{"id":19856,"date":"2015-12-10T00:00:00","date_gmt":"2015-12-10T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/neblina-3\/"},"modified":"2026-09-01T15:25:41","modified_gmt":"2026-09-01T15:25:41","slug":"neblina-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/geografia-2\/neblina-3\/","title":{"rendered":"Neblina"},"content":{"rendered":"\nEm meteorologia , refere-se \u00e0 suspens\u00e3o de pequenas gotas de \u00e1gua que produzem uma visibilidade inferior a 1 km . \u00c9 um fen\u00f4meno meteorol\u00f3gico que consiste em nuvens muito baixas , pr\u00f3ximas ou ao n\u00edvel do solo e formadas por part\u00edculas de \u00e1gua de pequeno volume em suspens\u00e3o.\n\nEm geral \u00e9 chamado de neblina quando se trata da condensa\u00e7\u00e3o da umidade no ar mas ainda em suspens\u00e3o, na forma de got\u00edculas de \u00e1gua e essas got\u00edculas de \u00e1gua n\u00e3o s\u00e3o grandes o suficiente para que a for\u00e7a da gravidade da Terra as fa\u00e7a precipitar, como \u00e9 o caso com chuva . Localmente, recebe outros nomes quando come\u00e7a sua precipita\u00e7\u00e3o.\n\nA Organiza\u00e7\u00e3o Meteorol\u00f3gica Mundial (OMM) define nevoeiro atmosf\u00e9rico como a suspens\u00e3o de pequenas (quase sempre microsc\u00f3picas) got\u00edculas de \u00e1gua no ar que tamb\u00e9m reduz a visibilidade horizontal na superf\u00edcie da Terra para menos de 1 km .\n\nOs bancos de neblina s\u00e3o formados da mesma forma que qualquer outro tipo de nuvem, j\u00e1 que o nevoeiro \u00e9 formado a partir de nuvens estratiformes.\n\nA maior parte da neblina \u00e9 produzida pela evapora\u00e7\u00e3o da umidade do solo , mas pode ser proveniente do vapor de \u00e1gua expelido pela vegeta\u00e7\u00e3o ou por corpos de \u00e1gua doce ou salgada, rios, c\u00f3rregos, po\u00e7as, etc. Como a f\u00edsica descreve nas propriedades t\u00e9rmicas dos gases , a temperatura relativa mais alta de uma massa de ar (saturada de umidade) faz com que ela suba ou uma massa gasosa (\u00famida) seja deslocada por outra massa mais fria e, portanto, mais pesada (os gases se expandem pelo calor pesam menos para o mesmo volume) provoca a subida do ar h\u00famido que, ao arrefecer, condensa , dando assim origem \u00e0 forma\u00e7\u00e3o destas nuvens baixas.\n\nO vapor de \u00e1gua condensa mais facilmente em torno de uma part\u00edcula de poeira, sal ou qualquer outro elemento suspenso no ar. O nevoeiro leva a condi\u00e7\u00f5es de visibilidade reduzidas na superf\u00edcie. A dispers\u00e3o da luz nas part\u00edculas de \u00e1gua que comp\u00f5em a neblina favorece a visibilidade em comprimentos de onda semelhantes ao amarelo seletivo usado em far\u00f3is e far\u00f3is de neblina .\n\nMuitos habitats de floresta \u00famida montanhosa , floresta tropical , floresta e floresta subtropical s\u00e3o caracterizados por uma alta concentra\u00e7\u00e3o de neblina de superf\u00edcie \u00e0 qual esses biomas s\u00e3o adaptados de maneira \u00fanica. Juntos, eles s\u00e3o chamados de floresta nublada ou floresta nublada . Em climas mais secos, estepes ou mesmo des\u00e9rticos (como o deserto do Namibe ou o clima mediterr\u00e2neo, etc.), a neblina produzida nos meses auspiciosos tamb\u00e9m \u00e9 muito importante para a vegeta\u00e7\u00e3o escler\u00f3fita. As brumas dos meses frios com sua densa umidade, eles s\u00e3o precipitados pela a\u00e7\u00e3o do relevo e das folhas desse tipo de vegeta\u00e7\u00e3o plumosa adaptada.\n\nNo inverno, por um lado, a estrutura higrosc\u00f3pica da vegeta\u00e7\u00e3o e, por outro, a orografia do terreno, oposta \u00e0 massa de ar relativamente quente e \u00famido; que obriga a aumentar a altura acima do n\u00edvel do mar dessa massa \u00famida de ar, que a resfria e diminui seu ponto de orvalho , fazendo com que parte da umidade dessa massa de ar se condense, que se precipita sob a forma de neblina ou chuva e cria uma habitat hidrof\u00edlico , saturado de umidade no ambiente e no solo pr\u00f3ximo \u00e0s plantas que pulveriza.\n\nPlantas como o pinheiro ret\u00eam a umidade do ar e a precipitam gota a gota como se fosse uma irriga\u00e7\u00e3o suplementar, que \u00e9 mais favorecida no hemisf\u00e9rio norte na face norte das colinas ou montanhas e no hemisf\u00e9rio sul na face norte. oposto (face sul) devido \u00e0 sua temperatura mais baixa, pois recebe menos calor do sol. Essa qualidade higrosc\u00f3pica de certos tipos de vegeta\u00e7\u00e3o contra neblina \u00e9 utilizada para algumas culturas, que s\u00e3o cercadas, por exemplo, por muros de con\u00edferas.\n\nFalamos de orvalho , em geral quando se trata da condensa\u00e7\u00e3o da umidade do ar na forma de gotas devido \u00e0 queda brusca de temperatura em contato com superf\u00edcies frias, geralmente na cobertura vegetal, no solo, nas pedras, nos objetos.\n\nQuando o vapor de \u00e1gua esfriou o suficiente para causar a mudan\u00e7a de estado do vapor de \u00e1gua contido no ar para a forma de gelo (que geralmente \u00e9 depositado) \u00e9 chamado de muitas maneiras diferentes.\n\nDependendo do di\u00e2metro das part\u00edculas (got\u00edculas), a condensa\u00e7\u00e3o do vapor d&#8217;\u00e1gua atmosf\u00e9rico recebe outros nomes, a garoa \u00e9 um tipo de precipita\u00e7\u00e3o caracterizada por possuir um tamanho de got\u00edcula pequeno, geralmente menor que 0,5 mm de di\u00e2metro, mas suficiente para causar sua queda.\n\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-160686 aligncenter\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/e6oyzqfbxk5o_800.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" \/>\n<p class=\"imagem\"><strong>Nevoeiro<\/strong><\/p>\n\n<h4>1. Da Forma\u00e7\u00e3o da Neblina<\/h4>\nToda vez que vapor d&#8217;\u00e1gua \u00e9 submetido a resfriamento, ele tende a se condensar, formando uma n\u00e9voa parecida com uma nuvem, que quando fica perto da superf\u00edcie \u00e9 chamada de <strong>neblina<\/strong>. A incid\u00eancia de neblina depende da topografia da regi\u00e3o (vales e montanhas) e da dist\u00e2ncia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s fontes de umidade (rios, lagos e oceanos).\n\nSendo assim, comumente ocorre o aparecimento de nevoeiro noturno em regi\u00f5es onde h\u00e1 rios, visto que durante a noite a umidade resultante da evapora\u00e7\u00e3o do rio se resfria, surgindo a n\u00e9voa. Frentes frias tamb\u00e9m produzem <strong>neblina<\/strong>, pois quando da chegada de um vento glacial vindo das regi\u00f5es polares, ele faz com que o vapor das \u00e1guas costeiras mais quentes se condense.\n\nUma terceira situa\u00e7\u00e3o em que se forma <strong>neblina<\/strong> se d\u00e1 pelo auto-resfriamento do ar. O vento que sopra nas encostas de montanhas perto do mar vem carregado de umidade e ao subir a serra se resfria, visto que quanto maior a altitude menor a temperatura, e se condensa.\n\n<strong>As situa\u00e7\u00f5es de forma\u00e7\u00e3o de neblina s\u00e3o representadas na Figura 1.1 a seguir:<\/strong>\n<h4>Onde se produz a n\u00e9voa<\/h4>\n<strong>Locais \u00famidos s\u00e3o mais favor\u00e1veis \u00e0 condensa\u00e7\u00e3o<\/strong>\n<p class=\"imagem\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Neblina\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/neblin31.jpg\" alt=\"Neblina\" width=\"244\" height=\"206\" \/>\nNos vales, cerra\u00e7\u00e3o vem a noite<\/strong><\/p>\n<p class=\"imagem\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Neblina\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/neblin32.jpg\" alt=\"Neblina\" width=\"247\" height=\"209\" \/>\nVapor do mar esfria na serra<\/strong><\/p>\n<p class=\"imagem\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Neblina\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/neblin33.jpg\" alt=\"Neblina\" width=\"242\" height=\"210\" \/>\nFrente fria condensa vento costeiro\nFigura 1.1 &#8211; Situa\u00e7\u00f5es de forma\u00e7\u00e3o da neblina (fonte: revista Superinteressante)(1)<\/strong><\/p>\nSegundo o Meteorologista J. Campbell(2), quando o sol se p\u00f5e, o calor retido no solo come\u00e7a a se propagar para a atmosfera e o ar frio procura os pontos mais baixos. O verdadeiro perigo vem com a nascer do sol quando o ar se aquece novamente misturando-se com ar frio da noite anterior e condensando em got\u00edculas de nevoeiro. A polui\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o, por sua vez, intensifica a incid\u00eancia de <strong>neblina<\/strong>.\n<h4>2. Dos Acidentes de Tr\u00e2nsito de Engavetamento<\/h4>\nConsiderado a mais letal de todas as modalidades de acidentes de tr\u00e2nsito, o engavetamento (pile up), evento constitu\u00eddo de sucessivas colis\u00f5es traseiras, foi respons\u00e1vel por aproximadamente 1.500 v\u00edtimas fatais nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas nos E.U.A., a partir da ocorr\u00eancia de cerca de 400 grandes engavetamentos.\n\nNaquele pa\u00eds os engavetamentos s\u00e3o respons\u00e1veis por quase 100 mortes ao ano(3).\n\nAos eventos de engavetamento est\u00e3o comumente associados a incid\u00eancia de <strong>neblina<\/strong>, concomitantemente a excessos de velocidade por parte de condutores, bem como a participa\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos de grande porte, do tipo caminh\u00f5es e \u00f4nibus, no desencadeamento destes eventos, e, ainda a deflagra\u00e7\u00e3o de inc\u00eandios em ve\u00edculos, alcan\u00e7ando, frequentemente, um elevado \u00edndice de fatalidades.\n\nFoi o que ocorreu em 5 de julho de 2002, quando, \u00e0s 5h25min, entre o km 82 e o km 89 da Rodovia Castelo Branco, em Sorocaba\/SP, a 92 km de S\u00e3o Paulo, um engavetamento envolveu 27 ve\u00edculos (13 caminh\u00f5es, 4 carretas e 10 autom\u00f3veis), resultando em 12 v\u00edtimas fatais (11 no local, sendo 6 Policiais Militares de Bauru), 13 gravemente feridas e pelo menos 12 com ferimentos leves, neste que foi o mais grave dos acidentes de tr\u00e2nsito da hist\u00f3ria desta importante rodovia, ilustrado na Figura 2.1 a seguir.\n<p class=\"imagem\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Neblina\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/neblin34.jpg\" alt=\"Neblina\" width=\"348\" height=\"235\" \/>\nFigura 2.1 &#8211; Engavetamento na Rodovia Castelo Branco &#8211; SP <\/strong><\/p>\nSegundo a Pol\u00edcia Rodovi\u00e1ria Estadual de S\u00e3o Paulo, a incid\u00eancia de <strong>neblina<\/strong> teia sido a principal causadora desta trag\u00e9dia, tendo a primeira colis\u00e3o traseira ocorrido no km 82, seguida de outra no km 89, ambas na pista de sentido Capital-Interior, resultando na deflagra\u00e7\u00e3o de inc\u00eandios, conforme ilustrado nas Figuras 2.2 e 2.3 a seguir.\n\nA fuma\u00e7a negra do inc\u00eandio associada \u00e0 neblina teriam causado, ainda, o engavetamento de diversos ve\u00edculos na pista de sentido Interior-Capital. O acidente resultou na interdi\u00e7\u00e3o das duas pistas, no que se descreveu, por ocasi\u00e3o do acidente, como um verdadeiro cen\u00e1rio de guerra.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Neblina\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/neblin35.jpg\" alt=\"Neblina\" width=\"523\" height=\"154\" \/>\n<strong>Figuras 2.2 e 2.3 &#8211; Engavetamento na Castelo Branco, em Sorocaba\/SP <\/strong><\/p>\n\n<h4>3. Dos Fatores Causais Associados aos Eventos de Engavetamento<\/h4>\nCom rela\u00e7\u00e3o ao fen\u00f4meno clim\u00e1tico de incid\u00eancia de <strong>neblina<\/strong>, inexistem estat\u00edsticas confi\u00e1veis para a avalia\u00e7\u00e3o da sua real participa\u00e7\u00e3o nos acidentes de tr\u00e2nsito, assim como acontece em rela\u00e7\u00e3o aos demais fatores ambientais, devido \u00e0 aus\u00eancia de dados precisos sobre mobilidade nestas condi\u00e7\u00f5es, n\u00e3o podendo se estabelecer n\u00fameros relativos sobre v\u00edtimas\/viajantes-km(5).\n\nNo entanto, \u00e9 not\u00f3ria a sua rela\u00e7\u00e3o com os engavetamentos, tendo em vista a redu\u00e7\u00e3o de visibilidade produzida pela mesma, variando de acordo com a ilumina\u00e7\u00e3o ambiental e a intensidade da <strong>neblina<\/strong>, conforme representado na tabela a seguir\n<h4><strong>Dist\u00e2ncias de visibilidade diurna e noturna x intensidade da neblina <\/strong><\/h4>\n<table border=\"0\" width=\"80%\" cellspacing=\"1\" cellpadding=\"0\" bgcolor=\"#000000\">\n<tbody>\n<tr bgcolor=\"#FFFFCC\">\n<td colspan=\"2\" align=\"center\"><b>DIST\u00c2NCIA DE VISIBILIDADE COM NEBLINA DIURNA<\/b><\/td>\n<td colspan=\"2\" align=\"center\"><b>DIST\u00c2NCIA DE VISIBILIDADE COM NEBLINA NOTURNA<\/b><\/td>\n<\/tr>\n<tr bgcolor=\"#FFFFFF\">\n<td align=\"center\"><strong>Neblina leve<\/strong><\/td>\n<td align=\"center\">500 a 1000 m<\/td>\n<td align=\"center\"><strong>Neblina leve<\/strong><\/td>\n<td align=\"center\">50 a 100 m<\/td>\n<\/tr>\n<tr bgcolor=\"#FFFFFF\">\n<td align=\"center\"><strong>Neblina moderada<\/strong><\/td>\n<td align=\"center\">200 a 500 m<\/td>\n<td align=\"center\"><strong>Neblina moderada<\/strong><\/td>\n<td align=\"center\">20 a 50 m<\/td>\n<\/tr>\n<tr bgcolor=\"#FFFFFF\">\n<td align=\"center\"><strong>Neblina moderada a intensa<\/strong><\/td>\n<td align=\"center\">50 a 200 m<\/td>\n<td align=\"center\"><strong>Neblina moderada a intensa<\/strong><\/td>\n<td align=\"center\">5 a 20 m<\/td>\n<\/tr>\n<tr bgcolor=\"#FFFFFF\">\n<td align=\"center\"><strong>Neblina intensa<\/strong><\/td>\n<td align=\"center\">0 a 50 m<\/td>\n<td align=\"center\"><strong>Neblina intensa<\/strong><\/td>\n<td align=\"center\">0 a 5 m<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\nO que faz da <strong>neblina<\/strong> um dos elementos atmosf\u00e9ricos que torna extremamente arriscada a opera\u00e7\u00e3o de transporte a\u00e9reo, mar\u00edtimo e terrestre, especialmente nas rodovias(7), exigindo uma especial aten\u00e7\u00e3o a este fator vi\u00e1rio-ambiental na an\u00e1lise e reconstru\u00e7\u00e3o de acidentes de tr\u00e2nsito, principalmente de engavetamento.\n\nOcorre que a incid\u00eancia de nevoeiros naturais e tamb\u00e9m a de nevoeiros artificiais, constituem-se em uma restri\u00e7\u00e3o de visibilidade ambiental de dif\u00edcil avalia\u00e7\u00e3o, pelo fato desta condi\u00e7\u00e3o poder ser alterada rapidamente, podendo n\u00e3o mais se fazer presente no momento da chegada do Perito ao local do evento.\n\nSegundo Baker(8), a obten\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es sobre as condi\u00e7\u00f5es da via de tr\u00e1fego visando a elabora\u00e7\u00e3o de um informe de acidente de tr\u00e2nsito n\u00e3o requer uma habilidade especial. Todavia, a constata\u00e7\u00e3o de condi\u00e7\u00f5es pouco correntes que podem ter concorrido para um acidente em particular, como no caso da incid\u00eancia de <strong>neblina<\/strong>, constitui-se em outra quest\u00e3o bastante distinta.\n\nQuanto \u00e0s caracter\u00edsticas da via, o desencadeamento de engavetamentos de grandes propor\u00e7\u00f5es associados \u00e0 incid\u00eancia de <strong>neblina<\/strong> tende a ocorrer em vias de tr\u00e1fego de pista dupla, enquanto que naquelas de pista simples com tr\u00e1fego bi-direcional predominam as colis\u00f5es frontais e semi-frontais.\n\nDeve ser considerada, ainda, a incid\u00eancia de nevoeiros artificiais nas vias de tr\u00e1fego produzidas pela primitiva pr\u00e1tica de preparo do campo para o plantio por queimada e pelo n\u00e3o menos primitivo h\u00e1bito de fumar, al\u00e9m de outras formas de deflagra\u00e7\u00e3o de inc\u00eandios intencionais ou n\u00e3o, podendo ainda a fuma\u00e7a ser decorrente de inc\u00eandios deflagrados a partir de colis\u00f5es entre ve\u00edculos, desencadeados por ocasi\u00e3o dos engavetamentos.\n\nNo que tange \u00e0 deflagra\u00e7\u00e3o de inc\u00eandio a partir da colis\u00e3o entre ve\u00edculos, por sua vez, a mesma tem como causa mais frequente o vazamento de combust\u00edvel, comumente ocorrido a partir da ruptura mec\u00e2nica por cisalhamento ou flex\u00e3o de dutos ou de mangueiras, os quais se constituem em l\u00edquidos inflam\u00e1veis mais vol\u00e1teis (gasolina e \u00e1lcool) ou menos vol\u00e1teis (\u00f3leo diesel), ocorridas principalmente em intera\u00e7\u00f5es entre ve\u00edculos de diferentes portes (por exemplo: caminh\u00f5es x autom\u00f3veis e \u00f4nibus x autom\u00f3veis), devido ao efeito de cunha produzido, e tamb\u00e9m em eventos de tombamentos e capotamentos.\n\nO vazamento de combust\u00edvel, na presen\u00e7a de uma fonte de igni\u00e7\u00e3o, a qual pode ser produzida por fen\u00f4meno el\u00e9trico de curto-circuito, devido \u00e0 ruptura do revestimento de condutores el\u00e9tricos energizados, a partir de um acidente de tr\u00e2nsito, e o contato com superf\u00edcies quentes dos ve\u00edculos, dada a baixa temperatura de igni\u00e7\u00e3o destes combust\u00edveis (auto-inflama\u00e7\u00e3o sem fonte de igni\u00e7\u00e3o), bem como a gera\u00e7\u00e3o de fa\u00edscas mec\u00e2nicas por atritamento de partes met\u00e1licas do ve\u00edculo com o pavimento, que atingem em torno de 800 oC para fa\u00edscas amarelas (baixa velocidade) e em torno de 1.200 oC para fa\u00edscas brancas (alta velocidade)(9), podem deflagrar o inc\u00eandio, o qual pode ocorrer, ainda, em caso de colis\u00e3o, pelo vazamento de hidrog\u00eanio associado a curto-circuito na bateria de acumuladores.\n\nJ\u00e1 com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 participa\u00e7\u00e3o de caminh\u00f5es e \u00f4nibus no desencadeamento deste tipo de evento, o mesmo se deve fundamentalmente \u00e0 menor efici\u00eancia de frenagem destes ve\u00edculos em rela\u00e7\u00e3o aos autom\u00f3veis, estimada, segundo Reed e Keskin(10), em cerca de 70%. Isto significa que a partir de uma manobra evasiva de acionamento do sistema de freio, estes ve\u00edculos necessitam de uma maior dist\u00e2ncia de parada, o que pode resultar em uma situa\u00e7\u00e3o de inevitabilidade de uma colis\u00e3o traseira com um ve\u00edculo que trafegue a sua frente, dando in\u00edcio a um engavetamento.\n\nEsta situa\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda agravada pelo fato dos condutores destes ve\u00edculos de grande porte estarem acomodados em posi\u00e7\u00f5es mais elevadas em rela\u00e7\u00e3o aos autom\u00f3veis, o que minimiza a incid\u00eancia dos reflexos da luminosidade emitidos pelos seus far\u00f3is, refletida pela <strong>neblina<\/strong> e que retorna aos olhos dos motoristas em forma de claridade, podendo resultar em uma maior velocidade de tr\u00e1fego destes ve\u00edculos nas mesmas condi\u00e7\u00f5es de neblina que os autom\u00f3veis(11).\n\nNo caso espec\u00edfico de ve\u00edculos rodovi\u00e1rios de carga-reboque ou carga-semi-reboque, uma manobra evasiva de acionamento brusco do sistema de freio e\/ou de ester\u00e7amento do volante de dire\u00e7\u00e3o, produzidas na imin\u00eancia de uma colis\u00e3o com um ve\u00edculo que trafegue a sua frente, podem resultar ainda no indesej\u00e1vel fen\u00f4meno de desvio em L e no tombamento do ve\u00edculo, aumentando o risco de engavetamento.\n\nQuanto aos fatores que contribuem para o elevado \u00edndice de fatalidades em acidentes de tr\u00e2nsito por engavetamento, deve se considerar o fato deles ocorrerem em auto-estradas, onde se praticam altas velocidades, e tamb\u00e9m pelas colis\u00f5es envolverem ve\u00edculos de grande porte com de menor porte, que ainda podem resultar em inc\u00eandios. Com rela\u00e7\u00e3o aos aspectos de seguran\u00e7a veicular passiva, sabe-se que o cinto de seguran\u00e7a, em alta velocidade, n\u00e3o mais mant\u00e9m a sua efic\u00e1cia em evitar mortes, bem como que os ve\u00edculos s\u00e3o submetidos a diversas colis\u00f5es, principalmente as laterais, de maior gravidade, sendo a seguran\u00e7a passiva dos ve\u00edculos projetada apenas para uma colis\u00e3o(2).\n\nPor \u00faltimo, no que tange aos excessos de velocidade praticados em situa\u00e7\u00e3o de <strong>neblina<\/strong> em eventos de engavetamento, acreditava-se que o mesmo se devesse unicamente a um comportamento inadequado por parte dos condutores, no que diz respeito \u00e0 velocidade imprimida pelos mesmos e \u00e0s dist\u00e2ncias de marcha com rela\u00e7\u00e3o aos ve\u00edculos que trafegassem a sua frente. No entanto, um estudo cient\u00edfico realizado recentemente na Inglaterra, pa\u00eds conhecido por sua grande incid\u00eancia de neblina, revelou resultados surpreendentes com rela\u00e7\u00e3o ao efeito da neblina na percep\u00e7\u00e3o da velocidade por parte dos condutores, o que vem a modificar significativamente o enfoque da participa\u00e7\u00e3o humana no desencadeamento de acidentes de tr\u00e2nsito de engavetamento.\n<h4>4. Do Efeito da Neblina no Sistema Perceptual Humano<\/h4>\nEm um artigo denominado Speed Perception Fogs up as Visibility Drops(12), publicado na Revista NATURE, Snowden, Stimpson e Ruddle, pesquisadores da Universidade de Wales, em Cardiff, na Inglaterra, constataram que apesar dos condutores terem consci\u00eancia que deveriam trafegar em menor velocidade em situa\u00e7\u00e3o de <strong>neblina<\/strong> devido \u00e0 consequente redu\u00e7\u00e3o da visibilidade, eles trafegavam demasiado r\u00e1pido. Isto se deve ao fato de que eles pensam estar trafegando a uma velocidade menor do que a velocidade que eles realmente est\u00e3o trafegando, quando em situa\u00e7\u00e3o de neblina, aumentando sua velocidade.\n\nSegundo Snowden, a <strong>neblina<\/strong> muda a percep\u00e7\u00e3o da velocidade e esta mudan\u00e7a do contraste proporcionada pela incid\u00eancia de neblina \u00e9 interpretada pelo c\u00e9rebro como mudan\u00e7a de velocidade. De fato, Thompson(13) j\u00e1 havia constatado para um teste padr\u00e3o que a percep\u00e7\u00e3o da velocidade depende do plano de contraste.\n\nEm experimentos realizados em um ambiente virtual com um simulador de dire\u00e7\u00e3o, conforme ilustrado na figura 4.1 a seguir, Snowden demonstrou que com o aumento da <strong>neblina<\/strong> e a consequente redu\u00e7\u00e3o do contraste da imagem visualizada pelos condutores, a velocidade do ve\u00edculo tornava-se aparentemente mais devagar. Os participantes do experimento quando convidados a dirigirem a uma certa velocidade, dirigiam mais r\u00e1pido a medida que o cen\u00e1rio se tornava mais nebuloso.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Neblina\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/neblin36.jpg\" alt=\"Neblina\" width=\"339\" height=\"204\" \/>\n<strong>Figura 4.1 &#8211; ilustra\u00e7\u00e3o de cen\u00e1rio virtual do simulador de dire\u00e7\u00e3o utilizado nos experimentos de condu\u00e7\u00e3o em neblina<\/strong><\/p>\nPonderam os referidos pesquisadores que a verifica\u00e7\u00e3o do veloc\u00edmetro, instrumento de acurada precis\u00e3o quanto \u00e0 velocidade imprimida pelo ve\u00edculo, requer dos condutores o desvio da sua aten\u00e7\u00e3o e de seu olhar fixo da via para o respectivo mostrador. Entretanto, em condi\u00e7\u00f5es de visibilidade reduzida produzida por incid\u00eancia de <strong>neblina<\/strong>, os condutores tornam-se relutantes em desviar seus olhares fixos da via para o veloc\u00edmetro por receio de um objeto perdido emergir da neblina. Portanto, \u00e9 exatamente em condi\u00e7\u00f5es de visibilidade reduzida causada por neblina que os condutores mais dependem de sua pr\u00f3pria percep\u00e7\u00e3o para o julgamento da velocidade em que trafegam.\n\nAos participantes dos experimentos foram apresentadas duas cenas distintas, uma com o tempo limpo (clear) e outra com o tempo variando de limpo a enevoado (misty) e <strong>neblina<\/strong> (fog), simulando-se a movimenta\u00e7\u00e3o do ve\u00edculo em determinadas velocidades. Os participantes tinham a impress\u00e3o de que na cena com neblina moviam-se mais devagar. Para saber se esta mudan\u00e7a perceptual afetaria a velocidade de condu\u00e7\u00e3o em uma situa\u00e7\u00e3o mais real\u00edstica, foi utilizado um simulador provido de freio, acelerador e dire\u00e7\u00e3o para que os participantes do experimento dirigissem ao longo de uma via de tr\u00e1fego de tra\u00e7ado sinuoso. Foi ent\u00e3o estipulada uma determinada velocidade alvo para o participante, sendo simuladas aleatoriamente situa\u00e7\u00f5es de tempo limpo, enevoado e neblina. A medida que a cena tornava-se mais nebulosa, os condutores dirigiram a velocidades mais altas.\n\nEm termos quantitativos, quando solicitados a dirigir a 112 km\/h, os participantes trafegavam a aproximadamente 150 km\/h em <strong>neblina<\/strong>, 140 km\/h em enevoado e 130 km\/h em tempo limpo. Quando solicitados a dirigir a 80 km\/h, trafegaram a aproximadamente 110 km\/h em neblina, 100 km\/h em enevoado e 90 km\/h em tempo limpo. E quando solicitados a dirigir a 48 km\/h, trafegaram a aproximadamente 70 km\/h em neblina, 60 km\/h em enevoado e a 50 km\/h em tempo limpo(15).\n\nEsta surpreendente constata\u00e7\u00e3o, sugere que a &#8220;culpa&#8221; para muitos acidentes de tr\u00e2nsito de engavetamento em situa\u00e7\u00e3o de <strong>neblina<\/strong> pode n\u00e3o ser simplesmente a irresponsabilidade de condutores por trafegarem com excesso de velocidade nesta condi\u00e7\u00e3o desfavor\u00e1vel de visibilidade, mas uma preocupante singularidade de nosso sistema perceptual intr\u00ednseca ao ser humano, a de que o senso de velocidade decresce com a incid\u00eancia de neblina, demonstrando, mais uma vez, a complexidade e a limita\u00e7\u00e3o do ser humano enquanto fator causal dos acidentes de tr\u00e2nsito.\n\n<strong>5. Conclus\u00e3o<\/strong>\n\nEm uma vis\u00e3o sist\u00eamica de an\u00e1lise e reconstru\u00e7\u00e3o de acidentes de tr\u00e2nsito de engavetamento torna-se extremamente relevante uma precisa avalia\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o vi\u00e1ria no que tange \u00e0 incid\u00eancia de neblina no local e na hora do evento, devido ao seu surpreendente efeito sobre os condutores no que diz respeito a sua percep\u00e7\u00e3o de velocidade, visto que quanto maior a intensidade da <strong>neblina<\/strong>, menor o contraste e menor a percep\u00e7\u00e3o de velocidade por parte dos condutores.\n\nEsta preocupante singularidade do sistema perceptual, intr\u00ednseca ao ser humano, encontra-se diretamente relacionada com eventos deste tipo, &#8220;aliviando&#8221; de uma certa maneira boa parte da &#8220;culpa&#8221; dos condutores e exigindo a ado\u00e7\u00e3o de medidas eficazes quando da incid\u00eancia de neblina visando prevenir esta modalidade de acidentes de tr\u00e2nsito de elevadas propor\u00e7\u00f5es.\n\n<strong>Rodrigo Klein\u00fcbing<\/strong>\n\nFonte: www.estradas.com.br\/es.wikipedia.org\/\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neblina, Nevoeiro, Tipo, O que \u00e9, Tr\u00e2nsito, Forma\u00e7\u00e3o, N\u00e9voa, Cerra\u00e7\u00e3o, Origem, Classifica\u00e7\u00e3o, Como se forma, Neblina<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":6483,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-19856","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geografia-2"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - 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