{"id":17323,"date":"2016-01-08T00:00:00","date_gmt":"2016-01-08T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/salazarismo\/"},"modified":"2026-08-31T23:46:11","modified_gmt":"2026-08-31T23:46:11","slug":"salazarismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-geral\/salazarismo\/","title":{"rendered":"Salazarismo"},"content":{"rendered":"\n<strong>Salazarismo &#8211; O que foi<\/strong>\n\nO\u00a0<strong>salazarismo<\/strong>\u00a0\u00e9 uma ideologia autorit\u00e1ria, cultural e economicamente de direita com forte \u00eanfase no Imperialismo e Catolicismo que foi a \u00fanica ideologia dominante do Estado Novo, tamb\u00e9m conhecido como 2\u00aa Rep\u00fablica Portuguesa, uma ditadura corporativa que governou o pa\u00eds de Portugal e suas col\u00f4nias imperiais de 1933 at\u00e9 a revolu\u00e7\u00e3o dos cravos de 1974.\n\nApesar de v\u00e1rias semelhan\u00e7as, o salazarismo recusa-se a associar-se ao fascismo, visto que o considera um pag\u00e3o sem Deus, e absolutamente odeia o nacional-socialismo, especialmente a variedade esot\u00e9rica, pois ele considera que n\u00e3o \u00e9 nada mais do que &#8220;cesarismo pag\u00e3o&#8221;. No entanto, ele \u00e9 muito amigo de seu colega cat\u00f3lico ib\u00e9rico Franco.\n\n<strong>Salazarismo &#8211; Hist\u00f3ria<\/strong>\n\nPortugal tamb\u00e9m passou por uma experi\u00eancia de governo ditatorial.\n\nEla ocorreu em 1928, quando Salazar foi convidado para organizar as finan\u00e7as de Rep\u00fablica Portuguesa instalada em 1910.\n\n<strong>Salazar desenvolveu uma pol\u00edtica apoiada no ex\u00e9rcito e na Igreja, e tinha por princ\u00edpio defender \u201ca civiliza\u00e7\u00e3o crist\u00e3\u201d dos males da \u00e9poca<\/strong>: comunismo, internacionalismo, socialismo, etc.\n\n<strong>A organiza\u00e7\u00e3o do Estado Novo, em 1933, seguiu as tend\u00eancias fascistas<\/strong>: defendia o corporativismo, combatia a democracia e a atividade parlamentar.\n\nPelo \u201cEstatudo do Trabalho\u201d foram instalados sindicatos \u00fanicos e patronais, controlados pelo Estado.\n\nO Poder Executivo contava com a presen\u00e7a de uma C\u00e2mara Corporativa de car\u00e1ter consultivo e de uma Assembleia Legislativa. Entretanto, o Poder Executivo possu\u00eda o direito de veto sobre todos os projetos votados pela Assembleia, assim como o direito de dissolv\u00ea-la, quando bem entendesse.\n\n<strong>Salazarismo &#8211; Estado Novo<\/strong>\n\nEntre os anos de 1926 e 1928, o povo portugu\u00eas chegou ao limite de suas insatisfa\u00e7\u00f5es sociais, e foi o que fez com que a elite apoiasse uma estruturaliza\u00e7\u00e3o ditatorial.\n\nO que facilitou para que Ant\u00f4nio de Oliveira Salazar chegasse ao poder e implantasse o que se chamou de\u00a0<strong>Estado Novo<\/strong>.\n\n<strong>O Salazarismo e Salazar<\/strong>\n\nUma guerra mundial (a Segunda) projetou-o; uma guerra regional (a africana) esfacelou-o Entre as duas jogou, esgotou (perspicaz na pol\u00edtica externa, redutor na interna) a exist\u00eancia. Quando morreu, a 27 de Julho de 1970, era um dos homens mais s\u00f3s, mais \u00e1ridos que o Estado portugu\u00eas gerou em toda a sua hist\u00f3ria.\n\nUma das realiza\u00e7\u00f5es mais intrigantes que ele nos deixou, foi a do seu mito. Personagem de fic\u00e7\u00e3o (odiosa para uns, fascinante para outros) foi-a construindo, deixou-a construir com vagar e habilidade, atrav\u00e9s de encena\u00e7\u00f5es progressivas de sombras e luzes, excessos e despojamentos, inoc\u00eancias e perversidades invulgares.\n\n<strong>Tudo imaginou, arquitetou, dirigiu<\/strong>: gestos, palavras, marca\u00e7\u00f5es, adere\u00e7os, sombras, marketing, comportamentos, austeridades, inacessibilidades. O seu n\u00e3o era um teatro de palco, mas de bastidores, n\u00e3o de tribunas, mas de cortinas.\n\nSalazar fez da intoler\u00e2ncia anticomunista uma obsess\u00e3o. Precisa dela para se sentir providencial, se afirmar insubstitu\u00edvel. A luta sem tr\u00e9guas que lhe move, dilata-lhe a exist\u00eancia, inspira-lhe a a\u00e7\u00e3o. \u00c9 um jogo incans\u00e1vel, amb\u00edguo, com lances infind\u00e1veis e m\u00fatuas ast\u00facias.\n\n<strong>O pa\u00eds torna-se um campo divido, repartido<\/strong>: num lado (o seu) est\u00e3o os bons, no outro os infi\u00e9is. Tenta construir uma nova epopeia com os velhos her\u00f3is, e contra-her\u00f3is, da hist\u00f3ria.\n\nDas fa\u00e7anhas dos Descobrimentos \u00e0s fa\u00e7anhas do Estado Novo, existe a mesma intencionalidade \u00e9pica, sacralizadora do pa\u00eds, do poder do pa\u00eds determina.\n\nO seu consulado ser\u00e1, no entanto, o canto do cisne do imperialismo portugu\u00eas. Quis restituir-lhe a grandeza do passado, mas cavou-lhe a queda; quis dilatar-lhe ex\u00e9rcitos, recursos, misticismos, universalismos, mas viu desertarem militares, escaparem-se mancebos, rebelarem-se intelectuais, oporem-se lhe na\u00e7\u00f5es.\n\nA estrat\u00e9gia por si delineada a partir da guerra de Espanha alargou, no entanto, a influ\u00eancia de Portugal, e evitou que a Pen\u00ednsula entrasse (ao convencer Franco a apoi\u00e1-lo) no conflito mundial subsequente.\n\nDistanciando-se das grandes pot\u00eancias da \u00e9poca, seguiu uma pol\u00edtica pr\u00f3pria, aos ziguezagues, entre os interesses, as press\u00f5es dos beligerantes. N\u00e3o gosta de nenhum dos l\u00edderes que, de um lado e do outro, se combatem. Hitler e Mussolini eram-lhe, pela extravag\u00e2ncia das suas imagens, desagrad\u00e1veis; Chruchill e Roosevelt eram-lhe, pelo excesso do seu poder, insuport\u00e1vel. Nos apoia, no entanto, sem grandes disfarces, pelo anticomunismo que assumem.\n\nDistribui ajudas (a preserva\u00e7\u00e3o do imp\u00e9rio exigia-o) aos dois lados. A ambos vende volfr\u00e2mio, cordialidades e distanciamentos. Jura fidelidade aos ingleses, mas adia-lhes os A\u00e7ores; manifesta simpatias a Hitler, mas recebe judeus perseguidos por ele.\n\nDesenvolvendo uma \u00abneutralidade colaborante com ambos, Salazar procurou que a Pen\u00ednsula fosse uma reserva na balan\u00e7a do conflito. S\u00f3 assim os seus regimes poderiam sobreviver-lhe.\n\nPessimista como todos os totalit\u00e1rios, n\u00e3o confia na bondade natural do ser humano, nem na sua evolu\u00e7\u00e3o. Acha mesmo que os sistemas permissivos (as democracias) fazem emergir, com tempo, o lado mais ego\u00edsta e nefasto do indiv\u00edduo.\n\n<strong>A sua filosofia governativa assenta num pressuposto b\u00e1sico<\/strong>: as massas n\u00e3o gostam de mudan\u00e7as. Desenvolvendo-o, imobiliza o pa\u00eds, imobiliza-se no pa\u00eds. Deixa, no entanto, alguns colaboradores terem a ilus\u00e3o de que inovam, de que modernizam. Duarte Pacheco estoira-se contra uma \u00e1rvore acreditando nisso; Ant\u00f3nio Ferro desilude-se e afasta-se (e Humberto Delgado e Henrique Galv\u00e3o e Adriano Moreira) por causa disso.\n\nQuando tem de enfrentar o p\u00fablico amedronta-se, sente vertigens, dores de cabe\u00e7a, a voz e as pernas um defeito num p\u00e9 obriga-o, ali\u00e1s, a usar botas confeccionadas propositadamente para si.\n\n<strong>Distanciou-se por igual, serviu-se por igual de todos<\/strong>: cat\u00f3licos, ateus, intelectuais, artistas, militares, democratas.\n\nTrabalhou com ma\u00e7ons, mas ilegalizou lhes o Grande Oriente Lusitano; defendeu esp\u00edrita, mas interditou-lhes a Federa\u00e7\u00e3o; homenageou mon\u00e1rquico, mas impediu-lhes a restaura\u00e7\u00e3o do trono; conviveu com homossexuais, mas deixou-os serem perseguidos; apoiou republicano, mas sonegou-lhes a democracia.\n\nA intriga da pol\u00edtica, a manipula\u00e7\u00e3o das pessoas, estimulam-no. Tem toda a paci\u00eancia do mundo nas m\u00e3os. Apaixonado por Bach rege o imp\u00e9rio como um maestro sem m\u00e3os.\n\n<strong>Salazar n\u00e3o nutre ilus\u00f5es<\/strong>: o verdadeiro conhecimento \u00e9 iniciado pelas elites, n\u00e3o de massas. \u00c0s massas basta ler, escrever, contar; basta o folclore, as prociss\u00f5es, o futebol, as viagens, as romarias, os caf\u00e9s, a r\u00e1dio e, s\u00edntese suprema, a televis\u00e3o os concursos, as revistas, as marchas, os desportos, os exotismos, os sentimentalismos da televis\u00e3o.\n\n<strong>Aos que estranham encontrar poucos livros na resid\u00eancia de S\u00e3o Bento, ele responde<\/strong>: \u00abTenho-os na cabe\u00e7a, n\u00e3o preciso de os ter nas estantes.\u00bb\n\nTudo nele parece contradit\u00f3rio, ser ao mesmo tempo sens\u00edvel e c\u00ednico, piedoso e desp\u00f3tico, casto e pervertido, med\u00edocre e genial, camp\u00f4nio e manhoso, \u00edntegro e desgra\u00e7ado.\n\nAmigos dizem-no secretos de aventuras amancebadas com a governanta Maria e pai de duas \u00abafilhadas\u00bb; amigos dizem-no mis\u00f3gino, casto e sublimado de sexualidades.\n\nAs rela\u00e7\u00f5es com as amantes (caso de Cristine Garnier, jornalista francesa que escreveu um livro sobre ele) n\u00e3o teriam passado de cen\u00e1rios postos a correr para desfazerem as suspeitas que, num pa\u00eds como o nosso, costumam surgir em tais circunst\u00e2ncias. Contou sempre com poucos \u00edntimos. Sabia que o poder \u00e9, quando desmesurado incompat\u00edvel com os sentimentos; que, assumidos sem limites, ultrapassa-os, dispensa-os.\n\nTenho de me libertar de toda a paix\u00e3o\u00bb, confidencia. Prefiro o respeito ao amor. A felicidade atinge-se pela ren\u00fancia do que se deseja, n\u00e3o pela sua posse.\n\nN\u00e3o fuma (detesta que o fa\u00e7am na sua frente), n\u00e3o suporta animais dom\u00e9sticos, n\u00e3o visita a casa de outros, n\u00e3o aprecia o fado (amolece o car\u00e1ter), irrita-se com os desejos alheios (a paix\u00e3o \u00e9 perigosa), n\u00e3o gosta dos demais porque n\u00e3o gosta de si do ser em que se transformou, secou.\n\nDebate-se entre o positivismo coimbr\u00e3o e o nacionalismo lusitano, desnivelando-se sobre balancetes financeiros, misticismos hist\u00f3ricos, arrepios esot\u00e9ricos.\n\nContra tudo, contra todos, Salazar e os seus fecham-se sobre si (orgulhosamente s\u00f3s), radicalizam-se (os ventos da hist\u00f3ria h\u00e3o de dar-nos raz\u00e3o), suicidam-se (para Angola rapidamente e em for\u00e7a).\n\n<strong>Em vida semivegetativa, ap\u00f3s sofrer um hematoma que o leva a ser substitu\u00eddo por Marcello Caetano, Salazar protagoniza uma das encena\u00e7\u00f5es mais espantosas da nossa hist\u00f3ria<\/strong>: durante meses, repete o papel de presidente do Conselho, faz reuni\u00f5es de Governo, d\u00e1 entrevistas, concede audi\u00eancias.\n\nOs seus antigos colaboradores, a ir a despacho, a mostrar-lhe projetos, a pedir-lhe conselhos.\n\n<strong>H\u00e1, no entanto, quem afirme que ele fingia<\/strong>: impotente para mudar a situa\u00e7\u00e3o, simulava que n\u00e3o a percebia alimentando um dos mist\u00e9rios mais surpreendentes dos seus muitos mist\u00e9rios.\n\nN\u00e3o podemos viver como se Salazar n\u00e3o tivesse existido, ou como se fosse um acidente da hist\u00f3ria. Ele foi a pr\u00f3pria hist\u00f3ria\u00bb, sublinha Eduardo Louren\u00e7o.\n\nO\u00a0<strong>Salazarismo<\/strong>\u00a0\u00e9 uma maneira de ser Portugal. Profunda, penumbra, misteriosa. Havia como que certa inoc\u00eancia nele. Inoc\u00eancia que nos tocou fundo, e por muito tempo.\n\nSalazar n\u00e3o quis nunca o cume da ribalta. Ficou-lhe sempre, propositadamente, aqu\u00e9m. Esses mil\u00edmetros de diferen\u00e7a constitu\u00edram a sua zona de seguran\u00e7a, de ambiguidade. Sinto que a minha voca\u00e7\u00e3o era ser primeiro-ministro de um reino absoluto\u00bb, exclama.\n\nEle foi o estadista que mais poder deteve, por mais tempo, nos \u00faltimos s\u00e9culos em Portugal.\n\n<strong>Salazar e a Igreja Cat\u00f3lica<\/strong>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-158880 aligncenter\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Salaza1-300x296.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"296\" \/><strong>Salazarismo<\/strong><\/p>\nN\u00e3o temos d\u00favidas em afirmar que o discurso de Salazar, n\u00e3o \u00e9 efetivamente um discurso em que se possam ver refer\u00eancias \u00e0 necessidade de ver o Estado Portugu\u00eas como um estado confessional, antes pelo contr\u00e1rio.\n\n<strong>Com Salazar no Minist\u00e9rio das Finan\u00e7as, que era a pasta principal do Governo de Vicente de Freitas, D. Gon\u00e7alves Cerejeira, ent\u00e3o Bispo auxiliar de Lisboa, escrevia-lhe em 1928, nestes termos<\/strong>: \u201cest\u00e1s a\u00ed como um emiss\u00e1rio dos amigos de Deus\u201d.\n\n<strong>Ao que Salazar respondeu<\/strong>: \u201cEstou aqui por nomea\u00e7\u00e3o do Senhor Presidente da Rep\u00fablica\u201d. H\u00e1 aqui uma necessidade de se desmarcar do futuro Cardeal Cerejeira, mas note-se que Salazar, ainda s\u00f3 estava no in\u00edcio da sua carreira pol\u00edtica, e mesmo entre este discurso e a pr\u00e1tica pol\u00edtica, a diferen\u00e7a era e viria a ser muito grande, pois se tratou de uma pol\u00edtica de um total compadrio com a Igreja cat\u00f3lica.\n\nA Igreja e os cat\u00f3licos em geral acolheram o advento do Estado Novo com uma benevolente e confiante expectativa, quando n\u00e3o mesmo com entusiasmo declarado.\n\nAmbos se haviam batido de forma bem organizada durante toda a 1\u00aa Rep\u00fablica, pela liberdade religiosa, melhor, pela sua liberdade religiosa, e pelo reconhecimento da igreja e das suas atividades, tanto na metr\u00f3pole como no ultramar.\n\n<strong>Salazar\u00a0<\/strong>oferecia \u00e0 maioria dos cat\u00f3licos, pela posi\u00e7\u00e3o que detinha no governo e pelo ascendente que tinha no regime, garantias de vir a resolver as pretens\u00f5es cat\u00f3licas quer em mat\u00e9ria de pol\u00edtica religiosa quer em mat\u00e9ria de pol\u00edtica social, se bem que nem todos os cat\u00f3licos pareciam avaliar uniformemente essa garantia.\n\n<strong>No entanto, Salazar vai querer ter um certo dom\u00ednio sobre a Institui\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica, tanto que na imprensa da \u00e9poca, v\u00e3o saindo artigos que denotam aceita\u00e7\u00e3o dessas diretrizes ideol\u00f3gicas de Salazar, na Revista Novidades, de 08 de Junho de 1931, pode ler-se<\/strong>: a atividade religiosa, a A\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica, pode existir, desde que n\u00e3o seja dirigida pela Igreja, mas pelo fascismo.\n\nOu seja, come\u00e7a a poder observar-se que Salazar ir\u00e1 fazer tudo para poder dominar a Igreja Cat\u00f3lica, tendo consci\u00eancia, contudo, que necessita das Elites Cat\u00f3licas, para manter o seu poder no tempo.\n\nA resposta que anteriormente citamos, dada a Cerejeira, n\u00e3o \u00e9 de fato um afastamento institucional em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Igreja por parte do Estado, mas sim uma forma de publicamente Salazar dizer \u00e0s Elites, atrav\u00e9s do seu futuro l\u00edder nacional, que Salazar \u00e9 que dispunha do poder de elaborar diretrizes e suas execu\u00e7\u00f5es. Ou seja, a igreja cat\u00f3lica devia existir, era imprescind\u00edvel ao Estado Portugu\u00eas.\n\n<strong>Salazar comunga de catolicismo puro, o Estado Portugu\u00eas iria dar bendissesses \u00fanicas \u00e0 Igreja Cat\u00f3lica, mas quem mandava era Ele<\/strong>: Salazar.\n\nNote-se que enquanto dispositivo t\u00e1ctico, a moral cat\u00f3lica funciona no discurso salazarista como a inst\u00e2ncia disciplinar perfeita, mecanismo este que Salazar utilizar\u00e1 com per\u00edcia \u00fanica, tocando de forma psicol\u00f3gica profunda as caracter\u00edsticas de uma Sociedade tendencialmente rural, onde os valores como Fam\u00edlia e a obedi\u00eancia da Fam\u00edlia a um discurso moralizador cat\u00f3lico se sobrepunham de forma perfeita. \u00c9 aqui que Salazar vai manobrar de forma excepcional, utilizando os elementos da religi\u00e3o cat\u00f3lica, em primeira inst\u00e2ncia, como algo parecido a comiss\u00e1rios pol\u00edticos.\n\n<strong>Por todo o pa\u00eds, e praticamente todos os padres do interior de Portugal eram informadores da PIDE\/DGS, at\u00e9 \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria moral Cat\u00f3lica como sustent\u00e1culo de uma pol\u00edtica num sentido de fechado nacionalismo e imobilismo cultural, ou seja<\/strong>: Deus, P\u00e1tria, Fam\u00edlia.\n\n<strong>E nos anos quarenta pode ler-se na Imprensa Cat\u00f3lica<\/strong>: \u201cPretende-se tornar crist\u00e3o o corporativismo portugu\u00eas, para que dure e seja justo.Isto n\u00e3o passa da oficializa\u00e7\u00e3o p\u00fablica do catolicismo como forma ou mecanismo auxiliar de Salazar para se manter no poder, atrav\u00e9s da manuten\u00e7\u00e3o da institui\u00e7\u00e3o mais importante do Salazarismo, o Sistema Corporativo. E \u00e9 evidente que isto teria obrigatoriamente um pre\u00e7o para Salazar.\n\nDevo real\u00e7ar que Salazar det\u00e9m um mecanismo de poder sobre a Igreja cat\u00f3lica, extremamente poderosa, se bem que por vezes minimizado por muitos. O direito de obje\u00e7\u00e3o \u00e0 nomea\u00e7\u00e3o de Bispos, foi sem d\u00favida um discreto, mas eficaz instrumento de influ\u00eancia sobre a hierarquia da Igreja. E \u00e9 certo que o catolicismo balizou e orientou ideologicamente e politicamente o regime, evitando-lhe tenta\u00e7\u00f5es e at\u00e9 tend\u00eancias totalit\u00e1rias, bem como comportamentos mais radicais, o clima de bom entendimento e colabora\u00e7\u00e3o institucional privilegiada.\n\nA revis\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o de 1951 \u00e9 de fato o ato marcante, e aquele que mais objetivamente podemos assinalar como um compromisso jur\u00eddico entre o Estado Novo e a Igreja Cat\u00f3lica Portuguesa, pois se trata do reconhecimento do confessional\u00edssimo da na\u00e7\u00e3o, com o reconhecimento civil e jur\u00eddico das associa\u00e7\u00f5es religiosas, at\u00e9 a\u00ed, incondicional, condicionando-o \u00e0 pr\u00e1tica dentro de territ\u00f3rio nacional.\n\nFoi assim limitada em princ\u00edpio \u00e0 liberdade religiosa para as confiss\u00f5es n\u00e3o cat\u00f3licas.\n\nSendo este um dos fatos que mais marcar\u00e1 a sociedade portuguesa p\u00f3s-salazarismo.\n\n<strong>Salazar &#8211; Conclus\u00e3o<\/strong>\n\n<strong>Salazar<\/strong>, imbu\u00eddo de ideias e preceitos fascistas, conseguiu convencer o povo portugu\u00eas de que uma ditadura com nacionalismo e ideias anti-socialistas seria o ideal para a sa\u00edda da crise.\n\nO que este n\u00e3o alertou o povo foi dos mecanismos que iria este lan\u00e7ar m\u00e3o para se perpetuar no poder at\u00e9 a sua morte.\n\nO que trouxe alivio para muitos e tristeza para alguns em raz\u00e3o da pol\u00edtica populista que Ele utilizava, ao ponto de se mancomunar com a igreja por puro interesse de proximidade do povo, uma rela\u00e7\u00e3o mesquinha e med\u00edocre, de aluda mutua. E al\u00e9m destes existiam os que detinham o capital que era com quem realmente Salazar era comprometido.\n\n<strong>E fatalmente para a outra parte do povo restava seus cru\u00e9is institutos de controle que eram<\/strong>: assassinatos, torturas, repress\u00e3o, censura entre outros al\u00e9m de uma policia ostensivamente violenta no dia-a-dia do cidad\u00e3o portugu\u00eas.\n\n<strong>Salazarismo \u2013 Ant\u00f4nio de Oliveira Salazar<\/strong>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-158881 aligncenter\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Salaza2-300x199.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"199\" \/><strong>Rep\u00fablica portuguesa<\/strong><\/p>\n<strong>Ant\u00f4nio de Oliveira Salazar<\/strong>\u00a0foi a figura central do Estado Novo, ou seja, do Salazarismo em Portugal. Salazar foi Ministro da Fazenda e em 1932 tornou-se primeiro Ministro de Portugal, fun\u00e7\u00e3o durante a qual sustentou o pa\u00eds em regime ditatorial por 41 anos. Nesse per\u00edodo, Salazar adotou subitamente medidas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 economia portuguesa, acrescendo os tributos e condensando os gastos do Governo, com isso, suprimiu o saldo negativo financeiro existente no Estado.\n\nEssas a\u00e7\u00f5es renderam a Salazar influ\u00eancia e poder, tanto que ele conseguiu retirar dos militares a for\u00e7a que possu\u00edam at\u00e9 aquele instante.\n\n\u00c0 frente do Governo, Salazar implantou uma nova Constitui\u00e7\u00e3o. A nova constitui\u00e7\u00e3o de 1933 consentiu o fim da Ditadura Militar e o come\u00e7o da Ditadura Salazarista, essa atitude tinha como finalidade a mudan\u00e7a dos poderes pol\u00edticos portugueses, e assim foi feito. Atrav\u00e9s da pol\u00edtica salazarista observou-se quase de imediato a perda da liberdade de express\u00e3o, do direito \u00e0 greve e \u00e0 restri\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o de alguns \u00f3rg\u00e3os de poder, como a Assembleia Nacional. O poder do Presidente da Rep\u00fablica passou a ser figurativo. Nesse contexto, a autoridade estava concentrada nas m\u00e3os do Primeiro Ministro.\n\n<strong>Algumas Caracter\u00edsticas da Ditadura de Salazar:<\/strong>\n<blockquote>A exalta\u00e7\u00e3o do l\u00edder, que est\u00e1 sempre certo nas tomadas de decis\u00e3o;\nA exist\u00eancia de um s\u00f3 partido, a Uni\u00e3o Nacional, partido do governo;\nA Repress\u00e3o atrav\u00e9s da pol\u00edtica da Pol\u00edcia Internacional de Defesa do Estado;\nA Censura aos meios de comunica\u00e7\u00e3o social;\nO Nacionalismo exacerbado;\n<strong>Cria\u00e7\u00e3o da Mocidade Portuguesa<\/strong>: organiza\u00e7\u00e3o juvenil criada em 1936 com o intuito de orientar a juventude para os valores patri\u00f3ticos e nacionalistas do Estado Novo. Observando que a inscri\u00e7\u00e3o era obrigat\u00f3ria entre os sete e os quatorzes anos;\nO Resguardo dos valores morais e tradicionais;\nRetirada de todo car\u00e1ter reivindicat\u00f3rio dos trabalhadores atrav\u00e9s da politica corporativista;\nPublica\u00e7\u00e3o do Ato Colonial, no qual as Col\u00f4nias Portuguesas existentes faziam parte integrante da Na\u00e7\u00e3o Portuguesa e por isso deveriam ser defendidas, civilizadas e colonizadas.\nPol\u00edtica econ\u00f4mica protecionista que tinha por fim a redu\u00e7\u00e3o das importa\u00e7\u00f5es e aumento da produ\u00e7\u00e3o do pa\u00eds e no investimento da constru\u00e7\u00e3o de obras p\u00fablicas.\nO Salazarismo foi uma das mais longas ditaduras do s\u00e9culo XX, inspiradas no modelo fascista.\nDurante este per\u00edodo Portugal viveu na censura, repress\u00e3o e sob o poder autoritarista Salazarista.\nA ditadura chegou ao fim em 25 de Abril de 1974, derrubada pela Revolu\u00e7\u00e3o dos Cravos, forte manifesta\u00e7\u00e3o militar.<\/blockquote>\n<strong>Salazarismo &#8211; Golpe<\/strong>\n\nO golpe desencadeado pelas for\u00e7as armadas, em 1926, instaurou em Portugal, uma ditadura militar, tal como acontecia noutros pa\u00edses da Europa.\n\nContudo, a instabilidade pol\u00edtica e os problemas econ\u00f3micos persistiram o que fez agravar o d\u00e9fice or\u00e7amental e a d\u00edvida externa do pa\u00eds.\n\nFoi neste contexto de grande instabilidade que o general \u00d3scar Carmona foi eleito Presidente da Rep\u00fablica em 1928.\n\nAo entrar na presid\u00eancia, Carmona convidou Ant\u00f3nio Oliveira Salazar, professor na Universidade de Coimbra, para ministro das finan\u00e7as. Este aceitou o lugar, na condi\u00e7\u00e3o de supervisionar os minist\u00e9rios e de ter direito de veto sobre os aumentos das despesas.\n\nSalazar conseguiu aumentar em muito o valor das receitas do pa\u00eds, gra\u00e7as \u00e0 redu\u00e7\u00e3o das despesas da Sa\u00fade, Educa\u00e7\u00e3o, dos funcion\u00e1rios p\u00fablicos e de outras despesas.\n\nDesde logo ele \u00e9 considerado o salvador da Na\u00e7\u00e3o, tendo conseguido um imenso prest\u00edgio.\n\nO seu poder incidia em criar um estado forte, que garantisse a ordem, o que n\u00e3o se verificava no per\u00edodo da Primeira Rep\u00fablica, entre 1910 a 1926.\n\nPara ele um estado forte devia assentar essencialmente no refor\u00e7o do poder executivo, em que seria o seu chefe. Assim, substitu\u00eda-se um pluralismo partid\u00e1rio por um partido \u00fanico e abolia-se os sindicatos livres.\n\nEm primeiro lugar, Salazar, defendia a preserva\u00e7\u00e3o de valores tradicionais tais como Deus, P\u00e1tria e Fam\u00edlia, de modo a formar uma sociedade educada e com bons princ\u00edpios de moral.\n\nO estado forte caracteriza-se ainda pelo imperialismo colonial e nacionalismo econ\u00f3mico, \u00e0 semelhan\u00e7a de Mussolini e de Hitler.\n\nEm 1933, foi nomeado Presidente do Conselho, come\u00e7ando desde logo a preparar o texto da futura Constitui\u00e7\u00e3o.\n\nA nova Constitui\u00e7\u00e3o foi promulgada em Abril de 1933 e p\u00f4s fim ao per\u00edodo da ditadura militar. Desde ent\u00e3o, iniciou-se um novo per\u00edodo de ditadura a que o pr\u00f3prio Salazar chamou de Estado Novo.\n\nA nova constitui\u00e7\u00e3o mantinha elei\u00e7\u00f5es por sufr\u00e1gio universal direto e reconhecia as liberdades e os direitos individuais. No entanto, estes direitos estavam subordinados aos direitos da Na\u00e7\u00e3o.\n\nCom este novo regime, proclamado por Salazar, o poder do Governo sobrepunha-se ao da Assembleia Nacional e o seu poder ao do Presidente da Rep\u00fablica.\n\nO poder era de tal modo repressivo, que as liberdades individuais, de imprensa, de reuni\u00e3o e direito \u00e0 greve foram seriamente restringidas.\n\nA influ\u00eancia de Salazar dominava todos os setores da vida portuguesa, em que o per\u00edodo do Estado Novo \u00e9, muitas vezes, denominado de salazarismo.\n\nEm 1936, al\u00e9m de chefiar o Governo, Salazar era titular da pasta das Finan\u00e7as da guerra e dos Neg\u00f3cios Estrangeiros.\n\nA Legi\u00e3o portuguesa que caracteriza o fascismo, bem como a Mocidade portuguesa, usavam uniformes pr\u00f3prios e adoptaram a sauda\u00e7\u00e3o romana.\n\nOs direitos dos cidad\u00e3os foram muito limitados, bem como as suas liberdades. Em 1926 tinha sido institu\u00edda a censura aos meios de comunica\u00e7\u00e3o social, teatro, cinema, r\u00e1dio e televis\u00e3o.\n\nEla visava supervisionar todos os assuntos pol\u00edticos, religiosos e militares.\n\nO seu objetivo era impedir a divulga\u00e7\u00e3o de atividades contra o governo, bem como esc\u00e2ndalos de v\u00e1ria ordem. Alguns livros eram proibidos e impedia-se a opini\u00e3o p\u00fablica livre. De modo que, podemos dizer que tudo era controlado.\n\nHavia ainda, neste regime, uma pol\u00edcia pol\u00edtica com fun\u00e7\u00f5es de repress\u00e3o de crimes pol\u00edticos criada em 1933.\n\nA caracter\u00edstica PIDE utilizava a tortura, f\u00edsica e psicol\u00f3gica, para obter confiss\u00f5es e den\u00fancias, mandava prender, opositores ao regime, violava correspond\u00eancia e invadia resid\u00eancias.\n\nPossu\u00eda ainda uma grande rede de informadores nas escolas, no trabalho e nos centros de conv\u00edvio.\n\nTodos estes meios do per\u00edodo salazarista ajudaram a consolidar o poder de Salazar e a manter a ordem. O ensino era controlado atrav\u00e9s da adop\u00e7\u00e3o de manuais \u00fanicos que ensinavam os valores do Estado Novo.\n\nAssim, no tempo da ditadura Salazarista, at\u00e9 mesmo a mente das pessoas era influenciada pelos ideais da pol\u00edtica salazarista.\n\n<strong>Caracter\u00edsticas do Salazarismo:<\/strong>\n<blockquote>Regime conservador e autorit\u00e1rio (pressup\u00f5e intervencionismo estatal); ideologia assente nos valores de Deus, P\u00e1tria e Fam\u00edlia (conservador); poder legislativo submetido ao Governo (autorit\u00e1rio).\nAnticomunismo\/antidemocracia\/antiliberalismo;\nCorporativismo (o corporativismo retirou aos trabalhadores toda a capacidade reivindicativa);patr\u00f5es e oper\u00e1rios obrigados a entendimento permanente, de acordo com o Estatuto do Trabalho Nacional.\nRepress\u00e3o; ligada \u00e0 PIDE\nPol\u00edcia Pol\u00edtica (PIDE);\nCensura;\nPropaganda Pol\u00edtica\nPartido \u00danico;\nEduca\u00e7\u00e3o da Juventude;\nCulto do Chefe;\n<strong>Protecionismo (nacionalismo econ\u00f4mico objetivo<\/strong>: autarcia; prote\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a produtos estrangeiros);\nColonialismo\/Imperialismo (Ato Colonial de 1930; Imp\u00e9rio Colonial Portugu\u00eas tema de propaganda pol\u00edtica); Portugal tem a obriga\u00e7\u00e3o de civilizar as col\u00f4nias e estas de servirem de apoio ao desenvolvimento econ\u00f4mico da Metr\u00f3pole.<\/blockquote>\n<strong>Fonte:<\/strong>\u00a0estudeonline.net\/www.alunosonline.com.br\/Marcia Cristina Tordin\/www.historiadeportugal.info\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Salazarismo, Portugal, Ditadura, Salazar, Hist\u00f3ria, Caracter\u00edstica, Estado Novo, Ant\u00f4nio de Oliveira Salazar, O que foi, Salazarismo<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":17324,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[57],"tags":[],"class_list":["post-17323","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia-geral"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - 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