 canh\u00f5es e 12.566 homens apareceu em Salvador. Os holandeses foram desmoralizados e capitulados em 30 de abril de 1625, um dia ap\u00f3s a entrada dos portugueses na cidade. Este foi o fim da primeira, mas n\u00e3o a \u00faltima, tentativa holandesa de capturar o Brasil portugu\u00eas.\n\n<strong>NOVA HOLANDA<\/strong>\n\nA segunda e mais duradoura tentativa come\u00e7ou no ver\u00e3o de 1629. Desta vez o objetivo era Pernambuco, a melhor col\u00f4nia a\u00e7ucareira do Brasil. O comandante da frota holandesa era Hendrick Corneliszoon Loncq.\n\nChegou a Pernambuco em fevereiro de 1630 com uma frota de 67 navios, 1.170 canh\u00f5es e 7.000 homens. Eles lan\u00e7aram seu ataque em 15 de fevereiro de 1630 e a a\u00e7\u00e3o foi bem-sucedida. Na noite de 16 de fevereiro de 1630, os holandeses estavam na posse de Olinda; a 3 de mar\u00e7o acabou toda a resist\u00eancia portuguesa e os holandeses eram senhores de Recife, Olinda e da ilha de Ant\u00f3nio Vaz. A partir de 14 de mar\u00e7o de 1630, os holandeses governaram suas conquistas por meio de um conselho pol\u00edtico.\n\nEnquanto isso, o governador portugu\u00eas Mathias de Albuquerque organizou a resist\u00eancia. Alguns acampamentos fortificados foram constru\u00eddos ao redor do Recife, o mais importante se chamava Arraial do Bom Jesus, a apenas cinco quil\u00f4metros do Recife. Em maio de 1631, os holandeses ocuparam uma pequena ilha perto de Itamarac\u00e1, onde constru\u00edram um forte chamado Oranje, guarnecido por 366 homens sob o comando de Crestofle d\u2019Artischau Arciszewski, capit\u00e3o polon\u00eas. Os ataques portugueses impediram os holandeses de desenvolver seus fortes. Em novembro de 1631 os holandeses abandonaram Olinda e tentaram conquistar o Forte do Cabedelo na Para\u00edba, o Rio Grande, o Rio Formoso e o Cabo de Santo Agostinho, mas todas essas tentativas falharam. Em 20 de abril de 1632 um mulato portugu\u00eas, Domingo Fernandes Calabar desertou para os holandeses. Nasceu em Porto Calvo (Alagoas) e conhecia muito bem o pa\u00eds; sua deser\u00e7\u00e3o foi muito \u00fatil para os holandeses.\n\nEm 1\u00ba de maio de 1632, os holandeses ocuparam a pequena cidade de Igara\u00e7u, perto da ilha de Itamarac\u00e1. Em fevereiro de 1633 o forte do Rio Formoso foi conquistado pelos holandeses e em mar\u00e7o de 1633 tamb\u00e9m foi conquistado o arraial de Afogados e ali foi constru\u00eddo um forte. Em junho de 1633 a ilha de Itamarac\u00e1 foi ocupada e ali foi fundado um povoado; em dezembro de 1633 van Ceulen capturou o Forte dos Reis Magos (Forte Holand\u00eas Ceulen) na foz do Rio Grande do Norte. Em mar\u00e7o de 1634 os holandeses ocuparam um ponto de apoio no \u201cpontal\u201d do Cabo Santo Agostinho.\n\nAp\u00f3s um breve cerco, o Forte Cabedelo na Para\u00edba rendeu-se em 19 de dezembro de 1634 e a cidade da Para\u00edba rendeu-se alguns dias depois.\n\nAgora os holandeses controlavam todo o litoral do Cabo de Santo Agostinho ao Rio Grande.\n\nEm mar\u00e7o de 1635 os holandeses atacaram e conquistaram Porto Calvo. A 8 de Junho de 1635, ap\u00f3s um cerco de tr\u00eas meses, foi tamb\u00e9m conquistado o arraial do Bom Jesus e, um m\u00eas depois, o Forte da Nazar\u00e9 no Cabo de Santo Agostinho. O governador portugu\u00eas com mais de 7.000 pessoas fugiu para o sul, mas encontrou cerca de 500 holandeses no forte de Porto Calvo, que lhe impediu o caminho.\n\nEle teve que atacar este lugar e ap\u00f3s um breve cerco os holandeses capitularam.\n\nNeste ataque os portugueses capturaram Domingo Fernandes Calabar que foi condenado \u00e0 morte como traidor. A morte de Calabar foi um duro golpe para os holandeses. Em 24 de julho de 1635, os holandeses reocuparam Porto Calvo, que havia sido abandonado pelos portugueses em 22 de julho.\n\nNo in\u00edcio de 1636, refor\u00e7ados por 2.500 homens de Portugal, os portugueses tomaram a iniciativa. Eles avan\u00e7aram em Porto Calvo, mas seu comandante holand\u00eas, von Schoppe, evacuou a cidade.\n\nA conquista de Porto Calvo deu aos portugueses a possibilidade de realizar muitas incurs\u00f5es contra Pernambuco, o que se tornou bastante inseguro para os holandeses.\n\nNessa \u00e9poca a diretoria do WIC decidiu colocar um Governador Colonial \u00e0 frente da col\u00f4nia brasileira chamado Nova Holanda. Johan Maurits, conde de Nassau-Siegen, foi o homem escolhido para este cargo; ele foi uma boa escolha.\n\n<strong>O GOVERNO DE JOHAN MAURITS VAN NASSAU-SIEGEN (1637\u20131644)<\/strong>\n\nJo\u00e3o Maur\u00edcio deixou a Holanda em 25 de outubro de 1636 e chegou ao Recife em 23 de janeiro de 1637. Resolveu n\u00e3o perder tempo em capturar Porto Calvo, que atacou com uma for\u00e7a de 3.000 soldados holandeses, 1.000 marinheiros e 1.000 amer\u00edndios em 18 de fevereiro de 1637; o comandante napolitano Bagnuoli foi derrotado e os holandeses capturaram o forte ap\u00f3s duas semanas de cerco.\n\nJohan Maurits, saqueou a pequena cidade de Penedo e construiu um forte (Fort Maurits) a 18 milhas da foz do rio S\u00e3o Francisco. Com a conquista de sua primeira col\u00f4nia de plantation, os holandeses passaram a precisar de escravos. Desde 1612 possu\u00edam o pequeno forte de Moure na Costa do Ouro (atual Gana), mas os portugueses eram os donos desta costa. Com efeito, desde 1482 possu\u00edam a grande fortaleza de S\u00e3o Jorge da Mina, o centro mais importante do tr\u00e1fico de escravos. Para isso, Johan Maurits enviou uma expedi\u00e7\u00e3o para atacar Elmina (S\u00e3o Jorge da Mina), a chave da Gold Coast.\n\nA fortaleza capitulou em 28 de agosto de 1637. Em novembro de 1637, o coronel von Schoppe invadiu a prov\u00edncia de Sergipe del Rey, e o comandante napolitano Bagnuoli escapou. Em dezembro de 1637 tamb\u00e9m foram conquistadas a prov\u00edncia do Cear\u00e1 e a cidade de Fortaleza. Agora os holandeses controlavam metade das ent\u00e3o prov\u00edncias brasileiras.\n\nOs portugueses mantiveram um controle t\u00eanue sobre Salvador e a metade sul do Brasil.\n\nNo entanto, mesmo Salvador foi sitiada por um curto per\u00edodo de tempo em 1638. Em 8 de abril de 1638, uma for\u00e7a holandesa de 4.600 homens (3.600 holandeses e 1.000 amer\u00edndios) tentou capturar Salvador.\n\nOs holandeses desembarcaram, mas a guarni\u00e7\u00e3o da cidade era superior em n\u00famero aos assaltantes. Johan Maurits decidiu arriscar um ataque em 17 e 18 de maio de 1638, que chegou muito perto de um sucesso.\n\nNo entanto, este ataque acabou sendo uma grande derrota para os holandeses e eles recuaram em 25-26 de maio. Enquanto os portugueses tivessem Salvador nas m\u00e3os, os holandeses no Brasil nunca estariam em condi\u00e7\u00f5es seguras.\n\nEm 1640 Portugal revoltou-se contra a Espanha, restabeleceu a sua independ\u00eancia e o duque de Bragan\u00e7a foi proclamado rei. Quando Johan Maurits recebeu a not\u00edcia, celebrou-a com festividades. Mas, apesar disso, a guerra continuou. Em 1641 os holandeses reocuparam S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o (que havia sido abandonada em 1637), e em novembro de 1641 tamb\u00e9m foi tomada a cidade de S\u00e3o Lu\u00eds do Maranh\u00e3o.\n\n<strong>Foi iniciada uma expedi\u00e7\u00e3o para a conquista de \u00e1reas chave da \u00c1frica portuguesa<\/strong>: S\u00e3o Tom\u00e9, Angola e Benguela. Em 23 de agosto de 1641 uma frota de 21 navios e 3.000 homens sob o comando de Jol e Henderson ancorou ao largo de Luanda (Angola) e tr\u00eas dias depois a cidade foi ocupada. Tamb\u00e9m Benguela (na atual Angola) foi tomada e em outubro as ilhas de S\u00e3o Tom\u00e9 (16 de outubro de 1641) e Annobon foram capturadas. Finalmente, em fevereiro de 1642, foi tamb\u00e9m tomado o Forte de Axim, na Costa do Ouro, o \u00faltimo em m\u00e3os portuguesas. Com essas conquistas, o WIC tornou-se o governante de toda a costa da \u00c1frica Ocidental. Os melhores mercados de escravos naquela \u00e9poca estavam, portanto, sob o controle do WIC.\n\nDesde o in\u00edcio Johan Maurits descreveu o Brasil como um pa\u00eds lindo e se apaixonou por ele. Ele era favoravelmente inclinado para os fazendeiros portugueses (moradores) e tolerava os padres cat\u00f3licos romanos.\n\nEle deu \u00e0 col\u00f4nia uma forma de governo local representativo atrav\u00e9s da cria\u00e7\u00e3o de conselhos municipais e rurais. Ele desenvolveu o pa\u00eds; ruas, pontes e estradas constru\u00eddas na cidade do Recife.\n\nNa vizinha ilha de Ant\u00f3nio Vaz fundou uma nova cidade chamada Mauritsstad ou Maur\u00edcia, onde foi constru\u00eddo o primeiro observat\u00f3rio astron\u00f4mico e esta\u00e7\u00e3o meteorol\u00f3gica das Am\u00e9ricas em dois grandes s\u00edtios (chamados Boa Vista e Vrijburg), que inclu\u00edam jardins zool\u00f3gicos e bot\u00e2nicos. Ele era um \u201cMecenas\u201d. Em Nova Holanda, artistas famosos como Frans Post e Albert Eckhout e cientistas como Piso, Marcgraf e outros chegaram da Holanda.\n\nOs holandeses eram, nessa \u00e9poca, os donos do Oceano Atl\u00e2ntico e Recife era, como Bat\u00e1via no Oriente, a capital do imp\u00e9rio WIC (West Indische Compagnie). Em 1642, eles eram mestres de Nieuw Amsterdam (atual Nova York) e da col\u00f4nia Nieuw Nederland na Am\u00e9rica do Norte. No Caribe possu\u00edam as ilhas de Cura\u00e7ao (hoje Cura\u00e7ao), Aruba, Bonaire, Sint Eustatius, Sint Maarten, Saba, Tobago, St. Croix.\n\nNa Costa Selvagem (hoje Guiana e Suriname) possu\u00edam col\u00f4nias no rio Essequibo e no rio Berbice, as ilhas de Santa Helena (uma possess\u00e3o VOC) e Fernando de Noronha no Atl\u00e2ntico e a col\u00f4nia de Nova Holanda ou Brasil Holand\u00eas. Na costa da \u00c1frica Ocidental tinham os castelos de Arguin (Maurit\u00e2nia), Gor\u00e9e (Senegal), Axim, Butri, Shama, Elmina, Moure (todos na Costa Dourada ), as ilhas de S\u00e3o Tom\u00e9 e Annobon no Golfo da Guin\u00e9; os portos de Luanda e Benguela em Angola.\n\n<strong>Os s\u00faditos holandeses no Brasil foram divididos em duas categorias:<\/strong>\u00a0os empregados da WIC (soldados, burocratas, ministros calvinistas) chamados de \u201cdienaaren\u201d e os demais (colonos, comerciantes, artes\u00e3os e taverneiros) chamados de \u201cvrijburghers\u201d ou \u201cvrijluiden\u201d.. Muitos deles eram ex-soldados, que se casaram e se estabeleceram, mas tamb\u00e9m havia pessoas que emigraram da Holanda para buscar uma nova vida em Nova Holanda. Os livres-burgueses e comerciantes eram o pilar econ\u00f4mico da col\u00f4nia, e a maior parte do com\u00e9rcio estava sob seu controle. Mas, apesar disso, a comunidade Burgher no Brasil era muito escassa para os prop\u00f3sitos do WIC.\n\nNa col\u00f4nia havia tamb\u00e9m uma florescente comunidade judaica de 1.450 almas em 1644. A popula\u00e7\u00e3o civil branca total de \u201cvrijburgher\u201d era de cerca de 3.000.\n\nO controle holand\u00eas sobre o Brasil sempre esteve em perigo, e o WIC falhou em seu objetivo de coloniza\u00e7\u00e3o. A maioria dos colonos eram moradores portugueses de religi\u00e3o e l\u00edngua diferentes, sempre prontos a revoltar-se contra os \u201chereges\u201d. Em outubro de 1642 a prov\u00edncia do Maranh\u00e3o se revoltou e ap\u00f3s um ano de combates as tropas holandesas recuaram. Em abril de 1642, os diretores do WIC escreveram a Johan Maurits, informando-o para retornar \u00e0 Holanda na primavera de 1643. Ele n\u00e3o ficou feliz com isso e adiou sua partida at\u00e9 maio de 1644.\n\n<strong>O FIM DE UMA \u201cNOVA HOLANDA\u201d<\/strong>\n\nPrivado da lideran\u00e7a de Johan Maurits, o WIC perdeu o controle sobre a col\u00f4nia. Ap\u00f3s sua partida, os fazendeiros portugueses se revoltaram contra o dom\u00ednio holand\u00eas e ap\u00f3s a batalha de Tabocas (3 de agosto de 1645), que terminou com uma derrota holandesa, os holandeses foram for\u00e7ados \u00e0 defensiva. Os portugueses conquistaram o controle da \u201cv\u00e1rzea\u201d.\n\nAs for\u00e7as portuguesas atacaram Serinha\u00e9m e a guarni\u00e7\u00e3o holandesa rendeu-se em 6 de agosto de 1645. Em 13 de agosto de 1645 a fortaleza holandesa do Pontal de Nazar\u00e9 no Cabo de Santo Agostinho tamb\u00e9m se rendeu.\n\nEm 2 de setembro de 1645 os \u201cmoradores\u201d da Para\u00edba se levantaram contra os holandeses e o Forte de Porto Calvo rendeu-se em 17 de setembro, seguido em 18 de setembro tamb\u00e9m pelo Forte Maurits no rio S\u00e3o Francisco. Em 22 de setembro, Sergipe del Rey, por sua vez, insurgiu-se contra os holandeses e no final do ano de 1645 os holandeses possu\u00edam apenas Recife e em seus arredores os Fortes de Cabedelo (Para\u00edba), Ceulen (Rio Grande do Norte), as ilhas de Itamarac\u00e1 e Fernando de Noronha.\n\nDevido ao cerco de Recife pelos portugueses desde agosto de 1645, os pal\u00e1cios e parques de Johan Maurits e muitos outros edif\u00edcios em Mauritsstad foram arrasados para uma melhor defesa do Recife.\n\nNa capital sitiada havia cerca de 8.000 homens, mas em junho, julho e agosto de 1646 uma frota holandesa de socorro chegou ao Recife. Em novembro de 1646 Fort Maurits foi reocupado pelos holandeses, mas em abril seguinte o local foi abandonado. Em fevereiro de 1647 uma expedi\u00e7\u00e3o holandesa de 26 navios e 2.400 homens ocupou a ilha de Itaparic\u00e1 na Ba\u00eda de Todos os Santos. Este seria o \u00faltimo \u201ccoup de main\u201d.\n\nUma nova frota portuguesa de 15 navios e 3.800 homens deixou Portugal em 18 de outubro de 1647 sob o comando de Ant\u00f3nio Teles de Menezes, Conde de Vila-Pouca de Aguiar e governador do Brasil. Em 7 de novembro de 1647 outra frota portuguesa de 7 navios e 600 homens deixou Lisboa sob o comando de Salvador Correia de S\u00e1 e Benavides, embora seu objetivo final fosse Luanda. Em 13 de dezembro de 1647, os holandeses evacuaram Itaparic\u00e1.\n\nUma nova frota holandesa sob o comando de Witte de With deixou a Holanda no dia seguinte ao Natal de 1647 e chegou \u2013 em Recife em mar\u00e7o de 1648. Na noite de 17 para 18 de abril de 1648, um esquadr\u00e3o holand\u00eas de 5.000 homens sob o comando do comandante von Schoppe atacou as for\u00e7as portuguesas no \u201c v\u00e1rzea\u201d e marcou o primeiro sucesso. No entanto, na manh\u00e3 de 19 de abril de 1648, os portugueses (apenas 2.200 homens) lan\u00e7aram um ataque aos Guararapes, que acabou sendo uma vit\u00f3ria esmagadora. Os holandeses deixaram 500 mortos e 556 feridos. Pouco depois, os portugueses reocuparam Olinda.\n\nOs holandeses em Recife foram novamente sitiados. Em 12 de maio de 1648 Salvador Correia de S\u00e1 com 15 navios e 2.000 homens partiu do Rio para Luanda na tentativa de reconquist\u00e1-lo.\n\nEle conseguiu retomar Luanda em 24 de agosto de 1648. No final do ano de 1648 as for\u00e7as holandesas no Brasil totalizavam cerca de 6.000 homens brancos e 600 amer\u00edndios.\n\nEm 18 de fevereiro de 1649, uma for\u00e7a holandesa de 3.500 homens ocupou os Guararapes. O comandante portugu\u00eas Francisco Barreto marchou contra eles com uma for\u00e7a de 2.600 homens e a batalha subsequente de 19 de fevereiro foi uma vit\u00f3ria esmagadora para os portugueses, e os holandeses deixaram 957 mortos.\n\nUma expedi\u00e7\u00e3o holandesa sob o comando de Mathias Beck desembarcou em abril de 1649 no Cear\u00e1, que havia sido abandonado no final de 1643 e fundou um novo forte chamado Schonenburgh.\n\nEm fevereiro de 1650, a situa\u00e7\u00e3o dos holandeses no Recife, fortemente sitiados por terra, era muito prec\u00e1ria, e a guarni\u00e7\u00e3o de 3.000 homens estava desmoralizada. Havia cerca de 8.000 civis, dos quais cerca de 3.400 eram vrijburghers, 600 eram judeus e 3.000 a 4.000 eram amer\u00edndios ou negros. A escassez de alimentos e provis\u00f5es era o pior inimigo. A for\u00e7a das guarni\u00e7\u00f5es dA Nova Holanda era de cerca de 4.000 homens incluindo as guarni\u00e7\u00f5es da Para\u00edba e do Rio Grande do Norte.\n\nEm 20 de dezembro de 1653, uma frota portuguesa de 77 navios apareceu ao largo do Recife. Entretanto, e ao contr\u00e1rio do que acontecia em 1650, os dep\u00f3sitos da vila estavam cheios de mantimentos, mas nesta altura a guarni\u00e7\u00e3o estava bastante despreparada para oferecer resist\u00eancia.\n\nEm 22 de janeiro de 1654, os holandeses pediram termos de rendi\u00e7\u00e3o e, em 26 de janeiro de 1654, a capitula\u00e7\u00e3o foi assinada.\n\n<strong>N\u00e3o s\u00f3 Recife, mas todos os lugares ainda em m\u00e3os holandesas foram inclu\u00eddos:<\/strong>\u00a0Para\u00edba, Cear\u00e1, Rio Grande do Norte, Itamarac\u00e1, Fernando de Noronha.\n\nOs portugueses fizeram sua entrada triunfal em Recife em 28 de janeiro de 1654 e o WIC nunca se recuperou da perda da Nova Holanda.\n\n<strong>Invas\u00f5es Holandesas no Brasil &#8211; O que foram<\/strong>\n\nN\u00e3o foi uma guerra regional, ao contr\u00e1rio teve repercuss\u00e3o mundial representando a luta pelo controle de a\u00e7\u00facar e das fontes de suprimento de escravos.\n\nEm 1578 o rei de Portugal Dom Sebasti\u00e3o I, desapareceu na batalha de Alc\u00e1cer-Quibir no norte da \u00c1frica, seu tio o cardeal Dom Henrique passou a ser o rei. Com sua morte assumia o trono de Portugal, Dom Felipe II da Espanha. O Brasil passou a ser um dom\u00ednio espanhol em resultado da Uni\u00e3o Ib\u00e9rica.\n\nA Holanda era inimiga da Espanha e desta forma o com\u00e9rcio do a\u00e7\u00facar com o Brasil foi proibido, os holandeses para n\u00e3o perder o rent\u00e1vel neg\u00f3cio resolveu atrav\u00e9s da Companhia das \u00cdndias Ocidentais invadir o Brasil e dominar a produ\u00e7\u00e3o mundial do a\u00e7\u00facar.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-142883 size-full\" title=\"Invas\u00f5es Holandesas no Brasil\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/invasoes-holandesas-no-brasil.jpg\" alt=\"Invas\u00f5es Holandesas no Brasil\" width=\"400\" height=\"300\" \/>\n<strong>Paisagem pernambucana com um rio, obra do pintor holand\u00eas Frans Post (1612-1680).<\/strong><\/p>\nEm 10 de maio de 1624 a cidade de Salvador na Bahia foi atacada pelos holandeses e ocupada, mas por pouco tempo sendo expulsos por espanh\u00f3is e portugueses em 1625. Em 1630 os batavos desta vez v\u00e3o atacar Pernambuco. Desta vez os holandeses s\u00f3 v\u00e3o sair em 1654, ap\u00f3s guerras e uma rica indeniza\u00e7\u00e3o de Portugal.\n\nEm 1637 foi enviado para o Brasil o Conde Maur\u00edcio de Nassau, respons\u00e1vel pela Nova Holanda no nordeste brasileiro. Nassau deu liberdade de religi\u00e3o, restaurou as cidades de Olinda e Recife, construiu pr\u00e9dios, pontes, fortes, jardins zool\u00f3gico e bot\u00e2nico, trouxe cientistas, cart\u00f3grafos e pintores, entre eles Franz Post que retratou o Brasil daquela \u00e9poca.\n\nEntre 1640 e 1641 sete das catorze capit\u00e2nias brasileiras estavam sob o controle dos holandeses, e os banqueiros judeus da Holanda emprestaram dinheiro aos senhores de engenho, mas em 1640 iniciou a guerra entre a Holanda e a Inglaterra, pela disputa do com\u00e9rcio mundial. E os holandeses precisando de dinheiro come\u00e7aram a cobrar as d\u00edvidas dos brasileiros, tomando as terras dos que n\u00e3o pudessem pagar.\n\nEm 1640 Portugal havia rompido com a Espanha, era o fim da Uni\u00e3o Ib\u00e9rica, em 1644 Nassau voltava para a Holanda, no Brasil os senhores de engenho come\u00e7aram a\u00a0<strong>Insurrei\u00e7\u00e3o Pernambucana<\/strong>\u00a0na tentativa de expulsar os holandeses. E obtiveram \u00eaxito em 1654, mas com Portugal pagando pesada indeniza\u00e7\u00e3o.\n\nOs holandeses v\u00e3o para as Antilhas onde passaram a produzir o a\u00e7\u00facar que vai levar a crise do produto no Brasil, alguns holandeses j\u00e1 haviam ido embora do Brasil e ido fundar a cidade de Nova Amsterd\u00e3 em 1626 (atual Nova York nos Estados Unidos).\n\n<strong>Invas\u00f5es Holandesas no Brasil &#8211; Ocupa\u00e7\u00e3o<\/strong>\n\n<strong>Antes do per\u00edodo de dom\u00ednio espanhol sobre Portugal (1580 a 1640), portugueses e holandeses t\u00eam v\u00e1rios acordos comerciais:<\/strong>\u00a0companhias privadas holandesas ajudam a financiar a instala\u00e7\u00e3o de engenhos de a\u00e7\u00facar, participam da distribui\u00e7\u00e3o e comercializa\u00e7\u00e3o do produto na Europa e do transporte de negros da \u00c1frica para o Brasil.\n\nEspanha e Holanda, no entanto, s\u00e3o pot\u00eancias rivais e, durante o dom\u00ednio espanhol, os holandeses s\u00e3o proibidos de aportar em terras portuguesas e perdem os privil\u00e9gios no com\u00e9rcio do a\u00e7\u00facar.\n\n<strong>Invas\u00e3o da Bahia (1624-1625)<\/strong>\n\nA primeira tentativa holandesa de se estabelecer no Brasil ocorre em maio de 1624. Uma expedi\u00e7\u00e3o conquista Salvador e consegue resistir aos portugueses por quase um ano. Em abril de 1625 s\u00e3o repelidos por uma frota de 52 navios organizada por Espanha e Portugal.\n\nComandados por Jacob Willekens e Johan van Dorth os holandeses tomaram Salvador, mas n\u00e3o conseguiram estabelecer maiores contatos na \u00e1rea a\u00e7ucareira devido \u00e0 resist\u00eancia chefiada pelo bispo D. Marcos Teixeira. Em 1625 a conjuga\u00e7\u00e3o de tropas pernambucanas com a esquadra luso-espanhola de Fradique de Toledo Os\u00f3rio conseguiu expulsar os invasores.\n\n<strong>Invas\u00e3o de Pernambuco e Ocupa\u00e7\u00e3o do Nordeste<\/strong>\n\nEm 1630, nova expedi\u00e7\u00e3o ocupou Pernambuco, sendo a resist\u00eancia no interior liderada por Matias de Albuquerque que, conseguiu sustentar-se, at\u00e9 1635, quando a superioridade de recursos dos invasores acabou por obrig\u00e1-lo a retirar-se.\n\nA par da luta militar, os holandeses procuraram consolidar-se e expandir sua domina\u00e7\u00e3o.\n\nEntre 1637 e 1644 passou a governar o dom\u00ednio holand\u00eas o conde alem\u00e3o Jo\u00e3o Maur\u00edcio de Nassau-Siegen que realizou melhoramentos urbanos no Recife e desenvolveu uma pol\u00edtica de entendimento com propriet\u00e1rios de engenhos e comerciantes portugueses.\n\nSimultaneamente, a Companhia ampliava seus investimentos nos engenhos pernambucanos, emprestava dinheiro aos senhores e avan\u00e7ava militarmente sobre outras regi\u00f5es.\n\nO fracasso na tentativa de conquistar Salvador (1638) n\u00e3o impediu que os holandeses estendessem seu dom\u00ednio at\u00e9 o Maranh\u00e3o.\n\nA restaura\u00e7\u00e3o da independ\u00eancia portuguesa (1640), a sa\u00edda de Nassau do governo por desentendimento com a Companhia (1644) e o vencimento dos empr\u00e9stimos aos senhores de engenho motivaram a Insurrei\u00e7\u00e3o Pernambucana, movimento cujos principais l\u00edderes foram Jo\u00e3o Fernandes Vieira, Henrique Dias, Felipe Camar\u00e3o e Andr\u00e9 Vidal de Negreiros.\n\nVencedores nas batalhas do monte das Tabocas (1644) e Guararapes (1648 e 1649), isolaram os holandeses em Recife, obrigando a capitula\u00e7\u00e3o em 1654.\n\nEm 1661 foi assinado o tratado de Haia, no qual os holandeses desistiam do Brasil, mediante uma indeniza\u00e7\u00e3o.\n\n<strong>A invas\u00e3o de Olinda e Recife (1630-1654)<\/strong>\n\nO enorme gasto com a fracassada invas\u00e3o \u00e0s terras da Bahia foi recuperado quatro anos mais tarde, num audacioso ato de corso quando, no mar do Caribe, o Almirante Pieter Heyn, a servi\u00e7o da W.I.C., interceptou e saqueou a frota espanhola que transportava o carregamento anual de prata extra\u00edda nas col\u00f4nias americanas.\n\nDe posse desses recursos, os neerlandeses armaram nova expedi\u00e7\u00e3o, desta vez contra um alvo menos defendido, mas tamb\u00e9m lucrativo, na regi\u00e3o Nordeste do Brasil.\n\nO seu objetivo declarado era o de restaurar o com\u00e9rcio do a\u00e7\u00facar com os Pa\u00edses Baixos, proibido pelos espanh\u00f3is. Investiram, desse modo, sobre a Capitania de Pernambuco, em 1630, conquistando Olinda e depois Recife.\n\n<strong>A invas\u00e3o de Salvador (1624-1625)<\/strong>\n\nA invas\u00e3o, inicialmente, teve car\u00e1ter exclusivamente mercantil. Os navios da Companhia das \u00cdndias Ocidentais (WIC), em 1624, atacaram a Capital do Estado do Brasil, aprisionando o governador-geral Diogo de Mendon\u00e7a Furtado (1621-1624). O governo da cidade de Salvador, passou a ser exercido pelo fidalgo holand\u00eas Johan Van Dorth.\n\nDurante o per\u00edodo em que Van Dorth esteve no poder, houve mudan\u00e7as radicais na vida dos brasileiros e portugueses radicados na Bahia. Houve a liberta\u00e7\u00e3o dos escravos, que passaram a ser tratados em p\u00e9 de igualdade com os brancos e adapta\u00e7\u00e3o do povo aos costumes da Rep\u00fablica Holandesa.\n\n<strong>Em 1625 a Espanha enviou, como refor\u00e7o, uma esquadra de 52 navios, com quase 14.000 homens, a maior ent\u00e3o enviada aos mares do Sul<\/strong>: a famosa Jornada dos Vassalos.\n\nEssa expedi\u00e7\u00e3o derrotou e expulsou os invasores holandeses.\n\n<strong>Holandeses em Pernambuco<\/strong>\n\nEm 1630 os holandeses fazem nova investida. Conquistam Recife e Olinda, em Pernambuco, maior centro produtor de a\u00e7\u00facar da col\u00f4nia. Permanecem na regi\u00e3o por 24 anos.\n\nConquistam o apoio de boa parcela da popula\u00e7\u00e3o pobre local, como o mulato Calabar, e de muitos senhores de engenho.\n\nO per\u00edodo de maior prosperidade da col\u00f4nia holandesa ocorre no governo do pr\u00edncipe de Nassau, entre 1637 e 1644. Quando Nassau volta para a Holanda, a vila de Recife entra em r\u00e1pida decad\u00eancia.\n\nConflitos entre os administradores e donos de engenho reduzem a base de apoio dos holandeses e sua resist\u00eancia diante dos constantes ataques portugueses.\n\n<strong>As invas\u00f5es holandesas &#8211; Per\u00edodo<\/strong>\n<blockquote><strong>1624-<\/strong>\u00a0Tentativa de Invas\u00e3o de Salvador. Depois de 9 meses foram expulsos pela jornada dos Vassalos ( 52 navios e 12 000 homens);<strong>\n1625-<\/strong>\u00a0Invadiram Salvador pela 2\u00aa vez, ficaram uma semana e foram expulsos;<strong>\n1628-\u00a0<\/strong>Invadiram Fernando de Noronha;<strong>\n1630-<\/strong>\u00a0Invas\u00e3o de Pernambuco( 37 navios e 3000 soldados holandeses). Resist\u00eancia( 1630-1637). Nassau (1637-1644). Insurrei\u00e7\u00e3o PE (1645-1654);<\/blockquote>\nOs colonos brasileiros produtores de cana-de-a\u00e7\u00facar aceitaram a coloniza\u00e7\u00e3o holandesa inicialmente, pois estes ajudariam o engenho e o desenvolvimento da ind\u00fastria do a\u00e7\u00facar.\n\nCalabar foi um traidor do ex\u00e9rcito luso e passou para o lado holand\u00eas.\n\nA Holanda possu\u00eda uma economia desenvolvida, tinha capitais provenientes das imigra\u00e7\u00f5es de judeus e protestantes, tem toler\u00e2ncia religiosa, poderia fazer altos investimentos no Brasil.\n<blockquote><strong>1637-<\/strong>\u00a0Vai para a regi\u00e3o colonizada o governador holand\u00eas Maur\u00edcio de Nassau Siegen (1637-1644), ele reformou Recife ( Mauritztadz), reurbaniza\u00e7\u00e3o de Recife, modernizou-a fez obras de arte, enriqueceu a cultura, as ci\u00eancias, europeiza\u00e7\u00e3o, estabeleceu a liberdade religiosa e ajudou financeiramente os engenhos, financiou-os. Trouxe investimentos atrav\u00e9s do Banco de Amsterden e fez distribui\u00e7\u00e3o de terras. Seu objetivo era retomar a produ\u00e7\u00e3o a\u00e7ucareira;<\/blockquote>\nOs engenhos come\u00e7aram a entrar em crise num ano de pragas e seca e a Companhia das \u00cdndias Ocidentais, que cobrava altos impostos come\u00e7ou a cobrar os inadimplementos e pressionar os senhores de engenho, come\u00e7ou a tomar terras, acabou com a demiss\u00e3o de Maur\u00edcio de Nassau, pois ele &#8220;privilegiava&#8221; os senhores de engenho, isso acarretou a Insurrei\u00e7\u00e3o Pernambucana.\n\n<strong>Invas\u00f5es Holandesas \u2013 Motivo<\/strong>\n\n<strong>Por duas ocasi\u00f5es, os holandeses tentaram se estabelecer no Nordeste brasileiro:<\/strong>\u00a0em 1624 na Bahia e em 1630 em Pernambuco.\n\n<strong>Os motivos dessas investidas:<\/strong>\u00a0parceiros dos portugueses no com\u00e9rcio de a\u00e7\u00facar e escravos, os holandeses tiveram seus interesses econ\u00f4micos prejudicados quando os portugueses passaram,em 1580, o trono portugu\u00eas para a Coroa Espanhola.\n\nComo eram rivais dos espanh\u00f3is, os holandeses n\u00e3o s\u00f3 perderam o com\u00e9rcio de a\u00e7\u00facar, como tamb\u00e9m foram proibidos de aportar em terras portuguesas.\n\nPara tentar recuperar seus neg\u00f3cios na \u00c1frica e na Am\u00e9rica, em 1621 o governo e um grupo de companhias holandesas fundam a Companhia das \u00cdndias Ocidentais (esp\u00e9cie de empresa comercial, militar e colonizadora) e partem para as investidas.\n\nA primeira tentativa dos holandeses em ocupar o Nordeste brasileiro ocorreu em maio de 1624, quando eles atacam e ocupam Salvador, Bahia, cidade da qual seriam expulsos em abril de 1625, depois de um m\u00eas de lutas contra as tropas luso-espanholas.\n\n<strong>Em fevereiro de 1630, acontece a segunda investida:<\/strong>\u00a0chega ao litoral pernambucano uma esquadra de 56 navios da Companhia das \u00cdndias Ocidentais e os holandeses ocupam Olinda e Recife.\n\nA ocupa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 total, porque no Arraial do Bom Jesus, a 6 km do Recife, guerrilhas s\u00e3o comandadas por luso-brasileiros como Henrique Dias, Martin Soares Moreno e Felipe Camar\u00e3o.\n\nEm janeiro de 1637, o conde Jo\u00e3o Maur\u00edcio de Nassau-Siegen chega ao Recife trazendo um grande contingente militar; em pouco tempo consegue ades\u00e3o dos crist\u00e3os novos, dos \u00edndios, dos negros e mulatos e, apesar das guerrilhas, expande o dom\u00ednio holand\u00eas no litoral nordestino, do Maranh\u00e3o at\u00e9 a foz do Rio S\u00e3o Francisco.\n\nCom medidas como a concess\u00e3o de empr\u00e9stimos aos senhores de terra, o conde restabelece a produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar e, at\u00e9 a restaura\u00e7\u00e3o de Portugal, em 1640, os holandeses n\u00e3o enfrentam grandes problemas no Nordeste brasileiro.\n\nEm 1644, por discordar do governo holand\u00eas que precisava de dinheiro e determinou o imediato pagamento dos empr\u00e9stimos concedidos aos senhores de terra nordestinos, Maur\u00edcio de Nassau retorna \u00e0 Europa.\n\nCom a aus\u00eancia do conde, o dom\u00ednio holand\u00eas no Nordeste \u00e9 enfraquecido e a 03 de agosto de 1645 acontece a Batalha das Tabocas, o primeiro confronto entre os holandeses e os luso-brasileiros.\n\nEste conflito deu in\u00edcio a expuls\u00e3o definitiva dos holandeses que aconteceria nove anos mais tarde (ver Batalha dos Guararapes). Enquanto permaneceu no Nordeste brasileiro, Maur\u00edcio de Nassau conseguira administrar sem problemas a col\u00f4nia holandesa.\n\nEle recebia sal\u00e1rio milion\u00e1rio, ajuda de custo e ainda ficava com 2% sobre todos os lucros obtidos pela col\u00f4nia. Da\u00ed, sua disposi\u00e7\u00e3o em realizar obras de urbaniza\u00e7\u00e3o no Recife; estimular a recupera\u00e7\u00e3o de engenhos; desenvolver fazendas de gado. Para conquistar simpatia, permitia a liberdade pol\u00edtica e de culto.\n\nEm sua equipe, Maur\u00edcio de Nassau trouxera cientistas que realizaram estudos de medicina, hist\u00f3ria, meteorologia e astronomia, al\u00e9m de artistas como Albert Eckhout e Franz Post, os primeiros pintores a retratar cenas da vida brasileira.\n\n<strong>Um dos fatores que contribu\u00edram para a derrota dos holandeses:<\/strong>\u00a0enfraquecida pela guerra contra a Inglaterra, em 1652, a Holanda n\u00e3o teve condi\u00e7\u00f5es de refor\u00e7ar sua posi\u00e7\u00e3o no Brasil. No livro \u201cO Neg\u00f3cio do Brasil \u2013 Portugal, os Pa\u00edses Baixos e o Nordeste, 1641\/1649\u201d (Topbooks, 1998), o historiador pernambucano Evaldo Cabral de Melo diz que a expuls\u00e3o dos holandeses n\u00e3o foi resultado de guerras valentes, mas de um acordo pelo qual Portugal pagou 4 milh\u00f5es de cruzados (equivalentes a 63 toneladas de ouro) para ter o Nordeste brasileiro de volta.\n\nSob amea\u00e7a permanente de novos ataques n\u00e3o s\u00f3 ao Nordeste brasileiro como tamb\u00e9m a Lisboa, segundo o historiador, Portugal passou 15 anos negociando e em 1669 fechou o neg\u00f3cio.\n\nO pagamento da indeniza\u00e7\u00e3o levou quatro d\u00e9cadas, atrav\u00e9s de presta\u00e7\u00f5es anuais.\n\nDurante esse per\u00edodo, houve amea\u00e7as de calote, o que s\u00f3 n\u00e3o aconteceu porque nessas ocasi\u00f5es os Pa\u00edses Baixos (que eram a principal pot\u00eancia econ\u00f4mica e militar do S\u00e9culo XVII) despachavam a Marinha de Guerra at\u00e9 a foz do Rio Tejo.\n\n<strong>Invas\u00f5es Holandesas no Brasil &#8211; Causa<\/strong>\n\nAs invas\u00f5es holandesas est\u00e3o interligadas a aspectos v\u00e1rios, sendo que devemos salientar a disputa holandesa pelo a\u00e7\u00facar e pelos conhecimentos que permitiriam quebrar a hegemonia luso \u2013 espanhola de produ\u00e7\u00e3o e comercializa\u00e7\u00e3o daquele produto, \u00e0 Guerra dos Trinta Anos, \u00e0 Uni\u00e3o Ib\u00e9rica, \u00e0 Restaura\u00e7\u00e3o da Monarquia Portuguesa e \u00e0 Companhia das \u00cdndias Ocidentais.\n\n<strong>Os processos de conquista<\/strong>\n\nOs holandeses, que durante o s\u00e9culo XVI se tornaram detentores de uma poderosa tecnologia naval, aperceberam-se da vulnerabilidade das povoa\u00e7\u00f5es portuguesas instaladas no Brasil, possuindo um especial interesse na regi\u00e3o do Nordeste, devido \u00e0 sua produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7ucar. Oscilando algum tempo entre Pernambuco ou S. Salvador da Bahia, decidiram primeiramente atacar e conquistar a segunda povoa\u00e7\u00e3o, tendo o primeiro ataque holand\u00eas \u00e0 costa brasileira ocorrido em 1624, na regi\u00e3o baiana. A esta chegaram 1700 homens sob o comando do almirante Jacob Willekens. Apesar dos alertas emitidos da Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica e das tentativas de Diogo Mendon\u00e7a Furtado, Governador \u2013 Geral do Brasil, para defesa da costa brasileira, os invasores desembarcam a 10 de Maio de 1624 e, para sua grande surpresa e contentamento, quase n\u00e3o encontraram resist\u00eancia.\n\nOs poucos disparos de canh\u00e3o das tropas holandesas conseguiram destruir os navios lusos ancorados no porto da cidade e dispersar, devido ao p\u00e2nico, os defensores de S. Salvador.\n\nO governador ainda tentou entrincheirar-se no Pal\u00e1cio, o que acabou sendo uma manobra in\u00fatil, pois tanto ele como o seu filho e alguns dos seus oficiais foram aprisionados pelas tropas invasoras e enviados para os Pa\u00edses Baixos.\n\nCome\u00e7ava o primeiro per\u00eddo de presen\u00e7a neerlandesa naquele territ\u00f3rio. Num primeiro momento existiu um claro interesse pela zona urbana. Contudo, posteriormente \u00e0 tomada da cidade e do seu saque, os holandeses decidiram investigar a regi\u00e3o da Bahia e seu entorno. Contudo, apenas conseguiram ocupar S\u00e3o Salvador da Bahia, porque sempre que se aventuravam no desconhecido, eram atacados por portugueses numa manobra quase de guerrilha.\n\nMais tarde, a uni\u00e3o ib\u00e9rica, que reunia as coroas espanhola e portuguesa, decidiu reagir a esta conquista efetuada dentro de um territ\u00f3rio comum, formando uma esquadra que rumaria ao Brasil para reconquistar o territ\u00f3rio ocupado. Os holandeses ficariam retidos dentro dos limites da cidade de S. Salvador. Em 1625 enfrentariam as tropas organizadas com o intuito de expuls\u00e1-los da cidade. A esquadra era comandada por Dom Fradique de Toledo Os\u00f3rio, que acabaria bem sucedido em seus intentos. Ap\u00f3s duros combates, os invasores retiraram-se no 1\u00ba de Maio. Contudo, tal n\u00e3o seria o fim dos planos que os Pa\u00edses Baixos possu\u00edam para o Brasil.\n\nA derrota infligida em 1625 serviu apenas para que os Pa\u00edses Baixos ponderassem melhor as atitudes a tomar face aos prop\u00f3sitos que possu\u00edam, refinando assim os seus planos. Em Fevereiro de 1630 uma esquadra com 64 navios e 3800 homens conquistar\u00e1 a zona de Pernambuco, passando a dominar as cidades de Recife e Olinda. Sem possuir treino militar, a popula\u00e7\u00e3o opta por n\u00e3o resistir, e os invasores enviam mais 6000 homens para a regi\u00e3o, de forma a garantir a posse da mesma.\n\nFortificaram as cidades conquistadas e deslocaram para as mesmas homens e armamento suficientes para mant\u00ea-las sob o seu poder, combatendo a guerrilha que se organizava contra a sua presen\u00e7a em terras brasileiras. Incendiavam e saqueavam os engenhos dos que se rebelavam e prometiam paz e prosperidade aos que lhes vendessem o a\u00e7ucar produzido. Aliaram-se aos \u00edndios e firmavam alian\u00e7as com os mesmos, para melhor dominarem a zona.\n\nContudo, a conquista e manuten\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio n\u00e3o foi f\u00e1cil. No Brasil os holandeses depararam-se com uma melhor organiza\u00e7\u00e3o das atividades de guerrilha, sediadas especialmente no Arraial do Bom Jesus, lugar a meia dist\u00e2ncia entre Olinda e Recife. \u00c0 frente dessas investidas encontrava-se Matias de Albuquerque.\n\nNum per\u00edodo inicial a resist\u00eancia conseguiu, em alguns momentos, manter os holandeses isolados no litoral, impedindo assim uma real tomada de posse do interior pernambucano. Por\u00e9m, a partir de 1634, gra\u00e7as \u00e0 \u201ctrai\u00e7\u00e3o\u201d de Domingos Fernandes Calabar e \u00e0 habilidade do coronel Crestofle Arciszewski, os neerlandeses conseguem a derrota deste movimento de guerrilha, conquistando o Arraial Velho do Bom Jesus e iniciando um processo de estabiliza\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o.\n\n<strong>Fonte:<\/strong>\u00a0www.colonialvoyage.com\/Frederico Czar (Professor de Hist\u00f3ria)\/www.smileatyou.com\/www.conhecimentosgerais.com.br\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Invas\u00f5es Holandesas no Brasil &#8211; Hist\u00f3ria Em 1600, segundo Joannes De Laet, os holandeses possu\u00edam dois fortes de madeira (Forte Nassau e Forte Oranje) na margem oriental do rio Xingu. Estes foram constru\u00eddos por colonos da Zel\u00e2ndia. Em 1616, uma expedi\u00e7\u00e3o Zeeland sob o comando de Pieter Adriaenszoon Ita navegou com 150 homens. 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