{"id":17258,"date":"2016-01-08T00:00:00","date_gmt":"2016-01-08T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/revolucao-cubana\/"},"modified":"2026-08-31T23:45:06","modified_gmt":"2026-08-31T23:45:06","slug":"revolucao-cubana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-geral\/revolucao-cubana\/","title":{"rendered":"Revolu\u00e7\u00e3o Cubana"},"content":{"rendered":"\n<strong>Revolu\u00e7\u00e3o Cubana &#8211; O que foi<\/strong>\n\nA\u00a0<strong>revolu\u00e7\u00e3o Cubana\u00a0<\/strong>rompeu com os la\u00e7os que fizeram da ilha quase que uma extens\u00e3o dos EUA ao longo do s\u00e9culo XX.\n\nInteiramente subordinado aos interesses norte-americanos, o estado Cubano comportou-se de forma subserviente durante todo o per\u00edodo pr\u00e9-revolucion\u00e1rio aceitando imposi\u00e7\u00f5es humilhantes e revelando com freq\u00fc\u00eancia a fragilidade de sua soberania.\n\nA vit\u00f3ria de Fidel e seus camaradas no final dos anos 50 e a juventude dos l\u00edderes guerrilheiros exerceram rapidamente enorme influ\u00eancia no imagin\u00e1rio de todos aqueles que no mundo lutavam contra a opress\u00e3o e o imperialismo capitalista. E n\u00e3o poderia ser de outra forma, afinal o encerramento da ditadura pr\u00f3-EUA significou uma brusca ruptura na longa e tr\u00e1gica hist\u00f3ria de submiss\u00e3o do continente aos interesses geopol\u00edticos elaborados nos elegantes sal\u00f5es da casa branca.\n\nA ocupa\u00e7\u00e3o da ilha pelos espanh\u00f3is ocorreu no final do s\u00e9culo XV e imediatamente seu territ\u00f3rio foi alvo de intensa explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica imposta pelo estado metropolitano revelando sua extraordin\u00e1ria voca\u00e7\u00e3o para a agricultura de exporta\u00e7\u00e3o.\n\nA inser\u00e7\u00e3o em massa de trabalhadores negros escravos de origem africana faz parte desse cen\u00e1rio em que o objetivo maior era transferir para a Europa as riquezas aqui produzidas.\n\nNo s\u00e9culo XIX, as terras de Cuba encontravam-se dominadas pelo plantio da cana-de-a\u00e7\u00facar, formando um imenso tapete verde sob o qual se escondia tanta mis\u00e9ria. Mesmo sendo uma col\u00f4nia espanhola, o principal comprador do a\u00e7\u00facar produzido na ilha eram os EUA e cresciam os interesses de empresas norte-americanas preocupadas em ampliar seus neg\u00f3cios com os Cubanos.\n\nNesse momento, quase toda a Am\u00e9rica j\u00e1 havia conquistado sua independ\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s metr\u00f3poles europ\u00e9ias, exce\u00e7\u00e3o feita a Cuba que apesar de ter sido uma das \u00e1reas pioneiras na presen\u00e7a espanhola na Am\u00e9rica, estava condenada a ser uma dos \u00faltimos redutos do colonialismo ib\u00e9rico. Somente no final do s\u00e9culo XIX, encontramos a g\u00eanese do Estado Cubano emancipado onde se destacou a figura de Jose Mart\u00ed.\n\nO movimento separatista declarou guerra \u00e0 Espanha contando apenas com um improvisado ex\u00e9rcito constitu\u00eddo predominantemente por negros e sofreu duro golpe, no in\u00edcio dos combates, com a morte de Mart\u00ed.\n\nMesmo sem contar com seu principal l\u00edder, os cubanos obtiveram significativas vit\u00f3rias e a guerra caminhava para seu final quando ocorre a interven\u00e7\u00e3o dos EUA no conflito.\n\nAcusando os espanh\u00f3is de afundarem um navio americano, o \u201cMaine\u201d, as autoridades norte-americanas declararam seu apoio aos colonos e enviaram soldados para a guerra contra a Espanha.\n\nO fato \u00e9 que Cuba representava muito para a engenhosa pol\u00edtica externa dos EUA. A localiza\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica da ilha coloca-a na zona de absoluta seguran\u00e7a estrat\u00e9gica dentro dos planos norte-americanos, ou seja, sua \u00e1rea incorpora-se aos limites estabelecidos como vitais para a integridade dos EUA. N\u00e3o bastando isso, os interesses comerciais eram imensos, pois empresas americanas eram as maiores compradoras do a\u00e7\u00facar cubano e in\u00fameros executivos olhavam para a ilha com expectativa de desenvolver novos projetos.\n\nVencida, a Espanha foi obrigada a ceder o controle dos territ\u00f3rios de Porto Rico e das Filipinas para os EUA e militares americanos assumiram o governo de Cuba assim que os espanh\u00f3is reconheceram a derrota.\n\nEm janeiro de 1898, selava-se o triste epis\u00f3dio de transfer\u00eancia da domina\u00e7\u00e3o espanhola para a domina\u00e7\u00e3o norte-americana. A emenda Platt, texto imposto e anexado a constitui\u00e7\u00e3o cubana em 1901, tornava leg\u00edtima qualquer interven\u00e7\u00e3o militar dos EUA no interior da ilha e revelava o alto grau de condescend\u00eancia das autoridades Cubanas. Al\u00e9m disso, o governo de Cuba foi obrigado a entregar uma faixa de seu litoral para que os norte-americanos montassem uma base militar na ba\u00eda de Guant\u00e1namo.\n\nNas d\u00e9cadas seguintes, ampliou-se de forma consider\u00e1vel a participa\u00e7\u00e3o do capital americano nos neg\u00f3cios da ilha atuando livremente, sem restri\u00e7\u00f5es, na \u00e1rea do transporte, com\u00e9rcio exterior, minera\u00e7\u00e3o, turismo e, sobretudo, \u00e0queles vinculados a produ\u00e7\u00e3o e comercializa\u00e7\u00e3o do a\u00e7\u00facar.\n\nNo plano pol\u00edtico, a primeira metade do s\u00e9culo XX foi caracterizada pela sucess\u00e3o de governos desp\u00f3ticos que, com suas a\u00e7\u00f5es, consolidaram a posi\u00e7\u00e3o de Cuba de \u201cquintal dos EUA\u201d.\n\nAs pessoas ligadas aos setores pol\u00edticos contr\u00e1rios a esse modelo foram duramente perseguidos, presos, torturados, e v\u00e1rias lideran\u00e7as de oposi\u00e7\u00e3o acabaram assassinadas. Em Havana, capital do pa\u00eds, a corrup\u00e7\u00e3o impregnava-se em todas as esferas do poder p\u00fablico e em suas ruas os cassinos, o gangsterismo e a prostitui\u00e7\u00e3o propagavam-se em escala geom\u00e9trica.\n\nNo in\u00edcio dos anos 50, os dirigentes da oposi\u00e7\u00e3o perderam definitivamente a esperan\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 possibilidade de chegar ao poder pelas vias democr\u00e1ticas.\n\nO caminho defendido por esses grupos descontentes com o quadro s\u00f3cio-pol\u00edtico na ilha passa a ser a luta armada. Deve-se ressaltar que o bloco oposicionista ainda n\u00e3o tem, nesse momento, um perfil ideol\u00f3gico definido, apresentando propostas vagas que condenavam a ditadura cubana e procuravam resgatar os princ\u00edpios patri\u00f3ticos sugeridos por Jose Mart\u00ed no final do s\u00e9culo XIX.\n\nEm 1953, ocorre a primeira a\u00e7\u00e3o armada organizada pela oposi\u00e7\u00e3o quando um pequeno grupo de homens tentou assumir o controle sobre o Quartel de Moncada, um dos principais regimentos militares do pa\u00eds, a poucos quil\u00f4metros da cidade de Santiago de Cuba. A insurrei\u00e7\u00e3o acabou resultando num enorme fracasso e as for\u00e7as da repress\u00e3o n\u00e3o tiveram dificuldades em prender in\u00fameros envolvidos, entre os quais encontrava-se o jovem advogado Fidel Castro.\n\n<b>Fidel Castro na Assembleia\u00a0Nacional<\/b>\n<p class=\"imagem\"><img decoding=\"async\" title=\"Revolu\u00e7\u00e3o Cubana \" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/rrevolu2-1.jpg\" alt=\"Revolu\u00e7\u00e3o Cubana \" \/><strong>\nFidel Castro<\/strong><\/p>\nAo sair da pris\u00e3o, depois de quase dois anos de c\u00e1rcere, Fidel e seus companheiros continuavam a defender que somente uma nova a\u00e7\u00e3o armada poderia dar aos Cubanos a democracia e a soberania.\n\nA corrup\u00e7\u00e3o eleitoral e a viol\u00eancia da ditadura de Fulg\u00eancio Batista demonstravam claramente para seu grupo a necessidade de preparar, agora com maior cuidado, um grande movimento revolucion\u00e1rio que contasse com o apoio de camponeses e oper\u00e1rios.\n\nNo ex\u00edlio em terras mexicanas Fidel Castro, em companhia de Camilo Cienfuegos Ernesto Che Guevara e de seu irm\u00e3o Raul, organiza o movimento guerrilheiro 26 de julho, refer\u00eancia \u00e0 data da a\u00e7\u00e3o que tentou tomar o quartel de Moncada. Em 1956, o grupo guerrilheiro, com apenas 82 homens, parte em dire\u00e7\u00e3o a Cuba, onde desembarca na regi\u00e3o de Sierra Maestra. Em janeiro de 1959, ap\u00f3s tr\u00eas anos de duros combates, os revolucion\u00e1rios assumem o poder na capital encerrando o longo per\u00edodo da ditadura de Batista.\n\nAs primeiras decis\u00f5es do governo de Fidel, no plano interno, demonstravam uma brusca mudan\u00e7a de rumo. Terras foram confiscadas, empresas estrangeiras nacionalizadas, a tarifa de energia el\u00e9trica reduzida, enfim, medidas que acabaram gerando imensa euforia popular. No plano externo, o governo de Fidel procurou restabelecer as rela\u00e7\u00f5es comerciais e diplom\u00e1ticas com a URSS, apesar de publicamente demonstrar uma posi\u00e7\u00e3o de eq\u00fcidist\u00e2ncia em rela\u00e7\u00e3o ao conflito EUA-URSS.\n\nEssa neutralidade Cubana em pleno cen\u00e1rio da guerra fria foi vista pela Casa Branca com grande desconfian\u00e7a. Se, por um lado, o perfil do governo revolucion\u00e1rio se apresentava divorciado dos interesses americanos, por outro lado resistia a um imediato alinhamento com a URSS.\n\nEssa nova postura de Cuba n\u00e3o impediu a agressiva rea\u00e7\u00e3o dos EUA inicialmente atrav\u00e9s do boicote econ\u00f4mico e depois com a tentativa de invas\u00e3o da ba\u00eda dos porcos.\n\nEm abril de 1961, grupos contra-revolucion\u00e1rios formados principalmente por mercen\u00e1rios e refugiados cubanos no ex\u00edlio invadiram a ilha atrav\u00e9s da Ba\u00eda dos Porcos.\n\nA a\u00e7\u00e3o foi longamente planejada pela Central de Intelig\u00eancia Americana (CIA), teve a aprova\u00e7\u00e3o do jovem presidente John Kennedy e pretendia, em \u00faltima inst\u00e2ncia, derrubar o governo Castrista.\n\nA habilidade das autoridades cubanas, que contaram com o imediato apoio das camadas populares, recha\u00e7ou a a\u00e7\u00e3o dos invasores e depois de tr\u00eas dias de combates Fidel comemorava uma nova vit\u00f3ria.\n\nA inseguran\u00e7a representada pela amea\u00e7a constante de t\u00e3o poderoso vizinho serviu como elemento catalizador para que o governo cubano fizesse enfim sua alian\u00e7a econ\u00f4mica e militar com a URSS.\n\nAgora a guerra fria ganhava contornos dram\u00e1ticos com a inser\u00e7\u00e3o de um pa\u00eds americano, geograficamente muito pr\u00f3ximo dos EUA, no chamado bloco socialista.\n\nAs tens\u00f5es atingiram seu \u00e1pice em 1962 com o epis\u00f3dio da \u201ccrise dos m\u00edsseis\u201d. Em desvantagem na corrida armamentista e sem tecnologia suficiente para atingir o territ\u00f3rio dos EUA com suas bombas, a URSS e o governo cubano pretendiam instalar na ilha parte do arsenal sovi\u00e9tico. A rea\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria da Casa Branca foi imediata e levou o mundo a temer um conflito direto entre as duas superpot\u00eancias.\n\nDurante esse per\u00edodo de enorme tens\u00e3o, Nikita Kruschev, l\u00edder sovi\u00e9tico, e John Kennedy, presidente dos EUA, acertaram os detalhes do pacto que levou a retirada dos m\u00edsseis da regi\u00e3o do caribe e, em troca, os EUA comprometeram-se a respeitar a soberania da ilha.\n\nA radicaliza\u00e7\u00e3o dos EUA com o bloqueio a\u00e9reo e naval e a expuls\u00e3o de Cuba da OEA \u2013 Organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Americanos \u2013 explicam a posi\u00e7\u00e3o mais agressiva da pol\u00edtica externa cubana que nos anos 60 e 70 participou ativamente da luta armada ao lado de grupos socialistas que tentavam tomar o poder em pa\u00edses da Am\u00e9rica e da \u00c1frica.\n\nEnquanto isso governo Castro apresentava ao mundo ineg\u00e1veis ganhos na \u00e1rea social com a elimina\u00e7\u00e3o do analfabetismo e uma das menores taxas de mortalidade infantil do continente americano. Programas nos setores educacional, sa\u00fade e habita\u00e7\u00e3o tornavam-se vi\u00e1veis com recursos originados de rela\u00e7\u00f5es comerciais com os pa\u00edses do bloco socialista.\n\nCom a URSS os cubanos desenvolviam transa\u00e7\u00f5es altamente vantajosas vendendo a\u00e7\u00facar com pre\u00e7os acima dos estabelecidos pelo mercado internacional e comprando petr\u00f3leo com valores abaixo dos fixados pelo com\u00e9rcio exterior.\n\nEstima-se que os subs\u00eddios sovi\u00e9ticos somavam, extra-oficialmente, a cifra de cinco bilh\u00f5es de d\u00f3lares por ano.\n\nA lua de mel com a URSS e com outros pa\u00edses socialistas come\u00e7ou a apresentar sinais de desgaste em meados dos anos 80 para se transformar em div\u00f3rcio no final dessa mesma d\u00e9cada.\n\nA ascens\u00e3o de Mikahil Gorbatchev ao poder na URSS em 1985 e sua proposta de abertura econ\u00f4mica e pol\u00edtica, Perestr\u00f3ika e Glasnost, respectivamente, revelaram ao mundo a fragilidade da economia sovi\u00e9tica e a necessidade urgente de reformas.\n\nA agonizante situa\u00e7\u00e3o interna levou a dire\u00e7\u00e3o do partido comunista em Moscou a rever a ajuda financeira que era vital para o governo cubano.\n\nA crise irradiada a partir da URSS rapidamente propagou-se pelo bloco socialista numa velocidade inimagin\u00e1vel para todos os analistas em pol\u00edtica internacional.\n\nA queda do muro de Berlim, em novembro de 1989, causou perplexidade pela forma pac\u00edfica como ocorreu, mas tamb\u00e9m por revelar o est\u00e1gio de putrefa\u00e7\u00e3o dos regimes comunistas que dominavam a Europa do leste. Imediatamente todos esses pa\u00edses come\u00e7am a viver um lento processo de reformas econ\u00f4micas e pol\u00edticas que avan\u00e7am na dire\u00e7\u00e3o da democracia e da privatiza\u00e7\u00e3o dos meios de produ\u00e7\u00e3o.\n\nPara Cuba a consequ\u00eancia maior foi a perda de seus tradicionais aliados e, consequentemente, o agravamento de sua crise econ\u00f4mica.\n\nAp\u00f3s 40 anos no poder o governo de Fidel d\u00e1 evidentes sinais de esgotamento. A idade avan\u00e7ada do comandante, no entanto, n\u00e3o o impede de continuar seu discurso denunciando os EUA por suas a\u00e7\u00f5es que visam asfixiar a economia cubana.\n\nMas a revolu\u00e7\u00e3o perdeu grande parte de seu charme com as crescentes not\u00edcias de viola\u00e7\u00f5es aos direitos humanos, da propaga\u00e7\u00e3o da prostitui\u00e7\u00e3o nas ruas de havana, da lentid\u00e3o das reformas que timidamente respondem ao boicote comercial americano e, sobretudo, da aus\u00eancia de perspectiva de democracia no pa\u00eds.\n\nPara alguns, ainda agarrados \u00e0 velha utopia comunista, o inevit\u00e1vel fracasso da globaliza\u00e7\u00e3o, a amplia\u00e7\u00e3o do grau de mis\u00e9ria e de desemprego nas \u00e1reas perif\u00e9ricas do mundo, s\u00e3o evid\u00eancias de que o velho comandante Fidel Castro est\u00e1 no caminho correto. Para outros, no entanto, se o est\u00e1gio atual do capitalismo internacional n\u00e3o \u00e9 nada promissor, a solu\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m n\u00e3o est\u00e1 no anacr\u00f4nico modelo estatizante, burocratizado e repressor do qual o governo cubano \u00e9 um dos \u00faltimos exemplares.\n\nLembro, para finalizar, de um encontro com Mariela Castro, filha de Raul Castro, irm\u00e3o de Fidel e considerado seu herdeiro natural. Era uma manh\u00e3 fria, em Quito, capital do Equador, na casa de Osvaldo Guayasamim que morreu esse ano e \u00e9 considerado um dos maiores pintores da Am\u00e9rica Latina.\n\nA emo\u00e7\u00e3o do encontro estava vinculada aos meus ideais da \u00e9poca e na ing\u00eanua e gostosa sensa\u00e7\u00e3o de que a humanidade iria encontrar seu caminho na constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade mais digna.\n\n<strong>Ficaram desse momento da minha vida fotografias recolhidas em algum \u00e1lbum, a agrad\u00e1vel conversa em minha mem\u00f3ria, uma gravura autografada na parede da sala e a imagem da cordilheira dos Andes quase que a me dizer:<\/strong>\u00a0\u201cmenino, a vida n\u00e3o \u00e9 constitu\u00edda s\u00f3 por plan\u00edcie\u201d.\n\n<strong>Revolu\u00e7\u00e3o Cubana &#8211; Hist\u00f3ria<\/strong>\n\nA\u00a0<strong>Revolu\u00e7\u00e3o Cubana<\/strong>\u00a0foi um levante armado liderado por Fidel Castro que acabou derrubando a ditadura brutal de Fulgencio Batista. A revolu\u00e7\u00e3o come\u00e7ou com um ataque fracassado ao quartel militar cubano em 26 de julho de 1953, mas no final de 1958, os revolucion\u00e1rios guerrilheiros do Movimento 26 de julho de Castro haviam vencido Cuba, for\u00e7ando Batista a fugir da ilha em 1\u00ba de janeiro, 1959.\n\nRevolu\u00e7\u00e3o Cubana, levante armado em Cuba que derrubou o governo de Fulgencio Batista em 1\u00ba de janeiro de 1959. O l\u00edder da revolu\u00e7\u00e3o, Fidel Castro, governou Cuba de 1959 a 2008.\n\n<strong>Revolu\u00e7\u00e3o Cubana &#8211; Sociedade<\/strong>\n\nEntender a sociedade cubana objetivamente \u00e9 incrivelmente dif\u00edcil, dados os 45 anos de incessante propaganda contra\u00a0<strong>Fidel Castro<\/strong>, o governo cubano e a sociedade cubana.\n\nMesmo para aqueles indiv\u00edduos cr\u00edticos dos m\u00eddia de refer\u00eancia dos EU, ouvir constantemente o governo cubano ser classificado como uma ditadura que fracassou perante o seu povo, influencia as nossas percep\u00e7\u00f5es.\n\nO mesmo acontece com entrevistas ou discuss\u00f5es com cubanos que imigraram para os Estados Unidos, a maioria dos quais s\u00e3o bastante cr\u00edticos do sistema cubano. Insto o leitor a estar aberto ao seguinte artigo, que apresenta um ponto de vista que est\u00e1 em desacordo com a dos m\u00eddia de refer\u00eancia acerca de Cuba. Esta positiva, mas n\u00e3o acr\u00edtica an\u00e1lise de Cuba \u00e9 baseada num estudo aprofundado de Cuba por mais de 35 anos, em duas visitas a Cuba no in\u00edcio dos anos 90, em ter vivido l\u00e1 por quatro meses em 2001, e na recente viagem que fiz com 23 alunos em Abril e Maio de 2004.\n\n<strong>Para entender a sociedade cubana, temos de situar a economia pol\u00edtica da Cuba atual, os seus sucessos e problemas reais, no contexto do seguinte:<\/strong>\n\n<strong>1. 400 anos de colonialismo espanhol<\/strong>\n\nEste come\u00e7ou com ataques genocidas contra o povo ind\u00edgena de Cuba, seguidos por uma economia organizada em torno das planta\u00e7\u00f5es de a\u00e7\u00facar, onde a maior parte da for\u00e7a de trabalho era constitu\u00edda por africanos escravizados e super-explorados. A escravatura terminou em 1886, mas o racismo extremo e a segrega\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica de negros continuou at\u00e9 1959.\n\n<strong>2. A domina\u00e7\u00e3o e agress\u00e3o dos EU<\/strong>\n\nDurante a guerra cubana de independ\u00eancia de 1895\u00ad-1898, os EU intervieram militarmente, alegando apoiar a independ\u00eancia de Cuba, mas depois dominando Cuba economicamente e politicamente at\u00e9 1959.\n\nComo uma condi\u00e7\u00e3o para os EU terminarem a sua ocupa\u00e7\u00e3o militar de Cuba, Cuba teve de assinar a Emenda Platt, que foi a base para o estabelecimento da base dos EU em Guant\u00e1namo, Cuba. Hoje em Guant\u00e1namo, prisioneiros de todo o mundo s\u00e3o mantidos indefinidamente sem direitos e sujeitos a tratamento brutal pelos militares dos EU. Al\u00e9m disso, as elites estadounidenses e cubanas dominaram Cuba de 1902 a 1959, com os EU enviando tropas e apoiando governos cubanos que eram favor\u00e1veis aos investidores dos EU e minando aqueles que o n\u00e3o eram.\n\n<strong>3. As alian\u00e7as de Cuba com a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e o Bloco de Leste<\/strong>\n\nEm 1961, dois anos ap\u00f3s a vit\u00f3ria da revolu\u00e7\u00e3o cubana, o presidente cubano Fidel Castro declarou o pa\u00eds socialista e orientou progressivamente a sua pol\u00edtica e economia em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica.\n\nA Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e os seus aliados pagavam um bom pre\u00e7o pelo a\u00e7\u00facar e vendiam a Cuba petr\u00f3leo a pre\u00e7os reduzidos. Tamb\u00e9m prolongaram muitos empr\u00e9stimos a Cuba. A economia cubana, incluindo a sua tecnologia e maquinaria, consumo de bens, importa\u00e7\u00f5es e exporta\u00e7\u00f5es e m\u00e9todos de planeamento econ\u00f3mico tornou\u00ad-se progressivamente integrada com a da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e seus aliados.\n\nIsto frequentemente significou utilizar tecnologia e usar produtos que estavam abaixo da qualidade dispon\u00edvel no Ocidente. Cuba diversificou a sua economia lentamente, continuando a depender das exporta\u00e7\u00f5es de a\u00e7\u00facar como a sua principal fonte de divisas estrangeiras.\n\nO sistema sovi\u00e9tico desabou em 1989 e, desde ent\u00e3o, Cuba teve muita dificuldade em manter os princ\u00edpios socialistas enquanto desenvolvia um modelo econ\u00f3mico diverso do inspirado no sovi\u00e9tico.\n\nA transi\u00e7\u00e3o para novas tecnologias foi dif\u00edcil e custosa. Cuba tentou, mas n\u00e3o foi bem sucedida em desenvolver uma economia que fosse tanto igualit\u00e1ria como tamb\u00e9m capaz de providenciar um crescente n\u00edvel de vida para o seu povo. O governo cubano chamou ao per\u00edodo desde 1989, o Per\u00edodo Especial.\n\n<strong>4. Capitalismo Global<\/strong>\n\nCuba \u00e9 parte de um sistema econ\u00f3mico global que est\u00e1 a aumentar a desigualdade dentro e entre pa\u00edses. Por exemplo, o pre\u00e7o do principal bem de exporta\u00e7\u00e3o cubano, o a\u00e7\u00facar, vende\u00ad-se a pre\u00e7os cada vez mais baixos relativamente aos pre\u00e7os das importa\u00e7\u00f5es de Cuba no mercado mundial, por exemplo, m\u00e1quinas, e bens de consumo dur\u00e1veis como frigor\u00edficos.\n\n<strong>5. O Bloqueio dos Estados Unidos<\/strong>\n\nDurante o per\u00edodo da alian\u00e7a de Cuba com a URSS, os EU alegaram que a hostilidade em rela\u00e7\u00e3o a Cuba era porque Cuba era uma extens\u00e3o da URSS nas Am\u00e9ricas. Contudo, reparem que a interven\u00e7\u00e3o dos EU se tornou ainda mais agressiva desde o colapso da URSS, o que nos deveria conduzir a questionar os motivos dos EU no passado assim como no presente. O embargo dos EU, que os cubanos chamam de bloqueio, porque limita o com\u00e9rcio cubano com outros pa\u00edses para al\u00e9m dos EU, significa que Cuba tem tido de pagar pre\u00e7os mais elevados por bens que importa no mercado mundial, como medicamentos e alimentos, e tem tido que manter um or\u00e7amento militar mais elevado do que manteria noutras circunst\u00e2ncias. O bloqueio tamb\u00e9m reduziu de forma significativa a capacidade de Cuba exportar, o que por sua vez significa que a sua capacidade para importar tamb\u00e9m foi reduzida.\n\nEste \u00e9 o contexto para entender Cuba atualmente. Assim, quando os dirigentes e acad\u00e9micos estado unidenses dizem que Cuba \u00e9 uma experi\u00eancia fracassada, economicamente e politicamente, ignoram este contexto.\n\nPara mim, os cinco pontos que tracei s\u00e3o os pontos de partida para entender Cuba, mas n\u00e3o s\u00e3o os pontos de chegada.\n\nA minha posi\u00e7\u00e3o \u00e9 de um apoio cr\u00edtico que examina o modelo cubano e as suas decis\u00f5es e pol\u00edtica. H\u00e1 alguns aspectos com os quais estou em desacordo.\n\n<strong>O PER\u00cdODO DOURADO DA REVOLU\u00c7\u00c3O CUBANA<\/strong>\n\nDos anos 60 ao fim dos anos 80, Cuba foi um dos pa\u00edses do mundo mais igualit\u00e1rios economicamente. Quase toda a produ\u00e7\u00e3o era possu\u00edda e organizada pelo estado. Havia cuidados de sa\u00fade gratuitos, acesso igualit\u00e1rio a educa\u00e7\u00e3o gratuita, e pleno emprego. Centenas de milhares de apartamentos foram constru\u00eddos em cidades cubanas frequentemente na forma de enormes complexos de apartamentos como Alamar em Havana. No campo, a eletrifica\u00e7\u00e3o, a canaliza\u00e7\u00e3o em casa, a \u00e1gua pot\u00e1vel e habita\u00e7\u00e3o b\u00e1sica foram providenciadas a todos os cubanos. A fome e a pobreza absoluta foram superadas.\n\nCuba n\u00e3o era uma utopia durante este per\u00edodo. Havia limitados e insuficientes bens de consumo, crescimento econ\u00f3mico lento com um aumento muito lento do n\u00edvel de vida; e um sistema paternalista onde o governo ouvia as pessoas e a administra\u00e7\u00e3o ouvia as queixas dos trabalhadores, mas as decis\u00f5es eram feitas no topo.\n\nHouve importantes e grandes ganhos para as mulheres no acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o superior e na entrada e avan\u00e7o em n\u00fameros significativos em muitas profiss\u00f5es, mas pouco mudou na divis\u00e3o sexual do trabalho no lar, pois as mulheres ainda faziam a maior parte do trabalho em casa.\n\nHouve impressionantes mudan\u00e7as no sentido de alcan\u00e7ar a igualdade racial, pois a discrimina\u00e7\u00e3o foi declarada ilegal e a propor\u00e7\u00e3o de cubanos negros na educa\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria e superior e em empregos de alto escal\u00e3o come\u00e7ou a aproximar\u00ad-se do seu n\u00famero na popula\u00e7\u00e3o, embora a lideran\u00e7a de topo na sociedade cubana ainda fosse desproporcionadamente branca e masculina. Os ganhos para as fam\u00edlias que eram pobres antes da revolu\u00e7\u00e3o cubana de 1959, particularmente nas \u00e1reas rurais, foram verdadeiramente impressionantes ? em educa\u00e7\u00e3o, rendimento, sa\u00fade, habita\u00e7\u00e3o, e em serem tratados com respeito e dignidade.\n\nCuba tinha\u00ad-se verdadeiramente tornado numa sociedade que tinha sido bem sucedida em mudar para melhor as vidas daqueles que historicamente tinham estado no fundo.\n\nIsto \u00e9 uma realiza\u00e7\u00e3o cujo significado n\u00e3o pode ser exagerado. No princ\u00edpio dos anos 80, num artigo no Wall Street Journal, o autor admitiu com relut\u00e2ncia que o n\u00edvel de vida dos trabalhadores em Cuba era o mais alto da Am\u00e9rica Latina, com a poss\u00edvel exce\u00e7\u00e3o de Porto Rico.\n\nCuba chamou\u00ad-se a si mesma socialista, querendo dizer que a maioria da produ\u00e7\u00e3o foi nacionalizada e estatizada, e que a produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o estava organizada para o lucro, mas antes planeada centralmente para corresponder \u00e0s necessidades econ\u00f3micas da popula\u00e7\u00e3o. Contudo, a popula\u00e7\u00e3o tinha um poder limitado na tomada das principais decis\u00f5es econ\u00f3micas e pol\u00edticas, por exemplo, sobre se desenvolver energia nuclear ou n\u00e3o.\n\nA participa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o ent\u00e3o e agora d\u00e1-se principalmente atrav\u00e9s das organiza\u00e7\u00f5es de massas, tais como os Comit\u00e9s de Defesa da Revolu\u00e7\u00e3o (CDR) com base nas comunidades, a Federa\u00e7\u00e3o das Mulheres Cubanas (FMC), e a Confedera\u00e7\u00e3o dos Trabalhadores Cubanos (CTC). \u00c9 atrav\u00e9s destas organiza\u00e7\u00f5es de massas, bem como atrav\u00e9s do Partido Comunista, cujo n\u00famero atual de membros atinge cerca de um milh\u00e3o, e cujos membros s\u00e3o na maior parte dos casos respeitados pelo povo cubano e est\u00e3o intimamente ligados \u00e0s popula\u00e7\u00f5es, que as pessoas podem expressar as suas necessidades. Em outras palavras, olhar para este sistema como totalmente de cima para baixo onde Fidel ordena e o povo obedece deturpa a realidade de um governo bastante conectado com os sentimentos populares. Por outro lado, um ponto de vista que assegura que o povo cubano e os seus representantes eleitos t\u00eam o poder \u00e9 tamb\u00e9m inexato.\n\n<strong>O per\u00edodo Especial<\/strong>\n\nCom o colapso da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e de v\u00e1rios acordos econ\u00f3micos e de com\u00e9rcio que Cuba tinha com o bloco sovi\u00e9tico, a produ\u00e7\u00e3o cubana caiu em mais de um ter\u00e7o de 1989 a 1993 e as importa\u00e7\u00f5es e exporta\u00e7\u00f5es cubanas foram reduzidas em mais de dois ter\u00e7os. No princ\u00edpio dos anos 90, havia a dissemina\u00e7\u00e3o de cegueira e outros problemas de sa\u00fade por causa de uma dieta insuficiente e de falta de vitaminas. A sobreviv\u00eancia da revolu\u00e7\u00e3o cubana estava em jogo. Cuba sobreviveu com um lento, mas significativo crescimento econ\u00f3mico e um crescente consumo de artigos de primeira necessidade durante os \u00faltimos 10 anos. No entanto, a maioria da popula\u00e7\u00e3o tem um n\u00edvel de vida mais baixo cerca de 25% mais baixo do que tinham a meio dos anos 80. Muitos cubanos, a n\u00e3o ser que tenham alguma maneira de ganhar ou receber d\u00f3lares, vivem na pobreza, se bem que n\u00e3o passem fome ou estejam sem abrigo.\n\nMuitos pa\u00edses no terceiro mundo ou no sul globalizado tiveram de ajustar estruturalmente as suas economias desde o in\u00edcio dos anos 80 por causa de problemas nas suas balan\u00e7as de pagamentos, o que quer dizer que importavam mais do que exportavam, e assim tiveram de fazer acordos com credores estrangeiros como o Fundo Monet\u00e1rio Internacional em ordem a obter os empr\u00e9stimos para pagar a d\u00edvida externa que estavam a acumular.\n\nOs planos de ajustamento estrutural resultantes aumentaram a desigualdade econ\u00f3mica e reduziram os gastos sociais \u00e0 medida que os pa\u00edses foram for\u00e7ados a reduzir os gastos governamentais e o emprego p\u00fablico e a abrir o seu pa\u00eds a investidores estrangeiros.\n\nO ajustamento estrutural de Cuba desde 1989 foi diferente, embora tamb\u00e9m eles tivessem uma grande d\u00edvida externa e lutassem para reduzir o desequil\u00edbrio entre importa\u00e7\u00f5es altas e exporta\u00e7\u00f5es baixas.\n\nPara seu cr\u00e9dito, o estado cubano manteve os servi\u00e7os sociais b\u00e1sicos ? cuidados m\u00e9dicos e dent\u00e1rios gratuitos e dispon\u00edveis, educa\u00e7\u00e3o gratuita at\u00e9 e incluindo o n\u00edvel universit\u00e1rio, e ra\u00e7\u00f5es alimentares para a popula\u00e7\u00e3o a pre\u00e7os baixos e acess\u00edveis, se bem que n\u00e3o na quantidade e variedade que os cubanos precisam e desejam. A habita\u00e7\u00e3o e as contas dos servi\u00e7os s\u00e3o acess\u00edveis, embora a habita\u00e7\u00e3o seja frequentemente muito lotada e muitas pessoas n\u00e3o tenham telefone. A mortalidade infantil continuou a descer a esperan\u00e7a de vida continuou a aumentar. A mortalidade infantil, a esperan\u00e7a de vida e a sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o s\u00e3o as melhores da Am\u00e9rica Latina e est\u00e3o pr\u00f3ximas das dos Estados Unidos.\n\nCom a excep\u00e7\u00e3o da agricultura, a maioria da produ\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda organizada pelo estado cubano. Embora j\u00e1 n\u00e3o exista pleno emprego, os empregos s\u00e3o mais f\u00e1ceis de obter e de manter em compara\u00e7\u00e3o com outros pa\u00edses nas Am\u00e9ricas. A maioria dos jovens consegue encontrar empregos, se bem que os sal\u00e1rios para a maioria dos empregos sejam muito baixos. Os desempregados, bem como os pais das crian\u00e7as com menos de um ano recebem 60 a 70% dos rendimentos do seu \u00faltimo emprego, e aos pais \u00e9 garantido o retorno ao seu emprego quando voltam ao trabalho. A assist\u00eancia infantil est\u00e1 dispon\u00edvel e \u00e9 acess\u00edvel.\n\n<strong>MUDAN\u00c7AS NA ECONOMIA CUBANA<\/strong>\n\nAs principais mudan\u00e7as que Cuba realizou desde 1989 conduziram a algumas melhorias no n\u00edvel de vida, mas criaram um novo conjunto de problemas sociais.\n\n<strong>As principais mudan\u00e7as s\u00e3o as seguintes:<\/strong>\n\n<strong>1. A legaliza\u00e7\u00e3o e generaliza\u00e7\u00e3o do uso do d\u00f3lar dentro de Cuba<\/strong>\n\nDesde 1993, tanto o d\u00f3lar como o peso cubano s\u00e3o usados como moeda. Muitos bens em Cuba, sobretudo produtos de luxo e importados est\u00e3o apre\u00e7ados em d\u00f3lares ou, se em pesos, os seus pre\u00e7os s\u00e3o muito altos para os cubanos porque s\u00e3o convertidos de d\u00f3lares para pesos \u00e0 taxa de 25 pesos por d\u00f3lar. Por exemplo, a galinha vende\u00ad-se a cerca de US$1 ou 25 pesos.\n\nPor causa dos pre\u00e7os altos destes bens e servi\u00e7os em rela\u00e7\u00e3o com os sal\u00e1rios, isto torna estes produtos inacess\u00edveis aos cubanos que n\u00e3o recebem d\u00f3lares. O sal\u00e1rio m\u00e9dio em Cuba \u00e9 250 pesos por m\u00eas.\n\nIsto vale muito mais do que dez d\u00f3lares em termos de poder de compra, que \u00e9 para o que podem ser convertidos 250 pesos \u00e0 taxa de convers\u00e3o de cerca de 25 pesos por d\u00f3lar.\n\nAo calcular o poder de compra dos sal\u00e1rios cubanos, devemos ter em considera\u00e7\u00e3o que a sa\u00fade e a educa\u00e7\u00e3o s\u00e3o gratuitas; e que os pre\u00e7os s\u00e3o baixos, mesmo em pesos, para alimentos comprados com o cart\u00e3o de racionamento. Para outros bens e servi\u00e7os, um peso \u00e9 grosso modo equivalente em valor a um d\u00f3lar, por exemplo, cinema ou transporte de autocarro. Por outro lado, para muitas importa\u00e7\u00f5es, por exemplo, um par de jeans, o pre\u00e7o \u00e9 $20 ou 500 pesos., o dobro do sal\u00e1rio m\u00e9dio mensal; e o pre\u00e7o de \u00f3leo de cozinha \u00e9 $2 ou 50 pesos por um litro.\n\nDada a falta de produtos dispon\u00edveis a pre\u00e7os acess\u00edveis, a vida \u00e9 muito dif\u00edcil para um sal\u00e1rio em pesos.\n\nTanto a economia cubana como as fam\u00edlias cubanas est\u00e3o dependentes de remessas, que \u00e9 dinheiro enviado por parentes \u00e0s suas fam\u00edlias em Cuba. Isto fornece divisas estrangeiras ao governo cubano, pois muito deste dinheiro \u00e9 gasto em bens e servi\u00e7os cubanos, e o estado cubano e as empresas cubanas usam depois estes d\u00f3lares que recebem para comprar bens importados necess\u00e1rios.\n\nTamb\u00e9m fornece poder de compra \u00e0s 40 a 50% das fam\u00edlias cubanas que recebem direta ou indiretamente estas remessas. George W. Bush, num crescente esfor\u00e7o para destruir a economia cubana em ordem a causar uma revolta, anunciou em 6 de Maio de 2004 restri\u00e7\u00f5es adicionais ao envio de remessas e presentes aos parentes cubanos.\n\nAdemais, alguns cubanos em empresas do governo ganham d\u00f3lares. Desde 1993, alguns trabalhos altamente especializados considerados essenciais pagam um incentivo em d\u00f3lares al\u00e9m do sal\u00e1rio em pesos.\n\nUm amigo nosso que \u00e9 engenheiro obt\u00e9m $11 por m\u00eas al\u00e9m do seu sal\u00e1rio mensal de 350 pesos.\n\n<strong>2. Turismo<\/strong>\n\nCerca de dois milh\u00f5es de turistas visitam agora Cuba anualmente, principalmente da Europa ocidental, do Canad\u00e1 e do M\u00e9xico.\n\nO governo dos EU n\u00e3o s\u00f3 est\u00e1 a levantar restri\u00e7\u00f5es adicionais ao turismo dos EU como est\u00e1 a tentar limitar o turismo para Cuba de outros pa\u00edses.\n\nO turismo \u00e9 a principal fonte de divisas estrangeiras e Cuba est\u00e1 a produzir cada vez mais do que os turistas consomem.\n\nDois ter\u00e7os de cada d\u00f3lar do turismo s\u00e3o agora gastos em bens e servi\u00e7os produzidos em Cuba e assim criam divisas estrangeiras que podem ser usadas em bens importados para o povo cubano.\n\nO turismo \u00e9 uma ben\u00e7\u00e3o mista. Cria divisas estrangeiras, mas tamb\u00e9m aumenta o desejo da popula\u00e7\u00e3o cubana por um n\u00edvel de vida do primeiro mundo. Refor\u00e7a o sexismo, pois jovens mulheres cubanas frequentemente se prostituem para estrangeiros. O turismo tamb\u00e9m promove a desigualdade racial, pois os cubanos negros est\u00e3o insuficientemente representados no setor do turismo, tanto em empresas de posse cubana como em empresas mistas, querendo isto dizer posse mista cubana e estrangeira. O governo e os sindicatos reconheceram este problema, mas ele continua.\n\nMuito do rendimento gerado do turismo beneficia de fato a popula\u00e7\u00e3o em geral, pois acaba por chegar ao governo e a bancos do governo. \u00c9 ent\u00e3o usado para comprar bens importados necess\u00e1rios ? medicamentos, autocarros, petr\u00f3leo, m\u00e1quinas, mesmo produtos agr\u00edcolas dos Estados Unidos. Por outro lado, muitos cubanos que trabalham no setor do turismo obt\u00eam muito do seu rendimento em d\u00f3lares, principalmente de gorjetas, o que distorce grandemente os incentivos em Cuba. M\u00e9dicos altamente especializados, engenheiros e especialistas em l\u00ednguas estrangeiras frequentemente n\u00e3o usam a sua educa\u00e7\u00e3o e especializa\u00e7\u00e3o, mas em vez disso trabalham como empregadas de mesa, condutores de taxi, porteiros de hotel, e trabalhadores da limpeza porque podem ganhar muito mais no setor do turismo.\n\nA ind\u00fastria do turismo e as supracitadas remessas tamb\u00e9m contribuem para uma crescente desigualdade de rendimentos em Cuba entre aqueles que obt\u00eam d\u00f3lares e aqueles que os n\u00e3o obt\u00eam. Cuba, ao mesmo tempo que \u00e9 de longe mais igualit\u00e1ria do que o resto das Am\u00e9ricas, incluindo os Estados Unidos, \u00e9 muito menos igualit\u00e1ria do que era h\u00e1 20 anos e isto \u00e9 uma fonte de descontentamento.\n\nMuito do turismo \u00e9 do tipo praia e sol.\n\n<strong>Outras formas de turismo s\u00e3o menos destrutivas dos valores socialistas e est\u00e3o a ser promovidas<\/strong>: turismo ecol\u00f3gico; turismo cultural (turistas que v\u00e3o para aprender sobre a hist\u00f3ria, a cultura e a revolu\u00e7\u00e3o de Cuba); turismo m\u00e9dico (visitantes que v\u00eam a Cuba para cuidados m\u00e9dicos); e turismo educativo, como o dos milhares de estudantes venezuelanos que estudam em Cuba e n\u00f3s mesmos.\n\n<strong>3. Investimento Estrangeiro<\/strong>\n\nCuba permite e encoraja a posse de 50% por companhias estrangeiras em v\u00e1rias ind\u00fastrias, por exemplo, hot\u00e9is, explora\u00e7\u00e3o mineira de n\u00edquel e biotecnologia.\n\nEsta \u00e9 uma tentativa para trazer capital estrangeiro e tornar\u00ad-se mais integrada na economia global e obter tecnologia atualizada para substituir a obsoleta tecnologia sovi\u00e9tica.\n\nA esperan\u00e7a \u00e9 que isto possa ser feito sem ser dominada por e tornar\u00ad-se totalmente dependente de corpora\u00e7\u00f5es multinacionais. Muitos contratos incluem partilha de tecnologia e ensino de t\u00e9cnicas.\n\nTalvez muito importante seja a explora\u00e7\u00e3o petrol\u00edfera ao largo que est\u00e1 em curso. Cuba importa presentemente metade do seu petr\u00f3leo e todo o petr\u00f3leo necess\u00e1rio para necessidades de transporte.\n\nEncontrar petr\u00f3leo cubano de baixo enxofre fortaleceria substancialmente a economia cubana; tornaria mais f\u00e1cil para Cuba importar outros bens e reduzir o seu cont\u00ednuo desequil\u00edbrio no com\u00e9rcio externo.\n\n<strong>4. Agricultura<\/strong>\n\nNa agricultura, Cuba afastou\u00ad-se das propriedades estatais e do planeamento central da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola. Tem havido um constante crescimento da posse privada das propriedades, e da posse cooperativa da terra.\n\nT\u00e9cnicas de agricultura org\u00e2nica s\u00e3o cada vez mais usadas, e tem havido um grande crescimento em jardins urbanos.\n\nMercados de agricultores de gest\u00e3o privada desempenham um importante papel no abastecimento de alimentos. Neles, os agricultores vendem produtos agr\u00edcolas, acima do que s\u00e3o obrigados a vender ao estado, a pre\u00e7os de mercado. Estas reformas aumentaram significativamente a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola durante os \u00faltimos 12 anos, particularmente a produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica de frutos e vegetais.\n\nO consumo de alimentos aumentou significativamente, embora a carne, com a exce\u00e7\u00e3o do porco, seja ainda escassa e cara. Contudo, estas reformas tamb\u00e9m criaram um grupo de cubanos com alto rendimento que vendem produtos agr\u00edcolas nos mercados de agricultores a pre\u00e7os que s\u00e3o altos para aqueles cubanos que n\u00e3o t\u00eam acesso aos d\u00f3lares.\n\n<strong>5. Novas ind\u00fastrias<\/strong>\n\nCuba tem uma for\u00e7a de trabalho educada e especializada. H\u00e1 investiga\u00e7\u00e3o significativa e recursos de desenvolvimento investidos em ind\u00fastrias estatais, tais como instrumentos m\u00e9dicos, e o desenvolvimento e a produ\u00e7\u00e3o de medicamentos para a SIDA, para curar o cancro, a hepatite, a mal\u00e1ria e outras doen\u00e7as. Isto \u00e9 parte do que os cubanos chamam biotecnologia.\n\nCuba espera vender estes produtos globalmente, embora as exporta\u00e7\u00f5es neste setor estejam a crescer muito mais devagar do que os planejadores cubanos projetaram.\n\nA esperan\u00e7a continuada \u00e9 que esta ind\u00fastria possa ser globalmente competitiva, pagar um sal\u00e1rio toler\u00e1vel e trazer divisas estrangeiras substanciais.\n\nN\u00e3o \u00e9 surpreendente que os EU estejam a tentar evitar estas vendas pressionando outras na\u00e7\u00f5es a n\u00e3o comprar bens cubanos, mas h\u00e1 interesse em desenvolver e comercializar estes produtos, mesmo de firmas dos EU.\n\n<strong>Avalia\u00e7\u00e3o global<\/strong>\n\nA sobreviv\u00eancia de Cuba face \u00e0 tentativa dos EU de destruir a revolu\u00e7\u00e3o cubana \u00e9 um grande feito, assim como o \u00e9 Cuba continuar a satisfazer as necessidades b\u00e1sicas da sua popula\u00e7\u00e3o. Por exemplo, cada pessoa em Cuba tem cuidados dent\u00e1rios e oftalmol\u00f3gicos gratuitos. Cada pessoa em Cuba com SIDA obt\u00e9m medicamentos retrovirais de alta qualidade gratuitos.\n\nA nossa responsabilidade como habitantes dos EU \u00e9 parar o criminoso embargo\/bloqueio contra Cuba que est\u00e1 a ser empreendido pelo governo dos EU em nosso nome. Durante 45 anos, as pessoas no poder nos Estados Unidos n\u00e3o quiseram aceitar uma Cuba soberana e independente. Essa \u00e9 a principal raz\u00e3o por detr\u00e1s das a\u00e7\u00f5es ilegais e imorais dos EU contra Cuba no passado e no presente; temos a responsabilidade de mudar a pol\u00edtica dos EU. Durante as nossas seis semanas em Cuba, todos fic\u00e1mos impressionados com o bem que fomos tratados e recebidos pelo povo e pelo governo cubanos que consideram as pessoas dos EU, mas n\u00e3o o governo dos EU como seus amigos.\n\nCabe\u00ad-nos a n\u00f3s tornar a diferen\u00e7a entre as pessoas dos EU e o nosso governo maior, para tornar a agress\u00e3o do nosso governo contra Cuba t\u00e3o impopular nos Estados Unidos que seja for\u00e7ado a aceitar a soberania de Cuba.\n\nSe as pessoas nos Estados Unidos forem bem sucedidas em levar o nosso governo a p\u00f4r fim ao bloqueio, o turismo dos EU para Cuba crescer\u00e1 exponencialmente. Isto causar\u00e1 novos problemas em Cuba, como por exemplo um crescente desejo por um n\u00edvel de vida do primeiro mundo, mas cabe aos cubanos que unanimemente querem o fim do bloqueio lidar com isso.\n\nEntretanto, enquanto trabalhamos para p\u00f4r fim ao bloqueio, temos o direito de humildemente criticar o sistema cubano, embora o governo dos EU n\u00e3o tenha tal direito dadas as suas pol\u00edticas passadas e presentes.\n\nCuba \u00e9 como qualquer pa\u00eds do mundo; merece apoio cr\u00edtico das pessoas dos EU, mas h\u00e1 problemas reais.\n\nCuba n\u00e3o desenvolveu uma estrat\u00e9gia vi\u00e1vel para simultaneamente atingir a igualdade econ\u00f3mica e social, o poder popular e uma qualidade de vida progressiva.\n\nOs principais esfor\u00e7os do governo cubano t\u00eam sido sobreviver, manter os servi\u00e7os b\u00e1sicos e aumentar a produ\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica. Alcan\u00e7aram os dois primeiros destes objetivos, mas n\u00e3o desenvolveram at\u00e9 agora uma estrat\u00e9gia para um desenvolvimento econ\u00f3mico sustent\u00e1vel. O crescimento econ\u00f3mico \u00e9 necess\u00e1rio; caso contr\u00e1rio, aumentos em servi\u00e7os necess\u00e1rios tais como transportes p\u00fablicos chegam \u00e0 custa de outros bens e servi\u00e7os necess\u00e1rios. Possivelmente, aumentar a participa\u00e7\u00e3o e o poder dos trabalhadores nos locais de trabalho poderia levar a uma maior produtividade e produ\u00e7\u00e3o.\n\nA desigualdade de rendimentos est\u00e1 a piorar ainda mais. A desigualdade de rendimentos poderia melhorar ao aumentar os tipos e quantidades de bens dispon\u00edveis a pre\u00e7os subsidiados nos cart\u00f5es de racionamento, e\/ou passando a uma \u00fanica moeda e a um \u00fanico sistema de pre\u00e7os e aumentando substancialmente os sal\u00e1rios daqueles que s\u00e3o pagos em pesos. Contudo, a n\u00e3o ser que a produ\u00e7\u00e3o seja aumentada substancialmente e os altos rendimentos sejam taxados mais pesadamente do que agora, estas reformas causar\u00e3o enormes press\u00f5es inflacion\u00e1rias \u00e0 medida que aumente a procura; e crescentes problemas na balan\u00e7a de pagamentos \u00e0 medida que as importa\u00e7\u00f5es aumentem.\n\nA sociedade cubana n\u00e3o \u00e9 a ditadura que ouvimos c\u00e1 falar nos m\u00eddia; as pessoas falam abertamente e criticam de fato, e n\u00e3o h\u00e1 tortura ou desaparecimento de dissidentes. H\u00e1 alguma supress\u00e3o da oposi\u00e7\u00e3o organizada.\n\nEsta repress\u00e3o \u00e9 por causa do medo e da realidade do empenhamento dos EU em derrubar a revolu\u00e7\u00e3o cubana e fazer voltar Cuba a um estatuto neocolonial.\n\nPrecisamos de entender o contexto do comportamento do governo cubano sem necessariamente o apoiarmos. O governo dos EU apoia de fato muita da oposi\u00e7\u00e3o em Cuba, por exemplo, os 75 dissidentes cubanos que foram detidos e encarcerados em 2003. Se Cuba abertamente financiasse a oposi\u00e7\u00e3o ao capitalismo nos EU, ou interviesse nas elei\u00e7\u00f5es dos EU, pensem em como as pessoas nos EU recebendo dinheiro do governo cubano seriam tratadas. Al\u00e9m disso, os EU s\u00e3o uma clara amea\u00e7a para Cuba; Cuba n\u00e3o o \u00e9 para os Estados Unidos, o que significa que os temores e a\u00e7\u00f5es cubanos s\u00e3o mais justific\u00e1veis do que as a\u00e7\u00f5es dos Estados Unidos seriam.\n\nSeja como for, h\u00e1 apenas um papel limitado para o controlo dos trabalhadores nas empresas cubanas, e os m\u00eddia de propriedade estatal s\u00e3o limitados nas suas cr\u00edticas ao governo.\n\nPorque a vida di\u00e1ria \u00e9 dif\u00edcil e consumidora de tempo em Cuba, a participa\u00e7\u00e3o e o ativismo na vida p\u00fablica declinaram. O cinismo e a insatisfa\u00e7\u00e3o aumentaram, particularmente entre os jovens.\n\nO Per\u00edodo Especial foi particularmente duro para as mulheres, pois uma das consequ\u00eancias foi que a manuten\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia e das responsabilidades familiares levam mais tempo, por exemplo por causa do decl\u00ednio dos transportes p\u00fablicos, e h\u00e1 menos rendimento dispon\u00edvel. O fardo deste aperto de tempo e dinheiro caiu principalmente sobre as mulheres, por isso t\u00eam menos tempo que antes para a participa\u00e7\u00e3o no local de trabalho, na comunidade e na federa\u00e7\u00e3o das mulheres.\n\nContudo, a revolu\u00e7\u00e3o cubana, o conceito de socialismo e Fidel Castro e o Partido Comunista s\u00e3o vistos como leg\u00edtimos pela maioria da popula\u00e7\u00e3o, e a esmagadora maioria lutaria em apoio da revolu\u00e7\u00e3o se os EU invadissem. Durante a nossa viagem, ouvimos de muitos cubanos diferentes que eles e a revolu\u00e7\u00e3o perseverar\u00e3o, mesmo com o mais recente aumento de restri\u00e7\u00f5es do bloqueio em Maio de 2004. Isto inclui a redu\u00e7\u00e3o de possibilidades de viagem dos EU para Cuba com prop\u00f3sitos educacionais, bem como de cubano\u00ad-americanos, o aumento do financiamento pelo governo dos EU de grupos que est\u00e3o a tentar ativamente derrubar o governo cubano e de propaganda anti\u00ad-cubana, e outras medidas destinadas a isolar Cuba e a causar dano \u00e0 economia cubana ao reduzir o seu acesso a divisas estrangeiras.\n\n<strong>Revolu\u00e7\u00e3o Cubana &#8211; II Grande Guerra<\/strong>\n\nAp\u00f3s a II Grande Guerra, a prosperidade e a democracia estadunidenses contrastam com a pobreza da popula\u00e7\u00e3o da ilha e com o regime ditatorial patrocinado pelos EUA. 75% das terras, 90% dos servi\u00e7os e 40% da produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar pertencem a empresas estadounidenses.\n\nEm 26 de julho de 1953 um grupo formado pelo advogado Fidel Castro tenta iniciar uma insurrei\u00e7\u00e3o com o apoio de setores do Ex\u00e9rcito cubano.\n\nFracassa no assalto ao quartel Moncada, em Santiago. Fidel \u00e9 julgado e anistiado, indo exilar-se no M\u00e9xico em 1954, onde funda o Movimento 26 de Julho e organiza um destacamento guerrilheiro que desembarca na prov\u00edncia de Oriente em dezembro de 1956.\n\nSeu objetivo \u00e9 alcan\u00e7ar Sierra Maestra e instalar uma base guerrilheira de onde possa expandir a luta para todo o pa\u00eds.\n\n<strong>Revolu\u00e7\u00e3o<\/strong>\n\nIniciada em 1956, a partir da base em Sierra Maestra, conquista apoio nas cidades e em outras regi\u00f5es rurais. Seus objetivos declarados s\u00e3o o fim do regime ditatorial e a justi\u00e7a social.\n\nOs guerrilheiros de Fidel Castro tomam Havana em 1\u00ba de janeiro de 1959 e instauram um governo revolucion\u00e1rio. O novo governo decreta a reforma agr\u00e1ria, nacionaliza as empresas americanas e promove o julgamento p\u00fablico de colaboradores do antigo regime ditatorial. Os condenados como criminosos pol\u00edticos s\u00e3o fuzilados.\n\nOs EUA reagem com hostilidade diante da nacionaliza\u00e7\u00e3o de empresas americanas, da reforma agr\u00e1ria e do fuzilamento de antigos colaboradores. Em 1960, reduzem a quota de importa\u00e7\u00e3o cubano e, em 1961, decretam o bloqueio comercial, rompem rela\u00e7\u00f5es com Havana e patrocinam o desembarque de rebeldes anticastristas na ba\u00eda dos Porcos. Em 1962, com a descoberta da instala\u00e7\u00e3o de m\u00edsseis sovi\u00e9ticos em Cuba, os EUA amea\u00e7am com um ataque nuclear e abordam navios sovi\u00e9ticos no Caribe para inspe\u00e7\u00e3o. A URSS recua e decide retirar os m\u00edsseis.\n\nO alinhamento com o Kremlin come\u00e7a com a unifica\u00e7\u00e3o do Movimento 26 de Julho com o Partido Popular Progressista (comunista), em 1960.\n\nA Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e outros pa\u00edses da Europa Oriental ocupam o lugar dos Estados Unidos como principais parceiros comerciais.\n\nO bloqueio econ\u00f4mico e as press\u00f5es americanas pela realiza\u00e7\u00e3o de elei\u00e7\u00f5es estimulam o regime cubano a estatizar a economia, organizar Comit\u00eas de Defesa da Revolu\u00e7\u00e3o e adotar oficialmente o comunismo.\n\nA partir de 1966, Cuba transforma-se em centro de apoio a revolucion\u00e1rios na Am\u00e9rica Latina e outras \u00e1reas do Terceiro Mundo. Che Guevara, um dos principais dirigentes da Revolu\u00e7\u00e3o Cubana, comanda guerrilheiros no Congo e na Bol\u00edvia, onde \u00e9 morto em 1967.\n\n<strong>Fonte:<\/strong>\u00a0geocities.com\/infoalternativa.fateback.com\/lupiglauco.vilabol.uol.com.br\/www.sr-cio.org\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Revolu\u00e7\u00e3o Cubana, L\u00edder, Movimento, Hist\u00f3ria, Cuba, Fidel Castro, Governo, Pol\u00edtica, Per\u00edodo, Economia, Ditadura, Pa\u00eds, Revolu\u00e7\u00e3o Cubana<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":17259,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[57],"tags":[],"class_list":["post-17258","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia-geral"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Revolu\u00e7\u00e3o Cubana - 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