{"id":20424,"date":"2015-12-17T00:00:00","date_gmt":"2015-12-17T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/descobrimento-do-brasil-3\/"},"modified":"2026-09-01T15:31:50","modified_gmt":"2026-09-01T15:31:50","slug":"descobrimento-do-brasil-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-do-brasil\/descobrimento-do-brasil-3\/","title":{"rendered":"Descobrimento do Brasil"},"content":{"rendered":"\n<strong>Descobrimento do Brasil &#8211; Hist\u00f3ria<\/strong>\n\n<strong>O homem que descobriu o Brasil<\/strong>\n\nNaturalmente, quando falamos de quem colocou o Brasil no mapa, n\u00e3o podemos simplesmente dizer que foi trabalho de um \u00fanico homem.\n\n<strong>Mas se tem uma coisa que todos os brasileiros lembram do ensino m\u00e9dio \u00e9 esse nome:<\/strong>\u00a0Pedro \u00c1lvares Cabral \u2013 o homem que descobriu o Brasil para Portugal.\n\n<strong>Cabral<\/strong>\u00a0era um diplomata a caminho da \u00cdndia. Naquela \u00e9poca, Portugal acreditava que poderia circunvagar o globo e chegar \u00e0 \u00c1sia apenas navegando para o oeste. Cabral desembarcou em Porto Seguro, Bahia, em 22 de abril de 1500. Portanto, 22 de abril seria o Dia do Descobrimento do Brasil. \u00c9 isso que gostamos de dizer \u00e0s crian\u00e7as, pelo menos. No entanto, a hist\u00f3ria oficial \u00e9 muito diferente.\n\n<strong>A Real Descoberta Portuguesa do Brasil<\/strong>\n\nEvid\u00eancias hist\u00f3ricas sugerem que, de fato, o Brasil foi descoberto por Duarte Pacheco Pereira em uma miss\u00e3o secreta encomendada pelo rei Manuel de Portugal.\n\n<strong>O objetivo de Pereira era simples:<\/strong>\u00a0descobrir o que est\u00e1 al\u00e9m da linha imagin\u00e1ria definida pelo Tratado de Tordesilhas.\n\nEste tratado foi assinado entre Espanha e Portugal como forma de dividir qualquer territ\u00f3rio que pudesse ser descoberto nesta parte do mundo. Os escritos de Pereira sobre sua viagem ao Brasil (principalmente Amazonas e Par\u00e1) s\u00f3 sa\u00edram em 1505. Mas certamente indicam que o Brasil foi descoberto em 1498 e n\u00e3o em 1500.\n\n<strong>Ent\u00e3o 22 de abril \u00e9 o Dia do Descobrimento do Brasil?<\/strong>\n\nN\u00e3o exatamente.\n\n<strong>Oficial Portugu\u00eas Descoberta e Conquista do Brasil<\/strong>\n\nApesar de saber de antem\u00e3o da exist\u00eancia do Brasil, o descobrimento oficial de Portugal e a eventual conquista do Brasil s\u00f3 ocorreram em 1500. Eles conheceram inicialmente os \u00edndios tupinamb\u00e1 \u2013 que eram apenas alguns dos estimados 5 milh\u00f5es de nativos que viviam no Brasil na \u00e9poca. Voc\u00ea teria mais chances de aprender tupi do que aprender portugu\u00eas no Brasil.\n\nE os \u00edndios certamente tiveram dificuldade em lidar com os rec\u00e9m-chegados. Eles perderam seu territ\u00f3rio e morreram de doen\u00e7as europeias.\n\nSem mencionar o fato de que os portugueses escravizaram os nativos americanos por s\u00e9culos. Voc\u00ea pode ler mais sobre os \u00edndios no Brasil nesta Dica.\n\nPortugal tinha dois objetivos principais. A primeira era estabelecer assentamentos e a segunda era explorar a terra. Eles conseguiram monopolizar o com\u00e9rcio do Pau-Brasil, uma \u00e1rvore local encontrada em estados como Bahia, Pernambuco e Rio de Janeiro. Essa \u00e1rvore tamb\u00e9m mais tarde deu o nome ao nosso pa\u00eds.\n\nOs portugueses ent\u00e3o dividiram o pa\u00eds em capitanias e o Brasil tornou-se uma col\u00f4nia oficial. Assim permaneceu at\u00e9 1822, quando Dom Pedro I declarou a independ\u00eancia do Brasil.\n\n<strong>Descobrimento do Brasil &#8211;\u00a0<\/strong>\u00a0<strong>22 de abril de 1500<\/strong>\n\nO\u00a0<b>descobrimento do Brasil<\/b>, aconteceu no dia\u00a0<strong>22 de abril de 1500<\/strong>, pelos europeus deu-se no contexto da\u00a0<strong>expans\u00e3o mar\u00edtima<\/strong>\u00a0que ocorreu em fins do s\u00e9culo XV.\n\nA suspeita da exist\u00eancia de terras a ocidente era bastante forte, sobretudo, ap\u00f3s a primeira viagem de Crist\u00f3v\u00e3o Colombo (1492), o que explica a insist\u00eancia do rei de Portugal dom Jo\u00e3o II durante as negocia\u00e7\u00f5es do Tratado de Tordesilhas (1494) para estender at\u00e9 370 l\u00e9guas a oeste de Cabo Verde as poss\u00edveis terras portuguesas.\n\nA presen\u00e7a de navegadores espanh\u00f3is no litoral brasileiro em 1499-1500 \u00e9 discutida.\n\n\u00c9 o caso, por exemplo, de Alonso de Ojeda, que teria chegado ao Rio Grande do Norte, de Vicente Y\u00e1\u00f1ez Pinz\u00f3n, que partiu de Palos, em 18 de novembro de 1499, e positivamente desembarcou no litoral do brasileiro.\n\nChegou ao cabo de Santo Agostinho, Pernambuco, que chamou de Santa Maria de la Consolaci\u00f3n. No entanto, alguns historiadores acham que pode ter sido a ponta de Mucuripe ou a ponta da Jabarana, no Cear\u00e1.\n\nSeguindo em dire\u00e7\u00e3o noroeste descobriu a embocadura do rio Mara\u00f1on e a do Orinoco que chamou de mar Dulce. Ainda no litoral norte descobriu o cabo de S\u00e3o Vicente, atualmente cabo Orange.\n\nUm m\u00eas depois da partida de Pinz\u00f3n, Diego de Lepe seguiu a mesma rota explorando a costa do Brasil ao sul do cabo de Santo Agostinho.\n\nDo lado portugu\u00eas, \u00e9 prov\u00e1vel que Duarte Pacheco Pereira, autor do Esmeraldo de situ orbis, tivesse estado no Brasil em 1498 ou 1499. Entretanto, a descoberta oficial deu-se com a expedi\u00e7\u00e3o de\u00a0<strong>Pedro \u00c1lvares Cabral<\/strong>, fidalgo portugu\u00eas nomeado pelo rei para comandar a expedi\u00e7\u00e3o que se destinava \u00e0 \u00cdndia, dando continuidade \u00e0 abertura da rota para aquela regi\u00e3o descoberta, em 1498, por Vasco da Gama.\n\nA frota de Cabral era composta por 13 navios, financiados com capitais reais e particulares, inclusive de comerciantes estrangeiros.\n\nPartiu de Lisboa no dia 9 de mar\u00e7o de 1500. Acompanhavam Cabral navegadores experientes como Bartolomeu Dias, o descobridor do Cabo da Boa esperan\u00e7a, Nicolau Coelho, Sancho de Tovar e Gaspar de Lemos.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Descobrimento do Brasil\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/descob3.jpg\" alt=\"Descobrimento do Brasil\" width=\"374\" height=\"209\" \/>\n<strong>Descobrimento do Brasil<\/strong><\/p>\nA viagem at\u00e9 o Brasil estendeu-se at\u00e9 o dia\u00a0<strong>22 de abril<\/strong>, quando foi avistado no litoral sul do estado da Bahia um monte, batizado de monte Pascoal. A nova terra foi primeiramente chamada Vera Cruz e, no ano seguinte, Terra de Santa Cruz. S\u00f3 posteriormente seria denominada Brasil em decorr\u00eancia da abund\u00e2ncia da \u00e1rvore pau-brasil existente, no s\u00e9culo XVI, na mata Atl\u00e2ntica.\n\nA esquadra permaneceu no Brasil at\u00e9 o dia 2 de maio, tendo sido rezadas duas missas, pelo franciscano frei Henrique de Coimbra (26 de abril e 1\u00ba de maio).\n\nForam feitos contatos com ind\u00edgenas e deixados alguns degredados.\n\nA expedi\u00e7\u00e3o seguiu viagem para a \u00cdndia, enviando-se Gaspar de Lemos de volta a Portugal para informar ao rei a descoberta. O principal documento que narra tais eventos \u00e9 a carta escrita ao rei dom Manuel I, o Venturoso pelo escriv\u00e3o<strong>\u00a0Pero Vaz de Caminha<\/strong>.\n\n<strong>Descobrimento do Brasil &#8211; Pedro \u00c1lvares Cabral<\/strong>\n\nNos s\u00e9culos XIV e XV, o mundo mudou muito. O com\u00e9rcio europeu desenvolvera-se bastante e surgira uma nova classe social, formada por comerciantes \u2013 a burguesia. os burgueses aliaram-se ao rei contra os privil\u00e9gios do clero e da nobreza. Esse foi um passou importante para as grandes navega\u00e7\u00f5es.\n\nOs portugueses desejavam sobretudo descobrir o caminho mar\u00edtimo para as \u00cdndias, para l\u00e1 criar um centro comercial e trazer especiarias, seda, porcelana, perfumes e pedras preciosas, produtos muito apreciados na Europa.\n\nEm 1498, o portugu\u00eas Vasco da Gama chegou a Calicute, nas \u00cdndias. Para assegurar essa conquista, o rei de Portugal, D. Manuel, concedeu a\u00a0<strong>Pedro \u00c1lvares Cabral<\/strong>\u00a0o comando de uma esquadra de 13 embarca\u00e7\u00f5es e cerca de 1 500 homens. Os navios de Cabral, no entanto, afastaram-se da costa africana e desviaram-se para oeste, aproximando-se de terras brasileiras.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Descobrimento do Brasil\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/descob4.jpg\" alt=\"Descobrimento do Brasil\" width=\"193\" height=\"261\" \/>\n<b>Pedro \u00c1lvares Cabral<\/b><\/p>\nNO dia\u00a0<strong>22 de abril de 1500<\/strong>, a esquadra avistou um monte, que recebeu o nome de Monte Pascoal.\n\nO nome definitivo, Brasil, deveu-se a abund\u00e2ncia do pau-brasil, madeira da qual se extra\u00eda um corante vermelho.\n\nCabral deu a not\u00edcia do descobrimento, mandando um navio a Pombal com uma carta escrita por Pero Vaz de Caminha. Essa carta constitui importante documento na hist\u00f3ria do Brasil, pois conta a viagem e a chegada a terra, descrevendo o novo territ\u00f3rio e os \u00edndios.\n\n<strong>O RETORNO<\/strong>\n\nNa manh\u00e3 de 2 de maio, Gaspar de Lemos toma o rumo de Portugal, levando as cartas do capit\u00e3o-mor Pedro \u00c1lvares Cabral, de outros capit\u00e3es, do f\u00edsico Mestre Jo\u00e3o e do escriv\u00e3o -Pero Vaz de Caminha, al\u00e9m de amostras da vegeta\u00e7\u00e3o local, toras de pau-brasil, arco e flechas, enfeites ind\u00edgenas e papagaios de cores berrantes. Neste mesmo dia, o resto da esquadra retorna o caminho das \u00cdndias.\n\nFicaram em terra os dois degredados e dois grumetes que haviam fugido.\n\nOnze dias depois de sair do Brasil, a frota de Cabral \u00e9 atingida por violenta tempestade. Os vagalh\u00f5es arremessam os barcos para o alto e para os lados, como se fossem de brinquedos. As pressas, as velas s\u00e3o recolhidas, os mastros seguros e o leme amarrados. Gritos cruzando o tombadilho, os homens trabalham r\u00e1pido, na \u00e2nsia de sobreviver. \u00c9 preciso manter as naus vazias de \u00e1gua, impedir que o casco aderne com as ondas e o vento. Mas nem todos conseguem. Naufraga um navio, depois outro. Est\u00e3o pr\u00f3ximos do cabo da Boa Esperan\u00e7a, e mais uma nau afunda. Finalmente, t\u00e3o r\u00e1pida quanto viera, a tempestade desaparece. A frota perdera quatro embarca\u00e7\u00f5es. Entre os mortos est\u00e1 Bartolomeu Dias, que anos antes descobrira este lugar, agora seu t\u00famulo.\n\nReduzida a sete navios, a esquadra aporta em Mo\u00e7ambique, na costa oriental da \u00c1frica. Todas as naus est\u00e3o ali, menos a de Digo Dias, que, navegando sozinha, descobre uma ilha imensa, \u00e0 qual d\u00e1 o nome de S\u00e3o Louren\u00e7o (hoje Madagascar).\n\nCom apenas seis navios, Cabral prossegue at\u00e9 a ilha de Angediva. E, tr\u00eas meses ap\u00f3s deixar o Brasil, Cabral ancora em Calicute, onde n\u00e3o consegue, a princ\u00edpio, estabelecer rela\u00e7\u00f5es amistosas com a popula\u00e7\u00e3o.\n\nDepois de um ataque dos mu\u00e7ulmanos, em que mais de trinta portugueses foram mortos, Cabral tomou todas as embarca\u00e7\u00f5es fundeadas no porto, confiscou-lhes a carga e mandou incendi\u00e1-las.\n\nE durante dois dias bombardeou a cidade, at\u00e9 obter a rendi\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o estabelece uma feitoria e celebra tratados de paz. De Calicute, Cabral segue para Canamor, onde se abastece de gengibre e canela.\n\nE l\u00e1 assina novos tratados de paz.\n\nA 16 de janeiro de 1501, Cabral toma o caminho de volta. Na altura de Melinde, mais uma nau afunda. Uma outra e mandada a Sofala, para explora\u00e7\u00f5es. E,. com apenas quatro naus Cabral aporta em Mo\u00e7ambique, para fazer reparos em suas embarca\u00e7\u00f5es.\n\nA esquadra se junta novamente na altura do cabo da Boa Esperan\u00e7a e segue viagem. De um total de treze navios, o Tejo recebia de volta apenas seis caravelas. Sete foram tragadas pelo mar.\n\nLisboa inteira festejou a chegada da frota e homenageou Cabral. Os portugueses se alegravam porque aquele viagem era a consolida\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio com o Oriente.\n\nE isso era atestado pelo carregamento de especiarias, porcelanas e sedas trazido pelas naus. Essa carga foi o suficiente para cobrir todas as despesas da viagem.\n\nCome\u00e7a para Portugal um per\u00edodo de grande riqueza. Dom Manuel j\u00e1 pode anunciar o sucesso das viagens, pois, pelo tratado de Tordesilhas, as terras lhe pertenciam por direito.\n\nEscreve aos reis da Espanha contando a viagem de Cabral, mas omite propositadamente a extens\u00e3o da terra descoberta e a rota utilizada por Cabral na sua viagem \u00e0s \u00cdndias.\n\nO aumento do seu poder leva o soberano a adotar novos t\u00edtulos. Dom Manuel agora \u00e9 \u201cRei de Portugal e dos Algarves, de Aqu\u00e9m e de Al\u00e9m-mar em \u00c1frica, Senhor da Guin\u00e9, da Conquista, Navega\u00e7\u00e3o e Com\u00e9rcio da Eti\u00f3pia, Ar\u00e1bia, P\u00e9rsia e \u00cdndia\u201d. Na euforia do dom\u00ednio das rotas indianas, objeto principal em cem anos de navega\u00e7\u00f5es, a descoberta do Brasil passava quase despercebida.\n\n\u201d Assim chega a noite de 22 de abril de 1500. Os marinheiros recolhem velas e baixam \u00e2ncoras. Os navios v\u00e3o esperar o dia para se aproximar da costa. Na proa do seu barco, um homem n\u00e3o tira os olhos da terra que a noite vai apagando. \u00c9 Pedro Alvares Cabral a contemplar a terra que descobrira. Brasil.\u201d\n\nE Vinte e tr\u00eas de abril, 1500, o sol acaba de nascer. L\u00e1 est\u00e1 a terra Descoberta, a foz de um rio e um punhado de indiv\u00edduos bronzeados andando pela praia. Os capit\u00e3es se re\u00fanem na Caravela de Cabral.\n\nPero Vaz de Caminha, na carta que enviaria depois ao Rei Dom Manoel, conta que Cabral, como primeira medida, resolve mandar um pequeno barco, com Nicolau Coelho, ver o lugar de perto. Junto \u00e0 boca do rio, dezoito ou vinte homens se aproximaram do escaler,\n\nA fei\u00e7\u00e3o deles \u00e9 serem pardos, um tanto avermelhados, de bons rostos e bons narizes, bem feitos. Andam nus, sem cobertura alguma.\n\nNem fazem mais caso de encobrir ou deixa de encobrir suas vergonhas do que de mostrar a cara. Acerca disso s\u00e3o de grande inoc\u00eancia\u201dtodos nus, sem nenhuma coisa que lhes cobrisse suas vergonhas\u201d.\n\nOs homens traziam arcos e setas, mas a um sinal dos portugueses baixaram as armas.\n\nAi deu-se ent\u00e3o uma troca de presentes entre descobridores e ind\u00edgenas.\n\n<strong>Nicolau Coelho deu-lhes um barrete vermelho, uma carapu\u00e7a de linho e um chap\u00e9u preto:\u00a0<\/strong>e recebeu em troca um cocar de plumas compridas, que terminava com penas vermelha e castanhas, e um colar de pequenas contas brancas. Depois disso, o portugu\u00eas voltou a bordo.\n\nA noite foi de chuva e ressaca, tornando impratic\u00e1vel o desembarque. Levantou-se grossa ventania, sendo recolhidas todas as ancoras. Era preciso encontrar porto mais seguro. Por isso a armada subiu a costa durante todo o dia seguinte, com os navios menores \u00e0 frete.\n\nAp\u00f3s viajar 10 l\u00e9guas, encontraram \u201cum arrecife com um porto dentro, muito bom e muito seguro, (a atual ba\u00eda de Cabr\u00e1lia, entre a ilha da Coroa Vermelha e a ba\u00eda rasa de Santa Cruz, no Estado da Bahia).\n\nAncoraram ali, e Cabral mandou \u00e0 terra seu piloto Afonso Lopes, para fazer sondagens a toda volta da ba\u00eda.\n\n<strong>Ao voltar, Pero Vaz de Caminha assim os descreve:<\/strong>\n\nE tomou dois daqueles homens da terra levou-os \u00e0 Capitaina, onde foram recebidos com muito prazer e festa.\n\nO Capit\u00e3o, quando eles vieram, estava sentado em uma cadeira, aos p\u00e9s uma alcatifa por estrado; e bem vestido, com um colar de ouro, mui grande, ao pesco\u00e7o. E Sancho de Tovar, e Sim\u00e3o de Miranda, e Nicolau Coelho, e Aires Corr\u00eaa, e n\u00f3s outros que aqui na nau com ele \u00edamos, sentados no ch\u00e3o, nessa alcatifa. Acenderam-se tochas. E eles entraram. Mas nem sinal de cortesia fizeram, nem de falar ao Capit\u00e3o; nem a algu\u00e9m. Todavia um deles fitou o colar do Capit\u00e3o, e come\u00e7ou a fazer acenos com a m\u00e3o em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 terra, e depois para o colar, como se quisesse dizer-nos que havia ouro na terra.\n\nE tamb\u00e9m olhou para um casti\u00e7al de prata e assim mesmo acenava para a terra e novamente para o casti\u00e7al, como se l\u00e1 tamb\u00e9m houvesse prata!\n\nMostraram-lhes um papagaio pardo que o Capit\u00e3o traz consigo; tomaram-no logo na m\u00e3o e acenaram para a terra, como se os houvesse ali.\n\nMostraram-lhes um carneiro; n\u00e3o fizeram caso dele.\n\nMostraram-lhes uma galinha; quase tiveram medo dela, e n\u00e3o lhe queriam p\u00f4r a m\u00e3o. Depois lhe pegaram, mas como espantados.\n\n<strong>Deram-lhes ali de comer:\u00a0<\/strong>p\u00e3o e peixe cozido, confeitos, fart\u00e9is, mel, figos passados. N\u00e3o quiseram comer daquilo quase nada; e se provavam alguma coisa, logo a lan\u00e7avam fora.\n\nTrouxeram-lhes vinho em uma ta\u00e7a; mal lhe puseram a boca; n\u00e3o gostaram dele nada, nem quiseram mais.\n\nTrouxeram-lhes \u00e1gua em uma albarrada, provaram cada um o seu bochecho, mas n\u00e3o beberam; apenas lavaram as bocas e lan\u00e7aram-na fora. Mas, apesar de tudo, os visitantes pareciam sentir-se \u00e0 vontade.\n\nCaminha conta que eles se estenderam no tapete e se prepararam para dormir. Cabral, amavelmente, mandou buscar almofadas para lhes por debaixo das cabe\u00e7as e com uma coberta cobriram sua nudez.\n\nO que teriam achado de tais confortos, ming\u00faem sabe.\n\nNo dia seguinte, pela manh\u00e3, depois de fundear mais pr\u00f3ximo da terra, Cabral mandou Nicolau Coelho e Bartolomeu Dias levarem de volta os dois homens, e deu a cada um deles uma camisa nova, uma carapu\u00e7a vermelha e um ros\u00e1rio de contas brancas, que os \u00edndios enrolaram no bra\u00e7o, al\u00e9m de v\u00e1rios chocalhos e guizos. E mandou com eles um criminoso condenado ao ex\u00edlio, Afonso Ribeiro, que deveria ficar em terra.\n\nO Domingo, dia 25, amanheceu cheio de sol. Cabral pediu que fosse celebrada missa e feito um serm\u00e3o. E mandou que todos os capit\u00e3es se preparassem e o acompanhassem a uma ilhota verde, hoje Coroa Vermelha, dentro da baia, e com toda tripula\u00e7\u00e3o presente, Frei Henrique celebrou a missa.\n\nUma multid\u00e3o de homens nus olhava admirada e com grande interesse para estes seres sadios do mar que entoavam can\u00e7\u00f5es t\u00e3o estranhas.\n\nAp\u00f3s a missa, em reuni\u00e3o na sua nau, com a presen\u00e7a de todos os comandantes e de Caminha, Cabral decide enviar a not\u00edcia da descoberta ao Rei Dom Manual, pois talvez ele quisesse mandar outra esquadra para reconhecer mais detalhadamente a nova terra, ao inv\u00e9s de confiar essa tarefa a uma armada a cominho da \u00cdndia. Para isso destaca o navio de mantimentos, comandada por Gaspar de Lemos. Decidiu-se n\u00e3o enviar nativos para Portugal, mas deixa em terra dois degredados, que poderiam servir de informantes quando um pr\u00f3ximo navio chegasse.\n\nA semana seguinte foi de explora\u00e7\u00f5es. Cabral esteve em terra v\u00e1rias vezes e organizou diversas excurs\u00f5es para conhecer melhor o lugar. Houve brincadeiras, dan\u00e7as, novas trocas de presentes.\n\nA beleza das mulheres causa admira\u00e7\u00e3o aos portugu\u00eas.\n\nAli andavam entre eles tr\u00eas ou quatro mo\u00e7as, bem novinhas e gentis, com cabelos muito pretos e compridos pelas costas; e suas vergonhas, t\u00e3o altas e t\u00e3o cerradinhas e t\u00e3o limpas das cabeleiras que, de as n\u00f3s muito bem olharmos, n\u00e3o se envergonhavam.E uma daquelas mo\u00e7as era toda tingida de baixo a cima, daquela tintura e certo era t\u00e3o bem feita e t\u00e3o redonda, e sua vergonha t\u00e3o graciosa que a muitas mulheres de nossa terra, vendo-lhe tais fei\u00e7\u00f5es envergonhara, por n\u00e3o terem as suas como ela.\n\nTerminadas as festas e brincadeiras, todos puseram-se a trabalhar. A tripula\u00e7\u00e3o abasteceu as naus com lenha e \u00e1gua. Mestre Jo\u00e3o \u2013 o f\u00edsico, com os pilotos e o grande astrol\u00e1bio, fez observa\u00e7\u00f5es em terra, localizou a constela\u00e7\u00e3o do Cruzeiro do Sul e escreve um relat\u00f3rio de tudo ao rei. Caminha continuou a escrever sua longa carta.\n\nA \u00fanica coisa que faltava antes de partirem era deixar um padr\u00e3o que garantisse a terra para Portugal contra todos os que viessem. Para isso, os carpinteiros fizeram uma cruz gigante a ser erguida na praia. E, a l.\u00ba de maio, numa Sexta feira, esta cruz foi levada em process\u00e3o at\u00e9 a margem. Tinhas as armas de Portugal esculpidas, e foi colocada \u00e0 entrada da floresta, debaixo de qual se improvisaram um pequeno altar.\n\nE assim rezaram uma segunda missa, sob olhar de aproximadamente 150 ind\u00edgenas.\n\n<strong>Caminha registra:<\/strong>\n\nE quando se veio ao Evangelho, que nos erguemos todos em p\u00e9, com as m\u00e3os levantadas, eles se levantaram conosco, e al\u00e7aram as m\u00e3os, estando assim at\u00e9 se chegar ao fim; e ent\u00e3o tornaram-se a assentar, como n\u00f3s.\n\nE quando levantaram a Deus, que nos pusemos de joelhos, eles se puseram assim como n\u00f3s est\u00e1vamos, com as m\u00e3os levantadas, e em tal maneira sossegados que certifico a Vossa Alteza que nos fez muita devo\u00e7\u00e3o.\n\n<strong>Terminada a missa, iniciaram-se os preparativos para deixar aquela terra que Cabral batizara de Vera Cruz, e Caminha assim escreveu:<\/strong>\n\nEsta terra, Senhor, parece-me que, da ponta que mais contra o sul vimos, at\u00e9 \u00e0 outra ponta que contra o norte vem, de que n\u00f3s deste porto houvemos vista, ser\u00e1 tamanha que haver\u00e1 nela bem vinte ou vinte e cinco l\u00e9guas de costa.At\u00e9 agora n\u00e3o pudemos saber se h\u00e1 ouro ou prata nela, ou outra coisa de metal, ou ferro; nem lha vimos.\n\nContudo a terra em si \u00e9 de muito bons ares frescos e temperados \u00c1guas s\u00e3o muitas; infinitas. Em tal maneira \u00e9 graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-\u00e1 nela tudo.\n\n<strong>Curiosidades sobre o Descobrimento do Brasil<\/strong>\n\nPedro \u00c1lvares Cabral saiu da praia do Restelo, em Lisboa, ao meio-dia do dia 9 de mar\u00e7o de 1500, uma segunda-feira.\n\nVieram em dez naus e tr\u00eas caravelas, trazendo um total de 1500 pessoas. A viagem levou 44 dias. No dia 22 de abril de 1500, Cabral ancorou em frente ao Monte Pascoal (536 metros de altura).\n\nUma das naus desapareceu no dia 23 de mar\u00e7o de 1500. Era a comandada por Vasco de Ata\u00edde e tinha 150 homens.\n\nOs outros barcos fizeram dois dias de buscas, mas nada encontraram. Ent\u00e3o, seguiram viagem.\n\nCabral, de 32 anos, era casado com uma das mulheres mais nobres e ricas de Portugal. Isabela de Castro era neta dos reis Dom Fernando de Portugal e Dom Henrique de Castela.\n\nEle foi nomeado capit\u00e3o-mor da esquadra em 15 de fevereiro de 1500.\n\nA nau capit\u00e2nia, comandada por Cabral, tinha capacidade para 250 ton\u00e9is. Ao todo, havia 190 homens a bordo.\n\nAs embarca\u00e7\u00f5es ancoraram a 36 quil\u00f4metros do litoral brasileiro. No dia seguinte, chegaram mais perto da costa. Foi a\u00ed que avistaram sete ou oito homens andando pela praia. Nicolau Coelho, Gaspar da Gama, um grumete e um escravo africanos foram os primeiros a desembarcar. O grupo na praia j\u00e1 aumentara para vinte homens, todos nus.\n\nOs nativos se aproximaram do barco apontando seus arcos e flechas. Nicolau Coelho fez sinal para que eles largassem as armas, o que foi obedecido. Ainda de dentro do barco, ele atirou um gorro vermelho, um sombreiro preto e a carapu\u00e7a de linho que usava. Em troca, os \u00edndios lhe deram um cocar e um colar de pedras brancas. Esses primeiros \u00edndios encontrados pelos portugueses eram da tribo tupiniquim.\n\nEm 2 de maio, a expedi\u00e7\u00e3o deixou o pa\u00eds e seguiu para as \u00cdndias. A miss\u00e3o de Cabral era instalar um entreposto em Calicute, principal centro das especiarias.\n\nCabral era considerado uma esp\u00e9cie de chefe militar da esquadra. Por isso, a frota inclu\u00eda tantos comandantes experientes, como Bartolomeu Dias, o primeiro a contornar o sul do continente africano, transformando o cabo das Tormentas em cabo da Boa Esperan\u00e7a; ou Nicolau Coelho, que havia participado da primeira viagem mar\u00edtima \u00e0s \u00cdndias, chefiada por Vasco da Gama.\n\nGaspar Lemos foi enviado de volta a Portugal para anunciar ao rei Manuel I a descoberta do Brasil.\n\nHavia um total de oito frades na frota de Cabral, liderados por frei Henrique de Coimbra. Cabral levava uma imagem de Nossa Senhora da Boa Esperan\u00e7a, colocada numa capela especialmente constru\u00edda no conv\u00e9s de sua embarca\u00e7\u00e3o.\n\nPedro \u00c1lvares Cabral recebeu 10 mil cruzados pela viagem. Cada cruzado valia 3,5 gramas de ouro. Ele poderia ainda comprar 30 toneladas de pimenta, com seus pr\u00f3prios recursos, e transport\u00e1-las gratuitamente no navio. A Coroa se comprometia a comprar o produto pelo pre\u00e7o de mercado em Lisboa (sete vezes mais que nas \u00cdndias).\n\nCada marinheiro poderia trazer 600 quilos de pimenta e fazer o mesmo. Entretanto, poucos voltaram. Al\u00e9m da nau que desapareceu e da outra que voltou a Portugal com a not\u00edcia do descobrimento, outras seis afundaram. Das treze, portanto, apenas cinco conseguiram retornar para casa.\n\nNenhum desenho da frota cabralina sobreviveu. Foram destru\u00eddos no terremoto seguido de inc\u00eandio que consumiu Lisboa em 1755.\n\n<strong>Descobrimento do Brasil &#8211; Resumo<\/strong>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-159165 aligncenter\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/descob3.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"216\" \/><strong>Descobrimento do Brasil<\/strong><\/p>\n<p align=\"left\">O Brasil foi oficialmente descoberto pelo navegador e explorador portugu\u00eas Pedro \u00c1lvares Cabral. Durante a P\u00e1scoa, em 22 de abril de 1500, sua esquadra avistou o Monte Pascoal na chamada Costa do Descobrimento, 50 km ao sul de Porto Seguro (Bahia). A sua viagem est\u00e1 relatada na famosa carta de P\u00earo Vaz de Caminha. At\u00e9 hoje n\u00e3o se sabe quando, onde e, sobretudo, quem realmente descobriu o Brasil.<\/p>\n<p align=\"left\">As notas do manuscrito Esmeraldo De Situ Orbis do cosm\u00f3grafo portugu\u00eas Duarte Pacheco Pereira (assinante do Tratado de Tordesilhas) indicam que ele pr\u00f3prio, por ordem do rei D. Manuel I, j\u00e1 havia explorado a costa brasileira em 1498.<\/p>\n<p align=\"left\">Outros documentos comprovam que em janeiro e mar\u00e7o de 1500, o explorador espanhol Vicente Y\u00e1\u00f1ez Pinz\u00f3n, que em 1492 junto com Crist\u00f3v\u00e3o Colombo descobriu a Am\u00e9rica e seu primo Diego de Lepe, havia chegado \u00e0 costa brasileira no atual estado de Pernambuco. Como esses territ\u00f3rios, de acordo com o Tratado de Tordesilhas, pertenciam oficialmente a Portugal, essas expedi\u00e7\u00f5es n\u00e3o aparecem na maioria das documenta\u00e7\u00f5es sobre o descobrimento do Brasil.<\/p>\n<p align=\"left\">A descri\u00e7\u00e3o das primeiras fei\u00e7\u00f5es geogr\u00e1ficas do litoral brasileiro s\u00f3 ocorreu durante a segunda expedi\u00e7\u00e3o oficial ao Brasil (maio de 1501 &#8211; setembro de 1502) e est\u00e3o documentadas na Carta do explorador italiano Am\u00e9rico Vesp\u00facio. Dependendo do historiador, ou Gaspar de Lemos, capit\u00e3o de um dos navios de abastecimento da frota de Cabral e portador da carta de Pero Vaz de Caminha ao rei D. Manuel I, ou Gon\u00e7alo Coelho s\u00e3o citados como comandantes desta expedi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"left\"><strong>A rota exata desta expedi\u00e7\u00e3o pode ser facilmente reconstru\u00edda com a ajuda do calend\u00e1rio de santos cat\u00f3lico romano:<\/strong>\u00a0Cabo de S\u00e3o Roque (16.08.1501), Rio S\u00e3o Francisco (04.10.1501), Ba\u00eda de Todos os Santos\/Salvador (01.11. 1501), Ba\u00eda de Guanabara\/Rio de Janeiro (01.01.1502), Angra dos Reis\/Ilha Grande (06.01.1502), Ilha de S\u00e3o Sebasti\u00e3o (20.01.1502), S\u00e3o Vicente (22.01.1502).<\/p>\n<strong>Fonte:<\/strong>\u00a0www.geocities.com\/www.conhecimentosgerais.com.br\/rioandlearn.com\/Educaterra\/www.braziltourstravel.com\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Descobrimento do Brasil, Dia, Hist\u00f3ria, Pedro Alvares Cabral, 22 de Abril de 1500, Frei Coimbra, Portugueses, Descobrimento do Brasil<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":9053,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[54],"tags":[],"class_list":["post-20424","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia-do-brasil"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - 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