{"id":20539,"date":"2015-12-21T00:00:00","date_gmt":"2015-12-21T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/centenario-do-14-bis-3\/"},"modified":"2026-09-01T15:32:25","modified_gmt":"2026-09-01T15:32:25","slug":"centenario-do-14-bis-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-do-brasil\/centenario-do-14-bis-3\/","title":{"rendered":"Centen\u00e1rio do 14 Bis"},"content":{"rendered":"\n&nbsp;\n\n<strong>SANTOS DUMONT \u2013 UM BRASILEIRO<\/strong>\n\nComo a maior parte do povo do Brasil, Alberto\u00a0<strong>Santos Dumont<\/strong>\u00a0(1873-1932) era descendente de imigrantes. Um brasileiro t\u00edpico.\n\nEra neto de franceses, por parte de pai, e bisneto de portugueses, por parte de m\u00e3e.\n\nSempre evidenciou o seu orgulho de ser brasileiro. Considerava serem m\u00e9rito do Brasil as suas conquistas \u00edmpares para a humanidade.\n\n<b>A primazia do Voo\u00a0aut\u00f4nomo<\/b>\n\nA principal conquista de\u00a0<strong>Santos Dumont<\/strong>\u00a0foi ser o primeiro homem no mundo a voar em aparelho mais pesado que o ar utilizando unicamente os recursos do pr\u00f3prio aparelho, sem aux\u00edlios externos.\n\n<b>Foi o primeiro a construir e pilotar avi\u00e3o que, usando apenas os meios de bordo, cumpriu todos os requisitos b\u00e1sicos de voo:<\/b>\u00a0t\u00e1xi, decolagem, voo nivelado e pouso.\n\nAl\u00e9m disso, foi o primeiro que isso demonstrou em p\u00fablico. Seu voo pioneiro contou com o testemunho de multid\u00e3o, a filmagem por companhia cinematogr\u00e1fica e o reconhecimento e a homologa\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os oficiais de avia\u00e7\u00e3o da \u00e9poca, LA\u00e9ro-Club de France e F\u00e9d\u00e9ration A\u00e9ronautique Internationale -FAI.\n\nO voo hist\u00f3rico aconteceu h\u00e1 cem anos, em 23 de outubro de 1906, com o 14-bis, em Bagatelle, Paris, Fran\u00e7a.\n\n<strong>14-bis<\/strong>\n\n<strong>DIMENS\u00d5ES E DETALHES<\/strong>\n\n<strong>Por que esse nome estranho?<\/strong>\n\nEssa denomina\u00e7\u00e3o adveio do fato de Santos Dumont, na 1\u00aa fase do desenvolvimento, ensaiar o novo aparelho acoplando-o ao seu bal\u00e3o-dirig\u00edvel n\u00ba 14.\n\n<strong>Como era o 14-bis?<\/strong>\n\n<strong>Seguem alguns dados t\u00e9cnicos sobre o hist\u00f3rico aparelho:<\/strong>\n<blockquote><strong>Envergadura:\u00a0<\/strong>12 m;<strong>\nComprimento:\u00a0<\/strong>10 m;<strong>\nAltura:<\/strong>\u00a04,80 m;<strong>\nSuperf\u00edcie das asas:<\/strong>\u00a080 m\u00b2;<strong>\nCorda (largura) das asas:\u00a0<\/strong>2,5 m;<strong>\nSepara\u00e7\u00e3o entre os dois planos das asas:\u00a0<\/strong>1,5 m;<strong>\nConjunto estabilizador\/profundor\/leme de dire\u00e7\u00e3o (simplificadamente, \u201clemes\u201d):\u00a0<\/strong>3 m de largura, 2 m de comprimento e 1,5 m de altura;\n<strong>Articula\u00e7\u00e3o dos \u201clemes\u201d\u00a0<\/strong>a 8 m da nacele;<strong>\nDist\u00e2ncia lateral entre as rodas:\u00a0<\/strong>0,70 m;<strong>\nH\u00e9lice\u00a0<\/strong>de 2 p\u00e1s, peso de 8 kg, com 2,5 m de di\u00e2metro;<strong>\nPeso total do avi\u00e3o:<\/strong>\u00a0160 kg, n\u00e3o considerando o peso de Santos Dumont (50 kg).<\/blockquote>\nAs asas eram formadas por seis \u201cc\u00e9lulas de Hargrave\u201d. Cada c\u00e9lula tinha a forma de cubo com duas faces vazadas. Os \u201clemes\u201d compunham uma \u201cc\u00e9lula de Hargrave\u201d.\n\nTodas as superf\u00edcies do 14-bis eram de seda japonesa; as arma\u00e7\u00f5es, de bambu e pinho; as jun\u00e7\u00f5es da estrutura e as h\u00e9lices, de alum\u00ednio; e os cabos-de-comando, de a\u00e7o.\n\n<strong>\u201cO 14-bis VOAVA DE COSTAS?\u201d<\/strong>\n\nN\u00e3o. A forma do 14-bis, a qual veio a ser batizada em avia\u00e7\u00e3o como \u201ccanard\u201d (pato, em franc\u00eas), d\u00e1 essa impress\u00e3o, por apresentar os lemes na parte dianteira do avi\u00e3o. Ela, ressalta-se, foi bem escolhida por Santos Dumont para vencer o desafio de al\u00e7ar v\u00f4o.\n\nComo a inten\u00e7\u00e3o principal de Santos Dumont naquela fase era o 14-bis conseguir sair do ch\u00e3o e sustentar-se no ar, o ideal era obter o m\u00e1ximo de sustenta\u00e7\u00e3o positiva (para cima), tanto na asa como no conjunto estabilizador\/profundor (\u201cleme horizontal\u201d). A configura\u00e7\u00e3o \u201ccanard\u201d propicia isso na decolagem. (<strong>OBS:\u00a0<\/strong>\u201csustenta\u00e7\u00e3o\u201d significa a resultante das for\u00e7as aerodin\u00e2micas sobre uma superf\u00edcie).\n\nSe\u00a0<strong>Santos Dumont<\/strong>\u00a0optasse por colocar o citado conjunto na traseira da fuselagem (como hoje \u00e9 usual), haveria a necessidade de o leme horizontal ter sustenta\u00e7\u00e3o negativa (para baixo) para fazer o avi\u00e3o \u201ccabrar\u201d (levantar o nariz) na decolagem. Desse modo, a soma das sustenta\u00e7\u00f5es, a da asa e a do leme, seria menor do que a resultante obtida quando as duas referidas sustenta\u00e7\u00f5es apontam para cima, como era o caso na configura\u00e7\u00e3o \u201ccanard\u201d e, portanto, decolagem do 14-bis.\n\nAssim, foi inteligentemente definida por Santos Dumont a forma do 14-bis para aquele desafio de voar.\n\nContudo, a configura\u00e7\u00e3o \u201ccanard\u201d n\u00e3o \u00e9 a melhor para a estabilidade e o controle de um aeroplano, sendo por isso menos usada posteriormente. Nos seus inventos seguintes, como os avi\u00f5es n\u00ba 15 e Demoiselle, Santos Dumont n\u00e3o mais usou aquela configura\u00e7\u00e3o.\n\n<strong>V\u00d4OS do 14-bis<\/strong>\n<p class=\"imagem\"><img decoding=\"async\" title=\"Centen\u00e1rio do 14 Bis\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ccenten3.jpg\" alt=\"Centen\u00e1rio do 14 Bis\" \/>\n<strong>Santos Dumont &#8211; 14-bis<\/strong><\/p>\nOs Pr\u00eamios Archdeacon e do Aeroclube de Fran\u00e7a, noticiados desde mar\u00e7o de 1904, estimularam os inventores do mundo para a realiza\u00e7\u00e3o do primeiro voo aut\u00f4nomo de mais de 25 m com aparelho mais pesado que o ar. Era a primeira etapa. O pr\u00eamio completo veio a compreender um voo de um quil\u00f4metro em circuito fechado.\n\n<strong>Santos Dumont<\/strong>, que at\u00e9 ent\u00e3o se destacara com os \u201cmais leves que o ar\u201d (bal\u00f5es livres e bal\u00f5es-dirig\u00edveis), aceitou o desafio e em 02\/01\/1906 se inscreveu na competi\u00e7\u00e3o. Segundo a imprensa da \u00e9poca, ele inicialmente pensava em competir com o seu projeto n\u00ba 12, um helic\u00f3ptero com duas h\u00e9lices, que n\u00e3o chegou a voar.\n\nEm 18\/07\/1906, concluiu o 14-bis, cuja concep\u00e7\u00e3o e desenvolvimento estava sendo por ele maturada sem publicidade h\u00e1 algum tempo. Em 23 de julho, ensaiou em p\u00fablico, em Bois de Boulogne, Paris, o novo avi\u00e3o preso ao bal\u00e3o-dirig\u00edvel n\u00ba 14. Em seguida, experimentou-o deslizando em um cabo inclinado, sendo o 14-bis levado at\u00e9 a parte mais alta do cabo puxado por um burrico. A partir de 21 de agosto, passou a experimentar o aeroplano separado do dirig\u00edvel e fora do cabo, em campo aberto.\n\nO 14-bis estava, inicialmente, equipado com um motor de apenas 24 Hp, a gasolina, tipo Antoinette, com 8 cilindros (4\u00d74, em \u201cV\u201d), constru\u00eddo por Le\u00f3n Levavasseur. Santos Dumont percebeu estar o avi\u00e3o submotorizado.\n\n<strong>V\u00d4OS do 14-bis EM SETEMBRO DE 1906<\/strong>\n\nNo m\u00eas seguinte, em setembro do mesmo ano de 1906, Santos Dumont utilizou no 14-bis o mesmo motor Antoinette, por\u00e9m por ele aperfei\u00e7oado, com menos peso (total de 72 kg) e um carburador (de carro Fiat), alcan\u00e7ando 50 Hp. A h\u00e9lice girava a 1500 rpm.\n\n<strong>Naquele m\u00eas, ocorreram os seguintes ensaios, no Campo de Bagatelle, Paris:<\/strong>\n<blockquote><strong>07\/09\/1906(17h00):\u00a0<\/strong>tentativa de voo de Santos Dumont, no anivers\u00e1rio da Independ\u00eancia do Brasil. O 14-bis realizou apenas um salto de 2 m;<strong>\n13\/09\/1906(08h20):\u00a0<\/strong>voou a dist\u00e2ncia de 7,8 m; \u00e0 altura de menos de 1 m. Esse voo, para alguns, tamb\u00e9m foi somente um pulo. N\u00e3o conquistou nenhum pr\u00eamio (para isso, o voo deveria ser de mais de 25 m). Contudo, ata do Aeroclube da Fran\u00e7a de 13\/09\/1906 e o jornal LIllustration de 22\/09\/1906 se referiram a esse feito do 14-bis, e a essa data, como o primeiro voo aut\u00f4nomo no mundo de aparelho mais pesado que o ar.<\/blockquote>\n<strong>V\u00d4O do 14-bis EM 23 de OUTUBRO DE 1906<\/strong>\n\n<strong>Conquista do Pr\u00eamio \u201cArchdeacon\u201d<\/strong>\n\nEsse dia veio a ser de grande significado para a humanidade.\n\nEm 23\/10\/1906 (16h25),ap\u00f3s corrida no solo de 200 m,o 14-bis voou a dist\u00e2ncia de 60 m, \u00e0 altura de 2 a 3 m, em 7 segundos (s).\n\nSantos Dumont conquistou, com esse voo, o pr\u00eamio estabelecido pelo capitalista franc\u00eas Ernest Archdeacon ao \u201cprimeiro aviador que conseguisse voar dist\u00e2ncia de 25 m com \u00e2ngulo m\u00e1ximo de desnivelamento de 25 %\u201d.\n\nA not\u00edcia rapidamente espalhou-se e foi muito publicada nos jornais do planeta.\n\n<strong>Por exemplo, o \u201cThe Illustrated London News\u201d, de Londres, em 03\/11\/1906, publicou:<\/strong>\u00a0\u201cThe first flight of a machine heavier than air: Mr. Santos Dumont winning the Archdeacon Prize\u201d. Na mesma ocasi\u00e3o, o norte-americano Gordon Bennet, fundador e propriet\u00e1rio do famoso \u201cNew York Herald\u201d, escreveu no seu jornal sobre a fa\u00e7anha de Santos Dumont: \u201cThe first Human mechanical flight\u201d.\n\nAssim tamb\u00e9m foram as manchetes de v\u00e1rios outros grandes jornais em todo o mundo.\n\nAl\u00e9m do Aeroclube da Fran\u00e7a, a Federa\u00e7\u00e3o Aeron\u00e1utica Internacional (FAI) reconheceu a conquista do pr\u00eamio, pois o 14-bis voara muito mais do que o limite m\u00ednimo de 25 m. Todavia, aquele voo de 60 m em 23\/10\/1906 n\u00e3o teve todas as precisas medi\u00e7\u00f5es pela FAI para formal homologa\u00e7\u00e3o de recorde, a qual veio a ocorrer em outra experi\u00eancia duas semanas ap\u00f3s, em 12 de novembro de 1906.\n\n<strong>V\u00d4O do 14-bis em 12 DE NOVEMBRO DE 1906:<\/strong>\n\n<strong>A Conquista do Pr\u00eamio Aeroclube da Fran\u00e7a e do PRIMEIRO RECORDE OFICIAL DE AVIA\u00c7\u00c3O<\/strong>\n\nO Pr\u00eamio do Aeroclube da Fran\u00e7a, de 1500 francos foi destinado ao primeiro homem no mundo que realizasse, com os pr\u00f3prios meios do aparelho, voo de mais de 100 m de dist\u00e2ncia com \u00e2ngulo m\u00e1ximo de desnivelamento de 10 graus.\n\nVinte dias ap\u00f3s o seu grande feito de 23 de outubro, Santos Dumont prosseguiu em 12 de novembro na tentativa de tamb\u00e9m vencer aquele desafio lan\u00e7ado pelo Aeroclube da Fran\u00e7a.\n\nO 14-bis, nessa data, apareceu aperfei\u00e7oado com a novidade tecnol\u00f3gica \u201cailerons\u201d, superf\u00edcies m\u00f3veis colocadas nas asas, uma em cada lado, para melhorar o controle lateral do avi\u00e3o (em \u201crolamento\u201d).\n\n<strong>Registram-se as cinco tentativas de Santos Dumont naquele dia:<\/strong>\n<blockquote><strong>10h00:<\/strong>\u00a0na primeira experi\u00eancia, o 14-bis voou por 5 segundos a dist\u00e2ncia de 40 m, a 40 cm de altura, h\u00e9lice a 900 rpm;<strong>\n10h25:<\/strong>\u00a0realizou dois voos em uma mesma corrida, um de 40 m e outro de 60 m.<strong>\n16h09:\u00a0<\/strong>voo de 50 m;<\/blockquote>\n<b>Pouco ap\u00f3s o voo\u00a0anterior:<\/b>\n<blockquote>Voou 82,6 m, em 7 s e 1\/5, \u00e0 velocidade m\u00e9dia de 41,292km\/h;<strong>\n16h25:\u00a0<\/strong>diferentemente de todos os voos anteriores, Santos Dumont decolou contra o vento. O 14-bis voou a dist\u00e2ncia de 220 m, \u00e0 altura de 6 m;<strong>\nDura\u00e7\u00e3o:<\/strong>\u00a021 s e 1\/5; velocidade m\u00e9dia de 37,4 km\/h.<\/blockquote>\nSantos Dumont conquistou, com esse voo de 220 m, o pr\u00eamio do Aeroclube da Fran\u00e7a, a ser concedido ao \u201cprimeiro aeroplano que, levantando-se por si mesmo, voasse dist\u00e2ncia de 100 m com desnivelamento m\u00e1ximo de 10 %\u201d.\n\nAquele \u00faltimo voo de 12 de novembro foi mais alto do que os anteriores, a 6m de altura, com ligeira curva \u00e0 direita.\n\nO pr\u00f3prio Santos Dumont escreveu que o voo foi assim mais alto e n\u00e3o foi mais longo por conta da multid\u00e3o que, ovacionando-o, correu perigosamente para perto do aparelho, obrigando o piloto a reduzir o motor e ao r\u00e1pido pouso. A aterrisagem ocorreu com a asa direita tocando levemente o solo antes de o trem-de-pouso toc\u00e1-lo, sem maiores danos para o avi\u00e3o.\n\n<strong>A CONQUISTA dos primeiros recordes da avia\u00e7\u00e3o mundial<\/strong>\n\nO voo de 220 m foi homologado pela Federa\u00e7\u00e3o Aeron\u00e1utica Internacional (FAI) como o primeiro recorde mundial de avia\u00e7\u00e3o. Recorde mundial de dist\u00e2ncia de voo, sem escala, de aparelho mais pesado que o ar.\n\nA FAI tamb\u00e9m considera o pen\u00faltimo voo do 14-bis naquela data como o primeiro recorde mundial de velocidade em voo, 41,292 km\/h.\n\nA revista norte-americana \u201cNational Aeronautics\u201d (n\u00ba 12, volume 17, de 1939), org\u00e3o oficial da \u201cNational Aeronautics Association\u201d sediada em Washington-EUA, tamb\u00e9m registrou aquele voo de 220 m de Santos Dumont como o primeiro recorde de avia\u00e7\u00e3o do mundo. A revista descreveu os posteriores recordes de dist\u00e2ncia de v\u00f4o. Somente em oitavo lugar aponta o recorde de Wilbur Wright, dois anos ap\u00f3s, em 21\/09\/1908, na Fran\u00e7a, comentado em outro t\u00f3pico deste texto, a seguir.\n\n<strong>Quebra dos recordes de Santos Dumont<\/strong>\n\nOs recordes de Santos Dumont alcan\u00e7ados em 12\/11\/1906 foram suplantados por outros somente um ano depois.\n\nO recorde de velocidade foi superado em 24\/10\/1907 pelo franc\u00eas Henri Farman (avi\u00e3o de Gabriel Voisin), com 52,7 km\/h. Com o mesmo avi\u00e3o, dois dias ap\u00f3s, H. Farman voou 771 m em 52 s, superando pela primeira vez o recorde de dist\u00e2ncia de Santos Dumont. Em 13\/01\/1908, Farman, com um biplano Voisin, conquistou o \u201cPr\u00eamio Deutsch-Archdeacon\u201d (50.000 francos) estabelecido em 1904, ao voar mais de um quil\u00f4metro em circuito fechado em Issy-les-Molineaux, sudoeste de Paris.\n\nPosteriormente, 22 meses depois dos recordes pioneiros de Santos Dumont e 9 meses ap\u00f3s a conquista do pr\u00eamio Deutsch-Archdeacon por Farman, o p\u00fablico e as comiss\u00f5es oficiais viram, pela primeira vez, nos Estados Unidos e na Europa, v\u00f4o dos irm\u00e3os Wright.\n\n<strong>1907 \u2013 \u00daLTIMO V\u00d4O DO 14-bis<\/strong>\n\nAp\u00f3s os hist\u00f3ricos voos de 23 de outubro e de 12 de novembro de 1906, Santos Dumont ainda realizou outros pequenos voos com o 14-bis. Cinco meses depois, encerrou os ensaios com o famoso aparelho. Em 4 de abril de 1907, no campo da Escola Militar, em Saint Cyr, Paris, depois de voo da ordem de 30 m, pousou bruscamente, tocando com a asa esquerda no solo e danificando definitivamente o famoso avi\u00e3o.\n\nUma semana antes, 27 de mar\u00e7o, Santos Dumont j\u00e1 havia sofrido no mesmo local outro s\u00e9rio acidente com o seu novo projeto de biplano, o n\u00ba 15, equipado com motor de 100 HP, asas de madeira compensada e leme de dire\u00e7\u00e3o na cauda, configura\u00e7\u00e3o n\u00e3o mais \u201ccanard\u201d. Esse novo avi\u00e3o n\u00e3o voou. Foi destru\u00eddo em uma tentativa de decolagem.\n<h4>O REVOLUCION\u00c1RIO AVI\u00c3O \u201cDEMOISELLE\u201d<\/h4>\nSantos Dumont n\u00e3o esmorecia. Continuou em 1907 apresentando ao mundo novos inventos. O de n\u00ba 16 foi uma mistura de avi\u00e3o e dirig\u00edvel. O de n\u00ba 17 foi um aperfei\u00e7oamento sem sucesso do acidentado n\u00ba 15.\n\nO projeto n\u00ba 18 foi um deslizador aqu\u00e1tico; grosso modo um hidroavi\u00e3o sem as asas. Uma inven\u00e7\u00e3o genial foi o modelo de n\u00ba 19.\n\nEm 16 de novembro de 1907, em Bagatelle, apenas sete meses depois do \u00faltimo voo do 14-bis, Santos Dumont j\u00e1 fazia o v\u00f4o inaugural (200 m) do seu revolucion\u00e1rio n\u00ba 19, o \u201cDemoiselle\u201d, min\u00fasculo, simples e leve.\n\nO Demoiselle tinha \u00e1rea alar de 10 m\u00b2 (oito vezes menor que a do 14-bis), envergadura de \u00ednfimos 5,60 m e pesava somente 60 kg (68 kg nos modelos n\u00ba 21 e 22), quase 1\/3 do peso do j\u00e1 lev\u00edssimo<strong>\u00a014-bis.<\/strong>\n\nEra avi\u00e3o muito avan\u00e7ado, de alto desempenho, veloz e extremamente simples e compacto. Decolava em pista de somente 70 m.\n\nNos diversos modelos de Demoiselle desenvolvidos de 1907 a 1909, modelos n\u00ba 19, 20, 21 e 22, Santos Dumont foi introduzindo aperfei\u00e7oamentos e inova\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas. Neles, utilizou motores de 20 a 35 Hp.\n\nCom o modelo \u201cDemoiselle n\u00ba 22\u201d, estreado em Issy em 06\/03\/1909, Santos Dumont voou, em 06\/04\/1909, a dist\u00e2ncia de 3 km.\n\n<strong>Em 13\/09\/1909, voou 8 km em cinco minutos, alcan\u00e7ando velocidade impressionante para a \u00e9poca:<\/strong>\u00a096 km\/h. Chegou a realizar voos de at\u00e9 18 km de dist\u00e2ncia, como o ocorrido em 17\/09\/1909. Na v\u00e9spera, 16 de setembro, havia estabelecido um recorde mundial, ao decolar ap\u00f3s uma curta corrida de apenas 70m, em 6 segundos.\n\nNo dia seguinte, em 18\/09\/1909, aos 36 anos de idade, ap\u00f3s 12 anos de intensos, ininterruptos, perigosos e estressantes trabalhos, Santos Dumont realizou o seu \u00faltimo voo como piloto. Em Saint Cyr, Paris, sobrevoou o p\u00fablico com os dois bra\u00e7os abertos e fora dos comandos, um len\u00e7o em cada m\u00e3o. Soltou os len\u00e7os em voo, aplaudido. Foi a sua despedida.\n\nSantos Dumont colocou esse modelo de avi\u00e3o \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o p\u00fablica, com todos os detalhes e especifica\u00e7\u00f5es, para livre reprodu\u00e7\u00e3o, sem nenhum direito comercial para o seu inventor.\n\nO\u00a0<strong>Demoiselle\u00a0<\/strong>foi o primeiro avi\u00e3o fabricado em s\u00e9rie no mundo. No final de 1909, mais de 40 j\u00e1 haviam sido constru\u00eddos e vendidos (ao pre\u00e7o de 5.000 a 7.500 francos, valor na \u00e9poca de autom\u00f3vel de tamanho m\u00e9dio).\n\nAlguns livros registram j\u00e1 terem sido at\u00e9 hoje constru\u00eddos mais de 300 Demoiselles, e com a surpreendente marca de n\u00e3o ter ocorrido com o modelo um s\u00f3 acidente fatal.\n\n<strong>OS PRIMEIROS MONUMENTOS EM HOMENAGEM A SANTOS DUMONT<\/strong>\n\n<strong>Em 1910, com a presen\u00e7a de Santos Dumont, foi inaugurado em Bagatelle, Paris, por iniciativa do Aeroclube da Fran\u00e7a,o marco de granito de 3 m de altura o qual assinala os primeiros recordes de avia\u00e7\u00e3o do mundo estabelecidos por Santos Dumont<\/strong>: \u201cIci, le 12 novembre 1906, sous le controle de LAero-Clube de France, Santos Dumont a etabli les premiers recordes daviation du monde: dur\u00e9e 21 s 1\/5; distance 220 m\u201d.\n\n<strong>Tr\u00eas anos depois, em 19\/10\/1913, foi inaugurado em Saint-Cloud, Paris, na pra\u00e7a batizada \u201cSantos Dumont\u201d, o monumento conhecido como \u201c\u00cdcaro de Saint-Cloud\u201d, com os dizeres:<\/strong>\u00a0\u201cEste monumento foi erigido pelo Aeroclube da Fran\u00e7a para comemorar as experi\u00eancias de Santos Dumont, pioneiro da locomo\u00e7\u00e3o a\u00e9rea. 19 de outubro de 1901 e 23 de outubro de 1906\u201d.\n\nFoi a primeira vez que Paris homenageou algu\u00e9m em vida com um monumento.\n\n<strong>Santos Dumont<\/strong>\u00a0assistiu ao ato muito emocionado, n\u00e3o conseguindo concluir o seu discurso. Uma r\u00e9plica do monumento, presenteada pela Fran\u00e7a, repousa sobre o seu t\u00famulo, no cemit\u00e9rio S\u00e3o Jo\u00e3o Batista, Botafogo, Rio de Janeiro.\n\n<b>A Primazia de Santos Dumont\u00a0e os Irm\u00e3os Wright<\/b>\n\nOs\u00a0<strong>irm\u00e3os Wright\u00a0<\/strong>conseguiram em 21\/09\/1908, em Anvours (Fran\u00e7a), voar publicamente e at\u00e9 superar em muito as marcas de Santos Dumont com o 14-bis.\n\nPor\u00e9m, isso ocorreu dois anos ap\u00f3s Santos Dumont j\u00e1 ter conquistado os primeiros recordes aeron\u00e1uticos oficiais do mundo. Em 1908, o nosso pioneiro j\u00e1 voava h\u00e1 um ano o seu genial e avan\u00e7ado Demoiselle, e a avia\u00e7\u00e3o j\u00e1 demonstrava progresso acelerado em v\u00e1rias partes do mundo.\n\nAinda mais, o avi\u00e3o \u201cFlyer\u201d dos Wright voado na Fran\u00e7a ainda dependia de lan\u00e7amento por grande catapulta, de vento forte e de trilho em ladeira para poder decolar.\n\nO trilho poderia ficar na horizontal se houvesse vento frontal superior a 36 km\/h, explicou a institui\u00e7\u00e3o norte-americana \u201cNational Aeronautics Council\u201d (livro de N. H. Randers-Pehrson, p\u00e1g. 35, Biblioteca do Congresso, EUA, 1944).\n\n<strong>O que era a catapulta?<\/strong>\n\nEra uma grande estrutura que, por meio de queda de 5 m de altura de um grande peso de mais de 300 kg, tracionava violentamente o avi\u00e3o sobre um trilho e, assim, o lan\u00e7ava no ar em decolagem.\n\nEssa depend\u00eancia da catapulta perdurou at\u00e9 1910.\n\n<strong>Anatole France publicou em 1909:<\/strong>\u00a0\u201cWright d\u00e9tient le record de la distance, seul ou \u00e0 deux. Il ne s?est point encore envol\u00e9 par ses propres moyens\u201d (Whright det\u00e9m o recorde de dist\u00e2ncia, s\u00f3 e em dupla.\n\nEle ainda n\u00e3o voou por seus pr\u00f3prios meios).\n\nNa pr\u00e1tica, o \u201cFlyer\u201d era muito bom planador e um avi\u00e3o com insuficiente motoriza\u00e7\u00e3o para decolar sem aux\u00edlio externo.\n\nAquele v\u00f4o dos irm\u00e3os Wright comprovado em p\u00fablico em Anvours foi realizado com o \u201cFlyer\u201d diferente do que teria sido o \u201cFlyer 1\u201d de 1903.\n\nOs irm\u00e3os Wright noticiaram que at\u00e9 ent\u00e3o utilizavam motor desenvolvido por eles, que pesava 109 kg e alcan\u00e7ava apenas 12 Hp (16 Hp m\u00e1ximos, por alguns instantes).\n\nDiferentes registros da \u00e9poca apontam que o novo motor do \u201cFlyer 3\u201d, voado em 1908, desenvolvia at\u00e9 50 Hp. Aquela vers\u00e3o mais potente de motor surgira t\u00e3o logo os Wright foram a Fran\u00e7a, no final de 1907. A \u201cSoci\u00e9t\u00e9 Fran\u00e7aise Bariquand et Marre\u201d (oficina na rua Oberkampf em Paris) modificou o motor original, principalmente o sistema de igni\u00e7\u00e3o, elevando a sua pot\u00eancia para mais de 30 Hp. Em tr\u00eas meses, o novo motor \u201cBariquand et Marre\u201d foi redesenhado, constru\u00eddo e ensaiado, permitindo os v\u00f4os do Flyer em setembro de 1908.\n\nMesmo assim, os irm\u00e3os Wright diziam terem realizado sigilosamente o primeiro v\u00f4o de avi\u00e3o no mundo cinco anos antes, com o \u201cFlyer 1\u201d, em 17\/12\/1903.\n\nDisseram que tal avi\u00e3o n\u00e3o foi mostrado a terceiros, nem poderia, pois teria sido completamente destru\u00eddo logo ap\u00f3s o alegado voo secreto de dezembro de 1903. Somente em 1908, apresentaram alguns supostos restos do \u201cFlyer 1\u201d de 1903 e, como respaldo, o nome de cinco testemunhas das redondezas de Kitty Hawk, algumas delas seus contratados. Est\u00e1 no museu Smithsonian (Washington-EUA) o resultado da reconstru\u00e7\u00e3o imaginada sobre aqueles hipot\u00e9ticos peda\u00e7os do \u201cFlyer 1\u201d.\n\nAs \u201cprovas\u201d dos voos que teriam sido feitos desde 1903 foram apresentadas pelos<strong>\u00a0irm\u00e3os Wright<\/strong>\u00a0extemporaneamente.\n\n<strong>Somente em 1908 mostraram:<\/strong>\u00a0uma foto sem data do Flyer (sem rodas, a alguns palmos de altura sobre o trilho lan\u00e7ador); o di\u00e1rio deles, onde diziam terem voado \u201cn\u201d metros por \u201ct\u201d segundos nas datas \u201cx\u201d, \u201cy\u201d, \u201cz\u201d; e um telegrama passado por eles mesmos ao pai \u201cQuinta-feira, de manh\u00e3, tivemos sucesso em quatro v\u00f4os, gra\u00e7as a ventos de 40 km\/h\u201d.\n\nEssas \u201cevid\u00eancias\u201d eram consideradas insubsistentes pelos \u00f3rg\u00e3os oficiais de avia\u00e7\u00e3o e pela imprensa em geral, inclusive a norte-americana, que ent\u00e3o divulgava a primazia de Santos Dumont desde 1906.\n\nA suspeita de embuste dos Wright era generalizada.\n\n<strong>Por exemplo, o \u201cIllustration\u201d, de Paris, em 6 de julho de 1908, publicou:<\/strong>\u00a0\u201cCe document est une \u00e9preuve sur papier photografique. Mais est-ce une photografie Laspect est bien equivoque et on y remarque tous les caract\u00e9res dun truc\u201d.\n\nEspecialistas em engenharia aeron\u00e1utica calculam que, mesmo com toda a atual tecnologia, seria imposs\u00edvel, com a pot\u00eancia de somente 12 Hp a 16 Hp, fazer decolar o \u201cFlyer 1\u201d, que pesava 340 kg de acordo com os dados fornecidos pelos Wright.\n\nUm detalhe intrigante. \u00c9 incompreens\u00edvel os Wright n\u00e3o se terem interessado por competir pelo grande pr\u00eamio oferecido na Exposi\u00e7\u00e3o de Saint Louis-EUA, em 1904, para quem realizasse voo com aparelho mais pesado que o ar. Eles j\u00e1 estariam voando h\u00e1 um ano, e St. Louis era relativamente pr\u00f3xima de Dayton, n\u00e3o era t\u00e3o distante como a Fran\u00e7a (a 10.000 km) onde eles foram pela primeira vez demonstrar voo quatro anos mais tarde (1908) sob a atra\u00e7\u00e3o de pr\u00eamio de valor id\u00eantico ao oferecido nos EUA em 1904.\n\nA imprensa norte-americana havia sido acionada pelos dois irm\u00e3os para uma demonstra\u00e7\u00e3o em abril de 1904. Por\u00e9m, ap\u00f3s cinco dias de tentativas, o que os rep\u00f3rteres viram os fez descrer da capacidade de voo do Flyer. Em 1905, a imprensa foi novamente convidada \u00e0 fazenda \u201cd Huffman Prairie\u201d, Dayton. Contudo, como nada aconteceu de interessante, os jornalistas apenas publicaram coment\u00e1rios muito sucintos (segundo o livro \u201cChronique de l\u2019Aviation\u201d, de Edouard Chemel, p\u00e1g. 39, Editora Jacques Legrand, Paris, 1991).\n\nO pr\u00f3prio War Departement dos EUA ainda n\u00e3o dava cr\u00e9dito em 1905, por falta de provas, s alega\u00e7\u00f5es dos Wright.\n\nAs poucas not\u00edcias que surgiram naquela \u00e9poca em jornais e revistas norte-americanas e europ\u00e9ias foram decorrentes de mat\u00e9rias enviadas pelos pr\u00f3prios Wright. Por exemplo, a revista \u201cAerophile\u201d publicou relat\u00f3rio por eles enviado a Gerge Besancon. Igualmente, enviaram em outubro de 1905 relatos dos seus v\u00f4os para a Royal Aeronautical Society (a Patrick Alexander) e para o correspondente americano da revista \u201cIllustrierte Aeronautische Mitteilungen\u201d. Esses relatos dos Wright foram publicados e muito comentados.\n\nTodavia, n\u00e3o h\u00e1 registro de algum vizinho dos Wright, ou de qualquer dos transeuntes da estrada pr\u00f3xima de intenso movimento, que ligava Springfield a Dayton, ter visto ao menos um dentre as centenas de voos que eles afirmaram ter realizado de 1903 a 1908. Nem uma \u00fanica reportagem comprovando aqueles voos havia sido, at\u00e9 1908, publicada pela perspicaz, eficiente e j\u00e1 mundialmente atuante imprensa norte-americana. Nem mesmo em Kitty Hawk, North Carolina, e em Dayton, Ohio, onde eles teriam realizado os alegados pioneiros, surpreendentes, fant\u00e1sticos e longos voos. Caso houvesse cr\u00e9dito sobre a realiza\u00e7\u00e3o dos aludidos voos, eles teriam merecido, inevit\u00e1vel e imediatamente, gigantescas manchetes nos jornais dos EUA e do mundo inteiro.\n\nUma das poucas testemunhas citadas, o telegrafista Alpheus W. Drinkwater, que trabalhava na esta\u00e7\u00e3o do local dos supostos voos dos Wrights, e que expediu o j\u00e1 citado telegrama dos dois irm\u00e3os para o pai em 17\/12\/1903, declarou que, naquela data, os Wright apenas planaram e que o primeiro v\u00f4o somente aconteceu em 06\/05\/1908, isto \u00e9, cinco anos depois (entrevista publicada no \u201cThe New lorque Times de 17\/12\/1951, na data de comemora\u00e7\u00e3o do cinquenten\u00e1rio do suposto voo pioneiro).\n\nEm 12 de mar\u00e7o daquele ano de 1908, aconteceu em Hammondsport-New York-EUA o voo que foi na \u00e9poca considerado nos Estados Unidos como o primeiro voo oficial realizado naquele pa\u00eds de um aparelho mais pesado que o ar. Foi com o aparelho \u201cRed Wing\u201d da \u201cLAerial Experiment Association\u201d de Graham Bell, projetado por Selfridge, pilotado por Casey Baldwin sobre o lago Keuka congelado. Foi um v\u00f4o de 97,3 metros confirmado por 25 testemunhas oficiais. Os irm\u00e3os Wright, que ent\u00e3o muito divulgavam seus v\u00f4os, mas n\u00e3o demostravam, haviam se recusado a participar do desafio lan\u00e7ado pelo jornal \u201cScientific American\u201d porque as regras estipulavam que o aparelho deveria decolar sem aux\u00edlio externo (\u201cChronique de l?Aviation\u201d, de Edouard Chemel, p\u00e1gs. 54 e 57, Editora Jacques Legrand, Paris, 1991).\n\nO\u00a0<b>primeiro voo\u00a0dos Wright<\/b>\u00a0realmente testemunhado nos EUA foi em 4 de setembro de 1908 (Fort Myer, Virginia).\n\nO fotos e filmes desse voo em Fort Myer ainda hoje s\u00e3o muitas vezes repetidos nas televis\u00f5es do mundo como sendo do suposto primeiro voo de 1903.\n\n<strong>Centen\u00e1rio do 14 Bis &#8211; Irm\u00e3os Wright<\/strong>\n\nCuriosamente, sem reivindicar o pioneirismo, por muitos anos eles acompanharam em sil\u00eancio os retumbantes feitos de Santos Dumont em 1906, fartamente publicados como os primeiros voos do mundo tamb\u00e9m na imprensa norte-americana. Pediram, todavia, ao seu correspondente na Fran\u00e7a (Cap Ferber) detalhes t\u00e9cnicos do 14-bis. Esperaram de 1903 a 1908 para demonstrar em p\u00fablico algum voo. Assim mesmo, quando apareceram em 1908, fizeram grande voo somente parcial (com lan\u00e7amento no ar por catapulta), e na ocasi\u00e3o em que muitos (Santos Dumont, Farman, Bl\u00e9riot e outros) j\u00e1 realizavam voos completos, partindo do solo utilizando somente a for\u00e7a do pr\u00f3prio motor da aeronave.\n\nEstranho, tamb\u00e9m, \u00e9 terem os\u00a0<strong>irm\u00e3os Wright<\/strong>\u00a0requerido na Inglaterra, em 19\/03\/1904 (portanto, meses depois de seus alegados voos motorizados de 17\/12\/1903) patente apenas para planador, sem motor (patente n\u00ba 6.732\/1904). Da mesma forma incompreens\u00edvel, em 22\/05\/1906, tr\u00eas anos ap\u00f3s terem, diziam, desenvolvido o avi\u00e3o, os Wright obtiveram nos EUA a patente n\u00ba 821.393, mas somente para outro planador aperfei\u00e7oado!\u2026Eles nunca obtiveram patente para qualquer avi\u00e3o.\n\nObserva-se que apenas voar e pousar (sem decolar pelos pr\u00f3prios meios) n\u00e3o era novidade na \u00e9poca. Otto Lilienthal j\u00e1 o fizera com \u00eaxito na Alemanha desde 1891 com planadores.\n\nLilienthal n\u00e3o tivera sucesso com a motoriza\u00e7\u00e3o. Experimentou motor (a vapor) sem resultados positivos.\n\nO franc\u00eas Cl\u00e9ment Ader tamb\u00e9m j\u00e1 havia tentado em 1897 voar o seu \u201cavion\u201d, equipado com motor a vapor. A tentativa n\u00e3o alcan\u00e7ou sucesso, atestou relat\u00f3rio, antes secreto, que foi tornado p\u00fablico pelo Ministro da Guerra franc\u00eas (Gen Brun) ap\u00f3s pol\u00eamica sobre pioneirismo surgida com o feito de Santos Dumont. O debate fora alimentado publicamente at\u00e9 pelo General Mensier, do Ex\u00e9cito franc\u00eas, um dos membros da comiss\u00e3o que antes registrara, sigilosa e oficialmente, o insucesso da tentativa de v\u00f4o de Ader.\n\nHouve men\u00e7\u00f5es na imprensa, tamb\u00e9m, de que o romeno Trajan Vuia j\u00e1 teria voado em p\u00fablico 12 m, a 0,5 m de altura, em Montesson, perto de Paris, em 18\/03\/1906, utilizando unicamente os recursos do pr\u00f3prio aparelho. Contudo, n\u00e3o houve controle oficial, nem testemunhas ou registros cr\u00edveis para tal voo.\n\nUma grande corrente de partid\u00e1rios da primazia dos Wright baseia-se no conceito de que o Flyer 3, mesmo decolando com ajuda externa, era um avi\u00e3o \u201cmais pr\u00e1tico\u201d, mais manobr\u00e1vel e com maior autonomia do que o mais inst\u00e1vel 14-bis. Por\u00e9m, comparam o 14-bis de 1906 com o avi\u00e3o norte-americano demonstrado apenas em 1908. Omitem o fato de que, em 1907 e 1908, Santos Dumont j\u00e1 voava o seu avan\u00e7ado e genial Demoiselle.\n\nVinte cinco anos ap\u00f3s o seu alegado primeiro voo, em 1928, Orville Wright, n\u00e3o tendo ainda conseguido nos Estados Unidos o reconhecimento da sua primazia no voo do mais pesado que o ar, expediu o \u201cFlyer\u201d para o \u201cScience Museum\u201d de Londres. Somente em 17\/12\/1948, 45 anos depois, os norte-americanos, como homenagem p\u00f3stuma, passaram a expor aquele aparelho no Smithsonian Museum, em Washington (\u201cChronique de l?Aviation\u201d, de Edouard Chemel, p\u00e1g 477, Editora Jacques Legrand, Paris, 1991).\n\nO fato \u00e9 que os EUA resolveram, mais fortemente a partir dos anos quarenta, elevar os irm\u00e3os Wright \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de primazia no mundo e aquelas \u201cprovas\u201d, antes depreciadas, passaram a ser citadas como documentos hist\u00f3ricos comprovadores dos voos pioneiros. Fruto de grande esfor\u00e7o institucional e de m\u00eddia, as desacreditadas alega\u00e7\u00f5es pouco a pouco viraram \u201cfatos verdadeiros\u201d para o povo norte-americano e para muitos outros em todo o mundo.\n\nRecentemente, em 17 de dezembro de 2003, na comemora\u00e7\u00e3o oficial do centen\u00e1rio do reivindicado primeiro voo do \u201cFlyer 1\u201d, perante o presidente dos EUA e milhares de pessoas, a r\u00e9plica fiel n\u00e3o conseguiu decolar, caindo pouco ap\u00f3s o dispositivo lan\u00e7ador. Foi ent\u00e3o divulgado que aquela r\u00e9plica n\u00e3o voara porque, diferentemente, o suposto \u201cFlyer 1\u201d de 1903 decolara beneficiado por campo (e trilho) pendente com 9\u00b0 de inclina\u00e7\u00e3o e por vento frontal de 40 km\/h.\n\nEnfim, n\u00e3o se coloca em d\u00favida, neste texto, a enorme relev\u00e2ncia da participa\u00e7\u00e3o dos irm\u00e3os Wright, e de tantos outros precursores, no grande e r\u00e1pido desenvolvimento da ci\u00eancia aeron\u00e1utica acontecido naquele final do s\u00e9culo XIX e in\u00edcio do s\u00e9culo XX. Trata-se de, por justi\u00e7a, devolver a Santos Dumont o devido lugar \u00edmpar de primazia e de destaque na hist\u00f3ria.\n\n<strong>Evitando-se ampliar a desnecess\u00e1ria pol\u00eamica sobre quem fez o que primeiro, e at\u00e9 admitindo-se, hipoteticamente, a veracidade da alega\u00e7\u00e3o dos irm\u00e3os Wright, ainda assim as seguintes verdades permanecem indiscut\u00edveis:<\/strong>\n<blockquote>Santos Dumont foi o primeiro homem que comprovadamente voou aparelho mais pesado que o ar (o 14-bis) utilizando unicamente os recursos do pr\u00f3prio aparelho.\n<b>Foi o primeiro que comprovadamente cumpriu todos os requisitos b\u00e1sicos de voo\u00a0de avi\u00e3o usando apenas os meios de bordo<\/b>: t\u00e1xi, decolagem, voo nivelado e pouso.\nFoi o primeiro homem a isso demonstrar oficial e publicamente. Sua vit\u00f3ria ocorreu com o testemunho de multid\u00e3o, da imprensa, de filmagem por companhia cinematogr\u00e1fica e de comiss\u00e3o oficial previamente convocada.\nSua conquista mereceu o reconhecimento e a homologa\u00e7\u00e3o \u00feu como primeiro voo aut\u00f4nomo no mundo \u00feu pelos \u00f3rg\u00e3os oficiais de avia\u00e7\u00e3o da \u00e9poca, LA\u00e9ro-Club de France e F\u00e9d\u00e9ration A\u00e9ronautique Internationale -FAI.\nA distor\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria por motiva\u00e7\u00f5es nacionalistas, mesmo que conduzida mundial e persistentemente pela m\u00eddia, n\u00e3o poder\u00e1 apagar esses fatos hist\u00f3ricos oficialmente registrados, que certificam e glorificam os feitos pioneiros de Santos Dumont.<\/blockquote>\n<strong>2006 \u2013 CEM ANOS \u2013 O reconhecimento norte-americano da primazia de Santos Dumont<\/strong>\n\nNeste ano em que se comemora o centen\u00e1rio do grande feito de Santos Dumont com o 14-bis, ocorreu o registro em monumento do reconhecimento feito pelo renomado Instituto Americano de Aeron\u00e1utica e Astron\u00e1utica(American Institute of Aeronautics and Astronautics \u2013 AIAA) da primazia do voo de Santos Dumont, utilizando somente os meios pr\u00f3prios da aeronave.\n\nO AIAA \u00e9 uma entidade norte-americana, sem fins lucrativos. Tem 35.000 membros em todo o mundo. Conduz confer\u00eancias t\u00e9cnicas e publica sete jornais e dezenas de livros anualmente. O AIAA reconhece os \u201cS\u00edtios Hist\u00f3ricos Aeroespaciais\u201d. Mais de 30 s\u00edtios j\u00e1 foram eleitos, a maioria nos Estados Unidos. Quatro encontram-se em outros pa\u00edses.\n\nO AIAA, este ano, homenageou Santos Dumont. Foi a primeira vez que uma pessoa, al\u00e9m de um local, foi escolhida pelo AIAA para ser homenageada.\n\n<strong>A homenagem a Santos Dumont incluiu uma placa de bronze, de aproximadamente 60 x 42 cm, com os seguintes dizeres:<\/strong>\n<blockquote>\u201cBorn 20 July 1873 in state of Minas Gerais, Alberto Santos Dumont moved to Paris in 1891 but never forgot his birthplace. He soon began experimenting with flying, and designed his first balloon, the Brasil, in 1898. He later built and flew 11 dirigibles, including the prize-winning Number 6. He flew his first airplane, the 14-bis, on October 1906, the first aircraft to take off and land without any external assistance(<strong>*<\/strong>). His many other contributions to aviation included his 1907 Demoiselle, the precursor to modern light airplanes. He returned definitely to Brazil in 1931 and died in 1932\u201d.<\/blockquote>\n<strong>(<\/strong>*<strong>)\u00a0<\/strong>o primeiro avi\u00e3o a decolar e pousar sem qualquer aux\u00edlio externo.\n\nEssa placa foi colocada sobre pedestal erigido em frente \u00e0 casa natal de Santos Dumont, em Cabangu, munic\u00edpio de Santos Dumont-MG, e descerrada pelo representante norte-americano do AIAA em bonita e singela solenidade, em 13\/09\/2006.\n\n<strong>Pr\u00eamio \u201cDeutsch de la Meurthe\u201d<\/strong>\n\n\u00c9 oportuno tamb\u00e9m relembrar outro grande feito anterior de Santos Dumont. Ele j\u00e1 havia granjeado a gl\u00f3ria e a fama em todo o planeta, cinco anos antes do\u00a0<strong>v\u00f4o do 14-bis<\/strong>.\n\nA idolatria por Santos Dumont j\u00e1 era tanta que ele ditava a moda masculina em Paris e no mundo. Copiavam o seu modelo de chap\u00e9u, de colarinho, de bainha de cal\u00e7as, de penteado.\n\nAt\u00e9 lan\u00e7ou e popularizou o uso masculino civil do rel\u00f3gio de pulso (tal modelo de rel\u00f3gio foi por ele concebido e usado, mas o rel\u00f3gio de pulso n\u00e3o foi uma \u201cinven\u00e7\u00e3o\u201d sua).\n\nAquele \u00e1pice da celebridade ele alcan\u00e7ara em 19\/10\/1901. Conquistara desde ent\u00e3o a fama ao realizar a primeira viagem no mundo de bal\u00e3o dirig\u00edvel em circuito fechado e dentro de trajeto (11 km, que abrangia rodear a Torre Eiffel) e de tempo (limite de 30 minutos) pr\u00e9-estabelecidos, tudo testemunhado por multid\u00e3o e pela comiss\u00e3o oficial previamente convocada, merecendo o vultoso pr\u00eamio \u201cDeutsch de la Meurthe\u201d (total de 129.000 francos da \u00e9poca; distribuiu esse pr\u00eamio entre os seus mec\u00e2nicos e os pobres de Paris). O seu feito significou o dom\u00ednio completo e pr\u00e1tico da dirigibilidade dos bal\u00f5es.\n\n<strong>O g\u00eanio<\/strong>\n\n<strong>Santos Dumont<\/strong>\u00a0foi um g\u00eanio em m\u00faltiplas atividades. \u00c9 impressionante Santos Dumont ter sido, ao mesmo tempo, o genial inventor, o inteligente construtor dos pr\u00f3prios inventos \u2013 surpreendentemente simples, eficientes e leves -, o corajoso piloto de provas de seus artefatos futuristas inusitados e o competidor vencedor. Competiu em corridas de carros, de triciclos, em provas de bal\u00f5es livres, em desafios de dirigibilidade de bal\u00f5es e de v\u00f4o do mais pesado que o ar.\n\n<strong>Santos Dumont<\/strong>, na persistente busca da realiza\u00e7\u00e3o do seu objetivo maior, voar, tornou-se homem culto. Com boa base de conhecimentos gerais adquirida na inf\u00e2ncia e na adolesc\u00eancia, dedicou-se aos estudos de f\u00edsica, eletricidade, qu\u00edmica, mec\u00e2nica. Dominava os idiomas franc\u00eas, ingl\u00eas, espanhol, al\u00e9m do portugu\u00eas.\n\nEm 1931, pelo valor da sua obra liter\u00e1ria sobre seus inventos e experi\u00eancias, foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras (na vaga de Gra\u00e7a Aranha; cadeira n\u00ba 38), n\u00e3o tomando posse do cargo.\n\nEm cerca de doze anos de atividades intensas (1898 a 1909), Santos Dumont produziu um invento importante a cada seis meses, em m\u00e9dia.\n\nSua rapidez de concep\u00e7\u00e3o e de produ\u00e7\u00e3o de inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas foi extraordin\u00e1ria e ainda seria impressionante nos dias atuais.\n\nNaquele per\u00edodo, concebeu, projetou, construiu (com recursos pr\u00f3prios), testou (com reais e constantes riscos de morte) dois bal\u00f5es, doze dirig\u00edveis e tr\u00eas tipos de avi\u00f5es, entre outros inventos e pesquisas, como a do helic\u00f3ptero e a do deslizador aqu\u00e1tico.\n<p class=\"imagem\"><img decoding=\"async\" title=\"Centen\u00e1rio do 14 Bis\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ccenten5.jpg\" alt=\"Centen\u00e1rio do 14 Bis\" \/>\n<strong>Dirig\u00edvel<\/strong><\/p>\nEm cada um dos projetos, incorporou muitas de suas inven\u00e7\u00f5es, como mecanismos de controle de voo, equipamento auxiliar de partida do motor, e muitas outras cria\u00e7\u00f5es. Pela primeira vez em avia\u00e7\u00e3o, utilizou o motor a petr\u00f3leo e materiais como o alum\u00ednio e cordas de piano (em lugar de cordas de fibra vegetal, ent\u00e3o usadas). Concebeu e construiu, em 1899, o primeiro hangar do mundo.\n\nEsse hangar trazia a inova\u00e7\u00e3o de um simples e preciso sistema deslizante de movimenta\u00e7\u00e3o de suas grandes e pesadas portas, mais de 4 toneladas cada uma. Uma crian\u00e7a as abria com facilidade.\n\nPara alcan\u00e7ar maiores pot\u00eancia e leveza em seus inventos, projetou, desenvolveu e construiu motores inovadores, como o de dois cilindros superpostos em apenas uma biela e um c\u00e1rter, que utilizou no bal\u00e3o-dirig\u00edvel n\u00ba1, e o de cilindros horizontais e opostos, configura\u00e7\u00e3o hoje comumente utilizada, que empregou no \u201cDemoiselle\u201d.\n\nPara construir esse motor do Demoiselle, Santos Dumont usou instala\u00e7\u00f5es e maquin\u00e1rios da f\u00e1brica francesa Darracq. Essa empresa quis usufruir da patente. Santos Dumont, pela primeira e \u00fanica vez, entrou na Justi\u00e7a reivindicando os seus direitos de autoria. Ganhou a causa e tamb\u00e9m colocou aquela sua inven\u00e7\u00e3o para o dom\u00ednio p\u00fablico.\n\n<strong>Santos Dumont<\/strong>\u00a0presenteou a todos, sem nada cobrar, todas as suas dezenas de inven\u00e7\u00f5es. Esse altru\u00edsmo era apenas uma das muitas e belas facetas do seu car\u00e1ter exemplar. Com princ\u00edpios puros, dedicou sua obra \u00e0 Humanidade. Santos Dumont \u00e9 her\u00f3i brasileiro irrepreens\u00edvel nos campos \u00e9tico e moral.\n\n<strong>O OCASO<\/strong>\n\nPor tudo isso, sacrificou a sua vida. Tardiamente, pensou nele mesmo. Gabriel Voisin na revista francesa \u201cPioniers\u201d (jan\/1967), relatou que em 1926 Santos Dumont, com 53 anos, apaixonado pela filha daquele seu grande amigo, pediu-a em casamento. A diferen\u00e7a de idade (a mo\u00e7a tinha 17 anos) inviabilizou a uni\u00e3o.\n\nDesde os 40 anos de vida, envelhecido prematuramente, pouco a pouco ficou mais evidente que Santos Dumont padecia de doen\u00e7a n\u00e3o muito conhecida na \u00e9poca. Cada vez mais recluso, com tristeza, ang\u00fastia, remorso, sentia-se culpado da guerra a\u00e9rea, dos acidentes aeron\u00e1uticos. Hoje, com o avan\u00e7o da medicina, provavelmente sua mol\u00e9stia seria diagnosticada como depress\u00e3o, trat\u00e1vel inclusive com medicamentos.\n\nNa maioria dos casos, a depress\u00e3o resulta da intera\u00e7\u00e3o entre uma predisposi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica e fatores ambientais, como traumas emocionais e o estresse, os quais, por certo, estiveram fortemente presentes na sua obcecada, tensa, destemida e acidentada vida. \u00c9 comum o suic\u00eddio em sofredores dessa doen\u00e7a, quando n\u00e3o medicados. Santos Dumont assim morreu em 23 de julho de 1932, aos 59 anos.\n\n<strong>CONCLUS\u00c3O<\/strong>\n\nEm resumo,\u00a0<strong>Santos Dumont<\/strong>\u00a0foi um grande benfeitor para a humanidade e ser humano extraordin\u00e1rio. \u00c9 o s\u00edmbolo maior brasileiro de criatividade, de inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e de persist\u00eancia no objetivo.\n\nTudo isso em um homem s\u00f3. \u201c\u00c9 Santos Dumont, um Brasileiro!\u201d (refr\u00e3o de modinha popular, em 1902, de Eduardo das Neves).\n\nAluizio Weber, 22\/09\/2006\n<p class=\"imagem\"><img decoding=\"async\" title=\"Centen\u00e1rio do 14 Bis\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ccenten1.jpg\" alt=\"Centen\u00e1rio do 14 Bis\" \/>\n14-BIS (duas vistas)<\/p>\n<strong>Cidades com maior v\u00ednculo com a vida e a obra de Santos Dumont<\/strong>\n<blockquote><strong>DIAMANTINA-MG,<\/strong>\u00a0onde nasceu o pai de Santos Dumont em 20\/07\/1832;\n<strong>OURO PRETO-MG<\/strong>, terra natal de sua m\u00e3e (1835) e de seus av\u00f3s maternos e onde Santos Dumont estudou por breve per\u00edodo (Escola de Minas de Ouro Preto);<strong>\nSANTOS DUMONT-MG<\/strong>\u00a0e seu S\u00edtio CABANGU, onde nasceu Alberto Santos-Dumont em 20\/07\/1873. L\u00e1 ele viveu os primeiros dois anos de vida e l\u00e1 promoveu atividade pecu\u00e1ria entre 1920 e 1924;<strong>\nVALEN\u00c7A-RJ\u00a0<\/strong>(Casal), onde ele residiu por cerca de quatro anos (1875 a 1878);<strong>\nRIO DAS FLORES-RJ<\/strong>\u00a0(ent\u00e3o parte de Valen\u00e7a), onde foi batizado em 20\/02\/1877, com tr\u00eas anos e sete meses de idade;<strong>\nRIBEIR\u00c3O PRETO-SP<\/strong>\u00a0e munic\u00edpio vizinho DUMONT-SP, local da Fazenda Arinde\u00fava, onde ele foi morar em 1879 e passou a maior parte da inf\u00e2ncia e da adolesc\u00eancia;<strong>\nCAMPINAS-SP,\u00a0<\/strong>onde estudou (Col\u00e9gio Culto \u00e0 Ci\u00eancia) de 1883 a 1887;<strong>\nRIO DE JANEIRO-RJ<\/strong>, cidade onde morou por um breve per\u00edodo (Rua Malvina, S\u00e3o Francisco Xavier); onde foi estudar em 1889 (Col\u00e9gio Menezes Vieira, Rua dos Inv\u00e1lidos); onde est\u00e1 sepultado desde 21\/12\/1932 juntamente com seus pais (Cemit\u00e9rio S\u00e3o Jo\u00e3o Batista); e onde se encontra conservado o seu cora\u00e7\u00e3o em esfera de cristal e ouro (no Museu Aeroespacial \u2013 MUSAL);<strong>\nS\u00c3O PAULO-SP<\/strong>, onde tamb\u00e9m estudou (Col\u00e9gios Kopke e Morton); onde morou em 1891 (Rua Helvetia) e para onde levou (1891) o 1\u00ba autom\u00f3vel do Brasil (Peugeot \u2013 3,5 HP);<strong>\nPARIS-<\/strong>Fran\u00e7a, onde estudou f\u00edsica, qu\u00edmica, eletricidade e mec\u00e2nica, de 1892 a 1896 (obs: em 1894 freq\u00fcentou como aluno-ouvinte a Universidade de Bristol-Inglaterra). Em Paris idealizou, construiu seus inventos e realizou seus feitos hist\u00f3ricos, de 1898 a 1909. L\u00e1 residiu at\u00e9 1914;<strong>\nPETR\u00d3POLIS-RJ,<\/strong>\u00a0onde se encontra a \u201cCasa Encantada\u201d, tamb\u00e9m inovadora em arquitetura, ergonomia e simplicidade, a qual ele projetou e residiu por diversas vezes a partir de 1918; e<strong>\nGUARUJ\u00c1\/SANTOS-SP<\/strong>\u00a0(Hotel de la Plage), onde faleceu em 23\/07\/1932.<\/blockquote>\n<strong>Centen\u00e1rio do 14 Bis &#8211; V\u00f4o<\/strong>\n\n<strong>Santos Dumont<\/strong>\u00a0nascido na Fazenda Cabangu, Par\u00f3quia de Palmira, atualmente Munic\u00edpio de Santos Dumont-MG foi quem realizou o primeiro voo, no dia 23 de outubro de 1906 quando a bordo da aeronave 14-Bis, sobrevoou cerca de 220m do Campo de Bagatelle, na capital francesa, a dois metros de altura, com uma velocidade m\u00e9dia de 41 km\/h.\n\nPor cumprir as normas da Federa\u00e7\u00e3o Aeron\u00e1utica Internacional (FAI) e do Aeroclube da Fran\u00e7a para a realiza\u00e7\u00e3o de um voo, Santos-Dumont recebeu o t\u00edtulo de Pai da Avia\u00e7\u00e3o.\n\nAssim, com o\u00a0<strong>14-Bis, Santos Dumont<\/strong>\u00a0conseguiu realizar o primeiro \u201cv\u00f4o mec\u00e2nico\u201d do mundo, arrebatando 3.000 francos do pr\u00eamio Archdeacon, criado em julho de 1906 para premiar o primeiro aeronauta que conseguisse voar por mais de 25 metros em um voo nivelado. O nome de\u00a0<strong>14-Bis\u00a0<\/strong>foi dado ao aeroplano porque este fora acoplado, em testes, ao Dirig\u00edvel n\u00famero 14, e o inventor n\u00e3o quis dar um novo nome ao avi\u00e3o.\n\nOs parisienses presentes ao campo de Bagatelle ficaram impressionados quando um estranho aparelho, composto de caixas com hastes montadas em pinho e bambu, recobertas com seda japonesa, com 10 metros de comprimento por 12 de envergadura, impulsionado por um motor de 24 cavalos come\u00e7ou a levantar voo. N\u00e3o era aquele avi\u00e3o um simples aparelho. Era dotado de amortecedores, trem de aterrissagem, h\u00e9lice de propuls\u00e3o e leme, bases da avia\u00e7\u00e3o moderna.\n\nNuma pequena cesta, entre as asas, estava o franzino\u00a0<strong>Santos Dumont<\/strong>, que a partir deste feito ganhou notoriedade e passou a aparecer em grandes jornais daquela \u00e9poca, com seus ternos impec\u00e1veis, gravatas de seda, colarinho alto e os seus tradicionais chap\u00e9us de abas baixas.\n\nA fa\u00e7anha de Santos Dumont despertou pol\u00eamica. Os irm\u00e3os norte-americanos Orville e Wilbur Wright reivindicaram para si o pioneirismo do voo.\n\nO problema \u00e9 que os\u00a0<strong>irm\u00e3os Wright<\/strong>\u00a0n\u00e3o cumpriram os crit\u00e9rios da FAI e do Aeroclube da Fran\u00e7a. O principal \u00f3bice \u00e9 que o poss\u00edvel voo do avi\u00e3o dos Wright foi catapultado, ou seja, necessitou de meios externos para al\u00e7ar voo. Para ati\u00e7ar ainda mais a pol\u00eamica, uma r\u00e9plica do avi\u00e3o foi constru\u00edda em 2003, nos EUA, para comemorar o voo dos Wright, mas, em sua apresenta\u00e7\u00e3o, a aeronave n\u00e3o conseguiu sequer al\u00e7ar voo. \u00c9 importante registrar que neste ano de 2006, durante as comemora\u00e7\u00f5es brasileiras, uma r\u00e9plica do aparelho 14-Bis repetiu o feito, voando sem problemas na Esplanada dos Minist\u00e9rios, em Bras\u00edlia.\n\nAo reconhecimento internacional pela import\u00e2ncia do seu invento, sucederam-se anos de sofrimento a Santos Dumont. Adoentado e depressivo, ele nunca aceitava o fato de que sua inven\u00e7\u00e3o fosse utilizada para fins b\u00e9licos, principalmente durante a Primeira Guerra Mundial; acreditava que o avi\u00e3o deveria servir para unir as pessoas e ser utilizado para fins pac\u00edficos, como meio de transporte e de lazer. N\u00e3o era isto que ele percebia.\n\nEm 03 de dezembro de 1928, quando Santos Dumont voltava ao Brasil a bordo do navio Cap. Arcona, v\u00e1rios intelectuais planejaram homenage\u00e1-lo; eram amigos, alunos e professores que prepararam ao her\u00f3i nacional uma pomposa recep\u00e7\u00e3o, quando um hidroavi\u00e3o da empresa Condor Syndikat,batizado com o nome do Pai da Avia\u00e7\u00e3o, voaria e jogaria flores sobre o navio, al\u00e9m de lan\u00e7ar uma mensagem de boas-vindas atrav\u00e9s de um paraquedas. As homenagens ocorreriam assim que a embarca\u00e7\u00e3o que trazia o inventor entrasse na Ba\u00eda de Guanabara.\n\n<strong>Numa manobra de contorno, infelizmente, uma das asas do avi\u00e3o tocou nas \u00e1guas e o aparelho sumiu no fundo da ba\u00eda, matando a todos os seus tripulantes, dentre eles v\u00e1rios amigos de Santos Dumont, tais como:<\/strong>\u00a0Tobias Moscoso, Amauri de Medeiros, Ferdinando Laboriau, Frederico de Oliveira Coutinho, Amoroso Costa e Paulo de Castro Maia.\n\nO desastre fez com que a depress\u00e3o do inventor aumentasse.\n\nEm 1932 irrompeu o Movimento Constitucionalista de S\u00e3o Paulo e a luta entre os rebeldes e o governo desencadeou-se, utilizando aeronaves nos combates.\n\nNesta altura, j\u00e1 inconformado, Dumont escreveu uma mensagem aos brasileiros posicionando-se contra a luta fratricida.\n\n<strong>Ele afirmava sempre:\u00a0<\/strong>eu inventei a maior desgra\u00e7a do mundo.\n\nAssim, profundamente desolado, Santos Dumont cometeu suic\u00eddio em 23 de Julho de 1932, aos 59 anos. Enforcou-se com duas gravatas, no banheiro do Hotel La Plage, no balne\u00e1rio paulista de Guaruj\u00e1.\n\nA certid\u00e3o de \u00f3bito dele ficou desaparecida por mais de 20 anos. A morte por suic\u00eddio fora propositalmente omitida.\n\nOs governantes da \u00e9poca e os que se sucederam acreditavam que um her\u00f3i nacional n\u00e3o deveria de figurar nos livros de hist\u00f3ria como suicida.\n\n<b>No dia 26 de julho de 2006, ano do centen\u00e1rio do seu primeiro voo, Alberto Santos Dumont recebeu uma das maiores honrarias da Na\u00e7\u00e3o Brasileira:<\/b>\u00a0o nome dele foi inscrito no Livro dos Her\u00f3is da P\u00e1tria, no Pante\u00e3o da P\u00e1tria e da Liberdade, que fica situado na Pra\u00e7a dos Tr\u00eas Poderes, em Bras\u00edlia.\n\n<strong>V\u00f4o do 14 Bis<\/strong>\n\nEm 23 de outubro de 1906, \u00e0s 16 horas, no Campo de Bagatelli, em Paris, um brasileiro chamado Alberto Santos Dumont fez uma inven\u00e7\u00e3o de cerca de 300 quilos levantar voo e atingir 3 metros de altitude.\n\nO feito foi destaque na hist\u00f3ria simplesmente porque registrou o primeiro voo de um avi\u00e3o impulsionado por um motor.\n\n<strong>Fonte:<\/strong>\u00a0www.14bis.mil.br\/www.patriamineira.com.br\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Centen\u00e1rio do 14 Bis, Santos Dumont, Voou, Avia\u00e7\u00e3o, Demoiselle, Irm\u00e3os Wright, Conquista, Brasileiro, Resumo, Centen\u00e1rio do 14 Bis<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":9564,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[54],"tags":[],"class_list":["post-20539","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia-do-brasil"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - 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