{"id":19401,"date":"2015-11-30T00:00:00","date_gmt":"2015-11-30T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/arte-postal-3\/"},"modified":"2026-09-01T15:22:21","modified_gmt":"2026-09-01T15:22:21","slug":"arte-postal-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/arte-2\/arte-postal-3\/","title":{"rendered":"Arte Postal"},"content":{"rendered":"\n<p>D\u00e9cada de 60. Um mundo cujas fronteiras est\u00e3o divididas entre o capitalismo      e o socialismo. Em v\u00e1rios pa\u00edses as ditaduras controlam a express\u00e3o de ideais.      Dividido pela Guerra Fria e pela ang\u00fastia de n\u00e3o poder se expressar, observa-se      as produ\u00e7\u00f5es art\u00edsticas refletindo aspectos e gerando condi\u00e7\u00f5es para o surgimento      de uma s\u00e9rie de movimentos, em meados do s\u00e9culo XX, como forma de politiza\u00e7\u00e3o      da arte \u0096 pensamento previamente utilizado por Walter Benjamin (1987),      no qual a arte est\u00e1 intrinsecamente ligada \u00e0 pol\u00edtica. <\/p>\n   \n<p>Um exemplo \u00e9 a Arte Conceitual que prega a valoriza\u00e7\u00e3o das id\u00e9ias e conceitos      mais do que a pr\u00f3pria obra de arte como objeto. Assim, baseado em valores      da Arte Conceitual, surge o que \u00e9 considerado a primeira grande forma de arte      em rede, uma rede anterior ao advento das redes telem\u00e1ticas: os eventos de      Arte Postal.<\/p>\n   \n<p>Apesar de experi\u00eancias anteriores e pontuais ocorridas nas produ\u00e7\u00f5es de Pablo      Picasso, Henri Matisse, Marcel Duchamp, Francis Picabia, entre outros, considera-se      o ano de 1962 como sendo o marco do surgimento da Arte Postal (Mail Art).      A partir da cria\u00e7\u00e3o da \u0093New York Correspondance School of Art\u0094,      pelo artista americano Ray Johnson, tem-se o emprego formalizado do correio      como um ve\u00edculo que serve como meio de express\u00e3o e integra\u00e7\u00e3o cultural entre      artistas das mais diversas partes do globo.<\/p>\n   \n<p> O movimento est\u00e1 diretamente ligado \u00e0s vanguardas instauradas ao longo do      s\u00e9culo XX, que come\u00e7aram a lidar com a quest\u00e3o da transi\u00e7\u00e3o da t\u00e9cnica como      extens\u00e3o do corpo do artista para as tecnologias que transformam configura\u00e7\u00f5es      do imagin\u00e1rio e elaboram novos modos de comportamento.<\/p>\n   \n<p>Afinal, artistas futuristas e dada\u00edstas foram os primeiros a usar cart\u00f5es-postais      de forma art\u00edstica. Marcel Duchamp j\u00e1 trocava correspond\u00eancias com finalidades      est\u00e9ticas, al\u00e9m de acreditar que qualquer um poderia intervir em uma cria\u00e7\u00e3o      \u0096 o que se assemelha, em muito, \u00e0 l\u00f3gica da Arte Postal sobre a possibilidade      de interven\u00e7\u00e3o em uma obra por v\u00e1rias pessoas. <\/p>\n   \n<p>Por outro lado, Kurt Schwitters, criador da corrente art\u00edstica intitulada      Merz, introduziu a id\u00e9ia de n\u00e3o-comercializa\u00e7\u00e3o de suas obras, refer\u00eancia      utilizada at\u00e9 hoje por muitos artistas. Para os surrealistas a colabora\u00e7\u00e3o,      coletivismo e interc\u00e2mbio s\u00e3o palavras-chave no modo de pensar e de fazer      arte e, j\u00e1 na d\u00e9cada de 50, os artistas utilizavam carimbos e selos em seus      trabalhos.<\/p>\n   \n<p>\u0093A radical mudan\u00e7a de \u00eanfase de Duchamp, de objeto para conceito, permitiu      a introdu\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios m\u00e9todos em um empreendimento art\u00edstico redefinido.      Sua import\u00e2ncia para o presente estudo baseia-se n\u00e3o apenas no que ele fez,      mas no que permitiu ou iniciou na arte. <\/p>\n   \n<p>O tipo de pensamento que encorajou fez com que investiga\u00e7\u00f5es em diversos      meios de express\u00e3o e formas art\u00edsticas parecessem muito naturais, quase previs\u00edveis.      Principalmente para aqueles que achavam o \u0093neg\u00f3cio\u0094 de arte t\u00e3o      desagrad\u00e1vel, a abordagem liberal de Duchamp em rela\u00e7\u00e3o aos materiais e \u00e0s      formas separou o objeto do interesse comercial, ao menos inicialmente, porque      era a id\u00e9ia o que importava, e ainda n\u00e3o estava claro como vender ma id\u00e9ia.\u0094      (Rush: 2006 p.15).<\/p>\n   \n<p>Todos estes elementos, nos anos 60 e 70, v\u00e3o produzir trabalhos onde as cria\u00e7\u00f5es      n\u00e3o privilegiam mais as obras como mercadoria, mas como um produto de comunica\u00e7\u00e3o      onde se destacam os elementos da interatividade, da produ\u00e7\u00e3o coletiva que      gera a possibilidade de co-autoria, da obra em constante modifica\u00e7\u00e3o, portanto,      em processo, diante de redes que privilegiam o interc\u00e2mbio pol\u00edtico e cultural.    <\/p>\n   \n<p>Produ\u00e7\u00f5es que refletem o descontentamento da arte com a pol\u00edtica das principais      galerias de arte, principalmente, no caso de pa\u00edses regidos por governos ditat\u00f3riais,      como o Brasil. Esse fluxo de informa\u00e7\u00e3o entre artistas se torna uma estrat\u00e9gia      de liberdade e de ativismo pol\u00edtico, e, desta forma, os artistas encontram      nos postais uma maneira r\u00e1pida e simples de difundir seus trabalhos. <\/p>\n   \n<p>Em 1963, foi criado o conceito de Eternal Network, rede que lida com listas      de endere\u00e7os dos participantes, sendo que qualquer um pode sair ou entrar      a qualquer momento que desejar, mantendo o fluxo e movimento dos circuitos      art\u00edsticos.<\/p>\n   \n<p>Atualmente, estamos acostumados \u00e0 grande quantidade de redes art\u00edsticas presentes      virtualmente na Internet, onde todos podem interagir em tempo real e acrescentar      vis\u00f5es a uma mesma obra, quase que instantaneamente. <\/p>\n   \n<p>Os meios de comunica\u00e7\u00e3o quebram as barreiras f\u00edsicas, espaciais e tecnologias      e as representa\u00e7\u00f5es disseminam-se atrav\u00e9s da virtualidade dos suportes eletr\u00f4nicos,      possibilitando a exist\u00eancia de uma esp\u00e9cie de aldeia global. Ainda incipiente      enquanto forma art\u00edstica, a rede constru\u00edda pela Arte Postal transforma o      modo de fazer art\u00edstico, quebra barreiras e paradigmas, no entanto, pouco      se fala desta nova forma de dissemina\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o. <\/p>\n   \n<p>\u00c9 uma arte revolucion\u00e1ria na sua ess\u00eancia que utiliza os suportes f\u00edsicos      para produzir seus significados. \u00c9 precursora de um princ\u00edpio inovador: a      intera\u00e7\u00e3o. \u00c9 nesse sentido que podemos dizer que a Arte Postal j\u00e1 trabalhava      com os conceitos de difus\u00e3o, cria\u00e7\u00e3o compartilhada, interatividade, interc\u00e2mbio      e produ\u00e7\u00e3o em processo.<\/p>\n   \n<p>Fonte: www.trilhas.iar.unicamp.br<\/p>\n   \n<h6>Arte Postal<\/h6>\n    \n<p class=\"google\">  <\/p>\n     \n<p>Na d\u00e9cada de 1960, correspond\u00eancias trocadas entre artistas pl\u00e1sticos deram      origem a mais uma forma de express\u00e3o da arte contempor\u00e2nea: a arte postal      (mail art). Nessa mesma \u00e9poca, Ray Johnson cria, em Nova York, nos Estados      Unidos, a Correspondance Art School (Escola de Arte por Correspond\u00eancia).<\/p>\n   \n<p>Em 1963, Ray Johnson escreve uma carta num envelope, usando a frente e o      verso. Ele rompe, assim, com o conceito de privado e reproduz, de maneira      p\u00fablica, dialogando com outra pessoa, a sua aparente intimidade.<\/p>\n   \n<p>A mail art consistia em trocar mensagens criativas utilizando o sistema de      correios. Ela surgiu como uma alternativa aos meios convencionais das exposi\u00e7\u00f5es      de arte (Bienais, Sal\u00f5es, etc.) e tem caracter\u00edsticas pr\u00f3prias do per\u00edodo      em que apareceu (dialoga, portanto, com a Guerra Fria, no contexto mundial,      ou com a ditadura militar, no contexto brasileiro). Ou seja, seu objetivo      era veicular informa\u00e7\u00e3o, protesto e den\u00fancia.<\/p>\n   \n<p>A arte postal se caracteriza por ser um meio de express\u00e3o livre, no qual      envelopes, telegramas, selos ou carimbos postais s\u00e3o alguns dos suportes em      que \u00e9 poss\u00edvel a express\u00e3o da sensibilidade. Os artistas utilizam, principalmente,      t\u00e9cnicas como colagens, fotografia, escrita ou pintura. A \u00fanica limita\u00e7\u00e3o      real \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o de diferentes t\u00e9cnicas e suportes \u00e9 a possibilidade de envio      dos trabalhos pelo correio.<\/p>\n   \n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/artepo1.jpg\" alt=\"Arte Postal\" width=\"276\" height=\"245\" title=\"Arte Postal\" \/><br \/>\n<strong>Selo comemorativo do ano de falecimento de Ray Johnson<\/strong><\/p>\n   \n<p>Nos anos 60, a arte postal foi uma forma de express\u00e3o entre artistas que      se conheciam. Por\u00e9m, na d\u00e9cada de 70, todos os interessados em fazer arte      j\u00e1 podiam participar &#8211; e, a partir de 1980, museus e universidades come\u00e7aram      a valorizar a arte postal.<\/p>\n   \n<p>No Brasil, a Arte Postal chegou num momento de censura, quando muitos artistas,      para poderem se expressar, acabam aderindo \u00e0 Arte Conceitual &#8211; e, portanto,      a uma de suas formas, a Arte Postal.<\/p>\n   \n<p>Um artista brasileiro que podemos citar \u00e9 o pernambucano Paulo Bruscky, que      organizou, em 1975, no Recife, juntamente com Daniel Santiago e Ypiranga Filho,      a 1\u00aa Exposi\u00e7\u00e3o Internacional de Arte Postal, fechada pela censura do regime      militar.<\/p>\n   \n<p><strong>O trabalho abaixo, por exemplo, \u00e9 uma cr\u00edtica mordaz \u00e0 ditadura militar,      quando n\u00e3o ocorriam elei\u00e7\u00f5es livres:<\/strong><\/p>\n   \n<p class=\"imagem\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/artepo2.jpg\" alt=\"Arte Postal\" width=\"400\" height=\"289\" title=\"Arte Postal\" \/><br \/>\n     Paulo Bruscky. T\u00edtulo de eleitor cancelado, 1980.<\/strong><\/p>\n   \n<h4>Arte postal em tempos de e-mail<\/h4>\n   \n<p>E hoje em dia? Quase n\u00e3o escrevemos ou recebemos mais cartas, n\u00e3o \u00e9 mesmo?      Ent\u00e3o, como esse tipo de express\u00e3o art\u00edstica sobreviveria no mundo da n\u00e3o      correspond\u00eancia de papel?<\/p>\n   \n<p>No final dos anos 80 o movimento de arte postal perdeu for\u00e7a, especialmente      junto aos artistas que trabalhavam esse ve\u00edculo como forma de protesto.<\/p>\n   \n<p>No entanto, nos anos 90, a arte postal iniciou seu di\u00e1logo com as novas m\u00eddias.      E foi na internet que os artistas encontraram um meio privilegiado para novas      experimenta\u00e7\u00f5es, inaugurando novas po\u00e9ticas, novos canais de participa\u00e7\u00e3o,      de mobiliza\u00e7\u00e3o e de divulga\u00e7\u00e3o da arte postal.<\/p>\n   \n<p><strong>Val\u00e9ria Peixoto de Alencar<\/strong><\/p>\n   \n<p>Fonte: educacao.uol.com.br<\/p>\n   \n<h6>Arte Postal<\/h6>\n   \n<blockquote>      \n<p><em>O meu olhar \u00e9 n\u00edtido como um girassol.<br \/>\n       Tenho o costume de andar pelas estradas<br \/>\n       Olhando para a direita e para a esquerda<br \/>\n       E de vez em quando olhando para tr\u00e1s&#8230;<br \/>\n       E o que vejo a cada momento<br \/>\n       \u00c9 aquilo que nunca antes eu tinha visto,<br \/>\n       E eu sei dar por isto muito bem&#8230;<br \/>\n       Sei ter o pasmo essencial<br \/>\n       Que tem uma crian\u00e7a se, ao nascer,<br \/>\n       Reparasse que nascera deveras&#8230;<br \/>\n       Sinto-me nascido a cada momento<br \/>\n       Para a eterna novidade do mundo.<\/em><\/p>\n     \n<p>(Alberto Caiero)<\/p>\n   <\/blockquote>\n   \n<h4>Introdu\u00e7\u00e3o<\/h4>\n   \n<p>Foram os integrantes do grupo Fluxus os impulsores da cria\u00e7\u00e3o da arte postal.      Sendo considerado o ano de 1962 como o marco formal de seu surgimento, quando      o artista neodada\u00edsta americano Ray Johnson (1927-1995) criou sua \u0093New      York Correspondance School of Art\u0094. <\/p>\n   \n<p>Por\u00e9m, anteriormente a esta oficializa\u00e7\u00e3o, muitos artistas j\u00e1 se serviam      da via postal para elaborar trabalhos com fins est\u00e9ticos, como collages e      utiliza\u00e7\u00e3o de diferentes t\u00e9cnicas e materiais, bem como para trocar cria\u00e7\u00f5es      e experi\u00eancias art\u00edsticas, estabelecendo di\u00e1logos sem fronteiras. <\/p>\n   \n<p>Deste modo, as experi\u00eancias dos futuristas, dada\u00edstas, surrealistas, artistas      pop, neodada\u00edstas, neo-realistas e conceitualistas est\u00e3o entre os antecedentes      hist\u00f3ricos desta forma de comunica\u00e7\u00e3o art\u00edstica. Artistas postais ocasionais,      segundo Fernand\u00e9z (1997), foram celebridades como Pablo Picasso (1881-1973),      Henri Matisse (1869-1954), Marcel Duchamp (1887-1968), Kurt Schwitters (1887-1948),      Max Ernst (1891\u0096 976) e Francis Picabia (1879-1953).<\/p>\n   \n<p>A \u00fanica diferen\u00e7a not\u00e1vel que Fernand\u00e9z (1997) considera no estado das coisas      antes e depois da iniciativa de Ray Johnson \u00e9 de que at\u00e9 a normaliza\u00e7\u00e3o do      novo ve\u00edculo de express\u00e3o, o correio era empregado de forma espor\u00e1dica por      artistas pl\u00e1sticos.<\/p>\n   \n<p>Hoje, por\u00e9m, a arte postal conta n\u00e3o s\u00f3 com artistas pl\u00e1sticos, mas tamb\u00e9m      com poetas, m\u00fasicos, arquitetos, fot\u00f3grafos &#8211; renomados ou an\u00f4nimos -, que      encontraram neste meio uma maneira particular e especial de express\u00e3o.<\/p>\n   \n<h4>Correio e cart\u00e3o-postal: fatos hist\u00f3ricos<\/h4>\n   \n<p>A necessidade de comunica\u00e7\u00e3o do homem criou o correio, a data exata deste      fato \u00e9 desconhecida (Ibirico, 2001a), sabe-se, por\u00e9m, que a arte de escrever      cartas tem uma hist\u00f3ria de mais de 4000 anos, quando os sum\u00e9rios escreveram      as primeiras correspond\u00eancias (Veras, 2001). <\/p>\n   \n<p>O correio se desenvolveu a partir da inven\u00e7\u00e3o do papel que era mais leve      e de f\u00e1cil manejo (Ibirico, 2001b). A populariza\u00e7\u00e3o deste servi\u00e7o, no entanto,      se deu no s\u00e9culo XV, quando se permitiu o transporte de envios privados. O      primeiro monop\u00f3lio de correios, \u0093Tour y Tassis\u0094, surgiu em 1520,      e at\u00e9 1867 controlava todos os correios europeus, apesar de sofrer interven\u00e7\u00e3o      do Estado.<\/p>\n   \n<p>Ap\u00f3s a dissolu\u00e7\u00e3o deste monop\u00f3lio, em 1869, o Bar\u00e3o Adolfo Maly, diretor      dos correios austr\u00edacos, assinou um decreto em que se admitia a circula\u00e7\u00e3o      de cart\u00f5es-postais de franquia reduzida (Mail, 2001). Sendo que somente em      1892 os cart\u00f5es-postais passaram a ser impressos como os conhecemos atualmente      e, desde ent\u00e3o, numerosos artistas do in\u00edcio do s\u00e9culo reproduziram suas obras      neste formato, do mesmo modo que abundaram os postais de paisagens, flora      e fauna, fotografias de artistas famosos, de parentes e amigos, o postal sat\u00edrico      e o pol\u00edtico, assim como os er\u00f3ticos que agu\u00e7aram a libido de uma \u00e9poca. <\/p>\n   \n<p>\u0093Durante este s\u00e9culo o cart\u00e3o-postal se converteu no meio de comunica\u00e7\u00e3o      mais utilizado para a transmiss\u00e3o de mensagens curtas pelo correio\u0094 (Mail,      2001).<\/p>\n   \n<h4>Futurismo<\/h4>\n   \n<p>Foi, atrav\u00e9s de um manifesto liter\u00e1rio feito, em 1909, por Filippo Tomaso      Marinetti (1876-1944), que este movimento, autodenominando-se, nasceu. Como      uma ode ao moderno, o futurismo surgiu opondo-se \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o, aos valores e      \u00e0s institui\u00e7\u00f5es consagradas pelo tempo. Sua raz\u00e3o de ser era a velocidade,      a energia mec\u00e2nica, a tecnologia e a metr\u00f3pole.<\/p>\n   \n<p> Como o primeiro movimento de vanguarda, entendendo-se vanguarda como um      \u0093movimento que investe em interesse ideol\u00f3gico na arte, preparando e      anunciando deliberadamente uma subvers\u00e3o radical da cultura e at\u00e9 dos costumes      sociais, negando em bloco todo o passado e substituindo a pesquisa met\u00f3dica      por uma ousada experimenta\u00e7\u00e3o na ordem estil\u00edstica e t\u00e9cnica\u0094 (Argan,      1998:310), o futurismo instaurou um novo ritmo nas artes. Abriu as portas      para a intelectualiza\u00e7\u00e3o da arte, em que as teorias e as id\u00e9ias passaram a      ter maior import\u00e2ncia que o pr\u00f3prio objeto art\u00edstico. A partir dele, a id\u00e9ia      passou a se antepor ao estilo.<\/p>\n   \n<p>Segundo Vittorio Bacelli (2001), os artistas futuristas foram os primeiros      a usar o meio postal sob uma \u00f3tica estetizante. Giacomo Balla (1871-1958)      realizou pinturas em cart\u00f5es postais. Ivo Pannagi (1901-1981), em 1920 criou      as \u0093colagens postais\u0094 que consistiam em combinar a dire\u00e7\u00e3o do destinat\u00e1rio      com fotografias, elementos gr\u00e1ficos, selos, pap\u00e9is policromados, etc., que      depois os correios completavam pondo ao azar selos e etiquetas oficiais. <\/p>\n   \n<p>Deste modo, praticava-se a arte postal durante o futurismo mesmo que de forma      inconsciente, porque eles n\u00e3o pensavam em faz\u00ea-la como algo espec\u00edfico ou,      pelo menos, com as caracter\u00edsticas a que hoje atribu\u00edmos a tal pr\u00e1tica.<\/p>\n   \n<h4>Dada\u00edsmo<\/h4>\n   \n<p>Contra os ideais burgueses, o Dada\u00edsmo se fez \u0093antiarte\u0094, destruindo-se      para sobreviver. A destrui\u00e7\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m cria\u00e7\u00e3o (Bakunin citado por Corredor-Matheos      e Miracle, 1979:98). O pr\u00f3prio nome \u0093dada\u0094 nasceu da contesta\u00e7\u00e3o,      uma das vers\u00f5es do surgimento do nome \u00e9 que o mesmo se deu com a ajuda do      acaso: palavra surgida no folhear de um dicion\u00e1rio de alem\u00e3o-franc\u00eas, que      se refere ao primeiro som emitido por uma crian\u00e7a.<\/p>\n   \n<p> O movimento surgiu, em 1916, em um \u0093centro de entretenimento\u0094      denominado Cabar\u00e9 Voltaire, situado em Zurique, onde artistas e poetas manifestavam-se      sob o incentivo do fil\u00f3sofo e poeta Hugo Ball, seu fundador. Por\u00e9m, foi Tristan      Tzara (1896-1963), ao criar, organizar, editar e distribuir a revista Dada,      que deu continuidade e \u00eanfase ao movimento.<\/p>\n   \n<p>O descontentamento com a situa\u00e7\u00e3o em que viviam fez do Dada\u00edsmo muito mais      um modo de vida, uma atitude mental, do que um movimento art\u00edstico, pois \u0093ridicularizava      a confian\u00e7a irrestrita do Ocidente na raz\u00e3o, e denunciava a divis\u00e3o e a especializa\u00e7\u00e3o      mediante as quais se pretendia neutralizar as complexidades da vida moderna      e torn\u00e1-la mais segura\u0094 (Bradley, 1999: 12). Al\u00e9m disso, a criatividade      assumia um outro papel porque a a\u00e7\u00e3o passou a ter tanta import\u00e2ncia quanto      o produto que dela resultasse.<\/p>\n   \n<p>\u0093Foi um movimento essencialmente internacional\u0094 (Ades, 1991:82).      Muito provavelmente por este car\u00e1ter o meio postal, em especial o cart\u00e3o-postal      tenha sido utilizado amplamente pelos dada\u00edstas que, como os futuristas, segundo      Merz Mail (2001), trocavam correspond\u00eancias com fins art\u00edsticos, sendo Duchamp      e Schwitters os que possuem registros mais evidentes desta pr\u00e1tica.<\/p>\n   \n<h4>Marcel duchamp (Blainville, 1887 \u0096 Newilly, 1968)<\/h4>\n   \n<p>\u00c9 Duchamp, certamente, o precedente mais importante da arte postal, porque      foi ele o instaurador de um novo pensar\/agir sobre arte. Como afirma Argan      (1998:661), \u0093talvez a obra de Duchamp alqu\u00edmica por excel\u00eancia seja toda      a sua vida, que serve de modelo para todas as novas vanguardas do segundo      p\u00f3s-guerra, do new-dad\u00e1 \u00e0s experi\u00eancias de recupera\u00e7\u00e3o do corpo como express\u00e3o      art\u00edstica na inten\u00e7\u00e3o de fazer coincidir arte e vida\u0094. <\/p>\n   \n<p>Duchamp acreditava na id\u00e9ia da n\u00e3o-superioridade do artista como criador      e, ao colocar a escolha como o elemento determinante da interven\u00e7\u00e3o pessoal      na cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica, permitiu a qualquer pessoa a produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica. \u0093E      depois temos aquele movimento art\u00edstico de um s\u00f3 homem, Marcel Duchamp \u0096      para mim, um movimento verdadeiramente moderno, porque subentende que cada      artista pode fazer o que pensa que deve fazer \u0096 um movimento para cada      pessoa e aberto a todos\u0094 (Willem de Kooning, 1951 citado por Smith, 1980:182).      Sob esta postura, Duchamp criou os ready mades, objetos art\u00edsticos feitos      de objetos cotidianos que, a partir da escolha do artista, passavam a ter      \u0093a exclusiva fun\u00e7\u00e3o de desorientar o observador\u0094 (Ades, 1991:87).<\/p>\n   \n<p>N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 pelo fato da arte Dad\u00e1 estar ao alcance de qualquer um para produzi-la,      que este movimento pode ser considerado tamb\u00e9m um precursor da arte postal.      Mas, tamb\u00e9m e principalmente, pela produ\u00e7\u00e3o de 14 postais \u0096 Rendez-vous      dimanche 6 frevier 1916 \u00e1 1h \u00be de 1\u0092m apr\u00e9s-midi , que Duchamp enviou      a seus mecenas Mr. e Mrs. Walter C. Arenberg \u0096 que, segundo Merz Mail      (2001), podem marcar um dos in\u00edcios no mundo da arte que se utiliza do formato      e das caracter\u00edsticas do cart\u00e3o-postal. Este meio foi utilizado amplamente      pelos dada\u00edstas, sendo Duchamp seu precursor dentro do movimento.<\/p>\n   \n<h4><strong>kurt schwitters (Han\u00f4ver, 1889 \u0096 Ambleside, 1948)<\/strong><\/h4>\n   \n<p>Este artista que, como afirma Gombrich (1993:476), \u0093se posicionava contra      a Arte com A mai\u00fasculo\u0094, foi um exc\u00eantrico de seu tempo. Sua atitude      de recusa aos materiais tradicionais em favor de materiais \u0093menos nobres\u0094,      como bilhetes usados de \u00f4nibus, selos, rolhas, trapos, bot\u00f5es, peda\u00e7os de      cartas, recortes de jornais, o aproximava da pr\u00e1tica dada\u00edsta. <\/p>\n   \n<p>Por\u00e9m, ele n\u00e3o aceitava a nega\u00e7\u00e3o da artisticidade feita pelos dada\u00edstas      e por isto n\u00e3o foi acolhido no Clube Dad\u00e1, criando, portanto, seu pr\u00f3prio      Dada\u00edsmo. Assim, criou o Merz, palavra que, segundo Schwitters (citado por      Chipp, 1996:389), adquiria significado na medida em que era utilizada por      ele, al\u00e9m disso, Corredor-Matheos e Miracle (1981) afirmam que ela \u00e9, muito      provavelmente, resultado da desconstru\u00e7\u00e3o de Kommerz, para indicar a impossibilidade      comercial de sua obra. Esta refer\u00eancia foi utilizada, posteriormente, pela      arte postal: a n\u00e3o-comercializa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n   \n<p>Para ele, segundo Argan (1998:359), \u0093a obra \u00e9 apenas o lugar onde terminam      e se incrustam as coisas mais heterog\u00eaneas\u0094. Sob este enfoque constr\u00f3i      suas collages e assemblages. Schwitters recolhe tudo o que n\u00e3o serve mais      para a sociedade de consumo e junta, sem l\u00f3gica aparente, peda\u00e7os de diferentes      realidades j\u00e1 vivenciadas, reconstruindo a intrincada trama da exist\u00eancia.    <\/p>\n   \n<p>Assim, constr\u00f3i seu trabalho mais importante, o Mezbau, escultura-arquitetura      de gesso, que escondia nas suas cavidades lembran\u00e7as de amigos. Ele tamb\u00e9m      manipula e interfere em 11 postais editados por Paul Steegmann, que continham      obras suas destru\u00eddas pela guerra no intuito de preserv\u00e1-las.<\/p>\n   \n<p> Al\u00e9m desta evidente atitude de artista postal, Schwitters \u00e9 ainda o inspirador      de artistas postais contempor\u00e2neos que se utilizam de \u0093retalhos da exist\u00eancia\u0094      para compor suas obras postais e se comunicar com o mundo afetuosamente.<\/p>\n   \n<h4>Surrealismo<\/h4>\n   \n<p>Sua origem se mescla ao Dada\u00edsmo, at\u00e9 atingir sua autonomia em 1924, quando      Andr\u00e9 Breton (1896-1966) escreve o primeiro Manifesto Surrealista. Ao contr\u00e1rio      do Dada\u00edsmo, este movimento \u0093aceita a exist\u00eancia da arte e recupera a      realidade figurada\u0094(Corredor-Matheos e Miracle, 1979:109) deste modo,      como afirma Ades (1991:91), \u0093devolve ao artista a sua raz\u00e3o de ser sem      impor, ao mesmo tempo, um novo conjunto de regras est\u00e9ticas\u0094. <\/p>\n   \n<p>Sendo tamb\u00e9m um movimento de contesta\u00e7\u00e3o, os surrealistas opunham-se \u00e0 sociedade      burguesa, pois acreditavam que esta tinha rompido com o caminho interior e      s\u00f3 valorizava o exterior, eles pretendiam reatar estes mundos. <\/p>\n   \n<p>Breton, em 1928, ao definir os objetivos do movimento deixa claro esta inten\u00e7\u00e3o:      \u0093tudo faz crer que existe um certo ponto do esp\u00edrito em que a vida e      a morte, o real e o imagin\u00e1rio, o passado e o futuro, o comunic\u00e1vel e o incomunic\u00e1vel,      o alto e o baixo, deixam de ser aprendidos contraditoriamente\u0094 (citado      por Corredor-Matheos e Miracle, 1979: 103). <\/p>\n   \n<p>Deste modo, suas ferramentas de trabalho eram o automatismo e o registro      dos sonhos, sem preocupa\u00e7\u00e3o moral e est\u00e9tica e na aus\u00eancia de todo controle      exercido pela raz\u00e3o.<\/p>\n   \n<p>Este movimento veio a exercer profunda influ\u00eancia no modo de fazer arte de      seus sucessores. Segundo Bradley (1999: 73), \u0093sua \u00eanfase na coletividade      e na ruptura da distin\u00e7\u00e3o entre o privado e o p\u00fablico, o artista e o espectador,      voltaria \u00e0 tona em outros modos de fazer arte\u0094. <\/p>\n   \n<p>Neste sentido, tem-se o movimento Fluxus, que ao aderir a estes ideais, criou      a arte postal. Nesta, como no Surrealismo, a colabora\u00e7\u00e3o e o coletivismo t\u00eam      uma import\u00e2ncia crucial, mantendo-se um interc\u00e2mbio permanente entre o po\u00e9tico      e o pict\u00f3rico. Bem como o rompimento das hierarquias do meio art\u00edstico, que      possibilita tanto a artistas renomados como a criadores an\u00f4nimos o espa\u00e7o      de express\u00e3o art\u00edstica.<\/p>\n   \n<h4>Novo realismo<\/h4>\n   \n<p>Mesmo ap\u00f3s os E.U.A. terem se tornado o centro art\u00edstico do mundo, houve      uma s\u00e9rie de movimentos art\u00edsticos, deslocados desse eixo, que criticavam      a cultura consumista. Entre eles est\u00e3o os neo-realistas, um grupo parisiense      formado em meados de 1950 por artistas que pretendiam ampliar as id\u00e9ia e atos      de Duchamp. <\/p>\n   \n<p>Alguns de seus componentes foram Yves Klein (1928-1962), Arman Armand (1928),      Jean Tinguely (1925-1991), Daniel Spoerri (1930) e Raymond Hains (1926). Estes      artistas fizeram importantes contribui\u00e7\u00f5es para a arte contempor\u00e2nea, apesar      de sua curta dura\u00e7\u00e3o enquanto movimento formal. <\/p>\n   \n<p>Utilizavam-se de materiais comuns para produzir arte e com isto reviveram      a tend\u00eancia iniciada pelos dada\u00edstas. \u0093O Nouveau Realism [&#8230;] foi a      concep\u00e7\u00e3o de uma arte feita de elementos reais, isto \u00e9, de materiais tomados      diretamente do mundo e n\u00e3o pictoricamente\u0094 (Friedman, 1995). Suas atitudes      foram provocativas, mas n\u00e3o muito audaciosas. <\/p>\n   \n<p>Os temas e id\u00e9ias que os motivavam ressurgiram na arte pop no fim da d\u00e9cada      de 50 e in\u00edcio de 60, s\u00f3 com um car\u00e1ter mais emblem\u00e1tico.<\/p>\n   \n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 arte postal, alguns de seus membros tiveram atitudes precursoras      no movimento, criando obras de refer\u00eancia. Armand utilizou carimbos em uma      s\u00e9rie de trabalhos iniciada em 1954, denominada Cachets. <\/p>\n   \n<p>Klein iniciou o movimento de selos de artista com seu Blue Stamp (selo azul).      Spoerri criou obras e projetos postais, tendo envolvido-se intensamente com      a arte postal durante as suas tr\u00eas primeiras d\u00e9cadas de exist\u00eancia.<\/p>\n   \n<h4>Arte pop<\/h4>\n   \n<p>As pr\u00e1ticas que configuravam a Arte Pop eram muito pr\u00f3ximas das pr\u00e1ticas      dada\u00edstas, residindo a diferen\u00e7a na recupera\u00e7\u00e3o da beleza est\u00e9tica, antes      desprezada. Por isto, inicialmente uma de suas denomina\u00e7\u00f5es foi neodada\u00edsmo.      O ano marcante foi 1955, em Nova York, com o surgimento de Robert Rauschenberg      (1925) e de Jasper Johns (1930), considerados seus precursores.<\/p>\n   \n<p>A Arte Pop baseava-se na cultura de massa, \u0093manifestando o desconforto      do indiv\u00edduo na uniformidade da sociedade de consumo\u0094 (Argan, 1998:575)      e por isto seu maior impacto e suas ra\u00edzes mais profundas foram firmadas nos      EUA. <\/p>\n   \n<p>Muito mais um acontecimento do que um movimento art\u00edstico, a Arte Pop configura-se      como um estilo de vida, por\u00e9m seus produtos art\u00edsticos s\u00e3o carentes de estilo,      pois ela \u00e9 hostil a categorias. Como afirma Lucie-Smith (1991:165), \u0093a      principal atividade do artista pop, sua justificativa, consiste menos em produzir      obras de arte do que encontrar um sentido, um nexo para o meio \u00e0 sua volta,      aceitar a l\u00f3gica de tudo o que o cerca em tudo o que ele pr\u00f3prio faz. <\/p>\n   \n<p>A descoberta dessa l\u00f3gica, sua forma e dire\u00e7\u00e3o tornam-se a principal tarefa      do artista\u0094. Neste sentido, o artista postal e o artista pop se encontram,      pois a l\u00f3gica de ambos \u00e9 a busca de sentido em suas a\u00e7\u00f5es e o questionamento      do mundo a sua volta, seu envolvimento art\u00edstico \u00e9 seu modo de vida; por\u00e9m,      enquanto o artista pop utiliza-se dos meios de comunica\u00e7\u00e3o massivos para criar      obras descart\u00e1veis \u0093da massa para a massa\u0094, o artista postal, na      contram\u00e3o, busca uma comunica\u00e7\u00e3o \u0093de indiv\u00edduo para indiv\u00edduo\u0094.<\/p>\n   \n<h4>Arte conceitual<\/h4>\n   \n<p>Pela sua enorme abrang\u00eancia no que se refere \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o de materiais e      t\u00e9cnicas (propostas escritas, fotografias, documentos, mapas, filmes, v\u00eddeos,      performances, etc.) a arte conceitual n\u00e3o tem uma defini\u00e7\u00e3o f\u00e1cil. <\/p>\n   \n<p>Somado a isto est\u00e1 o fato dela ter se internacionalizado e expandido rapidamente,      o que impossibilita ainda determinar com exatid\u00e3o o seu criador ou inventor.      Sabe-se, por\u00e9m, que surgiu em meados da d\u00e9cada de 60, perdurando at\u00e9 1974-75,      sendo os artistas mencionados com maior freq\u00fc\u00eancia Joseph Kosuth (1945), Robert      Barry (1936), Lawrence Weiner (1940) e Douglas Huebler (1924-1997).<\/p>\n   \n<p>Bebendo na fonte Duchampiana, de que qualquer pessoa podia produzir arte      &#8211; destituindo da obra de arte sua \u0093aura\u0094 &#8211; e valorizando a id\u00e9ia      acima de tudo, a arte conceitual, estimulada pelo seu contexto hist\u00f3rico em      que pululavam os movimentos de contracultura, \u0093implicava reconsiderar      o objetivo da arte &#8211; ou seja, implicava levantar quest\u00f5es com respeito aos      \u0094produtos\u0094 da atividade art\u00edstica e ao \u0093prop\u00f3sito\u0094 da      arte em rela\u00e7\u00e3o a mais ampla hist\u00f3ria da modernidade\u0094 (Wood, 2002:29).      Neste sentido, a arte conceitual foi uma questionadora da posi\u00e7\u00e3o elitista      da arte e do artista. <\/p>\n   \n<p>Segundo Smith (1980:185), \u0093a arte conceitual foi a que adotou a postura      mais radical e a que, de fato, permanece hoje mais v\u00edvida na mem\u00f3ria e na      influ\u00eancia\u0094.<\/p>\n   \n<p>\u0093[&#8230;] o correio, telegramas&#8230; tudo se converteu em novos ve\u00edculos      e, ocasionalmente, em novos t\u00f3picos de express\u00e3o, oferecendo in\u00fameros caminhos      para os artistas conceituais comunicarem sua arte ao mundo e, com a mesma      freq\u00fc\u00eancia, inclu\u00edrem esse mundo em sua arte\u0094 (Smith,1980:185).<\/p>\n   \n<p>Devido a esta extrema diversidade e liberdade a arte conceitual permitiu      que a arte postal emergisse como tal, afinal ambas compartilhavam a id\u00e9ia      de um movimento \u0093aberto a todos\u0094.<\/p>\n   \n<h4>Fluxus<\/h4>\n   \n<p>Dentro do contexto de extrema diversidade da arte conceitual e colocando-se      contra o imperialismo ocidental atrav\u00e9s de agu\u00e7ada cr\u00edtica e de humor extravagante,      George Maciunas (1931-1978), em1963, definiu Fluxus em um manifesto em que      ressaltava as implica\u00e7\u00f5es s\u00f3cio-pol\u00edticas deste grupo: \u0093Livrem o mundo      da doen\u00e7a burguesa, da cultura intelectual, profissional e comercializada.    <\/p>\n   \n<p>Livrem o mundo da arte morta, da imita\u00e7\u00e3o, da arte artificial, da arte abstrata.      Promovam uma arte viva, uma antiarte, uma realidade n\u00e3o art\u00edstica, para ser      compreendida por todos, n\u00e3o apenas pelos cr\u00edticos, diletantes e profissionais&#8230;Aproximem      e amalgamem os revolucion\u00e1rios culturais, sociais e pol\u00edticos em uma frente      unida de a\u00e7\u00e3o\u0094 (citado por Wood, 2002:23). <\/p>\n   \n<p>A id\u00e9ia central era, segundo Hovdenakk (2002), o grupo, n\u00e3o no sentido tradicional      onde o grupo trabalha junto de acordo com estruturas ideologicamente estritas,      mas, ao contr\u00e1rio, aberto \u00e0 vida, \u00e0 diversidade, ou seja, a todas as culturas      e formas de pensamento. <\/p>\n   \n<p>Como afirma Dick Higgins, \u0093Fluxus n\u00e3o \u00e9 um momento na hist\u00f3ria, ou um      movimento de arte. Fluxus \u00e9 uma maneira de fazer coisas, uma tradi\u00e7\u00e3o e uma      maneira de vida e de morte\u0094 (citado por Kitselman-Ames, 2002).<\/p>\n   \n<p>A cena inicial da arte de Fluxus incluiu, entre outros, Ben Vautier (1935),      George Brecht (1926), John Cage (1912-1992), Alison Knowles (1933), Yoko Ono      (1933), Joseph Beuys (1921-1986), Ken Friedman (1939). Estes artistas estavam      freq\u00fcentemente participando em happenings, em events e activites, fazendo      coisas fora de seu contexto normal. <\/p>\n   \n<p>Hoje, se institucionalizou e, conforme Wood (2002), sua a\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria      se perdeu. Por\u00e9m, n\u00e3o se pode esquecer a enorme influ\u00eancia que exerceu na      arte conceitual, tendo um papel seminal na v\u00eddeo-arte, nos livros de artista,      nos happenings e na arte postal.<\/p>\n   \n<h4><strong>Ray Johnson (Detroit, 1927 \u0096 New York, 1995)<\/strong><\/h4>\n   \n<p>Foram as atividades do americano Raymond Edward Johnson que deram origem      \u00e0 arte postal que, como afirma Clive Phillpot (1995), at\u00e9 ent\u00e3o era incidental.      Foi somente a partir da cria\u00e7\u00e3o da New York Correspondance School por Ray      Johnson que esta maneira de produzir arte tomou corpo. <\/p>\n   \n<p>Al\u00e9m disso, Johnson foi tamb\u00e9m o respons\u00e1vel pelos primeiros happenings,      os quais chamou de nothings. A sua pr\u00f3pria morte foi um nothing, pois segundo      amigos estava trabalhando no seu \u0093evento final\u0094, assim sua morte      (suic\u00eddio) \u00e9 preenchida de mist\u00e9rio, intensificando o seu mito. \u0093Seu      trabalho \u00e9 sobre o amor como refer\u00eancias rec\u00edprocas, uma emo\u00e7\u00e3o constru\u00edda      das refer\u00eancias \u00e0s refer\u00eancias, e seu trabalho \u00e9 sobre a morte enquanto o      mais abstrato das rela\u00e7\u00f5es, nele a vida \u00e9 definida como correspond\u00eancias entre      o amor e a morte\u0094 (Wilson, 1977).<\/p>\n   \n<p>Apesar do car\u00e1ter incomum e totalmente pessoal de sua arte e de seus m\u00e9todos,      bem como de seu papel seminal na arte postal, Ray Johnson pode tamb\u00e9m ser      associado \u00e0 arte conceitual, \u00e0s atividades do grupo Fluxus e a outras manifesta\u00e7\u00f5es,      apesar de manter-se sempre como um artista independente. <\/p>\n   \n<p>\u0093Foi atra\u00eddo a tudo que fosse definido pelo acaso e pelo imprevis\u00edvel.      Foi repulsado pelo final, pelo conclusivo, pelo localizado\u0094 (Beija-p\u00e1l,      2002).Seus principais trabalhos s\u00e3o collages intricadas e discursivas \u0093repletas      de associa\u00e7\u00f5es e ind\u00edcios\u0094 (Alloway, 1977), as quais chamou moticos.      Para ele original e c\u00f3pia tinham o mesmo valor e assim eram seus envios, pois      acreditava que ambos diriam a mesma hist\u00f3ria. <\/p>\n   \n<p>Deste modo, por sua ampla participa\u00e7\u00e3o na rede postal e pela utiliza\u00e7\u00e3o de      c\u00f3pias \u00e9 dif\u00edcil encontrar um cat\u00e1logo de arte postal que n\u00e3o mencione seu      nome. Sendo Johnson, como afirmou Grace Glueck (citada por Bourdon, 1995),      \u0093o artista desconhecido mais famoso do mundo\u0094.<\/p>\n   \n<h4>The new york correspondance school<\/h4>\n   \n<p>At\u00e9 1962-63 n\u00e3o havia nenhuma men\u00e7\u00e3o espec\u00edfica para arte correio, foi Edward      Plunkett (Plunkett, 1977) que introduziu correspondence \u00e0 denomina\u00e7\u00e3o dada      a New York School, escola referente \u00e0 pintura abstrata, criando um jogo de      palavras entre a escola de arte vigente e as escolas por correspond\u00eancia comuns      na \u00e9poca.<\/p>\n   \n<p> Por\u00e9m, Ray Johnson preferiu soletrar correspondance (\u0093dance\u0094,      em portugu\u00eas, dan\u00e7ar\/dan\u00e7a), finalmente batizando o \u0093movimento\u0094,      salientando as rela\u00e7\u00f5es entrela\u00e7adas que ele havia criado atrav\u00e9s do correio.    <\/p>\n   \n<p>A cria\u00e7\u00e3o da New York Correspondance School, em 1962-63, foi o trabalho de      maior desempenho de Ray Johnson, a partir dela criou-se a pr\u00e1tica, agora padr\u00e3o,      da arte postal de que todo material recebido fosse exibido e que a todos os      participantes fosse emitido a documenta\u00e7\u00e3o da mostra, da distribui\u00e7\u00e3o livre      da arte e da informa\u00e7\u00e3o, definindo a comunica\u00e7\u00e3o interpessoal como a ess\u00eancia      desta arte e com isso questionando eficazmente muitas das normas da arte contempor\u00e2nea.<\/p>\n   \n<p>Esta escola nunca reivindicou ser uma inova\u00e7\u00e3o, por\u00e9m as atividades nela      iniciadas se mant\u00eam h\u00e1 mais de 40 anos. Foi atrav\u00e9s da New York Correspondance      School e da figura de Ray Johnson que diferentes nacionalidades se uniram      via postal. <\/p>\n   \n<p>Ray Johnson n\u00e3o restringia sua correspond\u00eancia aos amigos, bem como n\u00e3o eram      envios limitados a experi\u00eancias pessoais como os demais artistas da \u00e9poca.      Ele trocava e incentivava a troca de material art\u00edstico entre as mais diferentes      pessoas, e quem trocasse correspond\u00eancia com a New York Correspondance School      rapidamente tinha sua lista de envios expandida. \u0093Voc\u00ea deve participar      para compreender que o NYCS n\u00e3o tem nenhuma hist\u00f3ria, somente tem o presente      e realmente n\u00e3o importa como voc\u00ea a chama ou soletra: deixe apenas o correspondance      come\u00e7ar, e escolha seu pr\u00f3prio s\u00f3cio\u0094 (Johnson citado por Baroni, 1995).<\/p>\n   \n<h4>Motivos da cria\u00e7\u00e3o da arte postal<\/h4>\n   \n<p>Existem diversos motivos que levaram a cria\u00e7\u00e3o da arte postal, entre eles      est\u00e3o, segundo Guy Bleus (2001), o descontentamento com a pol\u00edtica de arte      e com as galerias \u0093importantes\u0094, a necessidade de ampliar a fun\u00e7\u00e3o      art\u00edstica do criador, tomando parte em projetos internacionais e publica\u00e7\u00f5es      e pela participa\u00e7\u00e3o em exposi\u00e7\u00f5es sem jurado e sem muitas concess\u00f5es. <\/p>\n   \n<p>Para o artista postal, a arte \u00e9 um produto de comunica\u00e7\u00e3o e n\u00e3o uma mercadoria.      Deste modo, criou sua pr\u00f3pria linguagem, antepondo-se aos meios de comunica\u00e7\u00e3o      de massa. Caracteriza-se por ser uma maneira r\u00e1pida e ampla de difus\u00e3o art\u00edstica.    <\/p>\n   \n<p>A facilidade de sua produ\u00e7\u00e3o, armazenamento e consumo faz da arte postal      uma manifesta\u00e7\u00e3o art\u00edstica dom\u00e9stica por excel\u00eancia e, assim, ao alcance de      qualquer um.<\/p>\n   \n<p>As regras que, de alguma forma, delimitam a arte postal foram sendo criadas      no transcurso de seu desenvolvimento, sabe-se, ent\u00e3o, que: as obras n\u00e3o s\u00e3o      comercializadas; n\u00e3o existem jurados de admiss\u00e3o; n\u00e3o h\u00e1 devolu\u00e7\u00e3o de obras;      n\u00e3o h\u00e1 censura; h\u00e1 total liberdade de meios e suportes, incluindo a liberdade      de meio e formas e de correntes expressivas e de g\u00eaneros.<\/p>\n   \n<p> Todas as obras recebidas s\u00e3o expostas, e todos os participantes recebem      a documenta\u00e7\u00e3o respectiva gratuitamente. Na verdade, como afirma Bleus (op.cit.),      \u0093a arte postal \u00e9 um interc\u00e2mbio internacional de arte, id\u00e9ias e amizade,      um instrumento humano de comunica\u00e7\u00e3o\u0094. <\/p>\n   \n<p>Pode ser considerada como uma tend\u00eancia n\u00e3o-competitiva: n\u00e3o h\u00e1 pr\u00eamios;      igualadora: consagrados artistas postais exp\u00f5em junto com an\u00f4nimos; anticonsumista:      n\u00e3o-vend\u00e1vel. Caracteriza-se, portanto, como uma forma alternativa de arte,      sem submiss\u00e3o ao \u0093mercado da arte\u0094 e sem fronteiras.<\/p>\n   \n<h4>Rede de artistas<\/h4>\n   \n<p>O conceito da Eternal Network, criado em 1963 pelo artista integrante do      grupo Fluxus Robert Filliou (1926-1987), foi e \u00e9 o inspirador da continuidade      da rede de arte postal. \u0093Define-se como um modelo ut\u00f3pico da comunica\u00e7\u00e3o      em perp\u00e9tua expans\u00e3o, valendo-se de todas as formas e meios expressivos\u0094      (Pad\u00edn, 1995) para a produ\u00e7\u00e3o est\u00e9tica, em que o meio postal \u00e9 o mais utilizado      para os interc\u00e2mbios, sendo, segundo Vittore Baroni (1999), \u0093sin\u00f4nimo      para os circuitos postais criativos\u0094. <\/p>\n   \n<p>Nesta rede qualquer um pode, com a maior liberdade, entrar ou sair a qualquer      momento, sendo este fluxo cont\u00ednuo seu movimento vital. As listas de endere\u00e7o      dos participantes s\u00e3o a alimenta\u00e7\u00e3o da rede e atuam em sua expans\u00e3o, pois      atrav\u00e9s delas as possibilidades de contato entre indiv\u00edduos que tem os mesmos      interesses e n\u00e3o se conhecem ampliam-se. <\/p>\n   \n<p>A rede n\u00e3o \u00e9 formada por um circuito \u00fanico, mas sim por in\u00fameros circuitos      que se intercruzam e se relacionam.<\/p>\n   \n<p>A partir deste conceito, os artistas postais da d\u00e9cada de 80 iniciaram a      utiliza\u00e7\u00e3o do termo Network para a defini\u00e7\u00e3o de suas atividades. Segundo Pad\u00edn      (op.cit.), caracteriza-se como uma forma\u00e7\u00e3o art\u00edstica que acentua a comunica\u00e7\u00e3o      e enfatiza a arte enquanto produto da comunica\u00e7\u00e3o, fruto do trabalho (work)      e da trama de rela\u00e7\u00f5es entre os comunicadores unidos na rede (net). \u00c9 o circuito      que lhes permite a conex\u00e3o, como em uma rede de computadores, sem central      \u00fanica, e na qual cada networker (artista da rede) atua como uma central de      reciclagem e cria\u00e7\u00e3o est\u00e9tica. \u0093Criando uma cadeia de comunica\u00e7\u00e3o homog\u00eanea      na qual todos os componentes s\u00e3o iguais e se eximem as regras de mercado e      tamb\u00e9m da tradicional dicotomia artista\/p\u00fablico\u0094 (G\u00e9za Perneczky, 1993      citado por Pad\u00edn, op.cit.).<\/p>\n   \n<h4>Quatro d\u00e9cadas: quatro fases<\/h4>\n   \n<p>Ao considerar a arte postal como um movimento iniciado na d\u00e9cada de 60, podemos      comemorar seus quarenta anos orgulhosos, uma vez que nenhum outro movimento      da hist\u00f3ria da arte moderna teve esta dura\u00e7\u00e3o. E nem ter\u00e1, pois, como acreditam      seus adeptos, ser\u00e1 eterna (a Eternal Network de Filliou). <\/p>\n   \n<p>Sua maturidade e solidez se evidenciam e acabam por permitir o olhar de historiador      sobre seu percurso. Assim, \u00e9 poss\u00edvel detectar quatro fases na hist\u00f3ria da      arte postal: a primeira fase, a partir de sua cria\u00e7\u00e3o na d\u00e9cada de 60 caracteriza-se      por um per\u00edodo mais fechado, pois os participantes das listas reduziam-se      a conhecidos e pessoas envolvidas diretamente com o mundo da arte. <\/p>\n   \n<p>Na fase seguinte, que configura-se como a d\u00e9cada de 70, houve uma amplia\u00e7\u00e3o      dos adeptos na rede, isso dado principalmente pelas exibi\u00e7\u00f5es e pelas publica\u00e7\u00f5es      especializadas que se espalharam pelo mundo, resultando na abertura das listas      \u00e0 qualquer interessado em fazer arte. Nesta fase, se instaurou com grande      for\u00e7a o Do-it-yourself (fa\u00e7a voc\u00ea mesmo) impulsionando de forma vigorosa este      movimento. <\/p>\n   \n<p>Na d\u00e9cada de 80, a terceira fase, grandes institui\u00e7\u00f5es voltaram seus olhos      para a arte postal e assim ela come\u00e7ou a aparecer em bienais e museus de renome,      al\u00e9m disso, institui\u00e7\u00f5es como universidades iniciaram seus projetos de arte      postal (1) . <\/p>\n   \n<p>Cabe salientar, por\u00e9m, o car\u00e1ter p\u00fablico de algumas destas institui\u00e7\u00f5es,      como as universidades, que apesar da evidente tentativa de institucionaliza\u00e7\u00e3o,      n\u00e3o possuem o aspecto mercadol\u00f3gico em suas a\u00e7\u00f5es, mantendo a ideologia do      movimento. <\/p>\n   \n<p>E, finalmente, a quarta fase dos anos 90, em que a arte postal se abriu para      o mundo, principalmente a partir da instaura\u00e7\u00e3o da Internet permitindo uma      maior acessibilidade ao movimento de forma r\u00e1pida e econ\u00f4mica.<\/p>\n   \n<blockquote>      \n<p>(1) A pr\u00f3pria FURG teve, neste per\u00edodo, um grupo de arte postal ligado        ao curso de Educa\u00e7\u00e3o Art\u00edstica.<\/p>\n     \n<p>dicas funcionais (Yepiz, 2001b)<\/p>\n     \n<p>Enviar trabalhos art\u00edsticos a convocat\u00f3rias e seguir cadeias de cartas.<\/p>\n     \n<p>Conhecer um pouco de arte moderna (Futurismo, Dada\u00edsmo, Surrealismo, Arte        Pop, Arte Conceitual, Fluxus) e de t\u00e9cnicas (collage, desenho, pintura,        fotografia, entre outras).<\/p>\n     \n<p>Marcar a tua individualidade, identidade, estilo.<\/p>\n     \n<p>Se n\u00e3o gostar do teu nome ou n\u00e3o desejar utiliz\u00e1-lo, pode-se utilizar pseud\u00f4nimos.<\/p>\n     \n<p>Utilizar os mais variados elementos que te venham \u00e0 mente.<\/p>\n     \n<p>Lembrar que existe o \u0093ru\u00eddo\u0094, ou seja, as intera\u00e7\u00f5es que a obra        sofre durante seu percurso.<\/p>\n     \n<p>E us\u00e1-lo, se assim o desejar.<\/p>\n     \n<p>Responder as correspond\u00eancias recebidas o mais r\u00e1pido poss\u00edvel.<\/p>\n     \n<p>Ter um controle da correspond\u00eancia recebida, enviada e pendente.<\/p>\n     \n<p>Distribuir e divulgar toda a informa\u00e7\u00e3o recebida sobre projetos e convocat\u00f3rias.<\/p>\n     \n<p>A regra mais importante: n\u00e3o h\u00e1 regras!<\/p>\n     \n<p>regras do jogo (Yepiz,2001a; Padin, 1985)<\/p>\n     \n<p>As obras devem ser enviadas por via postal. (2)<\/p>\n     \n<p>Todas as obras recebidas, em qualquer convocat\u00f3ria, sejam em qual tema        for, ser\u00e3o exibidas em sua totalidade.<\/p>\n     \n<p>N\u00e3o h\u00e1 elei\u00e7\u00e3o, sele\u00e7\u00e3o ou j\u00fari.<\/p>\n     \n<p>Os destinat\u00e1rios respons\u00e1veis pelas convocat\u00f3rias est\u00e3o obrigados a acusar        o recebimento, enviando uma lista de participantes e\/ou cat\u00e1logo com os        endere\u00e7os aos remetentes.<\/p>\n     \n<p>As obras n\u00e3o ser\u00e3o devolvidas, nem comercializadas, podendo ser doadas        para institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n     \n<p>Ao receber material que atente contra a moral (er\u00f3tico, pol\u00edtico ou extremamente        violento), deve-se manifestar o desacordo com tal, por\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 necessidade        de romper a conex\u00e3o.<\/p>\n     \n<p>(2)Atualmente com o advento da Internet, existem muitas convocat\u00f3rias para        envio de arte postal virtual<\/p>\n   <\/blockquote>\n   \n<h4>Convocat\u00f3rias<\/h4>\n   \n<p>As convocat\u00f3rias de arte postal s\u00e3o projetos criados por pessoas e\/ou organiza\u00e7\u00f5es      ligados a esta manifesta\u00e7\u00e3o art\u00edstica. Nestes, geralmente h\u00e1 um tema a ser      desenvolvido, que pode ser de enfoque puramente art\u00edstico ou l\u00fadico, mas,      h\u00e1 um grande n\u00famero de convocat\u00f3rias que assumem um compromisso pol\u00edtico-social,      utilizando-se desse meio para realizar den\u00fancias, alertas ou apoios a situa\u00e7\u00f5es      injustas ou de risco. O tamanho e as t\u00e9cnicas a serem utilizadas, na maioria      das vezes, s\u00e3o livres, por\u00e9m, em alguns casos, podem estar previamente determinadas      pelo proponente.<\/p>\n   \n<p>Antes do advento da Internet, as comunica\u00e7\u00f5es de novas convocat\u00f3rias eram      feitas via postal, em que os materiais referentes \u00e0s mesmas eram divulgados      para os endere\u00e7os encontrados nas listas ou cat\u00e1logos de exposi\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m      disso, os pr\u00f3prios artistas postais t\u00eam o compromisso de divulgar em seus      circuitos os novos projetos em vigor. <\/p>\n   \n<p>Agora, ao teclar em um site de busca \u0093arte correo\u0094, \u0093postal      art\u0094 ou \u0093arte postal\u0094 um grande n\u00famero de p\u00e1ginas relacionadas      com o tema t\u00eam dispon\u00edvel as convocat\u00f3rias em vigor. \u00c9 poss\u00edvel, tamb\u00e9m, aprender      muito sobre arte postal visitando estes sites(3) . <\/p>\n   \n<p>A maioria da convocat\u00f3rias, por\u00e9m, pedem o envio por meio postal dando continuidade      ao sistema que tem aproximadamente quarenta anos de dura\u00e7\u00e3o, utilizando-se      do meio virtual somente para troca de informa\u00e7\u00f5es e exposi\u00e7\u00e3o das obras recebidas.<\/p>\n   \n<p>(3) Esta pesquisa foi quase toda realizada a partir de dados dispon\u00edveis      na Internet, se houver interesse em aprofundamento no assunto h\u00e1 no final      do trabalho os endere\u00e7os que mais me ajudaram a concretiz\u00e1-la.<\/p>\n   \n<h4>Cadeias de cartas<\/h4>\n   \n<p>Esta modalidade dentro da arte postal corresponde a uma lista de aproximadamente      dez pessoas, na qual, cada um que recebe anota seu nome no final da lista      e apaga o primeiro, enviando algo de especial (desenho, fotografia, colagem,      fita cassete, cd, cd-rom, selos, e tudo o mais que sua criatividade permitir).    <\/p>\n   \n<p>Depois, faz-se dez c\u00f3pias ou mais da lista e a envia a dez pessoas diferentes.      \u0093N\u00e3o se exige o envio de dinheiro ou o envolvimento em uma religi\u00e3o como      \u00e9 comum, n\u00e3o tem nada a ver! \u00c9 meramente trabalho art\u00edstico e conceitual\u0094      (Y\u00e9piz, 2001a).<\/p>\n   \n<p>Cabe salientar, que as pessoas contatadas s\u00e3o essencialmente desconhecidos,      assim deve-se ter cuidado. \u0093A arte postal n\u00e3o \u00e9 um domic\u00edlio para os      cora\u00e7\u00f5es solit\u00e1rios, n\u00e3o espere encontrar nela o amor da sua vida, evite pedir      fotos e detalhes \u00edntimos\u0094 (Y\u00e9piz, op.cit.).<\/p>\n   \n<h4>Adiciona e repassa<\/h4>\n   \n<p>Os dada\u00edstas e, principalmente, os surrealistas com seus jogos art\u00edsticos      imbu\u00eddos da coopera\u00e7\u00e3o j\u00e1 realizavam de alguma forma o \u0093adiciona e repassa\u0094.      Por\u00e9m, foi atrav\u00e9s de Johnson que esta atividade se consolidou no meio postal      e com esta denomina\u00e7\u00e3o (add and pass). \u0093O seu amor (de Johnson) pela      colabora\u00e7\u00e3o e pelo h\u00e1bito de reciclar trabalhos velhos em novos, criou um      fluxo dentro da arte postal que circunda o globo com as instru\u00e7\u00f5es add and      pass\u0094 (Bloch, 1995).<\/p>\n   \n<p>Nesta atividade, h\u00e1 geralmente uma imagem pr\u00e9-existente que o destinat\u00e1rio      ter\u00e1 que manipular e dar a ela um novo car\u00e1ter. N\u00e3o necessariamente o movimento      \u00e9 de vai-e-volta, pode ser requerido que o destinat\u00e1rio passe a outro destinat\u00e1rio      e assim sucessivamente at\u00e9 que um decida (ou j\u00e1 esteja pr\u00e9-estabelecido pelo      proponente) que a obra esteja pronta para voltar ao remetente.<\/p>\n   \n<p>Na Internet esta modalidade \u00e9 muito comum, pela facilidade em se capturar      imagens e manipul\u00e1-las virtualmente sem a necessidade da impress\u00e3o, o que      barateia o custo, al\u00e9m de deixar o \u0093jogo\u0094 mais r\u00e1pido.<\/p>\n   \n<h4>Selos de artista<\/h4>\n   \n<p>Esta \u00e9 uma modalidade que nasceu antes da arte postal com o artista frenc\u00eas      novo-realista Yves Klein. Segundo John Held (2002), este artista elaborou      um selo azul e o fixou nos convites para a sua exposi\u00e7\u00e3o, causando um esc\u00e2ndalo      burocr\u00e1tico quando chegou a ser enviado e timbrado com \u00eaxito na d\u00e9cada de      50. <\/p>\n   \n<p>Esta atitude se tornou um ponto de refer\u00eancia para a arte postal. Por\u00e9m,      os selos de artistas s\u00f3 vieram a se tornar um importante g\u00eanero da arte postal      a partir de sua utiliza\u00e7\u00e3o pelos participantes do grupo Fluxus e da New York      Correspondance School.<\/p>\n   \n<p>Artist Stamps and Stamp Images (Canad\u00e1, 1974) organizada por Jas Felter,      foi a primeira exposi\u00e7\u00e3o deste g\u00eanero, tendo papel importante na sua divulga\u00e7\u00e3o      e expans\u00e3o, al\u00e9m disso, seu cat\u00e1logo tornou-se uma refer\u00eancia sobre o tema.<\/p>\n   \n<p>A defini\u00e7\u00e3o para a palavra \u0093selo\u0094 para os selos de artista refere-se      \u0093ao que poderia ser chamado de pseudo-selo de correios, ou seja, um selo      alternativo, oposto \u00e0s publica\u00e7\u00f5es desenhadas para o uso dos servi\u00e7os postais      oficiais ou governamentais do mundo\u0094 (Felter, 1993). <\/p>\n   \n<p>Os selos de artista, segundo Felter (op.cit.), s\u00e3o impressos ou gravados,      cont\u00eam perfura\u00e7\u00f5es, s\u00e3o adesivos ou engomados, sendo produzidos em uma edi\u00e7\u00e3o      limitada (assinada e numerada), cont\u00eam alguma indica\u00e7\u00e3o sobre a autoridade      emissora real ou imagin\u00e1ria, levam alguma denomina\u00e7\u00e3o e podem substituir aparentemente      um selo sobre um envio postal, tendo o mesmo aspecto e impress\u00e3o que um selo      oficial. <\/p>\n   \n<p>Diferem-se das \u0093imagens de selo\u0094, sugest\u00f5es que lembram selos,      mas s\u00e3o aquarelas, desenhos, serigrafias que geralmente t\u00eam as perfura\u00e7\u00f5es      desenhadas e apresentam-se em tamanhos maiores que os selos convencionais.      Ambos s\u00e3o amplamente utilizados por artistas postais, mas n\u00e3o se limitam \u00e0s      atividades da rede, muitas vezes sendo comercializados.<\/p>\n   \n<h4>Selos de borracha<\/h4>\n   \n<p>Um dos primeiros a utilizar carimbos em trabalhos art\u00edsticos foi Kurt Schwitters.      Antes de construir os Merz, realizou os chamados Stempelzeichnungen (1918)      em que carimbou palavras de maneira r\u00edtmica e de forma firme sobre fundos      claros, geralmente aquarelados.<\/p>\n   \n<p>Desde ent\u00e3o, segundo Merz Mail (1994), s\u00e3o utilizados massivamente por artistas      postais de todo o mundo que se apropriam de carimbos administrativos, fazendo      interfer\u00eancias, ou que criam seus pr\u00f3prios carimbos com mensagens e\/ou imagens.    <\/p>\n   \n<p>A utiliza\u00e7\u00e3o de carimbos nos envios torna a identifica\u00e7\u00e3o f\u00e1cil porque o      receptor pode imediatamente determinar a origem da mensagem. Numerosos artistas      trabalham quase que exclusivamente com a t\u00e9cnica dos carimbos em diversas      composi\u00e7\u00f5es como repeti\u00e7\u00e3o de imagens ou criando logo de artistas. \u0093Tornaram-se      um v\u00ednculo partilhado por toda rede, em que cada artista parecia ter o seu      pr\u00f3prio carimbo\u0094 (Held, 1990).<\/p>\n   \n<p>Devido a sua ampla utiliza\u00e7\u00e3o foram criadas publica\u00e7\u00f5es, arquivos, convocat\u00f3rias      e galerias destinadas exclusivamente a este tema. Uma importante publica\u00e7\u00e3o,      conforme Held (op.cit.), \u00e9 a Rubberstampmadness, editada por Lowry Thompson      desde 1978, que divulgou o g\u00eanero, criando uma nova ind\u00fastria centrada no      uso de carimbos visuais, tanto por motivos decorativos como postais.<\/p>\n   \n<blockquote>      \n<p><br \/>\n       [&#8230;}\u00a0<br \/>\n       Lo que brilla com luz pr\u00f3pria<br \/>\n       Nadie lo puede apagar<br \/>\n       Su brilho pude alcanzar<br \/>\n       La oscuridad de otras costas<br \/>\n       [&#8230;]<br \/>\n       J\u00e1 foi lan\u00e7ada uma estrela<br \/>\n       Pra quem souber enxergaar<br \/>\n       Pra quem quiser alcan\u00e7ar<br \/>\n       E andar abra\u00e7ado nela<\/p>\n     \n<p>(Canci\u00f3n por la unidad latioamericana\u00a0<br \/>\n       Pablo Milan\u00e9z<br \/>\n       Vers\u00e3o de Chico Buarque, 1978)\u00a0<br \/>\n       breve hist\u00f3rico<\/p>\n   <\/blockquote>\n   \n<p>Na Am\u00e9rica Latina, as primeiras manifesta\u00e7\u00f5es de arte postal datam de 1969,      na Argentina, atrav\u00e9s de Liliana Porter (1941) e Luis Camnitzer (1937), e      no Uruguai, por Clemente Pad\u00edn (1939). No Brasil, o poeta visual Pedro Lyra      (1945) publica em 1970 o Manifesto de Arte Postal.<\/p>\n   \n<p>Ser\u00e1 em 1974, por\u00e9m, que o movimento ganhar\u00e1 for\u00e7a no continente sul-americano,      pois neste ano \u00e9 realizada em Montevid\u00e9u o Festival de la Postal Creativa      \u0096 primeira exposi\u00e7\u00e3o documentada de arte postal na Am\u00e9rica Latina. A      partir de ent\u00e3o, in\u00fameras mostras come\u00e7am a ocorrer, como na Argentina com      a Ultima Exposi\u00e7\u00e3o Internacional de Arte Postal (La Plata, 1975) realizada      por Edgardo Antonio Vigo (1927-1991) e Hor\u00e1cio Zabala (1943).<\/p>\n   \n<p>No Brasil, Primeira Internacional de Arte Postal \u00e9 a primeira exposi\u00e7\u00e3o do      pa\u00eds realizada em S\u00e3o Paulo por Ismael Assump\u00e7\u00e3o em setembro de 1975. Foi      uma convocat\u00f3ria limitada a praticantes reconhecidos internacionalmente e      que tinham contato com o organizador. <\/p>\n   \n<p>Em dezembro do mesmo ano, ocorreu a Primeira Exposi\u00e7\u00e3o Internacional de Arte      Postal (Recife\/PE, 1975) organizada por Paulo Bruscky (1949) e Ypiranga Filho      (1936), esta foi de grande import\u00e2ncia porque envolveu um grande n\u00famero de      artistas e tamb\u00e9m porque foi exposta no sal\u00e3o de entrada de um hospital p\u00fablico,      ou seja, em um local nada tradicional em rela\u00e7\u00e3o a exibi\u00e7\u00f5es art\u00edsticas. <\/p>\n   \n<p>Em 1976, Paulo Bruscky e Daniel Santiago (1939) organizam a Exibi\u00e7\u00e3o Internacional      de Arte Postal (Recife) que foi fechada pelos militares uma hora ap\u00f3s sua      abertura com a pris\u00e3o de seus organizadores. Este ato repercutiu internacionalmente,      mostrando para o mundo a repress\u00e3o ditatorial e o porqu\u00ea do papel de luta      e den\u00fancia assumido, a partir de ent\u00e3o, pelos artistas latino-americanos.<\/p>\n   \n<h4>Edgardo Antonio Vigo (La Plata, Argentina, 1927)<\/h4>\n   \n<p>Artista argentino foi um inovador constante de sua obra. Xil\u00f3grafo, poeta      experimental, conceitualista, construtor de \u0093objetos in\u00fateis\u0094 e      \u0093m\u00e1quinas estranhas\u0094, foi uma fonte de surpresas devido ao car\u00e1ter      imprevis\u00edvel e inovador de suas propostas. <\/p>\n   \n<p>Estudou na Universidade de Belas Artes de La Plata em 1950, tendo recebido      bolsa em 1953 para estudar na Fran\u00e7a onde entrou em contato com a vanguarda      mundial. Ao retornar ao seu pa\u00eds, manteve-se extremamente ativo, sendo na      d\u00e9cada de 60 o principal propulsor das id\u00e9ias conceitualistas na Am\u00e9rica latina.    <\/p>\n   \n<p>Sua tend\u00eancia conceitualista se dava pelo vi\u00e9s da obra auto-referente em      que o espectador se torna co-autor, pois cabe a ele eleger o sentido final      da mesma. \u0093Acreditava na obra de arte como uma atividade l\u00fadica de divers\u00e3o      e participa\u00e7\u00e3o, dessacralizando-na mediante a manipula\u00e7\u00e3o e a co-cria\u00e7\u00e3o,      a ponto de preferir falar de \u0091construtor-criativo\u0092 em vez de espectador,      fazendo da cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica um ato m\u00faltiplo e n\u00e3o individual e solit\u00e1rio\u0094      (Pad\u00edn, 1997).<\/p>\n   \n<p>Na d\u00e9cada de 70, se integra aos circuitos de arte postal sendo um dos mais      constantes criadores da rede at\u00e9 o dia de sua morte. Sua obra assume um car\u00e1ter      fortemente pol\u00edtico quando tem seu filho levado pela ditadura militar.<\/p>\n   \n<p> Isto o faz ampliar seus contatos internacionais para difundir a opress\u00e3o      brutal e o desrespeito aos direitos humanos deste sistema pol\u00edtico. \u0093Suas      obras perdurar\u00e3o eternamente enquanto exista no homem esse af\u00e3 pela liberdade,      que ele tentou manter acordado provocando-nos com a capacidade de eleger entras      as v\u00e1rias possibilidades de significa\u00e7\u00e3o (inclusive a de alterar o sentido)      que suas obras ofereciam, assumindo e concretizando, atrav\u00e9s da op\u00e7\u00e3o, nossa      mais genu\u00edna natureza: a aspira\u00e7\u00e3o por liberdade\u0094 (Clemente Pad\u00edn,. op.      cit).<\/p>\n   \n<h4>Clemente Pad\u00edn (Lascano, Rocha, Uruguai 1939)<\/h4>\n   \n<p>Poeta, artista e desenhista gr\u00e1fico, performer, video-artista, multim\u00eddia      e networker tem servido de inspira\u00e7\u00e3o a muitos artistas sul-americanos. Suas      atividades art\u00edsticas s\u00e3o calcadas na experimenta\u00e7\u00e3o, em especial a poesia,      sua atividade principal.<\/p>\n   \n<p>Licenciado em Letras Hisp\u00e2nicas na Universidade do Uruguai foi diretor das      revistas de poesia Los Huevos del Plata (1965-1969), Ovum10 e Ovum (1969-1975).      Autor de 18 livros publicados na Am\u00e9rica e Europa. <\/p>\n   \n<p>Seus textos foram traduzidos e publicados por diversas revistas e publica\u00e7\u00f5es      de todo mundo. Participou em centenas de exposi\u00e7\u00f5es internacionais de poesia      experimental e em milhares de convocat\u00f3rias de arte postal, da qual \u00e9 adepto      desde 1967. Como um ativista pol\u00edtico, acreditava que:<\/p>\n   \n<p>[&#8230;] a quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 somente levar a arte para a rua, mas sim transformar      seu significado social em a\u00e7\u00f5es e trabalhos que tem que estar introduzidos      ativamente em seu desenvolvimento, fazendo refer\u00eancia, antes de tudo, \u00e0queles      problemas que se ocultam, sensibilizando as pessoas, tentando dar-lhes \u00e2nimos      para mudar suas perspectivas. E essa modifica\u00e7\u00e3o transformaria a obra de arte,      seu consumo e inclusive a rela\u00e7\u00e3o artista-espectador. (Clemente Pad\u00edn citado      por Held, 1990)<\/p>\n   \n<p>Nos anos 70 Clemente Pad\u00edn e seu companheiro Jorge Caballo ca\u00edram v\u00edtimas      do golpe uruguaio. A ditadura entendeu como subversivas as mensagens de ambos.      A sua liberta\u00e7\u00e3o provocou uma campanha mundial atrav\u00e9s da rede postal, aglutinando      pessoas e institui\u00e7\u00f5es de diversas \u00edndoles. \u0093Do mundo inteiro surgiram      vozes condenando a pris\u00e3o, exigindo suas integridades f\u00edsicas e morais e a      liberta\u00e7\u00e3o imediata de ambos\u0094 (Vigo, 1990).<\/p>\n   \n<h4>Paulo Bruscky (Recife, Pernambuco, Brasil, 1949)<\/h4>\n   \n<p>Artista pl\u00e1stico e desenhista, nasceu no Recife em 1949, filho de um fot\u00f3grafo      polon\u00eas e de uma pernambucana de Fernando de Noronha. Prioriza as pesquisas      experimentais no seu trabalho. <\/p>\n   \n<p>A partir de 1969, aumenta suas realiza\u00e7\u00f5es no campo da arte conceitual e      experimental fazendo pesquisas m\u00faltiplas que envolvem o espa\u00e7o e o ambiente,      em interven\u00e7\u00f5es e materiais diversos, como happenings, carimbos, copy art,      \u00e1udio arte etc. Desenvolve, a partir de 1970, pesquisas em copy art (eletrografia),      expondo o resultado numa mostra individual na Galeria Empetur, em Recife.<\/p>\n   \n<p> Em 1973, ingressa no Movimento Internacional de Arte Postal. Em 1974, lan\u00e7a,      com Daniel Santiago, o Movimento\/Manifesto Nada\u00edsta, que faz uso do suporte      super-8. Os materiais mais utilizados no seu trabalho s\u00e3o o gelo, a fuma\u00e7a,      a tecnologia, fazendo uso do tempo e de &#8220;coisas sensoriais&#8221; tamb\u00e9m      como elementos de cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n   \n<p> Foi um pioneiro na aplica\u00e7\u00e3o art\u00edstica de v\u00e1rias tecnologias, como grava\u00e7\u00e3o      eletr\u00f4nica, proje\u00e7\u00e3o de diapositivos, fac-s\u00edmile, filme super-8, v\u00eddeo, xerox,      off-set e mime\u00f3grafo, sendo tamb\u00e9m o pioneiro da v\u00eddeo-arte fora do eixo Rio-S\u00e3o      Paulo. Possivelmente, foi o mais entusiasta promotor da arte postal no Brasil.<\/p>\n   \n<p>Bruscky j\u00e1 obteve v\u00e1rios pr\u00eamios internacionais entre os quais o de Artes      Visuais da Foundation Guggenhein de Nova York, EUA. \u00c9 s\u00f3cio fundador e ex-presidente      da Associa\u00e7\u00e3o dos Artistas Pl\u00e1sticos Profissionais de Pernambuco, membro da      International Association of Art, da Association International des Arts Plastiques,      e s\u00f3cio-fundador e ex-presidente da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Pesquisadores em      Artes Pl\u00e1sticas.<\/p>\n   \n<h4>Ditadura: a repress\u00e3o<\/h4>\n   \n<p>No per\u00edodo ditatorial a arte postal, como as demais manifesta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas,      sofre forte repress\u00e3o. \u0093[&#8230;] quando se estabelece uma ditadura os primeiros      a serem encarcerados s\u00e3o os poetas, por qu\u00ea? Porque obrigam as pessoas a optar,      a eleger entre diversas op\u00e7\u00f5es e este modo de a\u00e7\u00e3o se transmite a toda conduta      humana. <\/p>\n   \n<p>A quem costuma optar n\u00e3o se pode impor regras\u0094 (Pad\u00edn em entrevista      a Le\u00e3o, 2003). Neste per\u00edodo, a arte postal voltou-se totalmente para a den\u00fancia      deste sistema opressor, o que fez com que seus adeptos pagassem um duro pre\u00e7o.    <\/p>\n   \n<p>No Brasil, em 1976, a Exposi\u00e7\u00e3o Internacional de Arte Postal, organizada      por Paulo Bruscky e Daniel Santiago, \u00e9 apreendida pelos militares, e v\u00e1rios      artistas postais de toda a Am\u00e9rica Latina como Jorge Caballo, Clemente Pad\u00edn,      Jes\u00fas Romeo Galdam\u00e9z, entre outros, s\u00e3o presos e torturados pela opress\u00e3o      e arbitrariedade deste sistema, al\u00e9m do desaparecimento de Paulo Vigo, filho      do artista postal argentino Edgardo Vigo.<\/p>\n   \n<p>Apesar de em outros lugares a arte postal banalizar-se e at\u00e9 comercializar-se,      nos pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina as particularidades e tradi\u00e7\u00f5es locais deu a      esta manifesta\u00e7\u00e3o um car\u00e1ter especial de luta e den\u00fancia, o que segundo Gerardo      Y\u00e9piz (2001b), soma-se ao esfor\u00e7o do nosso povo por ascender a melhores e      mais humanas condi\u00e7\u00f5es de vida, a fim de se obter paz e justi\u00e7a social. Neste      sentido, a arte postal tem uma enorme for\u00e7a nos pa\u00edses latino-americanos,      sendo intensamente ativa nos mesmos.<\/p>\n   \n<h4>Bienais: d\u00e9cada de 80<\/h4>\n   \n<p>A partir de 1980, a arte postal revigora-se, podendo-se destacar: a inclus\u00e3o      de uma sess\u00e3o desta manifesta\u00e7\u00e3o na XVI Bienal de S\u00e3o Paulo, em 1981; a cria\u00e7\u00e3o      do grupo Solidarte e Colectivo 3 no M\u00e9xico; a cria\u00e7\u00e3o da Asociaci\u00f3n Uruguaya      de Artistas Postales, em1983; a funda\u00e7\u00e3o da Asociaci\u00f3n Latinoamericana y del      Caribe de Artistas Postales na Argentina.<\/p>\n   \n<p>A arte postal \u00e9 considerada, por cr\u00edticos e historiadores de arte, uma das      importantes formas de express\u00e3o art\u00edstica dos anos 80 (Pira\u00ed, 1996: 234).      Isto se d\u00e1 justamente pelo fato de ser colocada em exposi\u00e7\u00f5es de repercuss\u00e3o      internacional do meio art\u00edstico oficial. <\/p>\n   \n<p>Por\u00e9m, esta considera\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser v\u00e1lida, pois como afirma Araci Amaral      (1981:395), exibir o resultado das trocas de arte postal de maneira convencional      \u00e9 \u0093violentar este circuito, neutraliz\u00e1-lo\u0094. Desta forma, concordando      com Arga\u00f1araz (2002), acredito que a \u0093\u00e9poca dourada\u0094 da arte postal      internacionalmente foi os anos 70, quando esta manifesta\u00e7\u00e3o se abriu para      o mundo com in\u00fameras publica\u00e7\u00f5es e exibi\u00e7\u00f5es. <\/p>\n   \n<p>\u00c9 claro que seguindo a l\u00f3gica em seus quarenta anos de exist\u00eancia, em que      a cada gera\u00e7\u00e3o o n\u00famero de adeptos aumenta e o pr\u00f3prio mundo se torna mais      democr\u00e1tico, hoje seria a sua \u00e9poca mais importante no sentido de haver, segundo      Pad\u00edn (1995), em torno de 5.000 networkers em plena atividade.<\/p>\n   \n<p>Apesar de tudo que foi mencionado, as Bienais tiveram o seu papel positivo      no sentido de ampliar o conhecimento desta manifesta\u00e7\u00e3o para um p\u00fablico ainda      estranho a ela. Al\u00e9m disso, as associa\u00e7\u00f5es que se formaram e o apoio de institui\u00e7\u00f5es      p\u00fablicas sem fins comerciais, como as universidades, consolidaram os ideais      da rede, impedindo que a evidente tentativa de institucionaliza\u00e7\u00e3o se consolidasse.<\/p>\n   \n<h4>Gilbertto prado (Santos, S\u00e3o Paulo, Brasil, 1954)<\/h4>\n   \n<p>Artista multim\u00eddia, estudou Engenharia e Artes Pl\u00e1sticas na Unicamp (Universidade      de Campinas &#8211; S\u00e3o Paulo). Come\u00e7ou suas atividades art\u00edsticas no final dos      anos 70 participando intensamente do movimento de Mail Art e de diversas exposi\u00e7\u00f5es      e projetos, entre eles: XVI Bienal de S\u00e3o Paulo, (setor: Mail Art, 1981).    <\/p>\n   \n<p>Organizou e concebeu diversas exposic\u00f5es como: Welcomet Mr. Halley , Pa\u00e7o      das Artes (1985); A Terra e Seus Terr\u00e1queos em 88 , Clube de Cria\u00e7\u00e3o de S\u00e3o      Paulo. Em 1994 obteve seu doutorado em Artes na Universidade de Paris 1 e      atualmente \u00e9 professor do Departamento de Artes Pl\u00e1sticas da ECA &#8211; USP.<\/p>\n   \n<p>Nos anos 80 come\u00e7a a trabalhar de maneira mais sistem\u00e1tica com as redes art\u00edstico-telem\u00e1ticas,      sendo um dos nossos maiores entusiastas da arte-comunica\u00e7\u00e3o, tanto do ponto      de vista do estudo te\u00f3rico, da produ\u00e7\u00e3o criativa, como tamb\u00e9m da organiza\u00e7\u00e3o      de eventos relacionados \u00e0 \u00e1rea.<\/p>\n   \n<p>A arte em rede \u00e9 tamb\u00e9m uma forma de dan\u00e7a ritual e coletiva, que se comp\u00f5e      num espa\u00e7o e numa situa\u00e7\u00e3o virtual propostos por um artista, criador de um      campo de possibilidades, com instantes onde olhares distintos se cruzam ou      se fazem cruzar, para dar numa a\u00e7\u00e3o (ou numa n\u00e3o a\u00e7\u00e3o). (Prado, 2003)<\/p>\n   \n<p>Acreditando no potencial de acessibilidade do meio virtual, Prado investe      na reflex\u00e3o das po\u00e9ticas tecnol\u00f3gicas, privilegiando a dimens\u00e3o art\u00edstico-telem\u00e1tica      atrav\u00e9s do projeto wAwRwT . Atrav\u00e9s deste projeto, Prado e sua equipe tamb\u00e9m      produzem e exp\u00f5em arte voltada exclusivamente para o meio elet\u00f4nico.<\/p>\n   \n<h4>Hudnilson jr. (S\u00e3o Paulo, capital, Brasil, 1957)<\/h4>\n   \n<p>Trabalha com grafite, interven\u00e7\u00e3o, montagem, xerografia, performance e o      que mais lhe vier a mente, caracterizando-se como um artista multim\u00eddia. Cursou      Artes Pl\u00e1sticas na Funda\u00e7\u00e3o Armando \u00c1lvares Penteado, 1975\/77. <\/p>\n   \n<p>De 1979 a 1982 formou e participou do grupo 3 N\u00f3s3, com M\u00e1rio Ramiro e Rafael      Fran\u00e7a, quando realizavam interven\u00e7\u00f5es em espa\u00e7os p\u00fablicos. Seu trabalho mais      conhecido \u00e9 a s\u00e9rie Xerox Action (83), em que fotocopia partes de sua anatomia,      especialmente a genit\u00e1lia. Sempre se manteve paralelo aos circuitos oficiais      de arte, apesar de ser uma refer\u00eancia para o grafite brasileiro, al\u00e9m de ser      um dos poucos brasileiros dedicado \u00e0 arte homoer\u00f3tica.<\/p>\n   \n<p>Sua obra \u00e9 quase ignorada por museus e galerias, pois al\u00e9m de ter preferido      formas de democratiza\u00e7\u00e3o da arte surgidas nos anos 60, como a \u0093mail art\u0094,      a m\u00eddia xerox, a apropria\u00e7\u00e3o de imagens em colagens e o pr\u00f3prio grafite mural,      seus trabalhos geralmente cont\u00eam nus masculinos frontais ou se apropriam de      fotos e desenhos porn\u00f4. (Machado, 2003)<\/p>\n   \n<p>Seu car\u00e1ter marginal o levou a arte postal, onde manteve-se ativo principalmente      na d\u00e9cada de 80. Desde este per\u00edodo tamb\u00e9m monta cadernos-di\u00e1rios, neles faz      colagens\/montagens di\u00e1rias e, segundo o pr\u00f3prio artista, raramente escolhe      figuras femininas porque \u00e9 tudo bastante confessional, focado no corpo e no      olhar narc\u00edsico, v\u00e1rios graus al\u00e9m do bom comportamento (Hudnilson, citado      por Machado op.cit). Segundo Matrin Grossmann (citado por Machado op.cit.),      Hudinilson Jr. \u00e9 \u0093um ca\u00e7ador de imagens\u0094.<\/p>\n   \n<h4>Lenir de miranda (Pedro Os\u00f3rio, Rio Grande do Sul, Brasil)<\/h4>\n   \n<p>Graduada em Pintura, pela Escola de Belas Artes D. Carmem T. Sim\u00f5es (Pelotas\/RS),      e em Comunica\u00e7\u00e3o Social, pela Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Rio Grande      do Sul (Porto Alegre\/RS). Lenir, atrav\u00e9s destas duas forma\u00e7\u00f5es, consegue realizar      um trabalho que une escrita (4) e pintura. Como ela mesma afirma, \u0093as      palavras tamb\u00e9m me fascinam e formam, como as demais imagens, enigmas que      nos acompanham e iluminam\u0094 (Miranda, 1987:05).<\/p>\n   \n<p>Atualmente entre suas pinturas realiza livros de artista: \u0093a escrita      pintada, a pintura escrita\u0094 . Nestes, segundo Cattani (2001:03), imagem      e palavra andam juntas, \u0093correspondem-se sem se explicarem mutuamente,      complementam-se sem se fundirem\u0094. <\/p>\n   \n<p>Ao trabalhar \u0093joyceanamente\u0094 em seus livros d\u00e1 continuidade ao      Projeto Ulisses realizado na d\u00e9cada de 80, em que colocou junto com seus desenhos,      pinturas e instala\u00e7\u00e3o trabalhos de outros artistas conectados a ela pela rede      de arte postal, formando um am\u00e1lgama de significados \u0093in comunic\u00e1veis\u0094.      \u0093O Projeto Ulisses \u00e9 uma sintonia s\u00edgnica, livre, mesmo aleat\u00f3ria, a      partir de matrizes po\u00e9tico-visuais desencadeantes, entre diversos artistas\u0094      (Miranda, 1988:09).<\/p>\n   \n<p>Como n\u00e3o podia deixar de ser, na sua busca por uma arte-comunica\u00e7\u00e3o, Lenir      foi uma artista postal bastante atuante tendo seu nome citado entre os principais      deste g\u00eanero no cen\u00e1rio latino-americano. <\/p>\n   \n<p>Atualmente, continua de forma menos intensa suas atividades postais, sendo      que sua energia se volta mais para seus livros e, principalmente, para sua      p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Po\u00e9ticas Visuais pela Universidade Federal do RS (Porto Alegre).<\/p>\n   \n<p>(4) Extrato de texto in\u00e9dito, a ser publicado no livro \u0093Sinaliza\u00e7\u00e3o\u0094      de Lenir de Miranda<\/p>\n   \n<h4>Tentativa de institucionaliza\u00e7\u00e3o<\/h4>\n   \n<p>A inclus\u00e3o da arte postal em exposi\u00e7\u00f5es oficiais e bienais \u00e9 a tentativa      do sistema de englobar, de tomar para si, esta manifesta\u00e7\u00e3o que se faz por      ser marginal, e que s\u00f3 tem sentido nesta sua condi\u00e7\u00e3o \u0093alternativa\u0094.      Como afirma Arenzas (1994):<\/p>\n   \n<p>A lei de ferro do sistema em opera\u00e7\u00e3o: primeiro a atividade simb\u00f3lica dos      povos cria os movimentos art\u00edsticos para marcar as car\u00eancias e imperfei\u00e7\u00f5es      no tecido social e, logo, o sistema, uma vez passado o furor iconoclasta dos      primeiros momentos, os coloca a seu servi\u00e7o, mediante a institucionaliza\u00e7\u00e3o      e transformando em mercadoria aquilo que havia sido criado para atac\u00e1-lo,      sujeitando-o \u00e0s leis do mercado.<\/p>\n   \n<p>Neste sentido, hoje existem obras postais que s\u00e3o comercializadas, convocat\u00f3rias      com j\u00faris, censura, etc. Mas, felizmente, apesar de seus quarenta anos de      exist\u00eancia, este n\u00famero ainda \u00e9 pequeno, estando os artistas postais atentos      a estas \u0093armadilhas\u0094 do sistema. Muito provavelmente a institucionaliza\u00e7\u00e3o      falhou pela dificuldade dos cr\u00edticos e estudiosos de arte em se definir exatamente      o que \u00e9 arte postal.<\/p>\n   \n<p>Se pudessem definir a arte postal em uma ou duas frases iniciariam sua institucionaliza\u00e7\u00e3o      e as p\u00e1ginas dos livros de arte acolheriam o novo termo com grande benepl\u00e1cito,      claro que ent\u00e3o iniciaria o fim da arte postal tal como a conhecemos hoje      [&#8230;] N\u00e3o defino arte postal, a fa\u00e7o! (Gracia, 2002).<\/p>\n   \n<p>Somente quem entra nos circuitos consegue compreender qual o real significado      da arte postal, e assim que o compreendem a mant\u00eam a salvo.<\/p>\n   \n<p><strong>A alma livre \u00e9 rara, mas a identificas quando a v\u00ea:<\/strong><\/p>\n   \n<p>basicamente porque te sentes bem, muito bem, quando est\u00e1s<br \/>\n     com elas ou pr\u00f3ximo delas.<br \/>\n     (Charles Bukowski)\u00a0<br \/>\n     1a. convocat\u00f3ria \u0096 fran\u00e7a<\/p>\n   \n<p>Ao fazer um trabalho para a disciplina de \u0093Arte e cultura latino-americana\u0094,      em 2001, cujo tema escolhido era arte postal, tive o contato com esta manifesta\u00e7\u00e3o      e apaixonei-me. Na busca incans\u00e1vel de bibliografia para o tal trabalho me      deparei com in\u00fameras convocat\u00f3rias. <\/p>\n   \n<p>A uma delas n\u00e3o pude resistir porque estava justamente trabalhando com aquele      tema em fotografia. Assim, meu primeiro trabalho postal foi Eat me, em que      enviei, conforme o pedido, uma parte de meu corpo. Ainda n\u00e3o recebi o retorno      desta convocat\u00f3ria, mas o aguardo ansiosa&#8230;<\/p>\n   \n<p>A proposta era \u0093Mande-me uma parte de seu corpo, que eu te mandarei      um minha\u0094 (Corps \u00e0 Corps) encontrada no site: http:\/\/lauranne.lauranne.free.fr\/index.html,      a data limite estava em aberto, bem como as t\u00e9cnicas a serem utilizadas, a      \u00fanica restri\u00e7\u00e3o era o tamanho (10&#215;10 cm).<\/p>\n   \n<p>Depois disto n\u00e3o consegui participar mais de nenhuma convocat\u00f3ria at\u00e9 iniciar      este trabalho. Agora j\u00e1 mandei um trabalho, junto como o termo de ades\u00e3o,      para a convocat\u00f3ria D\u00eda del arte correo(5) , promovida pelo V\u00f3rtice-Argentina,      que tem como objetivo estabelecer dia 5 de dezembro como o dia da arte postal.<\/p>\n   \n<p>Al\u00e9m disso, tenho navegado muito pela internet e sempre tem surgido propostas      que est\u00e3o sendo elaboradas e outras de envio mais imediato como os \u0093adiciona      e retorna\u0094 .(6)<\/p>\n   \n<p>Esta \u00e9 a emo\u00e7\u00e3o de cair na rede, voc\u00ea n\u00e3o quer mais sair!<\/p>\n   \n<p>(5) O cupom e o termo de ades\u00e3o desta convocat\u00f3ria encontram-se no cap\u00edtulo      2 &#8211; Para fazer arte postal (Convocat\u00f3ria).<\/p>\n   \n<p>(6) Um exemplo deste tipo de envio se encontra no cap. 2 \u0096 Para fazer      arte postal (Adiciona e Retorna).<\/p>\n   \n<h4>Exposi\u00e7\u00e3o e palestra &#8211; teatro do Sol<\/h4>\n   \n<p>Depois do trabalho anteriormente mencionado e da convocat\u00f3ria, deixei a arte      postal um pouco esquecida. Por\u00e9m, ao fazer o est\u00e1gio final de curso tive a      oportunidade de conhecer uma professora de artes, C\u00e9lia Pereira, que estava      trabalhando com o formato postal com os alunos, isto me levou a contar minha      paix\u00e3o por postais, a lhe mostrar minha cole\u00e7\u00e3o e, obviamente, a lhe falar      sobre arte postal. <\/p>\n   \n<p>Estas conversas se transformaram em uma exposi\u00e7\u00e3o dos postais colecionados      ao longo de anos e de uma palestra para a comunidade sobre esta forma de arte.<\/p>\n   \n<p>O Teatro do Sol foi o espa\u00e7o em que ocorreram estas atividades, o grupo que      coordena o local realiza eventos art\u00edsticos e culturais com entrada franca      para a comunidade. Sua ideologia de popularizar a arte coincide com a ideologia      da arte postal. <\/p>\n   \n<p>A partir destas atividades, viu-se a necessidade de criar um grupo de arte      postal Aiecoatiara, palavra tupi-guarani que significa escrever, desenhar      e assinar carta. Este grupo ainda est\u00e1 engatinhando, mas j\u00e1 tem propostas,      entre elas est\u00e1 a convocat\u00f3ria \u0093Manifeste-se contra a ALCA\u0094, lan\u00e7ada      dia 29 de outubro de 2002 com data de encerramento para dia 31 de outubro      de 2003. <\/p>\n   \n<p>A proposta desta convocat\u00f3ria \u00e9 apoiar o plebiscito ocorrido em 2002 e manter      viva esta discuss\u00e3o pol\u00edtica que diz respeito a toda Am\u00e9rica Latina e \u00e0 soberania      de seus pa\u00edses.<\/p>\n   \n<h4>Alternativa ao sistema<\/h4>\n   \n<p>A arte postal surgiu como uma alternativa ao sistema de arte oficial e, justamente      por isso, caracteriza-se por uma manifesta\u00e7\u00e3o de quase total liberdade. N\u00e3o      o \u00e9 totalmente porque existe a premissa est\u00e9tica, que permeia todo objeto      art\u00edstico e a comunicacional, uma vez que a comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 primordial para      a arte postal.<\/p>\n   \n<p>Nela h\u00e1 o franco di\u00e1logo entre produtor e consumidor, sendo que s\u00e3o os pr\u00f3prios      artistas postais quem consomem arte postal. \u00c9 um processo c\u00edclico, n\u00e3o fechado      em si mesmo, na medida em que se comunica com outras manifesta\u00e7\u00f5es, n\u00e3o s\u00f3      art\u00edsticas como sociais, e permite a entrada\/sa\u00edda a qualquer momento dos      elos desta corrente. <\/p>\n   \n<p>Segundo Jorge Solis Arenazas (1994), a arte postal exalta o valor de uma      comunica\u00e7\u00e3o plural e multilateral, unindo compromisso cr\u00edtico e cria\u00e7\u00e3o din\u00e2mica.      Como reitera Gianne Broi (2000):<\/p>\n   \n<p>A arte postal \u00e9, em si mesma, \u0093outro\u0094 tipo de sociedade comparada      como a maior do marco social, \u00e9 \u0093outro\u0094 sistema comparado como a      maior do sistema art\u00edstico que a vanguarda n\u00e3o foi capaz de imitar; \u00e9 um fator      de perturba\u00e7\u00e3o, um foco de resist\u00eancia n\u00e3o controlado. Desde que a arte postal      existe, temos um ponto de vista concreto de refer\u00eancia, real n\u00e3o ut\u00f3pico,      contra toda tend\u00eancia de globaliza\u00e7\u00e3o no campo da criatividade art\u00edstica.<\/p>\n   \n<p>Esta manifesta\u00e7\u00e3o favorece novas rela\u00e7\u00f5es, dando abertura a novos modelos      de comportamento, al\u00e9m disso, \u00e9 evidente sua participa\u00e7\u00e3o social em busca      de melhores condi\u00e7\u00f5es de vida que fa\u00e7a poss\u00edvel a todos o privil\u00e9gio de criar      e\/ou desfrutar da cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica. Fazer arte postal tamb\u00e9m \u00e9 buscar uma      nova ordem mundial.<\/p>\n   \n<h4>Um outro mundo \u00e9 poss\u00edvel<\/h4>\n   \n<p>A arte postal \u00e9 um universo onde tudo \u00e9 permitido e onde, plagiando o slogan      do F\u00f3rum Social Mundial, \u0093um outro mundo \u00e9 poss\u00edvel\u0094. Encanta, justamente,      por permitir o livre tr\u00e2nsito de qualquer cidad\u00e3o do mundo, de tornar fact\u00edvel      um mundo sem fronteiras atrav\u00e9s da comunica\u00e7\u00e3o de pessoas culturalmente diferentes,      mas t\u00e3o pr\u00f3ximas nas id\u00e9ias. <\/p>\n   \n<p>O que importa aqui n\u00e3o \u00e9 a fama, n\u00e3o \u00e9 a arte enquanto produto lucrativo,      mas sim o que h\u00e1 de mais importante na express\u00e3o art\u00edstica: o comunicar, a      aproxima\u00e7\u00e3o de um ser humano a outro.<\/p>\n   \n<p>Com suas bases ancoradas na Eternal network de Filliou, a rede postal pode      ser considera uma comunidade ideal de artistas livres do individualismo e      da competi\u00e7\u00e3o, que incide diretamente na vida, abrindo uma nova era em que      o fluxo de trabalhos v\u00e1 do di\u00e1logo e interc\u00e2mbio a colabora\u00e7\u00e3o e ao trabalho      em equipe permitindo que se realizem trabalhos conjuntos \u0096 \u00e9 o que ilumina      e instiga os artistas postais a continuarem e aos novos a aderirem.<\/p>\n   \n<p>A arte postal rompe fronteiras e culturas e torna-se um ve\u00edculo social, pois      abre<\/p>\n   \n<p>[&#8230;] a possibilidade para cada um dos networkers de tecer uma rede personalizada      para desenvolver concretamente seus interesses y projetos pessoais, para encaminhar      um di\u00e1logo sobre una base igualit\u00e1ria com outros artistas distantes que vivem      em diferentes realidades s\u00f3cio-culturais. (Vittore Baroni, 1994)<\/p>\n   \n<h4>Caixa de supresas!<\/h4>\n   \n<p>A arte postal \u00e9 a campainha a tocar, um envelope ser entregue, sua abertura      e leitura ocorrer na intimidade do receptor, assim como o preparo da resposta,      ou a incorpora\u00e7\u00e3o na mensagem recebida de dados fornecidos pelo mesmo receptor,      que se torna tamb\u00e9m agente, com a devolu\u00e7\u00e3o da mensagem pelo correio [&#8230;]      \u00e9 certo ser essa uma forma criativa de comunica\u00e7\u00e3o apesar da dist\u00e2ncia [&#8230;]      a encher de novidades, fotos e brindes a nossa imagina\u00e7\u00e3o, idealizando-se      o interlocutor silencioso e distante. (Amaral, 1981:395)<\/p>\n   \n<p>A primeira vista, comparado aos telefones, fax, computadores e televis\u00f5es,      o sistema postal parece ser lento, inseguro, complicado, in\u00e1bil, incontrol\u00e1vel      e ineficiente. Por\u00e9m, estas imperfei\u00e7\u00f5es deixam espa\u00e7o para o jogo, para a      inven\u00e7\u00e3o, para a surpresa, ou seja, as qualidades que encantam os artistas      que realizam os interc\u00e2mbios. <\/p>\n   \n<p>Al\u00e9m disso, o fato de receber um pacote, de tocar o papel, de sentir as texturas      e odores, a dura\u00e7\u00e3o da espera da resposta, adiciona mist\u00e9rio na correspond\u00eancia      postal. Cada troca \u00e9 como abrir uma caixa de surpresa, que nos traz a inoc\u00eancia      e a magia infantil. \u00c9 brincar para tornar a vida menos mon\u00f3tona. Este \u00e9 o      grande m\u00e9rito da arte postal, ter conseguido algo que foi sempre perseguido      pelas vanguardas: unir arte e vida.<\/p>\n   \n<p>Esta uni\u00e3o faz da arte postal uma atitude, uma filosofia de vida, em que      as pessoas realmente envolvidas t\u00eam uma \u00e9tica quase religiosa. \u0093A maioria      das obras de arte postal se criam porque seus criadores cr\u00eaem que o trabalho      empregado nestas obras tem, de certo modo, um valor moral\u0094 (Held, 1990).<\/p>\n   \n<h4>Artistas postais: autodeglutidores<\/h4>\n   \n<p>A arte postal n\u00e3o quer ser consumida pela academia, nem pelos \u0093oficiais      da arte\u0094 (cr\u00edticos, sal\u00f5es, historiadores, etc.), quer sim ser consumida,      mastigada, deglutida e digerida pelos pr\u00f3prios artistas da rede. <\/p>\n   \n<p>Estes, na busca de se expressar, se comunicar, saber que h\u00e1 pares por todo      mundo, produzem arte postal. Sabem que n\u00e3o ser\u00e3o julgados. N\u00e3o ser\u00e3o exclu\u00eddos.      Sua arte ser\u00e1 recebida como um presente, um regalo, por algu\u00e9m que pode ou      n\u00e3o ter suas mesmas ansiedades, mas que acima de tudo \u00e9 um ser humano \u0096      como eu ou como voc\u00ea \u0096 e que por isso tamb\u00e9m precisa saber que n\u00e3o est\u00e1      sozinho nesta grande ilha chamada Terra.<\/p>\n   \n<p> Esta caracter\u00edstica de regalo \u00e9 definida por Broi (2000), como o \u0093princ\u00edpio      do obs\u00e9quio\u0094, no qual o que importa \u00e9 o impulso da generosidade e da      amizade incondicional. E, segundo este autor, \u00e9 neste princ\u00edpio que reside      o principal poder de atra\u00e7\u00e3o da arte postal.<\/p>\n   \n<p>A autodegluti\u00e7\u00e3o se ap\u00f3ia no fato desta manifesta\u00e7\u00e3o requerer um pleno envolvimento.      \u0093Para conhecer arte postal tem que se fazer arte postal\u0094(Held, 1990).      Est\u00e1 nas m\u00e3os do artista a produ\u00e7\u00e3o, a distribui\u00e7\u00e3o e o consumo desta arte.    <\/p>\n   \n<p>O seu valor n\u00e3o \u00e9 econ\u00f4mico, nem se encontra no objeto em si, ao contr\u00e1rio      o valor \u00e9 a troca, est\u00e1 no processo de interc\u00e2mbio. E \u0093o interc\u00e2mbio      est\u00e1 baseado na confian\u00e7a e cr\u00e9dito m\u00fatuo [&#8230;] De modo que o aspecto \u0091material\u0092      de receber uma resposta (em forma de um cat\u00e1logo, uma lista de endere\u00e7os ou      uma carta pessoal) \u00e9 especialmente importante por suas conseq\u00fc\u00eancias psicol\u00f3gicas      (e por isto pr\u00e1ticas): manter-se em comunica\u00e7\u00e3o\u0094 (Bleus, 2002). <\/p>\n   \n<p>Quando se participa da rede postal um v\u00ednculo emocional \u00e9 criado e o sentimento      de amizade d\u00e1 resist\u00eancia \u00e0 trama, que n\u00e3o ser\u00e1 rompida t\u00e3o facilmente devido      ao cont\u00ednuo ir e vir dos pontos da agulha.<\/p>\n   \n<h4>Vitalidade pulsante<\/h4>\n   \n<p>Hoje em dia, a arte postal n\u00e3o est\u00e1 mais vinculada exclusivamente ao sistema      postal oficial \u0096 entenda-se correios \u0096 mas h\u00e1 j\u00e1 a utiliza\u00e7\u00e3o do      fax e, principalmente da Internet. Esta, a seu modo e no momento exato, chegou      para manter a vitalidade da rede, pois ela conecta de maneira r\u00e1pida e bastante      democr\u00e1tica, tornando as informa\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas e estruturais acess\u00edveis a      um maior n\u00famero de interessados, bem como divulga com maior efic\u00e1cia os projetos      e convocat\u00f3rias desta manifesta\u00e7\u00e3o. <\/p>\n   \n<p>Al\u00e9m disso, h\u00e1 o aspecto multim\u00eddia que permeia esta produ\u00e7\u00e3o em rede e,      assim sendo, o meio virtual n\u00e3o poderia ficar de fora. A entrada destas tecnologias      na network marca a sua quinta fase.<\/p>\n   \n<p>Na era da famosa globaliza\u00e7\u00e3o e do t\u00e3o falado respeito \u00e0s diferen\u00e7as, a arte      postal vem atrav\u00e9s de todos seus caminhos de conex\u00e3o como uma proposta concreta      de uni\u00e3o, fraternidade e respeito.<\/p>\n   \n<p>Os artistas postais est\u00e3o preparando o terreno para a intera\u00e7\u00e3o mundial entre      nacionalidades desde uma base popular. Mais que a cria\u00e7\u00e3o de um mundo cultural,      a arte correio est\u00e1 demonstrando que o respeito por id\u00e9ias divergentes pode      ser um poderoso estratagema para a reconcilia\u00e7\u00e3o entre as diferen\u00e7as multinacionais      e que culturas espec\u00edficas podem interatuar para produzir \u0091situa\u00e7\u00f5es      abertas\u0092, em que cada representa\u00e7\u00e3o cultural pode contribuir de maneira      importante para o processo integrado de cria\u00e7\u00e3o. (Held, 1990).<\/p>\n   \n<h4>Considera\u00e7\u00f5es finais<\/h4>\n   \n<p>Este trabalho configura-se como uma pequena amostra das possibilidades que      a arte postal permite, afinal a cada dia novos caminhos s\u00e3o abertos e n\u00e3o      h\u00e1 como concentrar toda a sua abrang\u00eancia. Creio que o objetivo inicial de      fornecer um panorama hist\u00f3rico deste movimento foi atingido ao mesmo tempo      em que admito ter v\u00e1rios caminhos de pesquisa poss\u00edveis para um longo percurso.<\/p>\n   \n<p>O trajeto at\u00e9 aqui tra\u00e7ado s\u00f3 foi poss\u00edvel pela exist\u00eancia da Internet. Esta      foi uma ferramenta referencial fundamental, sem a qual este projeto n\u00e3o poderia      ser realizado uma vez que a bibliografia impressa \u00e9 bastante escassa no pa\u00eds.      Por\u00e9m, h\u00e1 que se ter cuidado! Esta ferramenta pode se tornar uma armadilha,      pois cada novo item descoberto vem acompanhado de in\u00fameras outras informa\u00e7\u00f5es,      o que acaba por acarretar no risco da perda do caminho original. Acredito      que \u0093ca\u00ed na rede\u0094, mas n\u00e3o fiquei presa em seu ardil\u0085<\/p>\n   \n<p>Espero que o meu principal objetivo tenha sido conquistado: que voc\u00ea leitor      tenha se apaixonado, come\u00e7ando no mesmo instante em que fecha o trabalho a      ter id\u00e9ias post\u00e1veis. CORRESPONDA-SE!!<\/p>\n   \n<h4>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/h4>\n   \n<p>ADES, D. Dad\u00e1 e Surrealismo. In: STANGOS, N (org.). Conceitos      da arte moderna. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1991.p.81-99.<\/p>\n   \n<p>ALLOWAY, L. Ray Johnson. 1977. In: http:\/\/www.artpool.hu\/Ray\/RJ_title.html,      dispon\u00edvel dia 13 de dezembro de 2002\/16:43h.<\/p>\n   \n<p>AMARAL, A. Bienal: primeiras impress\u00f5es (1980). In: ______. Arte      e meio art\u00edstico: entre a feijoada e o x-burguer. S\u00e3o Paulo: Nobel, 1983.      p. 391-96.<\/p>\n   \n<p>ARENAZAS, J. S. Circuitos Abiertos: el arte correo en la VII      Bienal de Poes\u00eda de Mexico. Revista Neural no. 03, It\u00e1lia: mar\u00e7o-abril, 1994.      In: http:\/\/www.vorticeargentina.com.ar\/escritos\/arte_correo_menu.htm, dispon\u00edvel      no dia 27 de novembro de 2001a\/16:15h.<\/p>\n   \n<p>ARGAN, G.C. Arte Moderna. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 1998.<\/p>\n   \n<p>ARGA\u00d1ARAZ, N. N. Mail art. In: http:\/\/www. concentric.net, dispon\u00edvel      no dia 22 de dezembro de 2002\/14:33h.<\/p>\n   \n<p>BACELLI, V. El futurismo postal. In: http:\/\/www.vorticeargentina.com.ar\/escritos\/arte_correo_menu.htm,      dispon\u00edvel no dia 27 de novembro de 2001\/17:15h.<\/p>\n   \n<p>BARONI, V. Greetings &amp; kisses or mail art and the critics,      a brief report on a difficult relationship. 1999. In: http:\/\/ www.newobservations.org\/issues\/126\/kisses\/kisses.html,      dispon\u00edvel dia 28 de dezembro de 2002\/16:42h.<br \/>\n     ______. Ray Johnson Remembered. Arte Postale!, 69, 1995. In: http:\/\/www.sapienza.it\/magam\/inglese\/library\/raymember.html,      dispon\u00edvel no dia 13 de dezembro de 2002\/17:06h.<br \/>\n     ______. Enter Networld: em principio era el mail art. Revista Neural, no.      3, mar\u00e7o-abril 1994. In: http:\/\/www.vorticeargentina.com.ar\/escritos\/arte_correo_menu.htm,      dispon\u00edvel no dia 27 de novembro de 2001\/20:36h.<\/p>\n   \n<p>BEIJA-P\u00c1L, K. Luther Blissett, a legend of global ignorance.      In: http:\/\/www.artpool.hu\/Ray\/RJ_title.html, dispon\u00edvel no dia 13 de dezembro      de 2002\/17:24h.<\/p>\n   \n<p>BLEUS, G. Una introducci\u00f3n sobre arte e intercambio. In:http:\/\/www.merzmail.net\/\/held.htm,      dispon\u00edvel no dia 28 de dezembro de 2002\/16:45h.<br \/>\n     ______. Informe administrativo sobre arte postal. In: http:\/\/www.vorticeargentina.com.ar\/escritos\/arte_correo_menu.htm,      dispon\u00edvel no dia 27 de novembro de 2001\/17:15h.<\/p>\n   \n<p>BLOCH, M. A Ilustrated Introduction to Ray Johnson (1927-1995).      1995. In: http:\/\/www.echonyc.com\/~panman\/Ray_Johnson.html, dispon\u00edvel no dia      13 de dezembro de 2002\/17:11h.<\/p>\n   \n<p>BOURDON, D. Cosmic Ray \u0096 A open letter to fouder of the      New York Correpondance School. 1995. In: http:\/\/www.artpool.hu\/Ray\/RJ_title.html,      dispon\u00edvel dia 13 de dezembro de 2002\/23:40h<\/p>\n   \n<p>BRADLEY, F. Surrealismo. S\u00e3o Paulo: Cosac &amp; Naify, 1999.<\/p>\n   \n<p>BROI, G. Mi trajectoria em arte correo. 2000. In: In: http:\/\/www.vorticeargentina.com.ar\/escritos\/arte_correo_menu.htm,      dispon\u00edvel no dia 27 de novembro de 2001\/21:21h.<\/p>\n   \n<p>CHIPP, H.B. Teorias da arte moderna. 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In: http:\/\/www.concentric.net\/~Lndb\/padin\/lcpma, dispon\u00edvel no      dia 23 de dezembro de 2002\/14:56h.<\/p>\n   \n<p>ART Market Information. In: http:\/\/web.artprice.com\/en\/ArtistSearch.aspx,      dispon\u00edvel no dia 15 de janeiro de 2003\/2:00h.<\/p>\n   \n<p>BARONI, V. Arte Postale! Historia. 1995. In: http:\/\/enea.sapienza.it\/mamgam\/inglese\/library\/postale.html,      dispon\u00edvel dia 28 de dezembro de 2002\/20:13h.<\/p>\n   \n<p>BLEUS, G. Iniciaci\u00f3n al arte-correo o arte postal. In: http:\/\/mailartzenon.3dup.net\/init.htm,      dispon\u00edvel dia 28 de dezembro de 2002\/19:48h.<br \/>\n     ______. A brief history of mail art.In: http:\/\/mosaic.echonyc.com\/~panman\/one\/history.html,      dispon\u00edvel dia 28 de dezembro de 2002\/20:11h.<\/p>\n   \n<p>BLOCH, M. Communities collage: mail art and Internet. In: http:\/\/www.newobservations.org\/issues\/126\/commcollage\/commcollage.html,      dispon\u00edvel no dia 28 de dezembro de 2002\/16:45h.<\/p>\n   \n<p>BLOM, I. Hiding in the woods. In: http:\/\/www.nutscape.com\/fluxus\/homepage\/ina1blom.html,      dispon\u00edvel no dia 26 de dezembro de 2002\/01:48h.<\/p>\n   \n<p>CAMPAL, J. L. Unas escuetas notas sobre eletrografia y copy art.In:      http:\/\/www.merzmail.net\/electrografia.htm, dispon\u00edvel dia 28 de dezembro de      2002\/16:56h.<br \/>\n     ______. Uma ojeada a las revistas ensabladas. In: http:\/\/www.merzmail.net\/campalrevista.htm,      dispon\u00edvel dia 28 de dezembro de 2002\/16:57h.<\/p>\n   \n<p>CIRLOT, L. Consideraciones en torno del mail-art. In: http:\/\/www.merzmail.net\/consideraciones.htm,      dispon\u00edvel dia 28 de dezembro de 2002\/16:48h.<\/p>\n   \n<p>CORROTO, M. Introduction. In: http:\/\/www.newobservations.org\/issues\/126\/artinemail\/artinemail.html,      dispon\u00edvel dia 28 de dezembro de 2002\/19:55h.<\/p>\n   \n<p>CURRICULUM Clemente Pad\u00edn. In: http:\/\/www.nuevaliteratura.com.ar\/padin1.htm,      dispon\u00edvel dia 21 de janeiro de 2003\/10:28h.<\/p>\n   \n<p>DELGADO, F. G. Carta abierta a la huelga de arte 2000-2001. Buenos      Aires: Vortice no. 17, setembro de 1999. In: http:\/\/www.vorticeargentina.com.ar\/escritos\/arte_correo_menu.htm,      dispon\u00edvel no dia 27 de novembro de 2001\/20:38h.<\/p>\n   \n<p>ELIOT, K.Manifesto no mas obras maestras. In:http:\/\/ www.merzmail.net\/plag.htm,      dispon\u00edvel dia 28 de dezembro de 2002\/16:50h.<\/p>\n   \n<p>ENCICLOP\u00c9DIA Ita\u00fa cultural. In: http:\/\/www.itaucultural.org.br,      dispon\u00edvel no dia 16 de janeiro de 2003\/15:13h.<\/p>\n   \n<p>ENCICLOP\u00c9DIA Verbo na Internet. In: http:\/\/www.editorialverbo.pt\/enciclopedia\/consulta.frame.html,      dispon\u00edvel no dia 15 de janeiro de 2003\/01:08h.<\/p>\n   \n<p>ENTREVISTA a C\u00e9sar Reglero. In: In: http:\/\/www.vorticeargentina.com.ar\/escritos\/arte_correo_menu.htm,      dispon\u00edvel no dia 27 de novembro de 2001\/20:34h.<\/p>\n   \n<p>ENTREVISTA com Clemente Pad\u00edn. Montevid\u00e9u: Revista Cafealaturca,      no. 5, 1998. In: http:\/\/www.cafealaturca.8m.com\/EntrevPADIN.htm, dispon\u00edvel      no dia 21 de janeiro de 2003\/10:26h.<\/p>\n   \n<p>ESPINOSA, C. Mail art: new process and new signification. In:      http:\/\/www.concentric.net\/~Lndb\/padin\/lcpma, dispon\u00edvel no dia 23 de dezembro      de 2002\/14:52h.<\/p>\n   \n<p>FRIEDMAN, K. Getting into events. Publicado em Fluxus PerformanceWorkbook.      Trondheim, 1990: El Djarida In: http:\/\/www.nutscape.com\/fluxus\/homepage\/n2events.html,      dispon\u00edvel no dia 26 de dezembro de 2002\/01:44h.<\/p>\n   \n<p>G\u00d3MEZ, A. Poemas por correo. In:http:\/\/ www.merzmail.net\/poemas.htm,      dispon\u00edvel dia 28 de dezembro de 2002\/16:58h.<\/p>\n   \n<p>HON\u00d3RIA. Honoria\u0092s life as a mail artist.In: In: http:\/\/www.newobservations.org\/issues\/126\/honoria\/honoria.html,      dispon\u00edvel no dia 28 de dezembro de 2002\/20:09h.<\/p>\n   \n<p>HULTBERG, T. Fluxus. 1993 In: http:\/\/cadre.sjsu.edu\/switch\/sound\/articles\/wendt\/ng2.htm,      dispon\u00edvel no dia 26 de dezembro de 2002\/01:59h<\/p>\n   \n<p>JUV\u00c9, M. Mostra de tramesa postal. 1995. In: http:\/\/www.merzmail.net\/penedes.htm      dispon\u00edvel dia 28 de dezembro de 2002\/16:54h.<\/p>\n   \n<p>MIKUERPO, Industrias. Documento de adhesi\u00f3n a la huelga de arte.      In: http:\/\/www.vorticeargentina.com.ar\/escritos\/arte_correo_menu.htm, dispon\u00edvel      no dia 27 de novembro de 2001\/20:40h.<\/p>\n   \n<p>MUSICMASTER. Reedeming the post Office. In: http:\/\/www.newobservations.org\/issues\/126\/redeeming\/redeeming.html,      dispon\u00edvel no dia 28 de dezembro de 2002\/20:04h.<\/p>\n   \n<p>NOVA Enciclop\u00e9dia Ilustrada Folha.v. 1 e 2. S\u00e3o Paulo: Empresa      Folha da Manh\u00e3, 1996.<\/p>\n   \n<p>NORDO, G. For fluxus: no title. In:http:\/\/ www.nutscape.com\/fluxus\/homepage\/g_nordo.html,      dispon\u00edvel no dia 26 de dezembro de 2002\/01:50h.<\/p>\n   \n<p>PAD\u00cdN,C. My vacations in freedom. In:http:\/\/ www.newobservations.org\/issues\/126\/vacation\/vacation.html,      dispon\u00edvel no dia 28 de dezembro de 2002\/20:06h.<br \/>\n     ______. El arte correo em la encrucijada. Montevid\u00e9u, 2001.In: http:\/\/www.vorticeargentina.com.ar\/escritos\/arte_correo_menu.htm,      dispon\u00edvel no dia 27 de novembro de 2001\/20:24h.<br \/>\n     ______. El arte correo a fines de siglo. Montevideu, 1999a. In: http:\/\/www.vorticeargentina.com.ar\/escritos\/arte_correo_menu.htm,      dispon\u00edvel no dia 27 de novembro de 2001\/20:22h.<br \/>\n     ______. El arte correo y el networking, hoy d\u00eda&#8230; Montevideu, 1999b. In:      http:\/\/www.vorticeargentina.com.ar\/escritos\/arte_correo_menu.htm, dispon\u00edvel      no dia 27 de novembro de 2001\/20:25h.<br \/>\n     ______. Las tendencias de arte correo que desearia el Sr. Jensen. Montevideu,      1999c. In: http:\/\/www.vorticeargentina.com.ar\/escritos\/arte_correo_menu.htm,      dispon\u00edvel no dia 27 de novembro de 2001\/20:32h.<br \/>\n     ______.Mail art in Latin America \u0096 part one. 1997. In: http:\/\/www.concentric.net\/~Lndb\/padin\/lcpma,      dispon\u00edvel no dia 23 de dezembro de 2002\/14:34h.<br \/>\n     ______. Arte postal en Latinoamerica. Malm\u00f6, Su\u00e9cia; revista Del Sur, no \u00be,      1985. In: http:\/\/www.vorticeargentina.com.ar\/escritos\/arte_correo_menu.htm,      dispon\u00edvel no dia 27 de novembro de 2001\/20:19 h.<\/p>\n   \n<p>PAWSON, M. Growing up in the post or raised by mailartists. In:      http:\/\/www.newobservations.org\/issues\/126\/growingup\/growingup.html, dispon\u00edvel      no dia 28 de dezembro de 2002\/20:02h.<\/p>\n   \n<p>PHILLPOT, C. Correspondance and the collapse of communism. In:      http:\/\/www.newobservations.org\/issues\/126\/communism\/communism.html, dispon\u00edvel      no dia 13 de dezembro de 2002\/17:26h.<\/p>\n   \n<p>PICUS-WITTEN, R. About Ray Johnson. 1977. In:http:\/\/www.artpool.hu\/Ray\/RJ_title.html,      dispon\u00edvel no dia 13 de dezembro de 2002\/17:17h.<\/p>\n   \n<p>PONTES, H. Xerograf\u00eda \u0096 un recurso postal. In: http:\/\/www.merzmail.net\/hugo.htm,      dispon\u00edvel dia 28 de dezembro de 2002\/16:55h.<\/p>\n   \n<p>TARTARUGO.Notas sobre mail art.Lisboa: revista Bicicleta no.5,      2000. In: http:\/\/www.terra.es\/personal3\/tartarug\/cdc\/cdc005.htm, dispon\u00edvel      no dia 28 de dezembro de 2002\/19:53h.<\/p>\n   \n<p>VAUTIER, B. What is Fluxus? In: http:\/\/www.esf.ch\/ben\/fluxus.html,      dispon\u00edvel no dia 26 de dezembro de 2002\/01:31h.<\/p>\n   \n<p>WELCH, C.(Crackerjak Kid). Debate sobre mail art. 2000. In: In:      http:\/\/www.vorticeargentina.com.ar\/escritos\/arte_correo_menu.htm, dispon\u00edvel      no dia 27 de novembro de 2001\/20:28h.<\/p>\n   \n<p>WOOD, R. The art in the (E)-mail. In: http:\/\/www.newobservations.org\/issues\/126\/artinemail\/artinemail.html,      dispon\u00edvel dia 28 de dezembro de 2002\/19:48h.<\/p>\n   \n<p>ZABALA, H.; VIGO, E.A. Mail art: new expression form.http:\/\/      www.concentric.net\/~Lndb\/padin\/lcpma, dispon\u00edvel no dia 23 de dezembro de      2002\/14:54h.<br \/>\n     ZANINI, W. Mail Art in Latin Am\u00e9rica \u0096 part two. In: http:\/\/www.concentric.net\/~Lndb\/padin\/lcpma,      dispon\u00edvel no dia 23 de dezembro de 2002\/14:47h.<\/p>\n   \n<p><strong>Fabiane Pianowski<\/strong><\/p>\n   \n<p>Fonte: www.merzmail.net<\/p>\n   \n<h6>Arte Postal<\/h6>\n   \n<p>Nota introdut\u00f3ria: escrevi este texto para a apresenta\u00e7\u00e3o de uma exposi\u00e7\u00e3o      de Arte Postal que realizamos no Museu dos Correios, a convite da muse\u00f3loga      Lais Scuoto, no final da d\u00e9cada de 80. Vai exatamente como era, sem retoques.<br \/>\n<br \/>\n     O fen\u00f4meno da arte postal -&#8220;mail art\u0094 &#8211; parece responder \u00e0 necessidade      de abertura da atividade art\u00edstica para um movimento participativo amplo,      aberto e inter-pessoal, onde os servi\u00e7os postais funcionam como meio apropriado      (isto e, no sentido literal do termo).<br \/>\n<br \/>\n     \u0093Atividade de clara mobiliza\u00e7\u00e3o internacional, marcada pelo quantitativismo,      com a din\u00e2mica de seus gestos-signos e roais raramente com seus objetos-signos,      a Arte Postal espraiou-se num espectro extremamente vasto de conte\u00fados, utilizando      todo e qualquer ve\u00edculo de comunica\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel na sociedade de consumo.    <\/p>\n   \n<p>Se esse conglomerado an\u00e1rquico de mensagens irreverentes transtorna , \u00ea porque      a civiliza\u00e7\u00e3o esta transtornada&#8217;, observa Walter Zanini (2), Curador Geral      da XVI Bienal de S\u00e3o Paulo (1981), organizador da grande mostra de Arte Postal      durante a referida Bienal.<br \/>\n<br \/>\n     &#8220;A ARTE CORREIO &#8211; Mail Art -, Arte por correspond\u00eancia, Arte \u00e0 Domic\u00edlio      ou qualquer outra denomina\u00e7\u00e3o que receba n\u00e3o \u00e9 mais um &#8220;ismo&#8221; e      sim a sa\u00edda mais vi\u00e1vel que existia para a arte nos \u00faltimos anos e as raz\u00f5es      s\u00e3o simples: anti-burguesa, anti-comercial, anti-sistema, etc.&#8221; acredita      Paulo Bruscky (1).<br \/>\n<br \/>\n     A arte postal instaura a anarquia no processo produtor de arte, \u00e0 margem do      mercado impositor de consumo do objeto art\u00edstico como propriedade socializada,      acumulativa e especulativa. A arte postal n\u00e3o \u00e9 vendida pelo artista, \u00e9 &#8220;disseminada&#8221;      de maneira desordenada, espont\u00e2nea, como manifesta\u00e7\u00e3o de protesto, de sinal      de vida, de mensagem pol\u00edtica, ideol\u00f3gica, individualista ou coletivista.<\/p>\n   \n<p> \u00c9 a arte em movimento, mais que movimento art\u00edstico, apesar de que a arte      postal, como os demais movimentos art\u00edsticos, tamb\u00e9m tem os seus ide\u00f3logos,      seus manifestos, suas exposi\u00e7\u00f5es, seus te\u00f3ricos e cr\u00edticos e at\u00e9&#8230; comercializa\u00e7\u00e3o!<br \/>\n<br \/>\n     Produto artesanal, em princ\u00edpio descart\u00e1vel, instant\u00e2neo, n\u00e3o-colecion\u00e2vel,      esgotando-se no ato de mandar e receber uma mensagem, a arte postal aos poucos      se institucionaliza, se regula por normas ditadas pela moda, pela lideran\u00e7a      dos grupos de criadores mais ativos, respons\u00e1veis (espont\u00e2neos) pela defini\u00e7\u00e3o      de seus dogmas, suas formas e modalidades.<br \/>\n<br \/>\n     &#8220;A obra foi criada para ser enviada pelo correio e este fato condiciona      a sua cria\u00e7\u00e3o &#8211; dimens\u00f5es, franquia, peso, natureza da mensagem, etc\u0094,      afirma Bruscky (l)<br \/>\n<br \/>\n     A princ\u00edpio, um gesto clandestino; aos poucos a &#8220;mail art&#8221; salta      para as colunas dos jornais, para as galerias de arte. E nem \u00e9 coisa nova.    <\/p>\n   \n<p>Os &#8220;dadaistas&#8221;, no in\u00edcio do s\u00e9culo, em sua a\u00e7\u00e3o demolidora da      arte novecentista de cavalete e de parede, j\u00e1 preconizavam uma arte desmistificada,      aberta e m\u00faltipla, fora dos &#8220;ismos e da cronologia dos estilos art\u00edsticos.    <\/p>\n   \n<p>Os &#8220;futuristas&#8221; italianos do in\u00edcio da d\u00e9cada de 1910 e do p\u00f3s-guerra      j\u00e1 efetuavam correntemente a &#8220;arte postal\u0094 como express\u00e3o art\u00edstica,      como atesta a pesquisa de Giovanni Lista(3), em sua obra &#8220;L&#8217;art postal      futuriste&#8221;. <\/p>\n   \n<p>Os seguidores de Marinetti, sobretudo Balla e o pr\u00f3prio Movimento Futurista,      nos anos 20, j\u00e1 editavam &#8220;Cartolinas futuristas&#8221; e elaboravam cart\u00f5es-postais      &#8220;mail art&#8221; nos mesmos moldes dos atuais, ou seja, com &#8220;collages&#8221;,      a xilogravura, a serigrafia, aplica\u00e7\u00e3o de selos usados, &#8220;interven\u00e7\u00f5es&#8221;      ou &#8220;desenha\u00e7\u00e3o&#8221; (&#8220;cartas manipuladas&#8221;) sobre cart\u00f5es comerciais,      transformando-os em pe\u00e7as \u00fanicas, geralmente circuladas pelo correio.<br \/>\n<br \/>\n     \u00c9 atribu\u00eddo a Marcel Duchamp, o genial artista franc\u00eas &#8211; at\u00e9 que alguma descoberta      revele outro pioneiro -, a cria\u00e7\u00e3o da Arte Postal, por ter enviado, em 6 de      fevereiro de 1916, um texto dalilogratado sobre quatro cart\u00f5es postais pegados      borda com borda (1).<br \/>\n<br \/>\n     Apollinaire e Mallarm\u00e9, dois poetas caligram\u00e1ticos, tamb\u00e9m produziram cart\u00f5es-postais      enigm\u00e1ticos, err\u00e1ticos, para serem decifrados pelos funcion\u00e1rios do correio      antes de serem entregues aos destinat\u00e1rios.<br \/>\n<br \/>\n     &#8220;Entre os m\u00faltiplos meios concebidos como extens\u00f5es da arte e do artista,      a Mail Art \u00e9 uma estrutura espa\u00e7o-temporal complexa que absorve e veicula      qualquer tipo de informa\u00e7\u00e3o ou objeto, que penetra e se dilui no seu fluxo      comunicacional, gerando confus\u00e3o sobre o que \u00e9 e o que n\u00e3o \u00e9 Mail Art&#8221;,      observa J\u00falio Plaza(2). <\/p>\n   \n<p>&#8220;Entretanto, n\u00e3o interessa aqui definir o que \u00e9 e n\u00e3o e Mail Art, pois      nesse tipo de arte predomina o esp\u00edrito de mistura de meios e de linguagens      e o jogo \u00e9 precisamente invadir outros espa\u00e7o-tempo&#8221;. E conclui: &#8220;O      artista da Mail Art, ent\u00e3o, tem a seu dispor o mundo da informa\u00e7\u00e3o, interagindo      dentro dele, criando e recriando&#8221;.<\/p>\n   \n<p>O artista &#8220;mailarista\u0094 desmaterializa a arte, despojando-a de seu      aparatus, de sua intencionalidade de objeto, de sua durabilidade, bastando-se      com a sua fun\u00e7\u00e3o documental, informacio\u00efial, inter-pessoal, comunicativa.      Parafraseando Vinicius de Moraes, a arte postal \u00e9 eterna enquanto comunica.<\/p>\n   \n<p> No entanto, por detr\u00e1s desta informalidade, \u00e9 poss\u00edvel at\u00e9 que ela se materialize,      transcenda, se converta em objeto colecion\u00e1vel, em produto comercializ\u00e1vel      por terceiros&#8230; Afinal, quanto custaria hoje, em um leil\u00e3o de arte, um \u0093despretensioso&#8221;      cart\u00e3o-postal elaborado por Balla e enviado a Michel Seuphor, circulado pelo      correio em 1926?<br \/>\n<br \/>\n     &#8220;Com esses elementos, a Mail Art cria um circuito dentro do sistema da      arte, ampliando-o, mas n\u00e3o sem contradi\u00e7\u00f5es, uma delas \u00e9 sua penetra\u00e7\u00e3o e      apropria\u00e7\u00e3o por outros circuitos, mesmo institucionais. <\/p>\n   \n<p>\u00c9 claro que n\u00e3o \u00e9 da natureza de Mail Art entrar em ritmo de exposi\u00e7\u00e3o para      o grande publico: quando isto ocorre a Mail Art se satura na experi\u00eancia do      macrogrupo e a informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o e vista de uma forma fragment\u00e1ria, mas em simultaneidade\u0094      (2).<br \/>\n<br \/>\n     O com\u00e9rcio da arte se apropria do objeto art\u00edstico e se instaura como parte      indissoci\u00e1vel do fen\u00f4meno da exist\u00eancia da pr\u00f3pria atividade art\u00edstica, como      seu suced\u00e2neo natural. O colecionismo tamb\u00e9m se imp\u00f5e na medida em que a arte      postal se materializa em pe\u00e7as de interesse art\u00edstico, cultural, informativo,      documental, nos limites da historiografia da arte, da cartofilia e da pr\u00f3pria      filatelia.<br \/>\n<br \/>\n     Julio Plaza \u00ea de opini\u00e3o que Arte Postal &#8220;n\u00e3o projeta a arte para o futuro,      mas para o presente, e quase sempre para o eixo da hist\u00f3ria&#8221;, esp\u00e9cie      da &#8220;arte do aqui-agora&#8221;, assertiva verdadeira at\u00e9 o ponto em que      o artista-criador visa apenas o processo comunicativo, mas falsa na medida      em que a pe\u00e7a criada pelo artista &#8220;mailarista&#8221; acaba na parede da      galeria de arte, na cole\u00e7\u00e3o do cartofilista ou como rel\u00edquia da hist\u00f3ria postal&#8230;<br \/>\n<br \/>\n     Para Ulisis Carri\u00f3n, l\u00edder do Erratl Art Mail Intemational System, &#8220;a      Arte Postal usa o correio como suporte, assim como as outras formas usam tela,      papel, ferro e madeira&#8221; (2). Em verdade, a Mail Art usa papel e cola,      tinta ou recortes, isto \u00e9, os suportes mais convencionais de qualquer artista      e o correio se imp\u00f5e como via de comunica\u00e7\u00e3o. <\/p>\n   \n<p>Em vez da parede do museu, dos espa\u00e7os criados para as exibi\u00e7\u00f5es, o artista      &#8220;mailarista&#8221; se comunica com o seu publico por via postal, diretamente,      sem interlocutores, n\u00e3o raras vezes esperando (e recebendo) resposta, em cadeia,      em um exerc\u00edcio l\u00fadico.<br \/>\n<br \/>\n     Carri\u00f3n se pergunta de que maneira o adjetivo postal modifica o substantivo      arte e n\u00e3o d\u00e1 uma resposta cabal, Ele acaba achando mais importante saber      se e poss\u00edvel verdadeiramente fazer arte atrav\u00e9s da Arte Postal. <\/p>\n   \n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o oferece uma resposta plaus\u00edvel mas deixa entender que depende      mesmo da capacidade\/habilidade do criador, na composi\u00e7\u00e3o harm\u00f4nica de suas      pe\u00e7as, que ser\u00e3o enviadas pelo correio. <\/p>\n   \n<p>Sem querer, sugere que, como toda obra de arte, o artista &#8220;mailarista&#8221;,      ao fim e ao cabo, deve ter talento (caso contr\u00e1rio, n\u00e3o ter\u00e1 resposta de suas      tentativas de trocas de mensagens, nem o seu trabalho ser\u00e1 reconhecido e guardado.<br \/>\n<br \/>\n     Em s\u00edntese, s\u00f3 \u00e9 arte postal porque \u00e9, em ultima inst\u00e2ncia, uma pe\u00e7a art\u00edstica;      e s\u00f3 \u00e9 postal porque efetivamente circulou pelo correio.*<\/p>\n   \n<h4>BIBLIOGRAFIA<\/h4>\n   \n<p>1. BRUSCKY, Paulo. Arte Correio- Hoje a arte \u00ea este comunicado.      Jornal Raiz, Aracaju, fev. 87. p. 9-10.<br \/>\n<br \/>\n     2. CAT\u00c1LOGO DE ARTE POSTAL. XVI BIENAL DE S\u00c3O PAULO, 16 de outubro a 20 de      dezembro de 1981. S\u00e3o Paulo, 1981. Vol. II. 136 p.ilus,\u00a0<br \/>\n<br \/>\n     3. LISTA, Giovanni. L&#8217;art postal futuriste. Paris, \u00c9ditions Jean-Michel Place.      1979. 77 p. ilus.<\/p>\n   \n<p><strong>Antonio Miranda<\/strong><\/p>\n   \n<p>Fonte: www.antoniomiranda.com.br<\/p>\n   \n<h6>Arte Postal<\/h6>\n   \n<p><strong>Arte Postal\u00a0<\/strong>\u00e9 uma tend\u00eancia alternativa de arte,      onde o objetivo maior \u00e9 a comunica\u00e7\u00e3o entre redes de artistas por meio do      interc\u00e2mbio de propostas criativas. Esta comunica\u00e7\u00e3o se d\u00e1 atrav\u00e9s do sistema      postal convencional ou eletr\u00f4nico. <\/p>\n   \n<p>\u00c9 um fen\u00f4meno complexo e extremamente abrangente, onde se incluem t\u00e9cnicas      e suportes dos mais diversos: postais, adesivos, poesia visual, livros de      artistas, selos, fax, v\u00eddeo, etc.<\/p>\n   \n<p>J\u00e1 no in\u00edcio do s\u00e9culo ocorriam fatos que influenciaram no surgimento da      arte postal. Movimentos como o Dada\u00edsmo, Futurismo, Bauhaus e o Surrealismo      propunham a ruptura com a tradi\u00e7\u00e3o art\u00edstica e j\u00e1 naquela \u00e9poca se utilizavam      do meio postal para divulga\u00e7\u00e3o de suas id\u00e9ias. Al\u00e9m disto os avan\u00e7os no servi\u00e7o      postal, permitiram o funcionamento a n\u00edvel mundial dos correios.<\/p>\n   \n<p>Por\u00e9m costuma-se atribuir seu in\u00edcio a Ray Johnson (1927-95), artista da      colagem e tido como pai da arte postal. Nos anos 50 ele come\u00e7ou a enviar desenhos      e trabalhos gr\u00e1ficos para artistas e celebridades, alguns com instru\u00e7\u00f5es para      que os mesmos fossem continuados e devolvidos a ele (&#8220;Add and Pass&#8221;      ou &#8220;Add, Alter and Return\u0094). <\/p>\n   \n<p>Em 1962 essa rede de troca de trabalhos se transformou na New York Correspondance      School, com refer\u00eancia a cursos de arte e de dan\u00e7a por correspond\u00eancia.<\/p>\n   \n<p>Nos anos 60 esta troca de informa\u00e7\u00f5es atrav\u00e9s do meio postal apresenta-se      como uma alternativa diante dos questionamentos com rela\u00e7\u00e3o ao consumo de      arte e monop\u00f3lio dos meios de divulga\u00e7\u00e3o vigentes, passando a ser intensamente      utilizado e n\u00e3o se restringindo aos artistas americanos, mas envolvendo a      Europa Ocidental e Oriental, Canad\u00e1 e Ameria Latina. Nos anos 70 o termo Arte      Postal \/ Mail Art passa a ser reconhecido.<\/p>\n   \n<p>As primeiras manifesta\u00e7\u00f5es na Am\u00e9rica do Sul aconteceram em meados dos anos      60. Na Argentina, Eduardo Ant\u00f4nio Vigo editava a revista \u0093Diagonal Cero\u0094,      a &#8220;Hex\u00e1gono 70\u0094 e posteriormente &#8220;Nuestro Libro Internacional      de Estampillas y Matasellos&#8221;, o Uruguaio Clemente Pad\u00edn a \u0093Los Huevos      de Plata\u0094 e \u0093Ovum\u0094, o chileno Guilhermo Deisler a \u0093Ediciones      Minbre\u0094 e o poeta chileno D\u00e1maso Ogaz dirigia na Venezuela a revista      \u0093la Pata de Palo\u0094. <\/p>\n   \n<p>Estes grandes nomes iniciavam intenso interc\u00e2mbio postal atrav\u00e9s de suas      publica\u00e7\u00f5es. E em 1970 no Brasil, Pedro Lyra publica um manifesto de Arte      Postal.\/font&gt;<\/p>\n   \n<p>Em 1974, em Montevid\u00e9u, acontece a primeira exposi\u00e7\u00e3o documentada de Arte      Postal da Am\u00e9rica Latina \u0096 \u0093Festival de la Postal Creativa\u0094.      A partir da\u00ed o movimento se dinamiza acontecendo mostras como &#8220;\u00daltima      Exposici\u00f3n Internacional de Arte Postal&#8221; realizada por Eduardo Antonio      Vigo e Horacio Zabala, em la Plata, 1975, e, no mesmo ano, no Brasil, a &#8220;Primeira      Exposi\u00e7\u00e3o Internacional de Arte Postal&#8221; organizado por Paulo Brucksy      e Ypiranga Filho em Recife, Pernambuco.<\/p>\n   \n<p>Durante o per\u00edodo das ditaduras a Arte Postal cumpre o papel de den\u00fancia      e explica\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o internacional. Por conta disto muitos dos seus expoentes      foram perseguidos, presos e exilados\/p&gt;<\/p>\n   \n<p>A partir dos anos 80 o movimento se revigora com o nascimento de associa\u00e7\u00f5es      e grupos e ainda com a realiza\u00e7\u00e3o de in\u00fameras exposi\u00e7\u00f5es em pa\u00edses como o      Uruguai, Argentina, Cuba, Brasil e outros mantendo seu car\u00e1ter de den\u00fancia      pol\u00edtica e social.<\/p>\n   \n<p>Atualmente as mostras ocorrem nos mais distintos pa\u00edses e existem museus      dedicados \u00e0 Arte Postal na It\u00e1lia e Su\u00e9cia.<\/p>\n   \n<p>Este movimento se caracteriza fundamentalmente pela liberdade de express\u00e3o      e pelo conceito de comunica\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se destinando ao consumo (apesar de in\u00fameras      discuss\u00f5es neste sentido). N\u00e3o h\u00e1 sele\u00e7\u00e3o ou jurados. <\/p>\n   \n<p>As convocat\u00f3rias s\u00e3o divulgadas atrav\u00e9s das redes de artistas e o convocante      se compromete a exibir os trabalhos e a fornecer documenta\u00e7\u00e3o adequada. As      exposi\u00e7\u00f5es podem ser tem\u00e1ticas ou n\u00e3o e a t\u00e9cnica a ser utilizada \u00e9 livre.      \u00c9 estabelecida uma data para entrega dos trabalhos e em alguns casos as dimens\u00f5es.<\/p>\n   \n<p>Apesar da exist\u00eancia de algumas mostrar organizadas por institui\u00e7\u00f5es que      definem regras, a Arte Postal ainda \u00e9 uma forma poss\u00edvel dos artistas se manifestarem      com total liberdade sem as amarras impostas pelo mercantilismo ou por tend\u00eancias      art\u00edsticas dominantes nos circuitos oficiais.<\/p>\n   \n<p>Fonte: almendares.com.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Arte Postal, Caracter\u00edsticas, O que \u00e9, Artistas, Selos, Filatelista, Mail Art, Obras, Estilo, Arte Postal<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4551,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[],"class_list":["post-19401","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-arte-2"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - 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