{"id":20499,"date":"2015-12-18T00:00:00","date_gmt":"2015-12-18T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/guerra-do-paraguai-3\/"},"modified":"2026-09-01T15:32:10","modified_gmt":"2026-09-01T15:32:10","slug":"guerra-do-paraguai-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-do-brasil\/guerra-do-paraguai-3\/","title":{"rendered":"Guerra do Paraguai"},"content":{"rendered":"\nMaior conflito armado ocorrido na Am\u00e9rica do Sul, a <strong>Guerra do Paraguai<\/strong> (1864-1870) foi o desfecho inevit\u00e1vel das lutas travadas durante quase dois s\u00e9culos entre Portugal e Espanha e, depois, entre Brasil e as rep\u00fablicas hispano-americanas pela hegemonia na regi\u00e3o do Prata.\n\nA <strong>Guerra do Paraguai<\/strong> surgiu de um complexo encadeamento de rivalidades internacionais, de ambi\u00e7\u00f5es pessoais e das peculiares condi\u00e7\u00f5es geogr\u00e1ficas da regi\u00e3o platina. Na \u00e9poca do conflito, o Imp\u00e9rio do Brasil emergia provavelmente como a na\u00e7\u00e3o mais influente e bem organizada da Am\u00e9rica do Sul, tendo fortalecido sua posi\u00e7\u00e3o no continente ap\u00f3s o per\u00edodo de lutas contra Rosas (na Argentina) e Oribe (no Uruguai).\n\nDesde a independ\u00eancia do Paraguai, em 1813, o Brasil passara a manter rela\u00e7\u00f5es satisfat\u00f3rias com esse pa\u00eds, mesmo durante o longo per\u00edodo de isolamento que sofrera a na\u00e7\u00e3o paraguaia sob os governos de Francia e de Carlos Antonio L\u00f3pez.\n\nO marechal paraguaio Francisco Solano L\u00f3pez sucedeu ao pai no momento em que arrefecera a rivalidade entre a Argentina e o Brasil, os dois p\u00f3los de poder do continente. Sua ambi\u00e7\u00e3o era tornar o Paraguai uma pot\u00eancia platina, capaz de competir com a Argentina e o Brasil pela preemin\u00eancia na Am\u00e9rica do Sul.\n\nAtribu\u00eda o confinamento de seu pa\u00eds, em parte, \u00e0s maquina\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas entre o Brasil e os argentinos, que dificultavam ao Paraguai a navega\u00e7\u00e3o fluvial e o exerc\u00edcio de um relevante com\u00e9rcio internacional. Em seu avan\u00e7o para oeste, o Brasil poria em risco a na\u00e7\u00e3o paraguaia, e a consolida\u00e7\u00e3o das prov\u00edncias argentinas criaria um poderoso rival na fronteira sul do pa\u00eds. L\u00f3pez alimentava o plano de uma confedera\u00e7\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es hisp\u00e2nicas do interior. Reunindo o Paraguai, as prov\u00edncias argentinas de Entre R\u00edos e Corrientes, o Uruguai e talvez a parte meridional do Rio Grande do Sul, teria condi\u00e7\u00f5es de fazer frente tanto ao Brasil quanto \u00e0 Argentina.\n\nCom a reviravolta pol\u00edtica ocorrida na Argentina, em 1861, ap\u00f3s a batalha de Pav\u00f3n, em que os unit\u00e1rios de Bartolom\u00e9 Mitre derrotaram os federais de Justo Jos\u00e9 Urquiza, e a instala\u00e7\u00e3o posterior dos liberais em Buenos Aires e por toda a Confedera\u00e7\u00e3o Argentina, L\u00f3pez se convenceu da inviabilidade de seu plano da &#8220;confedera\u00e7\u00e3o do interior&#8221;, que lhe daria o livre acesso ao mar.\n\n<strong>Descartada essa possibilidade, o ditador paraguaio preparou sua na\u00e7\u00e3o para a guerra: <\/strong>j\u00e1 em 1864, o Paraguai, em flagrante contradi\u00e7\u00e3o com os recursos de que dispunha, surgia como a principal pot\u00eancia militar do Prata.\n\n\u00c0s v\u00e9speras do conflito, o Paraguai dispunha de sessenta mil homens bem treinados e 400 canh\u00f5es. Os recursos de transporte e abastecimento, por\u00e9m, n\u00e3o atendiam \u00e0s exig\u00eancias de uma movimenta\u00e7\u00e3o de tropas em campanha. A maioria dos canh\u00f5es estava fixada na fortaleza de Humait\u00e1, onde tamb\u00e9m se encontravam grandes efetivos de infantaria. Quanto \u00e0s for\u00e7as navais, essenciais para um pa\u00eds cuja \u00fanica via de comunica\u00e7\u00e3o com o exterior era a bacia platina, L\u00f3pez s\u00f3 dispunha de 14 pequenas canhoneiras fluviais.\n\nO Brasil podia lan\u00e7ar em campo 18.000 homens, dos quais oito mil estavam nas guarni\u00e7\u00f5es do sul; contava com uma for\u00e7a naval consider\u00e1vel e bem treinada, com uma esquadra de 42 navios, embora alguns deles, pelo calado, n\u00e3o fossem apropriados \u00e0 navega\u00e7\u00e3o fluvial. A Argentina possu\u00eda apenas oito mil homens e n\u00e3o dispunha de uma marinha de guerra quantitativamente apreci\u00e1vel. As for\u00e7as do Uruguai contavam menos de tr\u00eas mil homens, sem unidades navais.\n\n&nbsp;\n\n<b>1 INTRODU\u00c7\u00c3O<\/b>\n\nGuerra que op\u00f4s, entre 1864 e 1870, de um lado o Brasil, a Argentina e o Uruguai, formando a Tr\u00edplice Alian\u00e7a e de outro o Paraguai. O equil\u00edbrio na regi\u00e3o platina sempre foi buscado pelos pa\u00edses que a compunham, de forma a assegurar que um deles detivesse poder excessivo na regi\u00e3o.\n\nO conflito teve in\u00edcio quando as rela\u00e7\u00f5es entre o Brasil e o Uruguai chegaram a um ponto cr\u00edtico, devido a constantes choques fronteiri\u00e7os entre estancieiros uruguaios e rio-grandenses.\n\nApoiado pelo presidente paraguaio Francisco Solano L\u00f3pez, o presidente uruguaio Atanasio Aguirre recusou as exig\u00eancias brasileiras de repara\u00e7\u00e3o formuladas pelo enviado especial Jos\u00e9 Ant\u00f4nio Saraiva.\n\nQuando os brasileiros sitiaram Montevid\u00e9u, terminando por derrubar Aguirre, Lopez invadiu a prov\u00edncia de Mato Grosso, tomando Nova Coimbra e Dourados e logo depois a prov\u00edncia argentina de Corrientes, visando chegar a seus aliados uruguaios. Em conseq\u00fc\u00eancia, foi assinado em 1\u00ba de maio de 1865 o Tratado da Tr\u00edplice Alian\u00e7a contra o Paraguai.\n\nOs aliados conseguiram, em 1865, a vit\u00f3ria naval da batalha do Riachuelo e a rendi\u00e7\u00e3o dos paraguaios que haviam chegado a Uruguaiana, no Rio Grande do Sul.\n\nTomando a ofensiva, sob o comando de Bartolomeu Mitre, presidente argentino, os aliados venceram as batalhas de Passo da P\u00e1tria e Tuiuti (1866). Quando o ent\u00e3o marqu\u00eas de Caxias, Lu\u00eds Alves de Lima e Silva, assumiu o comando, a fortaleza de Humait\u00e1 foi conquistada. (1867).\n\n<strong>Lopez retirou-se para mais pr\u00f3ximo de Assun\u00e7\u00e3o, onde acabou derrotado nas batalhas da &#8220;dezembrada&#8221;(1868):<\/strong> Ava\u00ed, Itoror\u00f3 e Lomas Valentinas.\n\nAssun\u00e7\u00e3o caiu e a \u00faltima fase da guerra foi comandada pelo conde d&#8217;Eu, encerrando-se com a morte de Lopez em Cerro Cor\u00e1 (1870).\n\n<b>2 DEFINI\u00c7\u00d5ES<\/b>\n\nMaior conflito armado ocorrido na Am\u00e9rica do Sul, a guerra do Paraguai (1864-1870) foi o desfecho inevit\u00e1vel das lutas travadas durante quase dois s\u00e9culos entre Portugal e Espanha e, depois, entre Brasil e as rep\u00fablicas hispano-americanas pela hegemonia na regi\u00e3o do Prata.\n\nA guerra do Paraguai surgiu de um complexo encadeamento de rivalidades internacionais, de ambi\u00e7\u00f5es pessoais e das peculiares condi\u00e7\u00f5es geogr\u00e1ficas da regi\u00e3o platina.\n\nNa \u00e9poca do conflito, o Imp\u00e9rio do Brasil emergia provavelmente como a na\u00e7\u00e3o mais influente e bem organizada da Am\u00e9rica do Sul, tendo fortalecido sua posi\u00e7\u00e3o no continente ap\u00f3s o per\u00edodo de lutas contra Rosas (na Argentina) e Oribe (no Uruguai).\n\nDesde a independ\u00eancia do Paraguai, em 1813, o Brasil passara a manter rela\u00e7\u00f5es satisfat\u00f3rias com esse pa\u00eds, mesmo durante o longo per\u00edodo de isolamento que sofrera a na\u00e7\u00e3o paraguaia sob os governos de Francia e de Carlos Antonio L\u00f3pez. O marechal paraguaio Francisco Solano L\u00f3pez sucedeu ao pai no momento em que arrefecera a rivalidade entre a Argentina e o Brasil, os dois p\u00f3los de poder do continente.\n\nSua ambi\u00e7\u00e3o era tornar o Paraguai uma pot\u00eancia platina, capaz de competir com a Argentina e o Brasil pela preemin\u00eancia na Am\u00e9rica do Sul. Atribu\u00eda o confinamento de seu pa\u00eds, em parte, \u00e0s maquina\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas entre o Brasil e os argentinos, que dificultavam ao Paraguai a navega\u00e7\u00e3o fluvial e o exerc\u00edcio de um relevante com\u00e9rcio internacional.\n\nEm seu avan\u00e7o para oeste, o Brasil poria em risco a na\u00e7\u00e3o paraguaia, e a consolida\u00e7\u00e3o das prov\u00edncias argentinas criaria um poderoso rival na fronteira sul do pa\u00eds. L\u00f3pez alimentava o plano de uma confedera\u00e7\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es hisp\u00e2nicas do interior.\n\nReunindo o Paraguai, as prov\u00edncias argentinas de Entre R\u00edos e Corrientes, o Uruguai e talvez a parte meridional do Rio Grande do Sul, teria condi\u00e7\u00f5es de fazer frente tanto ao Brasil quanto \u00e0 Argentina. Com a reviravolta pol\u00edtica ocorrida na Argentina, em 1861, ap\u00f3s a batalha de Pav\u00f3n, em que os unit\u00e1rios de Bartolom\u00e9 Mitre derrotaram os federais de Justo Jos\u00e9 Urquiza, e a instala\u00e7\u00e3o posterior dos liberais em Buenos Aires e por toda a Confedera\u00e7\u00e3o Argentina, L\u00f3pez se convenceu da inviabilidade de seu plano da &#8220;confedera\u00e7\u00e3o do interior&#8221;, que lhe daria o livre acesso ao mar.\n\n<strong>Descartada essa possibilidade, o ditador paraguaio preparou sua na\u00e7\u00e3o para a guerra:<\/strong> j\u00e1 em 1864, o Paraguai, em flagrante contradi\u00e7\u00e3o com os recursos de que dispunha, surgia como a principal pot\u00eancia militar do Prata. \u00c0s v\u00e9speras do conflito, o Paraguai dispunha de sessenta mil homens bem treinados e 400 canh\u00f5es. Os recursos de transporte e abastecimento, por\u00e9m, n\u00e3o atendiam \u00e0s exig\u00eancias de uma movimenta\u00e7\u00e3o de tropas em campanha.\n\nA maioria dos canh\u00f5es estava fixada na fortaleza de Humait\u00e1, onde tamb\u00e9m se encontravam grandes efetivos de infantaria. Quanto \u00e0s for\u00e7as navais, essenciais para um pa\u00eds cuja \u00fanica via de comunica\u00e7\u00e3o com o exterior era a bacia platina, L\u00f3pez s\u00f3 dispunha de 14 pequenas canhoneiras fluviais.\n\nO Brasil podia lan\u00e7ar em campo 18.000 homens, dos quais oito mil estavam nas guarni\u00e7\u00f5es do sul; contava com uma for\u00e7a naval consider\u00e1vel e bem treinada, com uma esquadra de 42 navios, embora alguns deles, pelo calado, n\u00e3o fossem apropriados \u00e0 navega\u00e7\u00e3o fluvial.\n\nA Argentina possu\u00eda apenas oito mil homens e n\u00e3o dispunha de uma marinha de guerra quantitativamente apreci\u00e1vel. As for\u00e7as do Uruguai contavam menos de tr\u00eas mil homens, sem unidades navais.<b> <\/b>\n\n<b>3 IN\u00cdCIO DA GUERRA<\/b>\n\nO pretexto para a guerra foi a interven\u00e7\u00e3o do Brasil na pol\u00edtica uruguaia entre agosto de 1864 e fevereiro de 1865. Para atender ao pedido do governador dos blancos de Aguirre, L\u00f3pez tentou servir de mediador entre o Imp\u00e9rio do Brasil e a Rep\u00fablica Oriental do Uruguai, mas, ao ver rejeitada sua pretens\u00e3o pelo governo brasileiro, deu in\u00edcio \u00e0s hostilidades.\n\nEm 12 de novembro de 1864, mandou capturar o navio mercante brasileiro Marqu\u00eas de Olinda, que subia o rio Paraguai, e, em 11 de dezembro, iniciou a invas\u00e3o da prov\u00edncia de Mato Grosso. Dois dias depois declarou guerra ao Brasil, que ainda estava em meio \u00e0 interven\u00e7\u00e3o armada no Uruguai.\n\n<strong>Para a invas\u00e3o de Mato Grosso, L\u00f3pez mobilizou duas fortes colunas: <\/strong>uma por via fluvial, que atacou e dominou o forte Coimbra, apoderando-se em seguida de Albuquerque e de Corumb\u00e1; e outra por via terrestre, que venceu a guarni\u00e7\u00e3o de Dourados, ocupou depois Nioaque e Miranda e enviou um destacamento para tomar Coxim, em abril de 1865.<b> <\/b>\n\n<b>4 TOMADA DE HUMAIT\u00c1<\/b>\n\nEm 1\u00ba de agosto Mitre retornou ao comando e deu ordens para que a esquadra imperial for\u00e7asse a passagem em Curupaiti e Humait\u00e1. Em 15 de agosto, duas divis\u00f5es de cinco encoura\u00e7ados ultrapassaram, sem perdas, Curupaiti, mas foram obrigadas a deter-se frente aos poderosos canh\u00f5es da fortaleza de Humait\u00e1.\n\nO fato causou novas dissens\u00f5es no alto comando aliado. Ao contr\u00e1rio de Mitre, os brasileiros consideravam imprudente e in\u00fatil prosseguir, enquanto n\u00e3o se concatenassem ataques terrestres para envolver o Quadril\u00e1tero, que se iniciaram, finalmente, em 18 de agosto.\n\nA partir de Tuiu-Cu\u00ea, os aliados rumaram para o norte e tomaram S\u00e3o Solano, Vila do Pilar e Tayi, \u00e0s margens do rio Paraguai, onde completaram o cerco da fortaleza por terra e cortaram as comunica\u00e7\u00f5es fluviais entre Humait\u00e1 e Assun\u00e7\u00e3o.\n\nEm 3 de novembro de 1867 os paraguaios atacaram a posi\u00e7\u00e3o aliada de Tuiuti (segunda batalha de Tuiuti), mas foram derrotados. Com o afastamento definitivo de Mitre, que retornou \u00e0 Argentina, Caxias voltou a assumir o comando geral dos aliados. Em 19 de fevereiro a esquadra imperial for\u00e7ou a passagem de Humait\u00e1 que, totalmente cercada, s\u00f3 caiu em 25 de julho de 1868.\n\n<b>5 TRATADO DA TR\u00cdPLICE ALIAN\u00c7A<\/b>\n\nO principal objetivo da invas\u00e3o do Mato Grosso era distrair a aten\u00e7\u00e3o do Ex\u00e9rcito brasileiro para o norte do Paraguai, enquanto a guerra se decidia no sul.\n\n<strong>Em 18 de mar\u00e7o de 1865, com a recusa do presidente argentino Bartolom\u00e9 Mitre a conceder autoriza\u00e7\u00e3o para que tropas paraguaias cruzassem seu territ\u00f3rio, Solano L\u00f3pez declarou guerra \u00e0 Argentina e lan\u00e7ou-se \u00e0 ofensiva:<\/strong> capturou duas canhoneiras argentinas fundeadas no porto de Corrientes e invadiu a prov\u00edncia em 14 de abril.\n\nO fato motivou a forma\u00e7\u00e3o, em 1\u00ba de maio de 1865, da Tr\u00edplice Alian\u00e7a, que reunia o Brasil, a Argentina e o Uruguai (governado por Venancio Flores, chefe dos colorados) e destinava-se a conter os avan\u00e7os do Paraguai. Enquanto isso, no Mato Grosso, uma expedi\u00e7\u00e3o de aproximadamente 2.500 homens, organizada em S\u00e3o Paulo, Minas Gerais e Goi\u00e1s, foi enviada para combater os invasores.\n\nA coluna percorreu mais de dois mil quil\u00f4metros e, com grande n\u00famero de baixas, causadas por enchentes e doen\u00e7as, atingiu Coxim em dezembro de 1865, quando a regi\u00e3o j\u00e1 havia sido abandonada. O mesmo aconteceu em Miranda, aonde chegaram em setembro de 1866.\n\nEssa mesma expedi\u00e7\u00e3o decidiu em seguida invadir o territ\u00f3rio paraguaio, onde atingiu Laguna. Perseguida pelos inimigos, a coluna foi obrigada a recuar, a\u00e7\u00e3o que ficou conhecida como a retirada da Laguna.<b> <\/b>\n\n<b>6 RENDI\u00c7\u00c3O DE URUGUAIANA<\/b>\n\nEm 16 de julho, o Ex\u00e9rcito brasileiro chegou \u00e0 fronteira do Rio Grande do Sul e logo depois cercou Uruguaiana. Em 18 de setembro Estigarribia rendeu-se, na presen\u00e7a de D. Pedro II e dos presidentes Bartolom\u00e9 Mitre e Venancio Flores. Encerrava-se com esse epis\u00f3dio a primeira fase da guerra, em que Solano L\u00f3pez lan\u00e7ara sua grande ofensiva nas opera\u00e7\u00f5es de invas\u00e3o da Argentina e do Brasil.\n\nNo in\u00edcio de outubro, as tropas paraguaias de ocupa\u00e7\u00e3o em Corrientes receberam de L\u00f3pez ordem para retornar a suas bases em Humait\u00e1. Ao mesmo tempo, as tropas aliadas, com Mitre como comandante-em-chefe, libertavam Corrientes e S\u00e3o Cosme, na conflu\u00eancia dos rios Paran\u00e1 e Paraguai, no final de 1865.\n\n<b>7 BATALHA DO RIACHUELO<\/b>\n\nEm 11 de junho de 1865 travou-se no rio Paran\u00e1 a batalha do Riachuelo, em que a esquadra brasileira, comandada por Francisco Manuel Barroso da Silva, futuro bar\u00e3o do Amazonas, aniquilou a paraguaia, comandada por Pedro Inacio Meza.\n\n<strong>A vit\u00f3ria do Riachuelo teve not\u00e1vel influ\u00eancia nos rumos da guerra:<\/strong> impediu a invas\u00e3o da prov\u00edncia argentina de Entre R\u00edos e cortou a marcha, at\u00e9 ent\u00e3o triunfante, de L\u00f3pez. Desse momento at\u00e9 a derrota final, o Paraguai teve de recorrer \u00e0 guerra defensiva. Quase ao mesmo tempo, as tropas imperiais repeliam o Ex\u00e9rcito paraguaio que invadira o Rio Grande do Sul.\n\nOs paraguaios, sob o comando do tenente-coronel Antonio de la Cruz Estigarribia, haviam atravessado o rio Uruguai e ocupado sucessivamente, de junho a agosto, as povoa\u00e7\u00f5es de S\u00e3o Borja, Itaqui e Uruguaiana. Outra coluna, que, sob as ordens do major Pedro Duarte, pretendia chegar ao Uruguai, foi detida por Flores, em 17 de agosto, na batalha de Jata\u00ed.\n\n<b>8 INVAS\u00c3O DO PARAGUAI<\/b>\n\nCome\u00e7ava ent\u00e3o uma segunda fase do conflito, com a transfer\u00eancia da iniciativa do Ex\u00e9rcito paraguaio para o aliado. Fortalecidos, com um efetivo de cinq\u00fcenta mil homens, os aliados lan\u00e7aram-se \u00e0 ofensiva. Sob o comando do general Manuel Lu\u00eds Os\u00f3rio, e com o aux\u00edlio da esquadra imperial, transpuseram o rio Paran\u00e1, em 16 de abril de 1866, e conquistaram posi\u00e7\u00e3o em territ\u00f3rio inimigo, em Passo da P\u00e1tria, uma semana depois.\n\nEstabeleceram-se em 20 de maio, em Tuiuti, onde sofreram um ataque paraguaio quatro dias depois. A batalha de Tuiuti, considerada a mais renhida e sangrenta de todas as que se realizaram na Am\u00e9rica do Sul, trouxe expressiva vit\u00f3ria \u00e0s for\u00e7as aliadas.\n\nO caminho para Humait\u00e1, entretanto, n\u00e3o fora desimpedido. O comandante Mitre aproveitou as reservas de dez mil homens trazidos pelo bar\u00e3o de Porto Alegre e decidiu atacar as baterias de Curuzu e Curupaiti, que guarneciam a direita da posi\u00e7\u00e3o de Humait\u00e1, \u00e0s margens do rio Paraguai. Atacada de surpresa, a bateria de Curuzu foi conquistada em 3 de setembro.\n\n<strong>N\u00e3o se obteve, por\u00e9m, o mesmo \u00eaxito em Curupaiti, onde em 22 de setembro os aliados foram dizimados pelo inimigo:<\/strong> cinco mil homens morreram.\n\n<b>9 DEZEMBRADA<\/b>\n\nEfetuada a ocupa\u00e7\u00e3o de Humait\u00e1, Caxias concentrou as for\u00e7as aliadas, em 30 de setembro, na regi\u00e3o de Palmas, fronteiri\u00e7a \u00e0s novas fortifica\u00e7\u00f5es inimigas.\n\nSituadas ao longo do arroio Piquissiri, essas fortifica\u00e7\u00f5es barravam o caminho para Assun\u00e7\u00e3o, apoiadas nos dois fortes de Ita-Ibat\u00e9 (Lomas Valentinas) e Angostura, este \u00e0 margem esquerda do rio Paraguai.\n\n<strong>O comandante brasileiro idealizou, ent\u00e3o, a mais brilhante e ousada opera\u00e7\u00e3o do conflito:<\/strong> a manobra do Piquissiri. Em 23 dias fez construir uma estrada de 11km atrav\u00e9s do Chaco pantanoso que se estendia pela margem direita do rio Paraguai, enquanto for\u00e7as brasileiras e argentinas encarregavam-se de divers\u00f5es frente \u00e0 linha do Piquissiri.\n\n<strong>Executou-se ent\u00e3o a manobra: <\/strong>tr\u00eas corpos do Ex\u00e9rcito brasileiro, com 23.000 homens, foram transportados pela esquadra imperial de Humait\u00e1 para a margem direita do rio, percorreram a estrada do Chaco, reembarcaram em frente ao porto de Villeta, e desceram em terra no porto de Santo Ant\u00f4nio e Ipan\u00e9, novamente na margem esquerda, vinte quil\u00f4metros \u00e0 retaguarda das linhas paraguaias do Piquissiri.\n\nL\u00f3pez foi inteiramente surpreendido por esse movimento, tamanha era sua confian\u00e7a na impossibilidade de grandes contingentes atravessarem o Chaco. Na noite de 5 de dezembro, as tropas brasileiras encontravam-se em terra e iniciaram no dia seguinte o movimento para o sul, conhecido como a &#8220;dezembrada&#8221;.\n\nNo mesmo dia, o general Bernardino Caballero tentou barrar-lhes a passagem na ponte sobre o arroio Itoror\u00f3. Vencida a batalha, o Ex\u00e9rcito brasileiro prosseguiu na marcha e aniquilou na localidade de Ava\u00ed, em 11 de dezembro, as duas divis\u00f5es de Caballero.\n\nEm 21 de dezembro, tendo recebido o necess\u00e1rio abastecimento por Villeta, os brasileiros atacaram o Piquissiri pela retaguarda e, ap\u00f3s seis dias de combates cont\u00ednuos, conquistaram a posi\u00e7\u00e3o de Lomas Valentinas, com o que obrigou a guarni\u00e7\u00e3o de Angostura a render-se em 30 de dezembro. L\u00f3pez, acompanhado apenas de alguns contingentes, fugiu para o norte, na dire\u00e7\u00e3o da cordilheira.\n\nEm 1\u00ba de janeiro de 1869 os aliados ocuparam Assun\u00e7\u00e3o. L\u00f3pez, prosseguindo na resist\u00eancia, refez um pequeno ex\u00e9rcito de 12.000 homens e 36 canh\u00f5es na regi\u00e3o montanhosa de Ascurra-Caacup\u00ea-Peribebu\u00ed, aldeia que transformou em sua capital. Caxias, por motivo de sa\u00fade, regressou ao Brasil.\n\nEm abril de 1869, assumiu o comando geral das opera\u00e7\u00f5es, o marechal-de-ex\u00e9rcito Gast\u00e3o d&#8217;\u00d3rl\u00e9ans, conde d&#8217;Eu, genro do imperador, que empreendeu a chamada campanha das cordilheiras. O Ex\u00e9rcito brasileiro flanqueou as posi\u00e7\u00f5es inimigas de Ascurra e venceu as batalhas de Peribebu\u00ed (12 de agosto) e Campo Grande ou Nhu-Gua\u00e7u (16 de agosto).\n\nL\u00f3pez abandonou Ascurra e, seguido por menos de trezentos homens, embrenhou-se nas matas, marchando sempre para o norte, at\u00e9 ser alcan\u00e7ado pelas tropas brasileiras em Cerro-Cor\u00e1, \u00e0 margem do arroio Aquidabanigui, onde foi morto ap\u00f3s recusar-se \u00e0 rendi\u00e7\u00e3o, em 1\u00ba de mar\u00e7o de 1870. Em 20 de junho de 1870, Brasil e Paraguai assinaram um acordo preliminar de paz.\n\nAs baixas da na\u00e7\u00e3o paraguaia foram estimadas em cerca de 300.000, inclu\u00eddos os civis mortos pela fome e em conseq\u00fc\u00eancia da c\u00f3lera. O Brasil, que chegou a mobilizar 180.000 homens durante a luta, teve cerca de trinta mil baixas.\n\nO tratado definitivo de paz entre Brasil e Paraguai, assinado somente em 9 de janeiro de 1872, consagrava a liberdade de navega\u00e7\u00e3o no rio Paraguai e as fronteiras reivindicadas pelo Brasil antes da guerra.\n\n<b>10 CONCLUS\u00c3O<\/b>\n\nNos anos 60 do s\u00e9culo XIX uma nova crise na regi\u00e3o do Prata se transformaria no em longo e sangrento conflito conhecido como a Guerra do Paraguai. Este epis\u00f3dio durante algum tempo, foi entendido pelo lado brasileiro como uma luta realizada contra o ditador Solano L\u00f3pez e seus planos expansionistas.\n\nMais adiante, na d\u00e9cada de 1960, segundo a vers\u00e3o de historiadores como o argentino Le\u00f3n Pomer, a raz\u00e3o da guerra seria relacionada aos interesses ingleses, que viam com desagrado a crescente autonomia paraguaia. Assim, havia uma emergente necessidade, por parte do Governo ingl\u00eas, de desarticular o Paraguai, mantendo o controle econ\u00f4mico sobre a Am\u00e9rica Latina.\n\n<strong>Henrique Buzatto Storck<\/strong>\n<p align=\"left\"><b>REFER\u00caNCIAS<\/b><\/p>\nMADUREIRA, Ant\u00f4nio de Sena. <b>Guerra do Paraguai<\/b>. Cole\u00e7\u00e3o Temas Brasileiros. Bras\u00edlia, 1982. v. 22. Editora Universidade de Bras\u00edlia.\nVIANA, H\u00e9lio. <b>Hist\u00f3ria do Brasil<\/b>. 14. ed. rev. S\u00e3o Paulo. Edi\u00e7\u00f5es Melhoramentos.\n\n&nbsp;\n\nO maior conflito ocorrido nessa \u00e1rea foi, A <strong>Guerra do Paraguai<\/strong>, que envolveu os quatro pa\u00edses da regi\u00e3o ( Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai) e se estendeu de 1865 a 1870.\n\nO Paraguai havia surgido como pa\u00eds independente em 1811, quando conseguiu libertar-se do dom\u00ednio espanhol.\n\nAo contr\u00e1rio de todas de todas as outras na\u00e7\u00f5es da Am\u00e9rica Latina, o Paraguai, desde o governo do primeiro presidente, Rodr\u00edguez Francia, organizou-se de forma verdadeira independente.\n\nIsso era fundamental para o pa\u00eds, que ficava encravado entre o Brasil, a Argentina e o Uruguai, sem sa\u00edda para o mar. Todo o com\u00e9rcio paraguaio com o exterior dependia do rio Prata, controlado pela Argentina.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Guerra do Paraguai\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/gguerra110.jpg\" alt=\"Guerra do Paraguai\" width=\"357\" height=\"209\" \/>\n<b>Rancho do comandante do Batalh\u00e3o Argentino<\/b><\/p>\nA passagem de navios de outros pa\u00edses pelo estu\u00e1rio s\u00f3 podia ser feita mediante a pagamento de impostos \u00e0 Argentina. Ap\u00f3s a morte de Francia, seu sucessor continuou promovendo o desenvolvimento do Paraguai.\n\nA ind\u00fastria paraguaia se desenvolveu tanto, que o pa\u00eds n\u00e3o precisava comprar mercadorias estrangeiras para o seu consumo interno. E todos esses empreendimentos se faziam sem a presen\u00e7a dos empr\u00e9stimos ingleses, como ocorria nos outros pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Guerra do Paraguai\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/gguerra25.jpg\" alt=\"Guerra do Paraguai\" width=\"349\" height=\"184\" \/>\n<b>Igreja de Humait\u00e1 durante a guerra<\/b><\/p>\nO terceiro presidente do paraguaio, general Francisco Solano Lopes, transformou o ex\u00e9rcito de seu pa\u00eds mais disciplinada for\u00e7a militar da Am\u00e9rica do Sul. Ele sabia que o desenvolvimento do Paraguai incomodava os pa\u00edses vizinhos e contrariava os interesses da Inglaterra. Por isso, preparava-se para um confronto armado e estava disposto a lutar para conseguir uma sa\u00edda para o Atl\u00e2ntico.\n\n<strong>Com isso, o Paraguai amea\u00e7ou os interesses dos vizinhos:<\/strong> Brasil, Argentina e Paraguai.\n\nEm maio de 1865, esses tr\u00eas pa\u00edses formaram uma alian\u00e7a (a <strong>Tr\u00edplice Alian\u00e7a<\/strong>) contra o Paraguai. A Inglaterra, logicamente, estava apoiando essa alian\u00e7a, pois tamb\u00e9m tinha interesse na destrui\u00e7\u00e3o do Paraguai. Desejava controlar os rios naveg\u00e1veis que atravessavam aquele pa\u00eds e, al\u00e9m disso, cobi\u00e7avam suas terras f\u00e9rteis e excelentes para o cultivo do algod\u00e3o.\n\nLogo no in\u00edcio da guerra, ficou demostrado que o ex\u00e9rcito paraguaio estava muito mais preparado do que os seus inimigos. Venceu as primeiras batalhas sem dificuldades.\n\nNo entanto, apesar do preparo das tropas paraguaias, as for\u00e7as navais brasileiras estavam mais bem aparelhadas, o que acabou resultando na superioridade do Brasil na guerra. Assim mesmo, o Paraguai resistiu por cinco anos, at\u00e9 o limite de suas for\u00e7as.\n<h4>MORTE E DESTRUI\u00c7\u00c3O<\/h4>\nO pa\u00eds foi praticamente destru\u00eddo. Quando a guerra come\u00e7ou, o Paraguai possuia 800 mil habitantes; ao final do conflito restavam apenas 194 mil (14 mil homens e 180 mil mulheres).\n\nAs propriedades dos pequenos agricultores foram vendidas a holandeses, ingleses e americanos. As f\u00e1bricas foram destru\u00eddas, a estrada de ferro que ligava as v\u00e1rias regi\u00e3o foi vendida aos ingleses.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Guerra do Paraguai\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/gguerra310.jpg\" alt=\"Guerra do Paraguai\" width=\"263\" height=\"213\" \/>\n<b>Interior da Igreja Humait\u00e1 toda destru\u00edda\u00a0em consequ\u00eancia da guerra<\/b><\/p>\nSangrento<strong> conflito do Paraguai <\/strong>com a Argentina, Brasil e Uruguai.\n\nTamb\u00e9m conhecida como a<strong> Guerra da Tr\u00edplice Alian\u00e7a<\/strong>, este foi o mais longo conflito entre as na\u00e7\u00f5es independentes da Am\u00e9rica Latina, com dura\u00e7\u00e3o de novembro 1864 a mar\u00e7o de 1870, quando o l\u00edder paraguaio, o marechal Solano L\u00f3pez, foi morto no cerco final dentro de si Paraguai.\n\n<strong>A pr\u00f3pria guerra<\/strong>\n\nResumidamente, a guerra foi o resultado do desejo do Paraguai para transformar suas riquezas da ind\u00fastria de erva-mate em uma transforma\u00e7\u00e3o de seu status como um estado-tamp\u00e3o entre Brasil e Argentina em uma pot\u00eancia de pleno direito regional. Para isso foi necess\u00e1rio dominar o Uruguai para garantir o acesso ao mar, levando a irrefletidas invas\u00f5es do pa\u00eds, assim como a Argentina eo Brasil muito maior.\n\nDe 150 para mais de 200 mil pessoas morreram em consequ\u00eancia da guerra, seja no campo de batalha ou de doen\u00e7a ou outras conseq\u00fc\u00eancias do conflito.\n\nPopula\u00e7\u00e3o masculina do Paraguai foi devastada, enquanto as sociedades de todas as na\u00e7\u00f5es envolvidas foram irrevogavelmente alterada.\n<p class=\"imagem\"><img decoding=\"async\" title=\"Guerra do Paraguai\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/guerra-do-paraguai-off.jpg\" alt=\"Guerra do Paraguai\" \/><\/p>\n<strong>A Guerra do Paraguai<\/strong>\n\nA <strong>guerra do Paraguai<\/strong>, que envolveu o Brasil, a Argentina, o Paraguai e o Uruguai, foi uma das mais sangrentas guerras que ocorreram na Am\u00e9rica do Sul no s\u00e9culo passado. Tratava-se da disputa sobre o controle da navega\u00e7\u00e3o comercial na Bacia do Prata (Rio Prata) entre esses pa\u00edses.\n\nO Paraguai havia sido uma prov\u00edncia Argentina que havia ganhe sua independ\u00eancia em 1852 e seu governo era aliado do partido Blanco, dos latifundi\u00e1rios do Uruguai. Paraguai \u00e9 um pa\u00eds da Am\u00e9rica Latina que n\u00e3o tem sa\u00edda para o oceano. O Uruguai era a antiga Prov\u00edncia de Cisplatina, regi\u00e3o disputada entre os governos espanh\u00f3is e portugueses que foi invadida por D. Jo\u00e3o VI quando este esteve no Brasil. O Uruguai conseguiu se libertar do Brasil no final do governo de D. Pedro I.\n\nSolano Lopez, presidente paraguaio, contava com o apoio de seus aliados quando iniciou a guerra em seu objetivo de conquistar para seu pa\u00eds uma sa\u00edda para o Atl\u00e2ntico a fim de comercializar produtos paraguaios. Quando as tropas brasileiras invadiram o Uruguai para colocar o partido Colorado no poder, em 1867, Lopez, em defesa dos blancos, invadiu o Mato Grosso do Sul. Como a Argentina n\u00e3o quis deixar que as tropas paraguaias passassem em seu territ\u00f3rio, Solano invadiu a prov\u00edncia argentina Corrientes.\n\nSem seus aliados no poder uruguaio, o Paraguai acabou tendo que enfrentar a Argentina, o Brasil e o Uruguai dos Colorados juntos. Mas, com o tempo, a guerra trouxe fome e d\u00edvidas para todos, pois a Inglaterra emprestou dinheiro para compra de armas para o Brasil e para a Argentina.\n\nO ex\u00e9rcito brasileiro era o maior de todos, mas tamb\u00e9m era o mais despreparado. Naquela \u00e9poca, n\u00e3o era o ex\u00e9rcito o encarregado de proteger o territ\u00f3rio brasileiro, mas a Guarda nacional.\n\nA Guarda Nacional era uma for\u00e7a criada ainda na \u00e9poca das Reg\u00eancias. Os comandantes eram os latifundi\u00e1rios que tinham condi\u00e7\u00f5es de contratar e armar pessoas por seus pr\u00f3prios recursos. Esses latifundi\u00e1rios ganharam o t\u00edtulo de coron\u00e9is mesmo sem pertencer a nenhuma institui\u00e7\u00e3o militar e eram encarregados de proteger apenas seu Estado. O ex\u00e9rcito, daquela \u00e9poca, eram mercen\u00e1rios, sem nenhum v\u00ednculo com o ex\u00e9rcito. Mercen\u00e1rios s\u00e3o guerreiros que lutam apenas se forem pagos, independente de qual pa\u00eds est\u00e1 pagando.\n\nFoi apenas na Guerra do Paraguai que o governo brasileiro criou um ex\u00e9rcito com soldados n\u00e3o mercen\u00e1rios, profissionais. Os soldados que lutaram na Guerra do Paraguai eram, em boa parte, negros, escravos que ganhavam a liberdade para lutarem. O Brasil era o \u00fanico pa\u00eds na guerra a adotar a Monarquia e a manter a escravid\u00e3o.\n\nSem nunca chegarem ao Uruguai para colocarem os Blancos novamente no poder, as tropas paraguaias, depois de vit\u00f3rias iniciais, foram sofrendo derrotas. Mesmo tendo a Argentina, que sofria suas revoltas internas, e o Uruguai fora da guerra, as tropas brasileiras, com o apoio da potente frota naval, aos poucos conseguiam expulsar os paraguaios do territ\u00f3rio brasileiro.\n\nA derrota definitiva do Paraguai ocorreu com o massacre nas tropas paraguaias em 16 de agosto de 1869. Todos os pa\u00edses envolvidos na guerra tiveram suas economias abaladas com enormes d\u00edvidas, mas o Paraguai praticamente viu seu ex\u00e9rcito dizimado, sua economia arrasada e seu territ\u00f3rio diminu\u00eddo em 40%. Brasil e Argentina ganharam territ\u00f3rios do pa\u00eds derrotado.\n<h4>Hist\u00f3ria<\/h4>\n&nbsp;\n\nO Paraguai no s\u00e9culo XIX era um pa\u00eds que destoava do conjunto latino-americano por ter alcan\u00e7ado um certo progresso econ\u00f4mico aut\u00f4nomo, a partir da independ\u00eancia em 1811.\n\nDurante os longos governos de Jos\u00e9 Franc\u00eda (1811-1840) e Carlos L\u00f3pez (1840-1862), erradicara-se o analfabetismo no pa\u00eds e haviam surgido f\u00e1bricas &#8212; inclusive de armas e p\u00f3lvora &#8211;, ind\u00fastrias sider\u00fargicas, estradas de ferro e um eficiente sistema de tel\u00e9grafo.\n\nAs &#8220;est\u00e2ncias da p\u00e1tria&#8221; (unidades econ\u00f4micas formadas por terras e instrumentos de trabalho destribu\u00eddos pelo Estado aos camponeses, desde o governo Franc\u00eda) abasteciam o consumo nacional de produtos agr\u00edcolas e garantiam \u00e0 popula\u00e7\u00e3o emprego e invej\u00e1vel padr\u00e3o alimentar.\n\nNesse quadro de relativo sucesso socioecon\u00f4mico e de autonomia internacional, Solano L\u00f3pez, cujo governo iniciou-se em 1862, enfatizou a pol\u00edtica militar-expansionista, a fim de ampliar o territ\u00f3rio paraguaio.\n\nPretendia criar o &#8220;Paraguai Maior&#8221;, anexando, para isso, regi\u00f5es da Argentina, do Uruguai e do Brasil (como Rio Grande do Sul e Mato Grosso). Obteria, dessa forma, acesso ao Atl\u00e2ntico, tido como imprescind\u00edvel para a continua\u00e7\u00e3o do progresso econ\u00f4mico do pa\u00eds. A expans\u00e3o econ\u00f4mica paraguaia, contudo, prejudicava os interesses ingleses na regi\u00e3o, na medida em que reduzia o mercado consumidor paraguaio para seus produtos.\n\nHavia, ainda, a amea\u00e7a de que o pa\u00eds eventualmente se transformasse em exportador de manufaturados ou que seu modelo de desenvolvimento aut\u00f4nomo e independente pudesse servir de exemplo para outros pa\u00edses da regi\u00e3o. Dessa forma, a Inglaterra tinha s\u00f3lidos interesses que justificavam estimular e financiar uma guerra contra o Paraguai.\n\nUsando como pretexto a interven\u00e7\u00e3o brasileira no Uruguai e contando com um ex\u00e9rcito bem mais numeroso que o do oponente brasileiro, Solano L\u00f3pez tomou a ofensiva ao romper rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas com o Brasil, em 1864. Logo depois, como medida complementar, ordenou o aprisionamento do navio brasileiro Marqu\u00eas de Olinda, no rio Paraguai, retendo, entre seus passageiros e tripulantes, o presidente da prov\u00edncia do Mato Grosso, Carneiro de Campos. A resposta brasileira foi a imediata declara\u00e7\u00e3o de guerra ao Paraguai.\n\nEm 1865, mantendo-se na ofensiva, o Paraguai havia invadido o Mato Grosso e o Norte da Argentina, e os governos do Brasil, Argentina e Uruguai criaram a <strong>Tr\u00edplice Alian\u00e7a<\/strong> contra Solano L\u00f3pez.\n\nApesar de as primeiras vit\u00f3rias da guerra terem sido paraguaias, o pa\u00eds n\u00e3o p\u00f4de resistir a uma guerra prolongada. A popula\u00e7\u00e3o paraguaia era muito menor que a dos pa\u00edses da <strong>Tr\u00edplice Alian\u00e7a<\/strong> e, por maior que fosse a compet\u00eancia do ex\u00e9rcito paraguaio, a ocupa\u00e7\u00e3o militar dos territ\u00f3rios desses pa\u00edses era fisicamente imposs\u00edvel, enquanto o pequeno Paraguai podia ser facilmente ocupado pelas tropas da Alian\u00e7a.\n\nFinalmente, Brasil, Argentina e Uruguai contavam com o apoio ingl\u00eas, recebendo empr\u00e9stimos para equipar e manter poderosos ex\u00e9rcitos. A vit\u00f3ria brasileira do almirante Barroso na batalha de Riachuelo, j\u00e1 em 1865, levou \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o da frota paraguaia. A partir da\u00ed, as for\u00e7as da <strong>Tr\u00edplice Alian\u00e7a<\/strong> passaram a ter a iniciativa na guerra, controlando rios, principais meios de comunica\u00e7\u00e3o da bacia platina.\n\nApesar de todas essas limita\u00e7\u00f5es, o Paraguai resistiu a quase cinco anos de guerra, mostrando o grau relativamente alto de desenvolvimento e auto-sufici\u00eancia que havia obtido, al\u00e9m do engajamento da sua popula\u00e7\u00e3o em defesa do pa\u00eds.\n\nO maior contigente das tropas da Alian\u00e7a foi fornecido pelo ex\u00e9rcito brasileiro, que at\u00e9 ent\u00e3o praticamente inexistia. Como sabemos, a Guarda Nacional cumpria, ainda que mal, as fun\u00e7\u00f5es normalmente destinadas ao ex\u00e9rcito.\n\nDiante de uma tropa bem-organizada e treinada como a paraguaia, era necess\u00e1ria uma nova for\u00e7a a rmada para o Brasil. O reduzido corpo de oficiais profissionais do ex\u00e9rcito brasileiro encarregou-se dessa fun\u00e7\u00e3o com bastante sucesso, ainda que isso demandasse tempo.\n\nPara ampliar o contigente de soldados, em novembro de 1866 foi decretado que os escravos voluntariamente se apresentassem para lutar na guerra obteriam a liberdade. Muitos se alistaram dessa maneira, mas alguns foram obrigados a faz\u00ea-lo no lugar dos filhos de seus senhores que haviam sido recrutados.\n\nNo mesmo ano, o Brasil alcan\u00e7ou expressiva vit\u00f3ria na batalha de Tuiuti. Lu\u00eds Alves de Lima e Silva, bar\u00e3o de Caxias, assumiu o comando das for\u00e7as militares imperiais, vencendo rapidamente importante batalhas como as de Itoror\u00f3, Ava\u00ed, Angosturas e Lomas Valentinas, chamadas &#8220;dezembradas&#8221; por terem acontecidos no m\u00eas de dezembro de 1868.\n\nEssas batalhas abriram caminho para a invas\u00e3o de Assun\u00e7\u00e3o, capital paraguaia, tomada em janeiro de 1869. O conde D&#8217;Eu, genro do imperador, liderou a \u00faltima fase da guerra, conhecida como campanha da Cordilheira, completada com a morte de Solano L\u00f3pez em 1870.\n\nA guerra devastou o territ\u00f3rio paraguaio, desestruturando sua economia e causando a morte de cerca de 75% da popula\u00e7\u00e3o (aproximadamente 600 mil mortos).\n\nAcredita-se que a guerra foi respons\u00e1vel pela morte de mais de 99% da popula\u00e7\u00e3o masculina com mais de 20 anos, sobrevivendo a popula\u00e7\u00e3o formada, predominantemente, por velhos, crian\u00e7as e mulheres.\n\nAl\u00e9m das mortes em combate, foram devastadoras as epidemais, principalmente a de c\u00f3lera, que atingiram os homens de ambos os lados da guerra.\n\nAcrescente-se, ainda, que os governos da <strong>Tr\u00edplice Alian\u00e7a<\/strong> adotaram uma pol\u00edtica genocida contra a popula\u00e7\u00e3o paraguaia.\n\nPara o Brasil, al\u00e9m da morte de aproximadamente 40 mil homens (sobretudo negros), a guerra trouxe forte endividamento em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Inglaterra. Apontada como a principal benefici\u00e1ria do conflito, forneceu armas e empr\u00e9stimos, ampliando seus neg\u00f3cios na regi\u00e3o e acabando com a experi\u00eancia econ\u00f4mica paraguaia.\n\nO Brasil conseguiu a manuten\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o na bacia Platina, embora a um pre\u00e7o exorbitantemente alto. Mas a principal conseq\u00fc\u00eancia da <strong>Guerra do Paraguai<\/strong> foi o fortalecimento e a institucionaliza\u00e7\u00e3o do ex\u00e9rcito, com o surgimento de um grande e disciplinado corpo de oficiais experientes, pronto a defender os interesses da institui\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, seu poder b\u00e9lico tornava-o uma organiza\u00e7\u00e3o capaz de impor suas id\u00e9ias a for\u00e7a, caso necess\u00e1rio, acrescentando uma dose de instabilidade ao regime imperial.\n\n<b>Carlos Leite Ribeiro<\/b>\n\n&nbsp;\n\n11 de junho de 1865, nove da manh\u00e3. A Esquadra do Imp\u00e9rio Brasileiro, ancorada no rio Paran\u00e1 perto da cidade argentina de Corrientes, \u00e9 surpreendida, em pleno desjejum, pela Marinha Paraguaia em peso.\n\nEstava para come\u00e7ar a batalha mais decisiva do maior conflito do nosso continente.\n\nEstudei Hist\u00f3ria Militar por achar que eram nos momentos-limites, como guerras, que os povos mais se revelavam.\n\nPois a Batalha de Riachuelo mostra com clareza tudo o que o brasileiro tem de melhor e pior.\n\nDif\u00edcil dizer quando come\u00e7a a Guerra do Paraguai. Depende de que lado voc\u00ea est\u00e1.\n\nExplico a situa\u00e7\u00e3o aos meus alunos do Ensino M\u00e9dio do seguinte modo.\n\n<strong>Quem come\u00e7a uma briga: o valent\u00e3o que desenha uma linha no ch\u00e3o e diz que quem passar da linha, apanha, ou o outro valent\u00e3o que vai e passa?<\/strong>\n\nFoi mais ou menos isso que aconteceu.\n\nO Paraguai declarou considerar a independ\u00eancia do Uruguai estrat\u00e9gica e que uma invas\u00e3o brasileira do Uruguai seria uma declara\u00e7\u00e3o de guerra.\n\nDom Pedro II cagou e invadiu assim mesmo.\n<h4><strong>E ent\u00e3o, quem come\u00e7ou a guerra?<\/strong><\/h4>\nVoc\u00ea pode argumentar que o Brasil n\u00e3o tinha direito de invadir ningu\u00e9m. Voc\u00ea pode argumentar que o Paraguai n\u00e3o tinha direito de determinar quem pode ou n\u00e3o ser invadido.\n\nImediatamente, o Paraguai fechou o rio Paran\u00e1 e invadiu o Mato Grosso, o Rio Grande do Sul e a prov\u00edncia argentina de Corrientes.\n\nPor seis meses, enquanto os aliados organizavam suas for\u00e7as, L\u00f3pez era dono da iniciativa e fez o que quis.\n\nEm breve, a<strong> Tr\u00edplice Alian\u00e7a<\/strong> foi consolidada, entre Brasil, Argentina e Uruguai. Em uma das muitas ironias da guerra, L\u00f3pez, que iniciou o conflito ostensivamente para proteger o Uruguai, acabou lutando contra o pr\u00f3prio Uruguai. Naturalmente, o governo uruguaio que se uniu \u00e0 Alian\u00e7a foi o governo instalado pelo Brasil &#8211; o governo anterior, sumariamente derrubado, apoiava L\u00f3pez.\n\nOs aliados combatem os paraguaios em Corrientes e no Rio Grande do Sul, enquanto a Esquadra Imperial, moderna e numerosa, vai subindo o rio, em dire\u00e7\u00e3o ao Paraguai.\n\n<strong>Sempre ousado, L\u00f3pez decide apostar todas as suas fichas em uma batalha decisiva:<\/strong> enviar sua Marinha inteira rio abaixo para tomar a armada brasileira.\n\nEra tudo ou nada. Se ganhasse, o Paraguai teria acesso ao mar e poderia receber armas e suprimentos para continuar a luta. Se perdesse, n\u00e3o teria nem navios para tentar de novo. O Paraguai estaria ilhado.\n\nTudo favorecia o Brasil. Ningu\u00e9m na Marinha Paraguaia tinha qualquer experi\u00eancia guerreira ou naval. S\u00f3 havia um navio de guerra. Os outros eram mercantes convertidos, a maioria apresada do Brasil nos primeiros dias da guerra.\n\nJ\u00e1 o Brasil possu\u00eda um corpo de oficiais treinados em uma Escola Naval considerada completa pelos padr\u00f5es europeus; navios de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o, tanto encoura\u00e7ados quanto adaptados para combate em rio; e, talvez o mais importante, muita experi\u00eancia em guerra naval.\n\nA gera\u00e7\u00e3o dos almirantes brasileiros dessa guerra, nascidos por volta de 1800 e sessent\u00f5es, tinham combatido portugueses na Guerra de Independ\u00eancia (1822-23), argentinos, na Guerra Cisplatina (1825-1828), cabanos, farrapos e todo tipo de rebeldes nas lagoas, mares e rios do Brasil durante as agita\u00e7\u00f5es da Reg\u00eancia, mais uma vez, argentinos durante as Guerras contra Rosas (1850-1851) e, por fim, uruguaios na guerra imediatamente anterior (1864).\n\nNunca houve (nem, espero, nunca haver\u00e1) uma gera\u00e7\u00e3o t\u00e3o guerreira quanto essa no Brasil.\n\nO espanto \u00e9 terem quase perdido o raio da batalha.\n<h4>Brasileiro \u00e9 Um Bicho Pregui\u00e7oso, Arrogante e Negligente<\/h4>\n<strong>Como pode uma esquadra em territ\u00f3rio inimigo, numa manh\u00e3 ensolarada, ser surpreendida com as cal\u00e7as na m\u00e3o? <\/strong>\n\nS\u00f3 isso j\u00e1 era pra ter dado corte marcial pra todo mundo.\n\nNaturalmente, o brasileiro j\u00e1 \u00e9 meio pregui\u00e7oso e negligente. Quando ele acha que tem uma enorme superioridade material e que est\u00e1 invandindo o pa\u00eds de um bando de \u00edndio ignorante, mais ainda.\n\n<strong>Brasileiro \u00c9 Um Bicho Sortudo<\/strong>\n\nA situa\u00e7\u00e3o estava preta.\n\nOs paraguaios j\u00e1 chegaram atirando antes mesmo que as \u00e2ncoras fossem levantadas. Pior, durante a noite, os paraguaios tamb\u00e9m tinham guarnecido as margens do rio com homens e canh\u00f5es.\n\n<strong>Tinham pensado em tudo, menos em uma coisa:<\/strong> ningu\u00e9m lembrou de trazer ganchos de abordagem.\n\nO objetivo da batalha n\u00e3o era destruir a esquadra imperial.\n\n<strong>De que adiantaria isso? <\/strong>\n\nOs aliados mandariam mais navios.\n\nO grande objetivo da batalha era capturar a marinha brasileira e j\u00e1 aproveit\u00e1-la para descer o rio barbarizando.\n\n<strong>Mas como, sem ganchos de abordagem? <\/strong>\n\nPra quem nunca viu filme de pirata, ganchos de abordagem s\u00e3o aqueles ganchos que seguram os navios juntos, lado a lado, para os atacantes possam pular de um barco pro outro.\n\nA esquadra paraguaia havia sa\u00eddo de Assun\u00e7\u00e3o em festa, L\u00f3pez presente e tudo, uma opera\u00e7\u00e3o cuidadosamente planejada. E esqueceram os ganchos!\n\nEssa eu juro que nunca engoli. Pesquisei muito. Investiguei arquivos. Falei com experts. Mas n\u00e3o encontrei nenhuma outra explica\u00e7\u00e3o al\u00e9m de um fortuito esquecimento.\n\nAlgum dia escreverei um romance sobre o agente secreto imperial que se infiltrou na esquadra paraguaia, jogou os ganchos ao rio e ganhou a guerra. Pois ganhou mesmo.\n\nOs navios paraguaios passaram v\u00e1rias vezes ao lado dos brasileiros e tudo o que podiam fazer era atirar com muni\u00e7\u00e3o de pequeno calibre. Um ou outro soldado conseguia pular para dentro dos navios brasileiros, mas n\u00e3o fazia muito estrago.\n\nCom os ganchos, a abordagem teria sido imediata. A batalha n\u00e3o duraria nem meia hora.\n\nSe foi mesmo s\u00f3 esquecimento, ent\u00e3o brasileiro \u00e9 um bicho muito sortudo.\n<h4>Brasileiro \u00c9 Um Bicho Arretado de Bravo<\/h4>\nCom os ganchos, a batalha teria sido paraguaia, com certeza. Mas, sem os ganchos, ela tamb\u00e9m n\u00e3o estava nem um pouco decidida.\n\nPega de surpresa, entre dois fogos, a esquadra brasileira manobrou mal. Em mais uma mostra de incompet\u00eancia ou neglig\u00eancia, nos primeiros momentos de rea\u00e7\u00e3o ca\u00f3tica, v\u00e1rios navios brasileiros simplesmente encalharam nos bancos de areia.\n\nOra, uma esquadra navegando em um rio inimigo tem que ter pr\u00e1ticos que conhe\u00e7am bem as \u00e1guas.\n\nImediatamente, os navios encalhados viraram alvos tanto das baterias em terra, como dos navios paraguaios. Na falta dos fat\u00eddicos ganchos, os paraguaios tinham que vir nadando das margens, ou pulavam dos navios em movimento, para abordar os encalhados.\n\nUm dos meus antepassados era tenente em um desses navios.\n\n<strong>Voc\u00eas conseguem se imaginar no passadi\u00e7o inclinado de um navio encalhado, lutando de espada em punho, o dia todo, de nove \u00e0s cinco, contra um n\u00famero intermin\u00e1vel e incans\u00e1vel de inimigos tentando tomar o seu navio?<\/strong>\n\n<strong>Brasileiro \u00e9 um bicho arretado:<\/strong> apesar da extrema exaust\u00e3o f\u00edsica das tripula\u00e7\u00f5es, nenhum dos navios brasileiros encalhados foi tomado. Nem perdido.\n<h4>Brasileiro \u00c9 Um Bicho Malandro<\/h4>\nPor fim, mesmo com tanta neglig\u00eancia, incompet\u00eancia e bravura, Riachuelo foi ganha no jeitinho, na malandragem.\n\n<strong>E quer coisa mais caracter\u00edstica do que nossa maior batalha brasileira ter sido decidida na improvisa\u00e7\u00e3o?<\/strong>\n\n<strong>O almirante no comando da esquadra, Barroso, portugu\u00eas de nascimento mas, claramente, brasileiro de cora\u00e7\u00e3o, viu que as coisas n\u00e3o iam nada bem e teve um estalo genial:<\/strong> ressuscitou, fora do nada, uma t\u00e1tica naval em desuso h\u00e1 quase 400 anos, que nem era mais ensinada ou estudada.\n\nNas guerras navais da antiguidade, usava-se flechas para diminuir o n\u00famero de soldados ou remadores a bordo, mas o \u00fanico modo de realmente afundar um inimigo era por abalroamento. Ou seja, um navio enfiava sua proa (seu bico) a toda velocidade contra o costado (o lado) do navio inimigo, literalmente cortando-o ao meio.\n\n<strong>As batalhas navais eram verdadeiros n\u00fameros de dan\u00e7a:<\/strong> centenas de navios tentando se colocar na melhor posi\u00e7\u00e3o para abalroar algu\u00e9m, ao mesmo tempo em que tentavam evitar de ser abalroados.\n\nO abalroamento, entretanto, n\u00e3o era usado desde Lepanto, em 1570, onde Cervantes perdeu um bra\u00e7o e os turcos foram expulsos do Mediterr\u00e2neo.\n\n<strong>A raz\u00e3o era simples: <\/strong>com o advento dos grandes canh\u00f5es, era poss\u00edvel (e recomend\u00e1vel!) afundar navios inimigos de longe. Ningu\u00e9m mais chegava perto o suficiente do inimigo para sequer pensar em abalroamento.\n\nQualquer um sabe seguir o manual. G\u00eanio \u00e9 quem faz associa\u00e7\u00f5es inesperadas no momento de maior necessidade.\n\nBarroso era um lobo do mar \u00e0 moda antiga. Nunca tinha nem cursado Escola Naval. Aprendeu seu of\u00edcio combatendo no mar durante 50 anos. Era p\u00e9ssimo com burocracias, pol\u00edticas, frescuras e papeladas.\n\nUm oficial respons\u00e1vel, que seguisse procedimentos \u00e0 risca, jamais teria sido pego assim, com as cal\u00e7as na m\u00e3o em territ\u00f3rio inimigo.\n\nPor outro lado, esse oficial respons\u00e1vel e certinho tamb\u00e9m jamais teria conseguido, na hora de maior necessidade, puxar da cartola o abalroamento.\n\nFinalmente, o oficial cuidadoso nunca teria se metido na sinuca em que Barroso se meteu.\n\nEm suma, nada poderia ser mais brasileiro do que o final de Riachuelo.\n<p class=\"imagem\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Guerra do Paraguai\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/gguerra44.jpg\" alt=\"Guerra do Paraguai\" width=\"182\" height=\"202\" \/>\nD Pedro II<\/strong><\/p>\nAntes mesmo que os paraguaios se dessem conta do que estava acontecendo, o Amazonas, capit\u00e2nea de Barroso, afundou rapidamente os tr\u00eas principais navios inimigos. Sabendo que seriam os pr\u00f3ximos, os outros fugiram rio acima. Em poucos minutos, tudo estava encerrado.\n\n<strong>A esquadra brasileira preferiu n\u00e3o persegui-los:<\/strong> foi lamber suas feridas e desencalhar seus navios.\n\nEra o fim da tarde de 11 de junho de 1865.\n\n<strong>Ep\u00edlogo<\/strong>\n\nBarroso merecia uma corte-marcial, mas ningu\u00e9m pune o her\u00f3i da maior batalha naval da hist\u00f3ria.\n\nCircularam boatos de que ele se escondera no banheiro durante o grosso da a\u00e7\u00e3o e que a id\u00e9ia do abalroamento e a condu\u00e7\u00e3o do navio tinham ficado a cargo do pr\u00e1tico. Naturalmente, s\u00e3o Pomer e Chiavenatto que dizem isso. Naturalmente, sem prova alguma.\n\nBarroso participou de dezenas de batalhas, algumas mais desesperadoras e perigosas, embora nenhuma mais decisiva, que Riachuelo. N\u00e3o h\u00e1 raz\u00e3o para supor, ainda mais sem evid\u00eancias, que depois de 50 anos de combates ele teria entrado em p\u00e2nico logo nesse momento.\n\nOs poucos navios paraguaios que sobraram nunca mais enfrentaram a esquadra brasileira. Subindo o rio, as \u00fanicas amea\u00e7as ao avan\u00e7o aliado eram as fortalezas fluviais como Humait\u00e1 e Curupaiti.\n\n<strong>Em Riachuelo, L\u00f3pez perdeu algo muito mais importante do que o acesso ao mar e o controle do rio:<\/strong> perdeu a iniciativa.\n<p class=\"imagem\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Guerra do Paraguai\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/gguerra51.jpg\" alt=\"Guerra do Paraguai\" width=\"152\" height=\"201\" \/>\nFrancisco Solano Lopez<\/strong><\/p>\nO Ex\u00e9rcito Paraguaio no Rio Grande do Sul se rendeu ao Imperador em Uruguaiana, e os paraguaios no Mato Grosso voltaram para defender a p\u00e1tria. Depois de Riachuelo, seriam os aliados a ditar o ritmo das opera\u00e7\u00f5es. Dali em diante, a guerra seria travada no pr\u00f3prio Paraguai.\n\n<strong>V\u00e1rios fatores fizeram com que a guerra ainda durasse cinco anos:<\/strong> os aliados foram excessivamente t\u00edmidos enquanto os paraguaios, excessivamente bravos e Dom Pedro n\u00e3o abriu m\u00e3o da cabe\u00e7a de L\u00f3pez enquanto L\u00f3pez n\u00e3o abriu m\u00e3o da Presid\u00eancia.\n<h4>O que foi<\/h4>\n<h4>Maior conflito armado da hist\u00f3ria sul-americana, tanto pela dura\u00e7\u00e3o (1864-1870) como pelo vulto dos efetivos militares envolvidos.<\/h4>\nEm novembro de 1864, o ditador paraguaio Francisco Solano L\u00f3pez &#8211; que tinha planos de formar o Grande Estado do Prata, a ser composto pelo Paraguai, Uruguai e partes da Argentina e do Brasil &#8211; declarou guerra ao Brasil, ap\u00f3s ter mandado aprisionar o navio mercante brasileiro Marqu\u00eas de Olinda.\n\nEm janeiro de 1865, Solano L\u00f3pez invadiu a prov\u00edncia argentina de Corrientes para atacar o Brasil. A Argentina entrou na guerra ao lado do Brasil, que j\u00e1 tinha o Uruguai como aliado. Os tr\u00eas pa\u00edses assinaram o Tratado da Tr\u00edplice Alian\u00e7a, apoiados pela Inglaterra &#8211; j\u00e1 que o nacionalismo paraguaio amea\u00e7ava os interesses ingleses na Am\u00e9rica do Sul.\n\nAp\u00f3s v\u00e1rias batalhas, o ex\u00e9rcito paraguaio foi derrotado e o ditador assassinado em mar\u00e7o de 1870. Algumas das batalhas tornaram-se famosas, tais como a do Riachuelo, Tuiuti (considerada a maior batalha campal da Am\u00e9rica do Sul), Itotor\u00f3 e Ava\u00ed.\n\nV\u00e1rios brasileiros notabilizaram-se por sua participa\u00e7\u00e3o no conflito, entre eles o Duque de Caxias, Almirante Francisco Manuel Barroso da Silva e General Manuel Lu\u00eds Os\u00f3rio.\n\nA Guerra do Paraguai aumentou a crise econ\u00f4mica brasileira e arruinou o Paraguai, at\u00e9 ent\u00e3o a na\u00e7\u00e3o mais desenvolvida da Am\u00e9rica do Sul.\n\n&nbsp;\n<h4><\/h4>\n<h6><\/h6>\n<h4>A Guerra<\/h4>\nTravada contra o Paraguai pela a alian\u00e7a formada por Brasil, Argentina e Uruguai, foi o maior conflito armado da hist\u00f3ria da Am\u00e9rica do Sul. Prolongou-se durante 5 anos, de 1865 a 1870, reduzindo a popula\u00e7\u00e3o paraguaia em quase dois ter\u00e7os.\n\nSuas origens mais remotas encontram-se nas disputas pela estrat\u00e9gica regi\u00e3o do Rio da Prata.\n\nA disputa entre Brasil e Argentina em torno da navega\u00e7\u00e3o naquele rio, de grande import\u00e2ncia econ\u00f4mica, agravou-se com a determina\u00e7\u00e3o do Paraguai em reivindicar os mesmos direitos sobre a rede fluvial.\n\nEm 1864, o Brasil voltou a atacar o Uruguai. Solano Lopez, presidente do Paraguai, temendo o expansionismo brasileiro, mandou apreender o navio brasileiro Marqu\u00eas de Olinda, em tr\u00e2nsito pelo rio Paraguai e, em dezembro, declarou guerra ao Brasil, ordenando a invas\u00e3o da prov\u00edncia de Mato Grosso.\n\nLopez obteve diversas vit\u00f3rias, cruzou o territ\u00f3rio argentino e entrou no Rio Grande do Sul para, dali, alcan\u00e7ar o Uruguai. Sua estrat\u00e9gia come\u00e7ou a minar quando, em 1865, Brasil, Argentina e Uruguai, sob o incentivo da Inglaterra, firmaram o Tratado da <strong>Tr\u00edplice Alian\u00e7a<\/strong>, desencadeando um pesado contra-ataque.\n\nA partir da\u00ed o Imp\u00e9rio brasileiro adquiriu armamento e navios no exterior e intensificou o recrutamento de soldados, convocando os chamados &#8220;volunt\u00e1rios da p\u00e1tria&#8221;, na maioria pobres, mulatos e negros que ganhavam a alforria [liberdade] para lutar nas frentes de batalha.\n\nO ex\u00e9rcito nacional imp\u00f4s s\u00e9rias derrotas aos paraguaios que, apesar da sua inferioridade num\u00e9rica, mas contando com uma eficiente m\u00e1quina de guerra e a forte lideran\u00e7a de Solano Lopez, resistiram com bravura.\n\nA contra-ofensiva da <strong>Tr\u00edplice Alian\u00e7a<\/strong> ganhou novo impulso entre 1867 e 1868, sob o comando dos brasileiros Manuel Lu\u00eds Os\u00f3rio e Lu\u00eds Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias.\n\nEm janeiro de 1869, conseguiram entrar em Assun\u00e7\u00e3o, capital do Paraguai.\n\nSolano retirou-se para o norte e prosseguiu enfrentando as tropas inimigas at\u00e9 ser assassinado em Cerro Cor\u00e1, em 1o de mar\u00e7o de 1870, colocando um ponto final na conflagra\u00e7\u00e3o.\n<h4><\/h4>\n<h6><\/h6>\n<h4>Guerra do Paraguai dizimou a grande maioria da popula\u00e7\u00e3o do pa\u00eds<\/h4>\nDesde a primeira metade do s\u00e9culo XIX, o Paraguai investe no desenvolvimento econ\u00f4mico auto-suficiente.\n\nSem as marcas da escravid\u00e3o, sua popula\u00e7\u00e3o tem um alto \u00edndice de alfabetiza\u00e7\u00e3o.\n\nA autonomia do pa\u00eds desafia o imperialismo brit\u00e2nico na Am\u00e9rica. Em 1862, Francisco Solano L\u00f3pez, sucessor de Carlos Antonio L\u00f3pez no governo, investe na organiza\u00e7\u00e3o militar.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Guerra do Paraguai\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/gguerra61.jpg\" alt=\"Guerra do Paraguai\" width=\"243\" height=\"307\" \/>\n<b>Os tr\u00eas chefes de Estado do Uruguai, Brasil e Argentina,\nnuma caricatura da revista A Semana Ilustrada, 1865<\/b><\/p>\nTendo em vista a necessidade de exportar excedentes de produ\u00e7\u00e3o, era imprescind\u00edvel a ruptura da pol\u00edtica paraguaia de isolamento em rela\u00e7\u00e3o aos demais pa\u00edses, assim como a necessidade da utiliza\u00e7\u00e3o do Rio da Prata como meio de escoamento dos produtos excedentes.\n\nPossuindo um forte ex\u00e9rcito e passando a figurar entre os pa\u00edses mais desenvolvidos da Am\u00e9rica do Sul, o Paraguai passa a reivindicar voz de comando nos assuntos pol\u00edticos locais. Estas reivindica\u00e7\u00f5es se fizeram presentes atrav\u00e9s do oferecimento de Francisco Solano L\u00f3pez como mediador das quest\u00f5es entre o Brasil e o Uruguai.\n\n<strong>As rela\u00e7\u00f5es entre estes pa\u00edses encontravam-se entre a cordialidade e a agress\u00e3o:<\/strong> o Paraguai passava a questionar os limites territoriais entre os dois pa\u00edses, vendo-se prejudicado na grande perda de terras e ainda dependente da toler\u00e2ncia dos pa\u00edses que dominavam os transportes fluvio-mar\u00edtimos no Rio da Prata.\n\nAssim, a intermedia\u00e7\u00e3o de Solano L\u00f3pez \u00e9 recusada pela diplomacia brasileira. N\u00e3o aceitando as condi\u00e7\u00f5es impostas pelo Imp\u00e9rio no Brasil, o Uruguai, por sua vez, \u00e9 invadido e tem seu governante blanco Atan\u00e1sio Aguirre deposto.\n\nApoiando oficialmente Aguirre, Solano L\u00f3pez passa da postura diplom\u00e1tica \u00e0 agress\u00e3o, ordenando a captura de uma embarca\u00e7\u00e3o brasileira que trafegava no Rio Paraguai, o navio &#8220;Marqu\u00eas de Olinda&#8221;, em 11 de novembro de 1864, que ia a caminho do Mato Grosso. Posteriormente, Solano L\u00f3pez declara guerra ao Brasil, invadindo os territ\u00f3rios do Mato Grosso e do Rio Grande do Sul. Em mar\u00e7o de 1865, tropas paraguaias invadem a Argentina. O objetivo paraguaio \u00e9 obter uma porto mar\u00edtimo, conquistando uma fatia dos territ\u00f3rios brasileiro e argentino.\n\nOs governos da Argentina, do Brasil e seus aliados uruguaios assinam o Tratado da <strong>Tr\u00edplice Alian\u00e7a<\/strong>, em 1\u00ba de maio de 1865, contra o Paraguai. Empr\u00e9stimos ingleses financiam as for\u00e7as aliadas. O Ex\u00e9rcito paraguaio, superior em contingente &#8211; cerca de 64 mil homens em 1864 &#8211; e em organiza\u00e7\u00e3o, defende o territ\u00f3rio de seu pa\u00eds por quase um ano.\n\nA primeira grande virada da Alian\u00e7a sobre o Paraguai ocorreu com a famosa Batalha do Riachuelo, em 1865, quando a esquadra paraguaia foi completamente dizimada pelas for\u00e7as navais brasileiras sob os comandos do Almirante Tamandar\u00e9 e de Francisco Manuel Barroso da Silva, estas aliadas \u00e0s for\u00e7as argentinas sob o comando do general Paunero.\n\nAs for\u00e7as paraguaias, tendo em vista suas inten\u00e7\u00f5es agora frustradas, passam da t\u00e1tica ofensiva \u00e0 defensiva, procurando resistir nos fortes localizados em regi\u00f5es estrat\u00e9gicas do territ\u00f3rio paraguaio. Por\u00e9m, seus ex\u00e9rcitos j\u00e1 haviam passado por uma s\u00e9rie de desfalques, dando ainda maior \u00e2nimo \u00e0 <strong>Tr\u00edplice Alian\u00e7a<\/strong>.\n\nFinalmente, em 16 de abril de 1866, os aliados invadem o Paraguai ao vencer a batalha de Tuiuti, sob o comando do argentino Bartolomeu Mitre.\n\nEm 1868, o comando dos aliados passa para o bar\u00e3o de Caxias. Ele toma a fortaleza de Humait\u00e1, em 5 de agosto de 1868, e invade Assun\u00e7\u00e3o em 5 de janeiro.\n\nPassa o comando das tropas brasileiras ao conde d&#8217;Eu, marido da princesa Isabel. Solano L\u00f3pez resiste no interior. A batalha final acontece em Cerro Cor\u00e1, em 1\u00ba de mar\u00e7o de 1870. O pa\u00eds \u00e9 ocupado por um comando aliado e sua economia \u00e9 destru\u00edda. A popula\u00e7\u00e3o paraguaia, que antes do conflito chegava a 1,3 milh\u00e3o de pessoas, fica reduzida a pouco mais de 200 mil pessoas.\n\nPara o Brasil, a guerra significa o in\u00edcio da ruptura com o sistema mon\u00e1rquico-escravista. Diante da dificuldade de recrutar soldados, escravos s\u00e3o alforriados para substitu\u00ed-los, fato que incentiva a campanha abolicionista. A conseq\u00fc\u00eancia mais importante, por\u00e9m, \u00e9 o fortalecimento do Ex\u00e9rcito. Atra\u00eddos pela causa republicana, em poucos anos os militares passam a lider\u00e1-la. No plano financeiro, o saldo final \u00e9 uma duplicata de 10 milh\u00f5es de libras que o Brasil deixa pendente com o Banco Rothchild, de Londres.\n\nFonte:\u00a0www.geocities.yahoo.com.br\/Academia de Policia Militar de Minas Gerais\/br500.tripod.com\/conhecimentosgerais.com.br\/www.sokarinhos.com\/www.sobresites.com\/www.senado.gov.br\/www.projetomemoria.art.br\/www.unificado.com.br\n\n&nbsp;\n\n&nbsp;\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Guerra do Paraguai, Brasil, Hist\u00f3ria, Conflito, Causa, Motivo, Duque de Caxias, Objetivo, Batalha, Per\u00edodo, Conseq\u00fc\u00eancias, Guerra do Paraguai<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":9366,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[54],"tags":[],"class_list":["post-20499","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia-do-brasil"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - 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