{"id":19538,"date":"2015-12-01T00:00:00","date_gmt":"2015-12-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/arte-gotica-3\/"},"modified":"2026-09-01T15:23:42","modified_gmt":"2026-09-01T15:23:42","slug":"arte-gotica-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/arte-2\/arte-gotica-3\/","title":{"rendered":"Arte G\u00f3tica"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"ads-cima\"><\/p>\n&nbsp;\n\nO termo &#8220;estilo g\u00f3tico&#8221; refere-se ao estilo de arquitetura europ\u00e9ia, escultura (e artes menores) que ligava arte rom\u00e2nica medieval com o renascimento adiantado.\n\nO per\u00edodo \u00e9 dividido em in\u00edcio adiantado G\u00f3tico (1150-1250), Alto G\u00f3tico (1250-1375), e G\u00f3tico Internacional (1375-1450).\n\nSua principal forma de express\u00e3o era arquitetura &#8211; exemplificado pelas grandes catedrais g\u00f3ticas do norte da Fran\u00e7a\n\n<strong>Os melhores exemplos de design g\u00f3tico incluem:<\/strong> Catedral de Chartres (1194-1250); Catedral de Notre-Dame (1163-1345); Sainte Chapelle (1241-1248); ea Catedral de Col\u00f3nia (a partir de 1248); bem como as catedrais de Canterbury, Winchester, Abadia de Westminster e Santiago de Compostela.\n<h4>Arte G\u00f3tica &#8211; Per\u00edodo<\/h4>\n<strong>G\u00d3TICO \u0096 1130 A 1500<\/strong>\n\n\u00c9 quase imposs\u00edvel determinar com exatid\u00e3o a passagem do Rom\u00e2nico para o G\u00f3tico. Por volta de 1800 o g\u00f3tico ainda era considerado em alguns quadrantes como a ess\u00eancia do que era discrepante e de mau gosto.\n\nO s\u00e9culo X encontra a Europa em crise. O poder real, enfraquecido, foi substitu\u00eddo pelo feudalismo.\n\nInvas\u00f5es amea\u00e7am a Fran\u00e7a. Desprotegidos, o povo se organiza em torno dos castelos feudais, \u00fanicas &#8211; e prec\u00e1rias &#8211; fortalezas.\n\n<strong>A tens\u00e3o popular contribui para que se espalhe a cren\u00e7a propagada pela Igreja de que se aproxima o ju\u00edzo final:<\/strong>\u00a0o mundo vai acabar no ano 1000.\n\nA arte rom\u00e2nica, express\u00e3o est\u00e9tica do feudalismo, reflete o medo do povo. Esculturas anunciam o apocalipse, pinturas murais apavorantes retratam o p\u00e2nico que invade n\u00e3o s\u00f3 a Fran\u00e7a mas toda a Europa Ocidental. Chega o ano 1000 e o mundo n\u00e3o acaba. Alguma coisa precisa acontecer.\n\nEm 1005, surgem as primeira Cruzadas. O feudalismo ainda permanece, mas tudo indica que n\u00e3o poder\u00e1 resistir por muito tempo. Novos pensadores fazem-se ouvir, propagando suas id\u00e9ias. Fundam-se as primeiras Universidades. Subitamente, a literatura cresce em import\u00e2ncia. Muitos europeus, at\u00e9 ent\u00e3o confinados vida nas aldeias, passam a ter uma vis\u00e3o mais ampla do mundo. Profunda mudan\u00e7a social est\u00e1 a caminho.\n\nPressentindo a queda do feudalismo, a arte antecipa-se aos acontecimentos e cria novo estilo, que ir\u00e1 conviver durante certo tempo com o rom\u00e2nico, mas atendendo \u00e0s novas necessidades.\n\nVerdadeiro trabalho de futuristas da \u00e9poca, o Estilo G\u00f3tico surge pela primeira vez em 1127, na arquitetura da bas\u00edlica de Saint-Denis, constru\u00edda na regi\u00e3o de Ile-de-France, hoje Paris. Saint- Denis \u00e9 considerada como o edif\u00edcio &#8220;fundador&#8221; do g\u00f3tico.\n\nFins do s\u00e9culo XII. Gra\u00e7as ao apoio da burguesia e da classe trabalhadora, os reis conseguem retomar sua autoridade. Enfraquecido, o poder feudal vai aos poucos desaparecendo. A popula\u00e7\u00e3o passa a ter maior influ\u00eancia na vida p\u00fablica nacional, da qual tinha sido at\u00e9 ent\u00e3o mera espectadora.\n\nEuf\u00f3ricos diante da pr\u00f3pria import\u00e2ncia, os habitantes de cada regi\u00e3o sentem a necessidade de demonstrar sua emancipa\u00e7\u00e3o.\n\n<strong>A catedral ser\u00e1 o s\u00edmbolo de sua vit\u00f3ria. A\u00ed se realizar\u00e3o n\u00e3o apenas os atos religiosos, mas as atividades comunit\u00e1rias de todo o grupo:\u00a0<\/strong>ser\u00e1 a casa do povo.\n\nN\u00e3o mais cheia de esculturas e desenhos tenebrosos, mas alta, imponente, iluminada. Que suas torres pontiagudas tentem atingir as nuvens. Livre do medo do fim do mundo, o povo \u00e9 animado por novo sopro de f\u00e9.\n\nAs paredes de seus templos devem deixar entrar a luz do sol em m\u00faltiplas cores que lembrem a presen\u00e7a divina Da necessidade de construir catedrais que correspondessem euforia e ao misticismo do povo, surgiu a arquitetura g\u00f3tica. As primeiras foram constru\u00eddas na Fran\u00e7a, ao redor de onde se encontra hoje a cidade de Paris; foi essa uma das primeiras regi\u00f5es a eliminar o feudalismo.\n\nCom as constru\u00e7\u00f5es das catedrais, come\u00e7aram a ser definidos os princ\u00edpios fundamentais desse estilo. O g\u00f3tico teve in\u00edcio na Fran\u00e7a, por ser o novo centro de poder depois da queda do Sacro Imp\u00e9rio, em meados do s\u00e9culo XII, e terminou aproximadamente no s\u00e9culo XIV, embora em alguns pa\u00edses do resto da Europa, como a Alemanha, se entendesse at\u00e9 bem depois de iniciado o s\u00e9culo XV.\n\nO g\u00f3tico era uma arte imbu\u00edda da volta do refinamento e da civiliza\u00e7\u00e3o na Europa e o fim do b\u00e1rbaro obscurantismo medieval. A palavra g\u00f3tico, que faz refer\u00eancia aos godos ou povos b\u00e1rbaros do norte, foi escolhida pelos italianos do renascimento para descrever essas descomunais constru\u00e7\u00f5es que, na sua opini\u00e3o, escapavam aos crit\u00e9rios bem proporcionados da arquitetura.\n\nFoi nas universidades, sob o severo postulado da escol\u00e1stica &#8211; Deus Como Unidade Suprema e Matem\u00e1tica -, que se estabeleceram as bases dessa arte eminentemente teol\u00f3gica. A verticalidade das formas, a pureza das linhas e o recato da ornamenta\u00e7\u00e3o na arquitetura foram transportados tamb\u00e9m para a pintura e a escultura. O g\u00f3tico implicava uma renova\u00e7\u00e3o das formas e t\u00e9cnicas de toda a arte com o objetivo de expressar a harmonia divina.\n\nNo forte simbolismo teol\u00f3gico, fruto do mais puro pensamento escol\u00e1stico, as paredes eram a base espiritual da Igreja, os pilares representavam os santos, e os arcos e os nervos eram o caminho para Deus. Al\u00e9m disso, nos vitrais pintados e decorados se ensinava ao povo, por meio da m\u00e1gica luminosidade de suas cores, as hist\u00f3rias e relatos contidos nas Sagradas Escrituras.\n\nA catedral \u00e9 o local das coroa\u00e7\u00f5es e sepulturas de reis, mas tamb\u00e9m representa o ide\u00e1rio de toda a sociedade, a express\u00e3o da vis\u00e3o pol\u00edtica e teol\u00f3gica de todos os burgueses, pois t\u00eam a convic\u00e7\u00e3o de constru\u00edrem, em comum, um s\u00edmbolo de sua cren\u00e7a, de sua cidade e de sua pr\u00f3pria identidade.\n\n<strong>Na catedral o burgu\u00eas \u00e9 orgulhosamente exibido na rica decora\u00e7\u00e3o:<\/strong>\u00a0com retratos dos fundadores e inscri\u00e7\u00f5es.\n\nOs espa\u00e7os g\u00f3ticos j\u00e1 n\u00e3o poderiam ser fechados com as ab\u00f3badas cruzadas de aresta. As ab\u00f3badas de ogivas (g\u00f3ticas), constitu\u00edram a alternativa.\n\nAs nervuras foram usadas pela primeira vez com a fun\u00e7\u00e3o de suporte em Saint-Denis. Foram constru\u00eddas em primeiro lugar e depois, fechadas as paredes e as ab\u00f3badas.\n\nAssim, todo o edif\u00edcio se tornou mais leve. Os pilares passaram a ser fasciculados com colunelos, recebendo a press\u00e3o da ab\u00f3bada e descarregando-a para o ch\u00e3o.\n\n<strong>O abade Suger, arquiteto de Sait Deni tinha pensado m\u00edstica e simbolicamente em cada pormenor:<\/strong>\u00a0colunas representando os ap\u00f3stolos e os profetas e Jesus, a chave que une uma parede \u00e0 outra. O fascinante \u00e9 que esta cren\u00e7a provocou uma revolu\u00e7\u00e3o na arquitetura.\n\nAs ab\u00f3badas de cruzaria de ogivas e os arcobotantes permitiram uma redu\u00e7\u00e3o nas massas das paredes. As paredes exteriores passam a ser cobertas com janel\u00f5es. Como h\u00e1 dificuldades na produ\u00e7\u00e3o de vidro, estes s\u00e3o em pequenos peda\u00e7os suportados por molduras de chumbo. S\u00e3o cores fortes e solenes que brilham mais quanto menos o espa\u00e7o interior for iluminado. A luz, ao passar pelas imagens sagradas, manifesta sua origem divina.\n\nAs janelas serviam para transmitir visualmente a mensagem b\u00edblica aos que n\u00e3o sabiam ler, ou que n\u00e3o tinham posses para comprar b\u00edblias. Sainte Chapelle em Paris \u00e9 onde este conceito se encontra concretizado de modo exemplar, com o altar iluminado de luz colocado no centro visual.\n\nOs reis franceses utilizavam a igreja como manifesta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de s\u00ed pr\u00f3prios. A igreja come\u00e7ou a preocupar-se cada vez mais com os interesses temporais.\n\n<strong>As catedrais desta \u00e9poca exprimem, de modo penetrante, esta consci\u00eancia contradit\u00f3ria:<\/strong>\u00a0nos &#8220;arranha c\u00e9us de Deus&#8221; (Le Corbusier) h\u00e1 novas t\u00e9cnicas aliadas aos novos conceitos religiosos.\n\nA partir do final do s\u00e9c XII foram fundadas novas cidades. Os reis crist\u00e3os consideravam ser sua obriga\u00e7\u00e3o fundar novas cidades para, deste modo, conduzir as pessoas at\u00e9 Deus.\n\nParis era talvez, com seus 200.000 habitantes, juntamente com Mil\u00e3o, a cidade mais populosa da baixa idade m\u00e9dia.\n\nA obra que se tornou mais importante foi a catedral edificada no meio da cidade. Era uma obra erigida pelo esfor\u00e7o comum dos habitantes, que contribu\u00edam com o dinheiro, ou com a pr\u00f3pria for\u00e7a de trabalho. Eram formadas lojas.\n\nNobreza, clero e massa popular competiam em generosidade m\u00edstica.\n\n<strong>O objetivo era um s\u00f3:\u00a0<\/strong>colaborar para a constru\u00e7\u00e3o das dispendiosas catedrais.\n\n<strong>Com a autoridade mon\u00e1rquica cada vez mais assegurada, as antigas zonas feudais foram-se transformando e surgiram as primeiras cidades:<\/strong>\u00a0Noyon, Laon, Sens, Amiens, Reims, Beauvais, onde se encontram as catedrais g\u00f3ticas mais belas do mundo.\n\nNas catedrais, as vistas laterais e da abside eram obstru\u00eddas. Assim, s\u00f3 era dada import\u00e2ncia especial \u00e0 fachada voltada \u00e0 poente, com a entrada principal, real\u00e7ada geralmente pelas \u00fanicas torres do edif\u00edcio. Estas eram coroadas com pequenas torres (pin\u00e1culos), novas flechas que almejavam o c\u00e9u.\n\n<strong>O repert\u00f3rio da escultura em pedra do g\u00f3tico \u00e9 uma descri\u00e7\u00e3o fatual do divino, especialmente nos p\u00f3rticos reais:<\/strong>\u00a0em Chartres, os reis e as rainhas de Fran\u00e7a, est\u00e3o vestidos com roupagens b\u00edblicas.\n\n<strong>LE SAINTE-CHAPELLE<\/strong>\n<blockquote>Luiz IX a edificou para as rel\u00edquias adquiridas de Biz\u00e2ncio (coroa de espinhos e fragmentos da cruz).\nOs 12 ap\u00f3stolos est\u00e3o representados por esculturas nos pilares. Esta capela era a capela do pal\u00e1cio real.<\/blockquote>\n<strong>REIMS<\/strong>\n<blockquote>A catedral de Reims, na qual se realizava a coroa\u00e7\u00e3o dos reis franceses, \u00e9 famosa sobretudo pela ros\u00e1cea, que domina a sua fachada poente.<\/blockquote>\n<strong>NOTRE DAME<\/strong>\n<blockquote>Provavelmente foi l\u00e1 que se utilizou pela 1. vez o sistema de contrafortes abertos = arcos botantes.\nFoi destru\u00edda na revolu\u00e7\u00e3o francesa e restaurada no s\u00e9c XIX<\/blockquote>\n<strong>CHARTRES<\/strong>\n<blockquote>O chamado p\u00f3rtico real da catedral constitui o ponto alto da escultura do g\u00f3tico cl\u00e1ssico franc\u00eas.<\/blockquote>\n<p class=\"imagem\"><img decoding=\"async\" title=\"Arte G\u00f3tica\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/arte-g1.jpg\" alt=\"Arte G\u00f3tica\" \/>\n<strong>Arquitetura <\/strong>G\u00f3tica &#8211; <strong>Chartres, uma das primeiras catedrais g\u00f3ticas da Fran\u00e7a<\/strong><\/p>\nA constru\u00e7\u00e3o g\u00f3tica, de modo geral, se diferenciou pela eleva\u00e7\u00e3o e desmaterializa\u00e7\u00e3o das paredes, assim como pela especial distribui\u00e7\u00e3o da luz no espa\u00e7o.\n\n<strong>Tudo isso foi poss\u00edvel gra\u00e7as a duas das inova\u00e7\u00f5es arquitet\u00f4nicas mais importantes desse per\u00edodo:<\/strong>\u00a0o arco em ponta, respons\u00e1vel pela eleva\u00e7\u00e3o vertical do edif\u00edcio, e a ab\u00f3bada cruzada, que veio permitir a cobertura de espa\u00e7os quadrados, curvos ou irregulares.\n<p class=\"imagem\"><img decoding=\"async\" title=\"Arte G\u00f3tica\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/arte-g2.jpg\" alt=\"Arte G\u00f3tica\" \/>\n<strong>Divis\u00e3o da ab\u00f3bada g\u00f3tica. Os arcos ogivais (arcos cruzados em diagonal) distribuem o peso da ab\u00f3bada, tornando-a com isso mais leve.<\/strong><\/p>\nOs arcos de meia circunfer\u00eancia usados nas ab\u00f3badas das igrejas rom\u00e2nicas faziam com que todo o peso da constru\u00e7\u00e3o fosse descarregado sobre as paredes.\n\n<strong>Isso obrigava a um apoio lateral resistente:<\/strong>\u00a0pilares maci\u00e7os, paredes mais espessas, poucas aberturas para fora. O espa\u00e7o para as janelas era bem reduzido e o interior da igreja escurecia. O esp\u00edrito do povo pedia luz e grandiosidade. Ent\u00e3o como consegu\u00ed-las?\n\nO arco em meia circunfer\u00eancia foi substitu\u00eddo por arcos ogivais ou arcos cruzados. Isso dividiu o peso da ab\u00f3bada central, fazendo com que ele se descarregasse sobre v\u00e1rios pontos, simultaneamente, podendo ser usado material mais leve, tanto para a ab\u00f3bada como para as bases de sustenta\u00e7\u00e3o. Em lugar dos s\u00f3lidos pilares, esbeltas colunetas passaram a receber o peso da ab\u00f3bada.\n\nO restante do peso foi distribu\u00eddo por pilares externos. Estes, por sua vez, remetem o peso aos contrafortes &#8211; torres pontiagudas e muito trabalhadas, que substituem as maci\u00e7as pilastras rom\u00e2nicas, com a mesma fun\u00e7\u00e3o. As torres d\u00e3o mais altura e majestade \u00e0 catedral.\n\n<strong>As paredes, perdendo sua import\u00e2ncia como base de sustenta\u00e7\u00e3o, passam a ser feitas com um dos materiais mais fr\u00e1geis de que se dispunha:<\/strong>\u00a0o vidro.\n\nSurge a desejada luminosidade. Grandes e fe\u00e9ricos vitrais coloridos ilustram em desenhos cenas da vida crist\u00e3. A magia dos vitrais g\u00f3ticos, que filtram a luz do sol, enche a igreja de uma claridade m\u00edstica que lembra a presen\u00e7a divina.\n\nO sistema de suportes constitu\u00eddos de pilares cantonados e fasciculados, pequenas colunas cil\u00edndricas e nervos, junto com os arcobotantes, tornou a parede mais leve, at\u00e9 seu quase total desaparecimento. As janelas ogivais e as rosetas acentuaram ainda mais a transpar\u00eancia da constru\u00e7\u00e3o. A inten\u00e7\u00e3o era criar no visitante a impress\u00e3o de um espa\u00e7o que se al\u00e7ava infinitamente at\u00e9 o c\u00e9u.\n\n<strong>Livros de Pedra<\/strong>\n\nOs templos cat\u00f3licos de estilo g\u00f3tico constru\u00eddos na Idade M\u00e9dia revelam toda a magia dos ocultistas e sociedades secretas da \u00e9poca.\n\n<strong>Os sinais cabal\u00edsticos est\u00e3o por toda a parte:<\/strong>\u00a0nas altas colunas de m\u00e1rmore, nos capit\u00e9is, nos arcos, nos altares. Eles contam a hist\u00f3ria da constru\u00e7\u00e3o das catedrais g\u00f3ticas &#8211; s\u00edmbolos da religiosidade cat\u00f3lica mas tamb\u00e9m dos mais profundos mist\u00e9rios da magia que imperava na Idade M\u00e9dia.\n\nEst\u00e3o ali rastros dos druidas (sacerdotes celtas que reverenciavam as florestas como divindades), vis\u00edveis na arquitetura que lembra um bosque petrificado. Est\u00e3o tamb\u00e9m nas ros\u00e1ceas &#8211; um dos mais importantes s\u00edmbolos da ordem dos cavaleiros templ\u00e1rios e dos ma\u00e7ons &#8211; desenhadas nos vitrais. Est\u00e3o ali ainda os signos do zod\u00edaco &#8211; prova de que a astrologia era admitida pelos papas da igreja da \u00e9poca.\n\nEnfim, Notre Dame, Chartres, Amien, Col\u00f4nia e Duomo de Mil\u00e3o podem ser vistas como gigantescos livros de pedra, cuja leitura exige n\u00e3o s\u00f3 uma boa dose de conhecimento esot\u00e9rico mas a capacidade de ver al\u00e9m da realidade.\n\n<strong>At\u00e9 a ado\u00e7\u00e3o do estilo g\u00f3tico &#8211; que surgiu no in\u00edcio do mil\u00eanio, no norte da Fran\u00e7a, e rapidamente se espalhou pela It\u00e1lia, Alemanha, Inglaterra, Espanha e \u00c1ustria &#8211; os templos cat\u00f3licos eram erguidos segundo os princ\u00edpios rom\u00e2nicos:<\/strong>\u00a0escuros como cavernas. Todo o seu peso se apoiava em suas largas paredes. J\u00e1 as catedrais g\u00f3ticas s\u00e3o claras, exuberantes e sua sustenta\u00e7\u00e3o est\u00e1 nas ab\u00f3badas. O g\u00f3tico representa a verticaliza\u00e7\u00e3o da f\u00e9 e convida a uma uni\u00e3o com a divindade. Seus elementos seriam o fogo e o ar, que evocam a purifica\u00e7\u00e3o inici\u00e1tica e a eleva\u00e7\u00e3o espiritual. Eles est\u00e3o expressos em vitrais, torres e nas ros\u00e1ceas vermelhas, cujas formas lembram labaredas.\n\n<strong>Ros\u00e1ceas<\/strong>\n\nA inten\u00e7\u00e3o dos arquitetos ao pintar as ros\u00e1ceas era fazer com que a luminosidade criasse a sensa\u00e7\u00e3o de um fogo inici\u00e1tico, durante as v\u00e9speras e na hora mariana ( hor\u00e1rios can\u00f4nicos correspondentes a 6 e 18 horas). Consideradas pant\u00e1culos ( esp\u00e9cies de talism\u00e3 ) do cristianismo, as ros\u00e1ceas s\u00e3o a principal fonte de entrada de luz no interior das catedrais g\u00f3ticas . Geralmente , h\u00e1 duas delas nas laterais e uma sobre a entrada principal &#8211; para os ocultistas, esta \u00faltima ros\u00e1cea \u00e9 a fronteira entre o sagrado e o profano.\n\nNa verdade, as ros\u00e1ceas funcionam como um mapa das tradi\u00e7\u00f5es que s\u00e3o transmitidas h\u00e1 s\u00e9culos aos iniciados. &#8220;Uma das chaves para sua interpreta\u00e7\u00e3o s\u00e3o as suas cores, as mesmas do arco-\u00edris &#8211; um s\u00edmbolo da alian\u00e7a de Deus com o homem, no fim do dil\u00favio&#8221;, diz o pesquisador Leo Reisler.\n\nTamb\u00e9m os alquimistas d\u00e3o grande import\u00e2ncia a esse elemento da arquitetura g\u00f3tica. At\u00e9 o final da Idade M\u00e9dia, a ros\u00e1cea central era chamada de A Roda, que na alquimia significa o tempo necess\u00e1rio para o fogo agir sobre a mat\u00e9ria, transmutando-a. Essa vis\u00e3o \u00e9 refor\u00e7ada pelo esquema de incid\u00eancia de luz sobre elas. A ros\u00e1cea da lateral esquerda, por exemplo, nunca \u00e9 iluminada pelo sol. \u00c9 a cor negra, a mat\u00e9ria em seu estado bruto, a morte. J\u00e1 a da direita, irradia, ao sol do meio-dia, uma luminosidade branca &#8211; a cor das vestes do iniciado que acaba de abandonar as trevas. Finalmente, a ros\u00e1cea central, ao receber a luz do p\u00f4r-do-sol, parece incendiar-se, e banha o templo com um tom rubro, sin\u00f4nimo da perfei\u00e7\u00e3o absoluta, da predomin\u00e2ncia do esp\u00edrito sobre a mat\u00e9ria.\n\n<strong>Localiza\u00e7\u00e3o<\/strong>\n\nDe acordo com mapeamento feito pelo pensador cat\u00f3lico Bernard Clairveaux, fundador da Ordem Cisterciense, de monges beneditinos, as catedrais g\u00f3ticas ficam pr\u00f3ximas de antigos menires ( pedras sagradas ), consideradas como centros de energia do mundo. Tamb\u00e9m a estrutura das catedrais g\u00f3ticas n\u00e3o parecem resultado de simples c\u00e1lculos arquitet\u00f4nicos. De acordo com Fulcanelli, o grande alquimista que nos anos vinte escreveu O Mist\u00e9rio das Catedrais, o plano dessas igrejas tem a forma de uma cruz latina estendida no solo.\n\nNa alquimia, essa cruz \u00e9 s\u00edmbolo do crisol, ou seja, do ponto em que a mat\u00e9ria perde suas caracter\u00edsticas iniciais para se transmutar em outra completamente diferente. Nesse caso, a igreja teria ent\u00e3o o objetivo inici\u00e1tico de fazer com que o homem comum, ao penetrar em seus mist\u00e9rios, renascesse para uma nova forma de exist\u00eancia, mais espiritualizada. Ainda segundo Fulcanelli, essa inten\u00e7\u00e3o \u00e9 refor\u00e7ada pelo fato de a entrada desses templos estar sempre voltada para o Ocidente.\n\n<strong>Caminhamento<\/strong>\n\nAssim, ao se caminhar na dire\u00e7\u00e3o do santu\u00e1rio, volta-se obrigatoriamente para o Oriente, o lugar onde nasce o sol, ou seja, sai-se das trevas e ruma-se para a Luz, em dire\u00e7\u00e3o ao ber\u00e7o das grandes tradi\u00e7\u00f5es espirituais. Esse convite \u00e0 inicia\u00e7\u00e3o est\u00e1 presente at\u00e9 mesmo no piso, em que costuma haver a representa\u00e7\u00e3o de um labirinto. Chamados de Labirintos de Salom\u00e3o (rei b\u00edblico, s\u00edmbolo da sabedoria) eles costumam se localizar num ponto em que a nave (o espa\u00e7o que vai da entrada do templo ao santu\u00e1rio) e os transeptos ( os bra\u00e7os da cruz ) se unem. Seu sentido alqu\u00edmico \u00e9 o mesmo do mito grego de Teseu, o her\u00f3i que entra num labirinto a fim de combater o Minotauro. Ap\u00f3s vencer o monstro &#8211; metade homem, metade touro &#8211; consegue voltar, gra\u00e7as ao fio que sua esposa Ariadne (aranha) lhe dera.\n\n<strong>Filosoficamente, os labirintos s\u00e3o os caminhos que o homem percorre em sua vida:<\/strong>\u00a0cedo ou tarde ele entrar\u00e1 em contato com seu monstro interior, isto \u00e9, seus defeitos de car\u00e1ter. Quem consegue combater e vencer as pr\u00f3prias imperfei\u00e7\u00f5es (o Minotauro) e possuem o fio de Ariadne (s\u00edmbolo do conhecimento inici\u00e1tico) conseguem efetivamente ver a verdadeira Luz. Em Amiens, norte da Fran\u00e7a, essa alegoria torna-se clara, gra\u00e7as \u00e0 exist\u00eancia de uma grande lage na qual se esculpiu um sol em ouro bem no centro do labirinto. J\u00e1 em Chartres, havia antigamente uma pintura que mostrava todo o mito de Teseu.\n\n<strong>Autoria<\/strong>\n\nTalvez o mais intrigante de todos os mist\u00e9rios que envolvem a constru\u00e7\u00e3o das catedrais \u00e9 que nenhuma delas possui um autor, algu\u00e9m que assine o projeto. At\u00e9 hoje, o \u00fanico tipo de identifica\u00e7\u00e3o encontrado s\u00e3o marcas gravadas nas pedras. Essas marcas representam geralmente instrumentos de trabalho estilizados, como martelos e compassos, e era um tipo de registro profissional, que o mestre-de-obras usava para controlar o trabalho de cada um de seus obreiros.\n\nTodo artes\u00e3o possu\u00eda uma marca pr\u00f3pria, que passava de pai para filho, de mestre para disc\u00edpulo. Em fun\u00e7\u00e3o de guerras, pestes e outros flagelos, muitas vezes as obras das igrejas ficavam temporariamente interrompidas, e os trabalhadores viajavam, oferecendo seus servi\u00e7os em outras cidades e pa\u00edses. Ganharam, assim, o nome de franc-ma\u00e7ons, ou pedreiros livres, cuja associa\u00e7\u00f5es acabaram resultando na Ma\u00e7onaria. Mas esta, embora detenha antigos conhecimentos esot\u00e9ricos, se consolidou como ordem inici\u00e1tica apenas em 1792.\n\n<strong>Busca<\/strong>\n\nSe a busca dos idealizadores do g\u00f3tico ainda permanece um enigma, o estudo da origem da express\u00e3o &#8216;<strong>arte g\u00f3tica<\/strong>&#8216; apenas refor\u00e7a a id\u00e9ia de que sua inspira\u00e7\u00e3o \u00e9 totalmente m\u00edstica. Estudos etimol\u00f3gicos remetem \u00e0s palavras gregas go\u00e9s-go\u00e9ts, de bruxo, bruxaria, que sugere a id\u00e9ia de uma arte m\u00e1gica.\n\nO alquimista Fulcanelli prefere associar &#8216;<strong>arte g\u00f3tica<\/strong>&#8216; a argot, que significa idioma particular, oculto, uma esp\u00e9cie de cabala falada, cujo os praticantes seriam os argotiers (arg\u00f3ticos), descendentes dos argonautas. No mito grego de Jas\u00e3o, eles dirigiam o navio Argos, viajando em busca do Tos\u00e3o de Ouro. Jas\u00e3o teria sido um grande mestre, que iniciava seus disc\u00edpulos nos mist\u00e9rios eg\u00edpcios, inclusive na geometria sagrada, que \u00e9 uma das chaves da arquitetura g\u00f3tica. Prova dessa heran\u00e7a eg\u00edpcia est\u00e1 no fato de os construtores g\u00f3ticos disporem os s\u00edmbolos que aparecem nos entalhes, nas est\u00e1tuas, nos medalh\u00f5es e vitrais de maneira que obede\u00e7am sempre a uma seq\u00fc\u00eancia que torna inevit\u00e1vel a associa\u00e7\u00e3o de uns com os outros. Trata-se de um recurso eg\u00edpcio de memoriza\u00e7\u00e3o que permite a apreens\u00e3o de um grande n\u00famero de informa\u00e7\u00f5es, pois somos, sem perceber, levados a relacionar cada coisa ao local onde ela se encontra. Talvez seja esse o motivo pelo qual muitas vezes o zod\u00edaco est\u00e1 representado dentro das catedrais fora de sua ordem convencional.\n\n<strong>Longe de ser aleat\u00f3rio, esse desmembramento est\u00e1 relacionado ao sentido mais esot\u00e9rico de cada signo, como se v\u00ea a seguir:<\/strong>\n<blockquote><strong>\u00c1ries: <\/strong>Geralmente sua figura \u00e9 a de um carneiro, que simboliza o in\u00edcio do caminho na busca da eleva\u00e7\u00e3o espiritual.<strong>\nTouro: <\/strong>Representado pelo pr\u00f3prio Touro, \u00e0s vezes est\u00e1 associado ao evangelista Lucas; \u00e0s vezes a Cristo. Simboliza a vida na mat\u00e9ria.<strong>\nG\u00eameos: <\/strong>Sua representa\u00e7\u00e3o usual \u00e9 de duas figuras humanas abra\u00e7adas, que expressam a capacidade de elevar espiritualmente o pr\u00f3ximo por meio da transmiss\u00e3o de conhecimentos. Em Chartres, este signo aparece junto a uma das portas e mostra dois cavaleiros atr\u00e1s de um grande escudo.<strong>\nC\u00e2ncer: <\/strong>Na forma de um caranguejo ou de um lagostim, costuma estar pr\u00f3ximo da pia batismal, junto da imagem do arcanjo Gabriel. Com certeza, trata-se de uma influ\u00eancia da Cabala, que associa a Lua, regente de C\u00e2ncer, a Gabriel, o emiss\u00e1rio do nascimentos. A inten\u00e7\u00e3o \u00e9 mostrar que, por meio do batismo (ritual inici\u00e1tico), o homem pode se religar \u00e0s esferas espirituais das quais se origina.<strong>\nLe\u00e3o: <\/strong>Com a mesma representa\u00e7\u00e3o de hoje, \u00e9 emblema do evangelista Marcos, a quem emprestaria seus atributos de persist\u00eancia e for\u00e7a de vontade na busca da espiritualiza\u00e7\u00e3o.<strong>\nVirgem: <\/strong>Algumas vezes aparece como uma jovem segurando uma espiga de milho. Mas pode tamb\u00e9m estar representado por uma est\u00e1tua da pr\u00f3pria Virgem Maria, com uma estrela na cabe\u00e7a. \u00c9 um dos signos mais ricos de significados nas igrejas g\u00f3ticas, uma vez que a maioria delas foi dedicada justamente \u00e0 m\u00e3e de Cristo. Em Amiens, por exemplo, ela se encontra em duas \u00e1rvores. Na iconografia crist\u00e3, uma delas representaria a \u00e1rvore pela qual a humanidade caiu &#8211; numa refer\u00eancia ao mito de Eva e da serpente tentadora enroscada numa \u00e1rvore &#8211; , enquanto a outra remete \u00e0 cruz de Cristo, pela qual a humanidade foi redimida.<strong>\nLibra: <\/strong>Quase sempre aparece como uma mulher segurando uma balan\u00e7a desproporcionalmente grande, no interior da qual h\u00e1 uma pessoa envolta num halo de luz. Seria um lembrete para o homem de que ele tamb\u00e9m faz parte do divino.<strong>\nEscorpi\u00e3o: <\/strong>Sua imagem pode ser traduzida por uma \u00e1guia (s\u00edmbolo de eleva\u00e7\u00e3o espiritual) e representa o evangelista Jo\u00e3o. Ou, ent\u00e3o, aparece como um escorpi\u00e3o mesmo, j\u00e1 com um sentido de regress\u00e3o espiritual. S\u00f3 que, como n\u00e3o havia escorpi\u00f5es na Europa, muitas das suas representa\u00e7\u00f5es t\u00eam pouqu\u00edssimo a ver com a realidade. Em ambas as formas, o signo est\u00e1 localizado aonde a luz do sol chega por \u00faltimo.<strong>\nSagit\u00e1rio: <\/strong>Este signo costuma ser representado por um centauro prestes a disparar a sua flecha. Na catedral de Amiens, por\u00e9m, ele aparece na forma de um s\u00e1tiro. Mas ambos traduzem a luta que o homem precisa travar para vencer sua natureza material, a fim de ascender a planos mais elevados.<strong>\nCapric\u00f3rnio: <\/strong>Meio cabra, meio peixe, este signo indica as posi\u00e7\u00f5es que o homem tem de enfrentarem busca de espiritualiza\u00e7\u00e3o.<strong>\nAqu\u00e1rio: <\/strong>Representado por um homem segurando um livro ou um pergaminho, foi adotado como emblema do pr\u00f3prio cristianismo e do evangelho de Mateus. Esotericamente, seria o ar c\u00f3smico, que permeia todas as formas de vida.<strong>\nPeixes: <\/strong>Rico em significados esot\u00e9ricos, aparece normalmente como dois peixes unidos por um cord\u00e3o, nadando em dire\u00e7\u00e3o opostas. O cord\u00e3o seria o fio de prata que une o esp\u00edrito e a alma durante a vida, mas que se rompe na morte. Um dos peixes corresponde, portanto, ao esp\u00edrito, que permanece acima do plano f\u00edsico, enquanto o outro, a alma, seria um intermedi\u00e1rio direto com a mat\u00e9ria.<\/blockquote>\nUma curiosidade do cristianismo medieval \u00e9 que, com exce\u00e7\u00e3o do peixe, a maioria dos outros animais eram considerados funestos, embora fosse comum encontr\u00e1-los nas catedrais g\u00f3ticas. Dessa fauna maldita faziam parte o drag\u00e3o e o grifo, figura mitol\u00f3gica meio le\u00e3o, meio p\u00e1ssaro (inv\u00f3lucros do dem\u00f4nio), o cavalo (usado pelas for\u00e7as das trevas), o bode (lux\u00faria), a loba (avareza), o tigre (arrog\u00e2ncia), o escorpi\u00e3o (trai\u00e7\u00e3o), o le\u00e3o (viol\u00eancia), o corvo (mal\u00edcia), a raposa (heresia), a aranha (o diabo), os sapos (pecados) e at\u00e9 a avestruz (impureza).\n\n<strong>Baphomet<\/strong>\n\nA figura mais temida da fauna que povoava o imagin\u00e1rio medieval era o Bafom\u00e9, que aparece com destaque na porta de todas as igrejas g\u00f3ticas. Metade homem, metade bode, por muito tempo foi confundido com o dem\u00f4nio crist\u00e3o.\n\n<strong>Mas seu sentido \u00e9 bem outro, como explica o te\u00f3logo Victor Franco:<\/strong>\u00a0&#8220;O Bafom\u00e9 \u00e9 um s\u00edmbolo templ\u00e1rio que expressa a necessidade humana de transcender seus instintos b\u00e1sicos, a fim de ascender espiritualmente e cumprir seu papel evolutivo. Ser parte de Deus, at\u00e9 se confundir com Ele, \u00e9 o sentido da verdadeira humaniza\u00e7\u00e3o. E este era o ensinamento maior dos idealizadores do g\u00f3tico, que criaram uma arquitetura viva. As catedrais est\u00e3o t\u00e3o perfeitamente integradas ao cosmo e s\u00e3o praticamente for\u00e7as da natureza&#8221;.\n\n<strong>Chartres<\/strong>\n\nTeve sua constru\u00e7\u00e3o iniciada em 1194, num local onde havia, nos tempos pag\u00e3os, uma gruta com a est\u00e1tua de uma Virgem Negra, esculpida em madeira pelos druidas e venerada por milhares de peregrinos franceses.\n\nDesde dos prim\u00f3rdios do cristianismo, a gruta fora substitu\u00edda por templos cat\u00f3licos. Mas a catedral com suas 178 janelas, 2500 metros quadrados de vitrais e 700 est\u00e1tuas e estatuetas no Portal Real s\u00f3 ficou pronta em 1260, sob o reinado de Filipe Augusto.\n\nToda a cidade participou dos trabalhos, e era h\u00e1bito os pescadores assumirem o lugar dos cavalos entre as cangas dos carros que transportavam material. Um sacrif\u00edcio e tanto, pois a pedreira mais pr\u00f3xima ficava a meio dia de viagem. E, diariamente, antes do expediente, todos comungavam, para n\u00e3o contaminar a obra.\n\n<strong>Duomo de Mil\u00e3o<\/strong>\n\nCom a pedra fundamental lan\u00e7ada em 1386, inaugurada v\u00e1rias vezes e ainda incompleta, \u00e9 uma esp\u00e9cie de tapete de Pen\u00e9lope dos milaneses. A iniciativa da constru\u00e7\u00e3o partiu do duque Gian Galeazzo Visconti, que a ofereceu como ex-voto \u00e0 Virgem, em troca de um herdeiro. Mas toda a cidade contribuiu, at\u00e9 mesmo as prostitutas, que ofereceram uma noite de trabalho.\n\nCom 11 mil metros quadrados de \u00e1rea, 145 agulhas de 180 metros de altura, 3159 est\u00e1tuas e 96 gigantes esculpidos, \u00e9 um monumento que ainda consome milh\u00f5es de liras em sua finaliza\u00e7\u00e3o. E para o qual at\u00e9 mesmo os sucessivos invasores de Mil\u00e3o ( beleguins, croatas, alem\u00e3es, espanh\u00f3is e franceses) contribu\u00edram. Napole\u00e3o, por exemplo, construiu a fachada, e a imperatriz austr\u00edaca Maria Teresa doou um Cravo da Cruz de Cristo como rel\u00edquia.\n\n<strong>Col\u00f4nia<\/strong>\n\nA constru\u00e7\u00e3o come\u00e7ou em 1248 e s\u00f3 foi finalizada em 1880, por Frederico Guilherme IV, que conseguiu recuperar o projeto original. Concebida para abrigar os restos mortais dos tr\u00eas Reis Magos, saqueados da Lombardia por Barba-Roxa e guardados num sarc\u00f3fago de ouro e prata com 300 quilos de peso, a igreja ostenta quase 7 mil metros de fachada e \u00e9 um dos maiores templos do mundo. Suas janelas t\u00eam 17 metros de altura, e as torres, que alcan\u00e7am 150 metros, abrigam sinos grandiosos com mais de trinta toneladas de bronze. O curioso \u00e9 que metade desse bronze foi obtida com a fundi\u00e7\u00e3o de canh\u00f5es requisitados de inimigos vencidos. Durante a Segunda Grande Guerra, quando a cidade foi praticamente destru\u00edda, a situa\u00e7\u00e3o se inverteu e os sinos \u00e9 que foram fundidos, para se transformar de novo em armamentos.\n\n<strong>Notre Dame<\/strong>\n\nIniciada em 1163 e conclu\u00edda em 1330, j\u00e1 abrigou sob seus arcos coroa\u00e7\u00f5es e mendigos. Tamb\u00e9m resistiu a devasta\u00e7\u00f5es entre os s\u00e9culos 18 e19, quando teve suas pinturas e est\u00e1tuas, vitrais e portas, tirados e substitu\u00eddos por ornamentos barrocos. Na Revolu\u00e7\u00e3o Francesa, transformaram-na em dep\u00f3sito de suprimentos e uma das torres foi derrubada simbolicamente, decapitada como os membros do clero. Mais tarde, vendida ao conde de Saint-Simon, quase foi demolida.\n\nDurante a Comuna de Paris, tentou-se incendi\u00e1-la. Sobreviveu a tudo e resiste, cercada por lendas, como a do ferreiro Biscornet. Dizem que, encarregado de fazer suas fechaduras e assustado com a tarefa, Biscornet teria pedido ajuda ao Diabo, que, ali\u00e1s, deve ter aceitado o pacto, pois as fechaduras s\u00e3o mesmo obras de arte.\n\n<strong>Amiens<\/strong>\n\nConstru\u00edda em 1221, \u00e9 uma das obras-primas do g\u00f3tico na Fran\u00e7a. Um verdadeiro feito, pois em apenas tr\u00eas s\u00e9culos os franceses ergueram nada menos que 80 catedrais e 500 grandes igrejas neste estilo, sem falar nos milhares de templos paroquiais. Era uma verdadeira corrida arquitet\u00f4nica, na qual Amiens saiu vencedora, superando at\u00e9 mesmo Chartres e Notre Dame. Sua ab\u00f3bada atinge a altura de quase 43 metros e cria uma sensa\u00e7\u00e3o de suntuosidade inigual\u00e1vel.\n\nClaro que a realiza\u00e7\u00e3o desse feito exigiu o empenho de toda a comunidade, e, sempre que os fundos escasseavam, os monges e c\u00f4negos locais ofereciam indulg\u00eancias \u00e0queles que colaborassem com a constru\u00e7\u00e3o. Exortavam, particularmente, os penitentes e moribundos, lembrando-os de que j\u00e1 estavam &#8220;mais pr\u00f3ximos do para\u00edso&#8221; do que no dia anterior.\n\n<strong>ARQUITETURA G\u00d3TICA<\/strong>\n\nEm arquitetura o estilo g\u00f3tico \u00e9 caracterizado pelo arco de ogiva. Este estilo apareceu na Fran\u00e7a nos fins do s\u00e9culo XII e expandiu-se pela Europa Ocidental, mantendo-se at\u00e9 a Renascen\u00e7a, ou seja, at\u00e9 o s\u00e9culo XIV, na It\u00e1lia, e at\u00e9 o s\u00e9culo XVI ao norte dos Alpes. Moore definiu a arquitetura g\u00f3tica como um &#8220;sistema de ab\u00f3badas, cuja estabilidade era assegurada por um equil\u00edbrio perfeito de for\u00e7as&#8221;. Esta interessante defini\u00e7\u00e3o \u00e9 infelizmente incompleta, pois nem sequer cita os arcos de ogiva. Mas a verdade \u00e9 que, se este elemento \u00e9 fundamental no estilo g\u00f3tico, aparece tamb\u00e9m noutros estilos, assim como o arco de volta inteira surge igualmente nos edif\u00edcios g\u00f3ticos. Durante o per\u00edodo rom\u00e2nico, o arco de ogiva aparece principalmente nos lugares onde existe forte influ\u00eancia sarracena.\n\nOs arquitetos da catedral rom\u00e2nica de Monreale, utilizaram-no freq\u00fcentemente. O rom\u00e2nico espanhol, e mesmo o proven\u00e7al, empregaram o arco de ogiva. Por outro lado, num edif\u00edcio t\u00e3o g\u00f3tico quanto a catedral de Chartres, as janelas da clarab\u00f3ia da nave s\u00e3o de volta inteira, salvo nas suas subdivis\u00f5es, assim como os arcos diagonais da Notre-Dame de Paris. O arco de ogiva n\u00e3o \u00e9 pois, t\u00e3o caracter\u00edstico do g\u00f3tico como geralmente se pensa.\n\nA defini\u00e7\u00e3o de Moore n\u00e3o menciona as paredes, mas somente os tr\u00eas elementos principais da constru\u00e7\u00e3o. No g\u00f3tico franc\u00eas, uma vez chegado o seu m\u00e1ximo esplendor, a parede deixou de ser com efeito, elemento da estrutura. O edif\u00edcio \u00e9 uma gaiola de vidro e de pedra com as janelas que v\u00e3o de um pilar a outro. Se a parede existe ainda, por exemplo, sob as janelas das naves laterais, \u00e9 somente como defesa contra as intemp\u00e9ries. Tudo se passa como se as paredes rom\u00e2nicas tivessem sido cortadas em se\u00e7\u00f5es e cada se\u00e7\u00e3o houvesse girado sobre si pr\u00f3pria num \u00e2ngulo reto para o exterior, de modo a formar contra-fortes.\n\nNo seu in\u00edcio o g\u00f3tico franc\u00eas baseava-se nos elementos estruturais definidos por Moore, por\u00e9m essa defini\u00e7\u00e3o s\u00f3 se aplicaria \u00e0 elabora\u00e7\u00e3o do g\u00f3tico franc\u00eas n\u00e3o abrangendo a arquitetura g\u00f3tica de outros pa\u00edses ou as fases ulteriores deste estilo na Fran\u00e7a.\n\n<strong>A AB\u00d3BADA<\/strong>\n\nDentre os elementos da arquitetura g\u00f3tica este seria o mais importante. Os arquitetos g\u00f3ticos introduziram duas inova\u00e7\u00f5es fundamentais na constru\u00e7\u00e3o de ab\u00f3badas. Em primeiro lugar para os arcos dobrados e os arcos dianteiros terem a mesma dimens\u00e3o que os arcos cruzeiros, adotaram o arco de ogiva.\n\nO cruzamento das ogivas permite obter ab\u00f3badas com arcos da mesma altura. Numa ab\u00f3bada que cubra um espa\u00e7o retangular, a ogiva dos arcos formeiros tem de ser muito pronunciada. Por outro lado, os construtores g\u00f3ticos tentaram concentrar a press\u00e3o das ab\u00f3badas ao longo de uma linha \u00fanica, em frente de cada pilar, no exterior do edif\u00edcio.\n\n<strong>Os arcos g\u00f3ticos alteiam os arcos formeiros:<\/strong>\u00a0em vez de os iniciar ao mesmo n\u00edvel que os arcos diagonais, inserem um colunelo que permite colocar o nascimento dos arcos formeiros em n\u00edvel superior ao dos outros. as janelas da clarab\u00f3ia podem, assim, tornar-se mais importantes e deixa de ser necess\u00e1rio acentuar a ogiva do arco formeiro para obter uma ab\u00f3bada de flechas iguais. Finalmente, a zona coberta pela ab\u00f3bada na parede exterior reduz-se a uma linha em vez de se limitar a um tri\u00e2ngulo. A nave da Catedral de Amiens oferece um exemplo claro deste sistema.\n\n<strong>SUPORTE<\/strong>\n\nUma vez que a arquitetura g\u00f3tica se desenvolveu \u00e0 partir da rom\u00e2nica, podemos encontrar um colunelo para cada nervura da ab\u00f3bada, o que efetivamente acontece sobre os capit\u00e9is da arcada da nave. Como as propor\u00e7\u00f5es do edif\u00edcio se tornaram mais leves, os fustes s\u00e3o mais esguios do que na arte rom\u00e2nica e sublinham o movimento ascendente do conjunto. Quanto ao pilar propriamente dito, o caso \u00e9 diferente. O pilar composto rom\u00e2nico, por mais l\u00f3gico que seja, \u00e9 relativamente espesso; define o espa\u00e7o da nave central e separa-a das laterais.\n\nAs diferentes partes da igreja s\u00e3o desde ent\u00e3o concebidas como unidade separadas. O g\u00f3tico parece primeiramente retroceder. O pilar composto \u00e9 substitu\u00eddo por uma coluna lisa e redonda cuja massa, menos volumosa, facilita a passagem entre a nave central e as laterais, criando um espa\u00e7o \u00fanico. Para que se torne poss\u00edvel utilizar colunas lias, os suportes aparentes dos arcos da ab\u00f3bada devem terminar ao n\u00edvel dos capit\u00e9is, o que embora arquitetonicamente poss\u00edvel \u00e9 pouco est\u00e9tico. Com efeito, as verticais r\u00edgidas dos colunelos parecem interromper-se bruscamente demais.\n\nEntretanto o desejo de se construir catedrais cada vez mais altas leva a um grande aprimoramento t\u00e9cnico e os fort\u00edssimos pilares de Chartres por exemplo nos elegantes fustes de Amiens, testemunho de uma experi\u00eancia mais avan\u00e7ada em termos de arquitetura.\n\nA habilidade t\u00e9cnica em constante progresso dos construtores dos s\u00e9culos XIV e XV permitir-lhes-\u00e1 recorrer de novo ao pilar composto, cujos elementos ser\u00e3o t\u00e3o finos e t\u00e3o delicados que ele parece desafiar as leis da gravidade.\n\n<strong>CONTRAFORTE<\/strong>\n\n\u00c9 o terceiro e \u00faltimo elemento estrutural do g\u00f3tico\n\n<strong>As paredes g\u00f3ticas ao contr\u00e1rio das rom\u00e2nicas s\u00e3o finas, ou inexistentes sendo o contraforte tipicamente g\u00f3tico composto de duas partes:<\/strong>\n<blockquote>A primeira o contraforte propriamente dito inspira-se no contraforte rom\u00e2nico e est\u00e1 colocado em \u00e2ngulo reto em rela\u00e7\u00e3o a igreja, contra a parede lateral, e, no mais alto grau de perfei\u00e7\u00e3o, eleva-se bastante alto. O peso deste elemento neutraliza a press\u00e3o das ab\u00f3badas.\n\nO segundo elemento, ou arcobotante, \u00e9 especificamente g\u00f3tico. O arcobotante tem uma caixilharia diagonal de pedra; est\u00e1 escorado de um lado pelo contraforte, colocado a certa dist\u00e2ncia da parede, e por outro lado pela clarab\u00f3ia da nave. O arcobotante dirige a press\u00e3o da ab\u00f3bada para o exterior por cima da cobertura da nave central. Como \u00e9 cimbrado por baixo, exerce um pouco de press\u00e3o sobre o v\u00e3o; sozinho n\u00e3o poderia resistir \u00e0 press\u00e3o lateral das ab\u00f3badas, mas associado aos contrafortes, tem uma for\u00e7a enorme. Foi gra\u00e7as a esse elemento que o g\u00f3tico ousou construir naves t\u00e3o altas e t\u00e3o claras. A catedral g\u00f3tica, eleva-se para o c\u00e9u como uma ora\u00e7\u00e3o e tal como a filosofia medieval, exprime o intang\u00edvel e transcende o homem na sua procura do al\u00e9m.<\/blockquote>\n<strong>ARQUITETURA CIVIL<\/strong>\n\nNo in\u00edcio da Idade M\u00e9dia a arquitetura civil refletia as condi\u00e7\u00f5es incertas da \u00e9poca. Enquanto os camponeses viviam em cabanas de adobe ou pau-a-pique, ou mais raramente materiais s\u00f3lidos, a nobreza europ\u00e9ia vivia em castelos sem d\u00favida imponentes, mas inc\u00f4modos e desconfort\u00e1veis. O fosso constitui a primeira linha de defesa. Os muros s\u00f3lidos s\u00e3o enquadrados por torres colocadas nos \u00e2ngulos e de ambos os lados da entrada e coroados por ameias cuja fun\u00e7\u00e3o \u00e9 proteger e os arqueiros. Possuem tamb\u00e9m o menor n\u00famero de aberturas poss\u00edveis e mesmo estas s\u00e3o muito pequenas.\n\nNo in\u00edcio da Idade M\u00e9dia a arquitetura civil refletia as condi\u00e7\u00f5es incertas da \u00e9poca. Enquanto os camponeses viviam em cabanas de adobe ou pau-a-pique, ou mais raramente materiais s\u00f3lidos, a nobreza europ\u00e9ia vivia em castelos sem d\u00favida imponentes, mas inc\u00f4modos e desconfort\u00e1veis. O fosso constitui a primeira linha de defesa. Os muros s\u00f3lidos s\u00e3o enquadrados por torres colocadas nos \u00e2ngulos e de ambos os lados da entrada e coroados por ameias cuja fun\u00e7\u00e3o \u00e9 proteger e os arqueiros. Possuem tamb\u00e9m o menor n\u00famero de aberturas poss\u00edveis e mesmo estas s\u00e3o muito pequenas.\n\nEntretanto as condi\u00e7\u00f5es de vida e a seguran\u00e7a melhoram com o tempo. Com a posterior populariza\u00e7\u00e3o do vidro as vidra\u00e7as se tornam mais comuns, resolvendo o problema da ilumina\u00e7\u00e3o e aquecimento. Passa-se a ter uma maior preocupa\u00e7\u00e3o com o conforto e a fam\u00edlia e os servos passam a ter quartos de dormir mais amplos e confort\u00e1veis. Cada divis\u00e3o importante \u00e9 aquecida por fog\u00f5es e as janelas envidra\u00e7adas ajudam a manter a temperatura e garantem uma boa luminosidade.\n\n<strong>MOB\u00cdLIA G\u00d3TICA<\/strong>\n\nQuanto a mob\u00edlia g\u00f3tica essa de in\u00edcio era bem pouco numerosa. As pinturas de \u00e9poca nos mostram camas maci\u00e7as, mas o m\u00f3vel principal era arca onde se guardavam os bens, e que servia igualmente de banco, ou at\u00e9 mesmo de cama. Os raros exemplares de m\u00f3veis g\u00f3ticos que possu\u00edmos testemunham o mesmo estilo direto, o mesmo respeito pelos materiais e o mesmo amor pela ornamenta\u00e7\u00e3o lavrada que na arquitetura e escultura. Este mobili\u00e1rio \u00e9 a maior parte das vezes de carvalho maci\u00e7o.\n\n<strong>ESCULTURA G\u00d3TICA<\/strong>\n\nAs principais caracter\u00edsticas da escultura g\u00f3tica s\u00e3o a tend\u00eancia ao naturalismo e a busca da beleza ideal. Em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 rigidez e abstra\u00e7\u00e3o pr\u00f3prias do rom\u00e2nico, os escultores g\u00f3ticos pretenderam imitar a natureza e tanto reproduziram pequenos detalhes vegetais como figuras dotadas de certo movimento e expressividade.\n\nO tipo de religiosidade havia mudado em rela\u00e7\u00e3o ao da alta Idade M\u00e9dia, e estabeleceu-se uma rela\u00e7\u00e3o mais direta com a divindade. Ante o todo-poderoso Deus rom\u00e2nico, o g\u00f3tico centrou-se nas figuras de Cristo e da Virgem; ante o hieratismo anterior daquele estilo, buscou a humanidade das figuras divinas.\n\nNos p\u00f3rticos das catedrais narravam-se em escultura, com clara finalidade did\u00e1tica, os principais temas religiosos, como a vida de Cristo e da Virgem, a Ressurrei\u00e7\u00e3o e o Ju\u00edzo Final, e at\u00e9 alguns profanos, como as esta\u00e7\u00f5es do ano ou o zod\u00edaco. No fim do g\u00f3tico, a escultura em relevo acabou por invadir completamente as fachadas. Paralelamente a estas, o relevo se desenvolveu em ret\u00e1bulos, monumentos funer\u00e1rios e bancadas de coros, lugares em que, \u00e0s vezes, se chegou a empregar a madeira. A escultura em redondo teve desenvolvimento menor e em geral se dedicou \u00e0 imagem de culto.\n\nDurante a evolu\u00e7\u00e3o do g\u00f3tico, a escultura exterior foi-se libertando do limite arquitet\u00f4nico para adquirir volume e movimento pr\u00f3prios. Muitas vezes as figuras se relacionavam entre si e expressavam sentimentos. Os panejamentos foram ganhando mobilidade e, em muitos casos, deixaram intuir a anatomia, representada cada vez melhor. Depois de um per\u00edodo de grande expressividade, a escultura g\u00f3tica evoluiu, na fase final, para um patetismo excessivo.\n\nA escultura g\u00f3tica se estendeu da zona da \u00cele-de-France, seu primeiro foco, a outras regi\u00f5es e pa\u00edses europeus. Destacam-se as fachadas dos cruzeiros da catedral de Chartres, assim como o portal dedicado \u00e0 Virgem, na Notre-Dame de Paris, e as fachadas de Amiens e Reims, todas do s\u00e9culo XIII.Durante o s\u00e9culo XIV verificou-se um alongamento das formas e a escultura p\u00f4de ent\u00e3o separar-se do limite arquitet\u00f4nico. No fim desse mesmo s\u00e9culo criou-se em Dijon, na corte dos duques de Borgonha, uma brilhante oficina escult\u00f3rica, onde trabalhou Claus Sluter, autor do &#8220;Po\u00e7o de Mois\u00e9s&#8221; e do sepulcro de Filipe II o Audaz.\n\nNa It\u00e1lia verificou-se um abandono progressivo da est\u00e9tica bizantina dominante, gra\u00e7as \u00e0 chegada do g\u00f3tico franc\u00eas e \u00e0 influ\u00eancia da escultura cl\u00e1ssica. Os melhores representantes foram Nicola Pisano, com o p\u00falpito do batist\u00e9rio de Pisa; Andrea Pisano, que fez a primeira porta do batist\u00e9rio de Floren\u00e7a; e Arnolfo di Cambio.\n\nNa Espanha, a escultura soube transformar os modelos importados, segundo um estilo particular, e tendeu para um misticismo severo e de intenso realismo. A escultura de portais seguiu o exemplo franc\u00eas, como ocorreu com as portas do Sarmental e da Coroner\u00eda, na catedral de Burgos, ou com a &#8220;Virgem branca&#8221; no mainel da fachada principal da catedral de Le\u00f3n.\n\nNo s\u00e9culo XIV, a escultura exterior das catedrais tornou-se mais minuciosa, por influ\u00eancia das obras em marfim e da arte mud\u00e9jar. Datam dessa \u00e9poca a Porta do Rel\u00f3gio da catedral de Toledo, o portal da igreja de Santa Maria de Vit\u00f3ria e a Porta Preciosa da catedral de Pamplona. O conjunto mais importante da escultura g\u00f3tica do s\u00e9culo XIV est\u00e1 na Catalunha e \u00e9 formado por sepulcros e ret\u00e1bulos de clara influ\u00eancia italiana, como o t\u00famulo de D. Jo\u00e3o de Arag\u00e3o.\n\nNo s\u00e9culo XV a influ\u00eancia da Borgonha e de Flandres tornou-se dominante e muitos mestres dessas nacionalidades chegaram \u00e0 pen\u00ednsula ib\u00e9rica. Em Castela destacaram-se os trabalhos de Sim\u00e3o de Col\u00f4nia (S\u00e3o Paulo de Valladolid), Egas Cueman (portal dos Le\u00f5es da catedral de Toledo), Juan Guas (San Juan de los Reyes de Toledo) e Gil de Silo\u00e9 (sepulcros de Jo\u00e3o II e Isabel de Portugal na cartuxa de Miraflores). Em Sevilha, a influ\u00eancia flamenga mostra-se na obra de Lorenzo Mercadante, autor do sepulcro do cardeal Cervantes. Em Arag\u00e3o, a est\u00e9tica borgonhesa se fez sentir na obra de Guillermo Sagrera.\n\n<strong>PINTURA G\u00d3TICA<\/strong>\n\nCom a redu\u00e7\u00e3o da extens\u00e3o da parede nas igrejas, restringiu-se a pintura mural, que ficou relegada principalmente a salas capitulares e edif\u00edcios civis. Em seu lugar, as igrejas g\u00f3ticas se encheram de vitrais, que transformaram os efeitos luminosos em jogos pict\u00f3ricos. Os mais destacados est\u00e3o nas catedrais francesas de Chartres e Notre-Dame de Paris, e na de Le\u00f3n, na Espanha. Tamb\u00e9m aumentou a produ\u00e7\u00e3o de tape\u00e7arias, que decoravam as paredes de pal\u00e1cios e casas senhoriais, e ganharam especial expans\u00e3o a arte da miniatura e a pintura de cavalete sobre madeira, mais f\u00e1cil de transportar e destinada \u00e0 composi\u00e7\u00e3o de ret\u00e1bulos.\n\nDurante os s\u00e9culos XIII e XIV, a pintura era linear, muito estilizada, de ritmo sinuoso e dominada pelo desenho e pela eleg\u00e2ncia formal. Pouco a pouco, a plenitude do rom\u00e2nico cedeu lugar a figuras com algum sentido do volume, colocadas sobre fundos planos, quase sempre dourados, e, mais tarde, com certa sugest\u00e3o de paisagem.\n\nOs temas pict\u00f3ricos procediam das hagiografias, das Sagradas Escrituras e dos relatos cavalheirescos. Tal como sucedeu com a arquitetura e a escultura, esse primeiro estilo da pintura g\u00f3tica tamb\u00e9m se originou na Fran\u00e7a, motivo pelo qual foi chamado franco-g\u00f3tico. Suas melhores manifesta\u00e7\u00f5es s\u00e3o vitrais e miniaturas.\n\nO refinado mundo cortes\u00e3o, que concedia uma singular import\u00e2ncia \u00e0 mulher, produziu no s\u00e9culo XV um novo estilo, conhecido como internacional, que unia a est\u00e9tica franco-g\u00f3tica \u00e0s influ\u00eancias dos mestres de Siena. Entre outras obras, destacaram-se as miniaturas do livro As riqu\u00edssimas horas do duque de Berry, de autoria dos irm\u00e3os Limbourg.\n\nCom o desenvolvimento das escolas florentina e de Siena nos s\u00e9culos XIII e XIV, a It\u00e1lia encaminhou-se para o Renascimento, com seus novos postulados de busca de volume e de preocupa\u00e7\u00e3o com a natureza. Entre seus principais representantes devem ser mencionados Cimabue e Giotto, em Floren\u00e7a, e Duccio di Buoninsegna e Simone Martini, em Siena.\n\nA minuciosa pintura flamenga a \u00f3leo chegou a ser o estilo mais apreciado no mundo g\u00f3tico. A utiliza\u00e7\u00e3o do \u00f3leo possibilitou cores mais vivas e brilhantes e maior detalhismo. Os iniciadores dessa escola foram os irm\u00e3os Hubert e Jan van Eyck, que pintaram o &#8220;Pol\u00edptico da adora\u00e7\u00e3o do Cordeiro m\u00edstico&#8221;. Outros artistas destacados foram Roger van der Weyden, Hans Memling e G\u00e9rard David.\n\n<strong>O G\u00d3TICO DA INGLATERRA &#8211; A CONTINUA\u00c7\u00c3O DAS TRADI\u00c7\u00d5ES NORMANDAS<\/strong>\n\nO fato do estilo da Ile de France se ter tornado conhecido fora do territ\u00f3rio franc\u00eas deve-se aos mestres pedreiros itinerantes, trazendo, assim, o g\u00f3tico para a Inglaterra. Este acabou por se desenvolver numa verdadeira rivalidade com o g\u00f3tico das catedrais francesas. Em Inglaterra as grandes igrejas eram erigidas fora das cidades.\n\nComo caracter\u00edstica h\u00e1 a expans\u00e3o desmesurada do comprimento e da largura, e o arremate plano da cabeceira, \u00e0 qual era adossada a Lady Capel. O papel central do cruzeiro tamb\u00e9m era vis\u00edvel do exterior.\n\nEsta evolu\u00e7\u00e3o acaba de desembocar, de modo conseq\u00fcente em meados do s\u00e9c XIV, no perpendicular style. Esta arquitetura manteve-se determinante por muitos s\u00e9culos na Inglaterra, vindo a ter influencia sobre o g\u00f3tico tardio em Fran\u00e7a com o seu estilo flamejante.\n\n<strong>O G\u00d3TICO NA ALEMANHA &#8211; O DESENVOLVIMENTO DA IGREJA-SAL\u00c3O<\/strong>\n\nNa Alemanha, onde o rom\u00e2nico tinha encontrado o seu desenvolvimento m\u00e1ximo, o g\u00f3tico franc\u00eas foi adotado de modo hesitante. Em 1248, o ano da conclus\u00e3o da Sainte-Chapelle, era colocada a primeira pedra da constru\u00e7\u00e3o da catedral de Col\u00f4nia.\n\nOs mestres-pedreiros alem\u00e3es tinham passado os seus anos de aprendizagem na Fran\u00e7a existindo, alem disto, rela\u00e7\u00f5es estreitas entre Paris e Col\u00f4nia. No entanto, a constru\u00e7\u00e3o da catedral de Col\u00f4nia foi interrompida em 1560 e apenas retomada em 1842, terminando em 1880.\n\nAs igrejas-sal\u00e3o &#8211; o tipo de igreja dominante na Alemanha a partir de meados do s\u00e9c XIV n\u00e3o eram, no geral, catedrais (igrejas episcopais) mas sim igrejas de conventos ou paroquiais ( igrejas de v\u00e1rias freguesias nas cidades ).\n\n<strong>O G\u00d3TICO NA ALEMANHA DO NORTE<\/strong>\n\nAqui a pedra natural era rara. O esfor\u00e7o dirigiu-se gradualmente para uma interpreta\u00e7\u00e3o das formas (decorativas) das catedrais do g\u00f3tico lassico com a silharia de pedra lavrada e de tijolo, a simplifica\u00e7\u00e3o e abstra\u00e7\u00e3o das estruturas, a aplica\u00e7\u00e3o de arcos cegos e a ornamenta\u00e7\u00e3o geom\u00e9trica sobre fundos cegos.\n\n<strong>O G\u00d3TICO NA IT\u00c1LIA<\/strong>\n\nO g\u00f3tico italiano liberou-se ainda mais do modelo franc\u00eas. O culto da habita\u00e7\u00e3o conduziu \u00e0 edifica\u00e7\u00e3o de pal\u00e1cios residenciais suntuosos como o C\u00e1 d&#8217;Oro em Veneza, iniciada em 1420. J\u00e1 anteriormente o brio das cidades italianas e dos seus burgueses (ricos) tinha produzido Casas Comunais libertas do dom\u00ednio da arquitetura sacra.\n\nA tend\u00eancia para uma arquitetura palatina \u00e9 ainda mais marcante na Casa Comunal de Veneza, o pal\u00e1cio do Doge, regente desta cidade-rep\u00fablica, que possu\u00eda o status de pr\u00edncipe. O pal\u00e1cio do Doge foi ainda mais longe que a C\u00e1d&#8217;Oro. Em ambos os edif\u00edcios, mostra-se ainda mais claro do que na Alemanha, que as superf\u00edcies das paredes n\u00e3o tinham o aspecto pesado e maci\u00e7o da rom\u00e2nica, mas que parecessem antes pain\u00e9is finos e leves.\n\nA arq. asc\u00e9tica das ordens mendicantes teve uma grande influ\u00eancia sobre a arquitetura sacra italiana. O modelo foi a bas\u00edlica paleocrist\u00e3.\n\n<strong>A CAMINHO DE UMA ARQUITETURA MAIS HUMANA<\/strong>\n\nO g\u00f3tico italiano pouco adotou dos modelos franceses. \u00c9 na igreja florentina de Santa Maria dei Fiore ( 1296 &#8211; 1446 ) que se torna mais evidente a prefer\u00eancia italiana por espa\u00e7os amplos. Marcadamente horizontais e de estrutura\u00e7\u00e3o clara.\n\n<strong>A burguesia italiana tinha ascendido ao poder e \u00e0 prosperidade mais rapidamente que a alem\u00e3, desenvolvendo uma outra religiosidade, que resultou na transforma\u00e7\u00e3o da arquitetura :\u00a0<\/strong>o sagrado j\u00e1 n\u00e3o se opunha ao secular. Assim, o g\u00f3tico italiano trazia j\u00e1 em s\u00ed o embri\u00e3o do renascimento.\n\n<strong>EDI\u00c7\u00c3O DO VITR\u00daVIO DE CESARIANO<\/strong>\n\nO pintor, arquiteto e engenheiro Cesariano apresentou, em 1521, a primeira tradu\u00e7\u00e3o para o italiano do tratado sobre arquitetura da antiguidade cl\u00e1ssica de Vitr\u00favio, com in\u00fameros coment\u00e1rios e ilustra\u00e7\u00f5es xilografadas. Cesariano desenvolveu, em paralelo com Leonardo, a afinidade das rela\u00e7\u00f5es m\u00e9tricas do homem, do cosmos e da arquitetura, que viria mais tarde a ter uma grande influ\u00eancia sobre a teoria e a pr\u00e1tica da arquitetura renascentista.\n<p class=\"imagem\"><img decoding=\"async\" title=\"Arte G\u00f3tica\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/arte-g3.jpg\" alt=\"Arte G\u00f3tica\" \/>\n<strong>Catedral de Canterbury Kent, Gr\u00e3-Bretanha<\/strong><\/p>\n<p class=\"imagem\"><img decoding=\"async\" title=\"Arte G\u00f3tica\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/arte-g4.jpg\" alt=\"Arte G\u00f3tica\" \/>\n<strong>Catedral de Lincoln Lincolnshire, Gr\u00e3-Bretanha<\/strong><\/p>\n<p class=\"imagem\"><img decoding=\"async\" title=\"Arte G\u00f3tica\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/arte-g5.jpg\" alt=\"Arte G\u00f3tica\" \/>\n<strong>Catedral de Mil\u00e3o Mil\u00e3o, It\u00e1lia<\/strong><\/p>\nPrincipalmente para os cisterciences a igreja j\u00e1 n\u00e3o tinha de ser o modelo da Jerusal\u00e9m Celeste, mas um local de ora\u00e7\u00e3o. Os serm\u00f5es iam ocupando um papel cada vez mais importante no culto. Os burgueses que habitavam as cidades, sobretudo mercadores, voltavam-se cada vez mais para as coisas deste mundo, onde realizavam as suas atividades, prosperava e mantinham rela\u00e7\u00f5es comerciais com freq\u00fc\u00eancia atrav\u00e9s de grandes dist\u00e2ncias. N\u00e3o que o al\u00e9m tivesse se tornado secund\u00e1rio, mas ia perdendo, pouco a pouco, o seu dom\u00ednio opressivo sobre o pensamento das pessoas.\n\nA equival\u00eancia entre a vida neste mundo e no outro, germina o pensamento renascentista, que encontra a sua express\u00e3o maior numa maior aten\u00e7\u00e3o dada \u00e0 imagem exterior das igrejas &#8211; as cidades altivas e os seus burgueses cheios de brio davam cada vez mais import\u00e2ncia a uma imagem que os representasse.\n\nEm paralelo surgiram, em n\u00famero crescente, constru\u00e7\u00f5es civis mais suntuosas, que representavam a cidade, a sua import\u00e2ncia e a sua prosperidade. Se no auge do g\u00f3tico a constru\u00e7\u00e3o da catedral se encontra no centro da atividade construtiva, como obra da comunidade, agora o interesse tamb\u00e9m se voltava para o modo como a habita\u00e7\u00e3o e, em parte, o local de trabalho era modelado. Um exemplo \u00e9 a sacada, da qual se podia observar confortavelmente a rua em ambas as dire\u00e7\u00f5es, num n\u00edtido volver para as coisas deste mundo.\n<h4>Arte G\u00f3tica &#8211; Defini\u00e7\u00e3o<\/h4>\nOs historiadores do Renascimento foram os primeiros a utilizar o termo g\u00f3tico. Surgido ent\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o com a palavra godo, referente a um dos povos b\u00e1rbaros que invadiu o Imp\u00e9rio Romano. Buscou-se atrav\u00e9s dessa semelhan\u00e7a caracterizar o estilo g\u00f3tico como b\u00e1rbaro, obscuro, carregado de apelos decorativos e com uma exagerada altura das torres.\n\nEssa vis\u00e3o foi amplamente difundida e permanece forte at\u00e9 hoje, com o termo g\u00f3tico sendo sin\u00f4nimo de trevas, escurid\u00e3o e tristeza.\n\nNo entanto, a seguinte analise procura mostrar se essa forma caracterizada pelos renascentistas e que sobrevive at\u00e9 hoje condiz com o movimento art\u00edstico surgido no s\u00e9culo XII, no medievo.\n\n<strong>Contexto hist\u00f3rico<\/strong>\n\nO surgimento da\u00a0<strong>arte g\u00f3tica<\/strong>\u00a0est\u00e1 relacionado \u00e0 expans\u00e3o urbana do s\u00e9culo XII. Resultado da supera\u00e7\u00e3o da crise dos s\u00e9culos anteriores com o aumento da produ\u00e7\u00e3o rural. Entre 1150 a 1300, a popula\u00e7\u00e3o do reino da Fran\u00e7a praticamente duplica, e \u00e9 um crescimento demogr\u00e1fico que tem como cen\u00e1rio as cidades.\n\nNelas existe uma organiza\u00e7\u00e3o militar possuindo a fun\u00e7\u00e3o primaria de garantir a circula\u00e7\u00e3o das mercadorias e do dinheiro.\n\n<strong>No entanto, a cidade se constituiu rapidamente em uma entidade jur\u00eddica e territorial:<\/strong>\u00a0nela se concentram &#8211; no interior de uma estrutura que facilita a coexist\u00eancia &#8211; a nobreza, o clero, e a nascente burguesia.\n\nResultado desse renascimento urbano ocorre tamb\u00e9m uma expans\u00e3o comercial, uma transforma\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica ocorrida principalmente na regi\u00e3o de Flandres, ao redor do rio Reno e do Rio Sena.\n\nE nesse ressurgimento das cidades, faz- se necess\u00e1rio identificar e compreender os agentes que contribu\u00edram para o nascimento e a firma\u00e7\u00e3o da\u00a0<strong>arte g\u00f3tica<\/strong>\u00a0dentro do ambiente urbano.\n\n<strong>O nascimento do g\u00f3tico<\/strong>\n\nO nascimento do g\u00f3tico ocorreu entre os anos de 1137 e 1144, na regi\u00e3o de Ile-de-France, com a reedifica\u00e7\u00e3o, dirigida pelo abade Suger, da abadia real de Saint-Dennis, situada ent\u00e3o \u00e0s portas de Paris.\n\nPara se compreender porque o estilo surgiu nesse lugar e n\u00e3o em qualquer outro, \u00e9 preciso conhecer a rela\u00e7\u00e3o especial que existia entre Saint-Dennis, Suger e a monarquia francesa.\n\nOs reis franceses fundamentavam seus direitos na tradi\u00e7\u00e3o carol\u00edngia, embora pertencessem \u00e0 dinastia capet\u00edngia. Entretanto, a autoridade do monarca foi enfraquecida diante dos nobres, que teoricamente eram seus vassalos, chegando ao extremo de todo o territ\u00f3rio real ficar reduzido a Ile-de-France.\n\nO poder do rei s\u00f3 come\u00e7aria a impor-se e estender-se no in\u00edcio do s\u00e9culo XII. O abade Suger, conselheiro principal de Lu\u00eds VI, desempenhou um papel decisivo nesta mudan\u00e7a. Foi ele quem forjou a alian\u00e7a entre a Igreja e a Monarquia trazendo os bispos de Fran\u00e7a e de seus vassalos para o lado do rei, al\u00e9m de apoiar o Papado na luta contra os Imperadores germ\u00e2nicos.\n\nAl\u00e9m disso, Suger foi importante no plano da pol\u00edtica espiritual. Conferiu \u00e0 dignidade r\u00e9gia uma significa\u00e7\u00e3o religiosa e glorificou-a como o bra\u00e7o direito da justi\u00e7a, procurando com isso agrupar o reino junto ao soberano.\n\n<strong>A reforma da Abadia de Saint-Denis fazia parte do seu plano, porque essa igreja erguida no final do s\u00e9culo VIII detinha um duplo prest\u00edgio, ideal para as inten\u00e7\u00f5es de Suger:<\/strong>\u00a0era o santu\u00e1rio do Ap\u00f3stolo da Fran\u00e7a, o protetor sagrado do reino e, ao mesmo tempo, o principal monumento comemorativo da dinastia Carol\u00edngia, pois, tanto Carlos Magno, como seu pai, Pepino, o Breve, tinham sido ali sagrados reis, e tamb\u00e9m l\u00e1 estavam sepultados Carlos Martel, Pepino, o Breve e Carlos, o Calvo. Suger quis fazer da Abadia o centro espiritual da Fran\u00e7a, uma igreja de peregrina\u00e7\u00e3o que ofuscasse o esplendor de todas as outras, o centro de todo o fervor religioso e patri\u00f3tico.\n\nA essa reforma da abadia de Saint-Denis, o marco inicial do g\u00f3tico, seguiu-se uma competi\u00e7\u00e3o entre cada cidade da Europa Ocidental para ver em qual delas estaria o monumento mais esplendoroso, e quanto mais fosse, mais o olhar protetor de Deus estaria presente. Essa preocupa\u00e7\u00e3o com o olhar do criador para a cidade reflete outra preocupa\u00e7\u00e3o presente no per\u00edodo.\n\nEntre os s\u00e9culos XII e XIII h\u00e1 uma acentua\u00e7\u00e3o da espiritualidade no Ocidente, e a filosofia teol\u00f3gica de Suger reflete essa efervesc\u00eancia. Segundo esse pensamento Deus representa a luz inicial e criadora, onde toda a criatura participa recebendo e transmitindo a ilumina\u00e7\u00e3o divina segundo a sua capacidade, isto \u00e9, segundo o lugar que ocupa na escala dos seres, segundo o n\u00edvel em que o pensamento de Deus hierarquicamente a situou. Desta forma, esse ideal tamb\u00e9m legitimava a divis\u00e3o em tr\u00eas ordens presente na sociedade medieval.\n\nEssa centraliza\u00e7\u00e3o proposta atrav\u00e9s do pensamento de Suger foi uma forma de alcan\u00e7ar uma unidade religiosa combatendo a presen\u00e7a e amea\u00e7a da heresia, e tamb\u00e9m os falsos profetas, reconduzindo os pecadores a verdadeira f\u00e9 crist\u00e3.\n\nPortanto, a Igreja g\u00f3tica seria um edif\u00edcio amplo, diverso e firmemente ordenado tendo uma fun\u00e7\u00e3o doutrinal, que atrav\u00e9s de sua magnific\u00eancia mostraria as sedu\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para, ao mesmo tempo, ressaltar as fraquezas dos pensamentos contr\u00e1rios e reconduzir ao caminho verdadeiro todos os crentes rec\u00e9m chegados \u00e0 vida urbana.\n\nApesar de Suger ser considerado o marco inicial do g\u00f3tico, ele pr\u00f3prio n\u00e3o tinha a consci\u00eancia de estar criando um estilo realmente novo. A pr\u00f3pria reforma da Abadia de Saint-Denis \u00e9 considerada uma forma transit\u00f3ria entre o estilo art\u00edstico anterior (o rom\u00e2nico) e o g\u00f3tico. No entanto, a filosofia sugeriana e os elementos inovadores que trouxe foram a grande base para que o g\u00f3tico ganhasse for\u00e7a como movimento art\u00edstico medieval.\n\nOutra caracter\u00edstica presente no contexto do surgimento do g\u00f3tico \u00e9 de que a catedral tamb\u00e9m representava o orgulho burgu\u00eas. Pois ela representava o s\u00edmbolo da riqueza de toda a aglomera\u00e7\u00e3o urbana. Por isso, os burgueses foram os principais colaboradores da constru\u00e7\u00e3o de novas catedrais em v\u00e1rias cidades francesas, investindo imensos capitais para sua constru\u00e7\u00e3o.\n\nO interesse burgu\u00eas era devido ao fato de que esse s\u00edmbolo urbano n\u00e3o era usado apenas para ora\u00e7\u00e3o, mas era tamb\u00e9m um local de reuni\u00e3o das associa\u00e7\u00f5es de of\u00edcio. Alem deste monumento ser importante para atrair mais o com\u00e9rcio a uma regi\u00e3o, e facilitar a identifica\u00e7\u00e3o do n\u00facleo de poder de uma cidade.\n\n<strong>Carater e Caracter\u00edsticas arquitet\u00f4nicas<\/strong>\n\n<strong>A seguir ser\u00e3o apresentados a ideologia e os principais tra\u00e7os arquitet\u00f4nicos que identificam o estilo g\u00f3tico:<\/strong>\n\nA\u00a0<strong>arte g\u00f3tica<\/strong>\u00a0n\u00e3o possui nenhum tra\u00e7ado novo, Suger reuniu art\u00edfices de muitas e variadas regi\u00f5es para realizar o seu projeto. No entanto a arquitetura g\u00f3tica n\u00e3o pode ser considerada apenas uma mera s\u00edntese de elementos art\u00edsticos anteriores. A novidade surgida com o g\u00f3tico foi \u00e0 import\u00e2ncia dada ao tra\u00e7ado rigorosamente geom\u00e9trico e a busca da luminosidade.\n\n<strong>A &#8220;Harmonia&#8221; entre esses dois elementos seria a fonte de toda a beleza, pois exemplifica as leis segundo as quais a raz\u00e3o divina construiu o Universo:\u00a0<\/strong>a &#8220;miraculosa&#8221; luz inundando a capela-mor atrav\u00e9s da &#8220;sacrat\u00edssimas&#8221; janelas torna-se a Luz Divina, uma rela\u00e7\u00e3o m\u00edstica do esp\u00edrito de Deus.\n\nDentro dessa luminosidade divina existe um aspecto fortemente hierarquizado, pois segundo esse princ\u00edpio cada criatura reflete essa luz de acordo com a posi\u00e7\u00e3o que ocupa.\n\nOutro importante aspecto da catedral g\u00f3tica \u00e9 seu tra\u00e7ado em dire\u00e7\u00e3o ao c\u00e9u. Tanto no exterior quanto no interior, todas as linhas da sua constru\u00e7\u00e3o apontam para o alto. Essa atra\u00e7\u00e3o para cima \u00e9 acentuada pelo uso de arcos pontudos (arcos ogivais) e de tecnicas que distribuem parte do seu peso fazendo com que chegue cada vez mais alto.\n\nEsse verticalismo da\u00a0<strong>arte g\u00f3tica<\/strong>\u00a0\u00e9 um esfor\u00e7o para mostrar como esse edif\u00edcio est\u00e1 mais pr\u00f3ximo de seu criador, al\u00e9m de ressaltar sua magnific\u00eancia dentro da cidade numa clara refer\u00eancia de poder. Saindo do \u00e2mbito local, as catedrais tamb\u00e9m foram motivo de rivalidade entre v\u00e1rios centros urbanos resultando em edif\u00edcios de propor\u00e7\u00f5es cada vez maiores.\n\n<strong>Principais elementos da arte g\u00f3tica<\/strong>\n\n<strong>A Ab\u00f3bada<\/strong>\n\nA ab\u00f3bada \u00e9 uma cobertura c\u00f4ncava. Caracteriza-se por um teto arqueado, usualmente constitu\u00eddo por pedras aparelhadas, tijolos ou bet\u00e3o. \u00c9 um elemento pesado e que gera v\u00e1rios impulsos, em diversas dire\u00e7\u00f5es, que devem ser equilibrados ou apoiados.\n\nAssim, enquanto que as for\u00e7as verticais se distribuem pelas paredes ou pelos arcos e pilares, os impulsos horizontais s\u00e3o contidos atrav\u00e9s do uso de contrafortes ou arcobotantes.\n\n<strong>O Arcobotante<\/strong>\n\nO arcobotante (ou botar\u00e9u) \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o em forma de meio arco, erguida na parte exterior dos edif\u00edcios g\u00f3ticos para apoiar as paredes e repartir o peso das paredes e colunas. Desta forma foi poss\u00edvel aumentar a altura das edifica\u00e7\u00f5es dando forma e fun\u00e7\u00e3o com a t\u00e9cnica da \u00e9poca.\n\n<strong>Contraforte<\/strong>\n\nUm contraforte \u00e9 o refor\u00e7o de muro ou muralha, geralmente se constituindo de um pilar de alvenaria na superf\u00edcie externa de uma parede, para sustentar a press\u00e3o de uma ab\u00f3bada, terra\u00e7o ou outros esfor\u00e7os que possam derrub\u00e1-la. O contraforte tamb\u00e9m pode funcionar em conjunto com o arcobotante.\n\n<strong>Com esta solu\u00e7\u00e3o de engenharia &#8211;<\/strong>\u00a0reduzir o peso atrav\u00e9s dos contrafortes &#8211; foi poss\u00edvel reduzir a espessura das paredes e colunas, abrir numerosas janelas e elevar o teto a alturas impressionantes. As paredes puderam ent\u00e3o ser decoradas por imensos pain\u00e9is de vidro (vitrais), que inundam de luz o interior, aumentando a sensa\u00e7\u00e3o de amplid\u00e3o no espa\u00e7o interno.\n\nNo exterior, as fachadas s\u00e3o quase sempre enquadradas por torres laterais, muito altas e arrematadas por flechas agudas.A tend\u00eancia para o alto \u00e9 refor\u00e7ada por numerosas torrezinhas (pin\u00e1culos), que terminam em flechas.\n\nA\u00a0<strong>arte g\u00f3tica<\/strong>\u00a0inventou solu\u00e7\u00f5es de arquitetura que s\u00f3 foram superadas no s\u00e9culo XIX, com o uso do a\u00e7o; e outras, s\u00f3 no s\u00e9culo XX, pelo concreto armado.\n\n<strong>Constru\u00e7\u00e3o de uma catedral<\/strong>\n\nA partir do conhecimento dos principais elementos que comp\u00f5e a\u00a0<strong>arte g\u00f3tica<\/strong>\u00a0faz-se necess\u00e1rio conhecer como se realizava a constru\u00e7\u00e3o das catedrais.\n\nA constru\u00e7\u00e3o de uma catedral g\u00f3tica formigava com d\u00fazias de trabalhadores dispostos em times de trabalho que eram supervisionados por um mestre construtor e por volta de 30 artes\u00e3os especialistas. Esses especialistas e alguns de seus mais habilidosos trabalhadores moviam-se de fun\u00e7\u00e3o em fun\u00e7\u00e3o aplicando li\u00e7\u00f5es aprendidas e passadas de um a um. O mestre construtor atuava como projetista artista e ainda como artes\u00e3o. Com o aux\u00edlio de r\u00e9guas, compassos, esquadros e outras poucas ferramentas geom\u00e9tricas, ele fazia as plantas da catedral.\n\n<strong>A Planta<\/strong>\n\n<strong>A planta b\u00e1sica da catedral g\u00f3tica tinha a forma de uma cruz, dividindo-se basicamente em:<\/strong>\n<blockquote><strong>Nave: <\/strong>Espa\u00e7o em forma de navio emborcado, que vai do portal principal ao cruzamento do transepto, entre duas fileiras de colunas que sustentam a abobada.<strong>\nTranseptos: <\/strong>Galeria transversal que separa o coro da grande nave e forma os bra\u00e7os da cruz.<strong>\nCoro: <\/strong>Local compreendido entre os transeptos indo at\u00e9 o outro extremo pr\u00f3ximo ao altar.<\/blockquote>\nNa parte inferior da cruz se situava a nave central circundada por naves laterais; na faixa horizontal existiam os transeptos e o cruzeiro (parte da igreja em que o transepto se cruza com a nave, diante da capela-mor), e na base da nave tinha-se a fachada principal; existiam ainda torres, por\u00e9m de localiza\u00e7\u00e3o variada.\n\n<strong>A funda\u00e7\u00e3o<\/strong>\n\nA funda\u00e7\u00e3o das catedrais tinha por volta de 9 metros de profundidade e era formada por camadas de pedras (blocos de calc\u00e1rio) assentadas com argamassa cuidadosamente dosada de areia, cal e \u00e1gua sobre a terra argilosa no fundo da escava\u00e7\u00e3o.\n\n<strong>Forma\u00e7\u00e3o da estrutura<\/strong>\n\nDevido ao custo, os andaimes eram m\u00ednimos, assim os trabalhadores confiavam sua alma a Deus e andavam sobre flex\u00edveis plataformas. Um perigoso momento para os trabalhadores ocorria quando as paredes atingiam suas alturas finais e os troncos de madeira para o telhado deviam ser elevados a essas alturas.\n\nO telhado era colocado antes da constru\u00e7\u00e3o das ab\u00f3badas. Auto- portantes, os telhados serviam de plataforma para a subida do maquin\u00e1rio empregado na constru\u00e7\u00e3o das ab\u00f3badas de pedra.\n\n<strong>Os vitrais<\/strong>\n\nAl\u00e9m da fun\u00e7\u00e3o decorativa e de elemento de forte simbologia eles fornecem-nos in\u00fameras informa\u00e7\u00f5es acerca das caracter\u00edsticas e do modo de vida durante a Idade M\u00e9dia. Os vitrais eram amplamente utilizados na ornamenta\u00e7\u00e3o de igrejas e catedrais, o efeito da luz solar que por eles penetrava, conferia uma maior impon\u00eancia e espiritualidade ao ambiente, efeito refor\u00e7ado pelas imagens retratadas, em sua maioria, cenas religiosas.\n\nEssas imagens funcionavam tamb\u00e9m como uma narrativa para instruir os fi\u00e9is, principalmente a maior parte da popula\u00e7\u00e3o que n\u00e3o tinha condi\u00e7\u00f5es de ler. Tornou desta maneira uma forma potente de fazer com que os fi\u00e9is pudessem sempre ter em mente os ensinamentos da Igreja.\n\nNos vitrais tamb\u00e9m \u00e9 comum notar personagens n\u00e3o- b\u00edblicas, que correspondem a indiv\u00edduos que colaboraram com doa\u00e7\u00f5es para a constru\u00e7\u00e3o de uma catedral.\n\nNa parte baixa da maior parte dos vitrais ou nas ros\u00e1ceas encontram-se figuras completamente estranhas \u00e0s lendas contadas pelo artista. S\u00e3o as representa\u00e7\u00f5es dos doadores e s\u00e3o chamadas de &#8220;assinatura do vitral&#8221;.\n\nAssim, com o telhado pronto, podia-se iniciar a constru\u00e7\u00e3o das ab\u00f3badas. Uma a uma, as pedras talhadas das nervuras eram colocadas sobre os cimbres de madeira e firmadas pelos pedreiros. Entre os cimbres eram instaladas t\u00e1buas de madeira, as quais funcionavam como base para o assentamento das pedras durante a secagem da argamassa.\n\nAp\u00f3s a secagem da argamassa, aplicava-se sobre as pedras uma camada de dez cent\u00edmetros de concreto (buscando evitar fissuras entre as pedras). Estando o concreto seco, as t\u00e1buas eram retiradas, seguidas pelos cimbres, finalizando-se a ab\u00f3bada .\n\nTamb\u00e9m no &#8220;canteiro&#8221; da catedral estavam presentes os artes\u00e3os especialistas em fazer e juntar peda\u00e7os de coloridos e brilhantes vidros para completar os buracos deixados entre as pedras e formar enormes e belos vitrais. V\u00e1rias cores eram obtidas unindo \u00f3xidos de metais e vidro fundido.\n\nO vidro era soprado e trabalhado em forma de cilindro e, ap\u00f3s resfriado, cortado, com a ajuda de um instrumento a base de ferro quente, em pequenos peda\u00e7os, geralmente menores que a pr\u00f3pria palma da m\u00e3o.\n\nObservando essas assinaturas notam-se a presen\u00e7a de profissionais no trabalho (cambistas, peleiros, escultores, taberneiros, padeiros e ferreiros), al\u00e9m de existirem vitrais dedicados inteiramente ao trabalho campon\u00eas. Existe ainda a presen\u00e7a de nobres pertencentes a cavalaria francesa, al\u00e9m \u00e9 claro de monarcas.\n\n<strong>Esculturas<\/strong>\n\nAs esculturas g\u00f3ticas est\u00e3o presentes principalmente nos portais das catedrais g\u00f3ticas que s\u00e3o marcadas pelo aparecimento da figura do ser humano que agora faz parte do conjunto arquitet\u00f4nico das catedrais.\n\n<strong>Essas novas esculturas marcam uma nova forma de representa\u00e7\u00e3o das formas humanas baseada em uma nova flexibilidade:<\/strong>\u00a0a curvatura do corpo, a eleg\u00e2ncia do porte e a preciosidade dos gestos, o sorriso que ilumina os rostos, marcando assim uma nova humanidade. A geometria n\u00e3o desaparece das esculturas, como tamb\u00e9m n\u00e3o desaparece de nenhuma disciplina art\u00edstica medieval.\n\nAo longo do s\u00e9culo XIII os temas relativos a Virgem e as cenas do Ju\u00edzo Final figuram na maior parte dos portais das igrejas g\u00f3ticas, havendo entretanto exce\u00e7\u00f5es como o caso de Saint Dennis. Em seu portal figuram personagens da monarquia francesa devido a sua fun\u00e7\u00e3o primordial de fortalecimento mon\u00e1rquico.\n\nA exuber\u00e2ncia da \u00e9poca g\u00f3tica exterioriza-se tamb\u00e9m nas representa\u00e7\u00f5es grotescas. Certos animais fant\u00e1sticos servem de g\u00e1rgulas que se encontram equilibrados nos contrafortes, espreitados sobre o parapeito, ou agachados sobre as cornijas. Contrariamente aos outros elementos g\u00f3ticos, eles est\u00e3o ligados \u00e0s mais remotas supersti\u00e7\u00f5es populares. Associados \u00e0 catedral contribuem para exprimir todo o vigor religioso da cristandade medieval.\n\nA expans\u00e3o do g\u00f3tico ocorre inicialmente para o sul da Fran\u00e7a e logo para o resto da Europa, onde os monges\u00a0cistercistences come\u00e7aram, a partir do s\u00e9culo XII, a exportar a\u00a0<strong>arte g\u00f3tica<\/strong>.\n\nNa Inglaterra o estilo chega em meados do s\u00e9culo XIII, e modifica-se para uma forma de g\u00f3tico curvil\u00edneo que ocupa o per\u00edodo que vai aproximadamente de 1250 a 1330. Os princ\u00edpios fundamentais da arquitetura g\u00f3tica se desenvolvem na Inglaterra com a mesma rapidez que na Fran\u00e7a, no entanto com a diferen\u00e7a de que no caso ingl\u00eas se consagra uma preocupa\u00e7\u00e3o maior com a ornamenta\u00e7\u00e3o.\n\n<strong>No Imp\u00e9rio ocorre uma situa\u00e7\u00e3o diferente:\u00a0<\/strong>a sobreviv\u00eancia da forma art\u00edstica anterior ao g\u00f3tico, o rom\u00e2nico, marca uma forte relut\u00e2ncia quanto \u00e0 penetra\u00e7\u00e3o do g\u00f3tico. Junco com uma arquitetura chamada de &#8220;transi\u00e7\u00e3o&#8221; se ergue monumentos que reproduzem modelos estrangeiros (Col\u00f4nia), e outros que combinam uma planta arcaica com um forma moderna (Tr\u00e9veris), al\u00e9m de outras que adotam estruturas herdadas do s\u00e9culo XII (Marburgo). Esta fase \u00e9 denominada de fase de recep\u00e7\u00e3o, e posteriormente a arquitetura germ\u00e2nica vai encontrar uma orienta\u00e7\u00e3o est\u00e9tica pr\u00f3pria, com a igreja halle.\n\nJ\u00e1 a Espanha parece importar diretamente o g\u00f3tico da Fran\u00e7a setentrional que \u00e9 combinado ao estilo mud\u00e9jar.\n\nEnquanto que a It\u00e1lia se mostra refrat\u00e1ria ao novo estilo. Em Flor\u00eancia, por exemplo, apenas a forma dos arcos que \u00e9 incorporado, sendo que a estrutura segue sendo herdada das bas\u00edlicas paleocrist\u00e3s.\n<h4>Arte G\u00f3tica &#8211; Hist\u00f3ria<\/h4>\nNa Hist\u00f3ria da Arte, o per\u00edodo conhecido como<strong>\u00a0G\u00f3tico<\/strong>\u00a0diz respeito \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es arquitet\u00f4nicas e pl\u00e1sticas (pintura, escultura, iluminura, dentre outras) do per\u00edodo que vai do s\u00e9culo XII at\u00e9 as primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XVI. Em virtude de sua ousadia e por ser fruto de um per\u00edodo de apogeu da Idade M\u00e9dia, a maioria dos leigos imagina que a Arte Medieval \u00e9 sin\u00f4nimo de arquitetura g\u00f3tica. As artes bizantina e rom\u00e2nica s\u00e3o freq\u00fcentemente esquecidas, em raz\u00e3o da espetacularidade pr\u00f3pria do g\u00f3tico.\n\nDurante os anos de desenvolvimento do estilo arquitet\u00f4nico e art\u00edstico conhecido atualmente como g\u00f3tico, a denomina\u00e7\u00e3o n\u00e3o existia e foi criada pelos renascentistas, que consideravam a Idade M\u00e9dia uma \u00e9poca b\u00e1rbara. A express\u00e3o &#8220;<strong>arte g\u00f3tica<\/strong>&#8221; era pejorativa, uma alus\u00e3o aos godos que, dentre as tribos invasoras, eram os mais conhecidos.\n\nOs limites cronol\u00f3gicos da arte b\u00e1rbara situam-se entre os s\u00e9culos V e VIII e fazem parte de suas influ\u00eancias a arte germ\u00e2nica da Idade do Bronze, a arte c\u00e9ltica da Idade de La T\u00e8ne e a arte paleocrist\u00e3.\n\n<strong>A partir do Bronze M\u00e9dio, a arte germ\u00e2nica apresentava caracter\u00edsticas uniformes, percebidas em manifesta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas pr\u00f3prias da ornamenta\u00e7\u00e3o, sobretudo quando aliadas ao uso individual:<\/strong>\u00a0instrumentos musicais, enfeites femininos, j\u00f3ias, armas, vasos e sepulturas.\n\nN\u00e3o havia, entre as tribos germ\u00e2nicas, artes\u00e3os especializados; a maior parte destes of\u00edcios era praticada como trabalho dom\u00e9stico e n\u00e3o recorriam \u00e0s representa\u00e7\u00f5es pl\u00e1sticas naturalistas da figura humana. A arquitetura tamb\u00e9m n\u00e3o era privilegiada pelos invasores, devido ao seminomadismo destes povos.\n\nEnquanto a arte romana era inspirada pelo ideal do Estado, a arte b\u00e1rbara era individualista.\n\nOs visigodos empregavam incrusta\u00e7\u00f5es policr\u00f4micas em metais, sobretudo em produ\u00e7\u00f5es de car\u00e1ter ornamental.\n\n<strong>Arnold Hauser, em seu Historia Social de La Literatura y El Arte (1969, p. 192) estabelece liga\u00e7\u00f5es entre a arte dos povos germ\u00e2nicos e a futura arte g\u00f3tica:<\/strong>\u00a0conforme o autor, h\u00e1 um &#8220;goticismo secreto&#8221; comum \u00e0s duas modalidades art\u00edsticas, que consiste na tens\u00e3o de um jogo abstrato de for\u00e7as.\n\nOs artistas visigodos trabalhavam o metal e a madeira com motivos geom\u00e9tricos. Os desenhos representavam tri\u00e2ngulos e c\u00edrculos tran\u00e7ados.\n\n<strong>No entanto, al\u00e9m da influ\u00eancia visigoda citada por Hauser, a arte sofreu as conseq\u00fc\u00eancias de uma s\u00e9rie de invas\u00f5es, sobretudo na Fran\u00e7a, onde a Hist\u00f3ria est\u00e1 ligada a grandes movimentos migrat\u00f3rios:<\/strong>\u00a0visigodos, francos, celtas, normandos, \u00e1rabes, invas\u00f5es pac\u00edficas dos comerciantes s\u00edrios, constitui\u00e7\u00e3o do imp\u00e9rio carol\u00edngio, dentre outros. Os povos germ\u00e2nicos j\u00e1 traziam consigo t\u00e9cnicas dos povos n\u00f4mades da \u00c1sia oriental e central, como os citas, s\u00e1rmatas e hunos.\n\nMuito antes do aparecimento das catedrais g\u00f3ticas, os primeiros templos crist\u00e3os, surgidos por volta do ano de 391, concorriam com as religi\u00f5es pag\u00e3s. A arte paleocrist\u00e3, um misto das artes oriental e greco-romana, surgiu quando os crist\u00e3os ainda sofriam persegui\u00e7\u00f5es violentas. Os primeiros artistas, acostumados \u00e0s figuras extremamente reais da arte greco-romana, impressionaram-se com a religiosidade caracter\u00edstica da arte oriental. Os \u00edcones, por exemplo, que sempre ocuparam lugar de destaque na arte religiosa, derivam dos retratos funer\u00e1rios eg\u00edpcios.\n\nA arte da Renascen\u00e7a Carol\u00edngia tamb\u00e9m legaria algumas influ\u00eancias. Ao contr\u00e1rio do que a classifica\u00e7\u00e3o sugere, a mesma n\u00e3o representou um recome\u00e7o strictu sensum, pois a valoriza\u00e7\u00e3o da arte romana devia estar atrelada ao cristianismo. Carlos Magno preocupou-se com o desenvolvimento da arte sacra a fim de que esta, por meio do luxo, encantasse os povos pag\u00e3os. Assim, a \u00e9poca carol\u00edngia presenciou a multiplica\u00e7\u00e3o de altares e criptas para o culto de rel\u00edquias.\n\nA cultura greco-romana, modelo para as oficinas da corte de Carlos Magno, impulsionou um novo estilo arquitet\u00f4nico denominado como rom\u00e2nico, devido \u00e0 semelhan\u00e7a com as constru\u00e7\u00f5es da Roma Antiga. As principais caracter\u00edsticas da arquitetura rom\u00e2nica s\u00e3o as ab\u00f3badas, os pilares maci\u00e7os que as sustentam e as paredes espessas com aberturas estreitas usadas como janelas.\n\n<strong>A arquitetura g\u00f3tica espalha-se da Irlanda ao Oriente Pr\u00f3ximo<\/strong>\n\n<strong>Abadia de Saint-Denis (1140-1281<\/strong>)\n\n<strong>O per\u00edodo denominado como g\u00f3tico na Hist\u00f3ria da Arte originou-se na \u00cele-de-France e estendeu-se por toda a Europa:<\/strong>\u00a0da Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica \u00e0 Escandin\u00e1via, passando pela Irlanda, pelas ilhas de Chipre e Rodes at\u00e9 o Oriente Pr\u00f3ximo. A arquitetura que veio a ser designada como &#8220;g\u00f3tica&#8221; a partir da Renascen\u00e7a apresentou caracter\u00edsticas peculiares em cada pa\u00eds europeu, ao longo de seus quatro s\u00e9culos de dura\u00e7\u00e3o.\n\n<strong>As influ\u00eancias rom\u00e2nicas fizeram-se presentes at\u00e9 mesmo na apropria\u00e7\u00e3o de termos usados pelos arquitetos rom\u00e2nicos:\u00a0<\/strong>ab\u00f3bada, t\u00edmpano, arcos, entre outros.\n\nNo entanto, foram combinadas em uma nova ordem, ou seja, em um proveito in\u00e9dito do espa\u00e7o. A catedral de Mil\u00e3o afastava-se da tradi\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica favorecida ao Sul da Europa, sobretudo na It\u00e1lia.\n\nA ab\u00f3bada adotada na arquitetura g\u00f3tica, e que constitui a caracter\u00edstica principal deste estilo de constru\u00e7\u00e3o, \u00e9 a de nervuras. Esta difere da ab\u00f3bada de arestas rom\u00e2nica por deixar vis\u00edveis os arcos que comp\u00f5em a estrutura. O arco ogival, diferente do arco pleno rom\u00e2nico, permitia a constru\u00e7\u00e3o desse novo tipo de ab\u00f3bada e tamb\u00e9m de igrejas mais altas. As ogivas acentuam a impress\u00e3o de altura e verticalidade.\n\nDurante o s\u00e9culo XII, apesar de ainda predominar a arquitetura rom\u00e2nica, surgiram as primeiras modifica\u00e7\u00f5es arquitet\u00f4nicas deste per\u00edodo. A abadia de Saint-Denis (S\u00e3o Dion\u00edsio), localizada na Fran\u00e7a e constru\u00edda por volta de 1140-1281, \u00e9 considerada o marco da constru\u00e7\u00e3o g\u00f3tica e possuidora de elementos que servir\u00e3o como refer\u00eancia na classifica\u00e7\u00e3o das demais constru\u00e7\u00f5es deste estilo.\n\nA arquitetura g\u00f3tica n\u00e3o almejou a obscuridade.\n\n<strong>O uso da luz e a rela\u00e7\u00e3o entre estrutura e apar\u00eancia s\u00e3o \u00fanicos nesta arquitetura:<\/strong>\u00a0se, na igreja rom\u00e2nica, a luz contrasta com a subst\u00e2ncia t\u00e1ctil, sombria e pesada das paredes, na parede g\u00f3tica a luz \u00e9 filtrada atrav\u00e9s dela, permeando-a, absorvendo-a, transfigurando-a. A verticalidade \u00e9 outra propriedade do estilo g\u00f3tico, que propicia sensa\u00e7\u00f5es de aus\u00eancia gravitacional.\n\nVis\u00e3o interna da ros\u00e1cea de Saint-Denis Na fachada da abadia de Saint-Denis, os portais laterais eram continuados por torres. Acima dos frisos que emolduram o portal central h\u00e1 uma grande janela e, acima desta, outra chamada ros\u00e1cea (grande janela circular enfeitada por vitrais), outro elemento caracter\u00edstico destas constru\u00e7\u00f5es. A cabeceira de Saint-Denis contava com pilares em sua constru\u00e7\u00e3o, que consistem em suportes de apoio dispostos em espa\u00e7os regulares. Com o novo recurso n\u00e3o eram mais necess\u00e1rias as grossas paredes para sustentar a estrutura, o que garantiu maior leveza \u00e0s constru\u00e7\u00f5es.\n\nA nave central era merecedora de grande aten\u00e7\u00e3o entre os planejadores destas constru\u00e7\u00f5es, pois quanto maior a altura desta, mais intensa seria a luz interior que, combinada aos vitrais conferia ilumina\u00e7\u00e3o uniforme a todo o ambiente. Os idealizadores das catedrais entendiam a luz como elemento m\u00edstico. Desejosos em propiciar car\u00e1ter divino \u00e0s constru\u00e7\u00f5es, os mestres-de-obras n\u00e3o tardaram em buscar incessantemente a substitui\u00e7\u00e3o das paredes por vitrais.\n\n<strong>As particularidades arquitet\u00f4nicas do estilo g\u00f3tico em cada pa\u00eds s\u00e3o evidenciadas nas classifica\u00e7\u00f5es dos historiadores, que costumam dividir o g\u00f3tico em tr\u00eas ciclos:<\/strong>\u00a0inicial, quando se configurou o estilo; central, de expans\u00e3o das formas g\u00f3ticas; e o final, dominado pelo gosto burgu\u00eas.\n\n<strong>Dentro desta classifica\u00e7\u00e3o h\u00e1 ainda uma s\u00e9rie de subdivis\u00f5es em cada pa\u00eds, a fim de assinalar a evolu\u00e7\u00e3o da arquitetura g\u00f3tica:<\/strong>\u00a0na Fran\u00e7a,\u00a0<strong>arte g\u00f3tica<\/strong>\u00a0primitiva, cl\u00e1ssica, radiante (rayonnant) e flamejante (flamboyant); na Inglaterra, o g\u00f3tico primitivo (early English), ornamentado (decorated style) e perpendicular (perpendicular style); <strong>na Espanha: <\/strong>g\u00f3tico primitivo e estilo isabelino.\n\nNa Fran\u00e7a, a Catedral de Notre-Dame apresenta elementos caracter\u00edsticos da primeira fase da arquitetura g\u00f3tica. Foi constru\u00edda por tr\u00eas corpos verticais separados por maci\u00e7os contrafortes, sendo que h\u00e1 torres acima dos contrafortes laterais.\n\nA tradi\u00e7\u00e3o g\u00f3tica ao Oeste e Sul da Fran\u00e7a n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o notabilizada pelas influ\u00eancias da Il\u00ea de France, mas sim orientais. No Oeste foi empregada a c\u00fapula nervurada, importada da Espanha \u00e1rabe, onde cobria os mirabs das mesquitas. A Catedral de Angers foi assim coberta em 1150.\n\nA evolu\u00e7\u00e3o dos rendilhados determina algumas etapas deste estilo, como o perpendicular e o flamejante. A arquitetura inicial apresentava janelas subdividas em duas lancetas, com estruturas geom\u00e9tricas simples acima das mesmas (ros\u00e1cea ou trif\u00f3lio). Mais adiante a estrutura atinge maior complexidade e os tra\u00e7os afinam-se. Ao final, a tend\u00eancia \u00e9 a substitui\u00e7\u00e3o da simplicidade das formas geom\u00e9tricas por curvas que lembram chamas (da\u00ed a classifica\u00e7\u00e3o: g\u00f3tico flamejante).\n\n<strong>A igreja de San Juan de los Reyes foi resultado da defini\u00e7\u00e3o de um estilo tipicamente espanhol:<\/strong>\u00a0o isabelino. S\u00e3o marcantes os adornos, que remetem \u00e0 uni\u00e3o de caracter\u00edsticas \u00e1rabes com a importa\u00e7\u00e3o de elementos arquitet\u00f4nicos n\u00f3rdicos.\n\nJ\u00e1 a Capela do King&#8217;s College ilustra a sofistica\u00e7\u00e3o adquirida na constru\u00e7\u00e3o das ab\u00f3badas de nervuras, apresentando ab\u00f3badas em leque, t\u00edpicas do estilo perpendicular ingl\u00eas do s\u00e9culo XIV.\n\nAs \u00faltimas constru\u00e7\u00f5es de estilo g\u00f3tico (dentro do per\u00edodo cronol\u00f3gico estabelecido na Hist\u00f3ria da Arte, pois adiante ser\u00e1 abordado o revival neog\u00f3tico dos s\u00e9culos XVIII e XIX) datam aproximadamente dos s\u00e9culos XIV, XV e in\u00edcio do XVI. Neste ciclo final est\u00e3o inclu\u00eddos, al\u00e9m das constru\u00e7\u00f5es religiosas, os pal\u00e1cios urbanos.\n\nA arquitetura civil g\u00f3tica reflete a sociedade da \u00e9poca, quando a constru\u00e7\u00e3o mais significativa era o pal\u00e1cio ou resid\u00eancia senhorial, que podia adquirir fun\u00e7\u00f5es de fortaleza. Os castelos evolu\u00edram bastante durante o per\u00edodo g\u00f3tico, pois sua finalidade defensiva foi perdendo import\u00e2ncia.\n\n<strong>Tais castelos caracterizavam-se pela presen\u00e7a de fossos em seu redor, muros s\u00f3lidos e torres que propiciavam a vig\u00edlia:<\/strong>\u00a0tudo para garantir o resguardo de seus moradores.\n\nUtens\u00edlios religiosos, como ret\u00e1bulos (pe\u00e7as com motivos religiosos de pintura, escultura ou ourivesaria, colocadas atr\u00e1s do altar), c\u00e1lices, cruzes, cust\u00f3dias e relic\u00e1rios, faziam parte do culto das rel\u00edquias, largamente apreciado durante a Idade M\u00e9dia.\n\nOs vitrais, paredes transl\u00facidas compostas de vidros coloridos, al\u00e9m de decorarem majestosamente as igrejas, contribu\u00edam com o ensinamento dos fi\u00e9is, atrav\u00e9s da representa\u00e7\u00e3o de cenas b\u00edblicas. A Sainte-Chapelle, obra prima do g\u00f3tico radiante, ilustra a interdepend\u00eancia entre arte, ideologia e espiritualidade, conceitos que, somados, definem a arquitetura g\u00f3tica.\n<h4>Arte G\u00f3tica &#8211; Estilo<\/h4>\nA\u00a0<strong>arte g\u00f3tica<\/strong>\u00a0surgiu na Fran\u00e7a e se espalhou rapidamente atrav\u00e9s da Europa ocidental. Ela foi um prosseguimento da arte rom\u00e2nica e conseguiu um perfeito equil\u00edbrio de express\u00e3o.\n\nNeste estilo o que mais se destaca \u00e9 a arquitetura; o clima religioso da \u00e9poca favorecia a constru\u00e7\u00e3o de igrejas, com linhas ascendentes que terminavam em ab\u00f3badas; os vitrais tiveram tamb\u00e9m grande import\u00e2ncia, pois com seus coloridos e a variedade dos seus mosaicos de vidro, atenuavam a luz no interior.\n\nEntre as mais famosas igrejas g\u00f3ticas est\u00e3o Notre Dame, na Fran\u00e7a, Wetsminster, na Inglaterra e a catedral de Col\u00f4nia na Alemanha.\n\n<strong>PINTURA<\/strong>\n\nNo s\u00e9culo XIII, a arquitetura g\u00f3tica tomou o lugar da rom\u00e2nica, como o estilo de muitas igrejas europ\u00e9ias. O estilo g\u00f3tico de arquitetura caracterizava-se por grandes janelas que tomavam amplo espa\u00e7o nas paredes em que, igrejas rom\u00e2nicas, os artistas teriam pintado afrescos.\n\nOs artistas fecharam essas janelas com vitrais de lindas cores, que narravam hist\u00f3rias religiosas. No norte da Europa, a pintura de afresco decaiu neste per\u00edodo e muitos pintores dedicavam-se ent\u00e3o a iluminuras.\n\nEles ornamentavam as caras c\u00f3pias manuscritas dos evangelhos e livros de ora\u00e7\u00e3o. As cores e desenhos dos vitrais influenciaram os pintores de manuscritos g\u00f3ticos. Muitos destes artistas deram prefer\u00eancia aos azuis e vermelhos brilhantes que eram comuns nos vitrais. Dividiam suas figuras em compartimentos parecidos com os mesmos pain\u00e9is dessas complexas janelas.\n\n<strong>ESCULTURA<\/strong>\n\nAs primeiras esculturas g\u00f3ticas apareceram em Paris, Fran\u00e7a. Os escultores fizeram trabalhos formais e estilizados, os rostos das figuras s\u00e3o humanos e naturais.\n\nOs t\u00famulos esculpidos tornaram-se numerosos; a princ\u00edpio, escultores s\u00f3 decoravam os t\u00famulos dos reis e de grandes personalidades, com imagens destas pessoas. Mais tarde tamb\u00e9m os cavaleiros e membros inferiores da nobreza conseguiram que escultores entalhassem figuras em seus t\u00famulos. Alguns anos mais tarde, tanto nas est\u00e1tuas pequenas como nas grandes, as figuras apareceram com poses afetadas e rostos sorridentes.\n\nCom o decl\u00ednio da constru\u00e7\u00e3o das igrejas, escultores passaram a decorar seus interiores com altares e figuras de santos. Criaram figuras religiosas e g\u00e1rgulas.\n\nTamb\u00e9m usavam ferro para muitas finalidades decorativas como nos biombos dos coros; especialistas em metal produziram c\u00e1lices e outros objetos usando filigranas, esmaltes e pedras preciosas. Artes\u00e3os esculpiram em marfim, relic\u00e1rios de igreja e outros objetos.\n\n<strong>PINTORES<\/strong>\n\nA pintura g\u00f3tica desenvolveu-se nos s\u00e9culos XII, XIV e no in\u00edcio do s\u00e9culo XV, quando come\u00e7ou a ganhar novas caracter\u00edsticas que prenunciam o Renascimento. Sua principal particularidade foi a procura o realismo na representa\u00e7\u00e3o dos seres que compunham as obras pintadas, quase sempre tratando de temas religiosos, apresentava personagens de corpos pouco volumosos, cobertos por muita roupa, com o olhar voltado para cima, em dire\u00e7\u00e3o ao plano celeste.\n\nOs principais artistas na pintura g\u00f3tica s\u00e3o os verdadeiros precursores da pintura do Renascimento.\n\nGiotto \u00e9 um dos maiores e melhores representantes desse estilo, a principal caracter\u00edstica do seu trabalho foi a identifica\u00e7\u00e3o da figura dos santos com seres humanos de apar\u00eancia bem comum. E esses santos com ar de homem comum eram o ser mais importante das cenas que pintava, ocupando sempre posi\u00e7\u00e3o de destaque na pintura. Assim, a pintura de Giotto vem ao encontro de uma vis\u00e3o humanista do mundo, que vai cada vez mais se firmando at\u00e9 ganhar plenitude no Renascimento.\n\nSuas maiores obras s\u00e3o os Afrescos da Igreja de S\u00e3o Francisco de Assis (It\u00e1lia) e Retiro de S\u00e3o Joaquim entre os Pastores.\n\nO pintor Jan Van Eyck procurava registrar nas suas pinturas os aspectos da vida urbana e da sociedade de sua \u00e9poca. Nota-se em suas pinturas um cuidado com a perspectiva, procurando mostrar os detalhes e as paisagens.\n\n<strong>Suas maiores obras s\u00e3o:<\/strong>\u00a0O Casal Arnolfini e Nossa Senhora do Chanceler Rolin.\n\n<strong>Iluminura<\/strong>\n\nIluminura \u00e9 a ilustra\u00e7\u00e3o sobre o pergaminho de livros manuscritos (a gravura n\u00e3o fora ainda inventada, ou ent\u00e3o \u00e9 um privil\u00e9gio da quase m\u00edtica China).\n\n<strong>O desenvolvimento de tal genero est\u00e1 ligado \u00e0 difus\u00e3o dos livros ilustrados patrim\u00f4nio quase exclusivo dos mosteiros:<\/strong>no clima de fervor cultural que caracteriza a\u00a0<strong>arte g\u00f3tica<\/strong>, os manuscritos tamb\u00e9m eram encomendados por particulares, aristocratas e burgueses. \u00c9 precisamente por esta raz\u00e3o que os grandes livros lit\u00fargicos (a B\u00edblia e os Evangelhos) eram ilustrados pelos iluministas g\u00f3ticos em formatos manej\u00e1veis.\n\nDurante o s\u00e9culo XII e at\u00e9 o s\u00e9culo XV, a arte ganhou forma de express\u00e3o tamb\u00e9m nos objetos preciosos e nos ricos manuscritos ilustrados. Os copistas dedicavam-se \u00e0 transcri\u00e7\u00e3o dos textos sobre as p\u00e1ginas. Ao realizar essa tarefa, deixavam espa\u00e7os para que os artistas fizessem as ilustra\u00e7\u00f5es, os cabe\u00e7alhos, os t\u00edtulos ou as letras mai\u00fasculas com que se iniciava um texto.\n\n<strong>Da observa\u00e7\u00e3o dos manuscritos ilustrados podemos tirar duas conclus\u00f5es:<\/strong>\u00a0a primeira \u00e9 a compreens\u00e3o do car\u00e1ter individualista que a arte da ilustra\u00e7\u00e3o ganhava, pois destinava-se aos poucos possuidores das obras copiadas, a segunda \u00e9 que os artistas ilustradores do per\u00edodo g\u00f3tico tornaram-se t\u00e3o habilidosos na representa\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o tridimensional e na compreens\u00e3o anal\u00edtica de uma cena, que seus trabalhos acabaram influenciando outros pintores.\n\n<strong>Vitrais<\/strong>\n\nO efeito milagroso dos vitrais, que foram usados em quantidades cada vez maiores \u00e0 medida que a nova arquitetura come\u00e7ava a comportar mais janelas, de dimens\u00e3o cada vez maiores. No entanto, a t\u00e9cnica do vitral j\u00e1 havia sido aperfei\u00e7oada no per\u00edodo rom\u00e2nico, e os estilo dos desenhos demorou a mudar, embora a quantidade de vitrais exigida pelas novas catedrais fizesse com que as iluminuras deixassem de ser a forma principal de pintura.\n\n<strong>Criar uma figura verdadeiramente monumental com as t\u00e9cnicas dos escultores, em si \u00e9 algo como um milagre:\u00a0<\/strong>os primitivos m\u00e9todos medievais de manufatura de vidros n\u00e3o permitiam a produ\u00e7\u00e3o de grandes vidra\u00e7as, de modo que essas obras n\u00e3o de pintavam sobre vidro, mas sim &#8220;pintura com vidro&#8221;, com exce\u00e7\u00e3o dos tra\u00e7os em preto ou marrom que delineavam os contornos das figuras.\n\nSendo mais trabalhosa que a t\u00e9cnica dos mosaicistas bizantinos, a dos mestres-vidreiros envolvia a jun\u00e7\u00e3o, por meio das tiras de vidro, dos fragmentos de formas variadas que acompanhavam os contornos de seus desenhos. Sendo bastante adequado quando ao desenho ornamental abstrato, o vitral tende a resistir a qualquer tentativa de se obter efeitos tridimensionais.\n\nO uso do arcobotante e dos contrafortes tornou poss\u00edvel o emprego de grandes aberturas preenchidas com bel\u00edssimos vitrais.\n\nA fun\u00e7\u00e3o dos vitrais n\u00e3o se reduz \u00e0 de mero complemento decorativo da igreja g\u00f3tica. O vitral &#8211; parede transl\u00facida &#8211; adquire car\u00e1ter estrutural ao contribuir decisivamente para a configura\u00e7\u00e3o de um determinado sentido da arquitetura; mais exatamente do espa\u00e7o interior.\n\nAp\u00f3s 1250, houve um decl\u00ednio da atividade arquitet\u00f4nica, o que reduziu as encomendas de vitrais. Nessa \u00e9poca, entretanto, a iluminura adaptara-se ao novo estilo, cujas origens remontavam \u00e0s obras em pedra e vidro.\n\n<strong>Giotto<\/strong>\n\n<strong>Pai da pintura ocidental<\/strong>\n\n<strong>Giotto di Bondone, 1267-1337.<\/strong>\n\nO revolucion\u00e1rio tratamento que dava \u00e0 forma e o modo que representava realisticamente o espa\u00e7o &#8220;arquitet\u00f4nico&#8221; (de maneira que as dimens\u00f5es das figuras eram proporcionais \u00e0s das constru\u00e7\u00f5es e paisagens circundantes) assinalaram um grande passo adiante na hist\u00f3ria da pintura.\n\nA opini\u00e3o generalizada \u00e9 que a pintura g\u00f3tica chegou a seu \u00e1pice com Giotto, o qual veio a ordenar, abarcar e revigorar t\u00e3o esplendidamente tudo que se fizera antes.Pela primeira vez temos na pintura europ\u00e9ia o que o historiador Michael Levey denomina &#8220;uma grande personalidade criativa&#8221;. No entanto, a verdadeira era das personalidades criativas foi a Renascen\u00e7a, e n\u00e3o sem motivo que os estudiosos desse per\u00edodo come\u00e7am sempre por Giotto.\n\nUm gigante, ele encompassa as duas \u00e9pocas, sendo homem de seu tempo e, simultaneamente, estando \u00e0 frente dele.As datas, por\u00e9m coloca-nos firmemente no per\u00edodo g\u00f3tico, com sua ambi\u00eancia de gra\u00e7a espiritual e um deleite primaveril no frescor das cores e na beleza do mundo vis\u00edvel.\n\nA realiza\u00e7\u00e3o das artistas g\u00f3ticos foi representar solidez da forma, ao passo que pintores anteriores mostravam um mudo essencialmente linear, carente de volume e pobre de subst\u00e2ncia (a despeito de seu vigor espiritual).\n\nPara Giotto, o mundo real era a base de tudo. O pintor tinha verdadeira intui\u00e7\u00e3o da forma natural, criando uma maravilhosa solidez escult\u00f3rica e uma humanidade sem afeta\u00e7\u00f5es, caracter\u00edsticas que mudaram os rumos da arte.\n\nA Capela degli Scrovegni, em P\u00e1dua, It\u00e1lia, est\u00e1 adornada com a maior das obras de Giotto que chegaram at\u00e9 n\u00f3s, um ciclo de afrescos pintado por volta de 1305 para mostrar cenas da vida da Virgem e da Paix\u00e3o.Os afrescos d\u00e3o volta s paredes da capela.\n\n<strong>Outros artistas sobressa\u00edram na pintura g\u00f3tica, sendo eles:<\/strong>\u00a0Simone Martini (disc\u00edpulo de Duccio), os irm\u00e3os Lorenzetti Pietro e Ambrogio (identificaram com Giotto).\n\nFonte: www.fag.edu.br\/www.nemed.he.com.br\/br.geocities.com\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Arte G\u00f3tica, Estilo, Arquitetura, Per\u00edodo, Movimento, Pinturas, Escultura, Catedrais, Defini\u00e7\u00e3o, Caracter\u00edsticas, Hist\u00f3ria, Arte G\u00f3tica<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":5049,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[],"class_list":["post-19538","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-arte-2"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - 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