{"id":19526,"date":"2015-12-01T00:00:00","date_gmt":"2015-12-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/minimalismo-3\/"},"modified":"2026-09-01T15:23:17","modified_gmt":"2026-09-01T15:23:17","slug":"minimalismo-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/arte-2\/minimalismo-3\/","title":{"rendered":"Minimalismo"},"content":{"rendered":"\n<h4>Minimalismo &#8211; O que \u00e9<\/h4>\nO termo <strong>minimalista<\/strong>, em seu n\u00edvel mais geral, refere-se a qualquer coisa que tenha sido reduzida ao essencial, despojado de itens.\n\n<strong>Minimalista<\/strong>, significa usando o m\u00ednimo.\n\n\u00c9 a tend\u00eancia de redu\u00e7\u00e3o ao essencial. Tamb\u00e9m se aplica a grupos ou indiv\u00edduos que praticam o ascetismo e reduzem seus pertences f\u00edsicos e necessidades ao m\u00ednimo, \u00e9 tamb\u00e9m o sentido de simplificar tudo ao m\u00ednimo.\n\nO termo &#8220;m\u00ednimo&#8221; foi usado pela primeira vez pelo fil\u00f3sofo brit\u00e2nico Richard Wollheim em 1965, para referir-se as pinturas de Ad Reinhardt e outros objetos de alto conte\u00fado intelectual, mas de baixo teor formal ou de fabrica\u00e7\u00e3o, tais como &#8221; ready-made &#8220;de Marcel Duchamp.\n\n<strong>Cultura <\/strong>\n\nComo movimento art\u00edstico, \u00e9 identificado com um desenvolvimento da arte ocidental ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial , que come\u00e7ou em 1960.\n\nDe acordo com a vers\u00e3o mais recente do dicion\u00e1rio da Real Academia Espanhola (RAE) , minimalismo \u00e9 um movimento art\u00edstico que usa elementos m\u00ednimos e b\u00e1sicos, tais como cores puras, formas geom\u00e9tricas simples, tecidos naturais, etc.\n\n<strong>Caracter\u00edsticas:<\/strong>\n<blockquote>Abstra\u00e7\u00e3o\nL\u00edngua Economia e meio\nProdu\u00e7\u00e3o e padroniza\u00e7\u00e3o industrial\nLiteral uso de materiais\nAusteridade sem ornamentos\nPurismo estrutural e funcional\nOrdem\nGeometria elementar retil\u00edneo\nAcabamento preciso\nRedu\u00e7\u00e3o e s\u00edntese\nSimplicidade\nConcentra\u00e7\u00e3o\nDestaque das fachadas\nDesmaterializa\u00e7\u00e3o<\/blockquote>\n<strong>Escultura minimalista e pintura <\/strong>\n\n<strong>Minimalismo foi desenvolvido no campo da escultura, cujo principais representantes s\u00e3o:<\/strong> Donald Judd , Sol LeWitt , Carl Andre , Dan Flavin e Robert Morris.\n\nPintura minimalista foi influenciado pelo construtivismo e, especialmente, a abordagem reducionista de Ad Reinhardt.\n\n<strong>Alguns pintores s\u00e3o:<\/strong> Robert Ryman, Robert Mangold, Agnes Martin.\n\n<strong>Design minimalista <\/strong>\n\nO termo <strong>minimalismo<\/strong> tamb\u00e9m \u00e9 usado para descrever uma tend\u00eancia na concep\u00e7\u00e3o e arquitetura , onde a estrutura \u00e9 reduzida aos seus elementos necess\u00e1rios.\n\n<strong>Design minimalista <\/strong>foi altamente influenciado pelo design tradicional japon\u00eas e arquitetura. Al\u00e9m disso, o trabalho de artistas de De Stijl \u00e9 uma fonte de refer\u00eancia importante para este tipo de trabalho. De Stijl expandiu as id\u00e9ias que poderiam ser expressas utilizando elementos b\u00e1sicos, tais como linhas e planos organizados de maneira muito particular.\n\nPode-se tamb\u00e9m falar de uma arquitetura minimalista vis\u00edvel no trabalho de, por exemplo, John Pawson , Souto de Moura , Tadao Ando , Hiroshi Naito ou Rudi Riccioti .\n<h4>Minimalismo &#8211; Arquitetura<\/h4>\nNo final da d\u00e9cada de 1960, passou-se a denominar <strong>MINIMALISMO<\/strong> a corrente art\u00edstica que procurava expressar o m\u00ednimo conte\u00fado de arte atrav\u00e9s da pesquisa em cores e tonalidades; texturas e superf\u00edcies; e volumes e estruturas.\n\nDever-se-ia retirar os tra\u00e7os est\u00e9ticos do objeto art\u00edstico at\u00e9 reduzi-lo a estruturas prim\u00e1rias puras, ou seja, \u00e0quilo que, de longe e em sua ess\u00eancia, lembraria ARTE.\n\nA arquitetura minimalista, desenvolvida desde meados dos anos 70, consistiu no rebatimento dos princ\u00edpios da MINIMAL ART sobre a concep\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os e edifica\u00e7\u00f5es, que se expressam atrav\u00e9s de uma total abstra\u00e7\u00e3o, simplicidade e alto grau de acabamento.\n\n<strong>Na arquitetura, a depura\u00e7\u00e3o formal teve muitos precursores, como ADOLF LOOS (1870-1930), LE CORBUSIER (1887-1965) e MIES VAN DER ROHE (1886 &#8211; 1969), este considerado o pai do minimalismo por defender, desde os anos 20, que:\u00a0<\/strong>LESS IS MORE (\u0093menos \u00e9 mais\u0094).\n\nPode-se dizer que muitos de seus pressupostos j\u00e1 estavam presentes na filosofia da BAUHAUS (1919\/33), que defendia o \u0093come\u00e7ar do erro\u0094 e a total aus\u00eancia de ornatos.\n\nVeja exemplos como os de PIET MONDRIAN (1872-1944), JOSEF ALBERS (1888-1976) e MARCEL BREUER (1902-81).\n\nExistem v\u00e1rias controv\u00e9rsias quanto as origens da \u0093onda m\u00ednima\u0094, j\u00e1 que muitos especialistas nela incluem desde a ARTE CONCEITUAL at\u00e9 a pintura por campos coloridos, de bases norte-americanas.\n\nInicialmente tida como arte niilista ou negativa, foi o fil\u00f3sofo Richard Wollheim (1923-2003) que usou o termo MINIMAL ART pela primeira vez em 1965 para designar o objeto ou a\u00e7\u00e3o que tivesse um \u0093conte\u00fado m\u00ednimo de arte\u0094.\n\nEm contraposi\u00e7\u00e3o \u00e0 POP ART, essa corrente era mais pura e livre, sendo despojada de refer\u00eancias figurativas e n\u00e3o contaminada pela subjetividade.\n\n<strong>Para os minimalistas:<\/strong>\u00a0\u0093a \u00fanica coisa que a arte n\u00e3o era, era express\u00e3o\u0094\n\nNo in\u00edcio dos anos 60, alguns pintores norteamericanos apresentaram uma arte contida que aludia ou \u00e0 REDU\u00c7\u00c3O da variedade visual em uma imagem ou ao n\u00edvel de esfor\u00e7o art\u00edstico necess\u00e1rio para produzir tal redu\u00e7\u00e3o, produzindo-se TELAS NEUTRAS E MONOCROM\u00c1TICAS.\n\n<strong>Principais caracter\u00edsticas da arte m\u00ednima<\/strong>\n\nArte neutra, desligada de prop\u00f3sitos utilit\u00e1rios e afastada da fun\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica de representa\u00e7\u00e3o (total abstra\u00e7\u00e3o, artificialidade e singularidade).\n\nEmprego sistem\u00e1ticos de t\u00e9cnicas e materiais industrializados (ferro galvanizado, a\u00e7o laminado, chapas de cobre, tubos fluorescentes, cubos de poliestireno, vidro, tinta industrial, etc.).\n\nUso de formas geom\u00e9tricas simples e unit\u00e1rias, em sequ\u00eancia ou dispostas simetricamente.\n\nMontagem de composi\u00e7\u00f5es sem base ou pedestal, onde n\u00e3o se modelava, esculpia ou soldava, mas se empilhava, desmantelava e armazenava.\n\nA partir da d\u00e9cada de 1970, o MINIMALISMO atingiu outras esferas da arte, incluindo a m\u00fasica, a dan\u00e7a, a arquitetura e o design. Desde ent\u00e3o, tornou-se uma das mais inflex\u00edveis e influentes linguagens est\u00e9ticas de nosso tempo.\n\n<strong>Arquitetura minimalista<\/strong>\n\nOs minimalistas embasam suas obras em valores essenciais da composi\u00e7\u00e3o \u0096 forma, textura, cor e estrutura \u0096, recusando-se entretanto em abandonar aspectos modernos, como a racionalidade, a l\u00f3gica funcional e a ordena\u00e7\u00e3o espacial.\n\n<strong>Entre os pontos fundamentais do AMBIENTE ESSENCIALISTA est\u00e3o:<\/strong>\u00a0a fluidez espacial, a resson\u00e2ncia material e a perfei\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica.\n\nPrincipalmente depois dos anos 70, os arquitetos e designers minimalistas apropriaram-se do M\u00c9DODO DA REJEI\u00c7\u00c3O ou REDUCIONISTA da Minimal Art, segundo o qual \u0093o que vale n\u00e3o \u00e9 aquilo que se coloca, mas aquilo que se deixa de fora\u0094.\n\n<strong>Luis Barrag\u00e1n (1902-88)<\/strong>\n\nA linguagem minimalista \u00e9 sempre abstrata e anti-ornamental, s\u00edntese da imag\u00edstica representacional dos p\u00f3s-modernos (conscientiza\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica e cultural) e da apropria\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica tardomoderna (significa\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e social).\n\n\u00c9 a express\u00e3o de uma NOVA MODERNIDADE, esta fundamentada em uma pr\u00e1tica purista e contextual ao mesmo tempo, associando passado e futuro, sem esquecer do presente.\n\n<strong>Principais objetivos<\/strong>\n\nBuscar uma radical simplifica\u00e7\u00e3o e purifica\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o, a partir de uma atitude baseada na l\u00f3gica racional, na padroniza\u00e7\u00e3o e na repetividade compositiva.\n\nEnfatizar a perfei\u00e7\u00e3o executiva e a pureza absoluta, empregado especialmente as t\u00e9cnicas e materiais industrializados, como vidro, a\u00e7o, f\u00f3rmica, cer\u00e2mica vitrificada e pedras nobres.\n\nExplorar as qualidades m\u00ednimas da mat\u00e9ria, como a textura de superf\u00edcies (piso, parede e teto), suas cores e tonalidades, al\u00e9m de efeitos de luz-e-esombra, criando contrastes e nuances.\n\nManter a sensa\u00e7\u00e3o de ordem e regularidade (RACIONALIDADE), expressando-se atrav\u00e9s de volumes prim\u00e1rios puros e da repeti\u00e7\u00e3o linear de unidades formais e funcionais.\n\nElogiar a tecnologia contempor\u00e2nea, sem qualquer mensagem ou protesto tecnol\u00e1trico, em contraposi\u00e7\u00e3o \u00e0 justaposi\u00e7\u00e3o p\u00f3smodernista ou ao exibicionismo high-tech.\n\nComo tend\u00eancia, resgatar a rela\u00e7\u00e3o com o CONTEXTO (hist\u00f3ria e tradi\u00e7\u00e3o local), reinterpretando valores e associando-os ao esp\u00edrito contempor\u00e2neo.\n\n<strong>Maiores expoentes<\/strong>\n<blockquote><strong>\u00c1lvaro Siza <\/strong>(1930-)<strong>\nEduardo Souto de Moura <\/strong>(1954-)<strong>\nAlberto Campo Baeza <\/strong>(1946-)<strong>\nRafael Moneo<\/strong> (1937-)<\/blockquote>\n<h4>Minimalismo &#8211; Origem<\/h4>\nSurgido como rea\u00e7\u00e3o \u00e0 hiperemotividade e ao Expressionismo Abstrato que dominou a produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica da arte nos anos 50 do s\u00e9culo XX, o <strong>Minimalismo<\/strong>, que se desenvolveu no final dos anos 60 prolongando-se at\u00e9 \u00e0 d\u00e9cada de 70, apresenta a tend\u00eancia para uma arte despojada e simples, objetiva e an\u00f3nima.\n\nRecorrendo a poucos elementos pl\u00e1sticos e compositivos reduzidos a geometrias b\u00e1sicas, procura a ess\u00eancia expressiva das formas, do espa\u00e7o, da cor e dos materiais enquanto elementos fundadores da obra de arte. Para caracterizar este movimento art\u00edstico pode empregar-se o c\u00e9lebre aforismo do arquiteto Mies Van der Rohe &#8220;menos \u00e9 mais&#8221;.\n\nUma das principais influ\u00eancias desta corrente foi o pintor suprematista Kasimir Malevitch e as suas cria\u00e7\u00f5es art\u00edsticas abstratas que levavam ao limite a simplifica\u00e7\u00e3o geom\u00e9trica.\n\nO artista minimalista mais representativo foi o pintor Frank Stella, conhecido pelas suas pinturas austeras, constitu\u00eddas por linhas e riscas de cor, paralelas, e pelas formas variadas e irregulares, embora geralmente sim\u00e9tricas, dos quadros.\n\nEmbora tenha come\u00e7ado na pintura, a Arte Minimalista conheceu o seu maior desenvolvimento na escultura. Os escultores usam normalmente processos e materiais industriais, como a\u00e7o, pl\u00e1stico ou l\u00e2mpadas fluorescentes, na produ\u00e7\u00e3o de formas geom\u00e9tricas, explorando as rela\u00e7\u00f5es espaciais e a capacidade de a escultura interagir com o espa\u00e7o envolvente, apostando na experi\u00eancia corporal do pr\u00f3prio espectador.\n\nDestacam-se as obras de Donald Judd, com as suas caixas uniformes em madeira, metal ou acr\u00edlico, pintadas com cores fortes, de Dan Flavin, com esculturas produzidas com tubos de luz fluorescente, de Sol LeWitt, com as constru\u00e7\u00f5es em cubos e pinturas geom\u00e9tricas e de outros artistas como Robert Morris, Carl Andr\u00e9, Richard Serra e Yves Klein.\n<h4>Minimalismo &#8211; Pintores<\/h4>\nNa d\u00e9cada de 60, nos Estados Unidos, ocorreu o ponto de partida para um novo g\u00eanero de escultura que teria a especificidade e o poder de materiais reais, cores reais e espa\u00e7o real, e que estetizaria a tecnologia num grau tal antes n\u00e3o imaginado por nenhum artista contempor\u00e2neo.\n\nOs artistas minimalistas tinham a cren\u00e7a que uma obra de arte devia ser completamente concebida pela mente antes de sua execu\u00e7\u00e3o. Todas aquelas prioridades que o expressionismo abstrato, com seus excessos de profunda subjetividade e emocionismo alusivo, tinha infundido na arte americana durante a d\u00e9cada de 50, eram agora rejeitadas sob a alega\u00e7\u00e3o de estarem desgastadas.\n\nUma das coisas que o <strong>Minimalismo<\/strong> esperava realizar era uma nova interpreta\u00e7\u00e3o dos objetivos da escultura e outras artes representativas.\n\n<strong>Tijolos refrat\u00e1rios, tubos de luz fluorescente, a\u00e7o inoxid\u00e1vel, chapas de cobre, tinta industrial, caixas feitas de madeira compensada e m\u00fasicas com trechos freneticamente repetitivos representaram alguns trabalhos dos mais expressivos artistas deste movimento:<\/strong>\u00a0Carl Andre, Dan Flavin, Donald Judd, Sol LeWitt, Robert Morris, Philip Glass e Steve Reich.\n\nSuas obras do per\u00edodo maduro apresentaram formas predominante retangulares e c\u00fabicas, igualdade das partes, repeti\u00e7\u00e3o e superf\u00edcies neutras.\n\n<strong>CARL ANDRE<\/strong>\n\nO trabalho de Andre \u00e9 \u00fanico e tem sua origem numa tradi\u00e7\u00e3o de escultura. Em 1958 e 1959, fez v\u00e1rias pe\u00e7as destitu\u00eddas de qualquer apoio lateral; algumas pequenas e outras maiores, a maioria a partir de se\u00e7\u00f5es \u00fanicas de viga de madeira para constru\u00e7\u00e3o (fig. 01).\n\nA maior parte dos trabalhos desse grupo indefinido tinha uma s\u00e9rie de cortes regulares e repetidos feitos na superf\u00edcie do bloco com uma serra el\u00e9trica (queimaduras da l\u00e2mina da serra \u00e0s vezes s\u00e3o vis\u00edveis).\n\nPor volta de 1959, contudo, ele tinha come\u00e7ado a montar o trabalho a partir de unidades pr\u00e9-formadas. Pe\u00e7a de Cedro (fig. 02) foi o maior, mais ambicioso e o mais complexo deles, em seu uso repetido de uma unidade b\u00e1sica e em seu padr\u00e3o diagonal escalonado.\n\nPor volta de 1960, Andre havia iniciado uma s\u00e9rie de desenhos (fig. 03) e esculturas que obedeciam aos mesmos princ\u00edpios que simplificavam radicalmente suas pr\u00f3prias composi\u00e7\u00f5es e m\u00e9todos de trabalho.\n\nA unidade b\u00e1sica de sua S\u00e9rie Elemento era uma viga na propor\u00e7\u00e3o 1:3. Cada escultura deveria ser &#8211; Andre s\u00f3 teve meios para realizar essa s\u00e9rie alguns anos depois &#8211; uma combina\u00e7\u00e3o de entre dois e doze elementos deitados horizontal ou verticalmente uns sobre os outros.\n\nA quest\u00e3o aqui n\u00e3o \u00e9 o qu\u00e3o semelhantes elas aparentam ser &#8211; como formas, mas o quanto dessemelhantes s\u00e3o em muitos outros aspectos.\n\nDistintas nos materiais, volume, massa, peso, tamanho, superf\u00edcies, tecnologia, hist\u00f3ria e modo de apresenta\u00e7\u00e3o. Semelhantes talvez numa orienta\u00e7\u00e3o geral em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 forma simples e sem adorno, numa cren\u00e7a de que se poderia fazer escultura despojando-a de detalhes n\u00e3o-essenciais e abandonando certos tipos de refer\u00eancia ilusionista.\n\n<strong>Como Andre observou:<\/strong>\u00a0&#8220;At\u00e9 um certo ponto eu estava cortando dentro das coisas. Percebi ent\u00e3o que o que eu estava cortando era o corte. Mais do que cortar dentro do material, agora eu uso o material como o corte no espa\u00e7o&#8221;.\n\n<strong>A distin\u00e7\u00e3o entre entalhe e modelagem torna-se irrelevante:<\/strong>\u00a0a obra ou suas partes podem ser fundidas, forjadas, cortadas ou simplesmente juntadas; ela n\u00e3o \u00e9 mais tanto esculpida, mas constru\u00edda, edificada, montada, ordenada.\n\nCarl Andre usa materiais modernos ou materiais que foram processados por meios industriais e suas obras s\u00e3o enfaticamente antiilusionistas; talvez mais do que a de qualquer outro artista da \u00e9poca. Evitando-se qualquer efeito de desafio \u00e0 gravidade escolhendo n\u00e3o prender, colar, soldar, cavilhar, parafusar ou manter os elementos juntos de alguma outra maneira, assim sendo esculturas de disposi\u00e7\u00e3o.\n\n<strong>DAN FLAVIN<\/strong>\n\nO trabalho que se tornou uma esp\u00e9cie de assinatura de Dan Flavin teve in\u00edcio em 1963 (fig. 01).\n\n<strong>Em 1964, Donald Judd comentava numa resenha da exposi\u00e7\u00e3o coletiva Black, White and Gray:\u00a0<\/strong>&#8220;Um \u00fanico tubo de luz fluorescente branca foi colocado em diagonal numa parede de aproximadamente 3,35m2&#8230;Ele faz da parede inteira uma \u00e1rea intelig\u00edvel, onde h\u00e1 alguma rela\u00e7\u00e3o com as diagonais. O tubo \u00e9 de um branco bastante diferente em cor e textura, do branco pintado da caixa que o sustenta. Esta produz uma sombra definida ao longo de sua extens\u00e3o.\n\nA luz \u00e9 amplamente distribu\u00edda sobre a parede. Ela \u00e9 um objeto industrial, e familiar; \u00e9 um recurso novo para a arte&#8221;.\n\nPor raz\u00f5es \u00f3bvias, o trabalho de Flavin \u00e9 mais dif\u00edcil de ver em reprodu\u00e7\u00e3o do que a maioria. Ver um Flavin \u00e9 ver o efeito no espa\u00e7o que ele ocupa &#8211; mais diretamente do que nos trabalhos de Morris ou Andre. A condi\u00e7\u00e3o de objeto \u00e9 evidente, estrutural e importante &#8211; os suportes para os tubos fluorescentes nunca s\u00e3o escondidos, \u00e0s vezes est\u00e3o virados para o espectador e s\u00e3o sempre dispostos numa forma espec\u00edfica; mas a experi\u00eancia do trabalho \u00e9 tamb\u00e9m fortemente \u00f3tica. A luz \u00e9 difundida no espa\u00e7o circudante ou projeta-se sobre as superf\u00edcies vizinhas. Diferentes luzes coloridas misturam-se no espa\u00e7o para produzir novas cores.\n\nH\u00e1 algumas raz\u00f5es para comparar a obra de Flavin com a pintura. Uma \u00e9 que, estando afixada na parede, ocupa o espa\u00e7o da pintura. Outra \u00e9 que Flavin n\u00e3o s\u00f3 assume o lugar da pintura, mas \u00e0s vez tamb\u00e9m sua forma, como alguns trabalhos tridimensionais mais antigos &#8211; uma s\u00e9rie de constru\u00e7\u00f5es de parede nas quais uma esp\u00e9cie de caixa, central e pintada, tem uma ou mais luzes fluorescentes e incandescentes ou faiscantes presas em algumas ou todas as suas extremidades.\n\nS\u00e3o obras estranhas e dif\u00edceis de situar. Em cada um dos oito trabalhos dessa s\u00e9rie &#8211; intitulada \u00cdcones (figs. 02 e 03), a maioria dos incidentes ocorre n\u00e3o tanto no trabalho, mas em torno de suas extremidades. Para Judd, eles eram &#8220;embotados&#8221;, &#8220;estranhos&#8221; e &#8220;interessantes&#8221;, o que parece um coment\u00e1rio justo.\n\nMas a refer\u00eancia \u00e0 pintura por si s\u00f3 n\u00e3o \u00e9 claramente suficiente. O uso de produtos industriais significa que t\u00eam um p\u00e9 firmemente calcado no readymade, onde materiais cotidianos e objetos n\u00e3o disfar\u00e7ados s\u00e3o unidos com arame, colados e\/ou parafusados.\n\n<strong>DONALD JUDD<\/strong>\n\nJudd pintava desde o come\u00e7o dos anos 50 (fig. 01). No in\u00edcio da d\u00e9cada de 60, as formas e paisagens irregulares, flutuantes e abstratas tinham sido substitu\u00eddas por grandes extens\u00f5es de tinta a \u00f3leo texturizada (em geral vermelho de c\u00e1dmio claro). Judd, muitas vezes, fixava em cima ou dentro dessa superf\u00edcie um elemento central, usualmente algum tipo de &#8220;objeto encontrado&#8221; (fig. 02). Esse elemento central ajudava, decerto, a dar literalidade ao que de outra forma poderia ser lido como um campo monocrom\u00e1tico relativamente naturalista, mas ainda tem a qualidade de uma ininterrup\u00e7\u00e3o, ou um restabelecimento, de uma tend\u00eancia potencial em dire\u00e7\u00e3o a uma esp\u00e9cie de espa\u00e7o \u00f3tico.\n\nPoucos meses depois, a possibilidade desse tipo de naturalismo tinha desaparecido, mesmo em obras que permaneceram fixas na parede e pintadas.\n\nSem T\u00edtulo (fig. 03), 1963, tem um painel horizontal pintado de vermelho e sua superf\u00edcie colorida \u00e9 quebrada por caneluras regulares constru\u00eddas, e n\u00e3o por dep\u00f3sitos de tintas mais org\u00e2nicos. Apesar das diferen\u00e7as de material nesse trabalho, h\u00e1 agora mais continuidade entre a se\u00e7\u00e3o pintada e os quadrantes curvos galvanizados de cada lado &#8211; parecem ter sido feitos por processos de oficina similares, e o trabalho inteiro se l\u00ea como uma bandeja rasa simples mais do que como uma pintura contendo algum tipo de depress\u00e3o suave ou inser\u00e7\u00e3o.\n\nPor volta de 1962, Judd tamb\u00e9m tinha come\u00e7ado a fazer seus primeiros objetos de ch\u00e3o, vis\u00edveis de todos os \u00e2ngulos, mas muitos deles permaneceram t\u00e3o frontais e t\u00e3o derivados da pintura quanto seus relevos.\n\n<strong>ROBERT MORRIS<\/strong>\n\nEm &#8220;Notes on Scuplture&#8221;, Morris pretendia criticar o uso da cor e o formato do relevo, desprezando como imag\u00edstico o uso de &#8220;unidades modulares repetitivas&#8221;.\n\nDesde 1963 Morris vinha expondo o tipo de trabalho que seus ensaios mais tarde defenderiam como necess\u00e1rio (fig. 01) Feito em madeira compensada e pintado num cinza-claro uniforme (Morris n\u00e3o considerava o cinza uma cor), cada um desses trabalhos baseava-se num poliedro simples.\n\nAlguns ficavam no ch\u00e3o; um bloco quadrado de 243,8cm de lado, Sem T\u00edtulo (Prancha), era erguido por suportes ocultos e parecia flutuar logo acima do ch\u00e3o; outro bloco, Sem T\u00edtulo (Nuvem), era suspenso do teto; outros trabalhos eram presos entre duas paredes, ou entre parede e ch\u00e3o, ou apoiados no espa\u00e7o triangular do canto da sala. O posicionamento dessas constru\u00e7\u00f5es semelhantes a vigas ou blocos em forma de L ou triangulares claramente animava as formas antes inertes. E, como Morris demonstrou num grupo de tr\u00eas trabalhos em forma de L de 1965, formas id\u00eanticas parecer\u00e3o bastante diferentes se se apoiarem numa face ou extremidade diferente (fig. 02). Ou seja, uma forma simples \u00e9 modificada por varia\u00e7\u00f5es nas condi\u00e7\u00f5es de percep\u00e7\u00e3o &#8211; uma observa\u00e7\u00e3o que refor\u00e7a o argumento de Morris a respeito da rela\u00e7\u00e3o triangular objeto-espa\u00e7o-espectador.\n\nNa medida que os trabalhos minimalistas alertam o espectador &#8211; por meio de sua forma, superf\u00edcies e posicionamento &#8211; para as contig\u00eancias do local e a variabilidade da perspectiva, eles come\u00e7am a implicar um tipo diferente de espectador.\n\n<strong>Pelos menos, em rela\u00e7\u00e3o a uma teoria que compreende a percep\u00e7\u00e3o da arte como instant\u00e2nea e descorporificada, esse trabalho implica um tipo diferente de espectador:<\/strong>\u00a0aquele que est\u00e1 corporificado e cuja experi\u00eancia existe atrav\u00e9s do tempo e no espa\u00e7o real.\n\nMorris associava a pequena dimens\u00e3o ao ornamento, \u00e0 intimidade, ao detalhe (fig. 03). O que ultrapassasse muito a escala humana poderia esmagar o espectador. Grande, mas n\u00e3o gigante, era para Morris a dimens\u00e3o adequada a um trabalho voltado para fora e para o p\u00fablilco.\n\n<strong>SOL LEWITT<\/strong>\n\nSol Lewitt fez sua primeira estrutura de cubo modular em 1965 (fig. 01).\n\n<strong>N\u00e3o satisfeito com o acabamento de uma estrutura fechada anterior, comentou:<\/strong>\u00a0&#8220;Decidi remover toda a pele e revelar a estrutura. Foi ent\u00e3o necess\u00e1rio planejar o esqueleto de modo que as partes tivessem alguma consist\u00eancia. M\u00f3dulos iguais quadrados foram usados para construir as estruturas. Para enfatizar a natureza linear e esquel\u00e9tica, foram pintados de preto&#8221;. LeWitt queria que a superf\u00edcie parecesse &#8220;dura e industrial&#8221;; no final daquele ano, as estruturas foram pintadas de branco para mitigar a &#8220;expressividade das pe\u00e7as pretas anteriores&#8221;.\n\nA rela\u00e7\u00e3o do trabalho de LeWitt com a pintura e a escultura \u00e9 amb\u00edgua. V\u00e1rios trabalhos constru\u00eddos em 1962-64 envolviam proje\u00e7\u00f5es tridimensionais a partir de uma esp\u00e9cie de quadro plano, quadrado e pintado (fig. 02). Outros tinham aberturas que revelavam ou prometiam revelar um espa\u00e7o interior, e alguns tinham se\u00e7\u00f5es que se projetavam e recuavam. Aqui, mais uma vez, o espa\u00e7o \u00f3tico da pintura \u00e9 virado pelo avesso ou tornado literal.\n\n<strong>Contudo, nesses e em trabalhos posteriores, LeWitt n\u00e3o exclui ou abole toda refer\u00eancia \u00e0 interioridade:\u00a0<\/strong>o elemento projetado do centro de Estrutura de Parede, branca parece vir de tr\u00e1s do plano do quadro, e um buraco no centro da protuber\u00e2ncia parece convidar o espectador a espiar um espa\u00e7o interior.\n\n<strong>V\u00e1rios trabalhos de parede semelhantes a caixa feitos por LeWitt nessa \u00e9poca incluem um ou mais orif\u00edcios de observa\u00e7\u00e3o \u00e0 altura dos olhos, que revelam parcialmente um espa\u00e7o interno contendo outro elemento:<\/strong>\u00a0uma l\u00e2mpada, um trabalho de outro artista, uma s\u00e9rie de fotografias de uma mulher nua.\n\nNa realidade, quase todas as primeiras estruturas de LeWitt cont\u00e9m, parcialmente oculto, algum tipo de espa\u00e7o dentro do espa\u00e7o. Quando, em 1965, o artista retirou a pele de suas estruturas, n\u00e3o suprimiu o espa\u00e7o interno em favor da pura exterioridade, mas aboliu a distin\u00e7\u00e3o entre o dentro e o fora, pelo recurso a uma forma de linearismo.\n\nEm sua linearidade, as estruturas abertas de cubos modulares (fig. 03) sugerem uma rela\u00e7\u00e3o n\u00e3o tanto com a pintura, mas com o desenho. Em v\u00e1rios aspectos, o desenho \u00e9 mais importante para a arte de LeWitt do que para quase qualquer outra pintura ou escultura da \u00e9poca. E n\u00e3o simplesmente no sentido em que as estruturas s\u00e3o quase sempre lineares; o desenho \u00e9 muito mais referente do que isso.\n\nMuitos dos trabalhos tridimensionais de LeWitt originaram-se em duas dimens\u00f5es; as estruturas s\u00e3o precedidas por desenhos t\u00e9cnicos, e desenhos tamb\u00e9m podem suceder um estrutura.\n\nMais do que outros artistas, LeWitt tematizou essa rela\u00e7\u00e3o entre duas e tr\u00eas dimens\u00f5es, entre a concep\u00e7\u00e3o e a execu\u00e7\u00e3o, entre a id\u00e9ia da obra e sua forma f\u00edsica.\n\nE, muitas vezes, o fez divorciando uma coisa da outra.\n\n<strong>DAN\u00c7A &amp; M\u00daSICA<\/strong>\n\nN\u00e3o demorou muito tempo para que o <strong>Minimalismo <\/strong>se tornasse uma das mais inflex\u00edveis e influentes est\u00e9ticas do nosso tempo, mas tamb\u00e9m na m\u00fasica e na dan\u00e7a.\n\nPhilip Glass (fig. 01) e Steve Reich v\u00eam compondo h\u00e1 j\u00e1 alguns anos m\u00fasica que tem uma estrutura modular &#8211; m\u00fasica baseada na repeti\u00e7\u00e3o de elementos m\u00ednimos e na mudan\u00e7a gradual de pequenos motivos ao longo de diferentes fases; no caso de Glass, isso significa executar repetidas vezes somente uma linha de m\u00fasica.\n\nMais recentemente, Lucinda Childs desenvolveu um modo de dan\u00e7a que \u00e9 ainda mais drasticamente minimalista, em que movimentos implacavelmente repetitivos executados num palco vazio se assemelham mais \u00e0 mimica de uma simetria do que a uma performance coreogr\u00e1fica.\n\nA heran\u00e7a destes trabalhos pode facilmente ser encontrada nas produ\u00e7\u00f5es eletr\u00f4nicas de artistas americanos, principalmente nas cidades de Chicago, Detroit e Nova York. O g\u00eanero musical minimal techno, surgido no in\u00edcio da d\u00e9cada de 90, apresenta loops cont\u00ednuos de pequenos timbres e, na sua maioria, a aus\u00eancia de vocais \u00e9 uma constante; o que desencadeia uma mistura subjetiva de efeitos que envolvem o ouvinte como um tornado, girando e sempre girando.\n\nArtistas como Dan Zamani, Derrick May, Green Velvet, Jeff Mills (fig. 02) e Kevin Saunderson (fig. 03) s\u00e3o alguns dos produtores que encontraram na Arte Minimal uma cultura simples e futurista para expressarem seus sentimentos.\n<h4>Minimalismo, Design Minimalista, e suas influ\u00eancias<\/h4>\n<strong>Introdu\u00e7\u00e3o a Minimal Art<\/strong>\n\nA <strong>Minimal Art<\/strong> foi um estilo art\u00edstico surgido na d\u00e9cada de 50, por influ\u00eancia direta de Duchamp (ready-made, in\u00edcio do que viria a ser a arte conceptual), Rauschenberg (arte como objeto, mistura de materiais e m\u00e9todos) e Jasper John, Jackson Pollock (aleatoriedade) e do Concretismo (rigidez formal e racionalismo). Os artistas mais famosos do movimento foram Donald Judd, Carl Andre, Dan Flavin, e Robert Morris.\n\nSuas pesquisas eram direcionadas para uma an\u00e1lise fenomenol\u00f3gica da intera\u00e7\u00e3o espa\u00e7o, material, luz e observador, criando normalmente estruturas que alteravam o ambiente onde se encontravam quer pela luminosidade, quer pelo volume, tamanho, cor, translucidez, etc.\n\nBuscavam uma postura universal na arte, justificando suas formas geom\u00e9tricas e materiais industriais como sendo universais, e de apreens\u00e3o quase que instant\u00e2nea por qualquer cultura ou pessoa, onde a pessoa abstrairia de instant\u00e2neo o sentimento proveniente da combina\u00e7\u00e3o de certo espa\u00e7o, cor e material. Por esse motivo muitas vezes executavam trabalhos com linhas decididas, numa gestalt extremamente forte, aus\u00eancia de adornos e qualquer informa\u00e7\u00e3o superflua para a pura aprecia\u00e7\u00e3o de determinada obra. Por esse motivo acabaram chamados de &#8220;minimalistas&#8221;, embora diversos nomes lhes tenha sido atribuido, como ABC arte, arte literalista, object art, etc.\n\nNesse intuito de aproximar o trabalho art\u00edstico do repert\u00f3rio geral, os artistas al\u00e9m de utilizarem materiais industriais, ainda os apresentava de forma serializada, &#8220;um depois do outro&#8221;(Donald Judd), sem sinal da expressividade do artista.\n\nEssa serializa\u00e7\u00e3o acaba por aproximar o design e a arte, questionando o meio de produ\u00e7\u00e3o art\u00edstico, o papel do artista na constru\u00e7\u00e3o e conforma\u00e7\u00e3o efetiva do objeto arte, assumindo uma posi\u00e7\u00e3o de desmistifica\u00e7\u00e3o da arte em prol de uma objetividade conceptual e consequentemente formal. A obra de arte pode ser produzida serializada e com materiais indistriais como ocorre no design, embora uma fun\u00e7\u00e3o efetivamente pragm\u00e1tica n\u00e3o esteja no trabalho. E assumindo esse modo de produ\u00e7\u00e3o, rejeitam o parad\u00edgma art\u00edstico de classifica\u00e7\u00e3o da obra em classes (pintura, escultura, desenho, etc.), chamando-os genericamente &#8220;objetos&#8221;, ou &#8220;estruturas primarias&#8221;, palavras cotidianas de qualquer sociedade urbana industrializada.\n\nSuas caracter\u00edsticas s\u00e3o, feitas as devidas ressalvas, bastante semelhantes com a proposta do movimento moderno Neoplasticista. Este visava desenvolver uma arte espiritual e transformadora, de forma a que no futuro esperi\u00eancia art\u00edstica e vida fossem uma coisa \u00fanica. Hegel diz que \u0093(\u0085)a arte n\u00e3o pode, portanto, trabalhar para a simples contempla\u00e7\u00e3o do sens\u00edvel, mas procura satisfazer a nossa interioridade subjetiva, a alma, o sentimento que, enquanto participa do esp\u00edrito, aspira a liberdade para si e s\u00f3 busca a pacifica\u00e7\u00e3o no esp\u00edrito e pelo esp\u00edrito\u0094.\n\nEssa satisfa\u00e7\u00e3o do esp\u00edrito se encontra tanto nas obras de Mondrian quanto no melhor de Judd, embora de formas distintas (enquanto Mondrian buscava com suas telas a restaura\u00e7\u00e3o de certa ordem na arte, atrav\u00e9z de uso de formas b\u00e1sicas e cores prim\u00e1rias para uma \u0093(\u0085) inser\u00e7\u00e3o social (\u0085) uma interven\u00e7\u00e3o paternal sobre a sociedade (..)\u0094, Judd busca atrav\u00e9s da experi\u00eancia de seus objetos oferecer ao espectador algo al\u00e9m do visal para uma subjetiva compreens\u00e3o do objetivo e racional universo especial). O ponto de contato \u00e9 justamente esse unir vida e obra como mat\u00e9rias indistintas.\n\n<strong>Essa proposi\u00e7\u00e3o de frui\u00e7\u00e3o ambiental muitas vezes causa confus\u00e3o quanto ao seguinte ponto:<\/strong>\u00a0a observa\u00e7\u00e3o da natureza pode ser uma obra de arte, j\u00e1 que trata-se de um ambiente?\n\n<strong>A resposta necessariamente \u00e9 negativa, uma vez que a arte necessita de um eixo comunicacional tri\u00e1dico:<\/strong>\u00a0artista, obra, observador, sendo que apenas esse \u00faltimo pode ser substitu\u00eddo pelo pr\u00f3prio artista. Al\u00e9m do mais, o artista \u00e9 aquele que atua criticamente sobre a realidade, manipulando s\u00edgnos de maneira a criar conceitos e proposi\u00e7\u00f5es de interpreta\u00e7\u00f5es sobre estes, de forma a fornecer ao espectador uma experi\u00eancia cheia de significado.\n\nO processo semi\u00f3tico na natureza n\u00e3o \u00e9 cr\u00edtico, mas puro, j\u00e1 que a realidade se mostra como tal, a interpreta\u00e7\u00e3o \u00e9 livre do observador, sem interven\u00e7\u00e3o de um terceiro (o artista).\n\nCada artista trabalhava de maneira diferente do outro, tendo enfoques diferentes dependendo de sua forma\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria (como afirma Bachelor, a forma\u00e7\u00e3o na performance e na dan\u00e7a de Morris o fez produzir trabalhos diferentes de Judd, que pendia mais para uma pintura tridimensional), e por esse motivo torna-se dif\u00edcil falar de um Movimento Minimalista, mas sim um Estilo Minimalista, estilo esse que acabou sendo incorporado pela m\u00fasica, literatura, arquitetura, design, etc&#8230;\n\n\u00c9 no entanto question\u00e1vel de certa maneira essa apropria\u00e7\u00e3o do nome em pesquisas t\u00e3o distantes, j\u00e1 que em algumas delas assumiram o nome mais pela est\u00e9tica &#8220;clean&#8221; do resultado final do que pela pesquisa sensacionista no campo art\u00edstico. Ser &#8220;clean&#8221; \u00e9 um sinal que n\u00e3o pode ser tomado como universal na arte minimalista, uma vez que encontramos trabalhos tremendamente r\u00fasticos, literais e sujos na obra de Carl Andre, que muitas vezes empilhava tijolos refrat\u00e1rios ou alocava no ch\u00e3o chapas de metal enferrujados, ou madeira em estado natural.\n\n<strong>Assim, torna-se justific\u00e1vel a pergunta:<\/strong>\u00a0existiu realmente um movimento ou tend\u00eancia universal minimalista no campo das artes?\n\nEm alguns casos sim, como na m\u00fasica, onde temos artistas como Philip Glass, que estruturava suas m\u00fasicas de forma a colocar apenas o necess\u00e1rio para sua frui\u00e7\u00e3o completa, sem grandes malabarismos escal\u00edsticos ou devaneios tonais, normalmente criando &#8220;padr\u00f5es&#8221; de movimentos sonoros, repetindo-os e variando-os vagarosamente ao longo da m\u00fasica. Remete \u00e0 serialidade da minimal art, bem como \u00e0 limpeza de informa\u00e7\u00f5es ao m\u00ednimo para o entendimento do todo.\n\nNa arquitetura encontramos Tadao Ando. Seu trabalho explora de forma significativa texturas de materiais, bem como a influ\u00eancia da luz nestes e nos espa\u00e7os que cria.\n\nIncorpora nos seus trabalhos \u00edcones fortes, muitas vezes legi-signos simb\u00f3licos, extremando-os com tal dramaticidade e simplicidade que t\u00eam efeito semelhante ao de uma obra de arte sobre o observador, possuindo uma capacidade de ser percebida que poucos arquitetos conseguem incorporar em suas obras.\n\nCabe aqui um parenteses importante.\n\nArgan afirma que a minimal art possui um di\u00e1logo profundo e \u00edntimo com a arquitetura. Torna-se clara a t\u00eanue linha entre ambos no sentido de interfer\u00eancia local, j\u00e1 que a arquitetura \u00e9 o organizador espacial por excel\u00eancia, que provoca no seu participante as mais diversas sensa\u00e7\u00f5es conforme tamanho, luminosidade, orienta\u00e7\u00e3o, retilinidade ou aus\u00eancia dessa, etc.\n\nA partir desse ponto, \u00e9 poss\u00edvel outra forma de enchergar o porqu\u00ea de os artistas criarem trabalhos algumas vezes em escalas gigantescas, ou integrados de forma t\u00e3o forte com o local onde est\u00e3o fixados (site especifics).\n\nEssa atua\u00e7\u00e3o espacial \u00e9 claramente fenomenol\u00f3gica e anti-cartesiana no sentido de trabalhar com algo a mais do que coordenadas num\u00e9rias projetadas em pontos fixos no ambiente. O espa\u00e7o real \u00e9 carregado de simbologia e significado, e qualifica quem o ocupa, bem como modifica sua a\u00e7\u00e3o, diferente da geometria cartesiana, que codifica o espa\u00e7o vivo em n\u00fameros combinados e frios. Essa pleide de s\u00edgnos \u00e9 aproveitada tanto pelo art\u00edsta pl\u00e1stico quanto pelo arquiteto, que se apropriam de seus conceitos e particularidades para criar novas rela\u00e7\u00f5es e apresent\u00e1-las ao espectador\/usu\u00e1rio do espa\u00e7o.\n\nNo design, no entanto, torna-se mais dif\u00edcil encontrar tal liga\u00e7\u00e3o. O design em si j\u00e1 \u00e9 interfer\u00eancia espacial, como a arquitetura, e possui impl\u00edcito a si de certa forma a necessidade de expor e comunicar s\u00edgnos claros. O presente trabalho \u00e9 justamente esse estudo, embora de forma preliminar e ainda incompleta, sobre o dito design minimalista e suas liga\u00e7\u00f5es semi\u00f3ticas e fenomenol\u00f3gicas com o ambiente local.\n\n<strong>O Design e o Minimalismo<\/strong>\n\nTendo em mente essa defini\u00e7\u00e3o sobre o minimalismo, seus pressupostos, interesses e abordagens, cabe uma inicia\u00e7\u00e3o sobre o assunto design. Definir design \u00e9 uma tarefa h\u00e1 muito discutida, e nunca terminada. Um ponto, entretanto, de aceita\u00e7\u00e3o \u00e9 que design \u00e9 projeto. De um ponto de vista etimol\u00f3gico, &#8220;(&#8230;)na palavra design encontra-se o latim signum que designa ind\u00edcio, sinal, representa\u00e7\u00e3o e mais a preposi\u00e7\u00e3o de que rege, na declina\u00e7\u00e3o latina, o caso ablativo e quer dizer segundo, conforme, a respeito de, sa\u00eddo de, segundo um modelo, ou seja, designa origem; portanto &#8216;de-sign&#8217; sup\u00f5e um significado que ocorre com respeito a, ou conforme um sinal, um ind\u00edcio, uma representa\u00e7\u00e3o&#8221; , o que exp\u00f5es de forma clara a liga\u00e7\u00e3o umbilical entre design e semi\u00f3tica. Esses dois modos de ver design conseguem abrangir toda e qualquer pe\u00e7a gr\u00e1fica, produto, embalagem, etc.\n\nNo entanto, por generalizarem dessa forma, n\u00e3o d\u00e3o clareza ao que se \u00e9 ou n\u00e3o um bom design. Sendo o design projeto, bem como apropria\u00e7\u00e3o s\u00edgnica para a comunica\u00e7\u00e3o, implica em um interlocutor ao qual se almeja comunicar, o homem.\n\nConclui-se da\u00ed que design \u00e9 um &#8220;meio&#8221;, n\u00e3o &#8220;fim&#8221; em si. Dessa maneira, acaba sendo o meio de facilitar a intera\u00e7\u00e3o do homem com o meio, do homem com a sociedade e do homem consigo, servindo-se de meios gr\u00e1ficos, midi\u00e1ticos e industriais para tal, calcado ou n\u00e3o num subjetivo pensante e ideol\u00f3gico do artista gr\u00e1fico, que lan\u00e7a m\u00e3o de determinadas teorias e t\u00e9cnicas para efetivar a comunica\u00e7\u00e3o desse conte\u00fado.\n\nEssa vis\u00e3o de design traz consigo uma necessidade \u00e9tica e social t\u00edpicamente funcionalista. No entanto essa defini\u00e7\u00e3o deveria justamente ser a compartilhada com o design minimalista a ser analisado .O minimalismo, como anteriormente explanado, almejava a uma perfeita e necess\u00e1ria intera\u00e7\u00e3o do homem com a obra, que se traduzida ao design, implicam nessa liga\u00e7\u00e3o funcional do objeto com seu usu\u00e1rio. Implica nisso pois os s\u00edgnos de clareza comunicacional e cognitiva presente na minimal art deveriam ser os encontradas nos designs minimalista e funcionalista.\n\nA diferen\u00e7a entre ambos, funcionalismo e minimalismo, no entanto, est\u00e1 no conceito que dirige os designers ao projeto. Apesar de muitas vezes se confundirem um pelo outro (o que \u00e9 um erro), h\u00e1 no modo de pensar de ambos certas diferen\u00e7as que os tornam semelhantes na apar\u00eancia, mas distantes no modelo ideol\u00f3gico em quest\u00e3o.\n\nNo entanto, antes de se entrar nesses m\u00e9ritos, cabe contextualizar o momento hist\u00f3rico no qual estamos tratando.O movimento minimalista no design acontece nos anos 80.\n\nAntes disso, at\u00e9 60, o modo de projeto que dominava era o funcionalismo, quer seja na maneira mais ideological, que sua apropria\u00e7\u00e3o pelo capitalismo nos Estados Unidos. Na d\u00e9cada de 70, na onda de subver\u00e7\u00e3o cultural que vinha acontecendo no mundo em rea\u00e7\u00e3o \u00e0s guerras e ao perigo iminente da bomba at\u00f4mica, certa enxurrada subjetivista tornou-se tend\u00eancia no design atrav\u00e9s de nomes como o grupo Memphis e o grupo Alchemia.\n\nA regra forma segue fun\u00e7\u00e3o deixa de existir, e a inden\u00e7\u00e3o do designer \u00e9 que se torna o cerne das aten\u00e7\u00f5es. H\u00e1 maior gama de produtos para as mais diversas culturas, com solu\u00e7\u00f5es extremamente criativas e distintas das convencionais, tanto em materiais, quanto formalmente. H\u00e1 mesmo apropria\u00e7\u00e3o de novas linguagens para a conceitua\u00e7\u00e3o do projeto do design enquanto transmissor de informa\u00e7\u00e3o.\n\nEsse ecletismo nasce numa rea\u00e7\u00e3o ao \u0093fracasso\u0094 funcionalista, que, na vis\u00e3o de por exemplo Werner Nehls, \u0093(\u0085)a \u0091concep\u00e7\u00e3o objetiva e funcionalista do design estava completamente ultrapassada\u0092 (\u0085). \u00c2ngulo reto, linha reta, foma objetiva, isto \u00e9 geometria, a fomra aberta assim como falta de cor e de contraste deveriam ser contidos. \u0091Deveria se destratar a forma de configura\u00e7\u00e3o \u00f3tica e plana, do cubo, a onfigura\u00e7\u00e3o do masculino. A configura\u00e7\u00e3o atual vem de uma atitude feminina, e a emo\u00e7\u00e3o \u00e9 acentuada. A configura\u00e7\u00e3o feminina e irrational pressup\u00f5e formas org\u00e2nicas, cores ricas em contrastes, atributos do acaso\u0092 \u0094 .\n\nO trabalho ao lado, de 1979, do designer Michele De Lucchi \u00e9 um dos exemplos do que se fazia nesse per\u00edodo. Numa investiga\u00e7\u00e3o da cultura pop, desenhavam objetos com as mais diversas linguagens, para os mais diversos gostos.\n\nA lumin\u00e1ria ao lado, utilizando-se de cores fortes e contrastantes, numa composi\u00e7\u00e3o ao mesmo tempo geom\u00e9trica (como no trabalho acima), mas diametralmente oposta ao funcionalismo tradicional. Mesmo a l\u00e2mpada utilizada n\u00e3o \u00e9 para a ilumina\u00e7\u00e3o comum, mas trata-se de uma luz amarela demais.\n\nA pe\u00e7a ereta no meio da lumin\u00e1ria dialoga com a espiral \u00e0 sua volta, esta num movimento sensual e malemolente. As cores, a pesar do aparente \u0093descuido\u0094 compositivo (apenas aparente), s\u00e3o muito bem escolhidas e se mostram fundamental \u00e0 obra, haja visto que magenta (referido no rosa), cian e amarelo s\u00e3o as cores prim\u00e1rias do impresso, e vermelho (tamb\u00e9m referido no rosa), azul e verde s\u00e3o da luminisc\u00eancia.\n\nCompositivamente, o grande bloco ser da cor rosa se mant\u00e9m equilibrado visualmente com as demais pe\u00e7as delgadas do objeto. Essa pe\u00e7a pode ser vista como que um resumo do p\u00f3s-moderno no design, onde aconteceu uma aproxima\u00e7\u00e3o da arte e do design de forma a influenciar diretamente no projeto, processo e p\u00fablico a que se destinam.\n\nA luminaria a seguir \u00e9 da empresa contempor\u00e2nea de design Droog que demosntra forte influ\u00eancia por essa vertente subjetiva do design. Fundada em 1993, trabalha com produtos que remetem a s\u00edgnos comuns de peso afetivo, que seja remontando \u00e0 inf\u00e2ncia, que seja no re-uso, natureza, etc. A lumin\u00e1ria \u00e9 um exemplo disso.\n\nMontada com a l\u00e2mpada interna a um recipiente em formato de garrafa de leite, dialoga diretamente com um universo h\u00e1 pouco deixado de lado, que \u00e9 o uso de garrafas de leite reutiliz\u00e1vel. No entanto ainda se encontra na mem\u00f3ria comum, quer seja pela real viv\u00eancia desse per\u00edodo, que seja por refer\u00eancias de desenhos animados, filmes ou coisa que o valha. \u00c9 um objeto iminentemente afetivo e capta o homem justamente por esse lado l\u00fadico e nost\u00e1lgico.\n\nO Minimalismo no design \u00e9 um rea\u00e7\u00e3o a esses movimentos p\u00f3s-modernos de reestrutura\u00e7\u00e3o da fun\u00e7\u00e3o como tamb\u00e9m forma de comunica\u00e7\u00e3o subjetiva e at\u00e9 certo ponto art\u00edstica. Trata-se de um estilo est\u00e9tico, n\u00e3o um grupo organizado ou artistas auto-denominados minimalistas.\n\nO minimalismo no objeto busca questionar os excessos anteriores atrav\u00e9s de uma limpeza formal, impessoal, clara, com cores, materiais \u00e0 mostra, etc. As solu\u00e7\u00f5es formais s\u00e3o geom\u00e9tricas, com linhas curvas, monocrom\u00e1tivas quando pintadas, sobre materiais industrializados. O design minimalista \u0093had rebelled against the self-parodic cacophony of candy coloured plastics and kitsch motifs of the mid-1980s Memphis movement by adopting a restrained, sometimes overly retentive minimalist aesthetic.\n\n<strong>As Renny Ramakers put it:<\/strong> \u0091Design became much more sober\u0092\n\n<strong>Dessa forma, arquitetura e design minimalistas acabam possuindo v\u00ednculos conceituais extremamente fortes:<\/strong>\u00a0&#8220;El uso de la geometr\u00eda prim\u00e1ria, la elaboraci\u00f3n industrial, las superf\u00edcies puras y la b\u00fasqueda de imagenes simpis de apreciaci\u00f3n inmediata eram presupostos de la escultura minimalista que, en cierto modo, constituyen para la arquitetura la culminaci\u00f3n de los presupuestos de la modernidad&#8221;.\n\nEsses pressupostos s\u00e3o precisamente o funcionalismo proposto por Walter Gropius \u00e0 Bauhaus, bem como de Max Bill \u00e0 Escola de Ulm, tanto do ponto de vista da arquitetura quanto do design. Ambos se volta ao social, ao desenho atropol\u00f3gico, e \u00e0 preten\u00e7\u00e3o de s\u00edgnos universais.\n\n\u00c9 interessante focar em especial nessa preten\u00e7\u00e3o \u00e0 universalidade. Moholy-N\u00e1gy, artista construtivista, designer gr\u00e1fico e professor da Bauhaus, comenta em seu livro &#8220;La Nueva Vision&#8221; que o conceito de forma\/fun\u00e7\u00e3o baseia-se na observa\u00e7\u00e3o da natureza.\n\nNa natureza nada \u00e9 sup\u00e9rfluo ou ornamento, tudo possui sua fun\u00e7\u00e3o. As formas adotadas tanto pelos artistas construtivistas quanto pelos funcionalistas de Ulm \u00e9 justamente essa de priorizar a fun\u00e7\u00e3o, e a forma ser consequ\u00eancia desta.\n\nOs produtos projetados por designers dessas correntes seguem essa aus\u00eancia de adornos, mandendo-se na fun\u00e7\u00e3o, e assim explicitando com uma forte gestalt bem como com s\u00edgnos expl\u00edcitos qual o prop\u00f3sito e fun\u00e7\u00e3o daqueles objetos. Suas formas s\u00e3o concebidas por eles como formas universais, de apreen\u00e7\u00e3o instant\u00e2nea, aculturais, e de utiliza\u00e7\u00e3o intuit\u00edva. Ora, por certo que se trata de uma vis\u00e3o bastante idealizada. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel se fazer algo sem s\u00edgnos culturais, de assimila\u00e7\u00e3o universal.\n\nO motivo para isso \u00e9 que podem at\u00e9 existir formas universais, como as formas da natureza e as formas geom\u00e9tricas b\u00e1sicas, mas fun\u00e7\u00f5es ou mesmo objetos s\u00e3o conhecidos apenas nas suas pr\u00f3prias culturas. Formas universais n\u00e3o necessariamente correspondem a fun\u00e7\u00f5es universais, pois estas n\u00e3o existem.\n\nE mesmo nessas formas utilizadas pelos designers, \u00e9 question\u00e1vel seu adjetivo de &#8220;aculturais&#8221;. O material utilizado \u00e9 industrial, bem como as cores e composi\u00e7\u00f5es, e remetem diretamente ao universo de onde tiveram origem, ou seja, o movimento concretista europeu. Uma das refer\u00eancias certas \u00e9 o Neoplasticismo, em especial o designer e arquiteto Gerrit Rietveld. Seu mobili\u00e1rio formalmente se assemelha com o proposto a seguir pelos minimalistas, no entanto est\u00e1 inserido numa cultura e contexto bastante espec\u00edficos.\n\nOs s\u00edgnos usados pelo minimalsimo para determinar essa &#8220;aculturalidade&#8221; s\u00e3o formas em geral planas e geom\u00e9tricas, encaixes simples, \u00e2ngulos bem marcados, cores chapadas ou mesmo a aus\u00eancia destas, com o material permanecendo \u00e0 mostra. Todos esses s\u00edgnos de fato remetem a limpeza, clareza, car\u00e1ter, for\u00e7a, resist\u00eancia, funcionalidade, etc., mas apenas para algu\u00e9m com um repert\u00f3rio que inclua Neoplasticismo, Minimal Art, Rietveld, Ulm, Funcionalismo, etc., caso contr\u00e1rio, remetem mais facilmente a enfadismo, frieza, imposi\u00e7\u00e3o, fraqueza, etc., enfim, afastando a pessoa mais do que a chamando. Isso est\u00e1 diretamente ligado ao p\u00fablico no qual se insere o minimalismo.\n\n\u0093A combina\u00e7\u00e3o de abstra\u00e7\u00e3o e expressividade, a qual deliberadamente renuncia a gestos art\u00edsticos individuais, serve bem a atitude cool dos ideiais \u0093yuppies\u0094 paras os quais o engajamento est\u00e9tico era componente de um estilo de vida e dificilmente envolvia conota\u00e7\u00f5es existenciais\u0094.\n\nE \u00e9 nesse ponto de engajamento est\u00e9tico que o Minimalismo se difere do funcionalismo tradicional. Ao inv\u00e9s de se aproveitarem do conceito obra\/vida\/experi\u00eancia propostos pela Minimal Art, acabaram por assumir uma linguagem formal gratuitas, apenas opositoras ao \u0093falat\u00f3rio p\u00f3s-moderno\u0094 anterior. O funcionalismo de Ulm, pelo contr\u00e1rio, criou pe\u00e7as de design projetadas segundo sua pr\u00f3pria fun\u00e7\u00e3o, e se saem muito bem dessa maneira. O mobili\u00e1rio minimalista acaba por conceber a fun\u00e7\u00e3o por causa da forma, e percebemos isso em especial nas pe\u00e7as projetadas por artistas\/designers como Judd. As formas utilizados pelo artista tanto em suas cadeiras quanto em suas obras de arte acabam sendo as mesmos. Em detrimento da funcionalidade que o conceito de design minimalista pediria, acaba seguindo por um caminho extremamente visual.\n\n<strong>O designer Ross Lovegrove se expressou avesso a esse formalismo minimalista<\/strong>: \u0093El minimalismo me parece suspechoso, porque no existe realmente en la natureza. (\u0085)\n\nMe parece sospechoso poruqe creo que la vida no es minimalista; reenrolment es bastante complicada y est\u00e1 llena de detalles. El esencialismo [uma vertente do funcionalismo] es otra cosa y est\u00e1 mas relacionado con la material dad de los objetos.\n\nEl esencialismo supone reducir la importance del pelo, la densidade y ek grosor. (\u0085) El esencialismo es un objetivo absoluto\u0094.\n\n<strong>Encontramos um paralelo na cadeira projetada por Gerrit Rietveld, a famosa Red and Blue Chair. Pignatari diz sobre ela que &#8220;no conflito dial\u00e9tico qualis vc. quantum (cultura sens\u00edvel vc. cultura reflexiva), \u00e9 um \u00edcone arquitet\u00f4nico do sentar, (&#8230;)mas o seu funcionalismo n\u00e3o \u00e9 de natureza anat\u00f4mica ou ergon\u00f4mica: <\/strong>seu encosto e assentos s\u00e3o ideais, absolutos, hengelianos. &#8211; \u00c9 um qualiss\u00edgno que aspira a ser um legissigno, um \u00edcone visando a um s\u00edmbolo, um rema tendendo a Argumento.(&#8230;) Sintaticamente, esse objeto-escultura-arquitetura \u00e9 uma estrutura aberta \u00e0 vista, que, embora necessariamente volum\u00e9trica, exibe uma tridimensionalidade quase que virtual, apenas indicada por planos, tanto reais quanto virtuais (reais: encosto, assento e bra\u00e7os; virtuais: indicados pelos supertes e, vazados, incorporam o fundo). (&#8230;) Temos aqui um s\u00edgno utilit\u00e1rio n\u00e3o-funcional&#8221;.\n\nEmbora tenha que se discordar quanto \u00e0 falta de funcionalidade da cadeira, a an\u00e1lise proposta por Pignatari para a cadeira acaba servindo para o mobili\u00e1rio de Judd (abaixo).\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone\" title=\"Minimalismo\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/minimalismo-10.jpg\" alt=\"Minimalismo\" width=\"282\" height=\"343\" \/><\/p>\nCom o intuito de seguir uma linguagem pr\u00f3pria, acaba criando \u00edcones funcionais \u00e0 inutilidade pr\u00e1tica de suas obras. Enquanto o ideal da minimal art prima pela aus\u00eancia da met\u00e1fora, designers-artistas acabam criando-as ao misturar conceitos de desenho industrial e obras de arte deslocando-os de qualquer eixo normativo substancial.\n\nH\u00e1 outros artistas que acabaram por desenvolver m\u00f3veis minimalistas, mas que seguiram o mesmo caminho de Judd, ao confundir projeto de design com arte. Sol LeWitt criou uma mesa, que se comercializa no valor de 15.000 d\u00f3lares, assim como Ives Klein, que desenvolveu uma mesa com tem\u00e1tica paralela \u00e0 sua pesquisa do &#8220;azul perfeito&#8221;, agregando a esta elementos desnecess\u00e1rios e totalmente figurativos quanto \u00e0 sua tem\u00e1tica art\u00edstica (abaixo).\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone\" title=\"Minimalismo\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/minimalismo-11.jpg\" alt=\"Minimalismo\" width=\"444\" height=\"206\" \/><\/p>\n<strong>Ao mesmo tempo, essa inser\u00e7\u00e3o dos artistas no design, como nos coloca B\u00fcrdek, \u0093n\u00e3o se tratava de uma aproxima\u00e7\u00e3o com o design, mas muito mais um estranhamento dos produtos, uma infra-estrutura\u00e7\u00e3o dos objetos, uma transforma\u00e7\u00e3o de paradoxos, parafraseamentos, quebras ou fragmentos:<\/strong>\u00a0\u0091Pe\u00e7as de mobili\u00e1rio de artistas cont\u00eam a possibilities do uso, mas esta n\u00e3o \u00e9 a sua principal inten\u00e7\u00e3o.\n\nSua qualities n\u00e3o depede de seu grau de conforto, do espa\u00e7o das prateleiras ou da ergonomic da forma\u0092 (Bochynek, 1989)\u0094.\n\nNos projetos de designers (n\u00e3o-artistas), encontramos uma melhor situa\u00e7\u00e3o. Philippe Starck, projetou no in\u00edcio da d\u00e9cada de 80 objetos minimalistas destinados \u00e0 produ\u00e7\u00e3o massiva e a um p\u00fablico de menor renda. Seus trabalhos possuiam uma funcionalidade muito acima do que se prop\u00f5e nas pe\u00e7as de Judd, e acabam possuindo m\u00e9rito maior quanto ao valor intr\u00ednseco a elas, porque condiziam valor cobrado com valor real do objeto.\n\nO grupo Zeus tamb\u00e9m, fundado em Mil\u00e3o, em 1984, desenvolveu design e qualidade, voltado \u00e0 ind\u00fastria, com uma est\u00e9tica bastante interessante e compat\u00edvel com a proposta minimalista de forma.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone\" title=\"Minimalismo\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/minimalismo-12.jpg\" alt=\"Minimalismo\" width=\"249\" height=\"225\" \/><\/p>\nNa imagem acima, por exemplo, do designer Maurizio Peregalli, projeto de 2008, possui as caracter\u00edsticas que a ligam fortemente \u00e0 minimal art, como a ilus\u00e3o do reflexo, da abertura inferior, que cria um espa\u00e7o interessante por estar entre os reflexos. A pregn\u00e2ncia da forma \u00e9 extraordin\u00e1ria, pelos \u00e2ngulos retos s\u00e3o os mesmos de obras de Carl Andre, de Judd, de Le Witt, entre outros. A fun\u00e7\u00e3o de console ainda est\u00e1 expl\u00edcita, e a apar\u00eancia n\u00e3o \u00e9 de obra de arte. O material, inox, tamb\u00e9m est\u00e1 expl\u00edcito, literalmente colocado. No entanto, o formalismo despreocupado espelha-se nos \u00e2ngulos agudos que n\u00e3o s\u00e3o seguros, assim como na apar\u00eancia de fragilidade, que possui uma influ\u00eancia psicol\u00f3gica bastante forte.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone\" title=\"Minimalismo\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/minimalismo-9.jpg\" alt=\"Minimalismo\" width=\"347\" height=\"179\" \/><\/p>\nH\u00e1 outros nomes ainda, como Shiro Kuramata , Stefan Wewerka, entre outros, todos com produtos bons, esteticamente resolvidos, embora gratuitos na forma.\n\nNesse m\u00f3vel de Kuramata (acima), um de seus mais famosos, a clareza do material, desse entrela\u00e7ado de arames, com certa transpar\u00eancia e austeridade o destaca entre o desenho minimalista. Essa possibilidade de altera\u00e7\u00e3o dos planos de vis\u00e3o n\u00e3o pelo vidro (imaterial), mas pelo metal (material) gera um efeito espacial digno de um artista minimalista. Mas cai-se novamente na gratuicidade da forma. Embora a silhueta seja de um sof\u00e1, o funcionamento como tal deixa a desejar. O \u00e2ngulo do ponto onde se localiza o joelho, ou no final do apoio de bra\u00e7o, s\u00e3o problemas ergon\u00f4micos s\u00e9rios. Mesmo a dureza do material, inadequate a servir de assento do modo como foi usado, acaba gerando certo receio que o design n\u00e3o deveria aceitar.\n\nPossui certo di\u00e1logo formal com uma tend\u00eancia High-Tech do design. Surgida na d\u00e9cada de 60 (anterior ao design minimalista), o High-Tech \u00e9 um estilo \u0093(\u0085)inspirado en el formalismo geometrico del movimiento moderno (\u0085) incorporator elementos industrialis sin adorns (\u0085)\u0094. \u0093Esses materiais do dia-a-dia n\u00e3o tem nenhum significado hist\u00f3rico al\u00e9m da praticidade e economia, e isso lhes d\u00e1 uma caracter\u00edstica de minimalismo est\u00e9tico\u0094 . Talvez n\u00e3o seja suficiente para colocar esse sof\u00e1 como um Revival do High-tech, mas a influ\u00eancia deste sobre o minimalismo \u00e9 bastante clara, e alguns trabalhos como este de Kerumata est\u00e3o no limiar entre um estilo e outro.\n\nH\u00e1 hoje tamb\u00e9m designers bastante proeminentes, com trabalhos deveras significativos no minimalismo, como John Pawson, arquiteto e designer, cuja linguagem segue extritamente a proposta tanto da arte minimalista quanto do design minimalista. A pe\u00e7a, \u0093Bowl\u0094, da s\u00e9rie \u00935 objects\u0094 \u00e9 um exemplo bastante interessante de uma s\u00e9rie sua.\n\n<strong>Sobre a s\u00e9rie, escreveu o seguinte:<\/strong>\n<blockquote>\u0093When Objects Work\u0092s inaugural \u00915 Objects\u0092 launched in Milan in 2001. Each of the five pieces is a container of some sort \u0096 bowl, tray, vase, picture frame and candleholder. All are based on a graphic geometric form \u0096 circle, square, rectangle, cylinder and hemisphere \u0096 and explore the interface between contrasting materials. In the case of the bowl, the second material is entirely invisible but no less fundamental, being the sand which moves freely within the double-skinned bronze hemisphere, effectively internalising the function of a base and allowing the bowl to sit in any position on a surface.\u0094<\/blockquote>\nO interessante nessa sua proposta \u00e9 a explores das formas geom\u00e9tricas, e dos materiais. No entanto, enquanto objetos de uso, nem todos s\u00e3o boas solu\u00e7\u00f5es.\n\nMesmo \u0093Bowl\u0094 \u00e9 de se questionar, pois \u00e9 um produto com intuito de armazenar, segurar, algum conte\u00fado, mas com seu fundo arredondado isso se torna menos vi\u00e1vel, pois ao se o apoiar sobre uma mesa, fica inst\u00e1vel, podendo derramar o que est\u00e1 dentro.\n\nVoltando-se para o Mercado de eletr\u00f4nicos, encontram-se exemplos interessantes da presen\u00e7a do minimalismo no design. No campo dos celulares, concontramos o Motorola Motofone F3. Trata-se de um objeto com design refinado, de f\u00e1cil portabilidade, formato razoavelmente grande para as tend\u00eancias atuais dos celulares, embora seja bastante fino. A tela possui um tratamento anti-reflexo, o que permite que de qualquer \u00e2ngulo, o visor seja claro e leg\u00edvel. Os tamanhos dos n\u00fameros impressos na tela s\u00e3o tamb\u00e9m bastante grandes, em preto sobre um fundo branco. No entanto, o formalismo minimalista se mostra quanto \u00e0 usabilidade. Em prol dessa linguagem \u0093preto no branco\u0094, de icones em destaque, etc., o menu da interface do software se mostra menos eficiente, pois \u00e9 imposs\u00edvel uma visualiza\u00e7\u00e3o completa das suas possibilidades.\n\nEnquanto um bot\u00e3o no menu est\u00e1 selecionado, os demais s\u00e3o invis\u00edveis. Mesmo o uso das teclas f\u00edsicas se mostra razoavelmente dif\u00edcil, em especial no controle directional, a pe\u00e7a circular no centro do celular. Al\u00e9m de remeter ao iPod, icone do mercado eletr\u00f4nico contempor\u00e2neo, \u00e9 de dif\u00edcil manejo, pois ao se pressionar a tecla para qualquer dire\u00e7\u00e3o, a for\u00e7a \u00e9 muito disproportional e a sensa\u00e7\u00e3o de imprecis\u00e3o de movimento \u00e9 inc\u00f4moda. Seu pre\u00e7o, no entanto \u00e9 bastante reduzido (menos de 80 reais), o que o coloca como boa op\u00e7\u00e3o na escolha entre celulares mais baratos, que normalmente s\u00e3o bastante desinteressantes na forma e acabamento.\n\nDe volta no mobili\u00e1rio, h\u00e1 muitos exemplos mais. Richard Meier, por exemplo, arquiteto de influ\u00eancia moderna (Frank Lloyd Wright, Mackintosh, etc.), produziu diversos itens que poderiam ser considerados como minimalistas.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone\" title=\"Minimalismo\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/minimalismo-13.jpg\" alt=\"Minimalismo\" width=\"196\" height=\"258\" \/><\/p>\nA cadeira acima, parte de um conjunto maior de mob\u00edlias, possui uma limpeza de tra\u00e7os bastante forte, uma cor neutra, pintura industrial, rigidez de formas, etc.\n\nNo entanto, pela apar\u00eancia se abre m\u00e3o da usabilidade. Nesse caso podemos encontrar ainda algumas preocupa\u00e7\u00f5es que ultrapassam a gratuidade da simples apar\u00eancia, como a configures do banco. Esse leve arredondamento para acomoda\u00e7\u00e3o do usu\u00e1rio melhora o conforto, diminui o stress de contato com as pernas e cintura, e possibilita mais de uma maneira de sentar, podendo ser mais relaxada ou mais ereta. No entanto, a verticalidade literal do encosto deprecia-a, assim como sua baixa altura, que \u00e9 insuficiente para servir de apoio.\n\nEmbora a gestalt visual esteja muito bem resolvida, a funcional se mostra menosprezada em prol da outra.\n\nUm ponto interessante do minimalismo \u00e9 que em geral o objeto parece querer tornar-se \u00edcone. Na semi\u00f3tica, o \u00edcone \u00e9, superficialmente, uma imagem (mental ou material) que mant\u00e9m com o objeto a que se refere semelhan\u00e7as que o remetem e ligam a este, propiciando as mesmas impress\u00f5es visuais. Por constituir-se de formas r\u00edgidas, fortes, est\u00e1ticas, claras, etc., um objeto minimalista como que torna-se um \u00edcone do universo a que se refere. A cadeira de Richard Meier, por exemplo, \u00e9 uma cadeira no sentido ic\u00f4nico, j\u00e1 que funcionalmente n\u00e3o \u00e9 a mesma coisa que perceptivamente. O mesmo \u00e0 cadeira de Rietveld. \u00c9 isso que torna o minimalismo uma tend\u00eancia tipicamente imag\u00e9tica. S\u00e3o melhores enquanto \u00edcones de usabilidade, de conforto, do que como efetivamente objetos. A forma geral \u00e9 como que a ideal ao objeto, mas n\u00e3o o \u00e9. Bowl (analisado anteriormente), de John Pawson, pode ser tomado como formalmente a tigela ideal, mas pragmaticamente, n\u00e3o.\n\nIsso no entanto n\u00e3o se aplica a designs mais voltados para o lado art\u00edstico, como o sof\u00e1 de Kuramata (acima), que n\u00e3o \u00e9 \u00edcone, mas apenas s\u00edmbolo de um sof\u00e1.\n\nA forma do sof\u00e1 como que tornou-se uma conven\u00e7\u00e3o (encosto, acento, bra\u00e7os), e Kuramata apropria-se dessas conven\u00e7\u00f5es para criar um objeto\/arte, pass\u00edvel de uso. O objeto se faz sobre essas caracter\u00edsticas-sof\u00e1, mas n\u00e3o constitui-se de fato enquanto mob\u00edlia.\n\nEsse uso constante de s\u00edmbolos, como coloca B\u00fcrdek, \u00e9 tamb\u00e9m \u0093(\u0085) uma fun\u00e7\u00e3o de integra\u00e7\u00e3o social\u0094. \u0093Objetos simb\u00f3licos\u0094 s\u00e3o \u0093aqueles que primeiramente servem a ter signific\u00e2ncia\u0094, diferente do \u0093objeto de uso\u0094, que s\u00e3o aqueles que \u0093primeiramente servem a preencher uma tarefa pr\u00e1tica\u0094. E foi o simbolismo inerente ao objeto minimalista, presente no seu despojamento formal, na sua altivez, etc., que atra\u00edram os \u0093yuppies\u0094 como principal p\u00fablico comprador. S\u00e3o um p\u00fablico que, como seu mobili\u00e1rio, vivem de apar\u00eancias, para firmar-se num contexto social rec\u00e9m adentrado. N\u00e3o importando se objeto eletr\u00f4nico ou anal\u00f3gico, a opera\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica na forma se faz fundamental \u00e0 mensagem que se pretende transmitir, ou seja, a identidade do usu\u00e1rio. \u0093A filia\u00e7\u00e3o a uma classe espec\u00edfica pertence \u00e0 identidade do individual; ela oferece uma comunidade que lhe empresta seguran\u00e7a social\u0094 (Paul Nolte, 2001).\n\nPodemos observar a partir disso que limitar o universo s\u00edgnico num objeto n\u00e3o o torna menos simb\u00f3lico, ou seja, por mais que o minimalismo tenha sido uma rea\u00e7\u00e3o aos ideais p\u00f3s-modernos presentes no design do grupo Memphis ou Alchemia a partir da m\u00e1xima limpeza formal, n\u00e3o livra-se de uma bagagem simb\u00f3lica que o contextualizar\u00e1 da mesma maneira que os anteriores, mas num grupo diferente. O consumo pelo carater formal ainda prevalece sobre o functional.\n\n<strong>Conclus\u00e3o<\/strong>\n\n<strong>Embora a investiga\u00e7\u00e3o sobre o minimalismo no design mere\u00e7a ainda um aprofundamento maior, em linhas gerais, podemos descrev\u00ea-lo por tr\u00eas caracter\u00edsticas:<\/strong>\n\n<strong>Formalmente<\/strong>, o mobili\u00e1rio minimalista \u00e9 bastante claro. Sendo a forma uma estrutura est\u00e1tica, imut\u00e1vel enquanto si mesma, embora semi\u00f3ticamente fluida, a forma no design minimalista se torna ainda mais r\u00edgida pelas caracter\u00edsticas que as formam. Talvez as principais delas seja quanto \u00e0 cor e material. Se existe cor, est\u00e1 impregnada por todo material. Se n\u00e3o existe, explicita a qualidade do material, assumindo-o enquanto tal. As linhas s\u00e3o sempre retas, ligadas por \u00e2ngulos retos, ou ao menos bem demarcados.\n\nQuando n\u00e3o formados por planos, se restringem a um m\u00ednimo de linhas construtivas e estruturais, sempre expondo os componentes do objeto.\n\n<strong>Funcionalmente<\/strong>, a clareza \u00e9 d\u00fabia. Embora n\u00e3o existam fun\u00e7\u00f5es agregadas aos m\u00f3veis sen\u00e3o aquelas a que se destinam, (uma cadeira \u00e9 uma cadeira), n\u00e3o possuindo adornos desnecess\u00e1rios, o modo como se constr\u00f3em n\u00e3o \u00e9 totalmente eficaz, causando problemas cognitivos ou ergon\u00f4micos ou psicol\u00f3gicos. N\u00e3o a forma segue a fun\u00e7\u00e3o, mas a fun\u00e7\u00e3o segue a forma.\n\nE, por fim,\u00a0<strong>Simbolicamente<\/strong>, onde se verificou que apesar a limpeza de tra\u00e7os, de adornos, a linguagem r\u00edgida e literal transmitem s\u00edmbolos tais que os atraem para determinado p\u00fablico. <strong>Eduardo Camillo kasparevicis Ferreira<\/strong>\n\nFonte: es.wikipedia.org\/www.geocities.com\/www.iar.unicamp.br\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Minimalismo, Arte, Escultura, O que \u00e9, Arquitetura, Pintura, Design, Caracter\u00edstica, Objetivo, Artista, Obra, Pintores, Minimalismo<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":5016,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[],"class_list":["post-19526","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-arte-2"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - 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