{"id":20406,"date":"2015-12-17T00:00:00","date_gmt":"2015-12-17T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/confederacao-do-equador-3\/"},"modified":"2026-09-01T15:31:41","modified_gmt":"2026-09-01T15:31:41","slug":"confederacao-do-equador-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-do-brasil\/confederacao-do-equador-3\/","title":{"rendered":"Confedera\u00e7\u00e3o do Equador"},"content":{"rendered":"\n<strong>Confedera\u00e7\u00e3o do Equador &#8211; O que foi<\/strong>\n\nA\u00a0<strong>Confedera\u00e7\u00e3o do Equador<\/strong>\u00a0foi uma rebeli\u00e3o revolucion\u00e1ria de curta dura\u00e7\u00e3o ocorrida na regi\u00e3o nordeste do Imp\u00e9rio do Brasil em 1824, nos primeiros anos da independ\u00eancia do pa\u00eds de Portugal.\n\nO movimento secessionista era liderado por liberais que se opunham \u00e0s pol\u00edticas autorit\u00e1rias e centralistas do primeiro l\u00edder da na\u00e7\u00e3o, o imperador Pedro I.\n\nA luta ocorreu no Nordeste do Brasil, nas prov\u00edncias de Pernambuco, Cear\u00e1 e Para\u00edba.\n\nO termo alude a uma uni\u00e3o de prov\u00edncias que pretendeu separar-se do Brasil, principalmente por discordar do Imp\u00e9rio, e criar uma rep\u00fablica \u2013 a\u00a0<strong>Confedera\u00e7\u00e3o do Equador.<\/strong>\n\nO centro irradiador e a lideran\u00e7a da revolta couberam a prov\u00edncia de Pernambuco, que j\u00e1 havia se rebelado em 1817 (veja Revolu\u00e7\u00e3o Pernambucana de 1817) e que enfrentava dificuldades econ\u00f4micas. Al\u00e9m da crise, a prov\u00edncia se ressentia ao pagar elevadas taxas para o Imp\u00e9rio, que justificava essas taxas como necess\u00e1rias para levar adiante as guerras provinciais p\u00f3s-independ\u00eancia (algumas prov\u00edncias resistiam \u00e0 separa\u00e7\u00e3o de Portugal).\n\nPernambuco esperava que a primeira constitui\u00e7\u00e3o do Imp\u00e9rio seria do tipo federalista, e daria autonomia para as prov\u00edncias resolveram suas quest\u00f5es. No entanto, Dom Pedro dissolveu a assembleia constituinte em 1823 e outorgou uma constitui\u00e7\u00e3o no ano seguinte, extremamente centralizadora. O g\u00e9rmen da revolta se plantou, e os jornais \u2013 notadamente o T\u00edfis Pernambucano, dirigido pelo Frei Caneca \u2013 criticavam dura e abertamente o governo imperial. V\u00e1rios ex-revoltosos, anistiados em 1821, novamente conspiravam.\n\nEm julho de 1824 a revolta estourou no Recife. O estopim fora a pris\u00e3o de Manuel de Carvalho Pais de Andrade, que fora eleito chefe provis\u00f3rio de uma junta de governo. Pais de Andrade se recusou a empossar o governador enviado por Dom Pedro I; o imperador, ap\u00f3s estourar a revolta, tentou conciliar-se com os pernambucanos, trocando o nome do governador nomeado, mas n\u00e3o adiantou.\n\nOs revoltosos enviaram emiss\u00e1rios para as demais prov\u00edncias do Nordeste (ent\u00e3o Norte) do pa\u00eds. Conseguiram apoio do Cear\u00e1, Rio Grande do Norte e Para\u00edba.\n\nFormou-se da\u00ed a\u00a0<strong>Confedera\u00e7\u00e3o do Equador<\/strong>\u00a0propriamente dita, que tendia a organizar um pa\u00eds independente do Brasil ? embora essa n\u00e3o fosse a inten\u00e7\u00e3o de muitos dos revoltosos.\n\nSurgiram algumas dissid\u00eancias internas no movimento, pois ele agregava classes sociais d\u00edspares. A proposta de Pais de Andrade no sentido de libertar os escravos e o exemplo haitiano (pa\u00eds que recentemente se libertara do dom\u00ednio franc\u00eas atrav\u00e9s de uma revolta popular) n\u00e3o tranquilizavam as elites, e alguns propriet\u00e1rios de terras passaram a colaborar com o governo imperial.\n\nDom Pedro I enviou para o nordeste tropas contratadas no exterior, sob o comando do lord Thomas Cochrane. Em setembro, ca\u00edram 3 prov\u00edncias, s\u00f3 restando o Cear\u00e1, que n\u00e3o aguentou al\u00e9m de novembro.\n\nAlguns l\u00edderes confederados, entocados no sert\u00e3o, resistiram at\u00e9 dezembro.\n\nV\u00e1rios rebeldes foram condenados por um tribunal militar \u00e0 forca. Um fato interessante que passou para a hist\u00f3ria (embora seja discut\u00edvel) foi a recusa dos carrascos em executar o Frei Caneca, mentor intelectual da revolta e uma das figuras mais carism\u00e1ticas do Recife \u00e0 \u00e9poca. (O religioso acabou sendo fuzilado, ao contr\u00e1rio da senten\u00e7a inicial que previa o enforcamento.)\n\nO fim tr\u00e1gico de\u00a0<strong>Confedera\u00e7\u00e3o do Equador<\/strong>\u00a0provocou grande revolta no povo nordestino, quanto ao modo de agir de D. Pedro I.\n\n<strong>Confedera\u00e7\u00e3o do Equador &#8211; Movimento<\/strong>\n\nA\u00a0<strong>Confedera\u00e7\u00e3o do Equador<\/strong>\u00a0foi um movimento de tend\u00eancia republicana e autonomista que ocorre em Pernambuco e em outras prov\u00edncias do Nordeste brasileiro em 1824.\n\nEst\u00e1 diretamente ligado ao processo da independ\u00eancia e da forma\u00e7\u00e3o do Estado brasileiro no Primeiro Reinado.\n\nNo final de novembro de 1823 chega a Pernambuco a not\u00edcia da dissolu\u00e7\u00e3o da Assembleia Constituinte por dom Pedro I, no Rio de Janeiro.\n\nA decis\u00e3o autorit\u00e1ria do imperador provoca imediata rea\u00e7\u00e3o dos dirigentes provinciais. O movimento cresce quando dom Pedro outorga a Constitui\u00e7\u00e3o do Imp\u00e9rio em mar\u00e7o de 1824 sem convocar elei\u00e7\u00f5es para uma nova Constituinte.\n\nAs elites pernambucanas contestam a legitimidade dessa Carta e, com a ades\u00e3o da Para\u00edba, do Rio Grande do Norte e do Cear\u00e1, anunciam a forma\u00e7\u00e3o de uma Rep\u00fablica, a Confedera\u00e7\u00e3o do Equador.\n\nPara presidi-la \u00e9 escolhido Manuel de Carvalho Pais de Andrade.\n\n<strong>1824<\/strong>\n\nA C\u00e2mara, clero, nobreza e povo da vida do Campo Maior da Comarca do Crato declaram deca\u00edda a Dinastia Bragantina e proclamam o governo republicano.\n\nFilgueiras assume as for\u00e7as da prov\u00edncia. Trist\u00e3o Gon\u00e7alves e Filgueiras marcham para Fortaleza, efetuando a pris\u00e3o de Carvalho Couto, presidente da Junta, depondo-o.\n\nChega a Fortaleza Pedro Jos\u00e9 da Costa Barros, nomeado para Presidente do Cear\u00e1.\n\nNo sentido de apaziguar rebeldias, o Presidente Costa Barros formula acordo com o capit\u00e3o-mor Jos\u00e9 Pereira Filgueiras, restituindo-lhe o comando das tropas.\n\nFermentavas nas prov\u00edncias vizinhas de Pernambuco, emanadas desta, as ideias republicanas eclodindo a Confedera\u00e7\u00e3o do Equador, circunst\u00e2ncia que veio estremecer a concilia\u00e7\u00e3o do Presidente Costa Barros com os revolucion\u00e1rios Pereira Filgueiras e Trist\u00e3o Gon\u00e7alves, porquanto o Presidente se mantinha numa linha de imparcialidade.\n\nTrist\u00e3o e Filgueiras deslocam-se para Aquir\u00e1s, organizam tropas, sublevam-se e atacam a cidade de Fortaleza no dia 28 de abril. O Presidente Costa Barros, sob protesto, aceita a rendi\u00e7\u00e3o, substituindo-o Trist\u00e3o Gon\u00e7alves na qualidade de presidente revolucion\u00e1rio.\n\nProclama\u00e7\u00e3o de Trist\u00e3o Gon\u00e7alves convidando o Cear\u00e1 a unir-se a Pernambuco na Confedera\u00e7\u00e3o do Equador.\n\nTrist\u00e3o Gon\u00e7alves priva os europeus residentes no Cear\u00e1, dos cargos civis ou militares no governo.\n\n\u00c9 proclamada a Rep\u00fablica no Cear\u00e1, com ades\u00e3o das C\u00e2maras de Fortaleza, Aquir\u00e1s e Messejana e os procuradores das demais C\u00e2maras da prov\u00edncia. Presidiu a sess\u00e3o, Trist\u00e3o Gon\u00e7alves, sendo secret\u00e1rio o padre Moror\u00f3. Lord Cokrane, a servi\u00e7o do Imperador, no navio \u201cPedro I\u201d surto no porto, edita convite a Trist\u00e3o Gon\u00e7alves \u00e0 rendi\u00e7\u00e3o e j\u00e1 considerando Jos\u00e9 Felix de Azevedo S\u00e1, presidente da prov\u00edncia, na legalidade, e oferecendo anistia ao pr\u00f3prio Trist\u00e3o Gon\u00e7alves e Pereira Filgueira. Proclama\u00e7\u00e3o de Lord Cokrane, declarando ter eleito oficialmente Jos\u00e9 F\u00e9lix de Azevedo S\u00e1 para presidente interino da prov\u00edncia. Nesta mesma data, \u00e9 morto em combate, na localidade de Santa Rosa, no sert\u00e3o jaguaribano, Trist\u00e3o Gon\u00e7alves.\n\nOfensiva anti-revolucion\u00e1ria generalizada na prov\u00edncia inteira, culminando vencida a Confedera\u00e7\u00e3o do Equador. Foram tamb\u00e9m presos Jos\u00e9 Martiniano de Alencar e Pereira Filgueiras.\n\nJos\u00e9 F\u00e9lix de Azevedo de S\u00e1 passa a presid\u00eancia da prov\u00edncia novamente a Pedro Jos\u00e9 da Costa Barros.\n\nAl\u00e9m dos elementos j\u00e1 analisados, na organiza\u00e7\u00e3o do movimento foi de grande import\u00e2ncia o papel da imprensa, em especial dos jornais \u201cA Sentinela da Liberdade na Guarita de Pernambuco\u201d, de Cipriano Barata e do \u201cT\u00edfis Pernambucano\u201d de\n\nA eclos\u00e3o do movimento est\u00e1 diretamente associada as demonstra\u00e7\u00f5es de autoritarismo do imperador na prov\u00edncia de Pernambuco, nomeando Francisco Paes Barreto como presidente da prov\u00edncia, em lugar de Pais de Andrade, apoiado pelo povo.\n\nAs C\u00e2maras Municipais de Recife e Olinda n\u00e3o aceitaram a substitui\u00e7\u00e3o. Em 2 de Junho de 1824 foi proclamada a<strong>\u00a0Confedera\u00e7\u00e3o do Equador<\/strong>.\n\nO car\u00e1ter separatista do movimento pretendia negar a centraliza\u00e7\u00e3o e o autoritarismo que marcavam a organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do Brasil.\n\nA consolida\u00e7\u00e3o dessa situa\u00e7\u00e3o dependia em grande parte da ades\u00e3o das demais prov\u00edncias do nordeste, que viviam situa\u00e7\u00e3o semelhante tanto do ponto de vista pol\u00edtico como econ\u00f4mico. Dessa maneira, as ideias republicanas e principalmente federalistas assimiladas dos EUA serviram como elemento de propaganda juntas \u00e0s elites de cada prov\u00edncia.\n\nO governo da Confedera\u00e7\u00e3o deslocou homens para outras prov\u00edncias a fim de obter a ades\u00e3o de seus governantes. Foi convocada uma Assembleia Legislativa e Constituinte, cuja abertura estaria marcada para o dia 7 de agosto de 1824. Do ponto de vista pol\u00edtico, pais de Andrade elaborou um projeto de Constitui\u00e7\u00e3o, tendo como modelo a Constitui\u00e7\u00e3o Colombiana, vista como a mais liberal na Am\u00e9rica Latina; do ponto de vista social, o projeto elaborado por Frei Caneca determinou a extin\u00e7\u00e3o do tr\u00e1fico negreiro para o porto do Recife.\n\nEssa medida \u00e9 considerada como a primeira e mais importante fissura do movimento, uma vez que atingia diretamente os interesses dos propriet\u00e1rios rurais.\n\nNo entanto os trabalhos preparat\u00f3rios da Assembleia Constituinte foram suspensos devido a amea\u00e7a das for\u00e7as de repress\u00e3o.\n\nO governo provis\u00f3rio encabe\u00e7ado por Pais de Andrade procurou adquirir armas nos Estados Unidos, garantir a ades\u00e3o das demais prov\u00edncias e organizar mil\u00edcias populares para fazer frente as tropas mon\u00e1rquicas de D. Pedro I Os presidentes das prov\u00edncias do Cear\u00e1 e do Rio Grande do Norte aderiram ao movimento e organizaram tropas para defende-lo. Na Para\u00edba, o apoio veio das for\u00e7as contr\u00e1rias ao presidente Filipe N\u00e9ri, fiel ao imperador, que acabou deposto.\n\n<strong>Confedera\u00e7\u00e3o do Equador &#8211; Confronto e Derrota<\/strong>\n\nA organiza\u00e7\u00e3o de tropas para defender o Confedera\u00e7\u00e3o permitiu a grande participa\u00e7\u00e3o popular. Setores da camada popular j\u00e1 estavam organizados em \u201cbrigadas\u201d desde 1821, compostas por mulatos, negros libertos e militares de baixa patente. Em 21, quando do movimento Constitucionalista, essas brigadas foram organizadas pelos l\u00edderes do movimento e acionadas em determinados situa\u00e7\u00f5es, por\u00e9m, sob o controle das elites locais.\n\nNo entanto, em v\u00e1rios momentos na hist\u00f3ria das brigados houve insubordina\u00e7\u00e3o e radicaliza\u00e7\u00e3o, expressando n\u00e3o o sentimento nativista, mas a radicaliza\u00e7\u00e3o contra propriet\u00e1rios ou ainda a popula\u00e7\u00e3o branca. Em 1823 ocorreram ataques diretos aos portugueses, que ficaram conhecidos como \u201cmata-marinheiro\u201d e protestos raciais, marcados pelo exemplo haitiano.\n\nEsse processo de radicaliza\u00e7\u00e3o amedrontava as elites e por v\u00e1rias vezes foram respons\u00e1veis por seu recuo na luta contra o poder central. As divis\u00f5es internas ao movimento, entre as elites haviam tend\u00eancias diferenciadas, assim como o distanciamento destas em rela\u00e7\u00e3o a massa popular contribuiu para a derrota do movimento.\n\nPor outro lado, havia a presen\u00e7a de tropas mercen\u00e1rias contratadas pelo poder central, comandadas por Lord Cochrane que cercavam a prov\u00edncia.\n\nEssa situa\u00e7\u00e3o foi respons\u00e1vel pela pol\u00edtica vacilante de Pais de Andrade, que n\u00e3o aceitou os termos de rendi\u00e7\u00e3o propostos pelo mercen\u00e1rio, devido principalmente, a forte press\u00e3o que sofria das camadas baixas da popula\u00e7\u00e3o.\n\nEssa situa\u00e7\u00e3o \u00e9 refor\u00e7ada quando, depois da tomada de Recife pelas tropas mercen\u00e1rias, Pais de Andrade refugiou-se em um navio ingl\u00eas, enquanto os elementos mais radicais resistiam em Olinda, liderados por Frei Caneca. A violenta repress\u00e3o, financiada pelo capital ingl\u00eas, foi respons\u00e1vel por debelar o movimento, prender seus principais l\u00edderes, que foram executados, dentre eles o pr\u00f3prio Frei Caneca.\n\n<strong>1824:\u00a0<\/strong>Uma constitui\u00e7\u00e3o Antidemocr\u00e1tica\n\n\u201cCausa-me horror s\u00f3 ouvir falar em revolu\u00e7\u00e3o\u201d. Muniz Tavares, antigo revolucion\u00e1rio de 1817 na Assembleia Constituinte (21\/mai\/1823). Anais do Parlamento Brasileiro \u2013 Assembleia Constituinte, 1823, tomo I, Rio de Janeiro, p\u00e1g. 90.\n\n\u201cDurante as discuss\u00f5es da Constituinte ficou manifesta a inten\u00e7\u00e3o da maioria dos deputados de limitar o sentido do liberalismo e de distingui-lo das reivindica\u00e7\u00f5es democratizantes. Todos se diziam liberais, mas ao mesmo tempo se confessavam antidemocratas e antirevolucion\u00e1rios.\n\nAs ideias revolucion\u00e1rias provocavam desagrado entre os constituintes. A concilia\u00e7\u00e3o da liberdade com a ordem seria o preceito b\u00e1sico desses liberais, que se inspiravam em Benjamim Constant e Jean Baptiste Say.\n\n<strong>Em outras palavras:\u00a0<\/strong>conciliar a liberdade com a ordem existente, isto \u00e9, manter a estrutura escravista de produ\u00e7\u00e3o, cercear as pretens\u00f5es democratizantes\u201d.\n\nO primeiro processo constitucional do Brasil iniciou-se com um decreto do pr\u00edncipe D. Pedro, que no dia 3 de junho de 1822 convocou a primeira Assembleia Geral Constituinte e Legislativa da nossa hist\u00f3ria, visando a elabora\u00e7\u00e3o de uma constitui\u00e7\u00e3o que formalizasse a independ\u00eancia pol\u00edtica do Brasil em rela\u00e7\u00e3o ao reino portugu\u00eas.\n\nDessa maneira, a primeira constitui\u00e7\u00e3o brasileira deveria ter sido promulgada. Acabou por\u00e9m, sendo outorgada, j\u00e1 que durante o processo constitucional, o choque entre o imperador e os constituintes, mostrou-se inevit\u00e1vel.\n\nA abertura da Assembleia deu-se somente em 3 de maio de 1823, para que nesse tempo fosse preparado o terreno atrav\u00e9s de censuras, pris\u00f5es e ex\u00edlios aos opositores do processo constitucional.\n\n<strong>ANTECEDENTES:\u00a0<\/strong>DIVERG\u00caNCIAS INTERNAS\n\nO contexto que antecede a Assembleia foi marcado pela articula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do Brasil contra as tentativas recolonizadoras de Portugal, j\u00e1 presentes na Revolu\u00e7\u00e3o do Porto em 1820. Neste mesmo cen\u00e1rio, destacam-se ainda, diverg\u00eancias internas entre conservadores e liberais radicais.\n\nOs primeiros, representados por Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio resistiram inicialmente \u00e0 ideia de uma Constituinte, mas por fim pressionados, acabaram aderindo, com a defesa de uma rigorosa centraliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e a limita\u00e7\u00e3o do direito de voto. J\u00e1 os liberais radicais, por iniciativa de Gon\u00e7alves Ledo, defendiam a elei\u00e7\u00e3o direta, a limita\u00e7\u00e3o dos poderes de D. Pedro e maior autonomia das prov\u00edncias.\n\nApesar da corrente conservadora controlar a situa\u00e7\u00e3o e o texto da convoca\u00e7\u00e3o da Constituinte ser favor\u00e1vel \u00e0 perman\u00eancia da uni\u00e3o entre Portugal e Brasil, as Cortes portuguesas exigem o retorno imediato de D. Pedro, que resistiu e acelerou o processo de independ\u00eancia pol\u00edtica, rompendo definitivamente com Portugal, a 7 de setembro de 1822.\n\nSofrendo severas cr\u00edticas de seus opositores e perdendo a confian\u00e7a do imperador, Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio e seu irm\u00e3o Martim Francisco demitiram-se em julho de 1823, assumindo uma oposi\u00e7\u00e3o conservadora ao governo, atrav\u00e9s de seus jornais A sentinela da Liberdade e O Tamoio. Rompidas definitivamente as rela\u00e7\u00f5es com Portugal, o processo para Constituinte tem prosseguimento, discutindo-se a quest\u00e3o dos crit\u00e9rios para o recrutamento do eleitorado que deveria escolher os deputados da Assembleia.\n\nO direito de voto foi estendido apenas \u00e0 popula\u00e7\u00e3o masculina livre e adulta (mais de 20 anos), alfabetizada ou n\u00e3o. Estavam exclu\u00eddos religiosos regulares, estrangeiros n\u00e3o naturalizados e criminosos, al\u00e9m de todos aqueles que recebessem sal\u00e1rios ou soldos, exceto os criados mais graduados da Casa Real, os caixeiros de casas comerciais e administradores de fazendas rurais e f\u00e1bricas. Com esta composi\u00e7\u00e3o social, ficava claro o car\u00e1ter elitista que acabar\u00e1 predominando na Constituinte, j\u00e1 que retirava-se das camadas populares o direito de eleger seus representantes.\n\n<strong>O ANTEPROJETO:\u00a0<\/strong>LIBERAL E ANTIDEMOCR\u00c1TICO\n\nCom um total de 90 membros eleitos por 14 prov\u00edncias, destacavam-se na Constituinte, propriet\u00e1rios rurais, bachar\u00e9is em leis, al\u00e9m de militares, m\u00e9dicos e funcion\u00e1rios p\u00fablicos.\n\nPara elaborar um anteprojeto constitucional, foi designada uma comiss\u00e3o composta por seis deputados sob lideran\u00e7a de Ant\u00f4nio Carlos de Andrada, irm\u00e3o de Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio.\n\nO anteprojeto continha 272 artigos influenciados pela ilustra\u00e7\u00e3o, no tocante \u00e0 soberania nacional e ao liberalismo econ\u00f4mico. O car\u00e1ter classista e portanto antidemocr\u00e1tico da carta, ficou claramente revelado com a discrimina\u00e7\u00e3o dos direitos pol\u00edticos, atrav\u00e9s do voto censit\u00e1rio, onde os eleitores do primeiro grau (par\u00f3quia), tinham que provar uma renda m\u00ednima de 150 alqueires de farinha de mandioca.\n\nEles elegeriam os eleitores do segundo grau (prov\u00edncia), que necessitavam de uma renda m\u00ednima de 250 alqueires. Estes \u00faltimos, elegeriam deputados e senadores, que precisavam de uma renda de 500 e 1000 alqueires respectivamente, para se candidatarem.\n\nA postura elitista do anteprojeto aparece tamb\u00e9m em outros pontos, como a quest\u00e3o do trabalho e da divis\u00e3o fundi\u00e1ria. O escravismo e o latif\u00fandio n\u00e3o entraram em pauta, pois colocariam em risco os interesses da aristocracia rural brasileira. Segundo Raymundo Faoro \u201co esquema procurar\u00e1 manter a igualdade sem democracia, o liberalismo fora da soberania popular\u201d.\n\nTratava-se portanto, de uma adapta\u00e7\u00e3o circunstancial de alguns ideais do iluminismo aos interesses da aristocracia rural.\n\nDestaca-se ainda, uma certa xenofobia na carta, que expressava na verdade, uma lusofobia marcadamente anticolonialista, j\u00e1 que as amea\u00e7as de recolonizar\u00e3o persistiam, tanto no Brasil (Bahia, Par\u00e1 e Cisplatina), como em Portugal, onde alguns setores do com\u00e9rcio aliados ao clero e ao rei, alcan\u00e7am uma relativa vit\u00f3ria sobre as Cortes, no epis\u00f3dio conhecido como \u201cViradeira\u201d.\n\nA posi\u00e7\u00e3o anti-absolutista do anteprojeto, fica clara devido a limita\u00e7\u00e3o do poder de D. Pedro I, que al\u00e9m de perder o controle das for\u00e7as armadas para o parlamento, tem poder de veto apenas suspensivo sobre a C\u00e2mara.\n\nDessa forma, os constituintes procuram reservar o poder pol\u00edtico para a aristocracia rural, combatendo tanto as amea\u00e7as recolonizadoras do Partido Portugu\u00eas, como as propostas de avan\u00e7os populares dos radicais, al\u00e9m do pr\u00f3prio absolutismo de D. Pedro I.\n\n\u201cAfastando o perigo da recolonizar\u00e3o; excluindo dos direito pol\u00edtico as classes inferiores e praticamente reservando os cargos da representa\u00e7\u00e3o nacional aos propriet\u00e1rios rurais; concentrando a autoridade pol\u00edtica no Parlamento e proclamando a mais ampla liberdade econ\u00f4mica, o projeto consagra todas as aspira\u00e7\u00f5es da classe dominante dos propriet\u00e1rios rurais, oprimidos pelo regime de col\u00f4nia, e que a nova ordem pol\u00edtica vinha justamente libertar.\u201d (PRADO JR., Caio. Evolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do Brasil).\n\n<strong>A DISSOLU\u00c7\u00c3O DA ASSEMBL\u00c9IA<\/strong>\n\nA posi\u00e7\u00e3o da Assembleia em reduzir o poder imperial, faz D. Pedro I voltar-se contra a Constituinte e aproximar-se do partido portugu\u00eas que defendendo o absolutismo, poderia estender-se em \u00faltima inst\u00e2ncia, \u00e0 ambicionada recoloniza\u00e7\u00e3o.\n\nCom a supera\u00e7\u00e3o dos radicais, o confronto pol\u00edtico se polariza entre os senhores rurais do partido brasileiro e o partido portugu\u00eas articulado com o imperador. Nesse ambiente de hostilidades rec\u00edprocas, o jornal \u201cA Sentinela\u201d, vinculado aos Andradas, publica uma carta ofensiva a oficiais portugueses do ex\u00e9rcito imperial.\n\nA retalia\u00e7\u00e3o d\u00e1-se com o espancamento do farmac\u00eautico David Pamplona, tido como prov\u00e1vel autor da carta. Declarando-se em sess\u00e3o permanente, a Assembleia \u00e9 dissolvida por um decreto imperial em 12 de novembro de 1823. A resist\u00eancia conhecida como \u201cNoite da Agonia\u201d foi in\u00fatil. Os irm\u00e3os Andradas, Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio, Martim Francisco e Ant\u00f4nio Carlos, s\u00e3o presos e deportados.\n\nPerdendo o poder que vinham conquistando desde o in\u00edcio do processo de independ\u00eancia, a aristocracia rural recua, evidenciando que a forma\u00e7\u00e3o do Estado brasileiro n\u00e3o estava totalmente conclu\u00edda.\n\n\u201c\u2026 Havendo eu convocado, como tinha direito de convocar, a Assembleia Constituinte Geral e Legislativa, por decreto de 3 de junho do ano passado, a fim de salvar o Brasil dos perigos que lhe estavam iminentes: E havendo esta assembleia perjurado ao t\u00e3o solene juramento, que prestou \u00e0 na\u00e7\u00e3o de defender a integridade do Imp\u00e9rio, sua independ\u00eancia, e a minha dinastia: Hei por bem, como Imperador e defensor perp\u00e9tuo do Brasil, dissolver a mesma assembleia e convocar j\u00e1 uma outra na forma de instru\u00e7\u00f5es feitas para convoca\u00e7\u00e3o desta, que agora acaba, a qual dever\u00e1 trabalhar sobre o projeto da Constitui\u00e7\u00e3o que eu lhe ei de em breve lhe apresentar, que ser\u00e1 mais duplicam ente liberal do que a extinta assembleia acabou de fazer.\u201d (Decreto Da dissolu\u00e7\u00e3o da Assembl\u00e9ia Constituinte). 12\/nov\/1823\n\n<strong>A CONSTITUI\u00c7\u00c3O DE 1824<\/strong>\n\nFoi a primeira constitui\u00e7\u00e3o de nossa hist\u00f3ria e a \u00fanica no per\u00edodo imperial. Com a Assembleia Constituinte dissolvida, D. Pedro I nomeou um Conselho de Estado formado por 10 membros que redigiu a Constitui\u00e7\u00e3o, utilizando v\u00e1rios artigos do anteprojeto de Ant\u00f4nio Carlos.\n\n<strong>Ap\u00f3s ser apreciada pelas C\u00e2maras Municipais, foi outorgada (imposta) em 25 de mar\u00e7o de 1824, estabelecendo os seguintes pontos:<\/strong>\n<blockquote>Um governo mon\u00e1rquico unit\u00e1rio e heredit\u00e1rio.\nVoto censit\u00e1rio (baseado na renda) e descoberto (n\u00e3o secreto).\nElei\u00e7\u00f5es indiretas, onde os eleitores da par\u00f3quia elegiam os eleitores da prov\u00edncia e estes elegiam os deputados e senadores. Para ser eleitor da par\u00f3quia, eleitor da prov\u00edncia, deputado ou senador, o cidad\u00e3o teria de ter, agora, uma renda anual correspondente a 100, 200, 400, e 800 mil r\u00e9is respectivamente.\nCatolicismo como religi\u00e3o oficial.\nSubmiss\u00e3o da Igreja ao Estado.<strong>\nQuatro poderes:<\/strong>\u00a0Executivo, Legislativo, Judici\u00e1rio e Moderador. O Executivo competia ao imperador e o conjunto de ministros por ele nomeados. O Legislativo era representado pela Assembleia Geral, formada pela C\u00e2mara de Deputados (eleita por quatro anos) e pelo Senado (nomeado e vital\u00edcio). O Poder Judici\u00e1rio era formado pelo Supremo Tribunal de Justi\u00e7a, com magistrados escolhidos pelo imperador. Por fim, o Poder Moderador era pessoal e exclusivo do pr\u00f3prio imperador, assessorado pelo Conselho de Estado, que tamb\u00e9m era vital\u00edcio e nomeado pelo imperador.<\/blockquote>\nNossa primeira constitui\u00e7\u00e3o fica assim marcada pela arbitrariedade, j\u00e1 que de promulgada, acabou sendo outorgada, ou seja, imposta verticalmente para atender os interesses do partido portugu\u00eas, que desde o in\u00edcio do processo de independ\u00eancia pol\u00edtica, parecia destinado ao desaparecimento. Exatamente no momento em que o processo constitucional parecia favorecer a elite rural, surgiu o golpe imperial com a dissolu\u00e7\u00e3o da Constituinte e consequente outorga da Constitui\u00e7\u00e3o.\n\nEsse golpe, impedia que o controle do Estado fosse feito pela aristocracia rural, que somente em 1831 restabeleceu-se na lideran\u00e7a da na\u00e7\u00e3o, levando D. Pedro I a abdicar.\n\n<strong>Confedera\u00e7\u00e3o do Equador &#8211; Hist\u00f3ria<\/strong>\n\n<strong>A Manuten\u00e7\u00e3o do Clima Revolucion\u00e1rio<\/strong>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-159105 size-full\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Confed8.jpg\" alt=\"\" width=\"584\" height=\"243\" \/><strong>Confedera\u00e7\u00e3o do Equador<\/strong><\/p>\nA\u00a0<strong>Confedera\u00e7\u00e3o do Equador<\/strong>\u00a0contou com a participa\u00e7\u00e3o de diversos segmentos sociais, incluindo os propriet\u00e1rios rurais que, em grande parte, haviam apoiado o movimento de independ\u00eancia e a ascens\u00e3o de D. Pedro I ao trono, julgando que poderiam obter maior poder pol\u00edtico com o controle sobre a prov\u00edncia de Pernambuco.\n\nDessa maneira as elites agr\u00e1rias da regi\u00e3o pretendiam preservar as estruturas socioecon\u00f4micas e ao mesmo tempo chegar ao poder, at\u00e9 ent\u00e3o manipulado pelos mercadores e militares de origem portuguesa, que se concentravam em Recife. No entanto esse movimento n\u00e3o foi protagonizado apenas pelas elites. A necessidade de lutar contra o poder central fez com que a aristocracia rural mobilizasse as camadas populares.\n\nSe as camadas populares n\u00e3o tinham at\u00e9 ent\u00e3o sua pr\u00f3pria organiza\u00e7\u00e3o, isso n\u00e3o significa que n\u00e3o tivesse condi\u00e7\u00e3o para organizar suas reivindica\u00e7\u00f5es e caminhar com as pr\u00f3prias pernas, questionando n\u00e3o apenas o autoritarismo do poder central, mas da pr\u00f3pria aristocracia da prov\u00edncia\n\nA\u00a0<strong>Confedera\u00e7\u00e3o do Equador<\/strong>\u00a0pode ser considerada como um desdobramento da Revolu\u00e7\u00e3o de 1817, marcada pelo liberalismo radical e que fora reprimida por D. Jo\u00e3o VI. No entanto, apesar da violenta repress\u00e3o, as ideias republicanas e autonomistas estavam fortemente arraigadas em parcelas significativas da sociedade pernambucana. Essas ideias haviam se desenvolvido ao longo do s\u00e9culo XVIII, devido as influ\u00eancias do iluminismo europeu e principalmente \u00e1 decad\u00eancia da lavoura canavieira associada \u00e0 pol\u00edtica de opress\u00e3o fiscal do governo do Marqu\u00eas de Pombal, e se manifestaram principalmente na Revolu\u00e7\u00e3o Pernambucana de 1817 e no Movimento Constitucionalista de 1821. Em outros momentos da hist\u00f3ria, as ideias liberais encontraram terreno para expans\u00e3o, como durante a Revolu\u00e7\u00e3o do Porto e nos primeiros momentos p\u00f3s independ\u00eancia.\n\n<strong>A Independ\u00eancia de Pernambuco<\/strong>\n\nEm 1821 iniciou-se um novo movimento emancipacionista em Pernambuco, quando foi organizada a \u201cJunta Constitucionalista\u201d, antecipando em 1 ano a independ\u00eancia. Nesse ano, era poss\u00edvel encontrar na regi\u00e3o uma s\u00e9rie de elementos ainda relacionados com a revolu\u00e7\u00e3o de 1817; ainda subsistiam as condi\u00e7\u00f5es objetivas da crise e os elementos subjetivos, iluministas, expressos na Revolu\u00e7\u00e3o do Porto, em andamento em Portugal, que difundia ideias constitucionalistas e liberais, apesar de suas contradi\u00e7\u00f5es.\n\nO governo de Pernambuco estava nas m\u00e3os de Lu\u00eds do Rego Barreto, respons\u00e1vel pela repress\u00e3o em 17, muitos l\u00edderes da Revolu\u00e7\u00e3o se encontravam em liberdade. A \u201cJunta Provis\u00f3ria\u201d foi formada em outubro de 1821, na cidade de Goiana, organizada principalmente por propriet\u00e1rios rurais \u2013 organizados na ma\u00e7onaria- e por parcelas das camadas urbanas de Recife.\n\nNa pr\u00e1tica era um poder paralelo, na medida em que, com um discurso liberal, condenavam o governo de Lu\u00eds do Rego e defendiam sua deposi\u00e7\u00e3o.\n\nO movimento, de car\u00e1ter pol\u00edtico, transformou-se rapidamente em uma luta armada, que imp\u00f4s a Conven\u00e7\u00e3o de Beberibe, determinando a expuls\u00e3o do governador para Portugal e a elei\u00e7\u00e3o pelo povo, de uma nova junta de governo.\n\nO novo governo foi formado principalmente por ex-combatentes da revolu\u00e7\u00e3o de 1817, predominando por\u00e9m os elementos da camada mais rica da sociedade local.\n\nUma das medidas mais importantes do novo governo foi a expuls\u00e3o das tropas portuguesas do Recife, que na pr\u00e1tica representou o rompimento definitivo da prov\u00edncia de Pernambuco com Portugal.\n\n<strong>A Rea\u00e7\u00e3o Conservadora<\/strong>\n\nO movimento pernambucano representava uma amea\u00e7a aberta tanto aos interesses portugueses de recoloniza\u00e7\u00e3o, expresso nas cortes de Lisboa, como principalmente \u00e0 elite tradicional brasileira e a seu projeto moderado de independ\u00eancia pol\u00edtica.\n\nO regionalismo e o sentido de autonomia que se manifestava na regi\u00e3o nordeste contrariavam as inten\u00e7\u00f5es da aristocracia rural, organizada principalmente no Rio de Janeiro.\n\nPara essa elite, a independ\u00eancia deveria conservar as estruturas socioecon\u00f4micas e promover mudan\u00e7as pol\u00edticas apenas no sentido de romper com Portugal e garantir a soberania do Brasil, possibilitando dessa forma, que essas elites exercessem com maior liberdade, seus interesses econ\u00f4micos.\n\nA manuten\u00e7\u00e3o da unidade territorial (ao contr\u00e1rio do que ocorria na Am\u00e9rica Espanhola) era a forma de garantir que os interesses predominantes no Rio de Janeiro fossem igualmente predominantes em todo o Brasil.\n\nA repress\u00e3o ao movimento foi articulada por Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio, articulado com alguns fazendeiros de Pernambuco, que dep\u00f4s a Junta em 17 de setembro de 1822. Um novo governo formou-se na prov\u00edncia, do qual participava Francisco Paes Barreto e outros ricos propriet\u00e1rios, o que fez com que o governo ficasse popularmente conhecido como \u201cJunta dos Matutos\u201d. Em 8 de dezembro de 1822 D. Pedro I foi reconhecido imperador em Recife e a elite pernambucana passou a participar da elabora\u00e7\u00e3o de uma constitui\u00e7\u00e3o brasileira.\n\nA historiografia tradicional encara a \u201cForma\u00e7\u00e3o do Estado Nacional\u201d de forma elitizada, desprezando as guerras de independ\u00eancia que ocorreram em v\u00e1rias prov\u00edncias do pa\u00eds.\n\nEnquanto movimentos antilusitanos se desenvolviam no nordeste, reunia-se no Rio de Janeiro uma Assembleia Constituinte, concentrando as aten\u00e7\u00f5es das elites, incluindo as de Pernambuco.\n\nAs discuss\u00f5es pol\u00edticas na Assembleia deixavam antever a organiza\u00e7\u00e3o das primeiras tend\u00eancias que se desenvolveriam mais tarde no pa\u00eds.\n\nNo entanto, naquele momento, a tend\u00eancia predominante foi a centralizadora, vinculada principalmente aos interesses lusitanos e apoiada principalmente pelos portugueses residentes no Brasil, em sua maioria comerciantes, que pretendiam reverter o processo de independ\u00eancia.\n\nO fechamento da Constituinte foi o primeiro passo concreto para a realiza\u00e7\u00e3o desse objetivo, seguido da imposi\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o em 1824, autorit\u00e1ria e centralizadora, fazendo com que as elites provinciais vissem ruir qualquer possibilidade de autonomia.\n\n<strong>Confedera\u00e7\u00e3o do Equador &#8211; Frei Caneca<\/strong>\n\nSeu principal ide\u00f3logo \u00e9 o carmelita frei Joaquim do Amor Divino Rabelo e Caneca, que em seu jornal Typhis Pernambucano defende a autonomia das prov\u00edncias diante do governo imperial e dos poderes Legislativo e Judici\u00e1rio perante o Executivo. A rea\u00e7\u00e3o do governo imperial \u00e9 imediata.\n\nEm setembro de 1824, os rebeldes s\u00e3o cercados no Recife pelas for\u00e7as do brigadeiro Francisco de Lima e Silva e pela frota do almirante Cochrane.\n\nDerrotados na capital, eles fogem para o interior, onde s\u00e3o mortos ou aprisionados. No in\u00edcio de 1825, os principais chefes s\u00e3o julgados e condenados \u00e0 pris\u00e3o, como Cipriano Barata, ou executados, como Frei Caneca e Agostinho Bezerra.\n\nO levante de 1824 tem suas ra\u00edzes na Revolta Pernambucana de 1817, que tamb\u00e9m defendia os ideais liberais e federativos. Com a independ\u00eancia e a convoca\u00e7\u00e3o da Constituinte, essa posi\u00e7\u00e3o se torna mais firme e entra em choque com os interesses do imperador e das elites pol\u00edticas do sul. No campo social, as propostas s\u00e3o t\u00edmidas e n\u00e3o incluem a extin\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o.\n\nA Confedera\u00e7\u00e3o avan\u00e7a nos aspectos pol\u00edtico e institucional, na defesa do direito de voto, de elei\u00e7\u00f5es diretas em v\u00e1rios n\u00edveis e equil\u00edbrio dos poderes, com a elimina\u00e7\u00e3o do Poder Moderador e a representa\u00e7\u00e3o parlamentar das prov\u00edncias na C\u00e2mara e no Senado do Imp\u00e9rio.\n\n<strong>Bandeira da Confedera\u00e7\u00e3o do Equador<\/strong>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-159106 aligncenter\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Confed10.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"221\" \/><strong>Bandeira da Confedera\u00e7\u00e3o do Equador<\/strong><\/p>\nA\u00a0<strong>Constitui\u00e7\u00e3o de 1824<\/strong>\u00a0acabou outorgada por Dom Pedro I, que dissolvera a\u00a0<b>Assembleia\u00a0Constituinte em Nov de 1823<\/b>. Liberal quanto aos direitos individuais, a constitui\u00e7\u00e3o, entretanto, colocava poderes demasiados nas m\u00e3os do Imperador.\n\nOs deputados pernambucanos da\u00a0<strong>Constituinte<\/strong>\u00a0voltaram desiludidos, sem ter conseguido diminuir os impostos sobre o a\u00e7\u00facar e o algod\u00e3o, nem estabelecer a sonhada federa\u00e7\u00e3o.\n\n<strong>No Recife, onde ainda fervilhava a mem\u00f3ria da Insurrei\u00e7\u00e3o de 1817, a resposta n\u00e3o se fez por esperar<\/strong>: uma nova insurrei\u00e7\u00e3o, ainda mais radical do que a anterior.\n\n<strong>Manuel de Carvalho Pais de Andrade<\/strong>\u00a0era o novo presidente, prestigiado por sua atua\u00e7\u00e3o em 1817 e por dominar as tropas indisciplinadas que se haviam amotinado em fevereiro de 1823. A animosidade entre ele e o Imperador levou a que este tentasse substitu\u00ed-lo, o que as C\u00e2maras de Recife e Olinda se recusaram a aceitar.\n\nFor\u00e7as navais vindas do Rio, bloquearam o porto de Recife, mas retiraram-se, sendo em 2 de julho de 1824 proclamada a Confedera\u00e7\u00e3o do Equador, \u00e0 qual aderiram Para\u00edba, Rio Grande do Norte, Cear\u00e1 e interior do Piau\u00ed. A Confedera\u00e7\u00e3o adotou as leis da extinta Assembleia Constituinte e aboliu o tr\u00e1fico negreiro.\n\nUma nova esquadra sob o comando do Almirante Thomas Cochrane, bloqueou o porto de Recife e as tropas do Brigadeiro Francisco de Lima e Silva, derrotaram os rebeldes apesar da heroica resist\u00eancia e dos duros combates.\n\nA\u00a0<strong>bandeira da Confedera\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0era azul celeste, com um quadrado amarelo ao centro, sobre ele um c\u00edrculo azul estrelado, em volta do qual figuravam as palavras de ordem Religi\u00e3o, Independ\u00eancia, Uni\u00e3o e Liberdade.\n\nSobre o c\u00edrculo, uma cruz vermelha, aos lados, um ramo de algod\u00e3o e outro de cana de a\u00e7\u00facar, as riquezas do Nordeste. Sobre o quadrado, a m\u00e3o da justi\u00e7a com o Olho da Provid\u00eancia ao centro.\n\n<strong>Confedera\u00e7\u00e3o do Equador &#8211; Resumo<\/strong>\n\nA\u00a0<strong>Confedera\u00e7\u00e3o do Equador<\/strong>\u00a0foi proclamada, em 2 de julho de 1824, neste manifesto assinado por Manuel Paes de Andrade. Sob a forma de governo federativa e republicana, a Confedera\u00e7\u00e3o deveria reunir as prov\u00edncias de Pernambuco, Para\u00edba, Rio Grande do Norte, Cear\u00e1, Piau\u00ed e Par\u00e1.\n\nBrasileiros. A salva\u00e7\u00e3o da honra da p\u00e1tria, e da liberdade, a defesa de nossos imprescrit\u00edveis e inalien\u00e1veis direitos de soberania, instam, urgem e imperiosamente comandam que com la\u00e7os da mais fraterna e estrita uni\u00e3o, nos prestemos rec\u00edprocos aux\u00edlios para nossa comum defesa.\n\n\u00c9 inato no cora\u00e7\u00e3o do homem o desejo de ser feliz, e este desejo, como princ\u00edpio de toda a sociabilidade, \u00e9 bebido na natureza e na raz\u00e3o, que s\u00e3o imut\u00e1veis; para preench\u00ea-lo \u00e9 indispens\u00e1vel um governo que, dando expans\u00e3o e coordenando todos os seus recursos, eleve os associados \u00e0quele grau de prosperidade e grandeza que lhe estiver destinado nos planos da Provid\u00eancia, sempre disposta em favor da humanidade.\n\nReconhecendo estas verdades eternas, adotamos o sistema de governo mon\u00e1rquico representativo e come\u00e7amos nossa regenera\u00e7\u00e3o pol\u00edtica pela solicitude de uma soberana Assembleia Constituinte de nossa escolha e confian\u00e7a.\n\nAntes que se verificassem nossos votos e desejos fomos surpreendidos com a extempor\u00e2nea aclama\u00e7\u00e3o do imperador; subscrevemos a ela t\u00e1cita, ou expressamente, na persuas\u00e3o de que isso era conducente a nossos fins, porque envolvia em seus princ\u00edpios a condi\u00e7\u00e3o de bem servir \u00e0 na\u00e7\u00e3o.\n\nReuniu-se a soberana Assembleia, e quando nos parecia que hav\u00edamos entrado no gozo de nossos inaufer\u00edveis direitos, e apenas tinha ela dado princ\u00edpio de nosso pacto social, vimos que o imperador, postergando os mais solenes juramentos, e os mesmos princ\u00edpios que lhe deram nascimento pol\u00edtico, autoridade e for\u00e7a, insultou caluniosamente o respeit\u00e1vel corpo que representava a nova soberania, e desembainhando a homicida espada de um s\u00f3 golpe fez em peda\u00e7os aquele corpo e dilacerou seus membros!\n\nN\u00e3o \u00e9 preciso, brasileiros, neste momento fazer a enumera\u00e7\u00e3o dos nefandos procedimentos do imperador, nem das desgra\u00e7as que acarretamos sobre nossas cabe\u00e7as por havermos escolhido, enganados, ou preocupados, tal sistema de governo e tal chefe do poder executivo! V\u00f3s todos, e todo o mundo que os t\u00eam observado, os conhecem e enumeram; por\u00e9m, conquanto estivessem prevenidos na expectativa de males, nunca a ningu\u00e9m podia passar pela ideia, talvez como possibilidade, que o imperador havia trair-nos, e abandonar-nos ao capricho de nossos sangrentos e implac\u00e1veis inimigos lusitanos, no momento em que teve not\u00edcia de estar fazendo-se \u00e0 vela a expedi\u00e7\u00e3o invasora!\n\n<strong>E \u00e9 cr\u00edvel que n\u00e3o fosse preparada de acordo com ele?<\/strong>\n\n\u00c9 poss\u00edvel, mas n\u00e3o prov\u00e1vel.\n\nNa portaria, que abaixo transcrevo, tendes, \u00f3 brasileiros, uma prova indel\u00e9vel de quanto devemos ao perp\u00e9tuo defensor do Brasil, e que jamais ousamos pensar!\n\n<strong>Nela vereis n\u00edmio temor de rea\u00e7\u00f5es internas (efeitos da consci\u00eancia do mal que tem obrado), vergonhosa confiss\u00e3o de fraqueza em recursos pecuni\u00e1rios, ex\u00e9rcito e esquadra; e ao fim dizer:<\/strong>\u00a0\u201c\u00c9 indispens\u00e1vel que cada prov\u00edncia se valha dos pr\u00f3prios recursos no caso de ataque!\u201d Acredit\u00e1-lo-eis vindouros! N\u00e3o tem recursos uma capital que \u00e9 o emp\u00f3rio e recept\u00e1culo de quase todas as rendas de oito prov\u00edncias, que de todas as outras tem tirado quanto tem podido em dinheiro, efeitos e constru\u00e7\u00f5es navais; e h\u00e1 de ter recurso cada uma prov\u00edncia isolada?\n\nBrasileiros! Salta aos olhos a negra perf\u00eddia, s\u00e3o patentes os reiterados perjuros do imperador, e est\u00e1 conhecida nossa ilus\u00e3o ou engano em adotarmos um sistema de governo defeituoso em sua origem, e mais defeituoso em suas partes componentes. As constitui\u00e7\u00f5es, as leis e todas as institui\u00e7\u00f5es humanas s\u00e3o feitas para os povos e n\u00e3o os povos para elas.\n\nEia, pois, brasileiros, tratemos de constituir-nos de um modo an\u00e1logo \u00e0s luzes do s\u00e9culo em que vivemos; o sistema americano deve ser id\u00eantico; desprezemos institui\u00e7\u00f5es olig\u00e1rquicas, s\u00f3 cabidas na encanecida Europa.\n\nOs pernambucanos, j\u00e1 acostumados a vencer os v\u00e2ndalos, n\u00e3o temem suas bravatas; doze mil baionetas manejadas por outros tantos cidad\u00e3os soldados de primeira e segunda linha formam hoje uma muralha inexpugn\u00e1vel; em breve teremos for\u00e7as navais, e algumas em poucos dias.\n\nSegui, \u00f3 brasileiros, o exemplo dos bravos habitantes da zona t\u00f3rrida, vossos irm\u00e3os, vossos amigos, vossos compatriotas; imitai os valentes de seis prov\u00edncias do norte que v\u00e3o estabelecer seu governo debaixo do melhor de todos os sistemas ? representativo; um centro em lugar escolhido pelos votos dos nossos representantes dar\u00e1 vitalidade e movimento a todo nosso grande corpo social. Cada Estado ter\u00e1 seu respectivo centro, e cada um destes centros, formando um anel da grande cadeia, nos tornar\u00e1 invenc\u00edveis.\n\nBrasileiros! Pequenas considera\u00e7\u00f5es s\u00f3 devem estorvar pequenas almas; o momento \u00e9 este, salvemos a honra, a p\u00e1tria e a liberdade, soltando o grito festivo.\n\n<strong>Fonte:<\/strong>\u00a0geocities.yahoo.com.br\/www.irdeb.ba.gov.br\/www.piauihp.com.br\/ www.aman.ensino.eb.br\/www.memorialpernambuco.com.br\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Confedera\u00e7\u00e3o do Equador, Movimento, Brasil, Independ\u00eancia, Nordeste, Pernambuco, Confronto, Derrota, Manifesto, Bandeira, Repress\u00e3o, Confedera\u00e7\u00e3o do Equador<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":8995,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[54],"tags":[],"class_list":["post-20406","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia-do-brasil"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - 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