{"id":20535,"date":"2015-12-21T00:00:00","date_gmt":"2015-12-21T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/historia-da-lingua-portuguesa-3\/"},"modified":"2026-09-01T15:32:24","modified_gmt":"2026-09-01T15:32:24","slug":"historia-da-lingua-portuguesa-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-do-brasil\/historia-da-lingua-portuguesa-3\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3ria da L\u00edngua Portuguesa"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A\u00a0<strong>l\u00edngua portuguesa<\/strong>\u00a0\u00e9 uma das mais importantes faladas em todo o mundo hoje. N\u00e3o s\u00f3 \u00e9 a sexta l\u00edngua mais falada no mundo, como tamb\u00e9m est\u00e1 presente em quase todos os continentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O\u00a0<strong>portugu\u00eas<\/strong>\u00a0desenvolveu-se na parte ocidental da Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica do latim falado trazido pelos soldados romanos desde o s\u00e9culo III a.C..<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A l\u00edngua come\u00e7ou a diferenciar-se das outras l\u00ednguas rom\u00e2nicas depois da queda do Imp\u00e9rio Romano e das invas\u00f5es b\u00e1rbaras no s\u00e9culo V. Come\u00e7ou a ser usada em documentos escritos cerca do s\u00e9culo IX, e no s\u00e9culo XV j\u00e1 se tinha tornado uma l\u00edngua com uma literatura rica.<br><blockquote><strong>\u201cA l\u00edngua \u00e9 ou faz parte do aparelho ideol\u00f3gico, comunicativo e est\u00e9tico da sociedade que a pr\u00f3pria l\u00edngua define e individualiza.\u201d (Leonor Buescu)<\/strong><\/blockquote><br>\u201cS\u00f3 a partir da segunda metade do s\u00e9culo XVIII \u00e9 que o Brasil pode come\u00e7ar a ser definido como um espa\u00e7o de l\u00edngua dominante portuguesa, devido \u00e0 conhecida pol\u00edtica lingu\u00edstico-cultural desenvolvida pelo Marqu\u00eas de Pombal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A repress\u00e3o ao uso de l\u00ednguas ind\u00edgenas, sobretudo de base tupi tronco lingu\u00edstico mais difundido na \u00e1rea j\u00e1 colonizada, desencadeada por essa orienta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, tirou o Brasil de um rumo que poderia t\u00ea-lo levado a ser um pa\u00eds de base lingu\u00edstica majoritariamente ind\u00edgena.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os dois s\u00e9culos e meio de coloniza\u00e7\u00e3o que precederam a decidida pol\u00edtica pombalina recobrem m\u00faltiplas situa\u00e7\u00f5es de contato lingu\u00edstico, entre falantes da L\u00edngua Portuguesa e centenas de l\u00ednguas aut\u00f3ctones (continuam vivas e em uso, por minorias, \u00e9 claro, ainda cerca de 180 delas) e m\u00faltiplas l\u00ednguas africanas, chegadas ao Brasil desde 1538 at\u00e9 \u00e0 extin\u00e7\u00e3o do tr\u00e1fico no s\u00e9culo XIX.\u201d (Rosa Virg\u00ednia Mattos e Silva, 1995, \u201d O Portugu\u00eas s\u00e3o dois\u201d)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coloniza\u00e7\u00e3o romana<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 218 C., os romanos conquistaram a parte ocidental da Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica, composta principalmente pelas prov\u00edncias romanas de Lusit\u00e2nia e Gal\u00e9cia (atualmente, essa regi\u00e3o compreende as regi\u00f5es centro-sul de Portugal e a recentemente constitu\u00edda euro-regi\u00e3o Galiza-Norte de Portugal). Trouxeram com eles uma vers\u00e3o popular do Latim, o Latim Vulgar, do qual se acredita que todas as l\u00ednguas latinas descendam e que contribuiu com cerca de 90% do l\u00e9xico do portugu\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora a popula\u00e7\u00e3o da Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica tenha se estabelecido muito antes da coloniza\u00e7\u00e3o romana, poucos tra\u00e7os das l\u00ednguas nativas persistiram no\u00a0<strong>portugu\u00eas moderno.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os \u00fanicos vest\u00edgios das l\u00ednguas anteriores permanecem numa parte reduzida do l\u00e9xico e na topon\u00edmia da Galiza e Portugal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Invas\u00f5es b\u00e1rbaras<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre 409 A.D. e 711, enquanto o Imp\u00e9rio Romano entrava em colapso, a Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica foi invadida por povos de origem germ\u00e2nica, conhecidos pelos romanos como b\u00e1rbaros. Estes b\u00e1rbaros (principalmente os suevos e os visigodos) absorveram rapidamente a cultura e l\u00edngua romanas da pen\u00ednsula; contudo, e como as escolas romanas foram encerradas, o latim foi libertado para come\u00e7ar a evoluir sozinho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Porque cada tribo b\u00e1rbara falava latim de maneira diferente, a uniformidade da pen\u00ednsula rompeu-se, levando \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de l\u00ednguas bem diferentes (galaico-portugu\u00eas ou portugu\u00eas medieval, espanhol e catal\u00e3o).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Acredita-se, em particular, que os suevos sejam respons\u00e1veis pela diferencia\u00e7\u00e3o lingu\u00edstica dos portugueses e galegos quando comparados com os castelhanos. \u00c9, ainda, na \u00e9poca do reino Suevo que se configuram os dias da semana proibindo-se os nomes romanos. As l\u00ednguas germ\u00e2nicas influenciaram particularmente o portugu\u00eas em palavras ligadas \u00e0 guerra e viol\u00eancia, tais como \u201cGuerra\u201d. As invas\u00f5es deram-se em duas ondas principais. A primeira com penetra\u00e7\u00e3o dos chamados b\u00e1rbaros e a assimila\u00e7\u00e3o cultural Romana. Os \u201cb\u00e1rbaros\u201d tiveram uma certa \u201creceptividade\u201d a ponto de receber pequenas \u00e1reas de terra. Com o passar do tempo, seus costumes, l\u00edngua, etc. foram se perdendo, mesmo porque n\u00e3o havia uma renova\u00e7\u00e3o do contingente de pessoas e o seu grupo era reduzido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma segunda leva foi mais vagarosa, n\u00e3o teve os mesmos benef\u00edcios dos ganhos de terra e teve seu contingente de pessoas aumentado devido a proximidade das terras ocupadas com as fronteiras internas do Imp\u00e9rio Romano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Invas\u00e3o dos mouros<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desde 711, com a invas\u00e3o dos mouros na pen\u00ednsula, o \u00e1rabe foi adaptado como l\u00edngua administrativa nas regi\u00f5es conquistadas. Contudo, a popula\u00e7\u00e3o continuou a falar latim vulgar; logo que os mouros foram expulsos, a influ\u00eancia exercida na l\u00edngua foi pequena.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O seu efeito principal est\u00e1 no l\u00e9xico:\u00a0<\/strong>o portugu\u00eas moderno ainda tem um grande n\u00famero de palavras de origem \u00e1rabe, especialmente relacionadas com comida e agricultura, o que n\u00e3o tem equivalente noutras l\u00ednguas latinas. A influ\u00eancia \u00e1rabe \u00e9 tamb\u00e9m vis\u00edvel nos nomes de locais no sul do pa\u00eds, tais como \u201cAlgarve\u201d e \u201cAlc\u00e1cer do Sal\u201d. As palavras portuguesas que comecem por al- s\u00e3o de origem \u00e1rabe.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O despertar da L\u00cdNGUA PORTUGUESA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 em \u00e9poca romana existiram duas prov\u00edncias diferenciadas no que seriam os territ\u00f3rios em que se formou a l\u00edngua portuguesa, a antiga prov\u00edncia romana da Lusit\u00e2nia e a prov\u00edncia da Gal\u00e9cia a norte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A\u00a0<strong>L\u00edngua Portuguesa<\/strong>\u00a0desenvolveu-se principalmente no norte de Portugal e na Galiza, nos condados lucense, asturicense e bracarense da prov\u00edncia romana da Gal\u00e9cia coincidentes com o territ\u00f3rio pol\u00edtico do Reino Suevo, e s\u00f3 posteriormente, com a invas\u00e3o da Reconquista e que foi avan\u00e7ando pelo que atualmente \u00e9 o centro-sul de Portugal. Por\u00e9m, a configura\u00e7\u00e3o atual da l\u00edngua foi largamente influenciada por dialetos mo\u00e7\u00e1rabes falados no sul, na Lusit\u00e2nia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por bastante tempo, o dialeto latino dessa prov\u00edncia romana e depois do Reino Suevo desenvolveu-se apenas como uma l\u00edngua falada, ficando o latim reservado para a l\u00edngua escrita.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os registos mais antigos de uma\u00a0<strong>L\u00edngua Portuguesa<\/strong>\u00a0distinta aparecem em documentos administrativos do s\u00e9culo IX, mas com muitas frases em latim \u00e0 mistura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O vern\u00e1culo escrito passou gradualmente para uso geral nos s\u00e9culos seguintes. Portugal tornou-se um pa\u00eds independente em 1143, com o rei D. Afonso I. A separa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica entre Portugal e Galiza e Castela (mais tarde, Espanha) permitiu que os dois pa\u00edses desenvolvessem os seus latins vern\u00e1culos em dire\u00e7\u00f5es opostas. Em 1290, o rei D. Dinis criava a primeira universidade portuguesa em Lisboa (o Estudo Geral) e decretou que o portugu\u00eas, que ent\u00e3o era chamado de \u201cL\u00edngua vulgar\u201d ou \u201cLatim Vulgar\u201d fosse usado em vez do Latim Cl\u00e1ssico e conhecido como \u201d L\u00edngua Portuguesa \u201c. Em 1296, o portugu\u00eas \u00e9 adotado pela Chancelaria Real. Usado agora n\u00e3o s\u00f3 em poesia, mas tamb\u00e9m quando escrevendo leis e nos not\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">At\u00e9 1350, a l\u00edngua Galaico-Portuguesa permaneceu apenas como l\u00edngua nativa da Galiza e Portugal; mas pelo s\u00e9culo XIV, o Portugu\u00eas tornou-se uma l\u00edngua madura com uma tradi\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria riqu\u00edssima, e tamb\u00e9m foi adoptado por muitos poetas Leoneses, Castelhanos, Aragoneses e Catal\u00e3es. Durante essa \u00e9poca, a l\u00edngua na Galiza come\u00e7ou a ser influenciada pelo Castelhano (basicamente o Espanhol moderno) e tamb\u00e9m se iniciou a introduc\u00e7\u00e3o do espanhol como \u00fanica forma de l\u00edngua culta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em Portugal a variante centro-meridional iniciou o caminho da moderniza\u00e7\u00e3o da l\u00edngua tornando-se progressivamente por sua vez a variante de l\u00edngua culta do Pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Os descobrimentos portugueses<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre os s\u00e9culos XIV e XVI, com os descobrimentos portugueses, a l\u00edngua portuguesa espalhou-se por muitas regi\u00f5es da \u00c1sia, \u00c1frica e Am\u00e9rica. Pelo s\u00e9culo XVI tornou-se uma \u201cL\u00edngua Franca\u201d na \u00c1sia e \u00c1frica, usada n\u00e3o s\u00f3 pela administra\u00e7\u00e3o colonial e com\u00e9rcio, mas tamb\u00e9m para comunica\u00e7\u00e3o entre os oficiais locais e os europeus de todas as nacionalidades. No Ceil\u00e3o (atual Sri Lanka) v\u00e1rios reis se tornaram falantes de portugu\u00eas fluente, e os nobres normalmente adquiriram nomes portugueses.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O alastramento da l\u00edngua foi ajudado por casamentos mistos entre portugueses e as gentes locais (algo muito comum tamb\u00e9m noutras zonas do mundo), e a sua associa\u00e7\u00e3o com os esfor\u00e7os mission\u00e1rios cat\u00f3licos que levaram a que a l\u00edngua fosse chamada de \u201cCrist\u00e3o\u201d em muitos locais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A l\u00edngua continuou popular mesmo com v\u00e1rias medidas contra ela levadas a cabo pelos holandeses no Ceil\u00e3o e Indon\u00e9sia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Algumas comunidades crist\u00e3s falantes de portugu\u00eas na \u00cdndia, Sri Lanka, Mal\u00e1sia e Indon\u00e9sia preservaram as suas l\u00ednguas mesmo depois de se isolarem de Portugal, e desenvolveram-se pelos s\u00e9culos em v\u00e1rios Crioulos portugueses. Tamb\u00e9m, muitas palavras portuguesas entraram no l\u00e9xico de muitas outras l\u00ednguas, tais como \u201csepatu\u201d que vem de \u201csapato\u201d em Indon\u00e9sio, \u201ckeju\u201d que significa \u201cqueijo\u201d em Malaio e \u201cmeza\u201d (de \u201cmesa\u201d) em Swahili.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A renascen\u00e7a<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com a Renascen\u00e7a, aumenta o n\u00famero de palavras eruditas com origem no latim cl\u00e1ssico e no grego arcaico, o que aumenta a complexidade do portugu\u00eas. O fim do \u201cportugu\u00eas arcaico\u201d \u00e9 marcado com a publica\u00e7\u00e3o do Cancioneiro Geral de Garcia de Resende, em 1516.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas formas similares ao portugu\u00eas arcaico \u00e9 ainda falado por muitas popula\u00e7\u00f5es em S\u00e3o Tom\u00e9 e Pr\u00edncipe e no Brasil e Portugal rural.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Contribui\u00e7\u00f5es Tupi ao L\u00e9xico Portugu\u00eas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-159387 aligncenter\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Histor1-1.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"155\" \/><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora tendo prevalecido sobre as demais l\u00ednguas aqui postas em contato, o portugu\u00eas n\u00e3o poderia deixar de sofrer modifica\u00e7\u00f5es e de receber influ\u00eancias e contribui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A influ\u00eancia tupi \u00e9 mais significativa no vocabul\u00e1rio, conforme se verifica nos exemplos abaixo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Top\u00f4nimos:\u00a0<\/strong>Abaet\u00e9, Andara\u00ed, Aracaju, Anhangaba\u00fa, Atibaia, Arax\u00e1, Baependi, Bag\u00e9, Bauru, Borborema, Butant\u00e3, Ca\u00e7apava, Cabu\u00e7u, Caju, Carioca, Catete, Catumbi, Cambuquira, Gamboa, Guanabara, Guaratiba, Jacarepagu\u00e1, Jurujuba, Inha\u00fama, Iraj\u00e1, Icara\u00ed, Itaja\u00ed, Maracan\u00e3, Pavuna, Par\u00e1, Paran\u00e1, Paranagu\u00e1, Parana\u00edba, Paraopeba, Paranapanema, Tijuca, Taubat\u00e9, Tamandar\u00e9, Tabatinga, Sumar\u00e9, etc.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Antrop\u00f4nimos:\u00a0<\/strong>Araci, Bara\u00fana, Cotegipe, Caminho\u00e1, Guaraciaba, Iracema, Iraci, Jaci, Juraci, Jurema, Jupira, Juc\u00e1, Moema, Piragibe, Sucupira, Ubirajara, Araripe, Sinimbu, Bartira, Graciema, Inai\u00e1, Irani, Jacira, Jandira, Iara, Oiticica, etc.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Flora:\u00a0<\/strong>Abacaxi, breja\u00fava, buriti, carna\u00faba, capim, caruru, cip\u00f3, jacarand\u00e1, jaboticaba, peroba, pitanga, canjarana, caroba, jiquitib\u00e1, mandioca, aipim, imbuia, ing\u00e1, ip\u00ea, sap\u00e9, taquara, tiririca, araticum, maracuj\u00e1, caju, caatinga, etc.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Fauna:\u00a0<\/strong>Araponga, acar\u00e1, caninana, capivara, coati, curiango, curi\u00f3, gamb\u00e1, irara, jacu, jaburu, jararaca, juriti, lambari, nhambu, mandi, paca, piranha, sabi\u00e1, sanha\u00e7o, maitaca, sa\u00fava, tamandu\u00e1, siriema, tanajura, tatu, urubu, saracura, surubi, sucuri, sag\u00fci, etc.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Usos, Costumes, Cren\u00e7as, Mol\u00e9stias:\u00a0<\/strong>Arapuca, jaca\u00e1, pari, tipiti, urupema; moqueca, curau, mirand\u00f3; saci, caipora, curupira, cuca; sapiroca, catapora, sapiranga; pororoca, piracema, carij\u00f3, sambanga, saramb\u00ea, punga, etc.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Fraseologia:\u00a0<\/strong>Estar ou andar na pinda\u00edba, andar ao uat\u00e1 ou at\u00e1, chorar pitanga, estar \u00e0 tocaia ou de tocaia, cair na arataca, estar em arataca, ficar de bubuia, etc. As \u00e1reas lingu\u00edsticas mais afetadas pela influ\u00eancia do negro foram a fon\u00e9tica e a morfologia, nas quais se nota uma tend\u00eancia para a simplifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Os exemplos abaixo comprovam esta afirma\u00e7\u00e3o:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Contribui\u00e7\u00f5es Africanas ao L\u00e9xico Portugu\u00eas:\u00a0<\/strong>Embora menos acentuadamente, a \u00e1rea do vocabul\u00e1rio tamb\u00e9m apresenta alguma influ\u00eancia africana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Da L\u00edngua Nag\u00f4:\u00a0<\/strong>Ogum, Orix\u00e1, vatap\u00e1, abar\u00e1, car\u00e1, acaraj\u00e9, afur\u00e1, aluj\u00e1, babala\u00f4, babalorix\u00e1, Exu, or\u00f4, Oxum, Xang\u00f4, aber\u00e9m, acass\u00e1, afofi\u00ea, agog\u00f4, etc.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Do Quimbundo:\u00a0<\/strong>Moleque, cachimbo, quitanda, maxixe, samba, molambo, bang\u00fc\u00ea, banzar, ca\u00e7ula, cafun\u00e9, camundongo, canga, carcunda, cochilar, dengue, fub\u00e1, marimbondo, marimba, birimbau, mocambo, muxiba, quitute, senzala, sungar, xingar, etc.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A L\u00edngua Portuguesa na \u00c1frica<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A\u00a0<strong>L\u00edngua Portuguesa<\/strong>\u00a0foi levada ao continente africano devido \u00e0 expans\u00e3o colonial portuguesa. Imposta como l\u00edngua do colonizador em Cabo Verde, Guin\u00e9-Bissau, Mo\u00e7ambique, Angola, S\u00e3o Tom\u00e9 e Pr\u00edncipe, ela conviveu sempre com uma imensa diversidade de l\u00ednguas nativas, que servem, efetivamente, como instrumento de comunica\u00e7\u00e3o na vida di\u00e1ria. O portugu\u00eas constituiu-se como a l\u00edngua da administra\u00e7\u00e3o, do ensino, da imprensa e das rela\u00e7\u00f5es com o mundo exterior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A partir do processo de descoloniza\u00e7\u00e3o que se seguiu \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o de 25 de abril de 1974, as cinco rep\u00fablicas independentes estabeleceram o portugu\u00eas como l\u00edngua oficial, ao lado das in\u00fameras l\u00ednguas tribais, de fam\u00edlias lingu\u00edsticas de origem africana. Oficialmente, esse \u201cportugu\u00eas da \u00c1frica\u201d segue a norma europeia, mas no uso oral se distancia cada vez mais, aproximando-se muito do portugu\u00eas falado no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao lado dessa situa\u00e7\u00e3o lingu\u00edstica, existem in\u00fameras l\u00ednguas crioulas. S\u00e3o o resultado da simplifica\u00e7\u00e3o e da reestrutura\u00e7\u00e3o do portugu\u00eas, feitas por popula\u00e7\u00f5es africanas que a adotaram por necessidade \u2014 no caso, a quest\u00e3o da escravatura dos negros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os crioulos portugueses come\u00e7aram a formar-se desde os primeiros contatos entre portugueses e africanos, provavelmente no s\u00e9culo XV. Apesar de uma base lexical comum, os crioulos africanos s\u00e3o, hoje, muito diferentes do portugu\u00eas na sua organiza\u00e7\u00e3o gramatical.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A Coloniza\u00e7\u00e3o do Brasil e a Implanta\u00e7\u00e3o do Portugu\u00eas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">S\u00e3o os seguintes os dados hist\u00f3ricos relativos \u00e0 implanta\u00e7\u00e3o do Portugu\u00eas no Brasil, a L\u00edngua Portuguesa, em sua vers\u00e3o europeia do final do s\u00e9culo XV, foi trazida para o territ\u00f3rio americano em 1500, quando Cabral aportou no Brasil. Caminha, o escriv\u00e3o de Cabral, relatou que foi imposs\u00edvel \u201chaver fala ou entendimento de proveito\u201d, por isso trocaram impress\u00f5es como mudos, gesticulando.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Datam de 1540 e 1550 as primeiras not\u00edcias sobre a l\u00edngua dos \u00edndios, relatadas por europeus que a aprenderam, transformando-se em \u201cl\u00ednguas\u201d, termo utilizado para designar os int\u00e9rpretes para o portugu\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A L\u00edngua \u201cGeral\u201d de Base Tupi<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os jesu\u00edtas tiveram um importante papel nos estudos das l\u00ednguas ind\u00edgenas. O Padre Manuel da N\u00f3brega incentivou os estudos do tupi, mas nunca p\u00f4de aprend\u00ea-la, por ser gago. Numa carta datada de 1549, escreveu.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201ctrabalhamos de saber a l\u00edngua deles, e nisto o Padre Navarro nos leva vantagem a todos. Temos determinado de ir viver \u00e0s aldeias, quando estivermos mais assentados e seguros e aprender com eles a l\u00edngua e il-los (sic) doutrinando pouco a pouco. Trabalhei por tirar em sua l\u00edngua as ora\u00e7\u00f5es e algumas pr\u00e1ticas de Nosso Senhor e n\u00e3o posso achar l\u00edngua (int\u00e9rprete) que m o saiba dizer, porque s\u00e3o eles t\u00e3o brutos que nem voc\u00e1bulos t\u00eam. Espero de as tirar o melhor que puder com um homem (Diogo \u00c1lvares, o Caramuru), que nesta terra se criou de mo\u00e7o.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nessa d\u00e9cada, falavam-se v\u00e1rias l\u00ednguas e alguns colonos portugueses aprendiam pelo conv\u00edvio, sem li\u00e7\u00f5es, o tupi e outras l\u00ednguas ind\u00edgenas e as africanas, pois os negros da Guin\u00e9 j\u00e1 haviam sido introduzidos no Brasil, como atestam as cartas de N\u00f3brega.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Destaca-se, entre os jesu\u00edtas, o Padre Jos\u00e9 de Anchieta, que percebeu a exist\u00eancia de enorme variedade de l\u00ednguas em fun\u00e7\u00e3o das diferentes na\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas existentes. Confirmando essa diversidade, lemos em Pero de Magalh\u00e3es G\u00e2ndavo, 1575.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201ca l\u00edngua de que usam, toda pela costa \u00e9 uma, ainda que em certos voc\u00e1bulos difere n algumas partes, mas n\u00e3o de maneira que deixem uns aos outros de entender, e isto at\u00e9 altura de vinte e sete graus, que da\u00ed por diante h\u00e1 outra gentilidade, de que n\u00f3s n\u00e3o temos tanta not\u00edcia, que falam j\u00e1 outra l\u00edngua. Esta de que trato, que \u00e9 geral pela costa, \u00e9 muito branda, e a qualquer na\u00e7\u00e3o f\u00e1cil de tomar\u201d. (Pero M. Gandavo, \u201cHist\u00f3ria da Prov\u00edncia de Santa Cruz\u201d Ed. no Annuario do Brasil, Rio de Janeiro, 1931, p.73.)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Fern\u00e3o Cardim foi o primeiro a descrever a diversidade de na\u00e7\u00f5es e l\u00edngua:<\/strong><br><blockquote>\u201cem toda esta prov\u00edncia h\u00e1 muitas e v\u00e1rias na\u00e7\u00f5es de diferentes l\u00ednguas, por\u00e9m uma \u00e9 a principal que compreende algumas dez na\u00e7\u00f5es de \u00edndios; estes vivem na costa do mar, e em uma grande corda do sert\u00e3o, por\u00e9m s\u00e3o todos estes de uma s\u00f3 l\u00edngua, ainda que em algumas palavras discrepam e esta \u00e9 a que entendem os portugueses; \u00e9 f\u00e1cil, e elegante, e suave, e copiosa, a dificuldade est\u00e1 em ter muitas composi\u00e7\u00f5es. (\u2026) Eram tantos os desta casta que parecia imposs\u00edvel poderem-se extinguir, mas os portugueses tanto os t\u00eam combatido que quase todos s\u00e3o mortos, e lhes t\u00eam tal medo que despovoam a costa e fogem pelo sert\u00e3o adentro at\u00e9 trezentas ou quatrocentas l\u00e9guas.\u201d (Do princ\u00edpio e origem dos \u00edndios do Brasil e de seus costumes, adora\u00e7\u00e3o e cerim\u00f4nias\u201d, in Tratado da terra e da gente do Brasil. S\u00e3o Paulo, Companhia Editora Nacional,1939).<\/blockquote><br>Estes tupi da costa foram, em grande parte, subjugados e aculturados pelos portugueses; serviram-lhes de guias e aliados na marcha de penetra\u00e7\u00e3o da terra. De acordo com os tupi, os portugueses consideravam todos os demais ind\u00edgenas como \u201ctapuias\u201d, que era o nome para \u201cinimigo\u201d em tupi. A partir da\u00ed, criou-se uma dicotomia tupi-tapuia, que ficou valendo por muito tempo como uma divis\u00e3o \u00e9tnica e lingu\u00edstica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Cardim enumera, ent\u00e3o, os de l\u00ednguas diferentes:<\/strong>\u00a0os potiguar, os viat\u00e3, os tupinamb\u00e1, os caet\u00e9, e muitos outros grupos, num conjunto de 76 diferentes na\u00e7\u00f5es e l\u00ednguas diferentes, povos mais selvagens, distintos dos que viviam pr\u00f3ximo ao mar. Quanto aos tapuias, dizia que \u201cn\u00e3o se pode fazer convers\u00e3o por serem muito andejos e terem muitas e diferentes l\u00ednguas dificultosas.\u201d(Ob.cit., pp.180-181) Consta ainda de suas anota\u00e7\u00f5es a informa\u00e7\u00e3o de que \u201cos meninos \u00edndios que frequentavam a escola de ler e escrever eram biling\u00fces, falavam sua l\u00edngua e o portugu\u00eas\u201d. ( Ob.cit., pp.278-279 )<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Rosa Virg\u00ednia Mattos e Silva (1995), em artigo sobre a s\u00f3cio-hist\u00f3ria do portugu\u00eas brasileiro, afirma:<\/strong><br><blockquote>\u201d Sabe-se que no Brasil se usavam para mais de mil l\u00ednguas aut\u00f3ctones, de v\u00e1rios grupos lingu\u00edsticos, no in\u00edcio da coloniza\u00e7\u00e3o. C\u00e1lculo recente leva o Prof. Aryon Rodrigues (1993:91) a propor 1.175 l\u00ednguas, das quais 85% foram dizimadas no per\u00edodo colonial, depois e continuam a desaparecer porque isso aconteceu com seus falantes \u2014 dos cinco milh\u00f5es em 1500, variados culturalmente e linguisticamente em mais de 1500 povos, calculam-se 800.000 indiv\u00edduos no final da coloniza\u00e7\u00e3o, talvez 300.000 no fim do imp\u00e9rio, cerca de 262.000 hoje, falantes de cerca de 180 l\u00ednguas.\u201d(Rosa V.M. e Silva, (1995) \u201d A s\u00f3cio-hist\u00f3ria do Brasil e a heterogeneidade do portugu\u00eas brasileiro: algumas reflex\u00f5es\u201d)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Anchieta, falando dos costumes do Brasil, confirma a exist\u00eancia de uma l\u00edngua geral de origem tupi, que dominou a regi\u00e3o do litoral brasileiro do in\u00edcio da coloniza\u00e7\u00e3o at\u00e9 meados do s\u00e9culo XVIII: \u201ctodos os da costa que t\u00eam uma mesma l\u00edngua comem carne humana.\u201d Em outra correspond\u00eancia, deu esta outra informa\u00e7\u00e3o: \u201ccomo os padres sacerdotes n\u00e3o sabiam a l\u00edngua da terra, serviam os irm\u00e3os de int\u00e9rpretes para as doutrinas e peregrina\u00e7\u00f5es e confiss\u00f5es, ainda dos mesti\u00e7os, mulheres e filhos dos portugueses, principalmente nas confiss\u00f5es gerais, para melhor se darem a entender e ficarem satisfeitos.\u201d Depreende-se da\u00ed que os mesti\u00e7os, os filhos e mulheres (\u00edndias) dos portugueses precisavam de int\u00e9rpretes, porque n\u00e3o falavam portugu\u00eas. Anchieta foi o primeiro a escrever nessa l\u00edngua bras\u00edlica, a \u201d Arte da gram\u00e1tica da l\u00edngua mais usada na costa do Brasil\u201d.<\/blockquote><br>Os tupi do litoral, entre a Bahia e o Rio de Janeiro, formavam uma s\u00e9rie de tribos bastante homog\u00eaneas, cultural e linguisticamente. Os dialetos que falavam foram aprendidos pelos brancos, desenvolvendo-se uma l\u00edngua geral de intercurso, que era fundamentalmente o dialeto tupinamb\u00e1, de um dos grupos mais importantes e mais em contato com os portugueses.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os mission\u00e1rios jesu\u00edtas o estudaram, descreveram normativamente e ensinaram em tratados gramaticais, para fins especialmente de catequese. Ele servia n\u00e3o s\u00f3 para as rela\u00e7\u00f5es com os \u00edndios tupi, mas tamb\u00e9m para os contatos com todos os \u00edndios em geral. As na\u00e7\u00f5es n\u00e3o-tupi o aprendiam com relativa facilidade (o que n\u00e3o acontecia com a L\u00edngua Portuguesa ). Assim se estabeleceu a l\u00edngua geral tupi, ao lado do portugu\u00eas, na vida cotidiana da col\u00f4nia. Constituiu-se at\u00e9 como l\u00edngua escrita e liter\u00e1ria, pois os mission\u00e1rios traduziam para ela as ora\u00e7\u00f5es crist\u00e3s e nela compunham hinos religiosos e pe\u00e7as teatrais, semelhantes aos autos da literatura hisp\u00e2nica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nessa l\u00edngua ind\u00edgena, de intercurso, que os brancos falavam com desembara\u00e7o, o portugu\u00eas atuou como superstrato modificando sobretudo a fonologia tupi, adaptando para o portugu\u00eas vogais e consoantes muito diferentes das portuguesas. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s formas gramaticais, especialmente no verbo, firmaram-se no\u00e7\u00f5es de tempo futuro, de modo subjuntivo e assim por diante. Em contato com o portugu\u00eas, que paralelamente se radicou na col\u00f4nia, esse tupi de intercurso atuou como adstrato, pois tratava-se de duas l\u00ednguas coexistindo no mesmo territ\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O predom\u00ednio da l\u00edngua geral firmou-se com os bandeirantes, pois todos ou quase todos falavam apenas esta l\u00edngua, n\u00e3o sabiam o portugu\u00eas. A respeito do papel que teve a l\u00edngua geral, vale lembrar esta anota\u00e7\u00e3o do Padre Antonio Vieira, em carta datada de 12 de junho de 1694, informando que o uso do tupi foi de tamanha amplitude que sem ele era de certo modo imposs\u00edvel viver integrado ao meio social ou tirar dele qualquer benef\u00edcio.<br><blockquote>\u201ccerto que as fam\u00edlias dos portugueses e \u00edndios de S\u00e3o Paulo est\u00e3o t\u00e3o ligadas hoje umas \u00e0s outras, que as mulheres e os filhos se criam m\u00edstica e domesticamente, e a l\u00edngua que nas ditas fam\u00edlias se fala \u00e9 a dos \u00edndios, e a dos portugueses a v\u00e3o os meninos aprender \u00e0 escola.\u201d ( Obras v\u00e1rias, 1856, pp.239-251)<\/blockquote><br>J\u00e1 no s\u00e9culo dezessete, houve um desenvolvimento da mesti\u00e7agem \u00e9tnica, cultural e lingu\u00edstica, com a tentativa de lusitaniza\u00e7\u00e3o do \u00edndio e a indianiza\u00e7\u00e3o do portugu\u00eas, e ainda com a africaniza\u00e7\u00e3o dos \u00edndios e brancos, uns assimilando-se aos outros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O historiador S\u00e9rgio Buarque de Holanda, referindo-se ao estreito contato entre portugueses e \u00edndios, escreveu com muita propriedade:<\/strong>\u00a0\u201cse \u00e9 verdade que, sem a presen\u00e7a fortemente acusada do \u00edndio, os portuguesas n\u00e3o poderiam viver no planalto, com ela n\u00e3o poderiam sobreviver em estado puro. Em outras palavras, teriam de renunciar a muitos dos seus h\u00e1bitos heredit\u00e1rios, de suas formas de vida e de conv\u00edvio, de suas t\u00e9cnicas, de suas aspira\u00e7\u00f5es, e o que \u00e9 bem significativo, de sua linguagem. E foi, na realidade, o que aconteceu.\u201d (Ra\u00edzes do Brasil. Rio de Janeiro, Ed. Jos\u00e9 Olympio, 1948, pp.189-191).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A Imposi\u00e7\u00e3o do Portugu\u00eas como L\u00edngua Nacional<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desta maneira, \u00e0 variedade de l\u00ednguas ind\u00edgenas, que Vieira denominou babel, agregou-se a babel das l\u00ednguas africanas. Diante desta multid\u00e3o de l\u00ednguas ind\u00edgenas e africanas, o portugu\u00eas, para impor-se, usou os mais variados recursos. Uma das primeiras medidas foi determinar que os \u00edndios fossem instru\u00eddos em L\u00edngua Portuguesa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas os jesu\u00edtas, por conhecerem o tupi (reduzida por eles \u00e0 l\u00edngua geral) melhor que os representantes de outras ordens religiosas e melhor tamb\u00e9m que os colonos rec\u00e9m-chegados, mantiveram a barreira lingu\u00edstica como forma de manter seu dom\u00ednio sobre os \u00edndios. Come\u00e7a desta forma um per\u00edodo antijesu\u00edta, que teve s\u00e9rias consequ\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um marco na imposi\u00e7\u00e3o do Portugu\u00eas como l\u00edngua dominante no Brasil \u00e9 a Lei do Diret\u00f3rio, promulgada pelo Marqu\u00eas de Pombal, em maio de 1757, durante o governo de D. Jo\u00e3o VI.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tinha como um dos principais objetivos imp\u00f4r a L\u00edngua Portuguesa como l\u00edngua oficial na regi\u00e3o que abrangia os estados de Par\u00e1 e Maranh\u00e3o, que soma um ter\u00e7o do atual territ\u00f3rio brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um dos artigos desse diret\u00f3rio criticava duramente a l\u00edngua geral, chamando-a de \u201cinven\u00e7\u00e3o verdadeiramente abomin\u00e1vel e diab\u00f3lica\u201d; para acabar com ela, tratou de estabelecer o uso da L\u00edngua Portuguesa, n\u00e3o consentindo que \u201cmeninos e meninas e todos aqueles \u00edndios, que forem capazes de instru\u00e7\u00e3o (\u2026) usem l\u00edngua pr\u00f3pria das suas na\u00e7\u00f5es, ou da chamada geral, mas unicamente da portuguesa\u201d. ( Artigo 6 do Diret\u00f3rio).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em agosto de 1759, um Alvar\u00e1 renovava a lei do Diret\u00f3rio, datando da\u00ed o uso obrigat\u00f3rio da L\u00edngua Portuguesa, com todo o seu poder unificador, e, em consequ\u00eancia, o abandono progressivo da l\u00edngua geral, que, na verdade, j\u00e1 se encontrava restrita, sobretudo em S\u00e3o Paulo, \u00e0s comunidades rurais do interior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar das obje\u00e7\u00f5es a essa imposi\u00e7\u00e3o, quando o Diret\u00f3rio foi abolido, em 1798, a L\u00edngua Portuguesa j\u00e1 tinha se expandido e sido adotada nas regi\u00f5es tipicamente tupi do Brasil, ainda que muitos indiv\u00edduos tivessem dificuldade em us\u00e1-la.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Resumindo a quest\u00e3o da \u201cvit\u00f3ria\u201d da L\u00edngua Portuguesa no Brasil colonial, pode-se dizer que, durante tr\u00eas s\u00e9culos, o portugu\u00eas e o tupi, ou l\u00edngua geral, existiram lado a lado, influenciando-se reciprocamente e cruzando-se. O tupi era a l\u00edngua dom\u00e9stica, familiar e corrente dos colonos, e o portugu\u00eas, a l\u00edngua oficial, que as crian\u00e7as, mamelucos e tamb\u00e9m filhos de \u00edndios aprendiam nas escolas mas n\u00e3o falavam em casa. A realidade ling\u00fc\u00edstica era muito complexa, porque, com o portugu\u00eas, conviviam as v\u00e1rias l\u00ednguas ind\u00edgenas e as v\u00e1rias l\u00ednguas faladas pelos negros no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O processo cultural que imp\u00f4s uma l\u00edngua vitoriosa sobre as outras n\u00e3o foi f\u00e1cil, nem sempre pac\u00edfico. Mas aprender a L\u00edngua Portuguesa se tornou quase uma quest\u00e3o de sobreviv\u00eancia. Alguns africanos, por exemplo, aprendiam r\u00e1pido, outros sofriam verdadeiros processos de adestramento, mas todos, \u00edndios e negros, tinham que aprend\u00ea-la. A variedade de tribos ind\u00edgenas e africanas facilitou a obra portuguesa, que, como foi dito, preferiu, por medida de seguran\u00e7a, importar grupos dialetais diferentes, que n\u00e3o se entendiam e deviam se esfor\u00e7ar para buscar na fala portuguesa o meio de comunicar suas necessidades pessoais e sociais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A guerra contra os \u00edndios e os negros, subjugando-os todos, era tamb\u00e9m uma guerra lingu\u00edstica e cultural, que resultava num desentendimento total, numa fragmenta\u00e7\u00e3o de culturas e l\u00ednguas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Acrescente-se a isto o fato de que o portugu\u00eas do Brasil e o de Portugal j\u00e1 se apresentavam em formas desiguais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A \u201cvit\u00f3ria\u201d real e verdadeira se deu quando, na Assembleia Constituinte de 1823, representantes de v\u00e1rias prov\u00edncias brasileiras falaram uns com os outros, notando as diferen\u00e7as de pros\u00f3dia, mas a igualdade da l\u00edngua que era falada por todos. Era a primeira vez que brasileiros falavam sua pr\u00f3pria l\u00edngua, a qual se formara competindo com l\u00ednguas ind\u00edgenas e negras, e na qual se notavam varia\u00e7\u00f5es provenientes dos diferentes grupos do portugu\u00eas falado em regi\u00f5es diversas. A \u201cvit\u00f3ria\u201d do portugu\u00eas dependeu mais de fatores hist\u00f3ricos que lingu\u00edsticos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O Portugu\u00eas e a L\u00edngua Africana<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A col\u00f4nia brasileira ganhou um novo elemento desde os princ\u00edpios do s\u00e9culo XVII, quando, em escala cada vez mais crescente, se desenvolveu o tr\u00e1fico de negros africanos, como escravos, para o Brasil, onde se distribu\u00edam pelos grandes latif\u00fandios e pelos centros urbanos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A import\u00e2ncia da presen\u00e7a negra no processo de acultura\u00e7\u00e3o observado na col\u00f4nia se explica por dois fatores:<\/strong>\u00a0o primeiro, de car\u00e1ter geral, decorre do fato de se formar entre o senhor e o escravo um tipo de conviv\u00eancia mais direta do que aquela at\u00e9 ent\u00e3o existente entre o colonizador e o \u00edndio; o segundo, de car\u00e1ter mais espec\u00edfico, resulta da suposi\u00e7\u00e3o de que, sendo os negros origin\u00e1rios de col\u00f4nias portuguesas da \u00c1frica, j\u00e1 teriam contato com a l\u00edngua dos brancos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Vieram para o Brasil negros das mais variadas na\u00e7\u00f5es, pois era pol\u00edtica colonial portuguesa diversificar a composi\u00e7\u00e3o do elemento africano para dificultar sua unidade e mant\u00ea-los submissos. Havia, portanto diferentes grupos \u00e9tnicos, com uma grande variedade de l\u00ednguas. Eram negros da Guin\u00e9, da Costa da Mina, de Angola, de Mo\u00e7ambique, do Congo, enfim, de muitas partes da \u00c1frica. Num documento, escrito em 1583, h\u00e1 informa\u00e7\u00e3o de que havia tr\u00eas ou quatro mil escravos da Guin\u00e9 no meio de tr\u00eas mil vizinhos portugueses e de oito mil \u00edndios cristianizados. (Fern\u00e3o Cardim, \u201cNarrativa epistolar\u201d, in Tratados da terra e da gente do Brasil, Companhia Editora Nacional, S\u00e3o Paulo, 1939).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nina Rodrigues, o primeiro a estudar as l\u00ednguas e dialetos africanos no Brasil, afirmou que \u201cas l\u00ednguas africanas faladas no Brasil sofreram para logo grandes altera\u00e7\u00f5es, j\u00e1 com a aprendizagem do portugu\u00eas por parte dos escravos, j\u00e1 com a l\u00edngua africana adotada como l\u00edngua geral pelos negros aclimados ou ladinos. (\u2026) De fato, ningu\u00e9m iria supor que falassem a mesma l\u00edngua todos os escravos pretos. (\u2026) Em tais condi\u00e7\u00f5es tornou-se necessidade imperiosa para os escravos negros adotar uma l\u00edngua africana como geral, em que todos se entendessem.\u201d (Nina Rodrigues. Os africanos no Brasil. Companhia Editora Nacional, S\u00e3o Paulo, 1945, pp.205-248 )<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dentre as muitas l\u00ednguas africanas faladas no Brasil, destacam-se o nag\u00f4 ou ioruba na Bahia, e o quimbundo ou congoesa no norte e no sul. A l\u00edngua nag\u00f4, falada como l\u00edngua geral na Bahia, foi aprendida por muitos outros escravos para entenderem-se uns com os outros. No Rio de Janeiro, a grande maioria dos escravos negros era banto, da\u00ed o predom\u00ednio do quimbundo, ambundo e outras l\u00ednguas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar da insufici\u00eancia de informa\u00e7\u00f5es sobre a proced\u00eancia muito variada dos negros brasileiros, sabe-se que os negros da Guin\u00e9 predominaram na Bahia, enquanto os bantos preponderaram no Estado do Rio de Janeiro e em Minas Gerais, as regi\u00f5es de maiores contingentes negros. Mas os da Guin\u00e9 possu\u00edam v\u00e1rias l\u00ednguas e muitos dialetos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A Forma\u00e7\u00e3o do Portugu\u00eas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Alguns fatos hist\u00f3ricos repercutiram na forma\u00e7\u00e3o da L\u00edngua Portuguesa a conquista romana da Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica; a invas\u00e3o dos b\u00e1rbaros germanos; a constitui\u00e7\u00e3o dos imp\u00e9rios b\u00e1rbaros, como o visig\u00f3tico; o dom\u00ednio \u00e1rabe na Pen\u00ednsula; a luta da reconquista crist\u00e3; a forma\u00e7\u00e3o do reino de Portugal; a expans\u00e3o ultramarina.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Vamos detalhar um pouco dessa hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Romaniza\u00e7\u00e3o na Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A Rom\u00e2nia compreendia o conjunto de prov\u00edncias do Imp\u00e9rio Romano onde o latim veio a se tornar a l\u00edngua de civiliza\u00e7\u00e3o:<\/strong>\u00a0as G\u00e1lias (Fran\u00e7a e parte da B\u00e9lgica atuais), a Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica ou Hisp\u00e2nica, a L\u00edbia, ou litoral mediterr\u00e2nico da \u00c1frica e a D\u00e1cia, nos B\u00e1lc\u00e3s (Rom\u00eania ou Rum\u00e2nia atuais).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A implanta\u00e7\u00e3o do latim na Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica constitui fator decisivo para a forma\u00e7\u00e3o da L\u00cdNGUA PORTUGUESA, e ocorre no s\u00e9culo II a.C., quando as legi\u00f5es de Roma, depois de longas lutas, conquistam a Hisp\u00e2nia (mapa da Pen\u00edsula Ib\u00e9rica no s\u00e9culo III a.C.) e imp\u00f5em sua civiliza\u00e7\u00e3o. Com exce\u00e7\u00e3o dos bascos, todos os povos da Pen\u00ednsula adotaram o latim como l\u00edngua e se cristianizaram. O territ\u00f3rio da Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica (mapa I.R. s\u00e9culo I a.C.) foi dividido, inicialmente, em duas grandes prov\u00edncias, Hisp\u00e2nia Citerior e Hisp\u00e2nia Ulterior. Esta \u00faltima sofreu nova divis\u00e3o em duas outras prov\u00edncias, a B\u00e9tica e a Lusit\u00e2nia, onde se estendia uma antiga prov\u00edncia romana, a Gallaecia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A romaniza\u00e7\u00e3o da Pen\u00ednsula n\u00e3o se deu de maneira uniforme, mas pouco a pouco o latim foi se impondo, fazendo praticamente desaparecer as l\u00ednguas nativas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os povos que habitavam a Pen\u00ednsula eram numerosos e apresentavam l\u00edngua e cultura bastante diversificadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Havia duas camadas de popula\u00e7\u00e3o muito diferenciadas:<\/strong>\u00a0a mais antiga \u2013 Ib\u00e9rica \u2013 e outra mais recente \u2013 os Celtas, que tinham seu centro de expans\u00e3o nas G\u00e1lias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Muito pouco se conservou das l\u00ednguas pr\u00e9-romanas. H\u00e1 resqu\u00edcios apenas na \u00e1rea do vocabul\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando se deu a queda do Imp\u00e9rio Romano, a Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica estava totalmente latinizada (mapa do I.R. no s\u00e9culo I d.C.). Nesse quadro de mistura \u00e9tnica, o latim apresentava fei\u00e7\u00f5es particulares, mesclado de elementos celtas e ib\u00e9ricos, basicamente no vocabul\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>As Invas\u00f5es dos B\u00e1rbaros e \u00c1rabes:\u00a0<\/strong>O Romano Portugu\u00eas<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por volta do s\u00e9culo V, a Pen\u00ednsula sofreu invas\u00e3o de povos b\u00e1rbaros germanos \u2013 suevos, v\u00e2ndalos, alanos e visigodos. Com o dom\u00ednio visig\u00f3tico, (mapa da Europa do s\u00e9culo V ) a unidade romana rompe-se totalmente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Os visigodos romanizaram-se:<\/strong>\u00a0fundiram-se com a popula\u00e7\u00e3o rom\u00e2nica, adotaram o cristianismo como religi\u00e3o e assimilaram o latim vulgar. Rodrigo, o \u00faltimo rei godo, lutou at\u00e9 711 contra a invas\u00e3o \u00e1rabe, defendendo a religi\u00e3o crist\u00e3, tendo como l\u00edngua o latim vulgar na sua fei\u00e7\u00e3o hispano-rom\u00e2nica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O s\u00e9culo V marca o in\u00edcio do Roman\u00e7o per\u00edodo que se estende at\u00e9 o come\u00e7o do s\u00e9culo IX, em que ocorre a grande diferencia\u00e7\u00e3o do latim em uma multiciplicidade de falares. Trata-se de uma fase de transi\u00e7\u00e3o, que resulta no aparecimento de textos escritos nas diversas l\u00ednguas rom\u00e2nicas. Dentre esses falares intermedi\u00e1rios, \u00e9 o roman\u00e7o Lusit\u00e2nico, bastante inovador, o que nos interessa principalmente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No s\u00e9culo VIII, os povos mu\u00e7ulmanos invadiram a Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica ( mapa do Dom\u00ednio Mu\u00e7ulmano no s\u00e9culo X ). Compreendiam os \u00e1rabes e os berberes e eram chamados de mouros pelos habitantes da Pen\u00ednsula, que foi totalmente dominada. O \u00e1rabe era a sua l\u00edngua de cultura e sua religi\u00e3o, o Islamismo. Tanto a l\u00edngua como a religi\u00e3o eram muito diferentes da l\u00edngua falada na regi\u00e3o e n\u00e3o houve imposi\u00e7\u00e3o de uma ou outra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A l\u00edngua \u00e1rabe era a oficial, mas o latim, j\u00e1 bastante diferenciado, era a l\u00edngua de uso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Extremamente diversificado, o latim continuou a evoluir entre a popula\u00e7\u00e3o submetida. Como resultado da interpenetra\u00e7\u00e3o da l\u00edngua \u00e1rabe e da l\u00edngua popular de estrutura rom\u00e2nica, o mo\u00e7\u00e1rabe era falado pela popula\u00e7\u00e3o crist\u00e3 que viveu sob o dom\u00ednio \u00e1rabe.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nas montanhas das Ast\u00farias (norte da Pen\u00ednsula) tem in\u00edcio, ent\u00e3o, a Reconquista Crist\u00e3 \u2013 guerra militar e santa, aben\u00e7oada pela Igreja e que provocou importantes movimentos de popula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Partindo de um n\u00facleo de resist\u00eancia (restos dos ex\u00e9rcitos hispano-visig\u00f3ticos e crist\u00e3os rebeldes), o movimento foi se alastrando para o sul, recuperando os territ\u00f3rios perdidos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi ent\u00e3o que se formaram os reinos de Le\u00e3o, Arag\u00e3o, Navarra e Castela. No reinado dos reis cat\u00f3licos da Espanha, Fernando e Isabel, encerra-se o per\u00edodo de domina\u00e7\u00e3o dos \u00e1rabes, que durou sete s\u00e9culos e teve o importante papel de desencadear a forma\u00e7\u00e3o de Portugal como Estado mon\u00e1rquico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com a finalidade de libertar o territ\u00f3rio ib\u00e9rico, nobres de diferentes regi\u00f5es participaram da guerra santa. D. Henrique, conde de Borgonha, pelos servi\u00e7os prestados, recebeu do rei de Le\u00e3o e Castela o Condado Portucalense \u2013 territ\u00f3rio desmembrado da Galiza, junto ao rio Douro. A l\u00edngua desse territ\u00f3rio era a mesma da Galiza. Coube a seu filho, D. Afonso Henriques, iniciar a nacionalidade portuguesa, como primeiro rei de Portugal, reconhecido por Afonso VII, rei de Le\u00e3o, e pelo papa Alexandre III. Ao se separar da Galiza, Portugal vai estendendo seus limites atrav\u00e9s de lutas contra os \u00e1rabes e, com a conquista do Algarve, fixa os limites atuais de Portugal. A l\u00edngua falada era o roman\u00e7o galego-portugu\u00eas, que apresentava relativa unidade e muita variedade e d\u00e1 origem ao galego e ao portugu\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Os Primeiros Documentos do Portugu\u00eas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os tr\u00eas s\u00e9culos passados entre a chegada dos b\u00e1rbaros e a dos \u00e1rabes \u00e0 Pen\u00ednsula n\u00e3o deixaram documentos lingu\u00edsticos. No entanto, \u00e9 certo que o latim se transformava.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Somente no s\u00e9culo IX surge um romano peculiar, do qual se teria constitu\u00eddo a L\u00edngua Portuguesa, em decorr\u00eancia da separa\u00e7\u00e3o do condado portucalense dos reinos de Le\u00e3o e Castela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 assim que, dos falares ib\u00e9ricos ocidentais, sair\u00e1 o galego-portugu\u00eas cujos primeiros textos escritos aparecer\u00e3o no s\u00e9culo XIII \u2013 unidade lingu\u00edstica que conserva certa homogeneidade at\u00e9 in\u00edcio do s\u00e9culo XIV.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><b>Com a evolu\u00e7\u00e3o dos dialetos rom\u00e2nicos, tr\u00eas grupos lingu\u00edsticos\u00a0se definem, no s\u00e9culo XII<\/b>: o galego-portugu\u00eas, o catal\u00e3o e o castelhano. Quando Portugal se separou da Galiza, falava-se galego-portugu\u00eas em toda a regi\u00e3o da Galiza e da jovem na\u00e7\u00e3o portuguesa. O portugu\u00eas originou-se, assim, do galego-portugu\u00eas medieval, que foi levado ao sul pela Reconquista.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No in\u00edcio do s\u00e9culo XIII, surgem os primeiros textos redigidos em galego-portugu\u00eas, empregado, em toda a Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica, como ve\u00edculo das cantigas trovadorescas que ali floresceram e tamb\u00e9m em forma de prosa, em documentos. Com a independ\u00eancia de Portugal (mapa da Europa no s\u00e9culo XV), fatores pol\u00edticos, econ\u00f4micos e sociais determinaram a quebra da relativa unidade lingu\u00edstica galego-portuguesa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 separado do galego por uma fronteira pol\u00edtica, o portugu\u00eas, bastante diferenciado dos outros falares da regi\u00e3o, seguiu seu curso, tornando-se a l\u00edngua de Portugal, cuja capital \u00e9 Lisboa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 ent\u00e3o que tem in\u00edcio a fase hist\u00f3rica do portugu\u00eas, com a constitui\u00e7\u00e3o da nova nacionalidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na segunda metade do s\u00e9culo XIII, Portugal firmou definitivamente seu territ\u00f3rio, com a conquista do Algarve aos mouros. Por esta \u00e9poca, a L\u00edngua Portuguesa j\u00e1 apresentava uma l\u00edngua liter\u00e1ria, em face do catal\u00e3o e do castelhano. Era a l\u00edngua po\u00e9tica, segundo Mattoso C\u00e2mara, \u201cum tanto convencional, cheia de galeguismos e mesmo proven\u00e7alismos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o representa fielmente a l\u00edngua comum que realmente vigorava no territ\u00f3rio portugu\u00eas. \u00c9 a essa l\u00edngua po\u00e9tica que cabe a denomina\u00e7\u00e3o de galego-portugu\u00eas.\u201d (p. 18)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A prosa liter\u00e1ria e a l\u00edngua escrita corrente j\u00e1 foram mais tardias e tiveram de substituir o latim comumente usado nos textos escritos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 na base da l\u00edngua escrita que se costuma considerar, para o portugu\u00eas, o per\u00edodo arcaico (at\u00e9 o s\u00e9culo XV) e o per\u00edodo moderno. Dentro deste, os s\u00e9culos XVI e XVII constituem o per\u00edodo cl\u00e1ssico, os posteriores, o p\u00f3s-cl\u00e1ssico. E, como acrescenta Mattoso C\u00e2mara, \u201cMesmo, entretanto, do ponto de vista do portugu\u00eas oral comum, ou l\u00edngua nacional em sentido amplo, h\u00e1 diferen\u00e7as gramaticais n\u00edtidas entre os s\u00e9culos XVI e XVII, de um lado, e, de outro lado, os s\u00e9culos subsequentes.\u201d (p. 19).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Forma\u00e7\u00e3o do L\u00e9xico Portugu\u00eas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A hist\u00f3ria do\u00a0<strong>l\u00e9xico portugu\u00eas<\/strong>\u00a0basicamente de origem latina \u2013 reflete a hist\u00f3ria da L\u00edngua Portuguesa e os contatos de seus falantes com as mais diversificadas realidades lingu\u00edsticas, a partir do roman\u00e7o lusit\u00e2nico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse acervo apresenta um n\u00facleo de base latina popular (resultante da assimila\u00e7\u00e3o e das transforma\u00e7\u00f5es do latim pelas popula\u00e7\u00f5es nativas ib\u00e9ricas), complementado por contribui\u00e7\u00f5es pr\u00e9-rom\u00e2nicas e p\u00f3s-rom\u00e2nicas (de substrato, em que a popula\u00e7\u00e3o conquistada absorve a l\u00edngua dos dominadores; de superstrato, em que os dominadores adotam a l\u00edngua dos dominados; e de adstrato, em que as l\u00ednguas coexistem, podendo haver at\u00e9 um bilinguismo).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m desse n\u00facleo, \u00e9 imensa a participa\u00e7\u00e3o de empr\u00e9stimos a outras l\u00ednguas (empr\u00e9stimos culturais) e ao pr\u00f3prio latim (termos eruditos tomados ao latim cl\u00e1ssico a partir do s\u00e9culo XVI).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foram os termos populares que deram fei\u00e7\u00e3o ao l\u00e9xico portugu\u00eas, quer na sua estrutura fonol\u00f3gica, quer na sua estrutura morfol\u00f3gica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mesmo no caso de empr\u00e9stimos de outras l\u00ednguas, foi o padr\u00e3o popular que determinou essas estruturas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O vocabul\u00e1rio fundamental do portugu\u00eas compreendendo nomes de parentesco, de animais, partes do corpo e verbos muito usuais \u00e9 formado sobretudo de palavras latinas, de base heredit\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse fundo rom\u00e2nico usado na conversa\u00e7\u00e3o di\u00e1ria constitui, assim, a grande camada na forma\u00e7\u00e3o do l\u00e9xico portugu\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dentro da contribui\u00e7\u00e3o pr\u00e9-rom\u00e2nica (camada do substrato), destacam-se voc\u00e1bulos de origem ib\u00e9rica (ab\u00f3bora, barro, bezerro, cama, garra, lou\u00e7a, manteiga, sapo, seara); c\u00e9ltica (bico, cabana, aminho, camisa, cerveja, gato, l\u00e9gua, pe\u00e7a, touca); grega (farol, guitarra, microsc\u00f3pio, telefone, telepatia); fen\u00edcia (apenas saco, mapa, malha e mata \u2013 n\u00e3o havendo muita clareza quanto \u00e0 sua origem).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A contribui\u00e7\u00e3o p\u00f3s-rom\u00e2nica (camada do superstrato), que compreende palavras de origem germ\u00e2nica, relacionadas ao modo de vida de seu povo e \u00e0 arte militar, ocorre no s\u00e9culo V, \u00e9poca das invas\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">S\u00e3o exemplos nomes como Rodrigo, Godofredo, guerra, elmo, tr\u00e9gua, arauto e verbos como esgrimir, brandir, roubar, escarnecer.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar de n\u00e3o impor religi\u00e3o e l\u00edngua, ao conquistarem a Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica, os \u00e1rabes deixaram marcas no nosso l\u00e9xico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como camada do adstrato, as palavras de origem \u00e1rabe correntes em portugu\u00eas referem-se a nomes de plantas, de alimentos, de of\u00edcios, de instrumentos musicais e agr\u00edcolas:<\/strong>\u00a0alface, algod\u00e3o, \u00e1lcool, xarope, alm\u00f4ndega, alfaiate, ala\u00fade, alicate.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanto aos empr\u00e9stimos culturais, ou seja, os que decorrem de interc\u00e2mbio cultural, h\u00e1 no l\u00e9xico portugu\u00eas influ\u00eancias diversas de acordo com as \u00e9pocas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo Cunha (1970), \u201cA incid\u00eancia de palavras de empr\u00e9stimo no portugu\u00eas data da \u00e9poca da constitui\u00e7\u00e3o da l\u00edngua, e as diferentes contribui\u00e7\u00f5es para o seu l\u00e9xico reproduzem os diversos passos de sua hist\u00f3ria liter\u00e1ria e cultural\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na \u00e9poca medieval, a poesia trovadoresca proven\u00e7al influenciou os primeiros textos liter\u00e1rios portugueses.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por\u00e9m, muitos voc\u00e1bulos proven\u00e7ais, correntes nas cantigas dos trovadores medievais, n\u00e3o se incorporaram \u00e0 nossa l\u00edngua.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>S\u00e3o exemplos de empr\u00e9stimos proven\u00e7ais:<\/strong>\u00a0balada, estandarte, refr\u00e3o, jogral, segrel, trovador, vassalo\u2026<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Do s\u00e9culo XV ao s\u00e9culo XVIII, muitos escritores portugueses, entre eles os poetas do Cancioneiro Geral, Gil Vicente, Cam\u00f5es, escreviam em castelhano e portugu\u00eas, o que se explica pelas rela\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias, pol\u00edticas e comerciais entre as duas na\u00e7\u00f5es ib\u00e9ricas. Como contribui\u00e7\u00e3o de empr\u00e9stimos espanh\u00f3is para o l\u00e9xico portugu\u00eas, temos, entre muitas outras, palavras como bolero, castanhola, caudilho, gado, moreno, gal\u00e3, pandeiro \u2026<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O latim corrente j\u00e1 havia contribu\u00eddo para a base do l\u00e9xico portugu\u00eas, mas foi durante o Renascimento, \u00e9poca em que se valorizou a cultura da Antiguidade, que as obras de escritores romanos serviram de fonte para muitos empr\u00e9stimos eruditos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Por essa via, desenvolveu-se um processo de derivar palavras do latim liter\u00e1rio, em vez de se partir do termo popular portugu\u00eas correspondente (da\u00ed uma s\u00e9rie de adjetivos com radical distinto do respectivo substantivo:<\/strong>\u00a0ocular\/olho, digital\/dedo, capilar\/cabelo, \u00e1ureo\/ouro, pluvial\/chuva).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse processo \u00e9 respons\u00e1vel pela coexist\u00eancia de ra\u00edzes distintas para termos do mesmo campo sem\u00e2ntico. Houve, tamb\u00e9m a substitui\u00e7\u00e3o de muitos termos populares por termos eruditos ( pal\u00e1cio\/paa\u00e7o, louvar\/loar, formoso\/fremoso, sil\u00eancio\/seen\u00e7o, joelho\/geolho ).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A expans\u00e3o portuguesa na \u00c1sia e na \u00c1frica foi mais uma fonte de empr\u00e9stimos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>S\u00e3o de origem asi\u00e1tica:<\/strong>\u00a0azul, bambu, beringela, ch\u00e1, jangada, leque, laranja, tafet\u00e1, tulipa, turbante \u2026<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>S\u00e3o de origem africana:<\/strong>\u00a0angu, batuque, berimbau, cachimbo, engambelar, marimbondo, moleque, quitanda, quitute, samba, senzala, vatap\u00e1 \u2026<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em virtude de rela\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, culturais, comerciais com outros pa\u00edses, \u00e9 natural que o l\u00e9xico portugu\u00eas tenha recebido (e continue recebendo) empr\u00e9stimos de outras l\u00ednguas modernas. Assim, incorporaram-se ao nosso l\u00e9xico palavras provenientes do franc\u00eas (chefe, hotel, jardim, paisagem, vitral, vitrina); do ingl\u00eas (futebol, bife, c\u00f3rner, pudim, rep\u00f3rter, sandu\u00edche, piquenique); do italiano (ad\u00e1gio, alegro, andante, confete, gazeta, macarr\u00e3o, talharim, piano, mortadela, serenata, salame); do alem\u00e3o (valsa, manequim, vermute). Nos tempos atuais, o ingl\u00eas tem servido de fonte de in\u00fameros empr\u00e9stimos, sobretudo nas \u00e1reas t\u00e9cnicas, o que demonstra a estreita liga\u00e7\u00e3o que o processo de mudan\u00e7a lingu\u00edstica tem com a hist\u00f3ria s\u00f3cio-pol\u00edtica-cultural de um povo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Fonte:<\/strong>\u00a0www.acd.ufrj.br\/www.cra-ma.org.br\/thetranslationcompany.com\/www.portugueselanguageguide.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hist\u00f3ria da L\u00edngua Portuguesa, Portugu\u00eas, Brasil, Nacional, Surgimento, Origem, Forma\u00e7\u00e3o, Idioma, Caracter\u00edsticas, Resumo, Hist\u00f3ria da L\u00edngua Portuguesa<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":9555,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[54],"tags":[],"class_list":["post-20535","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia-do-brasil"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - 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