{"id":16666,"date":"2016-01-07T00:00:00","date_gmt":"2016-01-07T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/teatro-do-seculo-xx\/"},"modified":"2016-01-07T00:00:00","modified_gmt":"2016-01-07T00:00:00","slug":"teatro-do-seculo-xx","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-geral\/teatro-do-seculo-xx\/","title":{"rendered":"Teatro do S\u00e9culo XX"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"ads-cima\"><\/p>\n&nbsp;\n\nO come\u00e7o do <strong>s\u00e9culo XX<\/strong> marca talvez o per\u00edodo mais cr\u00edtico do teatro brasileiro.\n\nSob influ\u00eancia do preciosismo vocabular de Coelho Neto (&#8220;O Diabo no Corpo&#8221;, &#8220;A Mulher&#8221;, &#8220;O Pedido, Quebranto&#8221;), os autores da \u00e9poca enveredaram por caminhos que os conduziram \u00e0 verbosidade antiteatral. Incluem-se nessa linha Goulart de Andrade (&#8220;Ren\u00fancia&#8221;, &#8220;Depois da Morte&#8221;), Jo\u00e3o do Rio (&#8220;A Bela Madame Vargas&#8221;, &#8220;Um ch\u00e1 das Cinco&#8221;), Roberto Gomes (&#8220;Casa Fechada&#8221;, &#8220;Berenice&#8221;), Paulo Gon\u00e7alves (&#8220;As Noivas&#8221;, &#8220;A Com\u00e9dia do Cora\u00e7\u00e3o&#8221;) e Gast\u00e3o Trojeiro (&#8220;Onde Canta o Sabi\u00e1&#8221;, &#8220;Cala Boca, Etelvina!&#8230;).\n\nMas a \u00e9poca registra a consagra\u00e7\u00e3o de alguns atores como It\u00e1lia Fausta, Apol\u00f4nia Pinto, Leonardo Fr\u00f3es (v.), Jaime Costa, Cochita de Morais, Abigail Maia, Iracema de Alencar, Proc\u00f3pio Ferreira e Dulcina de Morais.\n\nContra esse teatro indeciso e acad\u00eamico investiu o movimento modernista de 1922, com Eug\u00eania e \u00c1lvaro Moreira, fundadores do Teatro de Brinquedo; Joracy Camargo, cuja pe\u00e7a &#8220;Deus Lhe Pague&#8221; \u00e9 considerada a primeira tentativa de teatro social no pa\u00eds; e Oswald de Andrade, um dos maiores representantes do Modernismo, com suas experi\u00eancias dada\u00edstas e surrealistas em &#8220;O Homem e o Cavalo&#8221;, &#8220;A Mostra&#8221; e &#8220;O Rei da Vela&#8221;.\n\nEmbora a dramaturgia modernista n\u00e3o tenha colaborado diretamente para a formula\u00e7\u00e3o das futuras diretrizes do teatro brasileiro, suas reivindica\u00e7\u00f5es &#8211; sementes de toda uma nova concep\u00e7\u00e3o est\u00e9tica &#8211; tornaram poss\u00edvel a eclos\u00e3o de movimentos que romperam de vez as amarras da tradi\u00e7\u00e3o portuguesa.\n\n<strong>Cronologia do Teatro Brasileiro no S\u00e9culo XX<\/strong>\n\n<strong>S\u00e9culo XX <\/strong>\n\nA primeira metade do s\u00e9culo se caracteriza por um teatro comercial. As companhias s\u00e3o lideradas pelos primeiros atores, que se convertem na principal atra\u00e7\u00e3o, mais que as pe\u00e7as apresentadas. As exce\u00e7\u00f5es acontecem quando um bom dramaturgo, como Oduvaldo Vianna, se alia a grandes int\u00e9rpretes, como Proc\u00f3pio Ferreira e Dulcina de Moraes. Oduvaldo \u00e9 ainda o introdutor da pros\u00f3dia brasileira no teatro, atrelado at\u00e9 ent\u00e3o a falas aportuguesadas.\n\n<strong>1927<\/strong>\n\nO Teatro de Brinquedo apresenta-se no Rio de Janeiro (RJ) com a pe\u00e7a Ad\u00e3o, Eva e Outros Membros da Fam\u00edlia, de \u00c1lvaro Moreyra, l\u00edder do grupo. Formado por amadores, o grupo prop\u00f5e um teatro de elite. \u00c9 o come\u00e7o da insurrei\u00e7\u00e3o contra o teatro comercial considerado de baixo n\u00edvel.\n\n<strong>1938 <\/strong>\n\n\u00c9 lan\u00e7ado no Rio de Janeiro (RJ) o Teatro do Estudante do Brasil, concebido e dirigido por Paschoal Carlos Magno e com um elenco constitu\u00eddo de universit\u00e1rios. A primeira montagem \u00e9 Romeu e Julieta, de Shakespeare, protagonizada por Paulo Porto e S\u00f4nia Oiticica, com dire\u00e7\u00e3o de It\u00e1lia Fausta.\n\n<strong>1943 <\/strong>\n\nEstr\u00e9ia a pe\u00e7a Vestido de Noiva, de Nelson Rodrigues, encenada pelo grupo amador Os Comediantes, do Rio de Janeiro. A dire\u00e7\u00e3o de Zbigniew Ziembinski \u0096 \u00c9 inaugurado, em S\u00e3o Paulo (SP), o Teatro Brasileiro de Com\u00e9dia (TBC); inicialmente uma casa de espet\u00e1culos criada para abrigar os trabalhos de grupos amadores.\n\n<strong>Dois desses grupos est\u00e3o \u00e0 frente da renova\u00e7\u00e3o do teatro brasileiro<\/strong>: o Grupo de Teatro Experimental (GTE), de Alfredo Mesquita, e o Grupo Universit\u00e1rio de Teatro (GUT), de D\u00e9cio de Almeida Prado. No ano seguinte, o TBC se profissionaliza, com a contrata\u00e7\u00e3o de atores e do diretor italiano Adolfo Celi. Um repert\u00f3rio ecl\u00e9tico, constitu\u00eddo de grandes textos cl\u00e1ssicos e modernos, al\u00e9m de com\u00e9dias de bom n\u00edvel, torna-se a t\u00f4nica dessa companhia, que, liderada por Franco Zampari em seu per\u00edodo \u00e1ureo, marca uma das mais importantes fases do teatro brasileiro. O TBC encerra suas atividades em 1964.\n\n<strong>Outras companhias se formam nos seus moldes<\/strong>: o Teatro Popular de Arte, de Maria Della Costa, a Cia. Nydia L\u00edcia-S\u00e9rgio Cardoso o Teatro Cacilda Becker a Cia. T\u00f4nia-Celi-Autran.\n\nAlfredo Mesquita funda a Escola de Arte Dram\u00e1tica (EAD) em S\u00e3o Paulo (SP), um dos principais centros de forma\u00e7\u00e3o de atores.\n\n<strong>1953 <\/strong>\n\nFunda\u00e7\u00e3o do Teatro de Arena de S\u00e3o Paulo, por Jos\u00e9 Renato. A princ\u00edpio apenas uma tentativa de inova\u00e7\u00e3o espacial, acaba sendo respons\u00e1vel pela introdu\u00e7\u00e3o de elementos renovadores na dramaturgia e na encena\u00e7\u00e3o brasileiras. A montagem de Eles N\u00e3o Usam Black-Tie, de Gianfrancesco Guarnieri, em 1958, introduz a luta de classes como tem\u00e1tica. Sob a lideran\u00e7a de Augusto Boal, o Arena forma novos autores e adapta textos cl\u00e1ssicos para que mostrem a realidade brasileira. Chega \u00e0 implanta\u00e7\u00e3o do sistema curinga, no qual desaparece a no\u00e7\u00e3o de protagonista, em trabalhos como Arena Conta Zumbi (1965) e Arena Conta Tiradentes (1967), que fazem uma revis\u00e3o hist\u00f3rica nacional. O Arena termina em 1970.\n\n<strong>1958 <\/strong>\n\nZ\u00e9 Celso, Renato Borghi, Carlos Queiroz Telles e Amir Haddad, entre outros, fundam um grupo amador \u0096 chamado Teatro Oficina \u0096 na Faculdade de Direito do Largo S\u00e3o Francisco, em S\u00e3o Paulo (SP). Seus integrantes passam por uma fase stanislavskiana (interpreta\u00e7\u00e3o realista criada pelo dramaturgo russo Stanislavski, orientada por Eug\u00eanio Kusnet. A pe\u00e7a mais importante desse per\u00edodo \u00e9 Os Pequenos Burgueses (1963), de Maxim Gorki. Logo ap\u00f3s a antol\u00f3gica montagem de O Rei da Vela (1967), de Oswald de Andrade o grupo evolui para uma fase brechtiana (interpreta\u00e7\u00e3o distanciada desenvolvida pelo alem\u00e3o Bertolt Brecht) com Galileu Galilei (1968) e Na Selva das Cidades (1969), sempre sob a dire\u00e7\u00e3o art\u00edstica de Jos\u00e9 Celso. Com a obra coletiva Gracias Se\u00f1or, inicia-se a chamada fase irracionalista do Oficina. Uma nova rela\u00e7\u00e3o com o espa\u00e7o e com o p\u00fablico reflete as profundas mudan\u00e7as pelas quais o grupo passa. Essa fase se encerra com As Tr\u00eas Irm\u00e3s (1973), de Tchecov.\n\n<strong>D\u00e9cada de 60 <\/strong>\n\nUma vigorosa gera\u00e7\u00e3o de dramaturgos irrompe na cena brasileira nessa d\u00e9cada. Entre eles destacam-se Pl\u00ednio Marcos, Ant\u00f4nio Bivar, Leilah Assump\u00e7\u00e3o, Consuelo de Castro e Jos\u00e9 Vicente.\n\n<strong>1964 <\/strong>\n\nO grupo Opini\u00e3o entra em atividade no Rio de Janeiro, adaptando shows musicais para o palco e desenvolvendo um trabalho teatral de car\u00e1ter pol\u00edtico.\n\nRespons\u00e1vel pelo lan\u00e7amento de Z\u00e9 Keti e Maria Beth\u00e2nia, realiza a montagem da pe\u00e7a Se Correr o Bicho Pega, Se Ficar o Bicho Come, de Oduvaldo Vianna Filhoe Ferreira Gullar.\n\n<strong>1968 <\/strong>\n\nEstr\u00e9ia Cemit\u00e9rio de Autom\u00f3veis, de Arrabal. Este espet\u00e1culo e O Balc\u00e3o, de Genet, ambos dirigidos por Victor Garcia e produzidos por Ruth Escobar, marcam o ingresso do teatro brasileiro numa fase de ousadias c\u00eanicas, tanto espaciais quanto tem\u00e1ticas.\n\n<strong>D\u00e9cada de 70 <\/strong>\n\nCom o acirramento da atua\u00e7\u00e3o da censura, a dramaturgia passa a se expressar por meio de met\u00e1foras. Apesar disso, Fauzi Arap escreve pe\u00e7as que refletem sobre o teatro, as op\u00e7\u00f5es alternativas de vida e a homossexualidade. Surgem diversos grupos teatrais formados por jovens atores e diretores. No Rio de Janeiro destacam-se o Asdr\u00fabal Trouxe o Trombone, cujo espet\u00e1culo Trate-me Le\u00e3o retrata toda uma gera\u00e7\u00e3o de classe m\u00e9dia, e o Pessoal do Despertar, que adota esse nome ap\u00f3s a encena\u00e7\u00e3o de O Despertar da Primavera, de Wedekind. Em S\u00e3o Paulo surgem a Royal Bexiga\u0092s Company, com a cria\u00e7\u00e3o coletiva O Que Voc\u00ea Vai Ser Quando Crescer; o Pessoal do V\u00edtor, sa\u00eddo da EAD, com a pe\u00e7a V\u00edtor, ou As Crian\u00e7as no Poder, de Roger Vitrac; o Pod Minoga, constitu\u00eddo por alunos de Naum Alves de Souza, que se lan\u00e7am profissionalmente com a montagem coletiva Follias B\u00edblicas, em 1977; o Mambembe, nascido sob a lideran\u00e7a de Carlos Alberto Soffredini, de quem representam Vem Buscar-me Que Ainda Sou Teu; e o Teatro do Ornitorrinco, de Cac\u00e1 Rosset e Lu\u00eds Roberto Galizia, que inicia sua carreira nos por\u00f5es do Oficina, em espet\u00e1culos como Os Mais Fortes e Ornitorrinco Canta Brecht-Weill, de 1977.\n\n<strong>1974 <\/strong>\n\nAp\u00f3s a invas\u00e3o do Teatro Oficina pela pol\u00edcia, Z\u00e9 Celso parte para o auto-ex\u00edlio em Portugal e Mo\u00e7ambique. Regressa ao Brasil em 1978, dando in\u00edcio a uma nova fase do Oficina, que passa a se chamar Uzyna-Uzona.\n\n<strong>1978 <\/strong>\n\nEstr\u00e9ia de Macuna\u00edma, pelo grupo Pau Brasil, com dire\u00e7\u00e3o de Antunes Filho. Inaugura-se uma nova linguagem c\u00eanica brasileira, em que as imagens t\u00eam a mesma for\u00e7a da narrativa.\n\nCom esse espet\u00e1culo, Antunes Filho come\u00e7a outra etapa em sua carreira, \u00e0 frente do Centro de Pesquisas Teatrais (CPT), no qual desenvolve intenso estudo sobre o trabalho do ator.\n\n<strong>Grandes montagens suas fazem carreira internacional<\/strong>: Nelson Rodrigues, o Eterno Retorno; Romeu e Julieta, de Shakespeare; Xica da Silva, de Lu\u00eds Alberto de Abreu; A Hora e a Vez de Augusto Matraga, adaptado de Guimar\u00e3es Rosa; Nova Velha Hist\u00f3ria; Gilgamesh; Vereda da Salva\u00e7\u00e3o, de Jorge Andrade\n\n<strong>1979 <\/strong>\n\nA censura deixa de ser pr\u00e9via e volta a ter car\u00e1ter apenas classificat\u00f3rio. \u00c9 liberada e encenada no Rio de Janeiro a pe\u00e7a Rasga Cora\u00e7\u00e3o, de Oduvaldo Vianna Filho, que fora premiada num concurso do Servi\u00e7o Nacional de Teatro e, em seguida, proibida.\n\n<strong>D\u00e9cada de 80 <\/strong>\n\nA diversidade \u00e9 o principal aspecto do teatro dos anos 80. O per\u00edodo se caracteriza pela influ\u00eancia do p\u00f3s-modernismo movimento marcado pela uni\u00e3o da est\u00e9tica tradicional \u00e0 moderna. O expoente dessa linha \u00e9 o diretor e dramaturgo Gerald Thomas. Montagens como Carmem com Filtro, Eletra com Creta e Quartett apresentam um apuro t\u00e9cnico in\u00e9dito. Seus espet\u00e1culos d\u00e3o grande import\u00e2ncia \u00e0 cenografia e \u00e0 coreografia. Novos grupos teatrais, como o Ponk\u00e3, o Boi Voador e o XPTO, tamb\u00e9m priorizam as linguagens visuais e sonoras. O diretor Ulysses Cruz, da companhia Boi Voador, destaca-se com a montagem de Fragmentos de um Discurso Amoroso, baseado em texto de Roland Barthes. Outros jovens encenadores, como Jos\u00e9 Possi Neto (De Bra\u00e7os Abertos), Roberto Lage (Meu Tio, o Iauaret\u00ea) e M\u00e1rcio Aur\u00e9lio (Lua de Cetim), t\u00eam seus trabalhos reconhecidos. Cac\u00e1 Rosset, diretor do Ornitorrinco, consegue fen\u00f4meno de p\u00fablico com Ubu, de Alfred Jarry. Na dramaturgia predomina o besteirol \u0096 com\u00e9dia de costumes que explora situa\u00e7\u00f5es absurdas. O movimento cresce no Rio de Janeiro e tem como principais representantes Miguel Falabella e Vicente Pereira. Em S\u00e3o Paulo surgem nomes como Maria Adelaide Amaral, Fl\u00e1vio de Souza, Alcides Nogueira, Naum Alves de Souza e Mauro Rasi. Trair e Co\u00e7ar \u00c9 S\u00f3 Come\u00e7ar, de Marcos Caruso e Jandira Martini, torna-se um dos grandes sucessos comerciais da d\u00e9cada. Lu\u00eds Alberto de Abreu \u0096 que escreve pe\u00e7as como Bella, Ciao e Xica da Silva\u0096\u00e9 um dos autores com obra de maior f\u00f4lego, que atravessa tamb\u00e9m os anos 90.\n\n<strong>1987 <\/strong>\n\nA atriz perform\u00e1tica Denise Stoklos desponta internacionalmente em carreira solo. O espet\u00e1culo Mary Stuart, apresentado em Nova York, nos Estados Unidos, \u00e9 totalmente concebido por ela. Seu trabalho \u00e9 chamado de teatro essencial porque utiliza o m\u00ednimo de recursos materiais e o m\u00e1ximo dos pr\u00f3prios meios do ator, que s\u00e3o o corpo, a voz e o pensamento.\n\n<strong>D\u00e9cada de 90 <\/strong>\n\nNo campo da encena\u00e7\u00e3o, a tend\u00eancia \u00e0 visualidade convive com um retorno gradativo \u00e0 palavra por meio da montagem de cl\u00e1ssicos. Dentro dessa linha tem destaque o grupo Tapa, com Vestido de Noiva, de N\u00e9lson Rodrigues e A Megera Domada, de William Shakespeare. O experimentalismo continua e alcan\u00e7a sucesso de p\u00fablico e cr\u00edtica nos espet\u00e1culos Para\u00edso Perdido (1992) e O Livro de J\u00f3 (1995), de Ant\u00f4nio Ara\u00fajo. O diretor realiza uma encena\u00e7\u00e3o ritualizada e utiliza-se de espa\u00e7os c\u00eanicos n\u00e3o-convencionais \u0096 uma igreja e um hospital, respectivamente. As t\u00e9cnicas circenses tamb\u00e9m s\u00e3o adotadas por v\u00e1rios grupos.\n\nEm 1990 \u00e9 criado os Parlapat\u00f5es, Patifes e Paspalh\u00f5es. A figura do palha\u00e7o \u00e9 usada ao lado da dramaturgia bem-humorada de Hugo Possolo, um dos membros do grupo. Tamb\u00e9m ganha proje\u00e7\u00e3o a arte de brincante do pernambucano Ant\u00f4nio N\u00f3brega. O ator, m\u00fasico e bailarino explora o lado l\u00fadico na encena\u00e7\u00e3o teatral, empregando m\u00fasicas e dan\u00e7as regionais.\n\nOutros nomes de destaque s\u00e3o Bia Lessa (Viagem ao Centro da Terra) e Gabriel Villela (A Vida \u00c9 Sonho). No final da d\u00e9cada ganha import\u00e2ncia o diretor S\u00e9rgio de Carvalho, da Companhia do Lat\u00e3o. Seu grupo realiza um trabalho de pesquisa sobre o teatro dial\u00e9tico de Bertolt Brecht, que resulta nos espet\u00e1culos Ensaio sobre o Lat\u00e3o e Santa Joana dos Matadouros.\n\n<strong>1993 <\/strong>\n\nO diretor Z\u00e9 Celso reabre o Teatro Oficina, com a montagem de Hamlet, cl\u00e1ssico de Shakespeare. Z\u00e9 Celso opta por uma adapta\u00e7\u00e3o que enfoca a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, econ\u00f4mica e social do Brasil.\n\n<strong>1998 <\/strong>\n\nEstr\u00e9ia Dom\u00e9stica, de Renata Melo, espet\u00e1culo que tem forte influ\u00eancia da dan\u00e7a. Essa encena\u00e7\u00e3o d\u00e1 seq\u00fc\u00eancia ao trabalho iniciado em 1994, com Bonita Lampi\u00e3o. Sua obra se fundamenta na elabora\u00e7\u00e3o da dramaturgia pelos atores, por meio do estudo do comportamento corporal das personagens.\n\n<strong>1999 <\/strong>\n\nAntunes Filho apresenta Fragmentos Troianos, baseada em As Troianas, de Eur\u00edpedes. Pela primeira vez, o diretor monta uma pe\u00e7a grega. Essa montagem \u00e9 resultado da reformula\u00e7\u00e3o de seu m\u00e9todo de interpreta\u00e7\u00e3o, alicer\u00e7ado em pesquisas de imposta\u00e7\u00e3o da voz e postura corporal dos atores.\n\nFonte: www.geocities.com\n<h6>Teatro do S\u00e9culo XX<\/h6>\n<p class=\"google\"><\/p>\nUm dos grandes pensadores brasileiros, Augusto Boal, disse, certa vez que \u00e9 preciso mostrar que todo teatro \u00e9 necessariamente pol\u00edtico, porque pol\u00edticas s\u00e3o todas as atividades do homem e, o teatro \u00e9 uma delas.\n\nBoal acredita que os que pretendem separar o teatro da pol\u00edtica, pretendem conduzir-nos ao erro e, essa \u00e9 uma atitude pol\u00edtica. O teatro \u00e9 uma arma muito eficiente, uma arma de liberta\u00e7\u00e3o.\n\nAo longo do s\u00e9culo XX, v\u00e1rios artistas e encenadores foram protagonistas de uma transforma\u00e7\u00e3o que modificou o sentido da arte que era produzida. Em meio a tantos conflitos pol\u00edticos e ideol\u00f3gicos, o homem moderno passou a procurar novos meios de comunicar e de fazer cr\u00edticas \u00e0s estruturas sociais em que viviam.\n\nO teatro desse per\u00edodo se viu obrigado a abandonar o realismo, que j\u00e1 n\u00e3o comunicava mais encontrando outros meios de falar do individuo e suas rela\u00e7\u00f5es sociais.\n\nV\u00e1rios pensadores escreveram sobre o teatro propondo uma revolu\u00e7\u00e3o. Todos eles preocupados em usar a arte como um instrumento pol\u00edtico, de tomada de partido, de subvers\u00e3o \u00e0quele mundo ca\u00f3tico da guerra, da tirania, do consumo, da mecaniza\u00e7\u00e3o, separado em dois p\u00f3los, dividido entre duas utopias.\n\nNa R\u00fassia, o grande ber\u00e7o do Teatro Realista Burgu\u00eas, nasce tamb\u00e9m o teatro revolucion\u00e1rio de Meyerhold. Meyerhold foi um ator de Teatro Realista que, mais tarde, abandonou o Teatro de Moscou para trabalhar sua pr\u00f3pria t\u00e9cnica. Ele acreditava que, muito mais do que pensar, sentir emo\u00e7\u00f5es verdadeiras, reviver conflitos emocionais para obter uma boa cena, era necess\u00e1rio desenhar no espa\u00e7o com o corpo, criar uma imagem po\u00e9tica que, por si, seria cheia de ideologias e de informa\u00e7\u00f5es. Nesse per\u00edodo (inicio do s\u00e9culo xx) V\u00e1rios encenadores percebem a import\u00e2ncia da forma e passam a fazer um teatro aonde a imagem diz mais que o pr\u00f3prio texto. Os atores de Meyerhold deveriam criar a\u00e7\u00f5es f\u00edsicas no espa\u00e7o sem necessariamente criar hist\u00f3rias mentais, o que era uma caracter\u00edstica do realismo.\n\nMeyerhold foi o autor de uma T\u00e9cnica chamada Biomec\u00e2nica. Essa t\u00e9cnica se baseava na movimenta\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica dos oper\u00e1rios nas f\u00e1bricas e tentava transpor para o teatro uma estrutura de movimenta\u00e7\u00e3o r\u00edtmica, repetitiva e precisa, fazendo com que o corpo do ator fosse similar a uma m\u00e1quina. Os pr\u00f3prios cen\u00e1rios das pe\u00e7as de Meyerhold lembravam uma engrenagem, uma maquinaria. Com isso Meyerhold, al\u00e9m de transformar o teatro da \u00e9poca, tamb\u00e9m discutia com o espectador a id\u00e9ia de que o homem de inicio do s\u00e9culo estava deixando de realizar fun\u00e7\u00f5es de homem, como pensar e sentir, para realizar fun\u00e7\u00f5es de uma m\u00e1quina e, assim esse homem estava se privando de viver e se posicionar politicamente. O Teatro de Meyerhold foi de fato revolucion\u00e1rio, ele considerava que o sentido de um texto pode modificar-se de uma \u00e9poca para outra, de um p\u00fablico para outro, e que as inten\u00e7\u00f5es do autor de uma pe\u00e7a n\u00e3o podem influir em todas as influ\u00eancias que levam \u00e0 encena\u00e7\u00e3o da mesma.\n\nPara Meyerhold, a palavra, ou seja, o texto, n\u00e3o domina mais o espa\u00e7o c\u00eanico; o cen\u00e1rio ilusionista \u00e9 substitu\u00eddo por uma organiza\u00e7\u00e3o funcional posta a servi\u00e7o do virtuosismo corporal do ator.\n\n<strong>As pe\u00e7as modernas montadas por Meyerhold favam tamb\u00e9m de problemas de interesse imediato para o espectador sovi\u00e9tico da \u00e9poca<\/strong>: as rela\u00e7\u00f5es da URSS com o Ocidente capitalista, luta revolucion\u00e1ria na China, espans\u00e3o da burocracia e do conformismo pequeno-burgu\u00eas da nova sociedade. A Obra desse diretor demonstrou que, ao colocar em oposi\u00e7\u00e3o o sentido e a forma, o teatro de texto e o teatro sem texto deturpava-se e simplificava-se a crucial quest\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es entre texto e espet\u00e1culo.\n\n<strong>Berthold Brecht e seu Teatro Revolucion\u00e1rio<\/strong>\n\n<strong>Brecht \u00e9 um dos escritores fundamentais deste s\u00e9culo<\/strong>: <strong>por ter revolucionado te\u00f3rica e praticamente a dramaturgia e o espet\u00e1culo teatral, alterando a fun\u00e7\u00e3o e o sentido social do teatro; utilizando-o como uma arma de conscientiza\u00e7\u00e3o e politiza\u00e7\u00e3o, destinada a ser um divertimento de uma qualidade espec\u00edfica<\/strong>: quanto mais po\u00e9tico e art\u00edstico, maior momento de reflex\u00e3o, verdade, lucidez, espanto e cr\u00edtica.\n\nSeu teatro n\u00e3o propunha diretamente solu\u00e7\u00f5es, mas sobretudo fornecia os dados para que o pr\u00f3prio p\u00fablico ou leitor fosse racionalmente conduzido a compreender a verdade. Sua obra \u00e9 marcada pela luta contra o capitalismo e o imperialismo.\n\nEle afirmava que um grande texto \u00e9 aquele que se modifica, por isso, reescreveu tudo at\u00e9 morrer, nunca considerando um trabalho como acabado, nada como definitivo. Sempre citava Shakespeare, dizendo que o mesmo ainda estava vivo quando suas obras eram alteradas em fun\u00e7\u00e3o das necessidades.\n\nO gosto pelo aspecto sombrio do homem, origina-se de suas lutas com o seu pr\u00f3prio car\u00e1ter. Deu in\u00edcio a sua carreira como um rebelde existencial, despreocupado com o crime, o sensualismo cego e a decad\u00eancia. Em seguida converte-se num revolucion\u00e1rio social.\n\n<strong>A revolta de Brecht tem duas camadas<\/strong>: em sua superf\u00edcie \u00e9 dirigida contra a hipocrisia, a avareza e a justi\u00e7a da sociedade burguesa; em sua camada mais profunda, \u00e9 contra a desordem do universo e os conflitos da alma humana.\n\nEm &#8220;M\u00e3e Coragem&#8221;, escrita em 1939, Brecht fala de a\u00e7\u00f5es her\u00f3icas, que paradoxalmente resultam de estupidez, de brutalidade, de loucura ou de simples erro humano.\n\n<strong>Essa pe\u00e7a fala sobre o significado da guerra. Ele define o que a pe\u00e7a deve evidenciar<\/strong>: \u0093que n\u00e3o s\u00e3o os humildes que fazem os grandes neg\u00f3cios numa guerra. Que a guerra, essa outra maneira de continuar o com\u00e9rcio, transforma toda virtude num poder de morte que se volta exatamente contra os que o det\u00eam.\n\nQue nenhum sacrif\u00edcio \u00e9 suficientemente grande para combater a guerra\u0094. M\u00e3e Coragem \u00e9 uma personagem pungente, astuciosa e interesseira, mas ao mesmo tempo, \u00e9 s\u00f3 uma m\u00e3e tentando defender seus filhos. Ela tenta sobreviver \u00e0 Guerra dos Trinta Anos como vendedora ambulante, levando consigo seus tr\u00eas filhos.\n\nN\u00e3o importa de qual lado, a guerra sempre lhe oferece neg\u00f3cios t\u00e3o lucrativos que ela n\u00e3o pode renegar. Ela \u00e9 astuta e bondosa, uma criminosa sem escr\u00fapulos e, ao mesmo tempo, uma v\u00edtima digna de compaix\u00e3o. Ela empobrece e perde seus filhos na guerra.\n\n<strong>Algumas Caracter\u00edsticas do teatro \u00c9pico:<\/strong>\n<blockquote><strong>1<\/strong> \u0096 O ser social determina o pensamento<strong>\n2<\/strong> \u0096 O Homem \u00e9 alter\u00e1vel, objeto de estudo, est\u00e1 \u0093em processo&#8221;<strong>\n3<\/strong> \u0096 Contradi\u00e7\u00f5es de for\u00e7as econ\u00f4micas, sociais ou pol\u00edticas movem a a\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica; a pe\u00e7a se baseia em uma estrutura dessas contradi\u00e7\u00f5es;<strong>\n4<\/strong> \u0096 Historiza a a\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica, transformando o espectador em observador, despertando sua consci\u00eancia cr\u00edtica e capacidade de a\u00e7\u00e3o;<strong>\n5<\/strong> \u0096 Atrav\u00e9s do conhecimento, o espectador \u00e9 estimulado \u00e0 a\u00e7\u00e3o (diferentemente da catarse que purifica o espectador);<strong>\n6<\/strong> \u0096 Raz\u00e3o em contraposi\u00e7\u00e3o \u00e0 emo\u00e7\u00e3o;<strong>\n7<\/strong> \u0096 O conflito n\u00e3o se resolve e emerge com maior clareza a contradi\u00e7\u00e3o fundamental;<strong>\n8<\/strong> \u0096 As falhas que o personagem possa ter pessoalmente (harmatias) n\u00e3o s\u00e3o nunca a causa direta e fundamental da a\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica;<strong>\n9<\/strong> \u0096 O conhecimento adquirido revela as falhas da sociedade;<strong>\n10 <\/strong>\u0096 \u00c9 narra\u00e7\u00e3o e n\u00e3o uma a\u00e7\u00e3o presente;<strong>\n11 <\/strong>\u0096 Vis\u00e3o do mundo e n\u00e3o sua viv\u00eancia;<strong>\n12 <\/strong>\u0096 Exige decis\u00f5es ao inv\u00e9s de despertar sentimentos.<\/blockquote>\nNa a\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica convencional (idealista), \u00e9 o conflito de vontades do homem que gera a a\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica. O homem \u00e9 visto como um ser imut\u00e1vel. Cria-se a empatia capaz de emocionar o espectador e retirar dele a possibilidade de a\u00e7\u00e3o. No final, o conflito se resolve porque surge um novo esquema de vontades. O personagem (indiv\u00edduo) n\u00e3o se adapta e isso \u00e9 a causa principal da a\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica.\n<h4>S\u00e9culo XX<\/h4>\nA partir da virada do s\u00e9culo, autores como os irlandeses Sean O&#8217;Casey &#8221;O arado e as estrelas&#8221; e John Millington Synge &#8221;O playboy do mundo ocidental&#8221; ainda escrevem textos realistas. Mas surgem in\u00fameras outras tend\u00eancias.\n\n<strong>Expressionismo<\/strong>\n\nSurge na Alemanha, entre a 1\u00aa e a 2\u00aa Guerras Mundiais. Advoga a explos\u00e3o descontrolada da subjetividade e explora estados psicol\u00f3gicos m\u00f3rbidos, sugerindo-os atrav\u00e9s de cen\u00e1rios distorcidos.\n\n<strong>Autores expressionistas <\/strong>\n\n&#8221;A caixa de Pandora&#8221;, de Frank Wedekind, &#8221;Os burgueses de Calais&#8221;, de Georg Kaiser, &#8221;Os destruidores de m\u00e1quinas&#8221;, de Ernst Toller, &#8221;R.U.R&#8221;., do tcheco Karel Capek, e &#8221;O dia do julgamento&#8221;, do americano &#8221;Elmer Rice&#8221;, exibem tamb\u00e9m preocupa\u00e7\u00e3o social, mostrando o homem em luta contra a mecaniza\u00e7\u00e3o desumanizadora da sociedade industrial, estudam os conflitos de gera\u00e7\u00e3o e condenam o militarismo.\n\n<strong>Futurismo<\/strong>\n\nForte durante os anos 20. Na It\u00e1lia glorifica a viol\u00eancia, a energia e a industrializa\u00e7\u00e3o. Na antiga URSS prop\u00f5e a destrui\u00e7\u00e3o de todos os valores antigos e a utiliza\u00e7\u00e3o do teatro como um meio de agita\u00e7\u00e3o e propaganda.\n\n<strong>Autores futuristas <\/strong>\n\nOs italianos, liderados por Filippo Tommaso Marinetti &#8221;O monoplano do papa&#8221;, evoluem para o fascismo, enquanto os russos, tendo \u00e0 frente Vladimir Maiakovski &#8221;O percevejo&#8221;, &#8221;Mist\u00e9rio bufo&#8221;, usam o teatro para difundir o comunismo.\n\n<strong>Teatro estilizado<\/strong>\n\nUma corrente que busca colocar o irreal no palco, abandonando o apego excessivo \u00e0 psicologia e ao realismo. Meyerhod \u00e9 o encenador que leva mais longe essas propostas, lan\u00e7ando os fundamentos do que chama de &#8220;teatro estilizado&#8221;.\n\nVsevolod Emilievich Meyerhold (1874-1940) nasce na R\u00fassia, trabalha inicialmente como ator e come\u00e7a como diretor teatral em 1905, indicado por Stanislavski.\n\nDirige os teatros da Revolu\u00e7\u00e3o e Meyerhold, encenando v\u00e1rias pe\u00e7as de Maiakovski. Utiliza o cinema como recurso teatral, em algumas de suas montagens o espectador pode ir ao palco, os atores circulam na plat\u00e9ia. Para Meyerhold o ator deve utilizar seu f\u00edsico na interpreta\u00e7\u00e3o, n\u00e3o ficando escravo do texto. Preso pela pol\u00edcia stalinista ap\u00f3s uma confer\u00eancia teatral, em 1939, morre num campo de trabalhos for\u00e7ados, provavelmente executado.\n\n<strong>Teatro da Crueldade<\/strong>\n\nNa Fran\u00e7a, nos anos 20, dada\u00edstas e surrealistas contestam os valores estabelecidos. Apontam como seu precursor Alfred Jarry, que, no fim do s\u00e9culo XIX, criou as farsas ligadas ao personagem absurdo do Pai Ubu. Antonin Artaud \u00e9 o principal te\u00f3rico desse movimento.\n\nAntonin Artaud (1896-1948) nasce em Marselha, Fran\u00e7a. Ator, poeta e diretor teatral, Artaud formula o conceito de &#8220;teatro da crueldade&#8221; como aquele que procura liberar as for\u00e7as inconscientes da plat\u00e9ia. Seu livro te\u00f3rico, &#8221;O teatro e seu duplo&#8221;, exerce enorme influ\u00eancia at\u00e9 os dias atuais. Passa os \u00faltimos dez anos de sua vida internado em diversos hospitais psiqui\u00e1tricos e morre em Paris.\n\n<strong>Teatro \u00c9pico <\/strong>\n\nTomando como ponto de partida o trabalho de Piscator, que lutava por um teatro educativo e de propaganda, o alem\u00e3o Bertolt Brecht prop\u00f5e um teatro politizado, com o objetivo de modificar a sociedade.\n\n<strong>Autores \u00e9picos<\/strong>\n\nOs principais seguidores de Brecht s\u00e3o os su\u00ed\u00e7os Friedrich D\u00fcrrenmatt &#8221;A visita da velha senhora&#8221; e Max Frisch &#8221;Andorra&#8221;, e os alem\u00e3es Peter Weiss &#8221;Marat\/Sade&#8221; e Rolf Hochhuth &#8221;O vig\u00e1rio&#8221;. Na It\u00e1lia, Luigi Pirandello &#8221;Seis personagens \u00e0 procura de um autor&#8221; antecipa a ang\u00fastia existencial de Jean-Paul Sartre &#8221;Entre quatro paredes&#8221; e Albert Camus &#8221;Cal\u00edgula&#8221;.\n\nBertolt Brecht (1898-1956), dramaturgo e poeta alem\u00e3o. Serve na 1\u00aa Guerra Mundial como enfermeiro, interrompendo para isso seus estudos de medicina.\n\nCome\u00e7a a carreira teatral em Munique, mudando em seguida para Berlim. Durante a 2\u00aa Guerra exila-se na Europa e nos EUA. Acusado de atividade antiamericana durante o macarthismo, volta \u00e0 Alemanha e funda, em Berlim Oriental, o teatro Berliner Ensemble. Em &#8221;O c\u00edrculo de giz caucasiano&#8221;, &#8221;Galileu Galilei&#8221; ou &#8221;Os fuzis da senhora Carrar&#8221;, substitui o realismo psicol\u00f3gico por textos did\u00e1ticos, comprometidos com uma ideologia de esquerda. Afirmando que, em vez de hipnotizar o espectador, o teatro deve despert\u00e1-lo para uma reflex\u00e3o cr\u00edtica, utiliza processos de &#8220;distanciamento&#8221;, que rompem a ilus\u00e3o, lembrando ao p\u00fablico que aquilo \u00e9 apenas teatro e n\u00e3o a vida real.\n\n<strong>Teatro Americano<\/strong>\n\nNa d\u00e9cada de 20 adquire pela primeira vez caracter\u00edsticas pr\u00f3prias, marcado pela reflex\u00e3o social e psicol\u00f3gica, e come\u00e7a a ser reconhecido em todo o mundo.\n\nSeu criador \u00e9 Eugene O&#8217;Neill, influenciado por Pirandello.\n\nAutores americanos &#8211; Al\u00e9m de Eugene O&#8217;Neill, destacam-se Tennessee Williams, Clifford Oddets &#8221;A vida impressa em d\u00f3lar&#8221;, &#8221;Que retrata a Depress\u00e3o&#8221; , Thornton Wilder &#8221;Nossa cidade&#8221; e Arthur Miller com textos de cr\u00edtica social; e Edward Albee que, em &#8221;Quem tem medo de Virginia Woolf?&#8221;, fala do relacionamento \u00edntimo entre os indiv\u00edduos.\n\nEugene O&#8217;Neill (1888-1953), filho de um ator, nasce em Nova York e passa a inf\u00e2ncia viajando. Durante a juventude percorre os pa\u00edses do Atl\u00e2ntico durante cinco anos, a maior parte do tempo como marinheiro, experi\u00eancia que \u00e9 utilizada na constru\u00e7\u00e3o de seus personagens marginais. Em &#8221;Estranho interl\u00fadio&#8221;, &#8221;O luto cai bem a Electra&#8221; ou &#8221;Longa jornada noite adentro&#8221;, confunde os planos da fic\u00e7\u00e3o e da realidade e mergulha nos mecanismos psicol\u00f3gicos de seus personagens. Extremamente pessimista, mostra o homem preso de um destino sem sentido &#8211; o que tamb\u00e9m o situa como um precursor do existencialismo.\n\n<strong>Teatro do Absurdo<\/strong>\n\nA destrui\u00e7\u00e3o de valores e cren\u00e7as, ap\u00f3s a 2\u00aa Guerra Mundial, produz um teatro anti-realista, il\u00f3gico, que encara a linguagem como obst\u00e1culo entre os homens, condenados \u00e0 solid\u00e3o.\n\n<strong>Autores do teatro do absurdo<\/strong>\n\nDestacam-se o irland\u00eas Samuel Beckett; o romeno naturalizado franc\u00eas, Eug\u00e8ne Ionesco; o ingl\u00eas, Harold Pinter. O franc\u00eas Jean Genet &#8221;O balc\u00e3o&#8221; escolhe assuntos &#8220;malditos&#8221;, como o homossexualismo. &#8221;Tango&#8221;, do polon\u00eas Slawomir Mr\u00f3zek, e &#8221;Cemit\u00e9rio de autom\u00f3veis&#8221; e &#8221;O arquiteto&#8221; e &#8221;O imperador da Ass\u00edria&#8221;, do espanhol Fernando Arrabal, tamb\u00e9m marcam o per\u00edodo.\n\nSamuel Beckett (1906-1989), dramaturgo, poeta e romancista irland\u00eas. Depois de formado em Dublin, mora em Paris por dois anos. Seu teatro, recheado de paradoxos e humor negro, rejeita a busca de explica\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia atrav\u00e9s do racionalismo. Em &#8221;Esperando Godot&#8221;, sua primeira pe\u00e7a, dois vagabundos conversam esperando um misterioso Godot que nunca aparece, numa par\u00e1bola da condi\u00e7\u00e3o humana.\n\n<strong>Tend\u00eancias Atuais <\/strong>\n\nEm anos recentes alguns dramaturgos ainda se destacam, mas o eixo criador desloca-se para os grupos teatrais. As experi\u00eancias dos grupos fundados nas d\u00e9cadas de 70 a 90 t\u00eam em comum a elimina\u00e7\u00e3o da divis\u00e3o tradicional entre o palco e a plat\u00e9ia; al\u00e9m da substitui\u00e7\u00e3o do texto de um autor \u00fanico por uma cria\u00e7\u00e3o coletiva e da participa\u00e7\u00e3o do espectador na elabora\u00e7\u00e3o do espet\u00e1culo. A figura do diretor torna-se mais decisiva do que a do autor. O polon\u00eas Jerzy Grotowski \u00e9 um dos maiores nomes do teatro experimental.\n\nJerzy Grotowski (1933- ) nasce em Rzesz\u00f3w, Pol\u00f4nia. Seu trabalho como diretor, professor e t\u00e9orico de teatro tem grande impacto no teatro experimental a partir da d\u00e9cada de 60. De 1965 a 1984 dirige o teatro-laborat\u00f3rio de Wr\u00f3claw, onde prop\u00f5e a cria\u00e7\u00e3o de um &#8220;teatro pobre&#8221;, sem acess\u00f3rios, baseado apenas na rela\u00e7\u00e3o ator\/espectador. Em 1982 passa a morar nos EUA e atualmente vive e trabalha no Centro de Pesquisa e Experimenta\u00e7\u00e3o Teatral de Pontedera, na It\u00e1lia.\n<h4>Grupos teatrais<\/h4>\nDestacam-se o Living Theatre, de Julian Beck e Judith Malina; o Open Theatre, de Joseph Chaikin; o Teatro Campesino, de Lu\u00eds Miguel Valdez; o Bred and Puppet, de Peter Schumann; o Odin Teatret, de Eugenio Barba; o Centro Internacional de Pesquisa Teatral, de Peter Brook; o Th\u00e9\u00e2tre du Soleil, de Ariane Mnouchkine; o Grand Magic Circus, de J\u00e9r\u00f4me Savary; o Squat, de Budapeste; o Mabou Mines e o Performance Group, dos EUA; e <strong>as companhias dos: <\/strong>americanos Bob Wilson, Richard Foreman, Richard Schechner e Meredith Monk; dos italianos Carmelo Bene, Giuliano Vassilic\u00f2 e Mem\u00e8 Perlini; do falecido polon\u00eas Tadeusz Kantor e a do brit\u00e2nico Stuart Sherman.\n\nBob Wilson (1941- ), diretor americano nascido em Waco, Texas. Muda-se para Nova York aos 20 anos. Seus problemas de fala na inf\u00e2ncia contribuem para que se aprofunde na liguagem visual. Seu teatro busca a arte total com recursos de luz, gestos, cen\u00e1rios. As montagens s\u00e3o, muitas vezes, extremamente longas como &#8221;A vida e a \u00e9poca de Josef Stalin&#8221;, que tinha 12h de dura\u00e7\u00e3o.\n\nPeter Brook (1925- ) nasce em Londres e estuda em Westminster, Greshams e Oxford. Como diretor teatral, nos anos 60, inova em montagens de Shakespeare como &#8221;Rei Lear&#8221;, e em &#8221;Marat\/Sade&#8221;. Em 1970 transfere-se para Paris fundando o Centro Internacional de Pesquisa Teatral. Centra seu trabalho na valoriza\u00e7\u00e3o do ator. Trabalha com grupos de diversas nacionalidades para que as diferen\u00e7as culturais e f\u00edsicas enrique\u00e7am o resultado final. Uma de suas montagens mais conhecidas, &#8221;Mahabharata&#8221;, \u00e9 adaptada de um cl\u00e1ssico indiano. Mais tarde a transforma em filme.\n\n<strong>Autores atuais<\/strong>\n\nOs autores mais representativos do final do s\u00e9culo XX s\u00e3o os alem\u00e3es Peter Handke (Viagem pelo lago Constan\u00e7a), Rainer Werner Fassbinder (Lola), tamb\u00e9m diretor de cinema, Heiner M\u00fcller (Hamlet-Machine) e Botho Strauss (Grande e pequeno); o americano Sam Sheppard (Loucos de amor), o italiano Dario F\u00f3 (Morte acidental de um anarquista), ou o chileno Ariel Dorfman (A morte e a donzela).\n<h4>Teatralismo<\/h4>\nNa d\u00e9cada de 90, musicais como &#8221;Les mis\u00e9rables&#8221;, dirigido por Trevor Nunn e John Caird ou &#8221;Miss Saigon&#8221;, dirigido por Nicholas Hytner, ilustram a tend\u00eancia ao chamado &#8220;teatralismo&#8221;, a volta \u00e0 explora\u00e7\u00e3o dos recursos espec\u00edficos da linguagem de palco &#8211; encena\u00e7\u00f5es elaboradas, estilizadas, ricas em efeitos especiais e ilus\u00f5es teatrais. Isso acarreta o decl\u00ednio acelerado das montagens ditas &#8220;minimalistas&#8221;, como algumas de Bob Wilson, que usavam cen\u00e1rios austeros, guarda-roupa simplificado, o m\u00ednimo de adere\u00e7os de cena, gestos reduzidos.\n\nA partir da virada do s\u00e9culo, autores como os irlandeses Sean O&#8217;Casey &#8221;O arado e as estrelas&#8221; e John Millington Synge &#8221;O playboy do mundo ocidental&#8221; ainda escrevem textos realistas. 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