{"id":19545,"date":"2015-12-01T00:00:00","date_gmt":"2015-12-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/pintura-rupestre-3\/"},"modified":"2026-09-01T15:23:44","modified_gmt":"2026-09-01T15:23:44","slug":"pintura-rupestre-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/arte-2\/pintura-rupestre-3\/","title":{"rendered":"Pintura Rupestre"},"content":{"rendered":"\nNa arqueologia, <strong>Arte Rupestre<\/strong> foram marca\u00e7\u00f5es feitas pelo homem e colocados em pedra natural; \u00e9 em grande parte sin\u00f4nimo de arte parietal. Arte parietal \u00e9 o termo arqueol\u00f3gico de obras de arte feito nas paredes das cavernas ou em grandes blocos de pedra.\n\n<strong>Pintura Rupestre <\/strong>\u00e9 uma imagem pintada na superf\u00edcie de uma rocha.\n<h4>PINTURAS NAS CAVERNAS<\/h4>\nUma das mais conhecidas da liga\u00e7\u00f5es existentes entre os homens da pr\u00e9-hist\u00f3ria e as cavernas, envolve as pinturas e grava\u00e7\u00f5es existentes em v\u00e1rias delas, atrav\u00e9s das quais \u00e9 poss\u00edvel vislumbrar aspectos da fauna que lhes foi contempor\u00e2nea, seus rituais e cren\u00e7as, seus conhecimentos de anatomia e, por que n\u00e3o, sua arte.\n\n<strong>Pinturas Rupestres<\/strong>\n\nPinturas rupestres s\u00e3o encontradas em todos os continentes que foram ocupados pelo homem pr\u00e9-hist\u00f3rico e seu estudo revela uma evolu\u00e7\u00e3o de tra\u00e7os simples a representa\u00e7\u00f5es altamente sofisticadas e estilizadas, chegando ao extremo de aproveitar sali\u00eancias e formas sugestivas do teto e paredes das cavernas como base para a pintura de deterninado animal.\n\nAs pinturas podem ser divididas em tr\u00eas grandes grupos tais como o zoom\u00f3rfico (que \u00e9 a representa\u00e7\u00e3o de animais), o antropom\u00f3rfico (que abrange figuras humanas em suas diversas formas de estiliza\u00e7\u00e3o), e o grupo de s\u00edmbolos, constitu\u00eddo por desenhos sem sentido aparente que muitas vezes constituem verdadeiras alus\u00f5es a calend\u00e1rios astron\u00f4micos capazes de descrever o per\u00edodo e mesmo a trajet\u00f3ria aparente de diversos corpos celestes com grande precis\u00e3o.\n\nEstranhamente as figuras antropom\u00f3rficas s\u00e3o praticamente sempre executadas de forma muito r\u00fastica, enquanto os animais s\u00e3o retratados com maior exatid\u00e3o, o que nos leva a supor que os animais representados tinham mesmo um forte sentido ritual\u00edstico.\n\nA observa\u00e7\u00e3o de tais obras geralmente evidencia certa evolu\u00e7\u00e3o de estilo e qualidade da representa\u00e7\u00e3o que atinge n\u00edveis soberbos, como nas grutas de Lascaux (Fran\u00e7a) e Altamira(Espanha).\n\nA an\u00e1lise dos pigmentos revelou que os mesmos seriam constitu\u00eddos inicialmente por uma variedade de pastas de base vinculada ao carv\u00e3o, possivelmente dos restos de suas fogueiras, com saliva, \u00f3leos vegetais e at\u00e9 mesmo sangue. Em uma segunda etapa surgem pigmentos mais elaborados, e resistentes, com o emprego de \u00f3xidos met\u00e1licos. Tal mudan\u00e7a pode estar associada \u00e0 obten\u00e7\u00e3o de cores mais atraentes ou \u00e0 busca de pinturas mais resistentes ao tempo e ao ambiente da caverna.\n\n<strong>Grava\u00e7\u00f5es<\/strong>\n\nUma outra forma de representa\u00e7\u00e3o eram as grava\u00e7\u00f5es, constitu\u00eddas por desenhos sulcados nas rochas de pared\u00f5es e grutas. Mais sutis que a anterior freq\u00fcentemente encontram-se v\u00e1rias delas sobrepostas, exigindo grande aten\u00e7\u00e3o e per\u00edcia por parte de seu observador.\n\nPara sua confec\u00e7\u00e3o parecem ter sido utilizados pontas de ossos e raspadores de pedra, e embora seja um m\u00e9todo aparentemente n\u00e3o t\u00e3o requintado, apresenta n\u00edveis de detalhamento t\u00e3o elaborados quanto seus similares em pigmentos.\n<h4>A natureza do registro rupestre<\/h4>\nConsidera\u00e7\u00f5es extra\u00eddas do trabalho de pesquisa (A quest\u00e3o da teoria semi\u00f3tica da interpreta\u00e7\u00e3o da\u00a0<strong>arte rupestre<\/strong>) executado por Carlos Xavier de Azevedo Netto, pesquisador do Instituto Superior de Cultura Brasileira (ISCB) e professor da UNESA. O registro rupestre \u00e9 uma das facetas com que o arque\u00f3logo se depara no decorrer de suas atividades, sendo aquela que implica em maior subjetividade nas diferentes tentativas de an\u00e1lise e interpreta\u00e7\u00e3o deste fen\u00f4meno.\n\nO que o debate sobre\u00a0<strong>arte rupestre\u00a0<\/strong>parece deixar claro \u00e9 a nova vis\u00e3o que se tem sobre estas manifesta\u00e7\u00f5es, n\u00e3o mais como um fen\u00f4meno espec\u00edfico e isolado dos demais componentes do registro arqueol\u00f3gico, mas sim como um integrante, importante, desse mesmo registro. Al\u00e9m disso parece come\u00e7ar a surgir um consenso de que estas manifesta\u00e7\u00f5es est\u00e3o imbu\u00eddas de uma inten\u00e7\u00e3o, e esta inten\u00e7\u00e3o \u00e9 de comunica\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o a\u00a0<strong>arte rupestre\u00a0<\/strong>\u00e9 uma manifesta\u00e7\u00e3o comunicativa.\n\nMas atualmente, embora mantida pela tradi\u00e7\u00e3o, a pr\u00f3pria express\u00e3o &#8220;<strong>arte rupestre<\/strong>&#8221; vem sendo questionada, na medida em que muitos pesquisadores acham que as manifesta\u00e7\u00f5es rupestres estariam fora da esfera art\u00edstica, e mesmo se pertencer a esta esfera estaria fora de qualquer an\u00e1lise cient\u00edfica.\n\nEste posicionamento denota uma certa confus\u00e3o quanto ao car\u00e1ter de comunicabilidade que este fen\u00f4meno possui, j\u00e1 que h\u00e1 uma tend\u00eancia de se ver a\u00a0<strong>arte rupestre<\/strong>, enquanto comunica\u00e7\u00e3o, como uma forma de linguagem, pass\u00edvel de ser analisada e compreendida pelo par\u00e2metro da ling\u00fc\u00edstica, o que leva \u00e0 um grande desvio quanto \u00e0 natureza desse registro do passado, ainda apegado \u00e0 postula\u00e7\u00f5es de Leroi-Gourhan (1983\/85).\n\nAceitando-se estas express\u00f5es como gr\u00e1fico-ic\u00f4nicas, de cunho comunicativo, n\u00e3o se pode deixar de notar, que as mesmas n\u00e3o est\u00e3o ordenadas, organizadas ou mesmo pensadas, como uma linguagem estruturada, e at\u00e9 uma pr\u00e9-linguagem. Estas express\u00f5es n\u00e3o est\u00e3o inscritas no mesmo universo das l\u00ednguas, mas s\u00e3o compostas por arranjos completamente diferentes daqueles que encontra-se nas diversas formas ling\u00fc\u00edsticas em qualquer tempo. (&#8230;)\n\nEnt\u00e3o a\u00a0<strong>arte rupestre\u00a0<\/strong>seria uma cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica, n\u00e3o relacionada com o conceito, ou conceitos, que se tem da\u00a0<strong>arte ocidental<\/strong>.\n\nEstas formas est\u00e9ticas teriam como car\u00e1ter fundamental exprimir alguma forma de comunica\u00e7\u00e3o, sendo que o repert\u00f3rio, definido por Coelho Netto (1989:123), e de acordo com a teoria exposta por Bense (1975), dos grupos que produziriam esta\u00a0<strong>arte<\/strong>\u00a0seria mais limitado do que aquele que as culturas mais modernas possuiriam, j\u00e1 que para haver este potencial de comunicabilidade, a forma de express\u00e3o desse indiv\u00edduo, em particular, teria que ser estendida pelos demais membros de seu grupo, admitindo-se que a produ\u00e7\u00e3o e o entendimento dos signos que comp\u00f5e os pain\u00e9is, pode, por vezes, apresentar algumas modifica\u00e7\u00f5es, derivadas ora da interpreta\u00e7\u00e3o de seu executor, ora da pr\u00f3pria din\u00e2mica cultural do grupo a que pertence. (&#8230;)\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Pintura Rupestre\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ppintur3.jpg\" alt=\"Pintura Rupestre\" width=\"293\" height=\"136\" \/><strong>\nPintura Rupestre<\/strong><\/p>\nPor fim, observa-se que a natureza do fen\u00f4meno\u00a0<strong>arte rupestre<\/strong>, \u00e9 em si mesma, a natureza de uma express\u00e3o art\u00edstica, independente do conhecimento, ou n\u00e3o, do significado ou inten\u00e7\u00e3o, deste ato criativo. Caso seja necess\u00e1rio uma maior especificidade na conceitua\u00e7\u00e3o do car\u00e1ter de\u00a0<strong>arte<\/strong>\u00a0deste tipo de manifesta\u00e7\u00e3o, pode-se entend\u00ea-la a partir do conceito de arte \u00e9tnica, definido por Ribeiro (1986), no qual estabelece um diferencia\u00e7\u00e3o entre o que seria e esfera est\u00e9tica e a esfera funcional da cultura material, e como estes elementos est\u00e9ticos estariam arranjados e compreendidos dentro de suas comunidades.\n\nEnt\u00e3o a\u00a0<strong>arte rupestre\u00a0<\/strong>seria uma express\u00e3o est\u00e9tica de grupos pr\u00e9-hist\u00f3ricos, os quais produziram e manipularam um conjunto de signos, formando um repert\u00f3rio, que seria entendido pelo restante do grupo. Isto n\u00e3o quer fazer crer no esquecimento da esfera individual na cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica, mas esta mesma cria\u00e7\u00e3o estaria contida dentro do repert\u00f3rio de signos dispon\u00edveis para tal ve\u00edculo de express\u00e3o, fato, ali\u00e1s, que ocorre em v\u00e1rios outros contextos art\u00edsticos.\n\nEste conjunto de coloca\u00e7\u00f5es vai fornecer uma compreens\u00e3o do conceito de\u00a0<strong>arte<\/strong>\u00a0a ser aplicado \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es rupestres, com as no\u00e7\u00f5es de modelo reduzido e repert\u00f3rio fundindo-se. E passando a entender a\u00a0<strong>arte rupestre\u00a0<\/strong>como um modelo reduzido, com um repert\u00f3rio espec\u00edfico e comum \u00e0 cultura produtora, afirmando assim o car\u00e1ter comunicante deste sistema simb\u00f3lico, que atenderia os par\u00e2metros est\u00e9ticos e simb\u00f3licos de determinada cultura. Ent\u00e3o, a\u00a0<strong>arte rupestre\u00a0<\/strong>seria aquele conjunto de express\u00f5es est\u00e9tico-simb\u00f3licas, inseridas em determinada cultura, que a reconhecia.\n\n<strong>Arte das cavernas<\/strong>\n\nRupestre. Voc\u00ea sabe o significado desta palavra? Se voc\u00ea for a um dicion\u00e1rio vai encontrar: \u0093gravado ou tra\u00e7ado na rocha; constru\u00eddo em rochedo\u0094. Entendeu agora?\n\nEnt\u00e3o vamos avan\u00e7ar mais um pouco. Se rupestre \u00e9 algo que foi gravado na rocha, o que voc\u00ea acha que \u00e9\u00a0<strong>arte rupestre<\/strong>?\n\nE a\u00ed, matou a charada? Se voc\u00ea disse que s\u00e3o pinturas, gravuras ou qualquer representa\u00e7\u00e3o deste tipo feitas na rocha voc\u00ea acertou! \u00c9 chamado de\u00a0<strong>arte rupestre<\/strong>\u00a0o conjunto de figuras encontradas em paredes de cavernas e outros abrigos.\n\nEstes desenhos come\u00e7aram a ser feitos pelos homens h\u00e1 cerca de 40.000 anos atr\u00e1s. J\u00e1 nesse per\u00edodo os homens viviam em grutas e cavernas e, em suas paredes, desenhavam cenas de suas vidas, de rituais religiosos, al\u00e9m de plantas, sementes, animais, flechas, astros e&#8230; m\u00e3os!\n\n\u00c9 isso mesmo, m\u00e3os. Na Patag\u00f4nia, Argentina, uma caverna guarda em suas paredes desenhos de centenas de m\u00e3os. \u00c9 a chamada Caverna das M\u00e3os, com pinturas que foram feitas h\u00e1 9.000 anos por \u00edndios. Este tesouro da\u00a0<strong>arte rupestre<\/strong>\u00a0foi descoberto em 1941 por um padre chamado De Agostini.\n\nAl\u00e9m dos desenhos de m\u00e3os, a caverna apresenta imagens de seres humanos, felinos, emas e outros animais; desenhos geom\u00e9tricos, linhas, pontos e o sol.\n\n<strong>As figuras aparecem em diferentes cores<\/strong>: vermelho, ocre, amarelo, verde, branco e preto.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Pintura Rupestre\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ppintur5.jpg\" alt=\"Pintura Rupestre\" width=\"306\" height=\"227\" \/><strong>\nCaverna das M\u00e3os<\/strong><\/p>\nA caverna foi classificada como Monumento Hist\u00f3rico Nacional Argentino. Em 1999, passou a ser considerada Patrim\u00f4nio Mundial pela Unesco (Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Educa\u00e7\u00e3o, a Ci\u00eancia e a Cultura).\n\nAqui no Brasil tamb\u00e9m j\u00e1 foram encontrados muitos destes registros pr\u00e9-hist\u00f3ricos. Na Serra da Capivara, no estado do Piau\u00ed, est\u00e3o localizados diversos abrigos com paredes repletas de pinturas rupestres.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Pintura Rupestre\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ppintur6.jpg\" alt=\"Pintura Rupestre\" width=\"318\" height=\"159\" \/>\n<strong>Serra da Capivara<\/strong><\/p>\nEm algumas grutas da Chapada Diamantina, regi\u00e3o de serra localizada no estado da Bahia, tamb\u00e9m podem ser vistos desenhos do sol, homens ou registros de contagem de tempo.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Pintura Rupestre\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ppintur7.jpg\" alt=\"Pintura Rupestre\" width=\"289\" height=\"215\" \/>\n<strong>Chapada Diamantina<\/strong><\/p>\nTodos esses registros s\u00e3o importantes, porque nos permitem hoje saber mais sobre a vida dos nossos antepassados, sobre seus costumes e sua forma de ver e representar o mundo. Nestes desenhos, os povos pr\u00e9-hist\u00f3ricos deixaram registrados um pouco do seu tempo.\n\nE voc\u00ea, se fosse desenhar alguma coisa que representasse sua vida ou as coisas que faz e v\u00ea em seu dia-a-dia, o que desenharia? Experimente, fa\u00e7a esse registro!\n\n\u00c9 claro que hoje voc\u00ea n\u00e3o precisa usar rochas para desenhar, mas naquela \u00e9poca esse era o material dispon\u00edvel aos moradores das grutas. E nem pense em pintar as paredes da sua casa! Isso pode render uma bronca daquelas&#8230; Pode usar papel ou mesmo o computador, materiais da sua \u00e9poca. Teste suas habilidades art\u00edsticas! <strong>Denise Moraes<\/strong>\n<h4>Pintura Rupestre &#8211; Defini\u00e7\u00e3o<\/h4>\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Pintura Rupestre\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ppintur4.jpg\" alt=\"Pintura Rupestre\" width=\"316\" height=\"181\" \/><strong>\nPintura Rupestre<\/strong><\/p>\nDo franc\u00eas rupestre, o termo designa grava\u00e7\u00e3o, tra\u00e7ado e pintura sobre suporte rochoso, qualquer que seja a t\u00e9cnica empregada.\n\nConsiderada a express\u00e3o art\u00edstica mais antiga da humanidade, a\u00a0<strong>arte rupestre\u00a0<\/strong>\u00e9 realizada em cavernas, grutas ou ao ar livre. Est\u00e3o exclu\u00eddas as manifesta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas contempor\u00e2neas como o graffiti e a arte ambiental.\n\nAlguns especialistas criticam o uso do termo &#8220;arte&#8221; para fazer refer\u00eancia \u00e0s inscri\u00e7\u00f5es sobre pedra que remontam, em geral, aos povos de \u00e9pocas pr\u00e9-hist\u00f3ricas, na medida em que pinturas e gravuras descobertas pelas pesquisas arqueol\u00f3gicas nem sempre teriam, hoje, um sentido est\u00e9tico evidente. Apesar disso, convenciona-se chamar de &#8220;<strong>arte<\/strong>&#8221; essas express\u00f5es pl\u00e1sticas que fornecem acessos valiosos para o estudo de v\u00e1rias fases da hist\u00f3ria da humanidade.\n\nOutros estudiosos alertam para o equ\u00edvoco de considerar a\u00a0<strong>arte rupestre\u00a0<\/strong>como restrita \u00e0 pr\u00e9-hist\u00f3ria. Se exemplos mais antigos remontam aos tempos glaciais, \u00e9 poss\u00edvel localiz\u00e1-la nas eras neol\u00edtica e paleol\u00edtica e at\u00e9 mesmo em \u00e9pocas recentes, indicam eles. Na Calif\u00f3rnia e no sul da \u00c1frica, por exemplo, a\u00a0<strong>arte rupestre\u00a0<\/strong>continua a ser produzida no s\u00e9culo XIX.\n\nPinturas e gravuras rupestres apresentam-se em diferentes \u00e9pocas e lugares. A dispers\u00e3o geogr\u00e1fica, aliada \u00e0s dificuldades de conserva\u00e7\u00e3o desses grafismos, \u00e9 um dos problemas colocados em seu estudo.\n\nAvalia\u00e7\u00f5es num\u00e9ricas aproximadas calculam de 350 mil a 400 mil s\u00edtios arqueol\u00f3gicos com\u00a0<strong>arte rupestre\u00a0<\/strong>em todo o mundo. A \u00c1frica \u00e9 o continente mais expressivo, com algo em torno de 100 mil s\u00edtios, pertencentes a \u00e9pocas mais recentes, como os localizados na regi\u00e3o do Saara e na regi\u00e3o sul (Tanz\u00e2nia, Angola, Nam\u00edbia e Zimb\u00e1bue).\n\nA Austr\u00e1lia \u00e9 outro territ\u00f3rio rico em\u00a0<strong>arte rupestre\u00a0<\/strong>(regi\u00e3o de Laura, Pilbara e terra de Arnhem &#8211; Parque Nacional de Kakadu). A \u00c1sia, por sua vez, \u00e9 o menos conhecido, fala-se em 10 mil s\u00edtios na China, al\u00e9m dos existentes na \u00c1sia Central, Oriente Pr\u00f3ximo e \u00cdndia. As Am\u00e9ricas &#8211; do Canad\u00e1 \u00e0 Patag\u00f4nia &#8211; apresentam diversos s\u00edtios arqueol\u00f3gicos importantes.\n\nNo Brasil, os s\u00edtios de S\u00e3o Raimundo Nonato, no Piau\u00ed, s\u00e3o os mais antigos (ver Funda\u00e7\u00e3o Museu do Homem Americano &#8211; Fumdham). Os exemplares europeus s\u00e3o mais recentes &#8211; a localiza\u00e7\u00e3o de Altamira, na Espanha, data do s\u00e9culo XIX &#8211; e sobre eles os pesquisadores se det\u00eam por mais tempo.\n\nIsso faz com que se considerasse, durante algum tempo, ser a\u00a0<strong>arte rupestre\u00a0<\/strong>europ\u00e9ia a mais antiga. A despeito dos de Chavet, na Fran\u00e7a (regi\u00e3o de Ard\u00e8che) e de La Vi\u00f1a (Ast\u00farias, Espanha), parecem se localizar na Austr\u00e1lia (Carpenter&#8217;s Gap, Kimberley) os exemplos mais remotos de arte rupestre (entre 30 mil e 40 mil anos). De qualquer maneira, as controv\u00e9rsias em torno da data\u00e7\u00e3o permanecem apesar dos novos m\u00e9todos de aferi\u00e7\u00e3o com radiocarbono.\n\nAinda que os estudos mencionem ser a\u00a0<strong>arte rupestre\u00a0<\/strong>mais freq\u00fcentemente realizada ao ar livre, a arte das cavernas do paleol\u00edtico europeu \u00e9 a que conhece maior popularidade (como a gruta de Lascaux, na Fran\u00e7a). A escolha dos espa\u00e7os &#8211; grutas, fissuras de rochas, proximidade de lagos e outros -, longe de casual, est\u00e1 repleta de sentidos.\n\nH\u00e1 uma tend\u00eancia a interpretar as pinturas realizadas com aux\u00edlio de tochas na escurid\u00e3o das cavernas, por exemplo, como feitas por xam\u00e3s em estado de transe.\n\nDiverg\u00eancias \u00e0 parte, o fato \u00e9 que o meio natural e suas rela\u00e7\u00f5es com o mundo sobrenatural s\u00e3o elementos fundamentais para a an\u00e1lise dessas manifesta\u00e7\u00f5es gr\u00e1ficas, cercadas de significados rituais, religiosos e cerimoniais.\n\nAs t\u00e9cnicas empregadas constituem outro aspecto explorado pelas an\u00e1lises. A pintura parece ter sido a realiza\u00e7\u00e3o mais antiga, mesmo que as gravuras &#8211; quando a forma \u00e9 obtida pela retirada de mat\u00e9ria ou por incis\u00f5es &#8211; sejam mais numerosas (vale lembrar que as pinturas ao ar livre praticamente desapareceram).\n\nOs tra\u00e7os podem ser feitos com os dedos ou com a ajuda de utens\u00edlios; as cores, obtidas do carv\u00e3o (preta), do \u00f3xido de ferro (vermelha e amarela) e, \u00e0s vezes, com cera de abelha. Subst\u00e2ncias l\u00edquidas &#8211; \u00e1gua, clara de ovo, sangue etc. &#8211; s\u00e3o empregadas nas pinturas. \u00c0s diferentes t\u00e9cnicas e cores (muitas vezes superpostas) s\u00e3o atribu\u00eddos sentidos variados. No sul da Calif\u00f3rnia, por exemplo, o vermelho \u00e9 considerado apropriado \u00e0s cerim\u00f4nias femininas.\n\nDo ponto de vista do repert\u00f3rio, a\u00a0<strong>arte rupestre\u00a0<\/strong>compreende temas considerados universais.\n\n<strong>As linhas e os tra\u00e7os circulares, em geral gravados sobre a pedra, s\u00e3o fartamente utilizados<\/strong>: no Hava\u00ed est\u00e3o associados \u00e0 fertilidade, sendo considerados freq\u00fcentemente femininos; na Calif\u00f3rnia, apresentam-se ligados a formas de controle do tempo.\n\nM\u00e3os e p\u00e9s, juntos ou isolados, assim como pegadas de animais s\u00e3o outra recorr\u00eancia. Alguns s\u00e3o vistos como ligados \u00e0 mitologia, outros interpretados como &#8220;assinaturas&#8221;. Sobre os signos abstratos &#8211; linhas, ziguezagues, grafismos e formas geom\u00e9tricas &#8211; recaem as maiores d\u00favidas interpretativas (afinal, de que falam eles?).\n\nFormas humanas e animais, por sua vez, abundam na\u00a0<strong>arte rupestre<\/strong>.\n\nTamb\u00e9m se fazem presentes figuras fant\u00e1sticas, objetos e cenas, dom\u00e9sticas ou de trabalho. A falta de registros sobre boa parte das sociedades que produziram\u00a0<strong>arte rupestre<\/strong>, a ambig\u00fcidade dos s\u00edmbolos e as dificuldades em separar o universo profano do religioso colocam problemas para os int\u00e9rpretes que mesmo assim, arriscam classifica\u00e7\u00f5es.\n\nFala-se em arte que &#8220;afirma uma presen\u00e7a&#8221; (indicando uma forma de dizer &#8220;estive&#8221; ou &#8220;estivemos aqui&#8221;) por meio da representa\u00e7\u00e3o de m\u00e3os, p\u00e9s e figuras; e em outra que tem o sentido de &#8220;testemunho&#8221;, na medida em que representa visualmente narrativas, eventos, cenas e mitos. Certos grafismos parecem representar mais diretamente o xamanismo; outros indicam formas de interven\u00e7\u00e3o no mundo.\n\nDo ponto de vista de seus realizadores, classifica-se a\u00a0<strong>arte rupestre\u00a0<\/strong>mundial como a dos povos &#8220;ca\u00e7adores-coletores arcaicos&#8221; (as cenas s\u00e3o raras; os animais e signos, freq\u00fcentes); a dos &#8220;ca\u00e7adores evolu\u00eddos&#8221; (cenas numerosas); a dos &#8220;criadores de rebanhos&#8221; (com animais dom\u00e9sticos e cenas da vida cotidiana) e das &#8220;sociedades complexas&#8221; (mais variadas, com representa\u00e7\u00f5es mitol\u00f3gicas e signos de todos os tipos).\n\nEm termos de estilo, fala-se no levantino (entre 6.000 e 4.000 a.C.) &#8211; quando a figura humana ganha import\u00e2ncia e sua representa\u00e7\u00e3o vem acompanhada de grande movimento, em cenas de dan\u00e7a, luta e ca\u00e7a &#8211; e na\u00a0<strong>arte esquem\u00e1tica <\/strong>(localizada no fim da Idade do Bronze, entre 4.000 e 1.000 a.C.), quando ocorre maior simplifica\u00e7\u00e3o e esquematiza\u00e7\u00e3o do desenho. As representa\u00e7\u00f5es figuradas &#8211; homens e animais &#8211; convivem a\u00ed com uma profus\u00e3o de inscri\u00e7\u00f5es abstratas.\n<h4>Pinturas Rupestres: A Comunica\u00e7\u00e3o nas Cavernas<\/h4>\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Pintura Rupestre\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ppintur8.jpg\" alt=\"Pintura Rupestre\" width=\"306\" height=\"202\" \/><strong>\nPintura Rupestre<\/strong><\/p>\n\u00c9 uma unanimidade entre os arque\u00f3logos do mundo todo que os homens pr\u00e9-hist\u00f3ricos utilizavam-se das gravuras rupestres com a finalidade de manterem a comunica\u00e7\u00e3o. Os registros deixados em rocha, ali\u00e1s s\u00e3o objeto de estudos de uma infinidade de pesquisadores.\n\n<strong>No Piau\u00ed, ocorrem muitos exemplares desta modalidade de express\u00e3o dos homens antigos, registradas em rochas de dois grandes parques nacionais<\/strong>: o Parque Nacional de Sete Cidades (situado entre as cidades de Piripiri e Piracuruca, no norte do Estado) e o Parque Nacional da Serra da Capivara (situado entre as cidades de S\u00e3o Raimundo Nonato, S\u00e3o Jo\u00e3o do Piau\u00ed e Coronel Jos\u00e9 Dias, na regi\u00e3o sudeste do Estado).\n\nAs pinturas do Parque Nacional da Serra da Capivara s\u00e3o impressionantes. Percebe-se, numa an\u00e1lise superficial das pinturas, que os homens que habitaram aquela regi\u00e3o num passado distante, apresentavam uma atividade comunit\u00e1ria bastante movimentada, registrada com \u00f3xido de ferro nos imensos pared\u00f5es calc\u00e1rios da regi\u00e3o.\n\nEntre os quase 400 s\u00edtios arqueol\u00f3gicos da regi\u00e3o, a grande maioria retrata exatamente como viviam (h\u00e1bitos, costumes, situa\u00e7\u00f5es cotidianas, cren\u00e7as, ritos, etc.) e a natureza ao seu redor (elementos da flora e, principalmente da fauna da \u00e9poca).\n\nA Prof\u00aa Gabriela Martin em seu livro \u0093Pr\u00e9- Hist\u00f3ria do Nordeste do Brasil\u0094 fala dos in\u00fameros s\u00edtios arqueol\u00f3gicos espalhados pelo sert\u00e3o nordestino, com grande \u00eanfase para os s\u00edtios arqueol\u00f3gicos mais estudados da regi\u00e3o sudeste do Piau\u00ed. Dentre os principais s\u00edtios citados est\u00e3o o Boqueir\u00e3o da Pedra Furada (o s\u00edtio mais estudado da \u00e1rea do Parque), a Toca do S\u00edtio do Meio, o Conjunto do Baix\u00e3o da Perna (Toca do Baix\u00e3o da Perna I, II, III e IV, etc.) e o Complexo V\u00e1rzea Grande (Toca do Paraguaio, da Boa Vista, Serra Branca, etc.).\n\nEm seu livro, Martin, fala sobre as tradi\u00e7\u00f5es de pinturas rupestres do Nordeste brasileiro, com uma rica compara\u00e7\u00e3o das pinturas encontradas n\u00e3o somente na Serra da Capivara, mas em s\u00edtios situados em todo o nordeste (Carna\u00faba dos Dantas \u0096 RN, Serid\u00f3 \u0096 RN; Cariris velhos \u0096 PE, PB, Central \u0096 BA, Mirador de Parelhas \u0096 RN, Len\u00e7\u00f3is \u0096 BA, Queimadas \u0096 PB, Bu\u00edque \u0096 PE, Santana do Mato \u0096 RN, Pedra \u0096 PE, S\u00e3o Jo\u00e3o do Tigre \u0096 PB, Matozinho \u0096 MG e Afogados da Ingazeira \u0096 PE).\n\n<strong>Estas tradi\u00e7\u00f5es de pinturas rupestres est\u00e3o classificadas em dois grandes grupos<\/strong>: a tradi\u00e7\u00e3o Nordeste, caracterizada pela riqueza de informa\u00e7\u00f5es que traz, mostrando figuras humanas e cenas cotidianas, muitas com a n\u00edtida impress\u00e3o de movimento; e a tradi\u00e7\u00e3o Agreste, caracterizada por figuras grandes, algumas disformes, mostrando elementos da fauna e figuras com caracter\u00edsticas humanas misturadas a prov\u00e1veis rituais (homens com asas, homens gigantes, etc.).\n\nAlguns autores como a pr\u00f3pria Dra. Ni\u00e8de Guidon e a Dra. Anne Marie Pessis admitem existir uma terceira tradi\u00e7\u00e3o de pinturas, mas desconexa no que se refere \u00e0s origens de grupos humanos \u0096 a tradi\u00e7\u00e3o Geom\u00e9trica, que combina tra\u00e7os e figuras geom\u00e9tricas, com poucas representa\u00e7\u00f5es humanas ou de animais.\n\nA bem da verdade, as representa\u00e7\u00f5es rupestres dispostas nos s\u00edtios do Parque Nacional da Serra da Capivara escondem um sem fim de mensagens deixadas pelo homem pr\u00e9-hist\u00f3rico, que parecia, pelo menos numa determinada \u00e9poca um indiv\u00edduo social, alegre, m\u00edstico e um amante da natureza. <strong>Soares Filho<\/strong>\n<h4>Pinturas e Gravuras Rupestres<\/h4>\nQuando o Homem passa a viver em sociedade a comunica\u00e7\u00e3o torna-se essencial. Um dos primeiros tipos de arte, usada para comunicar, fora as lend\u00e1rias \u0093Pinturas Rupestres\u0094. O ser humano passa a se expressar atrav\u00e9s das gravuras deixadas nas rochas.\n\n<strong>Representa o cotidiano<\/strong>: as dan\u00e7as, guerras, ca\u00e7adas, objetos, animais; ou grafismos. Descobrem-se meios de adquirir cores variadas e m\u00e9todos novos de fabrica\u00e7\u00e3o. Essa evolu\u00e7\u00e3o, lenta e gradual, nos levou a categoria mais alta dentre a cadeia terrestre.\n\nFran\u00e7ois de Belleforest, em 1575, publicou suas observa\u00e7\u00f5es feitas na gruta de Rouffignac, na Fran\u00e7a. Conferiram tais artes aos camponeses, aos pastores e tamb\u00e9m aos Jesu\u00edtas. O primeiro a atribuir essa arte aos povos primitivos fora Marcelino Sanz de Sautuola, no ano de 1868, na cidade C\u00e2ntabro de Santillana del Mar, na Espanha, na Gruta de Altamira.\n\nNa ocasi\u00e3o, sua filha Maria, ent\u00e3o com oito anos, descobriu ao adentrar numa ala da caverna, v\u00e1rias pinturas. O pai juntamente com a filha procurava pe\u00e7as Pr\u00e9-Hist\u00f3ricas no local. Sua autenticidade, contudo, s\u00f3 foi reconhecida em 1902. Marcelino morreu antes de ver suas teorias aceitas. As gravuras de Altamira s\u00e3o datadas de 14.000 anos.\n\nNo Brasil est\u00e3o catalogados cerca de 800 s\u00edtios hist\u00f3ricos com pinturas rupestres. Ainda existe a possibilidade de novas descobertas. Muitos dos s\u00edtios, hoje, est\u00e3o deteriorados pela a\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria do homem. Os mais importantes (por receber maior aten\u00e7\u00e3o) destacam-se a regi\u00e3o do Parque Nacional da Serra da Capivara, no Piau\u00ed, de Lagoa Santa e Perua\u00e7u, em Minas Gerais, e da Pedra Pintada, no Par\u00e1.\n\nNo munic\u00edpio de Paramirim, na Bahia, apenas aqueles que eu tenho conhecimento s\u00e3o sete s\u00edtios rupestres, por\u00e9m, sabe-se que a quantidade \u00e9 muito maior. A idade das pinturas rupestres do Brasil encontram-se entre a faixa de 10.000 a 2.000 anos.\n\nAs pinturas rupestres s\u00e3o classificadas de acordo os \u0093Estilos\u0094 e \u0093Tradi\u00e7\u00f5es\u0094.\n\n<strong>As mais difundidas s\u00e3o duas<\/strong>: a &#8220;Nordeste&#8221; e a &#8220;Agreste&#8221;.\n\n<strong>A Tradi\u00e7\u00e3o Nordeste<\/strong>: pinturas entre 15.000 a 6.000 anos.\n\n<strong>A Agreste<\/strong>: de 6.000 a 2.000. Na primeira, os desenhos representavam cenas do cotidiano, mostra movimento. Nessa encontram muitas pinturas de animais, pessoas e grafismos.\n\nA segunda representa o contrario da primeira, s\u00e3o desenhos sem a\u00e7\u00e3o. Os Estilos e as Tradi\u00e7\u00f5es s\u00e3o utilizados para marcar cada etnia de acordo as pinturas criadas. As \u0093tradi\u00e7\u00f5es\u0094, \u00e0s vezes, pode ser dividido em sub-tradi\u00e7\u00f5es de acordo aos estilos usados dentro dessa mesma tradi\u00e7\u00e3o tendo algumas diferen\u00e7as de uma para outra.\n\n<strong>As cores eram adquiridas a partir dos minerais<\/strong>: hematita, carv\u00e3o e tabatinga (um tipo de argila branca), usavam gorduras e sangue de animais para melhor fixar. Pitavam com os dedos, ou usava uma forma r\u00fastica de pincel de pelo ou pena, ou almofadas feitas de musgo ou folhas.\n\nSabe-se pouco sobre esses artistas Pr\u00e9-Hist\u00f3ricos. N\u00e3o conseguem ligar esses homens com os \u00edndios atuais, se \u00e9 que exista uma liga\u00e7\u00e3o.\n\nAs pinturas revelam a evolu\u00e7\u00e3o desses grupos \u00e9tnicos, gradativamente houve uma mudan\u00e7a no modo de pintar. Representavam o cotidiano, suas indaga\u00e7\u00f5es, sonhos e desejos. N\u00e3o dar para saber exatamente o que elas expressavam para aqueles grupos, pois nos dias atuais quase nada se sabe daquela \u00e9poca. H\u00e1 muitas diferen\u00e7as de um S\u00edtio Rupestres para outro, contudo podem-se encontrar pinturas iguais ou semelhantes em tais.\n\nAs pinturas podem ser encontradas ao ar livre, debaixo de rochedos, leitos de rios ou em cavernas. N\u00e3o existe uma diferen\u00e7a dos homens (em termo do aparelho humano) donos dessas artes com o povo de agora, o que aconteceu foi um acumulo de conhecimentos. Escolho S\u00f3crates, que vivera a mais de dois mil anos, e comparo com a popula\u00e7\u00e3o atual. Um homem privado do saber que temos hoje foi respons\u00e1vel pelo inicio desse pr\u00f3prio conceito. Pegar sua obra e compar\u00e1-la a tudo que existe na sociedade, ainda assim, ele paira triunfante no topo da escala.\n\nAs <strong>Pinturas Rupestres<\/strong> representam o nosso passado, pena que poucos d\u00e3o import\u00e2ncia. Nossos s\u00edtios rupestres est\u00e3o sendo degradados pela brutalidade e incompreens\u00e3o dos descendentes desses artistas. <strong>Luiz Carlos M. Cardoso<\/strong>\n<h4>Pintura Rupestre &#8211; Arte<\/h4>\n<strong>Evolu\u00e7\u00e3o do conceito<\/strong>\n\nVariados estudos sobre o que comumente se chama &#8220;<strong>arte rupestre<\/strong>&#8220;, principalmente no campo da arqueologia, utilizam diferentes termos para as pinturas rupestres, que conseq\u00fcentemente induz uma metodologia e marcos te\u00f3ricos sobre os quais se pretende adequar uma poss\u00edvel interpreta\u00e7\u00e3o deste objeto de estudo.\n\nEm uma an\u00e1lise feita do levantamento bibliogr\u00e1fico realizado por Andr\u00e9 Prous (1980; 1985) para a arqueologia brasileira, verificaram-se 275 t\u00edtulos, cujas refer\u00eancias se faziam diretas \u00e0s pinturas e grava\u00e7\u00f5es rupestres do Brasil.\n\nEssas refer\u00eancias s\u00e3o respons\u00e1veis por 10,6% do total de 2.916 t\u00edtulos entre os anos de 1839 e 1985 (acredita-se que este percentual seja superior, pois muitos trabalhos com t\u00edtulos gerais \u0097 &#8220;Programa Arqueol\u00f3gico&#8230;&#8221;, &#8220;Projeto de Pesquisa&#8230;&#8221;, &#8220;Pr\u00e9-Hist\u00f3ria Brasileira&#8221; \u0097 possivelmente cont\u00eam mais informa\u00e7\u00f5es acerca desse tipo de vest\u00edgio em particular). Tal levantamento, portanto, possibilitou tra\u00e7ar um perfil da rela\u00e7\u00e3o entre o desenvolvimento das pesquisas (ou comunica\u00e7\u00f5es) e a apropria\u00e7\u00e3o de conceitos e interpreta\u00e7\u00f5es pr\u00f3prios de cada \u00e9poca.\n\nDe 1839 a 1950, os t\u00edtulos, cujas express\u00f5es remetem a id\u00e9ias de comunica\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de vest\u00edgios de sistemas gr\u00e1ficos antigos ou de povos estrangeiros, predominam nesse per\u00edodo (&#8220;hier\u00f3glifos&#8221;, &#8220;letreiros antigos&#8221;, &#8220;escrita pr\u00e9-hist\u00f3rica&#8221;, &#8220;vest\u00edgios de l\u00edngua primitiva&#8221;). Os trabalhos mais devotados utilizam express\u00f5es do latim, a exemplo de outras ci\u00eancias, como nas classifica\u00e7\u00f5es zoo-bot\u00e2nicas (&#8220;inscri\u00e7\u00f5es rupestres&#8221;, &#8220;petroglifos&#8221;, &#8220;lit\u00f3glifos&#8221;). No final da d\u00e9cada de 1930, ent\u00e3o, surgem \u00e0s primeiras conota\u00e7\u00f5es \u00e0 &#8220;<strong>arte brasileira<\/strong>&#8220;, uma concep\u00e7\u00e3o \u00e0 autoria genuinamente art\u00edstica dos grupos pr\u00e9-hist\u00f3ricos.\n\nDe 1950 a 1960 podem-se constatar 10 trabalhos publicados. Embora 50% desses t\u00edtulos permane\u00e7am fi\u00e9is \u00e0 concep\u00e7\u00e3o de &#8220;escrita&#8221;, se materializa a id\u00e9ia de \u0091<strong>arte<\/strong>\u0092 como caracter\u00edstica de express\u00e3o desses grupos do passado e as interpreta\u00e7\u00f5es, por conseguinte, derivam de imediato do conceito de &#8220;<strong>arte brasileira<\/strong>&#8221; e &#8220;desenhos rupestres&#8221;. Surgem ainda, dentro dessa nova forma de interpreta\u00e7\u00e3o, os primeiros t\u00edtulos com o termo &#8220;<strong>arte rupestre<\/strong>&#8220;, que ir\u00e1 se fortalecer na d\u00e9cada seguinte. \u00c9 o per\u00edodo &#8220;formativo&#8221;, como ressalta Andr\u00e9 Prous (1980, p. 17), de amadores dedicados \u00e0 arqueologia que procuravam criar institui\u00e7\u00f5es de pesquisas com a colabora\u00e7\u00e3o de profissionais estrangeiros.\n\nEntre 1970 e 1980 verificaram-se 87 refer\u00eancias. Dessas, em 39% dos t\u00edtulos o termo &#8220;<strong>arte rupestre<\/strong>&#8221; se encontra presente. Paralelamente, surgem nesse per\u00edodo express\u00f5es de car\u00e1ter imparcial a uma proposta interpretativa (&#8220;pinturas&#8221;, &#8220;gravuras&#8221;, &#8220;sinala\u00e7\u00f5es&#8221;), que respondem por 29% dos t\u00edtulos.\n\nO termo &#8220;petr\u00f3glifo&#8221; \u00e9 indicado em 20,5% e as express\u00f5es &#8220;inscri\u00e7\u00f5es fen\u00edcias&#8221;, &#8220;pedra lavrada&#8221;, &#8220;pedra com inscri\u00e7\u00f5es&#8221; s\u00e3o encontradas em apenas 9% do total.\n\n<strong>S\u00e3o evidentes, nesse per\u00edodo, as preocupa\u00e7\u00f5es com a sistematiza\u00e7\u00e3o dos registros dos s\u00edtios, assim como s\u00e3o discutidas as orienta\u00e7\u00f5es conceituais, tais como<\/strong>: estilo, tradi\u00e7\u00e3o, cronologia e ambiente como elementos b\u00e1sicos para uma \u0091boa\u0092 interpreta\u00e7\u00e3o das pinturas e gravuras rupestres.\n\nNesse cen\u00e1rio a influ\u00eancia da ling\u00fc\u00edstica estrutural \u00e9 bastante evidente, como modelo de evolu\u00e7\u00e3o para interpretar as transforma\u00e7\u00f5es estil\u00edsticas. Tamb\u00e9m nessa d\u00e9cada surgem os primeiros t\u00edtulos exclusivos \u00e0 an\u00e1lise dos s\u00edtios, sob a perspectiva dos conceitos de signos e representa\u00e7\u00e3o, dando origem a outros poss\u00edveis caminhos interpretativos, como atrav\u00e9s de analogias etnogr\u00e1ficas.\n\nPor \u00faltimo analisaram-se 84 refer\u00eancias relativas ao per\u00edodo compreendido entre 1980 e 1985, ano em que se encerra a bibliografia. Nesse per\u00edodo confirma-se a tend\u00eancia do per\u00edodo anterior. A refer\u00eancia a &#8220;inscri\u00e7\u00f5es&#8221;, no sentido literal do termo, cai para 4,7% dos t\u00edtulos.\n\nDa mesma forma os t\u00edtulos que cont\u00e9m os termos &#8220;petroglifos&#8221; e &#8220;pictoglifos&#8221; diminuem para 7,1%, demonstrando uma tend\u00eancia clara a se ignorar termos cujos sentidos levam a definir as pinturas e gravuras como escrita. Por outro lado, os t\u00edtulos que se colocam imparciais a uma tend\u00eancia interpretativa sobem para 41,6% nas refer\u00eancias.\n\nOs s\u00edtios s\u00e3o indicados como &#8220;unidades estil\u00edsticas&#8221;, &#8220;pinturas rupestres&#8221;, &#8220;abrigos com pinturas e gravuras&#8221; e &#8220;sinala\u00e7\u00f5es rupestres&#8221;. Nota-se, neste c\u00f4mputo, que refer\u00eancias indicativas de metodologias de an\u00e1lise no campo da &#8220;representa\u00e7\u00e3o&#8221; se tornam mais significativas (&#8220;s\u00edmbolos&#8221;, &#8220;express\u00e3o visual&#8221;, &#8220;imagens pr\u00e9-hist\u00f3ricas&#8221; e &#8220;representa\u00e7\u00f5es rupestres&#8221;).\n\nA express\u00e3o &#8220;<strong>arte rupestre<\/strong>&#8221; nos t\u00edtulos aparece em 47,6% dos casos, perdendo de certa forma o impulso que vinha tendo duas d\u00e9cadas atr\u00e1s.\n\nAinda nesse per\u00edodo \u00e9 bastante significativo o n\u00famero de trabalhos que se ocupam com as metodologias, deixando para tr\u00e1s o car\u00e1ter puramente descritivo dos s\u00edtios rupestres. \u00c9 not\u00f3ria a tend\u00eancia de mudan\u00e7as conceituais, para que metodologias mais apropriadas possam se constituir como ferramentas mais autorizadas no \u00e2mbito da busca do significado das representa\u00e7\u00f5es rupestres.\n\n<strong>O conceito no debate atual<\/strong>\n\n<strong>Ainda hoje alguns usos correntes da terminologia para a pintura rupestre est\u00e3o mais diretamente relacionados a um sentido interpretativo, isto \u00e9, ao que o pr\u00f3prio termo induz como significado do objeto, tais como<\/strong>:\u00a0<strong>arte rupestre\u00a0<\/strong>\u0097 uma valoriza\u00e7\u00e3o de conte\u00fado art\u00edstico; pictoglifo \u0097 escrita pintada, remete \u00e0 grafologia; petroglifo \u0097 escrita na pedra, tamb\u00e9m remete \u00e0 grafologia; figura \u0097 denota exemplos figurativos, \u00edcones; grafismos \u0097 como sinais gr\u00e1ficos, discurso, mais usual para os murais urbanos, elaborados pelos denominados &#8220;grafiteiros&#8221;.\n\n<strong>Implica um abstracionismo n\u00e3o cognific\u00e1vel<\/strong>: inscri\u00e7\u00e3o rupestre \u0097 escrita na pedra, o mesmo sentido de pictoglifo e petroglifo; gr\u00e1fico \u0097 ic\u00f4nico \u0097 como se a representa\u00e7\u00e3o quisesse descrever aquilo que se v\u00ea, destitu\u00edda de simbolismos que a sociedade, autora dessas pinturas, quisera representar.\n\nComo as defini\u00e7\u00f5es para os termos descrevem seus objetos a partir de v\u00e1rios campos (art\u00edstico, grafol\u00f3gico, fotogr\u00e1fico), n\u00e3o mobilizam significados para se pensar nos elementos \u00faltimos de sua significa\u00e7\u00e3o \u0097 a representa\u00e7\u00e3o. Os termos antes mencionados s\u00e3o similares somente no sentido que podem ser vistos para a comunica\u00e7\u00e3o. Hyder (1988, p. 7), fundamenta esta afirmativa quando diz que devemos olhar as pinturas rupestres como uma forma visual de express\u00e3o simb\u00f3lica; express\u00e3o visual n\u00e3o no sentido da\u00a0<strong>arte<\/strong>, mas de uma &#8220;linguagem&#8221; constitu\u00edda de signos desprovidos de ra\u00edzes originais, sem rela\u00e7\u00e3o sens\u00edvel com os objetos (os signos geom\u00e9tricos).\n\nA\u00a0<strong>arte<\/strong>, portanto, conforme Sylvia Novaes (1999, p. 70), diferencia-se da linguagem rupestre exatamente por estabelecer esta rela\u00e7\u00e3o sens\u00edvel entre signo que se d\u00e1 pela semiose.\n\nSigno ling\u00fc\u00edstico, conforme Hyder (id.), diferente de pantomima, \u00e9 espec\u00edfico na cultura na qual \u00e9 compreendido.\n\n<strong>Citando Umiker-Sebeok e Sebeok (1978), aponta tr\u00eas caminhos nos quais o signo ling\u00fc\u00edstico toma a fun\u00e7\u00e3o de linguagem:<\/strong>\n<blockquote>\u00c9 um complexo de sinais naturais e convencionais com elementos ic\u00f4nicos e indexical superam elementos simb\u00f3licos;\n\u00c9 semanticamente abrir em que os elementos podem ser recombinadas para formular um n\u00famero indefinido de mensagens;\nLeva vantagem de compet\u00eancia n\u00e3o-verbal.<\/blockquote>\nConsiderando-se a simbologia intr\u00ednseca na cultura material pr\u00e9-hist\u00f3rica, os mais modernos estudos de arqueologia atualmente se apropriam dos conceitos e das teorias antropol\u00f3gicas, da psicologia cognitiva e da semi\u00f3tica, buscando a interdisciplinaridade no intuito de melhor visualizar, atrav\u00e9s dos vest\u00edgios materiais, a concep\u00e7\u00e3o de mundo dessas sociedades pret\u00e9ritas e, dentro desta nova abordagem, a &#8220;<strong>arte rupestre<\/strong>&#8220;, no conjunto dos vest\u00edgios arqueol\u00f3gicos, se caracteriza como material sui generis de an\u00e1lise.\n\n<strong>O exemplo mais cl\u00e1ssico desta interdisciplinaridade \u00e9 o modelo neuropsicol\u00f3gico desenvolvido por Lewis-Willians e Dolson (1988) para a interpreta\u00e7\u00e3o da &#8220;arte rupestre&#8221; dos abor\u00edgines da \u00c1frica do Sul<\/strong>: um modelo explicitamente antropol\u00f3gico, baseado na etnografia, nas ci\u00eancias m\u00e9dicas e nas pesquisas de laborat\u00f3rio.\n\nIsto deve ser considerado, a despeito da discuss\u00e3o sobre o processo de forma\u00e7\u00e3o cognitiva da esp\u00e9cie humana, \u00e0queles que defendem que a representa\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica tenha evolu\u00eddo da esp\u00e9cie homin\u00eddea mais antiga para as formas mais complexas no homem moderno, e daqueles que defendem que essa capacidade de simboliza\u00e7\u00e3o tenha aparecido com o Homo sapiens sapiens h\u00e1 cerca de 150 mil anos, resultante de conex\u00f5es cerebrais acabadas, conforme Mithen (2002).\n\nN\u00e3o se considerando as supostas figuras antropomorfas de Berekhat Ram, dos Altos de Golan, datadas entre 280 e 250 mil anos antes do presente (D\u0092ERRICO; NOWELL, 2000), as pinturas rupestres em todo o mundo t\u00eam sido datadas em per\u00edodos que variam entre 40 mil at\u00e9 o presente com os povos sul-africanos que repintam os pain\u00e9is rupestres \u0091deixados pelos seus antepassados\u0092, como forma de reinterpretar suas tradi\u00e7\u00f5es.\n\nPortanto, deve-se considerar que a pr\u00e1tica cultural de representa\u00e7\u00e3o em cavernas ou abrigos rochosos, remonta um passado recente que pertence ao Homo sapiens sapiens, e conseq\u00fcentemente, conceb\u00edveis a um est\u00e1gio em que a comunica\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica j\u00e1 estava difundida entre os povos pr\u00e9-hist\u00f3ricos.\n\nAs pinturas encontradas nas paredes das grutas e abrigos rochosos inserem-se no contexto arqueol\u00f3gico como um tipo particular de vest\u00edgio. Apresentam-se como um sistema de id\u00e9ias de natureza sociocultural, vis\u00edveis em sua estrutura outrora compartilhado dentro do grupo pr\u00e9-hist\u00f3rico.\n\nDiferenciam-se do restante do conte\u00fado material do s\u00edtio por apresentar signos de natureza simb\u00f3lica, e podem exprimir o cotidiano desses grupos atrav\u00e9s de representa\u00e7\u00f5es isoladas ou agrupadas de cenas de ca\u00e7a, luta, dan\u00e7a, entre outras atividades, ou de maneira aparentemente est\u00e1tica, antropomorfos, zoomorfos, fitomorfos, sinais geom\u00e9tricos simples ou complexos (quando est\u00e3o associados v\u00e1rios sinais simples formando um \u00fanico sinal).\n\nA imagem \u00edcone nem sempre pode representar aquilo que aparenta. Por tr\u00e1s de sua descri\u00e7\u00e3o formal podem estar ocultos elementos simb\u00f3licos cujos significados n\u00e3o s\u00e3o poss\u00edveis de serem resgatados (no caso das pinturas rupestres), uma vez que s\u00e3o desconhecidos seus c\u00f3digos e\/ou significantes, salvo se recorrer a testemunhos etnogr\u00e1ficos ou a correla\u00e7\u00f5es arqueoastron\u00f4micas \u0097 que por analogias, podem ser testemunhos diretos do significado das representa\u00e7\u00f5es.\n\nA cer\u00e2mica e o l\u00edtico arqueol\u00f3gicos, por exemplo, desde que n\u00e3o possuindo outros atributos, que n\u00e3o os de conferir-lhes suas fun\u00e7\u00f5es utilit\u00e1rias, podem ser analisados atrav\u00e9s de analogias e dedu\u00e7\u00f5es, e descritos formalmente quanto a sua fun\u00e7\u00e3o dentro da cultura que as produziram.\n\nNos \u00faltimos anos tem havido uma maior preocupa\u00e7\u00e3o de arque\u00f3logos e antrop\u00f3logos sobre a necessidade de uma an\u00e1lise interdisciplinar para refletir a &#8220;<strong>arte rupestre<\/strong>&#8221; (GALVAN, 2002, p. 1; TACON, 1998, p. 6). Coloca-se ent\u00e3o, o que poderia se chamar de primeira preocupa\u00e7\u00e3o no escopo deste trabalho, o uso da terminologia, no sentido de que esta possa ser a base de uma boa comunicabilidade cient\u00edfica, al\u00e9m de suscitar, conseq\u00fcentemente, caminhos metodol\u00f3gicos mais autorizados, na perspectiva de se ampliar a gama de temas a respeito da &#8220;<strong>arte rupestre<\/strong>&#8221; nas ci\u00eancias afins.\n\nComo afirma G. Martin, \u00e9 natural que existam pol\u00eamicas quanto ao uso do termo e a metodologia adotada para o estudo da &#8220;<strong>arte rupestre<\/strong>&#8220;, pois os pesquisadores discutem sobre pontos de vista divergentes, &#8220;procuram respostas diferentes \u00e0s mensagens que as pinturas e gravuras rupestres proporcionam&#8221; (MARTIN, 1997, p. 21).\n\nO ideal \u00e9 que assim como qualquer outra ci\u00eancia, a arqueologia tenha um conjunto de termos para cada conceito particular de seu objeto de estudo. \u00c9 certo, no entanto, que a ci\u00eancia no seu processo natural de crescimento suscita novos conceitos, &#8220;&#8230; e todo novo conceito cient\u00edfico deveria receber uma nova palavra [], ou melhor, uma nova fam\u00edlia de palavras cognatas&#8221; (PIERCE, 2000, p. 40).\n\nNeste sentido, \u0091<strong>arte<\/strong>\u0092 como conceito agregado a \u0091rupestre\u0092, por si s\u00f3, n\u00e3o pode ser conceituada, ela \u00e9 o que parece ser ao seu apreciador, diferente de outra opini\u00e3o. Este a formula e a descreve com seus sentimentos e sua explica\u00e7\u00e3o, essencialmente subjetivista, n\u00e3o pode ser concebida dentro dos limites de verdade.\n\n<strong>Como afirma Bourdier (apud RIBEIRO, 1995, p. 28): <\/strong>&#8220;[&#8230;] a classe dos objetos de<strong>arte<\/strong>\u00a0seria definida pelo fato de que existe uma percep\u00e7\u00e3o guiada por uma inten\u00e7\u00e3o propriamente est\u00e9tica, isto \u00e9, uma percep\u00e7\u00e3o de sua forma mais do que sua fun\u00e7\u00e3o&#8221;.\n\nEla \u00e9 (a\u00a0<strong>arte<\/strong>) ent\u00e3o, produto hist\u00f3rico, que deve ser legitimada pela sociedade em que \u00e9 produzida. Fora dela, o significado intr\u00ednseco \u00e0 sua forma de express\u00e3o se perde, para dar lugar apenas ao de beleza pl\u00e1stica.\n\nNeste contexto ent\u00e3o, a pintura rupestre estaria fora da esfera art\u00edstica, e se pertencesse a essa esfera, estaria fora da possibilidade de qualquer an\u00e1lise cient\u00edfica.\n\n<strong>Arte\u00a0e ci\u00eancia se tocam em seus extremos. Geertz (1999, p. 143) sobre este ponto de vista, afirma que:<\/strong>\n<blockquote>[&#8230;] descrevamos, analisamos, comparamos, julgamos, classificamos: elaboramos teorias sobre criatividade, forma, percep\u00e7\u00e3o, fun\u00e7\u00e3o social; caracterizamos a\u00a0<strong>arte<\/strong>\u00a0como uma linguagem, uma estrutura, um sistema, um ato, um s\u00edmbolo, um padr\u00e3o de sentimento; buscamos met\u00e1foras cient\u00edficas, espirituais, tecnol\u00f3gicas, pol\u00edticas, e se nada disso d\u00e1 certo, juntamos v\u00e1rias frases incompreens\u00edveis na expectativa de que algu\u00e9m nos ajudar\u00e1, tornando-as mais intelig\u00edveis.<\/blockquote>\n<strong>O conceito de\u00a0arte, como j\u00e1 foi colocado, tem sua origem na Europa no in\u00edcio do s\u00e9culo XX, estendendo-se para o resto do mundo quando foi assimilado para atender uma nova exig\u00eancia est\u00e9tica<\/strong>: de incorporar \u00e0 cultura do prazer e do mercado nos tempos modernos (moderno no contexto europeu), onde seu significado \u00e9 muito espec\u00edfico.\n\nAndr\u00e9 Prous (1992, p. 510; 2003, p.44) discorda do termo \u0091<strong>arte<\/strong>\u0092<strong>\u00a0rupestre\u00a0<\/strong>e sugere em seu lugar \u0091grafismos\u0092, embora considere a primeira express\u00e3o j\u00e1 consagrada pelo uso para ser abandonada.\n\n<strong>Conforme Prous<\/strong>: &#8220;[&#8230;] a \u0091<strong>obra de arte<\/strong>\u0092 \u00e9 considerada, desde Kant, uma \u0091finalidade sem fim\u0092, ou seja, sua pr\u00f3pria finalidade, objeto de contempla\u00e7\u00e3o est\u00e9tica quase que m\u00edstica&#8230; Por n\u00e3o o conhecer, \u00e9 que consideramos uma escultura de sambaqui, de catedral g\u00f3tica ou da Nig\u00e9ria apenas como \u0091<strong>obra de arte<\/strong>\u0092, e n\u00e3o como instrumento de culto, ou meio de propaga\u00e7\u00e3o de uma ideologia&#8221; (PROUS, 1992, p. 510).\n\nDesse modo, deve ser discutido porque a express\u00e3o \u0091<strong>arte<\/strong>\u0092 n\u00e3o deve ser incorporada \u00e0 express\u00e3o &#8220;<strong>arte rupestre<\/strong>&#8220;, pois os caminhos que levam a fazer e a pensar arte, fazem sentido para a sociedade que a produz, &#8220;[&#8230;] \u00e9 espec\u00edfica de cada cultura&#8221; (MITHEN, 2002, p. 252). Conkey (apud MITHEN, 2002, p. 292, nota 7) discute como a categoria \u0091<strong>arte<\/strong>\u0092 adotada pelos arque\u00f3logos prejudica as an\u00e1lises sobre a evolu\u00e7\u00e3o cultural no in\u00edcio do Paleol\u00edtico Superior.\n\n<strong>A regra ideal \u00e9 que o termo n\u00e3o desvie do conceito:<\/strong> o que imaginaria um leigo ao folhear um livro com in\u00fameras ilustra\u00e7\u00f5es de pinturas rupestres cujo t\u00edtulo fosse &#8220;<strong>arte-rupestre<\/strong>&#8220;?\n\nThomas Heid (1999, p. 453), discutindo o lugar do conceito de\u00a0<strong>arte<\/strong>, questiona sobre a orienta\u00e7\u00e3o te\u00f3rica de Blocker (1994), quando justifica que os artefatos produzidos pelas sociedades tradicionais (small-scale societies), ocupam o mesmo espa\u00e7o nas salas dos museus etnogr\u00e1ficos ou de\u00a0<strong>museus de arte<\/strong>.\n\n<strong>Blocker argumenta que<\/strong>: &#8220;[&#8230;] pessoas que fazem e usam esses artefatos manifesto suficiente das atitudes e disposi\u00e7\u00f5es art\u00edsticas e est\u00e9ticas relevantes para justificar-nos em chamar &#8216;obras de arte&#8217; tais artefatos e trat\u00e1-los como tal.&#8221; (BLOCKER apud HEID, op. cit. p. 454).\n\nA proposta de Blocker, no entanto, pode fazer sentido se realmente a sociedade possui o conceito de\u00a0<strong>arte<\/strong>\u00a0para seus artefatos produzidos. \u00c9 preciso que se verifique se este conceito n\u00e3o tenha sido incorporado como forma de se apelar para uma maior integra\u00e7\u00e3o \u00e0 cultura envolvente, quando o verdadeiro significado impl\u00edcito nas obras passa a ser obscurecido e onde uma interpreta\u00e7\u00e3o mais geral e simples de\u00a0<strong>arte<\/strong>, de artefato decorador, tenha sido imposto para ser exibido ao p\u00fablico.\n\nShiner examina esta concep\u00e7\u00e3o de\u00a0<strong>arte<\/strong>\u00a0aplicada a diferentes sociedades pelas sociedades ocidentais, atribuindo a elas, uma predetermina\u00e7\u00e3o de apropriar-se e extinguir os valores simb\u00f3licos dos objetos de outras culturas. Admite-se que, conferindo o t\u00edtulo \u0091<strong>arte<\/strong>\u0092 para tais artefatos simples, nossas institui\u00e7\u00f5es fazem um jogo com o prop\u00f3sito de manter o controle sobre \u0091culturas marginais\u0092. <strong>Shiner afirma que<\/strong>: &#8220;[&#8230;] ultimately, through this strategy our art institutions seek retain the power of making differentiations between \u0091authentic\u0092, \u0091fake\u0092 and \u0091tourist art&#8221; (HEID, 1999. p. 455)\n\nEstas observa\u00e7\u00f5es s\u00e3o interessantes, \u00e0 medida em que se questione se os executores das pinturas rupestres possu\u00edam o conceito de<strong>arte<\/strong>\u00a0enquanto\u00a0<strong>arte est\u00e9tica<\/strong>, como no exemplo de alguns s\u00edtios africanos descritos por Ki-Zerbo (1982, p. 688) e assim se poder denominar &#8220;s\u00edtios de\u00a0<strong>arte rupestre<\/strong>&#8220;. A despeito disto, se as pinturas possuem intr\u00ednsecas rela\u00e7\u00f5es cosmog\u00f4nicas e religiosas, estas naturalmente devem ser representadas esteticamente. <strong>Como Morin ressalta, que a &#8220;arte rupestre&#8221;, al\u00e9m do sentido ritual e m\u00e1gico, comportaria tamb\u00e9m o sentido est\u00e9tico, que s\u00e3o perfeitamente combin\u00e1veis<\/strong>: &#8220;os fen\u00f4menos m\u00e1gicos s\u00e3o potencialmente est\u00e9ticos e&#8230; os fen\u00f4menos est\u00e9ticos s\u00e3o potencialmente m\u00e1gicos&#8221; ( apud SEDA, 1997, p. 152).\n\nA preocupa\u00e7\u00e3o maior, portanto, \u00e9 sobre o sentido que deve ser dado \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o. \u00c9 perfeitamente plaus\u00edvel que um pesquisador descreva esses pain\u00e9is como uma obra de arte, partindo de seu conte\u00fado est\u00e9tico, diferencie as t\u00e9cnicas, as formas, e at\u00e9 as identifique dentro de uma classe de\u00a0<strong>arte<\/strong>, e. g., abstracionista, impressionista etc. Por\u00e9m, dificilmente chegaria a alguma interpreta\u00e7\u00e3o cient\u00edfica.\n\nDiferente de uma antropologia urbana ou de uma etnologia ind\u00edgena, onde se podem resgatar os valores simb\u00f3licos de seus interlocutores, fazer uma arqueologia antropol\u00f3gica, quando a &#8220;tradi\u00e7\u00e3o viva&#8221; (cf. DAMATTA, 1987, p. 50) n\u00e3o est\u00e1 mais presente, exige que se trate o objeto de estudo com metodologias mais apropriadas e, por conseguinte, a terminologia \u00e9 importante para que se comece a pensar caminhos mais prof\u00edcuos para uma an\u00e1lise cient\u00edfica da &#8220;<strong>arte rupestre<\/strong>&#8220;.\n\nSugere-se ent\u00e3o, que o termo representa\u00e7\u00e3o rupestre se apresenta de maneira mais apropriada a esse tipo de manifesta\u00e7\u00e3o cultural. Representa\u00e7\u00e3o como reprodu\u00e7\u00e3o daquilo que se pensa. Conte\u00fado concreto apreendido pelos sentidos (est\u00e9ticos), pela imagina\u00e7\u00e3o ou pela mem\u00f3ria, retraduzido no conjunto de signos n\u00e3o verbais, e compreendido no campo de elabora\u00e7\u00e3o relativa ao psicol\u00f3gico e ao sociol\u00f3gico. E ainda, representa\u00e7\u00e3o no sentido de sua origem na semi\u00f3tica, onde o conceito exerce o papel de evidenciar categorias de signos diferentes, que interagem no contexto segundo leis pr\u00f3prias de organiza\u00e7\u00e3o estruturais, de processos de representa\u00e7\u00e3o particulares.\n\n<strong>Deste ponto de vista, o termo assume os conceitos unificadores de dois dom\u00ednios que s\u00e3o<\/strong>: o signo, por seu lado percept\u00edvel, e a representa\u00e7\u00e3o, seu lado mental, pois como afirmam Santaella e N\u00f6th (1998, p. 15): &#8220;[&#8230;] n\u00e3o h\u00e1 imagem de representa\u00e7\u00f5es visuais que n\u00e3o tenha surgido de imagens na mente daqueles que as produziram, do mesmo modo que n\u00e3o h\u00e1 imagens mentais que n\u00e3o tenham alguma origem no mundo concreto dos objetos visuais&#8221;.\n\nRepresenta\u00e7\u00e3o \u00e9 significante da id\u00e9ia de reprodu\u00e7\u00e3o de algo que j\u00e1 estava na mente. Se a imagem rupestre \u00e9 produto de uma &#8220;vis\u00e3o de mundo&#8221; socialmente compartilhada, representar, ent\u00e3o, \u00e9 rememorar aquilo que se reapresenta na mente de quem produziu essas imagens e que desperta sentido no grupo espectador.\n\nRepresenta\u00e7\u00e3o, portanto, remete ao conceito de signo, e a terminologia por sua vez, em detrimento das outras terminologias citadas, implica que imagens rupestres sejam tratadas metodologicamente, tamb\u00e9m, sob a perspectiva da teoria geral dos signos, ou semi\u00f3tica.\n\nO objeto da antropologia, sen\u00e3o \u00fanico, pelo menos principal, s\u00e3o as representa\u00e7\u00f5es culturais.\n\n<strong>Segundo D. Sperber (2001, p. 91) toda representa\u00e7\u00e3o envolve no m\u00ednimo tr\u00eas termos<\/strong>: a pr\u00f3pria representa\u00e7\u00e3o, seu conte\u00fado e um usu\u00e1rio, aos quais se pode acrescentar um quarto, o produtor da representa\u00e7\u00e3o, quando n\u00e3o \u00e9 o pr\u00f3prio usu\u00e1rio.\n\nA representa\u00e7\u00e3o \u00e9 mental no momento em que seu conte\u00fado \u00e9 constru\u00eddo e torna-se p\u00fablica quando \u00e9 endere\u00e7ada aos espectadores. Admite-se que o conte\u00fado expl\u00edcito nos pain\u00e9is rupestres traz em si espectros da vida social e cultural dos povos que os produziram, vis\u00f5es de experi\u00eancias e conhecimentos acumulados, e que n\u00e3o somente expressa a vontade de retraduzir esses conhecimentos, mas tamb\u00e9m \u00e9 para ser interpretado e assimilado, ent\u00e3o se deve conceber essas imagens metodologicamente como representa\u00e7\u00f5es das representa\u00e7\u00f5es dos saberes, e devem obedecer a uma estrutura qualquer que tornem intelig\u00edveis as informa\u00e7\u00f5es referentes a objetos ou a situa\u00e7\u00f5es.\n\n<strong>Ainda refor\u00e7ando esse lado mental da representa\u00e7\u00e3o Jean-Claude Abric afirma que<\/strong>: [representa\u00e7\u00e3o \u00e9&#8230;] &#8220;o produto e o processo de uma atividade mental por interm\u00e9dio da qual um indiv\u00edduo ou um grupo reconstitui o real com o qual \u00e9 confrontado e lhe atribui uma significa\u00e7\u00e3o espec\u00edfica&#8221; (ABRIC, 2001, p. 156).\n\nTrata-se, portanto, da apreens\u00e3o dos fen\u00f4menos sem levar em conta os fatores diretamente observ\u00e1veis, mas que enfatiza sua dimens\u00e3o simb\u00f3lica, valoriza sua significa\u00e7\u00e3o. Representa\u00e7\u00e3o como eixo norteador para as hip\u00f3teses a serem testadas, que legitima seu conte\u00fado como objeto de pesquisa cient\u00edfica. <strong>Joaquim Perfeito da Silva<\/strong>\n<h4>A arte rupestre pr\u00e9-hist\u00f3rica<\/h4>\nA discuss\u00e3o do valor como &#8220;arte&#8221; dos registros rupestres pr\u00e9-hist\u00f3ricos tem sido objeto de pol\u00eamicas entre arque\u00f3logos e historiadores da arte. A base dessa discuss\u00e3o reside na procura de respostas diferentes \u00e0s mensagens que as pinturas e gravuras rupestres proporcionam. O arque\u00f3logo n\u00e3o poder\u00e1 ignorar os registros rupestres na sua dimens\u00e3o est\u00e9tica, considerando-se a habilidade manual e o poder de abstra\u00e7\u00e3o e de inven\u00e7\u00e3o que levaram o homem a usar recursos t\u00e9cnicos e operativos nas representa\u00e7\u00f5es pict\u00f3ricas pr\u00e9-hist\u00f3ricas. Mas, para o arque\u00f3logo, o registro rupestre \u00e9 sobretudo, parte do contexto arqueol\u00f3gico ao qual se integra como forma de identificar o grupo \u00e9tnico que o realizara.\n\nO termo &#8220;registro rupestre&#8221;, defini\u00e7\u00e3o que tenta substituir entre os arque\u00f3logos a consagrada express\u00e3o &#8220;<strong>arte rupestre<\/strong>&#8220;, pretende liberar da conota\u00e7\u00e3o puramente est\u00e9tica algo que, seguramente, \u00e9 a primeira manifesta\u00e7\u00e3o art\u00edstica do homem, ao menos em grandes \u00e1reas geogr\u00e1ficas onde a arte m\u00f3vel em pedra e osso n\u00e3o aparece anteriormente \u00e0s gravuras e pinturas rupestres.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Pintura Rupestre\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ppintur9.jpg\" alt=\"Pintura Rupestre\" width=\"307\" height=\"239\" \/>\n<strong>Nicho Policr\u00f4mico &#8211; Toca do Boqueir\u00e3o da Pedra Furada &#8211; Serra da Capivara &#8211; PI<\/strong><\/p>\nO descobrimento do fogo e as t\u00e9cnicas para conserv\u00e1-lo significaram a conquista de terras de clima frio e a possibilidade de se afastar perigos e medos da noite, aumentando-se, assim, a capacidade humana de abstra\u00e7\u00e3o nas longas horas em torno do fogo, quando surgem conseq\u00fcentemente a palavra e a arte. A concep\u00e7\u00e3o materialista, que considera a origem da arte a partir da t\u00e9cnica, j\u00e1 fora formulada no s\u00e9culo XIX, em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 teoria idealista na qual a tend\u00eancia art\u00edstica no ser humano n\u00e3o depende das limita\u00e7\u00f5es da mat\u00e9ria e dos instrumentos.\n\nA capacidade de contar tamb\u00e9m leva o homem a fazer riscos nas pedras e nas paredes rochosas numa fase pr\u00e9-est\u00e9tica. Johann Winkelmann na sua cl\u00e1ssica obra &#8220;Hist\u00f3ria da Arte na Antig\u00fcidade&#8221;, escrita em 1763, afirmara que as artes que dependem do desenho come\u00e7aram pelo utilit\u00e1rio para passar depois ao sup\u00e9rfluo, coment\u00e1rio que tamb\u00e9m \u00e9 v\u00e1lido para reflex\u00e3o sobre as origens da arte pr\u00e9-hist\u00f3rica. Na longa noite da arte, a lasca de pedra e o galho da \u00e1rvore, ou a pr\u00f3pria m\u00e3o nua, foram o instrumento l\u00fadico de atividade manual para satisfazer a natural tend\u00eancia humana para o grafismo.\n\nOs registros rupestres s\u00e3o, sem d\u00favida, uma fonte inesgot\u00e1vel de informa\u00e7\u00f5es antropol\u00f3gicas e podem e devem ser estudados sob v\u00e1rios aspectos, o etnol\u00f3gico, o estat\u00edstico, o cronol\u00f3gico ou como formas de apresenta\u00e7\u00e3o e de comunica\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m como processo de desenvolvimento art\u00edstico e das faculdades est\u00e9ticas humanas. A an\u00e1lise m\u00faltipla do registro rupestre nos proporcionar\u00e1 respostas tamb\u00e9m m\u00faltiplas, de grande valor para o conhecimento da sociedade pr\u00e9-hist\u00f3rica que o realizou.\n\nPrecisamos pesquisar nas \u00e1reas arqueol\u00f3gicas, com alta concentra\u00e7\u00e3o de registros rupestres, para que possamos falar da\u00a0<strong>arte rupestre<\/strong>\u00a0deste ou daquele grupo, que viveu em determinado per\u00edodo de determinada \u00e1rea, em determinadas condi\u00e7\u00f5es de sobreviv\u00eancia, configurando-se, assim, a &#8220;hist\u00f3ria&#8221; de um grupo humano nos seus diferentes aspectos ecol\u00f3gicos, nos quais entrar\u00e3o, tamb\u00e9m, os espirituais e est\u00e9ticos, caso o registro arqueol\u00f3gico nos permita tamb\u00e9m chegar ao seu mundo simb\u00f3lico\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Pintura Rupestre\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ppintur10.jpg\" alt=\"Pintura Rupestre\" width=\"288\" height=\"191\" \/>\n<strong>S\u00edtio : Xique-Xique I &#8211; Carna\u00faba dos Dantas &#8211; Serid\u00f3 &#8211; RN<\/strong><\/p>\nPor muito que os autores materiais dos registros rupestres tenham separado as zonas da sua vida cotidiana e as da sua vida espiritual, representadas pelas gravuras e pinturas rupestres, habitaram \u00e1reas escolhidas por longos per\u00edodos, vieram de outro lugar, muitos morreram e outros abandonaram a regi\u00e3o obrigados por outros grupos ou impelidos na procura de melhores formas de sobreviv\u00eancia.\n\nDificilmente, em \u00e1reas arqueol\u00f3gicas onde se concentra uma cuantidade significativa de s\u00edtios rupestres, deixar\u00e1 de existir abundantes ind\u00edcios da cultura material dos grupos \u00e9tnicos respons\u00e1veis pela execu\u00e7\u00e3o de tais registros e somente a identifica\u00e7\u00e3o e a escava\u00e7\u00e3o arqueol\u00f3gica poder\u00e3o fornecer as informa\u00e7\u00f5es culturais necess\u00e1rias para se completar o quadro de ocupa\u00e7\u00e3o pr\u00e9-hist\u00f3rica do enclave arqueol\u00f3gico escolhido para a pesquisa.\n\n<strong>O estudo da arte parietal com enfoque arqueol\u00f3gico poder\u00e1 seguir par\u00e2metros determinados, de forma que as linhas de pesquisa se desenvolvam com tr\u00eas abordagens:<\/strong>\n<h4>1) O S\u00cdTIO<\/h4>\n<blockquote><strong>a)\u00a0<\/strong>como s\u00edtio rupestre\n<strong>b)<\/strong>\u00a0o entorno do s\u00edtio\n<strong>c)\u00a0<\/strong>problemas de conserva\u00e7\u00e3o e apresenta\u00e7\u00e3o did\u00e1tica.<\/blockquote>\n<h4>2) OS REGISTROS RUPESTRES<\/h4>\n<blockquote><strong>a)<\/strong>\u00a0o estudo t\u00e9cnico e estil\u00edstico\n<strong>b)\u00a0<\/strong>as tradi\u00e7\u00f5es rupestres da \u00e1rea<\/blockquote>\n<h4>3) O CONTEXTO ARQUEOL\u00d3GICO<\/h4>\n<blockquote><strong>a)\u00a0<\/strong>as rela\u00e7\u00f5es com os registros arqueol\u00f3gicos\n<strong>b)\u00a0<\/strong>o entorno ecol\u00f3gico da \u00e1rea.<\/blockquote>\nEste esquema \u00e9 v\u00e1lido para qualquer \u00e1rea rupestre, pois, dificilmente, um s\u00edtio com representa\u00e7\u00f5es parietais apresenta-se isolado, formando sempre parte de um entorno de maior ou menor densidade.\n\nUm s\u00edtio de refer\u00eancia deve ser o ponto de partida; os registros rupestres de outros s\u00edtios da \u00e1rea geogr\u00e1fica de influ\u00eancia ser\u00e3o a continua\u00e7\u00e3o l\u00f3gica da pesquisa e o estudo do contexto arqueol\u00f3gico significar\u00e1 o conhecimento do entorno f\u00edsico e social em que viveram os grupos humanos que habitaram a \u00e1rea. Assim, n\u00e3o se discrimina a arte parietal do seu contexto que deve ser estudada arqueologicamente como mais uma manifesta\u00e7\u00e3o da atividade humana.\n\nNo estudo da\u00a0<strong>arte rupestre<\/strong>\u00a0como nos outros per\u00edodos da Hist\u00f3ria da Arte, al\u00e9m dos estilos generalizados, estuda-se cada artista e cada obra por separado dentro das linhas mestras estil\u00edsticas. Sabe-se que dentro de uma mesma tradi\u00e7\u00e3o, cada abrigo, cada pared\u00e3o pintado e cada painel foi realizado por um autor ou &#8220;artista&#8221; diferente e a\u00ed estaria a &#8220;variedade&#8221;.\n\nSeria o estilo a obra unit\u00e1ria de um pequeno grupo cronologicamente limitado? Ou poder\u00edamos defin\u00ed-lo como interpreta\u00e7\u00e3o subjetiva da macro-tem\u00e1tica das grandes tradi\u00e7\u00f5es? A evolu\u00e7\u00e3o na forma de apresenta\u00e7\u00e3o, indica, sem d\u00favida, diferen\u00e7as culturais e cronol\u00f3gicas, sem se esquecer por\u00e9m o car\u00e1ter subjetivo da m\u00e3o humana.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Pintura Rupestre\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ppintur11.jpg\" alt=\"Pintura Rupestre\" width=\"308\" height=\"162\" \/>\n<strong>S\u00edtio : Toca do Salitre &#8211; Serra da Capivara &#8211; PI<\/strong><\/p>\nA imagina\u00e7\u00e3o humana e a sua capacidade de criar o pensamento abstrato nascem com a arte pr\u00e9-hist\u00f3rica que, no Velho Mundo, coincide com o Paleol\u00edtico Superior, e que na Am\u00e9rica, com datas paralelas, corresponde \u00e0 arte de ca\u00e7adores-coletores.\n\nO difusionismo, e o egocentrismo europeu, na hora de se discutir sobre as origens da arte pr\u00e9-hist\u00f3rica est\u00e3o descartados, pois a arte nasce quase que simultaneamente em diversos lugares da terra. Nasce no Paleol\u00edtico Superior, tomado esse per\u00edodo na sua dimens\u00e3o cronol\u00f3gica mais que cultural, ou seja, em torno de 30-25 mil anos BP, e suas primeiras manifesta\u00e7\u00f5es est\u00e9ticas est\u00e3o representadas por pequenos objetos de osso e pedra ou estampadas nas paredes rochosas com tintas vegetais ou minerais nos cinco continentes.\n\nO surgimento da arte pr\u00e9-hist\u00f3rica como um florescer simult\u00e2neo em v\u00e1rias partes do mundo tem a ver com os processos da evolu\u00e7\u00e3o e o aumento da capacidade craniana, ou seja, o aumento do volume do c\u00e9rebro que permitiria o desenvolvimento dos processos de abstra\u00e7\u00e3o no g\u00eanero homo.\n\nConsiderando-se que o homem tem mais de dois milh\u00f5es de anos e que a arte pr\u00e9-hist\u00f3rica come\u00e7ou h\u00e1 30.000, podemos aceitar que a<strong>arte rupestre<\/strong>\u00a0seja &#8220;uma arte moderna&#8221;, afirmativa ali\u00e1s formulada por autores de \u00e1reas d\u00edspares do conhecimento est\u00e9tico como s\u00e3o o pr\u00e9-historiador Eduardo Ripoll, o pintor Juan Mir\u00f3 e o romancista Ariano Suassuna.\n\n<strong>A interpreta\u00e7\u00e3o do registro rupestre<\/strong>\n\nMuito antes de que a\u00a0<strong>arte rupestre<\/strong>\u00a0representasse para a ci\u00eancia uma fonte inesgot\u00e1vel de dados para o conhecimento das sociedades pr\u00e9-hist\u00f3ricas, a preocupa\u00e7\u00e3o em se conhecer e &#8220;decifrar&#8221; o que os registros rupestres queriam dizer, produziu enorme quantidade de bibliografia, desde trabalhos s\u00e9rios \u00e0s fantasias mais desvairadas, essas quase sempre fruto da ignor\u00e2ncia.\n\nAs interpreta\u00e7\u00f5es foram especialmente f\u00e9rteis nos casos em que os registros eram ricos em grafismos de conte\u00fado abstrato, com ou sem representa\u00e7\u00f5es figurativas associadas. A magia propiciat\u00f3ria da ca\u00e7a, o culto \u00e0 fertilidade e a inicia\u00e7\u00e3o sexual t\u00eam sido os temas favoritos no registro figurativo.\n\nInterpreta\u00e7\u00f5es cosmog\u00f4nicas, linguagem codificada precursora dos verdadeiros hieroglifos, s\u00e3o interpreta\u00e7\u00f5es corriqueiras nos grafismos puros. Muitas dessas interpreta\u00e7\u00f5es aproximam-se bastante da realidade, mas o problema est\u00e1 sempre no seu valor cient\u00edfico. At\u00e9 que ponto elas s\u00e3o v\u00e1lidas para a identifica\u00e7\u00e3o cultural dos grupos \u00e9tnicos que foram seus autores ?\n\n<strong>A Arte rupestre no Brasil<\/strong>\n\nO Brasil pr\u00e9-hist\u00f3rico apresenta-se com tradi\u00e7\u00f5es rupestres de ampla dispers\u00e3o atrav\u00e9s de suas grandes dist\u00e2ncias e ampla temporalidade. O registro arqueol\u00f3gico e, concretamente, o rupestre assim o indicam. As tradi\u00e7\u00f5es rupestres do Brasil n\u00e3o evolu\u00edram por caminhos independentes; os seus autores ou grupos \u00e9tnicos aos quais pertencem, mantiveram contatos entre si, produzindo-se a natural evolu\u00e7\u00e3o no tempo e no espa\u00e7o que nos obriga a estabelecer as subdivis\u00f5es pertinentes.\n\nPodemos afirmar que o registro rupestre \u00e9 a primeira manifesta\u00e7\u00e3o est\u00e9tica da pr\u00e9-hist\u00f3ria brasileira, especialmente rica no Nordeste. Al\u00e9m do evidente interesse arqueol\u00f3gico e etnol\u00f3gico das pinturas e gravuras rupestres como definidoras de grupos \u00e9tnicos, na \u00f3tica da hist\u00f3ria da Arte representa o come\u00e7o da arte primitiva brasileira.\n\nA validade ou n\u00e3o do termo &#8220;arte&#8221;, aplicado aos registros rupestres pr\u00e9-hist\u00f3ricos, \u00e9 tema sempre discutido, embora toda manifesta\u00e7\u00e3o pl\u00e1stica forme parte do mundo das id\u00e9ias est\u00e9ticas e conseq\u00fcentemente da hist\u00f3ria da Arte. O pintor que retratou nas rochas os fatos mais relevantes da sua exist\u00eancia, tinha, indubitavelmente, um conceito est\u00e9tico do seu mundo e da sua circunst\u00e2ncia.\n\nA inten\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica da sua pintura podia ser diversificada, variando desde a magia ao desejo de historiar a vida do seu grupo, por\u00e9m, de qualquer forma, o pintor certamente desejava que o desenho fosse &#8220;belo&#8221; segundo seus pr\u00f3prios padr\u00f5es est\u00e9ticos. Ao realizar sua obra, estava criando Arte.\n\nSe as pinturas de Altamira, na Espanha, ou as da Dordonha, na Fran\u00e7a, s\u00e3o consideradas, indiscutivelmente, patrom\u00f4nio universal da arte pr\u00e9-hist\u00f3rica, sabemos entretanto que, pintadas nas profundidades das cavernas escuras, n\u00e3o foram feitas para agradar ningu\u00e9m do mundo dos vivos, n\u00e3o h\u00e1 motivos aceit\u00e1veis para se duvidar ou negar a categoria art\u00edstica das nossas expressivas e graciosas pinturas rupestres do Rio Grande do Norte ou do Piau\u00ed.\n\nFoi precisamente nos sert\u00f5es nordestinos do Brasil. onde a natureza \u00e9 particularmente hostil \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o humana, onde se desenvolveu uma\u00a0<strong>arte rupestre<\/strong>\u00a0pr\u00e9-hist\u00f3rica das mais ricas e expressivas do mundo, demonstrando a capacidade de adapta\u00e7\u00e3o de numerosos grupos humanos que povoaram a regi\u00e3o desde \u00e9pocas que remontam ao pleistoceno final.\n\nNo estado atual do conhecimento, podemos afirmar que tr\u00eas correntes, com seus horizontes culturais, deixaram not\u00e1veis registros pintados e gravados nos abrigos e pared\u00f5es rochosos do Nordeste brasileiro.\n\nA esses horizontes chamamos tradi\u00e7\u00e3o Nordeste, tradi\u00e7\u00e3o Agreste e tradi\u00e7\u00e3o S\u00e3o Francisco de pinturas rupestres, somam-se as tradi\u00e7\u00f5es de gravuras sob rocha, conhecidas como Itaquatiaras. Foram tamb\u00e9m definidas outras tradi\u00e7\u00f5es chamadas &#8220;Geom\u00e9trica&#8221;, &#8220;Astron\u00f4mica&#8221;, &#8220;Simbolista&#8221;, etc. que podem ser inclu\u00eddas nas anteriores.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Pintura Rupestre\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ppintur12.jpg\" alt=\"Pintura Rupestre\" width=\"309\" height=\"201\" \/>\n<strong>S\u00edtio : Furna do Caboclo &#8211; Serid\u00f3 &#8211; RN<\/strong><\/p>\n<strong>A utiliza\u00e7\u00e3o e o significado do s\u00edtio rupestre<\/strong>\n\nQue eram os lugares com pinturas e gravuras rupestres? Lugares de passagem? De habita\u00e7\u00e3o? Ou santu\u00e1rios? Pela estrutura fechada da caverna e o mist\u00e9rio que nelas se encerra, as cavernas paleol\u00edticas da Europa foram consideradas os santu\u00e1rios pr\u00e9-hist\u00f3ricos por excel\u00eancia, mas o que dizer dos abrigos e pared\u00f5es nada profundos dos s\u00edtios rupestres do Brasil ? Muitos deles n\u00e3o foram ocupados por falta material de condi\u00e7\u00f5es e o homem limitou-se a pintar e gravar suas paredes.\n\nOutros, pelo contr\u00e1rio, tiveram ocupa\u00e7\u00e3o intensa e duradoura, servindo como lugar de habita\u00e7\u00e3o e de culto em \u00e9pocas diversas. Mas, em geral, quando os abrigos pintados foram utilizados como lugares cerimoniais, n\u00e3o foram simultaneamente ocupados como habita\u00e7\u00e3o.\n\nUm abrigo t\u00e3o privilegiado pela situa\u00e7\u00e3o, como a Toca do Boqueir\u00e3o da Pedra Furada , teve ocupa\u00e7\u00e3o longa, n\u00e3o intensa, o que parece ser a t\u00f4nica dos abrigos rupestres do Nordeste, indicando que foram usados como lugares de culto e acampamentos tempor\u00e1rios cerimoniais; a moradia dos grupos humanos seria em aldeias, fora dos abrigos pintados. Noutros casos foram utilizados simultaneamente como lugar de culto e cemit\u00e9rio.\n\nO tipo de suporte e a estrutura s\u00e3o elementos essenciais e determinantes para se compreender o s\u00edtio rupestre e a sua utiliza\u00e7\u00e3o. Os abrigos localizados no alto das serras, ao longo dos rios, como \u00e9 o caso da regi\u00e3o do Serid\u00f3, nos sugere serem lugares cerimoniais, longe das aldeias, que deveriam estar situadas mais perto da \u00e1gua. J\u00e1 os s\u00edtios da Serra dos Cariris Velhos, entre a Para\u00edba e Pernambuco, situados em lugares de v\u00e1rzea, piemonte ou &#8220;brejos&#8221;, mesmo sendo tamb\u00e9m lugares de culto, nos d\u00e3o a impress\u00e3o de uma utiliza\u00e7\u00e3o habitacional, mesmo que tempor\u00e1ria, ou talvez lugar de culto perto da aldeia do grupo.\n\nQuantas vezes os grafismos, que depois ser\u00e3o registrados nas pedras durante mil\u00eanios, n\u00e3o foram antes esbo\u00e7ados nas areias por algum &#8220;contador de est\u00f3rias&#8221;? A pauta cultural acompanha os homens mas o interc\u00e2mbio de id\u00e9ias e conhecimentos n\u00e3o depende apenas de longas migra\u00e7\u00f5es. A heran\u00e7a cultural explica-se tamb\u00e9m pela rede de comunica\u00e7\u00f5es atrav\u00e9s da qual se transmite a informa\u00e7\u00e3o de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Pintura Rupestre\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ppintur13.jpg\" alt=\"Pintura Rupestre\" width=\"263\" height=\"258\" \/>\n<strong>S\u00edtio : Xique-xique IV &#8211; Serid\u00f3 &#8211; RN<\/strong><\/p>\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Pintura Rupestre\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ppintur14.jpg\" alt=\"Pintura Rupestre\" width=\"265\" height=\"170\" \/>\n<strong>S\u00edtio : Xique-Xique I &#8211; Carna\u00faba dos Dantas &#8211; Serid\u00f3 &#8211; RN<\/strong><\/p>\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Pintura Rupestre\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ppintur15.jpg\" alt=\"Pintura Rupestre\" width=\"306\" height=\"204\" \/>\n<strong>S\u00edtio : Toca do Morcego &#8211; Serra da Capivara &#8211; PI<\/strong><\/p>\nOs limites cient\u00edficos do conhecimento e da interpreta\u00e7\u00e3o dos registros rupestres s\u00e3o muito fr\u00e1geis, na medida em que lidamos com o mundo das id\u00e9ias, num per\u00edodo da hist\u00f3ria humana do qual n\u00e3o temos um contexto global e esse \u00e9 o grande desafio da pr\u00e9-hist\u00f3ria. Sem negligenciar o rigor cient\u00edfico, n\u00e3o podemos negar o valor da imagina\u00e7\u00e3o nos caminhos da pr\u00e9-hist\u00f3ria, para evitar que esta se transforme numa \u00e1rida rela\u00e7\u00e3o de dados, sem atingir a realidade humana.\n\nDe fato, quando examinamos as diferentes teorias arqueol\u00f3gicas ou antropol\u00f3gicas aplicada \u00e0 pr\u00e9-hist\u00f3ria, vemos que a maioria percorre os terrenos da conjectura e das hip\u00f3teses, mais ou menos bem formuladas, que permite apenas uma aproxima\u00e7\u00e3o relativa ao passado remoto da hist\u00f3ria do homem. <strong>Gabriela Martin<\/strong>\n\nFonte: br.geocities.com\/www.ab-arterupestre.org.br\/www.oxforddictionaries.com\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na arqueologia, Arte Rupestre foram marca\u00e7\u00f5es feitas pelo homem e colocados em pedra natural; \u00e9 em grande parte sin\u00f4nimo de arte parietal. 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