{"id":20390,"date":"2015-12-17T00:00:00","date_gmt":"2015-12-17T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/costa-do-pau-brasil-3\/"},"modified":"2026-09-01T15:31:37","modified_gmt":"2026-09-01T15:31:37","slug":"costa-do-pau-brasil-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-do-brasil\/costa-do-pau-brasil-3\/","title":{"rendered":"Costa do Pau-Brasil"},"content":{"rendered":"\n<p>Ao lado de Capitania de Pernambuco, as capitanias que ofereciam as melhores      condi\u00e7\u00f5es para a sua coloniza\u00e7\u00e3o eram a Bahia, Ilh\u00e9us e Porto Seguro, que      se localizam na parte mais conhecida do litoral brasileiro, pois estas capitanias      ficavam mais pr\u00f3ximas de Portugal, onde os portugueses achava que aquela por\u00e7\u00e3o      da costa fosse habitada apenas pelas tribos Tupiniquim e Tupinambas que at\u00e9      ent\u00e3o se mantinham em paz com os europeus.<\/p>\n   \n<p>Por\u00e9m este engano lhes custaria caro, pois varias enseadas da Costa do Pau-brasil      eram ocupadas pelos Aimor\u00e9 um aguerrido grupo J\u00ea os quais os pr\u00f3prios Tupi      n\u00e3o haviam conseguido expulsar para os rigores do agreste. <\/p>\n   \n<p>Este Vasto trecho do litoral brasileiro ia do Cabo de S\u00e3o Roque at\u00e9 Cabo      frio, onde os portugueses j\u00e1 haviam instalado algumas feitorias e apesar de      alguns entreposto terem sido desativados por volta da Segunda d\u00e9cada do s\u00e9culo      XVI, os tr\u00eas lotes que ficavam na costa do Pau-brasil eram considerados territ\u00f3rios      seguro e potencialmente rent\u00e1veis, pois al\u00e9m da profus\u00e3o de Pau-brasil, a      terra era propicia ao desenvolvimento da lavoura de Cana de a\u00e7\u00facar.<\/p>\n   \n<p> A Capitania de Ilh\u00e9us se localizava entre a Capitania da Bahia ao norte      e a Capitania de Porto Seguro ao sul, o lote tinha 50 l\u00e9guas de largura e      iniciava-se na foz do Rio Jaguaripe e ia at\u00e9 a barra do Rio Coxim e o seu      donat\u00e1rio era Jorge de Figueiredo Correia que era Escriv\u00e3o da Fazenda Real,      era considerado um dos homens mais rico de Portugal na \u00e9poca, ele foi o primeiro      a adotar o crit\u00e9rio capitalista na explora\u00e7\u00e3o de seu lote que recebeu pelo      foral de 1 de Abril de 1535, o senhor de Ilh\u00e9us foi um homem pratico e tinha      uma grande vis\u00e3o de dinheiro, muito embora estivesse disposto a investir na      coloniza\u00e7\u00e3o de sua capitania ele se manteve prudentemente distante do Brasil,      pois jamais pensou em trocar seu cargo de escriv\u00e3o e as comodidades da corte      pelos azares e trabalhos do governo de sua remota capitania, por isto ele      enviou Francisco Romero como seu Lugar-tenente um castelhano que vivia h\u00e1      v\u00e1rios anos em Lisboa que era um bom homem que n\u00e3o sabia administrar por\u00e9m      era muito experiente em guerra. <\/p>\n   \n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Capita28.jpg\" alt=\"Costa do Pau-Brasil\" width=\"373\" height=\"221\" title=\"Costa do Pau-Brasil\" \/><\/p>\n   \n<p>Francisco Romero partiu de Lisboa rumo ao sul da Bahia em Outubro de 1535      com alguns colonos em tr\u00eas naus que aportou na Baia de Todos os Santos e dali      partiu para o sul para ocupar a capitania que iria governar, a principio decidiu-se      instalar na Ilha de Tinhar\u00e9 na localidade do morro de S\u00e3o Paulo ao sul da      Ilha de Itamarac\u00e1 quase no limite norte da Capitania de Ilh\u00e9us, muito embora      o local fosse bem protegido, Francisco Romero n\u00e3o permaneceu ali por muito      tempo, pois enviou um destacamento para explorar as por\u00e7\u00f5es meridionais da      capitania, ap\u00f3s algumas semanas de explora\u00e7\u00e3o o grupo retornou com a noticia,      de ter encontrado um sitio mais favor\u00e1vel para construir a sede da donat\u00e1ria,      pois o lugar encontrado oferecia posi\u00e7\u00e3o estrategicamente perfeita, pois ficava      em uma pen\u00ednsula abrigada por quatro ilh\u00e9us em meio aos quais o Rio Cachoeira      desaguava no Oceano Atl\u00e2ntico e era facilmente defens\u00e1vel pois era protegido      pelo mar e pelo rio, com um excelente ancoradouro abrigado pelo vento sul      por um promont\u00f3rio, juntando as conveni\u00eancias militares o local oferecia excelentes      condi\u00e7\u00f5es comerciais devido as suas terras f\u00e9rteis que eram regadas por \u00e1guas      l\u00edmpidas e recoberto por vegeta\u00e7\u00e3o luxuriante, por\u00e9m o sitio estava encravado      no territorio tribal dos Aimor\u00e9.<\/p>\n   \n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Capita29.jpg\" alt=\"Costa do Pau-Brasil\" width=\"307\" height=\"260\" title=\"Costa do Pau-Brasil\" \/><strong><br \/>\n     Bras\u00e3o Fern\u00e3o Alves<\/strong><\/p>\n   \n<p>A vila constru\u00edda no novo sitio recebeu o nome de S\u00e3o Jorge de Ilh\u00e9us em      homenagem prestada por Francisco Romeno ao seu rico patr\u00e3o Jorge de Figueiredo      Correia, onde no inicio tudo transcorria em perfeita harmonia e paz, tanto      que no fins de 1536 Francisco Romero enviou para o reino uma na\u00fa repleta de      pau-brasil com uma carta para o seu donat\u00e1rio relatando as noticias alvissareiras      em que a vila estava instalada e fortificada, contando com uma pequena capela      em devo\u00e7\u00e3o a S\u00e3o Jorge. <\/p>\n   \n<p class=\"imagem\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Capita30.jpg\" alt=\"Costa do Pau-Brasil\" width=\"409\" height=\"190\" title=\"Costa do Pau-Brasil\" \/><br \/>\n     Engenho A\u00e7ucareiro<\/strong><\/p>\n   \n<p>O entusiasmo com o sucesso do empreendimento foi tal que, nos primeiros meses      de 1537 o donat\u00e1rio Jorge de Figueiredo Correia distribuiu em Lisboa pelo      menos tr\u00eas sesmarias em sua capitania; uma foi para o Desembargador Mem. <\/p>\n   \n<p>De S\u00e1, outra para o Tesoureiro-mor Fern\u00e3o Alvares de Andrade e uma outra      para o rico banqueiro florentino Lucas Giraldes que a muito tempo se encontrava      em Portugal com grandes investimentos, apesar de possuir grande fortuna Jorge      de Figueiredo Correia com estas doa\u00e7\u00e3o procurava buscar parceiros para investir      na produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar em sua capitania e em v\u00e1rios outros lotes no Brasil;      com a implanta\u00e7\u00e3o da lavoura canavieira a conviv\u00eancia pacifica entre colonos      e nativo em Ilh\u00e9us foi abalada com as catastr\u00f3ficas guerras entre portugueses      e ind\u00edgenas, apesar dos constantes resgados que eram anz\u00f3is, espelhos, fac\u00f5es,      machados e outras especiais que o abastado Jorge de Figueiredo Correia enviava      para Francisco Romero distribuir entre os nativos em troca de mantimentos      e trabalhos que eram feita com os Tupiniquim que circulavam pela regi\u00e3o, com      isto a paz podia ser obtida por estes escambo, que acabou se revelando um      expediente limitado, pois a satura\u00e7\u00e3o foi logo atingida, pois os nativos cedo      dispunham de mais objetos do que precisavam ou podiam utilizar e logo passaram      a exigir cada vez mais pe\u00e7as em troca de cada vez menos mantimentos ou trabalhos      a isso somou-se a crescente necessidade de m\u00e3o de obra fixa e organizada para      o plantio e a colheita nos canaviais, a partir destas necessidades os portugueses      passaram a escravizar os ind\u00edgenas, repetindo em Ilh\u00e9us o que acontecia em      outras capitanias, de inicio passaram a estimular as guerras intertribais      e comprando os prisioneiros que eram chamados de \u00edndios de corda, de seus      aliados, por\u00e9m com o decorrer do tempo velhas alian\u00e7as foram rompidas e os      lusos come\u00e7aram a escravizar os antigos aliados ind\u00edgenas com os quais conviviam      pacificamente h\u00e1 v\u00e1rios anos. <\/p>\n   \n<p>Com isto desencadeou-se uma guerra generalizada entre ind\u00edgenas e portugueses,      a crise reinante em Ilh\u00e9us a cada dia ia se agravando, pois sendo Francisco      Romero castelhano e muito rude no conv\u00edvio com os subordinados, \u00e9 ignorava      preceitos jur\u00eddicos mais rudimentares e governava baseado no arb\u00edtrio.<\/p>\n   \n<p>E no ano de 1540 em um certo dia ao entrar na pequena Igreja de S\u00e3o Jorge      na Vila de Ilh\u00e9us, Francisco Romero aproximou-se do altar e disse odeio este      crucifixo &#8211; o motivo da blasf\u00eamia residia no fato de aquela cruz ter sido      trazida de Portugal por um colono em que o Lugar-tenente estava com diferen\u00e7as,      por isto os colonos da vila o prenderam e o enviaram acorrentado para o reino,      onde Francisco Romero foi encarcerado no presidio de Limoeiro, por\u00e9m o donat\u00e1rio      Jorge de Figueiredo Correia usando de sua influencia o libertou e numa atitude      imprevidente e desafiadora o enviou de volta para Ilh\u00e9us. <\/p>\n   \n<p>Ao retornar para o sul da Bahia em 1541, Francisco Romero puniu aqueles que      participaram da conspira\u00e7\u00e3o que o levar\u00e1 a pris\u00e3o, embora o fato tenha contribu\u00eddo      para as desordens internas, ele foi capaz de implantar a industria acuraria      na regi\u00e3o, com a ajuda financeira que o banqueiro Lucas Giraldes decidira      investir na capitania de Jorge de Figueiredo Correia, e no de 1546 em Ilh\u00e9us      oito engenhos de a\u00e7\u00facar j\u00e1 estavam produzindo, sendo que dois deles pertenciam      a casa bancaria de Lucas Giraldes, por\u00e9m para que tais estabelecimentos pudessem      funcionar, era preciso arregimentar um grande n\u00famero de escravos, foi ent\u00e3o      que os colonos come\u00e7aram a penetrar no territorio dos Aimor\u00e9, que incandiaram      de imediato uma rea\u00e7\u00e3o com ataques constantes a Capitania de Ilh\u00e9us e a Porto      Seguro, chegando at\u00e9 a Capitania da Bahia, e devido a estes constantes ataques      dos Aimor\u00e9, v\u00e1rios colonos buscaram refugio nas Ilhas de Tinhar\u00e9 e Boipeva      onde acabaram sitiados e devido aos ataques os Tupiniquim que eram grandes      aliados dos portugueses fugiram da luta e refugiaram-se no sert\u00e3o.<\/p>\n   \n<p> Em fins de 1550 quando a guerra entre portugueses e os Aimor\u00e9 ainda estava      em andamento, o donat\u00e1rio Jorge de Figueiredo Correia morria em Lisboa, ent\u00e3o      o seu filho vendeu os direitos sobre a capitania para o banqueiro Lucas Giraldes      que de imediato substituiu o Lugar-tenente Francisco Romero pelo Feitor italiano      Tomaso Alegre. <\/p>\n   \n<p>Pero do Campo Tourinho em 27 de Maio de 1534 recebeu a sua Capitania de Porto      Seguro do Rei Dom Jo\u00e3o III cujo lote tinha 50 l\u00e9guas de largura que iniciava      na foz do Rio Coxim ao sul da Ilha de Comandatuba e se prolongava ate a foz      do Rio Mucuri, Pero de Campo Tourinho vivia na sua terra natal em Viana do      Castelo que era uma abastada vila ao norte de Portugal junto a foz do Rio      Lima em um regi\u00e3o progressista devido a pesca do bacalhau, e ao receber seu      lote no Brasil vendeu as suas propriedades que possu\u00eda em Viana do Castelo      e adquiriu duas naus e duas caravelas e arregimentou alguns parentes mais      pobres e aos pescadores experientes e por volta de Dezembro de 1534 partiu      para o Brasil, fazendo escala nas Ilhas das Can\u00e1rias e chegando em Julho de      1535 ao Brasil, ancorando na foz do Rio Binhar\u00e9m onde encontrou um antigo      povoador instalado, chamado Jo\u00e3o Tiba. <\/p>\n   \n<p>Pero do Campo Tourinho era muito prudente e atirado por isto decidiu instalar-se      numa colina pr\u00f3xima a praia junto a foz do rio onde instalou a sua vila que      constava de uma capela, forja e ferraria, construiu um estaleiro onde se manteve      bastante ativo, pois em menos de tr\u00eas anos construiu sete vilas entre as quais      a de Santa Cruz e Santo Amaro onde distribuiu alguns colonos que o acompanhavam,      no per\u00edodo de 1536 a 1546 tudo transcorreu normalmente em Porto Seguro.<\/p>\n   \n<p>Suas terras eram f\u00e9rtil e os nativos Tupiniquim eram af\u00e1vel e sol\u00edcito, e      que com os mesmos eram efetuado trocas de ferramentas e bugigangas por mantimentos      para alimentar os colonos. <\/p>\n   \n<p>Como a maior parte dos colonos instalados na col\u00f4nia provinha de fam\u00edlia      de pescadores de Viana do Castelo eles logo transformaram a pesca da garoupa      nos baixios de Abrolhos em uma industria florescente que se tornou na principal      fonte de renda da capitania com a exporta\u00e7\u00e3o do peixe salgado e seco <\/p>\n   \n<p>N\u00e3o s\u00f3 para o reino como para varias capitanias vizinhas, e alem do pescado      os colonos de Ilh\u00e9us extraiam da foz do Rio Caravelas uma concha mi\u00fada que      era chamada de B\u00fazios as quais eram enviadas para as col\u00f4nias portuguesas      na \u00c1frica onde eram usadas como dinheiro em Angola onde os traficantes lusos      trocavam por escravos. <\/p>\n   \n<p>A regi\u00e3o norte de Porto Seguro era repleta de matas de pau-brasil onde a      extra\u00e7\u00e3o da madeira que era usada na tinturaria, foi feita em larga escala      com o auxilio dos \u00edndios Tupiniquim, por\u00e9m Porto Seguro tinha um grave problema,      e que devido aos afiados recifes dos Abrolhos as naus da chamada Carreira      da \u00cdndia que faziam trafego entre Portugal e o Oriente, passavam ao largo      da capitania de Pero do Campo Tourinho, sem fazer escala, assim como os navios      que seguiam para a Costa do Ouro e da Prata, com isto ele tinha dificuldade      em exportar seu peixe, os b\u00fazios e o pau-brasil.<\/p>\n   \n<p>No ano de 1546 o Duque de Aveiro come\u00e7ou a investir na Capitania de Porto      Seguro, pois estava montando um engenho de a\u00e7\u00facar e plantando cana de a\u00e7\u00facar      na Vila de Santa Cruz. <\/p>\n   \n<p>Pero do Campo Tourinho devido as dificuldades financeiras de sua capitania      deixou de pagar os impostos que devia a coroa e enviou uma carta ao reino      na qual se lastimava da situa\u00e7\u00e3o reinante e solicitou o envio imediato de      pe\u00e7as de artilharia, p\u00f3lvora e muni\u00e7\u00e3o de guerra devido a eclos\u00e3o da guerra      entre os Aimor\u00e9 e os Tupiniquim que era uma grande amea\u00e7a para a sua capitania.    <\/p>\n   \n<p>Pero do Campo Tourinho era um homem dono de um senso de humor \u00e1cido e de      um temperamento inst\u00e1vel com acessos de f\u00faria que geralmente resultava em      vocifera\u00e7\u00f5es anticleriais e a sua principal indigna\u00e7\u00e3o era a profus\u00e3o de dias      santos, durante os quais n\u00e3o se trabalhava na capitania e com o desentendimento      entre ele e o vig\u00e1rio Bernard de Aureajac e com os outros quatros padres da      capitania, o colono Jo\u00e3o Barbosa Pa\u00eds viajou para Lisboa com o prop\u00f3sito de      denunciar o donat\u00e1rio Pero do Campo Tourinho perante a inquisi\u00e7\u00e3o no Tribunal      do Santo Oficio e em 23 de Novembro de 1546 em reuni\u00e3o realizada na casa do      Juiz Ordin\u00e1rio Pero Drumond na qual participaram o Juiz da Vara C\u00edvel Pero      Vicente; os fidalgos da Casa do Rei Pedro Corr\u00eaa e Duarte de Sequeira; os      Vereadores Belchior Alvares, Gomes Marques e Paulo Dinis; o Procurador do      Conselho Diogo Luiz; o Alcaide de Porto Seguro Lopo Vaz; o Tabeli\u00e3o Gon\u00e7alo      Fernandes; o Escriv\u00e3o do Processo Jo\u00e3o Camelo Pereira e o castelhano Francisco      de Espinosa e dos religiosos Bernard de Aurejac que era o vig\u00e1rio da igreja      matriz de Porto Seguro, do Frei Franciscano Jorge Capuchimbo, do Capel\u00e3o e      Feitor do Duque de Aveiro Manoel Cola\u00e7o e o beneficiado da igreja Pero Ryquo,      do cl\u00e9rigo da missa Jo\u00e3o Bezerra que havia chegado a Porto Seguro vindo de      Ilh\u00e9us em companhia de piratas, ficou decidido que Pero do Campo Tourinho      seria preso na manh\u00e3 seguinte e conduzido para a casa do Escriv\u00e3o Gon\u00e7alo      Fernandes onde permaneceria detido enquanto durasse seu julgamento, e no dia      27 de Novembro o Vig\u00e1rio Bernard de Aurejac improvisou um tribunal que ele      pr\u00f3prio presidiu e que fora composto de um inquiridor, um escriv\u00e3o e um juiz      ordin\u00e1rio, sendo listado quatorze acusa\u00e7\u00f5es contra Pero do Campo Tourinho      e convocadas vinte e sete testemunhas de acusa\u00e7\u00e3o, e nas audi\u00eancias realizadas      entre os dias 4 a 28 de Dezembro de 1546 na Matriz de Nossa Senhora da Penha      no centro de Porto Seguro, depuseram contra ele o seu filho Andr\u00e9 de Campo,      seu cunhado Ant\u00f4nio Pinto e o noivo de sua filha Pero Vicente e como estava      impedido de comparecer \u00e0 corte, o donat\u00e1rio foi defendido por um dos seus      criados Clemente Annes, e em Fevereiro de 1547 Pero do Campo Tourinho foi      enviado preso em um de seus navios para julgamento no Bispado de Funchal na      Ilha da Madeira, sede da diocese a que pertencia o Brasil, por\u00e9m Pero do Campo      Tourinho chegou solto em Lisboa onde os juizes da inquisi\u00e7\u00e3o decidiram que      ele pagasse uma fian\u00e7a e que poderia responder o processo em liberdade, sem      poder se ausentar da capital antes do julgamento, do qual recebeu uma branda      pena, por\u00e9m Pero do Campo Tourinho se amargurou de tal forma que jamais retornou      ao Brasil para reassumir sua capitania, que durante seis anos ficou sob o      comando de seu filho Andr\u00e9 do Campo, e no dia 10 de Outubro de 1553 Pero de      Campo Tourinho morria em Lisboa e Dona In\u00eas Pinto sua herdeira legal, tornou-se      a donat\u00e1ria de Porto Seguro da qual renunciou em favor de seu filho Fern\u00e3o      que partiu em 18 de Novembro de 1554 para Porto Seguro, onde sob seu dom\u00ednio      a capitania se abateu e em Dezembro de 1555 o novo donat\u00e1rio ceio a falecer,      e como n\u00e3o tinha herdeiros direto, a Capitania de Porto Seguro passou a pertencer      \u00e0 sua irm\u00e3 Dona Leonor do Campo que vendeu a capitania em 1559 para o Duque      de Aveiro que deixou desfalecer em decad\u00eancia a capitania que florescia no      litoral da costa do Brasil, embora a Vila de Porto Seguro tenha se mantido      habitada, assim como os outros povoados fundado por Pero de Campo Tourinho      entre eles Santa Cruz, Santo Amaro e Comagi.<\/p>\n   \n<p>A Capitania da Bahia com 50 l\u00e9guas de comprimento, o lote que come\u00e7ava ao      sul da Capitania de Pernambuco na foz do Rio S\u00e3o Francisco e prolongava-se      at\u00e9 a foz do Rio Jaguaripe na ponta sul da ilha de Itaparica, com terras f\u00e9rteis      e relativamente pr\u00f3xima a Portugal e bem conhecida pelos lusos e j\u00e1 se encontrava      habitadas por um grupo de n\u00e1ufragos e mamelucos que eram liderados pelo lend\u00e1rio      Caramur\u00fa que por conta disso, era tida como a mais apraz\u00edvel e facilmente      colonizavel das doze capitanias. <\/p>\n   \n<p>Francisco Pereira Coutinho, o donat\u00e1rio da Bahia, era filho de Afonso Pereira,      Alcaide-mor da cidade de Santar\u00e9m, que partiu muito jovem para a \u00cdndia na      frota sob o comando do Marechal Fernando Coutinho em 1509 na desastrosa tomada      de Calicute, e sob o comando de Afonso de Albuquerque tomou parte da conquista      de Goa.<\/p>\n   \n<p> E no ano de 1511 retornou a Lisboa de onde partiu novamente para a \u00cdndia      em 1514 na frota de Crist\u00f3v\u00e3o de Brito e que no seu regresso a Portugal a      bordo da na\u00fa Nossa Senhora da Ajuda trouxe um elefante e um rinoceronte como      presente para o rei, e no dia 5 de Abril de 1534 se tornou o segundo agraciado      com lotes no Brasil, pois pelos servi\u00e7os prestado no Oriente recebeu do rei      os lotes da Capitania da Bahia e uma certa quantia em dinheiro para comprar      artilharia e armar os navios e logo ap\u00f3s ter recebido as doa\u00e7\u00f5es, Francisco      Pereira Coutinho vendeu tudo que possu\u00eda em Santar\u00e9m e armou uma frota de      sete navios e partiu em companhia de Diogo de G\u00f3is que havia sido nomeado      pelo Rei Dom Jo\u00e3o III como Feitor e almoxarife da Capitania da Bahia, Diogo      Luiz Mo\u00e7o da C\u00e2mara Real, Afonso Torres fidalgo espanhol e Loure\u00e7o de Figueiredo      fidalgo espanhol que havia sido degredado para a Bahia, Jorge Figueiredo Mascarenhas,      Vicente Dias fidalgo alentajano, Antao Gil Oficial da C\u00e2mara de Lisboa, Duarte      de Lemos fidalgo da Casa de Trofa Lemos. <\/p>\n   \n<p>Quando Francisco Pereira Coutinho chegou a Bahia ele escolheu as encostas      do Outeiro Grande para atracar pois era um local estrat\u00e9gico e bem guarnecido      com f\u00e1cil acesso a um ancoradouro natural e no topo de uma magnifica atalaia      se desfrutava um amplo horizonte sobre o mar, onde vivia Caramur\u00fa e mais oito      europeus que eram n\u00e1ufragos e desertores em numa aldeia junto com centenas      de \u00edndios Tupinamb\u00e1 da tribo de Paragua\u00e7u; Francisco Pereira Coutinho era      sabedor dos freq\u00fcentes conflitos entre os ind\u00edgenas do rec\u00f4ncavo baiano, por      isto logo percebeu que a presen\u00e7a e os favores de Caramur\u00fa, seriam vitais      para o sucesso de sua capitania, desta maneira o donat\u00e1rio Francisco Pereira      Coutinho doou uma sesmaria com 400 varas de largo por 500 varas de comprimentos      a Diogo Alvares, o Caramur\u00fa nas terras em que j\u00e1 eram ocupadas por Caramur\u00fa      em sua aldeia, muito embora pudesse ajudar com mantimentos e intermediando      sua rela\u00e7\u00e3o com os nativos, Caramur\u00fa n\u00e3o era aliado de todos os Tupinamb\u00e1      que viviam em torno de rec\u00f4ncavo baiano. <\/p>\n   \n<p>E durante os primeiro dias na Bahia Francisco Pereira Coutinho e seus acompanhantes      pernoitavam a bordo dos navios, ate que no final de Dezembro de 1536 os colonos      come\u00e7aram a construir o pequeno vilarejo com o auxilio dos Tupinamb\u00e1 aliados      de Caramur\u00fa com cerca de quarenta casas de barro e pau-a-pique, e a sede da      capitania foi erguida mais ao sul da ponta do padr\u00e3o, j\u00e1 dentro da Baia de      Todos os Santos, o povoado quando erguido ficou conhecido como Vila Velha      ou Vila do Pereira; muito embora achasse a terra muito pacifica, o donat\u00e1rio,      al\u00e9m de cercar a vila, mandou construir para sua defesa uma torre de dois      andares e a guarneceu com quatro canh\u00f5es, que no inicio permaneceram mudos,      pois tudo corria bem na capitania, por\u00e9m a paz e a prosperidade n\u00e3o permaneceu      por muito tempo, devido aos choques de interesses dos habitantes da capitania      especialmente o de Diogo Alvares e pela dificuldade de Francisco Pereira Coutinho      em se adaptar as novas exig\u00eancias de comedimento, boa vontade e espirito cordial      e o fato dele Ter permitido que os colonos se instalassem em v\u00e1rios pontos      da capitania ao inv\u00e9s de concentra-los em \u00fanico lugar da costa, enfraqueceu      a capacidade de resist\u00eancia e a disciplina da col\u00f4nia, e os atos de rapinagem      e viol\u00eancia contra os silv\u00edcolas, contribu\u00edram para que os Tupinamb\u00e1 perceberem      que os portugueses eram diferentes dos franceses que vinha para a costas brasileira      para negociar com eles, enquanto que os portugueses haviam chegado para ficar,      e se apossarem de suas terras e estavam dispostos a lhe escravizar. <\/p>\n   \n<p>Em 1541 Francisco Pereira Coutinho doou duas sesmarias no rec\u00f4ncavo; sendo      uma para o fidalgo Jo\u00e3o de Velosa no lugar chamado Esteiro de Piraj\u00e1 e a outra      para o castelhano Afonso de Torres que se localizava no Saco do Paripe, e      que em associa\u00e7\u00e3o com o donat\u00e1rio da capitania eles iniciaram a implanta\u00e7\u00e3o      da lavoura canavieira e instalaram seus engenhos.<\/p>\n   \n<p>Afonso da Torres era um poderoso armador em Lisboa e arrendat\u00e1rio do trafico      de escravo da Ilha de S\u00e3o Tome para as Antilhas e necessitando de m\u00e3o de obra      para seu engenho, logo come\u00e7ou a incentivar as incurs\u00f5es escravagistas \u00e0s      aldeias Tupinamb\u00e1 espalhadas pelos rec\u00f4ncavo, com grandes viol\u00eancias extors\u00f5es      e imoralidade.<\/p>\n   \n<p> E o resultado de tais esc\u00e2ndalos foi desastroso, pois os Tupinambas se uniram      e, seus guerreiros atacaram e queimaram os engenhos e os canaviais, sitiaram      e mataram muitos portugueses dentro da Vila do Pereira, estes conflitos duraram      mais de cinco anos, e no auge da guerra com os Tupinamba os inimigos de Francisco      Pereira Coutinho tramaram um engenhoso ardil para destitui-lo, com um golpe      liderado pelo Padre de Missa Jo\u00e3o Bezerra, que anteriormente havia sido expulso      da Vila Velha pelo donat\u00e1rio, ancorou em Vila Velha as bordo de uma caravela      cujos tripulantes garantiram estarem chegando de Portugal com um alvar\u00e1 r\u00e9gio      no qual haviam falsificado a assinatura de Dom Jo\u00e3o III no qual destitu\u00edam      Francisco Pereira Coutinho de suas imunidade e do cargo de donat\u00e1rio, e condenando-o      a pris\u00e3o, por\u00e9m com a ajuda de alguns aliados, Francisco Pereira Coutinho      conseguiu escapar do c\u00e1rcere e se refugiar na Capitania de Ilh\u00e9us, e com efeito      do epis\u00f3dio os Tupinamba conseguiram devastar Vila Velha e destruir a Torre      do Pereira, de Ilh\u00e9us Francisco Pereira Coutinho partiu para a Capitania de      Porto Seguro onde foi acolhido por Pero do Campo Tourinho at\u00e9 receber a visita      de Caramur\u00fa que lhe alertara do plano dos franceses em obter recursos e pessoal      para povoar a Capitania da Bahia, que se encontrava abandonada, poucas semanas      ap\u00f3s o retorno de Caramur\u00fa para a Capitania da Bahia, o velho donat\u00e1rio Francisco      Pereira Coutinho decidiu voltar para os seus dom\u00ednios e enfrentar a grave      situa\u00e7\u00e3o reinante, porem ao se aproximar do vilarejo arruinado, o navio que      o transportava chocou-se contra o recife das Pina\u00fanas na ponta sul da Ilha      de Itaparica, o donat\u00e1rio e a maior parte de seus acompanhantes se salvaram,      porem acabaram prisioneiros dos Tupinambas que ao perceber que entre os prisioneiros      estava Francisco Pereira Coutinho, os Tupinamba decidiram mata-lo.<\/p>\n   \n<p>E no decorrer do tempo quase nada restava das capitanias estabelecidas na      outrora pacifica Costa do Pau-brasil e n\u00e3o era menos prec\u00e1ria, nem menos dram\u00e1tica      a situa\u00e7\u00e3o dos lotes que ficavam ao norte e ao sul daquela regi\u00e3o, desde o      fracasso da expedi\u00e7\u00e3o de Aires da Cunha e da conquista do amazonas pelos espanh\u00f3is,      os portugueses tinham virtualmente desistido de ocupar a Costa Leste-Oeste      por outro lado na remota Costa do Ouro e da Prata, apenas S\u00e3o Vicente se mantinha      relativamente ativa e dos doze Capit\u00e3es do Brasil, apenas Duarte Coelho desfrutava      de alguns sucesso em Pernambuco.<\/p>\n   \n<p>Em 1548, o Rei Dom Jo\u00e3o III escutou os apelos enviados do Brasil, o evidente      fracasso das donat\u00e1rias e o crescente amea\u00e7as francesa, levaram o rei e os      seus principais assessores a modificar o regime de Capitanias Heredit\u00e1rias      e a optar pelo estabelecimento de um Governo Geral, a decis\u00e3o de estabelecer      o Governo Geral n\u00e3o foi uma tarefa f\u00e1cil, devido a profunda crise econ\u00f4mica      que se abatera sobre a Europa e pela conjuntura pol\u00edtica na Europa que n\u00e3o      era favor\u00e1vel a Portugal pois Francisco I da Fran\u00e7a e o Rei Carlos V da Espanha      assinaram o tratado de Cr\u00e9py-en-Lannois pondo fim \u00e0 longa guerra entre os      dois reinos, desta forma o reino franc\u00eas passou a dispor de mais recursos      para financiar grandes expedi\u00e7\u00f5es para o Brasil, e o reino espanhol pode dedicar      mais aten\u00e7\u00e3o a expans\u00e3o de seu Imp\u00e9rio Ultramarino na Am\u00e9rica, e na costa      mediterr\u00e2nea e no litoral ocidental de Marrocos, onde as fortalezas lusas      viviam sob crescentes ass\u00e9dios dos xarifos da dinastia Sus, paradoxalmente      foi esta complexa situa\u00e7\u00e3o que fez recender o interesse da coroa pelo Brasil      e que devido as circunstancias valia mais a pena investir dinheiro do Tesouro      R\u00e9gio na col\u00f4nia sul americana do que em outras pra\u00e7as. Por isto em 17 de      Dezembro de 1548 com a corte instalada em Almerim, o Rei Dom Jo\u00e3o III decretou      a cria\u00e7\u00e3o do Governo Geral e para o cargo de primeiro Governador Geral do      Brasil foi escolhido o fidalgo.<\/p>\n   \n<p>Tome de Souza que em 1 de Fevereiro de 1549 comandando uma frota de seis      navios em companhia de seiscentos degredados e duzentos colonos zarpou de      Lisboa rumo a Capitania da Bahia que havia sido adquirida dos herdeiros de      Francisco Pereira Coutinho. <\/p>\n   \n<p>Fonte: www.geocities.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Costa do Pau-Brasil, Hist\u00f3ria, Territ\u00f3rio, Terras, Capitanias, Heredit\u00e1rias, Capitania, Governo, Governador, Brasileiro, Costa do Pau-Brasil<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":8954,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[54],"tags":[],"class_list":["post-20390","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia-do-brasil"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - 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