{"id":19373,"date":"2015-11-26T00:00:00","date_gmt":"2015-11-26T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/virus-3\/"},"modified":"2026-09-01T15:22:11","modified_gmt":"2026-09-01T15:22:11","slug":"virus-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/biologia-2\/virus-3\/","title":{"rendered":"V\u00edrus"},"content":{"rendered":"\n<strong>Defini\u00e7\u00e3o<\/strong>\n\nOs\u00a0<strong>v\u00edrus<\/strong>\u00a0n\u00e3o s\u00e3o c\u00e9lulas, n\u00e3o possuem organelas, sendo completamente dependentes da maquinaria enzim\u00e1tica das c\u00e9lulas vivas para gerar sua pr\u00f3pria energia ou mesmo para s\u00edntese de suas mol\u00e9culas estruturais.\n\nAssim, s\u00e3o agentes infecciosos, que precisam ser colocados dentro de uma c\u00e9lula suscept\u00edvel para que novas part\u00edculas infecciosas sejam produzidas.\n\nS\u00e3o part\u00edculas muito pequenas, sendo filtr\u00e1veis, isto \u00e9, capazes de passar por membranas de poros esterilizantes.\n\nPor serem bem menores que a menor das c\u00e9lulas vivas, s\u00f3 podem ser visualizados ao microsc\u00f3pio eletr\u00f4nico.\n\n<strong>O que \u00e9<\/strong>\n\nUm\u00a0v\u00edrus\u00a0\u00e9 uma part\u00edcula de material infeccioso.\n\nOs\u00a0v\u00edrus\u00a0s\u00e3o incrivelmente pequenos e s\u00f3 s\u00e3o vis\u00edveis com microsc\u00f3pios extremamente fortes.\n\nAo visualizar o tamanho de um v\u00edrus, algumas pessoas usam a analogia de um humano em p\u00e9 ao lado do Monte Everest, com o ser humano sendo o v\u00edrus e a montanha uma pulga.\n\nMuitas pessoas est\u00e3o familiarizadas com\u00a0v\u00edrus\u00a0porque causam doen\u00e7as como parte de seu ciclo de vida.\n\nCientistas que estudam v\u00edrus s\u00e3o conhecidos como virologistas.\n\nOs virologistas tentam identificar e isolar os v\u00edrus na esperan\u00e7a de serem capazes de trat\u00e1-los ou vacin\u00e1-los.\n\nA exist\u00eancia de\u00a0v\u00edrus\u00a0come\u00e7ou a ser aventada no in\u00edcio do s\u00e9culo XIX, embora os cientistas n\u00e3o os identificassem positivamente at\u00e9 os anos 1900.\n\nA palavra \u00e9 tirada do v\u00edrus latino, que se refere a uma toxina ou um veneno.\n\nAlguns exemplos bem conhecidos de v\u00edrus s\u00e3o Ebola, HIV, influenza e Marburg.\n\nMuitos desses\u00a0v\u00edrus\u00a0s\u00e3o famosos por sua virul\u00eancia e s\u00e3o notoriamente dif\u00edceis de tratar, pois sofrem muta\u00e7\u00f5es r\u00e1pidas e muito eficazes.\n\nAs part\u00edculas consistem apenas de uma cobertura proteica que encapsula o material gen\u00e9tico. Os v\u00edrus s\u00e3o incapazes de reproduzir ou viver sozinhos; eles exigem que os anfitri\u00f5es sobrevivam e transmitam seus genes.\n\nComo resultado, muitos cientistas relutam em classificar os v\u00edrus como organismos vivos. As part\u00edculas enganosamente simples tamb\u00e9m se comportam de maneira muito diferente de outras formas de vida, tornando-as dif\u00edceis de classificar.\n\nQuando um v\u00edrus entra em um hospedeiro, ele se liga a uma c\u00e9lula no corpo do hospedeiro. A c\u00e9lula \u00e9 essencialmente sequestrada e for\u00e7ada a reproduzir o material gen\u00e9tico do v\u00edrus. Em alguns casos, o v\u00edrus pode permanecer latente, mas quando \u00e9 estimulado, a c\u00e9lula se rompe, inundando o corpo do hospedeiro com muitas c\u00f3pias do v\u00edrus que podem colonizar outras c\u00e9lulas. A c\u00e9lula hospedeira original morre, o que pode ser um problema s\u00e9rio para um organismo celular como bact\u00e9rias; um v\u00edrus que ataca bact\u00e9rias \u00e9 chamado bacteri\u00f3fago.\n\nTratar v\u00edrus \u00e9 extremamente dif\u00edcil. Como n\u00e3o est\u00e3o vivos, drogas como antibi\u00f3ticos n\u00e3o s\u00e3o eficazes. Drogas antivirais geralmente se concentram em atacar as prote\u00ednas do v\u00edrus, na esperan\u00e7a de incapacit\u00e1-lo para que ele n\u00e3o possa continuar colonizando o hospedeiro.\n\nA melhor\u00a0cura\u00a0para um v\u00edrus \u00e9, na verdade, uma vacina, porque as vacinas impedir\u00e3o a coloniza\u00e7\u00e3o em primeiro lugar, ensinando as c\u00e9lulas do hospedeiro a atacar as part\u00edculas virais.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-145594\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/virus-1.jpg\" alt=\"Mapa Mental de V\u00edrus\" width=\"550\" height=\"312\" \/>\n<strong>Mapa mental sobre V\u00edrus<\/strong><\/p>\n<strong>Hist\u00f3ria<\/strong>\n\nNa antiguidade, o termo\u00a0v\u00edrus\u00a0(do latim; significa veneno) foi utilizado como sin\u00f4nimo de veneno e se referia a agentes de natureza desconhecida que provocavam diversas doen\u00e7as.\n\nA descoberta dos\u00a0v\u00edrus\u00a0deve-se a Dmitri Ivanowsky (em 1892), que, ao estudar a doen\u00e7a chamada mosaico do tabaco, detectou a possibilidade de transmiss\u00e3o da doen\u00e7a a partir de extratos de vegetais doentes para vegetais sadios, por meio de experimentos com filtros capazes de reter bact\u00e9rias. Essa mol\u00e9stia afeta as plantas do fumo, manchando as folhas com \u00e1reas necrosadas e levando-as \u00e0 morte.\n\nEm 1935, cristais de v\u00edrus foram isolados e observados ao microsc\u00f3pio pela primeira vez.\n\nA sua composi\u00e7\u00e3o parecia principalmente proteica, por\u00e9m constatou-se mais tarde uma pequena quantidade de \u00e1cidos nucleicos.\n\nNos sistemas tradicionais de classifica\u00e7\u00e3o dos seres vivos, os v\u00edrus n\u00e3o s\u00e3o inclu\u00eddos por n\u00e3o apresentarem caracter\u00edsticas morfol\u00f3gicas celulares. Eles possuem estrutura molecular apenas vis\u00edvel ao microsc\u00f3pio eletr\u00f4nico.\n\nSua estrutura vem sendo cada vez mais esclarecida, \u00e0 medida que a tecnologia em microscopia eletr\u00f4nica evolui. Eles s\u00e3o t\u00e3o pequenos que podem penetrar na c\u00e9lula das menores bact\u00e9rias que se conhecem.\n\n<strong>Estruturas de v\u00e1rios v\u00edrus vistos com o microsc\u00f3pio eletr\u00f4nico<\/strong>: as part\u00edculas esf\u00e9ricas s\u00e3o os v\u00edrus do mosaico amarelo do nabo; os cilindros longos s\u00e3o os v\u00edrus do mosaico do tabaco e no centro, temos, o bacteri\u00f3fago T4.\n\nNos sistemas tradicionais de classifica\u00e7\u00e3o dos seres vivos, os v\u00edrus n\u00e3o s\u00e3o inclu\u00eddos por serem considerados part\u00edculas ou fragmentos que s\u00f3 adquirem manifesta\u00e7\u00f5es vitais quando parasitam c\u00e9lulas vivas.\n\nApesar de at\u00e9 hoje ainda persistir a discuss\u00e3o em torno do tema, a tend\u00eancia \u00e9 considerar os v\u00edrus como seres vivos.\n\nOs v\u00edrus s\u00e3o extremamente simples e diferem dos demais seres vivos pela inexist\u00eancia de organiza\u00e7\u00e3o celular, por n\u00e3o possu\u00edrem metabolismo pr\u00f3prio, e por n\u00e3o serem capazes de se reproduzir sem estar dentro de uma c\u00e9lula hospedeira. S\u00e3o, portanto, parasitas intracelulares obrigat\u00f3rios; s\u00e3o em conseq\u00fc\u00eancia, respons\u00e1veis por v\u00e1rias doen\u00e7as infecciosas.\n\nGeralmente inibem o funcionamento do material gen\u00e9tico da c\u00e9lula infectada e passam a comandar a s\u00edntese de prote\u00ednas. Os v\u00edrus atacam desde bact\u00e9rias, at\u00e9 plantas e animais. Muitos retrov\u00edrus (v\u00edrus de RNA) possuem genes denominados oncogenes, que induzem as c\u00e9lulas hospedeiras \u00e0 divis\u00e3o descontrolada, com a forma\u00e7\u00e3o de tumores cancerosos.\n\n<strong>Filtrabilidade<\/strong>\n\nEssa caracter\u00edstica, que serviu de base para a descoberta do v\u00edrus, originou a denomina\u00e7\u00e3o vulgar de \u201cv\u00edrus filtr\u00e1vel\u201d, termo que teve de ser abandonado pelo fato de, posteriormente, se descobrir que existem bact\u00e9rias filtr\u00e1veis, como certos espiroquetas, e v\u00edrus n\u00e3o filtr\u00e1veis, como o v\u00edrus do Mosaico Comum do feijoeiro e o do \u201cCrinkle Mosaic\u201d da batatinha.\n\nA filtrabilidade do v\u00edrus n\u00e3o \u00e9 uma pura conseq\u00fc\u00eancia de seu diminuto tamanho. Tipo de filtro, temperatura, ph, carga el\u00e9trica do v\u00edrus e do filtro, quantidade de press\u00e3o exercida sobre o filtro, natureza do flu\u00eddo da suspens\u00e3o e dura\u00e7\u00e3o da filtra\u00e7\u00e3o, s\u00e3o fatores que devem ser levados em considera\u00e7\u00e3o ao se determinar a filtrabilidade do v\u00edrus.\n\nAtualmente se disp\u00f5e de filtros de col\u00f3dio, as Membranas de Gradocol, em que o tamanho dos poros \u00e9 muito mais importante do que nos filtros bacteriol\u00f3gicos de porcelana.\n\n<strong>Natureza Corpuscular<\/strong>\n\nDesde 1898 se suspeita da natureza corpuscular do v\u00edrus, com a teoria do \u201ccontagium vivum fluidum\u201d, denomina\u00e7\u00e3o que Beijerink emprestou de Fracastorius (1546) para caracterizar o filtrado infetivo do suco de fumo com mosaico.\n\nA guisa de esclarecimento, contagium era uma subst\u00e2ncia derivada do corpo do doente e que, passando de um indiv\u00edduo para outro, transmitia a doen\u00e7a e a teoria do contagium vivum foi criada por Fracastorius, quando postulou a ideia de que o cont\u00e1gio fosse devido a agentes vivos (seminaria).\n\nEntretanto, por muitos anos, essa caracter\u00edstica foi um ponto altamente controvertido pois a ci\u00eancia ainda n\u00e3o estava preparada para comprov\u00e1-la. Apesar disso, mesmo antes da descoberta de microsc\u00f3pio eletr\u00f4nico, em 1938, Wendell Stanley (1935) j\u00e1 mostrava evid\u00eancias irrefut\u00e1veis sobre a natureza corpuscular do v\u00edrus ao cristalizar o v\u00edrus do Mosaico do Fumo.\n\nHoje, acostumamos com representa\u00e7\u00f5es esquem\u00e1ticas e eletromicrogr\u00e1ficos dos v\u00edrus, dificilmente imaginamos que essa caracter\u00edstica tivesse sido um pomo de disc\u00f3rdia no passado.\n\n<strong>Natureza Antig\u00eanica<\/strong>\n\nMuito antes da descoberta dos v\u00edrus, j\u00e1 se sabia que doen\u00e7as hoje conhecidas eram causadas por v\u00edrus, como por exemplo a var\u00edola, conferiam resist\u00eancia contra incid\u00eancias subsequentes. A vacina contra a var\u00edola se baseia, ainda hoje, na descobertas de Jenner (1798) de que o v\u00edrus do \u201ccow-pox\u201d(var\u00edola bovina) imuniza contra o \u201csmall-pox\u201d(var\u00edola humana).\n\nProte\u00ednas introduzidas no corpo animal, por via parenteral, sendo elas estranhas ao corpo do animal, induz a forma\u00e7\u00e3o de subst\u00e2ncia que reagem especificamente com as prote\u00ednas injetadas.\n\nEstas prote\u00ednas estranhas constituem os ant\u00edgenos e as subst\u00e2ncias induzidas, os anticorpos.\n\nSendo os v\u00edrus de natureza nucleoproteica tem essa propriedade ant\u00edgeno que serve de base para os m\u00e9todos sorol\u00f3gicos usados em Virologia. Especula-se, atualmente, se as plantas possuem essa capacidade de forma\u00e7\u00e3o de anticorpos, comprova somente em animais.\n\nEstirpes fracas do v\u00edrus da tristeza dos citros conferem resist\u00eancia \u00e0s estirpes mais severas do mesmo v\u00edrus. A natureza desse fen\u00f4meno, entretanto, n\u00e3o esta esclarecida.\n\n<strong>Dimens\u00f5es do v\u00edrus<\/strong>\n\nAs dimens\u00f5es dos v\u00edrus, evidenciadas por estudos eletromicrosc\u00f3picos, de ultrafiltra\u00e7\u00e3o e ultracentrifuga\u00e7\u00e3o, variam de 10 a 350 milimicra de di\u00e2metro; o comprimento chega at\u00e9 2.000 milimicra (v\u00edrus da Tristeza do Citrus).\n\nA guisa de compara\u00e7\u00e3o, os gl\u00f3bulos vermelhos do sangue humano t\u00eam 7.500 milimicra de di\u00e2metro e, dentro de uma c\u00e9lula bacteriana, podem caber mais de 1 milh\u00e3o de part\u00edculas de v\u00edrus.\n\n<strong>Teriam os v\u00edrus evolu\u00eddo de c\u00e9lulas vivas livres? Seriam eles produtos da evolu\u00e7\u00e3o de alguma bact\u00e9ria? Poderiam ser estes, componentes de c\u00e9lulas hospedeiras que se tornaram aut\u00f4nomos?<\/strong>\n\nEles lembram genes que tenham adquirido a capacidade de existir independentemente da c\u00e9lula.\n\nEmbora a virologia exista como ci\u00eancia apenas h\u00e1 cerca de 100 anos, os v\u00edrus provavelmente t\u00eam estado presente nos organismos vivos desde a origem da vida.\n\nSe os v\u00edrus precederam ou surgiram somente ap\u00f3s os organismos unicelulares, \u00e9 uma quest\u00e3o controversa. Contudo, com base nas cont\u00ednuas descobertas de v\u00edrus infectando diferentes esp\u00e9cies, pode-se concluir que, praticamente, todas as esp\u00e9cies deste planeta s\u00e3o infectadas por v\u00edrus.\n\nOs estudos tem sido limitados aos v\u00edrus isolados no presente ou de material de poucas d\u00e9cadas atr\u00e1s. Infelizmente n\u00e3o existem f\u00f3sseis dos v\u00edrus.\n\n<strong>Estrutura<\/strong>\n\nOs\u00a0v\u00edrus\u00a0s\u00e3o formados basicamente por um envolt\u00f3rio ou c\u00e1psula proteica, que abriga o material heredit\u00e1rio. Este pode ser tanto o \u00e1cido desoxirribonucleico (DNA) como o \u00e1cido ribonucleico (RNA). Esses dois \u00e1cidos nucleicos, no entanto, nunca ocorrem em um mesmo v\u00edrus.\n\nExistem, assim, v\u00edrus de DNA e v\u00edrus de RNA. Em todos os outros seres vivos, o \u00e1cido desoxirribonucleico e o \u00e1cido ribonucleico ocorrem juntos dentro das c\u00e9lulas, sendo o DNA o \u201cportador\u201d das informa\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas e o RNA o \u201ctradutor\u201d dessas informa\u00e7\u00f5es.\n\n<b>Formados por uma c\u00e1psula (caps\u00eddio) proteica\u00a0+ \u00e1cido nucleico:<\/b>\u00a0DNA ou RNA.\n\nO caps\u00eddio, al\u00e9m de proteger o \u00e1cido nucleico viral, tem a capacidade de se combinar quimicamente com subst\u00e2ncias presentes na superf\u00edcie das c\u00e9lulas, o que permite ao v\u00edrus reconhecer e atacar o tipo de c\u00e9lula adequado a hosped\u00e1-lo.\n\nA part\u00edcula viral, quando fora da c\u00e9lula hospedeira, \u00e9 genericamente denominada v\u00edrion. Cada tipo de v\u00edrus possui uma forma caracter\u00edstica, mas todos eles s\u00e3o extremamente pequenos, geralmente muito menores do que as menores bact\u00e9rias conhecidas, sendo vis\u00edveis somente ao microsc\u00f3pio eletr\u00f4nico. Os v\u00edrus apresentam uma grande variedade de forma e de tamanho.\n\nO di\u00e2metro dos principais v\u00edrus oscila de 15-300 nm. O v\u00edrus da var\u00edola \u00e9 o maior v\u00edrus humano que se conhece (300x250x100 nm), enquanto que o da poliomielite \u00e9 o menor v\u00edrus humano (20 nm de di\u00e2metro).\n\nO v\u00edrus da febre aftosa, respons\u00e1vel por uma doen\u00e7a em gado, possui 15 nm, sendo portanto, menor que o poliov\u00edrus.\n\nNum s\u00f3 grupo, as medidas citadas por diferentes autores, podem variar consideravelmente. Isto se deve em parte, a certas diferen\u00e7as nas t\u00e9cnicas empregadas.V\u00edrus de diferentes fam\u00edlias apresentam diferentes morfologias que podem ser prontamente distinguidas pelo microsc\u00f3pio eletr\u00f4nico.\n\nEsta rela\u00e7\u00e3o \u00e9 \u00fatil para o diagn\u00f3stico de doen\u00e7as virais e, especialmente para reconhecer novos v\u00edrus respons\u00e1veis por infec\u00e7\u00f5es. Alguns v\u00edrus tem formas parecidas, da\u00ed ser importante o uso da imunomicroscopia eletr\u00f4nica.\n\n<strong>Um v\u00edrion pode se apresentar sob v\u00e1rios formatos:<\/strong>\u00a0esf\u00e9rico (influenzav\u00edrus),de ladrilho (poxv\u00edrus),de bast\u00e3o (v\u00edrus do mosaico do tabaco) e de proj\u00e9til (v\u00edrus da raiva).\n\nOs v\u00edrus s\u00e3o extremamente simples e diferem dos seres vivos pela inexist\u00eancia de organiza\u00e7\u00e3o celular, por n\u00e3o possu\u00edrem metabolismo pr\u00f3prio e por n\u00e3o serem capazes de se reproduzir, sendo replicados apenas no interior de uma c\u00e9lula hospedeira. S\u00e3o considerados parasitas intracelulares obrigat\u00f3rios, e, em conseq\u00fc\u00eancia disso, s\u00e3o respons\u00e1veis por v\u00e1rias doen\u00e7as infecciosas.\n\nAs diferentes prote\u00ednas virais interagem de modo espec\u00edfico com prote\u00ednas expostas nas membranas celulares, determinando, assim, as c\u00e9lulas que s\u00e3o suscept\u00edveis a certos v\u00edrus. O v\u00edrus da poliomielite, por exemplo, \u00e9 altamente espec\u00edfico, infectando apenas c\u00e9lulas nervosas, intestinais e da mucosa da garganta. J\u00e1 o v\u00edrus da rub\u00e9ola e o v\u00edrus da var\u00edola conseguem infectar maior n\u00famero de tecidos humanos.\n\nExistem v\u00edrus que infectam apenas bact\u00e9rias, denominados bacteri\u00f3fagos ou simplesmente fagos; os que infectam apenas fungos, denominados mic\u00f3fagos; os que infectam plantas, v\u00edrus de plantas e os que infectam animais denominados v\u00edrus de animais.\n\n<strong>Componentes<\/strong>\n\nAs prote\u00ednas da superf\u00edcie do caps\u00eddeo e do envelope determinam a intera\u00e7\u00e3o dos v\u00edrus com o hospedeiro. Algumas part\u00edculas virais tamb\u00e9m possuem as enzimas requeridas para facilitar a replica\u00e7\u00e3o do v\u00edrus.\n\nO tamanho do genoma est\u00e1 correlacionado com o tamanho do caps\u00eddio e do envelope. V\u00edrus de grandes dimens\u00f5es podem conter um genoma maior que codifica um maior n\u00famero de prote\u00ednas.\n\nNuma tentativa de clarificar a terminologia dos componentes virais, Caspar et al. em 1962, sistematizaram uma s\u00e9rie de conceitos genericamente consensuais na \u00e9poca.\n\n<strong>De forma r\u00e1pida:<\/strong>\n<blockquote><strong>1. Caps\u00eddeo:\u00a0<\/strong>Refere-se \u00e0 concha de prote\u00ednas que envolve o \u00e1cido nucleico. \u00c9 constitu\u00edda por unidades estruturais.<strong>\n2. Unidades estruturais:\u00a0<\/strong>S\u00e3o as unidades funcionais mais pequenas, equivalendo aos tijolos do caps\u00eddeo.<strong>\n3. Caps\u00f4meros:\u00a0<\/strong>S\u00e3o as unidades morfol\u00f3gicas observadas na superf\u00edcie das part\u00edculas virais e representando agrupamentos de unidades estruturais.<strong>\n4. Nucleocaps\u00eddeo:\u00a0<\/strong>\u00c9 a designa\u00e7\u00e3o atribu\u00edda ao conjunto da mol\u00e9cula de \u00e1cido nucleico mais o caps\u00eddeo que envolve o \u00e1cido nucleico.<strong>\n5. Envelope:\u00a0<\/strong>O caps\u00eddeo pode estar revestido exteriormente por uma camada lip\u00eddica que pode conter material da c\u00e9lula hospedeira e do v\u00edrus.<strong>\n6. Viri\u00e3o:\u00a0<\/strong>\u00c9 a part\u00edcula viral completa e com capacidade infectante.<\/blockquote>\nCaps\u00f4meros individuais podem ser vis\u00edveis em fotografias do microsc\u00f3pio eletr\u00f4nico. Cada componente da c\u00e1psula viral deve possuir as caracter\u00edsticas qu\u00edmicas que lhe permitam \u201cencaixar\u201d e formar as unidades proteicas maiores\n\nO envelope possui uma estrutura membranar, semelhante \u00e0 de uma membrana das c\u00e9lulas vivas e que \u00e9 formada por l\u00edpidos, prote\u00ednas e glicoprote\u00ednas. A maioria dos envelopes dos v\u00edrus s\u00e3o redondos ou pleiom\u00f3rficos (com forma poli\u00e9drica).\n\nTal como uma membrana lip\u00eddica, o envelope viral pode ser destru\u00eddo por detergentes ou solventes qu\u00edmicos (por exemplo \u00e9ter ou clorof\u00f3rmio), o que torna os v\u00edrus inativos.\n\nProte\u00ednas celulares raramente s\u00e3o encontradas nos envelopes virais.\n\nA superf\u00edcie interna de alguns envelopes lip\u00eddicos, especialmente de v\u00edrus de RNA (-) \u00e9 \u201cforrada\u201d por uma matriz proteica que refor\u00e7a a estrutura viral, pois ajusta melhor os seus elementos constituintes, e para alguns v\u00edrus, como \u00e9 o caso dos rabdov\u00edrus, determina a sua forma, que \u00e9 de bala.\n\nAs glicoprote\u00ednas virais estendem-se desde a superf\u00edcie, e para muitos v\u00edrus podem observar-se como \u201cespig\u00f5es\u201d ou protuber\u00e2ncias que saem da superf\u00edcie do v\u00edrus.\n\nA maioria das glicoprote\u00ednas atuam como prote\u00ednas de reconhecimento viral (VAP) capazes de se ligar a estruturas nas c\u00e9lulas alvo.\n\n<strong>V\u00edrus com DNA ou RNA<\/strong>\n\nQuando o \u00e1cido nucleico \u00e9 o DNA, ele \u00e9 transcrito em v\u00e1rias mol\u00e9culas de RNA (pela bact\u00e9ria) que servir\u00e3o de molde para a s\u00edntese de prote\u00ednas virais. \u00c9 o caso do v\u00edrus da var\u00edola, do herpes, do adenov\u00edrus (provoca infec\u00e7\u00f5es respirat\u00f3rias), da hepatite B.\n\n<b>Quando o \u00e1cido nucleico\u00a0\u00e9 o RNA, dois processos podem ocorrer:\u00a0<\/b>O RNA viral \u00e9 transcrito em v\u00e1rias mol\u00e9culas de RNA mensageiro, que comandar\u00e3o a s\u00edntese proteica. \u00c9 o que ocorre com a maior parte dos v\u00edrus animais, como o v\u00edrus da raiva, da gripe; o v\u00edrus da poliomielite e de algumas encefalites t\u00eam o RNA que j\u00e1 funciona como RNA mensageiro.\n\nNos v\u00edrus conhecidos como retrov\u00edrus, como \u00e9 o caso do v\u00edrus da AIDS (HIV), o RNA \u00e9 transcrito em DNA por uma enzima transcriptase reversa. A partir da a\u00e7\u00e3o dessa enzima, o RNA serve de molde a uma mol\u00e9cula de DNA, que penetra no n\u00facleo da c\u00e9lula, e integra-se ao cromossomo do hospedeiro.\n\nO DNA viral integrado ao cromossomo celular \u00e9 chamado de prov\u00edrus. Ele \u00e9 reconhecido e transcrito pelas enzimas da c\u00e9lula hospedeira, de modo que logo come\u00e7am a surgir mol\u00e9culas de RNA com informa\u00e7\u00f5es para s\u00edntese de transcriptase reversa e das prote\u00ednas do caps\u00eddeo.\n\nAlgumas dessas mol\u00e9culas de RNA s\u00e3o empacotadas juntamente com mol\u00e9culas de transcriptase reversa, originando centenas de v\u00edrus completos (v\u00edrions).\n\nA infec\u00e7\u00e3o por retrov\u00edrus geralmente n\u00e3o leva \u00e0 morte da c\u00e9lula hospedeira, e esta pode se dividir e transmitir o prov\u00edrus integrado \u00e0s c\u00e9lulas-filhas.\n\n<strong>Retrov\u00edrus<\/strong>\n\nNem todo v\u00edrus de RNA \u00e9 classificado como retrov\u00edrus, somente aqueles que usam o RNA como molde para s\u00edntese de DNA.\n\n<strong>Em 1980 foi isolado o primeiro retrov\u00edrus na esp\u00e9cie humana:<\/strong>\u00a0o HTLV-1 \u2013 um retrov\u00edrus que infecta linf\u00f3citos T e causa um tipo de leucemia (c\u00e2ncer do sangue).\n\nDois anos mais tarde, foi descoberto outro retrov\u00edrus, o HTLV-2, que causa outro tipo de leucemia. Em 1981 foi diagnosticado o primeiro caso de AIDS e somente em 1983 conseguiu-se provar que essa s\u00edndrome \u00e9 causada por um novo tipo de retrov\u00edrus, que recebeu o nome de V\u00edrus da Imunodefici\u00eancia Humana ou HIV.\n\n<strong>Especificidade<\/strong>\n\nEm geral, um tipo de v\u00edrus ataca um ou poucos tipos de c\u00e9lula. Isso porque um determinado tipo de v\u00edrus s\u00f3 consegue infectar uma c\u00e9lula que possua, na membrana, subst\u00e2ncias \u00e0s quais ele possa se ligar. O v\u00edrus da Poliomielite, por exemplo, \u00e9 altamente espec\u00edfico, infectando apenas c\u00e9lulas nervosas, intestinais e da mucosa da garganta. J\u00e1 os v\u00edrus da Rub\u00e9ola e da Var\u00edola conseguem infectar maior n\u00famero de tecidos humanos.\n\nOs v\u00edrus da Gripe s\u00e3o bastante vers\u00e1teis e podem infectar diversos tipos de c\u00e9lulas humanas e tamb\u00e9m c\u00e9lulas de diferentes animais, como patos, cavalos e porcos. Em muitos casos, essa capacidade se deve ao fato de esses v\u00edrus conseguirem se ligar a subst\u00e2ncias presentes em c\u00e9lulas de diversos tipos de organismo.\n\nOs v\u00edrus, tanto de plantas como de animais, apresentam uma gama determinada de hospedeiros. Assim, o v\u00edrus da febre amarela urbana tem como hospedeiros somente o homem (transmissor: mosquito do g\u00eanero Aedes); o da febre amarela silvestre, o macaco e o homem (transmissor Haemogogus); o da Tristeza do Citrus, somente plantas c\u00edtricas; TWV pelo menos 74 esp\u00e9cies vegetais distribu\u00eddas em 14 fam\u00edlias.\n\n<strong>Em v\u00edrus animais e especificidade vai at\u00e9 o n\u00edvel histol\u00f3gico, servindo de base para classifica-los em v\u00edrus:\u00a0<\/strong>v\u00edrus dermotr\u00f3picos (var\u00edola, varicela, sarampo, rub\u00e9ola, etc.), v\u00edrus pneumotr\u00f3picos (gripe, resfriado, etc.) v\u00edrus neurotr\u00f3picos (raiva, poliomielite, encefalites, etc.), v\u00edrus hepatotr\u00f3picos (febre-amarela, hepatite) e v\u00edrus linfo e glandulotr\u00f3picos (caxumba, linfogranuloma inguinal).\n\n<strong>Propriedades<\/strong>\n<blockquote><strong>1. Tamanho:<\/strong>\u00a0os v\u00edrus s\u00e3o menores que outros organismos, embora eles variem consideravelmente em tamanho \u2013 de 10 nm a 300 nm. As bact\u00e9rias possuem aproximadamente 1000 nm e as hem\u00e1cias 7500 nm de di\u00e2metro.<strong>\n2. Genoma:<\/strong>\u00a0o genoma dos v\u00edrus pode ser formado de DNA ou RNA, nunca ambos (os v\u00edrus cont\u00e9m apenas um tipo de \u00e1cido nucleico).<strong>\n3. Metabolismo:<\/strong>\u00a0os v\u00edrus n\u00e3o possuem atividade metab\u00f3lica fora da c\u00e9lula hospedeira; eles n\u00e3o possuem atividade ribossomal ou aparato para s\u00edntese de prote\u00ednas.<\/blockquote>\nDesta forma, os v\u00edrus s\u00f3 s\u00e3o replicados dentro de c\u00e9lulas vivas. O \u00e1cido nucleico viral cont\u00e9m informa\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para programar a c\u00e9lula hospedeira infectada, de forma que esta passa a sintetizar v\u00e1rias macromol\u00e9culas v\u00edrus-espec\u00edficas necess\u00e1rias a produ\u00e7\u00e3o da prog\u00eanie viral.\n\nFora da c\u00e9lula suscept\u00edvel, as part\u00edculas virais s\u00e3o metabolicamente inertes. Estes agentes podem infectar c\u00e9lulas animais e vegetais, assim como microrganismos. Muitas vezes n\u00e3o produzem preju\u00edzos aos hospedeiros, embora demonstrem efeitos vis\u00edveis.\n\nSe os v\u00edrus s\u00e3o organismos vivos ou n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o filos\u00f3fica, para a qual alguns virologistas poder\u00e3o responder que n\u00e3o. Embora os v\u00edrus possuam as principais caracter\u00edsticas de um organismo celular, eles n\u00e3o possuem a maquinaria necess\u00e1ria para executar aspectos b\u00e1sicos do metabolismo, tais como a s\u00edntese de prote\u00ednas.\n\nEles n\u00e3o s\u00e3o capazes de replicar-se fora da c\u00e9lula hospedeira. Ao inv\u00e9s disto, os genes virais s\u00e3o capazes de controlar o metabolismo celular e redirecion\u00e1-lo para a produ\u00e7\u00e3o de produtos v\u00edrus-espec\u00edficos.\n\n<strong>Os v\u00edrus, por outro lado, diferem de outros agentes como<\/strong>: toxinas, outros parasitas intracelulares obrigat\u00f3rios e plasm\u00eddeos. As toxinas n\u00e3o s\u00e3o capazes de se multiplicar.\n\nO ciclo de infec\u00e7\u00e3o viral inclui um \u201cper\u00edodo de eclipse\u201d durante o qual n\u00e3o se detecta a presen\u00e7a do v\u00edrus, o que n\u00e3o ocorre com os outros parasitas intracelulares.\n\nOs plasm\u00eddeos (que s\u00e3o mol\u00e9culas de DNA capazes de se replicar em c\u00e9lulas independentemente do DNA celular) n\u00e3o apresentam as estruturas protetoras, que nos v\u00edrus impedem a degrada\u00e7\u00e3o do \u00e1cido nucleico gen\u00f4mico.Uma grande contribui\u00e7\u00e3o para a virologia foi a descoberta de que os v\u00edrus podem ser cristalizados.\n\nQuando o qu\u00edmico-org\u00e2nico Wendell M. Stanley cristalizou o v\u00edrus do Mosaico do Tabaco (VMT) em 1935, forneceu um poderoso argumento para que se pudesse pensar nos v\u00edrus como estruturas qu\u00edmicas simples, consistindo somente de prote\u00edna e \u00e1cido nucleico. Desta forma, se pensarmos nos v\u00edrus fora das c\u00e9lulas, podemos consider\u00e1-los como estruturas moleculares excepcionalmente complexas.\n\nNo interior das c\u00e9lulas, a informa\u00e7\u00e3o levada pelo genoma viral, faz com que a c\u00e9lula infectada produza novos v\u00edrus, levando-nos a pensar nos v\u00edrus como organismos excepcionalmente simples.\n\n&nbsp;\n\n<strong>Os v\u00edrus s\u00e3o constitu\u00eddos de dois componentes essenciais:<\/strong>\u00a0a parte central recebe o nome de cerne, onde se encontra o genoma, que pode ser DNA ou RNA, associado com uma capa proteica denominada caps\u00eddeo, formando ambos o nucleocaps\u00eddeo.\n\nO v\u00edrion constitui a \u00faltima fase de desenvolvimento do v\u00edrus, ou seja, a part\u00edcula infectante madura. Em alguns grupos (poliov\u00edrus, adenov\u00edrus), os v\u00edrions consistem unicamente de nucleocaps\u00eddeo.\n\nEm outros grupos (mixov\u00edrus, herpesv\u00edrus, poxv\u00edrus), os virions s\u00e3o constitu\u00eddos de nucleocaps\u00eddeo rodeado por uma ou mais membranas lipoprot\u00e9icas (o envelope).\n\nMuitos v\u00edrus adquirem seus envelopes por brotamento atrav\u00e9s de uma membrana celular apropriada (membrana plasm\u00e1tica em muitos casos, ret\u00edculo endoplasm\u00e1tico, golgi ou membrana nuclear).\n\nO envelope \u00e9 uma caracter\u00edstica comum nos v\u00edrus de animais, por\u00e9m incomum nos v\u00edrus de plantas.\n\n<strong>Origem dos V\u00edrus<\/strong>\n\n<strong>Provavelmente as m\u00faltiplas origens dos v\u00edrus perderam-se no mar das conjecturas e especula\u00e7\u00f5es, resultando essencialmente da sua natureza:<\/strong>\u00a0ningu\u00e9m conseguiu ainda detectar uma part\u00edcula de v\u00edrus f\u00f3ssil; eles s\u00e3o demasiado pequenos e provavelmente demasiado fr\u00e1geis para resistir aos v\u00e1rios processos que levam \u00e0 fossiliza\u00e7\u00e3o, ou mesmo \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o de pequenos fragmentos de sequ\u00eancia dos \u00e1cidos nucleicos em tecidos como folhas ou insetos em \u00e2mbar.\n\nComo tal, o estudo de v\u00edrus est\u00e1 limitado aos que s\u00e3o isolados no presente, ou em material que tem no m\u00e1ximo algumas dezenas de anos. A nova ci\u00eancia (ou arte!) da sistem\u00e1tica molecular dos v\u00edrus tem, no entanto, por fim a busca de uma luz nas distantes rela\u00e7\u00f5es de importantes grupos virais, e em alguns casos presumir a sua origem.\n\nPor exemplo, os picornav\u00edrus dos mam\u00edferos s\u00e3o estrutural e geneticamente muito semelhantes a um grande grupo de pequenos v\u00edrus de RNA de insetos e com pelo menos dois v\u00edrus de plantas.\n\nComo os v\u00edrus de insetos s\u00e3o mais diversificados do que os v\u00edrus de mam\u00edferos, estes t\u00eam provavelmente a sua origem nalgum inseto que adaptou a sua alimenta\u00e7\u00e3o a mam\u00edferos nalgum ponto no tempo evolutivo.\n\nSe desejarmos andar para tr\u00e1s, no tempo evolutivo, um caso pode descender de um \u00fanico ancestral de pelo menos a associa\u00e7\u00e3o da fun\u00e7\u00e3o replica-se de todos os v\u00edrus com genoma de cadeia \u00fanica positiva (+) ou de cadeia \u00fanica negativa (-); deste modo os grandes v\u00edrus de DNA, como pox- e herpesv\u00edrus podem ser presumidos como tendo \u201cdegenerado\u201d (se se acreditar que os v\u00edrus podem ter surgido pela degenera\u00e7\u00e3o de organismos celulares, o que n\u00e3o \u00e9 uma hip\u00f3tese muito vi\u00e1vel?), dado que as suas sequ\u00eancias de enzimas partilham maiores semelhan\u00e7as com sequ\u00eancias de certas c\u00e9lulas do que com as de outros v\u00edrus.\n\nRetrov\u00edrus, pararetrov\u00edrus, retrotranspos\u00f5es e retropos\u00f5es partilham todos, provavelmente, a origem comum da fun\u00e7\u00e3o da transcriptase reversa, a qual pode bem ser uma rel\u00edquia viva de uma enzima capaz de fazer a liga\u00e7\u00e3o entre a gen\u00e9tica baseada em RNA e a baseada em DNA.\n\nPara al\u00e9m das implica\u00e7\u00f5es dos estudos da correla\u00e7\u00e3o das sequ\u00eancias moleculares, \u00e9 bastante f\u00e1cil sugerir que pode haver uma origem comum dos v\u00edrus como organismos. Por exemplo, n\u00e3o existe nenhum caminho \u00f3bvio que permita relacionar v\u00edrus do tamanho e complexidade dos Poxv\u00edrus [dsDNA linear, 130-375 kb, 150-300 genes] com v\u00edrus como Tombamoviridae [ssRNA linear, 6-7 kb, 4 genes], ou ainda com os Geminiviridae [ssDNA circular, 2.7-5.4, 3-7 genes].\n\nAssim, n\u00e3o pode existir uma \u201c\u00e1rvore geneal\u00f3gica de fam\u00edlia\u201d simples para os v\u00edrus; tanto mais que, a sua evolu\u00e7\u00e3o descendente se assemelha a um n\u00famero de ramos da \u00e1rvore espalhados. Os v\u00edrus enquanto classe de organismos (entidades biol\u00f3gicas) devem ser considerados como tendo uma origem polifil\u00e9tica.\n\n<strong>O que se torna assustador s\u00e3o as aparentemente novas doen\u00e7as que surgem no nosso ambiente humano a intervalos \u201cmuito regulares\u201d:<\/strong>\u00a0novos e ainda extremamente virulentos, tais como os v\u00edrus que causam febre hemorr\u00e1gica \u2013 Ebola, Dengue, o do s\u00edndroma pulmonar hantav\u00edrus, o HIV1 e HIV2.\n\nEstes v\u00edrus \u201cemergentes\u201d ou \u201cre-emergentes\u201d s\u00e3o de grande preocupa\u00e7\u00e3o internacional e por isso existem grandes esfor\u00e7os concentrados para a sua investiga\u00e7\u00e3o.\n\n<strong>A reprodu\u00e7\u00e3o dos v\u00edrus<\/strong>\n\nComo todos j\u00e1 sabem, o v\u00edrus precisa de outros organismos para se multiplicar. Os v\u00edrus tamb\u00e9m n\u00e3o s\u00e3o considerados como organismos primitivos como se pensava antigamente, s\u00e3o sim, organismos muito especializados que talvez tenham evolu\u00eddo de um ancestral que perdeu a sua capacidade de vida independente, tornando-se parasitas ao extremo.\n\nPara se multiplicarem os v\u00edrus utilizam o processo reprodutivo da c\u00e9lula hospedeira, redirecionando o metabolismo destas pela substitui\u00e7\u00e3o do \u00e1cido nucleico celular.\n\nOs v\u00edrus podem infectar desde bact\u00e9rias at\u00e9 seres humanos. Quando infectam bact\u00e9rias, recebem o nome de bacteri\u00f3fagos ou fagos.\n\nNas bact\u00e9rias os v\u00edrus muitas vezes se tornam t\u00e3o intimamente relacionados com o DNA do hospedeiro (bact\u00e9ria) que agem como parte de tal.\n\nDurante a replica\u00e7\u00e3o de um bacteri\u00f3fago (Ciclo L\u00edtico) estes se aproximam do hospedeiro e um deles vai se fixar a membrana da bact\u00e9ria (adsor\u00e7\u00e3o).\n\nEm seguida ocorre a penetra\u00e7\u00e3o do \u00e1cido nucleico do fago no interior da bact\u00e9ria hospedeira. Assim o material gen\u00e9tico vir\u00f3tico ser\u00e1 incorporado ao DNA do hospedeiro.\n\nDurante a replica\u00e7\u00e3o, ser\u00e3o formadas novas mol\u00e9culas de DNA do fago. Quando a transcri\u00e7\u00e3o e posterior tradu\u00e7\u00e3o, as prote\u00ednas espec\u00edficas relacionadas a capa proteica do fago, tamb\u00e9m ser\u00e3o sintetizadas.\n\nLogo em seguida ocorre a degrada\u00e7\u00e3o do DNA da bact\u00e9ria hospedeira. Assim, por meio de um processo de automontagem de cada componente, ser\u00e3o formados novos fagos.\n\nA fase em que ocorre a replica\u00e7\u00e3o e a posterior automontagem \u00e9 denominada de eclipse. Formados os novos fagos, ocorre a libera\u00e7\u00e3o destes pelo rompimento da membrana da bact\u00e9ria, que se d\u00e1 pela a\u00e7\u00e3o de enzimas espec\u00edficas.\n\n<strong>Qual \u00e9 a diferen\u00e7a entre um v\u00edrus e uma bact\u00e9ria?<\/strong>\n\nExistem v\u00e1rias diferen\u00e7as entre\u00a0v\u00edrus e bact\u00e9rias, incluindo seus tamanhos relativos, m\u00e9todos de reprodu\u00e7\u00e3o e resist\u00eancia \u00e0 interven\u00e7\u00e3o m\u00e9dica.\n\nBact\u00e9ria, a forma singular da palavra bact\u00e9ria, \u00e9 um organismo vivo unicelular, com conjuntos completos de ambos os c\u00f3digos gen\u00e9ticos \u00e1cido ribonucleico (RNA) e \u00e1cido desoxirribonucleico (DNA).\n\nUm\u00a0v\u00edrus\u00a0\u00e9 pouco mais do que uma se\u00e7\u00e3o de RNA ou DNA coberta por um inv\u00f3lucro de prote\u00edna. Uma bact\u00e9ria, portanto, \u00e9 pelo menos cem vezes maior que um v\u00edrus t\u00edpico.\n\nUma diferen\u00e7a importante entre\u00a0v\u00edrus e bact\u00e9rias\u00a0\u00e9 o m\u00e9todo de reprodu\u00e7\u00e3o.\n\nUma\u00a0bact\u00e9ria\u00a0\u00e9 uma unidade completamente autocontida e auto-reprodutora. Quando for a hora certa, uma bact\u00e9ria dividir\u00e1 seu DNA e material gen\u00e9tico de RNA em dois.\n\nParedes celulares separadas se acumular\u00e3o em torno dessas duas novas bact\u00e9rias, e esse processo continuar\u00e1 at\u00e9 que milhares ou milh\u00f5es de bact\u00e9rias tenham se formado.\n\n\u00c9 assim que estirpes de bact\u00e9rias sobrevivem em quase todos os ambientes da Terra, incluindo superf\u00edcies n\u00e3o vivas como pedras ou pl\u00e1stico.\n\nUm\u00a0v\u00edrus, por outro lado, n\u00e3o pode se reproduzir sem um hospedeiro vivo. Um v\u00edrus pode permanecer inativo por milhares de anos antes de finalmente entrar em contato com um hospedeiro adequado.\n\nUma vez que entra no corpo de um hospedeiro, um v\u00edrus usa ap\u00eandices parecidos com as pernas para fixar em uma c\u00e9lula e um espig\u00e3o ou revestimento qu\u00edmico para penetrar na parede celular.\n\nUma vez dentro de uma c\u00e9lula viva, um v\u00edrus substitui os comandos originais de DNA ou RNA da c\u00e9lula por suas pr\u00f3prias instru\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas. Essas instru\u00e7\u00f5es s\u00e3o geralmente para fazer tantas c\u00f3pias do v\u00edrus quanto poss\u00edvel.\n\nUma vez que a c\u00e9lula individual tenha sobrevivido \u00e0 sua utilidade, ela explode e envia milhares de c\u00f3pias do v\u00edrus original para outras c\u00e9lulas desavisadas.\n\nNoventa e nove por cento de todas as bact\u00e9rias conhecidas s\u00e3o consideradas ben\u00e9ficas para os seres humanos, ou pelo menos inofensivas. Eles passam seus dias quebrando mat\u00e9ria org\u00e2nica e destruindo parasitas nocivos.\n\nA pequena porcentagem de bact\u00e9rias consideradas prejudiciais ao corpo humano, como o estreptococo e a E. coli, ainda desempenham as mesmas fun\u00e7\u00f5es que suas bact\u00e9rias menos t\u00f3xicas.\n\nBact\u00e9rias se alimentam dos tecidos do corpo humano e excretam toxinas e \u00e1cidos. S\u00e3o essas toxinas e \u00e1cidos irritantes que causam muitos dos problemas associados \u00e0 infec\u00e7\u00e3o bacteriana.\n\nSe as bact\u00e9rias podem ser mortas com antibi\u00f3ticos, as infec\u00e7\u00f5es deixadas para tr\u00e1s devem desaparecer rapidamente.\n\nA maioria dos v\u00edrus, por outro lado, n\u00e3o tem finalidade ben\u00e9fica. Sua \u00fanica miss\u00e3o na vida \u00e9 criar mais v\u00edrus, a fim de garantir a sobreviv\u00eancia da tens\u00e3o. O efeito mortal que um v\u00edrus tem em seu hospedeiro \u00e9 meramente incidental.\n\nQuando um\u00a0v\u00edrus\u00a0entra no corpo humano, ele procura uma c\u00e9lula hospedeira aceit\u00e1vel e a captura sem aviso. Uma vez que a c\u00e9lula estourar, milhares de novos v\u00edrus repetem o processo em outras c\u00e9lulas saud\u00e1veis.\n\nNo momento em que as defesas naturais do corpo se tornam conscientes da invas\u00e3o, o v\u00edrus pode ter um controle significativo sobre \u00f3rg\u00e3os e tecidos vitais. O V\u00edrus da Imunodefici\u00eancia Humana (HIV) e o v\u00edrus Ebola s\u00e3o exemplos de livros did\u00e1ticos sobre o que v\u00edrus perigosos podem fazer em um corpo humano antes de seguir seu curso.\n\nInterven\u00e7\u00e3o m\u00e9dica e tratamento \u00e9 outra grande diferen\u00e7a entre v\u00edrus e bact\u00e9rias. As bact\u00e9rias est\u00e3o vivas, o que significa que podem ser mortas por alguma forma de agente qu\u00edmico.\n\nOs antibi\u00f3ticos s\u00e3o compostos qu\u00edmicos que matam as bact\u00e9rias destruindo suas paredes celulares ou neutralizando sua capacidade de se reproduzir.\n\nA raz\u00e3o pela qual os m\u00e9dicos prescrevem longas doses de antibi\u00f3ticos aos pacientes \u00e9 criar um ambiente no qual as bact\u00e9rias n\u00e3o possam viver.\n\nEmbora as bact\u00e9rias frequentemente desenvolvam uma toler\u00e2ncia para certos antibi\u00f3ticos, o efeito \u00e9 semelhante ao uso de inseticida em insetos.\n\nV\u00edrus, por compara\u00e7\u00e3o, n\u00e3o s\u00e3o considerados criaturas vivas. Eles n\u00e3o podem ser &#8220;mortos&#8221; no mesmo sentido que os antibi\u00f3ticos matam as bact\u00e9rias ou o inseticida mata os insetos.\n\nDe fato, o tratamento de infec\u00e7\u00f5es virais \u00e9 freq\u00fcentemente nenhum tratamento. A doen\u00e7a deve seguir seu curso at\u00e9 que o corpo consiga montar uma defesa bem-sucedida por conta pr\u00f3pria. Os tratamentos antivirais, quando existem, trabalham com o princ\u00edpio de bloquear os m\u00e9todos destrutivos do pr\u00f3prio v\u00edrus. A cadeia de RNA ou DNA do v\u00edrus deve ser geneticamente inofensiva, ou os m\u00e9todos de romper uma parede celular devem ser destru\u00eddos.\n\nOs medicamentos antivirais n\u00e3o s\u00e3o eficazes contra todos os v\u00edrus, e \u00e9 por isso que certas doen\u00e7as, como a AIDS, o HIV e o Ebola, ainda afetam milh\u00f5es de pessoas em todo o mundo.\n\nOs cientistas ainda est\u00e3o tentando entender a estrutura b\u00e1sica e a programa\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica dos v\u00edrus. Somente entendendo como funciona um v\u00edrus, uma vacina bem-sucedida pode ser desenvolvida.\n\nO tratamento da maioria das doen\u00e7as bacterianas, por outro lado, pode ser uma quest\u00e3o de encontrar o antibi\u00f3tico mais eficaz ou usar uma abordagem de amplo espectro.\n\n<strong>Resumo<\/strong>\n\nV\u00edrus\u00a0\u00e9 um micro organismo que \u00e9 menor que uma bact\u00e9ria que n\u00e3o pode crescer ou se reproduzir al\u00e9m de uma c\u00e9lula viva.\n\nUm\u00a0v\u00edrus\u00a0invade as c\u00e9lulas vivas e usa sua maquinaria qu\u00edmica para se manter vivo e se replicar.\n\nPode se reproduzir com fidelidade ou com erros (muta\u00e7\u00f5es); essa capacidade de muta\u00e7\u00e3o \u00e9 respons\u00e1vel pela capacidade de alguns v\u00edrus de mudar levemente em cada pessoa infectada, dificultando o tratamento.\n\nOs v\u00edrus causam muitas infec\u00e7\u00f5es humanas comuns e tamb\u00e9m s\u00e3o respons\u00e1veis por v\u00e1rias doen\u00e7as raras.\n\nExemplos de doen\u00e7as virais variam do resfriado comum, que pode ser causado por um dos rinov\u00edrus, \u00e0 AIDS, causada pelo HIV. Os v\u00edrus podem conter DNA ou RNA como seu material gen\u00e9tico.\n\nO v\u00edrus herpes simplex e o v\u00edrus da hepatite B s\u00e3o v\u00edrus de DNA. Os v\u00edrus de RNA t\u00eam uma enzima chamada transcriptase reversa que permite que a sequ\u00eancia usual de DNA-para-RNA seja revertida, de modo que o v\u00edrus possa fazer uma vers\u00e3o de DNA de si mesmo.\n\nOs v\u00edrus de RNA incluem v\u00edrus HIV e hepatite C.\n\nPesquisadores agruparam v\u00edrus em v\u00e1rias fam\u00edlias principais, com base em sua forma, comportamento e outras caracter\u00edsticas.\n\nEstes incluem os herpes-v\u00edrus, adenov\u00edrus, papovav\u00edrus (incluindo papilomav\u00edrus), hepadnav\u00edrus, poxv\u00edrus e parvov\u00edrus, entre os v\u00edrus DNA.\n\nNo lado do v\u00edrus de ARN, as principais fam\u00edlias incluem os v\u00edrus picorna (incluindo os rinov\u00edrus), os calciv\u00edrus, os paramixov\u00edrus, os ortomixov\u00edrus, os rabdov\u00edrus, os filov\u00edrus e os retrov\u00edrus.\n\nExistem dezenas de fam\u00edlias de v\u00edrus menores dentro dessas classifica\u00e7\u00f5es principais.\n\nMuitos v\u00edrus s\u00e3o hospedeiros espec\u00edficos, capazes de infectar e causar doen\u00e7as em humanos ou em animais espec\u00edficos.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-8339\" title=\"alt=\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/vvirus-16.jpg\" alt=\"V\u00edrus\" width=\"386\" height=\"387\" \/><\/p>\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-large wp-image-144683\" title=\"V\u00edrus\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/virus.jpg\" alt=\"V\u00edrus\" width=\"400\" height=\"300\" \/>\n<strong>V\u00edrus<\/strong><\/p>\n<strong>Fonte:<\/strong>\u00a0www.phar-mecum.com.br\/www.icb.usp.br\/www.wisegeek.org\/www.webciencia.com\/www.enq.ufsc.br\/www.lssa.com.br\/www.prof2000.pt\/www.ufmt.br\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Defini\u00e7\u00e3o Os\u00a0v\u00edrus\u00a0n\u00e3o s\u00e3o c\u00e9lulas, n\u00e3o possuem organelas, sendo completamente dependentes da maquinaria enzim\u00e1tica das c\u00e9lulas vivas para gerar sua pr\u00f3pria energia ou mesmo para s\u00edntese de suas mol\u00e9culas estruturais. 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