{"id":19726,"date":"2015-12-08T00:00:00","date_gmt":"2015-12-08T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/agua-subterranea-3\/"},"modified":"2026-09-01T15:24:36","modified_gmt":"2026-09-01T15:24:36","slug":"agua-subterranea-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/meio-ambiente-2\/agua-subterranea-3\/","title":{"rendered":"\u00c1gua Subterr\u00e2nea"},"content":{"rendered":"\n<strong>\u00c1gua Subterr\u00e2nea &#8211; O que \u00e9<\/strong>\n\n<strong>\u00c1gua subterr\u00e2nea\u00a0<\/strong>\u00e9 aquela proveniente do subsolo, que preenche os poros e fraturas das rochas.\n\nA \u00e1gua encontra-se abaixo de quase todas as partes da superf\u00edcie da Terra &#8211; montanhas, plan\u00edcies e desertos &#8211; mas a \u00e1gua subterr\u00e2nea nem sempre \u00e9 f\u00e1cil de encontrar e, uma vez encontrada, pode n\u00e3o ser facilmente acess\u00edvel.\n\nAs\u00a0<strong>\u00e1guas subterr\u00e2neas<\/strong>\u00a0podem estar pr\u00f3ximas \u00e0 superf\u00edcie, como em um p\u00e2ntano, ou podem ocorrer muitas centenas de metros abaixo da superf\u00edcie, como em algumas \u00e1reas secas do oeste do pa\u00eds.\n\nDe acordo com a ci\u00eancia, h\u00e1 mais de 14 mil anos que o ser humano vem se utilizando das \u00e1guas subterr\u00e2neas para sobreviver.\n\nNo in\u00edcio tudo era muito improvisado e a sorte contava bastante para o encontro dos mananciais escondidos debaixo de toneladas de rochas. Ao longo dos mil\u00eanios, o acaso deixou de ser um aliado e o homem precisou buscar solu\u00e7\u00f5es para encontrar os leitos subterr\u00e2neos por conta pr\u00f3pria. Da\u00ed come\u00e7aram a surgir as t\u00e9cnicas de perfura\u00e7\u00f5es de po\u00e7os.\n\nAcredita-se que foram os chineses os pioneiros neste tipo de trabalho.\n\nNos primeiros anos da era Crist\u00e3, a utiliza\u00e7\u00e3o de po\u00e7os j\u00e1 era muito comum em praticamente todas as comunidades existentes no globo terrestre, seja na \u00c1sia, na \u00c1frica, na Europa ou mesmo na Am\u00e9rica dos Maias e Incas. Inclusive a pr\u00f3pria B\u00edblia registra em suas p\u00e1ginas alguns relatos de escava\u00e7\u00f5es para obten\u00e7\u00e3o de \u00e1gua pot\u00e1vel.\n\nAs\u00a0<strong>\u00e1guas subterr\u00e2neas<\/strong>\u00a0correspondem hoje a 97% de toda a \u00e1gua doce encontrada no planeta, isso se tirarmos dessa conta a \u00e1gua em estado s\u00f3lido que formam as geleiras e calotas polares.\n\nAs\u00a0<strong>reservas subterr\u00e2neas<\/strong>\u00a0geralmente s\u00e3o formadas e realimentadas pelas \u00e1guas de chuvas, neblinas, neves e geadas, que fluem lentamente pelos poros do solo rochoso.\n\nNormalmente esses reservat\u00f3rios possuem \u00e1gua de boa qualidade para o uso humano (\u00e1gua pot\u00e1vel), devido ao processo de filtragem, com sua passagem pelas rochas, e por rea\u00e7\u00f5es biol\u00f3gicas e qu\u00edmicas naturais.\n\nPor n\u00e3o ficarem na superf\u00edcie, est\u00e3o mais protegidas de diversos agentes poluentes do que as \u00e1guas de rios e lagos.\n\nOs\u00a0<strong>aqu\u00edferos subterr\u00e2neos<\/strong>, ao longo dos s\u00e9culos, assumiram as mais variadas formas. H\u00e1 reservat\u00f3rios com centenas de metros de espessura, outros com quil\u00f4metros de extens\u00e3o, os que possuem pouca ou centenas de metros de profundidade e at\u00e9 mesmo alguns que ficam entre camadas de rochas pouco perme\u00e1veis, conhecidos como aqu\u00edferos confinados.\n\nA utiliza\u00e7\u00e3o das \u00e1guas subterr\u00e2neas para abastecimento p\u00fablico \u00e9 muito mais pr\u00e1tica, r\u00e1pida e barata do que o uso de \u00e1guas superficiais.\n\nModernas tecnologias e equipamentos ajudam os t\u00e9cnicos a encontrar os reservat\u00f3rios naturais com mais facilidade. Nos dias de hoje, os novos po\u00e7os conseguem retirar \u00e1gua de qualquer profundidade.\n\n<strong>Voc\u00ea sabia que\u2026<\/strong>\n\n<strong>97% da \u00e1gua doce dispon\u00edvel no planeta \u00e9 subterr\u00e2nea?<\/strong>\n\nO\u00a0<strong>Aqu\u00edfero Guarani<\/strong>\u00a0(tamb\u00e9m conhecido como Botucatu), o maior do mundo, possui \u00e1gua suficiente para abastecer a popula\u00e7\u00e3o mundial por mais de 300 anos.\n\nO Brasil possui uma reserva subterr\u00e2nea com mais de 111.000 km\u00b3 de \u00e1gua.\n\nO litro de \u00e1gua retirada de um po\u00e7o custa 15 vezes menos do que o litro de \u00e1gua retirada de fontes superficiais, como os rios, por exemplo.\n\nO abastecimento em alguns pa\u00edses, como Ar\u00e1bia Saudita, Malta e Dinamarca, \u00e9 totalmente feito com \u00e1guas subterr\u00e2neas.\n\nNo Estado de S\u00e3o Paulo, cerca de 65% das cidades s\u00e3o abastecidas com \u00e1guas subterr\u00e2neas.\n\n<strong>Aqu\u00edfero\u00a0<\/strong>significa reserva de\u00a0<strong>\u00e1gua subterr\u00e2nea<\/strong>. \u00c9 formado quando a \u00e1gua da chuva se infiltra no solo e percola nos espa\u00e7os entre as rochas, escorrendo muito devagar em dire\u00e7\u00e3o ao fundo da Terra.\n\nA medida que vai penetrando no solo a \u00e1gua vai sendo filtrada, perde turbidez, cor e fica cada vez mais limpa; pode levar d\u00e9cadas para caminhar algumas centenas de metros; ao encontrar rochas imperme\u00e1veis compactas a \u00e1gua forma o len\u00e7ol fre\u00e1tico.\n\nOs primeiros vest\u00edgios da utiliza\u00e7\u00e3o das \u00e1guas subterr\u00e2neas s\u00e3o de 12.000 anos antes de Cristo. Acredita-se que os chineses foram os primeiros a dominar a t\u00e9cnica de perfurar po\u00e7os, e na B\u00edblia existem relatos de escava\u00e7\u00f5es para obten\u00e7\u00e3o de \u00e1gua pot\u00e1vel.\n\nDesde os prim\u00f3rdios da hist\u00f3ria das civiliza\u00e7\u00f5es as \u00e1guas subterr\u00e2neas s\u00e3o utilizadas pelo homem, atrav\u00e9s de po\u00e7os rasos escavados. Foi atribu\u00eddo aos chineses o in\u00edcio da atividade de perfura\u00e7\u00e3o. Em 5.000 antes de Cristo, eles j\u00e1 perfuravam po\u00e7os com centenas de metros de profundidade.\n\nO termo \u201cpo\u00e7o artesiano\u201d data do s\u00e9culo XII, ano de 1.126, quando foi perfurado na cidade de Artois, Fran\u00e7a, o primeiro po\u00e7o desse tipo. Quando a pr\u00f3pria press\u00e3o natural da \u00e1gua \u00e9 capaz de lev\u00e1-la at\u00e9 a superf\u00edcie, temos um po\u00e7o artesiano. Quando a \u00e1gua n\u00e3o jorra, sendo necess\u00e1rio a instala\u00e7\u00e3o de aparelhos para a capta\u00e7\u00e3o da mesma, tem-se um po\u00e7o semi-artesiano. Os po\u00e7os artesiano e semi-artesiano s\u00e3o tubulares e profundos.\n\nExiste tamb\u00e9m o po\u00e7o caipira, que obt\u00e9m \u00e1gua dos len\u00e7\u00f3is fre\u00e1ticos \u2013 rios subterr\u00e2neos originados em profundidades pequenas. Devido ao fato de serem rasos, os po\u00e7os caipiras est\u00e3o mais sujeitos a contamina\u00e7\u00f5es por \u00e1gua de chuva e at\u00e9 mesmo por infiltra\u00e7\u00f5es de esgoto.\n\nNos \u00faltimos 25 anos foram perfurados por volta de 12 milh\u00f5es de po\u00e7os no mundo. No Brasil, observou-se nas \u00faltimas d\u00e9cadas um aumento da utiliza\u00e7\u00e3o da \u00e1gua subterr\u00e2nea para o abastecimento p\u00fablico.\n\nConv\u00e9m destacar que grande parte das cidades brasileiras com popula\u00e7\u00e3o inferior a 5.000 habitantes, com exce\u00e7\u00e3o do semi-\u00e1rido nordestino e das regi\u00f5es formadas por rochas cristalinas, t\u00eam capacidade de ser atendidas pelas reservas subterr\u00e2neas.\n\nTanto em n\u00edvel mundial como nacional, o aumento crescente da utiliza\u00e7\u00e3o das reservas h\u00eddricas subterr\u00e2neas se deve ao fato que, geralmente, elas apresentam excelente qualidade e um custo menor, afinal dispensam obras caras de capta\u00e7\u00e3o, adu\u00e7\u00e3o e tratamento.\n\n<strong>\u00c1gua Subterr\u00e2nea &#8211; \u00c1gua doce<\/strong>\n\nAs\u00a0<strong>\u00e1guas subterr\u00e2neas\u00a0<\/strong>correspondem a 97% de toda a \u00e1gua doce encontrada no planeta (excetuando-se as geleiras e calotas polares).\n\nAs reservas subterr\u00e2neas geralmente s\u00e3o formadas e realimentadas pelas \u00e1guas de chuvas, neblinas, neves e geadas, que fluem lentamente pelos poros das rochas.\n\nNormalmente esses reservat\u00f3rios possuem \u00e1gua de boa qualidade para o uso humano (\u00e1gua pot\u00e1vel), devido ao processo de filtragem pelas rochas e por rea\u00e7\u00f5es biol\u00f3gicas e qu\u00edmicas naturais.\n\nPor n\u00e3o ficarem na superf\u00edcie, ficam mais protegidas de diversos agentes poluentes do que as \u00e1guas de rios e lagos.\n\n<strong>A forma\u00e7\u00e3o desses aqu\u00edferos subterr\u00e2neos pode ocorrer de formas variadas:<\/strong>\u00a0com centenas de metros de espessura, quil\u00f4metros de extens\u00e3o, poucos ou centenas de metros de profundidade e at\u00e9 mesmo entre camadas de rochas pouco perme\u00e1veis \u2013 os aqu\u00edferos confinados.\n\nA utiliza\u00e7\u00e3o das \u00e1guas subterr\u00e2neas para abastecimento p\u00fablico \u00e9 muito mais pr\u00e1tica, r\u00e1pida e barata que o uso de \u00e1guas superficiais.\n\nModernas tecnologias e equipamentos ajudam os t\u00e9cnicos a encontrar os reservat\u00f3rios naturais com mais facilidade, e os po\u00e7os podem retirar \u00e1gua de qualquer profundidade.\n\nUm quinto de toda \u00e1gua doce existente no planeta Terra encontra-se no Brasil. O Brasil possui uma reserva subterr\u00e2nea com mais de 111 trilh\u00f5es de metros c\u00fabicos de \u00e1gua.\n\nApenas um dos reservat\u00f3rios subterr\u00e2neos encontrados na regi\u00e3o Nordeste do pa\u00eds possui um volume de 18 trilh\u00f5es de metros c\u00fabicos de \u00e1gua para o abastecimento humano.\n\nIsso \u00e9 suficiente para abastecer a popula\u00e7\u00e3o brasileira atual por, no m\u00ednimo, 60 anos.\n\nA cidade de Ribeir\u00e3o Preto, localizada no interior do Estado de S\u00e3o Paulo, \u00e9 totalmente abastecida por reservas subterr\u00e2neas. Considerando apenas a regi\u00e3o metropolitana de S\u00e3o Paulo, por volta de 3 milh\u00f5es de habitantes recebem \u00e1gua proveniente de po\u00e7os profundos.\n\nDe acordo com dados da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria), sob oito estados brasileiros e tr\u00eas pa\u00edses vizinhos \u2013 Uruguai, Paraguai e Argentina \u2013 encontra-se a maior reserva de \u00e1gua pura do planeta. Atualmente denominado \u201cGuarani\u201d, este aqu\u00edfero encontra-se a uma dist\u00e2ncia de at\u00e9 200 metros da superf\u00edcie, na regi\u00e3o de Araraquara e Ribeir\u00e3o Preto, localizada no interior do Estado de S\u00e3o Paulo.\n\nO Estado de S\u00e3o Paulo \u00e9 atualmente o maior usu\u00e1rio das reservas subterr\u00e2neas do pa\u00eds. Cerca de 65% da zona urbana e aproximadamente 90% das suas ind\u00fastrias s\u00e3o abastecidas, de forma parcial ou total, pelos po\u00e7os.\n\nEm S\u00e3o Paulo a licen\u00e7a para perfura\u00e7\u00e3o e utiliza\u00e7\u00e3o de po\u00e7o \u00e9 concedida pelo Departamento de \u00c1guas e Energia El\u00e9trica \u2013 DAEE, que estabelece as normas que regem o projeto de constru\u00e7\u00e3o de po\u00e7os tubulares profundos e controlam sua utiliza\u00e7\u00e3o.\n\nA Sabesp \u00e9 respons\u00e1vel pelo tratamento da \u00e1gua de po\u00e7os principalmente no Interior do Estado de S\u00e3o Paulo.\n\nA \u00e1gua \u00e9 tratada e controlada rigorosamente para atender as condi\u00e7\u00f5es de potabilidade exigidas pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade.\n\nA Empresa n\u00e3o recomenda a utiliza\u00e7\u00e3o de fontes alternativas pelos riscos que o produto pode implicar \u00e0 sa\u00fade caso n\u00e3o exista tratamento e controle adequados.\n\n<strong>COMO OCORRE A \u00c1GUA SUBTERR\u00c2NEA<\/strong>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-160050 \" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Agua-S12.jpg\" alt=\"\" width=\"489\" height=\"269\" \/><strong>\u00c1gua Subterr\u00e2nea<\/strong><\/p>\nA\u00a0<strong>\u00e1gua subterr\u00e2nea<\/strong>\u00a0n\u00e3o est\u00e1 em lagos subterr\u00e2neos, nem \u00e9 a \u00e1gua que flui em rios subterr\u00e2neos. \u00c9 simplesmente \u00e1gua que preenche os poros ou rachaduras nas rochas subterr\u00e2neas.\n\nQuando a chuva cai ou a neve derrete na superf\u00edcie do solo, parte da \u00e1gua pode escorrer para \u00e1reas mais baixas ou lagos e riachos. O que resta pode ser absorvido pelo solo, infiltrar-se em camadas mais profundas de solo e rocha, ou evaporar na atmosfera.\n\nAbaixo do solo superficial &#8211; a rica camada superior do solo em que as plantas t\u00eam a maior parte de suas ra\u00edzes &#8211; h\u00e1 uma \u00e1rea chamada zona insaturada. Em \u00e9pocas de chuva adequada, os pequenos espa\u00e7os entre rochas e gr\u00e3os de solo na zona n\u00e3o saturada cont\u00eam pelo menos um pouco de \u00e1gua, enquanto os espa\u00e7os maiores cont\u00eam principalmente ar. Ap\u00f3s uma grande chuva, no entanto, todos os espa\u00e7os abertos podem se encher temporariamente de \u00e1gua. Durante uma seca, a \u00e1rea pode ficar drenada e quase completamente seca, embora uma certa quantidade de \u00e1gua seja retida no solo e nas rochas por atra\u00e7\u00e3o molecular.\n\nDeitada abaixo da zona insaturada \u00e9 a zona saturada. O len\u00e7ol fre\u00e1tico \u00e9 o n\u00edvel em que a zona insaturada e a zona saturada se encontram. A \u00e1gua drena atrav\u00e9s da zona insaturada para a zona saturada.\n\nA zona saturada est\u00e1 cheia de \u00e1gua \u2013 todos os espa\u00e7os entre o solo e as rochas, e dentro das pr\u00f3prias rochas, cont\u00eam \u00e1gua. A \u00e1gua de c\u00f3rregos, lagos, p\u00e2ntanos e outros corpos d&#8217;\u00e1gua podem penetrar na zona saturada.\n\nOs c\u00f3rregos s\u00e3o comumente uma fonte significativa de recarga para as \u00e1guas subterr\u00e2neas a jusante das frentes de montanha e encostas \u00edngremes em \u00e1reas \u00e1ridas e semi\u00e1ridas, e em \u00e1reas subjacentes a calc\u00e1rio e outras rochas porosas.\n\nO len\u00e7ol fre\u00e1tico n\u00e3o \u00e9 fixo, mas pode subir ou descer, dependendo da disponibilidade h\u00eddrica. Em \u00e1reas onde o clima \u00e9 bastante consistente, o n\u00edvel do len\u00e7ol fre\u00e1tico pode variar pouco; em \u00e1reas sujeitas a inunda\u00e7\u00f5es e secas extremas, pode aumentar e diminuir substancialmente.\n\n<strong>Fluxo de \u00e1guas subterr\u00e2neas<\/strong>\n\nA \u00e1gua est\u00e1 sempre em movimento. A \u00e1gua subterr\u00e2nea geralmente se move das \u00e1reas de recarga, onde a \u00e1gua entra no solo, para as \u00e1reas de descarga, onde sai do solo em um p\u00e2ntano, rio, lago ou oceano.\n\nA transpira\u00e7\u00e3o das plantas cujas ra\u00edzes se estendem at\u00e9 um ponto pr\u00f3ximo ao len\u00e7ol fre\u00e1tico \u00e9 outra forma de descarga.\n\nO caminho do movimento das \u00e1guas subterr\u00e2neas pode ser curto e simples ou incrivelmente complexo, dependendo da geologia da \u00e1rea por onde a \u00e1gua passa.\n\nA complexidade do caminho tamb\u00e9m determina o tempo que uma mol\u00e9cula de \u00e1gua permanece no solo entre os pontos de recarga e descarga.\n\nAs velocidades do fluxo das \u00e1guas subterr\u00e2neas geralmente s\u00e3o baixas e s\u00e3o ordens de magnitude menores do que as velocidades do fluxo do c\u00f3rrego.\n\nO movimento das \u00e1guas subterr\u00e2neas normalmente ocorre como infiltra\u00e7\u00e3o lenta atrav\u00e9s dos espa\u00e7os entre part\u00edculas de material n\u00e3o consolidado ou atrav\u00e9s de redes de fraturas e aberturas em rochas consolidadas.\n\nUma velocidade de um p\u00e9 por dia ou mais \u00e9 uma alta taxa de movimento nas \u00e1guas subterr\u00e2neas. As velocidades das \u00e1guas subterr\u00e2neas podem ser t\u00e3o baixas quanto um p\u00e9 por d\u00e9cada ou um p\u00e9 por s\u00e9culo.\n\nPor outro lado, os fluxos de corrente s\u00e3o geralmente medidos em p\u00e9s por segundo. Uma velocidade de um p\u00e9 por segundo \u00e9 cerca de dezesseis milhas por dia.\n\nAs baixas velocidades do fluxo das \u00e1guas subterr\u00e2neas podem ter implica\u00e7\u00f5es importantes, principalmente em rela\u00e7\u00e3o ao movimento de contaminantes.\n\nA idade da \u00e1gua (tempo desde a recarga) varia em diferentes partes dos sistemas de fluxo de \u00e1guas subterr\u00e2neas.\n\nA\u00a0<strong>\u00e1gua subterr\u00e2nea<\/strong>\u00a0fica cada vez mais velha ao longo de um caminho de fluxo espec\u00edfico de uma \u00e1rea de recarga para uma \u00e1rea de descarga. Em sistemas de fluxo raso em escala local, a idade das \u00e1guas subterr\u00e2neas nas \u00e1reas de descarga pode variar de menos de um dia a algumas centenas de anos. Em sistemas de fluxo regionais profundos com longos caminhos de fluxo, a idade das \u00e1guas subterr\u00e2neas pode atingir milhares ou dezenas de milhares de anos.\n\n<strong>Aqu\u00edfero &#8211; O que \u00e9<\/strong>\n\nUm\u00a0<strong>aqu\u00edfero<\/strong>\u00a0\u00e9 uma zona saturada que cont\u00e9m \u00e1gua suficiente para produzir quantidades significativas de \u00e1gua quando um po\u00e7o \u00e9 cavado.\n\nA zona \u00e9 na verdade um caminho de material poroso ou perme\u00e1vel atrav\u00e9s do qual quantidades substanciais de \u00e1gua fluem com relativa facilidade. A palavra aq\u00fc\u00edfero vem do latim aqua (\u00e1gua) e ferre (carregar ou carregar). Um aqu\u00edfero pode ser uma camada de cascalho ou areia, uma camada de arenito ou calc\u00e1rio cavernoso, uma zona de escombros entre fluxos de lava ou at\u00e9 mesmo um grande corpo de rocha maci\u00e7a, como granito fraturado. Um aqu\u00edfero pode estar acima, abaixo ou entre leitos confinantes que s\u00e3o camadas de material duro e n\u00e3o poroso (por exemplo, argila ou granito s\u00f3lido).\n\n<strong>Existem dois tipos de aqu\u00edferos:<\/strong>\u00a0n\u00e3o confinados e confinados (artesianos). Em um aqu\u00edfero n\u00e3o confinado ou de len\u00e7ol fre\u00e1tico, a precipita\u00e7\u00e3o \u00e9 filtrada da superf\u00edcie da terra at\u00e9 atingir uma camada imperme\u00e1vel de rocha ou argila. A \u00e1gua ent\u00e3o se acumula e forma uma zona de satura\u00e7\u00e3o.\n\nComo a \u00e1gua de escoamento pode facilmente se infiltrar no len\u00e7ol fre\u00e1tico, um aqu\u00edfero n\u00e3o confinado \u00e9 suscet\u00edvel \u00e0 contamina\u00e7\u00e3o.\n\nEm um aqu\u00edfero confinado, os leitos confinantes agem mais ou menos como limites subterr\u00e2neos, desencorajando a entrada ou sa\u00edda da \u00e1gua do aqu\u00edfero, de modo que a \u00e1gua \u00e9 for\u00e7ada a continuar seu movimento lento at\u00e9 o ponto de descarga. A \u00e1gua da precipita\u00e7\u00e3o entra no aqu\u00edfero atrav\u00e9s de uma \u00e1rea de recarga, onde o solo deixa a \u00e1gua percolar at\u00e9 o n\u00edvel do aqu\u00edfero. A capacidade de recarga de um aqu\u00edfero depende de v\u00e1rios fatores, como a facilidade com que a \u00e1gua \u00e9 capaz de descer pelas forma\u00e7\u00f5es geol\u00f3gicas (permeabilidade) e o tamanho dos espa\u00e7os entre as part\u00edculas rochosas (porosidade). A Figura 4.3 ilustra a recarga natural e artificial do aqu\u00edfero.\n\nNormalmente, a permeabilidade e a porosidade das rochas diminuem \u00e0 medida que sua profundidade abaixo da superf\u00edcie aumenta.\n\nA quantidade de \u00e1gua que pode ser removida de um aqu\u00edfero depende do tipo de rocha. Um granito denso, por exemplo, quase n\u00e3o fornecer\u00e1 \u00e1gua a um po\u00e7o, mesmo que a \u00e1gua esteja pr\u00f3xima \u00e0 superf\u00edcie.\n\nUm arenito poroso, no entanto, milhares de p\u00e9s abaixo da superf\u00edcie pode produzir centenas de gal\u00f5es de \u00e1gua por minuto.\n\nRochas porosas que s\u00e3o capazes de fornecer \u00e1gua doce foram encontradas em profundidades de mais de seis mil p\u00e9s abaixo da superf\u00edcie. \u00c1gua salina (salgada) foi descoberta em aqu\u00edferos que ficam a mais de trinta mil p\u00e9s de profundidade.\n\nOs\u00a0<strong>aqu\u00edferos<\/strong>\u00a0variam de alguns metros de espessura a dezenas ou centenas de metros de espessura. Eles podem estar localizados logo abaixo da superf\u00edcie da Terra ou milhares de metros abaixo dela.\n\nUm aqu\u00edfero pode cobrir alguns hectares de terra ou muitos milhares de quil\u00f4metros quadrados. Al\u00e9m disso, qualquer aqu\u00edfero pode fazer parte de um grande sistema de aqu\u00edferos que se alimentam uns dos outros.\n\n<strong>Aqu\u00edfero Guarani<\/strong>\n\nO\u00a0<strong>Aqu\u00edfero Guarani<\/strong>\u00a0\u00e9 a principal reserva subterr\u00e2nea de \u00e1gua doce da Am\u00e9rica do Sul e um dos maiores sistemas aqu\u00efferos do mundo, ocupando uma \u00e1rea total de 1,2 milh\u00f5es de km\u00b2 na Bacia do Paran\u00e1 e parte da Bacia do Chaco-Paran\u00e1. Estende-se pelo Brasil (840.000 Km\u00b2), Paraguai (58.500 Km\u00b2), Uruguai (58.500 Km\u00b2) e Argentina, (255.000 Km\u00b2), \u00e1rea equivalente aos territ\u00f3rios de Inglaterra, Fran\u00e7a e Espanha juntas.Sua maior ocorr\u00eancia se d\u00e1 em territ\u00f3rio brasileiro (2\/3 da \u00e1rea total) abrangendo os Estados de Goi\u00e1s, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, S\u00e3o Paulo, Paran\u00e1, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.\n\nO\u00a0<strong>Aqu\u00edfero Guarani<\/strong>, denomina\u00e7\u00e3o do ge\u00f3logo uruguaio Danilo Anton em mem\u00f3ria do povo ind\u00edgena da regi\u00e3o, tem uma \u00e1rea de recarga de 150.000 Km\u00b2 e \u00e9 constitu\u00eddo pelos sedimentos arenosos da Forma\u00e7\u00e3o Piramb\u00f3ia na Base (Forma\u00e7\u00e3o Buena Vista na Argentina e Uruguai) e arenitos Botucatu no topo (Missiones no Paraguai,Tacuaremb\u00f3 no Uruguai e na Argentina).\n\nO\u00a0<strong>Aqu\u00edfero Guarani<\/strong>\u00a0constitui-se em uma importante reserva estrat\u00e9gica para o abastecimento da popula\u00e7\u00e3o, para o desenvolvimento das atividades econ\u00f4micas e do lazer. Sua recarga natural anual (principalmente pelas chuvas) \u00e9 de 160 Km\u00b3\/ano, sendo que desta, 40 Km\u00b3\/ano constitui o potencial explot\u00e1vel sem riscos para o sistema aqu\u00edfero. As \u00e1guas em geral s\u00e3o de boa qualidade para o abastecimento p\u00fablico e outros usos, sendo que em sua por\u00e7\u00e3o confinada, os po\u00e7os tem cerca de 1.500 m de profundidade e podem produzir vaz\u00f5es superiores a 700 m\u00b3\/h.\n\nNo Estado de S\u00e3o Paulo, o Guarani \u00e9 explorado por mais de 1000 po\u00e7os e ocorre numa faixa no sentido sudoeste-nordeste. Sua \u00e1rea de recarga ocupa cerca de 17.000 Km\u00b2 onde se encontram a maior parte dos po\u00e7os.\n\nEsta \u00e1rea \u00e9 a mais vulner\u00e1vel e deve ser objeto de programas de planejamento e gest\u00e3o ambiental permanentes para se evitar a contamina\u00e7\u00e3o da \u00e1gua subterr\u00e2nea e sobrexplota\u00e7\u00e3o do aqu\u00edfero com o consequente rebaixamento do len\u00e7ol fre\u00e1tico e o impacto nos corpos d\u2019\u00e1gua superficiais.\n\n<strong>*<\/strong>\u00a0As defini\u00e7\u00f5es de aqu\u00edfero, bem como \u00e1guas subterr\u00e2neas, aqu\u00edfero confinado, len\u00e7ol fre\u00e1tico, po\u00e7o jorrante, est\u00e3o apresentados no \u00edtem Legisla\u00e7\u00e3o (Decreto 32.955 de 07\/02\/91)\n\n<strong>Degrada\u00e7\u00e3o dos aqu\u00edferos<\/strong>\n\nSitua\u00e7\u00e3o \u00e9 mais grave nos Estados Unidos, M\u00e9xico, \u00cdndia, China e Paquist\u00e3o\n\nA par da preocupa\u00e7\u00e3o com a contamina\u00e7\u00e3o e desperd\u00edcio das \u00e1guas superficiais, os l\u00edderes t\u00e9cnicos e governamentais, reunidos em Kyoto, no 3\u00ba F\u00f3rum Mundial da \u00c1gua, lan\u00e7aram um alerta sobre a grave situa\u00e7\u00e3o dos aqu\u00edferos. Embora cerca de 1,5 bilh\u00e3o de pessoas dependam, hoje, das \u00e1guas subterr\u00e2neas para abastecimento, ainda faltam pol\u00edticas de conserva\u00e7\u00e3o dos aqu\u00edferos, capazes de garantir a necess\u00e1ria recarga e controle da contamina\u00e7\u00e3o. Os casos mais graves s\u00e3o dos aqu\u00edferos dos Estados Unidos, M\u00e9xico, \u00cdndia, China e Paquist\u00e3o, mas tamb\u00e9m h\u00e1 crise em algumas partes da Europa, \u00c1frica e Oriente M\u00e9dio.\n\nO problema n\u00e3o \u00e9 amplamente reconhecido porque acontece debaixo da terra, onde ningu\u00e9m pode ver?, afirmou, em nota \u00e0 imprensa, Ismail Serageldin, chefe da Comiss\u00e3o Mundial de \u00c1gua para o S\u00e9culo 21 e vice presidente de programas especiais do Banco Mundial. \u201cNo entanto, em muitos locais, a situa\u00e7\u00e3o j\u00e1 chegou a limites cr\u00edticos e pode ser economicamente irrevers\u00edvel?.\n\nDe acordo com os n\u00fameros apresentados pelo Conselho Mundial da \u00c1gua, atualmente existem cerca de 800 mil reservat\u00f3rios e represas, grandes e pequenos, em todo o mundo, para armazenar \u00e1gua de abastecimento.\n\nAtrav\u00e9s deles, por\u00e9m, controla-se apenas um quinto do escorrimento superficial da \u00e1gua de chuva do planeta. O resto vai parar no mar, sobretudo no caso de bacias hidrogr\u00e1ficas extremamente impermeabilizadas, ao longo das quais as cidades, estradas e mesmo determinadas pr\u00e1ticas agr\u00edcolas inviabilizam a penetra\u00e7\u00e3o de parte das chuvas no solo, ou a chamada recarga dos aqu\u00edferos.\n\nPara reverter os problemas decorrentes desta falta de reposi\u00e7\u00e3o natural ? aliada \u00e0 superexplora\u00e7\u00e3o ou contamina\u00e7\u00e3o de aqu\u00edferos alguns pa\u00edses est\u00e3o reabilitando velhas pr\u00e1ticas ou adotando novas leis e medidas de emerg\u00eancia. Um dos exemplos de sucesso, citados durante o f\u00f3rum, \u00e9 o da \u00cdndia, que reformou 300 mil po\u00e7os para possibilitar a infiltra\u00e7\u00e3o da \u00e1gua de chuva atrav\u00e9s deles, a par da retirada para abastecimento de vilarejos. Al\u00e9m disso, foram constru\u00eddas diversas estruturas de pequeno e m\u00e9dio porte para captar \u00e1gua de chuva e faz\u00ea-la infiltrar no solo. No sul do pa\u00eds, pelo menos 200 mil tanques de irriga\u00e7\u00e3o, a maioria deles com mais de 100 anos, foram transformados para passar a receber \u00e1gua tanto quanto tirar. Como resultado, numa \u00e1rea de 6.500 km2, pequenas minas e nascentes secas voltaram a verter \u00e1gua.\n\nTamb\u00e9m est\u00e3o sendo reabilitadas as velhas cisternas para capta\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica de \u00e1gua de chuva, que haviam sido substitu\u00eddas nos tempos modernos por \u00e1gua encanada.\n\nNo M\u00e9xico, a superexplora\u00e7\u00e3o do aqu\u00edfero Hermosillo obrigou \u00e0 edi\u00e7\u00e3o de uma lei especial, em 1992, segundo a qual cada habitante tem uma cota de \u00e1gua, que pode ser negociada. Muitos fazendeiros, apesar de ter reduzido o uso de \u00e1gua subterr\u00e2nea para irriga\u00e7\u00e3o, foram inicialmente obrigados a comprar cotas extras.\n\nDiante dos custos proibitivos, gradativamente acabaram com as culturas irrigadas de alto consumo de \u00e1gua como milho e feij\u00e3o e passaram a produzir uvas ou ab\u00f3boras, de maior valor agregado por litro de \u00e1gua consumida. Em dez anos, a lei conseguiu reduzir o consumo das \u00e1guas do Hermosillo em 50%.\n\nNa \u00c1frica do Sul, a dissemina\u00e7\u00e3o de uma erva daninha ex\u00f3tica foi identificada como a causa do aumento de consumo de \u00e1gua, detectado em uma \u00e1rea de 10 ilh\u00f5es de hectares. Muito agressiva, a erva ex\u00f3tica tomou o lugar de algumas plantas nativas, consumindo 7% a mais de \u00e1gua dos solos. Uma for\u00e7a tarefa de 42 mil homens foi mobilizada para combater a erva invasora, num programa chamado Working for Waters (Trabalhando pela \u00c1gua). Estima-se que eles tenham pelo menos 20 anos de trabalho pela frente at\u00e9 erradicar a erva.\n\nNos Estados Unidos, alguns subs\u00eddios agr\u00edcolas ainda favorecem a irriga\u00e7\u00e3o, conduzindo ao desperd\u00edcio de \u00e1gua. Para proteger os aqu\u00edferos norte americanos, tais subs\u00eddios ter\u00e3o de ser revistos e a popula\u00e7\u00e3o dever\u00e1 pagar mais por frutas e vegetais dom\u00e9sticos ou algod\u00e3o, arroz e cana-de-a\u00e7\u00facar, que l\u00e1 s\u00e3o culturas dependentes de irriga\u00e7\u00e3o.\n\nA reforma mais importante nas pol\u00edticas de recursos h\u00eddricos, por n\u00f3s recomendada, \u00e9 um ajuste de pre\u00e7os que torne o custo de recupera\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel, continua Seralgedin. Fazendeiros, ind\u00fastrias e consumidores se acostumaram \u00e0 \u00e1gua gratuita ou subsidiada, tanto nas na\u00e7\u00f5es ricas como nas pobres, o que deturpou o uso da \u00e1gua e levou \u00e0 superexplora\u00e7\u00e3o e ao desperd\u00edcio dos aqu\u00edferos.\n\n<strong>Sal e poluentes<\/strong>\n\nOutro problema s\u00e9rio \u00e9 a contamina\u00e7\u00e3o dos aqu\u00edferos. N\u00e3o s\u00f3 por poluentes, mas tamb\u00e9m pela \u00e1gua do mar. Quando os aqu\u00edferos s\u00e3o litor\u00e2neos, o excesso de uso e consequente rebaixamento do n\u00edvel das \u00e1guas subterr\u00e2neas pode levar \u00e0 saliniza\u00e7\u00e3o por contamina\u00e7\u00e3o da \u00e1gua do mar. \u00c9 o que vem acontecendo na Tail\u00e2ndia e em diversas ilhas da Indon\u00e9sia.\n\nA contamina\u00e7\u00e3o por \u00e1gua salgada \u00e9 praticamente irrevers\u00edvel e, em alguns casos, atinge todo o aqu\u00edfero, afetando igualmente as cidades e consumidores localizados no interior, muito longe do mar.\n\nA contamina\u00e7\u00e3o por poluentes tamb\u00e9m \u00e9 grave e bem mais dif\u00edcil de reverter do que a polui\u00e7\u00e3o de \u00e1guas superficiais. ?Aqu\u00edferos s\u00e3o gigantescas esponjas subterr\u00e2neas, dentro das quais a \u00e1gua se move muito lentamente, alguns poucos cent\u00edmetros por dia?, explica William Cosgrove, diretor de uma esp\u00e9cie de pr\u00e9-secretariado da Comiss\u00e3o Mundial da \u00c1gua. ?Uma vez que a polui\u00e7\u00e3o penetra ali, leva muito mais tempo para ser eliminada do que em lagos ou rios. E alguns poluentes ficam presos ao solo, persistindo por muito tempo. Limpar isso \u00e9 extremamente caro e dif\u00edcil?.\n\n<strong>\u00c1gua Continental Subterr\u00e2nea<\/strong>\n\nO\u00a0<strong>ciclo da \u00e1gua na crosta terrestre<\/strong>\u00a0possui um percurso bastante complexo, parcialmente dirigido pelo ciclo da atmosfera, importante ve\u00edculo transportador da \u00e1gua, quer sob a forma de got\u00edculas finamente dispersas, quer sob a forma gasosa. A energia necess\u00e1ria para este ciclo prov\u00e9m do calor solar, e assim, por um n\u00famero infinitamente grande de vezes, uma mol\u00e9cula de \u00e1gua \u00e9 evaporada do oceano e a ele retorna, precipitada pelas chuvas, podendo tamb\u00e9m cair no continente, infiltrando-se solo adentro, ser absorvida por uma planta qualquer que em pouco tempo devolver\u00e1 a mesma mol\u00e9cula \u00e0 atmosfera, podendo ent\u00e3o, direta ou indiretamente, por meio dos regatos e rios retornar ao oceano.\n\nEstes s\u00e3o ciclos mais frequentes, havendo, contudo, um n\u00famero ilimitado de outros ciclos mais complexos e de import\u00e2ncia geol\u00f3gica.\n\nSe considerarmos uma mol\u00e9cula de \u00e1gua saindo pela primeira vez \u00e0 superf\u00edcie terrestre, provinda das profundezas da crosta e trazida pelas atividades vulc\u00e2nicas como \u00e1gua juvenil(que nem sempre \u00e9 realmente juvenil, pois o magma pode ter assimilado sedimentos ricos em \u00e1gua, sendo esta novamente devolvida \u00e0 superf\u00edcie), poder\u00e1 ela tomar diversos rumos. Condensando-se em chuva e caindo no oceano, poder\u00e1 ser levada \u00e0s grandes profundezas e novamente aprisionada junto aos sedimentos abissais por v\u00e1rias centenas de mil\u00eanios, at\u00e9 ser novamente incorporada a um magma e novamente expulsa.\n\nOu, ent\u00e3o, ter\u00e1 de esperar a \u00e9poca em que esses sedimentos marinhos profundos sejam erguidos e ap\u00f3s dezenas de milh\u00f5es de anos transformados em montanhas, que lentamente ser\u00e3o erodidas, at\u00e9 libertar a mol\u00e9cula de \u00e1gua.\n\nPoder\u00e1 tamb\u00e9m, gra\u00e7as \u00e0 evapora\u00e7\u00e3o, ser levada \u00e0 superf\u00edcie continental onde poder\u00e1 incorporar-se a um feldspato em vias de cauliniza\u00e7\u00e3o e ir fazer parte de uma argila ap\u00f3s o devido transporte de deposi\u00e7\u00e3o.\n\nEsta mol\u00e9cula retornar\u00e1 ao meio exterior somente depois de a argila ser soterrada a v\u00e1rios quil\u00f4metros de profundidade e transformada em rocha metam\u00f3rfica.\n\nA\u00ed, a mol\u00e9cula de \u00e1gua \u00e9 expulsa gra\u00e7as \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de alta press\u00e3o e temperatura, podendo ser incorporada a correntes profundas, e, por for\u00e7as hidrost\u00e1ticas, ser novamente conduzida \u00e0 luz do sol.\n\nSe os ventos forem favor\u00e1veis, ser\u00e1 conduzida \u00e0s partes g\u00e9lidas das montanhas, incorporando-se ao edif\u00edcio cristalino de um cristal de gelo. Precipitada por longo per\u00edodo de tempo junto \u00e0s neves eternas, delas poder\u00e1 ser libertada pela sua transforma\u00e7\u00e3o em \u00e1gua pelo degelo, se conseguir ser incorporada a alguma corrente l\u00edquido antes de novo congelamento.\n\n<strong>Se se precipitasse sobre uma regi\u00e3o de clima temperado, poderia infiltrar-se terra adentro, onde haveria v\u00e1rios caminhos a tomar<\/strong>: surgir nalguma fonte, ap\u00f3s um recurso subterr\u00e2neo ou ser incorporada numa subst\u00e2ncia mineral, vegetal, etc., ou infiltrar-se em n\u00edveis mais profundos, permanecendo por longo tempo na chamada zona de satura\u00e7\u00e3o.\n\nEssa \u00e1gua n\u00e3o permanece estacionada. Movimenta-se lenta e continuamente, pressionada pela \u00e1gua que se infiltra e pela gravidade, que faz com que o movimento seja cont\u00ednuo.\n\nEsta mol\u00e9cula poder\u00e1 retornar \u00e0 superf\u00edcie em tempo mais curto se for absorvida por alguma raiz que penetrasse nessa zona, que a expulsaria pela transpira\u00e7\u00e3o ou pela decomposi\u00e7\u00e3o ap\u00f3s a morte do tecido que a contivesse. Pela capilaridade, a \u00e1gua pode voltar \u00e0 superf\u00edcie, fen\u00f4meno verificado nas regi\u00f5es \u00e1ridas.\n\nA \u00e1gua acumulada nas profundezas, abaixo da zona de circula\u00e7\u00e3o livre, n\u00e3o est\u00e1 definitivamente estacionada, pois, gra\u00e7as \u00e0 press\u00e3o hidrost\u00e1tica, ela circula lentamente, podendo ascender \u00e0 superf\u00edcie, incorporar-se ao fluxo dos rios e ser novamente evaporada. Caso contr\u00e1rio, voltar\u00e1 a circular quando a crosta for soerguida por processos tect\u00f4nicos e gasta pela eros\u00e3o.\n\nH\u00e1 casos em que a \u00e1gua encontra condi\u00e7\u00f5es prop\u00edcias \u00e0 penetra\u00e7\u00e3o por mais de 8 km, atrav\u00e9s de fendas intercomunic\u00e1veis. Ao subir, pela press\u00e3o hidrost\u00e1tica, aquece-se, formando as fontes termais, como as de Caldas Novas, GO, e muitas outras. Estas fendas profundas, por onde penetra a \u00e1gua, formam-se em regi\u00f5es afetadas por grandes arqueamentos tect\u00f4nicos, que determinam for\u00e7as de tra\u00e7\u00e3o.\n\nO ar aquecido, em sua ascens\u00e3o, leva consigo vapor de \u00e1gua, que se via acumulando at\u00e9 atingir o limite de satura\u00e7\u00e3o. Com isso, condensa-se e precipita-se sobre a terra em forma de chuva, orvalho ou neve.\n\nA quantidade de precipita\u00e7\u00e3o anual varia muito de regi\u00e3o para regi\u00e3o. Assim \u00e9 que, no Brasil, as maiores precipita\u00e7\u00f5es anuais s\u00e3o de 4 a 5 metros no alto da serra do Mar, Estado de S\u00e3o Paulo, nas proximidades de Cubat\u00e3o. Valores m\u00ednimos com cerca de 0,5 m s\u00e3o constatados no pol\u00edgono da seca do Nordeste. A evapora\u00e7\u00e3o \u00e9 mais intensiva sobre os mares do que sobre os continentes, enquanto que as precipita\u00e7\u00f5es s\u00e3o mais ou menos equivalentes, nas propor\u00e7\u00f5es aproximadas de suas respectivas \u00e1reas. Assim, temos um excesso anual de precipita\u00e7\u00e3o sobre a evapora\u00e7\u00e3o nos continentes de cerca de 37.000 km3 de \u00e1gua.\n\nEste excesso de \u00e1gua \u00e9 drenado continuamente para o mar, realizando no seu percurso um trabalho intensivo de eros\u00e3o, transporte e deposi\u00e7\u00e3o. Temos assim o circuito anual da \u00e1gua no globo terrestre. A tabela 1 nos mostra as quantidades absolutas de \u00e1gua nos diferentes ambientes da Terra.\n\nDesde os tempos antigos o homem j\u00e1 fazia uso da \u00e1gua subterr\u00e2nea, nas regi\u00f5es menos chuvosas, e tamb\u00e9m procurou explicar a sua origem, cometendo v\u00e1rios erros, muitos dos quais perduram at\u00e9 os dias de hoje.\n\nEntre os leigos impera a cren\u00e7a de que a \u00e1gua subterr\u00e2nea circula como rios, chamados quase sempre de \u201cveias de \u00e1gua\u201d. \u00c9 comum ouvir-se dizer que um po\u00e7o \u00e9 seco porque \u201cn\u00e3o deu na veia\u201d.\n\n\u00c9 frequentemente procurada pelo m\u00e9todo da rabdomancia(do grego rhabdos, varinha), m\u00e9todo que acreditado pela grande maioria dos n\u00e3o-versados nas ci\u00eancias geol\u00f3gicas.\n\n<strong>Parte da \u00e1gua da precipita\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica infiltra-se no solo, onde podemos distinguir duas zonas:<\/strong>\u00a0a saturada e a zona de aera\u00e7\u00e3o, ou subsaturada.\n\nAcham-se separadas pela chamada superf\u00edcie piezom\u00e9trica, designada tamb\u00e9m por len\u00e7ol fre\u00e1tico ou por n\u00edvel hidrost\u00e1tico(express\u00f5es atualmente em desuso), cuja profundidade varia com as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, com a topografia da regi\u00e3o e com a permeabilidade das rochas.\n\nA zona inferior \u00e9 denominada zona de satura\u00e7\u00e3o porque todos os poros e interst\u00edcios da rocha se acham saturados de \u00e1gua. Reserva-se a express\u00e3o \u00e1gua subterr\u00e2nea \u00e0 \u00e1gua situada abaixo da superf\u00edcie piezom\u00e9trica.\n\nAquela contida na zona de aera\u00e7\u00e3o d\u00e1 se a designa\u00e7\u00e3o de \u00e1gua ed\u00e1fica(do grego edafos, solo).\n\n<strong>A \u00e1gua ed\u00e1fica pode apresentar-se sob tr\u00eas maneiras diferentes:<\/strong>\u00a0\u00e1gua gravitativa \u00e9 a que se escoa terra adentro, logo ap\u00f3s a precipita\u00e7\u00e3o ou fus\u00e3o das neves.\n\n\u00c0 \u00e1gua aderida \u00e0s part\u00edculas do solo por for\u00e7as de adsor\u00e7\u00e3o, pode-se dar o nome de \u00e1gua pelicular, e a retida em interst\u00edcios microsc\u00f3picos, presa por for\u00e7as capitalares, \u00e9 chamada de \u00e1gua capilar.\n\nO excesso de \u00e1gua da zona saturada, proveniente das precipita\u00e7\u00f5es atmosf\u00e9ricas, migrar\u00e1 em dire\u00e7\u00e3o dos vales indo alimentar as correntes de \u00e1gua.\n\nGra\u00e7as \u00e0 lentid\u00e3o deste movimento pelo atrito \u00e0s part\u00edculas rochosas aproximadamente a topografia. Sendo alta a permeabilidade do terreno, a tend\u00eancia \u00e9 dela tornar-se mais plana, dado o mais r\u00e1pido escoamento.\n\nA velocidade com que a \u00e1gua subterr\u00e2nea migra varia de alguns cent\u00edmetros a 6 metros por dia. Excepcionalmente pode alcan\u00e7ar 120 metros por dia. O plano horizontal que tang\u00eancia as partes mais baixas (n\u00e3o cobertas pelas \u00e1guas, como s\u00e3o os leitos dos rios), que drenam uma determinada regi\u00e3o, denomina-se n\u00edvel de drenagem. Em regi\u00f5es calc\u00e1rias, gra\u00e7as \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de cavernas subterr\u00e2neas, que s\u00e3o escoadouros naturais das \u00e1guas de infiltra\u00e7\u00e3o, o n\u00edvel de drenagem \u00e9 inferior ao n\u00edvel dos rios, que muitas vezes desaparecem solo adentro nos chamados sumidouros, podendo nascer como fonte ressurgente longe do lugar da infiltra\u00e7\u00e3o.\n\nNas regi\u00f5es de Apia\u00ed e Iporanga (Estado de S\u00e3o Paulo), conhecidas pelas bel\u00edssimas cavernas calc\u00e1rias, s\u00e3o frequentes tais sumidouros. Quanto \u00e0 superf\u00edcie piezom\u00e9trica na regi\u00e3o da cidade de S\u00e3o Paulo, observam-se profundidades que variam de poucos metros at\u00e9 mais de 30m abaixo da superf\u00edcie.\n\nEm regi\u00f5es mais secas ou muito perme\u00e1veis, desce at\u00e9 100 metros, podendo haver varia\u00e7\u00f5es da profundidade conforme a esta\u00e7\u00e3o do ano, pois sabemos que, na \u00e9poca de estiagem, a grande evapora\u00e7\u00e3o e a aus\u00eancia de chuvas determinam o abaixamento da superf\u00edcie piezom\u00e9trica.\n\nA profundidade m\u00e1xima atingida pela \u00e1gua subterr\u00e2nea \u00e9 muito vari\u00e1vel e depende essencialmente da rocha que a cont\u00e9m.\n\nEm rochas cristalinas a capacidade de armazenar \u00e1gua diminui rapidamente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 profundidade enquanto que em rochas sedimentares, principalmente nas de origem cl\u00e1stica, se encontra uma certa porosidade mesmo em grandes profundidades (alguns milhares de metros), o que permite ainda o armazenamento de \u00e1gua subterr\u00e2nea em tal regi\u00e3o.\n\nNos extensos baixios, a \u00e1gua subterr\u00e2nea n\u00e3o se movimenta; mas, onde houver eleva\u00e7\u00f5es, o peso da \u00e1gua das \u00e1reas mais elevadas faz com que se verifique a movimenta\u00e7\u00e3o lenta da \u00e1gua em profundidade, calcada pela press\u00e3o hidrost\u00e1tica. Esse movimento pode ser da ordem de grandeza de alguns mil\u00edmetros por ano. A \u00e1gua n\u00e3o se infiltra indefinidamente terra adentro, porque, nas regi\u00f5es mais profundas, tanto os poros como os capilares se v\u00e3o tornando cada vez menores, fechando-se gra\u00e7as \u00e0 compress\u00e3o causada pelo peso das rochas superiores. No planalto da cidade de S\u00e3o Paulo, cujo embasamento \u00e9 constitu\u00eddo de rochas cristalinas, o limite inferior da \u00e1gua subterr\u00e2nea aproveit\u00e1vel varia entre 100 e 250 metros em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 superf\u00edcie.\n\n<strong>Armazenadores de \u00c1gua Subterr\u00e2nea<\/strong>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-160051 aligncenter\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Agua-S13.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"178\" \/><strong>\u00c1gua Subterr\u00e2nea<\/strong><\/p>\nTodas as rochas apresentam uma capacidade vari\u00e1vel de armazenamento de \u00e1gua, que \u00e9 determinada pela presen\u00e7a de numerosos poros (rochas sedimentares cl\u00e1sticas ou basaltos vesiculares), ou por serem atravessadas por in\u00fameras fendas e capilares (rochas compactas, geralmente cristalinas). D\u00e1-se o nome de porosidade de uma rocha \u00e0 rela\u00e7\u00e3o existente entre o volume dos poros e o volume total, rela\u00e7\u00e3o esta expressa em percentagem. Quanto a quantidade \u00e9 tal, que permita a sua extra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica d\u00e1-se o nome de aqu\u00edfero.\n\nSe os poros forem de dimens\u00f5es que permitam o escoamento da \u00e1gua e intercomunic\u00e1veis, a rocha ter\u00e1 uma grande capacidade tanto para armazenar como para fornecer \u00e1gua.\n\n\u00c9 o caso geral das rochas sedimentares grosseiras de origem cl\u00e1stica, nas quais a \u00e1gua circula facilmente entre os gr\u00e3os. Mas, se os poros n\u00e3o se comunicarem, a \u00e1gua ficar\u00e1 neles retida e a rocha ter\u00e1 capacidade somente para armazenar mas n\u00e3o para fornecer. Como exemplo podemos citar as lavas ricas em ves\u00edculas isoladas que, apesar de apresentarem porosidade alta, n\u00e3o s\u00e3o boas fornecedoras. O mesmo acontece quando os poros ou os capilares s\u00e3o extremamente finos, como no caso das argilas, os quais podem receber \u00e1gua mas n\u00e3o permitem a sua circula\u00e7\u00e3o depois de saturados.\n\nEm uma rocha sedimentar cl\u00e1stica, a porosidade vai depender maior ou menor uniformidade do tamanho das part\u00edculas, ou seja, do grau de sele\u00e7\u00e3o. \u00c9 evidente que quanto maior for a sele\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, maior uniformidade dos tamanhos, maior ser\u00e1 a porosidade, pois num sedimento mal selecionado as part\u00edculas menores ocupar\u00e3o os espa\u00e7os existentes entre as maiores, ocasionando uma diminui\u00e7\u00e3o na porosidade.\n\nTamb\u00e9m a disposi\u00e7\u00e3o de esferas iguais, tocando-se sempre, pode o volume dos poros variar de 25,95% a 47,64%,\n\nEste valor m\u00e1ximo verifica-se quando as esferas se situam a 90o. na sua disposi\u00e7\u00e3o espacial. No caso das argilas, onde o tamanho das part\u00edculas \u00e9 de dimens\u00f5es coloidais, sendo tais part\u00edculas por sua vez porosas e resultantes da agrega\u00e7\u00e3o de micelas, a porosidade torna-se bastante aumentada, podendo atingir o valor de 50%.\n\nDe um modo geral a porosidade nos sedimentos cl\u00e1sticos arenosos varia de 12 a 35%, pois o grau de cimenta\u00e7\u00e3o e a sua compacta\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m fazem variar bastante o volume dos poros. A tabela 1 mostra-nos alguns exemplos de porosidade em fun\u00e7\u00e3o da rocha.\n\nA propriedade de permitir a circula\u00e7\u00e3o da \u00e1gua designa-se permeabilidade. Esta \u00e9 tanto mais elevada quanto maiores forem os poros ou fendas comunic\u00e1veis entre si, como encontramos no cascalho, sendo praticamente nula em rochas de poros finos. \u00c9 o caso das argilas, que possuem geralmente uma porosidade elevada, isto \u00e9, podem absorver muita \u00e1gua, mas um permeabilidade muito pequena, que n\u00e3o permite a sua circula\u00e7\u00e3o pelo fato de ficar retida nos interst\u00edcios microsc\u00f3picos por for\u00e7as capilares e por for\u00e7as de adsor\u00e7\u00e3o.\n\nHoje em dia fala-se em coeficiente de armazenamento, que representa o valor total m\u00e9dio das porosidades das rochas que comp\u00f5em o aqu\u00edfero, devendo ser lembrado que grande parte da \u00e1gua fica retida nos interst\u00edcios, aderida pela capilaridade e adsor\u00e7\u00e3o. \u00c0 capacidade de vaz\u00e3o, que se relaciona \u00e0 permeabilidade m\u00e9dia das diferentes rochas de um aqu\u00edfero, d\u00e1-se o nome de coeficiente de transmissividade.\n\nH\u00e1 regi\u00f5es onde as rochas armazenadoras de \u00e1gua s\u00e3o distribu\u00eddas de maneira homog\u00eanea, como nas \u00e1reas cobertas pelos arenitos da Forma\u00e7\u00e3o Bauru(Cret\u00e1ceo Superior) ou os da Forma\u00e7\u00e3o Botucatu(Cret\u00e1ceo Inferior) do Estado de S\u00e3o Paulo. Nestas \u00e1reas a \u00e1gua subterr\u00e2nea distribui-se uniformemente.\n\nOs lugares mais adequados para a procura de \u00e1gua s\u00e3o os mais baixos da simples raz\u00e3o de estarem mais pr\u00f3ximos do len\u00e7ol aqu\u00edfero, o que permite uma perfura\u00e7\u00e3o mais rasa e portanto menos dispendiosa, e tamb\u00e9m pela raz\u00e3o de haver maior press\u00e3o hidrost\u00e1tica, gra\u00e7as \u00e0 maior coluna de \u00e1gua existente. J\u00e1 em outras \u00e1reas, como a cidade de S\u00e3o Paulo, as rochas s\u00e3o heterog\u00eaneas.\n\nAlternam-se irregularmente arenitos finos ou grosseiros, conglomerados e argilas, em camadas irregulares geralmente de forma lenticular, variando a espessura de dec\u00edmetros a v\u00e1rios metros. Assim, \u00e9 poss\u00edvel que em uma perfura\u00e7\u00e3o a \u00e1gua verta nos primeiros 20 metros (se predominarem arenitos ou cascalhos nesta regi\u00e3o), a seguir poder\u00e1 cessar a emana\u00e7\u00e3o por muitas dezenas de metros, gra\u00e7as \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o da permeabilidade da rocha. Mesmo que esteja saturada de \u00e1gua, esta permanecer\u00e1 retida por for\u00e7as capilares. Mas abaixo ainda, se a sorte favorecer o encontro de alguma lente de arenito grosseiro, bem perme\u00e1vel (que, quanto mais expe\u00e7o mais rico ser\u00e1 em \u00e1gua), haver\u00e1 nova exsuda\u00e7\u00e3o. Frequentemente esta sucess\u00e3o se repete por v\u00e1rias vezes\n\n<strong>Movimento da \u00c1gua Subterr\u00e2nea<\/strong>\n\nA\u00a0<strong>\u00e1gua subterr\u00e2nea<\/strong>\u00a0escoa-se lentamente no subsolo, dos lugares mais altos para os mais baixos, desde que n\u00e3o encontre uma barreira imperme\u00e1vel\n\nA velocidade \u00e9 relativamente pequena devido ao atrito nas paredes dos capilares e dos poros. Numa areia a \u00e1gua movimenta-se com a velocidade de cerca de 1m por dia; no Arenito Botucatu, em volta de 10cm por dia e nas argilas o movimento \u00e9 praticamente nulo. Nas rochas muito diaclasadas a velocidade pode ser muito r\u00e1pida.\n\n\u00c9 preciso notar que estes dados s\u00e3o referentes a rochas submetidas \u00e0s condi\u00e7\u00f5es normais de press\u00e3o na superf\u00edcie da terra, cujo valor aproximado \u00e9 de uma atmosfera.\n\nPodemos medir a permeabilidade de uma rocha em laborat\u00f3rio com aparelhos denominados perme\u00e2metros. Nestes, utilizam-se amostras de se\u00e7\u00e3o e comprimento determinados, que s\u00e3o atravessadas por um flu\u00eddo l\u00edquido ou gasoso, sob press\u00f5es conhecidas. O grau de permeabilidade \u00e9 medido em fun\u00e7\u00e3o da press\u00e3o atmosf\u00e9rica que atua sobre o flu\u00eddo percolante (ou seja, a diferen\u00e7a da press\u00e3o aplicada para a entrada do flu\u00eddo e da obtida na sa\u00edda do mesmo) e, ainda, em fun\u00e7\u00e3o do comprimento da amostra, da sua \u00e1rea em contato com o flu\u00eddo e da viscosidade deste.\n\nA unidade de tal medi\u00e7\u00e3o denomina-se darcy. Assim, uma rocha possui a permeabilidade de um darcy se permitir a passagem, sob press\u00e3o diferencial de uma atmosfera, de 1cm3 por segundo de flu\u00eddo com viscosidade igual a um centipoise (\u00e1gua a 20o.C) por uma se\u00e7\u00e3o de 1cm2 e de 1 cm de comprimento. A fim de serem evitados os n\u00fameros fracion\u00e1rios, usa-se a unidade milidarcy.\n\nUma rocha com 400 milidarcys pode ser considerada de permeabilidade favor\u00e1vel para a produ\u00e7\u00e3o abundante de \u00e1gua subterr\u00e2nea.\n\nAs rochas que possuem estratifica\u00e7\u00e3o apresentam valores diferentes de permeabilidade, quando medidos na dire\u00e7\u00e3o paralela ou perpendicular \u00e0 estratifica\u00e7\u00e3o.\n\nAssim, para o Arenito Botucatu foram determinados valores de 731 milidarcys, quando medida a permeabilidade na dire\u00e7\u00e3o perpendicular \u00e0 estratifica\u00e7\u00e3o e de 1.173 milidarcys quando na dire\u00e7\u00e3o paralela\n\n<strong>Aproveitamento da \u00c1gua Subterr\u00e2nea<\/strong>\n\nO abastecimento de \u00e1gua pot\u00e1vel e industrial no Brasil realiza-se mais comumente com o aproveitamento das \u00e1guas superficiais (rios, lagos, etc.), ao contr\u00e1rio de outras regi\u00f5es, onde a fonte principal de abastecimento \u00e9 a \u00e1gua subterr\u00e2nea, cujo uso elimina as inconveni\u00eancias de um tratamento caro e permite um abastecimento local f\u00e1cil.\n\nNas regi\u00f5es de pluviosidade intensa encontra-se normalmente \u00e1gua subterr\u00e2nea em quantidade vari\u00e1vel, conforme as condi\u00e7\u00f5es geol\u00f3gicas.\n\nAs rochas sedimentares de car\u00e1ter arenoso ou conglomer\u00e1tico s\u00e3o em geral boas como reservat\u00f3rio, sendo tamb\u00e9m altamente perme\u00e1veis, ao contr\u00e1rio dos sedimentos argilosos. As rochas cristalinas, tanto magm\u00e1ticas como metam\u00f3rficas, cont\u00eam \u00e1gua nas fendas finas e capilares, dando vaz\u00f5es geralmente menores do que os sedimentos arenosos. Uma exce\u00e7\u00e3o a esta regra constituem as lavas bas\u00e1lticas, que apresentam zonas vesiculares. Estas, quando atravessadas por di\u00e1clases ou fendas, ou quando alteradas, s\u00e3o \u00f3timas provedoras de \u00e1gua.\n\n<strong>Pelos dados dessa tabela chega-se \u00e0s seguintes conclus\u00f5es:<\/strong>\n\n<strong>1)\u00a0<\/strong>As rochas cristalinas (que ocupam a parte oriental do Estado de S\u00e3o Paulo) s\u00e3o fornecedoras de \u00e1gua em quantidade m\u00e9dia. A percentagem de po\u00e7os secos diminuir\u00e1 se a localiza\u00e7\u00e3o do po\u00e7o for adequada, mas estes devem atingir uma profundidade relativamente grande, de cerca de 150m. Em certos casos (s\u00e3o relativamente raros) tem-se produzido \u00e1gua \u00e0 profundidade de at\u00e9 200m, fato verificado nas proximidades da Via Anchieta.\n\n<strong>2)<\/strong>\u00a0A distribui\u00e7\u00e3o de \u00e1gua subterr\u00e2nea nas rochas sedimentares da bacia de S\u00e3o Paulo \u00e9 bastante irregular. Ocorrem camadas lenticulares de areia e cascalho, \u00f3timos provedores de \u00e1gua. Por outro lado, em certas regi\u00f5es predomimam sedimentos argilosos, imperme\u00e1veis, com pouca ou nenhuma capacidade para o fornecimento de \u00e1gua.\n\n<strong>3)\u00a0<\/strong>Os arenitos mesoz\u00f3icos s\u00e3o quase infal\u00edveis para a obten\u00e7\u00e3o de \u00e1gua, explicando-se esta const\u00e2ncia pela sua homogeneidade granulom\u00e9trica tanto em extens\u00e3o como em profundidade. Acentuamos que a parte ocidental do interior do Estado de S\u00e3o Paulo, apesar de gozar dessas condi\u00e7\u00f5es, tem sido, contudo, pouco aproveitada. As vaz\u00f5es m\u00e9dias desses arenitos s\u00e3o as mais elevadas de todo o Estado.\n\n<strong>4)\u00a0<\/strong>As lavas bas\u00e1lticas s\u00e3o boas provedoras de \u00e1gua em profundidade relativamente pequena. A vaz\u00e3o tem-se demonstrado boa, sendo pequeno o n\u00famero de pocos secos. Na regi\u00e3o semi-\u00e1rida no Nordeste brasileiro vem se executando um programa de perfura\u00e7\u00f5es para \u00e1gua subterr\u00e2nea, tanto nas \u00e1reas cobertas por sedimentos, como nas \u00e1reas cristalinas, onde predomimam gnaisses. Nestas \u00faltimas perfuraram-se 4000 po\u00e7os, cuja profundidade m\u00e9dia \u00e9 de 60 metros. A m\u00e9dia das vaz\u00f5es \u00e9 ao redor de 300 litros por hora. Nas \u00e1reas sedimentares, por sua vez, foram perfurados 12000 po\u00e7os, mais comumente em arenitos e calc\u00e1rios. A profundidade m\u00e9dia \u00e9 de 150 metros e a m\u00e9dia das vaz\u00f5es \u00e9 de 20000 litros por hora, o que vem demonstrar a import\u00e2ncia humana da pesquisa geol\u00f3gica para a \u00e1gua subterr\u00e2nea.\n\nDe alta import\u00e2ncia para o homem do litoral \u00e9 o comportamento da \u00e1gua subterr\u00e2nea doce na regi\u00e3o praiana. De um modo geral, a \u00e1gua doce subterr\u00e2nea avan\u00e7a at\u00e9 a beira-mar.\n\nEste len\u00e7ol de \u00e1gua doce flutua sobre a \u00e1gua salgada mais pesada, que por sua vez, pode penetrar debaixo da \u00e1gua doce, rumo ao continente.\n\nAssim \u00e9 poss\u00edvel a obten\u00e7\u00e3o de \u00e1gua doce por meio de po\u00e7os relativamente rasos, mesmos na praias. Deve-se, contudo, evitar que a \u00e1gua salgada subjacente seja atingida, ocasionando a contamina\u00e7\u00e3o da \u00e1gua doce.\n\n<strong>Fonte:<\/strong>\u00a0www.geocities.com\/www.agua.bio.br\/www.suderhsa.pr.gov.br\/www.sabesp.com.br\/www.igm.ineti.pt\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c1gua Subterr\u00e2nea, Aqu\u00edfero, Brasil, Forma\u00e7\u00e3o,Tipos, Reservat\u00f3rios, Meio Ambiente, Conserva\u00e7\u00e3o, Vantagens, Po\u00e7o, Uso, Utiliza\u00e7\u00e3o, \u00c1gua Subterr\u00e2nea<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":5832,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[53],"tags":[],"class_list":["post-19726","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-meio-ambiente-2"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>\u00c1gua Subterr\u00e2nea - 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