{"id":16996,"date":"2016-01-07T00:00:00","date_gmt":"2016-01-07T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/inquisicao-em-portugal\/"},"modified":"2026-08-31T23:42:02","modified_gmt":"2026-08-31T23:42:02","slug":"inquisicao-em-portugal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-geral\/inquisicao-em-portugal\/","title":{"rendered":"Inquisi\u00e7\u00e3o em Portugal"},"content":{"rendered":"\n<strong>Inquisi\u00e7\u00e3o em Portugal &#8211; O que foi<\/strong>\n\nA\u00a0<strong>Inquisi\u00e7\u00e3o Portuguesa<\/strong>\u00a0come\u00e7ou formalmente em Portugal em 1536, a pedido do rei de Portugal, D. Jo\u00e3o III.\n\nManuel I tinha pedido o Papa Le\u00e3o X para a instala\u00e7\u00e3o da\u00a0<strong>Inquisi\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0em 1515, mas s\u00f3 depois de sua morte (1521) fez o Papa Paulo III aquiescer.\n\nNo entanto, muitos lugar o in\u00edcio real da\u00a0<strong>Inquisi\u00e7\u00e3o Portuguesa<\/strong>\u00a0durante o ano de 1497, quando as autoridades expulsaram muitos judeus de Portugal e outros convertidos \u00e0 for\u00e7a ao catolicismo.\n\nO principal alvo da\u00a0<strong>Inquisi\u00e7\u00e3o Portuguesa<\/strong>\u00a0foram principalmente os judeus sefarditas que tinham sido expulsos da Espanha em 1492; depois de 1492 muitos desses judeus espanh\u00f3is deixou a Espanha para Portugal, mas acabaram sendo alvejado l\u00e1 tamb\u00e9m.\n\nA\u00a0<strong>Inquisi\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0veio sob a autoridade do rei. Na sua cabe\u00e7a, havia um Grande Inquisidor, ou Inquisidor Geral, nomeado pelo Papa, mas selecionada pela Coroa, e sempre de dentro da fam\u00edlia real. O Grande Inquisidor, mais tarde, nomear outros inquisidores. Em Portugal, o primeiro Grande Inquisidor foi o Cardeal Henry, que mais tarde se tornaria o Rei. Havia Tribunais da Inquisi\u00e7\u00e3o em Lisboa, Porto, Coimbra e \u00c9vora.\n\nA\u00a0<strong>Inquisi\u00e7\u00e3o Portuguesa<\/strong>\u00a0realizou a sua primeira auto da f\u00e9 em Portugal em 1540.\n\nEle concentrou seus esfor\u00e7os em arrancar convertidos de outras religi\u00f5es (Juda\u00edsmo esmagadoramente) que n\u00e3o aderiram \u00e0s restri\u00e7\u00f5es da ortodoxia cat\u00f3lica; os inquisidores portugueses como foco principal os judeus \u201ccrist\u00e3os-novos\u201d, conversos, ou marranos.\n\nA\u00a0<strong>Inquisi\u00e7\u00e3o Portuguesa<\/strong>\u00a0expandiu o seu \u00e2mbito de opera\u00e7\u00f5es de Portugal para possess\u00f5es coloniais portuguesas, incluindo o Brasil, Cabo Verde, e Goa, onde continuou como um tribunal religioso, investigando e tentando casos de viola\u00e7\u00e3o dos princ\u00edpios do catolicismo romano ortodoxo at\u00e9 1821.\n\nD. Jo\u00e3o III (reinou de 1521-1557), tornou a atividade dos tribunais para cobrir livro-censura, adivinha\u00e7\u00e3o, feiti\u00e7aria e bigamia. Livro-censura provou ter uma forte influ\u00eancia na evolu\u00e7\u00e3o cultural Portuguesa, mantendo o pa\u00eds desinformado e culturalmente para tr\u00e1s.\n\n<strong>Originalmente orientada para uma a\u00e7\u00e3o religiosa, a Inquisi\u00e7\u00e3o teve influ\u00eancia em quase todos os aspectos da sociedade Portuguesa:<\/strong>\u00a0pol\u00edtica, cultural e socialmente.\n\nO Goa Inquisi\u00e7\u00e3o, outra inquisi\u00e7\u00e3o repleto de anti-semitismo e anti-hindu\u00edsmo e que em sua maioria judeus e hindus alvo, come\u00e7ou em Goa em 1560. Aleixo Dias Falc\u00e3o e Francisco Marques configur\u00e1-lo no pal\u00e1cio do Sabaio Adil Khan.\n\nDe acordo com Henry Charles Lea entre 1540 e 1794 tribunais em Lisboa, Porto, Coimbra e \u00c9vora resultou na queima de 1.175 pessoas, a queima de um outro 633 em ef\u00edgie, e o penancing de 29.590.\n\nMas a documenta\u00e7\u00e3o de quinze dos 689 Autos-da-f\u00e9 desapareceu, de forma que estes n\u00fameros podem subestimar um pouco a atividade.\n\nO \u201cGerais Extraordin\u00e1rias e Constituintes da Na\u00e7\u00e3o dos Tribunais Portugueses\u201d aboliu a inquisi\u00e7\u00e3o Portuguesa em 1821.\n\n<strong>Inquisi\u00e7\u00e3o em Portugal &#8211; Hist\u00f3ria<\/strong>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-158478 aligncenter\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Inquis4-300x175.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"175\" \/><strong>Inquisi\u00e7\u00e3o em Portugal<\/strong><\/p>\nNa Idade M\u00e9dia inexistiu Inquisi\u00e7\u00e3o em terras lusitanas, inclusive porque, em 1170, D. Afonso Henriques outorgou aos mouros uma \u201cCarta de Fidelidade e Seguran\u00e7a\u201d, na qual lhes eram asseguradas a liberdade e a incolumidade f\u00edsica, bem como o direito de viverem em \u201cmourarias\u201d, com justi\u00e7a pr\u00f3pria (sob a \u00e9gide do Alcor\u00e3o) e governo aut\u00f4nomo, chefiado por um \u201cAlcaide\u201d.\n\nAl\u00e9m disso, os judeus gozavam de direitos id\u00eanticos nas \u201cjudiarias\u201d, com seus \u201carrabis\u201d, magistrados que julgavam causas c\u00edveis e criminais com base no Talmud.\n\nA influ\u00eancia da Igreja foi tanta em Portugal que, em 1211, o rei D. Afonso I mandou observar mais as normas can\u00f4nicas do que o direito comum, devendo as primeiras prevalecer, em caso de d\u00favida, sobre o \u00faltimo.\n\nExplica-se tal influ\u00eancia, entre outros fatores, pelo fato de que Portugal nascera como pa\u00eds suserano, vassalo da Santa S\u00e9, quando de sua liberta\u00e7\u00e3o da Espanha, no s\u00e9c. XII.\n\nNas Ordena\u00e7\u00f5es Afonsinas, que consolidaram o direito preexistente e foram promulgadas por D. Afonso V em 1446, fixava-se a pena de excomunh\u00e3o para qualquer ato de agress\u00e3o contra judeus.\n\nEm 1492, por decreto dos \u201creyes catolicos\u201d, os judeus foram expulsos da Espanha, refugiando-se em massa no vizinho Portugal. H\u00e1 men\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas ao fato de que, em 1497, cerca de um d\u00e9cimo de toda a popula\u00e7\u00e3o portuguesa era constitu\u00eddo de judeus.\n\nO rei D. Manuel I, no final do s\u00e9c. XV, prop\u00f4s casamento \u00e0 Princesa Isabel, primog\u00eanita dos reis cat\u00f3licos, que aceitaram a proposta com a condi\u00e7\u00e3o de que Portugal expulsasse todos os judeus que haviam sido condenados pela Inquisi\u00e7\u00e3o espanhola.\n\nEm 1496, D. Manuel publicou o \u00e9dito de expuls\u00e3o, mas, diante de revoltas, resist\u00eancias, s\u00faplicas e tamb\u00e9m do receio de serem expatriados capitais necess\u00e1rios \u00e0 expans\u00e3o do colonialismo luso, acabou permitindo a perman\u00eancia dos judeus que concordassem em se batizar.\n\nSurgiram, ent\u00e3o, os \u201ccrist\u00e3os-novos\u201d, que raramente haviam sido convertidos efetivamente ao cristianismo, ostentando nomes de fachada, muitas vezes tomados de empr\u00e9stimo de seus padrinhos, como Nogueira, Pereira, Oliveira etc.\n\nNo entanto, o \u00eaxodo de judeus, com seus capitais, foi grande, a ponto de, em 1499, ser proibida a sa\u00edda deles de Portugal.\n\nEm 1506, em Lisboa, houve enorme massacre de judeus pelo povo, que os via como inimigos renitentes, deicidas, onzen\u00e1rios e exploradores.\n\nOs conflitos entre crist\u00e3os e judeus atingiu ponto crucial, e, ainda por cima, come\u00e7ou a penetrar o luteranismo em Portugal.\n\nEm 1531, o papa Clemente VII atendeu aos apelos do rei D. Jo\u00e3o III e nomeou um Inquisidor-Mor para Portugal.\n\nEm 1536 foi autorizada a instala\u00e7\u00e3o de um Tribunal do Santo Of\u00edcio em Lisboa, com tr\u00eas inquisidores nomeados pelo Papa e um pelo rei. Nasceu, ent\u00e3o, a Inquisi\u00e7\u00e3o portuguesa.\n\nD. Jo\u00e3o III, insatisfeito por n\u00e3o ter o controle da Inquisi\u00e7\u00e3o, afrontou o papa, em 1539, nomeando seu pr\u00f3prio irm\u00e3o, D. Henrique, no posto de inquisidor-mor.\n\nO papa Paulo III, a princ\u00edpio, repeliu a nomea\u00e7\u00e3o, mas, diante de amea\u00e7as de sisma, acabou com ela concordando, sob promessas de comedimento nos procedimentos inquisitoriais, cujos abusos lhe haviam chegado ao conhecimento.\n\nEm 1547, o papa acabou finalmente permitindo que a Inquisi\u00e7\u00e3o portuguesa sofresse forte influ\u00eancia do poder civil, sendo, ent\u00e3o, instalados tr\u00eas tribunais, entre os quais o de Lisboa, que estendia sua jurisdi\u00e7\u00e3o at\u00e9 ao Brasil.\n\nOs regimentos da Inquisi\u00e7\u00e3o portuguesa copiaram os espanh\u00f3is, criando-se em Lisboa um \u00f3rg\u00e3o de 2\u00ba grau, o Conselho Geral, desvinculado de Roma.\n\nOs principais alvos da Inquisi\u00e7\u00e3o lusitana foram os judeus convertidos, chegando um Regimento de 1640 a proibir-lhes o acesso aos cargos de juiz, meirinho, not\u00e1rio, escriv\u00e3o, procurador, feitor, almoxarife, m\u00e9dico e botic\u00e1rio.\n\nAs Ordena\u00e7\u00f5es Filipinas, que vigeram em Portugal a partir de 1603, no per\u00edodo de domina\u00e7\u00e3o espanhola, mandavam que os mouros e os judeus andassem com um sinal (carapu\u00e7a ou chap\u00e9u amarelo para os judeus e lua de pano vermelho para os mouros).\n\nAs Ordena\u00e7\u00f5es eram pr\u00f3digas em comina\u00e7\u00f5es de pena de morte, a ponto de Lu\u00eds XIV, certa vez, interpelar o embaixador portuguesa na Fran\u00e7a, indagando-lhe se, ap\u00f3s o advento dessa legisla\u00e7\u00e3o, algu\u00e9m havia escapado com vida.\n\nNa verdade, contudo, o degredo era quase sempre colocado, nas Ordena\u00e7\u00f5es, como alternativa \u00e0 pena capital, com evidente finalidade colonizadora, uma vez que os condenados, diante de t\u00e3o radical encruzilhada, acabavam optando por serem degredados, muitos deles para o Brasil.\n\nA influ\u00eancia da Inquisi\u00e7\u00e3o e do Direito Can\u00f4nico nas Ordena\u00e7\u00f5es Filipinas foi expressiva, assim como j\u00e1 o fora nas Afonsinas e nas Manuelinas.\n\nO livro V das Ordena\u00e7\u00f5es Filipinas, que trazia normas penais e processuais penais \u2013 cuja topografia encontra origem remota nas Decretais de Greg\u00f3rio IX, que tamb\u00e9m ostentavam normas penais em seu livro V \u2013 apresentava delitos de patente natureza religiosa, como a heresia (interpreta\u00e7\u00e3o da B\u00edblia diversa da oficial, ou exposi\u00e7\u00e3o de id\u00e9ias contr\u00e1rias \u00e0 doutrina da Igreja), a blasf\u00eamia (nega\u00e7\u00e3o de Deus e da Igreja), a feiti\u00e7aria, a pr\u00e1tica sexual de crist\u00e3(o) com infiel, a conjun\u00e7\u00e3o carnal de homem com freira etc.\n\n<strong>Os modos de in\u00edcio do processo lembravam aqueles definidos pelo papa Inoc\u00eancio III em seu c\u00e2non Qualiter, de 1216, a saber:<\/strong>\u00a0per inquisitionem (de of\u00edcio, correspondente \u00e0s devassas), per denuntiationem (por den\u00fancia, em que o denunciante n\u00e3o se vinculava ao processo) e per accusationem (por acusa\u00e7\u00e3o, a querela das Ordena\u00e7\u00f5es, em que o acusador oficiava no decorrer de todo o feito).\n\nA tortura foi prevista nas Ordena\u00e7\u00f5es, com o nome de tratos no corpo, somente nos delitos de maior gravidade em que houvesse acusa\u00e7\u00e3o escrita e mediante decis\u00e3o expressa do magistrado, da qual cabia recurso.\n\nO foro eclesi\u00e1stico prevalecia para crimes religiosos e tamb\u00e9m nas hip\u00f3teses de foro misto, como nos casos de sacril\u00e9gio, simonia (venda de s\u00edmbolos ou sacramentos religiosos) e outros.\n\nOs cl\u00e9rigos possu\u00edam foro privilegiado para todos os tipos delituosos, com especial destaque para os membros do Tribunal da Inquisi\u00e7\u00e3o.\n\nComo se pode aquilatar com facilidade, a Inquisi\u00e7\u00e3o portuguesa exerceu sens\u00edvel influ\u00eancia sobre o ordenamento jur\u00eddico laico de Portugal.\n\nVoltando ao processo inquisitorial propriamente dito, assim como na Espanha, as execu\u00e7\u00f5es, no seio da Inquisi\u00e7\u00e3o lusitana, ocorriam nos \u201cautos-de-f\u00e9\u201d, cercados de teatralidade.\n\nA Inquisi\u00e7\u00e3o portuguesa, assim como a espanhola, caracterizou-se por autonomia em rela\u00e7\u00e3o a Roma, com estreita afinidade entre o poder civil e o poder eclesi\u00e1stico.\n\nO cargo de Inquisidor-Mor, inclusive, foi ocupado, em v\u00e1rias ocasi\u00f5es, por n\u00e3o integrantes do clero, como, por exemplo, o arquiduque Alberto de \u00c1ustria, irm\u00e3o de Felipe II.\n\nNo s\u00e9c. XVII houve certo recuo da Inquisi\u00e7\u00e3o, atacada de todos os lados, tanto pelos judeus, encastelados em posi\u00e7\u00f5es de mando pol\u00edtico e detentores do com\u00e9rcio e de muitas das riquezas locais, como at\u00e9 por membros do clero, como, p.ex., o padre Antonio Vieira, que muito a criticou em seus serm\u00f5es.\n\nVieira, designado pelo rei, em 1643, para negociar junto \u00e0 Fran\u00e7a e \u00e0 Holanda a reconquista de col\u00f4nias perdidas durante guerras anteriores, prop\u00f4s, entre outras coisas, o regresso a Portugal dos judeus mercadores que andavam por diversas partes da Europa, com a garantia de n\u00e3o serem molestados pela Inquisi\u00e7\u00e3o, de modo que pudessem tocar sua riqueza a servi\u00e7o da arrasada economia do reino.\n\nO dinheiro dos judeus serviria, tamb\u00e9m, na id\u00e9ia do jesu\u00edta, para consolidar uma Companhia de Com\u00e9rcio no Brasil, \u00e0 semelhan\u00e7a das companhias holandesas, com o objetivo de defender a navega\u00e7\u00e3o entre a metr\u00f3pole e as col\u00f4nias, bem como valorizar a economia brasileira.\n\nTal proposta o colocou em rota de colis\u00e3o com a Inquisi\u00e7\u00e3o, que igualmente reputava her\u00e9ticas algumas das id\u00e9ias defendidas pelo jesu\u00edta em seus manuscritos \u201cO Quinto Imp\u00e9rio\u201d, \u201cHist\u00f3ria do Futuro\u201de \u201cChave dos Profetas\u201d (Clavis Prophetarum). Foi ele processado e condenado \u00e0 pris\u00e3o, na qual esteve entre 1665 e 1667, vindo a ser anistiado em 1669.\n\n<strong>Eis alguns trechos do libelo acusat\u00f3rio apresentado contra Antonio Vieira, extra\u00eddos de \u201cOs Autos do Processo de Vieira na Inquisi\u00e7\u00e3o\u201d, de ADMA MUHANA (ed. Unesp, 1995, p\u00e1g. 102 e seguintes):<\/strong>\u00a0\u201c\u2026sendo o r\u00e9u crist\u00e3o batizado, religioso, te\u00f3logo de profiss\u00e3o, e, como tal, obrigado a se conformar em tudo com a Sagrada Escritura e doutrina dos Santos Padres e a n\u00e3o declarar por profecias verdadeiras as que por tais n\u00e3o estiverem aprovadas pela Igreja, o r\u00e9u fez tanto pelo contr\u00e1rio, que esquecido de sua obriga\u00e7\u00e3o de certo tempo a esta parte fez um papel que intitulou \u2018Quinto Imp\u00e9rio do Mundo\u2019 declarando nele por profecias certas, umas trovas que certa pessoa havia feito, e que outra que era defunta havia de ressuscitar, antes da ressurrei\u00e7\u00e3o universal, pregando nos serm\u00f5es que fazia v\u00e1rios castigos e felicidades futuras que estavam para vir sobre a Igreja Cat\u00f3lica; e que a dura\u00e7\u00e3o e sucessos dela se haviam de regular com os que Cristo teve no discurso de sua vida. \u2026sendo o r\u00e9u chamado a esta Mesa e nela certificado de que o sobredito papel e algumas das coisas nele conte\u00fadas foram censuradas pelo Santo Of\u00edcio por err\u00f4neas, temer\u00e1rias, improv\u00e1veis, escandalosas, e sapientes haeresim e que pelo tanto visse se queria estar pela dita censura, para com ele se usar de miseric\u00f3rdia, o R\u00e9u n\u00e3o o quis fazer, antes persistiu com defender e querer provar por verdadeiras as coisas acima ditas\u2026\u201d\n\n<strong>A resposta de Vieira (op. cit., p\u00e1g. 106) revela sua humildade corajosa e a clareza do grande orador dos \u201cSerm\u00f5es\u201d:<\/strong>\u00a0\u201cDiz o r\u00e9u o Padre Antonio Vieira (como muitas vezes tem declarado, e repetido nesta Mesa) que a sua ten\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 resistir em coisa alguma ao que se tem julgado, nem houver de julgar, acerca das proposi\u00e7\u00f5es de que se trata, nem ainda defend\u00ea-las. Mas somente explicar (como tem dito) o sentido em que foram interpretadas por ser mui alheio daquele com que as disse e da ten\u00e7\u00e3o que teve em as dizer. A qual ten\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi de encontrar em coisa alguma a f\u00e9 cat\u00f3lica, ou defini\u00e7\u00f5es, e doutrina da Igreja, da qual \u00e9 obedient\u00edssimo filho e pela qual tem tantas vezes arriscado a vida, e gastado a maior parte dela defendendo-a, e pregando-a entre hereges, gentios, e crist\u00e3os.\n\nPede a Vs. Ms. lhe fa\u00e7am miseric\u00f3rdia de lhe concederem o tempo necess\u00e1rio, para dipor um papel em que d\u00ea a raz\u00e3o de todas as sobreditas coisas, representando que n\u00e3o poder\u00e1 ser tanto em breve como ele deseja, visto andar ainda doente, e em cura de uma enfermidade t\u00e3o larga, e perigosa, e t\u00e3o contr\u00e1ria \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o do estudo como de haver lan\u00e7ado muito sangue pela boca, e que com o dito papel responder\u00e1 ao libelo quod cum expens\u201d.\n\nDepois de anistiado, Vieira foi para Roma, onde passou seis anos sob a prote\u00e7\u00e3o da rainha Cristina da Su\u00e9cia e renovou sua luta contra a Inquisi\u00e7\u00e3o, que considerava nefasta para o equil\u00edbrio da sociedade portuguesa.\n\nNo s\u00e9c. XVIII houve um ressurgimento inquisitorial, sob o reinado de D. Jo\u00e3o V, \u00e9poca de muitos excessos e atroz severidade, bem como reiterados autos-de-f\u00e9.\n\nA partir da nomea\u00e7\u00e3o de Sebasti\u00e3o Jos\u00e9 de Carvalho e Mello, marqu\u00eas de Pombal, para o cargo de ministro de D. Jos\u00e9 I, em meados do s\u00e9c. XVIII, a Inquisi\u00e7\u00e3o foi mantida como mero bra\u00e7o da coroa, para que a esta servisse sem a interfer\u00eancia de Roma. O irm\u00e3o de Pombal, Paulo de Carvalho, foi nomeado inquisidor-mor e, por alvar\u00e1 de 1769, declarou a Inquisi\u00e7\u00e3o \u201ctribunal r\u00e9gio\u201d.\n\nO \u00faltimo Regimento da Inquisi\u00e7\u00e3o portuguesa foi o de 1774, que acabou com os \u201cautos-de-f\u00e9\u201d, aboliu a tortura e a pena de morte, apesar de prever exce\u00e7\u00f5es, sendo tido at\u00e9 hoje, guardadas as propor\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas, como um modelo escorreito de execu\u00e7\u00e3o penal.\n\nNo in\u00edcio do s\u00e9c. XIX, os ideais libert\u00e1rios, a ascens\u00e3o da burguesia e at\u00e9 a expans\u00e3o da franco-ma\u00e7onaria, com sua prega\u00e7\u00e3o racionalista e ate\u00edsta, foram transformando a Inquisi\u00e7\u00e3o portuguesa em institui\u00e7\u00e3o anacr\u00f4nica, sendo ela extinta, a final, em sess\u00e3o de 31 de mar\u00e7o de 1821, pelas Cortes Gerais, Extraordin\u00e1rias e Constituintes da Na\u00e7\u00e3o Portuguesa.\n\n<strong>Fonte:<\/strong>\u00a0www.bibliotecapleyades.net\/www.maxpages.com\n\n&nbsp;\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Inquisi\u00e7\u00e3o em Portugal, Portuguesa, Hist\u00f3ria, Brasil, In\u00edcio, Alvo, Religi\u00f5es, Sociedade, Igreja, Papa, Inquisidor, Inquisi\u00e7\u00e3o em Portugal<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":16997,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[57],"tags":[],"class_list":["post-16996","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia-geral"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - 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