{"id":17291,"date":"2016-01-08T00:00:00","date_gmt":"2016-01-08T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/revolucao-mexicana\/"},"modified":"2026-08-31T23:45:38","modified_gmt":"2026-08-31T23:45:38","slug":"revolucao-mexicana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-geral\/revolucao-mexicana\/","title":{"rendered":"Revolu\u00e7\u00e3o Mexicana"},"content":{"rendered":"\n<strong>Revolu\u00e7\u00e3o Mexicana &#8211; O que foi<\/strong>\n\nA\u00a0<strong>Revolu\u00e7\u00e3o Mexicana<\/strong>\u00a0foi um conflito complexo e sangrento que provavelmente durou duas d\u00e9cadas, e no qual 900.000 pessoas perderam a vida.\n\n<strong>Qual foi a causa de tal levante persistente e, em \u00faltima an\u00e1lise, o fim justificou os meios?<\/strong>\n\nA\u00a0<strong>Revolu\u00e7\u00e3o Mexicana<\/strong>, que come\u00e7ou em 1910, acabou com a ditadura no M\u00e9xico e estabeleceu uma rep\u00fablica constitucional. V\u00e1rios grupos, liderados por revolucion\u00e1rios, incluindo Francisco Madero, Pascual Orozco, Pancho Villa e Emiliano Zapata, participaram do longo e caro conflito. Embora uma constitui\u00e7\u00e3o redigida em 1917 tenha formalizado muitas das reformas buscadas pelos grupos rebeldes, a viol\u00eancia peri\u00f3dica continuou na d\u00e9cada de 1930.\n\nA Revolu\u00e7\u00e3o come\u00e7ou com um chamado \u00e0s armas em 20 de novembro de 1910 para derrubar o atual governante e ditador Porfirio D\u00edaz Mori.\n\nD\u00edaz foi um presidente ambicioso, ansioso por transformar o M\u00e9xico em um pa\u00eds industrializado e modernizado. Enquanto trabalhava na implanta\u00e7\u00e3o de uma sociedade capitalista construindo f\u00e1bricas, represas e estradas, os trabalhadores rurais e camponeses sofreram muito.\n\nD\u00edaz reinou usando uma campanha de bullying, intimidando os cidad\u00e3os para que o apoiassem. Enquanto as liberdades civis, como a liberdade de imprensa, sofreram sob seu governo, a maior injusti\u00e7a veio na forma de novas leis de terras.\n\nEm uma tentativa de fortalecer os la\u00e7os com os Estados Unidos e outros influentes interesses estrangeiros, D\u00edaz alocou terras, antes pertencentes ao povo do M\u00e9xico, para estrangeiros ricos. Al\u00e9m disso, nenhum mexicano era capaz de possuir terras, a menos que possu\u00edsse um t\u00edtulo legal formal. Os pequenos agricultores ficaram totalmente desamparados, n\u00e3o havia outra op\u00e7\u00e3o a n\u00e3o ser uma revolta.\n\nO caminho da Revolu\u00e7\u00e3o certamente n\u00e3o correu bem e o pa\u00eds viu uma s\u00e9rie de presidentes n\u00e3o confi\u00e1veis.\n\nFrancisco Madero, respons\u00e1vel pela remo\u00e7\u00e3o de D\u00edaz do poder, era um l\u00edder fraco e n\u00e3o conseguiu implementar as reformas agr\u00e1rias que havia prometido.\n\nEle foi rapidamente substitu\u00eddo pelo general Victoriano Huerta, que o executou uma semana ap\u00f3s chegar ao poder. O pr\u00f3prio Huerta era um ditador e foi derrubado por Venustianio Carranza em 1914.\n\nEmbora muitos acusassem Carranza de ter fome de poder, ele tamb\u00e9m desejava a paz. Em busca do descanso civil, ele formou o Ex\u00e9rcito Constitucional e uma nova constitui\u00e7\u00e3o na qual aceitou muitas das demandas rebeldes.\n\nO fim oficial da\u00a0<strong>Revolu\u00e7\u00e3o Mexicana<\/strong>\u00a0\u00e9 frequentemente considerado como a cria\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o do M\u00e9xico em 1917; no entanto, a luta continuou por muito tempo na d\u00e9cada seguinte.\n\nEm \u00faltima an\u00e1lise, embora a Revolu\u00e7\u00e3o Mexicana visasse garantir um modo de vida mais justo para as classes agr\u00edcolas, muitos argumentam que ela alcan\u00e7ou pouco mais do que a frequente mudan\u00e7a de lideran\u00e7a no pa\u00eds.\n\nFoi apenas em 1942, quando os ex-presidentes mexicanos subiram ao palco do Z\u00f3calo da Cidade do M\u00e9xico para mostrar seu apoio \u00e0 Gr\u00e3-Bretanha e \u00e0 Am\u00e9rica na Segunda Guerra Mundial, que os cidad\u00e3os do M\u00e9xico viram seu primeiro vislumbre de solidariedade pol\u00edtica e finalmente de um pa\u00eds Unido.\n\n<strong>Revolu\u00e7\u00e3o Mexicana &#8211; Movimento<\/strong>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-158844 aligncenter\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Revolu1-3-300x175.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"175\" \/><strong>Revolu\u00e7\u00e3o Mexicana<\/strong><\/p>\nA\u00a0<strong>Revolu\u00e7\u00e3o Mexicana<\/strong>\u00a0\u00e9 o movimento armado iniciado em 1910 para acabar com a ditadura de Porfirio D\u00edaz e terminou oficialmente com a promulga\u00e7\u00e3o de uma nova constitui\u00e7\u00e3o em 1917, apesar de surtos de viol\u00eancia continuar at\u00e9 vinte e tantos anos.\n\nO movimento teve grande impacto sobre os trabalhadores, agr\u00edcolas e c\u00edrculos anarquistas internacionalmente como a Constitui\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos Mexicanos, 1917 foi o primeiro no mundo a reconhecer as garantias sociais e grupos de direitos trabalhistas. Estima-se que durante a luta de mil pessoas, civis e militares matou mais de novecentos.\n\nO movimento teve grande impacto sobre os trabalhadores, agr\u00edcolas e c\u00edrculos anarquistas internacionalmente como a Constitui\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos Mexicanos, 1917 foi o primeiro no mundo a reconhecer as garantias sociais e grupos de direitos trabalhistas.\n\nEstima-se que durante a luta de mil pessoas, civis e militares matou mais de novecentos.\n\n<strong>Pancho Villa e os camponeses na Revolu\u00e7\u00e3o Mexicana<\/strong>\n\nA\u00a0<strong>Revolu\u00e7\u00e3o Mexicana<\/strong>\u00a0abre a era das Revolu\u00e7\u00f5es do s\u00e9culo XX e atravessa toda a d\u00e9cada de 1910, contando com a atua\u00e7\u00e3o dos mais diferentes grupos sociais dos ricos propriet\u00e1rios aos camponeses pobres.\n\nNo entanto, o processo revolucion\u00e1rio destaca-se pelo papel decisivo desempenhado por ex\u00e9rcitos de camponeses, que detinham certa autonomia.\n\nNa vertente camponesa da revolu\u00e7\u00e3o \u00e9 apreci\u00e1vel a participa\u00e7\u00e3o da Divis\u00e3o do Norte, comandada pelo enigm\u00e1tico Pancho Villa.\n\nFrancisco Pancho Villa, filho de uma fam\u00edlia camponesa, nasceu no norte do M\u00e9xico e tornou-se um dos principais nomes da\u00a0<strong>Revolu\u00e7\u00e3o Mexicana<\/strong>, ap\u00f3s aliar-se a Francisco Madero, latifundi\u00e1rio que resolveu unir for\u00e7as para acabar com a longa ditadura imposta por Porf\u00edrio Diaz.\n\nVilla foi o l\u00edder de um ex\u00e9rcito campon\u00eas que chegou a contar com milhares de homens e desempenhou um importante papel durante o processo revolucion\u00e1rio.\n\nEle estabelecia com seus soldados uma rela\u00e7\u00e3o de igualdade, alimenta-se com eles; fazia uso de roupas simples e participava diretamente nas batalhas. Era um l\u00edder presente.\n\nDesde 1910, Villa tinha assegurado um acordo com Madero, o principal articulador dos diversos grupos insatisfeitos com governo de Porf\u00edrio Diaz. Para Villa e os camponeses, era fundamental nessa alian\u00e7a a garantia de medidas de desapropria\u00e7\u00e3o de terras e reforma agr\u00e1ria que atendessem \u00e0s demandas dos trabalhadores rurais. No entanto, a queda de Porf\u00edrio e a chegada ao poder de Madero n\u00e3o estabilizaram a sociedade mexicana. Este l\u00edder n\u00e3o consegue permanecer no poder, \u00e9 assassinado e, a partir de ent\u00e3o, a Divis\u00e3o do Norte e os camponeses passam a atuar com decisiva autonomia. At\u00e9 1915, o ex\u00e9rcito campon\u00eas trava grandes batalhas no norte, conseguindo conquistar importantes cidades dessa regi\u00e3o do pa\u00eds.\n\nFrente \u00e0 inst\u00e1vel situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e econ\u00f4mica do M\u00e9xico, Villa consegue tornar-se governador de uma importante cidade do norte Chihuahua durante os anos de 1913 e 1915, tornando-se o \u00fanico estado totalmente livre do dom\u00ednio federal.\n\nEm Chihuahua, Villa viveu a experi\u00eancia de administrador. Na economia, criou uma moeda pr\u00f3pria que, de in\u00edcio, encontrou resist\u00eancia entre os comerciantes locais, mas acabou por ser aceita.\n\n<strong>Al\u00e9m disso, fixou o pre\u00e7o de g\u00eaneros considerados essenciais \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o, tais como:<\/strong>\u00a0carne, leite e p\u00e3o. Principalmente, deu in\u00edcio na cidade a um processo de expropria\u00e7\u00e3o de grandes latif\u00fandios, fundamental no fortalecimento de uma bandeira agr\u00e1ria camponesa.\n\n<strong>Carranza e Villa:<\/strong>\u00a0dois projetos incompat\u00edveis.\n\nCarranza era um latifundi\u00e1rio com extensa carreira pol\u00edtica foi governador do estado de Coahuila. Apesar de nunca ter feito oposi\u00e7\u00e3o ao regime ditatorial de Diaz, apoiou Madero na campanha anti-reelei\u00e7\u00e3o que derrubou Diaz.\n\nDemonstrou forte oposi\u00e7\u00e3o ao sucessor de Madero na luta pelo governo federal, o general Victoriano Huerta (principal articulador do assassinato de Madero) e, por ser o \u00fanico governador a n\u00e3o aceitar Huerta no poder, reivindicou para si a lideran\u00e7a do movimento revolucion\u00e1rio.\n\nEm rep\u00fadio ao governo representado por Huerta, divulgou o Programa de Guadalupe, onde Carranza conclamava a popula\u00e7\u00e3o a resistir ao governo e nomeava-se primeiro-chefe da revolu\u00e7\u00e3o.\n\n\u00c8 importante destacar que o Programa de Guadalupe n\u00e3o incorporou demandas sociais. Por exemplo, a reforma agr\u00e1ria, t\u00e3o cara aos camponeses, nem sequer foi mencionada no corpo do texto.\n\nDeve-se a isso o desejo de Carranza de se indispor o m\u00ednimo poss\u00edvel com os grandes propriet\u00e1rios de terras. Como \u00e9 poss\u00edvel perceber, desde o in\u00edcio, existia uma forte incompatibilidade entre os interesses de Villa e Carranza. O descaso de Carranza em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 situa\u00e7\u00e3o agr\u00e1ria do pa\u00eds serve para ilustrar esta diferen\u00e7a de projetos.\n\nEm setembro de 1914, a situa\u00e7\u00e3o tornou-se insustent\u00e1vel e os villistas divulgaram um manifesto formalizando o rompimento com Carranza. De fato, este era o momento de maior atua\u00e7\u00e3o dos ex\u00e9rcitos camponeses.\n\nAp\u00f3s a realiza\u00e7\u00e3o de uma Conven\u00e7\u00e3o que contava com os principais grupos atuantes na revolu\u00e7\u00e3o, Carranza se enfraquecera, enquanto Villa e Zapata o l\u00edder dos ex\u00e9rcitos camponeses no Sul se fortaleceram.\n\nVilla consegue at\u00e9 entrar na Cidade do M\u00e9xico capital do pa\u00eds embora tivesse preferido retornar ao norte. Foi nesse momento que a n\u00e3o concretiza\u00e7\u00e3o de uma alian\u00e7a maior entre os camponeses mexicanos, bem com a aus\u00eancia de uma perspectiva nacional, de uma vis\u00e3o de Estado, deram tempo e espa\u00e7o para que Carranza reunisse a for\u00e7a necess\u00e1ria para derrotar os camponeses e assegurar a ascens\u00e3o ao poder.\n\nEm dezembro de 1914, Carrranza reformulou o Programa de Guadalupe, incluindo algumas demandas sociais e, em janeiro de 1915, promulgou uma lei agr\u00e1ria. Esta lei nunca foi posta em pr\u00e1tica, mas serviu para fazer frente \u00e0 proposta agrarista dos villistas.\n\nEm 1916 Carranza passou ao ataque \u00e0s for\u00e7as de Villa, conseguindo que seu ex\u00e9rcito derrotasse a Divis\u00e3o do Norte. Esta se converteu em um agrupamento guerrilheiro com base nas montanhas, onde conseguiu resistir por mais quatro anos, apesar de n\u00e3o mais desempenhar um papel decisivo.\n\nApesar de se ter tornado presidente, Carranza n\u00e3o conseguiu conter as insatisfa\u00e7\u00f5es de diversos grupos sociais saturados por v\u00e1rios anos de guerra. J\u00e1 no ano de 1919, seu governo mostra-se insustent\u00e1vel, perdendo apoio de empres\u00e1rios, oper\u00e1rios e at\u00e9 de seu pr\u00f3prio ex\u00e9rcito para o general Obreg\u00f3n, que, ap\u00f3s o assassinato de Carranza, elege-se presidente. Villa, que j\u00e1 havia se rendido e desarticulado suas for\u00e7as \u00e9 assassinado em 1923, o que marca o fim definitivo \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o.\n\n<strong>No contexto desses conturbados acontecimentos, a figura de Villa destaca-se, provocando as mais diversas interpreta\u00e7\u00f5es:<\/strong>\u00a0um simples bandido ou mocinho, um simples campon\u00eas ou um revolucion\u00e1rio proeminente. Para E. Hobsbawn, Villa possu\u00eda uma mentalidade voltada para a restaura\u00e7\u00e3o de um passado campon\u00eas, n\u00e3o possuindo um projeto pol\u00edtico a longo prazo.\n\nJ\u00e1 para o autor Marco Villa, Pancho e os camponeses foram capazes de construir um projeto pol\u00edtico s\u00f3lido, de acordo com as demandas pr\u00f3prias, espec\u00edficas do norte. A administra\u00e7\u00e3o de Chihuahua seria prova disto.\n\nDe certo, h\u00e1 diferentes explica\u00e7\u00f5es acerca de Villa e dos camponeses do norte. Ineg\u00e1vel, contudo, \u00e9 sua participa\u00e7\u00e3o neste processo hist\u00f3rico, reivindicando direitos e mudan\u00e7as pol\u00edticas que fossem capazes de atender social e economicamente os interesses dos camponeses pobres.\n<blockquote>N\u00e3o sou homem educado. Mas sei muito bem que lutar \u00e9 o \u00faltimo recurso a que deve apelar qualquer pessoa. S\u00f3 quando as coisas chegam a um ponto de j\u00e1 n\u00e3o se aguentarem, n\u00e3o \u00e9? (\u2026) Vimos roubar os nossos, ao pobre, simples povo, durante trinta e cinco anos. Vimos os rurales e os soldados de Porf\u00edrio Diaz matar nossos pais e irm\u00e3os, assim como negar-lhes justi\u00e7a. Vimos com nos tiraram nossas pequenas terras e nos venderam a todos como escravos. Sonh\u00e1vamos com lugares e escolas para instruir-nos e zombaram de nossas aspira\u00e7\u00f5es. Tudo o que ambicion\u00e1vamos era que nos deixassem viver e trabalhar para fazer progredir o pa\u00eds, mas j\u00e1 est\u00e1vamos cansados e fartos de ser enganados?. (Depoimento de Tor\u00edbio Ortega, um dos generais camponeses da Divis\u00e3o do Norte, explicando os motivos de sua participa\u00e7\u00e3o na revolu\u00e7\u00e3o. In: VILLA, Marco Antonio. Francisco Pancho Villa: uma lideran\u00e7a da vertente camponesa na Revolu\u00e7\u00e3o Mexicana. S\u00e3o Paulo: \u00cdcone, 1992.)<\/blockquote>\n<strong>Cronologia:<\/strong>\n<blockquote><strong>1910:<\/strong>\u00a0\u00c9 lan\u00e7ada a candidatura de Madero \u00e0 presid\u00eancia. Diaz manda prender Madero e se reelege presidente. Madero consegue sair da pris\u00e3o e refugia-se nos Estados Unidos, onde redige o Programa de S\u00e3o Luis de Potos\u00ed.<strong>\n1911:<\/strong>\u00a0<strong>In\u00edcio do movimento revolucion\u00e1rio<\/strong>: derrubada de Diaz e elei\u00e7\u00e3o de Madero.<strong>\n1913:<\/strong>\u00a0A Divis\u00e3o do Norte investe em v\u00e1rios estados do norte. Villa torna-se governador de Chihuahua.<strong>\n1914:\u00a0<\/strong>Assassinato de Madero pelas for\u00e7as aliadas ao general Huerta, que assume a presid\u00eancia. Carranza se declara chefe maior do movimento revolucion\u00e1rio e lan\u00e7a o Programa de Guadalupe. Os villistas, por sua vez, lan\u00e7am manifesto declarando o rompimento com Carranza. Em 6 de dezembro, Villa e Zapata entram na Cidade do M\u00e9xico.<strong>\n1915:<\/strong>\u00a0O general Obreg\u00f3n derrota os villistas em Celaya. No mesmo ano, os EUA reconhecem oficialmente a lideran\u00e7a de Carranza.<strong>\n1916:<\/strong>\u00a0Fim da Divis\u00e3o do Norte. Retorno de Villa \u00e0 luta de guerrilha.<strong>\n1917:<\/strong>\u00a0Nova Constitui\u00e7\u00e3o. Carranza torna-se presidente.<strong>\n1920:<\/strong>\u00a0Carranza \u00e9 assassinado e deposto. Obreg\u00f3n assume a presid\u00eancia. Ano tamb\u00e9m da rendi\u00e7\u00e3o de Villa.<strong>\n1923:<\/strong>\u00a0Assassinato de Villa em uma emboscada.<\/blockquote>\n<strong>Revolu\u00e7\u00e3o Mexicana &#8211; Hist\u00f3ria<\/strong>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-158845 aligncenter\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Revolu2-2-300x218.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"218\" \/><strong>Revolu\u00e7\u00e3o Mexicana<\/strong><\/p>\nA\u00a0<strong>revolu\u00e7\u00e3o\u00a0<\/strong>iniciada em 1910 foi o palco de uma s\u00e9rie de reivindica\u00e7\u00f5es que buscavam, acima de tudo, garantir direitos usurpados da popula\u00e7\u00e3o.\n\n<strong>Tal afirma\u00e7\u00e3o torna-se clara na fala de um de seus principais e mais destacados l\u00edderes<\/strong>: Emiliano Zapata.\n\nZapata reivindicava o direito de posse dos ind\u00edgenas e camponeses das terras que lhes foram expropriadas. O que estava em pauta era a necessidade de regenerar a condi\u00e7\u00e3o humana atrav\u00e9s do retorno ao seu passado.\n\n<strong>Nas palavras de Octavio Paz<\/strong>: A Revolu\u00e7\u00e3o Mexicana \u00e9 um movimento de reconquistar o nosso passado, assimil\u00e1-lo e torn\u00e1-lo vivo no presente.\n\nDesde a independ\u00eancia, em 1821, a quest\u00e3o da terra estava presente nos conflitos sociais no M\u00e9xico. Na segunda metade do s\u00e9culo XIX a maior parte dos ind\u00edgenas j\u00e1 haviam sido expropriados de suas terras, al\u00e9m disso, estes n\u00e3o foram incorporados como cidad\u00e3os. Em 1876 com a derrubada do governo liberal de Sebasti\u00e3o Tejada, pelo levante militar de Porf\u00edrio D\u00edaz, a grande propriedade agr\u00e1ria foi refor\u00e7ada e os camponeses despojados de suas terras. A pequena propriedade foi praticamente eliminada.\n\nA partir de 1900, contudo, cr\u00edticas ao governo de D\u00edaz tornam-se cada vez mais latentes, bem como, reivindica\u00e7\u00f5es acerca das terras comunais expropriadas os ejidos.\n\nD\u00edaz convoca elei\u00e7\u00f5es presidenciais em 1910 e prende o latifundi\u00e1rio liberal Francisco Madero, l\u00edder do movimento que se opunha \u00e0 sua reelei\u00e7\u00e3o. Como candidato \u00fanico D\u00edaz \u00e9 considerado eleito.\n\nMadero foge da pris\u00e3o e vai para os EUA. Do ex\u00edlio, lan\u00e7a uma conclama\u00e7\u00e3o \u00e0 rebeli\u00e3o com armas para derrubar D\u00edaz, prometendo, em um novo governo, uma reforma eleitoral e terras para os camponeses.\n\nL\u00e1 redige o Programa de S\u00e3o Lu\u00eds de Potos\u00ed que anunciava a possibilidade de uma reforma agr\u00e1ria.\n\nRecebe apoio popular e de l\u00edderes revolucion\u00e1rios do Sul, Emiliano Zapata, e do Norte, Pancho Villa e Pascual Orozco.\n\nO crescimento da movimenta\u00e7\u00e3o camponesa leva D\u00edaz a renunciar e fugir, em maio de 1911.\n\nMadero \u00e9 eleito presidente e, no poder, mant\u00e9m o aparelho de Estado, em particular o Ex\u00e9rcito, o que provoca revolta entre seus apoiadores. Al\u00e9m disso, resolve dissolver o exercito revolucion\u00e1rio.\n\nZapata recusa-se a desarmar seus homens e exige a reforma agr\u00e1ria, prometida no Programa de S\u00e3o Luis de Potos\u00ed e negada pelo novo presidente.\n\n<strong>Nas palavras do pr\u00f3prio Zapata<\/strong>:\n<blockquote>A fatal ruptura do Programa de S\u00e3o Lu\u00eds de Potos\u00ed motivou e justificou nossa rebeldia contra aquele que invalidou todos os compromissos e defraudou todas as esperan\u00e7as (\u2026) combatemos Francisco Madero, combateremos outros cuja administra\u00e7\u00e3o n\u00e3o tenha por base os princ\u00edpios pelos quais temos lutado.<\/blockquote>\nA rea\u00e7\u00e3o do l\u00edder campon\u00eas \u00e9, portanto, a de proclamar-se em rebeli\u00e3o contra Madero.\n\nEm novembro de 1911 anuncia o Programa de Ayala no qual propunha a derrubada do governo de Madero e um processo de reforma agr\u00e1ria sob o controle das comunidades camponesas. O plano defendia, ainda, a reorganiza\u00e7\u00e3o do ejido e a expropria\u00e7\u00e3o de um ter\u00e7o dos latifundi\u00e1rios mediante indeniza\u00e7\u00e3o e nacionaliza\u00e7\u00e3o dos bens dos inimigos da revolu\u00e7\u00e3o. Para Zapata, neste plano est\u00e3o contidas\n<blockquote>(\u2026) as mais justas aspira\u00e7\u00f5es do povo, plantadas as mais imperiosas necessidades sociais, e propostas as mais importantes reformas econ\u00f4micas e pol\u00edticas, sem cuja implanta\u00e7\u00e3o o pa\u00eds passaria inevitavelmente ao abismo, deprimiria-se no caos da ignor\u00e2ncia, da mis\u00e9ria e da escravid\u00e3o.?<\/blockquote>\nZapata convocara o povo \u00e0s armas e o avan\u00e7o popular era cont\u00ednuo, pois apesar das mudan\u00e7as no governo, as estruturas s\u00f3cio-econ\u00f4micas permaneciam sem altera\u00e7\u00f5es.\n\nVilla e Zapata lideraram um movimento com vistas a obter autonomia pol\u00edtica local como forma de garantir o direito \u00e0 terra.\n\nEm fevereiro de 1913, enquanto a luta prossegue no Norte e no Sul, o general Victoriano Huerta assassina Madero. A morte do presidente leva a uma passageira frente da oposi\u00e7\u00e3o, com participa\u00e7\u00e3o de Zapata e Villa e chefiada pelo liberal Venustiano Carranza.\n\nO governo de Huerta acabou por tornar-se, para a maior parte dos revolucion\u00e1rios, uma restaura\u00e7\u00e3o do porfirismo. O Governador nortista Carranza, n\u00e3o reconheceu o novo governo e deu in\u00edcio \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o contra Huerta. O mesmo fez Villa no Norte e Zapata no Sul. Forma-se, ent\u00e3o, um ex\u00e9rcito constitucional, sob a \u00e9gide do chamado Pacto de Torre\u00f3n.\n\nSimultaneamente, o M\u00e9xico sofre a ocupa\u00e7\u00e3o do porto de Vera Cruz por for\u00e7as dos EUA. Sem condi\u00e7\u00f5es de resistir, Huerta renuncia em junho de 1914.\n\nCarranza assume a presid\u00eancia e o confronto anteriormente vivenciado por Zapata e Madero, com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 reforma agr\u00e1ria, volta \u00e0 vida, uma vez que Carranza hesita em aceitar as propostas camponesas.\n\nEm fevereiro de 1917 \u00e9 promulgada a Constitui\u00e7\u00e3o reformada, com algumas transforma\u00e7\u00f5es propostas pelo Programa de Ayala, como a nacionaliza\u00e7\u00e3o do solo e do subsolo e devolu\u00e7\u00e3o das terras comunais aos ind\u00edgenas os ejidos. A Igreja Cat\u00f3lica \u00e9 separada do Estado e tem seus poderes diminu\u00eddos.\n\nOs trabalhadores passam a ter direitos reconhecidos, como jornada de trabalho de oito horas, proibi\u00e7\u00e3o do trabalho infantil e indeniza\u00e7\u00e3o por tempo de servi\u00e7o aos empregados dispensados.\n\nAs medidas previstas na Constitui\u00e7\u00e3o, no entanto, s\u00e3o amplamente ignoradas pelo governo.\n\nEm 1919 Zapata \u00e9 assassinado a mando de Carranza e o pa\u00eds continua em guerra civil.\n\nCarranza \u00e9 deposto e assassinado em 1920 e o novo presidente passa a ser o general \u00c1lvaro Obreg\u00f3n, que consolida a revolu\u00e7\u00e3o.\n\nVilla abandona a luta em 1920 e \u00e9 assassinado tr\u00eas anos depois. Ao mesmo tempo, v\u00e1rios revolucion\u00e1rios no governo procuram enriquecer, traindo a confian\u00e7a que as amplas massas populares depositam em sua atua\u00e7\u00e3o.\n\nOs partid\u00e1rios da nova Constitui\u00e7\u00e3o, contudo, compreendem perfeitamente que n\u00e3o poderiam desconhecer a quest\u00e3o agr\u00e1ria que estava no fundo da luta revolucion\u00e1ria. Assim, os latif\u00fandios foram limitados e a terra come\u00e7ou a ser entregue \u00e0s comunidades camponesas.\n\n<strong>Ao analisarmos este primeiro momento da Revolu\u00e7\u00e3o Mexicana, algo nos salta aos olhos a todo o momento:\u00a0<\/strong>a constante presen\u00e7a da reivindica\u00e7\u00e3o por uma reforma agr\u00e1ria e, como resposta, uma s\u00e9rie de atitudes que se distanciavam da sua realiza\u00e7\u00e3o. Madero a prop\u00f4s no Programa de S\u00e3o Luis de Potos\u00ed, mas n\u00e3o cumpriu. Zapata lutou o tempo todo por sua implanta\u00e7\u00e3o, e isto \u00e9 evidente em seus discursos e no Programa de Ayala, que tamb\u00e9m n\u00e3o alcan\u00e7ou o resultado esperado. A constitui\u00e7\u00e3o de 1917 trata desta quest\u00e3o, mas, na pr\u00e1tica, passou muito tempo at\u00e9 que resultasse em benef\u00edcios reais para a popula\u00e7\u00e3o camponesa.\n\n<strong>Algo, por\u00e9m, n\u00e3o pode deixar de ser considerado<\/strong>: grandes foram os esfor\u00e7os para que os camponeses pudessem recuperar as suas terras, bem como relevantes foram os acontecimentos e transforma\u00e7\u00f5es nascidas do seio desta luta.\n\nObserva-se, nesta revolu\u00e7\u00e3o, o reconhecimento do mexicano n\u00e3o apenas como indiv\u00edduo, mas tamb\u00e9m, e primordialmente, enquanto povo. Buscava-se um ideal de pertencimento comum, buscava-se o retorno a seus direitos. Estava presente a luta por um ideal de igualdade.\n\n<strong>Revolu\u00e7\u00e3o Mexicana &#8211; Origem<\/strong>\n\nA revolu\u00e7\u00e3o come\u00e7ou em um contexto de ampla insatisfa\u00e7\u00e3o com as pol\u00edticas elitistas e olig\u00e1rquicas de Porfirio D\u00edaz que favoreciam ricos propriet\u00e1rios de terras e industriais. Quando D\u00edaz, em 1908, disse que saudava a democratiza\u00e7\u00e3o da vida pol\u00edtica mexicana e parecia ambivalente quanto a concorrer \u00e0 sua s\u00e9tima reelei\u00e7\u00e3o como presidente em 1910, Francisco Madero, um liberal idealista de uma fam\u00edlia de classe alta, emergiu como o l\u00edder dos Antireeleccionistas e anunciou sua candidatura. D\u00edaz o prendeu e se declarou vencedor ap\u00f3s uma elei\u00e7\u00e3o simulada em junho, mas Madero, libertado da pris\u00e3o, publicou seu Plano de San Luis Potos\u00ed de San Antonio, Texas, convocando uma revolta em 20 de novembro.\n\nA revolta foi um fracasso, mas acendeu a esperan\u00e7a revolucion\u00e1ria em muitos setores. No norte, Pascual Orozco e Pancho Villa mobilizaram seus ex\u00e9rcitos maltrapilhos e come\u00e7aram a invadir guarni\u00e7\u00f5es do governo.\n\nNo sul, Emiliano Zapata empreendeu uma sangrenta campanha contra os caciques locais (chefes pol\u00edticos rurais). Na primavera de 1911, as for\u00e7as revolucion\u00e1rias tomaram Ciudad Ju\u00e1rez, for\u00e7aram D\u00edaz a renunciar e declararam Madero presidente.\n\n<strong>Revolu\u00e7\u00e3o Mexicana &#8211; Rebeli\u00e3o<\/strong>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-158846 aligncenter\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Revolu3-1-1-300x184.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"184\" \/><strong>Revolu\u00e7\u00e3o Mexicana<\/strong><\/p>\n<strong>1910<\/strong>\n\nIndependente desde 1821, o M\u00e9xico s\u00f3 consegue consolidar-se como Estado nacional entre 1876 e 1910 com a ditadura de Porfirio D\u00edaz, o primeiro a ter controle sobre o conjunto do territ\u00f3rio.\n\nExportador de produtos agr\u00edcolas e minerais, o pa\u00eds \u00e9 dominado por uma aristocracia latifundi\u00e1ria. Os camponeses reivindicam terras e as classes m\u00e9dias urbanas, marginalizadas do poder, se op\u00f5em ao regime.\n\nEm 1910 o liberal e tamb\u00e9m latifundi\u00e1rio Francisco Madero capitaliza o descontentamento popular e se lan\u00e7a candidato \u00e0 sucess\u00e3o de D\u00edaz. As elei\u00e7\u00f5es s\u00e3o fraudadas e D\u00edaz vence.\n\nO epis\u00f3dio desencadeia uma guerra civil e o pa\u00eds entra num per\u00edodo de instabilidade pol\u00edtica que permanece at\u00e9 1934, quando L\u00e1zaro C\u00e1rdenas assume o poder.\n\n<strong>Rebeli\u00e3o de 1910<\/strong>\n\nA reelei\u00e7\u00e3o de D\u00edaz provoca um levante popular no norte e no sul do pa\u00eds. No norte, os rebeldes liderados por Pancho Villa incorporam-se \u00e0s tropas do general dissidente Victoriano Huerta. No sul, um ex\u00e9rcito de camponeses organiza-se sob o comando de Emiliano Zapata e exige uma reforma agr\u00e1ria no pa\u00eds. D\u00edaz \u00e9 deposto em 1911 e Madero assume o poder.\n\n<strong>Enfrenta dissid\u00eancias dentro da pr\u00f3pria elite mexicana e tamb\u00e9m dos camponeses:<\/strong>\u00a0Zapata recusa-se a depor as armas enquanto o governo n\u00e3o realizar a reforma agr\u00e1ria. Em 1913 Huerta dep\u00f5e e assassina Madero e tenta reprimir os camponeses. Villa e Zapata retomam as armas apoiados por um movimento constitucionalista liderado por Venustiano Carranza. Huerta \u00e9 deposto em 1914, Carranza assume o poder e d\u00e1 in\u00edcio a um processo de reformas sociais, mas a reforma agr\u00e1ria \u00e9 novamente adiada. Em 1915, Villa e Zapata retomam novamente as armas mas Carranza j\u00e1 domina o pa\u00eds. Em 1917 promulga uma Constitui\u00e7\u00e3o e consolida sua lideran\u00e7a. Zapata \u00e9 assassinado em 1919. Villa retira-se da luta em 1920 e \u00e9 assassinado em 1923.\n\n<strong>Pancho Villa (1877-1923)<\/strong>\n\nComo fica conhecido o pol\u00edtico revolucion\u00e1rio mexicano Doroteo Arango. Aos 16 anos teria matado um rico fazendeiro e logo depois se alistado no Ex\u00e9rcito para fugir \u00e0s persegui\u00e7\u00f5es da Justi\u00e7a. Em 1910, como chefe de guarni\u00e7\u00e3o, toma o partido de Francisco Madero no combate \u00e0 ditadura da Porfirio D\u00edaz. Em maio de 1911 \u00e9 exilado. Madero assume o governo no mesmo ano. Em 1912 o general Victoriano Huerta, que mais tarde deporia e substituiria Madero, condena Villa \u00e0 morte por insubordina\u00e7\u00e3o. Auxiliado por Madero, Villa consegue se refugiar nos Estados Unidos.\n\nDepois da morte de Madero e da instaura\u00e7\u00e3o da ditadura de Huerta, Villa volta ao M\u00e9xico e integra as for\u00e7as de Venustiano Carranza, que se opunha ao novo ditador. Contra Huerta combatiam, espalhados por todo pa\u00eds, Pancho Villa, Venustiano Carranza, \u00c1lvaro Obreg\u00f3n e Emiliano Zapata. Na guerra civil que se instala, a cavalaria, com mais de 40 mil homens, comandada por Villa tem papel fundamental.\n\nDepois da queda de Huerta, Carranza assume o poder mas se desentende com Villa, que acaba voltando \u00e0 luta e domina o norte do pa\u00eds. Em 1916 uma for\u00e7a expedicion\u00e1ria norte-americana \u00e9 chamada pelo governo para capturar Villa, mas ele consegue escapar. Quando Carranza \u00e9 deposto, Villa se instala no interior como fazendeiro.\n\nCasa-se v\u00e1rias vezes e tem filhos com pelo menos oito mulheres diferentes. \u00c9 assassinado numa emboscada.\n\n<strong>Emiliano Zapata (1879-1919)<\/strong>\n\nRevolucion\u00e1rio mexicano e um dois principais l\u00edderes da Revolu\u00e7\u00e3o Mexicana. Filho de \u00edndios, logo cedo toma a lideran\u00e7a de camponeses \u00edndios pela reforma agr\u00e1ria no pa\u00eds.\n\nForma um ex\u00e9rcito e conquista todo sul do M\u00e9xico, rebelando-se contra Porfirio D\u00edaz e os grandes propriet\u00e1rios de terra. Une-se a Pancho Villa e posteriormente volta-se contra os presidentes Madero, Huerta e Carranza, os quais tomam o poder com a ajuda de Zapata, mas fracassam na execu\u00e7\u00e3o da reforma agr\u00e1ria. \u00c9 assassinado por um adepto de Carranza.\n\n<strong>A Revolu\u00e7\u00e3o Mexicana &#8211; M\u00e9xico<\/strong>\n\nH\u00e1 diversas vers\u00f5es diferentes que tentam explicar o que ocorreu no M\u00e9xico no in\u00edcio do s\u00e9culo XX, que se desencadeou naquilo que ficou conhecido como\u00a0<strong>Revolu\u00e7\u00e3o Mexicana<\/strong>, em 1910.\n\nNesta breve s\u00edntese tentaremos mostrar duas vis\u00f5es de dois autores diferentes para este processo, que s\u00e3o Octavio Paz, mais especificamente sua obra ?O labirinto da solid\u00e3o e post scriptum e Arnaldo C\u00f3rdova, em seu livro ?La Revoluci\u00f3n y el Estado en M\u00e9xico.\n\nPara analisar o caso espec\u00edfico do M\u00e9xico, Octavio Paz faz primeiro uma an\u00e1lise do processo de independ\u00eancia da Am\u00e9rica Espanhola como um todo, considerando-a como um processo que ao mesmo tempo separa a Am\u00e9rica da Espanha e permite a cria\u00e7\u00e3o de uma s\u00e9rie de pa\u00edses nas terras recentemente independentes.\n\nO que diferencia a situa\u00e7\u00e3o mexicana neste momento \u00e9 a incapacidade dos revolucion\u00e1rios de criar uma sociedade moderna, ao contr\u00e1rio do que aconteceu com os novos pa\u00edses latino-americanos, que, mesmo n\u00e3o promovendo altera\u00e7\u00f5es profundas na sociedade, fizeram um empreendimento de car\u00e1ter modernizador.\n\nA independ\u00eancia n\u00e3o levou o M\u00e9xico a uma rep\u00fablica liberal, mas sim a uma sociedade agr\u00e1ria dominada por uma nova casta latifundi\u00e1ria, e \u00e9 este pa\u00eds que Porf\u00edrio D\u00edaz vai governar por mais de trinta anos.\n\nEste per\u00edodo, conhecido por Porfiriato e como Pax Porfiriana \u00e9 marcado por persegui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, mas tamb\u00e9m por um projeto industrial que n\u00e3o conseguiu alterar a face semicolonial do M\u00e9xico, uma vez que, nas palavras do pr\u00f3prio Oct\u00e1vio Paz, o governo de Porf\u00edrio D\u00edaz prolonga um feudalismo anacr\u00f4nico e \u00edmpio, que nada suaviza (as Leis das \u00cdndias continham preceitos que protegiam os \u00edndios).\n\nEm suma, pode-se dizer que o governo porfiriano n\u00e3o trouxe para o M\u00e9xico o progresso, mas sim a continuidade das estruturas coloniais, sendo mais uma volta ao passado que um passo adiante.\n\nPara melhor entender a verdadeira face deste per\u00edodo, Paz vai se valer da an\u00e1lise de Leopoldo Zea, para quem a ado\u00e7\u00e3o do positivismo como filosofia oficiosa do Estado corresponde a certas necessidades intelectuais e morais da ditadura de Diaz. (pag. 118). Na verdade \u00e9 uma forma de evitar o afloramento dos princ\u00edpios explosivos que uma pol\u00edtica liberal poderia trazer, como a anarquia. Com isso, o porfirismo p\u00f4de se sustentar no poder, escondendo sua pr\u00f3pria nudez moral, sem oferecer grandes mudan\u00e7as na sociedade, mas sem trazer solu\u00e7\u00f5es para a quest\u00e3o social. O resultado de todo este processo, em fins do s\u00e9culo XIX, \u00e9 uma realidade de poucas perspectivas, pois o que se v\u00ea neste momento \u00e9 um M\u00e9xico que rompeu seus la\u00e7os com a Espanha, mas n\u00e3o foi capaz de criar outros la\u00e7os que os substitu\u00edssem, j\u00e1 que n\u00e3o houve entendimentos com os Estados Unidos, nem com os outros pa\u00edses americanos de l\u00edngua espanhola.\n\n\u00c9 neste quadro que se instalar\u00e1 a Revolu\u00e7\u00e3o Mexicana, tida por Oct\u00e1vio Paz como uma revolu\u00e7\u00e3o carente de percursores, sendo resultado da demanda de todo este processo hist\u00f3rico, preparada desde o s\u00e9culo XVIII, mas no fundo, \u00e9 um movimento sem um programa pr\u00e9vio. Os grandes l\u00edderes da Revolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o eram intelectuais, o que, para Paz, lhe dava uma certa singularidade.\n\n?A aus\u00eancia de percursores ideol\u00f3gicos e a escassez de v\u00ednculos com uma ideologia universal constituem tra\u00e7os caracter\u00edsticos da Revolu\u00e7\u00e3o e raiz de muitos conflitos e confus\u00f5es posteriores. ( pag. 124)\n\n<strong>Desta forma, a Revolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi mais que uma resposta \u00e0 situa\u00e7\u00e3o mexicana do in\u00edcio do s\u00e9culo XX:<\/strong>\u00a0crise pol\u00edtica e social, inquieta\u00e7\u00f5es na classe m\u00e9dia e na nascente classe oper\u00e1ria e crise nas rela\u00e7\u00f5es internacionais. A uni\u00e3o destes fatores mostra a fragilidade do governo de Porf\u00edrio D\u00edaz, principalmente quando se come\u00e7ou a fazer cr\u00edticas veladas \u00e0 sua pol\u00edtica positivista. Como se pode observar, a Revolu\u00e7\u00e3o Mexicana \u00e9 mais um movimento social que o resultado de uma s\u00e9rie de discuss\u00f5es ideol\u00f3gicas.\n<blockquote>Nosso movimento se distingue pela car\u00eancia de um sistema ideol\u00f3gico pr\u00e9vio e pela fome de terras. Os camponeses mexicanos fazem a revolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o somente para obter melhores condi\u00e7\u00f5es de vida, mas tamb\u00e9m para recuperar as terras que, no decorrer da Col\u00f4nia e do s\u00e9culo XIX, os colonos e os latifundi\u00e1rios lhes tinham arrebatado. (pag. 128)<\/blockquote>\nPara Octavio Paz, a falta de uma corrente ideol\u00f3gica clara impossibilitou o atendimento \u00e0s diferentes aspira\u00e7\u00f5es populares.\n\n<strong>Isto acabou tendo um pre\u00e7o alto<\/strong>: a ado\u00e7\u00e3o de um programa liberal, pela simples falta de qualquer outra proposta compat\u00edvel com a Revolu\u00e7\u00e3o.\n\n<strong>Em s\u00edntese, Octavio Paz v\u00ea a Revolu\u00e7\u00e3o como um resgate de um passado que o M\u00e9xico conheceu antes da Reforma e de Porf\u00edrio Diaz, um movimento espont\u00e2neo, quase natural, sem prepara\u00e7\u00e3o pr\u00e9via e sem planos futuros, como se pode observar na passagem abaixo:<\/strong>\n<blockquote>A Revolu\u00e7\u00e3o mal tem ideias. \u00c9 um estouro de realidade: uma revolta e uma comunh\u00e3o, um remexer de velhas subst\u00e2ncias adormecidas, um vir \u00e0 tona de muitas ferocidades, muitas ternuras e muitas delicadezas ocultas pelo medo de ser. E com quem comunga o M\u00e9xico nesta festa sangrenta? Consigo mesmo, e com seu pr\u00f3prio ser. O M\u00e9xico se atreve a ser. A explos\u00e3o revolucion\u00e1ria \u00e9 uma festa portentosa em que o mexicano, b\u00eabado de si mesmo, conhece o fim, no abra\u00e7o mortal, com outro mexicano. (pag. 134)<\/blockquote>\n\u00c9 justamente esta ideia de uma Revolu\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea, sem planos e objetivos concretos que Arnaldo C\u00f3rdova vai criticar em sua obra La revolucion y el Estado en Mexico.\n\nOutra ideia criticada por C\u00f3rdova \u00e9 a de que a Revolu\u00e7\u00e3o Mexicana \u00e9 fato isolado do mundo, n\u00e3o tendo inspiradores nem par em nenhuma outra revolu\u00e7\u00e3o. Para este autor, Revolu\u00e7\u00e3o Mexicana foi um grande debate ideol\u00f3gico em que se colocaram em discuss\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 o nosso ser nacional, o sentido da nossa hist\u00f3ria, a organiza\u00e7\u00e3o e composi\u00e7\u00e3o da nossa sociedade, a ideia do seu governo, as injusti\u00e7as. na organiza\u00e7\u00e3o social, o tipo de desenvolvimento econ\u00f4mico, pol\u00edtico e cultural a ser promovido, as classes sociais e os componentes \u00e9tnicos da sociedade mexicana, o sistema nacional de rela\u00e7\u00f5es de propriedade e de produ\u00e7\u00e3o, os valores a que s\u00e3o devidos. aqueles que tiveram que se sobressair para completar nossa forma\u00e7\u00e3o nacional. (pag. 56)\n\nA linha ideol\u00f3gica da Revolu\u00e7\u00e3o Mexicana come\u00e7ou a ser tra\u00e7ada com a cr\u00edtica ao Estado criado por Porf\u00edrio D\u00edaz, uma vez que, e nisso C\u00f3rdova concorda com Octavio Paz, o M\u00e9xico n\u00e3o teve sequer um dia de paz durante a Pax Porfiriana. Este movimento ideol\u00f3gico come\u00e7ou com os jornalistas, que cada vez mais passaram a criticar o regime porfiriano.\n\nEste processo cresceu tanto que passou a assustar simpatizantes de Porf\u00edrio D\u00edaz, pois o crescimento ideol\u00f3gico da oposi\u00e7\u00e3o poderia enfraquecer a pol\u00edtica dominadora de D\u00edaz.\n\nA\u00a0<strong>Revolu\u00e7\u00e3o Mexicana<\/strong>\u00a0foi pontuada pelas ideias de grandes ide\u00f3logos como Molina Henriqu\u00e9z, que pensou a rela\u00e7\u00e3o do Estado com o desenvolvimento da economia camponesa, Ricardo Flores Mag\u00f3n, que defendia a liberdade, o fim do autoritarismo e a democracia, e Madero, que em sua obra La sucesi\u00f3n presidencial em 1910? fez uma s\u00e9rie de observa\u00e7\u00f5es sobre o governo porfiriano e obteve grande impacto na sociedade.\n\nFoi uma obra de tamanha import\u00e2ncia que para C\u00f3rdova ela converte Madero no homem que faltava para que a Revolu\u00e7\u00e3o se desencadeasse. Para Madero, o povo deveria tomar as r\u00e9deas de se destino, lutar pela divis\u00e3o dos latif\u00fandios, democratizar a posse da terra, n\u00e3o defendendo uma solu\u00e7\u00e3o autorit\u00e1ria para a crise social, mesmo se tratando de um autoritarismo de esquerda.\n\nNeste ponto ele discorda de Molina, que defendia uma a\u00e7\u00e3o violenta do Estado no sentido de destruir os grandes latif\u00fandios e distribuir as propriedades.\n\nMolina acreditava que um governo democr\u00e1tico se transformaria em um simples dispensador de justi\u00e7a, sem, contudo, ser capaz de unir todas as tribos, povos e grupos que comp\u00f5em o povo mexicano em torno do interesse central da revolu\u00e7\u00e3o, que seria a distribui\u00e7\u00e3o justa das terras agr\u00edcolas mexicanas.\n\nComo se pode perceber, o que C\u00f3rdova deixa claro \u00e9 que de modo algum podemos considerar a Revolu\u00e7\u00e3o Mexicana como um movimento sem uma base ideol\u00f3gica que fosse capaz de sustent\u00e1-la.\n\nMesmo que seus l\u00edderes n\u00e3o fossem grandes intelectuais, como afirmou Octavio Paz, aquela foi uma \u00e9poca de tamanha efervesc\u00eancia de ideias que a Revolu\u00e7\u00e3o criou n\u00e3o s\u00f3 uma, mas v\u00e1rias ideologias revolucion\u00e1rias.\n\nTeorias estas que chegaram a criar o que C\u00f3rdova chamou de a luta ideol\u00f3gica da Revolu\u00e7\u00e3o Mexicana, capitaneada por pensadores como Molina e Madero, diferentes em algumas ideias, mas seguramente dois sustent\u00e1culos daquilo que ficou conhecido como A Revolu\u00e7\u00e3o Mexicana.\n\n<strong>Fonte:<\/strong>\u00a0www.pbs.org\/www.britannica.com\/www.historia.uff.br\/br.share.geocities.com\/www.tuicakademi.org\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Revolu\u00e7\u00e3o Mexicana, M\u00e9xico, Movimento, Hist\u00f3ria, Rebeli\u00e3o, Motivo, Trabalhadores, Mexicanos, Processo, Direitos, Golpe, Revolu\u00e7\u00e3o Mexicana<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":17292,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[57],"tags":[],"class_list":["post-17291","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia-geral"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - 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