{"id":19014,"date":"2015-11-23T00:00:00","date_gmt":"2015-11-23T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/dor-3\/"},"modified":"2026-09-01T15:19:36","modified_gmt":"2026-09-01T15:19:36","slug":"dor-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/biologia-2\/dor-3\/","title":{"rendered":"Dor"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"ads-cima\"><\/p>\n&nbsp;\n\nAaaai!!! \u00c9 o que gritamos quando sentimos<strong> dor<\/strong>. Ningu\u00e9m, certamente, gosta desta sensa\u00e7\u00e3o.\n\n<strong>Entretanto, a dor \u00e9 extremamente ben\u00e9fica:<\/strong> nos alerta, imediatamente, que algo est\u00e1 prejudicando o nosso corpo.\n\n<strong>A dor \u00e9 uma linguagem<\/strong>: c\u00e9lulas nervosas especializadas no sentido da dor (nociceptores), que existem aos milhares em cada mil\u00edmetro de nossa pele, transmitem estes impulsos ao nosso sistema nervoso central (SNC) que responde tentando afastar a parte do corpo afetada do est\u00edmulo doloroso.\n<h4>Nociceptores<\/h4>\nOs gregos antigos acreditavam que a dor fosse uma emo\u00e7\u00e3o. Hoje, embora ainda podemos chorar de dor ou morrer de felicidade quando ela se vai, a ci\u00eancia classifica a dor como uma sensa\u00e7\u00e3o. Assim como outros sentidos &#8211; olfato ou paladar &#8211; a dor necessita de \u00f3rg\u00e3os especiais para a detec\u00e7\u00e3o e informa\u00e7\u00e3o ao SNC. Estes receptores para a dor foram chamados de nociceptores &#8211; um trocadilho com a palavra &#8220;nocivo&#8221;.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Dor\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/dor-ht14.jpg\" alt=\"Dor\" width=\"231\" height=\"425\" \/><\/p>\nA busca por estes receptores foi uma luta cont\u00ednua na ci\u00eancia. Nem todos foram plenamente estudados, ainda, mas a grande parte dos mecanismos associados ao in\u00edcio e propaga\u00e7\u00e3o dos impulsos da dor ja \u00e9 conhecida.\n\n<strong>Os nociceptores s\u00e3o ativados por, basicamente, 4 tipos de est\u00edmulo:<\/strong> mec\u00e2nico, el\u00e9trico, t\u00e9rmico ou qu\u00edmico. A ativa\u00e7\u00e3o dos nociceptores \u00e9, em geral, associada a uma s\u00e9rie de reflexos, tais como o aumento do fluxo sangu\u00edneo local, a contra\u00e7\u00e3o de musculos da vizinhan\u00e7a, mudan\u00e7as na press\u00e3o sagu\u00ednea e dilata\u00e7\u00e3o da pupila.\n\nUma das primeiras descobertas foi a da a\u00e7\u00e3o das prostaglandinas sobre os nociceptores. Quando um tecido \u00e9 injuriado, tal como por uma infec\u00e7\u00e3o ou queimadura solar, as suas c\u00e9lulas liberam prostaglandinas e leucotrienos, que aumentam a sensibilidade dos nociceptores.\n\n<strong>Hipersensibilizados, os nociceptores s\u00e3o capazes de transformar em dor qualquer impulso, mesmo que m\u00ednimo:<\/strong> lembra-se de como doi simplesmente o toque sobre a pele queimada? Este fen\u00f4meno \u00e9 um mecanismo de defesa do organismo e \u00e9 conhecido como hiperalgesia.\n\nVarios f\u00e1rmacos interferem com o ciclo de produ\u00e7\u00e3o das prostaglandinas, tal como a aspirina, e reduzem a sensibiliza\u00e7\u00e3o destes tecidos. O bloqueio da sintese ou a\u00e7\u00e3o dos leucotrienos tamb\u00e9m \u00e9 um alvo dos analg\u00e9sicos farmac\u00eauticos.\n\nA velocidade de condu\u00e7\u00e3o do impulso nervoso \u00e9 diretamente relacionada ao di\u00e2metro da fibra. A dor aguda e s\u00fabita \u00e9 transmitida pelas fibras A, enquanto que a dor persistente e mais lenta \u00e9 transmitida pelas fibras C.\n\nOs nociceptores s\u00e3o ligados ao SNC por interm\u00e9dio de fibras nervosas, de tr\u00eas tipos. Fibras Aa, Ad e C. As fibras-Aa t\u00eam cerca de 10 mm de di\u00e2metro e s\u00e3o envoltas por uma grossa camada de mielina. Elas conduzem impulsos nervosos na velocidade de 100 metros\/segundo. Elas transimitem, tamb\u00e9m, outros estimulos n\u00e3o dolorosos. As fibras-Ad t\u00eam menos do que 3 mm de di\u00e2metro e s\u00e3o encapadas com uma fina camada de mielina.\n\nElas transmitem mais lentamente do que as anteriorest\u00eam, no maximo, 1 mm de di\u00e2metro.\n\n<strong>A :<\/strong> apenas 20 metros\/segundo. As mais lentas, entretanto, s\u00e3o as fibras-C; estas fibras n\u00e3o s\u00e3o encapsuladas e transimiss\u00e3o ocorre a n\u00e3o mais do que conduz a informa\u00e7\u00e3o at\u00e9 o t\u00e1lamo. Ent\u00e3o, \u00e9 1 metro\/segundo.\n\n<strong>Todas as fibras levam os impulsos at\u00e9 a corda espinhal; esta, neste momento que a dor \u00e9 detectada: <\/strong>quando a informa\u00e7\u00e3o atinge o t\u00e1lamo.\n\nO processo evolucion\u00e1rio nos lotou de nociceptores pelo o corpo inteiro. Algo \u00f3bvio, pois a sensa\u00e7\u00e3o da dor \u00e9 algo extremamente ben\u00e9fico e importante para nos alertar da injuria ou mol\u00e9stia, instruindo-nos a tomar atitudes no sentido de corrigir esta situa\u00e7\u00e3o indesejada.\n\n<strong>Entretanto, a mais not\u00f3ria excess\u00e3o \u00e9 o c\u00e9rebro:<\/strong> no c\u00e9rebro n\u00e3o existe nociceptores. Este org\u00e3o \u00e9 completamente insens\u00edvel \u00e0 dor. Isto explica a famosa cena do filme Hannibal, onde o personagem Hannibal Lecter (Anthony Hopkins) degusta, lentamente, por\u00e7\u00f5es do c\u00e9rebro do seu rival Krendler (Ray Liotta), o qual parece ameno ao epis\u00f3dio e, inclusive, prova um pouco da iguaria. A meninge (membrana que encapsula o c\u00e9rebro), entretanto, \u00e9 repleta de nociceptores.\n<h4>Como agem os analg\u00e9sicos?<\/h4>\nNos terminais nervosos, assim como em outras c\u00e9lulas, h\u00e1 uma diferen\u00e7a no potencial el\u00e9trico (leia-se for\u00e7a i\u00f4nica) entre o interior e exterior da membrana citoplasm\u00e1tica. Em geral, o potencial do interior da c\u00e9lula \u00e9 mais negativo do que o exterior. A presen\u00e7a de v\u00e1rios substratos que se ligam a receptores (prote\u00ednas) espec\u00edficos na membrana provoca a abertura de certos canais i\u00f4nicos que podem alterar o valor desta diferen\u00e7a de pontencial. Quando um certo valor de ddp em cada nociceptor \u00e9 alcan\u00e7ado, o potencial de a\u00e7\u00e3o \u00e9 gerado e levado at\u00e9 o SNC ao longo das fibras nervosas associadas.\n<h4>Benzoca\u00edna<\/h4>\n<strong>Os anest\u00e9sicos locais atuam exatamente nesta etapa:<\/strong> eles bloqueiam a transmiss\u00e3o e propaga\u00e7\u00e3o destes impulsos. Por isso, s\u00e3o aplicados exatamente sobre o local de inicia\u00e7\u00e3o do impulso doloroso. Assim, esta informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o chega ao SNC e a dor n\u00e3o \u00e9 sentida. Esta \u00e9 a forma de a\u00e7\u00e3o da benzoca\u00edna, por exemplo.\n<h4>Tipos de Dor<\/h4>\n<strong>1. Dor nociceptiva<\/strong>\n<blockquote><strong>1.1 Estimula\u00e7\u00e3o de tecido normal<\/strong> ocorre quando o tecido \u00e9 danificado por um est\u00edmulo (calor, press\u00e3o, corte)\n<strong>1.2 Tecido em estado patol\u00f3gico<\/strong> ocorre quando uma doen\u00e7a provoca dano no tecido; geralmente \u00e9 associada com inflama\u00e7\u00e3o do tecido danificado. Neste caso, o sistema nociceptivo fica mais sens\u00edvel.<\/blockquote>\n<strong>2. Dor neurop\u00e1tica<\/strong>\n<blockquote>Ocorre quando os axomas sensoriais ou as c\u00e9lulas nervosas est\u00e3o danificadas. em geral, a sensa\u00e7\u00e3o mais comum \u00e9 a queimadura. Geralmente cr\u00f4nica e dif\u00edcil de ser tratada.<\/blockquote>\n<h4>Gloss\u00e1rio<\/h4>\n<strong>Hiperalgesia: <\/strong>qualquer est\u00edmulo produz uma dor excessiva e exagerada.\n\n<strong>Alodinia:<\/strong> est\u00edmulos que normalmente n\u00e3o causam dor passam a ser dolorosos.\n\n<strong>Dor referida:<\/strong> a dor \u00e9 experimentada em regi\u00f5es distintas da do tecido danificado. Um exemplo cl\u00e1ssico \u00e9 a dor no bra\u00e7o esquerdo durante um infarte do mioc\u00e1rdio.\n\n<strong>Dentre os 5 f\u00e1rmacos mais vendidos em todo o mundo, 4 s\u00e3o analg\u00e9sicos: <\/strong>a dor movimenta uma ind\u00fastria de bilh\u00f5es de d\u00f3lares anualmente. Hoje, gra\u00e7as \u00e0 a\u00e7\u00e3o de f\u00e1rmacos cada vez mais eficazes, somos capazes de lutar e vencer a dor.\n\n<strong>Mais um exemplo de um bem-estar adquirido atrav\u00e9s da qu\u00edmica: <\/strong>os analg\u00e9sicos s\u00e3o subst\u00e2ncias que bloqueiam a dor. Isto \u00e9 feito, em geral, por 3 diferentes estrat\u00e9gias. As mol\u00e9culas do analg\u00e9sico podem interferir na transmiss\u00e3o dos impulsos de dor atuando diretamente na origem, no caminho bioqu\u00edmico da percep\u00e7\u00e3o dolorosa ou ainda no sistema nervoso central. Dentre as drogas que atuam diretamente no SNC est\u00e3o os mais potentes f\u00e1rmacos contra a dor, como a morfina.\n\nOs analg\u00e9sicos mais comuns bloqueiam a dor por interferir no processo bioqu\u00edmico de transmiss\u00e3o e\/ou propaga\u00e7\u00e3o dos impulsos dolorosos.\n\n<strong>Neste grupo de subst\u00e2ncias est\u00e3o os analg\u00e9sicos mais vendidos:<\/strong> o \u00e1cido acetil salic\u00edlico, ibuprofen e paracetamol. Estas drogas interferem na bio-s\u00edntese das prostaglandinas, um grupo de horm\u00f4nios envolvidos em v\u00e1rios processos fisiol\u00f3gicos, incluindo a inflama\u00e7\u00e3o. A aspirina inibe duas vers\u00f5es da enzima ciclooxigenase, Cox-1 e Cox-2, bloqueando n\u00e3o somente a s\u00edntese das prostaglandinas, mas tamb\u00e9m a das tromboxanes (coagulantes sangu\u00edneas).\n<h4>Opi\u00f3ides: os an\u00e1logos da morfina<\/h4>\nA<strong> Dor<\/strong> \u00e9 o mais comum motivo que leva pessoas ao m\u00e9dico. Estes, fazem uso de subst\u00e2ncias qu\u00edmicas para combater a dor &#8211; e, para isto, as mol\u00e9culas mais poderosas s\u00e3o os opi\u00f3ides.\n\n<strong>Al\u00e9m de eficazes, os opi\u00f3ides tamb\u00e9m s\u00e3o milenares: <\/strong>o extrato bruto da polpa das flores da papoula (Papaver somniferum) tem sido utilizado como analg\u00e9sico h\u00e1 v\u00e1rios s\u00e9culos. O \u00f3pium cont\u00e9m morpina, code\u00edna, noscapina, papaverina, e tebaina. O termo opi\u00f3ide, entretanto, n\u00e3o designa apenas os opiatos naturais, como morfina e code\u00edna, mas tamb\u00e9m as subst\u00e2ncias sint\u00e9ticas de estruturas semelhantes a da morfina.\n\n<strong>Na d\u00e9cada de 1970, cientistas descobriram que v\u00e1rios opi\u00f3ides que ocorriam naturalmente no corpo humano:<\/strong> os pept\u00eddeos opi\u00f3ides end\u00f3genos. Dentre eles, a j\u00e1 famosa endorfina (ou seja, &#8220;morfina end\u00f3gena&#8221;).\n\nEstes pept\u00eddeos ligam-se a receptores espec\u00edficos, ativando sistemas de supress\u00e3o da dor no c\u00e9rebro e na corda espinal.\n\n<strong>E \u00e9 exatamente desta maneira que os medicamentos atuam:<\/strong> os f\u00e1rmacos baseados em opi\u00f3des mimetizam a a\u00e7\u00e3o destes compostos end\u00f3genos e associam-se aos mesmos receptores opi\u00f3des e ativando o sistema biol\u00f3gico de supress\u00e3o da dor.\n\nTodavia, estes f\u00e1rmacos tamb\u00e9m causam efeitos colaterais indesejados, como n\u00e1usea, seda\u00e7\u00e3o, sonol\u00eancia, confus\u00e3o e constipa\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, o uso continuado leva \u00e0 toler\u00e2ncia e \u00e0 depend\u00eancia f\u00edsica. Logo surgiu a id\u00e9ia de que outras subst\u00e2ncias, por\u00e9m com estrutura qu\u00edmica semelhante a da morfina, pudessem ser t\u00e3o ou mais eficazes mas sem efeitos colaterais. Desde ent\u00e3o, qu\u00edmicos do mundo inteiro tentam obter opi\u00f3ides que atendam a estas exig\u00eancias. As tentativas foram tantas, que j\u00e1 podemos estabelecer uma excelente rela\u00e7\u00e3o entre a estrutura qu\u00edmica e a atividade dos an\u00e1logos da morfina &#8211; que \u00e9 a subst\u00e2ncia com o maior n\u00famero de an\u00e1logos j\u00e1 estudados in vivo.\n\nVamos acompanhar o que ocorre com a morfina quando fizemos pequenas modifica\u00e7\u00f5es em sua estrutura qu\u00edmica. A morfina \u00e9 um policiclo com 5 an\u00e9is, sendo um arom\u00e1tico e dois heteroc\u00edclicos. Na estrutura abaixo, os an\u00e9is s\u00e3o chamados de A (o arom\u00e1tico), B (o ciclohexano), C (o ciclohexeno), D (a piperidina) e E (o tetrahidrofurano). Praticamente todas as subst\u00e2ncias que possuem esta estrutura b\u00e1sica de 5 an\u00e9is possuem atividade analg\u00e9sica.\n\n<strong>Entretanto, uma estereoqu\u00edmica deve ser respeitada para que a estrutura tenha atividade:<\/strong> a fus\u00e3o entre os an\u00e9is B e C deve ser cis e a fus\u00e3o entre os an\u00e9is C e D deve ser trans.\n\n<strong>Al\u00e9m disso, a morfina apresenta duas hidroxilas:<\/strong> um fenol (3-OH) e um \u00e1lcool (6-OH). Os carbonos 7 e 8 s\u00e3o, na morfina, sp2.\n\nMudan\u00e7as no 3-OH levam a subst\u00e2ncias com atividades distintas da morfina. A metila\u00e7\u00e3o da hidroxila 3-OH leva \u00e0 code\u00edna (3-OCH3) , que tem menos de 15% da atividade da morfina. Se aumentarmos o n\u00famero de carbonos no \u00e9ter 3-OR a atividade \u00e9 ainda menor.\n\n<strong>J\u00e1 a metila\u00e7\u00e3o da hidroxila 6-OH resulta num aumento de atividade: <\/strong>a heterocodeina (6-OCH3) \u00e9 6 vezes mais potente do que a morfina. A oxida\u00e7\u00e3o do \u00e1lcool 6-OH reduz a atividade quando a liga\u00e7\u00e3o dupla 7,8 est\u00e1 presente (morfinona = 37% da morfina). Entretanto, quando a liga\u00e7\u00e3o 7,8 \u00e9 saturada (dihidromorfinona, ver figura) o grupo 6-ceto aumenta a atividade da subst\u00e2ncia; a dihidromorfinona (R=H) \u00e9 6 vezes mais ativa do que a morfina. Da mesma forma, a remo\u00e7\u00e3o do grupo 6-OH somente aumenta a atividade quando a liga\u00e7\u00e3o 7,8 \u00e9 saturada; no caso da 6-deoxydihidromorfina a atividade \u00e9 10 vezes maior do que a da morfina.\n\nE se o grupo for substituido por um metileno, a atividade \u00e9 80 vezes maior!\n\nUm dos derivados sint\u00e9ticos da morfina mais conhecidos \u00e9 a hero\u00edna. A fama deve-se ao uso como droga psicotr\u00f3pica por jovens viciados. Al\u00e9m de mais potente do que a morfina, a hero\u00edna produz sensa\u00e7\u00f5es intensas de prazer e at\u00e9 mesmo alucina\u00e7\u00f5es. Estruturalmente, a diferen\u00e7a est\u00e1 na acetila\u00e7\u00e3o de ambas hidroxilas (3- e 6-OH), produzindo a 3,6-diacetilmorfina. Por ter maior solubilidade em lip\u00eddeos, a droga atinge o SNC com maior efic\u00e1cia e rapidez.\n\nSe a liga\u00e7\u00e3o \u00e9ter do anel E (tetrahidrofurano) for quebrada para a forma\u00e7\u00e3o de um segundo grupo hidroxila no anel arom\u00e1tico a atividade \u00e9 reduzida a apenas 10% da atividade da morfina. Todavia, as mudan\u00e7as mais cr\u00edticas est\u00e3o sobre o nitrog\u00eanio terci\u00e1rio do anel piperid\u00ednico. O melhor substituinte \u00e9 o grupo metil; se o grupo alqu\u00edlico ligado ao nitrog\u00eanio piperid\u00ednico for maior, como o propil, alil ou isobutil, o composto se torna um narc\u00f3tico antagonista (reprime a fun\u00e7\u00e3o do receptor). Entretanto, se o grupo metila for substituido por um hidrog\u00eanio, tornando o nitrog\u00eanio secund\u00e1rio, a atividade \u00e9 reduzida. Aparentemente, \u00e9 de vital import\u00e2ncia a basicidade do nitrog\u00eanio piperid\u00ednico para a atividade da droga. A introdu\u00e7\u00e3o de mais um substituinte met\u00edlico, transformando o nitrog\u00eanio nu \u00edon de am\u00f4nio quatern\u00e1rio, tal como a N,N-dimetilmorfina, anula totalmente o seu efeito analg\u00e9sico.\n\nUm dos an\u00e1logos da morfina com maior atividade analg\u00e9sica \u00e9 a etorfina. Esta droga \u00e9 t\u00e3o potente (&gt; 1000 X morfina!) que n\u00e3o pode ser usada em humanos. Atualmente, vem sendo empregada como tranquilizante para grandes animais, como ursos e elefantes. Estruturalmente, a droga difere da morfina por possuir um anel extra &#8211; o ciclohexeno, uma liga\u00e7\u00e3o saturada entre os carbonos 7 e 8 da morfina, uma longa cadeia alqu\u00edlica que tem uma alfa-hidroxila no carbono 7, e o grupo \u00e9ter no 6-OH.\n\nBaseado nestas e em muitas outras observa\u00e7\u00f5es, uma regra geral para analg\u00e9sicos opi\u00f3ides foi estabelecida. Esta regra \u00e9 chamada de Morphine Rule e ressalta algumas caracter\u00edsticas estruturais importantes para que um determinado opi\u00f3ide tenha efeito analg\u00e9sico.\n\n<strong>Esta mol\u00e9cula deve ter:<\/strong>\n<blockquote><strong>a)<\/strong> um nitrog\u00eanio terci\u00e1rio com um pequeno substituinte alqu\u00edlico\n<strong>b)<\/strong> um carbono quatern\u00e1rio\n<strong>c)<\/strong> um grupo fen\u00edlico ligado diretamente ao carbono quatern\u00e1rio\n<strong>d)<\/strong> um espa\u00e7o de 2 carbonos entre o carbono quatern\u00e1rio e o nitrog\u00eanio terci\u00e1rio<\/blockquote>\nDe posse destas informa\u00e7\u00f5es, foi poss\u00edvel entender o receptor opi\u00f3ide.\n\n<strong>De acordo com a presente literatura, este receptor consiste de 3 s\u00edtios de liga\u00e7\u00e3o:<\/strong> o ani\u00f4nico, que liga-se ao nitrog\u00eanio carregado positivamente (o \u00e1cido conjugado da morfina); uma cavidade que acomoda o anel piperid\u00ednico e uma regi\u00e3o plana onde liga-se a parte arom\u00e1tica da mol\u00e9cula.\n<h4>Receptores para a Pimenta!<\/h4>\n<strong>Em 1975, uma grande descoberta mudou drasticamente a forma com que os cientistas interpretavam a dor:<\/strong> foi constatado a exist\u00eancia, no tecido humano, de receptores para a mol\u00e9cula capsaicina. Certos terminais nervosos, ao receberem esta mol\u00e9cula, abrem canais de s\u00f3dio, gerando um impulso el\u00e9trico que \u00e9 propagado ao longo do sistema nervoso.\n\n<strong>Esta mol\u00e9cula, a capsaicina, est\u00e1 presente na chilli pepper: <\/strong>\u00e9 ela a respons\u00e1vel pela sensa\u00e7\u00e3o de queimadura causada pela pimenta. E, incrivelmente, quando expomos nossa m\u00e3o, por exemplo, a uma fonte de calor, esta mol\u00e9cula \u00e9 liberada e ativa o mesmo sistema de resposta.\n\n<strong>Em ambos os casos, o SNC tem a mesma interpreta\u00e7\u00e3o:<\/strong> est\u00e1 quente!\n\nEntretanto, foi somente em 1997 que o grupo de David Julius (University of California, SF\/CA), conseguiu clonar, em laborat\u00f3rio, este receptor. Utilizando is\u00f3topos marcados de \u00edons c\u00e1lcio, eles puderam comprovar a a\u00e7\u00e3o da capsaicin sobre este receptor.\n\n<strong>Uma outra descoberta<\/strong>: a simples eleva\u00e7\u00e3o da temperatura do ambiente onde o receptor se encontra leva, tamb\u00e9m, a abertura dos mesmos canais i\u00f4nicos (M. J. Caterina et al, Nature, 1997, 389, 816). Estava ali, ent\u00e3o, a prova de que, de fato, a sensa\u00e7\u00e3o causada pela chilli pepper era parecida com a queimadura por calor. O mecanismo, ou seja, a linguagem utilizada pelos terminais nervosos \u00e9 a mesma.\n\nLogo descobriram-se outras mol\u00e9culas capazes de interagirem com estes nociceptores, que foram chamados de receptores vanil\u00f3ides. Entre estas mol\u00e9culas, estava a resiniferatoxina.\n\n<strong>Algo, ent\u00e3o, chamou a aten\u00e7\u00e3o dos cientistas:<\/strong> este composto, a resiniferatoxina, que pode ser obtida do l\u00e1tex da planta Euphorbia resinifera, era usado como um terap\u00eautico durante o reinado do imperador romano Augustus! Intrigante, n\u00e3o?! Uma mol\u00e9cula que provoca a dor pode, tamb\u00e9m, alivi\u00e1-la?! N\u00e3o demorou muito para que os cientistas constatassem que o mesmo ocorria com a capsaicina e, hoje, ela \u00e9 usada largamente como um analg\u00e9sico para artrite.\n\n<strong>A explica\u00e7\u00e3o: a exposi\u00e7\u00e3o cont\u00ednua de um nociceptor a capsaicin acaba por matar, literalmente, esta c\u00e9lula: <\/strong>o influxo cont\u00ednuo de \u00edons Ca2+ na membrana permanentemente aberta altera drasticamente as fun\u00e7\u00f5es da c\u00e9lula, levando a sua aniquila\u00e7\u00e3o.\n\nEm 1999, Edward H\u00f6gest\u00e4tt, na University of Lund (Sweden), descobriu que o efeito da vasodilata\u00e7\u00e3o era mediado pelos receptores vanil\u00f3ides (P. M. Zygmunt et al, Nature, 1999, 400, 452) e, portanto, tamb\u00e9m sucept\u00edvel a a\u00e7\u00e3o da capsaicina. V\u00e1rios cient\u00edstas &#8211; qu\u00edmicos e bioqu\u00edmicos &#8211; estudam este nociceptor.\n\nDescobriu-se, por exemplo, que ratos geneticamente alterados para n\u00e3o possuirem os receptores vanil\u00f3ides tamb\u00e9m apresentavam resposta ao est\u00edmulo de calor.\n\nA anandamida, uma subst\u00e2ncia capaz de interagir com os receptores canabin\u00f3ides, tamb\u00e9m interage com os receptores vanil\u00f3ides. As recentes desobertas sugerem que estes receptores t\u00eam fun\u00e7\u00f5es m\u00faltiplas, ativando est\u00edmulos de dor ao serem expostos ao calor, \u00e0 inflama\u00e7\u00e3o ou a uma s\u00e9rie de subst\u00e2ncias qu\u00edmicas.\n\nOutra mol\u00e9cula muito importante nos processos de dor \u00e9 a multi-uso ATP.\n\n<strong>Durante toda a evolu\u00e7\u00e3o da vida, a natureza atribuiu diversas fun\u00e7\u00f5es para esta pequena mol\u00e9cula:<\/strong> todos sabemos que ela \u00e9 uma pe\u00e7a fundamental para a &#8220;fabrica\u00e7\u00e3o&#8221; do DNA, que ela atua como um &#8220;transportador&#8221; de energia mas, somente na \u00faltima d\u00e9cada, os cientistas descobriram que ela tamb\u00e9m atua nos processos dolorosos. Quando sofremos uma inj\u00faria, algumas c\u00e9lulas podem ser danificadas. Muitas vezes, as membranas destas c\u00e9lulas se rompem, e o conte\u00fado citoplasm\u00e1tico acaba sendo liberado para o meio intercelular. Entre estas subst\u00e2ncias, encontra-se o ATP. Certos nociceptores s\u00e3o sens\u00edveis ao incremento da concentra\u00e7\u00e3o intercelular de ATP e respondem ativando um est\u00edmulo de dor, alertando o SNC que alguma coisa n\u00e3o est\u00e1 correta naquela \u00e1rea.\n\n<strong>Foi somente em 1995 que este mecanismo foi compreendido (C.Chen et al, Nature, 1995, 377, 428):<\/strong> o receptor para o ATP foi clonado.\n\nRecentemente, um grupo de cientistas (D. Cockayne et al, Nature, 2000, 407, 1011) produziu ratos geneticamente modificados para serem deficientes do nocireceptor para ATP. A constata\u00e7\u00e3o foi de que, embora aparentemente normais e saud\u00e1veis, os ratos eram menos sucept\u00edveis a danos nos seus tecidos, mas somente nos casos onde a destrui\u00e7\u00e3o era interna e sem toque. Para testar a sensibilidade, eles aplicaram inje\u00e7\u00f5es de \u00e1cido clor\u00eddrico nas patas de ratos normais e geneticamente modificados. Os ratos deficientes em receptores de ATP, embora tivessem, tamb\u00e9m, com os p\u00e9s bastante inchados, pareciam n\u00e3o se incomodar, enquanto que os ratos normais lambiam suas patas constantemente, num sinal claro de que estavam com dor. Mas todos os ratos eram sens\u00edveis a outros est\u00edmulos, como ao calor e a agulhadas na cauda.\n\n<strong>Logo, fez-se mais uma descoberta interessante:<\/strong> os ratos deficientes de ATP urinavam com menor frequ\u00eancia. Ent\u00e3o, a sinaliza\u00e7\u00e3o qu\u00edmica de que a bexiga est\u00e1 cheia deve ser intermediada pelo ATP. A explica\u00e7\u00e3o atual \u00e9 de que o epit\u00e9lio (camada externa da bexiga) libera ATP quando \u00e9 muito esticado, como no caso da bexiga cheia. Terminais nervosos nas proximidades detectam este ATP e alertam o c\u00e9rebro de que uma visita ao banheiro \u00e9 necess\u00e1ria!\n\nNas \u00faltimas d\u00e9cadas houve uma mudan\u00e7a radical na forma com que os qu\u00edmicos buscam subst\u00e2ncias mais eficazes para o combate \u00e0 dor. Gra\u00e7as \u00e0 descoberta e elucida\u00e7\u00e3o das estruturas dos nocireceptores, hoje conhecemos o nosso alvo. Conhecemos tamb\u00e9m os diversos caminhos fisiol\u00f3gicos associados \u00e0 propaga\u00e7\u00e3o da dor. Por isso, a meta atual da ind\u00fastria farmac\u00eautica \u00e9 o desenvolvimento de inibidores ou antagonistas que podem se ligar diretamente aos nocireceptores. E, paralelamente, o desenvolvimento de inibidores de enzimas associadas a processos fisiol\u00f3gicos da propaga\u00e7\u00e3o da dor mais seletivos e eficazes. Outra inova\u00e7\u00e3o \u00e9 a preocupa\u00e7\u00e3o sobre a estereoqu\u00edmica dos novos analg\u00e9sicos. Como a estrutura dos s\u00edtios ativos dos nociceptores j\u00e1 \u00e9 conhecida, sabe-se quais s\u00e3o os enanti\u00f4meros que possuem atividade. Al\u00e9m disso, ainda h\u00e1 o advento de sistemas de drug delivery, mais especificamente CNS drug delivery, isto \u00e9, sistemas de libera\u00e7\u00e3o controlada de f\u00e1rmacos no SNC. Com a abertura de novos horizontes, a qu\u00edmica m\u00e9dica ganhou um impulso sem igual e hoje \u00e9 uma das mais crescentes \u00e1reas de pesquisa na qu\u00edmica.\n\nAbaixo, o QMCWEB lhe oferece uma r\u00e1pida vis\u00e3o dos novos horizontes da qu\u00edmica m\u00e9dica.\n<h4>Inibidores seletivos da COX-2<\/h4>\nDrogas anti-inflamat\u00f3rias n\u00e3o-esteroidais (NSAIDs, de Nonsteroidal anti-inflammatory drugs) s\u00e3o os medicamentos mais largamente empregados. Do ponto de vista hist\u00f3rico, o primeiro NSAID foi a aspirina , h\u00e1 mais de 100 anos atr\u00e1s; hoje, a produ\u00e7\u00e3o anual de aspirina \u00e9 de 50 mil toneladas! Na d\u00e9cada de 1970, um grande avan\u00e7o foi feito com a elucida\u00e7\u00e3o do mecanismo molecular da a\u00e7\u00e3o da aspirina e de outros NSAIDs. Vane, Samuelson e Bergstrom mostraram que estas subst\u00e2ncias eram capazes de bloquear a bio-s\u00edntese das prostaglandinas e, consequentemente, evitavam a dor e a inflama\u00e7\u00e3o.\n\nAs prostaglandinas s\u00e3o horm\u00f4nios locais respons\u00e1veis por uma s\u00e9rie de fun\u00e7\u00f5es patol\u00f3gicas e fisiol\u00f3gicas, entre elas a transmiss\u00e3o da dor. S\u00e3o formadas a partir do \u00e1cido araquid\u00f4nico pela a\u00e7\u00e3o da enzima ciclooxigenase; duas formas desta enzima foram descobertas e s\u00e3o conhecidas como COX-1 e COX-2. Ambas convertem o \u00e1cido araquid\u00f4nico a prostaglandinas, mas elas diferem na biodistribui\u00e7\u00e3o e a\u00e7\u00f5es fisiol\u00f3gicas. A COX-1 \u00e9 a forma predominante da enzima, \u00e9 expressa em todo o corpo e exerce v\u00e1rias fun\u00e7\u00f5es fisiol\u00f3gicas homeost\u00e1ticas, como a manuten\u00e7\u00e3o da mucosa g\u00e1strica, o fluxo sangu\u00edneo e a agrega\u00e7\u00e3o de plaquetas. Por outro lado, a COX-1 \u00e9 expressa como resposta a est\u00edmulos inflamat\u00f3rios, estando envolvida na produ\u00e7\u00e3o de prostaglandinas que media a dor e a inflama\u00e7\u00e3o.\n\nTodos os NSAIDs cl\u00e1ssicos inibem tanto a COX-1 como a COX-2, sem seletividade. Embora os efeitos analg\u00e9sico e antiinflamat\u00f3rio &#8211; baseados na inibi\u00e7\u00e3o da COX-1 &#8211; sejam atingidos, a inibi\u00e7\u00e3o da COX-2 pode gerar problemas gastrointestinais e diminuir a capacidade de coagula\u00e7\u00e3o do sangue, entre outros.\n\n<strong>A solu\u00e7\u00e3o parece ser \u00f3bvia:<\/strong> desenvolvimento de f\u00e1rmacos que sejam capazes de inibir a COX-2 mais que n\u00e3o tenham efeito sobre a COX-1. E, de fato, qu\u00edmicos, m\u00e9dicos e farmac\u00eauticos j\u00e1 est\u00e3o tentando drogas deste tipo, conhecidas como inibidores da COX-2, em patologias como artrite reum\u00e1tica e osteoartrite.\n\nEntretanto, outros cientistas alertam para o fato de que a COX-2 pode estar envolvida em outras fun\u00e7\u00f5es fisiol\u00f3gicas e sua inibi\u00e7\u00e3o poderia acarretar consequ\u00eancias prejudiciais ao organismo. De qualquer forma, a a\u00e7\u00e3o seletiva sobre os receptores j\u00e1 \u00e9 uma realidade e uma nova gera\u00e7\u00e3o de medicamentos contra a dor est\u00e1 por vir &#8211; mais eficazes e com menos efeitos colaterais.\n<h4>Receptores Vanil\u00f3ides<\/h4>\nOs vanil\u00f3ides s\u00e3o um dos mais recentemente descobertos nocireceptores. A sua estrutura ainda n\u00e3o foi completamente elucidada. O canabin\u00f3ide end\u00f3geno anandamida \u00e9 um agonista do receptor vanil\u00f3ide VR1. Dentre os vanil\u00f3ides naturais ex\u00f3genos mais conhecidos est\u00e3o a capsaicina (componente respons\u00e1vel pela sensa\u00e7\u00e3o de queimadura produzida pela pimenta) e seu an\u00e1logo ultrapotente, a resiniferatoxina &#8211; isolada da planta Euphorbia resinifera.\n\n<strong>Como uma regra geral, os vanil\u00f3deis tem uma a\u00e7\u00e3o bif\u00e1sica nos nervos sensitivos perif\u00e9ricos: <\/strong>uma fase inicial excitat\u00f3ria (manifestada como dor e\/ou inflama\u00e7\u00e3o neurog\u00eanica) seguida de uma fase analg\u00e9sica, de perda de sensibilidade do receptor, conhecida como de-sensitiza\u00e7\u00e3o. Alguns vanil\u00f3ides, como a piperina (o composto picante da pimenta do reino), promove a fase 1 da a\u00e7\u00e3o do receptor vanil\u00f3ide (produzindo dor) mas n\u00e3o de-sensitizam. Outros vanil\u00f3ides, tal como o olvanil, s\u00e3o analg\u00e9sicos potentes mas n\u00e3o produzem a fase inicial (dor) do receptor. Portanto, vanil\u00f3ides podem ativar ou inibir nociceptores.\n\nMais conhecida como araquidonil-etanolamina, a anandamida estimula os recebtores canabin\u00f3ides &#8211; tal como o D9-tetrahydrocannabinol, o principal canabin\u00f3ide na cannabis Os receptores vanil\u00f3ides (VR) e canabin\u00f3ides (CB) s\u00e3o profundamente relacionados; algumas mol\u00e9culas podem interagir com ambos &#8211; tal como a anandamida.\n\n<strong>E \u00e9 justamente esta a deixa para os qu\u00edmicos:<\/strong> novas drogas v\u00eam sendo sintetizadas visando uma intera\u00e7\u00e3o com ambos os receptores. Al\u00e9m de combater a dor, estas drogas poderiam desempenhar outras fun\u00e7\u00f5es no paciente, pela estimula\u00e7\u00e3o dos receptores canabin\u00f3ides.\n\nLigantes que combinassem fatores estruturais da capsaicina e da anandamida interagiriam com receptores vanil\u00f3ides + canabin\u00f3ides e provavelmente logo estar\u00e3o nas prateleiras das farm\u00e1cias. Diversas subst\u00e2ncias que atendem a estes crit\u00e9rios j\u00e1 est\u00e3o em ensaio cl\u00ednico. Algumas est\u00e3o na figura ao lado, onde a seletividade destas mol\u00e9culas para os receptores CB1 e VR1 s\u00e3o representadas com sinais de + e -. A resiniferatoxina \u00e9 o mais forte agonista seletivo do VR1.\n\n<strong>As mol\u00e9culas Olvanil, AM404 e Arvanil s\u00e3o exemplos de id\u00e9ias sint\u00e9ticas para se obter drogas que atuem no CB1 e VR1:<\/strong> perceba que todas tem a estrutura b\u00e1sica da capsaicina acrescidas de longas cadeias insaturadas em cis, tal como a anandamida.\n<h4>Pol\u00edmeros contra a dor<\/h4>\nHoje j\u00e1 podemos encontrar nas farm\u00e1cias vers\u00f5es melhoradas de antigos f\u00e1rmacos, onde a droga teve sua estrutura qu\u00edmica modificada para aumentar sua efic\u00e1cia e diminuir seus efeitos colaterais. E, a julgar pelo grande n\u00famero de pesquisas sendo feitas nesta \u00e1rea atualmente, muitos f\u00e1rmacos ter\u00e3o vers\u00f5es estruturais aprimoradas ainda nesta d\u00e9cada.\n\n<strong>Um exemplo cl\u00e1ssico \u00e9 a aspirina que, ao longo de sua hist\u00f3ria centen\u00e1ria, sofreu duas grandes revolu\u00e7\u00f5es estruturais:<\/strong> uma na sua cria\u00e7\u00e3o e outra recentemente, que em breve estar\u00e1 nas farm\u00e1cias. A PolyAspirin promete entregar o \u00e1cido salic\u00edlico diretamente \u00e0 corrente sangu\u00ednea, sem agress\u00e3o ao trato digestivo. E, por ser um pl\u00e1stico, poder\u00e1 ser aplicada diretamente sobre os ferimentos.\n\nH\u00e1 muitos s\u00e9culos sabe-se que \u00e1cido salic\u00edlico tem atividade analg\u00e9sica. Inicialmente, o homem usava a infus\u00e3o das folhas do sangueiro; depois, veio o extrato alc\u00f3olico destas folhas e, finalmente, o \u00e1cido salic\u00edlico puro.\n\n<strong>A droga era eficaz, mas havia um grande problema: <\/strong>o \u00e1cido salic\u00edlico apresentava grandes danos para o est\u00f4mago.\n\n<strong>O qu\u00edmico Felix Hoffman, ent\u00e3o, encontrou uma solu\u00e7\u00e3o estrutural:<\/strong> a adi\u00e7\u00e3o do grupo acetila \u00e0 mol\u00e9cula do \u00e1cido salic\u00edlico, formando o \u00e1cido acetil salic\u00edlico &#8211; a aspirina. Os danos ao est\u00f4mago provocados pela aspirina s\u00e3o muito menores dos que aqueles produzidos pelo \u00e1cido salic\u00edlico; todavia, ainda n\u00e3o existe nenhum medicamento baseado no \u00e1cido salic\u00edlico que realmente n\u00e3o fa\u00e7a nenhum mal ao est\u00f4mago.\n\nUma jovem e talentosa qu\u00edmica resolveu este problema. Recentemente, a qu\u00edmica Kathryn Uhrich, da Rutgers University (NJ\/US), desenvolveu uma nova vers\u00e3o do \u00e1cido salic\u00edlico que, de fato, n\u00e3o agride o est\u00f4mago. E, mais uma vez, a solu\u00e7\u00e3o veio com a altera\u00e7\u00e3o de sua estrutura molecular. Desta vez, o caminho foi uma rea\u00e7\u00e3o de copolimeriza\u00e7\u00e3o do \u00e1cido salic\u00edlico com o \u00e1cido seb\u00e1cico (\u00e1cido 1,8-octanodicarbox\u00edlico). Mais precisamente, a rea\u00e7\u00e3o foi a condensa\u00e7\u00e3o do \u00e1cido salic\u00edlico benzilado e o cloreto de sebaco\u00edla, produzindo o poli(\u00e9ster-anidrido). Este pol\u00edmero passa intacto por todo o trato intestinal; somente na corrente sangu\u00ednea \u00e9 que a hidr\u00f3lise do pol\u00edmero ocorre, liberando \u00e1cido salic\u00edlico. Isto porque a hidr\u00f3lise \u00e9 bastante lenta em meio \u00e1cido, tal como no est\u00f4mago.\n\nComo a PolyAspirin \u00e9 um pl\u00e1stico, pode ser modelada como um pequeno adesivo que pode ser colocado diretamente sobre a regi\u00e3o com dor. Al\u00e9m disso, a longa cin\u00e9tica de hidr\u00f3lise da PolyAspirin faz com que apenas uma pequena dose do f\u00e1rmaco seja necess\u00e1ria para a libera\u00e7\u00e3o controlada de \u00e1cido salic\u00edlico por um longo per\u00edodo de tempo. Tal como outros poli\u00e9steres, a PolyAspirin pode estar presente nos fios para pontos cir\u00fargicos; a sutura seria tamb\u00e9m uma arma contra a dor e inflama\u00e7\u00e3o!\n\nEste f\u00e1rmaco logo estar\u00e1 \u00e0 venda. E a id\u00e9ia de Uhrich ter\u00e1 ainda outras consequ\u00eancias. Dentre as atividades de seu grupo de pesquisa, na Rutgers University, est\u00e1 a linha &#8220;Drug Polymers&#8221;, onde ele e alguns estudantes de post doc investigam a inclus\u00e3o de outros f\u00e1rmacos em poly\u00e9steres.\n\nFonte: www.qmc.ufsc.br\n<h6>Dor<\/h6>\n<p class=\"google\"><\/p>\n\n<h4>O que \u00e9<\/h4>\nA <strong>Dor<\/strong> \u00e9 um fen\u00f4meno multidimensional, envolvendo aspectos f\u00edsico-sensoriais e aspectos emocionais.\n\n<strong>De acordo com a International Association for the Study of Pain:<\/strong>\n\n&#8220;Dor \u00e9 uma experi\u00eancia sensorial e emocional desagrad\u00e1vel associada com danos reais ou potenciais em tecidos, ou assim percepcionada como dano.\n\n<strong>Nota:<\/strong> a incapacidade de comunicar verbalmente n\u00e3o exclui a possibilidade de que um indiv\u00edduo esteje a experienciar dor e a necessitar tratamento para al\u00edvio da mesma.\n\nA dor \u00e9 sempre subjetiva. Cada indiv\u00edduo aprende o uso da palavra dor atrav\u00e9s de experi\u00eancias relacionadas com traumatismos no in\u00edcio da sua vida.\n\nOs cientistas verificam que os est\u00edmulos que causam dor causam prov\u00e1vel dano nos tecidos.\n\nAssim, dor \u00e9 a experi\u00eancia que associamos \u00e0 real ou potencial dano nos tecidos. \u00c9 de forma inquestion\u00e1vel uma sensa\u00e7\u00e3o em parte ou partes do corpo, mas \u00e9 tamb\u00e9m sempre desagrad\u00e1vel, e consequentemente tamb\u00e9m uma experi\u00eancia emocional.&#8221; (&#8230;)\n\n<strong>Considera-se que existem tr\u00eas principais tipos de Dor:<\/strong>\n<blockquote><strong>Dor nociceptiva:<\/strong> \u00e9 a originada nos nociceptores, mec\u00e2nicos, t\u00e9rmicos ou qu\u00edmicos junto da \u00e1rea f\u00edsica em que ocorre o est\u00edmulo que a origina.\n\n<strong>Dor neurop\u00e1tica:<\/strong> A Dor neurop\u00e1tica \u00e9 uma dor provocada por uma les\u00e3o ou uma doen\u00e7a no sistema nervoso. Normalmente s\u00e3o descritas como sensa\u00e7\u00f5es agudas, de queimadura ou de choque el\u00e9ctrico, ou ainda como sensa\u00e7\u00f5es de formigueiro. \u00c9 de dif\u00edcil tratamento e frequentemente torna-se cr\u00f3nica. \u00c9 muitas vezes incapacitante.\n\n<strong>Dor psicol\u00f3gica:<\/strong> \u00e9 a dor de origem emocional, e \u00e9 rara, podendo no entanto ser muito incapacitante e de dif\u00edcil tratamento. O paciente sente dor a partir de pequenos est\u00edmulos, que s\u00e3o como que amplificados pelo seu estado emocional de medo, ansiedade, etc&#8230;<\/blockquote>\nFonte: www.dor.biochemistry-imm.org\n<h6>Dor<\/h6>\n<strong>Dor<\/strong> \u00e9 uma sensa\u00e7\u00e3o desagrad\u00e1vel que pode variar de leve desconforto, localizada a agonia.\n\nA dor tem componentes f\u00edsicos e emocionais.\n\nA parte f\u00edsica da dor resulta de estimula\u00e7\u00e3o do nervo.\n\nA dor pode ser contido para uma \u00e1rea discreta, como numa les\u00e3o, ou pode ser mais difusa, como em dist\u00farbios como a fibromialgia.\n\nA dor \u00e9 mediada por fibras nervosas espec\u00edficas que transportam os impulsos de dor para o c\u00e9rebro, onde a sua aprecia\u00e7\u00e3o consciente pode ser modificado por diversos fatores.\n\nA dor \u00e9 tamb\u00e9m um termo especificamente utilizado para denotar uma contra\u00e7\u00e3o uterina dolorosa ocorrem durante o parto.\n\nA palavra &#8220;dor&#8221; vem do &#8220;poena&#8221; em latim que significa uma multa, uma penalidade.\n\nFonte: www.medterms.com\n<h6>Dor<\/h6>\n<h4>Defini\u00e7\u00e3o de dor<\/h4>\nA <strong>dor<\/strong> tem sido definida como &#8220;uma experi\u00eancia sensorial e emocional desagrad\u00e1vel associada a dano tecidual real ou potencial&#8221;.\n\nVoc\u00ea sabia que a dor \u00e9 sempre subjetiva? Em outras palavras, se duas pessoas t\u00eam exatamente a mesma causa de dor, isso n\u00e3o significa que eles sentem o mesmo grau de dor. Na verdade, \u00e0s vezes, pode-se sentir a dor sem uma causa f\u00edsica claro!\n\nA Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade define a dor como &#8220;uma experi\u00eancia desagrad\u00e1vel sensorial ou emocional associada com dano tecidual real ou potencial, ou descrita em termos de tal les\u00e3o&#8221;.\n\nEsta frase cont\u00e9m uma s\u00e9rie de informa\u00e7\u00f5es.\n\n<strong>Se elaboradas, isso significa e implica o seguinte:<\/strong>\n\n<strong>A dor \u00e9 desagrad\u00e1vel:<\/strong>\n\nEm circunst\u00e2ncias normais, um tenta evitar a dor. Se incorridos, a gente gostaria de fazer algo sobre isso, como tomar analg\u00e9sicos, procurar ajuda m\u00e9dica ou evitar movimentos ou posi\u00e7\u00f5es que trazem em dor ou torn\u00e1-lo pior (por exemplo, mancando).\n\n<strong>A dor \u00e9 uma experi\u00eancia sensorial:<\/strong>\n\nQuando os receptores de dor no corpo s\u00e3o estimulados, por exemplo, quando voc\u00ea tocar um objeto muito quente com a m\u00e3o, o est\u00edmulo da dor \u00e9 transferida ao longo do sistema nervoso perif\u00e9rico para a medula espinhal e para o c\u00e9rebro. (O sistema nervoso perif\u00e9rico \u00e9 constitu\u00eddo por todas as partes do sistema nervoso do corpo situado no exterior da medula espinal e do c\u00e9rebro). Isso permite que o corpo reaja de forma adequada, por exemplo, o c\u00e9rebro envia um sinal de volta para a parte do corpo que est\u00e1 envolvido, neste caso, para retirar a m\u00e3o do objeto quente.\n\n<strong>A dor \u00e9 uma experi\u00eancia emocional:<\/strong>\n\nAlgumas pessoas sentem dor na aus\u00eancia de qualquer dano tecidual real ou outra causa f\u00edsica claramente definida.\n\nDor nas costas \u00e9 um exemplo muito comum. V\u00e1rios pacientes procuram ajuda m\u00e9dica para a dor que sentem em suas costas, onde apesar dos numerosos testes e investiga\u00e7\u00f5es nada de anormal est\u00e1 j\u00e1 encontrado. Eles v\u00e3o de especialista para especialista, de tratamento para tratamento, mas ningu\u00e9m pode ajudar e todos os tratamentos falham. Eles tornam-se desanimado e deprimido, o que torna a sua dor pior e no final a dor domina suas vidas.\n\nEles ficar chateado se algu\u00e9m menciona que \u00e9 &#8220;tudo na mente&#8221;. E, de fato, n\u00e3o \u00e9 tudo na mente. Eles, de fato, sentir dor nas costas, mas a causa n\u00e3o \u00e9 uma h\u00e9rnia de disco ou qualquer outro problema local que pode ser corrigida por cirurgia, manipula\u00e7\u00e3o ou fisioterapia. O problema pode ser causado por algo que afetou a pessoa emocionalmente, como a perda de um membro da fam\u00edlia ou incapacidade de lidar no trabalho. O corpo fisicamente &#8220;expressa&#8221; esses sentimentos na forma de dor nas costas.\n\nO tratamento n\u00e3o deve se concentrar em analg\u00e9sicos e nas costas sozinho, mas tamb\u00e9m na defini\u00e7\u00e3o e tratamento do problema emocional originais.\n\nInfelizmente, a medicina ocidental cl\u00e1ssica muitas vezes se esquece de que o ser humano n\u00e3o \u00e9 apenas uma cole\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os independentes sob uma pele. Esses \u00f3rg\u00e3os todos se relacionam entre si, de modo que, por exemplo, um dist\u00farbio emocional pode n\u00e3o presente como um problema &#8220;c\u00e9rebro&#8221; cl\u00e1ssica, como depress\u00e3o ou ansiedade, mas sim como uma dor f\u00edsica. Pode at\u00e9 fazer uma dor existente pior.\n\n<strong>A dor pode ser um sinal de alerta:<\/strong>\n\nQuando o corpo foi danificado, por exemplo, um corte ou uma fratura, a dor aguda \u00e9 experiente. A dor aguda \u00e9 um sinal de alerta e permite que o corpo sabe que, se nada for feito, h\u00e1 o risco de danos, por exemplo, quando um objeto muito quente foi tocado.\n\nIsto permite que o corpo se curar ou prevenir danos prejudiciais.\n\n<strong>Imagine n\u00e3o sentir dor depois de quebrar um osso<\/strong>: voc\u00ea continuar movendo-se alegremente com o osso quebrado, o que nunca vai se curar. Al\u00e9m disso, se voc\u00ea n\u00e3o sentir dor ao tocar um objeto muito quente, voc\u00ea iria se queimar. Tissue iria ficar danificado e morrem, resultando em infec\u00e7\u00e3o local ou generalizada e at\u00e9 a morte!\n\nA dor cr\u00f3nica, por outro lado, n\u00e3o funciona como um sistema de alerta. No caso da dor cr\u00f3nica, o grau de dor nenhuma indica\u00e7\u00e3o sobre a gravidade da doen\u00e7a.\n\nTem-se dito que a \u00fanica finalidade da dor cr\u00f4nica \u00e9 fazer com que a vida uma mis\u00e9ria!\n\n<strong>CL Odendal<\/strong>\n\nFonte: www.health24.com\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dor, Defini\u00e7\u00e3o, Tipos, Mecanismo, O que \u00e9, Sensa\u00e7\u00e3o, Analg\u00e9sicos, Psicol\u00f3gica, Neurop\u00e1tica, F\u00edsica, Emocional, Alerta, Dor<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2320,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[46],"tags":[],"class_list":["post-19014","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-biologia-2"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Dor - 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