{"id":19505,"date":"2015-12-01T00:00:00","date_gmt":"2015-12-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/arte-contemporanea-3\/"},"modified":"2026-09-01T15:23:14","modified_gmt":"2026-09-01T15:23:14","slug":"arte-contemporanea-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/arte-2\/arte-contemporanea-3\/","title":{"rendered":"Arte Contempor\u00e2nea"},"content":{"rendered":"\n<h4><strong>Arte Contempor\u00e2nea &#8211; <\/strong>O que \u00e9<\/h4>\nA <strong>Arte Contempor\u00e2nea<\/strong> \u00e9 a arte produzida no presente per\u00edodo de tempo.\n\nA <strong>Arte Contempor\u00e2nea<\/strong> inclui, e desenvolve a partir de, arte p\u00f3s-moderna, que \u00e9 em si um sucessor para a arte moderna.\n\nEstritamente falando, o termo <b>&#8220;<\/b><strong>Arte Contempor\u00e2nea<\/strong>&#8221; refere-se a arte feita e produzida por artistas que vivem hoje.\n\nArtistas de hoje trabalhar e responder a um ambiente global que \u00e9 culturalmente diversificada e tecnologicamente avan\u00e7ada, e multifacetada.\n\nTrabalhando em uma ampla <b>variedade<\/b> de m\u00eddias, artistas contempor\u00e2neos, muitas vezes refletir e comentar sobre a sociedade moderna.\n<h4><strong>Arte Contempor\u00e2nea &#8211; D<\/strong>efini\u00e7\u00e3o<\/h4>\nA <strong>Arte Contempor\u00e2nea<\/strong> \u00e9 a arte de hoje, produzidos por artistas que est\u00e3o vivendo no s\u00e9culo XXI.\n\nA <strong>Arte Contempor\u00e2nea<\/strong> oferece uma oportunidade para refletir sobre a sociedade contempor\u00e2nea e as quest\u00f5es relevantes para n\u00f3s mesmos e o mundo ao nosso redor.\n\nOs artistas contempor\u00e2neos trabalham em um mundo globalmente influenciado, culturalmente diversificado e tecnologicamente avan\u00e7ado. Sua arte \u00e9 uma combina\u00e7\u00e3o din\u00e2mica de materiais, m\u00e9todos, conceitos e temas que desafiam os limites tradicionais e desafiam a defini\u00e7\u00e3o f\u00e1cil. Arte diversificada e ecl\u00e9tica, contempor\u00e2nea como um todo se distingue pela pr\u00f3pria falta de um uniforme, princ\u00edpio organizador, ideologia ou &#8220;ismo&#8221;.\n\nA <strong>Arte Contempor\u00e2nea<\/strong> \u00e9 parte de um di\u00e1logo cultural que diz respeito a quadros contextuais maiores, como identidade pessoal e cultural, fam\u00edlia , comunidade e nacionalidade.\n\n\u00c9 um per\u00edodo art\u00edstico que surgiu na segunda metade do s\u00e9culo XX e se prolonga at\u00e9 aos dias de hoje.\n<h4><strong>Arte Contempor\u00e2nea &#8211; R<\/strong>ealidade<\/h4>\nNo final dos anos 50, depois da s\u00e9rie de ismos surgida na primeira metade do s\u00e9culo, a id\u00e9ia de uma arte que copie a realidade est\u00e1 completamente falida.\n\nPara uns, o jogo de formas e cores \u00e9 suficiente por si s\u00f3; para outros, uma obra de arte deve expressar id\u00e9ias; outros ainda consideram essa expressividade fruto do di\u00e1logo da arte com a realidade.\n\nA partir dos anos 60, para muitos a arte n\u00e3o deve mais se distinguir da realidade e sim ser parte dela, abolindo portanto todos os suportes &#8211; a parte f\u00edsica das obras. S\u00e3o artistas que dispensam a tela, o papel, a escultura e buscam novas formas de express\u00e3o.\n\n<strong>Arte Conceitual<\/strong>\n\nCriada nos anos 60 por Joseph Kossuth a partir das id\u00e9ias de Marcel Duchamp, a <strong>arte conceitual<\/strong> parte do princ\u00edpio de que o simples deslocamento dos objetos de seu contexto habitual pode provocar uma rea\u00e7\u00e3o reflexiva do observador.\n\nA combina\u00e7\u00e3o de alguns elementos sugere id\u00e9ias; em Uma e tr\u00eas cadeiras (1965), por exemplo, Kossuth prop\u00f5e uma discuss\u00e3o sobre os limites da linguagem contrapondo uma cadeira (o objeto tridimensional), uma foto de cadeira (sua tradu\u00e7\u00e3o bidimensional) e a palavra cadeira (sua vers\u00e3o simb\u00f3lica).\n\nA arte conceitual gera, nos anos 70, o conceito de &#8220;instala\u00e7\u00e3o&#8221; &#8211; um arranjo c\u00eanico de objetos, que vem a se tornar a linguagem predominante da arte no fim de s\u00e9culo. Variante da arte conceitual \u00e9 a land art (arte da terra), dos ingleses Richard Long e Robert Smithson, que interv\u00eam em formas da natureza, colocando por exemplo c\u00edrculos de pedra numa clareira de floresta.\n<p class=\"imagem\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-9434\" title=\"Arte Contempor\u00e2nea\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/arte-c1.jpg\" alt=\"Arte Contempor\u00e2nea\" width=\"443\" height=\"216\" \/>\nArte Contempor\u00e2nea<\/strong><\/p>\n<strong>Minimalismo<\/strong>\n\nO<strong> minimalismo <\/strong>surge em 1960 e utiliza um m\u00ednimo de recursos e a simplifica\u00e7\u00e3o extrema da forma. O termo \u00e9 mais aplicado \u00e0 arte tridimensional do italiano Piero Manzoni e dos norte-americanos Donald Judd e Robert Morris. O m\u00e9todo minimalista ordena unidades formais, id\u00eanticas e inter-relacionadas, criando freq\u00fc\u00eancias seriais (como modula\u00e7\u00f5es) que questionam os limites da sensa\u00e7\u00e3o, ao repetir-se ao infinito ou inverter continuamente as escalas. Nesse sentido, a obra nunca est\u00e1 acabada e, como o universo f\u00edsico na teoria da relatividade, depende sempre do observador.\n\n<strong>Pop Arte<\/strong>\n\nAinda nos anos 50, surge com o ingl\u00eas Richard Hamilton a <strong>pop art<\/strong>, que nos anos 60 se torna o movimento art\u00edstico mais influente dos EUA. Sua id\u00e9ia \u00e9 reutilizar imagens da sociedade de consumo (de marcas industriais a celebridades), chamando a aten\u00e7\u00e3o do espectador para sua qualidade est\u00e9tica e poder de atra\u00e7\u00e3o, fazendo amplia\u00e7\u00f5es ou variantes crom\u00e1ticas. Andy Warhol faz serigrafias com o rosto de artistas de cinema (Marilyn Monroe) e embalagens de alimentos (sopa Campbell&#8217;s).\n\nA bandeira americana (utilizada por Jasper Johns), hist\u00f3rias em quadrinhos (Roy Lichtenstein) e outros \u00edcones da comunica\u00e7\u00e3o de massa s\u00e3o usados. No caso de Robert Rauschenberg, colagens e ready-mades servem para incorporar maior grau de conceitualiza\u00e7\u00e3o \u00e0 pop art, discutindo quest\u00f5es como a fragmenta\u00e7\u00e3o obsessiva e fetichista do mundo contempor\u00e2neo.\n\n<strong>Arte Povera<\/strong>\n\nNos anos 70, na It\u00e1lia, sob influ\u00eancia da arte conceitual e tamb\u00e9m como rea\u00e7\u00e3o \u00e0 &#8220;assepsia&#8221; minimalista, surge a arte povera (arte pobre). O material das obras \u00e9 in\u00fatil e prec\u00e1rio, como metal enferrujado, areia, detritos e pedras.\n\nNa combina\u00e7\u00e3o dos elementos, a <strong>arte povera<\/strong> p\u00f5e em quest\u00e3o as propriedades intr\u00ednsecas dos materiais (que podem mudar de caracter\u00edsticas com o tempo, ou ter qualidade est\u00e9tica inesperada) e o valor de uso na economia capitalista contempor\u00e2nea. Giovanni Anselmo \u00e9 o principal praticante da arte povera.\n\n<strong>Arte Perform\u00e1tica<\/strong>\n\n<strong>O pioneiro da arte perform\u00e1tica, que nos anos 70 se torna moda mundial, \u00e9 Allen Kaprow, que cria em 1959 o happening (acontecimento)<\/strong>: uma apresenta\u00e7\u00e3o aparentemente improvisada, em que o artista se vale de imagens, m\u00fasicas e objetos e incorpora a rea\u00e7\u00e3o do espectador. Do happening nasce depois a performance, que \u00e9 planejada e n\u00e3o prev\u00ea participa\u00e7\u00e3o da plat\u00e9ia.\n\nEm 1965, por exemplo, Joseph Beuys cobriu o rosto com mel e folhas de ouro, pegou nos bra\u00e7os o cad\u00e1ver de uma lebre e percorreu uma exposi\u00e7\u00e3o de pinturas discursando sobre a futilidade da arte diante da trag\u00e9dia ecol\u00f3gica.\n\nVariante da arte perform\u00e1tica \u00e9 a body art (arte do corpo), do franc\u00eas Yves Klein e do norte-americano Bruce Nauman, que usa o corpo humano, como garotas nuas pintadas de azul que, dan\u00e7ando, se jogam contra telas em branco.\n\n<strong>Hiper Realismo<\/strong>\n\nNo final da d\u00e9cada de 60, inspirados pela pintura de Edward Hopper, artistas norte-americanos como Chuck Close, Richard Estes e Malcolm Morley proclamam o retorno ao figurativismo. Ainda que centrado na t\u00e9cnica cl\u00e1ssica de perspectiva e desenho e na preocupa\u00e7\u00e3o minuciosa com detalhes, cores, formas e textura, n\u00e3o postula a arte como c\u00f3pia fotogr\u00e1fica da realidade. Utiliza-se de cores luminosas e pequenas figuras incidentais, para pintar de maneira ir\u00f4nica e bonita o caos urbano atual.\n\n<strong>Neofigura\u00e7\u00e3o<\/strong>\n\nNos anos 70 e 80, a volta da pintura figurativa ocorre de diversas maneiras. Na transvanguarda italiana, por exemplo, artistas como Sandro Chia e Mimmo Paladino contrap\u00f5em o antigo ao moderno, num ecletismo que reflete a pr\u00f3pria hist\u00f3ria da arte. O mesmo ocorre na arquitetura p\u00f3s-modernista de Paolo Portogallo, que mistura os mais diversos estilos.\n\nMas h\u00e1 tamb\u00e9m um retorno do figurativismo por uma perspectiva diferente. Na pintura do alem\u00e3o Anselm Kiefer, por exemplo, paisagens e pessoas aparecem num mundo expressionista de ang\u00fastia e solid\u00e3o, mas n\u00e3o s\u00e3o &#8220;retratadas&#8221;.\n\nNela, as figuras s\u00e3o t\u00e3o significativas quanto a textura das camadas de tinta. H\u00e1 uma ponte entre a t\u00e9cnica abstrata (que busca a express\u00e3o no arranjo formal) e a figurativa cl\u00e1ssica (que busca a expressividade do objeto que retrata).\n\n<strong>Outros artistas neofigurativos<\/strong>: os ingleses Francis Bacon, Lucian Freud e Frank Auerbach e o franco-polon\u00eas Balthus.\n<h4><strong>Arte Contempor\u00e2nea &#8211; Brasileira<\/strong><\/h4>\nA <strong>Arte brasileira contempor\u00e2nea<\/strong> possui uma hist\u00f3ria t\u00e3o longa quanto a dos pa\u00edses culturalmente hegem\u00f4nicos. Dela participam umas quatro gera\u00e7\u00f5es ou safras de artistas que aqui produziram e hoje emprestam sentido geneal\u00f3gico \u00e0s gera\u00e7\u00f5es mais novas, referenciando-as. N\u00e3o pretendo com isso negar as influ\u00eancias internacionais diversas a que estamos naturalmente submetidos, mas enfatizar uma tradi\u00e7\u00e3o interna cujo sentido singular encontra-se em nossa hist\u00f3ria da arte recente, fruto da tensa interse\u00e7\u00e3o do nacional com o global.\n\nA observa\u00e7\u00e3o procede j\u00e1 que o tema do presente Simp\u00f3sio (Arte Contempor\u00e2nea no Limiar do S\u00e9culo XXI), imp\u00f5e um recorte espec\u00edfico ao complexo conjunto, plural e heter\u00f3clito, tecido nos \u00faltimos 45 anos, que chamamos de produ\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea brasileira. Entre sobrevoar a floresta com o discurso cr\u00edtico-te\u00f3rico, e a apresenta\u00e7\u00e3o direta, visual, de uma de suas esp\u00e9cies, escolhi a segunda op\u00e7\u00e3o.\n\nApresentarei um segmento ainda pouco conhecido da mais jovem e recente produ\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea, cujas interven\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e institucionais correspondem simultaneamente ao esp\u00edrito de nossa \u00e9poca e \u00e0 uma genealogia de artistas que come\u00e7a com as experi\u00eancias de Fl\u00e1vio de Carvalho, a participa\u00e7\u00e3o do p\u00fablico e a integra\u00e7\u00e3o entre arte e vida propostas por Lygia Clark e H\u00e9lio Oiticica, passa pela cr\u00edtica institucional de Nelson Leirner, at\u00e9 as situa\u00e7\u00f5es e experi\u00eancias de Artur Barrio e as Inser\u00e7\u00f5es em Circuitos Ideol\u00f3gicos de Cildo Meireles. Eu n\u00e3o poderia falar sobre este tema sem a preciosa colabora\u00e7\u00e3o de Marisa Florido C\u00e9sar, pesquisadora e curadora do Rio de Janeiro, que vem estudando o assunto desde as primeiras manifesta\u00e7\u00f5es desta tend\u00eancia l\u00e1 pela passagem da d\u00e9cada de 1990 para a de 2000. A ela meu agradecimento.\n\nAp\u00f3s breve introdu\u00e7\u00e3o a algumas id\u00e9ias e precedentes hist\u00f3ricos, tentarei estabelecer alguns tra\u00e7os que singularizam essas po\u00e9ticas da a\u00e7\u00e3o na atualidade em suas diferen\u00e7as com seus pares geneal\u00f3gicos do passado. Finalmente, e esta ser\u00e1 a parte mais importante de minha interven\u00e7\u00e3o, tentarei passar em mais de 60 imagens as propostas alguns artistas, sem qualquer aprecia\u00e7\u00e3o cr\u00edtica. Ser\u00e1 uma proje\u00e7\u00e3o cujo prop\u00f3sito \u00e9 visualizar estas interven\u00e7\u00f5es, em lugar de aprision\u00e1-las no discurso cr\u00edtico.\n\nTemo que a publica\u00e7\u00e3o de minha comunica\u00e7\u00e3o perca o essencial de sua din\u00e2mica, j\u00e1 que n\u00e3o poder\u00e3o ser publicadas todas essas imagens que consistir\u00e3o a parte mais atraente do tema por mim escolhido. Por outro lado \u00e9 indispens\u00e1vel adverti-los que o que ser\u00e1 apresentado tamb\u00e9m n\u00e3o configura um conjunto homog\u00eaneo.\n\nA prolifera\u00e7\u00e3o de grupos de artistas \u00e9 hoje um fen\u00f4meno manifesto em quase todas as regi\u00f5es do Brasil. Entretanto a diversidade s\u00f3cio-econ\u00f4mica, cultural e at\u00e9 mesmo geogr\u00e1fica destas regi\u00f5es imprimiu suas marcas nestes grupos, tornando seus objetivos bastante diferenciados. Numa certa medida a mesma advert\u00eancia feita em rela\u00e7\u00e3o ao conjunto da arte contempor\u00e2nea brasileira vale tamb\u00e9m para estes jovens artistas. Mas a despeito das diferen\u00e7as de suas propostas, eles configuram um \u00fanico fen\u00f4meno, fundado em problemas pol\u00edtico-institucionais e car\u00eancias semelhantes.\n\n<strong>Prim\u00f3rdios da contemporaneidade no Brasil<\/strong>\n\nAs primeiras manifesta\u00e7\u00f5es da arte contempor\u00e2nea brasileira ocorreram na passagem da d\u00e9cada de 50 para a de 60. Duas a\u00e7\u00f5es perform\u00e1ticas de Fl\u00e1vio de Carvalho, a Experi\u00eancia n\u00ba 2 e a Experi\u00eancia n\u00ba 3, realizadas em 1931 e em 1956 (1); os Bichos de Lygia Clark (1960)(2) e os N\u00facleos e primeiros Penetr\u00e1veis de H\u00e9lio Oiticica (1960) (3), podem ser tomados como emblemas do nascimento da definitiva sincroniza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s quest\u00f5es universais da arte ocidental.\n\n<strong>No entanto \u00e9 necess\u00e1ria uma distin\u00e7\u00e3o<\/strong>: ainda que tenham precedido \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o interna operada na produ\u00e7\u00e3o de Clark e Oiticica, as experi\u00eancias de Fl\u00e1vio de Carvalho, n\u00e3o tiveram, como as destes, quaisquer desdobramentos nas obras de outros artistas da \u00e9poca, nem mudaram o rumo de sua pr\u00f3pria produ\u00e7\u00e3o, sempre centrada na pintura. Estas duas interven\u00e7\u00f5es s\u00f3 come\u00e7aram de fato a ser incorporadas \u00e0 g\u00eanese de nossa arte mais radical pelo discurso cr\u00edtico dos anos 90. Sua influ\u00eancia, portanto, \u00e9 um fen\u00f4meno retrospectivo, recentemente constru\u00eddo, j\u00e1 que nem seu autor as defendia como a\u00e7\u00f5es de teor art\u00edstico pleno.\n\nNum caminho diverso, a radicaliza\u00e7\u00e3o das propostas inaugurais de Oiticica levou-o, num processo experimental coerente e deliberado, \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o de Maquetes como a do Projeto C\u00e3es de Ca\u00e7a (1961), dos B\u00f3lides (1963- 1966) e dos Parangol\u00e9s (1964-1969) (4). Com o mesmo esp\u00edrito e no mesmo sentido, Clark produz o Caminhando (1964) e as M\u00e1scaras Sensoriais (5), trabalhos que consolidam as posi\u00e7\u00f5es pioneiras destes dois \u00faltimos artistas em rela\u00e7\u00e3o a origem e \u00e0 expans\u00e3o efetivas da arte contempor\u00e2nea no Brasil.\n\nAinda que consideremos a forte especificidade, tanto de repert\u00f3rio quanto de m\u00e9todo, da produ\u00e7\u00e3o visual brasileira, podemos observar que nos \u00faltimos 45 anos ela configura uma rede intelig\u00edvel de obras e de a\u00e7\u00f5es contempor\u00e2neas que poderiam ser inscritas e, em alguns casos j\u00e1 se inscrevem, no debate internacional.\n\nPor que essa sincronia foi ocorrer no momento exato da passagem, nos Estados Unidos e na Europa, da tradi\u00e7\u00e3o modernista (centrada na pesquisa e inven\u00e7\u00e3o formais) para a contemporaneidade (retorno ao \u00edcone e a narrativa) que introduz pela primeira vez no campo da arte a temporalidade como fluxo ou processo (experi\u00eancia, apropria\u00e7\u00e3o, e com elas, aproxima\u00e7\u00e3o entre arte e vida)?\n\n<strong>D\u00e9cada de 50 no Brasil: <\/strong>A Experi\u00eancia Moderna Condensada\n\nA resposta provavelmente est\u00e1 na experi\u00eancia condensada, mas radical, das vanguardas abstracionistas que floresceram no pa\u00eds, no p\u00f3s-guerra, entre 1948 e 1960. Tal como o de outros pa\u00edses latino-americanos, o Modernismo brasileiro havia se desenvolvido desde o come\u00e7o do s\u00e9culo passado em torno do compromisso com quest\u00f5es sociais e temas da vida nacional, em detrimento da investiga\u00e7\u00e3o pl\u00e1stico-formal que ent\u00e3o movia as vanguardas europ\u00e9ias do mesmo per\u00edodo. Ser\u00e1 somente com a emerg\u00eancia da arte Concreta e Abstrata, por volta de 1949, que os artistas brasileiros passaram a investigar prioritariamente, e em v\u00e1rias dire\u00e7\u00f5es, as possibilidades expressivas e po\u00e9ticas da mat\u00e9ria e dos materiais, do espa\u00e7o, da cor, da forma, do plano, do volume e da linha.\n\nSe a Abstra\u00e7\u00e3o Informal direcionava a investiga\u00e7\u00e3o desses elementos pl\u00e1sticos para uma esfera subjetivada, as tend\u00eancias construtivas, concentradas nas cidades do Rio de Janeiro(6) e de S\u00e3o Paulo(7) elaboraram, em contraposi\u00e7\u00e3o \u00e0 primeira, repert\u00f3rios formais mais objetivos, suscitados pela geometria, apesar das diferen\u00e7as entre estes agrupamentos de artistas das duas maiores urbes do pa\u00eds.\n\nSua tardia implanta\u00e7\u00e3o e curta dura\u00e7\u00e3o foram seguramente compensadas e potencializadas pelo conhecimento que estes artistas possu\u00edam a respeito de experi\u00eancias an\u00e1logas em pa\u00edses vizinhos como o Uruguai (Torres-Garcia) e, sobretudo, a Argentina (Arte Concreto-invenci\u00f3n, Mad\u00ed; 1943), mas tamb\u00e9m pelas experi\u00eancias hist\u00f3ricas das vanguardas construtivistas e abstracionistas europ\u00e9ias (Suprematismo, Neoplasticismo, Concretismo, Abstra\u00e7\u00e3o L\u00edrica, Tachismo etc.). Foi entretanto um lapso suficiente para mudar de modo definitivo nossa posi\u00e7\u00e3o de descompasso em rela\u00e7\u00e3o aos pa\u00edses culturalmente hegem\u00f4nicos.\n\nEsta arrancada final do modernismo brasileiro preparou o solo onde na d\u00e9cada seguinte (60) iriam florescer os primeiros artistas contempor\u00e2neos do pa\u00eds.\n\nEntretanto, nunca \u00e9 demais destacar o papel decisivo desempenhado nesta renova\u00e7\u00e3o pelos mais radicais remanescentes da fase final do modernismo brasileiro.\n\nO deslocamento dos eixos po\u00e9ticos de Lygia Clark, Lygia Pape e H\u00e9lio Oiticica, cujos processos de trabalho terminaram distanciando-os de uma investiga\u00e7\u00e3o mais formal e espacial, de teor Neoconcreto (que buscava a integra\u00e7\u00e3o entre o espa\u00e7o da obra e o espa\u00e7o real), para outra mais participativa (que propunha a aproxima\u00e7\u00e3o da arte \u00e0 vida), teceram as conex\u00f5es inaugurais de nossa contemporaneidade, a partir de nossa experi\u00eancia modernista. A ruptura com algumas das quest\u00f5es cruciais da modernidade no Brasil n\u00e3o se deu somente com a emerg\u00eancia da Nova Figura\u00e7\u00e3o brasileira (1965), ela tamb\u00e9m pode ser observada, numa outra medida e dire\u00e7\u00e3o, na pr\u00f3pria din\u00e2mica da produ\u00e7\u00e3o destes tr\u00eas artistas.\n\n<strong>A (outra) Arte Contempor\u00e2nea Brasileira<\/strong>\n\n<strong>Neste in\u00edcio de 2003 os principais grupos de artistas brasileiros dedicados a interven\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e ef\u00eameras s\u00e3o: <\/strong>Atrocidades Maravilhosas, Radial, Vapor, Hapax, R\u00e9s do Ch\u00e3o, Agora, Capacete, A\u00e7\u00facar invertido, Interfer\u00eancias Urbanas (Rio de janeiro); Grupo Ponteseis, Galeria do Poste (Niter\u00f3i); N\u00facleo Perform\u00e1tico Subterr\u00e2nea, Grupo Los Valderramas, Espa\u00e7o Coringa, A.N.T.I. Cinema, Fuma\u00e7a, ZoX, Marrom, Grupo CONTRA, Linha Imagin\u00e1ria (S\u00e3o Paulo); Alpendre, B.A.S.E., Transi\u00e7\u00e3o Listrada (Fortaleza); Entorno (Bras\u00edlia); EmpreZa, NEPP, Grupo Valmet (Goi\u00e2nia); Urucum, Inv\u00f3lucro, Cia Avlis em movimento, Murucu (Macap\u00e1); Torre\u00e3o, Grupo Laranja, Flesh nouveau!, Perdidos no Espa\u00e7o (Porto Alegre), Grupo Camelo, Valdisney (Recife); \u0093Grupo\u0094 (Belo Horizonte); After-ratos (os ratos est\u00e3o em toda parte), Movimento Terrorista Andy Warhol \u0096 MTAW (sem proced\u00eancia fixa, \u00fanica ou revelada). <strong>Fernando Cocchiarale<\/strong>\n<h4>10 aspectos da arte contempor\u00e2nea<\/h4>\n<strong>1.<\/strong>\u00a0Em 1910, o russo Wassily Kandinsky pintou as primeiras aquarelas com signos e elementos gr\u00e1ficos que apenas sugeriam modelos figurativos, uma nova etapa no processo de desmanche da figura, que se iniciara com Pablo Picasso e Georges Braque, na cria\u00e7\u00e3o do cubismo, por volta de 1907. Assim, a abstra\u00e7\u00e3o, uma representa\u00e7\u00e3o n\u00e3o-figurativa \u0097que n\u00e3o apresenta figuras reconhec\u00edveis de imediato\u0097 tornou-se uma das quest\u00f5es essenciais da arte no s\u00e9culo 20. Movimento dominante na d\u00e9cada de 1950, a abstra\u00e7\u00e3o pode ser conhecida tamb\u00e9m em livros como &#8220;Abstracionismo Geom\u00e9trico e Informal&#8221;, de Fernando Cocchiarale e Anna Bella Geiger (Funarte, 308 p\u00e1gs., esgotado).\n\n<strong>2.\u00a0<\/strong>A &#8220;arte concreta&#8221;, express\u00e3o cunhada pelo holand\u00eas Theo van Doesburg em 1918, refere-se \u00e0 pintura feita com linhas e \u00e2ngulos retos, usando as tr\u00eas cores prim\u00e1rias (vermelho, amarelo e azul), al\u00e9m de tr\u00eas n\u00e3o-cores (preto, branco e cinza). No Brasil, o movimento ganhou densidade e especificidade pr\u00f3pria, sobretudo no Rio e em S\u00e3o Paulo, onde se formaram, respectivamente, os grupos Frente e Ruptura. Waldemar Cordeiro, artista, cr\u00edtico e te\u00f3rico, liderou um grupo com o objetivo de integrar a arte a aspectos sociais como o desenho industrial, a publicidade, o paisagismo e o urbanismo.\n\n<strong>3.\u00a0<\/strong>O grupo Neoconcreto teve origem no Rio de Janeiro e teve curta dura\u00e7\u00e3o, de 1959 a 1963. Ele surgiu como conseq\u00fc\u00eancia de uma diverg\u00eancia entre concretistas do Rio e de S\u00e3o Paulo. Em 1959, Ferreira Gullar publicou um manifesto onde as diferen\u00e7as entre os grupos s\u00e3o explicitadas, e a ruptura se consolidou, gerando um movimento brasileiro de alcance internacional. Entre os artistas mais conhecidos est\u00e3o H\u00e9lio Oiticica e Lygia Clark, al\u00e9m do pr\u00f3prio Gullar. Tr\u00eas excelentes introdu\u00e7\u00f5es s\u00e3o &#8220;Etapas da Arte Contempor\u00e2nea&#8221; (Revan, 304 p\u00e1gs., R$ 48), de Gullar, &#8220;Neoconcretismo&#8221; (Cosac &amp; Naify, 110 p\u00e1gs., R$ 59,50), de Ronaldo Brito, e &#8220;H\u00e9lio Oiticica Qual \u00c9 o Parangol\u00e9?&#8221; (Rocco, 144 p\u00e1gs., R$ 24,50), de Waly Salom\u00e3o.\n\n<strong>4.\u00a0<\/strong>A apari\u00e7\u00e3o da pop art (ou novas figura\u00e7\u00f5es), na Nova York do final dos anos 50, foi surpreendente. Longe de ser uma representa\u00e7\u00e3o realista dos objetos, ela enfocava o imagin\u00e1rio popular no cotidiano da classe m\u00e9dia urbana e mostrava a intera\u00e7\u00e3o do homem com a sociedade. Por isso, tomava temas de revistas em quadrinhos, bandeiras, embalagens de produtos, itens de uso cotidiano e fotografias. No Brasil, interagiu com a pol\u00edtica e teve em Wesley Duke Lee, Antonio Dias, Nelson Leirner, Rubens Gerchman e Carlos Vergara seus expoentes.\n\n<strong>5.\u00a0<\/strong>A arte conceitual trabalha os estratos mais profundos do conhecimento, at\u00e9 ent\u00e3o apenas acess\u00edveis ao pensamento. Nascida no final dos anos 1960, ela rejeita todos os c\u00f3digos anteriores. No Brasil, o movimento conceitual coincidiu com a ditadura militar (1964-1985), e a conting\u00eancia lhe deu um sentido diferente da atitude auto-referencial, comum nos outros pa\u00edses. Um dos artistas brasileiros mais ligados ao conceitual \u00e9 Cildo Meireles, cujo trabalho foi estudado pelo cr\u00edtico e curador americano Dan Cameron, em livro que leva o nome do artista.\n\n<strong>6.\u00a0<\/strong>A presen\u00e7a do objeto na arte come\u00e7a nas &#8220;assemblages&#8221; cubistas de Picasso, nas inven\u00e7\u00f5es de Marcel Duchamp e nos &#8220;objets trouv\u00e9s&#8221; (objetos encontrados) surrealistas. Em 1913, Duchamp instalou uma roda de bicicleta sobre uma banqueta de cozinha, abrindo a rota para o desenvolvimento dessa nova categoria das artes pl\u00e1sticas. Hoje em dia, os &#8220;ready-mades&#8221; \u0097obras que se utilizam de objetos prontos\u0097 j\u00e1 se tornaram cl\u00e1ssicos na arte contempor\u00e2nea. Por aqui, a essas experi\u00eancias come\u00e7aram a ser realizadas somente nos anos 60, com os neoconcretos e neofigurativos.\n\n<strong>7.\u00a0<\/strong>As instala\u00e7\u00f5es se caracterizam por tens\u00f5es que se estabelecem entre as diversas pe\u00e7as que as comp\u00f5em e pela rela\u00e7\u00e3o entre estas e as caracter\u00edsticas do lugar onde se inserem. Uma \u00fanica instala\u00e7\u00e3o pode incluir performance, objeto e v\u00eddeo, estabelecendo uma intera\u00e7\u00e3o entre eles. O deslocamento do observador nesse espa\u00e7o denso \u00e9 necess\u00e1rio para o contato com a obra, e \u00e9 assim que a no\u00e7\u00e3o de um espa\u00e7o que exige um tempo passa a ser tamb\u00e9m material da arte.\n\n<strong>8.\u00a0<\/strong>Na forma como o compreendemos hoje, o &#8220;happening&#8221; surgiu em Nova York na d\u00e9cada de 1960, em um momento em que os artistas tentavam romper as fronteiras entre a arte e a vida. Sua cria\u00e7\u00e3o deve-se inicialmente a Allan Kaprow, que realizou a maioria de suas a\u00e7\u00f5es procurando, a partir de uma combina\u00e7\u00e3o entre &#8220;assemblages&#8221;, ambientes e a introdu\u00e7\u00e3o de outros elementos inesperados, criar impacto e levar as pessoas a tomar consci\u00eancia de seu espa\u00e7o, de seu corpo e de sua realidade. Os primeiros &#8220;happenings&#8221; brasileiros foram realizados por artistas ligados ao pop, como o pioneiro &#8220;O Grande Espet\u00e1culo das Artes&#8221;, de Wesley Duke Lee, em 1963.\n\n<strong>9.\u00a0<\/strong>Da integra\u00e7\u00e3o entre o &#8220;happening&#8221; e a arte conceitual, nasceu na d\u00e9cada de 1970 a performance, que se pode realizar com gestos intimistas ou numa grande apresenta\u00e7\u00e3o de cunho teatral. Sua dura\u00e7\u00e3o pode variar de alguns minutos a v\u00e1rias horas, acontecer apenas uma vez ou repetir-se em in\u00fameras ocasi\u00f5es, realizando-se com ou sem um roteiro, improvisada na hora ou ensaiada durante meses. O precursor das performances no Brasil foi Fl\u00e1vio de Carvalho, que, em 1931, realizou sua &#8220;Experi\u00eancia N\u00famero 2&#8221;, caminhando em meio a uma prociss\u00e3o de Corpus Christi, em sentido contr\u00e1rio ao do cortejo e vestindo um bon\u00e9. ,\n\n<strong>10.\u00a0<\/strong>De dif\u00edcil veicula\u00e7\u00e3o pela TV comercial, a videoarte tem sido divulgada pelo circuito tradicional das galerias e museus. Al\u00e9m dos pioneiros, Wolf Vostell e Nam June Paik, destacaram-se inicialmente as pesquisas de Peter Campus, John Sanborn, Gary Hill e Bill Viola. No Brasil, as primeiras experi\u00eancias foram realizadas nos anos 1970 e apresentadas por artistas como Anabela Geiger, Sonia Andrade e Jos\u00e9 Roberto Aguilar. <strong>Cacilda Teixeira da Costa<\/strong>\n\nFonte: www.getty.edu\/steinhardt.nyu.edu\/www.conhecimentosgerais.com.br\/www.rizoma.net\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Arte Contempor\u00e2nea, Moderna, Cultura, O que \u00e9, Defini\u00e7\u00e3o, Conceitual, Brasil, Brasileira, Pinturas, Urbana, Artista, Origem, Arte Contempor\u00e2nea<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4957,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[],"class_list":["post-19505","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-arte-2"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Arte Contempor\u00e2nea - 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