{"id":19383,"date":"2015-11-30T00:00:00","date_gmt":"2015-11-30T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/arquitetura-brutalista-3\/"},"modified":"2026-09-01T15:22:14","modified_gmt":"2026-09-01T15:22:14","slug":"arquitetura-brutalista-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/arte-2\/arquitetura-brutalista-3\/","title":{"rendered":"Arquitetura Brutalista"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"ads-cima\"><\/p>\n&nbsp;\n\n<strong>Arquitetura Brutalista<\/strong> \u00e9 um movimento na arquitetura que floresceu a partir da d\u00e9cada de 1950 at\u00e9 meados dos anos 1970, descendo da arquitetura modernista movimento do in\u00edcio do s\u00e9culo 20.\n\n<strong>Brutalismo<\/strong> \u00e9 um estilo com \u00eanfase em materiais, texturas e constru\u00e7\u00e3o, produzindo formas altamente expressivos.\n<h4>Arquitetura Brutalista &#8211; Movimento<\/h4>\n<strong>1953-1973 <\/strong>\n<p class=\"imagem\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Arquitetura Brutalista\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/arquit4.jpg\" alt=\"Arquitetura Brutalista\" width=\"292\" height=\"398\" \/>\nArquitetura Brutalista<\/strong><\/p>\n<strong>Brutalista<\/strong> \u00e9 o nome dado a arquitetura cujas estruturas s\u00e3o deixadas \u00e0 mostra como elemento importante de express\u00e3o pl\u00e1stica e t\u00e9cnica (verdade estrutural), \u00e9 feita explorando-se a potencialidade e plasticidade do concreto armado sempre aparente.\n\nNo Brasil seu apogeu deu-se a partir dos anos 50 e Jo\u00e3o Vilanova Artigas foi seu grande representante e mentor do movimento conhecido como Escola Paulista.\n<h4>O que \u00e9 brutalismo?<\/h4>\n<strong>Brutalismo<\/strong> \u00e9 um termo aplicado a uma escola de arquitetura modernista, que come\u00e7ou na d\u00e9cada de 1950, mas cuja influ\u00eancia continua at\u00e9 hoje.\n\nTipificando a arquitetura de 1970, que \u00e9 descrito como &#8220;geom\u00e9trico, maci\u00e7o, monol\u00edtica e blocos&#8221; e \u00e9 caracterizado pelo uso de concreto armado e moldados na sua constru\u00e7\u00e3o.\n\n<strong>Estilo brutalista<\/strong>, muitas vezes associada com a arquitetura socialista e Sovi\u00e9tica, foi popularizado pelo arquiteto Reyner Banham em seus escritos. Ele tem muitos cr\u00edticos que acreditam que brutalismo ser feio e n\u00e3o condiz do contexto hist\u00f3rico.\n\nEm uma era p\u00f3s-guerra, brutalismo era popular por sua capacidade de comunicar for\u00e7a, funcionalidade e constru\u00e7\u00e3o econ\u00f4mico e sua filosofia subjacente de inclus\u00e3o e igualdade tornou ideal para os grandes projetos de constru\u00e7\u00e3o p\u00fablicas e educativas, embora raramente em edif\u00edcios corporativos, onde a associa\u00e7\u00e3o com o socialismo foi , naquele tempo, considerado em uma luz negativa.\n<h4>Arquitetura Brutalista &#8211; Per\u00edodo<\/h4>\nOs anos 60 e in\u00edcio dos anos 70, foi um per\u00edodo que foi marcado pela decad\u00eancia econ\u00f3mica e social em muitos pa\u00edses (provocada pela crise do petr\u00f3leo).\n\nMuitos governos virou-se para a constru\u00e7\u00e3o de edif\u00edcios para servi\u00e7os pesados ??que seria f\u00e1cil de manter, relativamente barata de construir e ainda fornecer uma forte met\u00e1fora nacionalista.\n\nCom o final da 2\u00aa Guerra Mundial, o que sobrou foi um cen\u00e1rio de destrui\u00e7\u00e3o e devasta\u00e7\u00e3o pelas cidades. Com esse fato a arquitetura precisava se reerguer e criar um novo estilo para a \u00e9poca. Tal estilo veio a se tornar uma das tend\u00eancias arquitet\u00f4nicas mais marcantes do p\u00f3s-guerra.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Arquitetura Brutalista\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/arquit3.jpg\" alt=\"Arquitetura Brutalista\" width=\"405\" height=\"305\" \/><strong>\nMuseu de Arte de S\u00e3o Paulo, projeto da Arquiteta Lina Bo Bardi<\/strong><\/p>\nArquitetura Brutalista, como era conhecido esse novo estilo, foi de grande influ\u00eancia em varias obras at\u00e9 o final de 1970. Seu marco inicial foi o projeto de Le Corbusier chamado Unit\u00e9s d\u0092Habitation em Marselha.\n\nO estilo brutalista era representado de maneiras diferentes em cada regi\u00e3o ou pa\u00eds. Apesar das obras possu\u00edrem caracter\u00edsticas \u00e9tnicas e caracter\u00edsticas locais diferentes, mantinham semelhan\u00e7as entre si.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Arquitetura Brutalista\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/arquit2.jpg\" alt=\"Arquitetura Brutalista\" width=\"340\" height=\"253\" \/><\/p>\nO principal conceito desse estilo era chamado de \u0093verdade estrutural\u0094, onde os aspectos estruturais como pilar e viga, ficariam expostos, o concreto armado seria aparente, fazendo com que a parte estrutural definisse o contorno e a beleza est\u00e9tica da obra.\n\nNo Brasil esse novo estilo teve sua maior influ\u00eancia na cidade de S\u00e3o Paulo, onde se desenvolveu \u0093a escola paulista\u0094, usando como base os conceitos do estilo brutalista.\n\n<strong>Em nosso pa\u00eds, v\u00e1rios arquitetos aderiram a tal estilo, sendo os mais conhecidos:<\/strong>\n<blockquote>Lina Bo Bardi;\nPaulo Mendes da Rocha;\nJo\u00e3o Batista Vilanova Artigas.<\/blockquote>\nHoje a\u00a0<strong>Arquitetura Brutalista<\/strong>, \u00e9 muito estudada e traz grande contribui\u00e7\u00e3o para o ensino da arquitetura contempor\u00e2nea.\n<h4>Conceito<\/h4>\nA ideia dos brutalistas era que a \u0093verdade estrutural\u0094 dos edif\u00edcios n\u00e3o podia ser escondida. Assim sendo as vigas, pilares e outros aspectos estruturais da constru\u00e7\u00e3o deveriam ficar expostos, sendo eles os verdadeiros respons\u00e1veis pela beleza est\u00e9tica da obra.\n\nObras com essas tend\u00eancias podem ser vistas em diversas partes do mundo sendo que conservam not\u00e1veis semelhan\u00e7as entre si mas ainda assim tem suas diferencia\u00e7\u00f5es em aspectos caracter\u00edsticos, \u00e9tnicos e locais.\n<h4>No Mundo<\/h4>\nO brutalismo ingl\u00eas, tamb\u00e9m chamado de New Brutalism \u00e9 com certeza o mais difundido no mundo em fun\u00e7\u00e3o da ampla divulga\u00e7\u00e3o da obra de Reyner Banham. No entanto isto n\u00e3o coloca a Inglaterra como vanguarda deste movimento, sendo que ele se desenvolveu concomitantemente em diversas partes do mundo.\n\nN\u00e3o h\u00e1 no brutalismo um grau de hierarquia, todos os pa\u00edses e arquitetos que seguiram essa corrente acabaram por desenvolver express\u00f5es e conceitos semelhantes, havendo sim, grande di\u00e1logo de contribui\u00e7\u00e3o, colocando todos lado a lado no desenvolvimento daquela que era, naquele momento, uma nova linguagem arquitet\u00f4nica que falava \u00e0 realidade do momento.\n<h4>No Brasil<\/h4>\n<strong>A arquitetura brutalista no Brasil foi essencialmente importante na cidade de S\u00e3o Paulo, e muitos arquitetos pertencentes a esse movimento fariam parte do que depois seria denominado<\/strong>: \u0093a escola paulista\u0094. Um dos mais importantes edif\u00edcios da cidade o Museu de Arte de S\u00e3o Paulo (o MASP) segue a linha brutalista.\n\nHoje em dia existe uma grande valoriza\u00e7\u00e3o das obras de tend\u00eancias brutalista, que em outros momentos ficaram desacreditadas e estas s\u00e3o cada vez mais estudadas por suas importantes caracter\u00edsticas de vanguarda, sendo obras atemporais que trazem importantes contribui\u00e7\u00f5es ao estudo da arquitetura contempor\u00e2nea.\n<h4>Brutalismo &#8211; a \u00faltima trincheira do movimento moderno<\/h4>\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Arquitetura Brutalista\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/arquit5.jpg\" alt=\"Arquitetura Brutalista\" width=\"294\" height=\"348\" \/><strong>\nArquitetura Brutalista<\/strong><\/p>\nA import\u00e2ncia do finado Movimento Moderno atualmente recai sobre a Hist\u00f3ria, sobre as formas arquitet\u00f4nicas, sobre a produ\u00e7\u00e3o dos arquitetos e pouqu\u00edssimo sobre seu desejo ideol\u00f3gico, como se a ess\u00eancia j\u00e1 n\u00e3o importasse muito.\n\nO \u00faltimo evento de divulga\u00e7\u00e3o do Movimento Moderno enquanto &#8220;movimento&#8221; (pelo menos a maioria dos historiadores assim atribuem) foi o X Congresso Internacional de Arquitetura Moderna realizado em Dubrovinik em 1956, sob a dire\u00e7\u00e3o do TEAM X.\n\nA partir do VII CIAM, realizado em 1949 em Bergamo (It\u00e1lia), j\u00e1 haviam aparecido as primeiras diverg\u00eancias com rela\u00e7\u00e3o aos rumos do Movimento.\n\nNo IX Congresso, em 1953, em Aix-en-Provence, os arquitetos Peter e Alison Smithson, Aldo Van Eyck, Bakema e Candilis reivindicariam para eles a organiza\u00e7\u00e3o do X CIAM, cujo tema seria &#8220;O Habitat&#8221;, no qual introduziriam os conceitos de identidade e crescimento urbano.\n\nPara entendermos o Movimento Moderno, suas transforma\u00e7\u00f5es e, principalmente, seu decl\u00ednio nas duas d\u00e9cadas seguintes ao \u00faltimo Congresso, um objeto de preserva\u00e7\u00e3o, devemos observar alguns dos sentidos contidos na palavra Movimento.\n\nUm primeiro sentido \u00e9 o que expressa mudan\u00e7a, caminhada, trajet\u00f3ria, experimenta\u00e7\u00e3o. O segundo, apoia-se na id\u00e9ia de grupo, de congrega\u00e7\u00e3o de pessoas em torno de um objetivo, de um ideal. Foi justamente sobre o ideal de uma mudan\u00e7a na organiza\u00e7\u00e3o da sociedade que o Movimento Moderno fundou suas bases.\n\nO Movimento Moderno, antes de ser uma linguagem, uma est\u00e9tica arquitet\u00f4nica, como foi transformado nos \u00faltimos anos, foi uma atitude \u00e9tica ante a vida. Neste sentido, o papel da arquitetura e do arquiteto foi importante na mudan\u00e7a dos h\u00e1bitos sociais, na aboli\u00e7\u00e3o da propriedade privada, no planejamento das cidades e na cren\u00e7a de um homem universal em sua ess\u00eancia.\n\nExatamente por essas aproxima\u00e7\u00f5es com os ideais socialistas, comunistas e anarquistas, que muitos arquitetos engajaram-se na luta pol\u00edtica e nos partidos. Os CIAM aglutinavam, congregavam e planejavam os novos rumos do Movimento; pelo menos foi at\u00e9 os dois \u00faltimos Congressos.\n\nDestas premissas iniciais, decorre uma aporta\u00e7\u00e3o fundamental para a compreens\u00e3o deste ensaio. Isto \u00e9, de que, toda atitude \u00e9tica corresponde sempre a uma atitude est\u00e9tica, e toda atitude est\u00e9tica a uma \u00e9tica. Mais ou menos assim, compreendeu Vilanova Artigas ao aproximar-se do Movimento Concretista, tamb\u00e9m conhecido como no Rio de Janeiro. Essas rela\u00e7\u00f5es entre \u00e9tica, est\u00e9tica e nacionalismo brasileiro comentarei mais adiante.\n\nMesmo com o final dos CIAM a ess\u00eancia dos ideais do Movimento Moderno perdurou, acentuando-se no final dos anos 50 e durante as efervescentes d\u00e9cadas de 60 e 70.\n\nEstabelecendo-se uma mudan\u00e7a de dire\u00e7\u00e3o, os objetivos e ideais j\u00e1 n\u00e3o correspondiam, em sua totalidade, aos ideais preconizados pela gera\u00e7\u00e3o anterior. Mesmo com o final dos CIAM manteve-se uma s\u00e9rie de encontros e desencontros internacionais como, de Ottero (1959), ainda sobre a dire\u00e7\u00e3o do TEAM X.\n\nAp\u00f3s a Segunda Guerra Mundial, algumas ci\u00eancias humanas como a Antropologia Cultural, a Psicologia, e a Teoria da Comunica\u00e7\u00e3o de Massa adquiriram grande import\u00e2ncia para a cr\u00edtica arquitet\u00f4nica. Uma das maiores cr\u00edticas em rela\u00e7\u00e3o ao Movimento Moderno foi justamente aquela que constatou a perda da identidade das cidades e do significado da arquitetura.\n\nO Estruturalismo colocou em check toda uma s\u00e9rie de valores da sociedade atrav\u00e9s do relativismo cultural, ou seja, que todos os valores s\u00e3o determinados pelas especificidades culturais. Com o aporte da Antropologia, da Sociologia acentuou-se o interesse pelas sociedades primitivas, pelo ex\u00f3tico, pelo &#8220;pensamento selvagem&#8221;, pela figura do &#8220;bricoleur&#8221; proposto por L\u00e9vi-Strauss, como forma de pensamento equivalente ao pensamento cient\u00edfico.\n\nN\u00e3o s\u00f3 atrav\u00e9s da ci\u00eancia se poderia chegar ao conhecimento das coisas, do mundo, mas tamb\u00e9m atrav\u00e9s do conhecimento m\u00edtico, e tamb\u00e9m das artes. Neste per\u00edodo acontece, no universo das artes, a arte Pop americana com seus ready-mades, a collage, a arte psicod\u00e9lica, a arte naif, a arte bruta, a op arte, a arte concreta, o expressionismo abstrato, as instala\u00e7\u00f5es, fluxus, happenings, o gosto pela arte africana e oriental.\n\nOs anos 50-60 caracterizaram-se, a grosso modo, pela redescoberta de tudo o que havia sido relegado pelo racionalismo. Foi o ressurgimento do surrealismo, as experi\u00eancias sensoriais retiradas do oriente, o uso das drogas como liberta\u00e7\u00e3o e expans\u00e3o da mente.\n\nEra maio de 68. O existencialismo, a cultura beat, o neo-realismo no cinema italiano, on the road, a cultura hippie, o flower power. O mundo se transbordava de cores com o advento da fotografia colorida.\n\n<strong>A literatura arquitet\u00f4nica tamb\u00e9m traduziu em textos e imagens toda essa inquieta\u00e7\u00e3o e experimenta\u00e7\u00e3o em livros como: <\/strong>Ensaio sobre a s\u00edntese da forma, de C. Alexander; Garbage House, de Martin Pawley; Vivenda e cultura, de Amos Rapaport; Aprendendo de Las Vegas, de Venturi, Without rethoric, de Peter e Alison Smithson; entre outros.\n\nDa contribui\u00e7\u00e3o do estruturalismo, metaforicamente, resultaram tr\u00eas manifesta\u00e7\u00f5es interessantes na arquitetura. A primeira que foi buscar na antropologia, na arquitetura popular e vernacular, novas formas mais apropriadas de conceber o espa\u00e7o.\n\nA segunda, que tomou a palavra ao p\u00e9 da letra e foi buscar na estrutura a verdade e a pureza da forma, como a corrente do Novo Brutalismo; e por \u00faltimo, uma terceira que se utilizou da hist\u00f3ria como estrutura projetual, como o grupo Tendenza.\n\n\u00c9 exatamente nesse per\u00edodo, que surgem as propostas de reestrutura\u00e7\u00e3o da sociedade europ\u00e9ia, ressentida dos horrores da segunda Guerra Mundial e bastante descrente do sistema e da condi\u00e7\u00e3o humana. No panorama internacional, e principalmente europeu, surgiu uma s\u00e9rie de manifesta\u00e7\u00f5es arquitet\u00f4nicas como o Novo Empirismo na Su\u00e9cia, o Novo Brutalismo na Inglaterra, o Neoliberty e o Neo-realismo na It\u00e1lia, o Metabolismo no Jap\u00e3o, e as correntes vernaculares e participativas pelo mundo inteiro.\n\nOs Smithson\u0092s, Aldo Van Eyck, Bakema e Candilis, integrantes do Team X, introduziram dentro do corpo doutrin\u00e1rio do Movimento Moderno conceitos que permitiram acomodar uma diversidade maior de modelos culturais, onde se pudesse resgatar e incentivar o conceito de identidade, do particular em oposi\u00e7\u00e3o ao universal, enfim introduzindo a diff\u00e9rence.\n\nE para isso alguns recorreram ao estudo das culturas primitivas coletando informa\u00e7\u00f5es sobre os padr\u00f5es de estrutura\u00e7\u00e3o espacial. Aldo Van Eyck foi para a \u00c1frica estudar o povo Dogon; Paolo Soleri para o Arizona fundar Arcosanti; Candilis trabalhou no Marrocos e no Peru; Bernard Rudofsky montou em 1964 a c\u00e9lebre exposi\u00e7\u00e3o &#8220;Arquitetura sem arquitetos&#8221;.\n\n<strong>Os Smithson\u0092s, em 1967, em seu cl\u00e1ssico livro<\/strong>: Urban Structuring reuniram os estudos que realizaram sobre padr\u00f5es de identidade, organiza\u00e7\u00e3o e mobilidade.\n\nAntes de dar continuidade e mostrar os fortes v\u00ednculos entre os ideais dos novos brutalistas e as id\u00e9ias sociais do TEAM X, vale a pena fazer uma breve retrospectiva no tempo, repetindo, em outras palavras, praticamente o que autores como Reyner Banham e Royston Landau disseram sobre as origens do Novo Brutalismo.\n\nDepois do final da Segunda Guerra o governo da Inglaterra aprovou o plano para a constru\u00e7\u00e3o das New Towns, integrantes de um amplo plano de reorganiza\u00e7\u00e3o regional, onde todas elas apresentavam uma forte refer\u00eancia \u00e0s cidades jardins de Ebenezerd Howard, com conjuntos residenciais em sobrados, de tijolos \u00e0 vista, telhado de duas \u00e1guas, e esquadrias em sua maioria brancas, claramente numa linguagem que cheirava ao pitoresco rural.\n\nEsta nova tend\u00eancia copiada da Su\u00e9cia, a revista Architectural Review acabou denominando Novo Empirismo. Para os arquitetos adeptos ao Movimento Moderno, essas novas cidades, com sua arquitetura pitoresca, representavam um retrocesso na trajet\u00f3ria do Movimento. Assim, as New Towns foram o alvo de duras cr\u00edticas feitas principalmente pelos arquitetos J.M. Richards, e Peter e Alison Smithson contra o Novo Empirismo.\n\nEm 1949, os Smithson\u0092s, ao vencerem o concurso para o projeto de uma escola em Hunstanton-Norfolk (conclu\u00edda em 1954) causaram uma grande pol\u00eamica porque a escola apresentava uma orienta\u00e7\u00e3o formal tipicamente racionalista, uma grande refer\u00eancia ao Instituto de Tecnologia de Illinois, de Mies Van der Rohe, e uma forte influ\u00eancia da arquitetura japonesa.\n\nA escola apresentava estrat\u00e9gias compositivas que virariam moda e solu\u00e7\u00f5es can\u00f4nicas nos anos 60-70, e acabariam por caracterizar o pr\u00f3prio movimento do Novo Brutalismo. Na escola de Hunstanton, tudo estava aparente, pelado, destacado, desde a estrutura em a\u00e7o \u00e0s instala\u00e7\u00f5es el\u00e9tricas, de \u00e1gua, calefa\u00e7\u00e3o.\n\nA torre da caixa d\u0092\u00e1gua, os Smithson\u0092s, deslocaram para fora do pr\u00e9dio e tornou-se ponto referencial da escola. Este edif\u00edcio, por seu impacto, acabou sendo conhecido como o primeiro edif\u00edcio do Novo Brutalismo, ainda que, na verdade, o primeiro edif\u00edcio de caracter\u00edsticas neobrutalistas reconhecido como tal pelos os Smithson\u0092s, foi uma resid\u00eancia, nunca constru\u00edda, em Soho-Londres (1953).\n\n<strong>Entretanto, segundo Reyner Banham, em<\/strong>: &#8220;O Brutalismo em arquitetura, \u00e9tica ou est\u00e9tica?&#8221;, o primeiro edif\u00edcio que levou o t\u00edtulo de Brutalismo foi o Instituto de Illinois (1945-47) de Mies.\n\nA express\u00e3o Novo Brutalismo ou neobrutalismo, de certa forma, como observou Royston Landau em &#8220;Nuevos caminos de la arquitetura Inglesa&#8221;, s\u00f3 sugeria o interesse pelos aspectos formais deixando esquecido as inquietudes sociais que influenciaram toda uma gera\u00e7\u00e3o em mat\u00e9ria de crescimento urbano. A postura est\u00e9tica do Novo Brutalismo tinha tudo a ver com a postura filos\u00f3fica existencialista de Sartre e Camus. Para a cultura dos anos 50-60 n\u00e3o importava muito o ter, mas apenas essencialmente o ser. E essas posturas de certa forma se traduziam na forma arquitet\u00f4nica, onde mostrar a nudez da forma, retirar os revestimentos, mostrar somente a estrutura, era uma pr\u00e1tica habitual.\n\nEm Londres, Reyner Banham, Peter e Alison Smithson, Eduardo Paolozzi, Richard Hamilton, Theo Crosby, na \u00e9poca, formavam o grupo s\u00e9culo XX; gostavam da art brut de Jean Dubuffet, da est\u00e9tica do trivial, dos ready-mades, adoravam o b\u00e9ton brut utilizado na Unidade de Marselha por Le Corbusier, e gostavam tanto do expressionismo abstrato de Jackson Pollock quanto do universo &#8220;pop americano&#8221; dos carros e eletrodom\u00e9sticos.\n\nPara melhor compreendermos o sentido hist\u00f3rico do termo Novo Brutalismo conv\u00eam recorrer ao grande defensor e divulgador do Brutalismo, R. Banham, que explicou que a ess\u00eancia do termo Neobrutalismo ou Novo Brutalismo foi aplicado antes mesmo que existisse o movimento.\n\nO criador do qualificativo &#8220;brutalista&#8221; foi Hans Asplund, filho de Gunnard Asplund, referindo-se sarcasticamente a seus colegas Bengt Edman e Lennart Holm como Neobrutalistas, por causa de um projeto de uma pequena casa em Upsala na Su\u00e9cia, em 1950. Tr\u00eas anos depois, a casa em Soho dos Smithson\u0092s apresentaria uma grande aproxima\u00e7\u00e3o formal a casa de Edman e Holm.\n\nA partir de ent\u00e3o a express\u00e3o penetrou tamb\u00e9m na Inglaterra e ali difundiu-se rapidamente. O termo Neobrutalista n\u00e3o \u00e9 a mesma coisa que Novo Brutalismo.\n\n<strong>A diferen\u00e7a dos termos, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 gramatical<\/strong>: Neobrutalista \u00e9 uma denomina\u00e7\u00e3o estil\u00edstica como Neocl\u00e1ssico ou Neog\u00f3tico, enquanto que Novo Brutalismo responde a uma concep\u00e7\u00e3o \u00e9tica e n\u00e3o inicialmente est\u00e9tica.\n\nO outro aspecto, sem d\u00favida divertido, comentado por Banham \u00e9 que o termo designado de Brutalismo para a escola de Hunstanton dos Smithson\u0092s, tamb\u00e9m foi dado porque Peter Smithson havia sido apelidado de Brutus por seus colegas devido a sua semelhan\u00e7a com os bustos do her\u00f3i romano.\n\nO termo tinha uma ambig\u00fcidade t\u00e3o grande nos anos 50 que os americanos conheciam s\u00f3 uma vers\u00e3o deformada da express\u00e3o e acreditavam que Brutalismo era proveniente de Brutus + Alison, a esposa de Peter. A express\u00e3o Novo Brutalismo, tamb\u00e9m continha uma cr\u00edtica \u00e0 express\u00e3o Novo Empirismo, mas na realidade como admitiu Banham, na pr\u00e1tica freq\u00fcentemente se confundiam um com o outro, devido pelo menos em parte as semelhan\u00e7as formais do &#8220;tijolinho a vista&#8221;.\n\nRapidamente, o Brutalismo tornou-se uma forma de rea\u00e7\u00e3o do Movimento Moderno \u00e0s rea\u00e7\u00f5es saudosistas e nost\u00e1lgicas, provocadas pelo p\u00f3s-guerra, n\u00e3o s\u00f3 nos pa\u00edses n\u00f3rdicos com o Novo Empirismo como tamb\u00e9m na It\u00e1lia com o Neoliberty.\n\nAo final dos anos 40, com o final do fascismo a arquitetura italiana tornara-se o centro de aten\u00e7\u00f5es e cr\u00edticas. A expectativa era de que ao reconstruir a It\u00e1lia se retomasse os rumos do Movimento Moderno rejeitado pelo fascismo, entretanto isso n\u00e3o aconteceu.\n\nEm 1959 a revista Architectural Review n\u00ba 747 publica o artigo Neoliberty, the italian retreat from modern architecture, de Reyner Banham no qual criticava profundamente a atitude formal dos neoliberty. A clamorosa explos\u00e3o do neo-liberty se deu atrav\u00e9s da revista Casabella n\u00ba 215, de 1954, dirigida naquela \u00e9poca por E. Rogers.\n\nNela foram apresentados os trabalhos de alguns arquitetos que tinham uma preocupa\u00e7\u00e3o formal com a hist\u00f3ria e com o contexto e faziam recorr\u00eancias a Escola de Amsterdam, ao estilo de L. Sullivan, numa clara alus\u00e3o tamb\u00e9m ao estilo Liberty, ou macarr\u00f4nico, como foi conhecido o Art nouveau na It\u00e1lia. Entre esses arquitetos encontravam-se os BBPR (Belgiojoso, Banfi, Peressutti e Rogers), Roberto Gabetti, Aimaro d\u0092Isola, Gae Aulenti, V. Gregotti.\n\nPara os partid\u00e1rios do Novo Brutalismo a \u00e9tica estava no trabalhar un\u00edssono com os novos cen\u00e1rios culturais do p\u00f3s-guerra, na contemporaneidade da linguagem arquitet\u00f4nica, na tecnologia e nas mudan\u00e7as sociais.\n\n<strong>Era preciso criar uma arquitetura que criticasse e solucionasse os danos causados pelas quatro fun\u00e7\u00f5es<\/strong>: habitar, trabalhar, recrear-se e circular.\n\nO Novo Brutalismo n\u00e3o deveria ser uma linguagem formal, mas um modo experimental de situar-se e de atuar frente ao tema, ao programa, e aos materiais de um projeto. Talvez, exatamente por essas posturas que durante os anos 60-70 dedicava-se muito tempo \u00e0 reflex\u00e3o te\u00f3rica do projeto, e muito pouco, sobre a constru\u00e7\u00e3o e elabora\u00e7\u00e3o formal do projeto.\n\nOs Smithson\u0092s, juntamente com Aldo van Eyck, Bakema, Candilis, que estudavam os padr\u00f5es das sociedades primitivas acabaram por propor padr\u00f5es novos de composi\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o formal como, a rua corredor externa e a\u00e9rea, formas novas de associa\u00e7\u00e3o volum\u00e9tricas, formas abertas, acopl\u00e1veis para estrutura\u00e7\u00e3o do crescimento, aproximando-se assim dos metabolistas japoneses, das propostas do grupo Archigram e de todas utopias tecnol\u00f3gicas.\n\nOs Smithson\u0092s declararam na Architectural Design de janeiro de 1955 que acreditavam que o Novo Brutalismo era o \u00fanico desenvolvimento poss\u00edvel, naquele momento para o Movimento Moderno, reconheciam n\u00e3o s\u00f3 que Le Corbusier era um dos que praticam aquelas brutalidades, come\u00e7ando pelo b\u00e9ton brut da Unit\u00e9, mas tamb\u00e9m que ambos movimentos se serviram basicamente da arquitetura japonesa, de suas id\u00e9ias, princ\u00edpios e esp\u00edrito.\n\nPara os japoneses FORM n\u00e3o era mais que um fragmento da concep\u00e7\u00e3o que tinham da vida, e sim um gesto de respeito pelo mundo natural e, a partir deste, pelos materiais que compunham o mundo constru\u00eddo. Essa afinidade que se estabelecia entre o edif\u00edcio e o ser humano encontrava-se na raiz do Novo Brutalismo. Ironicamente, o Jap\u00e3o que os Smithson\u0092s conheciam, como disse Banham, era o livro de Bruno Taut sobre as casas japonesas e o Pal\u00e1cio Katsura.\n\nYves Bruan, em &#8220;Arquitetura Contempor\u00e2nea no Brasil&#8221;, observou que o Brutalismo de Le Corbusier n\u00e3o foi al\u00e9m da t\u00e9cnica do emprego do concreto bruto e de uma pl\u00e1stica nova, enquanto que o Brutalismo ingl\u00eas, ao contr\u00e1rio, mostrou uma esp\u00e9cie de volta aos princ\u00edpios da d\u00e9cada de vinte, sem qualquer concess\u00e3o a uma est\u00e9tica que n\u00e3o fosse de ess\u00eancia material.\n\nNo Brasil as id\u00e9ias do Novo Brutalismo fizeram escola, ainda que muitos tentem escamotear ou negar sua influ\u00eancia, e devido ao duro contexto pol\u00edtico dos anos 60-70 ficou associado a uma forma de resist\u00eancia e identidade arquitet\u00f4nica nacional.\n\nAcreditava-se que seus princ\u00edpios \u00e9ticos e est\u00e9ticos eram capazes de produzir tamb\u00e9m uma transforma\u00e7\u00e3o social e pol\u00edtica. Essas mesmas formas resistentes \u00e0 ditadura tamb\u00e9m endureceram, na forma do concreto aparente e que, tornariam-se nos anos 80, um obst\u00e1culo a entrada das novas id\u00e9ias nem sempre simp\u00e1ticas a modernidade dos anos 70.\n\nExistem muitos ensaios e textos publicados sobre o Brutalismo paulista, assim como livros e cap\u00edtulos dedicados a ele. No citado livro de Y. Bruan, no cap\u00edtulo sobre &#8220;o Brutalismo paulista e Vilanova Artigas&#8221;, Bruan se resume a comentar apenas os aspectos est\u00e9ticos da obra de Artigas sem apresentar os aspectos \u00e9tico-sociais, e principalmente sem vincular com as proposi\u00e7\u00f5es dos brutalistas ingleses ou do TEAM X; o mesmo acontece com a maioria dos ensaios que encontrei.\n\nEm &#8220;Arquiteturas no Brasil 1900-1990&#8221;, Hugo Segawa acrescenta toda uma parte \u00e9tica com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s posi\u00e7\u00f5es de Artigas ao Ensino de arquitetura, apresentando uma bibliografia bastante referencial sobre Artigas e o Brutalismo no Brasil.\n\nEm minha breve investiga\u00e7\u00e3o n\u00e3o encontrei nenhuma refer\u00eancia ou declara\u00e7\u00e3o na qual Artigas se apresentasse como brutalista ou que estivesse informado do Movimento criado pelos Smithson\u0092s, tudo que encontrei foi uma certa aus\u00eancia, um esquivamento, um discurso sempre perif\u00e9rico ao Brutalismo.\n\n<strong>Talvez, a \u00fanica refer\u00eancia mais pr\u00f3xima que encontrei feita por Artigas ao Brutalismo Ingl\u00eas encontra-se num texto homenagem a Carlos Millan, de 1965, escrito por ocasi\u00e3o da 8\u00aa Bienal de SP, e transcrito na revista AU n\u00ba 17 de 1988, onde literalmente contesta essa influ\u00eancia e pode-se perceber ainda uma certa superficialidade de conhecimento, de Artigas, sobre o tema<\/strong>: &#8220;As \u00faltimas resid\u00eancias que Carlos Millan construiu em S\u00e3o Paulo revelam uma tend\u00eancia para o que a cr\u00edtica, em especial a europ\u00e9ia, chama de Brutalismo. Um Brutalismo brasileiro, por assim dizer.\n\nN\u00e3o creio que isto se justifique de todo. O conte\u00fado ideol\u00f3gico do Brutalismo europeu \u00e9 bem outro. Traz consigo uma carga de irracionalismo tendente a abandonar os valores art\u00edsticos da arquitetura, de um lado, aos imperativos da t\u00e9cnica construtiva que se transforma em fator determinante\u0085 Na obra de Millan, o uso dos materiais despidos \u00e9 deliberadamente simples \u00e9 a abertura de uma perspectiva de avan\u00e7o t\u00e9cnico&#8221;.\n\n\u00c9 literalmente curioso observar que em toda a grande produ\u00e7\u00e3o arquitet\u00f4nica brasileira dos anos 60-70 com caracter\u00edsticas descaradamente brutalista; seja em seu sentido \u00e9tico social de uma busca pelos aspectos culturais de identidade, ou seja, exatamente pelo c\u00f3digo est\u00e9tico de utiliza\u00e7\u00e3o de materiais (concreto bruto, tijolos \u00e0 vista, instala\u00e7\u00f5es aparentes, destaque das caixas d\u0092\u00e1gua, destaque volum\u00e9trico de elevadores e escadas); n\u00e3o se fa\u00e7a refer\u00eancia ao vocabul\u00e1rio formal e te\u00f3rico dos Novos brutalistas.\n\nO discurso girava sempre em torno a descri\u00e7\u00e3o simplista do projeto, dos materiais, da criatividade estrutural, exaltava o aspecto revolucion\u00e1rio do programa, a organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o convencional da casa, a fluidez e polival\u00eancia dos espa\u00e7os, a simplicidade e a &#8220;pobreza&#8221; adequada dos materiais.\n\nAssim como os integrantes do TEAM X e os brutalistas, Vilanova Artigas, ao par de seu tempo, tamb\u00e9m estava naquela \u00e9poca elaborando uma cr\u00edtica aos postulados da Carta de Atenas, e bastante preocupado com os aspectos da identidade nacional e de sua rela\u00e7\u00e3o com a arquitetura. Para Artigas a arquitetura que praticava seria uma express\u00e3o atualizada da identidade nacional.\n\n<strong>Em &#8220;A fun\u00e7\u00e3o Social do Arquiteto&#8221;, livro que leva o mesmo t\u00edtulo da prova realizada por Artigas no concurso para professor da USP, podemos exemplificar essa preocupa\u00e7\u00e3o, durante a arg\u00fci\u00e7\u00e3o, o professor Carlos Guilherme Mota referiu-se \u00e0 velha quest\u00e3o da busca da cultura nacional t\u00e3o preconizada por Artigas<\/strong>: &#8220;O nacional, como est\u00e1 em seu texto ou suas falas, foi algo desmobilizado pela esquerda, em nome, \u00e0s vezes, de internacionalismos, ou pelo sistema, em nome de ideologias de seguran\u00e7a nacional&#8221;.\n\n<strong>Ao que Artigas respondeu<\/strong>: &#8220;As posi\u00e7\u00f5es culturais de 1922 foram v\u00e1lidas para n\u00f3s, formados numa certa estrutura -a justificativa oswaldiana de assimila\u00e7\u00e3o da cultura europ\u00e9ia por meio do antropofagismo, etc.-mas n\u00e3o serviam para o momento hist\u00f3rico, para aquele momento hist\u00f3rico que voc\u00ea est\u00e1 me chamando a aten\u00e7\u00e3o&#8221;.\n\nPraticamente, a busca de uma arquitetura nacional e progressista, no sentido de n\u00e3o continuar praticando o velho neocolonial ou importando as formas dos pa\u00edses estrangeiros sempre esteve presente nas declara\u00e7\u00f5es de Artigas.\n\nN\u00e3o seria exagero dizer que existe um processo xen\u00f3fobo na cultura brasileira na busca e afirma\u00e7\u00e3o de uma identidade nacional, e que data de longo tempo, desde o s\u00e9culo XIX com o romantismo brasileiro, na exalta\u00e7\u00e3o do indianismo, atravessa a Semana de Arte Moderna em 1922, concretiza-se com o neocolonial, e vem aparecer ainda nos anos 60-70 com o Brutalismo caboclo, ou caipira como \u00e0s vezes ironicamente prefiro designar.\n\nEssas oportunas omiss\u00f5es de Artigas, para n\u00e3o comparar-se aos Novos Brutalistas, acabou por gerar na Historiografia da arquitetura brasileira um discurso apenas est\u00e9tico- pol\u00edtico, cuja a responsabilidade social do arquiteto se sustentava no conceito de projeto como um instrumento de emancipa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e ideol\u00f3gica. Essa preocupa\u00e7\u00e3o, com o desenho propriamente dito, contribuiu com que se tomasse os valores formais est\u00e9ticos do mestre Corbu, e n\u00e3o das proposi\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas inglesas.\n\nAinda que se falasse de \u00e9tica, essa \u00e9tica deveria ser for\u00e7osamente distinta da \u00e9tica inglesa dos Smithson\u0092s. O conceito de identidade nacional, curiosamente passou de m\u00e3o em m\u00e3o, da direita para esquerda e vice versa, do aspecto revolucion\u00e1rio da Semana de 22 para uma cultura institucionalizada pelo Estado Novo, e posteriormente para um Regime Militar. Da\u00ed a grande confus\u00e3o gerada sobre o tema da nacionalidade.\n\n<strong>Sergio Lima, em seu artigo &#8220;Alguns dados sobre a constru\u00e7\u00e3o interessada de uma aus\u00eancia<\/strong>: a do surrealismo no Brasil&#8221;, escreveu que no Brasil dos anos 20 havia a febre do nacional, do nacionalismo e da cor local, sob o pretexto de uma &#8220;procura de identidade&#8221; como se encontra em v\u00e1rios textos de Mario de Andrade, ou sob o vi\u00e9s do Regionalismo tradicionalista t\u00edpico de Gilberto Freire, acrescido de uma porfia pela &#8220;pureza da l\u00edngua&#8221; e luta acirrada contra os estrangeir(ismos).\n\nEnfim, a dita Revolu\u00e7\u00e3o de 30 e a arte engajada (no realismo socialista e no populismo) como que contentou a todos que se engajaram em institui\u00e7\u00f5es oficiais do Nacional (ismo).\n\n<strong>Do que foi comentado at\u00e9 aqui, desprende-se a seguinte observa\u00e7\u00e3o<\/strong>: a identidade que os integrantes do TEAM X e os Smithson\u0092s buscavam, n\u00e3o tem realmente nada a ver com a busca de identidade nacionalista buscada por Artigas e contempor\u00e2neos. S\u00e3o duas \u00e9ticas distintas.\n\nA primeira, \u00e9 uma busca dentro de uma \u00e9tica maior, universal, sem considera\u00e7\u00f5es sobre os nacionalismos, apenas locais culturais, onde a arquitetura estava a servi\u00e7o da cultura e sua forma estava relegada a um terceiro plano. A segunda est\u00e1 vinculada a um projeto de uma busca fren\u00e9tica de criar atrav\u00e9s da arquitetura a imagem de uma identidade nacional, e contra um movimento internacional que seria igual no mundo inteiro. Um correlato imediato entre imagem arquitet\u00f4nica e cultura nacional.\n\nA \u00e9tica proposta por Artigas parece ser escorregadia. N\u00e3o sei se Artigas conhecia as posturas \u00e9ticas e est\u00e9ticas dos Novos brutalistas ingleses, mas n\u00e3o fazia quest\u00e3o de declarar, e se realmente conhecia, n\u00e3o era o suficiente para a compreens\u00e3o do que acontecia. Era mais c\u00f4modo e oportuno adotar uma postura do tipo &#8220;n\u00e3o sei, nem quero saber&#8221; do que revelar os la\u00e7os culturais existentes, ainda que inconscientes.\n\nMas a medida em que se estuda as rela\u00e7\u00f5es de Artigas com os concretistas percebe-se realmente como ele estava realmente vinculado a uma est\u00e9tica universal.\n\n<strong>Em &#8220;A fun\u00e7\u00e3o social do arquiteto&#8221;, comenta: <\/strong>&#8220;Veja a viv\u00eancia com os concretistas&#8230;. O concretismo tinha a pretens\u00e3o e \u00e9 Affonso Romano de Sant\u0092Anna que diz, de substituir a luta pol\u00edtica por uma vis\u00e3o est\u00e9tica global do mundo, conter em sua vis\u00e3o est\u00e9tica a substitui\u00e7\u00e3o de uma nova proposta social\u0085percebi isso nessa altura e comecei a me aproximar de Waldemar Cordeiro e de outros e que faziam coisas incompreens\u00edveis para muita gente naquela \u00e9poca&#8221;.\n\nDe qualquer forma parece que h\u00e1 males que vem para bem, a escola paulista conseguiria transformar com grande criatividade o Brutalismo &#8220;universal&#8221;. Indiscutivelmente Artigas e Lina Bo Bardi transfiguraram acentuadamente a linguagem do Novo Brutalismo europeu ao ponto de inaugurar uma linguagem pr\u00f3pria e peculiar, muitas vezes aproximando-se da est\u00e9tica do monstruoso, ou do grotesco, como na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP de Artigas e Carlos Cascald, o Museu de Arte de S\u00e3o Paulo e o SESC Pomp\u00e9ia de Lina Bo Bardi.\n\n&#8220;Brutalismo Paulista: uma an\u00e1lise compositivas de resid\u00eancias paulistanas entre 1957 e 71&#8221; de Maria Luiza Sanvitto, uma recente disserta\u00e7\u00e3o de mestrado do PROPAR-UFRGS trouxe uma grande luz sobre o Brutalismo paulista, desde seus aspectos compositivos e ret\u00f3ricos. Sanvito.. percebeu que existia n\u00e3o s\u00f3 um apriori est\u00e9tico da verdade dos materiais, da honestidade estrutural ou das quest\u00f5es \u00e9ticas sociais, mas sobretudo um apriori formal compositivo, dos elementos de composi\u00e7\u00e3o, um vocabul\u00e1rio pr\u00e9 determinado, um conjunto de estrat\u00e9gias compositivas que tamb\u00e9m nunca foram assumidas as claras no discurso da escola paulista, como o prisma elevado sobre pilotis, ou tema do grande abrigo, por exemplo.\n\nUm dos poucos trabalhos que encontrei onde procura vincular e explicitar as liga\u00e7\u00f5es e depend\u00eancias do Brutalismo paulista com o Novo Brutalismo dos Smithson\u0092s, \u00e9 uma pequena entrevista, porem l\u00facida, contundente e objetiva, &#8220;Reflex\u00f5es sobre o Brutalismo caboclo&#8221;, da arquiteta Marlene Acayaba com Sergio Ferro, publicada na revista Projeto n\u00ba 86, de abril de 1986, da qual transcrevo alguns oportunos fragmentos, n\u00e3o s\u00f3 na tentativa de esclarecer e reafirmar o que aqui foi dito sobre Artigas, mas tamb\u00e9m do pr\u00f3prio Sergio Ferro.\n\n<strong>Por que o Artigas n\u00e3o gostava da palavra Brutalismo?<\/strong>\n\nTenho a impress\u00e3o que vem daquela rea\u00e7\u00e3o, exposta nos artigos mais radicais, como &#8221; Os caminhos da Arquitetura Moderna&#8221; , contra um movimento internacional que seria o mesmo em T\u00f3quio, na Fran\u00e7a ou aqui. Nesse sentido, o Brutalismo que ele inicia no Brasil \u00e9 diferente.\n\nComo era o contato dos arquitetos de S\u00e3o Paulo com o Brutalismo ingl\u00eas?\n\nSempre foi menos presente do que Le Corbusier e a corrente francesa.\n\n<strong>Ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o do livro The New Brutalism<\/strong>: Ethic or Aesthetic, de Reyner Banham, em 1966, o Brutalismo ingl\u00eas passou a ser mais conhecido aqui.\n\n(Quando Acayaba pergunta sobre Banham e o livro &#8220;O Brutalismo em arquitetura&#8221;, Sergio Ferro esquiva-se comentando um outro livro do Banham, &#8220;Arquitetura na primeira era da m\u00e1quina&#8221;, como podem observar)\n\n<strong>Qual a import\u00e2ncia desse livro?<\/strong>\n\nOs textos de Banham s\u00e3o profundamente antiguos. No livro sobre a primeira era industrial, ele critica a arquitetura como uma esp\u00e9cie de contradi\u00e7\u00e3o entre discurso e pr\u00e1tica, entre a produ\u00e7\u00e3o te\u00f3rica e a realiza\u00e7\u00e3o\u0085\n\nQual o impacto provocado pelo livro Without Rethoric \u0096 an Architectural Aesthetic 1955-72 de Alison e Peter Smithson?\n\nNeste momento chegava uma etapa em que por vaidade ach\u00e1vamos que j\u00e1 t\u00ednhamos um caminho pr\u00f3prio. Assim nos interessava muito mais aprofundar esse caminho que ir buscar fontes ou contatos fora. Dessa forma os livros eram lidos, mas n\u00e3o marcavam.\n\n<strong>Como se explica isso?<\/strong>\n\nPorque a\u00ed o trabalho pol\u00edtico se confundiu com o trabalho de arquitetura. Todo pensamento pol\u00edtico nos levava a n\u00e3o poder mais utilizar certo tipo de informa\u00e7\u00e3o de for a, que n\u00e3o se adequava a nossa milit\u00e2ncia radical.\n\nEnfim, a sensa\u00e7\u00e3o que se tem, ao longo desses disfarces e sil\u00eancios sobre os v\u00ednculos inevit\u00e1veis de depend\u00eancia com as formas produzidas por outras culturas &#8220;l\u00e1 de fora&#8221;, \u00e9 de que acabou-se por construir uma outra Hist\u00f3ria, a que est\u00e1 se tornando oficial e artificial. Ou pior, uma outra realidade mais banal, de banana mesmo, oportunamente manipulada como toda Hist\u00f3ria para n\u00e3o mostrar nossas debilidades como consumistas ainda que antropof\u00e1gicos; mostrando e discursando apenas o que interessa, se fazendo oportunamente de bronco muitas vezes, como me alertou um amigo num jantar no qual convers\u00e1vamos sobre canibalismo. <strong>Fernando Freitas Fu\u00e3o<\/strong>\n\nFonte: 20bedfordway.com\/oorau.com.br\/www.ft.com\/www.vitruvius.com.br\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Arquitetura Brutalista, Movimento, O que \u00e9, Arte, Constru\u00e7\u00e3o, Estilo, Conceito, Mundo, Brasil, Caracter\u00edsticas, Hist\u00f3ria, Arquitetura Brutalista<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4438,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[],"class_list":["post-19383","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-arte-2"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - 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