{"id":20594,"date":"2015-12-22T00:00:00","date_gmt":"2015-12-22T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/independencia-do-brasil-3\/"},"modified":"2026-09-01T15:32:51","modified_gmt":"2026-09-01T15:32:51","slug":"independencia-do-brasil-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-do-brasil\/independencia-do-brasil-3\/","title":{"rendered":"Independ\u00eancia do Brasil"},"content":{"rendered":"\n<strong>Independ\u00eancia do Brasil &#8211; O que foi<\/strong>\n\nDesde que o\u00a0<strong>Brasil<\/strong>\u00a0foi \u201cdescoberto\u201d pelos portugueses no s\u00e9culo XVI, o governo dessa terra coube, em grande parte, a essa na\u00e7\u00e3o europeia. \u00c9 claro que outras na\u00e7\u00f5es (como a Fran\u00e7a) tentaram ganhar poder militar e pol\u00edtico, mas n\u00e3o tiveram sucesso. Desde 1808, o Rei Dom Jo\u00e3o VI residia no Brasil, tornando-o um dos Reinos do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves.\n\nEm 1815, ele havia feito seu filho, Dom Pedro, o Pr\u00edncipe Regente, dando-lhe autoridade para governar o Brasil no lugar do rei em caso de sua partida ou sua morte.\n\nEm 1820, Portugal vive a Revolu\u00e7\u00e3o Constitucional, iniciada pelos constitucionalistas liberais. Essa revolu\u00e7\u00e3o levou \u00e0 reuni\u00e3o da Assembleia Constituinte e \u00e0 decis\u00e3o de criar a primeira constitui\u00e7\u00e3o do Reino e exigir o retorno do rei Dom Jo\u00e3o VI do Brasil. A assembleia tamb\u00e9m \u00e9 conhecida como as Cortes. Em 26 de abril de 1821, o rei deixou o Brasil nas m\u00e3os de seu filho, o rec\u00e9m-eleito pr\u00edncipe regente, Dom Pedro, e retornou a Portugal.\n\nOs militares portugueses que estavam baseados no Brasil nessa \u00e9poca se aliaram ao movimento constitucionalista em sua terra natal. O general Jorge Avilez, que liderou os militares portugueses, for\u00e7ou Dom Pedro a demitir e banir os ministros do Reino e das Finan\u00e7as. Esses homens haviam sido leais a Dom Pedro e o pr\u00edncipe ficou se sentindo impotente e humilhado ao ser manipulado por Avilez.\n\nA partir desse momento, Pedro jurou nunca mais ceder \u00e0 manipula\u00e7\u00e3o militar.\n\nEm setembro de 1821, os governos provinciais do Brasil foram colocados em subordina\u00e7\u00e3o pol\u00edtica a Portugal, o que deixou Pedro nada mais que o Governador do Rio de Janeiro, que era apenas uma prov\u00edncia.\n\nPedro tamb\u00e9m foi condenado a voltar para a Europa e quaisquer tribunais que seu pai havia criado em 1808 foram eliminados. Os habitantes brasileiros, a essa altura, ficaram completamente indignados com as a\u00e7\u00f5es das Cortes. Isso resultou na revolta dos Bonificanos (liderados por Bonif\u00e1cio de Andrade) e dos Liberais (apoiados pelos ma\u00e7ons e liderados por Joaquim Gon\u00e7alves Ledo). Esses dois grupos estavam unidos apenas pelo fato de quererem manter o Brasil unido a Portugal como uma monarquia soberana.\n\n\u00c0 medida que a zombaria aberta e a humilha\u00e7\u00e3o de Dom Pedro continuavam nas m\u00e3os das Cortes, o pr\u00edncipe se afastava cada vez mais de sua terra natal, transferindo gradualmente sua lealdade ao Brasil.\n\n<strong>Ent\u00e3o, com o incentivo de sua esposa, a princesa Leopoldina, Pedro fez este an\u00fancio nos jornais de 9 de janeiro de 1822: \u201cComo \u00e9 para o bem de todos e para a felicidade geral da na\u00e7\u00e3o, estou pronto:\u00a0<\/strong>Diga ao povo que vou fique&#8221;.\n\nPedro demitiu Jorge Avilez, que havia instigado tumultos armados em resposta ao an\u00fancio de Pedro, ordenando que ele e seus soldados voltassem a Portugal.\n\nJos\u00e9 Bonif\u00e1cio foi nomeado Ministro do Reino e das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores em janeiro de 1822, e ele e Pedro logo se tornaram muito pr\u00f3ximos, tanto pessoal quanto politicamente.\n\nEm agosto de 1822, Pedro foi a S\u00e3o Paulo para jurar lealdade \u00e0 causa brasileira. Ao retornar ao Rio de Janeiro em setembro, recebeu uma carta de Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio informando-o de que as Cortes haviam cancelado todos os atos do gabinete de Bonif\u00e1cio e o destitu\u00eddo de todo o poder que detinha. Esta foi a gota d&#8217;\u00e1gua para Pedro.\n\n<strong>Dirigiu-se aos seus amigos e \u00e0 Guarda de Honra, informando-os de que os la\u00e7os que outrora mantinham com Portugal estavam agora rompidos. Ele os instruiu a tirar as bra\u00e7adeiras azuis e brancas (simbolizando seus la\u00e7os com a P\u00e1tria M\u00e3e) e disse:<\/strong>\u00a0\u201cSalve a independ\u00eancia, a liberdade e a separa\u00e7\u00e3o do Brasil. Pelo meu sangue, minha honra, meu Deus, juro dar liberdade ao Brasil. Independ\u00eancia ou morte!\u201d\n\nA not\u00edcia do Brasil independente se espalhou rapidamente e os moradores comemoraram a postura de Dom Pedro.\n\nO rompimento oficial dos la\u00e7os ocorreu em 22 de setembro de 1822, quando Pedro escreveu uma carta ao pai, Jo\u00e3o VI.\n\nEm 12 de outubro de 1822, o pr\u00edncipe Pedro foi aclamado Dom Pedro I, Imperador Constitucional e Defensor Perp\u00e9tuo do Brasil.\n\n<strong>Independ\u00eancia do Brasil &#8211; Sistema Colonial<\/strong>\n\nA crise do\u00a0<strong>sistema colonial<\/strong>, trazendo revoltas no fim do s\u00e9culo XVIII e in\u00edcio do XIX, como a Inconfid\u00eancia Mineira, a Conjura\u00e7\u00e3o Baiana e a Revolta Pernambucana de 1817, bem como o crescimento do livre com\u00e9rcio foram fatores que contribu\u00edram para a\u00a0<strong>Independ\u00eancia do Brasil<\/strong>.\n\nEm 1820, estoura a Revolu\u00e7\u00e3o do Porto, em Portugal, um movimento liberal e antiabsolutista. No ano seguinte, o Parlamento portugu\u00eas, exige que D. Jo\u00e3o VI deixe o Brasil, na \u00e9poca reino unido, e retorne a Portugal.\n\nAssim o fez D. Jo\u00e3o, deixando seu filho mais velho, dom Pedro, como regente.\n\nNo ano de 1822, apoiado por pol\u00edticos brasileiros que defendiam a manuten\u00e7\u00e3o do Brasil como Reino Unido, Dom Pedro anuncia sua insubordina\u00e7\u00e3o \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o Portuguesa, convocando a primeira Assembleia Constituinte brasileira.\n\nDepois de declarar que as tropas portuguesas que desembarcassem no Brasil seriam consideradas inimigas, o pr\u00edncipe regente resolve assinar o Manifesto \u00e0s Na\u00e7\u00f5es Amigas, escrito por Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio, o Patriarca da Independ\u00eancia.\n\nCom essa assinatura, confirma o rompimento com as Cortes Constituintes de Lisboa e assegura \u201ca Independ\u00eancia do Brasil, mas como reino irm\u00e3o de Portugal\u201d.\n\nOs portugueses, no entanto, n\u00e3o aceitam a convoca\u00e7\u00e3o da Assembleia Constituinte Brasileira e exigem a volta imediata de dom Pedro, amea\u00e7ando, inclusive, com o envio de tropas.\n\nO pr\u00edncipe n\u00e3o obedece ao Parlamento Portugu\u00eas, proclamando a Independ\u00eancia do Brasil, no dia sete de setembro, e afirmando em documento oficial a separa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica entre col\u00f4nia e metr\u00f3pole portuguesa.\n\nEle \u00e9 aclamado imperador em outubro daquele ano e coroado, dois meses depois, pelo bispo do Rio de Janeiro, com o t\u00edtulo de dom Pedro I, imperador do Brasil.\n\n<strong>Independ\u00eancia do Brasil &#8211; Hist\u00f3ria<\/strong>\n\nPara entendermos um fato hist\u00f3rico, devemos antes e acima de tudo compreender o seu contexto de \u00e9poca e, principalmente, os acontecimentos que o antecederam e, consequentemente, o propiciaram. Uma revolu\u00e7\u00e3o, uma guerra, uma revolta, n\u00e3o ocorre, assim, de uma hora para outra, por simples resolu\u00e7\u00e3o ou capricho.\n\nPequenos fatos v\u00e3o se acumulando, como a \u00e1gua na represa, at\u00e9 chegarem \u00e0 gota d\u2019\u00e1gua definitiva, liberando as comportas da hist\u00f3ria para um \u00fanico e derradeiro momento.\n\nMomentos esses, muitas vezes, representados por um nome, uma lideran\u00e7a \u2013 homem ou mulher -, que, na verdade, s\u00e3o apenas representantes dos anseios de gera\u00e7\u00f5es inteiras.\n\nGera\u00e7\u00f5es de homens e mulheres an\u00f4nimas v\u00e3o fazendo aos poucos a hist\u00f3ria.\n\nAcumulando a \u00e1gua. Cabe \u00e0s lideran\u00e7as pol\u00edticas situar os marcos dessa hist\u00f3ria an\u00f4nima, tomando para si a hora e a vez de exercer um ato hist\u00f3rico, aqui, no caso, o da I<strong>ndepend\u00eancia do Brasil.<\/strong>\n\nA dom Pedro coube cravar o marco da independ\u00eancia no ch\u00e3o patri\u00f3tico da hist\u00f3ria brasileira. Coube a ele abrir as comportas.\n\n<b>Antes da ideia\u00a0vingar<\/b>\n\nA chegada da Corte Portuguesa ao Brasil, em 1808, fugindo da invas\u00e3o francesa a Portugal, acaba sendo o come\u00e7o de tudo, quer dizer, do processo da proclama\u00e7\u00e3o da independ\u00eancia.\n\nPodemos dizer que os brasileiros se acostumaram com essa presen\u00e7a real em solo p\u00e1trio, que passou a ter um gostinho de terra com lideran\u00e7as pr\u00f3prias ou dona do pr\u00f3prio nariz.\n\nNo mesmo ano em que desembarcou, dom Jo\u00e3o abriu os portos \u201c\u00e0s na\u00e7\u00f5es amigas\u201d, fundou o Banco do Brasil e o Jardim Bot\u00e2nico. Em 1815, \u00e9 criada a Academia Militar e da Marinha, al\u00e9m da Biblioteca Real e a Imprensa R\u00e9gia. Dom Jo\u00e3o eleva ainda a condi\u00e7\u00e3o do Brasil ao de Reino Unido a Portugal e Algarves.\n\nO objetivo, com isso, era fazer a monarquia portuguesa representar-se no Congresso de Viena, na \u00c1ustria, onde acontecia a reorganiza\u00e7\u00e3o do mapa pol\u00edtico da Europa, depois de Napole\u00e3o ter sido derrotado.\n\nNo ano seguinte, uma Miss\u00e3o Francesa chega ao Brasil, a convite de dom Jo\u00e3o, com o intuito de desenvolver as artes no pa\u00eds. O grupo \u00e9 composto por intelectuais e artistas contratados, como os pintores Jean Baptiste Debret, Nicolas Taunay e o arquiteto Grandjean de Montigny.\n\n<strong>Disputa de influ\u00eancia<\/strong>\n\nAo se estabelecer no Rio de Janeiro, a Corte Portuguesa amplia o poder central nessa cidade, especificamente, e enfraquece as prov\u00edncias.\n\nPara aumentar ainda mais as condi\u00e7\u00f5es insatisfat\u00f3rias em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o da influ\u00eancia pol\u00edtica, o desempenho ruim do a\u00e7\u00facar suscita dificuldades econ\u00f4micas nas regi\u00f5es do cultivo da cana. Isto vai gerar, em 1817, a Revolta Pernambucana, que tem como fonte de inspira\u00e7\u00e3o a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa, a independ\u00eancia dos Estados Unidos e as lutas emancipat\u00f3rias da Am\u00e9rica hisp\u00e2nica.\n\nComerciantes, latifundi\u00e1rios, bachar\u00e9is e at\u00e9 padres conspiram contra militares e comerciantes portugueses, apontados como os respons\u00e1veis pelos problemas das prov\u00edncias.\n\nO que esses cidad\u00e3os querem \u00e9 que o controle do com\u00e9rcio seja retirado das m\u00e3os de portugueses e ingleses.\n\nCom a revolta tomando conta das ruas do Recife, o ent\u00e3o governador, Caetano Pinto, abandona o cargo e foge para o Rio de Janeiro. Com o poder local esvaziado, os rebeldes organizam o primeiro governo brasileiro independente e proclamam a Rep\u00fablica. A alegria, no entanto, dura pouco. Sem contar com o apoio das demais prov\u00edncias do nordeste, o \u201cnovo governo\u201d \u00e9 cercado e vencido pelas for\u00e7as legalistas.\n\n<strong>Dom Jo\u00e3o assume:\u00a0<\/strong>Dom Pedro a caminho\n\nA m\u00e3e de dom Jo\u00e3o, dona Maria I, \u201ca rainha louca\u201d, morre, em 1818, ficando para seu filho a coroa. O regente \u00e9 ent\u00e3o coroado como Rei de Portugal, do Brasil e de Algarves, com o t\u00edtulo de dom Jo\u00e3o VI. Em 1821, por\u00e9m, o Parlamento portugu\u00eas exige de Dom Jo\u00e3o VI o juramento antecipado da primeira constitui\u00e7\u00e3o de Portugal e ordena a sua volta, uma vez que, no ano anterior, um movimento liberal e antiabsolutista havia sido deflagrado em Portugal, conhecido como a Revolu\u00e7\u00e3o do Porto. Dom Jo\u00e3o VI retorna e se submete ao regime constitucionalista, mas n\u00e3o sem antes deixar seu filho mais velho, dom Pedro, como regente do Reino Unido do Brasil.\n\nAinda pressionado pelas Cortes Constituintes de Portugal, dom Jo\u00e3o VI manda chamar dom Pedro a Lisboa, que, naturalmente se nega a ir. Ele acredita que, por tr\u00e1s dessa press\u00e3o, se esconde a tentativa de esvaziar o poder mon\u00e1rquico. Estamos no ano de 1822 e sua decis\u00e3o de ficar \u00e9 anunciada no dia nove de janeiro, lembrado at\u00e9 hoje como o Dia do Fico. Dom Pedro n\u00e3o estava sozinho nisso.\n\nContava com o apoio de alguns pol\u00edticos brasileiros que, por defenderem a manuten\u00e7\u00e3o do Brasil como Reino Unido, organizam um abaixo-assinado, pedindo ao pr\u00edncipe regente que permanecesse no Brasil.\n\n\u00c9 o princ\u00edpio do fim da influ\u00eancia portuguesa por aqui.\n\n<strong>Dom Pedro e a independ\u00eancia<\/strong>\n\n1822, ao que parece, \u00e9 um ano decisivo. Dom Pedro anuncia sua insubordina\u00e7\u00e3o \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o Portuguesa, convocando a primeira Assembleia Constituinte brasileira.\n\nDepois de declarar que as tropas portuguesas que desembarcassem no Brasil seriam consideradas inimigas, o pr\u00edncipe regente resolve assinar o Manifesto \u00e0s Na\u00e7\u00f5es Amigas, escrito por Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio, o Patriarca da Independ\u00eancia. Com essa assinatura, ratifica o rompimento com as Cortes Constituintes de Lisboa e assegura \u201ca Independ\u00eancia do Brasil, mas como reino irm\u00e3o de Portugal\u201d. Os portugueses, no entanto, n\u00e3o aceitam a convoca\u00e7\u00e3o da Assembleia Constituinte Brasileira e exigem a volta imediata de dom Pedro, amea\u00e7ando, inclusive, com o envio de tropas.\n\nO pr\u00edncipe n\u00e3o obedece ao Parlamento Portugu\u00eas, proclamando a Independ\u00eancia do Brasil, no dia sete de setembro, e afirmando em documento oficial a separa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica entre col\u00f4nia e metr\u00f3pole portuguesa.\n\nEle \u00e9 aclamado imperador em outubro daquele ano e coroado, dois meses depois, pelo bispo do Rio de Janeiro, com o t\u00edtulo de dom Pedro I, imperador do Brasil.\n\n<strong>\u00c0s margens do riacho<\/strong>\n\nA hist\u00f3ria conta que, voltando de uma viagem a S\u00e3o Paulo, ap\u00f3s visitar Santos, dom Pedro recebe not\u00edcias oriundas de Portugal, \u00e0s margens do riacho Ipiranga.\n\nEle n\u00e3o gosta nem um pouco do que acaba de saber e se convence, finalmente, de que deve se separar da metr\u00f3pole. Diante dessa certeza, arranca do chap\u00e9u as cores de Portugal e, aclamado pelos que o acompanhavam, grita \u201cIndepend\u00eancia ou Morte\u201d.\n\nAt\u00e9 abrir as comportas e deixar essa \u00faltima gota d\u2019\u00e1gua arrastar todo o conte\u00fado da represa, muitos fatos convergiram, propiciando o ato de dom Pedro.\n\nO agravamento da crise do sistema colonial \u00e9 um deles, trazendo revoltas no fim do s\u00e9culo XVIII e in\u00edcio do XIX, como a Inconfid\u00eancia Mineira, a Conjura\u00e7\u00e3o Baiana e a Revolta Pernambucana de 1817, j\u00e1 explicitada.\n\nMovimentos esses motivados pela independ\u00eancia dos Estados Unidos, em 1776, e pelo processo da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa (1789-1799).\n\nA rejei\u00e7\u00e3o ao absolutismo mon\u00e1rquico e ao colonialismo aumentava internacionalmente. O crescimento do livre com\u00e9rcio induzia um clima contr\u00e1rio ao monop\u00f3lio comercial portugu\u00eas e ao excesso de impostos.\n\nA transfer\u00eancia da Corte Portuguesa para o Brasil, em 1808, e sua posterior perman\u00eancia, tamb\u00e9m concorreram, na pr\u00e1tica, para cortar os la\u00e7os coloniais com Portugal, preparando o grito do Ipiranga.\n\n<strong>Independ\u00eancia do brasil: &#8211; Portugal<\/strong>\n\nEmbora o pa\u00eds tenha come\u00e7ado a romper os grilh\u00f5es coloniais no instante em que D.Jo\u00e3o VI abriu os portos \u201c\u00e0s na\u00e7\u00f5es amigas\u201d, em janeiro de 1808, os fatos quer antecederam a Independ\u00eancia do Brasil est\u00e3o diretamente ligados \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o Liberal do Porto, que eclodiu em agosto de 1820.\n\nPortugal era ent\u00e3o governado pelo marechal ingl\u00eas Beresford, que expulsara os franceses do pa\u00eds. Indignados com a situa\u00e7\u00e3o \u2013 e com o fato de custearem a perman\u00eancia de D.Jo\u00e3o VI no Brasil -, os revoltosos se aproveitaram da ida de Beresford ao Rio para deflagar o movimento.\n\nAl\u00e9m de for\u00e7ar D.Jo\u00e3o VI a retornar a Portugal a junta provis\u00f3ria que assumiu o controle do pa\u00eds decidiu reconvocar as Cortes Gerais Extraordin\u00e1rias e Constituintes da Na\u00e7\u00e3o Portuguesa, que, noutros tempos, eram reunidas em \u00e9pocas de crise.\n\nE foi gra\u00e7as \u00e0 intransig\u00eancia das Cortes que os fatos se precipitaram, n\u00e3o deixando aos brasileiros outra op\u00e7\u00e3o que n\u00e3o a luta pela independ\u00eancia. Como Portugal n\u00e3o tinha uma Constitui\u00e7\u00e3o, D.Jo\u00e3o VI foi for\u00e7ado a jurar uma nova, que se baseava na Constitui\u00e7\u00e3o espanhola de 1812.\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" title=\"Independ\u00eancia do Brasil\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/iindepe8.jpg\" alt=\"Independ\u00eancia do Brasil\" width=\"181\" height=\"260\" \/><\/strong><strong>Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio<\/strong><\/p>\nPelas novas regras do jogo, o Brasil \u2013 que, desde 1808, ocupava uma posi\u00e7\u00e3o de supremacia no imp\u00e9rio portugu\u00eas \u2013 perdia seus privil\u00e9gios e teria de voltar a se submeter inteiramente ao governo da metr\u00f3pole.\n\nMas o novo regime, representativo, permitiria a participa\u00e7\u00e3o brasileira no governo de Lisboa.\n\nO problema era que, de acordo com as novas leis, as col\u00f4nias eram sub-representadas e as elei\u00e7\u00f5es, indiretas. Assim sendo, das 181 cadeiras das Cortes, apenas 72 poderiam ser ocupadas por deputados brasileiros \u2013 e, entre esses, havia os que eram francamente favor\u00e1veis \u00e0 metr\u00f3pole.\n\nApesar dessas vantagens, as Cortes sequer esperaram que todos os representantes do Brasil chegassem a Lisboa para, em 7 de mar\u00e7o de 1821 \u2013 com somente 46 dos 72 brasileiros presentes no plen\u00e1rio -, votar a emenda que simplesmente dissolvia o reino do Brasil.\n\nNa verdade, n\u00e3o era dif\u00edcil perceber que o prop\u00f3sito b\u00e1sico das Cortes era \u201crecolonizar\u201d o Brasil. Em sess\u00f5es tensas e tumultuadas (foto acima), com os deputados quase trocando sopapos, as Cortes decidiram que o Brasil n\u00e3o apenas deixaria de ser um reino unido a Portugal como tamb\u00e9m o vice-reinado, com sede no Rio de Janeiro, n\u00e3o seria reestabelecido.\n\nEm vez de possuir um governo central, o Brasil seria dividido em prov\u00edncias aut\u00f4nomas, cujos governadores (militares) seriam nomeados pelas pr\u00f3prias Cortes.\n\nForam eliminadas tamb\u00e9m todas as ag\u00eancias, reparti\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e tribunais de justi\u00e7a estabelecidos depois de 1807. Al\u00e9m disso, estavam sumariamente demitidos todos os ju\u00edzes, advogados, escreventes e burocratas que ocupavam esses postos.\n\nE, como se n\u00e3o bastasse, as Cortes exigiam o retorno imediato a Lisboa do pr\u00edncipe regente j\u00e1 que, na opini\u00e3o dos deputados, n\u00e3o tendo mais o Brasil um governo central, a presen\u00e7a de D. Pedro no Rio passava a ser figurativa.\n\n<strong>Mas as Cortes decidiram tamb\u00e9m que n\u00e3o havia lugar para D.Pedro em Portugal:\u00a0<\/strong>o pr\u00edncipe deveria fazer, incognitamente, \u201cuma viagem pela Inglaterra, Fran\u00e7a e Espanha para aprofundar sua educa\u00e7\u00e3o, de modo a, algum dia, poder ocupar condignamente o trono lusitano\u201d.\n\n<strong>Uma declara\u00e7\u00e3o de guerra n\u00e3o teria efeito maior:<\/strong>\u00a0enquanto o Brasil se preparava para entrar no s\u00e9culo 19, as Cortes propunham um retorno ao s\u00e9culo 17.\n\nEmbora as determina\u00e7\u00f5es fossem absurdas e injustas, D.Pedro estava decidido a cumpri-las. Afinal, as tropas portuguesas estacionadas no Rio e os comerciantes lusitanos residentes no pa\u00eds assim o exigiam.\n\nMas ent\u00e3o, em janeiro de 1822, o pr\u00edncipe recebeu uma peti\u00e7\u00e3o escrita por Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio (imagem ao lado) e assinada por toda a junta provincial de S\u00e3o Paulo.\n\nEra um documento poderoso, que clamava que o pr\u00edncipe desafiasse as Cortes e permanecesse no Brasil. O texto, comovente, emocionou D.Pedro \u2013 e mudou o rumo da hist\u00f3ria do Brasil.\n\n<strong>Independ\u00eancia ou Morte<\/strong>\n\nO ano de 1822 come\u00e7ou dramaticamente para D.Pedro. Foi no dia 1\u00ba de janeiro que ele recebeu o manifesto escrito por Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio e assinado por toda a junta provincial da cidade.\n\nAt\u00e9 ent\u00e3o, apesar de alguns cartazes espalhados pelas ruas do Rio e das manifesta\u00e7\u00f5es cada vez mais entusi\u00e1sticas que vinham recebendo nas ruas ou no teatro,\u00a0<strong>D.Pedro<\/strong>\u00a0n\u00e3o registrara nenhum sinal de apoio \u00e0 sua perman\u00eancia no Brasil.\n\nMas a carta de Bonif\u00e1cio era impactante. Segundo ela, as Cortes de Lisboa, baseadas \u201cno desprop\u00f3sito e no despotismo\u201d buscavam impor ao Brasil \u201cum sistema de anarquia e escravid\u00e3o\u201d. Movidos por uma \u201cnobre indigna\u00e7\u00e3o\u201d, os paulistas estavam \u201cprontos a derramar a \u00faltima gota do seu sangue e a sacrificar todas as suas posses para n\u00e3o perder o adorado pr\u00edncipe\u201d, em quem colocavam \u201csuas bem-fundamentadas esperan\u00e7as de felicidade e honra nacional\u201d.\n\nOs cariocas, que pensavam da mesma maneira, organizaram um abaixo-assinado com 8 mil nomes e o entregaram ao pr\u00edncipe uma semana depois, numa cerim\u00f4nia realizada ao meio-dia de 9 de janeiro.\n\n<strong>Depois de ler o documento, D.Pedro anunciou solenemente sua decis\u00e3o:<\/strong>\u00a0\u201cSe \u00e9 para o bem de todos e felicidade geral da na\u00e7\u00e3o, dia ao povo que fico\u201d. Reunido em frente ao Pa\u00e7o Municipal, o povo saudou a decis\u00e3o do pr\u00edncipe.\n\nNo dia 11, as tropas portuguesas tentaram obrigar o pr\u00edncipe a embarcar para Lisboa. Apoiado pelo povo e por tropas leais, D.Pedro resistiu. A independ\u00eancia, agora, era uma quest\u00e3o de tempo.\n\nMarcam a aproxima\u00e7\u00e3o entre D.Pedro e a fac\u00e7\u00e3o mais conservadora da elite brasileira, formada por homens que, em sua maioria, tinham freq\u00fcentado a Universidade de Coimbra e partilhavam da id\u00e9ia de um imp\u00e9rio luso-brasileiro. Cinco dias depois de expulsar do Rio as tropas lusas, comandadas pelo general Avilez,\u00a0<strong>D.Pedro<\/strong>\u00a0organizou um novo minist\u00e9rio e, para lider\u00e1-lo, escolheu Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio de Andrada e Silva.\n\nEm 1\u00ba de agosto, declarou inimigas todas as tropas enviadas de Portugal sem o seu consentimento. No dia 14, partiu para S\u00e3o Paulo para contornar uma crise na prov\u00edncia. No dia 2 de setembro, no Rio, a esposa de D.Pedro, D.Leopoldina (imagem acima), leu as cartas chegadas de Lisboa com as abusivas decis\u00f5es da Corte. Reuniu os ministros e enviou mensageiros a D.Pedro.\n\nNo dia 7 de setembro, o pr\u00edncipe recebeu as cartas \u00e0s margens do Ipiranga e concluiu que era a hora de romper com a metr\u00f3pole.\n\n<strong>Depois de ler, amassar e pisotear as cartas, D.Pedro montou \u201csua bela besta baia\u201d, cavalgou at\u00e9 o topo da colina e gritou \u00e0 guarda de honra:<\/strong>\u00a0\u201cAmigos, as cortes de Lisboa nos oprimem e querem nos escravizar\u2026\n\nDeste dia em diante, nossas rela\u00e7\u00f5es est\u00e3o rompidas\u201d.\n\n<strong>Ap\u00f3s arrancar a ins\u00edgnia portuguesa de seu uniforme, o pr\u00edncipe sacou a espada e gritou:\u00a0<\/strong>\u201cPor meu sangue, por minha honra e por Deus: farei do Brasil um pa\u00eds livre\u201d. Em seguida, erguendo-se nos estribos e al\u00e7ando a espada, afirmou: \u201cBrasileiros, de hoje em diante nosso lema ser\u00e1: Independ\u00eancia ou morte\u201d. Eram 4 horas da tarde de 7 de setembro de 1822.\n\nNo dia seguinte, iniciou a viagem de retorno ao Rio, onde chegou no tempo recorde de cinco dias, deixando toda a tropa 10 horas para tr\u00e1s. Na capital, foi saudado como her\u00f3i. A 1\u00ba de dezembro, aos 24 anos, foi coroado n\u00e3o rei, mas imperador, para mostrar que, apesar do direito mon\u00e1rquico, tamb\u00e9m fora eleito pelo \u201cpovo\u201d.\n\n<strong>Independ\u00eancia do Brasil &#8211; 7 de setembro de 1822<\/strong>\n\nNo dia 7 de setembro de 1822, o pr\u00edncipe regente dom Pedro retornava de uma viagem a Santos, cidade no litoral da prov\u00edncia de S\u00e3o Paulo.\n\n<strong>No meio do caminho, encontrou um mensageiro que lhe levava duas cartas:<\/strong>\u00a0a primeira exigia seu retorno imediato a Portugal.\n\n<strong>A segunda, apontava dois caminhos:<\/strong>\u00a0a obedi\u00eancia a Portugal ou a separa\u00e7\u00e3o total da metr\u00f3pole.\n\n<strong>Apoiado pela elite brasileira, dom Pedro n\u00e3o teve d\u00favidas:<\/strong>\u00a0proclamou a\u00a0<strong>Independ\u00eancia do Brasil.<\/strong>\n\nSaiba como foram os acontecimentos que antecederam ao famoso \u201cGrito do Ipiranga\u201d.\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" title=\"Independ\u00eancia do Brasil\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/iindepe2.jpg\" alt=\"Independ\u00eancia do Brasil\" width=\"315\" height=\"227\" \/><strong>Independ\u00eancia ou Morte!,\nPedro Am\u00e9rico. Museu Paulista USP<\/strong><\/p>\n<strong>Entre a Fran\u00e7a e a Inglaterra<\/strong>\n\nNo final do s\u00e9culo XVIII, Inglaterra e Fran\u00e7a disputavam a lideran\u00e7a no continente europeu. A Inglaterra industrializada era uma na\u00e7\u00e3o muito rica, que precisava cada vez mais de mercados para seus produtos.\n\nA Fran\u00e7a n\u00e3o tinha tantas f\u00e1bricas, mas contava com um ex\u00e9rcito poderoso, comandado por Napole\u00e3o Bonaparte.\n\nPara a Fran\u00e7a, a melhor maneira para se tornar a na\u00e7\u00e3o mais importante da Europa era sufocar a economia inglesa. Assim, em 1806, Napole\u00e3o decretou o Bloqueio Continental, proibindo todos os pa\u00edses europeus de comercializar com a Inglaterra. Quem fizesse neg\u00f3cios com a rival seria invadido pelo ex\u00e9rcito franc\u00eas.\n\nPara Portugal, a situa\u00e7\u00e3o ficou dif\u00edcil. Afinal, a Inglaterra era uma aliada importante e um pa\u00eds para o qual o Imp\u00e9rio portugu\u00eas devia muito dinheiro. Por outro lado, o ex\u00e9rcito franc\u00eas era poderoso.\n\nComo o governo portugu\u00eas n\u00e3o decidia de que lado ficava, em 1807, o imperador franc\u00eas Napole\u00e3o Bonaparte ordenou a ocupa\u00e7\u00e3o de Portugal.\n\n<strong>Para a corte de Lisboa havia duas op\u00e7\u00f5es:<\/strong>\u00a0aceitar o dom\u00ednio napole\u00f4nico ou partir para o Brasil.\n\n<strong>Uma fuga e tanto<\/strong>\n\nSem sa\u00edda, o governo portugu\u00eas fez um acordo secreto com os ingleses, que se comprometeram a ajudar a fam\u00edlia real e a corte portuguesa na fuga. Cerca de 15 mil pessoas abandonaram Portugal \u00e0s pressas.\n\nNa manh\u00e3 de 29 de novembro de 1807, oito naus, quatro fragatas, tr\u00eas brigues, uma escuna e outras embarca\u00e7\u00f5es partiram do rio Tejo, em Lisboa, sob prote\u00e7\u00e3o inglesa. Na bagagem, traziam tudo o que puderam carregar m\u00f3veis, objetos de arte, lou\u00e7as, livros, arquivos e dinheiro do tesouro imperial.\n\nEm 22 de janeiro de 1808, chegaram a Salvador, na Bahia. L\u00e1, eles foram festejados durante algumas semanas. Mas o destino final era a capital da col\u00f4nia, o Rio de Janeiro, onde dom Jo\u00e3o VI e sua comitiva desembarcaram no dia 8 de mar\u00e7o de 1808.\n\n<strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Independ\u00eancia do Brasil\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/iindepe3.jpg\" alt=\"Independ\u00eancia do Brasil\" width=\"310\" height=\"201\" \/>\n<\/strong><strong>Vista do Rio de Janeiro: Tomada dos Arredores da Igreja\nde Nossa Senhora da Gl\u00f3ria, quadro de J. M. Rugendas<\/strong>\n\n<strong>Viva o com\u00e9rcio!<\/strong>\n\nA primeira medida de dom Jo\u00e3o ainda em Salvador foi a abertura dos portos do Brasil \u00e0s na\u00e7\u00f5es amigas.\n\n<strong>Quer dizer:<\/strong>\u00a0a partir dessa data, os produtos exportados para o Brasil n\u00e3o precisavam mais passar por Portugal e os portos brasileiros receberiam pela primeira vez navios com bandeiras das na\u00e7\u00f5es que mantinham boas rela\u00e7\u00f5es com Portugal.\n\nIsso foi muito importante, pois a col\u00f4nia come\u00e7ou a entrar em contato com os produtos e as ideias que circulavam em outras partes do mundo.\n\nOs portos do Brasil passaram a ter mais import\u00e2ncia para os ingleses, que tinham dificuldades para comerciar na Europa devido ao Bloqueio Continental de Napole\u00e3o.\n\n<strong>Entusiasmados, os comerciantes estrangeiros trouxeram de tudo:<\/strong>\u00a0tecidos, sapatos, talheres, lou\u00e7as, cristais, chap\u00e9us, cachimbos, xales, ferragens, queijo, manteiga, escovas, pentes, navalhas, perfumes, sabonetes, velas, pianos, carruagens, barbantes e caix\u00f5es, al\u00e9m de produtos in\u00fateis como carteira para notas (aqui s\u00f3 havia moedas), patins para gelo, casacos de pele e tecidos de l\u00e3 pesada, inadequados para nosso clima quente.\n\n<strong>Mais cultura para o Brasil<\/strong>\n\nAl\u00e9m das mudan\u00e7as comerciais, a chegada da fam\u00edlia real ao Brasil tamb\u00e9m causou um reboli\u00e7o cultural e educacional. Nessa \u00e9poca, foram criadas escolas como a Academia Real Militar, a Academia da Marinha, a Escola de Com\u00e9rcio, a Escola Real de Ci\u00eancias, Artes e Of\u00edcios, a Academia de Belas-Artes e dois Col\u00e9gios de Medicina e Cirurgia, um no Rio de Janeiro e outro em Salvador.\n\nForam fundados o Museu Nacional, o Observat\u00f3rio Astron\u00f4mico e a Biblioteca Real, cujo acervo era composto por muitos livros e documentos trazidos de Portugal.\n\nTamb\u00e9m foi inaugurado o Real Teatro de S\u00e3o Jo\u00e3o e o Jardim Bot\u00e2nico.\n\nUma atitude muito importante de dom Jo\u00e3o foi a cria\u00e7\u00e3o do Banco do Brasil e da Imprensa R\u00e9gia. Essa \u00faltima editou obras de v\u00e1rios escritores e tradu\u00e7\u00f5es de obras cient\u00edficas.\n\nFoi um per\u00edodo de grande progresso e desenvolvimento.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Independ\u00eancia do Brasil\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/iindepe4.jpg\" alt=\"Independ\u00eancia do Brasil\" width=\"311\" height=\"225\" \/>\n<strong>O Observat\u00f3rio Astron\u00f4mico do Rio de Janeiro foi uma das contribui\u00e7\u00f5es de dom Jo\u00e3o VI \u00e0 ci\u00eancia natural no Brasil<\/strong><\/p>\n\n<h4><strong>Ci\u00fames do lado de l\u00e1<\/strong><\/h4>\nTanto movimento por aqui provocou a indigna\u00e7\u00e3o do outro lado do Atl\u00e2ntico. Afinal, o Brasil deixara de ser uma simples col\u00f4nia. Nosso pa\u00eds tinha sido elevado \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de Reino Unido a Portugal e Algarves.\n\nQuer dizer, enquanto a fam\u00edlia real esteve por aqui, a sede do reino foi o Rio de Janeiro, que recebeu muitas melhorias. Enquanto isso, em Portugal, o povo estava empobrecido com a guerra contra Napole\u00e3o e o com\u00e9rcio bastante prejudicado com a abertura dos portos brasileiros.\n\nOs portugueses estavam insatisfeitos e, em 1820, estourou a Revolu\u00e7\u00e3o Liberal do Porto cidade ao norte de Portugal. Os rebeldes exigiram a volta de dom Jo\u00e3o e a expuls\u00e3o dos governantes estrangeiros. Queriam tamb\u00e9m que o com\u00e9rcio do Brasil voltasse a ser feito exclusivamente pelos comerciantes portugueses.\n\nCedendo \u00e0s press\u00f5es de Portugal, dom Jo\u00e3o voltou em 26 de abril de 1821.\n\nDeixou, contudo, seu filho dom Pedro como regente do Brasil. Assim, agradava aos portugueses e aos brasileiros que tinham lucrado com a vinda da corte portuguesa para o Brasil, especialmente com a abertura dos portos.\n<p class=\"imagem\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Independ\u00eancia do Brasil\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/iindepe5.jpg\" alt=\"Independ\u00eancia do Brasil\" width=\"313\" height=\"192\" \/>\nUm dos grandes acontecimentos na corte foi o casamento de dom Pedro I com a princesa austr\u00edaca dona Leopoldina em 1817.<\/strong><\/p>\nJean-Baptiste Debret mostra esse fato na tela Desembarque da Princesa Leopoldina\n\n<strong>Fique ligado!<\/strong>\n\nEm Portugal, uma nova Constitui\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a ser feita para o Imp\u00e9rio portugu\u00eas. S\u00f3 que para a elabora\u00e7\u00e3o do documento, o Brasil, como Reino Unido, teria direito de enviar seus deputados. Os portugueses n\u00e3o aceitavam essa hip\u00f3tese e come\u00e7aram a pressionar para que o Brasil voltasse a ser col\u00f4nia, pois isso favoreceria seus interesses. Os brasileiros n\u00e3o aceitaram, queriam liberdade para comerciar e governar.\n<h4><strong>O Dia do Fico<\/strong><\/h4>\nA situa\u00e7\u00e3o do Brasil permaneceu indefinida durante o ano de 1821.\n\n<strong>No final desse ano, um fato novo redefiniu a situa\u00e7\u00e3o:\u00a0<\/strong>chegaram ao Rio de Janeiro decretos da corte que exigiam a completa obedi\u00eancia do Brasil \u00e0s ordens vindas da metr\u00f3pole. No dia 9 de dezembro de 1821, o governo brasileiro voltou a ser dependente de Portugal.\n\nDom Pedro recebeu ordens para voltar a Portugal, mas o Partido Brasileiro grupo formado por grandes fazendeiros, comerciantes e altos funcion\u00e1rios p\u00fablicos o convenceu a ficar. O regente recebeu listas com assinaturas de cerca de 8.000 pessoas pedindo que ele permanecesse no pa\u00eds. Em 9 de janeiro de 1822, apoiado pelas prov\u00edncias do Rio de Janeiro, S\u00e3o Paulo e Minas Gerais, dom Pedro decidiu permanecer.\n\n<strong>Ele foi \u00e0 sacada e disse:\u00a0<\/strong>&#8220;Se \u00e9 para o bem de todos e felicidade geral da na\u00e7\u00e3o, diga ao povo que fico!&#8221;. Essa data ficou conhecida como o Dia do Fico.\n<h4><strong>A carta de Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio<\/strong><\/h4>\nNo dia 16 de janeiro de 1822, dom Pedro nomeou Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio de Andrada e Silva ministro dos Neg\u00f3cios do Interior, da Justi\u00e7a e dos Estrangeiros. Nos meses seguintes, o apoio do Partido Brasileiro a dom Pedro e o movimento de Independ\u00eancia cresceram bastante, principalmente na regi\u00e3o Sudeste.\n\nPor outro lado, a corte de Lisboa continuava exigindo a volta do pr\u00edncipe regente.\n\n<strong>Mais uma vez ele desafiou Portugal:\u00a0<\/strong>determinou que as ordens de Lisboa s\u00f3 teriam validade no Brasil depois de passar pelas suas m\u00e3os e receber autoriza\u00e7\u00e3o, o que ficou conhecido como &#8220;Cumpra-se&#8221;.\n\nDiante dessa medida, o pr\u00edncipe regente recebeu do Senado da C\u00e2mara do Rio de Janeiro o t\u00edtulo de Defensor Perp\u00e9tuo do Brasil.\n\n<strong>No dia 7 de setembro, \u00e0s margens do riacho Ipiranga, ele leu uma carta de Portugal que exigia seu retorno imediato e outra de Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio que dizia:<\/strong>\u00a0&#8220;S\u00f3 existem dois caminhos: ou voltar para Portugal como prisioneiro das cortes portuguesas ou proclamar a Independ\u00eancia, tornando-se imperador do Brasil&#8221;.\n<h4><strong>Independ\u00eancia ou morte!<\/strong><\/h4>\nHouve ainda uma carta escrita pela esposa de dom Pedro, a princesa austr\u00edaca dona Leopoldina, que refor\u00e7ava as ideias do ministro. Diante das palavras de Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio, homem forte do governo e que ficaria conhecido como &#8220;Patriarca da Independ\u00eancia&#8221;, dom Pedro n\u00e3o teve d\u00favidas. Reagiu imediatamente, tirando do chap\u00e9u a fita com as cores vermelha e azul, que representavam a corte real portuguesa, jogando-a no ch\u00e3o.\n\n<strong>Levantou a espada e gritou:\u00a0<\/strong>&#8220;Independ\u00eancia ou morte!&#8221;.\n\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Independ\u00eancia do Brasil\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/especial-dia-independencia-brasil.jpg\" alt=\"Independ\u00eancia do Brasil\" width=\"550\" height=\"170\" \/>\n\nA cena ficou conhecida como o &#8220;Grito do Ipiranga&#8221;, porque aconteceu \u00e0s margens do riacho Ipiranga, em S\u00e3o Paulo, para onde dom Pedro tinha ido em busca do apoio dos paulistas. Atualmente, no local dos acontecimentos, encontra-se o Museu Paulista, mais conhecido como Museu do Ipiranga, que guarda objetos da \u00e9poca da Independ\u00eancia.\n\n<strong>Fique ligado!<\/strong>\n\nA maior parte da popula\u00e7\u00e3o brasileira acompanhou de forma ap\u00e1tica os acontecimentos que levaram \u00e0 Independ\u00eancia. Entre os escravos negros, ela nem existiu.\n\nAlgumas poucas senzalas se agitaram, pois acreditavam que haveria tamb\u00e9m o fim da escravid\u00e3o. Entretanto, para os milhares de escravos, a vida dura nas lavouras continuaria sem qualquer modifica\u00e7\u00e3o durante mais de 60 anos. A Independ\u00eancia n\u00e3o gerou mudan\u00e7as sociais.\n<h4><strong>O reconhecimento da Independ\u00eancia<\/strong><\/h4>\nEm 1\u00ba de dezembro de 1822, dom Pedro foi aclamado imperador do Brasil, passando a usar o t\u00edtulo de dom Pedro I. A Independ\u00eancia do Brasil, no entanto, s\u00f3 foi reconhecida por Portugal no dia 13 de maio de 1825. Ap\u00f3s alguns meses de negocia\u00e7\u00f5es, com a ajuda da Inglaterra, ficou decidido que o Brasil deveria pagar a Portugal 2 milh\u00f5es de libras esterlinas (moeda inglesa). O dinheiro foi emprestado ao novo pa\u00eds pelos ingleses. Esse foi o primeiro pedido de empr\u00e9stimo de nossa hist\u00f3ria.\n<h4>Raz\u00f5es da Independ\u00eancia do Brasil<\/h4>\nA Independ\u00eancia do Brasil n\u00e3o resultou do descontentamento de dom Pedro com as exig\u00eancias de Portugal, mas da combina\u00e7\u00e3o de interesses e press\u00f5es internas e inglesas.\n\n<strong>E foi in\u00e9dita no continente americano:\u00a0<\/strong>ao contr\u00e1rio de todos os pa\u00edses de l\u00edngua espanhola, a ruptura brasileira com a metr\u00f3pole foi praticamente pac\u00edfica e manteve a estrutura pol\u00edtica e social praticamente intacta.\n\n<strong>Panorama da \u00e9poca<\/strong>\n<p class=\"imagem\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Independ\u00eancia do Brasil\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/iindepe6.jpg\" alt=\"Independ\u00eancia do Brasil\" width=\"200\" height=\"254\" \/>\nDom Pedro<\/strong><\/p>\n<strong>Fim do s\u00e9culo XVIII e in\u00edcio do XIX:<\/strong>\u00a0a Revolu\u00e7\u00e3o Industrial caminhava muito bem na Inglaterra, pa\u00eds que a comandava.\n\n<strong>Novas inven\u00e7\u00f5es se combinavam:<\/strong>\u00a0a m\u00e1quina a vapor introduzida por James Watt, a m\u00e1quina de fiar inventada por Hargreaves, o tear mec\u00e2nico de Cartwright.\n\nA produ\u00e7\u00e3o artesanal cedia lugar \u00e0 produ\u00e7\u00e3o fabril e o trabalho assalariado tornava-se a base do sistema capitalista moderno.\n\nA burguesia industrial tinha \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o milhares de trabalhadores pobres do campo e da cidade.\n\nEra o proletariado moderno homens e mulheres livres a quem s\u00f3 restava vender aos industriais a sua for\u00e7a de trabalho em troca de pouco sal\u00e1rio.\n\nA produ\u00e7\u00e3o industrial multiplicou-se e o com\u00e9rcio se expandiu extraordinariamente. As fontes de energia e de mat\u00e9rias-primas (como o algod\u00e3o) ganharam papel de destaque.\n\n<strong>A nova for\u00e7a de trabalho<\/strong>\n\n<strong>Mat\u00e9ria-prima e mercado<\/strong>\n\n<strong>Mas de que adiantava tanta expans\u00e3o se n\u00e3o havia mercados que fornecessem mat\u00e9rias-primas e consumissem o que a Inglaterra produzia?<\/strong>\n\nA pedra no sapato dos ingleses eram os mercados fechados das col\u00f4nias, que obedeciam ao monop\u00f3lio comercial da metr\u00f3pole. Essas col\u00f4nias deviam ser imediatamente abertas e integradas ao mercado mundial.\n\nN\u00e3o que a Inglaterra n\u00e3o comerciasse com os mercados coloniais. Era, por\u00e9m, um mercado indireto, o que encarecia os produtos. O capitalismo ingl\u00eas queria mesmo \u00e9 estabelecer um com\u00e9rcio direto, nada de intermedi\u00e1rios.\n\nO regime de monop\u00f3lio comercial, o Pacto Colonial, estava condenado pelo liberalismo, assim como estavam condenados o mercantilismo e os regimes absolutistas, o Antigo Regime.\n\nA burguesia passava \u00e0 frente do palco, enquanto a nobreza ia para o fundo.\n\n<strong>Tear autom\u00e1tico ingl\u00eas<\/strong>\n\n<strong>A chave da emancipa\u00e7\u00e3o<\/strong>\n\nTamb\u00e9m para a classe dominante na col\u00f4nia, a intermedia\u00e7\u00e3o era prejudicial. Todos os monop\u00f3lios e as restri\u00e7\u00f5es comerciais, todas as medidas de crescente controle pol\u00edtico-administrativo, criaram um ambiente hostil \u00e0 metr\u00f3pole e favor\u00e1vel \u00e0s ideias emancipacionistas.\n\nCoincidiam, portanto, os interesses brit\u00e2nicos romper o monop\u00f3lio e abrir as portas da Am\u00e9rica ao consumo de suas manufaturas e os da aristocracia rural vender seus produtos diretamente aos ingleses sem os entraves metropolitanos.\n\nEssa alian\u00e7a contra o Pacto Colonial foi a viga mestra no processo de Independ\u00eancia brasileiro.\n\n<strong>Classe dominante no controle<\/strong>\n\nNo Brasil, a classe dominante, representada pelos grandes senhores de terras e de escravos, controlou o processo de Independ\u00eancia.\n\n<strong>Visava:<\/strong>\n\n<strong>Substituir o monop\u00f3lio pelo livre com\u00e9rcio<\/strong>\n\nAssumir o poder de fato\n\nN\u00e3o permitir que a Independ\u00eancia fosse al\u00e9m da autonomia pol\u00edtica de Portugal, isto \u00e9, sem provocar grandes rupturas nas estruturas econ\u00f4micas, pol\u00edticas e sociais, deixando alterado o regime da grande propriedade e da escravid\u00e3o.\n\nAssim, depois da Independ\u00eancia, surgiram conflitos e contradi\u00e7\u00f5es, pois os ingleses exigiam tamb\u00e9m o fim do tr\u00e1fico negreiro e do trabalho escravo.\n\n<strong>O processo de Independ\u00eancia<\/strong>\n\nHistoricamente, o processo da Independ\u00eancia do Brasil ocupou as tr\u00eas primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XIX e foi marcado pela vinda da fam\u00edlia real ao Brasil, em 1808, e pelas medidas tomadas no per\u00edodo de dom Jo\u00e3o.\n\nAo contr\u00e1rio das independ\u00eancias no restante da Am\u00e9rica, a vinda da fam\u00edlia real fez a autonomia brasileira ter mais o aspecto de \u201ctransi\u00e7\u00e3o\u201d, com um pr\u00edncipe portugu\u00eas \u00e0 frente, dom Pedro. Sem d\u00favida, o processo foi bastante acelerado pelo que ocorreu em Portugal em 1820.\n\nA Revolu\u00e7\u00e3o do Porto, comandada pela burguesia comercial da cidade do Porto, arrastou amplos setores sociais (camponeses, funcion\u00e1rios p\u00fablicos, tropas militares, artes\u00e3os) para um movimento que tinha caracter\u00edsticas liberais para Portugal, mas, para o Brasil, significava uma recoloniza\u00e7\u00e3o.\n\n<strong>Revolta com a recoloniza\u00e7\u00e3o:\u00a0<\/strong>No primeiro momento, as not\u00edcias da Revolu\u00e7\u00e3o do Porto causaram manifesta\u00e7\u00f5es de apoio no Brasil entre as for\u00e7as liberais e antiabsolutistas. Mas, com o passar dos dias e a chegada das determina\u00e7\u00f5es recolonizadoras das Cortes, cresceram o movimento oposicionista e as press\u00f5es da aristocracia rural a favor da perman\u00eancia do rei.\n\n<strong>A\u00e7ougue dos Bragan\u00e7a:\u00a0<\/strong>A presen\u00e7a de tropas portuguesas obrigou dom Jo\u00e3o a voltar em abril de 1821, deixando aqui seu filho dom Pedro como pr\u00edncipe regente e levando consigo o Tesouro Real. A popula\u00e7\u00e3o revoltou-se e foi reprimida por tropas de dom Pedro, epis\u00f3dio que ficou conhecido como A\u00e7ougue dos Bragan\u00e7a.\n\n<strong>Reg\u00eancia de dom Pedro:\u00a0<\/strong>De 1821 a 1822, per\u00edodo da reg\u00eancia do pr\u00edncipe portugu\u00eas, cresceram as tens\u00f5es entre as Cortes e os interesses da aristocracia rural. As medidas recolonizadoras de Portugal, apoiadas pelo Partido Portugu\u00eas (nome das for\u00e7as favor\u00e1veis \u00e0 recoloniza\u00e7\u00e3o), encontraram barreiras cada vez maiores da parte do Partido Brasileiro (as for\u00e7as pr\u00f3-Independ\u00eancia, lideradas pela aristocracia rural), que passou a pressionar para que o pr\u00edncipe regente declarasse uma Independ\u00eancia oficial, sem participa\u00e7\u00e3o popular e sem modifica\u00e7\u00f5es na estrutura vigente.\n\n<strong>Autonomia original<\/strong>\n\nO processo de Independ\u00eancia do Brasil n\u00e3o foi um fato isolado na hist\u00f3ria americana. Foi concomitante \u00e0 independ\u00eancia das col\u00f4nias espanholas durante os primeiros 30 anos do s\u00e9culo XIX.\n\nEm todos os pa\u00edses latino-americanos, vingou o projeto da classe dominante de uma independ\u00eancia sem mudan\u00e7as profundas.\n\n<strong>V\u00e1rias diferen\u00e7as deram exclusividade \u00e0 nossa Independ\u00eancia:<\/strong>\n\nA Independ\u00eancia do Brasil foi relativamente pac\u00edfica e sem grandes abalos. Ao contr\u00e1rio das guerras populares nos outros pa\u00edses americanos, aqui houve poucas rea\u00e7\u00f5es de tropas portuguesas fi\u00e9is \u00e0 coroa portuguesa.\n\nO Brasil manteve a unidade territorial conquistada ainda no per\u00edodo colonial; a Am\u00e9rica espanhola fragmentou-se em v\u00e1rias na\u00e7\u00f5es.\n\nNo Brasil, n\u00e3o houve participa\u00e7\u00e3o popular e tamb\u00e9m n\u00e3o se destacaram l\u00edderes, os chamados \u201clibertadores\u201d latino-americanos, como Sim\u00f3n Bol\u00edvar (Venezuela), Jos\u00e9 Artigas (Uruguai), San Mart\u00edn (Argentina) e O\u2019Higgins (Chile).\n\nAo proclamarem sua independ\u00eancia, as col\u00f4nias espanholas da Am\u00e9rica optaram pelo regime republicano, seguindo o modelo norte-americano. O Brasil ficou com o regime mon\u00e1rquico, n\u00e3o porque fosse popular entre os brasileiros e nem pelo fasc\u00ednio que a pompa e o luxo da corte exerciam nos colonos, mas sim por causa do processo pol\u00edtico desencadeado pela instala\u00e7\u00e3o da corte portuguesa na col\u00f4nia em 1808.\n\n<strong>Mudado, mas nem tanto<\/strong>\n\nO movimento que desembocou na Independ\u00eancia concentrou-se na figura do rei e depois na do pr\u00edncipe regente.\n\nA monarquia transformou-se em s\u00edmbolo de autoridade e estabilidade mesmo quando dom Pedro I era contestado.\n\nA elite que promoveu e apoiou a Independ\u00eancia n\u00e3o tinha interesse em rupturas que amea\u00e7assem a estabilidade da antiga col\u00f4nia.\n\nA organiza\u00e7\u00e3o do Estado brasileiro que se seguiu \u00e0 Independ\u00eancia resultou no projeto do grupo liberal-conservador, que defendia a monarquia constitucional, a integridade territorial e o regime centralizado. Quer dizer, a emancipa\u00e7\u00e3o do Brasil n\u00e3o resultou em grandes altera\u00e7\u00f5es de ordem social e econ\u00f4mica ou na forma de governo.\n\n<strong>Quem lucrou<\/strong>\n\nA Independ\u00eancia beneficiou o grupo que estava no poder ligado ao futuro imperador, isto \u00e9, a elite agr\u00e1ria, que manteve seus privil\u00e9gios e o povo a dist\u00e2ncia, evitando assim que o fato se tornasse uma revolu\u00e7\u00e3o social.\n\nPor outro lado, a Independ\u00eancia evitou a recoloniza\u00e7\u00e3o lusitana pela conquista da emancipa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.\n\nNa esfera internacional, o movimento tinha garantida a participa\u00e7\u00e3o da Inglaterra, que n\u00e3o s\u00f3 apoiou o movimento e participou das lutas de Independ\u00eancia, como tamb\u00e9m apressou seu reconhecimento em troca de privil\u00e9gios comerciais.\n\nUma Independ\u00eancia original, sem abalos, pac\u00edfica, em curto tempo, sem a participa\u00e7\u00e3o do povo. Coube ao povo participar apenas do quadro de Pedro Am\u00e9rico, na figura do simb\u00f3lico carroceiro olhando surpreso dom Pedro dar o Grito do Ipiranga.\n\n<strong>Veja a correta observa\u00e7\u00e3o do historiador Caio Prado J\u00fanior:\u00a0<\/strong>\u201cFez-se a independ\u00eancia, praticamente \u00e0 revelia do povo, e se isto lhe poupou sacrif\u00edcios, tamb\u00e9m afastou por completo sua participa\u00e7\u00e3o na nova ordem pol\u00edtica. A independ\u00eancia brasileira \u00e9 fruto mais de uma classe do que da na\u00e7\u00e3o tomada em conjunto.\u201d\n\n<strong>Nova depend\u00eancia<\/strong>\n\n<strong>O Brasil se subordinou aos interesses do capitalismo industrial ingl\u00eas. Passou a depender do mundo financeiro brit\u00e2nico, como se pode perceber no texto abaixo, uma descri\u00e7\u00e3o das lojas do Rio de Janeiro feita por Mary Graham, inglesa que veio ao Brasil em 1821:\u00a0<\/strong>\u201cAs ruas est\u00e3o, em geral, repletas de mercadorias inglesas. A cada porta as palavras \u2018Superfino de Londres\u2019 saltam aos olhos: algod\u00e3o estampado, panos largos, lou\u00e7a de barro, mas acima de tudo ferragens de Birmingham podem ser obtidas nas lojas do Brasil a um pre\u00e7o um pouco mais alto do que em nossa terra.\u201d\n\nPode n\u00e3o ser a abordagem mais correta encarar a Independ\u00eancia como um movimento que nada mudou, pois o Brasil passara da depend\u00eancia inglesa por meio de Portugal \u00e0 depend\u00eancia direta da Inglaterra.\n\n<strong>Se muitos professores de Hist\u00f3ria dizem aos alunos que \u201cEm 7 de setembro mudamos de dono\u201d, o historiador Boris Fausto mostra outro lado da quest\u00e3o:<\/strong>\u00a0a Independ\u00eancia teria representado, mais do que uma troca de nomes de dominadores, \u201cuma mudan\u00e7a da forma como a antiga Col\u00f4nia se inseria no sistema econ\u00f4mico internacional\u201d e tamb\u00e9m exigia a constru\u00e7\u00e3o de \u201cum Estado nacional para organizar o pa\u00eds e garantir sua unidade\u201d (Boris Fausto, em Hist\u00f3ria do Brasil).\n\n<strong>Independ\u00eancia do Brasil &#8211; Revolta<\/strong>\n\nPor volta de 1820 os ventos da liberdade sopravam na Am\u00e9rica do Sul. Muitas col\u00f4nias espanholas tinham ficado independentes.\n\nAs que n\u00e3o tinham independ\u00eancia estavam lutando por ela.\n\nNo Brasil, a situa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m estava agitada. Em 1817 houve uma revolta na regi\u00e3o nordeste. A independ\u00eancia era um dos seus objetivos. Ela foi derrotada mas, o sonho de liberdade permaneceu vivo.\n\n<strong>Os Movimentos de Pr\u00e9 Independ\u00eancia<\/strong>\n\nConforme o decl\u00ednio colonial brasileiro ia se acentuando, aumentava o descontentamento da popula\u00e7\u00e3o colonial em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Metr\u00f3pole. Assim, surgiram revoltas que pretendiam a independ\u00eancia.\n\nEstas revoltas tiveram maior ou menor participa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o, conforme o caso. Todas elas, no entanto, foram lideradas por elementos da camada m\u00e9dia da popula\u00e7\u00e3o, que adotavam a ideologia liberal e n\u00e3o obtiveram apoio da classe dominante.\n\nNo que se refere \u00e0 ideologia os movimentos de pr\u00e9- independ\u00eancia tiveram uma caracter\u00edstica importante.\n\nO liberalismo por eles adotados tinha surgido na Europa como consequ\u00eancia da desagrega\u00e7\u00e3o do Antigo regime.\n\nEra portanto uma ideologia revolucion\u00e1ria e que representava basicamente os interesses da burguesia industrial.\n\n<strong>Adotado no Brasil, o liberalismo passava a ter um aspecto contradit\u00f3rio:<\/strong>\u00a0o de uma Ideologia burguesa num pa\u00eds que n\u00e3o possu\u00eda burguesia.\n\n<b>Da\u00ed decorrem as limita\u00e7\u00f5es que as ideias\u00a0liberais sempre tiveram entre n\u00f3s:<\/b>\u00a0adotadas como teoria, raramente podiam ser aplicadas na pr\u00e1tica. E quando o eram sob a forma de um liberalismo de fachada acabavam por beneficiar mais \u00e0s pot\u00eancias europeias do que ao Brasil.\n\n<strong>O Brasil e as cortes portuguesas<\/strong>\n\n<strong>Em 1820 a burguesia portuguesa da cidade do Porto, com o apoio dos camponeses, das baixas camadas sociais urbanas, das tropas e dos funcion\u00e1rios p\u00fablicos, liderou uma revolu\u00e7\u00e3o em Portugal:\u00a0<\/strong>A Revolu\u00e7\u00e3o Liberal do Porto.\n\nOs rebeldes pretendiam salvar Portugal de sua tradicional crise econ\u00f4mica, tirar o povo da mis\u00e9ria em que vivia principalmente depois da fuga do governo portugu\u00eas para o Brasil, e que deixara Portugal submetido ao dom\u00ednio pol\u00edtico de militares ingleses fazer uma nova Constitui\u00e7\u00e3o para o pa\u00eds e recolonizar o Brasil.\n\nA recoloniza\u00e7\u00e3o do Brasil era uma tentativa de recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica de Portugal, na medida em que recolonizar significava restabelecer o pacto colonial e, portanto, restabelecer a domina\u00e7\u00e3o da economia da col\u00f4nia pela metr\u00f3pole.\n\nVitoriosos, os rebeldes organizaram as Cortes Portuguesas_ assembleias que se reuniam em momentos importantes para tomar decis\u00f5es _ e exigiram a volta de D. Jo\u00e3o VI.\n\n<strong>Forma\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7as emancipacionistas<\/strong>\n\nOs propriet\u00e1rios rurais e a classe m\u00e9dia sabiam que a independ\u00eancia teria de vir. N\u00e3o podiam aceitar as medidas recolonizadoras de Portugal.\n\n<strong>O problema era como consegui-la?<\/strong>\n\nEles percebiam que D. Pedro, apesar de herdeiro de D. Jo\u00e3o VI, poderia desempenhar um papel muito importante na luta pela independ\u00eancia. Por isso, tentaram envolv\u00ea-lo neste projeto.\n\nDe um lado, estava os absolutistas, contr\u00e1rios as Cortes de Lisboa porque elas pretendiam fazer de Portugal uma monarquia constitucional. De outro lado, aqueles que formavam o Partido brasileiro.\n\n<strong>Estes estavam divididos em dois grupos:<\/strong>\u00a0os democratas, que tinham Joaquim Gon\u00e7alves Ledo, seu elemento mais representativo e os aristocratas, liderados por Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio.\n\nDemocratas e aristocratas divergiam dos absolutistas. Queriam com isso dizer que eles n\u00e3o queriam mudar em um mundo em que tudo mudava, insistindo a defesa do absolutismo e buscando apoios na Santa Alian\u00e7a.\n\nMas democratas e aristocratas divergiam-se entre si. Ap\u00f3s o Dia do Fico, os acontecimentos se precipitaram como resultado da rea\u00e7\u00e3o das cortes portuguesas e de seus aliados do Partido portugu\u00eas, inconformados com a decis\u00e3o de D. Pedro permaneceram no Brasil.\n\n<strong>A vit\u00f3ria dos conservadores<\/strong>\n\nA Independ\u00eancia do Brasil n\u00e3o foi conquistada somente nos campos de batalha.\n\n<strong>Simultaneamente, travava-se um outro tipo de batalha:<\/strong>\u00a0a diplom\u00e1tica.\n\nPortugal tinha muitos e poderosos aliados na Europa por isso o governo brasileiro necessitava que todos os pa\u00edses reconhecessem oficialmente a nova realidade.\n\nCaso isso n\u00e3o acontecesse um dia Portugal poderia retomar ao Brasil com ajuda destes pa\u00edses.\n\nA luta diplom\u00e1tica demorou mais tempo do que as lutas militares. Havia muitos interesse em jogo.\n\nOs EUA foi o primeiro pa\u00eds a reconhecer oficialmente que o Brasil era um pa\u00eds livre. Por volta de 1.820 os EUA j\u00e1 tinham se desenvolvido bastante e j\u00e1 se colocavam de igual para igual com os pa\u00edses da Europa.\n\nQueriam que a predomin\u00e2ncia no continente americano fosse deles e n\u00e3o da Europa. Por isso, viam com bons olhos a independ\u00eancia do Brasil. Afinal, quem saia prejudicado era Portugal, um pa\u00eds Europeu.\n\nO governo portugu\u00eas deu um ultimato a D. Pedro. Em agosto de 1.822, mandou uma carta na qual exigia a volta imediata dele e a anula\u00e7\u00e3o da convoca\u00e7\u00e3o da Assembleia Nacional Constituinte.\n\nD. Pedro n\u00e3o estava no Rio de Janeiro. Ele tinha ido a SP. Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio envio um correio para levar esta carta a D. Pedro. Junto ele mandou uma carta, na qual dizia Ter chegado a hora da ruptura definitiva. \u00c1s 16:30 do dia 7 de setembro de 1822 o correio alcan\u00e7ou D. Pedro nas margens do Rio Ipiranga.\n\nEntregou-lhes as cartas, ele as leu. Sabia que o Brasil esperava dele uma atitude.\n\n<strong>Puxou a espada e reproduziu em voz alta aquilo que o povo j\u00e1 falava pelas ruas:\u00a0<\/strong>Independ\u00eancia ou morte.\n\nEste epis\u00f3dio passou a ser o marco da nossa independ\u00eancia.\n\n<strong>Fonte:<\/strong>\u00a0www.brazil.org.za\/www.redeensino.hpg.com.br\/educaterra.terra.com.br\/escolavesper.com.br\/UFGNet\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>7 de Setembro &#8211; Dia da Independ\u00eancia do Brasil<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":9792,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[54],"tags":[],"class_list":["post-20594","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia-do-brasil"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Independ\u00eancia do Brasil - 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