{"id":17315,"date":"2016-01-08T00:00:00","date_gmt":"2016-01-08T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/revolucao-sandinista\/"},"modified":"2026-08-31T23:46:05","modified_gmt":"2026-08-31T23:46:05","slug":"revolucao-sandinista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-geral\/revolucao-sandinista\/","title":{"rendered":"Revolu\u00e7\u00e3o Sandinista"},"content":{"rendered":"\n<h4>Hist\u00f3ria<\/h4>\nEm 1978 o assassinato do jornalista liberal Pedro Joaqu\u00edn Chamorro, diretor do di\u00e1rio La Prensa, \u00e9 o estopim de uma insurrei\u00e7\u00e3o nacional contra o somozismo, liderada pelos sandinistas.\n\nTodos os anos, no dia 19 de julho, centenas de pessoas de todo o pa\u00eds se re\u00fanem na Plaza La Fe (tamb\u00e9m conhecida como Pra\u00e7a da Revolu\u00e7\u00e3o) em Man\u00e1gua para comemorar um evento hist\u00f3rico e inspirador: a queda da ditadura militarizada da fam\u00edlia Somaza. Esta fam\u00edlia governou o pa\u00eds de forma dura e sem escr\u00fapulos por mais de quatro d\u00e9cadas. A dinastia foi derrubada ap\u00f3s a Revolu\u00e7\u00e3o Nacional Sandinista, que ocorreu quando pessoas de todos os setores &#8211; trabalhadores, empres\u00e1rios, camponeses, estudantes e guerrilheiros &#8211; uniram for\u00e7as e finalmente derrotaram a dinastia Somoza e a Guarda Nacional em 19 de julho de 1979.\n\nInfelizmente, hoje em dia esta festa e todo o patrim\u00f4nio da Revolu\u00e7\u00e3o s\u00e3o monopolizados com fins de proselitismo por um partido pol\u00edtico. Consequentemente, milhares de nicaraguenses n\u00e3o se identificam mais com este importante momento da hist\u00f3ria nacional que teve a simpatia e a solidariedade de todo o mundo. Outros n\u00e3o comparecem mais \u00e0 reuni\u00e3o na pra\u00e7a; em vez disso, eles celebram em seus pr\u00f3prios bairros ou casas.\n\nDesde sua independ\u00eancia em 1821, a Nicar\u00e1gua teve uma hist\u00f3ria conturbada. Duzentos anos depois, os nicaraguenses ainda lutam para definir a identidade p\u00f3s-colonial de sua na\u00e7\u00e3o.\n\nA chamada contra guerra na d\u00e9cada de 1980 moldou grande parte do cen\u00e1rio socioecon\u00f4mico e pol\u00edtico contempor\u00e2neo da Nicar\u00e1gua, ceifando mais de 40.000 vidas no espa\u00e7o de uma d\u00e9cada. Agora, 42 anos desde a derrubada revolucion\u00e1ria do regime de Somoza &#8211; e com Daniel Ortega de volta ao poder por mais de 13 anos, desta vez com sua esposa Rosario Murillo como vice-presidente &#8211; a Nicar\u00e1gua est\u00e1 mais uma vez em uma encruzilhada com uma mistura tensa de for\u00e7as que disputam o dom\u00ednio pol\u00edtico.\n\nRen\u00e9 Sing Brooks visita a Nicar\u00e1gua em julho de 2021, m\u00eas do 42\u00ba anivers\u00e1rio da Revolu\u00e7\u00e3o Sandinista e ano do 200\u00ba anivers\u00e1rio da independ\u00eancia, para examinar o estado atual do projeto revolucion\u00e1rio de 1979, em particular a resposta do governo sandinista ao abril de 2018 revolta e seu impacto na vida di\u00e1ria e nas aspira\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas da Nicar\u00e1gua.\n\nEm abril de 2021, as vozes populares que ocuparam o centro do palco tr\u00eas anos atr\u00e1s foram substitu\u00eddas por uma coaliz\u00e3o inst\u00e1vel de pol\u00edticos tradicionais.\n\nEste projeto reflete sobre como isso aconteceu e suas implica\u00e7\u00f5es para o futuro de um projeto democr\u00e1tico vi\u00e1vel para o povo da Nicar\u00e1gua.\n\nEmbora nada pr\u00f3ximo aos n\u00edveis de conflito enfrentados durante a d\u00e9cada de 1980, a situa\u00e7\u00e3o atual \u00e9 crucial e tem sido inadequada e insuficientemente coberta pela imprensa americana e internacional.\n\nEssas hist\u00f3rias incluir\u00e3o um corte transversal de indiv\u00edduos representativos do ambiente pol\u00edtico atual do pa\u00eds.\n\n<strong>Revolu\u00e7\u00e3o Sandinista &#8211; Hist\u00f3ria<\/strong>\n\nEm 1978 o assassinato do jornalista liberal Pedro Joaqu\u00edn Chamorro, diretor do di\u00e1rio La Prensa, \u00e9 o estopim de uma insurrei\u00e7\u00e3o nacional contra o somozismo, liderada pelos sandinistas.\n\nOs guerrilheiros derrotam a Guarda Nacional e tomam o poder em julho de 1979; uma junta formada por sandinistas e setores liberais assume o poder.\n\nO novo governo expropria todos os bens da fam\u00edlia Somoza, nacionaliza bancos e companhias de seguros e passa grande parte da economia para o controle do Estado.\n\nEm 1980 Violeta Chamorro (mulher de Pedro) e Alfonso Robelo, os dois liberais da junta, rompem com o governo e passam para a oposi\u00e7\u00e3o; no mesmo ano, Somoza \u00e9 assassinado no Paraguai. Em 1981 os EUA suspendem a ajuda econ\u00f4mica \u00e0\u00a0<strong>Nicar\u00e1gua<\/strong>, acusando os sandinistas de apoiar a guerrilha esquerdista de El Salvador.\n\nAs rela\u00e7\u00f5es com os EUA se deterioram rapidamente depois que Washington passa a financiar os \u201ccontras\u201d, guerrilheiros anti-sandinistas formados da extinta Guarda Nacional somozista. Em 1983 os EUA imp\u00f5em san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas contra a\u00a0<strong>Nicar\u00e1gua<\/strong>\u00a0e enviam uma frota para patrulhar a costa nicarag\u00fcense. O governo sandinista decreta o estado de emerg\u00eancia.\n\nO l\u00edder sandinista Daniel Ortega vence as primeiras elei\u00e7\u00f5es p\u00f3s-revolu\u00e7\u00e3o, em 1984; no ano seguinte os EUA rejeitam proposta de paz dos sandinistas e decretam embargo total. Em 1986 o jornal oposicionista La Prensa, da fam\u00edlia Chamorro, \u00e9 fechado temporariamente pelos sandinistas; em repres\u00e1lia, o Congresso dos EUA aprova um pacote de ajuda de US$ 100 milh\u00f5es para os \u201ccontras\u201d.\n\nO primeiro passo para a paz \u00e9 dado em 1987, com a assinatura do Tratado Esquipulas II; os \u201ccontras\u201d concordam em negociar com os sandinistas no ano seguinte.\n\nA tr\u00e9gua entre o governo e os rebeldes \u00e9 assinada em 1988 em Sapo\u00e1.\n\n<strong>O esfor\u00e7o de guerra agrava a crise econ\u00f4mica<\/strong>: a infla\u00e7\u00e3o atinge 33.000% ao ano em 1988.\n\nEm mar\u00e7o de 1990 Violeta Chamorro, da Uni\u00e3o Nacional Opositora (UNO), obt\u00e9m uma vit\u00f3ria inesperada sobre a FSLN na elei\u00e7\u00e3o presidencial. Os EUA cancelam o embargo e os \u201ccontras\u201d suspendem as hostilidades.\n\nChamorro toma posse em abril de 1990 mas mant\u00e9m o general Humberto Ortega no comando do ex\u00e9rcito, que permanece sob controle dos sandinistas.\n\n<strong>Revolu\u00e7\u00e3o Sandinista &#8211; Causa<\/strong>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-158857 aligncenter\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Revolu5-2-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" \/><strong>Revolu\u00e7\u00e3o Sandinista<\/strong><\/p>\nA\u00a0<strong>Revolu\u00e7\u00e3o Sandinista<\/strong>, uma das mais belas e intrigantes lutas populares da Am\u00e9rica Latina.\n\nInspirado em Augusto Cesar Sandino, comandante que organizou tropas populares para combater a ocupa\u00e7\u00e3o militar estadunidense na d\u00e9cada de 1930 e acabou sendo assassinado posteriormente pelas tropas do ditador Anast\u00e1sio Somoza. Os sandinistas constitu\u00edram um movimento amplo com diversas correntes de opini\u00e3o, lideran\u00e7as da igreja progressista, dos comunistas e da esquerda democr\u00e1tica, suas bandeiras de luta principais eram a luta pela democracia, reforma agr\u00e1ria e educa\u00e7\u00e3o.\n\nSomoza comandou a\u00a0<strong>Nicar\u00e1gua<\/strong>\u00a0de 1967 a 1979, sustentado pela pol\u00edtica externa dos Estados Unidos, como na maioria dos pa\u00edses latinos durante a Guerra Fria, uma ditadura violenta com forte repress\u00e3o contra a popula\u00e7\u00e3o e os movimentos de oposi\u00e7\u00e3o e corrupta com rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas altamente dependentes.\n\nA Frente Sandinista de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional \u2013 FSLN, venceu a luta contra a ditadura depois de anos de luta e mais de 40 mil mortos em combate.\n\nA vit\u00f3ria dos sandinistas trouxe um breve per\u00edodo de reorganiza\u00e7\u00e3o social, com redistribui\u00e7\u00e3o de renda, principalmente atrav\u00e9s de uma exitosa reforma agr\u00e1ria, a luta contra o analfabetismo com uma campanha nacional que conseguiu reduzi-la de 52% para 12%, com brigadas que envolveram toda a sociedade, em especial os estudantes, com uma grande demonstra\u00e7\u00e3o de solidariedade, convocaram os processos eleitorais a partir de 1984 e concederam amplo direito express\u00e3o para os meios de comunica\u00e7\u00e3o e a sociedade.\n\nA partir da revolu\u00e7\u00e3o sandinista, os EUA reagiram ao avan\u00e7o popular com embargos econ\u00f4micos e financiaram os chamados \u201ccontras\u201d, grupo paramilitar organizado pelos setores que se beneficiavam da ditadura e organizaram um ex\u00e9rcito fortemente armado, colocando o pa\u00eds em situa\u00e7\u00e3o de guerra novamente. O financiamento dos \u201ccontras\u201d provocou uma crise no governo Reagan com desvios de recursos n\u00e3o autorizados pelo Congresso.\n\nDepois de anos de batalhas, os EUA e seu ex\u00e9rcito mercen\u00e1rio conseguiu desgastar o governo popular. A popula\u00e7\u00e3o, cansada de guerra, necessitava de paz e se rendeu \u00e0 articula\u00e7\u00e3o conservadora com a elei\u00e7\u00e3o de 1990. Uma elei\u00e7\u00e3o presidencial financiada tamb\u00e9m pelos agentes estadunidenses e questionada em sua lisura.\n\nA FSLN se transformou em um partido pol\u00edtico de esquerda, legalizado e presente na vida institucional do pa\u00eds.\n\nAs conquistas da revolu\u00e7\u00e3o sandinista foram perdidas com a aus\u00eancia de incentivos ao pequeno agricultor que voltou a perder a suas terras, o aumento da taxa de analfabetismo, os \u00edndices de desenvolvimento s\u00e3o o segundo pior da Am\u00e9rica Latina, a depend\u00eancia econ\u00f4mica e a subservi\u00eancia aos EUA voltaram como um pa\u00eds sem soberania.\n\nAs li\u00e7\u00f5es desta revolu\u00e7\u00e3o s\u00e3o muito importantes porque mostram as caracter\u00edsticas do desenvolvimento da luta de classes e o projeto popular atrav\u00e9s da realidade social local.\n\nA democracia foi conquistada \u00e0s duras penas, mas n\u00e3o foi suficiente para manter um projeto popular e de soberania nacional.\n\nA democracia \u00e9 elemento fundamental para os pa\u00edses que viveram ditaduras como os latinos e deve ser considerada como conquista das classes sociais prolet\u00e1rias.\n\nA diferen\u00e7a e talvez o erro dos nicaraguenses \u00e9 n\u00e3o considerar a rea\u00e7\u00e3o da burguesia e a verdadeira correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as para a manuten\u00e7\u00e3o das reivindica\u00e7\u00f5es e conquistas populares. Portanto, democracia \u00e9 um crit\u00e9rio de classe e sua luta.\n\nA\u00a0<strong>revolu\u00e7\u00e3o sandinista<\/strong>\u00a0\u00e9 uma das mais belas vit\u00f3rias do povo, uma demonstra\u00e7\u00e3o da possibilidade de trilhar o caminho da soberania e da justi\u00e7a social mesmo com todas as dificuldades que a realidade de atraso destes pa\u00edses imp\u00f5e. \u00c9 poss\u00edvel ter um projeto nacional, popular e democr\u00e1tico, mesmo nas situa\u00e7\u00f5es mais dif\u00edceis de nosso povo. A revolu\u00e7\u00e3o sandinista \u00e9 um exemplo para os povos de todo mundo.\n\n<strong>Revolu\u00e7\u00e3o Sandinista &#8211; O que foi<\/strong>\n\nEm 19 de junho de 99, completaram-se 20 anos da tomada do poder pela Frente San-dinista de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional na Nicar\u00e1gua atrav\u00e9s de uma insurrei\u00e7\u00e3o popular, derrotando a sanguin\u00e1ria ditadura Somoza.\n\nMas tamb\u00e9m em 99, j\u00e1 cumprem-se nove anos que os sandinistas deixaram o poder, perdendo as elei\u00e7\u00f5es para os setores da burguesia que haviam participado do movimento pela derrota de Somoza.\n\nA revolu\u00e7\u00e3o sandinista foi a \u00faltima insurrei\u00e7\u00e3o popular armada vitoriosa a derrotar um governo t\u00edtere do imperialismo neste mil\u00eanio, mas a pol\u00edtica da dire\u00e7\u00e3o reformista estrangulou todas as perspectivas de construir um governo oper\u00e1rio e campon\u00eas e tornar a Nicar\u00e1gua em um Estado oper\u00e1rio.\n\nNos \u00faltimos anos, tem ressurgido na Am\u00e9rica Latina os movimentos de cunho guerrilheiro a partir de a\u00e7\u00f5es militares epis\u00f3dicas, como o conflito em Chiapas de 94, encabe\u00e7ado pelo EZLN; a tomada da Embaixada Japonesa em Lima pelo MRTA e mais recentemente o ascensor da luta guerrilheira liderada pelas FARCs na Col\u00f4mbia. Como parte desta nova \u201cvolta\u201d do guerrilheir\u00edssimo, est\u00e1 marcado para acontecer no Brasil, entre os dias 06 a 11 de dezembro de 1999 na cidade de Bel\u00e9m (Par\u00e1), o II Encontro Americano pela Humanidade Contra o Neoliberalismo ? o primeiro encontro ocorreu em 96 em Chiapas. O evento reunir\u00e1 grupos guerrilheiros (EZLN, FARC, \u2026), organiza\u00e7\u00f5es de massa do movimento campon\u00eas, oper\u00e1rio e popular (MST, CUT, UNE, UBES, CMP, MNU, \u2026), grupos ind\u00edgenas, institui\u00e7\u00f5es religiosas (CPT e CNBB) e uma gama de partidos burgueses e reformistas brasileiros (PDT, PSB, PCB, PCdoB, PT, PSTU) e internacionais como o Partido de Refunda\u00e7\u00e3o Comunista italiano, etc.\n\nAssim como no passado, a \u201cvia do foco guerrilheiro\u201d para a transforma\u00e7\u00e3o social volta a atrair o interesse e as simpatias de jovens ativistas e lutadores sociais descontentes com a integra\u00e7\u00e3o dos partidos reformistas tradicionais do regime burgu\u00eas.\n\n<strong>Este fen\u00f4meno reincidente na hist\u00f3ria basta lembrar as v\u00e1rias faces que j\u00e1 assumiu s\u00f3 na Am\u00e9rica Latina<\/strong>: mao\u00edsmo, castrismo, guevarismo etc. vem apresentando-se cada vez mais como farsa da luta revolucion\u00e1ria pelo poder.\n\nSob o signo da contra-revolu\u00e7\u00e3o nos Estados oper\u00e1rios da URSS e Leste Europeu e da rea\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica imperialista, os guerrilheiros de hoje, apesar das a\u00e7\u00f5es ousadas, s\u00e3o a cada dia mais conciliadores em busca da democratiza\u00e7\u00e3o do Estado burgu\u00eas. \u00c9 tarefa essencial dos marxistas revolucion\u00e1rios, ao passo que combatem pelo fim da opress\u00e3o imperialista e pela expropria\u00e7\u00e3o dos capitalistas, estabelecer uma profunda delimita\u00e7\u00e3o com o foquismo pequeno burgu\u00eas.\n\nEste fen\u00f4meno vem dando um giro \u00e0 direita em sua estrat\u00e9gia cl\u00e1ssica de tentar estabelecer governos nacionalistas de esquerda, para cair no mais rasteiro cretinismo democratizante, contentando-se em renunciar ao uso das armas pelo mero direito a um registro legal que permita-os participar do circo eleitoral burgu\u00eas.\n\nAtualmente, se proliferam por todas as partes os \u201ctratados de paz\u201d entre os movimentos guerrilheiros (FMLN salvadorenha, o M-19 colombiano, a Unidade Revolucion\u00e1ria Nacional guatemalteca) e os regimes genocidas pr\u00f3-imperialistas. Alguns ex-guerrilheiros utilizam a experi\u00eancia adquirida em suas capitula\u00e7\u00f5es se dedicando \u00e0 vergonhosa tarefa de auxiliar a outros pa\u00edses a pacificarem suas guerrilhas.\n\nForam os casos recentes da \u201cajuda\u201d prestada pelo MNL-Tupamaros uruguaio (que participa da Frente Ampla) nas negocia\u00e7\u00f5es de paz do ETA com o governo espanhol no ano passado. O outro caso, foram as participa\u00e7\u00f5es de Daniel Ortega (FSLN) e ex-dirigentes da URN gualtemalteca nas negocia\u00e7\u00f5es de paz de janeiro deste ano entre as FARC?s e o governo colombiano, a convite deste \u00faltimo.\n\n<strong>DO PRIMEIRO FRACASSO DO NACIONALISMO NICARAG\u00dcENSE \u00c0 REVOLU\u00c7\u00c3O SANDINISTA<\/strong>\n\nJ\u00e1 em meados do s\u00e9culo passado, os EUA tinham a Nicar\u00e1gua sob seu dom\u00ednio. Para preserv\u00e1-lo, as for\u00e7as militares ianques invadiram o pa\u00eds quatro vezes desde 1855. Em 1928, um latifundi\u00e1rio, Augusto C\u00e9sar Sandino, aproveitando-se da redu\u00e7\u00e3o dos efetivos militares ianques, declara guerra ao governo local, dirigindo um movimento guerrilheiro que por pouco n\u00e3o chegou a ocupar a capital, Man\u00e1gua, no in\u00edcio da d\u00e9cada seguinte. As tropas norte-americanas voltam ao pa\u00eds montando um imenso operativo militar contra o ex\u00e9rcito de Sandino. Mas os ianques acabam saindo derrotados e obrigados a retroceder.\n\nIncapaz de venc\u00ea-lo, o governo Roosevelt busca coopt\u00e1-lo. \u00c9 celebrado um acordo que estabelecia a retirada dos marines, a escolha de um presidente constitucional (Sacasa) e, o principal, a forma\u00e7\u00e3o de uma Guarda Nacional, cujo comandante indicado pelos EUA seria Anast\u00e1cio Somoza. Pelo acordo, fica estabelecido que a Guarda Nacional n\u00e3o poderia combater a guerrilha. Pouco depois, temendo a possibilidade de um golpe, por parte da Guarda Nacional, Sandino visita o presidente para alert\u00e1-lo, oportunidade em que Somoza aproveitou-se para prender e assassinar Sandino e o pr\u00f3prio presidente Sacasa, tomando o poder absoluto no pa\u00eds.\n\nA fam\u00edlia Somoza se apropria sozinha da melhor e maior parte da economia do pa\u00eds, perpetuando-se por prorroga\u00e7\u00e3o de mandatos e elei\u00e7\u00f5es manipuladas. Anast\u00e1cio Somoza \u00e9 assassinado, mas seu filho, Luiz, assume o poder at\u00e9 67, quando o Somoza III \u00e9 \u201celeito\u201d pela fraude. Em 1962, o intelectual Carlos Fonseca funda um movimento guerrilheiro para combater a tirania Somoza, ser\u00e1 a Frente Sandinista de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional. Em 1972, Man\u00e1gua \u00e9 devastada por um terremoto que deixa 6 mil mortos e 300 mil feridos.\n\nSomoza percebeu nisso sua grande chance de multiplicar seus lucros, interditando o centro da capital e obrigando a todos, inclusive setores empresariais nicaraguenses, a comprar lotes de terras pertencentes ao cl\u00e3 Somoza na periferia de Man\u00e1gua por pre\u00e7os superfaturados. A ira da classe dominante ainda foi maior, quando se descobriu que a quadrilha governista havia se apropriado de toda a ajuda financeira americana para a reconstru\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. Foi a gota d \u00e1gua para que os outros setores da burguesia, at\u00e9 ent\u00e3o s\u00f3cios minorit\u00e1rios da quadrilha palaciana, uma vez sentindo-se expropriada, passassem para o lado dos sandinistas. O assassinato de Pedro Chamorro, diretor do principal jornal liberal do pa\u00eds, La Prensa, em 78, aprofundou a fissura interburguesa.\n\nA Guarda Nacional, montada pelos EUA em 1933, era o principal sustent\u00e1culo da dinastia Somoza. Desde ent\u00e3o, assassinou mais de 50 mil pessoas, 90% delas crian\u00e7as e jovens entre 8 e 20 anos de idade.\n\nCom um profundo \u00f3dio ao regime genocida, as for\u00e7as militares decisivas para o levante, que tomou o poder e destruiu a Guarda Nacional em junho e julho de 79, n\u00e3o vieram da burguesia ou da guerrilha pequeno burguesa do campo, mas fundamentalmente das mil\u00edcias populares urbanas, como os Comit\u00eas de Defesa Sandinistas. Os CDS, organizados por quadras nas cidades copiavam o modelo dos Comit\u00eas de Defesa da Revolu\u00e7\u00e3o Cubana. Mas, o ascenso revolucion\u00e1rio das massas exigia uma dire\u00e7\u00e3o pol\u00edtica decidida para completar a revolu\u00e7\u00e3o e levar a luta antiimperialista e anticapitalista at\u00e9 as \u00faltimas consequ\u00eancias, necessidade que s\u00f3 poderia ser atendida por um partido oper\u00e1rio revolucion\u00e1rio. Na aus\u00eancia deste partido, as massas nicaraguenses tiveram de se apegar aos setores mais radicalizados dos liberais nacionalistas, a FSLN.\n\nSob a inspira\u00e7\u00e3o das derrotas impostas ao imperialismo na vizinha revolu\u00e7\u00e3o cubana (59-60) e pela revolu\u00e7\u00e3o vietnamita (1975), as massas nicaraguenses aproveitaram-se das fissuras da classe dominante e derrotaram a sanguin\u00e1ria ditadura Somoza. Esta derrota do imperialismo significou uma vit\u00f3ria para o proletariado mundial, impulsionando a luta democr\u00e1tica e antiimperialista, acelerando o debacle de v\u00e1rias ditaduras militares latino-americanas e, particularmente, nos pa\u00edses vizinhos da Am\u00e9rica Central. Em El Salvador, na Guatemala e Honduras, os massivos protestos e greves oper\u00e1rias levaram \u00e0 queda de governos c\u00edvico-militares e \u00e0 radicaliza\u00e7\u00e3o da luta de classes sem precedentes hist\u00f3ricos naquela faixa terrestre do planeta.\n\n<strong>POR QUE, AP\u00d3S A REVOLU\u00c7\u00c3O SANDINISTA, A NICAR\u00c1GUA N\u00c3O TORNOU-SE UMA NOVA CUBA<\/strong>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-158858 aligncenter\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Revolu6-2-300x165.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"165\" \/><strong>Revolu\u00e7\u00e3o Sandinista<\/strong><\/p>\nA revolu\u00e7\u00e3o sandinista foi o segundo levante popular num lapso de 20 anos (1959-1979) a derrotar as for\u00e7as armadas da burguesia e do imperialismo ianque em seu pr\u00f3prio \u201cp\u00e1tio traseiro\u201d.\n\nUma an\u00e1lise marxista das semelhan\u00e7as e diferen\u00e7as entre a revolu\u00e7\u00e3o cubana e a nicaraguense \u00e9 fundamental para que se entenda que apesar de ambas as dire\u00e7\u00f5es, Castro e a FSLN, utilizarem a luta armada como via para o poder \u00e9 na expropria\u00e7\u00e3o da burguesia como classe, que est\u00e1 o cerne da quest\u00e3o.\n\nAo contr\u00e1rio de impulsionar a elimina\u00e7\u00e3o da propriedade privada sobre os meios de produ\u00e7\u00e3o no pa\u00eds, a FSLN limitou-se a expropriar as posses da fam\u00edlia Somoza (40% das riquezas do pa\u00eds) e buscou conter a luta anticapitalista das massas insurretas, preservando os interesses da burguesia \u201cantisomozista\u201d, cavando sua pr\u00f3pria cova.\n\n<strong>Este fator decisivo para a sorte de todo movimento oper\u00e1rio insurrecional foi enunciado pelos autores do Manifesto Comunista:<\/strong>\u00a0\u201cEm toda a parte os comunistas apoiam todo movimento revolucion\u00e1rio contra a ordem social e pol\u00edtica vigente. Em todos esses movimentos, p\u00f5em em primeiro lugar, como quest\u00e3o fundamental, a quest\u00e3o da propriedade, n\u00e3o obstante o grau de desenvolvimento alcan\u00e7ado na \u00e9poca\u201d (Manifesto do Partido Comunista, Marx e Engels).\n\n<b>Tanto o castrismo como os sandinistas s\u00e3o inimigos da democracia oper\u00e1ria, ambos buscavam forjar governos de unidade nacional, mas a perspectiva\u00a0de um governo frente populista fracassou em Cuba e a dire\u00e7\u00e3o pequeno burguesa foi for\u00e7ada por condi\u00e7\u00f5es excepcionais<\/b>: a entrada em cena do proletariado das cidades ao qual se combinou \u00e0 guerrilha rural, a imensa debilidade da classe dominante nativa; a intransig\u00eancia ultimatista do imperialismo norte-americano, que ao contr\u00e1rio de tentar cooptar o castrismo empurrou-o para uma sa\u00edda oper\u00e1ria. Ou seja, pela impossibilidade de manter a frente popular, os castristas tiveram de ir al\u00e9m de onde queriam no curso de ruptura com a burguesia, sendo levados a expropriar os capitalistas nativos e as empresas multinacionais. Simultaneamente, a URSS e a China suplantaram as rela\u00e7\u00f5es comerciais rompidas pelo imperialismo, n\u00e3o por qualquer impulso internacionalista das burocracias de Moscou ou de Pequim, mas tentando se utilizar da posi\u00e7\u00e3o militar estrat\u00e9gica de Cuba em futuras negocia\u00e7\u00f5es com os EUA.\n\nAs diferen\u00e7as entre o Movimento 26 de J\u00falio de Castro e a FSLN de Daniel Ortega n\u00e3o s\u00e3o de cunho ideol\u00f3gico, subjetivo, neste aspecto ambos compartilham, desde o princ\u00edpio de suas empreitadas, as ilus\u00f5es reacion\u00e1rias da pequena burguesia de desenvolver um capitalismo nacional, livre das mazelas da opress\u00e3o imperialista. Enquanto foi poss\u00edvel (59 e meados de 1960) Castro tentou manter-se sob um programa democr\u00e1tico-radical e limitar as expropria\u00e7\u00f5es \u00e0s terras de Fulg\u00eancio Batista.\n\nA histeria anticomunista do imperialismo ianque em 59 (d\u00e9cada do macarthismo) n\u00e3o deixou sa\u00edda para Castro, nem para a amedrontada burguesia cubana, que formou parte do governo de uni\u00e3o nacional com Castro e Che no comando do Ex\u00e9rcito ap\u00f3s a derrubada de Batista.\n\nTemendo sofrer repres\u00e1lias americanas o covarde patronato da ilha preferiu abandonar a frente popular e fugir do pa\u00eds. Abandonado pela burguesia, acossado pelo imperialismo, econ\u00f4mica (boicote ianque \u00e0 compra do a\u00e7\u00facar cubano e ao refino do petr\u00f3leo pelas multinacionais instaladas na ilha, as \u00fanicas existentes) e militarmente (invas\u00e3o gusana patrocinada pela CIA em praia Gir\u00f3n), o castrismo foi obrigado a se apegar \u00e0 classe oper\u00e1ria, impulsionando ainda que burocraticamente as mil\u00edcias populares por cada bairro da cidade (os Comit\u00eas de Defesa da Revolu\u00e7\u00e3o Cubana), e nacionalizar as refinarias petroleiras (Shell, Texaco e Standard Oil), os engenhos de a\u00e7\u00facar, as companhias de telefone e eletricidade. O Estado apropriou-se de 90% das ind\u00fastrias do pa\u00eds.\n\nSe as burocracias dos Estados oper\u00e1rios alimentam ilus\u00f5es reacion\u00e1rias de estabelecer uma \u201cconviv\u00eancia pac\u00edfica\u201d com a burguesia em n\u00edvel internacional, o sandinismo abortou as perspectivas de transformar a Nicar\u00e1gua em um Estado oper\u00e1rio ainda que burocratizado, com a pol\u00edtica contra-revolucion\u00e1ria de buscar a \u201cconviv\u00eancia pac\u00edfica\u201d com o imperialismo dentro e fora do pa\u00eds, o que Castro, pela negativa absoluta do imperialismo, n\u00e3o conseguiu.\n\nAo contr\u00e1rio de Cuba, na Nicar\u00e1gua, sob a dire\u00e7\u00e3o sandinista, 57% da economia se manteve intocada nas m\u00e3os do setor privado. Na ind\u00fastria, apenas 25% da produ\u00e7\u00e3o passou para as m\u00e3os do Estado e mesmo a t\u00edmida Reforma Agr\u00e1ria, s\u00f3 veio a ocorrer de fato em meados da d\u00e9cada de 80.\n\n<strong>\u201cPLURALISMO POL\u00cdTICO\u201d PARA OS CONTRA-REVOLUCION\u00c1RIOS, \u201cN\u00c3O ALINHAMENTO\u201d CONTRA O IMPERIALISMO E \u201cECONOMIA MISTA\u201d CAPITALISTA:\u00a0<\/strong>A F\u00d3RMULA DA DERROTA\n\nA guerrilha sandinista representou os setores da classe m\u00e9dia alijados do poder, que tentaram conseguir, por meio da luta armada, os direitos democr\u00e1ticos que viram frustrados pela via institucional. Logo, a FSLN comprometeu-se com a burguesia anti-somozista a estabelecer um governo de uni\u00e3o nacional que respeitasse a propriedade privada e a restabelecer a democracia burguesa, ou seja, manter o capitalismo nicaraguense sem Somoza.\n\nAo chegar ao poder, a Frente Sandinista proclamou a descoberta de uma via intermedi\u00e1ria entre a ditadura do capital e a ditadura prolet\u00e1ria.\n\n<strong>O esquema dos sandinistas baseava-se no seguinte trip\u00e9 ut\u00f3pico e reacion\u00e1rio<\/strong>: \u201cpluralismo pol\u00edtico\u201d, \u201cn\u00e3o alinhamento na pol\u00edtica internacional\u201d e \u201ceconomia mista\u201d.\n\nO resultado \u00e9 que al\u00e9m de preservar boa parte da burocracia estatal e das institui\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas, a FSLN tentou proteger da ira popular elementos supostamente \u201chonestos e patri\u00f3ticos\u201d do ex\u00e9rcito genocida de Somoza, e n\u00e3o poucos foram incorporados ao Ex\u00e9rcito sandinista. Foi impedido o justiciamento da guarda somozista, e at\u00e9 dos assassinos mais odiados. Somente tr\u00eas anos ap\u00f3s a revolu\u00e7\u00e3o, quando a maioria dos assassinos do antigo regime j\u00e1 se encontrava fora do pa\u00eds \u00e9 que foram instaurados os tribunais populares e, ainda assim, de maneira bastante t\u00edmida e controlada.\n\nProtegidos da vingan\u00e7a das massas, os genocidas da Guarda Nacional fugiram para a fronteira de Honduras onde foram reagrupados pela CIA, dando origem a mais sanguin\u00e1ria guerrilha contra-revolucion\u00e1ria j\u00e1 montada na Am\u00e9rica Latina, os Contras.\n\nEsta atitude complacente da FSLN para com os criminosos de Somoza possibilitou uma larga vantagem \u00e0 contra revolu\u00e7\u00e3o imperialista na guerra civil que durou toda a d\u00e9cada de 80 e pela qual os explorados pagaram com o seu sangue, com mais de 100 mil nicaraguenses mortos.\n\nEnquanto era criminosamente tolerante com a burguesia e a rea\u00e7\u00e3o, a FSLN estrangulava as for\u00e7as da revolu\u00e7\u00e3o, reprimindo a classe oper\u00e1ria, as organiza\u00e7\u00f5es de esquerda.\n\nO governo sandinista combinou a interven\u00e7\u00e3o estatal nos sindicatos que ousassem fazer greve com a repress\u00e3o seletiva \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es de esquerda. Em alguns casos, o governo preferiu fechar f\u00e1bricas ocupadas por trabalhadores em greve, para n\u00e3o fazer concess\u00e3o \u00e0s suas reivindica\u00e7\u00f5es, do que abrir o \u201cmal precedente\u201d de ser for\u00e7ado a ir al\u00e9m dos limites pelo movimento oper\u00e1rio.\n\nLogo nas primeiras semanas ap\u00f3s a revolu\u00e7\u00e3o, foi posto na ilegalidade o grupo stalinista pr\u00f3-Alb\u00e2nia Frente Obrero (FO) e seu peri\u00f3dico, El Pueblo, foi confiscado, por este grupo estar organizando ocupa\u00e7\u00f5es de terras. No m\u00eas de agosto, o governo expulsou do pa\u00eds a Brigada Sim\u00f3n Bol\u00edvar (BSB), ligada ao pseudo-trotskista argentino Nahuel Moreno.\n\nOs principais dirigentes do Movimento de A\u00e7\u00e3o Popular (MAP) e da Liga Marxista Revolucion\u00e1ria foram presos, assim como alguns l\u00edderes sindicais do Partido Socialista (PSN, stalinistas pr\u00f3-Moscou).\n\nMas a maior repress\u00e3o \u00e0 esquerda foi o encar-ceramento de mais de cem militantes do Partido Comunista (PCN) sob a acusa\u00e7\u00e3o de boicotar a produ\u00e7\u00e3o (em outras palavras, dirigir greves), cerca de tr\u00eas deles foram condenados a mais de dois anos de pris\u00e3o por estarem a frente de uma ocupa\u00e7\u00e3o de f\u00e1brica.\n\nQuase todos os ativistas de esquerda foram encarcerados sob a mesma cal\u00fania que lembram as mais s\u00f3rdidas pugnas stalinistas.\n\nS\u00e3o acusados de serem \u201cagentes da CIA\u201d. Sem d\u00favida, a dissolu\u00e7\u00e3o das mil\u00edcias populares, a repress\u00e3o sandinista \u00e0s greves, ocupa\u00e7\u00f5es de f\u00e1bricas e de terras, seguidas da pris\u00e3o de ativistas de esquerda que lutam por mais conquistas para a revolu\u00e7\u00e3o, prestou um servi\u00e7o imensamente maior aos prop\u00f3sitos da CIA, como nenhum mercen\u00e1rio que ela j\u00e1 assalariou.\n\nAl\u00e9m dos trabalhadores urbanos e suas organiza\u00e7\u00f5es sindicais e pol\u00edticas de esquerda, os camponeses e as minorias \u00e9tnicas ind\u00edgenas tamb\u00e9m foram v\u00edtimas do governo sandinista pequeno burgu\u00eas.\n\nA FSLN estava fortemente empenhada em manter seus compromissos com o latif\u00fandio anti-somozista e evitou a todo o custo uma verdadeira reforma agr\u00e1ria no pa\u00eds.\n\nA Lei de Reforma Agr\u00e1ria s\u00f3 foi formalmente votada em julho de 1981, dois anos depois da revolu\u00e7\u00e3o, mas a efetiva reparti\u00e7\u00e3o de terras s\u00f3 veio a ocorrer em 1984. O campesinato pobre que, em rota de coaliz\u00e3o com os m\u00e9dios e grandes propriet\u00e1rios no final da d\u00e9cada de 70, esperavam do sandinismo a reforma agr\u00e1ria, melhores condi\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito agr\u00edcola e de vida, viram suas ilus\u00f5es se desfazerem a cada ano. E pior, enquanto os pre\u00e7os de todos os outros bens de consumo cresciam com a hiperinfla\u00e7\u00e3o, os pre\u00e7os dos g\u00eaneros agr\u00edcolas foram congelados pelo governo.\n\n<strong>Com as popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas, as coisas n\u00e3o foram diferentes<\/strong>: o covarde governo sandinista, enquanto mantinha intoc\u00e1veis as terras dos grandes latifundi\u00e1rios tratou de se apoderar das terras ind\u00edgenas e de seus recursos naturais, oprimindo sua cultura e seu idioma.\n\n<strong>O resultado n\u00e3o poderia ser outro<\/strong>: os ind\u00edgenas surnus, miskitos e ramas, assim como os camponeses pobres arruinados pelo governo sandinista foram jogados nas m\u00e3os da rea\u00e7\u00e3o e do imperialismo, alistando-se em massa no exercito mercen\u00e1rio dos Contras.\n\nPor sua vez, todas as liberdades e concess\u00f5es eram permitidas \u00e0 burguesia anti-somozista, representada no governo por Violeta Chamorro (propriet\u00e1ria do principal jornal da burguesia liberal, La Prensa, utilizado na guerra psicol\u00f3gica para desestabilizar o regime) e Adolfo Robelo, ligado aos latifundi\u00e1rios algodoeiros.\n\nAmbos se retiraram do governo em 1980 para chantagear o sandinismo a fazer mais concess\u00f5es \u00e0 rea\u00e7\u00e3o. Adolfo Robelo dedica-se a organizar a guerrilha anti-sandinista montada na Costa Rica, enquanto dirige o Movimento Democr\u00e1tico Nicarag\u00fcense (MDN), partido que apesar de dedicar-se a atividades de sabotagem da revolu\u00e7\u00e3o e ao massacre de camponeses, mant\u00e9m-se ainda na legalidade.\n\nApesar dos bancos terem sido nacionalizados, outros setores fundamentais da economia foram deixados nas m\u00e3os dos capitalistas que provocaram o racionamento e a escassez de produtos de primeira necessidade para for\u00e7ar a alta dos pre\u00e7os ou simplesmente desmoralizar o governo sandinista.\n\nUma vez que a burguesia foi preservada, ela continuou a impor sobre o Estado burgu\u00eas sandinista seus interesses de classe que eram de assumir de novo o poder para restabelecer o sistema convencional capitalismo-imperialismo, enfraquecido com a derrubada da tirania pr\u00f3-imperialista.\n\nEvitando o erro cometido em Cuba, a pol\u00edtica levada adiante por Reagan para a Nicar\u00e1gua nunca teve como objetivo a derrubada do governo sandinista.\n\nWashington pretendia manter os sandinistas no poder e vencer a revolu\u00e7\u00e3o pelo esgotamento. Em 1983, imp\u00f5em san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas sobre a Nicar\u00e1gua e enviam uma tropa para patrulhar a costa nicaraguense. Em 85, os EUA rejeitam a proposta de paz da FSLN e decretam embargo total. A \u00fanica forma de salvar a revolu\u00e7\u00e3o seria romper o cerco imperialista atrav\u00e9s da impuls\u00e3o das revolu\u00e7\u00f5es em El Salvador e Guatemala, mas os sandinistas fazem tudo ao contr\u00e1rio.\n\nNo plano internacional, a dire\u00e7\u00e3o nacionalista da FSLN jogou um papel abertamente contra-revolucion\u00e1rio, n\u00e3o apoiando e, inclusive, sabotando os movimentos guerrilheiros nos pa\u00edses vizinhos, particularmente na Guatemala e em El Salvador. Tentou dar todas as garantias aos EUA de que n\u00e3o fornecia ajuda militar a FMLN.\n\nAo passo que reconhecia e estreitava suas rela\u00e7\u00f5es com os governos genocidas antiguerrilheiros armados pela CIA nestes pa\u00edses, apoiava tacitamente a URNG e a FMLN para usar este apoio nas negocia\u00e7\u00f5es com o imperialismo e as burguesias da Am\u00e9rica Central. C\u00ednico e criminoso papel dos sandinistas, se j\u00e1 n\u00e3o seguiam o exemplo de Cuba diga-se de passagem, sob os conselhos do pr\u00f3prio Castro levando a luta antiimperialista at\u00e9 a expropria\u00e7\u00e3o da burguesia como classe, ainda aconselhavam a Frente Farabundo Mart\u00ed de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional salvadorenha a nem tomar o poder, como haviam feito a FSLN.\n\nUma vez que conseguiu impor o refluxo ao movimento de massas, a FSLN preparou o caminho da rea\u00e7\u00e3o imperialista de volta ao poder pela via da democracia burguesa. A elite militar sandinista tratou de enriquecer-se, apropriando-se de boa parte das terras expropriadas durante a Revolu\u00e7\u00e3o.\n\nA vit\u00f3ria sobre a ditadura e a expropria\u00e7\u00e3o dos Somoza possibilitou conquistas sociais (refeit\u00f3rios e creches comunit\u00e1rias gratuitas, subs\u00eddios \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o, amplia\u00e7\u00e3o do seguro social, aumento dos recursos para a universidade p\u00fablica para 2% do or\u00e7amento nacional etc.) e amplia\u00e7\u00e3o dos direitos pol\u00edticos e de organiza\u00e7\u00e3o sindical.\n\nMas em pouco tempo estas conquistas foram sendo devoradas ou suprimidas paulatinamente a medida que o sandinismo fortalecia o Estado capitalista e restabelecia as rela\u00e7\u00f5es de depend\u00eancia e opress\u00e3o nacional sob o imperialismo, submetendo finalmente o pa\u00eds a um esfor\u00e7o de guerra no combate aos Contras, levando ao caos a economia do pa\u00eds. Em 88, a infla\u00e7\u00e3o chega aos 30 mil % ao ano. Ap\u00f3s desmoralizar, atomizar e empurrar para a prostra\u00e7\u00e3o as massas nicaraguenses, os desmoralizados sandinistas perdem as elei\u00e7\u00f5es para Violeta Chamorro em mar\u00e7o de 1990, mantendo-se no governo atrav\u00e9s dos postos que ocupava na burocracia militar.\n\n<strong>\u201cPACTOS DEMOCR\u00c1TICOS\u201d:<\/strong>\u00a0A POL\u00cdTICA DE COOPTA\u00c7\u00c3O DO IMPERIALISMO\n\nA estrat\u00e9gia do imperialismo triunfou, gra\u00e7as \u00e0s utopias reacion\u00e1rias e suicidas dos reformistas da FSLN.\n\nA\u00a0<strong>Nicar\u00e1gua<\/strong>\u00a0foi um laborat\u00f3rio que permitiu ao governo Reagan, desenvolver sua pol\u00edtica contra-revolucion\u00e1ria de combate ao comunismo em toda a Am\u00e9rica Latina, utilizando-se das vacila\u00e7\u00f5es das dire\u00e7\u00f5es nacionalistas, combinando o enfrentamento militar com a coopta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, atrav\u00e9s de \u201caberturas democr\u00e1ticas\u201d controladas.\n\nApesar da imensa ajuda militar norte-americana para sufocar os movimentos de liberta\u00e7\u00e3o nacional, foi sem d\u00favida a pol\u00edtica contra-revolucion\u00e1ria das dire\u00e7\u00f5es guerrilheiras, como os sandinistas (anistiando os repressores, negando-se a romper com a burguesia e o imperialismo, estrangulando politicamente a classe oper\u00e1ria e perseguindo camponeses e ind\u00edgenas), que possibilitou o triunfo das for\u00e7as da rea\u00e7\u00e3o.\n\nBush e Clinton deram continuidade \u00e0 pol\u00edtica de \u201coferecer a cenoura e esconder o pau de a\u00e7oite\u201d para cooptar as dire\u00e7\u00f5es nacionalistas. O atual presidente americano foi mais longe, chegando a propor, na \u00faltima Assembl\u00e9ia anual do Banco Mundial (BM) e do FMI em setembro deste ano \u201ca anistia da d\u00edvida externa da Bol\u00edvia, Honduras, Nicar\u00e1gua e da \u00c1frica negra, em at\u00e9 100%. A medida beneficiaria um total de 36 pa\u00edses.\u201d (CNN, 29\/09\/99). Clinton anunciou que \u201ca Tesouraria dos EUA considerar\u00e1 a possibilidade de esquecer a cobran\u00e7a quando o dinheiro que assim se economize seja utilizado para se custear os servi\u00e7os sociais.\u201d (idem).\n\nEsta demagogia n\u00e3o \u00e9 uma originalidade de Clinton, na verdade, ele se soma a uma coaliz\u00e3o de ONGs (ag\u00eancias paraestatais do imperialismo com fachadas humanit\u00e1rias, pacifistas, ecol\u00f3gicas) e do Vaticano, batizada de \u201cJubileu 2.000\u201d, um f\u00f3rum que prop\u00f5e \u00e0s pot\u00eancias capitalistas que cancelem a d\u00edvida do chamado Terceiro Mundo. Trata-se de mais uma faceta humanit\u00e1ria imperialista, assim como a farsa judicial da condena\u00e7\u00e3o de Pinochet e a demag\u00f3gica exig\u00eancia de um novo julgamento para o massacre de Eldorado dos Caraj\u00e1s, que tem por objetivo fortalecer sua imagem de policiais planet\u00e1rios.\n\n\u201cEstas farsas humanit\u00e1rias t\u00eam sido utilizadas como cortinas de fuma\u00e7a que precedem sangrentos massacres, como foi o caso recente da guerra contra a Iugosl\u00e1via, em nome da defesa dos kosovares.\n\nDe olho na Amaz\u00f4nia, no combate \u00e0s guerrilhas, ao insurgente movimento das massas latino-americanas e tentando disciplinar o narcotr\u00e1fico, o imperialismo que vem anunciando uma invas\u00e3o militar \u00e0 Col\u00f4mbia, n\u00e3o deixaria passar esta oportunidade de fazer propaganda de si mesmo como justiceiro.\u201d\n\n(Luta Oper\u00e1ria n\u00ba36, agosto\/99). Assim como NUNCA condenar\u00e1 Pinochet, NUNCA far\u00e1 justi\u00e7a no caso de Eldorado dos Caraj\u00e1s, o imperialismo NUNCA vai perdoar toda a d\u00edvida externa de uma, e muito menos de 36, de suas col\u00f4nias e semicol\u00f4nias. Porque al\u00e9m de se mover em busca de obter o lucro m\u00e1ximo, os grandes capitalistas t\u00eam nas d\u00edvidas uma ferramenta de controle pol\u00edtico sobre as na\u00e7\u00f5es oprimidas.\n\n<strong>A RENDI\u00c7\u00c3O DO GUERRILHEIRISMO EM TROCA DE UM BILHETE DE ACESSO \u00c0 DEMOCRACIA BURGUESA<\/strong>\n\nAs dire\u00e7\u00f5es nacionalistas pequeno burguesas mostraram a custo de muito sangue o fracasso da via reformista armada na Nicar\u00e1gua, El Salvador e Guatemala.\n\nA dire\u00e7\u00e3o sandinista transformou-se em nova burguesia interessada em manipular o movimento de massas em favor da preserva\u00e7\u00e3o e amplia\u00e7\u00e3o de \u201csuas\u201d conquistas materiais e de seu poder pol\u00edtico como partido burgu\u00eas coadjuvante do regime pr\u00f3-imperialista. Tamb\u00e9m nos dois outros pa\u00edses centro-americanos, a FMLN e a URNG renderam-se vergonhosamente aos regimes capitalistas t\u00edteres do imperialismo, participando ativamente do circo eleitoral burgu\u00eas, via para o poder que antes criticavam por n\u00e3o ter acesso a ela.\n\nNa mesma linha de capitula\u00e7\u00e3o se encontram os Tupamaros uruguaios, que al\u00e9m de pacificadores a servi\u00e7o do imperialismo espanhol em favor das capitula\u00e7\u00f5es do ETA, se mostraram muito mais prestativos para o imperialismo mundial em seu pa\u00eds, ap\u00f3s deporem as armas em prol da estabilidade do regime, apoiando a Frente Ampla, cujo programa tem um car\u00e1ter privatista para nenhum neoliberal colocar defeitos, defendendo \u201cum pa\u00eds onde o empresariado privado seja o agente chave do crescimento econ\u00f4mico\u201d.\n\nNa frente da prefeitura de Montevid\u00e9u, V\u00e1zquez realizou a gest\u00e3o mais privatista que qualquer pol\u00edtico dos partidos burgueses tradicionais (Blanco e Colorado), demitindo mais de 4 mil trabalhadores com sua pol\u00edtica de racionalizar gastos.\n\nFidel Castro, que sempre aconselhou aos grupos guerrilheiros latino-americanos, simpatizantes da revolu\u00e7\u00e3o cubana, a n\u00e3o repetir os \u201cerros\u201d de Cuba (expropriar a burguesia nativa), participou de uma reuni\u00e3o em janeiro deste ano com o candidato populista venezuelano Hugo Ch\u00e1vez e o presidente colombiano, Andr\u00e9s Pastrana, encarregado pelo imperialismo de domesticar a guerrilha, firmando uma declara\u00e7\u00e3o conjunta, denominada \u201cDiplomacia pela Paz\u201d, na qual se comprometem a apoiar o processo de paz na Col\u00f4mbia.\n\nNo M\u00e9xico, o EZLN tem como estrat\u00e9gia ser uma ala esquerda do principal partido da oposi\u00e7\u00e3o burguesa, o PRD, cuja finalidade seria formar uma frente de barganha, utilizando a guerrilha muito mais como um s\u00edmbolo do que como um genu\u00edno enfrentamento contra o governo.\n\n<strong>Quando os militantes de outra organiza\u00e7\u00e3o guerrilheira, o EPR mao\u00edsta eram selvagemente perseguidos pelo Ex\u00e9rcito mexicano, o zapatista subcomandante Marcos, ao contr\u00e1rio de solidarizar-se e defender os combatentes perseguidos pelo Estado capitalista, tratou de lavar as m\u00e3os e se delimitar pela direita<\/strong>: \u201cvoc\u00eas lutam pela tomada do poder. N\u00f3s pela democracia e justi\u00e7a. N\u00e3o \u00e9 a mesma coisa\u2026 N\u00e3o queremos o seu apoio\u2026 o apoio que almejamos \u00e9 o da sociedade civil nacional e internacional e s\u00e3o as mobiliza\u00e7\u00f5es pac\u00edficas e civis que desejamos\u2026\u201d (Carta ao EPR, 03\/09\/96), para n\u00e3o ser confundido com os que lutam de forma violenta pela derrubada do governo pr\u00f3-imperialista de plant\u00e3o e, principalmente, para n\u00e3o quebrar a confian\u00e7a que lhe depositam setores progressistas das classes m\u00e9dias e da burguesia nativa e internacional.\n\n<strong>A CR\u00cdTICA MARXISTA DO GUERRILHEIRISMO PEQUENO BURGU\u00caS<\/strong>\n\nA t\u00e1tica do foco guerrilheiro ou a guerra popular pela forma\u00e7\u00e3o dos Ex\u00e9rcitos de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional \u00e9 a encarna\u00e7\u00e3o militarizada da luta da pequena burguesia por seu espa\u00e7o no poder, caracteriza-se pelo centrismo frente \u00e0 burguesia, ao imperialismo e \u00e0 classe oper\u00e1ria, por aventuras heroicas, pelo terrorismo individual, a\u00e7\u00f5es desesperadas e por tentar dissolver os interesses classistas do proletariado nos objetivos policlassistas das classes m\u00e9dias.\n\nA pequena burguesia \u00e9 heterog\u00eanea e ocupa uma posi\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria em rela\u00e7\u00e3o aos meios de produ\u00e7\u00e3o. Seja ela urbana ou agr\u00e1ria (o campesinato) tem suas aspira\u00e7\u00f5es sociais quase sempre vinculadas \u00e0 burguesia e excepcionalmente ao proletariado; quase invariavelmente busca enriquecer, acumular patrim\u00f4nio e explorar cada vez mais o trabalho alheio, tendo como modelo a grande burguesia.\n\nA pequena burguesia n\u00e3o pode organizar a sociedade segundo seus pr\u00f3prios interesses, ou converte-se em grande burguesia, ou sob uma combina\u00e7\u00e3o de press\u00f5es excepcionais da luta de classes (negativa da burguesia em constituir frentes populares, ofensiva revolucion\u00e1ria das massas, guerras) \u00e9 obrigada a expropriar a burguesia, tornando-se burocracia dirigente de um Estado oper\u00e1rio deformado, como ocorreu na Iugosl\u00e1via, China, Cuba e Vietn\u00e3.\n\nO poder social da guerrilha n\u00e3o influi diretamente sobre os meios de produ\u00e7\u00e3o e, portanto, n\u00e3o organiza a classe mais progressista da sociedade capitalista, o proletariado, nem entra em choque com os interesses de preserva\u00e7\u00e3o da propriedade privada.\n\nUm exemplo atual \u00e9 o fato de permanecerem intoc\u00e1veis e at\u00e9 prosperarem as empresas capitalistas nas zonas controladas pelas For\u00e7as Armadas Revolucion\u00e1rias da Col\u00f4mbia.\n\nSuas a\u00e7\u00f5es de terrorismo individual ou guerrilha isolada do proletariado se op\u00f5em \u00e0 estrat\u00e9gia da classe oper\u00e1ria e prejudicam o desenvolvimento da consci\u00eancia de classe dos trabalhadores, substitu\u00edda pela cren\u00e7a de que sua liberta\u00e7\u00e3o da opress\u00e3o vir\u00e1 pelas m\u00e3os de her\u00f3is vingadores. O guerrilheirismo tem sido um dos principais obst\u00e1culos para a constru\u00e7\u00e3o de partidos revolucion\u00e1rios na Am\u00e9rica Latina, porque tem desviado o recrutamento de lutadores sociais que perdem suas ilus\u00f5es no cretinismo parlamentar e no tradeunionismo das dire\u00e7\u00f5es tradicionais para esta modalidade militarizada da pol\u00edtica reformista.\n\nPor sua vez, criando simpatias messi\u00e2nicas nas massas, a guerrilha trata de desdenhar da luta pol\u00edtica e econ\u00f4mica dos trabalhadores e abortar a cria\u00e7\u00e3o de conselhos populares e mil\u00edcias prolet\u00e1rias e camponesas disciplinadas pela democracia oper\u00e1ria, o que tentam substituir por organismos militarizados burocr\u00e1ticos. Por vezes, como no caso do Sendero Luminoso peruano, os guerrilheiros empreendem verdadeiras persegui\u00e7\u00f5es gangsteris \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias.\n\nA pol\u00edtica reformista, mesmo em sua vers\u00e3o armada, \u00e9 contra-revolucion\u00e1ria desde sua g\u00eanese. E a regra \u00e9 que as dire\u00e7\u00f5es pequeno burguesas traiam o proletariado, atrav\u00e9s da pol\u00edtica de frentes populares, o \u00faltimo recurso da burguesia contra a revolu\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria. A dire\u00e7\u00e3o centrista do processo revolucion\u00e1rio tenta formar uma frente ampla com todos os setores oposicionistas liberais da burguesia contra a rea\u00e7\u00e3o, fazendo um criminoso compromisso de respeitar a propriedade privada e as rela\u00e7\u00f5es capitalistas de domina\u00e7\u00e3o. Esta foi a pol\u00edtica do menchevismo (e tamb\u00e9m a posi\u00e7\u00e3o de St\u00e1lin e Kamenev na dire\u00e7\u00e3o do Partido Bolchevique) logo ap\u00f3s a revolu\u00e7\u00e3o de fevereiro de 1917, chamando uma ampla alian\u00e7a anti-czarista.\n\nO mesmo desvio cometeram os centristas republicanos na Guerra Civil espanhola, diluindo o proletariado na frente popular antifranquista.\n\nUma vez no poder, a dire\u00e7\u00e3o pequeno burguesa sofre de um verdadeiro p\u00e2nico de romper com a burguesia e tenta frear o \u00edmpeto anticapitalista das massas, conciliar com a rea\u00e7\u00e3o burguesa e perseguir a esquerda revolucion\u00e1ria, esmagando qualquer forma de organiza\u00e7\u00e3o independente do proletariado. Desta maneira, a dire\u00e7\u00e3o centrista pequeno burguesa come\u00e7a a fragilizar as for\u00e7as da revolu\u00e7\u00e3o, minar as conquistas (sociais, pol\u00edticas e econ\u00f4micas) surgidas do triunfo da revolu\u00e7\u00e3o e prepara o caminho para a volta da rea\u00e7\u00e3o ao poder.\n\nSem a exist\u00eancia de circunst\u00e2ncias extremamente excepcionais (a extrema fragilidade da classe dominante que teme constituir um governo de coaliz\u00e3o de frente popular, ascenso do movimento de massas atrav\u00e9s de greves gerais, expropria\u00e7\u00f5es, forma\u00e7\u00e3o de mil\u00edcias populares, a exist\u00eancia do Estado oper\u00e1rio da URSS como contrapeso ao imperialismo), que fariam tais movimentos pequeno burgueses irem al\u00e9m de suas limita\u00e7\u00f5es democratizantes, o mais longe que tais movimentos podem chegar \u00e9 \u00e0 mesa de negocia\u00e7\u00e3o de sua rendi\u00e7\u00e3o militar, em troca de um registro legal de acesso \u00e0 democracia burguesa.\n\nNos conflitos objetivos entre o imperialismo ou o Estado burgu\u00eas e os movimentos guerrilheiros que n\u00e3o estejam a servi\u00e7o do imperialismo, os revolucion\u00e1rios marxistas se colocam incondicionalmente do lado dos \u00faltimos, conformando frentes de a\u00e7\u00e3o com estas for\u00e7as. Ao mesmo tempo, criticando os m\u00e9todos do terrorismo individual e a pol\u00edtica de buscar uma sa\u00edda negociada com a manuten\u00e7\u00e3o da propriedade privada.\n\nOs revolucion\u00e1rios n\u00e3o descartam a possibilidade de formar brigadas separadas da guerrilha ou de ingressar com c\u00e9lulas comunistas, com sua pr\u00f3pria pol\u00edtica e disciplina, dentro dos ex\u00e9rcitos guerrilheiros para impulsionar o armamento de todo o povo, a expropria\u00e7\u00e3o do conjunto da classe capitalista e para subordin\u00e1-los aos conselhos e mil\u00edcias oper\u00e1rias e camponesas.\n\nAo contr\u00e1rio das organiza\u00e7\u00f5es centristas pequeno-burguesas, um verdadeiro partido revolucion\u00e1rio baseia-se fundamentalmente na vanguarda consciente da classe mais progressista do capitalismo, a classe oper\u00e1ria, nos seus organismos de poder (mil\u00edcias prolet\u00e1rias, conselhos populares, sovietes), suas formas de organiza\u00e7\u00e3o de luta (greves, ocupa\u00e7\u00f5es, expropria\u00e7\u00f5es) e seus m\u00e9todos (viol\u00eancia revolucion\u00e1ria e ditadura prolet\u00e1ria), o que o torna porta-voz de uma classe com determina\u00e7\u00e3o a impor uma nova forma de organiza\u00e7\u00e3o da economia (planifica\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, coletiviza\u00e7\u00e3o dos meios de produ\u00e7\u00e3o, controle da produ\u00e7\u00e3o interna pelos sovietes e controle do com\u00e9rcio exterior pelo Estado oper\u00e1rio) e da pol\u00edtica, fus\u00e3o das fun\u00e7\u00f5es dos poderes do Estado burgu\u00eas (Legislativo, Executivo e Judici\u00e1rio) em um \u00fanico organismo de poder, o soviete, baseado na mais ampla democracia oper\u00e1ria.\n\n<strong>Revolu\u00e7\u00e3o Sandinista &#8211; Nicar\u00e1gua<\/strong>\n\n<strong>Nicar\u00e1gua:\u00a0<\/strong>uma nova etapa\n\nEm 1979, no centro da Am\u00e9rica, a hist\u00f3ria registra o triunfo de um processo revolucion\u00e1rio encabe\u00e7ado pela Frente Sandinista de Libera\u00e7\u00e3o Nacional (FSLN).\n\nNa \u00e9poca, a simpatia dos democratas e progressistas do mundo foi evidente. Expedi\u00e7\u00f5es internacionalistas, interc\u00e2mbios e as mais variadas formas de solidariedade foram levadas a cabo na id\u00e9ia de fortalecer e consolidar as mudan\u00e7as que sepultaram a velha ditadura da fam\u00edlia Somoza, amparada desde sempre pelas tropas dos Estados Unidos.\n\nEntretanto, \u00e9 bom lembrar que a luta dos sandinistas come\u00e7ou muito antes de 1979. Parece-nos oportuno, ap\u00f3s o triunfo de Daniel Ortega \u2013 que retorna ao governo ap\u00f3s 16 anos -, retomar alguns elementos hist\u00f3ricos de an\u00e1lise, para assim distinguir as raz\u00f5es de um contundente triunfo eleitoral de hoje e, modestamente, manifestar alguma opini\u00e3o sobre o que \u00e9 poss\u00edvel projetar em termos de agenda dom\u00e9stica, \u00e0 luz das novas realidades, em benef\u00edcio da imensa maioria do povo nicarag\u00fcense, bem como quais podem ser os elementos centrais da pol\u00edtica externa do novo governo.\n\n<strong>Da Nicar\u00e1gua livre \u00e0 dinastia dos Somoza<\/strong>\n\nPrudentemente, h\u00e1 que reconhecer que outra \u00e9 a conjuntura. N\u00e3o h\u00e1 como esquecer que, certamente, Ortega e seu governo dever\u00e3o se movimentar tendo pela frente oposi\u00e7\u00f5es internas fortes, em particular a de uma oligarquia ligada ao capital financeiro. Torna-se imperioso um di\u00e1logo construtivo com o Movimento de Renova\u00e7\u00e3o Sandinista (MRS), que apoiou o candidato Edmundo Jarqu\u00edn e do qual fazem parte figuras como a do ex-presidente S\u00e9rgio Ramirez. Mas \u2013 e talvez seja o mais determinante \u2013 \u00e9 preciso uma atitude firme diante da atitude ingerencista dos Estados Unidos.\n\nH\u00e1 que recordar que o Grande Irm\u00e3o do Norte tem uma hist\u00f3rica e nefasta presen\u00e7a no pa\u00eds. Com efeito, no come\u00e7o do s\u00e9culo XX, quando a velha estrutura econ\u00f4mica na\u00a0<strong>Nicar\u00e1gua<\/strong>\u00a0come\u00e7ou a ser reorientada por novos produtores opostos a latifundi\u00e1rios tradicionais, criou-se uma tens\u00e3o entre esses setores, resolvida quando o governo liberal de Santos Zelaya sucumbiu \u2013 n\u00e3o diante da for\u00e7a dos mais conservadores, mas diante de uma invas\u00e3o dos marines imperiais em 1912. As tropas norte-americanas permaneceram at\u00e9 1933, apoderando-se dos recursos econ\u00f4micos e controlando militarmente o pa\u00eds. A resist\u00eancia popular foi encabe\u00e7ada pelo general Augusto C\u00e9sar Sandino, que levantou a bandeira da dignidade nacional contra os Estados Unidos e a oligarquia conservadora, vencendo heroicamente em 1933.\n\nNo entanto, o projeto de uma\u00a0<strong>Nicar\u00e1gua<\/strong>\u00a0livre foi frustrado pela rea\u00e7\u00e3o.\n\nO covarde assassinato em 1934 do general Sandino pela Guarda Nacional da\u00a0<strong>Nicar\u00e1gua<\/strong>\u00a0\u2013 o novo ex\u00e9rcito que atuou sob as ordens de Anast\u00e1cio Somoza Garcia, ex-funcion\u00e1rio das companhias dos Estados Unidos que passou a controlar o pa\u00eds \u2013 \u00e9 o golpe criminal que abre a dinastia dos Somoza, que permaneceria no poder durante 45 anos, at\u00e9 o triunfo da Revolu\u00e7\u00e3o Sandinista.\n\nNesses anos, a Nicar\u00e1gua foi convertida em base militar para as agress\u00f5es ao governo democr\u00e1tico de Jacobo Arbenz na Guatemala e \u00e0 Ba\u00eda dos Porcos em Cuba. Tamb\u00e9m, ao igual que o restante de pa\u00edses da Am\u00e9rica Central, foi incorporada \u00e0 divis\u00e3o internacional do trabalho como economia prim\u00e1ria exportadora.\n\nFormou-se uma burguesia agr\u00e1ria ligada \u00e0 expans\u00e3o do cultivo do caf\u00e9 entre 1920 e 1940 e, ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial, ao cultivo do algod\u00e3o. A maioria das pessoas sobrevivia economicamente, havendo uma estrutura produtiva semifeudal.\n\nO esquema agro-exportador foi sempre dependente das necessidades da economia dos Estados Unidos e das camadas de meio e alto poder aquisitivo dos demais pa\u00edses da Am\u00e9rica Central, em virtude dos tratados de integra\u00e7\u00e3o. O com\u00e9rcio era mediado pelo esquema de pre\u00e7os internacionais e sustentado pelas leis da troca desigual, especialmente entre 1960 e 1978, quando, em pleno Estado somocista, a abertura externa chegou a mais do 60% do PIB e a d\u00edvida externa superava os 900 milh\u00f5es de d\u00f3lares.\n\nA esse quadro temos que somar o tratamento dispensado ao trabalhador, as condi\u00e7\u00f5es paup\u00e9rrimas de trabalho, o baix\u00edssimo n\u00edvel de vida, os elevados \u00edndices de desemprego e subemprego, fatores retratados por Carlos Vilar em seu Perfiles de la Revoluci\u00f3n Sandinista. Vilar descreve que o excedente extra\u00eddo de forma brutal aos trabalhadores no conjunto da economia \u2013 especialmente na agro-exporta\u00e7\u00e3o iria servir, definitivamente, pela via do com\u00e9rcio desigual, das remessas de utilidades, dos servi\u00e7os do capital estrangeiro e do endividamento externo, ao processo transnacional de valoriza\u00e7\u00e3o do capital controlado pelo imperialismo, atrav\u00e9s da media\u00e7\u00e3o dos grupos dominantes locais associados a ele.\n\nO Estado somocista n\u00e3o foi somente a condensa\u00e7\u00e3o institucional de uma domina\u00e7\u00e3o de classes, mas, ao mesmo tempo, a express\u00e3o da subordina\u00e7\u00e3o dessa classe aos Estados Unidos.\n\nA dinastia Somoza era subsidiada pela sua atitude reacion\u00e1ria diante de qualquer possibilidade de mudan\u00e7a e sua pol\u00edtica externa submissa no contexto centro-americano. Ali\u00e1s, esta \u00e9 uma diferen\u00e7a entre o modelo de domina\u00e7\u00e3o do s\u00e9culo XX entre Am\u00e9rica Central e Am\u00e9rica do Sul. Nas primeiras, a estrutura de poder depende em termos pol\u00edtico-militares diretamente dos Estados Unidos, enquanto que nos Estados da Am\u00e9rica do Sul, o modelo de domina\u00e7\u00e3o-associa\u00e7\u00e3o permite uma certa autonomia relativa.\n\nIsso se explica pelo baix\u00edssimo grau de desenvolvimento das for\u00e7as produtivas na Am\u00e9rica Central e pelas debilidades das burguesias locais em momentos em que ingressa com for\u00e7a a influ\u00eancia dos Estados Unidos.\n\nSob a ditadura de Somoza, a Nicar\u00e1gua foi um voto a seu favor nas Na\u00e7\u00f5es Unidas, um aliado seguro na regi\u00e3o, um territ\u00f3rio de reserva para um eventual segundo canal inter-oce\u00e2nico no interesse geopol\u00edtico dos Estados Unidos e um terreno f\u00e9rtil para seus investimentos.\n\n<strong>A revolu\u00e7\u00e3o sandinista:\u00a0<\/strong>ascens\u00e3o e queda de Ortega\n\nDaniel Ortega assumiu o poder em nome de uma Revolu\u00e7\u00e3o leg\u00edtima, popular e democr\u00e1tica, governando durante anos de guerra, em um tempo em que qualquer possibilidade de negocia\u00e7\u00e3o e de opini\u00e3o internacional era bloqueada pela diplomacia americana. Os anos da Revolu\u00e7\u00e3o foram os anos do confronto militar, das cont\u00ednuas press\u00f5es financeiras e comerciais, como o desligamento dos organismos internacionais, e da intensa campanha ideol\u00f3gica contra o sandinismo. A influ\u00eancia dessa press\u00e3o e, consequentemente, de n\u00e3o se poder satisfazer \u00e0s demandas dos trabalhadores \u00e9 determinante para a interpreta\u00e7\u00e3o adequada da derrota da Frente Sandinista na elei\u00e7\u00e3o de 1990.\n\nEssa revolu\u00e7\u00e3o foi asfixiada, ainda que seja justo mencionar as dificuldades, crises e rompimentos da pr\u00f3pria Frente Sandinista.\n\nO fato \u00e9 que, em 1990, o Partido Liberal Constitucionalista, com Violeta Chamorro, assume o poder, seguida por Arnaldo Alem\u00e1n e, finalmente, por Enrique Bola\u00f1os, que deixa o governo com 80% da popula\u00e7\u00e3o de 5,5 milh\u00f5es de nicaraguenses vivendo com menos de dois d\u00f3lares di\u00e1rios.\n\nUma das quest\u00f5es que mais impressionam na recente campanha eleitoral da Nicar\u00e1gua \u00e9 que os jornais noticiam o apoio expl\u00edcito dos Estados Unidos a um dos candidatos, o banqueiro Eduardo Montealegre.\n\nAs inger\u00eancias dos Estados Unidos nos pa\u00edses do continente em tempo eleitoral s\u00e3o mais do que conhecidas e j\u00e1 fazem parte da paisagem eleitoral. Mas, na Nicar\u00e1gua, parecem, salvo melhor ju\u00edzo, mais descaradas.\n\nAdicione-se outra constata\u00e7\u00e3o, a de que o conhecido eixo Moscou-Havana-Man\u00e1gua foi substitu\u00eddo nas grandes redes de comunica\u00e7\u00e3o, com veneno costumeiro, por Caracas-Havana-Man\u00e1gua.\n\n<strong>2006:<\/strong>\u00a0o novo triunfo da Frente Sandinista\n\nE o fato \u00e9 que o povo nicaraguense votou \u2013 a presen\u00e7a nas urnas foi de mais de 75% dos eleitores. E votou contra os 16 anos de governo neoliberal, contra um empobrecimento crescente, que afeta mais do 80% da popula\u00e7\u00e3o; votou pela alternativa que oferece Ortega e porque aguarda uma mudan\u00e7a profunda na economia e na pol\u00edtica.\n\nNas raz\u00f5es do triunfo da Frente Sandinista encontra-se a retomada da campanha nas ruas, casa a casa; o aproveitamento de uma base ampla de votos seguros de velhos e hist\u00f3ricos militantes da luta contra Somoza; a prioridade ao setor juvenil. Mas, tamb\u00e9m, porque, no terreno da pragmaticidade pol\u00edtica, a Frente impulsionou uma controvertida alian\u00e7a, ampla e bastante flex\u00edvel, com ex-membros dos Contra e com liberais.\n\nUm elemento a considerar \u00e9 que o vice de Ortega \u00e9 o senhor Morales Carazo, ex-assessor do ex-presidente Alem\u00e1n, que possui excelentes rela\u00e7\u00f5es com o Banco Mundial.\n\nContudo, h\u00e1 um perdedor. E perderam as elei\u00e7\u00f5es os grandes empres\u00e1rios e a direita aliada aos Estados Unidos e a outras oligarquias centroamericanas. Perdeu uma direita dividida entre Montealegre e Rizo, at\u00e9 porque a inger\u00eancia descarada dos Estados Unidos condenou, aos dois, \u00e0 rejei\u00e7\u00e3o nacionalista de um bom n\u00famero de nicarag\u00fcenses.\n\nOrtega tem pela frente o desafio de corresponder a essa vota\u00e7\u00e3o. E n\u00e3o pode vacilar, porque a Nicar\u00e1gua n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es de admitir novas frustra\u00e7\u00f5es. Seu governo deve, necessariamente, diferenciar-se da l\u00f3gica que inspirou os tr\u00eas governos anteriores.\n\nAdvirta-se que distinguir a estrutura econ\u00f4mica e de classes da Nicar\u00e1gua de hoje, com o objetivo de explicar algumas das quest\u00f5es mais relevantes da etapa que se abre com o triunfo de Daniel Ortega, das suas possibilidades e perspectivas, \u00e9 trabalho que n\u00e3o pode ser resumido e extrapola o espa\u00e7o reservado a estas linhas.\n\n<strong>Uma nova conjuntura:<\/strong>\u00a0os desafios de Ortega\n\nOtimistamente, o governo de Daniel Ortega tem chances de avan\u00e7ar, de encabe\u00e7ar uma nova etapa, se realizar uma leitura da realidade atual da Am\u00e9rica Latina e se o seu componente pol\u00edtico-ideol\u00f3gico for a rejei\u00e7\u00e3o \u00e0 submiss\u00e3o diante da pol\u00edtica externa dos Estados Unidos, cuja hist\u00f3ria, como temos visto, em nada favorece os interesses da Nicar\u00e1gua. O novo governo ter\u00e1 todas as possibilidades hist\u00f3ricas, se sua proje\u00e7\u00e3o, em mat\u00e9ria de rela\u00e7\u00f5es internacionais, for a redefini\u00e7\u00e3o da sua inser\u00e7\u00e3o na economia internacional, a partir de uma novo padr\u00e3o produtivo; tem tudo para vencer se optar pela aproxima\u00e7\u00e3o aos Estados especialmente na Am\u00e9rica, que empreendem tamb\u00e9m o caminho do desenvolvimento com soberania em uma cen\u00e1rio complexo, de press\u00f5es internas das direitas mais reacion\u00e1rias e costumadas com o poder, com meios de comunica\u00e7\u00e3o jogando contra o dia a dia, em um intenso debate sobre qual deve ser o ritmo das mudan\u00e7as necess\u00e1rias no cen\u00e1rio da esquerda \u2013 para n\u00e3o falar de contradi\u00e7\u00f5es mais de fundo no seio da pr\u00f3pria esquerda.\n\nNa Nicar\u00e1gua, esse confronto n\u00e3o \u00e9 de modo algum f\u00e1cil, pois significa uma oposi\u00e7\u00e3o concreta ao Plano Puebla-Panam\u00e1 e ao CAFTA, assim como a programas como a privatiza\u00e7\u00e3o da energia el\u00e9trica. No entanto, n\u00e3o pode ser outro o rumo. E, para conseguir isso, \u00e9 necess\u00e1rio criar os espa\u00e7os de reflex\u00e3o e, essencialmente, abrir o caminho a uma evolu\u00e7\u00e3o coletiva de alternativas vi\u00e1veis, aceitando as ideias variadas, escutando propostas que aprofundem a integra\u00e7\u00e3o com soberania e diminuam a depend\u00eancia externa dos Estados Unidos, fraturando a forma de Estado que foi gerada ap\u00f3s a interrup\u00e7\u00e3o da revolu\u00e7\u00e3o.\n\nExiste hoje a experi\u00eancia dos in\u00edcios do processo em 1979. \u00c9 preciso abrir espa\u00e7os \u00e0 participa\u00e7\u00e3o popular, promovendo a constru\u00e7\u00e3o pela base de uma unidade dos movimentos sociais, insistindo em concretizar um programa alternativo ao neoliberalismo, que deu e ainda d\u00e1 suporte a uma oligarquia financeira aliada ao imperialismo, neutralizando as for\u00e7as opositoras com a mobiliza\u00e7\u00e3o popular.\n\nNos marcos de acordos poss\u00edveis, foi dito que o transporte p\u00fablico voltar\u00e1 aos 13 centavos de d\u00f3lar, por conta do acordo entre transportadores e a prefeitura de Man\u00e1gua para receber diesel da Venezuela a baixo pre\u00e7o, tendo em vista o acordo entre a PDVSA, a ALBANIC (Alba Petr\u00f3leo de Nicar\u00e1gua) e a Associa\u00e7\u00e3o de Munic\u00edpios da Nicar\u00e1gua (AMUNIC). Esse \u00e9, no m\u00ednimo, um bom come\u00e7o para uma nova etapa.\n\n<strong>Fonte:<\/strong>\u00a0pulitzercenter.org\/vianica.com\/br.share.geocities.com\/www.ciberamerica.org\/www.colegiosaofrancisco.com.br\n\n&nbsp;\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Revolu\u00e7\u00e3o Sandinista, Nicar\u00e1gua, Processo, Hist\u00f3ria, Governo, Estado, Partido, Frente, M\u00e9xico, Guerrilha, Causa, Pa\u00eds, Guerra, Revolu\u00e7\u00e3o Sandinista<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":17316,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[57],"tags":[],"class_list":["post-17315","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia-geral"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Revolu\u00e7\u00e3o Sandinista - 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