{"id":20049,"date":"2015-12-14T00:00:00","date_gmt":"2015-12-14T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/mata-das-araucarias-3\/"},"modified":"2026-09-01T15:27:28","modified_gmt":"2026-09-01T15:27:28","slug":"mata-das-araucarias-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/meio-ambiente-2\/mata-das-araucarias-3\/","title":{"rendered":"Mata das Arauc\u00e1rias"},"content":{"rendered":"\nA\u00a0<strong>Arauc\u00e1ria<\/strong>\u00a0angustifolia ocupa uma \u00e1rea muito grande nos tr\u00eas estados do sul do Brasil, alcan\u00e7ando tamb\u00e9m, manchas esparsas no sudeste e nordeste de S\u00e3o Paulo, sul de Minas Gerais, sudoeste do Rio de Janeiro e no leste da Prov\u00edncia de Misiones (Argentina). A zona de vegeta\u00e7\u00e3o ocupada pela Arauc\u00e1ria situa-se entre o paralelo 29\u00ba 30&#8242; sul, no Rio Grande do Sul (a partir de 400 m de altitude), e o paralelo 20\u00ba sul, em Minas Gerais (altitudes superiores a 1000 m).\n\nPresente no planeta desde a \u00faltima glacia\u00e7\u00e3o \u2013 que come\u00e7ou h\u00e1 mais de um milh\u00e3o e quinhentos mil anos, a Araucaria angustifolia j\u00e1 ocupou \u00e1rea equivalente a 200 mil quil\u00f4metros quadrados no Brasil, predominando nos territ\u00f3rios do Paran\u00e1 (80.000 km\u00b2), Santa Catarina (62.000 km\u00b2) e Rio Grande do Sul (50.000 km\u00b2), com manchas esparsas em Minas Gerais, S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro, que juntas, n\u00e3o ultrapassam 4% dessa \u00e1rea originalmente ocupada.\n\nNo Brasil, o limite sul da ocorr\u00eancia natural desta con\u00edfera situa-se nos bordos da Serra Geral, no Rio Grande do Sul. Uma linha leste-oeste, de Torres a Santa Maria, beirando os contrafortes da serra referida, separa a Floresta Subtropical da encosta da Floresta de Arauc\u00e1ria.\n\nOs campos do planalto riograndense oferecem uma paisagem muito bonita. S\u00e3o proporcionalmente maiores que a \u00e1rea de mata de Arauc\u00e1ria. Os campos est\u00e3o salpicados de cap\u00f5es, matas de galeria, matas nas encostas \u00famidas nos lados sul e leste, e tamb\u00e9m com pinheiros isolados.\n\n<strong>Delimita\u00e7\u00e3o da \u00e1rea natural da Arauc\u00e1ria no Rio Grande do Sul<\/strong>: Pelo oeste, a linha partia de S\u00e3o Martinho, seguia para o noroeste, passando por Cruz Alta e Pinhal. Ao norte de Tenente Portela, o pinheiral nativo alcan\u00e7ava o leste e perto do Parque Estadual do turvo, sempre pela parte alta. Pelo norte do estado o pinheiral ocupava somente a parte alta do vale do Rio Uruguai.\n\nO pinheiral n\u00e3o descia at\u00e9 este vale nem a parte baixa dos afluentes daquele rio. Estes lugares s\u00e3o ocupados pela vegeta\u00e7\u00e3o subtropical do Alto Uruguai.\n\nEste tipo de vegeta\u00e7\u00e3o segue pelo Rio Uruguai at\u00e9 a barra do Rio Canoas com o Rio Pelotas. At\u00e9 este ponto, a vegeta\u00e7\u00e3o subtropical do Rio Uruguai alcan\u00e7a at\u00e9 quase a parte alta do vale. Depois, segue at\u00e9 a barra do Rio Pelotinhas com o Rio Pelotas, o qual ocupa apenas a parte baixa das margens deste \u00faltimo ponto.\n\nEm dire\u00e7\u00e3o leste, os\u00a0<strong>pinheiros<\/strong>\u00a0se espalham pela parte alta nos dois lados do vale. Da barra dos dois rios citados acima, a linha de limitante dos pinheirais do Rio Grande do Sul segue pelo Rio das Contas, afluente pela esquerda do Rio Pelotas, at\u00e9 encontrar os bordos da Serra Geral. Dirigindo para o sul, esta linha a cerca de 10 km ao sul de S\u00e3o Francisco de Paula, volta-se para a direita, em dire\u00e7\u00e3o de Canela.\n\nOs pinheirais mais densos encontravam-se na regi\u00e3o dos Campos de Cima da Serra, no noroeste do planalto. Ocupavam as nascentes e vales superiores dos grandes rios (Rio Jacu\u00ed, Rio Ca\u00ed, Rio das Antas, Rio Pelotas e Rio Taquari).\n\nNo estado de Santa Catarina temos a ocupa\u00e7\u00e3o do vale do Rio Uruguai pela floresta subtropical, e no planalto, em altitudes superiores a 500 metros, pela Mata de Arauc\u00e1rias. O Rio Pelotas e o Rio das Contas, at\u00e9 as fraldas da Serra Geral, neste Estado, completam a linha sul de onde come\u00e7am as florestas de Arauc\u00e1ria.\n\nPelo leste este tipo de vegeta\u00e7\u00e3o ora penetra em faixas irregulares e estreitas, partindo da regi\u00e3o de Rancho Queimado e bifurcando para o nordeste e para o noroeste, ora partindo dos arredores de Nova Cultura em dire\u00e7\u00e3o ao sul penetra at\u00e9 perto do Rio do Sul. Uma pequena mancha em forma de ferradura se encontra na regi\u00e3o de Anit\u00e1polis.\n\nV\u00e1rios tipos de n\u00facleos de Arauc\u00e1ria encontram-se espalhados pela regi\u00e3o da Mata Pluvial Atl\u00e2ntica. No nordeste do Estado, o pinheiral vai at\u00e9 perto da BR 101, pela Serra do Mar, na nascente do Rio Negro. Pelo norte, praticamente \u00e9 todo coberto de pinheiros.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Mata das Arauc\u00e1rias\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/mata-d30.jpg\" alt=\"Mata das Arauc\u00e1rias\" width=\"257\" height=\"176\" \/><strong>\nArauc\u00e1ria angustifolia<\/strong><\/p>\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Mata das Arauc\u00e1rias\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/mata-d32.jpg\" alt=\"Mata das Arauc\u00e1rias\" width=\"344\" height=\"243\" \/><strong>\nArauc\u00e1ria angustifolia<\/strong><\/p>\nNo estado do Paran\u00e1, a Arauc\u00e1ria ocupa altitudes superiores a 600 metros. A sua ocorr\u00eancia no oeste, vai at\u00e9 a fronteira com a Argentina (no Rio Santo Ant\u00f4nio) de Barrac\u00e3o para o norte at\u00e9 a barra do Rio Santo Ant\u00f4nio com o Rio Igua\u00e7u. Deste ponto a \u00e1rea de pinheiros se retrai em forma de cunha para leste.\n\nDepois, a linha delimitante volta e torna a dire\u00e7\u00e3o norte, passando mais ou menos por Cascavel. A linha continua at\u00e9 mais ou menos Cafel\u00e2ndia. Daqui, vai para o leste, tamb\u00e9m em forma de cunha e volta em dire\u00e7\u00e3o noroeste, mais ou menos para Campo Mour\u00e3o. Pelo norte, uma linha abre um pouquinho na dire\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Jos\u00e9 da Boa Vista, limitando para o sul, com algumas e profundas reintr\u00e2ncias, a \u00e1rea de pinheiros. A leste de Seng\u00e9s a linha segue at\u00e9 cerca de Pinhalzinhho.\n\nDepois, uma linha curva ampla leva a linha at\u00e9 cerca de Ilha Grande, pr\u00f3ximo ao Rio Capivari. Outra Linha, ligeiramente curva, segue para o sul pelo leste de Curitiba, encerrando assim a \u00e1rea de pinheiros no estado do Paran\u00e1.\n\nDos 7.500.000 hectares de primitivas florestas de arauc\u00e1ria, no Paran\u00e1 existem ainda 400.000 hectares, sendo que as maiores reservas se localizam na regi\u00e3o de General Carneiro e Bituruna, em uma linha que vai de Uni\u00e3o da Vit\u00f3ria a Palmas.\n\nNo Estado de S\u00e3o Paulo, os pinheiros ocorrem em certas regi\u00f5es distintas entre si e em altitudes superiores a 800 m, alcan\u00e7ando at\u00e9 cerca de 1700 msm (Campos do Jord\u00e3o). Ao sul, a \u00e1rea de ocorr\u00eancia desta con\u00edfera est\u00e1 limitada pela divisa com o Estado do Paran\u00e1, de Itarar\u00e9 para leste, at\u00e9 cerca de Apia\u00ed.\n\nDaqui, segue para o norte, a oeste da Serra de Paranapiacaba, em dire\u00e7\u00e3o de Cap\u00e3o Bonito e Buri, numa faixa estreita que passa pela esquerda de Ribeir\u00e3o Branco. Nos arredores de S\u00e3o Paulo, passando por Mogi das Cruzes, Paraibuna e Bocaina, ainda pelo leste do Estado, s\u00e3o regi\u00f5es de Arauc\u00e1ria.\n\nNa regi\u00e3o da grande S\u00e3o Paulo, podemos mencionar Diadema, Itapecirica da Serra, passando mais ou menos pelo Km 34 da rodovia Raposo Tavares, cerca do limite deste com o munic\u00edpio de Cotia.\n\nNo Jardim Bot\u00e2nico de S\u00e3o Paulo, podem ser vistos dois pinheiros nativos. Neste Estado, na encosta da Serra de Po\u00e7os de Caldas, h\u00e1 pinheiros nativos. De Cascata, na divisa com Minas Gerais, uma faixa com cerca de 2 km de largura, alcan\u00e7a a Fazenda da Fartura, a 8 km noroeste de S\u00e3o Roque da Fartura. Daqui, a linha volta mais ou menos pelos bordos da Serra at\u00e9 a estrada Andradas-Po\u00e7os de Caldas.\n\nCampos do Jord\u00e3o possui seus pinheirais principalmente nos vales, a uma altitude entre 1400 e 1700 m.\n\nNo Estado de Minas Gerais, os pinheiros acham-se numa altitude que chega at\u00e9 1800 m, na Serra da Mantiqueira. Em Camanducaia, no local de Rio Verde, em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 divisa com Campos do Jord\u00e3o, h\u00e1 um n\u00facleo de pinheiros nativos. H\u00e1 outra regi\u00e3o, cuja linha de delimita\u00e7\u00e3o, passando entre Itajub\u00e1 e Pedralva, segue para Pinhal, passando pela direita de Concei\u00e7\u00e3o das Pedras, chegando perto da rodovia Nast\u00e9rcia \u2013 Ol\u00edmpio de Noronha (ao sul desta cidade), segue para oeste e desce para o sul, em dire\u00e7\u00e3o de Cristina, onde foram vistos pinheiros nativos, velhos.\n\n<strong>Outra regi\u00e3o onde ocorria pinheiros nativos, no sul de Minas Gerais, \u00e9 a seguinte:<\/strong>\u00a0uma linha que passa por P\u00e9 do Morro, perto de Passa Quatro, segue em dire\u00e7\u00e3o de Airuoca.\n\nNesta zona, j\u00e1 n\u00e3o existia mais pinheiros nativos, mas em 1970, foram encontrados n\u00f3s de pinho e cerne de madeiras enterrados em lugares de onde tiravam barro para uma olaria e, tamb\u00e9m, num leito de um rio rec\u00e9m aberto sob tra\u00e7ado novo. De Airuoca, a linha segue at\u00e9 7 km ao norte de Serranos (onde existiam pinheiros numa pequena bacia). A linha volta-se para Sudeste, passando perto e a leste de Carvalhos, onde existiam bonitos cap\u00f5es de pinheiros. A linha referida segue para leste, para alcan\u00e7ar Liberdade, de onde torna a dire\u00e7\u00e3o sudoeste, passando a poucos quil\u00f4metros a leste de Bocaina, a leste de Santo Ant\u00f4nio e de Mirant\u00e3o. Por fim, encosta na regi\u00e3o de pinheiros do norte do Estado do Rio de Janeiro. Todas estas regi\u00f5es citadas, est\u00e3o intensamente exploradas. Continuando a linha de delimita\u00e7\u00e3o do pinheiro, no sul de Minas Gerais, ainda segue pelo norte das encostas da Serra da Mantiqueira, passando em frente a Mau\u00e1, depois, ao norte de Agulhas Negras, seguindo pelo alto da Cordilheira at\u00e9 atravessar a rodovia Piquete-Delfim Moreira, para voltar pelo norte at\u00e9 encontrar P\u00e9 do Morro, citado acima.\n\nO pinheiral existente na Fazenda dos Criminosos, perto de Ol\u00edmpio de Noronha, \u00e9 nativo. Outra grande mancha de pinheiros nativos, encontra-se na regi\u00e3o de Camanducaia.\n\n<strong>No Estado do Rio de Janeiro esta planta existe nas matas do alto do Itatiaia, na Serra da Mantiqueira, em altitudes que v\u00e3o at\u00e9 1800 msm. BRADE (1956):<\/strong>\u00a0\u201cS\u00f3 nas escarpas sulinas em altitudes entre 1880 e 2300 metros, pode-se observar exemplares solit\u00e1rios, ou \u00e0s vezes, pequenas forma\u00e7\u00f5es. No outro lado da Serra, na Estrada Nova, acima de Registro, aparece a referida esp\u00e9cie, espontaneamente, j\u00e1 em altitude de 1600 m mais ou menos. Uma forma\u00e7\u00e3o consider\u00e1vel de Arauc\u00e1ria acha-se no lado sudeste das Agulhas Negras, em virtude bastante prejudicada pelo fogo que lavrou em \u00e9pocas anteriores \u00e0 exist\u00eancia do Parque Nacional do Itatiaia e j\u00e1 algumas vezes na exist\u00eancia deste\u201d.\n\n<strong>Mata das Arauc\u00e1rias &#8211; Floresta<\/strong>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-160930 aligncenter\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Mata-d17.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"174\" \/><strong>Mata das Arauc\u00e1rias<\/strong><\/p>\nA\u00a0<strong>Mata das Arauc\u00e1rias<\/strong>, ao contr\u00e1rio da Floresta Amaz\u00f4nica, constitui uma forma\u00e7\u00e3o aberta, homog\u00eanea, que permite facilmente a extra\u00e7\u00e3o de madeiras (chamadas duras), as Arauc\u00e1rias, constituem a nossa \u00fanica floresta subtropical, ou temperada quente. Essa forma\u00e7\u00e3o \u00e9 a floresta mais desmatada em nosso pa\u00eds quando da instala\u00e7\u00e3o dos imigrantes europeus para constru\u00e7\u00e3o de suas casas. Entretanto, foi a zona pioneira em reflorestamento. Al\u00e9m do pinheiro-do-paran\u00e1 (Arauc\u00e1ria angustifolia) que \u00e9 predominante, existem outras esp\u00e9cies de pinheiros, al\u00e9m de gram\u00edneas e samambaias.\n\nLocaliza-se principalmente na regi\u00e3o sul, ocorrendo tamb\u00e9m em elevadas altitudes na regi\u00e3o sudeste. O pinheiro-do-paran\u00e1 (Araucaria angustifolia) \u00e9 a esp\u00e9cie que se destaca neste tipo de floresta.\n\nO pinheiro se associa a outras esp\u00e9cies da Floresta Pluvial Atl\u00e2ntica, dando origem a variadas comunidades florestais mistas, recebendo o nome de pinheirais ou pinhais.\n\nCientistas revelaram que os pinheirais s\u00e3o antes fases sucessionais do que comunidades maduras e integradas.\n\nSegundo eles, o pinheiro-do-paran\u00e1 \u00e9 uma esp\u00e9cie pioneira, que por ser fortemente heli\u00f3fita (necessita de luz solar direta para se desenvolver), avan\u00e7a sobre as \u00e1reas campestres abertas e n\u00e3o se regenera mais quando a sombra se torna intensa. Os grupamentos de pinheiros s\u00e3o pouco a pouco invadidos por arvoretas e arbustos, dando in\u00edcio \u00e0 sucess\u00e3o.\n\nO\u00a0<strong>clima<\/strong>\u00a0caracter\u00edstico nas regi\u00f5es de ocorr\u00eancia da\u00a0<strong>Floresta de Arauc\u00e1ria<\/strong>\u00a0\u00e9 o subtropical, com chuvas relativamente regulares o ano todo, e temperaturas relativamente baixas. O pinheiro pode atingir at\u00e9 50m de altura, produzindo sementes comest\u00edveis, conhecidas como pinh\u00f5es, e tem seus ramos distribu\u00eddos em torno do tronco central. Por existir pouca diversidade flor\u00edstica, devido ao clima frio, e a alelopatia (inibi\u00e7\u00e3o do crescimento de outras plantas pr\u00f3ximas, fato comum em pinheiro), as arauc\u00e1rias se sobressaem, ficando isoladas, o que torna extremamente f\u00e1cil a sua localiza\u00e7\u00e3o e extra\u00e7\u00e3o, fato que as colocou \u00e0 beira de extin\u00e7\u00e3o, bem como aos demais organismos relacionados a ela.\n\nExistem algumas plantas que se beneficiam da alelopatia, como por exemplo a erva-mate, elemento importante para a economia de muitas comunidades. Podemos encontrar neste tipo de vegeta\u00e7\u00e3o, esp\u00e9cies como a canela-lageana, a imbuia, o cedro, dentre outras.\n\nPara expandir a \u00e1rea plantada no sul do Brasil, colonos alem\u00e3es e italianos iniciaram, na primeira metade do s\u00e9culo, a explora\u00e7\u00e3o indiscriminada de madeira.\n\n\u00c1rvores gigantescas e centen\u00e1rias foram derrubadas e queimadas para dar lugar ao cultivo de milho, trigo e videira, principalmente. A mata das arauc\u00e1rias ou pinheiros-do-paran\u00e1, de porte alto e copa em forma de prato, estendia-se do sul de Minas Gerais e S\u00e3o Paulo at\u00e9 o Rio Grande do Sul, formando cerca de 100.000 km2 de matas de pinhais.\n\nNa sua sombra cresciam esp\u00e9cies como a imbuia, o cedro, a canela, entre outras. Hoje mais da metade desse bioma foi destru\u00eddo, assim como diversas esp\u00e9cies de roedores que se alimentavam do pinh\u00e3o, aves e insetos. O que resta est\u00e1 confinado a \u00e1reas de conserva\u00e7\u00e3o ou preserva\u00e7\u00e3o. Por mais de 100 anos a mata dos pinhais alimentou a ind\u00fastria madeireira do sul. O pinho, madeira bastante popular na regi\u00e3o, foi muito usado na constru\u00e7\u00e3o de casas e m\u00f3veis.\n\nSendo uma floresta subtropical mista, com ocorr\u00eancia do pinheiro (Arauc\u00e1ria angustifolia), est\u00e3o associados a esta, outras esp\u00e9cies, como cedro, canela, imbu\u00eda, cavi\u00fana, erva-mate, etc.\n\n<strong>A mata das arauc\u00e1rias caracteriza-se por ser uma floresta:<\/strong>\n<blockquote>Homog\u00eanea (com poucas esp\u00e9cies);\nAberta e de f\u00e1cil penetra\u00e7\u00e3o;\nAciculifoliada<\/blockquote>\nSendo uma floresta homog\u00eanea, de f\u00e1cil penetra\u00e7\u00e3o e localizada pr\u00f3ximo a grandes mercados consumidores, a mata dos pinhais tem sido muito explorada economicamente no pa\u00eds, atendendo tanto ao mercado interno (papel e madeira) como \u00e0s exporta\u00e7\u00f5es, sendo o estado do Paran\u00e1 o maior produtor desta madeira de boa qualidade.\n\n<strong>Mata das Arauc\u00e1rias &#8211; Vegeta\u00e7\u00e3o<\/strong>\n<p align=\"center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"\" title=\"Mata das Arauc\u00e1rias\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/mata-d34.jpg\" alt=\"Mata das Arauc\u00e1rias\" width=\"261\" height=\"194\" \/>\n<strong>Mata das Arauc\u00e1rias<\/strong><\/p>\n<strong>FLORA<\/strong>\n\nA diversidade do clima brasileiro reflete-se claramente em sua cobertura vegetal.\n\n<strong>A vegeta\u00e7\u00e3o natural do Brasil pode ser grupada em tr\u00eas dom\u00ednios principais:<\/strong>\u00a0as florestas, as forma\u00e7\u00f5es de transi\u00e7\u00e3o e os campos ou regi\u00f5es abertas.\n\n<strong>As florestas se subdividem em outras tr\u00eas classes, de acordo com a localiza\u00e7\u00e3o e a fisionomia:<\/strong>\u00a0a Selva Amaz\u00f4nica, a Mata Atl\u00e2ntica e a Mata de Arauc\u00e1rias. A primeira, denominada Hil\u00e9ia pelo naturalista alem\u00e3o Alexander von Humboldt (do grego, hilayos, \u201cda floresta\u201d, \u201cselvagem\u201d) \u00e9 a maior mata equatorial do mundo.\n\nReveste uma \u00e1rea de 5.000.000 km2, equivalente a quase o dobro do territ\u00f3rio da Argentina.\n\n<strong>Florestas<\/strong>\n\n<strong>A Hil\u00e9ia, do ponto de vista de sua ecologia, divide-se em:<\/strong>\u00a0mata de igap\u00f3, mata de v\u00e1rzea e mata de terra firme. A primeira fica inundada durante cerca de dez meses no ano e \u00e9 rica em palmeiras, como o a\u00e7a\u00ed; os solos s\u00e3o arenosos e n\u00e3o cultiv\u00e1veis nas condi\u00e7\u00f5es em que se encontram. A mata de v\u00e1rzea \u00e9 inundada somente nas enchentes dos rios; tem muitas ess\u00eancias de valor comercial e de madeiras brancas, como a seringueira, o cacaueiro, a copa\u00edba, a suma\u00fama e o gigantesco a\u00e7acu. A mata de igap\u00f3 e a mata de v\u00e1rzea, as duas primeiras divis\u00f5es da hil\u00e9ia, t\u00eam \u00e1rvores de folhas perenes.\n\nOs solos das v\u00e1rzeas s\u00e3o intrazonais, argilosos ou limosos. A mata de terra firme, que corresponde a cerca de 90% da Floresta Amaz\u00f4nica, nunca fica inundada.\n\n<strong>\u00c9 uma mata plenamente desenvolvida, composta de quatro andares de vegeta\u00e7\u00e3o<\/strong>: as \u00e1rvores emergentes, que chegam a 50 m ou mais; a ab\u00f3bada foliar, geralmente entre 20 m e 35 m, onde as copas das \u00e1rvores disputam a luz solar; o andar arb\u00f3reo inferior, entre 5 m e 20 m, com \u00e1rvores adultas de troncos finos ou esp\u00e9cimes jovens, adaptados \u00e0 vida na penumbra; e o sub-bosque, com samambaias e plantas de folhas largas. Cip\u00f3s pendentes das \u00e1rvores entrela\u00e7am os diferentes andares. Ep\u00edfitas, como as orqu\u00eddeas, e vegetais inferiores, como os cogumelos, liquens, fungos e musgos, convivem com a vegeta\u00e7\u00e3o e aumentam sua complexidade.\n\n<strong>A mata de terra firme \u00e9 geralmente semidec\u00eddua<\/strong>: 10% ou mais de suas \u00e1rvores perdem as folhas na estiagem. \u00c1rvores t\u00edpicas da terra firme s\u00e3o a castanheira, a balata, o mogno e o pau-rosa.\n\nA heterogeneidade da floresta dificulta sua explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, salvo onde ocorrem concentra\u00e7\u00f5es.\n\nO tipo de solo predominante na hil\u00e9ia \u00e9 o latossolo. A mata da encosta atl\u00e2ntica estende-se como uma faixa costeira, do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul. Suas \u00e1rvores mais altas chegam, geralmente, a 25 m ou 30 m. No Sul da Bahia e na vertente mar\u00edtima da Serra do Mar, \u00e9 perenif\u00f3lia; mais para o interior e em lugares menos \u00famidos, \u00e9 semidec\u00eddua.\n\n<strong>Do Paran\u00e1 para o Sul, toma um car\u00e1ter subtropical:\u00a0<\/strong>\u00e9 de menor altura (10 m a 15 m), perenif\u00f3lia, mais pobre em cip\u00f3s e mais rica em ep\u00edfitas. A peroba, o cedro, o jacarand\u00e1, o palmito e o pau-brasil foram esp\u00e9cies exploradas na Mata Atl\u00e2ntica. Al\u00e9m de madeira, a Mata Atl\u00e2ntica contribuiu muito com seus solos para o desenvolvimento econ\u00f4mico do Brasil.\n\nA maior parte deles pertence ao grande grupo dos latossolos vermelho-amarelos, entre os quais se inclui a terra roxa, e nos quais se instalaram v\u00e1rias culturas, como caf\u00e9, cana-de-a\u00e7\u00facar, milho e cacau.\n\nO terceiro tipo de floresta \u00e9 a Mata de Arauc\u00e1rias. Fisionomicamente, \u00e9 uma floresta mista de con\u00edferas e latifoliadas perenif\u00f3lias. Ocorre no Planalto Meridional, em terras submetidas a geadas anuais.\n\nDas matas brasileiras, \u00e9 a de menor \u00e1rea, por\u00e9m de maior valor econ\u00f4mico, por ser a mais homog\u00eanea.\n\n<strong>Suas \u00e1rvores \u00fateis mais t\u00edpicas s\u00e3o:\u00a0<\/strong>o pinheiro-do-paran\u00e1, produtor de madeira branca; a imbuia, madeira de lei, escura, utilizada em marcenaria; e a erva-mate, com cujas folhas tostadas se faz uma infus\u00e3o semelhante ao ch\u00e1, muito apreciada nos pa\u00edses do Prata.\n\n<strong>Forma\u00e7\u00f5es de Transi\u00e7\u00e3o<\/strong>\n\nA caatinga, o cerrado e o manguezal s\u00e3o os tipos mais caracter\u00edsticos da vegeta\u00e7\u00e3o de transi\u00e7\u00e3o. As caatingas predominam nas \u00e1reas semi-\u00e1ridas da Regi\u00e3o Nordeste e envolvem grande variedade de forma\u00e7\u00f5es, desde a mata dec\u00eddua (caatinga alta) at\u00e9 a estepe de arbustos espinhentos. Suas \u00e1rvores e arbustos s\u00e3o em geral providos de folhas mi\u00fadas, que caem na estiagem, e armados de espinhos. S\u00e3o a jurema, a faveleira, o pereiro, a catingueira, o marmeleiro. S\u00e3o tamb\u00e9m t\u00edpicas as cact\u00e1ceas, como o xiquexique, o facheiro, o mandacaru e outras do g\u00eanero Opuntia. Nos vales planos s\u00e3o frequentes os carnaubais. Os cerrados, ou campos cerrados, predominam no Planalto Central, desde o Oeste de Minas Gerais at\u00e9 o Sul do Maranh\u00e3o.\n\nS\u00e3o forma\u00e7\u00f5es constitu\u00eddas de tufos de pequenas \u00e1rvores, at\u00e9 10 m ou 12 m de altura, retorcidas, de casca grossa e folhas cori\u00e1ceas, dispersos num tapete de gram\u00edneas at\u00e9 um metro de altura, que na estiagem se transforma em um manto de palha. Os cerrados penetram no pantanal mato-grossense, onde se misturam a savanas e forma\u00e7\u00f5es florestais e formam um conjunto complexo.\n\nOs manguezais ocorrem em forma\u00e7\u00f5es de 4 m a 5 m de altura, na costa tropical.\n\n<strong>Regi\u00f5es Abertas<\/strong>\n\nAs \u00e1reas de vegeta\u00e7\u00e3o aberta, no Brasil, se agrupam em tipos variados. Os campos de terra firme da Amaz\u00f4nia, como os campos do rio Branco (Roraima), os de Puciari-Humait\u00e1 (Amazonas) e os do Erer\u00ea (Par\u00e1), s\u00e3o savanas de gram\u00edneas baixas, com diversas \u00e1rvores isoladas t\u00edpicas do cerrado, como o caimb\u00e9, a carobeira e a mangabeira. Os campos de v\u00e1rzea do m\u00e9dio e baixo Amazonas e do Pantanal (rio Paraguai) s\u00e3o savanas sem \u00e1rvores, com gram\u00edneas de um metro ou mais de altura.\n\nOs campos limpos s\u00e3o estepes \u00famidas que ocorrem na campanha ga\u00facha, em partes do Planalto Meridional (campos de Vacaria, no Rio Grande do Sul; campos de Lajes e Curitibanos, em Santa Catarina; campos gerais, campos de Curitiba e de Guarapuava, no Paran\u00e1) e no extremo Oeste baiano (os gerais). T\u00eam solos geralmente pobres, salvo na campanha, onde se enquadram no tipo prairie degradado.\n\n<strong>Mata dos Pinhais (Arauc\u00e1rias)<\/strong>\n\nA\u00a0<strong>Mata das Arauc\u00e1rias, ou dos Pinhais<\/strong>, ao contr\u00e1rio da Floresta Amaz\u00f4nica, constitui uma forma\u00e7\u00e3o aberta, homog\u00eanea, que permite facilmente a extra\u00e7\u00e3o de madeiras (chamadas duras). Aparece no Sul do pa\u00eds, nos Estados do Paran\u00e1, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Tamb\u00e9m era encontrada em S\u00e3o Paulo.\n\nNo Brasil, a Mata dos Pinhais, ou das Arauc\u00e1rias, constitui a nossa \u00fanica floresta subtropical, ou temperada quente.\n\nEssa forma\u00e7\u00e3o \u00e9 a floresta mais desmatada em nosso pa\u00eds quando da instala\u00e7\u00e3o dos migrantes europeus para constru\u00e7\u00e3o de suas casas. Entretanto, foi a zona pioneira em reflorestamento.\n\nAl\u00e9m do pinheiro-do-paran\u00e1 (Araucaria angustifolia) que \u00e9 predominante, existem outras esp\u00e9cies de pinheiros, al\u00e9m de gram\u00edneas e samambaias.\n\nAtualmente encontram-se praticamente extinta.\n\n<strong>DOM\u00cdNIO DAS ARAUC\u00c1RIAS<\/strong>\n\nEsse dom\u00ednio est\u00e1 localizado nos Planaltos e Chapadas da Bacia do Paran\u00e1, onde se observa uma estrutura geol\u00f3gica que alterna camadas de arenito e basalto, que contribui para a ocorr\u00eancia dos solos de terra-roxa, de elevada fertilidade natural devido \u00e0 constitui\u00e7\u00e3o argilosa e ao alto teor de ferro presente em sua constitui\u00e7\u00e3o.\n\nA\u00a0<strong>Floresta de Arauc\u00e1rias<\/strong>\u00a0est\u00e1 associada com a ocorr\u00eancia do clima Subtropical de temperaturas moderadas, com chuvas bem distribu\u00eddas no decorrer do ano e elevadas amplitudes t\u00e9rmicas, sofrendo a influ\u00eancia da massa Polar Atl\u00e2ntica.\n\nEssa floresta adapta-se ao clima \u00famido, com precipita\u00e7\u00f5es superiores \u00e0 1200 mm por ano, e \u00e0 altitudes mais elevadas; no Sul do pa\u00eds sempre ocorre acima de 600 m e na Serra da Mantiqueira, localizada no Brasil tropical, s\u00f3 aparece nas \u00e1reas acima de 1200m.\n\nA floresta subtropical brasileira \u00e9 aciculifoliada e homog\u00eanea com o predom\u00ednio do pinheiro da Arauc\u00e1ria Angustif\u00f3lia e do Podocarpus, associados com algumas outras esp\u00e9cies, como \u00e9 o caso da Erva-mate e da Canela. Esse \u00e9 o h\u00e1bitat da Gralha Azul, a principal ave respons\u00e1vel pela dispers\u00e3o das esp\u00e9cies vegetais.\n\nA\u00a0<strong>Mata de Arauc\u00e1rias<\/strong>\u00a0tamb\u00e9m j\u00e1 sofreu uma grande devasta\u00e7\u00e3o e dela restam apenas alguns pequenos n\u00facleos de floresta original.\n\nO seu desaparecimento deve-se \u00e0 extra\u00e7\u00e3o de madeiras e tamb\u00e9m esteve relacionado coma expans\u00e3o da agricultura, s\u00f3 que, nesse caso foi a pequena produ\u00e7\u00e3o comercial desenvolvida pelas fam\u00edlias dos descendentes de imigrantes que ocuparam o sul do pa\u00eds.\n\n<strong>Fonte:<\/strong>\u00a0www.araucariaswebsite.hpg.ig.com.br\/www.geocities.com\/geografia.igeo.uerj.br\/www.tree4life.com\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mata das Arauc\u00e1rias, Floresta, Pinheiro, Pinhais, Forma\u00e7\u00e3o, Localiza\u00e7\u00e3o, Brasil, Clima, \u00c1rvores, Caracter\u00edsticas, Mata das Arauc\u00e1rias<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":7417,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[53],"tags":[],"class_list":["post-20049","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-meio-ambiente-2"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - 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