{"id":20422,"date":"2015-12-17T00:00:00","date_gmt":"2015-12-17T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/cultura-e-costumes-do-povo-brasileiro-3\/"},"modified":"2026-09-01T15:31:49","modified_gmt":"2026-09-01T15:31:49","slug":"cultura-e-costumes-do-povo-brasileiro-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-do-brasil\/cultura-e-costumes-do-povo-brasileiro-3\/","title":{"rendered":"Cultura e Costumes do Povo Brasileiro"},"content":{"rendered":"\n<strong>Para tratar das rela\u00e7\u00f5es entre cultura e folclore, creio que seja necess\u00e1rio considerar, a exist\u00eancia de pelo menos dois modelos culturais:<\/strong>\u00a0o popular e tradicional e o oficial, moderno e escolarizado.\n\nAmbos correspondem a maneiras entrela\u00e7adas, por vezes bastante divergentes, de enxergar a vida e o mundo.\n\nO primeiro seria enraizado, por exemplo, na valoriza\u00e7\u00e3o de sistemas hier\u00e1rquicos assim como na cultura oral e suas implica\u00e7\u00f5es. O segundo, na valoriza\u00e7\u00e3o do individualismo assim como na cultura escrita e suas implica\u00e7\u00f5es. Cada um destes modelos culturais tem gerado discursos constru\u00eddos a partir de diferentes padr\u00f5es sociais, \u00e9ticos e est\u00e9ticos.\n\nA cultura inclui o conhecimento de cren\u00e7as, arte, leis, costumes, h\u00e1bitos adquiridos pelo homem como membro da sociedade, correspondendo \u00e0s formas que se organizam um determinado povo sendo transmitidos de gera\u00e7\u00e3o para gera\u00e7\u00e3o apresentando como a identidade de um povo.\n\n<strong>Cultura e Costumes do Povo Brasileiro &#8211; Hist\u00f3ria<\/strong>\n\nO homem \u00e9 a fonte de cria\u00e7\u00e3o popular para a vida em sociedade e o folclore estuda essas solu\u00e7\u00f5es. N\u00e3o apenas contos e cantos, mas a maquinaria faz nascer h\u00e1bitos, costumes, gestos, supersti\u00e7\u00f5es, alimenta\u00e7\u00e3o, indument\u00e1ria, s\u00e1tiras, lirismos, assimiladas nos grupos sociais participantes.\n\nEm fam\u00edlia, somos em grande parte, o que aprendemos com nossos ancestrais. A educa\u00e7\u00e3o, o respeito ao pr\u00f3ximo e o car\u00e1ter herdamos dos nossos antepassados. Um pa\u00eds \u00e9 uma grande fam\u00edlia.\n\nTem seus costumes pr\u00f3prios, sua forma\u00e7\u00e3o popular que sobrepuja qualquer rea\u00e7\u00e3o isolada. Ignorar o folclore do pr\u00f3prio pa\u00eds equivale a desconhecer a pr\u00f3pria heran\u00e7a familiar.\n\n<strong>O povo brasileiro \u00e9 produto, em princ\u00edpio de tr\u00eas ra\u00e7as:<\/strong>\u00a0branca, negra e ind\u00edgena. Os costumes desses povos eram diversos e de sua mescla, de sua fus\u00e3o resultou nossa cultura. E, a cultura popular brasileira \u00e9 uma das mais belas do mundo. Pena que, como pa\u00eds subdesenvolvido que \u00e9ramos, est\u00e1vamos sujeitos a influ\u00eancias dos pa\u00edses mais desenvolvidos.\n\nAceitar nosso folclore passou a ser at\u00e9 mesmo motivo de mau gosto.\n\nO Brasil descobre a si pr\u00f3prio e, a cada dia, nos empenhamos mais em ocupar o merecido lugar entre as principais na\u00e7\u00f5es do mundo.\n\nAos jovens cabe descobrir o folclore. A eles cabe sentir orgulho em cantar nossas m\u00fasicas, dan\u00e7ar nossas dan\u00e7as, em soerguer nosso artesanato.\n\nO\u00a0<strong>folclore brasileiro<\/strong>\u00a0\u00e9 a base de nossas tradi\u00e7\u00f5es. Devemos ter orgulho de que somos resultado de povos sens\u00edveis e criativos.\n\nO Brasil \u00e9 um pa\u00eds rico em diversidade cultural. Pode-se dizer que um fator determinante para este fato \u00e9 a forma com que foi colonizado onde predominou a mistura de ra\u00e7as e etnias.Dessa mistura nasceu ritmos \u00fanicos que s\u00e3o apreciados em todo o planeta. \u00c9 importante para o individuo conhecer as ra\u00edzes da hist\u00f3ria de seu pa\u00eds e conseq\u00fcentemente as suas. Falaremos um pouco dos ritmos presentes nas regi\u00f5es nordeste e sudeste j\u00e1 que estas servir\u00e3o de inspira\u00e7\u00e3o para a realiza\u00e7\u00e3o deste trabalho. No nordeste temos o frevo, maracatu,coco,bumba-meu-boi, entre outros.\n\n<strong>FREVO<\/strong>\n\nA palavra\u00a0<strong>Frevo<\/strong>, derivada de frever (ferver) designa a dan\u00e7a carnavalesca de rua e de sal\u00e3o, essencialmente r\u00edtmica, em compasso bin\u00e1rio e andamento mais r\u00e1pido que o da marchinha carioca, e na qual os dan\u00e7arinos (passistas) executam coreografia individual, improvisada e fren\u00e9tica.\u00c9 uma dan\u00e7a brasileira, origin\u00e1ria do Nordeste do pa\u00eds.\n\n<strong>MARACAT\u00da<\/strong>\n\n<strong>O maracatu \u00e9 uma dan\u00e7a com ra\u00edzes religiosas e hist\u00f3ricas muito popular em Pernambuco, e que apresenta varia\u00e7\u00f5es de tipos e nomes:<\/strong>\u00a0maracatu de baque virado, maracatu na\u00e7\u00e3o, maracatu rural, maracatu de orquestra, entre outros.\n\nOs personagens s\u00e3o nobres soberanos \u2013 como reis negros e brancos, rainhas e embaixadores \u2013 vestidos luxuosamente e acompanhados de toda a corte. Em alguns maracatus, h\u00e1 ainda a presen\u00e7a de baianas, meninos, \u00edndios, escravos e tamb\u00e9m de bonecos.\n\nO grupo desfila pelas ruas e em certos momentos h\u00e1 imita\u00e7\u00f5es de duelos. Os m\u00fasicos participam do bloco tocando principalmente instrumentos de percuss\u00e3o. Imagine que espet\u00e1culo maravilhoso!\n\n<strong>COCO<\/strong>\n\nDan\u00e7a popular de roda do norte e nordeste do Brasil, origin\u00e1ria de Alagoas, acompanhada de canto e percuss\u00e3o. Acredita-se que tenha nascido nas praias, da\u00ed o seu nome.\n\nO ritmo sofreu v\u00e1rias altera\u00e7\u00f5es com o aparecimento do bai\u00e3o nas caatingas e agreste. Como compositor que popularizou o ritmo podemos citar Jackson do Pandeiro.\n\n<strong>BUMBA-MEU-BOI<\/strong>\n\nNo Brasil de norte a sul encontramos a brincadeira de boi (boi fingido), conforme a regi\u00e3o estes possuem caracter\u00edsticas e nomes distintos.\n\n\u00c9 um bailado popular brasileiro, c\u00f4mico-dram\u00e1tico, organizado em cortejo, com personagens humanos (Pai Francisco, Mateus, Basti\u00e3o, Arlequim, Catirina, Capit\u00e3o Boca-Mole, etc.), animais (o Boi, a Ema, a Cobra, o Cavalo-Marinho, etc.) e fant\u00e1sticos (a Caipora, o Diabo, o Morto-Carregando-o-Vivo, o Babau, o Jaragu\u00e1, etc.), cujas perip\u00e9cias giram em torno da morte e ressurrei\u00e7\u00e3o do boi.\n\n<strong>S\u00e3o palavras sin\u00f4nimas:<\/strong>\u00a0boi, boi-bumb\u00e1, boi-calemba, boi-calumba, boi-de-mam\u00e3o, boi-de-mel\u00e3o, boi-mel\u00e3o, boi-de-reis, boi-pintadinho, boi-surubi(m), boizinho, bumba, bumba-boi, cavalo-marinho, rei-de-boi, reis-de-boi, reisado cearense. (Dic. Aur\u00e9lio).\n\n<strong>Exemplos de Bois:\u00a0<\/strong>Boi-de-mam\u00e3o \u00e9 uma das manifesta\u00e7\u00f5es mais significativas da cultura popular catarinense. Est\u00e1 presente nos munic\u00edpios do litoral e principalmente em Florian\u00f3polis, Capital de Santa Catarina, onde concentra o maior n\u00famero de grupos.\n\n<strong>Boi-de-orquestra: Bumba-meu-boi\u00a0<\/strong>mais recente e de m\u00fasica faceira, cabriolante; boi-de-matraca. Pertencente ao folclore do Maranh\u00e3o Brasil.\n\n<strong>Boi-de-zabumba<\/strong>\n\nBumba-meu-boi de ritmo mais lento, apoiando-se em grandes tambores enfiados em varas que dois homens carregam, e o m\u00fasico caminha ao lado, batendo-lhe com um macete. Folclore do Maranh\u00e3o Brasil.\n\nNa Regi\u00e3o Sudeste temos o samba,jongo da serrinha, entre outras.\n\n<strong>SAMBA<\/strong>\n\nO samba \u00e9 uma dan\u00e7a popular originada de ritmos, dan\u00e7as sociais e religiosas dos negros africanos que se fundiu \u00e0s dan\u00e7as e cantos sagrados dos ind\u00edgenas brasileiros e que foi levado para a Bahia pelos escravos enviados para trabalhar nas planta\u00e7\u00f5es de a\u00e7\u00facar.\n\nEsses batuques eram executados na zona rural.\n\nAos poucos a batida sutil e as diferen\u00e7as de interpreta\u00e7\u00e3o levaram o samba a ser dan\u00e7ando nos caf\u00e9s e eventualmente at\u00e9 nos sal\u00f5es, dessa forma e o samba urbano nasceu e se desenvolveu no Rio de Janeiro, no in\u00edcio do s\u00e9culo XX incorporando outros g\u00eaneros da \u00e9poca como Polca, Maxixe, Lundu e o Xote etc.\n\n<strong>Samba de Gafieira:\u00a0<\/strong>Em meados da d\u00e9cada de 1940 e na d\u00e9cada de 1950, o samba come\u00e7a a receber influ\u00eancias r\u00edtmicas latina e americana, passa a ser instrumental e come\u00e7a a ser dan\u00e7ado aos pares nos sal\u00f5es p\u00fablicos, gafieiras e cabar\u00e9s do Rio de Janeiro.\n\n<strong>Samba de Rock:\u00a0<\/strong>A batida peculiar desse samba foi inventada por Jorge Ben Jor e, a princ\u00edpio, foi chamada de sacundin sacunden, depois, na \u00e9poca da jovem guarda, virou jovem samba, e, mais tarde, sambalan\u00e7o. A partir dos anos 70, passou a ser conhecido como su\u00edngue ou samba-rock..\n\n<strong>Samba de Partido Alto:\u00a0<\/strong>Segundo velhos sambistas, a express\u00e3o \u201cpartido alto\u201d prov\u00e9m da alta dignidade desse samba. G\u00eanero de samba muito pr\u00f3ximo do batuque africano, e cultivado na cidade do Rio de Janeiro desde o fim do s\u00e9c. XIX por grupos de negros j\u00e1 urbanizados. \u00c9 dan\u00e7a de umbigada, com ritmo marcado por palmas, prato de cozinha raspado com faca, chocalho e outros instrumentos de percuss\u00e3o, e, \u00e0s vezes, acompanhada pelo viol\u00e3o e pelo cavaquinho.\n\n<strong>Samba de Roda:\u00a0<\/strong>\u00c9 uma dan\u00e7a que os negros do Congo e de Angola trouxeram para o Brasil e consiste em geral de se fazer uma grande roda em cujo centro um s\u00f3 dan\u00e7arino ou par, faz evolu\u00e7\u00f5es e depois de muitos requebros da uma umbigada em outro dan\u00e7arino de sexo diferente, que vai por sua vez para o centro, e assim sucessivamente.\n\n<strong>JONGO DA SERRINHA<\/strong>\n\nO Jongo \u00e9 uma dan\u00e7a comunit\u00e1ria de origem rural que data da \u00e9poca da escravid\u00e3o.A cultura do jongo e oriunda das rela\u00e7\u00f5es de sociabilidade que os escravos estabelecer\u00e3o,principalmente,nas fazendas de caf\u00e9 e cana-de-a\u00e7\u00facar.\u00c9 poss\u00edvel afirmar que o samba do Rio de Janeiro \u00e9 resultado da transforma\u00e7\u00e3o do jongo que foi praticado no meio urbano.O jongo,tamb\u00e9m \u00e9 chamado de caxambu devido ao tambor de mesmo nome,\u00e9 referencia cultural de v\u00e1rias regi\u00f5es no Rio de Janeiro e nos estados do Esp\u00edrito Santo,S\u00e3o Paulo e Minas Gerais.No Centro de uma roda solista improvisa can\u00e7\u00f5es baseadas em situa\u00e7\u00f5es do cotidiano ou canta pontos tradicionais que s\u00e3o respondidos em coro pelos participantes, numa empolgante combina\u00e7\u00e3o de batuque,canto,dan\u00e7a,religiosidade e brincadeira.\n\nDesde as \u00e9pocas mais remotas o ser humano dan\u00e7a, toca e canta para manifestar seus sentimentos.A facilidade de se expressar atrav\u00e9s do corpo faz parte da natureza humana.\n\nAtrav\u00e9s de movimentos qualquer emo\u00e7\u00e3o pode ser transmitida e dan\u00e7ar e cantar nada mais \u00e9 que executar esses movimentos. Algo natural de se colocar em pr\u00e1tica.\n\nViva a m\u00fasica e a dan\u00e7a e livre-se com prazer de suas preocupa\u00e7\u00f5es di\u00e1rias. Liberte-se de preconceitos e inibi\u00e7\u00f5es e invente passos. A criatividade do ser humano \u00e9 surpreendente.\n\nBusque a dan\u00e7a e a m\u00fasica nos momentos de lazer e a encare como um complemento, pois ela torna a vida mais saud\u00e1vel e, certamente, melhora a qualidade de vida.Acreditamos que disseminando a cultura estaremos oferecendo a oportunidade \u00e0 crian\u00e7as e adolescentes de conhecerem o universo al\u00e9m da comunidade onde vivem.\n\nA M\u00fasica bem como a Dan\u00e7a permitem ampliar o universo de sonhos e fantasias necess\u00e1rios a constru\u00e7\u00e3o da autonomia que leva o individuo a fazer escolhas mais seguras e s\u00f3lidas para seu futuro.\n\n<strong>Diversidade Humana<\/strong>\n\nA humanidade sempre teve rea\u00e7\u00f5es variadas pelas diferen\u00e7as que percebiam entre si e os v\u00e1rios povos com os quais tinham contato. Guerreiros; viajantes; comerciantes; e lendas relatavam a seus pares, desde a mais remota antiguidade, as exoticidades dos demais.\n\n<strong>As rea\u00e7\u00f5es eram e s\u00e3o variadas:<\/strong>\u00a0desde o medo e a repulsa, at\u00e9 a curiosidade e o apre\u00e7o (Mair, 1965; Laraia, 1986; Maggie, 1996).\n\nAspectos culturais e f\u00edsicos imediatamente percept\u00edveis da singularidade dos outros, como vestimentas; ornamentos corporais; estatura; cor da pele, cabelos e olhos; e l\u00edngua, ressaltavam a singularidade mais aparente.\n\n<strong>Os costumes mais estranhos, por\u00e9m, sobressaiam aos que tinham a oportunidade de passar um certo tempo maior entre os estrangeiros e outras diferen\u00e7as mais profundas entre os povos s\u00f3 poderiam ser apreendidas por um olhar mais detalhado:<\/strong>\u00a0historiadores como Her\u00f3doto s\u00e3o tidos, por alguns, como os primeiros antrop\u00f3logos, por se preocuparem com a organiza\u00e7\u00e3o das sociedades que descrevia, e n\u00e3o somente com os acontecimentos hist\u00f3ricos, buscando assim uma raz\u00e3o, uma causalidade para os eventos (Mair, op. cit.).\n\nAs explica\u00e7\u00f5es sobre a diversidade humana sempre ressaltaram com mais \u00eanfase os aspectos negativos dos outros, tendo como par\u00e2metro as caracter\u00edsticas positivas, f\u00edsicas e culturais, dos povos sob cujo ponto de vista se pensava a diferen\u00e7a. Chega-se at\u00e9 a negar a qualidade de humano aos demais povos.\n\n<strong>Alguns exemplos:\u00a0<\/strong>entre os povos ind\u00edgenas brasileiros, a autodesigna\u00e7\u00e3o, a rigor, enfatiza as qualidades de seres humanos; gente; povo de Deus de cada povo. E para os demais restam termos, no m\u00ednimo, desagrad\u00e1veis, como os agressivos selvagens; os comedores de carne de mam\u00edferos ou de cobra ou outra caracter\u00edstica repulsiva. J\u00e1 nos primeiros s\u00e9culos da coloniza\u00e7\u00e3o luso-espanhola, o estatuto de seres com alma chegou a ser negado aos habitantes tradicionais das Am\u00e9ricas, sendo objeto de discuss\u00f5es acirradas no \u00e2mbito da Igreja Cat\u00f3lica.\n\nA esta atitude a antropologia chama de etnocentrismo, uma atitude generalizada entre as sociedades humanas de valorizarem ao m\u00e1ximo como as melhores, as mais corretas, suas formas de viver; agir; sentir e pensar coletivamente.\n\nOutros exemplos demonstram atitudes mais positivas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 alteridade, como na Primeira Carta ao Rei de Portugal, em que Caminha descreveu os &#8220;\u00edndios&#8221; como alegres e inocentes como crian\u00e7as, sem notarem que estavam expondo suas &#8220;vergonhas&#8221;. Rousseau, um cr\u00edtico da sociedade europ\u00e9ia, cunhou a id\u00e9ia do &#8220;bom selvagem&#8221; e as cortes europ\u00e9ias deleitavam-se com a exoticidade animal e humana do &#8220;Novo Mundo&#8221;.\n\nSegundo Maggie (op. cit. : 226), foi a partir do s\u00e9culo XVI, com a expans\u00e3o colonial europ\u00e9ia, que caracteres como a cor da pele e outros tra\u00e7os f\u00edsicos dos povos encontrados por exploradores passou a ser um aspecto privilegiado no imagin\u00e1rio europeu, como marcador das diferen\u00e7as entre os povos.\n\n<strong>A autora cita Cam\u00f5es, em Os Lus\u00edadas, que, ao descrever um encontro com um habitante da \u00c1frica, disse acerca daquela parte do mundo:<\/strong>\n<blockquote>Onde jazem os povos a quem nega\nO filho de Clymenes a cor do dia.<strong>\ne ainda, mais adiante:<\/strong>\nhum estranho\u2026de pelle preta<\/blockquote>\nA partir desta \u00e9poca, igualmente, o pensamento europeu come\u00e7ou a desenvolver uma forma espec\u00edfica de classificar e pensar as coisas do mundo. A \u00e2nsia pelo saber, separando-se da Religi\u00e3o e da Filosofia, tornara-se Ci\u00eancia, buscando dar conta de um novo mundo de propor\u00e7\u00f5es multi-continentais. Os crit\u00e9rios da observa\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica e da classifica\u00e7\u00e3o em hierarquias racionais foram aplicados \u00e0s novas formas de vida (vegetal; animal e humanas) que passaram a conhecer.\n\nA escraviza\u00e7\u00e3o dos povos ind\u00edgenas sul-americanos e africanos, trouxe contradi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e morais no pensamento colonial e os crit\u00e9rios de classifica\u00e7\u00e3o das diversidades vegetais e animais foram tomados como crit\u00e9rios principais de demarca\u00e7\u00e3o das diferen\u00e7as humanas.\n\nSegundo Maggie (op.cit. : 225-226), as diferen\u00e7as s\u00e3o a pr\u00f3pria mat\u00e9ria do pensamento, desde a passagem da natureza \u00e0 cultura, mas foi nesse encontro entre povos distantes que se levou a troca simb\u00f3lica a n\u00edveis t\u00e3o intensos.\n\nA no\u00e7\u00e3o de Ra\u00e7a, e sua associa\u00e7\u00e3o de caracter\u00edsticas biol\u00f3gicas; comportamentais e sociais foi, neste longo per\u00edodo que se estendeu at\u00e9 o s\u00e9culo XX, a express\u00e3o cient\u00edfica do racismo colonial luso-espanhol..\n\nNa cultura luso-hisp\u00e2nica, este movimento teve desdobramentos importantes que inclu\u00edram, como no Brasil, a pol\u00edtica de incentivo a aos movimentos migrat\u00f3rios desde a importa\u00e7\u00e3o esclavagista da \u00c1frica at\u00e9 as tentativas de branqueamento do povo brasileiro (Seyferth, 1996), no s\u00e9culo XIX e influenciaram os estudos raciais acad\u00eamicos at\u00e9 meados do s\u00e9culo XX.\n\nDarwin e sua obra A origem das esp\u00e9cies foi um importante marco da revolu\u00e7\u00e3o metodol\u00f3gica que expressava uma s\u00edntese revolucion\u00e1ria na ci\u00eancia classificat\u00f3ria naturalista das esp\u00e9cies.\n\nSua teoria da evolu\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica das esp\u00e9cies introduziu uma vis\u00e3o din\u00e2mica que desvinculou das ci\u00eancias classificat\u00f3rias naturais das explica\u00e7\u00f5es da origem inata das diferen\u00e7as entre as esp\u00e9cies. N\u00e3o obstante, desde meados do s\u00e9culo XIX at\u00e9 meados do s\u00e9culo XX, nos debates cient\u00edficos sobre Ra\u00e7a, este pensamento din\u00e2mico n\u00e3o se havia consolidado. Segundo Ventura dos Santos (1996:125-127), a obra de Darwin e de outros, com modelos evolucionistas, levaram um longo tempo para se consolidarem nas Ci\u00eancias Antropol\u00f3gicas que se baseavam na constru\u00e7\u00e3o de categorias como tipos raciais e ra\u00e7as.\n\nSomente pouco antes da metade do s\u00e9culo XX, quando autores como Franz Boas (1940) e Stocking (1968) levantaram as influ\u00eancias das condi\u00e7\u00f5es ambientais na constitui\u00e7\u00e3o das diversidades humanas, o que Santos chama de segunda revolu\u00e7\u00e3o darwinista na Antropologia F\u00edsica (biol\u00f3gica) se consolidou. O conceito de ra\u00e7a, nas ci\u00eancias antropol\u00f3gicas, foi substitu\u00eddo ent\u00e3o pela categoria popula\u00e7\u00e3o (cf. Ventura dos Santos, op.cit. :125-129), constru\u00edda a partir de crit\u00e9rios estat\u00edsticos e gen\u00e9ticos, cuja \u00eanfase estava mais em seus aspectos din\u00e2micos, e na separa\u00e7\u00e3o, por inspira\u00e7\u00e3o da biologia experimental, estes crit\u00e9rios dos extrabiol\u00f3gicos (s\u00f3cio-culturais).\n\nO clima do p\u00f3s-guerra europeu, em fins da d\u00e9cada de 40 e na dos 50, trouxe rea\u00e7\u00f5es radicalmente contr\u00e1rias aos fundamentos da eugenia levada ao extremo pela pol\u00edtica nazista.\n\nEsta transi\u00e7\u00e3o foi significativamente marcada na Assembl\u00e9ia da UNESCO (United Nations Educational and Scientific Organization) de 1949 (cf. Ventura dos Santos, op. cet.:129-132). Nesta Assembl\u00e9ia, Boas e alguns antrop\u00f3logos, como L\u00e9vi-Strauss (Ra\u00e7a e Hist\u00f3ria) foram convidados a participar e exerceram influ\u00eancia no relat\u00f3rio final, contr\u00e1ria \u00e0 \u00eanfase na diversidade racial como explicativa de fen\u00f4menos s\u00f3cio-culturais e ambientais. A nega\u00e7\u00e3o da diversidade biol\u00f3gica e sua influ\u00eancia em certas caracter\u00edsticas individuais dos grupos humanos, levou a uma rea\u00e7\u00e3o de geneticistas; bi\u00f3logos e antrop\u00f3logos f\u00edsicos, que tiveram a oportunidade de participar de outra reuni\u00e3o, cuja conclus\u00e3o n\u00e3o foi, segundo Ventura dos Santos, muito diferente da anterior, embora resguardasse um espa\u00e7o para se pensar a diversidade biol\u00f3gica humana.\n\n<strong>Diversidade Biol\u00f3gica<\/strong>\n\n\u00c0s classifica\u00e7\u00f5es da diversidade humana, baseadas na morfologia f\u00edsica e no conceito de ra\u00e7a, sobrepunham-se igualmente aspectos do comportamento e formas de pensar e sentir (aspectos s\u00f3cio-culturais).\n\nO evolucionismo darwinista inspirara, inicialmente, uma hierarquiza\u00e7\u00e3o da diversidade humana e das ra\u00e7as em que a ra\u00e7a branca estaria no \u00e1pice da escala de evolu\u00e7\u00e3o, devido \u00e0 sua superioridade tecnol\u00f3gica e, acreditava-se, moral (etnocentrismo evolucionista que, na antropologia social ou cultural, teve tamb\u00e9m grande influ\u00eancia).\n\nN\u00e3o obstante, com a influ\u00eancia do evolucionismo darwinista e da biologia experimental do in\u00edcio do s\u00e9culo XX, as classifica\u00e7\u00f5es da antropologia f\u00edsica passaram, das caracter\u00edsticas morfol\u00f3gicas \u00e0 inclus\u00e3o de par\u00e2metros mais profundos da biologia humana, como os grupos sangu\u00edneos; as caracter\u00edsticas da hereditariedade gen\u00e9tica; da estat\u00edstica, com as sequ\u00eancias m\u00e9dias de caracteres gen\u00e9ticos e da teoria da probabilidade.\n\nA associa\u00e7\u00e3o entre a antropologia biol\u00f3gica e a gen\u00e9tica faz parte deste movimento que aprofundou o olhar cient\u00edfico da morfologia para as mol\u00e9culas e que, segundo Ventura dos Santos (op. cit. : 126-129), consistiu em um movimento metodol\u00f3gico significativo, designado como a segunda revolu\u00e7\u00e3o darwinista. A associa\u00e7\u00e3o entre antropologia e gen\u00e9tica faz parte deste movimento metodol\u00f3gico.\n\nOs antrop\u00f3logos f\u00edsicos, atualmente, buscam mais medir a distribui\u00e7\u00e3o de certas subst\u00e2ncias no sangue; a press\u00e3o sangu\u00ednea e de sequ\u00eancias gen\u00e9ticas espec\u00edficas em determinados grupos humanos.\n\nOs estudos da antropologia f\u00edsica estariam assim, mais pr\u00f3ximos dos estudos arqueol\u00f3gicos; m\u00e9dicos e gen\u00e9ticos, voltados, no contexto do processo sa\u00fade-doen\u00e7a, para as intera\u00e7\u00f5es adaptativas entre a biologia humana e o meio-ambiente natural e s\u00f3cio-cultural. Para uma revis\u00e3o cr\u00edtica e s\u00edntese dos rumos da Antropologia F\u00edsica atual, ver Gould (1991).\n\nA gen\u00e9tica, aprofundando mais o enfoque metodol\u00f3gico, ganhou um estatuto que passou de disciplina puramente cient\u00edfica para a de t\u00e9cnica, com a engenharia gen\u00e9tica.\n\n\u00c9 particularmente decisivo para as quest\u00f5es atuais sobre a diversidade humana, na bio\u00e9tica e na antropologia social, o emprego da engenharia gen\u00e9tica, o decifrar da cadeia de DNA humano, e a \u00eanfase no genoma.\n\nA Nova Gen\u00e9tica, fruto das revis\u00f5es cr\u00edticas p\u00f3s-modernas, define-se enquanto t\u00e9cnica terap\u00eautico-preventiva de doen\u00e7as herdadas e como uma engenharia.\n\nEste assunto ser\u00e1 reelaborado no pr\u00f3ximo item, sobre a Diversidade Cultural. Para uma cr\u00edtica atual das quest\u00f5es ligadas \u00e0s implica\u00e7\u00f5es s\u00f3cio-culturais e pol\u00edticas da Nova Gen\u00e9tica, cf. Petersen e Bunton, 2002.\n\n<strong>Diversidade Cultural<\/strong>\n\nNo campo das antropologias n\u00e3o-biol\u00f3gicas (etnologia; antropologia social e cultural), h\u00e1 uma diversidade de abordagens.\n\nA no\u00e7\u00e3o de cultura \u00e9 b\u00e1sica para se compreender os movimentos pelos quais passou esta disciplina, inicialmente parte da Antropologia (geral, sem distin\u00e7\u00f5es) do in\u00edcio do s\u00e9culo XIX, e que pretendia abordar todos os aspectos das quest\u00f5es acerca da diversidade humana.\n\nO mesmo debate que, na Antropologia F\u00edsica (biol\u00f3gica) substitui o conceito de Ra\u00e7a pelo de Popula\u00e7\u00e3o, desde meados do s\u00e9culo XIX at\u00e9 meados do S\u00e9culo XX, ocorreram no \u00e2mbito da Antropologia de cunho mais social, em que a diversidade humana transitou pelos conceitos de Ra\u00e7a; Etnia e Cultura. E se confunde com a pr\u00f3pria hist\u00f3ria da disciplina.\n\nPara uma vis\u00e3o mais abrangente, resumirei antes de entrar no assunto espec\u00edfico do conceito de cultura e o debate entre este conceito e o de ra\u00e7a, enfocarei outra quest\u00e3o importante, que diz respeito \u00e0 hist\u00f3ria da antropologia.\n\nPor influ\u00eancia do darwinismo, no in\u00edcio da antropologia social, o projeto de dar conta da diversidade cultural levou naturalistas e historiadores a debru\u00e7arem-se sobre os relatos de viajantes; exploradores e administradores coloniais que falavam sobre as exoticidades das sociedades inferiores; incivilizadas; simples, em rela\u00e7\u00e3o a uma vis\u00e3o industrial da t\u00e9cnica; e, finalmente, primitivas, por serem mais remanescentes de formas antigas, primeiras, da evolu\u00e7\u00e3o das sociedades humanas. O relativo isolamento geogr\u00e1fico destas sociedades e povos contribuiu para esta vis\u00e3o. Assim, a Antropologia Social, partindo de quest\u00f5es evolucionistas importantes para os estudiosos do s\u00e9culo XIX, ficou vista como ci\u00eancia das sociedades primitivas.\n\nMas com a persist\u00eancia destas sociedades em resistirem at\u00e9 a atualidade de forma bastante diferente da tradi\u00e7\u00e3o europ\u00e9ia, colocou um problema crucial para esta vis\u00e3o evolucionista e etnoc\u00eantrica da diversidade humana. Este fato motivou varia\u00e7\u00f5es ao longo da hist\u00f3ria da disciplina e de seus conceitos.\n\n<strong>Os antrop\u00f3logos voltaram-se, a partir dos pr\u00f3prios resultados das pesquisas nestes povos com culturas diferenciadas, para sub-grupos ou sub-culturas no interior das sociedades complexas:<\/strong>\u00a0os estudos de comunidades camponesas de Redford; os estudos voltados para grupos marginalizados nas regi\u00f5es urbanas at\u00e9, finalmente, estudos voltados para grupos pertencentes \u00e0s classes populares e altas da sociedade moderna, culminaram por desembocar em uma an\u00e1lise cr\u00edtica da vis\u00e3o de mundo ocidental moderna e da globaliza\u00e7\u00e3o, inclusive a da pr\u00f3pria cultura cient\u00edfica nas \u00e1reas m\u00e9dicas e da sa\u00fade p\u00fablica (cf. Verani, 1990 e 1994; Duarte, et al., 1998; Lupton, 1999; Petersen e Bunton, 2002).\n\n<strong>Voltando ao conceito de cultura, algumas das principais correntes te\u00f3ricas que influenciaram varia\u00e7\u00f5es do mesmo s\u00e3o:<\/strong>\u00a0o evolucionismo e suas influ\u00eancias no difusionismo e na sociologia francesa de Durkheim e Mauss; o marxismo e a sociologia de Marx Weber; e o estruturalismo de L\u00e9vi-Strauss.\n\nO funcionalismo ingl\u00eas e as vertentes culturalistas americanas tamb\u00e9m se inserem neste campo.\n\nTylor e Boas foram os que mais enfatizaram o adjetivo cultural ligado \u00e0 antropologia, em um movimento iniciado na Inglaterra, em in\u00edcio do s\u00e9culo XIX, e nos Estados Unidos. Mas na Fran\u00e7a, com a Sociologia de Comte bem solidificada enquanto disciplina independente das demais Ci\u00eancias Humanas, Durkheim; Mauss e L\u00e9vi-Strauss s\u00e3o autores importantes que vinculam a Antropologia Social \u00e0 Sociologia, como uma sub-disciplina desta \u00faltima.\n\nA no\u00e7\u00e3o de cultura \u00e9 o cerne de uma antropologia que separava o determinismo biol\u00f3gico racial das manifesta\u00e7\u00f5es de comportamento aprendidas pelos indiv\u00edduos de uma sociedade ap\u00f3s o nascimento.\n\nEstes aspectos eram considerados ent\u00e3o como de ordem ambiental no debate das rela\u00e7\u00f5es entre Ra\u00e7a e Cultura. Para uma revis\u00e3o dos diversos conceitos de cultura e de antropologia, at\u00e9 \u00e0 metade do s\u00e9culo XX, com suas teorias subjacentes, conferir a colet\u00e2nea de Shapiro, 1956; Mair, 1965; Copans, 1971; Laraia, 1986.\n\n<strong>Mas para efeitos did\u00e1ticos, cito aqui a defini\u00e7\u00e3o de cultura de Tylor (1871, apud Mair, op.cit.:15-16):\u00a0<\/strong>Cultura \u00e9 (\u2026) conhecimentos; cren\u00e7as; artes; moral; leis; costume e quaisquer outras capacidades e h\u00e1bitos adquiridos pelo homem como membro da sociedade.\n\nComo comenta Mair, esta \u00e9 mais uma lista de itens do que uma defini\u00e7\u00e3o ou uma teoria que descreva e explique a diversidade humana.Boas, na Am\u00e9rica, interessou-se pelas artes e t\u00e9cnicas. Na pr\u00e1tica, o estudo da cultura refere-se a costumes; maneiras e t\u00e9cnicas tradicionais espec\u00edficas de uma sociedade. Esta vertente culturalista da Antropologia considerava-se mais pr\u00f3xima da Antropologia F\u00edsica; da Ling\u00fc\u00edstica; e da Arqueologia. Sua \u00eanfase maior era em descrever e entender a diversidade humana.\n\nJ\u00e1 a outra vertente citada, incluindo o funcionalismo institucional de Malinowiski e o funcionalismo-estrutural de Radcliffe-Brown, considerando-se mais pr\u00f3ximo das Ci\u00eancias Sociais, detiveram-se mais, atrav\u00e9s do m\u00e9todo comparativo, no desenvolvimento te\u00f3rico de generaliza\u00e7\u00f5es sobre todos os tipos de sociedades humanas.\n\n<strong>Malinowiski, tamb\u00e9m considerado o pai do trabalho de campo, o m\u00e9todo privilegiado de estudos etnol\u00f3gicos, enfatizava que os estudiosos deveriam descrever todos os aspectos vinculados numa dada sociedade ao complexo, por exemplo, da fun\u00e7\u00e3o alimentar:<\/strong>\u00a0t\u00e9cnicas agr\u00edcolas; formas de distribui\u00e7\u00e3o dos alimentos entre grupos e indiv\u00edduos; institui\u00e7\u00f5es de trocas (com\u00e9rcio ou circula\u00e7\u00e3o de bens); etc.\n\nMalinowiski via a sociedade atrav\u00e9s de uma met\u00e1fora anat\u00f4mica em que na morfologia das sociedades, as institui\u00e7\u00f5es cumpriam as mesmas fun\u00e7\u00f5es que os \u00f3rg\u00e3os e sistemas do corpo humano.\n\nA met\u00e1fora mec\u00e2nica de estrutura e funcionamento tamb\u00e9m influenciou as teorias sobre as sociedades humanas, como no funcionalismo, em que, por\u00e9m, a met\u00e1fora fisiol\u00f3gica predominava.\n\nA no\u00e7\u00e3o de sistema din\u00e2mico \u00e9 parte desta influ\u00eancia.\n\n\u00c9 necess\u00e1rio, n\u00e3o obstante, as diferen\u00e7as atribu\u00eddas ao conceito de estrutura. Apesar de utilizado por Malinowiski; Radcliffe-Brown; Evans-Pritchard; e outros, foi com L\u00e9vi-Strauss que este conceito, influenciado pelas teorias da ling\u00fc\u00edstica, tornaram-se mais abstratos e ligados a quest\u00f5es mais sociais que a met\u00e1foras tomadas de disciplinas como a biologia e a mec\u00e2nica.\n\n<strong>L\u00e9vi-Strauss, critica e sintetiza a defini\u00e7\u00e3o de cultura mais utilizada:\u00a0<\/strong>h\u00e1bitos; atitudes; comportamentos; maneiras pr\u00f3prias de agir sentir e pensar de um povo e enfatiza a estrutura sub-consciente de pensamento.\n\nPara o estruturalismo de L\u00e9vi-Strauss, a diversidade humana n\u00e3o \u00e9 importante, e sim a similaridade humana de pensamento. Nesta teoria, o conceito de cultura ganha um sentido residual. Residual, por\u00e9m irredut\u00edvel, como coloca Carneiro da Cunha (1986), em que a identidade de grupo \u00e9 fundamental na constru\u00e7\u00e3o da Pessoa Humana.\n\nPara o a antropologia atual, cultura \u00e9 um sistema simb\u00f3lico (Geertz, 1973), caracter\u00edstica fundamental e comum da humanidade de atribuir, de forma sistem\u00e1tica; racional e estruturada, significados e sentidos as coisas do mundo. Observar; separar; pensar e classificar; atribuindo uma ordem totalizadora ao mundo, \u00e9 fundamental para se compreender o conceito de cultura atualmente definido como sistema simb\u00f3lico, e sua diversidade nas sociedades humanas, mesmo neste per\u00edodo atual de modernidade tardia.\n\n<strong>Cultura e folclore:<\/strong>\u00a0construindo rela\u00e7\u00f5es no espa\u00e7o escolar\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-159156 aligncenter\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Cultur7-1.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"194\" \/><strong>Cultura brasileira<\/strong><\/p>\nOs diferentes tipos de cultura permeiam as rela\u00e7\u00f5es humanas, rela\u00e7\u00f5es estas que aparecem em diferentes comunidades pelo mundo, em diferentes per\u00edodos, desde a origem do homem.\n\nA antropologia nos mostra que todo e qualquer ser humano tem cultura. Mas, por outro lado, observamos que no, nosso dia-a-dia, algumas pessoas fazem refer\u00eancia \u00e0 cultura como algo restrito a grupos que t\u00eam acesso a cinema, teatro, literatura, ao conhecimento cient\u00edfico, entre outros.\n\nEsses grupos culturais possuem indicadores sociais que t\u00eam como fun\u00e7\u00e3o definir, indicar e construir a cultura do grupo humano.\n\n<strong>Os indicadores sociais se agrupam em diferentes formas:<\/strong>\u00a0as organizativas, os sistemas de decis\u00e3o, a vis\u00e3o do mundo e a rela\u00e7\u00e3o com o meio ambiente.\n\nAs formas organizativas est\u00e3o relacionadas ao espa\u00e7o social, destacando o lazer, o trabalho, a fam\u00edlia, a escola e a religi\u00e3o.\n\n<strong>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 fam\u00edlia, podemos mencionar:<\/strong>\u00a0os la\u00e7os de parentesco e os compadrios. Os grupos formados na escola tamb\u00e9m fazem parte das formas organizativas, desenvolvendo as tarefas solicitadas em sala de aula, participando das olimp\u00edadas escolares, representando pe\u00e7as de teatro e dan\u00e7a.\n\nNos sistemas de decis\u00e3o podemos relacionar com a pol\u00edtica educacional vigente. Esse sistema pode ser observado nas muitas mudan\u00e7as que a educa\u00e7\u00e3o sofreu em nosso pa\u00eds.\n\nPassamos por uma fase tecnicista, na qual o objetivo era formar pessoas aptas a suprir a necessidade do mercado. E, num outro extremo, destacamos a valoriza\u00e7\u00e3o da constru\u00e7\u00e3o da cidadania, que ainda faz parte do momento atual. Como vimos, a pol\u00edtica circula pela educa\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m por todos os demais setores.\n\nA vis\u00e3o de mundo como um indicador social \u00e9 influenciada pelo advento das novas tecnologias, surgindo, assim, aulas informatizadas, o ensino \u00e0 dist\u00e2ncia \u2013 rompendo fronteiras \u2013 aproximando o aluno do conhecimento, delineando o seu perfil cultural.\n\nNo meio ambiente, podemos mencionar a preocupa\u00e7\u00e3o com a preserva\u00e7\u00e3o do planeta. Os projetos pol\u00edtico-pedag\u00f3gicos, em muitos casos, destacam esse assunto, que \u00e9 importante discutir com nossos alunos.\n\nEsses componentes s\u00e3o extremamente din\u00e2micos, interdependentes e formam uma rede de rela\u00e7\u00f5es condicionantes e condicionadas pelo corpo de valores, revelando o perfil do grupo social.\n\nConsideramos cultura exatamente essa rede de rela\u00e7\u00f5es, processos e intera\u00e7\u00f5es que formam o desenho definidor da comunidade ou grupo social. Sendo assim, caracter\u00edsticas como a heterogeneidade e a diversidade constituem a marca da nossa cultura, o car\u00e1ter de nosso pa\u00eds e sua verdade hist\u00f3rica.\n\nPodemos considerar cultura, em sentido estrito, a produ\u00e7\u00e3o intelectual de um povo, expressa nas produ\u00e7\u00f5es filos\u00f3ficas, cient\u00edficas, art\u00edsticas, liter\u00e1rias e religiosas.\n\nNesse sentido, pessoas ou grupos se ocupam com diferentes formas de express\u00e3o cultural. Tais como artistas, o escritores, o fil\u00f3sofos, e cientistas.\n\nNo sentido estrito, destaca-se a \u00eanfase \u00e0 representa\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica que o homem faz da realidade, constru\u00edda por meio do conhecimento e da valora\u00e7\u00e3o; \u00e9 justamente pela educa\u00e7\u00e3o que bens simb\u00f3licos podem ser transmitidos, avaliados e transformados.\n\nEsses bens deveriam estar dispon\u00edveis para todos, tanto na fase de reprodu\u00e7\u00e3o e inova\u00e7\u00e3o quanto na de consumo e frui\u00e7\u00e3o. No entanto, tal n\u00e3o acontece nas sociedades divididas em classes, em que \u00e9 n\u00edtida a separa\u00e7\u00e3o entre trabalhadores intelectuais e manuais. Esse \u00faltimo geralmente n\u00e3o tem acesso aos bens culturais e, quando deles se aproximam, prevalece o consumo da cultura dominante.\n\nJ\u00e1 vimos que da\u00ed deriva a classifica\u00e7\u00e3o que separa os cultos dos incultos.\n\nGeralmente, \u00e9 considerado inculto aquele que n\u00e3o participa do saber da elite. Por\u00e9m, se o homem se define na medida em que \u00e9 capaz de produzir cultura, n\u00e3o existe homem inculto. Acontece que, nas sociedades em que predominam rela\u00e7\u00f5es de domina\u00e7\u00e3o, as pessoas do povo s\u00e3o impedidas de elaborar criticamente sua pr\u00f3pria produ\u00e7\u00e3o cultural.\n\n<strong>Essas distor\u00e7\u00f5es levam a outra, tamb\u00e9m muito comum:<\/strong>\u00a0a ideia de que se tem cultura, ou seja, o conhecimento \u00e9 um benef\u00edcio que pode ser dado, e o homem culto seria aquele que tem posse de conhecimentos, n\u00e3o se levando em conta o dinamismo da cultura e a sua dupla dimens\u00e3o de constru\u00e7\u00e3o e ruptura. Na verdade, a cultura tem duas perspectivas, a do ter e a do ser.\n<blockquote><strong>H\u00e1 um processo cont\u00ednuo na esfera cultural, tornando o ter e o ser uma unidade com duas faces:<\/strong>\u00a0a segunda \u00e9 a que leva \u00e0 inven\u00e7\u00e3o do discurso a ser sujeito da pr\u00f3pria vida, e a primeira permite a alimenta\u00e7\u00e3o cont\u00ednua desse processo atrav\u00e9s da posse poss\u00edvel de todos os registros do discurso dos homens de todos os tempos. (MILANESI, 1991, p.139)<\/blockquote>\nVimos, at\u00e9 aqui, que a cultura \u00e9 uma cria\u00e7\u00e3o humana, que, ao tentar resolver seus problemas, o homem produz os meios para a satisfa\u00e7\u00e3o de suas necessidades e, com isso, transforma o mundo natural e a si mesmo.\n\nPor meio do trabalho instaura rela\u00e7\u00f5es sociais, cria modelos de comportamento, institui\u00e7\u00f5es e saberes.\n\nO aperfei\u00e7oamento dessas atividades, no entanto, s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel pela transmiss\u00e3o dos conhecimentos adquiridos de uma gera\u00e7\u00e3o para outra, permitindo a assimila\u00e7\u00e3o dos modelos de comportamento valorizados.\n\n\u00c9 a educa\u00e7\u00e3o que mant\u00e9m viva a mem\u00f3ria de um povo e d\u00e1 condi\u00e7\u00f5es para a sobreviv\u00eancia material e espiritual.\n\nA educa\u00e7\u00e3o \u00e9, portanto, fundamental para a socializa\u00e7\u00e3o do homem e sua humaniza\u00e7\u00e3o. Trata-se de um processo que dura a vida toda e n\u00e3o se restringe \u00e0 mera continuidade da tradi\u00e7\u00e3o, pois sup\u00f5e a possibilidade de rupturas, pelas quais a cultura se renova e o homem faz a hist\u00f3ria.\n\n<strong>Devido \u00e0 exist\u00eancia de muitas defini\u00e7\u00f5es sobre cultura popular, adotamos o seguinte conceito:<\/strong>\u00a0o conjunto de cria\u00e7\u00f5es e manifesta\u00e7\u00f5es espont\u00e2neas, originais e aut\u00eanticas, nascidas e consumidas pelos pr\u00f3prios sujeitos que as geraram, podendo at\u00e9 ser influenciado por outros tipos de express\u00f5es culturais, a erudita e a de massa, o que n\u00e3o descaracterizaria seu car\u00e1ter popular.\n\nEssas express\u00f5es se materializam no cotidiano e se fazem presentes nos planos simb\u00f3licos, nas viv\u00eancias de grupos sociais, desde o \u00e2mbito familiar at\u00e9 o conv\u00edvio comunit\u00e1rio que pode ser em pequena ou grande escala, reunindo poucas pessoas ou mesmo uma multid\u00e3o.\n\nComo n\u00e3o vivemos em uma sociedade homog\u00eanea, qualquer produ\u00e7\u00e3o cultural est\u00e1 sujeita \u00e0s avalia\u00e7\u00f5es que dependem da posi\u00e7\u00e3o social do grupo no qual ela surge.\n\nPor isso, quando contrapomos, por exemplo, cultura de elite e cultura popular, j\u00e1 estamos emitindo ju\u00edzo de valor, ou seja, a cultura de elite seria superior porque \u00e9 refinada, elaborada, ao passo que a cultura popular seria inferior por se tratar de express\u00e3o ing\u00eanua e n\u00e3o intelectualizada.\n\nOutra confus\u00e3o est\u00e1 em se identificar cultura de elite, que na verdade \u00e9 a cultura erudita, com produ\u00e7\u00e3o da classe dominante; de maneira geral deve-se ao pressuposto de que a verdadeira cultura \u00e9 a produzida pela elite.\n\nQuando se fala de conhecimento, despreza-se o saber popular para se valorizar apenas a ci\u00eancia; ao se tratar da t\u00e9cnica, exalta-se a mais refinada tecnologia; ao se referir \u00e0 arte contempor\u00e2nea, pensa-se nas pinturas de Picasso; quando se volta \u00e0 aten\u00e7\u00e3o para a arte popular, \u00e9 para consider\u00e1-la de forma depreciativa, como arte menor ou produ\u00e7\u00e3o ex\u00f3tica e objeto de curiosidade.\n\nCultura no sentido antropol\u00f3gico tem muito a ver com comunica\u00e7\u00e3o, cultura \u00e9 um mundo de significados, \u00e9 um c\u00f3digo simb\u00f3lico constru\u00eddo socialmente, e compartilhado por todos os seus integrantes.\n\nCultura \u00e9 constru\u00e7\u00e3o!!!!\n\nCultura \u00e9 algo que se adquire na conviv\u00eancia em grupo. Um beb\u00ea, quando vem ao mundo, nada sabe al\u00e9m de sugar o dedo. Ele est\u00e1 biologicamente equipado para, aos poucos, desenvolver a fala.\n\nMas o idioma que vai falar depender\u00e1 do grupo social ao qual pertence. Uma crian\u00e7a ind\u00edgena, primeiro vai aprender com os pais, irm\u00e3os e outros parentes a falar o seu idioma. S\u00f3 depois ela aprender\u00e1 o portugu\u00eas.\n\nOutro exemplo no contexto escolar \u00e9 o jogo como fen\u00f4meno cultural, que se desenvolve e estrutura de forma diferenciada, de acordo com a cultura e costumes em que est\u00e1 inserido.\n\nExatamente por ser constru\u00edda \u00e9 que a cultura pode ser t\u00e3o variada. Cada grupo pode desenvolver e transformar sua pr\u00f3pria cultura, por meio de contato e conviv\u00eancia com outros grupos.\n\n<strong>Cultura \u00e9 algo que pode ser trocado:<\/strong>\u00a0temos nossa cultura mais podemos compreender as alheias.\n\nO povo brasileiro \u00e9 um povo plural, cuja trajet\u00f3ria, desde a forma\u00e7\u00e3o at\u00e9 os dias de hoje, tem possibilitado o encontro e a combina\u00e7\u00e3o de tradi\u00e7\u00f5es culturais diversas, recriadas em combina\u00e7\u00f5es novas, brasileiras.\n\nA hist\u00f3ria desses encontros \u00e9 marcada por conflitos e contradi\u00e7\u00f5es. Aprendemos na escola e ouvimos, a toda hora, os meios de comunica\u00e7\u00e3o repetir que nosso povo \u00e9 o resultado da jun\u00e7\u00e3o de representantes de tr\u00eas ra\u00e7as; o branco, o negro e o \u00edndio.\n\n<strong>Mas, pense bem, ser\u00e1 que o conceito de ra\u00e7a \u00e9 adequado para explicar nossa forma\u00e7\u00e3o social e cultural?<\/strong>\n\nHistoriadores dedicados ao estudo do per\u00edodo colonial comentam a dificuldade de comunica\u00e7\u00e3o enfrentada pelos primeiros africanos escravizados que para c\u00e1 foram trazidos.\n\n\u00c9 que eles pertenciam a diferentes sociedades tribais, que viviam em diferentes locais da \u00c1frica Costa Ocidental, Costa Austral e Costa Oriental e falavam l\u00ednguas distintas. O colonizador os igualava, denominando-os todos negros, vendo-os como m\u00e3o-de-obra e n\u00e3o como indiv\u00edduos dotados de uma hist\u00f3ria e de valores pr\u00f3prios dos diferentes povos dos quais se originavam.\n\nUm negro norte-africano n\u00e3o era igual ao negro do centro do continente ou ao negro sul-africano. O que chamamos de cultura afro-brasileira \u00e9 o resultado das viv\u00eancias de africanos de diferentes sociedades, que aqui se encontraram, combinaram e recriaram distintas tradi\u00e7\u00f5es, hoje revividas e atualizadas por seus descendentes.\n\nO mesmo podemos dizer a respeito dos brancos colonizadores que aqui chegaram h\u00e1 mais de 500 anos. Portugueses, espanh\u00f3is, franceses, holandeses, no in\u00edcio.\n\nMais tarde, outros brancos que para c\u00e1 migraram em busca de melhores oportunidades.\n\nNa \u00e9poca do Descobrimento do Brasil, existiam mais de 200 sociedades ind\u00edgenas, cada qual com sua l\u00edngua, seu modo de agir e pensar, sua pol\u00edtica, suas regras sociais, sua \u00e9tica, sua maneira de adornar o corpo e educar os filhos, seus rituais. O colonizador os igualava no nome\u00a0 \u00edndios, mas soube, desde o in\u00edcio, tirar proveito das diferen\u00e7as entre eles, explorando, por exemplo, as inimizades entre tribos do litoral. Os portugueses aliaram-se aos Tupiniquins, enquanto os franceses ficaram amigos dos Tupinamb\u00e1s.\n\nEsses povos ind\u00edgenas se enfrentaram na disputa dos territ\u00f3rios que os europeus haviam invadido.\n\nAinda hoje as sociedades ind\u00edgenas brasileiras lutam pelo reconhecimento de suas identidades e necessidades espec\u00edficas, como a demarca\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rios onde possam viver cada uma a seu modo.\n\nO povo brasileiro, al\u00e9m de multi\u00e9tnico, \u00e9 pluricultural, N\u00e3o havia, como n\u00e3o h\u00e1 atualmente, uma \u00fanica cultura branca, outra negra e outra ind\u00edgena. Brancos, negros e \u00edndios diferiam uns dos outros, e cada um desses grupos tinha suas diferen\u00e7as internas.\n\nQuando falamos sobre cultura popular estamos nos referindo n\u00e3o apenas \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es festivas e \u00e0s tradi\u00e7\u00f5es orais e religiosas do povo brasileiro, mas ao conjunto de suas cria\u00e7\u00f5es, \u00e0s maneiras como se organiza e se expressa, aos significados e valores que atribui ao que faz, aos diferentes modos de trabalhar, aos jeitos de falar, aos tipos de m\u00fasica que cria, \u00e0s misturas que faz na religi\u00e3o, na culin\u00e1ria e na brincadeira.\n\nEm vez de tentar definir o que \u00e9 certo ou errado em mat\u00e9ria de folclore, o que queremos \u00e9 compreender os muitos caminhos pelos quais permanece vivo e se transforma.\n\nQue encontros e combina\u00e7\u00f5es de t\u00e3o distintas tradi\u00e7\u00f5es s\u00e3o praticados pelos brasileiros? Que cria\u00e7\u00f5es resultam das tantas misturas culturais que esse povo \u00e9 capaz de fazer? Como o popular e o erudito se combinam?\n\nN\u00e3o podemos de forma alguma ignorar as mudan\u00e7as provocadas no mapa cultural brasileiro pelas migra\u00e7\u00f5es internas e pelo avan\u00e7o da comunica\u00e7\u00e3o de massa.\n\nJ\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 mais correspond\u00eancia literal entre, por exemplo, o modo de ser do homem que mora na regi\u00e3o norte e os costumes ind\u00edgenas, primeiros habitantes da regi\u00e3o. Muitos costumes se perderam e outros foram recriados.\n\n<strong>Trabalhar a cultura amazonense nas escolas requer um resgate de influ\u00eancias como:\u00a0<\/strong>o conhecimento do clima, da geografia, da culin\u00e1ria, das dan\u00e7as, das brincadeiras e dos costumes me parece uma forma interessante de estudar o folclore.\n\n<strong>Compreendo a educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas como a transmiss\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es, mas como o desenvolvimento da capacidade de relacionar os conte\u00fados e criar interpreta\u00e7\u00f5es pessoais, e por esse motivo, n\u00e3o tenho d\u00favidas:<\/strong>\u00a0a atua\u00e7\u00e3o do educador \u00e9 sempre decisiva. \u00c9 o professor, quem vai auxiliar seus alunos a estabelecer as rela\u00e7\u00f5es poss\u00edveis entre o que j\u00e1 sabem e as descobertas que a escola propicia.\n\nDe acordo com MOREIRA &amp; CANDAU (2008, p.16), no momento atual, as quest\u00f5es culturais n\u00e3o podem ser ignoradas pelos educadores, sob o risco de que a escola cada vez se distancie mais dos universos simb\u00f3licos, das mentalidades e inquietudes das crian\u00e7as e jovens de hoje.\n\nAventurar-se neste universo, exige capacidade para poder interpretar as diversas culturas, nos seus diferentes pap\u00e9is e educar de forma completa, com um olhar compreensivo.\n\nNesta aspira\u00e7\u00e3o para encontrar formas adequadas de olhar, ouvir, sentir estas crian\u00e7as, e principalmente em interpret\u00e1-las, retorna-se a quest\u00e3o da diversidade, compreendendo-a como o eixo central da discuss\u00e3o das culturas.\n\nSe estivermos de acordo com as premissas anteriores, verificaremos que toda e qualquer forma de conhecimento \u00e9 uma leitura e interpreta\u00e7\u00e3o parcial e relativa da cultura.\n\nComo qualquer outra ci\u00eancia, o Folclore \u00e9 mais uma maneira de ler e interpretar a rede de rela\u00e7\u00f5es e os desenhos culturais de uma sociedade.\n\n<strong>Para isso, essa ci\u00eancia utiliza-se de instrumentos metodol\u00f3gicos de pesquisa:<\/strong>\u00a0a observa\u00e7\u00e3o e a an\u00e1lise de tudo aquilo que seja tradicional, funcional e de aceita\u00e7\u00e3o coletiva dentro do grupo social estudado.\n<blockquote>No quadro das ci\u00eancias humanas, consideramos o folclore, no enfoque apresentado neste livro, como a mais nova dessas ci\u00eancias, a qual tem rela\u00e7\u00f5es estreitas com a Antropologia Cultural (Social ou Etnologia), Sociologia e Etnografia. [\u2026] A Antropologia Cultural Cultural ou Etnografia, como preferem design\u00e1-la no Brasil, \u00e9 a ci\u00eancia com a qual o folclore possui maiores afinidades. Mas n\u00e3o consideramos o folclore uma de suas divis\u00f5es, como querem alguns especialistas. (LIMA, 2003, p.17)<\/blockquote>\nSeja o conhecimento cient\u00edfico sistematizado, resultante da aplica\u00e7\u00e3o de m\u00e9todos espec\u00edficos para cada ci\u00eancia, seja o conhecimento n\u00e3o-formal, emp\u00edrico, n\u00e3o-sistematizado, resultante da viv\u00eancia e do senso comum, ambos, ser\u00e3o sempre relativos e parciais. Nenhum melhor ou superior ao outro.\n\nAntag\u00f4nicos muitas vezes, complementares outras, n\u00e3o opostos necessariamente. Ambos importantes porque possibilitam uma leitura mais densa e compreens\u00e3o mais profunda do ser e da cultura humana.\n\n<strong>Esta \u00e9 a finalidade do conhecimento:\u00a0<\/strong>possibilitar uma leitura mais densa, mais profunda, mais rica, mais abrangente da \u201ctravessia\u201d humana.\n\nE o Folclore, como ci\u00eancia humana e social, irm\u00e3 da Antropologia e parte desse conhecimento \u00e9, em s\u00edntese, a possibilidade de leitura dos saberes, dos fazeres e dos quereres humanos, estudada sob a luneta da tradicionalidade, aceita\u00e7\u00e3o coletiva e funcionalidade.\n\nComo h\u00e1 muito citou Lu\u00eds da C\u00e2mara Cascudo, o folclore representa as maneiras diversas do pensar, sentir e agir do povo. Referem-se \u00e0 produ\u00e7\u00e3o humana, algumas vezes contestada pelo saber dominante mais igualmente valiosa e formadora da identidade cultural.\n\nH\u00e1 influ\u00eancias de v\u00e1rias culturas como europeias, ind\u00edgenas e africanas. Alguns exemplos dessas influ\u00eancias como os amuletos, geralmente, v\u00eam da cultura ocidental europeia.\n\nAs ervas est\u00e3o relacionadas com os ind\u00edgenas, que ainda se utilizam de folhas como rem\u00e9dio alternativo e para benzimentos, j\u00e1 as magias e os feiti\u00e7os vieram da cultura africana. Nos exemplos, registros de ignor\u00e2ncias, crendices, coincid\u00eancias? Ou a comprova\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a do folclore no nosso dia-a-dia?\n\nFolclore \u00e9, portanto, a ci\u00eancia humana e social que estuda os fatos e as rela\u00e7\u00f5es, os processos e as realiza\u00e7\u00f5es de um grupo social \u2013 materiais, sociais e espirituais, objetivas e subjetivas, orais e escritas \u2013 tradicionais, funcionais e de aceita\u00e7\u00e3o coletiva, integradas \u00e0 viv\u00eancia popular e \u00e0 din\u00e2mica do cotidiano, resultantes da difus\u00e3o no tempo e no espa\u00e7o.\n\nEssas manifesta\u00e7\u00f5es, tamb\u00e9m chamadas de cultura popular, coexistem com as formas de cultura erudita (ou acad\u00eamica) e de massa (consumo), conservando suas fun\u00e7\u00f5es hist\u00f3rico- sociais.\n\nO artesanato e a medicina caseira, as cren\u00e7as e supersti\u00e7\u00f5es, as g\u00edrias e prov\u00e9rbios, as dan\u00e7as e festas populares tradicionais s\u00e3o alguns entre os incont\u00e1veis exemplos, objetos da ci\u00eancia folcl\u00f3rica.\n<blockquote>A ci\u00eancia folcl\u00f3rica considerou como objeto de seu estudo o fen\u00f4meno ou fato folcl\u00f3rico, cujas caracter\u00edsticas foram fixadas, no decorrer de sua hist\u00f3ria, por numerosos folcloristas. A realidade da pesquisa de campo, por\u00e9m nos fez constatar que fen\u00f4meno ou fato s\u00e3o voc\u00e1bulos muito simplistas para englobar linguagem, literatura, supersti\u00e7\u00f5es e crendices, rodas e jogos etc., e em conseq\u00fc\u00eancia, fomos buscar na antropologia cultural a denomina\u00e7\u00e3o complexo cultural, adicionando-lhe o espont\u00e2neo, e passamos a utilizar a f\u00f3rmula complexo cultural espont\u00e2neo em nossa linguagem cient\u00edfica. (LIMA, 2003, p.22)<\/blockquote>\n<strong>Para se avaliar se \u00e9 fato folcl\u00f3rico, devemos analisar alguns aspectos que constituem suas caracter\u00edsticas primordiais:<\/strong>\n\n<strong>Se o fato \u00e9 tradicional, funcional e de aceita\u00e7\u00e3o coletiva, condi\u00e7\u00f5es essenciais (\u201csine qua non\u201d) \u00e0 exist\u00eancia do fato folcl\u00f3rico:<\/strong>\n<blockquote><strong>1)\u00a0<\/strong>o grupo social que o recolhe e o vivencia<strong>\n2)\u00a0<\/strong>como se manifesta e interage este fato dentro do grupo<strong>\n3)\u00a0<\/strong>a atualidade e a funcionalidade do fato na vida das pessoas e da comunidade.<\/blockquote>\n<strong>O fato folcl\u00f3rico tem uma s\u00e9rie de caracter\u00edsticas pr\u00f3prias:<\/strong>\u00a0a primeira \u00e9 o Anonimato, isto \u00e9, n\u00e3o tem autor conhecido. Naturalmente tudo tem um autor, foi feito por algu\u00e9m, mas o nome desse algu\u00e9m se perdeu atrav\u00e9s dos tempos, despersonalizando-se, assim, a autoria.\n\nA segunda \u00e9 a Aceita\u00e7\u00e3o Coletiva, \u00e9 a aceita\u00e7\u00e3o pelo povo e \u00e9 essa aceita\u00e7\u00e3o que despersonaliza o autor. O povo, aceitando o fato, toma-o para si, considerando-o como seu, modifica-o e transforma-o, dando origem a in\u00fameras variantes.\n\n<strong>Assim, uma hist\u00f3ria \u00e9 contada de v\u00e1rias maneiras, uma cantiga tem trechos diferentes na melodia, os acontecimentos s\u00e3o alterados e o pr\u00f3prio povo diz:\u00a0<\/strong>Quem conta um conto aumenta um ponto.\n\nA terceira \u00e9 a transmiss\u00e3o Oral, isto \u00e9 de boca em boca, pois os antigos n\u00e3o dispunham de outros meios de comunica\u00e7\u00e3o. N\u00e3o havia imprensa, n\u00e3o havia livros nem jornais, todos os conhecimentos eram transmitidos oralmente.\n\nA quarta \u00e9 a tradicionalidade, n\u00e3o no sentido de um tradicional acabado, coisa passada, sem vida, mas uma for\u00e7a de coes\u00e3o interna que define o modelo de conglomerado, da regi\u00e3o, do povo e lhe d\u00e1 unidade.\n\nSem se poder valer de outros expedientes, como professores, escolas, imprensa, as pessoas do povo se valem da tradi\u00e7\u00e3o veiculada pela transmiss\u00e3o oral a fim de resolver suas situa\u00e7\u00f5es, buscando na li\u00e7\u00e3o vinda do passado o que precisam saber no presente, j\u00e1 que suas possibilidades as endere\u00e7am mais \u00e0 sabedoria constitu\u00edda do que \u00e0 inventiva.\n\nA quinta \u00e9 a Funcionalidade, tudo quanto o povo faz tem uma raz\u00e3o, um destino, uma fun\u00e7\u00e3o. O povo nada realiza sem motivo, sem determinante estritamente ligada a um comportamento, a uma norma psico-religiosa-social, cujas origens talvez se perderam no tempo. Observem\u2026 Por que o povo canta! Canta pra rezar, canta para adormecer a crian\u00e7a, canta para trabalhar, canta para festejar as colheitas e os acontecimentos, canta para ajudar a morrer e para enterrar seus mortos. Mas n\u00e3o d\u00e3o concertos, recitais, audi\u00e7\u00f5es como os eruditos; as suas festas t\u00eam \u00e9pocas marcadas, com seus cantos e dan\u00e7as pr\u00f3prias.\n\n<strong>Fonte:<\/strong>\u00a0www.ciamarinhobraz.com.br\/www.dbbm.fiocruz.br\/www.relem.info\/www.unifran.br\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cultura e Costumes do Povo Brasileiro , Tipo, Diversidade, Defini\u00e7\u00e3o, Educa\u00e7\u00e3o, Folclore, Valores, Sociedade, Caracter\u00edstica, Popular, Conceito, Cultura e Costumes do Povo Brasileiro<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":9047,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[54],"tags":[],"class_list":["post-20422","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia-do-brasil"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Cultura e Costumes do Povo Brasileiro - 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